<%BANNER%>
Jornal pessoal
ALL VOLUMES CITATION THUMBNAILS PAGE IMAGE ZOOMABLE
Full Citation
STANDARD VIEW MARC VIEW
Permanent Link: http://ufdc.ufl.edu/AA00005008/00046
 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00046

Full Text




ornal Pessoal
SLtcio Flavio Pinto


Ano III N 55


Circula apenas entire assinantes


2- Quinzena de Janeiro de 1990


0 novo imperador
Em sete anos o imperio de Jader Barbalho no setor
das comunicagOes evoluiu de um pequeno journal para quatro
veiculos. 0 irtimo deles foi a TV RBA.
Agora, o ministry esta pronto para a guerra.
_ _ _ _ _


Jader Fontenelle Barbalho dispunha apenas de
um pequeno journal, cor tiragem limitada, edi-
tado precariamente. Na semana passada, sete
anos depois, o ministry da Previdencia Social pas-
sava a ser o dono da segunda maior rede de comu-
nicagio do Pari, formada por um journal moderniza-
do, duas emissoras de radio e a mais bem instalada
estacio de televisio. Por nove milh6es de d6lares,
segundo uma fonte bem pr6xima da transagio, ou
sete milh6es, segundo outras fontes, a TV RBA saiu
do control do grupo Belauto e passou a fazer parte
do Sistema Clube do Para, um tftulo auto-assumido
que nio esconde a estrat6gia de competir cor o


Sistema Romulo Maiorana, detentor do principal
imp6rio de comunicagao do Estado.
A negociagio em torno do Canal 13, afiliado a
Rede Manchete, consumou-se no dia 12, mas suas
rafzes estAo fincadas quase cinco anos antes, quan-
do o entio governador Jader Barbalho tentou se as-
sociar a Jair Bernardino de Souza no que, a 6poca,
era a TV Carajas. Formalmente, Bernardino fale-
cido no ano passado em acidente de aviio era
o inico proprietario da televisio, mas nunca desa-
pareceram os rumors de que Jader era seu s6cio no
empreendimento. Em 1985 Jader se aproximou de
Carlos Cimara e Ramiro Bentes, detentores de cotas
da TV (em parties iguais, divididas cor Bernardino







e Rog6lio Fernandez), para substituf-los no projeto.
Se houve efetiva&io do neg6cio, os pap6is ficaram
guardados em alguma gaveta e talvez s6 emerjam
dentro de alguns anos.
Ao fechar a operagio cor Luiz Paniago, presi-
dente do grupo Belauto, num final de tarde de sa-
bado no Othon Hotel, no Rio de Janeiro, Jader Bar-
balho nio estava incorporando ao seu ja volumoso
patrom6nio um bom neg6cio. A RBA vem regis-
trando um prejufzo operacional m6dio de um milhio
de cruzados novos mensais, nio inclufdo o custo fi-
nanceiro, que comecarA a pesar a partir deste ano
(sobretudo pelo empr6stimo para a compra dos so-
fisticados equipamentos da emissora). Foi justa-
mente por se encontrar no vermelho que ela foi in-
clufda na lista das empresas a negociar pelos suces-
sores de Bernardino (as outras sio a Simara, a
Ciatur e o Papa Lixo).
Para Jader Barbalho, aparentemente sem pro-
blema de caixa, a television era de uma importincia
estrat6gica. Por sentir essa necessidade 6 que ele
conseguiu do governor Sarney o Canal 10, que ainda
nio comegou a montar. Mas a RBA ji estava pronta
e oferecia um atrativo a mais: Bernardino montou
um sistema de retransmissio por sat6lite que ja
neste ano Ihe permitiria jogar a image da television
em 45 municfpios paraenses, sem o inconvenient
de defender de estag6es terrestres intermediarias.
No future, o alcance iria a 87 municfpios. Nenhuma
outra estagio disp6e de tal amplitude.
Bernardino recorreu a essa sofisticag&o, pre-
sente, de resto, em todo o projeto da RBA (ao custo
declarado de cinco milh6es de d6lares), nio apenas
para ter um bom neg6cio commercial. Ele tinha pia-
nos polfticos para o future pr6ximo, que corriam
paralelos ou convergiam com os de Jader Barbalho.
Essa coincidencia sempre estimulou ainda mais a
convicqio de alguns stores polfticos de que os dois
poderiam estar associados na televisio, como ji ha-
viam andado juntos no neg6cio da Tropigas.
Com a RBA, Jader nao tem apenas um instru-
mento de competigio com o grupo Liberal, a maior
base de apoio que seus adversarios polfticos utiliza-
rio na pr6xima campanha eleitoral. Jader tamb6m
ficou cor o melhor instrument de penetragio no
interior do Estado, onde estio mais de 70% dos
votos do Park. A exigfidade do tempo talvez o te-
nha levado a deixar de lado algumas sutilezas e fe-
char o neg6cio a tempo de assumir o comando dessa
estrutura, dela tirando todo o rendimento possfvel.

