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PAC OTE Um produto divine? O pacote de Collor de Mello e o melhor ji adotado nos 01ltimos cinco anos. Mas nho e perfeito. Sua correg~o C! uma necessidade. Do contrario, o future poder8 trazer desagrad~iveis surpresas ao Brasil. 2a Quinzena de Marco de 1990 l lIo nA NE 59 a lucriC apenas entre assinant s Constitui~go que the possibilitou tornar-se o primeiro president brasileiro eleito pelo voto direto dos cidadios nos 6ltimos 30 anos, Fer- 'nando Collor de Melo contrariou dispositivos cons- titucionais, colocou-se acima da lei, deslocou os poderes independents do sistema politico e acu- mulou um poder pessoal sem paralelo na hist6ria recent do pafs. Ainda assim, terminou a primeira semana com a aprovagio maciga da opinii~o pdiblica. Tudo isso por causa das medidas que adotou para enfrentar a pior crise econdmica que q Brasil jB teve. Como nunca antes, os brasileiros puderam sentir que as providgncias do novo governor eram para valer. Por um ato desconcertantemente sim- ples, uma soma de dinheiro avaliada em torno de 100 bilhdes de d61ares saiu das contas correntes, aplicag6es financeiras e cadernetas de poupanga do pdiblico para o control do governor, num emprbsti- mo compulsdrio, revestido de algumas caracteristi- cas de confisco, com antecedentes apenas em perfo- dos de guerra ou calamidade piiblica. Dias depois de perderem todas as suas economies, milhares de brasileiros ainda nio pareciam entender como fora ar2nal Pessoal Lticio F1lvio Pinto possfvel a um governor at6 entio dbbil praticar ta- manho ato de forga. Tecnicamente o Brasil nio se encontrava em estado de calamidade pdblica, ni~o enfrentava ne- nhuma ameaga externa e muito menos travava guer. ra com qualquer outro pafs. Sua crise econbmica, profunda, crion situagdes que poderiam se enqua- drar parcialmente em alguns dos tr~s estados extre- mos, mas o Plano Cruzado mostrara que medidas corretivas s6 nio eram capazes de reverter esse quadro sombrio por causa da fraqueza do governor, incapaz de administrar com rigor os medicamentos do receitudrio passado ao paciente. Fernando Collor de Melo assumiu a presid~n- cia disposto a exercer na plenitude a autoridade que falton a Sarney. O apoio retribufdo pela sociedade mostrou que todos realmente sentiam a necessidade da m~io fire do Executivo. Passados os primeiros mementos de euforia, por conta do efeito concrete das medidas utilizadas, alguns stores da populag~io comegavam a se perguntar se a mio do president ji n~io estaria ficando pesada demais, ele ultrapassan- do a delegagio de poderes que a eleigio de novem- broldezembro lhe havia conferido. O que poderia ter com a declaragio de guerra & inflagIo a oficializagio da delagio no serving pd- blico e a punigio a servidores que tentassem orga- nizar-se ou questionassem a autoridade dos superio- res, estabelecidas em algumas das medidas provis6- rias? Nio teria mesmo o president exorbitado ao determiner ao Judicidrio que n~io concedesse limina- res a mandados de seguranga e ag8es cautelares contra o pacote? Tambbm nio teria ido al6m da ca- pacidade de toler~ncia e sacrificio da sociedade a retenglo dos dep6sitos em conta corrente nos ban- cos e a imposigio do IOF aos sacadores de dep6si- tos h vista, saques subitamente tratados como se fossem aut~nticas operag~es financeiras? A pris~io de pessons sem a caracterizag~io do flagrante ou mandado judicial nio deveria ser impedida, por mais just que fosse sua motivag~io? A invasio da sede de um journal paulista que se tem oposto ao go- verno Collor, a pretexto de se constatar irregulari- dades praticadas contra as medidas econdmicas, do express mais uma retaliagio polftica do que uma exagerada preocupagio com a coisa pdblica? Um golpe branch Muitas outras questges devem ter passado pe- las cabegas de aturdidos brasileiros, pessoas te- mentes a Deus, cumpridoras de seus deveres, cida- dios honrados, etc., que gostariam de ver um trata- mento governmental da crise dar certo, mas se preocupam em caracterizar claramente o que houve no pafs a partir de 15 de margo. A rigor, Fernando Color de Melo deu um golpe de Estado. Talvez um golpe branco, mas de qualquer maneira um golpe. Atropelou o Judicid~rio, coagiu o Congresso, violon normas constitucionais, assumiu poderes que ultra- passam sua compet~ncia e adotou medidas que s6 se consolidaram porque os juristas preferiram perder- se na discussion de filigranas formats do que ater-se so texto das leis, repetindo a attitude da avestraz diante do perigo. Pode-se argumentar - e com raz~io que am combat realmente eficaz A inflagio do pode pres- cindir da forga. A ciranda financeira, formada tanto pelo especulador professional quanto pelo assalaria- do sem outra alternative para enfrentar a corrosio de uma inflagio de 3%6 ao dia, n~io seria desfeita sem que inocentes e culpados fossem atingidos. Mas a dose nio seria tio amarga e injusta diante de mi- lhares de situa~ges se nio houvesse a deliberada intenglo do governor de sangrar a classes m~dia. Es- se projeto politico permitiu a Collor fazer um dis- curso que o aproximou de Gettflio Vargas e Juan Per6n, outros pais dos pobres e descathisados: como se fosse emiss~rio da justiga divine, apontou para os 10%6 de punidos com a horda de pecadores, su- gadores da riqueza national, aproveitadores da or- gia financeira. O povo, que jB n~io tinha o que