|
![]() |
|
| UFDC Home |
myUFDC Home | Help | RSS
|
|
ALL VOLUMES
CITATION
THUMBNAILS
PAGE IMAGE
ZOOMABLE
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Citation | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
STANDARD VIEW
MARC VIEW
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Text | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Lor nal Pessoal LJ icio Flaivio Pinto Ano III N 58 Circula aDenas entire assinantes 1 Quinzena de Marco de 1990 ELEICAO Uma dispute an6nima Aproxima-se do fim a contagem regressiva do relacionamento entire o governador Helio Gueiros e o ministry Jader Barbalho. Ele e o eixo da dispute eleitoral no Para porque o Estado tornou-se uma esp6cie de desert de lideres. 0 Par4i 6 um desert de lfderes. Nessa aridez po- Iftica esti a raiz da complete indefinigio no quadro sucess6rio estadual a menos de sete meses da eleigio que vai apontar o successor do advogado e jornalista Hl6io Gueiros. Nio aparecem nomes capazes de catalizar o eleitorado, nem ama- dureceram esquemas, acordos e composiq6es justa- mente por falta de alternatives. Ha muito tempo o ambiente que antecede uma eleigio no Para nio 6 tao melanc61ico quanto o de 1990. A dispute real ainda gravita em torno de uma novel pouco criativa: o rompimento definitive ou o reatamento estrat6gico nas relaq6es entire o gover- nador e o ministry da Previd6ncia Social. A pesqui- sa do Gallup mostrou que os dois sAo os polfticos de maior lideranga no Para de hoje. Muitos peeme- debistas, dos deputados estaduais Oti Santos e Ha- milton Guedes aos federal Arnaldo Moraes Filho e Mario Martins, gostariam de colocar Jader e H6lio no mesmo palanque at6 outubro. A vit6ria seria certa, mas essa uniio esti cada vez mais improva- vel. Polfticos muito ligados a Jader dizem que o ministry ja nio acredita nesse reatamento e esta tra- balhando para criar bases seguras para sua candi- datura ao governor sem defender de Hl6io Gueiros. Por isso, enquanto o governador suspended as hos- tilidades, retomadas apenas durante uma viagem a Conceigao do Araguaia, na semana passada, o jor- nal e a televisio do ministry continuam investindo contra a administragao estadual. A TV RBA divul- gou uma long reportagem sobre o estado precArio do Institute de Educagao do Pard plenamente cons- ciente de atingir um ponto sensfvel para H6io Gueiros: a gestio de sua esposa a frente da Secreta- ria de Educaqao. O format da reportagem foi apro- vado previamente por Jader. Todos os ataques ao governor t6m tratamento destacado no "Diario do Para", que solta notas venenosas atrav6s da princi- pal coluna do journal. Uma delas informava que pes- soa da famflia Gueiros compare quatro apartamentos em um ediffcio de luxo de Bel6m. As investidas "jaderistas" contra o governador vao insistir sempre nesse ponto, em tom crescente: H6lio Gueiros nio pode falar em "maos limpas" porque membros de seu governor e de sua famflia estariam envolvidos em atos ilfcitos, favorecendo-se da administraago ptiblica ou praticando nepotismo. Os 6rgaos de comunicaqao do ministry farao esse tipo de ataque, independentemente de terem docu- mentagao para comprovar suas afirmativas, porque adotam uma postura jornalistica sem maior relagao cor compromissos 6ticos. O governador, alias, sabe muito bem disso porque jA responded nominalmente pelo "Diirio". Familiares do governador gostariam de poupar- se dessa guerra sem regras, que favorece o ministry, um reincidente contumaz no assunto, enquanto o governador 6, pessoalmente, em relaago ao pdblico, um ne6fito na mat6ria. Mas assessores de H6lio Gueiros asseguram que ele nio se intimida. Negam qualquer ligagio desses ataques cor uma declara- cao de Gueiros durante recent entrevista coletiva. Quase se desculpando, ele disse que s6 fazia certos comentirios porque era provocado pelos jornalistas e nio gosta de deixi-los sem respostas, sugerindo que, por iniciativa pr6pria, nio adotaria certas ati- tudes. Na verdade, o moment para a decisao final de Jader e H61io ainda nio amadureceu. Ele vird at6 o dia 2 de abril, prazo final para a desincompatibili- zagao do governador, se ele quiser ser senador. O dnico caminho nessa direqao passa pelo PMDB: Gueiros s6 deixaria o governor se, ao mesmo tempo, seu vice, Herminio Calvinho, tamb6m se desincom- patibilizasse, o que pressup6e um acordo dentro do partido. A hip6tese de o governador quebrar a do- minagio exercida pelo ministry e controlar a con- vengao peemedebista esta praticamente descartada. O PMDB ainda farA o que Jader quiser. Nenhum dos dois quer antecipar uma decisao extremada porque disp6em de tempo e cedem espa- go para os grupos de bombeiros, que tentam, as ve- zes de uma forma melanc6lica, apagar o fogo da disc6rdia por motives estritamente pessoais. Du- rante os iltimos dias, personagens dos dois lados do campo tentaram, sem sucesso, promover um en- contro dos dois. O ministry da Previd6ncia Social parece mais pr6ximo do rompimento. No espaco de alguns dias, enquanto o lider do governor, Oti San- tos, subia a tribune para defender Gueiros, mesmo depois de ser impedido de participar da caravan official que percorreu o municipio de Alenquer, uma imensa "colher de cha" do governador ao deputado Arnaldo Moraes Filho, o deputado Paulo Dutra, na mesma tribune, investiu contra a administragao es- tadual. Outros polfticos repetiram a dose, todos eles liderados por Jader, anunciando um tempo hostile para o governor junto a sua pr6pria bancada. As outras pedras do tabuleiro s6 serio mexidas depois