Dois milh6es por mis
Um projeto de tal envergadura, evidentemente,
requer um suporte financeiro a altura. Nio apenas
para responder pelos US$ 9 milh6es (315 milh6es
de cruzados novos no cAmbio paralelo) que se diz
ter pago pela compra, como para financial o prejuf-
zo operacional da television, seus encargos financei-
ros e ainda cobrir o deficitt" dos demais vefculos
da rede. Tanto o journal "Dibrio do Pard" como as
radios (Clube do Para AM e Antena Um FM) estio
no rabo da fila de audi6ncia e preferencia, como vi-
vem no vermelho. Manter essa estrutura a partir de
agora talvez signifique um desencaixe mensal supe-
rior a dois milh6es de cruzados novos.


Esses ndmeros naturalmente estimulam o leitor
mais cr6dulo a perguntar-se sobre a origem desses
funds. A biografia de Jader Fontenelle Barbalho,
confrontada com o patrim6nio que formou, gera um
estado de perplexidade. Essa perplexidade nao 6 tio
grande em fungio dos itens desse patrim6nio, embo-
ra ji sugira, af, investigation mais detalhada. O que
mais impression 6 que as imobilizag6es feitas na
maioria dos neg6cios de que se tornou responsavel
o ministry, exigem dele constantes sangrias finan-
ceiras. Das fazendas as radios, slo empreendimen-
tos que nio comegaram a Ihe dar retornos ou nio
sio rentaveis. Nem assim o imp6rio de Jader Bar-
balho di mostras de sofrer abalos, muito pelo con-
trfrio.

Um mobilizador de recursos

Deva-se dizer em favor do ministry da Previ-
dencia Social que seus amigos mais fntimos o con-
sideram um impecavel administrator dos bens pes-
soais, incapaz de atos doidivanas e de se expor a
perdas de capital. Esses amigos nio se cansam de
elogiar a notavel capacidade do ex-governador para
mobilizar a ajuda dos que o ap6iam ou dele depen-
dem, motivando-os para financial iniciativas que
nio rendem dividends comerciais, mas slo vitais
politicamente.

Exemplo dessa essencialidade 6 a rede de co-
municacao de que agora Jader Barbalho 6 proprietA-
rio. A origem da televisao esta fincada em necessi-
dade semelhante. Foi o senador Jarbas Passarinho
quem obteve a concessao do general Joio Figueire-
do, nos estertores do governor, em fevereiro de
1985. Os quatro empres6rios beneficiados prome-
tiam bferecer a TV para a campanha que Passarinho
precisaria empreender no ano seguinte. Mas dois
deles nio se vexaram em oferecer suas cotas a Ja-
der, entio inimigo de Jarbas (uma situaaio muito
diferente, hoje). Quase cinco anos depois consu-
mou-se o desfecho previsfvel. Acresga-se tamb6m
no haver do ministry da Previdencia Social que ele
nio recorreu ao traditional esquema de "testas-de-
ferro", assumindo abertamente a paternidade da
compra, embora recorrendo a um artificio, o con-
trato de leasing, para tangenciar o veto legal '
transferancia da concessio no prazo de cinco anos a
partir do infcio do funcionamento da emissora
(transfer6ncia que agora s6 pode consumar-se corn a
aprovaaio do Congresso).
I provivel que a urgencia do neg6cio tenha
contribufdo para que as sutilezas fossem dispensa-
das. Comentava-se insistentemente que um dos pri-
meiros atos do president Fernando Collor de Melo
seria pedir o cancelamento de concess6es de emis-
soras de radio e televisio efetuadas na administra-
gSo Sarney, o que poderia deixar Jader sem seu Ca-
nal 10, um recurso de reserve que ele tamb6m pode-
ra usar em seus neg6cios, uma bem sucedida combi-
nacio de tino commercial e impetuosidade polftica
que o sacramentou, na semana passada, como o se-
gundo imperador das comunicaq6es no Para. Essa
dualidade antag6nica indica qual sera a pr6xima
atragio nos vfdeo: uma guerra aberta entire os opo-
nentes.