per- der, aceiton imolar a prenda, fazendo vista grossa aos atos de viol~ncia que a administrator federal praticaria daf e no sofisma que enunclou. Com o mais consistent dos pacotes produzidos nos dltimos cinco anos, Collor de Melo se creden- ciou para merecer a esperanga dos brasileiros. Tem direito no cr~dito que lhe foi dado. Mas ele esti querendo muito mais; parece buscar uma procura~go em branco, que, de certa maneira, unilateralmente, jB se concede. A media provis6ria que trata da privatizagio das empresas estatais, por exemplo, nio define os limits de sua ag~o, permitindo-lhe passer em frente tanto a Mafersa quanto a Petro- br~is, sem precisar prestar contas de seus atos. Ne- nhum pafs entrega uma procurag~io em branco impu- nemente: se hoje pode ser uma delegagIo positive, amanhi sua elasticidade custard carol. Adolf Hitler, antes um obscure candidate a ar- tista (ou pintor de paredes, como a ele se referia o poeta Bertolt Brecht), tambem comegou adotando as medidas certas para tirar a Alemanha do negro bu- raco em que foi atirada pelo Tratado de Versalhes, onde comegou a segunda guerra mundial, mal ter- minada a primeira. A ret6rica nacional-socialista dos nazistas ajudou a sociedade a apoiar o future ditador e quem condenaria os alemies naquela situagio sem parecer um fariseu? Nio se hB de fazer uma compara~go simples entire as trajet6rias de Hi- tler e Collor, forgada demais para ter conteddo real, mas stores preponderantes da esquerda, que v~em o ex-governador de Alagoas como um mero instro- mento das classes dirigentes e do capital estrangei- ro, estio cometendo um erro, s6 explicivel por sua obtusidade. Auto-designados parteiros da hist6ria, engessaram o dinamismo histdrico. Seguem pela ri- gidez dos trilhos te6ricos. 0 joyem estadista Na sua primeira semanal como president, o jo- vem Collor de Melo mostron que 6 um produto das circunstslncias especiais em que vive o Brasil. Diz a biologia modern que o acaso gera a necessidade. Collor seria a exemplificag~o dessa lei ffsica: che- gou ao fim da campanha cleitoral como um produto bidnico dos que o manipulavam e financiavam, co- megou o mandate como o chefe de am program de reform da sociedade brasileira, d~o como am Hi- tler, cuja ressurreig~io seria anacr6nica, mas como um De Gaulle tropical. De ~qualquer modo, am esta- dista on, so menos, o prfacipe reformador, batendo fundo em aliados da v~spera (n~io todos, evidente- mente). que possa surtir efeito, a disposigio do president s6 prevalecer8 sobre 40% dos trabalhadores, os que tgm carteira assinada. E certo que alguns mecamis- mos trazidos pelo pacote (como a obrigatoriedade de identificaglo de cheques acima de tr~s mil cru- zeiros) praticamente acabario com a economic in- formal, mas os que sobrevivem nessas atividades invisiveis nio serio absorvidos pelo mercado for- mal. Formario uma legilo de novos descamisados, que os bragos da presidbncia jB nio poderio mais abrigar. Collor pretend combater a evidence recessio que se seguir8 ao funcionamento da economic, postal em aridez monetgria, com o control das tor- neiras de dinheiro que o Estado tomou dos particu- lares. A administragIo dessa irrigag~io, por~m, nio estar8 sob o control da sociedade, nem 6 regulada por nenhum item das medidas provis6rias. Constitui ato do rei. Tudo dependerb de se ele, al6m de d6s- pota, for esclarecido. A sociedade dispge de muito poucas garantias para ficar a espera de tanto (e ha- vera algum tipo de seguro contra a tirania estabele- cida num primeiro memento pelo consentimento coletivo?). 0O carter democratico Logo, para oferecer um novo horizonte ao Bra- sil, destitufdo dos ingredients autoritbrios do pas- sado, Collor de Melo nio poderia enviar ao Con- gresso um pacote que os parlamentares n~o podem desembrulhar. Em democracies, nIo existe o inego- ciabvel. Conveni~ncias t~cnicas levaram o president a adotar as medidas em sigilo. Agiu certo. Mas o sigilo acarreta limitag6es. Elas podem e devem ser corrigidas pelo Congresso, que atua g luz da socieL dade. O president nio pode querer adotar o m~todo plebiscitgrio de De Gaulle. A Franga aceitou-o por- que podia devolver o bravo general a Colombey- les-Deux-lgigises quando ele se excedesse. Dando tanto, a sociedade brasileira poderi devolver sem traumas Collor de Melo as Alagoas? Veneer ou veneer nIo 6 opCio saudfivel quando entregue nas mios de um linico salvador da p~tria; s6 6 quando adotada pela pr6pria sociedade. O grande desafio trazido por Collor de Melo 6 o trago de novidade que vem com ele. De repente, toda a classes polftica envelheceu, todo o sistema de representagio, mal arranhado pela Constituigio, tio joyem e ji envelhecida em alguns pontos, ruiu. Mas se as circunstincias histbricas deram dimensio de estadista a Collor, espera-se que esses mesmos fluf- dos se espalhem pelo Judicit~rio e o Congresso, despojando-os de seus anacronismos e fazendo-os estar a altura do moment. Caso contr~lrio, o Brasil corre o risco de iniciar, mesmo com todo o triunfa- lismo que estes primeiros dias de pacote Collor justificam, um novo caminho em diregio no retro- cesso. Ao invts de estar voltando para o future, caminhar para o passado. Se o president comegou certo, cabe agora aos pgutros pilares dos sistema po- Iftico acertar o pass e ocupar sua posigio. O dese- quilfbrio, a partir deste ponto, poder8 ser fatal. Ha- ver8 quem, depois, seja