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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00047

Full Text




ornal Pessoal
SLucio Flavio Pinto


Ann III N10 ~CiR


a lucriC arenas entre a s


1 Quinzena de Fevereiro de 1990


POLITICAL

Esta guerra: suja

0 potential de grandeza do Para depend da largueza
de visao dos seus administradores. Mas a dispute do poder
6 uma guerra rasteira e suja. Como esperar future
melhor do que restar dessa conflagragao tao primaria?


-
6~`Q


SI t / /


.-//
-.


G--S


trabalhar, esti sendo atacado pela velhice pre-
coce e bebe muito. O governador disse que o
ministry nao pode voltar ao governor do Pard
porque nio ter as mios limpas, usa verbas pdblicas
para tender interesses pessoais, corrompe as pes-
soas e deixou o Estado destrogado, principalmente
os seus cofres. Nenhum dos dois expressou de ma-
neira tio crua e direta essas acusag6es. Jader Bar-
balho e H6lio Gueiros, os paraenses que exercem no
moment as mais importantes fung6es nas adminis-
trag6es pdblicas federal e estadual, travaram nos
dltimos dias os mais violentos combates de uma
arenga que comqou ha trds anos de maneira sutil e
foi se tornando cada vez mais explicit. Mas ainda


nio se decidiram por uma guerra aberta e definitive.
As sutilezas e indiretas usadas na troca de farpas
mostram que ainda deixaram uma fresta para a re-
conciliagao tacita, mesmo que jamais voltem a ser
amigos.
Se essas conveni6ncias fossem deixadas de la-
do, a munigio que ambos tem usado seria mais do
que suficiente para estarrecer a opiniio pdblica,
nao estivesse ela anestesiada pela deterioragio dos
padres da vida pdblica no Brasil. Quando fez
questao de sublinhar que seu expediente comega de
manhi bem cedo e s6 terminal na noite avangada, o
ministry Jader Barbalho quis estabelecer o contrast
cor os horArios do governador Hl6io Gueiros, que
comeca a despachar no fim da manhi, suspended o


Ann, III M2 -rfi Circula apenas entre assinante


*^.
'<>






servigo entire o final da tarde e o inicio da noite e
costuma passar longos periodos sem ir ao Palacio
Lauro Sodr6 (como, alias, foi a prAtica de Jader de-
pois de alguns meses de rotina palaciana).
Da mesma maneira, Jader quis ser ferino quan-
do minimizou as ferozes expresses usadas pelo go-
vernador, tratando-o de "irmio mais velho" e ob-
servando que Gueiros precisa de tratamento espe-
cializado, uma maneira sutil de passar em frente o
que os barbalhistas tratam de espalhar abertamente
nos bastidores: que o governador sofre de arterios-
clerose (e por isso se express cor rudeza que che-
ga as raias da vulgaridade, como ao criar o imagi-
nArio municipio de Xiriteteua). Tamb6m houve a
intengio de sutileza quando o ministry da Previd6n-
cia Social disse que seu estilo 6 o de Juscelino Ku-
bitschek, enquanto o do governador se assemelha ao
de Jinio Quadros, cuja fascinagio pelas bebidas al-
co6licas tornou-se legend national tao disseminada
quanto a de Gueiros no Estado.
Talvez porque os antigos pessedistas (do Par-
tido Social DemocrAtico, extinto e copiado pelo
regime military de 1964) prefiram que JK seja co-
nhecido por seu desenvolvimentismo, o governador
preferiu nio usar essa arma na resposta: 6 que cada
grande obra do ex-presidente da Repdblica reali-
zou-se sob a suspeita de ter custado mais do que se-
ria normal ou aceitAvel esperar devido As comiss6es
"por fora" e acertos politicos, um peso suplementar
que contribuiu significativamente para acelerar o
process inflacionArio no Brasil (e criar a mentali-
dade de que inflagao e corrupago, sempre de maos
dadas, geram desenvolvimento).
Os meios legais se encarregaram de absolver
Juscelino, mas a hist6ria registra, indel6vel, a n6-
doa de sua administrag~o, que efetivamente jogou o
pais para frente (os "50 anos em 5"), mas dexou-o
sem meios de defesa, exposto a erros brutais de
concepqio. Juscelino ao menos poderia eximir-se de
aproveitamento pessoal espirio desses erros estra-
tegicos, como, no piano local, outro epigono do
pessedismo, o condestfvel Magalhies Barata, trata-
ria de dissociar a alvura de suas maos das centenas
de mios sujas que o ajudavam a realizar seu gover-
no plenipotenciArio no Para. Barata, alias, 6, muito
mais do que Juscelino, o arquetipo que ilumina a
sombria dispute entire os remanescentes do PSD e a
origem de seu desdobramento no MDB (hoje
PMDB).

Um nome em vio?

A pedra de toque dessas escaramuqas, em vias
de se transformarem em guerra total (a blitzkrieg
criada pela aviaCgo nazista), 6 justamente a morali-
dade na conducao dos neg6cios do Estado. O go-
vernador Hl1io Gueiros gostaria de passar a hist6ria
na companhia de Barata, notabilizado por sua fran-
queza (geralmente confundida com rudeza) e sua li-
sura pessoal, capaz de faz8-lo acertar na adminis-
traqdo pdblica menos pelo conhecimento dos pro-
blemas do que pela intuigao das soluqoes. E 6 do
alto desse monument que o governador lanqa con-
tra o ministry as insinuaq6es de corrupqao, a arma
preferida dos que atacam Jader Barbalho.