Predio do INPS: preco esticou


Em agosto do ano passado a superintendencia do
INPS no Pard pediu para a diregio geral do 6r-
gio em Brasilia autorizar a construgio da nova
sede regional, em Bel6m. O pr6dio, de oito an-
dares, custaria 13 milh6es de cruzados novos. Tres
meses depois a concorrencia para a construgio foi
aprovada e o prego do pr6dio subiu para 148 mi-
lh6es de cruzados novos. Dentro do Instituto, espe-
rava-se que a atualizagio, entire agosto e novembro,
elevasse o valor da obra para algo em torno de 50
milh6es, mas um reajuste de mais de mil por cento
em apenas tr6s meses ultrapassou todas as expecta-
tivas, mesmo a dos que consideravam a primeira
avaliaago subestimada.
A partir desse moment foi crescendo um
murmdrio que desembocou em um princfpio de cam-
panha patrocinada por O Liberal. Embora tenha de-
dicado ao assunto reportagens durante quatro dias,
o journal limitou-se a questioner a forma que a Esta-
con, empresa vencedora da concorrencia, adotaria
para p6r abaixo um antigo pr6dio do INPS, no lugar
do qual subiria o novo ediffcio. Garantia o journal
que a implosio seria adotada para render dividen-
dos para o ministry da Previdencia Social, Jader
Barbalho. S6 cor essa rapidez a nova sede poderia
comerar a ser construfda e tornar-se um fato con-
sumado antes de 15 de margo, quando chega ao fim
a administration Sarney. Do contrgrio, o novo presi-
dente da Repdblica poderia at6 cancelar a obra, tal
seria a sua mi vontade em relagio aos atos de Jader
Barbalho.
Fontes da Estacon garantiram que a opgIo pela
implosio, e nio por uma demoligio conventional,
foi uma attitude estritamente t6cnica. Implodindo o
pr6dio, a empresa ganharia 60 dias em um crono-
grama geral de 300 dias para a conclusio da obra.
Mesmo sendo mais cara, a implosio compensaria
o investimento por permitir A empresa ter acesso
mais rApido A primeira cota post A disposirio, de
60 milh6es de cruzados novos, ainda do orgamento
de 1989. At6 as fontes da Estacon, entretanto, nio
negavam que a presenga de Jader no Minist6rio era
uma condigao para fazer avangar a obra ao estigio
de coisa irreversfvel.

A press na obra
0 murmdrio e a meia-campanha de O Libe-
ral insinuavam algo mais: que a obra precisava co-
megar o mais rapidamente possfvel para poder criar
uma possibilidade de rendimento paralelo, a tal co-
missio sobre a qual todos falam e poucos conse-
guem provar (o prefeito de Osasco ver mat6ria
seguinte julgou-se, na semana passada, em condi-
q6es de fazer as duas coisas, matando a cobra e
mostrando o pau). Uma nova sede para a superin-
tendencia do INPS era uma meta que jA havia sido
fixada no plano de trabalho de 1987 e 6 uma neces-
sidade que pode ser constatada por quem visit a
atual sede, instalada acanhadamente no predio mais
antigo da avenida Presidente Vargas, no centro da
capital paraense.


Mas de fato foram extramamente acodadas as
provid6ncias adotadas a partir da formaaio do pro-
cesso, em agosto do ano passado. Tio acelerado
que a procuradoria regional do INPS criticou o pro-
cedimento e exigiu que fossem corrigidas algumas
decis6es. As que implicavam conflito legal foram
sanadas, mas as providencias meramente acautelat6-
rias acabaram deixadas de lado, como a maior di-
vulgagio do edital de concorrencia (publicado ape-
nas no Digrio Oficial e nio em journal de grande cir-
culaqio, como sabiamente recomenda a lei).