dessa definigio, mas a exigiidade do tempo comega a causar angdstias. O prefeito Sahid Xer- fan, por exemplo, 6 apontado como o candidate potencialmente mais pr6ximo do governador, mas at6 agora ele nao ouviu nenhuma confirmagio nesse sentido da boca de H6lio Gueiros. Ao contrario, o governador continue batendo na tecla dubidativa de que ainda nao ter candidate e nio veta ningu6m, o que significa aumentar ao maximo sua pr6pria mar- gem de manobra para negociagio e para uma defi- nigao de dltima hora, talvez at6 surpreendente. Polfticos situados dos dois lados do muro ar- gumentam que o ministry da Previdencia Social esta blefando quando se apresenta como candidate ao governor. O que ele buscaria mesmo seria um man- date parlamentar, que Ihe daria imunidade contra qualquer dos virios processes que tramitqm no Ju- diciArio responsabilizando-o por atos de incdria ou ilicitude administrative. Assim, Jader poderia ser senador ou deputado, mas nao governador. Confi- dentes do ministry responded que se houve essa intengao, ela mudou: "os inimigos nao deram outra alternative ao ministry, senAo disputar o governor . Assim, ao contrario do que pensam polfticos ligados ao esquema situacionista, a uniao Gueiros-Xerfan teria como resposta imediata a candidatura Jader. Mas nao havendo acordo, nem o governador assumindo a candidatura do prefeito de Bel6m, que opg6es restarao? A resposta exige muita imagina- rao, a falta de informag~o. Alguns polfticos apos- tam que Gueiros, convict de sua popularidade, po- deria tentar eleger um novigo em polftica, como o chefe da sua Casa Civil, Frederico Coelho de Sou- za, ou o secretirio de Inddstria, Com6rcio e Mine- ragao (o nome de Nelson Ribeiro foi apresentado numa chapa que teria H6lio para o Senado e Jader para a Cfmuara Federal, mas o ministry descartou a proposta). Ainda haveria a opcao por Alacid Nunes ou, na hip6tese de uma composigao peemedebista, cor Coutinho Jorge. Mas todas essas sio apenas possibilidades. Fora do circulo do poder, jb existe a candida- tura de Almir Gabriel, tendo como provavel compa- nheiro de chapa o ex-Reitor Seixas Lourengo, que preside a Paramin6rios, a companhia estadual de mineragao. Prudente como sempre, o senador Almir Gabriel evitou dar qualquer caracterfstica a essa candidatura, vis-a-vis o ministry ou o governador, afastando arestas para o future. Isto custou-lhe a reagio da ala mais radical do PT, que o aponta co- mo suspeito de coniv6ncia com os grupos dominan- tes. Esta 6 apenas uma hip6tese, que o silencio do senador sobre temas pol6micos da polftica local alimenta, mas a pesquisa do Gallup tamb6m de- monstra um fato: quanto mais candidaturas houver, melhor ficard a posigio relative de Jader Barbalho. Jader e o primeiro. E daf ? I oito mess da eleigao, mais da metade dos eleitores do Pard, ouvidos em pesquisa pelo Institute Gallup, ainda nio sabiam em quem votar para o governor do Estado. Os indecisos somavam 52,6% do total dos entrevistados pelo Gallup entire janeiro e fevereiro. Essa apatia mostra que ainda nao ha uma definicio na corrida pelo principal cargo da administracgo pdblica estadual. Mas a pesquisa traga o perfil de um favorite: 6 o ministry Jader Barbalho. No entanto, nem os indices francamente favo- raveis a ele, divulgados cor estardalhago pelo seu journal, o "DiArio do Para", que indiretamente en- comendou a pesquisa, slo suficientes para fazer o ministry da Previd6ncia Social decidir colocar abertamente sua candidatura nas ruas. Tr6s motives parecem ainda estar fazendo Jader Barbalho manter uma attitude de cautela, sem uma definigio express sobre o cargo que ira disputar. Um dresses motives 6 a expectativa em torno do governor Collor de Melo. Apesar de os inimigos do ministry alardearem que a primeira providencia da nova administragio federal sera um combat cerrado aos corruptos do governor anterior, ha cada vez in- dfcios mais fortes no sentido de uma transigio sua- ve de Sarney a Collor, sem os traumatismos anun- ciados na campanha eleitoral. Foi de Collor que partiu o pedido de encontro e o pr6prio president eleito, depois de conversar amistosamente cor Sar- ney e obter dele a gentileza de encaminhar a indi- cagao do novo president do Banco Central, decidiu nao transformer a visit que fez ao Maranhio, cum- prindo prbmessa de campanham, em ajuda polftica para o senador Joio Castelo, inimigo mortal de Sar- ney. Logo em seguida a eleiago, alguns assessores garantiam que o primeiro nome na list de corruptos a punir (ou a investigar) era o do ex-genro do pre- sidente Sarney, Jorge Murad. No Para, a versao re- cebia o acr6scimo do nome de Jader Barbalho, re- forgada pela notoriedade adquirida pelo ministry neste ocaso de governor, cor constantes aparig6es no noticiArio da imprensa sobre escandalos na Pre- videncia Social. Mas se Jader nao tem seguranga sobre o efeito apaziguador da interfer6ncia de ami- gos junto ao novo governor, a certeza de seus inimi- gos quanto a uma ofensiva moralista e punitive de Collor nao se baseia em fatos ou evidencias con- cretas. Se a incerteza parece ser a tendencia real, a expectativa do ministry pode estar mais pr6xima de se concretizar. O segundo motivo para o ministry nao trans- formar sua campanha eleitoral nio declarada em candidatura decidida ao governor vem dos pr6prios ndmeros da pesquisa. Na classes A, onde se registra o menor fndice de indecisos (27,5%), Jader teve a menor votacao: apenas 1% dos entrevistados vota- riam nele, contra 25,3% das opq6es por Xerfan, 11% por Almir