Homem piblico desde os 21 anos, quando se
elegeu vereador, Jader deveria ter o direito de ser
julgado por suas obras. Afinal, embora advogado
por formagio (e bacharel em Direito por nio t6-la
exercido), Jader nao foi nada al6m do que servidor
pdblico, que comegou a carreira em situacio bas-
tante humilde. Raros politicos conseguiram, como
ele, tirar do exclusive exercicio de mandates con-
cedidos por eleiqao, uma situacio econ6mico-finan-
ceira tao vantajosa. Tal ascensio, que se tornou
vertiginosa nos quatros anos em que foi governador
do Pard (1983/87), s6 poderia ser aceita sem con-
testagAo se ele demonstrasse ser tamb6m, a par de
politico hAbil e perspicaz, um home de neg6cio de
talent, desses self-made-man que fizeram a gl6ria
de um Rockefeller, Henry Ford ou Jos6 Ermirio de
Moraes.
Lucidez empresarial, entretanto, nao 6 o forte
de Jader, que tamb6m nao prima pela capacidade de
organizagao de seus neg6cios. Ele s6 conseguiu se
lembrar de que precisava pagar o ITR (Imposto Ter-
ritorial Rural) de uma de suas fazendas depois de
ter sido executado judicialmente, num epis6dio des-
gastante (ver mat6ria a seguir). Tamb6m parece ter
preferEncia por empreendimentos confusos e diff-
ceis, que mais parecem ponte para composig6es
bancArias, sem muita relagao com seus aspects
produtivos. Al6m disso, 6 mais um acumulador de
patrim6nio bruto do que um criterioso selecionador
de neg6cios rentAveis e de liquidez.
Justamente porque o retorno dessas aplicag6es
e baixo ou inexistente, surpreende a dimensio do
patrim6nio que Jader Barbalho formou, uma discre-
pincia tao pdblica e not6ria que parece dispensar
provas. S6 assim pode-se entender que tenham pas-
sado nas chamadas brancas nuvens as pesadas indi-
retas de um governador contra um ministry. H6io
Gueiros deixou bem claro, mesmo usando as linhas
tortas, tao ao gosto dos politicos, que nao aceita a
volta de Jader Barbalho ao governor porque ele 6
corrupt e curruptor. E essa a traduoio de toda a
simbologia utilizada pelo governador no seu pro-
grama de radio ou nas entrevistas aos jornalistas.
Elas nao aduziram qualquer prova, justificando o
comentArio do ministry a um deputado estadual, du-
rante mais uma distribuicgo de verbas da Previden-
cia Social, em Salinas: "qual o politico que nao tem
seus pecadilhos?", perguntou Jader, cujo senso de
grandeza parece, a esse respeito, liliputiano.
Tamb6m bacharel em Direito, Gueiros deve
confiar no efeito da coisa piblica e not6ria. Afinal,
epis6dios cabulosos, sempre envolvendo a morali-
dade pdblica, t6m sido a t6nica ao long das mais
recentes etapas da carreira pdblica de Jader Barba-
Iho. Nem por coinc';Jncia, mais uma suspeita de ir-
regularidade, desta vez na compra de aparelhos
eletr6nicos para exame de sangue, desabava sobre
os amplos costados do ministry, apontada pela Fo-
lha de S. Paulo e rapidamente reproduzida por O
Liberal.
Para este tipo de tiroteio parece nao faltar a
muniiao, mas quem estarA protegido dos proj6teis?
Com este raciocinio, Jader pode chegar a conclusao
de que tem menos a perder em tal terreno do que o
pr6prio governador. Ser acusado, just ou injusta-







mente, cor provas ou sem elas, de fazer ou patro-
cinar atos lesivos ao patrim6nio pdblico parece ser
a sina do atual ministry. Por isso mesmo ele ji de-
senvolveu suas defesas e engrossou sua couraga.
Mas o governador cultiva cor aplicanio a imagem
de home honest e de chefe de um governor auste-
ro.

Os telhados de vidro
Justamente contra essa image 6 que o grupo
do ministry pretend investor. O journal de Jader
deixou clara essa intengio ao comegar a publicar
notas venenosas sobre o rApido crescimento dos fi-
Ihos do governador em seus neg6cios particulares,
desde Paulo Gueiros, hoje cor escrit6rio pr6prio
depois de atuar por long tempo cor os Klautau,
at6 o engenheiro naval Andr6 Gueiros, um dos auto-
res da faganha de tornar a Ebal o segundo maior
estaleiro regional e o s6timo do pafs a partir de urma
posiqao discretfssima em 1987, quando comegaram
a brotar dinheiro dos incentives fiscais liberados
pelo entio superintendent da Sudam, Henry Ka-
yath.
Assessores de Jader estio montando um dossi6
sobre essas transag6es, feitas A sombra dos cofres
pdblicos e cor extens6es at6 o gabinete do Palicio
Lauro Sodr6, que poderia ficar tio volumoso quanto
o que chegou a mesa do future ministry da Justiga,
duas semanas atras. E praticamente o mesmo dossier
duas vezes encaminhado ao chefe do SNI, general
Ivan Mendes, atualizado. Apresenta o que se julga
serem as provas do enriquecimento ilicito de Jader,
mas as centenas de pap6is nio conseguiram impedir
que o president Jos6 Sarney o nomeasse ministry
duas vezes.