Prazo fatal

Fontes da Previdencia Social justificaram essa
press, que obrigou os funciontrios envolvidos na
concorrencia a seguidas horas extras, alegando ser
a dnica maneira de ainda utilizar os recursos do
exercfcio passado ja comprometidos. O resultado
pritico 6 que das sete empresas que receberam car-
tas-convite, apenas tr6s compraram propostas e so-
mente duas se habilitaram A concorrencia. A Cons-
trutora Bandeirante, na qual sio s6cios o ex-vice-
governador Laercio Franco e o ex-secretario de
Viagao e Obras Pdblicas Manoel Acacio amboss na
administragio Jader Barbalho), ofereceu 167 mi-
lh6es de cruzados novos. A Estacon, que reuniu
mais pontos, apresentou a proposta de NCz$ 148
milh6es e foi a vencedora.
O INPS havia se decidido por construir uma
nova sede porque essa era uma alternative mais via-
vel do que tentar utilizar o pr6dio de quatro anda-
res, inaugurado em 1963, onde vinha funcionando o
posto de beneffcios. A reform desse pr6dio custa-
ria, em agosto, quatro milh6es de cruzados novos,
apresentando crescentes limitag6es de uso, en-
quanto um novo pr6dio, com o dobro de andares,
sairia por NCz$ 13 milh6es. Tres meses depois, o
mesmo INPS aprovava concorrencia com o custo
multiplicado para NCz$ 148 milh6es, quando a ex-
pectativa admitida dentro do Instituto se referia a
um tergo desse valor. Neste caso, cabe a pergunta
machadiana: quem mudou no caminho, ou, mais
atualizadamente, quem mudou o que em beneffcio
de quem? Por enquanto, s6 cabe perguntar.


Comissao official

A Associag~o dos Revendedores de Materials
El6tricos distribuiu um sugestivo convite aos seus
associados para uma reuniio realizada no edificio
da Federagio do Comdrcio. Da pauta constavam vi-
rias definig6es, como sobre o prazo maximo de va-
lidade de propostas para empress pdblicas e uma
estrat6gia para recebimento de faturas em atraso nas
empresas pdblicas que nio aceitam pagar juros. Mas
o ponto mais interessante tratava do "percentual de
comissio para comprador".
O Brasil, finalmente, chegou ao nfvel de Mdxi-
co, Bahamas e por af.







As historias de sempre


Rossi, conseguiu reeditar nos dltimos dias do
governor Sarney o clima inquisitorial que levou
i exoneragio do entio ministry do Planeja-
mento, Anibal Teixeira, acusado de patrocinar es-
quemas escusos de intermediag6es para a obtengio
de verbas federal. Rossi ganhou na semana passada
a primeira p$gina do journal O Estado de S. Paulo,
ao acusar o ministry Jader Barbalho de estar envol-
vido cor pessoas que pretendiam ficar com parte
dos recursos que seriam usados para a compra de
um hospital em Osasco.
Primeiro em "carta aberta", publicada como
mat6ria paga, e depois em entrevista ao journal, o
prefeito acusou o chefe de gabinete do ministry Ja-
der Barbalho, Mario Alves de Melo, de cdmplice do
proprietdrio de um hospital semi-construfdo na cida-
de, que a prefeitura pretendia desapropriar com di-
nheiro da Previdencia. Odair Mondelo apresentou um
laudo de avaliafio de seu hospital, no valor de 63
milh6es de cruzados novos, 38 milh6es a mais do
que o valor que Rossi diz ter a prefeitura apurado.
Alves de Melo aceitou o valor superdimensio-
nado, mesmo alertado pelo prefeito, que, declaran-
do-se sem alternative, decidiu "abrir mio dos re-
cursos desse Minist6rio e passar a duvidar da lisura
de procedimento de pessoas envolvidas nesse pro-
cesso". Em tom dramitico, Rossi declara que, se ti-
vesse certeza de que a doaqio de uma vida liber-
taria nosso pafs das corrupg6es, eu daria a minha