Gabriel e 10,1% por Jarbas Passari- nho. Junto a essa camada social Jader sofreria sua dnica derrota, segundo a pr6via do Gallup. A classes A 6 o menos expressive de todos os cinco segments da pesquisa, mas 6 justamente quem exerce maior influ6ncia (6 a formadora de opiniio, como dizem os comunic6logos). A causa principal da rejeiiao ao ministry 6 moral, a partir do rapido enriquecimento de Jader nas iltimas eta- pas de sua carreira political. O ministry sabe que o tema da corrupqio sera exaustivamente explorado por seus adversarios, colocando-o na desconfortavel posiqio de ser o apelo prebiscitArio (tudo contra ou a favor de Jader). A terceira motivaaio tamb6m 6 confirmada pelo inqu6rito. Os maiores fndices de adesio a Ja- der sao obtidos nas camadas mais baixas da estrati- ficagio social, sobretudo na classes E, onde ele teve 25% das opq6es (Xerfan foi o segundo, corn apenas 2,3%). Mas 6 af tamb6m que se registra o maior volume de indecisos: 61,7% dos entrevistados ainda nio tinham candidates ao governor. Chegar at6 esses eleitores e estimula-los a votar exige muito dinhei- ro, ou poder. Ainda que o ministry pudesse contar cor recursos financeiros a altura da empreitada, ele teria igual soma de poder? Na polftica clientelista que se pratica no Para, s6 pode dar uma resposta afirmativa categ6rica quem ter acesso a maquina official. A partir do dia 14, Jader Barbalho estara a margem dos governor federal e estadual, pela pri- meira vez desde 1983. Ele ter que ponderar bem essas circunstAncias antes de tomar uma decision, inclusive porque a falta de verbas oficiais de publi- cidade vai afetar o faturamento de suas empresas de comunicaqio. Por causa da massa de indecisos, os 19,4% de votos espontineos que as pessoas entrevistadas pelo Gallup Ihe deram representam menos de 10% de votos reais, garantidos. Se a eleigio para o governor se tornar prebiscitiria e o adverstrio de Jader con- tar cor o apoio das duas maquinas oficiais, a evo- luqgo da campanha podera adquirir contornos de in- definigio e sementes de surpresa, impossfveis de aparecer na pesquisa do Gallup. Uma coisa 6 pes- quisadores chegarem a 2.059 entrevistados. Outra coisa 6 o candidate disputar os votos de mais de tres milh6es de eleitores. A pesquisa constata que Jader Barbalho sai na frente, mas mostra tamb6m que o ponto de chegada ainda esta muito long de qualquer dos competido- res. Lucro s6 em 90 S6 no final do mes a Companhia Florestal Monte Dourado, sucessora do Projeto Jari de Daniel Ludwig, divulgard seu balango. Mas ja se sabe que a empresa fechou o ano passado cor prejuizo de aproximadamente 270 milh6es de cruzados novos. Como em janeiro foi paga a dltima parcel do em- pr6stimo de 200 milh6es de d6lares contraido por Ludwig junto a Ishkawajima, do Japio, que ficou por conta do Banco do Brasil e do BNDES, 1990 podera ser o primeiro ano de lucro lfquido no Jari. 3 Duas pobrezas amaz6nicas H 25 anos a Amaz6nia vem sendo submetida ao mais intense e certamente o derradeiro - processo de ocupagio econ6mica de sua hist6- ria, iniciado cor a colaboragio financeira dada pelo governor (em condig6es tio vantajosas como jamais houve no mundo capitalist) as fazendas de gado. Imaginou-se que a "dltima fronteira de recur- sos do planet" haveria de ser conquistada pela pata do boi, como todas as outras. A floresta foi trocada por pastagens, uma permuta desastrosa nio apenas em si, mas tamb6m porq':e o boi nao se ma- terializou. No lugar dele, as derrubadas de mata virgem serviram mais a especulacio do que A pro- duio. O capftulo da pata do boi est6 em franca supe- ragio, apesar de algumas resistencias recalcitrantes dos "pioneiros" de sempre, cujo dnico referencial 6 o bandeirantismo a qualquer prego. As correntes mais modernas apontam para outras "especializa- 96es", como a exploragio de min6rios, a produgio de grios, o extrativismo racionalizado, a produgAo de bens intermedidrios (como os siderdrgicos), etc. Mas toda essa discussion se alimenta de necessida- des externas a Amaz6nia: a demand do mercado 6 que imp6e as "vocag6es". Nio hi nem mesmo um certo equilfbrio dial6tico porque a regilo nio tem voz, ou, se a ter, ela esta amordagada. Prevalecen- do a vontade do colonizador, este nio quer ouvir o que tem a dizer o colonizado. O saber local 6 incapaz de ombrear-se ao saber e A tecnologia trazidos de fora para modelar os em- preendimentos econ6micos que, compulsoriamente, integrario a Amaz6nia Bs economics externas, na- cional e international? De fato, a Amaz6nia deu um salto quantitative e at6 mesmo qualitative tio grande que a resposta parece ser negative. A socie- dade local ficou a deriva, sem rumo. Tornou-se in- capaz de ser contemporanea dos grandes projetos implantados em seu territ6rio, alienagio que torna- ria a populagio amaz6nica uma repetigio atualizada das sociedades africanas e asigticas submetidas ao colonizador europeu at6 a metade deste s6culo. Sua participaqio nessa hist6ria seria apenas residual, espectadora de uma trama, cuja sofisticagio escapa A sua compreensao. O falso federalismo que se pratica no pafs, a brutal centralizagio polftica e econ6mica que o ca- racteriza e a inconseqiincia das elites, agora criti- cadas pelo president eleito, sustentam essa sensa- gio de impotencia da gente native diante das trans- formagdes provocadas pelos assim chamados gran- des projetos, a pedra de toque do modelo nesses 25 anos de literal coloniza~io. Ainda assim, talvez por forga da brutalidade do process de penetragio na regiao e de uma