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POLITICAL Roto e esfarrapado O Para nunca viu uma troca de acusaq6es tao violent entire suas principals autoridades. Ela tornou-se uma atragao pela television, que revive cenas do passado com "glamour" eletr~nico Ade "strip-tease" moral. Ano Ill NO 61 Circula apenas entire assinantes soras de television de Bel~m ganhou nova atra- glo. Repleta de lances de viol~ncia verbal e despojamento moral, essa atragio tem con- quistado elevados indices de audibncia e catalizado o interesse da opiniko paiblica, mas certamente esti provocando a maior onda de perplexidade e espanto na hist6ria recent do Estado do Pard. Os mais no- vos estio sendo introduzidos a um passado da polf- tica paraense que, para os mais velhos, traz como novidade a incorporagio dos meios de comunicaSgo eletr~nicos e o fato de que agora o pugilato trava-se entire balratistas e baratistas, personagens antedilu- vianos de uma era ad nio superada inteiramente porque, do ponto de vista politico, o ParB anda para tr~s. O ex-ministro Jader Barbalho duas vezes e o governador H61io Gueiros uma vez, at6 a semana passada, haviam ocupado emissoras de r~dio e tele- visio para desfechar, um contra o outro, as mais duras e graves acusag6es que pessoalmente jB se fi- zeram tio altas autoridades do Estado. Diz o ex-mi- nistro que o governador faz acusagdes levianas e absurdas porque 6 um alcodlatra. Acusa-o de falso moralists, que aponta a corrupgio dos outros e tent nio ver a corruppio dentro de sua prbpria familia. Jor nal Pessoal Liicio Flitvio Pinto 29 Quinzena de Abril de 1990 governador Alacid Nunes funcionaram como guin- daste para carregar a candidatura do jornalista e cartor~rio, fazendo-o veneer o senador Jarbas Pas- sarinho, individualmente o mais votado. Em 1986, nio foi o trabalho de quatro anos no Senado que fez de Guciros governador, mas a mbquina de votos montada por Jader Barbalho, em agio tio pessoal que excluiu a'alianga com Alacid. No Senado, Gueiros se destacara por uma in- cansivel fustiga~go so senador Passarinho e uma defesa intransigente dos interesses da administrator Jader Barbalho, chegando mesmo a obstruir as ses- s6es plend;rias para atingir ease ob~jetivo. No gover- no, as- queixas e ataques foram desfechados apenas nos bastidores ou cercados de cuidados e sutilezas at6 julho de 1988, quando o medico Henry Kayath sofreu a primeira das ofensivas que acabariam pro- vocando sua demissio, com desonra, 15 meses de- pois. A instauragio de sindic~ncia e, depois, inqu6- rito contra atos de Kayath na Superintend~ncia da Sudam sinalizaram o estado de- alerta. Mesmo que endossados pelo entfio ministry do Interior, Jolo Alves, e pelo president Jos6 Sarney, as hostilida- des tinham um autor oculto: Jader Barbalho. Jg sua motivagio era clara: cortar as asas do ex-amigo, colocado no cargo pelo pr6prio Barbalho, masqune queria ter v6o prbprio, e tird-lo do comando de am cargo estrat~gico para o esquema politico do gover- nador, que ji n~io contemplava o ministry. A partir desse memento, os dois antigos amigos e correli- giond~rios comegavam a se tornar inimigos, nio pelo ch~que de vis6es polfticas e ideoldgicas distintas, O governador seria ainda um home sem carit~er, capaz de todos os tipos de inconfidgncias e desleal- dades. JB H61io Gueiros disse, com todas as letras, que Jader Barbalho 6 um ladrio, que ele enriqueceu apropriando-se do dinheiro pdblico. Para isso, montou uma mifia que se locupleta e corrompe to- dos os stores da vida pdblica. Nio se sabe o que 6 mais espantoso: se a in~r- cia geral depois desse autgntico "streap-tease" mo- ral, que nIo conseguiu sequer despertar o interesse do Ministerio PdSblico, teoricamente o brago judicial do cidadio, ou se a motivagio dos dois contendores para escavocar em lama negra e fMtida sem perceber o odor dessa atividade. Talvez as duas situag6es se expliquem pelo grau de degradagio e decad~ncia dia vida pdiblica paraense, contaminando, por extensio e derivative, os padres socials de avaliagio. H61io Gueiros e Jader Barbalho se abragaram e trocaram mdtuos e fartos elogios a 15 de margo de 1987, quando o primeiro recebeu do segundo o principal cargo pdiblico do Estado. A troca de faixa era feita entire amigos e correligiont~rios de muitos anos, originsrios da mesma matriz political. Como um dos redatores da prestigiosa coluna Rep~rter 70, de O Liberal, Gueiros tinha sido, so lado do ex-vi- ce-governador Newton Miranda, outro cardeal da coluna, respons~vel pelo incessante destaque dado I carreira parlamentar do joyem politico. Mas Gueiros ji nio tinha densidade eleitoral prdpria (depois de ter sido deputado federal no final da decada de 60) quando Jader o indicou candidate so Senado, em 1982. As sublegendas do PMDB c o apoio do entio Na sua primeira entravista na TV, Jader Barba- lho disse que indicou o medico Henry Kayath para a Sudam, em abril de 1985, por achar que a velho pes- sedista tinha sido um injustigado em 1964, acusadq em inqudritos conduzidos pelos militares que derru- baram Jodo Goulart de responsdvel por vdlrias irre- gularldades na Secretaria da Fazenda do Estado, in- clusive enriquecimento il/cito. Na 4poca, Jader era "um rapazola, adolescente, tendo formado opinido depois, pelo pai, que the havia garantido ter sido Ka- yath vftima do entdio governador Jarbas Passarinho, mas que era um home competent, s~rio a prepara- do. Jader acreditou tanto que tirou Kayath das ativi- dades mddicas no Rio de Janeiro, onde so fixara du- rante 