para nio ter que continuar testemunhando e sentin-
do na care problems como o que acabo de rela-
tar".
Jader reagiu com ironia ao dispenser, na carta
que enderegou a Rossi, tamb6m publicamente, o
prefeito do sacriffcio da "pr6pria vida", sugerindo-
lhe "buscar outros caminhos para tornar-se o catio
de Osasco". Na "carta aberta" que tamb6m publi-
cou no journal O Estado de S. Paulo, o ministry pro-
cura mostrar que toda a transagio sobre o hospital
foi exclusivamente entire o prefeito e Mondelo, a
quem Jader diz desconhecer. A interferencia do
chefe de gabinete teria sido apenas para cobrar ex-
plicag6es sobre divergencias entire os laudos apre-
sentados no piano de aplicagio pela Prefeitura.
O ministry atribui a ofensiva do prefeito de
Osasco a "objetivos nitidamente eleitorais, quem
sabe cor vistas is pr6ximas eleig6es", o mesmo ar-
gumento que o prefeito paulista, ex-deputado fede-
ral como Jader, poderia usar para explicar a mara-
tona de convenios que o ex-governador tem patro-
cinado nas dltimas semanas, juntamente com pre-
feitos do interior. Nessa hist6ria, cada um tem sua
razio, mas toda a razio nio 6 de nenhum dos per-
sonagens, ou entio eles nio seriam os protagonistas
desses rocambolescos epis6dios que comegam corn
acusag6es de corrupgio, esquentam com ameagas de
process judicial e terminal sem o esclarecimento
competent, uma moral que a opiniao pdblica
aprendeu a tirar e a guardar tamb6m, por falta de
significado pritico.


0 president e as regi6es


I o se desincompatibilizar do governor de Ala-
goas para concorrer & presid&ncia da Repdbli-
ca, Fernando Collor de Melo prometeu dar &
Sudene (Superintend6ncia do Desenvolvimento
do Nordeste), atualmente uma autarquia vinculada
ao Minist6rio do Interior, o status de Minist6rio. A
promessa foi feita durante a dltima reuniio do Con-
selho Deliberativo da Sudene de que Collor partici-
pou como governador. Ele garantiu que, quando
chegasse ao Palacio do Planalto, despacharia cor o
superintendent, transformado em ministry do Nor-
deste, para resolver pessoalmente as quest6es da
regiio, sem precisar de intermedifrios.
As palavras do governador alagoano foram
aplaudidas de p6 por seds colegas conselheiros, mas
o president eleito da Repdblica ji percebeu que
nio poderf cumprir aquelas palavras de nove meses
atras. Para transformar a Sudene em minist6rio, ele
precisaria estender a media para criar outros dois
minist6rios: um que absorvesse a Sudam (Superin-
tendencia do Desenvolvimento da Amaz6nia) e ou-
tro que incorporasse a Sudeco (Superintendencia do
Desenvolvimento do Centro-Oeste). As tres supe-
rintendencias estio niveladas institucionalmente,
embora os servidores da Sudene, ji reconhecidos
como integrantes de uma autarquia especial, sejam


melhor remunerados e o Nordeste tenha preced6ncia
sobre as demais regi6es.
Um president que se prop6e a reduzir a quan-
tidade de minist6rios nio haveri de cometer o erro
infantil de criar outros, ainda que seja para honrar a
palavra empenhada com seus conterrAneos. Tentan-
do resolver o impasse, a assessoria recomendou a
Collor de Melo criar uma Secretaria de Desenvol-
vimento Regional diretamente subordinada a seu
gabinete, afastando de qualquer maneira o Minit6rio
do Interior do caminho do superintendent regional.
A assessoria alertou a tempo o president
eleito para a impossibilidade de promover a ascen-
sio exclusive da Sudene, mas nio conseguiu lem-
brar-se de que, al6m da Sudam, existe a Sudeco.
Chegou apenas & Amaz6nia, que sustenta uma anti-
ga dispute com os nordestinos pelos recursos dos
incentives fiscals. O planejamento regional moder-
no comegou no Brasil efetivamente pela Amaz6nia,
com a criagio da Spvea, em 1953. Mas quem sem-
pre levou a parte do leio foi o Nordeste.
Nada de errado nessa partiqgo porque o Nor-
deste ter mais densidade demogrifica, social, eco-
n6mica e polftica, al6m de mais problems cristali-
zados. A question 6 o tratamento discriminat6rio da-