capaz de colocar o guizo no pescogo do gator, se ele mostrar as unhas? O qualificative pode parecer exagerado. Basta- ria olhar em torno de Collor, para catalogar nomes de personagens que fizeram parte de quase tudo o que se praticou de errado no pafs nas dltimas d~ca- das, parceiros on mesmo autores dos males para os quais o novo president pretend ser a cura. 11, de fato~, uma companhia comprometedora e, em si consciencia, ningu6m pode garantir que ela nio in- flua sobre. os atos do president e se aproveite de- les. A imprensa caberia fazer a checagem da rela- glo, investigando os movimentos especulativos que anitecederam o and~ncio do pacote Collor,. fazendo um retrato das conseqiibncias reais dessas medidas. Infelizmente, a imprensa brasileira tem demonstra- do, a par .de suas qualidades industries e empresa- risis, uma incapacidade vexat6ria para estar g altura das necessidades da opiniio pdblica. Mas a imprensa talvez seja tiio somente a ex- pressio da impotencia da sociedade brasileira diante do Estado, especialmente quando ele tem appetite para exercer a soma de seus poderes, hipe- ratrofinda. O pacote de medidas provis6rias do go- verno Collor 6 realmente um belo produto intelec- tual, enquanto examinado por seu valor intrfnseco, na microvis~o de suas parties. Demonstra a alta ca- pacidade de uma geragiio de economists brasilei- ros, que cresceram com todas as facilidades que suas famflias ricas lhes proporcionaram partici- pando de vivas ex eribncias de conviv~ncia e de combat com a inflagIo. Mas, evidentemente, o pa- cote nio 6 perfeito. Dele pode resultar um grau ain- da maior de desnacionalizagio e de concentragio de renda na economic brasileira. Algumas de suas falhas derivam da limitagIo pessoal de cada um de seus formuladores e das cir- const~ncias em que ele foi produzido, necessaria- mente sob sigilo (nio em absolute, 6 claro). Mas outros erros podem decorrer da visIo que os inte- grantes da alta cdpula do governor Collor (extrema- mente reduzida, na verdade) t~m do process eco- nbmico e politico brasileiro. E flagrante a insufi- cigncia das medidas adotadas em relagio h divida externa (centralizada numa declaragIo de intengdes: nio pagar- mais do que cinco. bilhbes de d61ares de juros no ano), so c~mbio, a redugio do tamanho do Estado e sua desconcentra~go (o movimento foi justamente o inverse) e, sobretudo, em rela~go no rumo que se seguird depois que o estado da econo- mia estiver mais prdximo do normal (finangas pd- blicas saneadas, moeda em paridade com a circula- glo de riqueza, equilfbrio nas atividades produti- vas, etc.). 0 ato do principe Este 6 o ponito nevrdlgico na avaliagio do pa- cote Collolr. O cheque que ele provocou estii com- batendo de fato as disfungdes da economic, fazen- do-a retomar o ritmo normal, mas, se problems surgirem, o modelo do pacote nio 6 capaz de prever corretivos naturals. Eles terio que vir atravts de medidas de forga, de ger~ncia, de atos de vontade, por crit~rios subjetivos, politicos. Falando como um monarca, o president Collor de Melo ameagou pu- nir quem demitir com a devassa fiscal, mecanismo que d~o esti nos c6digos e manuals tecnicos, antes sendo um instrument politico, de coagio. Ainda 0advogado Agnaldo Menezes Dantas, donor do ciagfio cultural, cientffica e educational", re- Ocebeu do Banco do Estado do Parii, no inicio de 1985, o equivalent a 300 mil ddlares (15 mi- lh~es de cruzeiros atuais) para intermediar a obten- glo de um Aviso de Prioridade da Secretaria de Planejamento da Presid~ncia da Repdblica para um empr6stimo de 20 milh~es de d61ares em favor do Estado. A contratagIo do ITB realizou-se sem con- correncia ou sequer um process regular. A presta- gio do servigo jamais foi demonstrada. O dinheiro foi dividido entire vs~rias pessoas e 15% do total (mais de 2,2 milhbes de cruzeiros) foi parar na conta banciiria de Hamilton Guedes, entio director do BanparB, hoje deputado estadual do PMDB, res- ponsdvel pela contratagio do Instituto. Em fevereiro deste ano, Hamilton ajuizou uma agio no Fbrum de Brasilia pedindo a reconstituigio do process instaurado para apurar a transagIo e a imposigio do segredo de Justiga a esse process, a fim de evitar o acesso de terceiros aos autos. Coadjuvado por Agnaldo Dantas, que recorreu & mesma advogada para fazer pedidos semelhantes, Hamilton acusou o advogado Paulo Lamario, autor da agIo popular contra o ITB c o banco, de ter "vazado" para a imprensa informagiies sobre o pro- cesso, e investiu contra o perito judicial, que teria realizado uma devassa ampla demais para os prop6- sitos da perfeia, arrolando pessoas que nada teriam a ver com o negbcio. Para os dois envolvidos, a agCo deveria se resumir a verificar se os avisos mi- nisteriais teriam sido ou nio obtidos. Se foram ex- pedidos, estaria prevado que o ITB efetivamente prestou o servigo para o qual foi pago pelo Banpari. A tese 6 singela demais para expressar a ver- dade. A hist6ria, bem mais complex do que pre- tendem fazer crer seus principals personagens ex- plicitos, comega a 27 de junho de 1984, quando o entio governador Jader Barbalho, solicitou g admi- nistra~go federal autorizagio para emprestar 20 milh~es de ddlares no exterior. O objetivo seria ca- pitalizar o Banco do Estado e sanea-lo financeira- mente. Cinco meses depois, Agnaldo Dantas escre- ven uma cart a diregIo do BanparB, oferecendo seus servigos para