20 anos, completamente afastado das fungbes pdblicas no Pard, dando-lhe a principal cargo da ad- ministragdo federal na Amazdnia. Por mero acaso, Jader sd descobriu a "outra face" da personalidade de Checralla Kayath, como preferiu tratar o ex-superindente, quando ele come- gou a trabalhar para ser a successor de Hdlio Gueiros e formou um esquema de poder com a governador que exclufa o entiio ministry. Jader ndo lembrou na entrevista que de 1983 a 1986 (portanto, durante sua administragbo no Estado), Kayath era o responsdvel pelas aplicagdes financeiras dos recursos do gover- no no Rio de Janeiro, sem ter nonhuma compet~ncia formal ou legal para isso e sem uma contabilidade regular dessa movimentagdio de dinheiro. Os mais fn- timos do ex-governador diziam que Kayath ndo ape- nas era o secretdrio de finangas sem pasta, como administrava os negdcios particulares de Jader - sem fazer muita diferenga entre as duas fontes de dinheiro, alid~s. Nao foi qualquer md condugdo dos recursos da Sudam que, provocando a sensibilidade de home pdblico de Jader, a fez alastar Kayath da superinten- ddncia, mas as articulagdes que o ex-amigo passou a fazer junto a adversdlrios, montando um esquema que ameagaria o retorno de Barbalho ao poder pleno no Estado em 1990. O interesse pdblico ndio fai o critbrio de escolha de Kayath jd na sua origem. Neste ponto, acho que posso dar um depoimento de inte- resse sobre essa questso. No infcio de 1985, quando conversei pela cbitima vez com Jader Barbalho abertamente, do amigo para amigo, ponderei-lhe a inconveni~ncia da indicagdo de Kayath para o cargo. Ele safra de Beldm sob um es- tigma jamais eliminado porque ndo provada a falsida- de da acusagdo documentada a ele imputada, que nada tinha a ver com subversao ou iddias political, mas com a gestdo do dinheiro pdblico. Aldm disso, Kayath estava afastado do Pard hd multo tempo, de- dicado &3 sua profissao. Jader iria reeditar as erros cometidos pelo senador Jarbas Passarinho durante o largo tempo em que pbde indicar quem queria para cargos pdSblicos no Pardg, demonstrando quase sem- pre infelicidade nas escolhas. Jader ouviu e nada disse. Pouco tempo depois conseguiria junto a Sar- ney a nameagdio de Kayath. Nao fazia isso pelos su- periores interesses do Estado ou pela convicgdo in- gbnua de adolescent, mas por interesse pessoal, a mesmo tipo de interesse que a levou a tirar Kayath do cargo e a atacd-lo agora, na posigdo de fariseu. A falsa ingenuidade mas por interesses pessonis e corporativos confli tantes. So nobres fossem as razdes da dissenglo, Guciros poderia ter revelado para a opiniio pdiblica o que comeg~ou a descobrir apenas tr~s meses depois do ter assumido o cargo de governador. Em junho de 1987, o Banco do Brasil bloqueou a cota do ICM do Estado para cobrir com ela o vencimento da pri- meira prestagio do empr~stimo de 20 milhdes de ddlares contrafdo por Jader a apenas tr~s dias de passer o governor. A transa~go d~o previa prazo de car~ncia, vencia trimestralmente, em 10 prestag6es, com todos os encargos, como se fosse um super-pa- pagaio, um present de grego deixado ao amago. Jg antes Gueiros soubera que, num de seus 6ltimos atos, Jader efetivara seis mil funcionsrios pdblicos admitidos no Estado a tftulo preedirio, sem concur- so. E, no quatrienio, colocara na folha estadual cer- ca de 15 mil pessoas. O governador tambem teve uma no~go exata dos metodos de ger~ncia e administragIo dos recur- sos pdblicos de seu antecessor quando, dias depois da posse, a Construtora Andrade Gutierrez apre- sentou-se como credora de 116 milhoes de ddlares' que ela havia obtido atrav~s de empr6stimo para construg~o da PA-150 (a estrada de ligagio de Be- 16m ao sul do Estado, considerada a principal reali- za~go do governor Barbalho), por ela mesma cons- trufda nos principals trechos. O acerto anterior pre- via que o governor ficaria com 20%. O governador exigiu metade dos recursos e s6 acciton receber os emissgrios da empresa mineira depois que eles con- cordaram com a nova dedugio a contragosto, evi- dentemente. Esse tipo de acerto, que nio consta dos ma- nuais da administragio pdblica, tornou-se padriio na ca6tica formal de agir de um governador que, como Jader, centralizava tudo e confundia seus negbcios com os do Estado. Mas isso jamais foi novidade pa- ra H61io Gueiros, como ele prbprio admitiu. Na en- trevista dad a TV Cultura no dia 16, o governador revelou que, no final de 1986, Jader lhe comunicara que trbs cheques administrativos emitidos pelo Ban- co do Estado do ParB seriam na verdade repassados para a campanha eleitoral de Tancredo Neves. Uma outra operagio desse tipo, de 300 mil d61ares, ser- viria para o pagamento de propina ao entio ministry do Planejamento, Delfim Neto, que assim liberaria empr6stimo de US$ 20 milh6es para o Estado. Guei- ros s6 manifestou esclndalo e indignagio diante de tais opera~ges quatro anos depois, sem parecer atentar que sen sil~ncio diante do relate de transa- gdes evidentemente irregulares significava conivbn- cia e aprovagio. Mesmo quando experimentou no exerefcio do governor o amargor dos desmandos praticados por Jader, Gueiros mostrou uma tolerlncia fant~stica para com o ex-ministro. Na mensagem que mandon para a Assembl~ia Legislativa, no inkcio de 1988, classificou de "vit6ria maidiscula" a revogagio do decreto-lei 1164, que havia federalizado as terras devolutas estaduais da Amazbnia, quando fora con- venientemente informado (inclusive por este JOR- NAL PESSOAL) de que o ato do entio