0 fator Collor
O remrdio teria eficAcia na nova Constituicio?
Pensando em resposta afirmativa, o principal exe-
cutive do grupo Liberal, Romulo Maiorana Jdnior,
dedicou todo o seu tempo de audiencia com o presi-
dente eleito Fernando Collor de Melo (que na mes-
ma ocasiao recebia o prefeito Sahid Xerfan e o ar-
quiteto Alcyr Meira) a ataques ao ministry. Collor
ouviu impassivelmente atW o moment em que Ro-
minho se referiu as acusaq6es feitas contra Jader
pelo prefeito de Osasco (ver Jornal Pessoal n 55).
Entio virou-se para Bernardo Cabral, que partici-
pava do encontro por convocarao do president
eleito, e perguntou-lhe o que o governor estava fa-
zendo. Cabral informou que a Policia Federal havia
instaurado inqu6rito em Sio Paulo e estava investi-
gando as denincias. Collor deu-se por satisfeito e
nao mais tocou no assunto.
Os adversaries de Jader, muitos dos quais es-
tavam ao lado dele nio faz muito tempo, esperam
do novo president o golpe fatal contra o ex-gover-
nador e suas pretens6es de retorno ao cargo, algo
como uma devassa, com base no tal dossier. Alguns
desses politicos sao capazes de jurar que a ofensiva
moralizadora a ser adotada por Collor logo depois
de tomar posse ter, em Jader um de seus alvos pre-
ferenciais. Justamente por isso, tratam de enfatizar
as irregularidades apontadas contra o ministry.
Jader, por6m, buscou proteqio junto ao gover-
nador de Sao Paulo, Orestes Quercia, e ao ex-go-
vernador do Amazonas, Gilberto Mestrinho. Qu6r-
cia prometeu interceder diretamente junto a Collor,
cor quem tem os cr6ditos da votagio desviada de
Ulysses Guimaraes em Sao Paulo para o candidate
do PRN. A interveng o de Qu6rcia nio se deve


"Esquecimento" custou caro


No dia 26 de janeiro o ministry Jader Bar-
balho quitou sua dfvida de ITR (Imposto Terri-
torial Rural), referente ao perfodo 1976/79, no
valor de pouco mais de 45 mil cruzados novos.
O pagamento foi efetuado nove dias depois que
o juiz substitute Francisco Neves da Cunha, da
1 Vara da Justiga Federal, de Bel6m, atendendo
a uma execuaio fiscal do Incra, mandou expedir
mandado de citagio, penhora e avaliacgo contra
Jader Barbalho e sua mulher.

At6 aquele moment a a~go executive era
movida contra Lairton Zuppo Machado, dono da
fazenda Rio Branco, localizada em Sio Miguel
do Guamr, que deixara de pagar o imposto rural
durante quatro anos. Mas essa divida passou a
ser de responsabilidade de Jader Barbalho
quando, em 1984, ele assumiu a dfvida de Ma-
chado junto ao Banco do Brasil e tornou-se o
novo proprietArio da fazenda. Jader, na 6poca
governador do Estado, conseguiu renegociar o
vencimento dessa dfvida para 1993, adiando-o
por nove anos, enquanto ficava com os 5.452
hectares sem precisar gastar dinheiro.


A 26 de maio de 1988 o juiz titular da 1-
Vara ordenou o arquivamento do process por
haver transcorrido o prazo de um ano da expe-
digio do mandado de citagIo e penhora, "sem
que tenham sido encontrados o devedor e bens
penhorAveis", mas ressalvando que a execucgo
prosseguiria "tio logo haja a efetiva localizagio
do devedor e bens". Cinco dias depois o Inter
(que sucedeu ao Incra para depois ser por ele
absorvido) requereu a citagio de Jader, na 6po-
ca ministry da Reforma Agrria e, portanto,
chefe do Institute. O novo mandado finalmente
saiu, um ano e meio depois. Pode parecer muito
tempo, mas o cart6rio da 1 Vara levou quase
quatro anos para expedir o primeiro edital de
citacqo, entire 1982 e 1986. Alegou "acimulo de
service".
Um ano e meio depois da retificacao do
Inter, Jader finalmente quitou a dfvida, nio sem
antes pagar um preqo, bem mais alto do que os
45 mil cruzados novos que desembolsou, em
consequ8ncia de registros na imprensa sobre sua
inc6moda situagio de ministry que nio paga im-
posto.







apenas a amizade e ao relacionamento pessoal coin
Jader, que antes ji havia ajudado .conseguindo as
maquinas para imprimir o Diirio do Pari. Ha tam-
bem interesses politicos: o governador de Sao Paulo
6 candidate a presidencia da Reptiblica em 1994 ou
a primeiro-ministro, se antes sair o parlamentaris-
mo. Jader devera arranjar-lhe votos no Pard ou
apoio da bancada do PMDB, quase totalmente sob
seu control.
Quanto a Gilberto Mestrinho, sua influencia
sobre Bernardo Cabral nio pode ser minimizada.
Cabral deve ao entio governacor amazonense sua
eleigio para o Senado. Ha entire os dois, ademais,
um relacionamento tio intrincado quanto o que
existe entire Mestrinho e Jader, apontados como s6-
cios numa cota minoritdria da TV Bandeirantes, de
Sao Paulo, uma suspeigio que nio se conseguird
provar tao cedo por causa dos famosos "contratos
de gaveta".
As esperanqa dos inimigos de Jader Barbalho
podem, assim, ser frustadas, ou pelos menos nao se
realizar na exata media de suas expectativas. Col-
lor jA disse que nio se envolverd diretamente nas
eleig6es estaduais, sagaz precaucio de quem se pre-
serva de desgastes. Atravds de varios dos seus ten-
taculos, certamente vai agir e ja esta mesmo agindo,
mas nio numa inica diregio, ou s6 cor um grupo.
PoderA ser exagerada a previsio de que saira ca-
gando suspeitos de corrupg&o, como o ministry da
Previdencia Social, ou de que arranjard 350 milh6es
de d6lares para a prefeitura de Bel6m. Assessores
do president eleito tem feito comentarios reserva-
dos sobre alguns dos aderentes da candidatura que
nio correspondem exatamente aos conceitos apre-
sentados publicamente. Collor, portanto, vai estar
cor um p6 atras, se nio forem ambos os p6s nessa
posicio de estudada cautela.