conseguir o Aviso de Prioridade da Seplan em favor da transagio. Aparentemente o director do banco, Hamilton Guedes, parecia mais confiante no "lobby" de Dantas do que no poder do governador. Aprovou a contratagio do ITB, sem abrir concorr~ncia e sem former um process. O inico registro da operaSIo encontrado nos arquivos do banco pela administragi-o seguinte foi uma c6pia xerox da carta de oferecimento do director do ITB. At6 o original do document desapareceu. Dois meses depois saiu o aviso de prioridade, assinado a 28 de janeiro de 1985 pelo entio mi- nistro do Planejamento, Delfim Neto. Esta seria a prova da intermediagIo do ITB? Ningu~m sabe, I falta de prova documental ou testemunhal. Pode ter sido mera coincidgncia a expedigio da prioridade, mas n~io esti afastada a possibilidade de um "lobby" eficiente. No primeiro caso, o pagamento da comissiio de 1,75% sobre o valor global do em- pr~stimo nio teria a menor justificative. Na segunda hip6tese, seria recomend~vel apurar que caminhos foram usados para liberar o document dentro da Seplan, que, na gestio de Anibal Teixeira, foi mar- cada por esse tipo de trifico. Independentemente de tais conjecturas, causa perplexidade que uma "associagIo cultural, ciengf- fica e educational" se oferega para agenciar pro- cesso na Secretaria de Planejamento da Presidencia da Repdblica e seja como~ tal reconhecida e- contra- tada. Criado teoricamente enti 1977, o ITB s6 se re-~ gistrou no Distrito Federal use m~s antes de receber a comissio, paga com presteza incomum, duas so- manas ap6s a emissio do Aviso de Prioridade. Mesmo registrado, nada mais era do que uma firma. de papel, como ficou constatado na perfeia judicial. Esses dados levariam o mais inggnuo dos observai- dores a se perguntar se o institute n~o funcionou. como biombo para uma transagio ilicita. O roteiro dos cheques reforga essa suposi~go. Um deles, des- dobrado, foi parar na conta do home que aprovou toda a operagio. Nenhum dos tr~s cheques usados para o pagamento da comissio den entrada no ITB, rolando por contas particulares. O comportamento do director do Banpar6 foi tanto mais- question~ivel porque o empr~stimo aca- bou nio saindo, apesar do generoso pagamento por uma simples intermedia~go nunca provada, sem qualquer relagio com o resultado final do esforgo empreendido. Em abril de 1987, 34 com o veto do governor federal a transagbes financeiras internacio- nais que d~o estivessem vinculadas a rolagem da dfyida externa, o aviso ficou vencido. Agnaldo e Hamilton querem que o process, devolvido ao F6rum de Bel~m, seja reconstitufdo suplementarmente sem os documents levantados na pericia, no entendimento deles transformada, de maneira indevida, em aut~ntica devassa. Mas o prd- prio director do ITB forneceu a documentagio quan- do a solicitou o perite John Newton Queiroga, em abril do ano passado. Quase um ano depois, Agnal- do Dantas se apresenton & Justiga como vitima de uma devassa. Pela formal administrative ou judicial, devassa 6 realmente o que precisa ser feito para es- clarecer uma hist6ria mal contada qu'e cu~ston carol aos cofres do banco estadual e deixou impunes, so punigIo tem que haver, seus autores. de interpretagdes tendenciosas e inverfdicas, objeti- vando criar celeumas political para que seus 'pan- 'fletos' tenham boa aceitag~io no mercado". Ele tem razio em um ponto: muitos esciindalos tdm passado Para onde foram US$ 300 mil? Escindalo: autores e vitimas em fevereiro, o deputado Hamilton Guedes diz me considerar um jornalista "useiro e vezeiro na fabricagio de noticias escandalosas, eivadas pelas piginas Jornal Pessoal. Nio slo escindalos como os que inundam as piginas de Amiga ou de O Dia, revolvendo lama particular, real ou imagingria. Todos estio relacionados a dilapidagIo de recursos pdblicos, a ma gestio dos neg6cios do Estado ou a manobras contra os interesses da sociedade. Nlio sou eu quem dB a entonagio escandalosa aos fats: eles chegam As minhas mios jB com essas caracteristicas. Nio tenho culpa de terem os admi- nistradores da coisa pdblica se transformado em contumazes autores de peculate, estelionato e ou- tros crimes capitulaiveis no Cbdigo Penal. Ao re- constituir os fats para ** opiniio pdblica, alerto-a para os homes pdblicos e cobro destes as respon- sabilidades de que pretendem esquivar-se, tio sor- rateiiamente quanto os gatos pardos em teto de zin- co quente e aproveitando-se da conivente escuri- dio implantada nos principals 6rg~ios de informagIo para promover a confusio de cor (ou cores). O Jornal Possoal gostaria de ser uma publica- glo temitica, analisando em profundidade as ques- tdes mais relevantes para o destiny da regiio e a vida de sua popula~go. Praticar apenas essa fungIo, entretanto, seria aceitar, com obtusidade acad~mica, que a funglo da imprensa 6 tio somente acumular hoje o material que ter8 dimensio hist6rica amanhi, esquecendo os contemporineos e suas circunst~n- cias. Tamb~m nio tenho vocagio para didrio official. A imprensa 6 o 6rgio de auditagem popular, volta- do especialmente para a ag~o -dos homes pdiblicos. Alguns ocupam fungo de relevo por mero acaso, nada tendo a ver com mgritos pessoais, dos quais sio destitufdos. A imprensa nio pode permitir que se aprovei- tem de tal circunstlncias para usarem os cofres pd- blicos ou mesmo o poder como instruments de sa- tisfagio de seus apetites pessonis. Se tantos escn- dalos