ministry da Reform Agrd~ria nio passava de manipulagio e en- godo. Engolindo sapos, H61io continuou a aparecer sorridente ao lado de Jader. A toler~ncia a essa diet talvez fosse alimentada por seus pianos de afastar o aliado inconvenient no memento certo, na hora de escolher seu successor. S6 quando a princi- pal pega dessa engrenagem foi imobilizada, com a ameaga langada contra Kayath, 6 que o governador comegou a abrir seu jogo e a radicalizar progressi- vamente sua linguagem, at6 que Jader e ele se tor- nassem inimigos de inf~incia. As dendncias. que agora Gueiros vem fazendo publicamente slo, em grande parte, verdadeiras. Mas se o principal alvo 6 Jader Barbalho, resvala munigio suficiente para atingir e de formal letal - o atirador. Em~ primeiro lugar, porque 6 cdmplice de alguns desses atos que procura atribuir solitaria- mente a Jader. Em segundo lugar porque, ao receber ataque de arma de idbntico calibre, em relagio B qual o ex-ministro mostrou que ele niio est8 imune, o governador deixa patente para a opiniio pdiblica sd ter entrado nessa guerra por interesse contraria- do e nio pela defesa da causa on da moralidade pdl- blicas. Em terceiro lugar, porque ambos, mesmo com currfculos distintos, usam os mesmos meios e visam fins semelhantes. Que confianga pode inspi- rar uma autoridade que guard confidencias sujas (d'omo as de Jader sobre funds espirios de campa- nha eleitoral e compra de autoridade) durante qua- tro anos para s6 reveld-las no auge de um litigio passional? Uma avaliagio isenta da troca de acusagdes poderia acabar saindo favorlvel, em terms estrita- mente individuals, no governador, capaz de explicar mais facilmente do que o ex-ministro a origem do seu patrim~nio pessoal. Mas essa mesma avaliag~io certamente chegaria g conclusio de que H61io Guei- ros niio 6 alternative a Jader Barbalho e que a dife- renga entire os dois 6 mais de matiz do que ~de substfincia. Na guerra que os dois travam, bem ao estilo baratista, mais important do que estar com a razio 6 veneer. A verdade, alias, 6 apenas um instrument usado conforme as conveni~ncias. Por isso, nenhum dos contendores procura a verdade at6 o fim. Estan- cam onde lhes convgm, da mesma maneira como descartam as pessoas conforme sua utilidade. O ex- ministro jogou no fogo seu correligiondrio, o de- putado federal Manoel Ribeiro, que na Secretaria dos Transportes foi o responsivel pelos atos de fa- vorecimento aos filhos do governador. JA Gueiros afirmou que seu ex-secretsirio da Inddstria e Com~rcio, Nelson Ribeiro, nio pode ser candidate a deputado federal por ter sido punido pelo Banco Central. Nelson realmente foi punido, na condigio de president do Banco do Estado do ParB, em cuja gestio vd~rias irregularidadades foram cometidas, mas a pena foi s6 a suspensio tempor8- ria do exercicio de atividades bancsirias, uma das formas mais brands de sanglo administrative que o Banco Central tinha a sua disposigio. O ex-secretd- rio continue elegivel, mas, por ter ido a estag;io de televisio ver o program de Jader Barbalho, ja pode se considerar inimigo do home que na vespera o elogiava como competent, digno e honest, embora muito submisso ao poder. O pugilato Gueiros x Barbalho reforga a con- vicq~o da opiniio pdiblica de que os papeis politicos no ParB estio muito acima da capacidade dos perso- nagens. entire o governador H61io Gueiros e o ex-mi- nistro Jader Barbalho, a verdade da mentira nio 6 tarefa fs~cil. Os dois exibiram documen- tos diante das cameras de televisio, mas nio entre- garam esses pap6is a um analista imparcial para um exame t~cnico, desapaixonado. A dimensio da in- vestigagio a ser feita tambem impossibilita um jufzo final sobre cada um dos itens apresentados, princi- palmente porque cada uma das parties enquadra es- sas ag6es em vsirios dos titulos do Cddigo Penal: peculate, estelionato, enriquecimento ilfcito, nepo- tismo, etc. Diante da gravidade de algumas dessas denducias, numa sociedade mais evolufda um repre- sentante do Minist~rio Pdiblico jB deveria ter cha- mado as autoridades & Justiga para dar infcio I apu- ragio penal e criminal das responsabilidades, todas elas de alguma maneira origind~rias on resvalando em recursos pdblicos. A falta dessa elementary de- monstragio de zelo pela coisa pdiblica, caberia & imprensa fazer uma checagem rigorosa de todas as hist6rias suscitadas e repassar os resultados g so- ciedade. Seria a maneira de transformar uma lava- gem de roupa suja incontinenti numa prestagIo de contas hqueles qixe, no final de tudo, paga essa conta: o povo. Ainda na precariedade de dados documentais comprobatdrios, pode-se fazer algumas observagdes mais pertinentes do que as agress6es gratuitas a respeito de algumas das questdes mais importantes reveladas pelas duas parties. Filhos do governador O ex-ministro Jader Barbalho tem razio quando diz que os filhos do go- vernador entraram para a administration pdblica ou se tornaram bem sucedidos na iniciativa privada com a ascensio do pai, mas exagera em alguns ca- sos por falta de proves. Paulo Erico, que era apenas um advogado contratado do escritbrio Klantau, pas- son a ter um movimentado escrit6rio, assumindo causes dependents on relacionadas com o Estado, como a da Rodomar contra a Transbrasiliana (a mu- danga de patrono foi nlo cursor da agio, envolvendo concessio estadual de linha de 6nibus). Foi asses- sor de Henry Kayath na Sudam justamente no mo- mento em que o drgio beneficiava a Ebal, empresa de construgio naval na qual o irmio, Andr6, 6 