certa solidariedade international, alguns questionamentos comegam a abrir um campo novo na interpretaaio e acio sobre a vocagio da Amaz6nia. Essa ebuliqio ter tido pelo menos o m6- rito de mostrar que algumas situag6es estabelecidas podem ser revertidas. Muito pouco de tudo o que ji foi firmado na regiao 6 definitive. Principalmente as empresas mais permeaveis a pressio popular estio sendo obrigadas a explicar- se. A Companhia Vale do Rio Doce, por exemplo, detentora do mais valioso patrim6nio de recursos naturais da regiao, 6 cobrada sobre um fato pertur- bador: uma fibrica de alumfnio, das maiores do mundo, que construiu as proximidades de Bel6m, supre 20% do consume japones do metal primirio, na forma (sub-valorizada) de lingotes, mas 6 inca- paz de gerar um distrito industrial A sua volta, usando o produto bruto para transformag6es que Ihe agreguem mais valor. Produzir apenas lingotes sig- nifica condenar-se ao atraso, principalmente porque o prego do produto nao incorpora o valor real da energia, fornecida com tarifas subsidiadas pelo po- der pdblico. O modelo, all, 6 de puro enclave, igual ao que foi montado no Amapa, 45 anos atrAs, cor o primeiro dos empreendimentos da "nova era", para a extragio de mangan6s e, com esse produto, do sangue da regiao. Apesar de sua debilidade, a sociedade amaz6- nica ji pode refletir mais criativamente sobre os empreendimentos que Ihe foram impostos, a tempo de impedir que a fase de grande colaboragao inter- nacional, anunciada pelo president Collor de Melo, a apanhe desprevenida e a remeta, definitivamente, para o passado colonial que moldou a feiglo dos continents que, at6 este s6culo, desempenharam a fungao reservada a Amaz6nia na passage para o pr6ximo s6culo. Com a massa de sua populaaio submetida a um process de embrutecimento e empobrecimento e uma elite incapaz de ver o future, perdida em tricas e futricas provincianas, torna-se cada vez mais diff- cil visualizar perspectives melhores para a Amaz6- nia. Basta, em seu Estado mais "desenvolvido", como o Pard, analisar a list de opg6es que as elites polfticas oferecem para a escolha dos eleitores. Um quadro polftico e intelectualmente mais pobre do que a mis6ria material dos detentores dos votos, que, apesar de tudo, andam em busca do menos ruim. De volta A dispute pelo governor do Part poder. ganhar um novo personagem: o senador Jarbas Passarinho. Na semana passada ele admitiu que podera "repen- sar" sua decision anterior, de nao participar da pr6- xima eleiago. A mudanqa foi motivada pelos resul- tados da pesquisa do Gallup. Na votaaio esponta- nea ele ficou em terceiro lugar e na manifestagio provocada dos entrevistados foi o segundo, supe- rando Sahid Xerfan e ficando apenas abaixo de Ja- der Barbalho. Esse resultado 6 surpreendente porque Passari- nho ter sido um ausente do Para nos dltimos anos, limitando-se a fazer r4pidas visits ao Estado. A lembranga do nome dele pode estar associada & image de um polftico extremamente polemico, mas pessoalmente honest cor dinheiro, de "mios lim- pas", como o governador H6lio Gueiros se apre- senta e cuja qualidade, cada vez mais rara no setor, cobra de quem vier a suced6-lo. 0 povo parece concordar, relevando outros aspects que podem ter peso igual ou at6 maior, mas nao sio tio raros. 0 ec61ogo v I ressucitada Secretaria Especial do Meio Am- biente 6 6rgio de segundo escalio da adminis- tra Ao federal, mas ganhou as primeiras pAgi- nas de quase todos os grandes jornais do pafs cor a decision de Jos6 Lutzemberger de aceitar o convite do president eleito Fernando Collor de Melo para ocupar a chefia da Sema. Ao atravessar o biombo, incorporando-se ao novo governor, Lutzem- berger tratou de advertir: se o president eleito pretendeu coopta-lo, perdera seu tempo. O ec6logo ga6cho assegurou que procuracr aplicar, na Sema, as mesmas id6ias que sempre o mantiveram do outro lado do balcio at6 aceitar o oferecimento de Collor. No primeiro moment, todos os dividends foram faturados pelo president eleito, que conse- guiu trazer para o seu governor um home que nio aceitava nem conversar, quanto menos ser parte da administragAo do president Jos6 Sarney. Logo se podera verificar se a posigio indepen- dente e critical de Lutzemberger 6 compativel corn as diretrizes do governor Collor. Duas quest6es ime- diatas servirio de prova dos nove. Uma 6 a conclu- sio do asfaltamento da BR-364, abrindo um novo caminho de ligaqao da Amaz6nia ao Pacffico. A outra 6 a manutengio da polftica de incentives fis- cais para a Amaz6nia e, por extensao 16gica, para o Nordeste. Os assessores do president eleito procuraram convencer a imprensa que Collor de Melo nio mani- festou seu entusiasmo pela ligacio rodoviAria do Pacffico, durante encontro com o candidate a presi- dencia do Peru, Mario Vargas Llosa. Mas o "escla- recimento" veio tao tardio que sugere tratar-se de mera manobra de despistamento. Apoiar essa nova via de escoamento de riquezas da Amaz6nia esta coerente corn as id6ias que Collor de Melo ter pre- gado, sobretudo na sua passage pelo Japio, o mais interessado na obra. O interesse do Japio pela estrada Rio-Branco- Pucallpa e, a partir daf, at6 o litoral peruano no Pa- cffico 6 mais do que not6rio. Esta podera vir a ser a rota prioritiria para o suprimento japones de madei- ra, que crescera de importancia cor o esgotamento das reserves cativas na Asia. Sera dificil impedir a execugao desse projeto apenas cor discurso preser- vacionista ou sentimental. A fnsia dos natives de escapar ao