A declarayao de guerra espera justamente a
apresentacao de todas as armas, nio se formalizan-
do porque permanece havendo uma ampla faixa de
indefiniq6es e incertezas. Ao mesmo tempo em que
passava a fazer de piblico comentarios que antes
reservava a contatos fechados, o governador no-
meava assessor especial o ex-prefeito de Bel6m,
Fernando Coutinho Jorge. Antes de aceitar o cargo,
Coutinho conversou longamente cor Jader Barba-
Iho. Logo, o ministry aprovou a decision que o cor-
religionario iria tomar. E o governador, responsivel
pelo ato, estava ciente de que trazia para sua com-
panhia um politico de alguma maneira ou ainda -
ligado ao cordial inimigo.
Compreender o significado desse movimento
exige seguir a tortuosidade que, em political, liga
um ponto ao outro cor mais eficiencia do que a li-
nha reta. Se ainda for possivel um acordo entire Ja-
der e H6lio, Coutinho serb a ponte. A necessidade
desse acordo ter duas motivag6es. Do lado do mi-
nistro, afastar da maquina official os seus inimigos
ji declarados ha mais tempo. Do lado do governa-
dor, 6 a inica maneira de viabilizar sua candidatura
ao Senado.
Nio havendo a exeqfiibilidade de uma compo-
siiio, o governador poderia tentar derrotar o mi-
nistro dentro do PMDB, de um lado "ganhando" a
adesio dos convencionais a partir do moment em
que Jader perder a posigio de forga no minist6rio,
e, de outro lado, apresentando um candidate "pa-
lativel" (desde que, naturalmente, o possivel can-
didato concorde cor a manobra, o que situa o ex-
prefeito de Bel6m numa posigio desconfortavel,
novamente).


A maior dificuldade para a
fresta que ainda existe no muro que
o ministry levantaram entire si esta


exploragio da
o governador e
no cronograma


A perigosa trincheira


A imprensa sera uma das principals trin-
cheiras da pr6xima campanha eleitoral. Entre os
jornais didrios, a luta sera travada por O Liberal
e o Diario do Pari. A familiar Maiorana nio estd
apenas envolvida cor uma das candidaturas
colocadas na mesa de negociaago, a do prefeito
Sahid Xerfan. Ela esta tratando da pr6pria so-
brevivencia do grupo, que ficard complicada se
Jader Barbalho voltar ao governor, agora como o
dono da segunda maior rede de comunicag6es
concorrente. JA o Diario, depois de algumas in-
vestidas mais diretas para o governador, voltou
a concentrar suas baterias em cima dos Maiora-
na, ainda apostando na remota eventualidade de
uma recomposisgo entire H6lio Gueiros e Jader
Barbalho.
Nao querendo envolver o carro-chefe de
sua rede num combat que descerd aos pintanos,
a familiar Maiorana estaria pretendendo reeditar
a Folha do Norte, outrora o maior journal da
Amaz6nia, hoje apenas um titulo de convenien-
cia. A Folha poderia duelar na mesma lingua-
gem de imprensa marron que o Diario costume


usar e da qual O Liberal nio esteve tao dis-
tante em alguns moments. Se essa hip6tese
ocorrer, o ministry da Previdencia Social ja de-
clarou que relangarA O Tabl6ide, um pasquim
que se especializou em ataques pessoais a Ro-
mulo Maiorana, o falecido criador do grupo de
comunicaq6es que ter seu nome. Num bad que
mantinha ao seu lado, Romulo guardava docu-
mentos mostrando o quanto lhe havia custado
essa campanha nada desinteressada.
Assim, o terreno esta bem adubado para
oportunistas, vigaristas e chantagistas, mas co-
mega a ficar ingrato para verdadeiros jornalis-
tas, aqueles que escrevem para informar o pd-
blico e nao para servir a seus interesses pes-
soais e grupais, ou para ganhar dinheiro em tro-
ca de informaaio convenient ou falsa. Isto nao
ocorreria se, independentemente de suas opg6es
political, as empresas jornalisticas resguardas-
sem seus compromissoes profissionais e os prin-
cipios 6ticos que lhes dio crebidilidade e res-
peito junto ao piblico. Mas prefere-se caminhar
para um vale-tudo sem fronteiras.







eleitoral. Se quiser ser senador, Gueiros precisard
se desincompatibiliar at6 dois de abril, antes da
conveng o do PMDB para a escolha dos candidates.
Podera ele criar uma situaAio de seguranqa at6 essa
data, dependendo ainda da sinceridade de propdsi-
tos de Jader nos terms de um acordo que vierem a
estabelecer, deixando o governor cor um tertius
confiivel? Para penetrar nessa possiblidade, Guei-
ros teria que se desvencilhar de seus atuais aliados
e reenturmar-se completamente cor os ex-correli-
gionarios, situados numa faixa tic difusa que na
semana passada Gueiros submeteu-se a uma pere-
grinagio de dois dias por Alenquer para ajudar
eleitoralmente o deputado federal Arnaldo- Moraes
Filho, diretor-responsivel do Didrio do Par, o dni-
co journal de combat ao governador que circula em
Bel6m.
Ou Gueiros acha que o sacrificio de ir ao inte-
rior 6 compensado pela reconquista de um aliado,
que foi o coordenador da arrecagio do jogo do bi-
cho na administration Jader Barbalho, ou consider
todos os arreganhos verbais com o ministry e sua
troupe coisa sem importincia, que um ex-pessedista
pode atropelar para chegar a seus objetivos. JA foi
assim no passado, quando Gueiros participou da
campanha para eleger o arqui-inimigo do baratismo,
o general Zacarias de Assumpqgo. Poderb repetir-se
em future pr6ximo?