di- retor industrial. Paulo tornou-se assessor jurfdico da Ebal, assim como da Copem, responssvel pola construgIo da passarela em frente no Instituto Lau- ro Sodr6 (que teria custado 28 milhdies de cruzeiros, "a mais cara do mundo", segundo Barbalho) e em- preiteira da Centrais Eletricas' do Pars, onde Ramiro Bentes, donor da Copem at6 passer o comando da empresa aos filhos, 6 director financeiro. H61io Jr. 6 director de assist~ncia so estudante da Secretaria de EducagBo. Nesse caso, control o convenio com a FAE, que fornece merenda escolar a toda a rede de ensino estadual. Presidio as licita- "Quem quiser falar comigo que vd a Paldcio. EU ndo me escondo no idesp, na Cohab ou no Banco do Estado". Dita em outubro de 1988, a frase do gover- nador Hblio Guairos podia ser considerada verdadei- ra. Ele ainda so esforgava por estabelecor um padrdo do administragdo pdblica, com retina de despacitos, ordem na agenda, transpargncia nas agdes a uma imagem de lisura, apesar de iddias francamente questiondvels. Gueiros, com a frase e sua agbo, pro- curava- estabelecor um contrast com administragdo cadtica do sou antecessor, que so escondia em ou- tros enderegos do serving pdblico a de id mandava chamar apenas as possoas com as quais estava in- teressado em conversar, geralmente sobre articula- Sgbes polfticas a negdcios ndo muito bem discernfvels B luz do dia. Mas hoje a governador Hdlio Gueiros pode ser encontrado com multo maior frequbncia na granja do Icut, onde passou a morar, ou na residbncia official, entrogue Lf filha e so marido, que Id so casaram - num ambiente reformado a decorado a Id constitut- ram sou domicnio. O governador tambdm jd s6 dd despachos setorizados, colocando na "geladeira" auxiliares que ndo lhe agradam, mas que ndo toma a Iiniciativa de dispenser. Apenas um secretdrio tem a privilegio de despachos rotineiros, a da Fazenda, pa- ra manter a governador em dia sobre as aplicagdes financeiras do dinheiro do Estado, objeto da maior atengdo de Gueiros. Ele estarelou o planejamento estadual e acabou com a trabalho de equipe, a que transformou sua administragdio numa contabilidade de combrcio a numa mdquina sob o estrito control de meia ddzia de pessoas. A contagem regressive ate margo de 1990 parece marcar a tempo de desin- togragdo de um governor inaugurado sob a melhor das expectativas. A sua maneira, a governador tentou demarcar tempos novos. Com a impress ao lado, fai possoal- mente entregar doag6es de dinheiro do jogo do bicho, iniciando a temerdria polftica de oficializar a morali- zar uma atividade clandestine a marginal. Sob ques- tionamentos quanto so valor [nfimo dos donativos dos be~nqueirtos do bicho e a agdo do intermedidrios, Gueiros comandou dois atos de entrega. E depois ndo deu mais informagbes sobre a renda da conta aborta num banco para receber as contribuigdes, voltando & prdtica de seu antecessor. A sensagdo de que a severidade, a control, o empenho e a dedicagdo da primeira fase do governor Gueiros se tornaram com o a gs de um baldo mal amarrado, que perde pressio atd ficar murcho, foi avivada pelas acusagdes do ex-ministro Jader Bar- balho, tdo mal acomodado na posigdio de juiz, mas com palhai suficiente em si prdprio e ao alcance da mdo para atigar o incbndio. Talvez ndo haja bom- beiro capaz do apagd-lo, mas quando a vegetagdo jd n~o presta, as cinzas tbm pelo menos a mdrito do fertilizer a solo para um novo plantio. O saido das acusaS6es A fungao do fogo 96es na Seduc e no Prodepa, a empress de proces- samento de dados do Estado. O marido de ClBudia Guciros, Daniel Dias, 6 um dos s6cios da Construo, que ganhou conconrrncia e repassou-as a terceiros porque nio tem estrutura para executor os servings. Bbal A empresa Estaleiros da Bacia Amaz6- nica teve seu projeto aprovado pela Sudam em de- zembro de 1985, mas passon 11 meses sem receber neahuma liberag~o de incentives fiscais. Estava virtualmente em estado pr6-falimentar, com dezenas de protests em cart6rio, quando a Sudam comegou dar-lhe dinheiro, em novembro de 1986, amiudando as liberagdes a partir de maio 1987, quando Andr6 Guciros ji era director industrial. Em poucos meses, todos os recursos comprometidos pelo diffcil arti- go 17, muito escassos jB haviam sido liberados e a empress fechou o ano de 1987 com 165 milhdes de cruzados de incentives fiscais para um capital de 290 milhbes. Em agosto de 1987 teve seu projeto de ampliagio aprovado, fochou o balango de 1988 com 490 milhbes de incentives para um capital de 752 milhdes. A generosa torneira de incentives aberta pelo superintendent Kayath (ver box) fez do esta- leiro o maior da Norte-Nordeste e o s6timo do pafs, ajudado pelas encomendas compuls6rias que todo projeto pesqueiro aprovado pela Sudam tinha que fazer. A demand foi incrementada em seguida pela Secretaria dos Transportes do Estado, tamb6m prd- diga em pedidos. Claro que algumas dessa encomendas resulta- ram de concorr~ncia pdblica. Uma delas, no valor de 1.181.482 BTNs, foi para a constru~go de em. barcagdes para a Secretaria da Fazenda. O melhor lance foi apresentado pelo Estaleiro do Rio Negro, de Manaus, mas a empresa foi desclassificada com o argument de que apresentara prazo de 120 dias pa- ra a entrega da encomenda, quando o prazo de edi- tal era de 60 dias (mas que a empresa aceitou ver- balmente). No dia 22 de novembro de 1987 o go- vernador assinou ato reconhecendo a vit6ria da Erin. Dois dias depois, alegando interesses do ser- vigo pdblico e menor prazo de construgio, o gover, nador den a vit6ria ao segundo colocado, a ETN (Empresa T~cnica Nacional). A Erin recorrou a Justiga, ganhou liminar para a sustagio do contrato (que.seria composto com a Ebal), mas acabou de- sistindo da agio (segundo a dendncia dos jaderistas, por pressio de Paulo Gueiros, hoje um influence personagem no Forum). Liberaqoes generosas Liberagdes de incentives fiscais da Sudam para a Ebal: 1 1/1 1/86 Cz$ 3. 