multisecular isolamento nos confins amaz6nicos se encarregard de fornecer combustfvel para a tese, que, materializada, atendera na verdade outros prop6sitos. O pr6prio Japio ja esta se antecipando as rea- 96es, dispondo-se a financial projetos de manejo florestal e at6 mesmo as idflicas (e ainda mal resol- vidas) reserves extrativistas. Mas toda essa ofensiva seria apenas para atenuar a repercussio de uma pura e simples corrida a madeira, quase tio predat6ria quanto a que avanga na parte oriental da Amaz6nia. Algo como o boi de piranha, distraindo os cardumes da manada que passa do outro lado. Como no Acre localizam-se algumas das prin- cipais manchas de terra f6rtil da regilo, nio basta simplesmente querer impedir a construgio da nova estrada. E precise oferecer uma solugio t6cnica ai ao governor mais avangada, dando opq6es para o uso econ6mico dos recursos naturals, atendendo as justas aspira- 96es locais e convencendo a todos de que a floresta 6 a riqueza principal e deve ser usada corn inteli- g6ncia. Por enquanto, nio ha muito a oferecer quanto a esse aspect, inclusive da parte de pessoas como Lutzemberger. Da mesma forma, ele nio pode apenas conti- nuar a manifestar sua oposigio ao uso de incentives fiscais para expandir a fronteira econ6mica na Amaz6nia, agora que serb um executive do gover- no. Manter tal posiCio significara entrar em rota de colisao cor o president ou Collor abrird mao dos incentives fiscais para o Nordeste, quando uma de suas id6ias mais caras (e pessoais) era a de elevar o "status" da Sudene, que administra esses recursos, para tornm-la um minist6rio? O caminho de ingresso de Lutzemberger no governor, portanto, sera repleto de espinhos e arma- dilhas. Elas comecam na pr6pria estrutura adminis- trativa e institutional que esta sendo montada pela assessoria de Collor de Melo. Ela fortaleceu um 6r- gao normativo, encarregado de estabelecer diretri- zes, como a Sema, mas esta enfraquecendo o seu brago executive, que deverf ser o Ibama. Entre as maos e o c6rebro, ademais, havera um pulmao de eficiencia discutfvel na atual configurag~o, o Co- nama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), mais parecido a um conselho de sabios, douto e decorati- vo. Assim, o famoso ec6logo gadcho corre o risco de dar as ordens e nao ve-las executadas, condigao que pode transformn-lo numa esp6cie de rainha da Inglaterra. Se isso ocorrer, ou aceita a funio- ou pede o bon6 e vai embora, como muitos em igual situagio fizeram antes dele. O exemplo mais recent foi o de Messias Franco, que saiu disparando, sem perceber que sua p6lvora havia sido molhada. De ponta-cabe;a Mapa de recursos naturais que o IBGE elabo- rou, em trabalho conjunto cor a Sudam, para ser divulgado antes do t6rmino do governor Sarney, mostra que a Amaz6nia ter apenas 9% de terras naturalmente aptas para a agriculture. Reduzida em terms percentuais diante da grandiosidade da re- gilo, essa area corresponde a todo o territ6rio de Sao Paulo, ainda o maior produtor agrfcola do pafs. Por "naturalmente aptos", entende-se os solos que dao bom rendimento sem a necessidade de fertiliza- g~o artificial. O grande problema 6 que a esmagadora maioria dos empreendimentos agropecudrios instalou-se em solos inaptos ou pouco aptos para essa pratica. O Acre 6 o Estado cor a maior proporCao de solos f6rteis da Amaz6nia, mas a densa cobertura flores- tal exige cuidados maiores na definiaio da forma de exploragio econ6mica. Em qualquer caso, os t6cni- cos que participaram da elaboragao do mapa de so- los (hi ainda outros tres) consideram indispensavel e urgente a execuCao do zoneamento ecol6gico-eco- n6mico para evitar o uso predat6rio dos recursos naturais da regiio. BIRD concede aval ecol6gico C oncedido ainda ao governor Sarney, o empr6s- timo de 117 milh6es de d6lares do Banco Mundial, o maior de toda a hist6ria do BIRD para programs de defesa do meio ambiente, vai ser liberado integralmente durante a administra- 9io Collor de Melo, devendo servir-lhe de escudo protetor inicial contra os ec6logos, cuja pressao 6 crescente na sociedade modern. O quinqiinio Sarney foi marcado pela maior destruigio de florestas ja praticada num s6 ano em toda a hist6ria humana. Em 1987, 200 mil quil6me- tros quadrados de cobertura vegetal foram queima- dos na Amaz6nia, sendo 80 mil quil6metros quadra- dos de mata original. O prejufzo econ6mico desse inc6ndio monumental pode ser calculado, conserva- doramente, em 100 bilh6es de d6lares, se for consi- derada apenas a atual forma de exploragio econ6- mica das riquezas da floresta. Mas o potential real ultrapassaria 500 bilh6es de d6lares se o home j6 tivesse condig6es de incorporar ao process produ- tivo todo o conhecimento cientffico (naturalmente, ainda na fase de demonstracgo e consolidagio). Como essa devastagio foi registrada por sat6- lite, a mais sofisticada e acatada fonte de informa- q6es na sociedade atual, o impact na opiniio pd- blica international foi grande. Paradoxalmente, po- r6m, essa imensa fornalha vegetal acabou servindo de instrument para que uma administracgo pdblica omissa ou conivente com essa destruiaio arrancasse do Banco Mundial o maior financiamento ecol6gico de todos os tempos. Talvez nio seja casual o fato de que o dinheiro s6 podera ser utilizado pela nova administration pd- blica brasileira. A rigor, o program Collor de Melo para o setor 6 vago e inconsistent, em nenhum ponto melhor do que a heranga deixada por Sarney atrav6s do Programa Nossa Natureza. Mas Collor de Melo p6de sentir