Uma political tacanha

Praticada sem a grandeza dos que sabem ver A
frente de seu tempo e agem no estrito cumprimento
de um program voltado para o interesse pdblico, a
political ter sido, no Pard, bastante primAria. Nio


espanta que seja marcada pelo signo da traigao, real
ou presumida. O senador Jarbas Passarinho acusa
de t6-lo traido o ex-governador Alacid Nunes, por
sua vez queixoso da traigao de Jader Barbalho, que
agora se volta contra Gueiros como o criador em
relaqio i criatura. Nessa sucessio, o que acusa nio
consegue apresentar todas as Iidimas e cristalinas
provas do crime, nem o acusado pode escapar delas
ileso.
O governador Hdlio Gueiros nio precisou de
muitos dias no exercicio do cargo para conhecer o
acervo que Ihe transmitira o antecessor, mas nio
economizou elogios a Jader Barbalho, mesmo quan-
do ele estava em evidence acio de manobra (como
na desapropriag o dos castanhais do Tocantins ou
na revogagio do decreto-lei 1.164), enquanto essa
attitude foi de oportunidade political. O governador
foi engrosando seus comentfrios informais sobre a
falta de lisura do antecessor na conduiAo da coisa
piblica, mas s6 tomou a iniciativa de tentar cor-
tar-lhe a volta aos cofres estaduais na und6cima ho-
ra e mesmo assim nio na dosagem adequada.
Nio 6 muito reconfortador chegar a conclusion
de que, num Estado que depend tanto de seu po-
tencial para mudar de status, como o Pari (o que
exige largueza de visio dos administradores pdbli-
cos na definigio, agora, das bases desse future),
"saber das coisas" 6 um sub-produto das conve-
ni6ncias do moment e "fazer as coisas" depend
da media dos interesses dos que tem acesso ao po-
der. Certamente o Pard nio 6 caso isolado num pais
em que o interesse pdblico passa a ser apenas a de-
rivaqio dos interesses particulares dominantes, mas
talvez seja um dos casos mais graves e sem a
perspective de correqio.


A bolsa dos candidates


O panorama das candidaturas ao governor do
Estado 6 agora o seguinte:
Sahid Xerfan Comegou a aparecer mais sis-
tematicamente ao lado do governador Hdlio Guei-
ros, por6m apenas na capital. A candidatura ainda
nio estA nas ruas, mas uma pequena equipe ja vem
trabalhando-a nos bastidores. Xerfan tem um com-
plicador adicional: alguns secretaries municipals ja
deixaram bem claro que nio trabalhario com o vice,
Augusto Resende, se ele assumir a prefeitura. Al6m
dessa incompatibilidade, o successor de Xerfan re-
presenta um outro problema pelos vinculos indire-
tos que possui cor Jader Barbalho, nio politicos,
mas na irea de neg6cios.
Alacid Nunes O ex-governador esti em cam-
panha. Um sinal: a sede da Associagio dos Municf-
pios, que Ihe serve de quartel-general, foi pintada
recentemente. Os pianos de Alacid visavam apenas
a CAmara Federal, que ele pode atingir cor seu
pr6prio cacife eleitoral. Mas comeraram as especu-
lag6es em torno da possibilidade de receber o apoio
de Hl6io Gueiros para disputar o governor. Nio
conversaram at6 agora sobre essa hip6tese. Surpre-
endemente, os que mais se referem a ela sio os pe-
emedebistas de Jader Barbalho. Ha os que conside-
ram Alacid o adversArio potencialmente mais peri-


goso. Outros o julgam inviavel para disputar elei-
g6es majoritArias.
Fernando Coutinho Jorge Ao aceitar ser as-
sessor especial de um governor que ter outros 34
nessa situagio, boa parte deles sem prestar real-
mente servings ao Estado, o ex-prefeito de Bel6m
perdeu status. Mas credenciou-se a ser uma ponte
para o eventual e dificil entendimento entire Hdlio
Gueiros e Jader Barbalho. Para qualquer outra hi-
p6tese, teria que trair um dos dois.
Almir Gabriel Seu maior desafio: provar que
nio 6 apenas sub-produto de Jader Barbalho, a
quem nunca criticou de pdblico, mesmo diante dos
casos mais escabrosos envolvendo o ministry da
Previd6ncia Social. Se esperar pela definigio da
novela Jader-Gueiros, deixarA passar a impressio de
agir por oportunismo politico. Suas chances como
candidate das oposig6es dependem do moment em
que assumir essa condigio.
Benedito Monteiro Para viabilizar-se, sua
candidatura ainda precisa vencer resistEncias dentro
do PDT. De um lado, politicos conservadores como
Giovani Queiroz. De outro, a ala social-democrata
dos brizolistas. S6 entio poderA ser considerado
como aspirante real. Por isso, seus artigos em O Li-







beral ainda nio foram respondidos pelo Diirio do
Part.
Carlos Santos t o mais novo na corrida, mas
ele pr6prio garante que largarA primeiro. Usard uma
sigla fantasma, a do PST (Partido Social Traba-
Ihista). Dizem adeptos da candidatura que o PST te-
ra o apoio informal de Collor de Melo. Inspirado
em Silvio Santos, Carlos acha que podera ter o
mesmo resultado e, ainda que nao venga, estabele-
cerA bases para fincar sua lideranga e participar do
poder. Antes de decidir-se, encomendou pesquisa
de opiniio para medir sua popilaridade. Mas 6 uma
inc6gnita.
Henry Kayath Para provar que nio esta
morto, plantou uma noticia no Rep6rter 70, de O
LIBERAL, anunciando o arquivamento, na Justiqa,
do inqu6rito da Polfcia Federal em que foi arrolado
como patrocinador de fraudes na political de incen-
tivos fiscais. Mas o que o mant6m como inelegivel 6
a demissio da superintend6ncia da Sudam, a bem do
servigo piblico. Recorreu a Justiga do Trabalho,
mas ainda nao conseguiu anular o ato e 6 pouco
provavel que o consiga a tempo.