383. 448 22/05/87 Cz$ 5 119.948 18/06/87 -Cz$ 15.999.998 14/09/87 -Cz$ 20.000.000 20/10/87 -Cz$ 33.071.001 05/11/87- Cz$ 12.084.456 18/11/87 -Cz$ 41.572.041 16/12/87 -Cz$ 36.154.324 18/05/88- Cz$ 59.999.997 17/06/88 Cz$ 146.917.887 14/12/88 Cz$ 217.827 107 Oficialmente, Andr6 Gueiros 6 director e Paulo assessor juridico da Ebal. Mas o ex-ministro mos- trou um contrato (desses "de gaveta") no qual am- bos slo intervenientes numa mudanga de composi- glo societiria que colocou um novo donor na empre- sa. Ele seria "testa de ferro" dos dois irmios, questio ainda a ser checada nos documents do ex- ministro, exibidos mas nlo entregues para apuragio. Unipesca Nio hB dlivida de que se trata de uma empresa de papel associada g Ebal (fica em ter- reno continue, no qual ainda nio hB edificagdes). Mesmo assim recebeu incentives da Sudam e at6 te- ve aprovado sen projeto de atualizagio, embora nio contasse com a documentagio preliminary da extinta Sudepe para atuar como empresa pesqueira e enco- mendar barcos. Patrimbnio de Jader O ex-ministro sofisma quando diz que seu atual patrim6nio 6 produto de negdcios que realizou com base em bens que ji pos- sufa quando assumiu o governor. A incrfvel variagio patrimonial que se deu a partir de 1983 s6 6 camu- flivel porque a declaraglio de imposto de renda nio 6 correta tecnicamente no registro dos valores pa- trimoniais (ou nio era, lacuna ao menos parcial- inente sanada a partir de agora). O ex-ministro de- clarou o pr~dio do journal "Didirio do ParB" por um valor quatro vezes inferior ao real, distorgio ainda mais flagrante em relagio ao apartamento de luxo no qual mora em Bel~m. Documentos "de gaveta" permitem manipulagdes como a realizada na aquisi- gao da TV RBA. Formalmente, foi um contrato de arrendamento, com assunglio da dfyida. Na realida- de, Jader pagou mesmo o equivalent a 13 milh6es de d61ares, valor impressionante por qualquer crit6- rio que venha a ser analisado. Ademais, al~m de encontrar funds multiplicados para expandir seu patrim~nio, o ex-governador ainda consegue uma impressionante reposigio de capital para manter o giro de neg6cios pesadamente deficitbirios, como a pr6pria television. Todos esses recursos estimulam Jader a colocar os bens em seu nome, confiando no achatamento de valor como formal de explicar ai multiplicagio dos itens patrimoniais. N8 Verbalidade A ditima auditagem realizada pelo Banco Cen- tral nas contas do Banco do Estado do Pard, ainda em cu"' o i sol c tad~aowrbalh nte pello presidet tado federal Aloysio Chaves e candidate a eleigio de outubro). A diretoria do BanparB queria fazer a solicitagiio por escrito, mas Lula preferiu o contato pessoal com o director de fiscalizagio do Banco Central, Tupy Caldas, que repasson o pedido para a delegacia do BC em Belem, mas teve que fazer a confirmagio por escrito, atendendo a cautelas do pessoal lotado na capital paraense, que ainda reque- reu auditors de outra praga. Ao tender um pedido de informagdes dessa sindica~ncia, a diretoria do Banparb admitiu, pela primetra vez, que recursos mal aplicados pelo banco em favorecimento de alguns clients haviam sido sacados na reserve bancigria. Essa information seria usada contra a administragio anterior. Uma E ntre 1983 e 1985, o Banco do Est; retirou da reserve bancdria aprox 15 bilhdes de cruzeiros, em valor Lequivalente a sete milh6es de ddlare 500 milh6es de cruzeiros, a pregos atua nheiro foi desviado das operagdes normr e acabou em diversas contas particular ano auditors do Banco Central, desloc; de Janeiro para Bel~m, fazem o rastre cheques para identificar os beneficibril vios. O relatbrio da investigation ainda I cluido, mas o governador Hdlio Gueiro alguns resultados durante a entrevista ql na TV Cultura, no dia 16. A principio apura~go era um estranho pagamento qut fizera ao DER de 10,2 bilh6es de cr: conta da remuneraCgo a aplicagdes do Dc de Estradas de Rodagem. Aprofundando os auditors verificaram a existbncia de rag~es irregulares, como a emissio de t administrativos, no valor de 1,1 bilhio ros. Os cheques seguiram um roteiro sj comegou na compensagio e apagou a retirada em dinheiro, atrav6s do saque d portador. Mesmo sem a ligagio direta, do Banco Central encontraram pistas c nas fitas das ms~quinas dos caixas refere res que coincidem com a totalizagio da originalmente saint do Banpar6. Algu pistas levam a nomes da administration c terior, inclusive do ent~io governador J; lho. Mesmo que o relat6rio do inqueril ex-ministro como um dos implicados nas irregulares, o Banco Central nada pc contra ele porque Jader Barbalho nio ex bancdria. A competc~ncia do BC se eagc messa dos autos do inqu~rito para o Mi~ blico Federal. Foi esse o mesmo procedj tado em relagio so inquerito que results vengio federal no Banpard e a adoglo d administrator compartilhada. Hg um a~ estiio em poder do governor do Estado pela Procuradoria Regional da Reptiblic; provid~ncia foi adotada para a cobranga sabilidades penais e criminals. A nfvel tivo, o Banco Central limitou-se a a brand punigio aos ent~io dirigentes d proibidos de exercer temporariamente bancirias. Todas as