t~m aparecido no Jornal Peasoal (e, infeliz- mente, s6 nele), isto nio se deve a uma deliberada intenglo de criar fontes de atraCio de leitores. Fos- se assim e este journal estaria sendo constantemente desmentido ou processado, ao inv~s de, tio dimi- nuto como 6, tanto inc6modo provocar nos autores dos crimes praticados contra o interesse pdblico e tio boa receptividade encontrar junto g sociedade. Os crimes contra a sociedade nio passam impune- mente pelo JP. A colegio deste journal 6 uma de- monstragio da mi qualidade dos homes pdblicos brasileiros e, particularmente, dos paraenses. Na sua mal redigida petigio, o deputado pee- medebista diz ainda que public reportagens sobre a mat6ria porque estaria formando "dupla" com o autor da agHo popular, o advogado Paulo Lamario, "com o fito de ridicularizar seus adversdrios politi- cos". B uma velhia ladainha, repetida por aliados de Hamilton et caterva sem nunca conseguir credibili- dade. 'Evidentemente, Lamario 6 uma fonte de in- formagdes sobre essas 11 agdes populares, que ajui- zou, com contumdcia comprometedora para ele. Mas n~io 6 a fonte final do que escrevo. Como ele, deze- nas de outras pessoas estio na origem de vdrias das informagdies que coleto, mas nenhum desses dados passa para o journal sem ama rigorosa checagem. Quando public a informag~io, respond por ela. Raramente publiquei information errada. Quando cometi crros, eles d~o comprometeram a ess~ncia do que escrevi, nem desnaturaram o sentido da inter- pretagio. Errar 6 humane, mas jornalista que se preza nio erra no que 6 bisico e fundamental. Gostaria que o deputado Hamilton Guedes, que se queixa ao juiz, mas jamais se manifesto sobre tais quest~es a este journal, apontasse um s6 desses erros nos meus 25 anos de jornatlista. Fago estas observag~es para prevenir o leitor contra reagbes raivosas desse tipo, que nio visam o esclarecimento pdblico, mas justamente o contrbrio: criar confusio e, dessa situagio, favorecer-se para escapar g elucidagio dos fats. O deputado Hamil- ton Guedes diz que sou parceiro do advogado Paulo Lamario, mas em outro process, o do Aurd, artigos que escrevi contra Lamario, denunciando seu en- volvimento com o juiz do feito, foram usados pela direg~io do Banpars em sua pr6pria defesa e contra o advogado. Fui eu quem revelou as transcrigbes de gravag6es de conversas feitas pelo entio governa- dor Jader Barbalho para acusar Lamario de tenter extorquir-lhe dinheiro num acordo esplirio em torno da agIo popular do Aura. Que diabo de parceria, ent~io, 6 essa, deputado? Independentemente de eventuais interesses pessonis do autor da agio, que devem ser denunciados, g imprensa cha Justiga com- p te apurar se os fats arrolados slo verdadeiros on nao. Os personagens desses escindalos mudam de lugar e de arguments, conforme as conveniencias de suas manobras para criar Alibis inocentadores. Ora nos elogiam, ora nos acusam. Podemos ser pa- ladinos da verdade on manipuladores de fats. Mas nio 6 o jufzo deles que interessa a uma imprensa realmente comprometida com a verdade e a opinion pdblica. O que interessa 6 a avalinglio dos que, nio sendo personagens dessa escandalogia que tem ene- grecido a vida pliblica brasileira, tornaram-se vfti- mas dos atos perpetrados e pagam pela irresponsa- bilidade de homes que, por um desses acidentes da vida, ocupam cargos para os quais nunca estiveram preparados e que jamais procuraram exercer B altura desse acaso, como o deputado Hamilton Guedes. B provivel que sun reaCio raivosa esteja rela- cionada ao risco que o prosseguimento do process represent para seu mandate parlamentar, a ser re- novado na eleigio de outubro. Mas pode o deputado ficar tranqiiilo que, se nlo o consider digno de exercer a representagIo do povo, nio me move qualquer interesse de tirsr-lo do lugar que ocupa. Apenas espero que o eleitor, analisando o que fez at6 agora o deputado Hamilton Francisco de Assis Guedes, decide soberanamente se ele deve ou n~o continuar no posto, caso venha a pedir para ficar. Se o deputado tem sua opiniio a meu respeito, men jufzo sobre ele tamb~m est&~ solidamente formado - e cabe ao leitor decidir qual de n6s est8 com a ra- zio e a verdade. Circulando apenas entre assinantes, o JORNAL PESSOAL depend dnica e exclusivamente deles, jAl que nio tem publicidade. Por issp, 6 importante que os assinantes mantenham-se atchtos em relaglo so journal. Para renootar assinaturas vencidas ra 224-3728 on procurer a sede do JP, A Rua Aristi- des Lobo, 871. tos enfrentar8 dificuldades crescentes para veneer certas armadilhas e decifrar algumas simulagbes que passaram a surgir. Notart tambem o desapareci- mento de determinadas informagbes ou a falta de detalhamento sobre outras. Em relagio a conglomerados ou empreendi- mentos de dimensbes nacionais, mas com expressi- vas ramificag6es regionals e estaduais, a falta de normas obrigando as empresas a uma demonstragio especffica para seu pdblico local, projeto por pro- jeto, impede que se tenha uma visio mais detalhada de cada um deles. Exemplo tfpico de tal situagio 6 a da Companhia Vale do Rio Doce, qjue nio separa Carajis nas suas demonstrag6es globais, deixando os paraenses e os amazbnidas g margem dessa com- preensao. Ainda assim, enfrentar os balangos 6 tarefa re- compensadora. Nas duas mat6rias seguintes, procu- ra-se, entire ndmeros nem sempre transparentes, en- contrar um sentido das