A "comissao official"
A carta enviada a este journal pela diretoria re-
gional da Associaqio Brasileira dos Revendedores e
Distribuidores de Materiais El6tricos, cuja fntegra
vai publicada abaixo, 6 um melanc6lico retrato da
situagio de caos e anarquia que vive um pais ao in-
gressar na hiperinflaqio. E uma condiqio jamais vi-
vida pelos brasileiros, acostumados a fazer do "jei-
tinho" recurso corriqueiro contra adversidades
ponderiveis, mas muito distantes das guerras e ca-
taclismas que t6m atormentado outros pauses. O
"jeitinho" transformou-se em "jeitAo", alimento
para um virus que corr6i a alma de toda a nagio,
impondo-lhe a ideologia da passividade diantes dos
fatos mais anormais. Nada hA a opor quando uma
instituiqio como a Abreme procura defender seus
associados de normas burocrAticas irreais, que san-
gram seus justos rendimentos. Mas ha uma distincia
considerfvel entire alcangar esses objetivos, esta-
belecidos pelo mercado, e incorporar prAticas anor-
mais como se fossem saudAveis, ou, se nio isso,
aceitAveis.
A carta da diretoria da Abreme:
"A Associaago Brasileira dos Revendedores e
Distribuidores de Materials ElItricos ABREME,
atrav6s de rua Regional do Estado do Pard vem
por meio desta, esclarecer a V. Sa. os assuntos
relatives de uma reunido havida nesta entidade
que mereceram observagdes em seu iltimo jor-
nal.
1-) Quanto ao prazo de validade das propostas
para as empresas pdblicas: Como podem as
empresas locais participarem de concorr6n-
cias em empresas publicas quando estas exi-
gem em seus editais que os prazos de vali-
dade das propostas sejam de no minimo 30
(trinta) dias e nossos fornecedores quase que
em sua totalidade nao garatem seus precos
mais do que 07 (sete) dias e, quando o corri-


gem o fazem nornalmente acima dos indices
inflaciondrios devido as incertezas econ6mi-
cas que vive o pals. Assim, neste caso, o que
propunhamos era uma reducgo nesta prazo a
fim de evitar que fizessemos projeg6es de
pregos que poderiam ser prejudiciais para
ambas as parties.
2-) Recebimento de faturas em atraso de empre-
sas pdblicas que ndo aceitam pagar juros:
Neste caso, o que n6s pleiteamos ndo sdo ju-
ros mas a corregao monetdria desta faturas
pois, nao o fazendo, estas empresas publicas
est&o ferindo o equilibrio econ6mico-financei-
ro de nosso contratos pois, quando fazemos o
fornecimento de um material pressupomos
que vamos receber em troca um valor just
correspondent a este bem. Logo, o que es-
tamos tratando 6 nos rebelarmos contra este
abuso do poder pdblico.
39) Percentual de comissao para comprador: Co-
mo pessoa altamente esclarecida sabe que a
corrupgco existente neste pals esta enraizada
em quase todas as camadas de nossa socie-
dade, principalmente em decorr6ncia da im-
punidade quase absolute para as pessoas en-
volvidas nesta pratica. Logo, como parte inte-
grante desta sociedade, nos vemos pressio-
nados, pelo que jJ se tornou um fato corri-
queiro na praga, a dar algo em troca pelos
pedidos obtidos junto aos nossos clients.
Foi justamente contra esta pratica danosa as
nossas empresas que tivemos a coragem de
convocar nossos associados para tomarmos
posigao conjunta para tentar corrigir esta dis-
torago.
Portanto, foi em busca de uma visdo empresarial
mais modern, procurando modificar ou eliminar
certas prdticas nao mais condizentes com a nos-
sa sociedade e, tamb6m, de manter um relacio-
namento mais aberto e independent com as
empresas publica, sem apadrinhamentos mas
tamb6m exigindo o que nos 6 de direito, que
convocamos aquela reuniao e convocaremos
quantas se fizerem necessdrias para promover-
mos estas mudangas em nosso setor.
Acreditando ter-lhe esclarecido este assunto, es-
peramos contar com a sua presteza para que a
nossa posigao se tome piblica, eliminando a
imagem negative que ficou deste entidade quan-
do da publicaago em seu journal da mat6ria inti-
tulada "Comissao Oficial".


Conta gorda

Uma estatistica do Banco Central mostra que
divida de curto prazo das maiores empresas estatais
e de economic mista na Amaz6nia atinge quase 2,7
bilh6es de d6lares. A frente esta a Companhia Vale
do Rio Doce, com US$ 1,1 bilhio, dos quais 239
milh6es de juros. Depois, a Eletronorte, com 922
milh6es de d6lares. E a Albris, que, para uma obra
de valor muito menor, precisa amortizar a curto
prazo US$ 636 milh6es. E a sangria financeira que
raramente aparece nos nimeros oficiais.








Eles sao espertos. E n6s?