irregularidades verificada! sas sindicincias e inqu~ritos que o BC nas contas do Banpari ficaram impunes ram sangio simb61ica. O BanparB sempr pelos governadores estaduais como instr ferencial para tender compromissos eleitorais e econdmicos. O entio govern Nunes deixou o banco B mingua, prefers o dinheiro do Estado em outras institl nio deixando de conceder criditos privi anngos. Ao assumir o governo, Jader Barbal eterna vitima ado do Pard depositar os recursos estaduais no Banpara, mas ;imadamente iniciou-se a partir daf uma enorme sangria de di- da 6poca (o nheiro. Emprestirios que haviam colaborado finan- es, ou quase ceiramente na campanha eleitoral passaram a contar is). Esse di- com adiantamentos e reescalonamento de dfyidas ja ais do banco existentes. A bola de neve cresceu tanto que provo- res. Ha um cou apressadas operagbes destinadas a cobrir o ados do Rio "rombo", todas elas desastradamente arrematadas, :amento dos como na dessipropriagio do Aura e na transagio os dos des- com a Maiame. Os 10,2 bilhdes repassados so DER, por exemplo, foram contabilizados como recursos nio foi con- do Fundepara, o fundo do fomento do Estado, mas ,s antecipou nio passavam de saques na reserve bancbria. ue concede No seu program de TV, o governador H61io I, o alvo da Gueiros disse que 1,1 bilhio de cruzeiros, emitidos e o Banpara atrav6s de trs cheques administrativos, foram usa- uzeiros, por dos na campanha eleitoral de Tancredo Neves, ien- epartamento tregues diretamente a Jos6 Hugo Castelg Branco, o trabalho, depois ministry da Indlistria e Com~rcio (como outras ope- Tancredo, jil falecido). O Banco Central tem evi- r~s cheques d~ncias fortes de que se essa foi a justificativa para Sde cruzei. o desvio de dinheiro que saint do Banpard, na ver- dade pode ti~o ter passado de Blibi para a apropria- inuoso, que glo particular dessa quantia. pista com a O Banpart tem funcionado quase sempre como re titulos ao um largo biombo para esse tipo de transagio, dei- os t~cnicos xando de ser um banco do priblico para se tornar um do dinheiro mnecanismo privative de seus dirigentes e do gover- ntes a valo- no. Ainda hoje, basta verificar que 90% de suas quantia que operag~es si-o repasses de recursos ou aplicagbes .mas dessas financeiras para chegar a conclusio de que o banco estadual an- 6 uma vitima jB com prec~rias condig6es de so- ader Barba- breviv&ncia das conveni~ncias dos que ocasio- nalmente podem dar-Ihes as ordens. to aponte o Stransagbes Val ou nao val? oderb fazer erce funglo otardi na re- Durante a entrevista na TV Cultura, o gover- nist~rio, Pri- nador H61io Gueiros repetiu duas vezes ter a con- imento ado- vicq~o de que o ex-ministro Jader Barbalho nio se- ou da inter- rB candidato nas eleigBes de outubro, nao apenas a o rgime de governador, mas a qualquer cargo. Pressionado de- no os autos pois pelos jornalistas, disse que sua certeza se ba- , remetidos seia apenas -em intuigio e niio em dados concretes. a. Nenhuma Isto poderia ser verdade porque hb mnuito tempo o das respon- governador vem sustentando essa opiniio em con- administra- verses reservadas. Mas o raciocinio poderia estar Iplicar uma sustentado na expectativa de um process instaura- lo BanparB, do contra Jader pelo governor federal por enrique- atividades cimento 11xcito on uma ag~o judicial nesse sentido. Afinal, nas mios do president Fernando Collor de s nas diver- Mello ji foram entregues dois dossigs conatra o ex- ji realizou governador. ou recebe- Dossi8 por dossi&, o deputado federal Asdrubal re foi usado Mendes Bentes encaminhou um, no dia 13 de mar- umento pre- go, so president da Reptiblica. B uma reuni~o de politicos, documents e comentsrios reunido~s por uma "equi- ador Alacid pe de colab~oradores andnimos", investindo contra a indo aplicar Sudam e os filhos de H61io Gueiros. Essas dentin- cias jB haviam sido enviadas diretamente a Brasiia uigoies, mas no dia 9. rilegiados a Agora, s6 mesmo um petardo de grosso calibre desferido pelo Planalto, com ou sem a participagio lho volton a da Justiga, poderia tirar Jader Barbalho da eleigio. relagio g coisa ptiblica, tem feito mais do que o go- vernador feito no sentido daquelas coisas que eles tdm citado em seu pugilato verbal. Mas se sd agora o ex-ministro estsl falando na questio da Ebal, esse assunto ji mereceu atengdo no mimero dois do JORNAL PESSOAL, da 2" quinzena de setembro de 1987, e voltou a ser tratado na edi~go seguinte. Foi a primeira vez que um jornal paraense apresentou dados sobre a possibilidade de trifico de influencia favorecendo a empresa junto B Sudam. Nenhum ou- tro repercutiu, nem mesmo o do ministry, que, na 6poca, ainda adotava a political de panos quentes. Este journal seguia e segue a mesma linha edito- rial: tudo o que 6 fato de intresse coletivo deve ser publicado para que a opiniio pliblica o conhega e avaie. O JORNAL PESSOAL se interessou pela Ebal porque havia dinheiro priblico envolvido. JB o ex-ministro trata do assunto, dois anos e meio de- pois, por interesse estritamente pessoal. E 6 uma pena que a imprensa tenha esquecido o lema do primeiro journal da terra, o Panrense, criado por Ba- tista Campos, que dava o nome certo aos bois e aos ladriies, no invts de costurar sofismas para suas conveniencias. Car ta do leitor A leitora Rita Helena Barros Fagundes enviou a seguinte cart, que, na verdade, discrepal de artigo deste jornal, per aea comentedo, apenas em intensidade: "sendo uma das assinantes desse Jornal, a uma das admi- radoras do jornalismo que