a intensidade das preocupa96es ecol6gicas dos pauses industrializados e a forca que elas representam quando caem nas mios de entida- des nio-governamentais. No papel, nio ha muita coisa al6m do que Sarney ja deixou. Mas a vontade se reforgou. O empr6stimo do BIRD ira incremen- ta-la. A hist6ria concrete desse tipo de cooperacio, entretanto, recomenda cautela antes da comemora- qio do feito. Foi o BIRD quem forgou o governor Figueiredo a incluir no Polonoroeste, um program de ocupagio de Rond6nia, um capftulo em favor do meio ambiente e dos fndios. A inclusio foi feita, mas ignorada pela pritica governmental. Ja na ad- ministraqio Sarney, o BIRD voltou a pressionar pa- ra que as inteng6es se consumassem, sob pena de nfo liberar dinheiro para a continuaqio do asfalta- mento da BR-364, no trecho Porto Velho-Rio Bran- co. O Banco Mundial tamb6m conseguiu abrir o Program Grande Carajas para a assistencia as co- munidades indfgenas espalhadas ao long da ferro- via de Carajas, mas grande parte dos 14 milhdes de d6lares transferidos pela Companhia Vale do Rio Doce desviaram-se pelos escaninhos da burocracia da Funai, sem chegar aos locals de destino. Dos 117 milh6es de d6lares que o BIRD repas- sara ao governor brasileiro, US$ 47 milh6es serio aplicados no "aprimoramento da burocracia". O principal objetivo 6 treinar 1.200 t6cnicos que atua- rio no setor e criar uma estrutura para obter e ar- mazenar informag6es. Que a burocracia da area am- biental precisa ser reciclada ou preparada, ningu6m duvida. Mas ela estara em condig6es de cortar na pr6pria came? 0 program prev6 a interligagio do banco de dados federal, ainda precArio, a bancos de dados dos governor estaduais, inexistentes. Ou se- ja, parte de um pressuposto falso, quando deveria comeqar do nada para preencher os espagos a partir daf. O program vai ainda montar tr6s centros re- gionais de captagio de imagens de sat6lite para mo- nitoramento das queimadas e desmatamentos. Um sera em Manaus, o outro ficara em Cuiabi e o ter- ceiro em Sio Paulo. Cabe perguntar: e o que sera feito do centro de sensoriamento da Sudam, instala- do em Bel6m, o inico em funcionamento na Ama- z6nia? Sera desativado e atirado as calendas gre- gas? O program abre algumas perspectives alenta- doras. Uma delas 6 com a formagio de novas men- talidades. Seu efeito mais positive poderia ser o de acabar com essa mania brasileira de estar sempre comegando uma nova hist6ria, como se nada hou- vesse antes de cada um dos governor que se entro- niza no Palacio do Planalto. Isto fulmina a mem6ria e estimula a mera repetigio de hist6rias e est6rias. Responsabilidade O Jornal Pessoal 6, hoje, um dos raros rema- nescentes da imprensa alternative no Brasil. Os jor- nais nanicos praticamente desapareceram. A expli- cagio corrente 6 de que a liberdade de expression, assegurada pelo governor e consolidada na Consti- tuigio, deixou sem sentido publica96es que deve- riam divulgar fatos escamoteados pela grande im- prensa ou proibidos pelo regime. Trata-se de uma explicagio capenga. Se a censura official foi abolida e nio ha mais restrig6es polfticas a veiculagio de informag6es, nunca, como agora, houve auto-censu- ra e interferencia a partir de dentro das empresas jornalfsticas. Se a imprensa alternative nio ressurge, para tender a uma necessidade nio satisfeita (e nem sempre percebida) da opiniao pdblica, 6 porque o custo econ6mico esta inviabilizando as pequenas empresas jornalfsticas, a coergio informal e econ6- mica mostra-se mais feroz do que a afio repressora do Estado e ficou rota ou flicida a coluna vertebral do jornalismo enquanto instituigio e dos jornalistas enquanto sua expressio ffsica. Mas como o vacuo existe, tem proliferado os jornalistas picaretas e as publicaq6es aventureiras, ou de achaque, que cir- culam simbolicamente apenas para justificar a ne- gociagAo de um bem cada vez mais valioso e raro na sociedade brasileira contemporfnea: a boa informa- CIo. Collor e, ou nao e Durante alguns meses Fernando Collor de Melo nao foi mais do que uma diversio national. Quase todos encaravam com bonomia ou sarcasmo o pro- jeto do jovem governador de um dos Estados brasi- leiros de segunda categoria de tornar-se president da Repdblica. Mas uma pessoa estava firmemente convencida de que esse sonho poderia tornar-se realidade: era o pr6prio Fernando Collor. No dia 15, um ano e meio depois de ter-se langado como aspirante ao cargo, ele consumara o que parecia ser apenas capricho de mogo rico. Sera o president do oitavo pafs em Produto Interno Bruto do mundo, encarregado de liderar mais de 140 milh6es de ci- dadios e de gerir uma complexidade tal de fatores que amea.a jogar na vala da inviabilizacao uma na- &ao que poderia aspirar ao melhor dos destinos. Do novo president nio se pode dizer que nao seja pertinaz. O trago mais marcante de sua perso- nalidade 6 uma auto-confianga aparentemente ili- mitada. Os inimigos poderiam classifica-la de ob- sessiva, beirando a paranoia. Os antecedentes e consequentes da eleigao final de 15 de dezembro indicam que o impetuoso Collor de Melo 6 um can- didato a d6spota. O m6todo que adotou para former sua administra&ao e os produtos das escolhas reali- zadas atestam realmente que ele governard com mao forte. Esta nio 6 propriamente uma novidade no pre- sidencialismo exarcebado que se pratica no Brasil. Freqientemente a forga da mio se estingue nela mesma: o murro na mesa 6 apenas um gesto, sem pontuar a attitude seguinte. Ou seja: superabundam d6spotas num pafs