do Is outras regi6es, a 6tica do planejamento que o
novo president vai adotar e sua visio das quest6es
nacionais. Espanta constatar que um home com 10
anos de carreira, como Collor, desconhega a exis-
tencia de outras superintendencias regionais. Esse
desconhecimento evidenciaria sua limitaqio de vis-
tas (ou de visio, como queiram).
Mais preocupante ainda 6 o tratamento paro-
quial que Collor deve estar pensando em dar A diff-
cil questio regional, que, no Brasil, deve ser trata-
da em prudent plural. O president cumprird seu
mandate empenhado realmente em combater os des-
nfveis interregionais, meta emblemitica de todos os
textos constitucionais brasileiros a partir da Revo-
lugio de 30, ou pretend usar a regiio como ins-
trumento de acgo estreitamente polftica (no sentido
partidario)?
Hd muito tempo algumas liderangas das regi6es
subordinadas do pafs duelam em torno de um dote:
a criaqio de minist6rios regionais, uma solugAo so-
fregamente oportunista que remete para as calendas
burocrAticas uma agio que caberia mais na esfera da


aqio executive. Nio podendo satisfazer essas elites
com o pleno atendimento de tal aspiragio, Collor
oferece um sucedineo. A secretariat vinculada ao
gabinete da Presidencia da Repdblica, mais agil,
menos viciada, poderia ser uma resposta adminis-
trativa competent. A questio, entretanto, nio 6 de
forma e sim de conteddo. Ao querer o superinten-
dente da Sudene mais perto de si (os outros virio
como derivative), o president eleito parece inte-
ressado mais em transmitir ordens e receber infor-
mag6es a servigo de um projeto pessoal e nio de
uma visio administrative de maior folego.
t claro que um president rec6m-eleito, depois
de uma massacrante campanha eleitoral, que o des-
gastou muito mais por t6-la transformado numa ma-
ratona de resist6ncia ffsica do que na extensive pe-
regrinaqio de um program, tem direito a deslizes.
Mas erros simples costumam ser o dedo que revela
o gigante, justamente porque foram cometidos com
simplicidade, vestfgio de um primarismo que, no
caso, jA se pode chamar de uma visio collorida das
coisas. Viraram sin6nimo.


Os "doutores" est o de volta


O Doutor Curi6, o Doutor Alexandre e outros
codinomes estio de volta a Serra Pelada. No
dia 14 foi eleito para a presid6ncia da coope-
rativa, a primeira criada para administrar um
garimpo no Brasil, o 32 sargento (da reserve do
Ex6rcito) Jos6 Bonificio de Carvalho, que nas pri-
meiras apresentag6es se anunciava como doutor
Alexandre, um tratamento muito comum entire os
membros das "comunidades" de seguranga e infor-
mag6es. Tamb6m reapareceu em Serra Pelada, de-
pois de uma ausencia de quase quatro anos, o dou-
tor Curi6, o primeiro dos codinomes que o tenente-
coronel (tamb6m da reserve do Ex6rcito) SebastiAo
Rodrigues de Moura usou para esconder sua identi-
dade de agent do SNI.
Curi6 foi o maior cabo eleitoral da surpreen-
dente vit6ria de Bonificio. Segundo president da
cooperative, fundada em 1983, ele nio havia conse-
guido exercer todo o seu mandate. Foi praticamente
escorragado do garimpo e parecia ter encerrado sua
carreira em Serra Pelada. Mas o tempo parece ter
servido mais uma vez para apagar os registros da
mem6ria dos garimpeiros, tarefa facilitada pela
grande rotatividade que ter havido desde entio em
Serra Pelada.
Uma das fontes de interesse de Curi6 em voltar
ao garimpo 6 sua intengao de disputar novamente
um lugar na Cimara Federal. Em 1982, gragas a
uma caixa milionaria formado pelos donos de bar-
ranco de Serra Pelada, na 6poca o maior produtor
individual de ouro do pafs, Curi6 conseguiu eleger-
se deputado federal pelo PDS. Nao foi o mais vota-
do, mas foi o que mais gastou na campanha. Nao
tentou reeleger-se em 1986. Ele diz que desistiu por
causa de um acidente, que o deixou imobilizado.
Mas, coincidentemente, Serra Pelada comegava a
viver na 6poca seu perfodo de vacas magras.
Durante todo esse tempo Curi6 acompanhou de
long o garimpo, atuando como comprador de ouro.