O journal "O Globo provocou um grande impact
national ao revelar, na primeira pagina da sua
edigao do dia 4, que "japoneses querem trocar
toda divida externa do Brasil pelo ouro da
Amaz6nia". A noticia ganhou a principal manchete
da edigao dominical do journal, a de maior tiragem
na imprensa brasileira, e foi sustentada exclusi-
vamente por "O Globo" durante os dias seguin-
tes. Mas ningu6m confirmou o que seria a maior
transagao commercial dos iltimos fempos: a troca de
uma divida de 115 bilh6es de d6lares por jazidas de
ouro avaliadas em US$ 260 bilh6es.
Um leitor mais atento do material divulgado
pelo journal carioca logo perceberia a deliberada in-
tengao de superdimensionar um fato menor. E pos-
sfvel que nem "O Globo" acreditava no que estava
noticiando, mas se o fazia cor estardalhaco artifi-
cial era por algum interesse nio declarado nas re-
portagens. Da forma como foi apresentada, a pro-
posta jamais poderia ser aceita pelo governor brasi-
leiro, especialmente por seu setor military, sensivel a
quest6es que real ou imaginariamente tocam na
soberania national. Sua viabilidade tamb6m seria
mais do que questionAvel: mesmo que autorizasse
"os japoneses" (nio especificados) a assumirem o
pagamento da divida externa brasileira, o governor
nio poderia garantir-lhes a exclusividade na explo-
ragio de todos os dep6sitos ou ocorrencias de ouro
da Amaz6nia. Sobre boa parte deles incidem direi-
tos minerArios ou neles atuam garimpeiros, calcula-
dos em quase 300 mil na regiio.
Concretamente, o que ha 6 o interesse do gru-
po Mitsubish de entrar no neg6cio do ouro na Ama-
z6nia, mas a empresa japonesa nio pensa em tornar-
se detentora de todas as reserves, nem em permutar
o ouro pela totalidade da divida externa do Brasil.
A Mitsubish inicialmente tentou atuar no Xingu e
chegou a manter contatos em 1987 cor a Oca Mine-
ratio, a dnica cor uma mina organizada em funcio-
namento na regiao. Mas a permanent ameaga de
garimpeiros acabou desestimulando a Mitsubish,
que voltou-se para Serra Pelada. Seu piano passou a
ser o aproveitamento dos rejeitos da garimpagem,
onde ainda haveria ouro bastante para justificar a
montagem de uma usina de recuperagIo do metal.
Apesar de seu poderio econ6mico, a Mitsubish
6 ne6fita em ouro. Ela esti se orientando atrav6s de
Akio Miyake, um economist japones que chegou
ao Brasi em 1987 e fundou uma consultoria, a Rio
Amazonas Representag6es, com sede no Rio de Ja-
neiro, e de Edson Suszczynski, um ge6logo que ja
foi director da CPRM (Companhia de Pesquisa de
Recursos Minerais). Suszczynski 6 autor de id6ias
polemicas sobre o potential mineral da Amaz6nia.
Ele sustenta, por exemplo, que as reserves de ouro
do Brasil sao de 25 mil toneladas, superiores as da
Africa do Sul, de 16 mil toneladas. A Amaz6nia so-
zinha teria mais de 17 toneladas, embora nio haja
nenhuma base cientifica capaz de sustentar essa es-
timativa (nem, igualmente, desmenti-la). Oficial-
mente, as reserves brasileiras sao de 1.500 tonela-
das.


A ing6nita do garimpo
Suszczynski acha que ainda hi de 600 a 700
toneladas de ouro no fundo do buraco aberto pelos
garimpeiros em busca de ouro em Serra Pelada. De
la ja teriam saido mais de 100 toneladas, das quais
pouco mais da metade foram comercializadas e
aproximadamente 50 toneladas encontram-se dilui-
das nos montes de cascalhos impregnados de ouro,
mas numa concentraCio tal que os m6todos de ga-
rimpagem nao podem recuperar. Desde maio do ano
passado, confiando no ponto de vista do ge6logo
brasileiro, a Mitsubish estuda a viabilidade de tra-
balhar as montoeiras de rejeitos do garimpo.
O ge6logo Otivio Blanco, que trabalhou lon-
gamente em Serra Pelada como representante do
DNPM (Departamento Nacional da ProduqCo Mine-
ral), nao partilha o otimismo de Suszczynski. Ele
estima em pouco mais de 2,2 toneladas o ouro que
hA nos rejeitos (mais 984 quilos de palAdio e 278
quilos de platina). A preqos do dia, essa reserve re-
presenta um faturamento de US$ 37,5 milh6es. A
usina de beneficiamento e os demais custos para a
extraiao desse ouro exigiriam acima de 43 milh6es.
Al6m de enfrentar essa perspective de deficitt" su-
perior a US$ 5 milh6es, a Mitsubish ainda precisa-
ria pagar os direitos da cooperative dos garimpei-
ros. Cor esses dados, Blanco nio ter ddvida de
que os rejeitos nao constituem um neg6cio rentAvel.
A demonstragIo que Blanco faz para chegar a
essas conclus6es 6 convincente, mas a Mitsubish
nao parece impressionada cor esse tipo de argu-
mento, nem cor outras dificuldades administrativas
ou juridicas. A Companhia Vale do Rio Doce conti-
nua como detentora de todo o ouro existente abaixo
da cota 190, ji ultrapassada pela garimpagem (a
Docegeo, subsidiaria da CVRD, cubou 27 toneladas
e Suszczynski diz ji terem sido extraidas mais de
102 toneladas). Parte do ouro contido nos rejeitos,
assim, 6 da empresa estatal. S6 ela ou o governor
podem autorizar o prosseguimento da extragio, ja
que a primeira indenizacio (em valor equivalent a
6,7 toneladas de ouro) nio cobriu todos os direitos.
Al6m disso, como justificar a instalag~o da usina de
beneficiamento da Mitsubish num local reservado A
garimpagem?
HA outros complicadores. Deixados de lado os
direitos da CVRD, os rejeitos pertencem indivi-
dualmente a cada garimpeiro de Serra Pelada. Eles
teriam que transferir esse direito a sua cooperative,
a Coogar, criada em 1973. Mas a Coogar esti tao
desacreditada que uma outra cooperative ji foi fun-
dada, a Compro (Cooperativa dos Garimpeiros Pro-
prietarios de Cata de Serra Pelada). Cor esta nova
cooperative, que deixa mais clara sua composicao, a
Mitsubish assinou um protocolo de inteng6es, avali-
zado pelo Sindicato Nacional dos Garimpeiros (que,
neste neg6cio, esti sendo financiado pela empresa
de Miyake). Provavelmente por saber desses enten-
dimentos, que criaram uma nova via de contato, o
ex-deputado Sebastiao Rodrigues de Moura, o Cu-
ri6, tratou de articular o retorno de seu grupo ao
control da Coogar, elegendo o seu lugar-tenente, o
7