contaminado por um autoritaris- mo que jamais consegue se enriquecer pelo esclare- cimento. O prfncipe que Maquiavel buscava para executar seus projetos de reform nio ter sido mais do que uma moldura para o despotismo vazio que se ter sucedido na Repdblica. Fiel a esta cara tradigao das elites brasileiras, que vem at6 mesmo pela ge- nealogia da famflia atrav6s do av6 Lindolfo Collor, um apparatchick do prfncipe Getdlio Vargas, Col- lor, ainda assim, poderia trazer consigo a novidade do despotismo esclarecido? Aqui tamb6m a question nio se define cor sim- plicidade. Amigos garantem que o novo president nao ter apenas forga na mao, mas tamb6m id6ias na cabega. Citam seu currfculo escolar e convidam pa- ra visit a fornida biblioteca de Collor, sem deixar de fazer refer6ncia ao ndmero do QI dele. Mas in- terlocutores safram impressionados cor a vacuidade da converse do president eleito, cuja dltima im- pressio de campanha, a do derradeiro debate de te- levisio com Luis Inicio Lula da Silva, foi melan- c6lica para observadores um tanto mais exigentes. Independentemente desses fatores subjetivos, haveria uma questao capaz de fazer o novo presi- dente superar-se a si pr6prio, romper compromissos com stores que apoiaram ou financiaram sua cam- panha e governor com um program de reform da sociedade brasileira: apenas JAnio Quadros antes dele, na hist6ria recent do pafs, chegou A presi- dencia sob uma expectativa tio favoravel da socie- -e fim dade. O caos que se avizinha, como uma onda vio- lenta que vai desabar sobre pessoas indefesas, faz o cidadio dar um cr6dito de confianqa a Collor e en- cara-lo sob o signo da simpatia. Mas o pr6prio candidate, explorando a imagem de super-homem (subliminarmente injetada atrav6s da associagqo cor sua forca de lutador de carate), atribuiu-se uma competencia que talvez nio possua. Autorizou os brasileiros a esperarem resultados concretos e significativos a partir do moment mesmo da posse. Sua modern assessoria sabe per- feitamente dessa diffcil circunstincia, mas combine providencias de impact cor atos de mera propa- ganda, com a evidence intencgo de manipular a opi- niio dos menos avisados. Qual das duas tendencias ira prevalecer? A ddvida 6 reforqada pela constata- cgo de que a assessoria e o president divulgam medidas superficiais como se fossem tratamento em profundidade de problems, cuja seriedade exige mais do que as "simpatias" curativas. Apenas os radicals estio torcendo para que a nova administration federal seja um desastre. Quem ter mais experiencia da vida brasileira sabe o que pode vir depois que se constatar o despreparo do president, numa terceira geragio seguida (ap6s Fi- gueiredo e Sarney) de mandatarios inteiramente abaixo das necessidades do moment hist6rico. Mas Collor s6 se firmara depois de convencer os analis- tas mais consistentes de que realmente ter um pro- grama a cumprir e ele aponta no sentido da corregio das principals distorg6es que atravancam a vida do pafs, da reform. Esta 6 a parte de sua atuaqao que diz respeito is elites. Mas, acima de tudo, precisa colocar mais comida na mesa dos deserdados e proteger o bolso deles, hoje um local quase total- mente decorative. Pode ser que no primeiro mo- mento a massa dos marginalizados da riqueza na- cional aceite apenas olhar o arco-fris projetado pe- los homes de marketing do president. Mas logo ela percebera a manipulaqao de cores e colocara o ceu abaixo. Nada mais tera a perder. Mas todos perderio. Ou Collor demonstra ser o que diz ser, ou ape- nas completara o movimento de seu antecessor, em- purrando o pafs para o caos. Se ele pensa que pode- rA simplesmente exercer o despotismo e impor, pela forga de seu temperament, que o aceitem como-nAo 6, est& enganado. Provara que nio sabe ler os sinais da hist6ria. E s6 esta capacidade podera salva-lo do fiasco e a n6s, da incerteza. A era Sarney Jos6 Sarney atravessou os iltimos cinco anos como um bom amigo de seus amigos, home cor- dial, excepcionalmente ligado as coisas do espirito (para os padres da presidencia republicana, tole- rante, afivel, mas como um dos mais medfocres pre- sidentes que o pafs ji teve em todos os tempos. Desgracadamente, ele ganhou o direito de ser o ho- mem pdblico ndmero um, desempenhando burocrati- camente essa funcgo, exatamente no moment em que o Brasil precisava de um estadista e teve um polftico provinciano, daqueles retratados no verso c6lebre de Carlos Drummond de Andrade. Sua dimensio pode ser media pelo estado de espfrito final. Quase em euforia, Sarney cumpriu uma agenda, movimentada com o ar de quem julga ter cumprido da melhor maneira sua missio, como se tivesse entrado para a hist6ria como o Ifder da transigio democratic, um novo Mois6s abrindo o mar da tormenta para a ilha de felicidade. Se nio faltou liberdade polftica, faltou rumo nessa cami- nhada, o sentido de direqio que constitui o fer- mento de qualquer program. Sarney negociou o dia a dia, sem conseguir olhar al6m do nariz. Como os politicos da Velha Repdblica (ou Repdblica Velha: o adjetivo ter fungio decorative), achou que admi- nistrar significa compor interesses, o jogo pelo jo- go, ludismo inadequado num pafs como o Brasil. Colocado por conveniencias de moment e fa- talidades de ocasiao para presidir o Brasil, Jos6 Sarney deixa-nos a sensagio de que em sua mente Brasflia nunca foi mais do que a reproduiao am- pliada de Pinheiros, sua terra natal maranhense, li- mite de sua visao de mundo e de sua competencia. De 1 nao deveria nunca ter safdo. Novo