contas desses grandes pro- jetos estio funcionando em seu territ6rio7 Sabe 0que sabe o amazbnida dos grandes projetos que na sonega~go de dados bent maior do que a preocupa~go de reveli-los. Em segundo lugar por- que falta consist~ncia e conseqii~ncia na busca des- sas informagdes. Mais rico seria o panorama se de um lado as empresas estivessem conscientes (ou forgadas a se conscientizarem, a falta de iniciativa espont~nea) da funglo social que se lhes impbe a Constitungao; e, de outro, se os cidadios tivessem meios de ir buscar o que nio lhes 6 oferecido. A paisagem, 6 verdade, apresenta-se bem me- lhor do que eni anos recentes, gragas as liberdades conquistadas e B distensio polftica. Mas, contradi- toriamente, alguns instruments compuls6rios de in- formagio parecem estar experimentando um empo- brecimento. B o caso dos balangos das empresas, o mais eficiente meio tecnico de comunicagio com o pdblico (e de acesso destes is corporagdes priva- das). Um leit~or atento e constant desses documen- sede do projeto de bauxita, no ParB), mas isso nio 6 mais do que 15% do imposto de renda que, nio ten- do pago por benemer~ncia do Estado, capitalizou para si mesma. Acostumadas a uma contabilidade que as favo- rece at6 mesmo quando submetidas a auditagem ex- terna (que se manifesta atrav6s de cbdigos s6 deci friveis pelos muito bem iniciados), as empresas particulares praticam uma contabilidade social de muletas. No seu balango, A MRN queixa-se do peso tributbirio suplementar que foi obrigada a suportar com a substituigio do IUM (Imposto Unico Sobre Minerals) pelo ICMS (de NCz$ 2 milhdes em 1988 para NCz$ 36 milhees no ano passado) e da eleva- do0 da alfquota da contribui~go social, de 8 para 10% (de NCz$ 3 ~milh6es para NCz$ 68 milhdes entire 1988/89). Encerra a apresentagio de suas contas anuciando estar "atenta B sobrecarga tribut8- ria a que vem sendo submetida. E refere-se a um novo 6nus, os 3% de royalties que teri de pagar a partir deste ano (algo em torno de quatro milhdes de ddlares) para a Unilo, o Estado e o Municfpio. Se essa reclamagio tem algum fundamento (e realmente o tem), ele esti mais no fato de que o po- der pdblico age tributariamente movido por interes- ses mercantis e patrimoniais prdprios do que pelo entendimento de sua fungio de repassador dos be- neficios B coletividade, mero intermedidrio na rela- glo entire o rendimento e sua redistribui~go social. A empresa pode se queixar de que o Estado au- menta a bocanhada sobre seus ganhos, ma~s a coleti- vidade tem mais razio ainda quando reclama do re- siduo que lhe sobra dessa exploragio de riquezas. Afinal, no vale que neste ano se produzird a soma record de oito milhdes de toneladas, gerando mais de 180 milhbes de d61ares, ainda se more de gas- troenterite. Se eliminar esse tipo medieval de doen- ga nio 6 tarefa da empresa, omitir-se da paisagem social e ignorar que nio est8 produzindo efeitos ir- radiadores 6 uma attitude condenivel. Se n~io fosse incentivada pelo governor, a Mi- neragio Rio do Norte empresa exportadora de bauxita na qual a Companhia Vale do Rio Doce est& associada a grupos privados, a maioria deles multi- nacionais teria que ter recolhido aos cofres pdibli- cos, no ano passado, 285 milh6es de cruzados no- vos (em valores de dezembro de 1989), imposto de renda calculado sobre um lucro lIquido de NCz$ 420 milhdes. Ao inv6s de entregar esse dinheiro so governor, a -MRN, por ter tido seu projeto aprovado pela Sudam, capitalizou os NCz$ 258 milhdes, Embora result de um ato de rendncia do te- souro national, que deixa de arrecadar a pretexto de incentivar a implantagio de empreendimentos produtivos em greas pioneiras, a capitalizagio orienta-se apenas pela lei das sociedades andnimas, nio respondendo a nenhuma das caracteristicas so- ciais de que se reveste a regilo pioneira. A razio apresentada para justificar a patol6gica associa~go do Estado com a iniciativa privada (patol6gica nio em si mesma, mas em fungdo da forma que assume) 6 o 6nus especial que recai sobre o investidor parti- cular, tendo que enfrentar monstros engendrados pela falta de infraestrutura na fronteira, o tal do "custo amaz~nico" a que se referem os emprestirios nos convescotes corporativos que costumam promo- ver. A exist~ncia desse adicional de custo por conta do pioneirismo nao pode ser negada, mas 6 rotinei- ramente exagerada. Queixa-se a Jari de que a ge- r~ncia dessa infraestrutura, no entendimento dela uma funglo do governor, custou-lhe 13 milhbes de d61ares no ano passado. Mas entire a situagIo real e o ndmero de frente do balango hB distincias e suti- lezas. A Mineragio Rio do Norte informa que os custos socials representaram 13% do custo total de produgio (com alimentagio, sadide, saneamento, educagIo e demais servigos comunitbrios para uma populagio de 7.500 habitantes em Porto Trombetas O significado dos nirmeros O custo social na fronteira No ano passado, a Albris, a fbbrica de alumf- -nio montada pela Companhia Vale do Rio Doce e s6cios japoneses as proximidades de Bel~m, vendeu 165.556 toneladas de metal. Apenas 165 toneladas (0,1% do total), o equivalent a menos da metade de um dia de produgio, destonou-se ao mercado interno. Todas as 165.391 toneladas restantes foram exportadas. A Albris faturou 322 milh~es de d61a- res (6 a segunda unidade produtiva da Amazbnia, por valor da produgho), mas o pafs obteria tr~s ou quatro