.- "


famoso "dout ara a presidencia. HA
nuvens de dispute. r.
HA muito M que pode dar a en-
tender a metereologia de "O Globo". iOu a Mitsubi-
sh esta realmente acreditando no potencial dos re-
jeitos de Serra Pelada, ou pretend u-l,.s como um
meio para chegar a algo maior ou fnais profundo.
O domfnio de toda a area de distributgio do ouro de
Serra Pelada, transformando o que 6 hoje uma ano-
malia garimpeira num efetivo distrito mineiro, por
exemplo, pode ser esse alvo. A area de garimpagem
abrange apenas 100 hectares, mas o interesse sobre
o ouro se estende por pelo menos 750 hectares. Os
outros 650 hectares slo da CVRD. Um projeto de
extragio industrial teria que afastar os garimpeiros.
Eles, alias, sairio de qualquer maneira ,b natural-
mente: bastara que a usina de benefic amento do
rejeito comece a funcionar para esiaincompatibili-
dade entire a atividade empresarialf a garimpagem
se manifestar.
Os interesses difusos (ou subterraneds) podem
ser avaliados por um descrigio dos personagens en-
volvidos na bombastica notfcia de "O Globo". O
dono do journal ja 6 um produtor de ouro, atuando -
sem maior identificagio, como de seu costume ao
lado de multinacionais, como a RTZ e Britsh Pe-
troleum, e de agents brasileiros, como os filhos do
ex-ministro Dias Leite e do ex-presidente da
CVRD, Eliezer Baptista. Cotado para um dos mi-
nist6rios do governor Collor, Baptista 6 o principal
idedlogo da associagao Brasil-Japao. Outro perso-
nagem 6 o empresario Monteiro Aranha, sogro de
Collor. No grupo figure ainda o ex-ministro Cesar
Cals, que presta servigos de assessoria a Mitsubish,
algum tempo atras apontado como dono de catas em
Serra Pelada. JA Miyake 6 tamb6m consultor de
Luiz Rabelo, o principal financiador da campanha
de Collor no Para. HA, portanto, muitos n6s nessa
linha. Nio sera facil desvencilha-la e chegar a mea-
da. Mas uma ligio ela ja deixou: o Brasil pode re-
solver o problema de sua dfvida, sem qualquer
traumatismo, e tamb6m sem precisar pag6-la. Se-
gundo a notfcia de "O Globo", os japoneses fariam
a conversao da dfvida por ouro cor desagio de
70%. Isto 6, ao inv6s de pagarem US$ 115 bilh6es,
pagariam penas US$ 35 bilh6es. E isto o que deve-
mos. E isto podemos pagar, sem precisar entregar
nossas riquezas ou mudar nosso nome, abrindo maio
de nossa soberania. Basta nao deixarmos que a es-
perteza dos especuladores surpreenda nossa inteli-
gencia. E a moral da hist6ria que "O Globo" in-
ventou, se do journal pode-se extrair uma moral.

Sinai de fumaga
O governador Helio Gueiros e o ministry Jader
Barbalho podem ter levantado uma tr6gua na guerra
S verbal que vinham travando. Este pode ser o sinal,
talvez derradeiro, para uma composigio. Um es-
quema admite especulaq6es: Fernando Coutinho
Jorge para governador, Frederico Coelho de Souza
(chefe da Casa Civil do governor) para vice, H6lio
,Gueiros como senador e Jader Barbalho disputando
-,Fa CAmara Federal. O vice, Herminho Calvinho, sai-
Sria junto cor o governador para candidatar-se a de-


putado federal. O jatdi r*4k -coi-
pletariapa Y Ndt Z1 9 .
'fo Jgder elege t 11 Oeded tao
fedefLsemreisa p oi. Jeale
perg tf o 4e ele ganharia cor esse e uema. Ele
ganh ffnagio do acordo Hl6io-Xerfan, com
tod e db bramento, afastando o governador
de t u.f Bi'liados. Tamb6m se preservaria do
des. ',ffa campanha que, contra ele, sera
cen -. t da corrupgio, deixaria no governor
um taddo; se repararia para 1994, quando poderd
tenti vta6 Palicio Lauro Sodr6 ainda cor 50
anos. s eio tempo, consolidaria seu imp6rio
empresarial, sobretudo na Area de comunicag6es,
credenciando-se para usufruir de um governor ami-
go.

Folha de combat
A "Folha do Norte" voltard a circular, como o
journal de combat do grupo Liberal para a campa-
nha eleitoral, no dia 15 de margo (talvez nAo por
coincidencia, quando Jader Barbalho, principal ini-
migo do grupo, deixa o minist6rio da Previd6ncia
Social). O director responsivel pela publicagio seri
o deputado federal Benedito Monteiro, que pretend
ser candidate ao governor do Estado pelo PDT. B -
nedito aceitou pronitamente o convite que lhe~ez.
Romulo Maiorana Jdnior, o principal executive do
grupo Liberal. Para editar a "Folha", vird de Bra-
sflia o jornalista paraense Walmir Botelho (atual-
mente no "BSB", de Oliveira Bastos), cor salario
de 80 mil cruzados mensais e uma casa para morar.

Nossa sangria
Nio 6 verdade, como dizem os proprietArios de
6nibus e seus porta-vozes, mais ou menos disfarga-
dos, que a tarifa do transport coletivo em Belem
seja o mais barato do pafs, ou mesmo esteja entire os
mais baratos. Em Recife, por exemplo, a passage
de 6nibus custa NCz$ 1,50: em Florian6polis sai
por NCz$ 1,70 e em Salvador, 6 NCz$ 1,80.
Na montagem da famosa planilha de calculo,
al6m disso, nunca 6 considerado um item importan-
tissimo do faturamento das empresas: o giro finan-
ceiro que fazem da receita didria das passagens e,
melhor do que isso, das compras antecipadas de
vale-transporte. A nao inclusio dessa exceptional
fonte de renda s6 ter um atenuante: 6 justamente
cor ela que os proprietarios de 6nibus estio po-
dendo cobrir suas despesas cor os intermediArios e
chefes de "lobbies". Esse meio-campo, alias, esta
comegando a ficar congestionado: agora, ao inv6s
de pagar para um dnico intermediario, os donos d
6nibus estio tendo que tender a tres.


Journal Pessoal

Editor responsfvel: Lucio Flivio Pinto
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Diagrama~io a ilustragio: Luiz Pinto
Opglo Jormalstica
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