capitulo 0 prefeito Sahid Xerfan e o empresArio Ro- mulo Maiorana Jdnior vio a Brasflia no dia 14 nio apenas para assistir a posse de Fernando Collor de Melo, que reservou tres convites para o prefeito de Belem, mas conversar novamente com o president eleito. O interesse de Xerfan 6 passar a limpo o apoio que podera receber de Collor na dispute pelo governor do Estado, mais a liberagio de 350 milh6es de d6lares de empr6stimos externos retidos durante o governor Sarney. Rominho voltarA a fazer carga contra o ministry da Previdencia Social, Jader Bar- balho, na esperanga de convencer o president eleito a submeter o ex-governador a um process administrative ou judicial por corrupgAo. O projeto da "Folha do Norte" esta nos arre- mates para chegar as ruas no mesmo dia da posse de Collor e ser o principal instrument de combat do grupo Liberal contra seu arqui-inimigo. Enquanto o principal journal, "O Liberal", tentara manter um certo nfvel professional, a "Folha tudo sera permi- tido para responder a altura (o mais correto nio se- ria dizer "i baixaria"?) ao "Diario do Para". A alternative de Jader sera relanqar o "Tabl6ide", que fez curta e triste carreira especializado em falar mal de Romulo Maiorana, pai. A outra m&o O prefeito Sahid Xerfan recusou dar um au- mento adicional de 6% acima do reajuste geral dos servidores pdblicos de Belem para os m6dicos do Pronto Socorro Municipal e endureceu sua posiqio, enfrentando a greve deflagrada no PSM. Para reagir a mobilizagio dos medicos, que ganham de 2,2 mil ao miximo de 6,6 mil cruzados novos por mes, Xer- fan divulgou pela imprensa uma longa nota, respon- sabilizando as entidades representatives da catego- ria pelos problems decorrentes da greve e amea- gando aciona-las. S6 na TV Liberal, o principal veiculo de mfdia da campanha, a nota de tr6s mi- nutos de duracio foi lida quase 20 vezes. Por se tratar de materia paga, a TV Liberal faturou mais de um milhio de cruzados novos com as explicag6es de Xerfan. Esse dinheiro poderia ser melhor emprega- do se fosse aplicado no atendimento das reivindica- q6es dos medicos. O prefeito terA suas raz6es para nao dar um tratamento salarial diferenciado aos medicos, mas, diante dos salarios que eles recebem e da relevAncia da fungio que desempenham, ao inves de pronta- mente decidir-se pela campanha publicitaria, o pre- feito poderia ouvir a sociedade belenense e per- guntar-lhe se aprovaria o atendimento dos pedidos dos medicos. Afinal, o prefeito, apontado como o candidate de maos limpas para suceder o governa- dor, se preveniria contra os que questionarao sua decision de fazer uma campanha publicitAria mais do que excessiva,_para os prop6sitos estritamente tec- nicos de sua iniciativa, justamente na televisao do grupo empresarial mais empenhado em sua candi- datura. Cortina de fumaga O deputado federal (PDS) Gerson Peres pediu audiencia ao ministry Jader Barbalho*para tratar de um assunto paroquial: queria espago no journal "Diario do Para" para responder a uma carta agres- siva do prefeito de Igarap6 Mirim, sem que o seu inimigo tivesse direito a replica. A questao, deferi- da, poderia consumer talvez meia hora de um mi- nistro atarefado. Mas Gerson ficou duas horas no gabinete de Jader, obrigado a um imprevisto chi de cadeira nos outros politicos que o aguardavam na ante-sala. Talvez o deputado pedessista tenha tratado de algum tipo de acordo com o ministry para brecar a investida de seu principal adversario politico, a famflia Moreira. Enquanto Amilcar vai disputar a reeleigio a CAmara Federal, o ne6fito Herundino substituira Agenor na busca de um lugar na Assem- bleia Legislativa, dispondo da poderosa miquina da Secretaria de Saide e de mais f6lego ffsico. Logo que a notfcia do encontro foi divulgada, Gerson Peres passou a receber em Brasflia telefo- nemas de cobrangas do grupo que tenta viabilizar a candidatura de Sahid Xerfan, centrado no Sistema Romulo Maiorana de Comunicacqo. Gerson partici- pa desse esquema como um dos principals articula- dores. Como encaixar essa condiago e a demorada conversa com Jader Barbalho, deve ter-se tornado um quebra-cabega para todos. Journal Pessoal Editor responsAvel: Lucio Flavio Pinto EndereCo (provls6rio): rua Aristides Lobo, 871 Bel6m, Par&, 66.000. Fone: 224-3728 Ditgra n Oo-l L Luiz Pinto s \ L , |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| MILLISECOND | CLASS.METHOD | MESSAGE |
|---|---|---|
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Application State validated or built |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Navigation Object created from URI query string |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.display_item | Retrieving item or group information |
| 0 | sobekcm_page_globals.get_entire_collection_hierarchy | Retrieving hierarchy information |
| 0 | sobekcm_assistant.get_entire_collection_hierarchy | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | Found item aggregation on local cache |
| 0 | item_aggregation_builder.get_item_aggregation | Found 'all' item aggregation in cache |
| 0 | system.web.ui.page.page_load (ufdc.page_load) | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor.on_page_load | |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_style_references | Adding style references to HTML |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Reading the text from the file and echoing back to the output stream |
| 60 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Finished reading and writing the file |