faz seu editor, causou-me espanto ao lar no nD 59 (PAGOTE Uim produto divine?) os elogios que o mesmo ftz so "Piano BrasHl Novo", inclusive, atribuindo qualida- des ao autor do referido plano, que me parecoram incompatlveis, taat~o para o I tredo actual pacte ea drmicltquanto, e, princi- Fazendo um jornalismo combative, o editor do Jornal Pes- soal, a mou ver, exagerou quando escrevou naquele nd~mero, que a chefe do atual program econdmico "... comegou o mandate co- mo um De Gaulle tropical. " No mou humilde ponto de vista, essa comparagdo g dema- siada absurda, pois um chefe de governor que em sua campanha eleitoral foi "patrocinado" por grupos econdmicos internacionais , e que em seu comego de mandate, mostra-se comprometido com aqueles, ndo merece ser comparado a um estadista de renome de ce Gaunea. O atual chefe da nagdo brasileira, com sua insensatez, ar- rogdncia, e imprudencia, aidm do total desconhecimento de como governor um pals, estd mais para o famoso imperador romano CA- LIGULA (quem serd a cavalo?), do que para De Gaulle. demEditando umsplano queefavorecees mente as multinacionais, chef da nagdo parece despontar na fileira dos grandes imperado- res inoperantes do antigo impdrio Romano. Confiscando a dinheiro da populagdo, a passando por cima do que hd de mais sagrados em uma Nagdio, que d a Constituigdo, e, por outro lado, ndo tragando um ponto que realmente fizesse ou operasse uma reform de base, ndo parece a mim que combat as disfungdes econdmicas. trvopor out) lado on que se rfersudecriminuldadre nopa ,rao sil; um [ndice elevadfssimo de crimes. O que fez o piano para coi- bir tais excesses? Nada. Poderia proper uma reform do Poder 'ludicidn ,a mas pao contrdrio, a piano veio "castrar" 0 Judicidrio ovanto aos marajds que a novo governor se propds acabar, v4-se apenas o plano extinguindo drgdos que, a mou ver, nada $tut "ineficazs", como pr exempt oo Br C, EMBRAFI.1M, mico, sao simples funciondrios pdiblicos que realmente trabalha- vam. os verdadeiros marajdls continuam impunes politicoss, apa- drinha der- elencar um sem ndlmeros de erros do tal plano de estabilizagdo da economic, mas isso ficaria atd mondtono para uma missiva que so propge apenas chamar a atengdo do editor desse Jqrnal, que sd tem dado prazer aos saus assinantes, uma vez que ele se propde a esolarecor-nos das verdades que hd por trd~s da nossa polftica national. A imprensa. onde esta? O journal "O Liberal", o maior da Amazbnia, abriu manchete para anunciar que o Banco Central iria processor o ex-ministro Jader Barbalho, depois de rastrear aplicagbes financeiras irregulares do Banco do Estado do Pard durante o period em que Barbalho foi governador. A fonte original da infor- mag~io era o governador H61io Gueiros, que fizera a revelagi~o durante entrevista na TV Cultura. Mas n~io fora exatamente assim: o governador nio estava bem informado e o journal agravara ainda mais a ma informagio. O Banco Central nio vai processor Jader, sim- plesmente porque nio pode. O BC esta concluindo uma auditagem sobre desvios nas aplicagdes do Banparb~, mas nessa investigation o ex-governador aparece apenas como possivel beneficisdrio em uma das rotas clandestinas pelas quais o dinheiro fluiu. Ainda que houvesse prova objetiva desse envolvi- mento, o BC nio poderia punir administrativamente o ex-ministro porque ele nio 6 banqueiro ou bancA- rio. O que o Banco Central far8 serb remeter os autos do process para o Minist6rio Piiblico, como pt fez antes com o inqu6rito que motivou a inter- venglo federal do BanparB. AgBes penais ou crimi- Inais estio fora da 6rbita do BC. O primeiro inqu6rito est8 com o governor do Estado h6 mais de um ano, nio tendo motivado ne- ,nhuma iniciativa. At6 recentemente, o governador H61io Gueiros tinha opiniio depreciativa sobre o Banco Central de Bel~m. Chegou mesmo a ameagar alguns dos funciondrios e dirigentes de priio, iquando da intervenglo no BanparB. Chamou virlOS deles de cachacciros, gerando um clima de tensio e retaliagdes que custou cabegas, mas parece supera- do pela nova postura do governador em relagiO RO Nesse e is6dio todo, ue mal come a (e jB co- mega mal, mas ameaga ter long vida), a imprensR poderia ajudar a ponderar o litfgio explicando para a opiniio priblica o que est8 acontecendo realmente, funcionando como uma filtragem de fats, que re- t~m, eliminando tudo o que nio passa de simpleS sujeira. Mas a imprensa ou 6 ela prdpria persona- gem do "imbroglio", ou optou pela omissi-o em ci- ma do muro. Resultado: o leitor e a opniiio priblica COmo um todo ficaram desnorteados. Diante da confusio, cada uma das parties pode fazer sua mistificaCgo, com terreno fMrtil para lan- gar suspeig6es sobre a imprensa e contribuir maiS ainda para desacredit8-la enquanto fonte de refe- r~ncia confi~vel. Obviamente, Jader Barbali'o in- vestiu contra "O Liberal" e H61io Gueiros foi em cima do "Didrio do Pard", do qual foi director res- pons~vel at6 assumir o governor. O ex-ministro, querendo ser mordaz, at6 fez refer~ncia ao que chama de "imprensa investigat6ria", com a inventi- vidade neold gica que lhe 6 prdpria. Seus entrevis- tadores e muitos outros jornalistas interpretaram a estocada como uma "indireta" ao JORNAL PES- SOAL. Este journal estaria sendo muito rigoroso em re~l Cio a ele e condescendente face so governador. A afirmativa merece primeiro uma Ingeira reti- rifag~io. Jader aparece mais neste journal porque, em lhio de pessoas estejam no raio direto de agio do merciirio que os garimpeiros usam para