vezes mais dinheiro se a cota da CVRD na produgho de aluminio fosse industrializada, ainda que num beneficiamento menos sofisticado. Nada disso ocorre: ni-o hB indlistrias paralelas em Barca- rena. No porto da Ponta Grossa a inica coisa que embarca 6 o anacr6nico lingote de aluminio. O balango da AlbrBs referente a 1989, divul. gado no inicio do m~s, traz bons resultados. A va- loriza~go do yen, imposta pelos Estados Unidos, permitiu B empresa reduzir sua dfyida em moeda ja- ponesa, a principal do seu perfil, em 106,6 milhbes de d61ares. Em 1987, a paridade yen/ddlar havia si- do arrasadora para a empresa, sujeita as incertezas da guerra commercial EUAIJapio em funglo de um dispositivo contratual nos empr~stimos leonino em favor dos japoneses. De amortizagbes e juros a Al- bras pagou US$ 50,1 milhbes referentes a empr~s- timos externos e mais US$ 14,4 milhdes da dfyida internal. O saldo cambial baixou, de US$ 272 mi- lh6es em 1988 para US$ 197,5 milhbes no ano pas- sado. Segundo o balango, essa queda deveu-se ao prego do aluminio, inferior em 1989, a elevagio do prego da mat~ria prima cha importtag8o de equipa- mentos para a Fase II. A partida da nova fase sera dada ainda no pri- meiro semestre deste ano. A duplicaCio da produ- glo, para 320 mil toneladas anuais, ser6 alcangada no primeiro trimestre de 1991, exigindo US$ 625 milhdes, dos quais haviam sido investido, at6! o ano passado, US$ 478 milh~es. Quando a Albrsls tiver atingido sua maturidade, entretanto, continuard sem responder a pergunta bbsica: qual o sentido de gasr tar US$ 1,6 bilhio numa fibrica cativa de um pro- duto sub-valorizado para aumentar os ganhos relati- vos do comprador? Enquanto estiver sozinha no distrito industrial de Barcarena e limitando-se a embarcar lingotes, a Albrb~s estarti desafiando os pa- raenses a encontrar uma forma menos dolorosa e ca- ra de participagio no mercado international. sucess~io serge mesmo o prefeito de Bel~m, Sa- hitt Xerfan. Guciros ficar8 no governor at6 o ifim de seu mandate, em margo do pr6ximo ano. Tamb~m permaneced8 no PMDB, mas apoiando a coligagio que se formar8 em torno do candidate do PTB. O governador estimular8 seus correligiondirios a ingressarem em outros partidos, como o deputado Carlos Kayath, que est8 indo para o PTB. O rompi- mento entire Gueiros e o ex-ministro Jader Barbalho seri definitive. Estas eram as principals conclusdes do dltimo fim-de-semana de articulagdes polfticas antes da data de 2 de abril, fatal para as desincompatibiliza- gbes dos ocupantes de cargos pd~blicos que quiserem concorrer g eleigio de outubro. Xerfan sempre foi a alternative mais forte do governador, mas Guciros tentou encontrar outras, sem sucesso. Consciente da queda de popularidade do prefeito na capital e de sua pouca penetragio no interior, Gueiros procurou opg6es entire ne6fitog em polftica (como Nelson Ri- beiro, Nelson Chavs se Frederico Coelho de Sou- za), velhos politicos (Alacid Nunes e Aloysio Cha- ves) e auxiliares, como Manoel Ribeiro. Chegou mesmo a examiner a possibilidade de recomposig~io com Jader, inviabilizada, sobretudo, pelos ataques do journal do ex-ministro g famflia do governador. Acabou voltando it hip6tese inicial, de Xerfan. Ainda houve um ensaio em torno do senador Almir Gabriel, que pedia e conseguin uma conversa com o governador, mas Gueiros nio se convences de que o candidate do PSDB seria um antagonists do ex-ministro e desisting da ideia, da mesma manei- ra como n~io avangoo no exame do nome do ex-pre- feito Fernando Continho Jorge. Sua opg~o per Xer- fan nio deixaria a Jader Barbalho outra alternative senio disputar o governor. O deputado Dionisio Ha- ge anunciava, no final-de-semana, que estava lan- gada uma chapa com o empres8~rio Luis Rebelo para o governor, o pr6prio Dionisio como vice e Jader para o Senado, mas a revelag~io foi recebida com ceticismo. Dionisio e Rebelo, que se consideravam es- teios de Collor de Melo no Pardi, desligaram-se do grupo de apoio a Xerfan por se sentirem marginali- zados. NIo foram ouvidos na elaborag~io da list com 50 a 80 nomes que o governador e o prefeito examinaram como provaiveis ocupantes de cargos federals no ParB. Dionisio intermediou os entendi- mentos: para que o president da Repdblica, con- tactado pelo deputado Renan Calheiros, Ifder do PRN, recebesse os oito deputados federals da ban- cada paraense, todos do bloco Jader Barbalho. Ao encontro d~o compareceu Arnaldo Moraes Filho, que parece ter-se transferido do barco jaderista para as 6guas do governador, embora continue sendo o director respons~vel do "Didirio do Pard", journal dos Barbalho, uma inc6moda situa~~o a ser administra- da no future com dor de cabega. A noticia do encontro, divulgada com destaque pelo "Didirio", serviria de contra-prova B declara- glo dos inimigos do ex-ministro de que ele est8 na list dos maus administradores pliblicos que Collor investigars. e punird. O contato, que durou 30 mi- notos, terse. son significado, mas n~io 6 conclusive. Jader, de qualquer mancira, tem mais tempo do que o governador e o prefeito para tomar uma decisio per n~io ter que desincompatibilizar-se de nada. E ineg~vel, entretanto, que a posigio dele ain- da nio 6 suficientemente confortivel para permi- O valor de um enclave Xerfan: opS Ao de Gueiros o ... Pinto Er. o *' ,. rrua Aristides Lobo, 871 ,.,r, Pard, 66.000 Fone: 224-3728 Diagramagdo e Ilustragdo: Luiz Pinto Opg8o Jornalhstica tir-lhe colocar logo sua campanha nas muas. O pa- cote Collor deve ter atingido tambem as economies do ex-governador, visto por um colunista do journal "O Globo" saindo da ag&ncia do Citibank, no Rio de Janeiro, com duas rombudas pastas de couro cheias de dinheiro. Mesmo que essa noticia nio passe de lenda, o ex-minis~tro terA grandes dificul- dades para manter seu imp6rio de comunicagdes em funcionamento, sem as verbas oficiais cha dist~ncia dos cargos piiblicos. Assim, so long desta semana, os principalss personagens jB se apresentario ao priblico para par- ticipar de uma luta que ainda 6 incerta e nio sabida. "Fotha" fria Durante decadas os gazeteiros apregoaram a venda de jornais pelas ruas de Bel~m anunciando apenas a "Folha do Norte". Por isso, eram conhe- cidos como "folheiros", para desespero dos concor- rentes do journal mais poderoso de toda a region norte do pafs. No dia 15, a "Folha do Norte" vol- tou a circular em Bel~m, uma decada e meia depois de desaparecer do contato diario dos paraenses, re- langada pelo grupo Liberal, que a havia adquirido e fechado. Quem conhecia a velha "Folha" deve ter se decepcionado. Quem nio a conhecia nio deve ter tido a menor id~ia do que foi o influence journal de Paulo Maranhio. Nada, na nova "Folha tem a ver com o pas- sado de 94 anos de vida. Um leitor cosmopolita ve- ria nela uma afinidade com a linha editorial do "U- SA Today", uma tentative de introduzir a dinamici- dade da television na imprensa escrita, mas nio dei- xaria de identificar tamb6m inspirag6es num sub- produto brasileiro da matriz norte-americana, a "Folha. da Tarde", de Slo Paulo. O logotipo, vaza- do em fundo vermelho, s6 nio 6 o mesmo porque o da "Folha" paulista encontra abrigo num quadrado, enquanto o da paraense foi colocado num retdngulo. O prdprio logotipo diz tudo sobre as intengaes do Sistema Romulo Maiorana de Comunica~go com o relangamento. A palavra "Folha" ficou em desta- que, enquanto o "Norte" aparece em tamanho me- nor, talvez para, no future, desaparecer. O titulo da nova "Folha" perdeu afinidade com seu antecessor, desenhado em letras g6ticas. Certamente o leitor modern ird querer um titulo mais simples, mas o anterior poderia ser mantido, com adaptagdes de estilo. Afinal, o grupo Liberal reeditou meteorica- mente a "Folha" em duas outras ocasi~es e brigou pelo tftulo em jufzo exatamente porque esse era o grande patrimbnio. Com a nova "Folha", jogou na lata de lixo um titulo que ainda tem forte apelo en- tre determinada faixa de leitores. Bem diagramado e bem impresso, ainda assim o journal chegou as bancas (sempre com atraso e sem a freqiibncia minima desejavel) deixando oftidas as matcas da press e da improvisag~io, sem definir uma linha editorial. Como se sabe que a "Folha" voltou para ser o instrument de combat do grupo Liberal contra o ex-ministro Jader Barbalho, o jor- nal dB a impressio de que espera o memento de ter. gar armas para assumir sua verdadeira face. Vi- sualmente atraente, 6 fraco de conteiido, frio, pre- enchido com pequenas notas g base de despachos nacionais e internacionais distribufdas pelas agen- cias de noticias. A desatenglio fez os editors omiti- rem, sintomaticamente, a numera~go do journal, que cita apenas o ano de vida e a data de circulagio. Parece estar dizendo, ainda que pelo subconsciente, que a "Folha" veio para durar pouco, cumprindo seu papel e depois voltando a fazer parte de um passado cheio de gl6rias, mas talvez inc6modo de- mais para ser integralmente ressuscitado. O editorial do primeiro mlimero refere-se a esse passado, lembrando, caricatamente, que o journal, "por muito tempo, foi o uirapuru civico deste peda- go de Amaz~nia". No mesmo tom, manifesto a espe- ranga de que na nova fase a "Folha" "provoque inquietagio e leve ao rem~dio". Parecem ser ex- pectativas exageradas, embora coerentes com o em- penho aplicado no projeto. Gazeteiros nio apregon- ram o journal, as bancas acumularam exemplares sem said, o priblico nio reagin, os amincios nio apare- ceram, o mlimero de piginas diminuin e a "Folha" antiga continuou mais viva do que a atual. Langado em um memento politicamente oportuno, mas eco- nomicamente dificil, o journal, paradoxalmente, vai defender do maior inimigo dos Maiorana para so- breviver. Ou, dito com mais exatidio: para definir por quanto tempo continuar8 existindo. Sd entio poder8 escaper a sofisticada geladeira da qual foi colocado. 001 nOVO ringue Esti havendo um remanejamento geral nos meios de comunicag~o em Santar~m, a segunda principal cidade do ParB. Nio 6 apenas uma dispute de mercado, mas reflete a dispute pelo poder que se far& com a prdxima eleigio, caminhando tamb6m na diregio do projeto de criar nessa regi~o um novo Estado. O Sistema Romulo Maiorana de Comunica- glo deveri ficar com a retransmissio das imagens da Globo a partir de maio, quando terminal o con- trato da rede de Roberto Marinho com a TV Tapa- j6s, do emiprest~rio Joaquim Pereira. A TV Tapaj6s dever8 se tornar afiliad a Rede Manchete, principalmente porque 50% das cots passaram para o control do ex-ministro Jader Bar- balho, depois que ele adquiriu a TV RBA. Jair Ber- nardino, primeiro donor da RBA, havia * ado anteriormente essas cots cowr F a reno Paulo Correa, adel.1 i - dio Liberal a - put ct g < ;-c I/ ~iE "iP o gui g i9 |
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