separar o ouro. Nos tiltimos meses cresceu o debate sobre a adoglo de procedimentos capazes de impedir a contaminagio ambiental pelo meredrio dos garim- pos. Tecnologia para isso existe, mas o problema tem rafzes econdmicas, socials e culturais que difi- cultam a adogio das sugestoes t6cnicas para recupe- ragio do merctirio ou seu uso racional. E claro que a andlise comparative dos aspects negatives e po- sitivos do garimpo, como de outras frentes econdi- micas que invadem a Amazdnia e, invariavelmente,; a agridem, ainda 6 prejudicada pela pobreza em que vive a populagio native da regi~o. Tudo o que gera dinheiro e emprego acaba se justificando porque a outra opgHo 6 considerada in- suportivel, agora que os habitantes locals acostu- maram-se Bs estradas de ligagi~o com os principals mercados do pais. Essa 6 uma relagio de dependen- cia de alguma maneira assemelhsivel a do viciado com a droga. Mas a aus~ncia slibita da droga, mes- mo que nio perdure por muito tempo, ajuda a abrir a percepgio. Este, portanto, 6 um memento raro pa- ra a Amaz6nia pensar em algumas das suas ques- t~es, ainda que com a costumeira fugacidade. A evacuagio de garimpeiros do interior da mata aponta na diregio de um roteiro humane mais recomendsvel para a Amaz6nia. Ao inves de ser dominada por imigrantes, 6 a hora da emigraqio, pondo-se fim a um mito que os colonizadores (a maioria deles nada mais do que colonalistas) difun- diram: de que os "espagos vazios", considerados ociosos por desinteliggncia de quem chega B regi~io bitolado pela caixa preta, precisam ser preenchidos, a qualquer prego, por popula~go e atiiridades, inde- pendentemente de habilitagio, aptidio on afinidade. A Amaz~nia quer tr~gua, nio como o resultado marginal de uma crise, mas como produto de uma visio inteligente, sensivel e humana sobre uma re- giko que tem sido apenas a vitima da vontade alheia - e, por isso, foi transformada numa vast casa da mie Joana. O garimpo tem sido um dos principals agents desse caos, ainda que os pobres e mal as- sistidos garimpeiros sejam vitimas e instruments de interesses maiores, raramente explicitos. Vitimas on nio, eles servem de arete e bucha de canh~o pa- ra algumas das mais devastadoras frentes de avango sobre a Amaz6nia. B precise cont6-la. bem uma face criativa, a ser aproveitada. A queda do prego do ouro, que nos casos mais Graves chegou a 75% em relagIo ao que era praticado antes do Plano Collor, arrastou consigo a segunda mais important fonte de renda do setor mineral da Amaz~nia. Atingiu, sobretudo, os ga- rimpos, que viviam em euforia constant menor em fungio do mercado legal do que do descaminho. A remuneragIo da produgho nio permit mais aos garimpeiros e as poucas empresas organizadas sequer pagar o combustivel usado no process de extragIo do metal. Milhares de homes estio vol- tando da mata atriis de comida e de transport para retornarem aos seus locals de origem. Em tal volu- me, 6 a primeira vez, nos tiltimos 25 anos, que se inverte o fluxo humane saindo da Amaz6nia em direg2io so Brasil, o pais vizinho mais parecido com a regilo, como estio aprendendo a constatar os na- tivos, amargurados com o regime colonial a que sho submetidos. A situagio provoca imediato clamor e aciona os intermedi~rios. Politicos vio a Brasflia pedir no governor garantia de compra do ouro em valores compativeis. As autoridades municipals, alarmadas, telegrafam para as autoridades municipals em busca de socorro. Esta 6 a face cruel da crise, pontilhada de casos pessonis desesperadores. Mas raramente a corregio de rumos na hist6ria se faz sem doses, maiores ou menores, de sacrificios. E, quanto no ouro, ha uma rara oportunidade de tenter impedir a consumagIo de danos irrepardveis. A desvalorizagio do prego do metal nio serb um fendmeno duradouro. Dentro de algum tempo os pregos voltario a subir, ainda que venha a ser len- tamente. A principal impulsio vir8, novamente, do contrabando e do narcotrifico. Esta poder8 ser jus- tamente a primeira ligiio a ser aprendida: os circui- tos de produg~io aurifera estio umbilicalmente liga- dos a uma rota de crimes, com seus pontos termi- nais plantados nas mais tristes condigdes humans. E claro que essa atividade gera muito dinheiro, mas ele est8 marcado pelo estigma do sangue e das 1C- grimas. Mais do que um sinete normal, de resto ir- relevante no mercado, trata-se de uma questio de inteligencia. O esvaziamento dos garimpos mostra, B popu- lagio permanent, aquela que faz parte do local, a desorganizagio ecol6gica e social engendrada por essa atividade. A populagio do vale do Tapaj6s, outrora uma refer~ncia paradisfaca muito usada pelo turismo, est8 chocada com os danos jB causados e que ainda serio descobertos em conseqiiencia do uso do merciirio. Todos falam na repetigio do de- sastre de Minamata, citagio dram~tica na histdria das agressdes B natureza pela agio do home. E to- dos temem que Minamata seja pouco diante do que jB se fez no vale do Tapaj6s. Em Minamata e Niigata, no JapHo, o proceSSO biol6gico de transformagio do merciirio em metil- meredrio causon a intoxicagio de 1.200 pessoas. NO Iraque, seis mil pessoas foram intoxicadas depoiS de comerem pio contaminado com metilmeredrio e 500 morreram. Na Amaz6nia, estima-se que um mi- A bomba estA montada JOInT Pes oa Editor responadvel: Llicio FIdvio Pinto Enderepo (proviabrio): Rua Aristides Lobo, 871 Bel~m, Pard, 66.000 Fone: 224-3728 Diagramagdo e Iustraqio: Luiz Pinto Opedo Jornaus~tica |
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