Parece ter sido tio bem sucedido nessa atividade
que passou a morar numa mansao no Lago Sul de
Brasflia e a desfrutar de um sftio aprazfvel is pro-
ximidades da capital federal. Certamente nio formou
esse patriinnio cor sua aposentadoria, que.nfo de-
ve ultrapassar 40 mil cruzados novos (e a partir do
pr6ximo m6s, com 100% de reajuste). Nio tendo
problems financeiros pessoais, Curi6 parece dis-
posto a readquirir uma fatia de powder. Afinal, ele
foi o primeiro membro da comunidade de informa-
g6es, explicitamente assumido, a participar do par-
lamento. At6 entio, a "comunidade" s6 dispunha
de agents infiltradores e de colaboradores no Con-
gresso.

Os poroes de novo

BastarA a Curi6 usar a cooperative e recorrer
as grandes promessas, seu eficiente instrument de
manobra dos garimpeiros, para alcangar de novo
seus objetivos, ou teri que restabelecer o esquema
carism.tico-autoritgrio que prevaleceu em Serra
Pelada enquanto ali o SNI p6de dar as cartas? Essa
restauragio teria um sentido claramente perturbador
em relagio A fase de transicio que o pafs esti vi-
vendo, especialmente quando o president eleito
question o SNI, teoricamente um 6rgio de inteli-
g&ncia encarregado de informar o president, mas
que, na Amaz6nia, gerenciou um projeto de extra-
gao de madeira (da Capemi), coordenou garimpos (o
de Cumaru, al6m de Serra Pelada) e transacionou
empresas (as Fazendas Reunidas, no Amazonas, por
exemplo).
Curi6 declarou ter sido encarredo pelo presi-
dente eleito de tratar da questao dos garimpos.
Trata-se de um contracanto a ret6rica de Collor de
Melo ou o ex-agente (ex mesmo?) do SNI continue,
como os curi6s, seu v6o rasteiro? A resposta nao
deve demorar a ser dada.








Eleicao: um novo Itarare


entire os "baratistas" e a Coligagio, na d6cada
de 50, como o moment de maior violencia e
radicalismo na vida political recent do Para. E
provfvel que a eleigio de outubro deste ano venha
a igualar ou mesmo superar a belicosidade que to-
mou conta do Para a partir dos anos 50. Embora,
como naquela 6poca, o litigio envolva grupos que
nio sio political ou ideologicamente tao distintos, e
seus lideres pertengam a uma mesma camada social,
da eleigio de outubro resultari um definitive deslo-
camento de poder. Para alguns dos protagonistas,
trata-se de uma luta de vida ou morte. E ningu6m
quer perder.
A movimentagio de bastidores 6 cada vez mais
intense, mas todos evitam revelar-se publicamente,
a espera da definicio da principal inc6gnita: as re-
lag6es entire o governador H61io Gueiros e o minis-
tro Jader Barbalho. A maioria dos politicos aposta
no rompimento, mas, apesar das constantes ofensi-
vas do governador, ambos ainda mant6m uma fresta
aberta para o entendimento, cada vez mais dificil,
mas nio impossivel.
Gueiros ter se esmerado em desferir golpes
ripidos, mas colocados cor a intencdo de ir aba-
lando o adversArio, os "jabs" do boxe. Algumas
farpas sao especialmente calibradas para atingir
o amago de Jader. Na v6spera da audi6ncia corn
Collor de Melo, no dia 23, Gueiros reconheceu que
Jader 6 o lider de maior densidade eleitoral que o
PMDB ter no Pari, mas acrescentou, suspicaz: nem
sempre o politico mais preparado para o primeiro
turno, 6 o mais indicado para veneer o segundo tur-
no.Explicou rapidamente: "sendo uma figure pol6-
mica, como o Jader, 6 capaz de unir toda a oposigio
contra ele, batendo numa s6 tecla". So faltou o go-
vernador ser mais explicit ainda e dizer que a tecla
6 a da moralidade.

A possibilidade do acordo

Mas Gueiros tratou e completar seu raciocfnio
no dia seguinte. Ao tragar o perfil do candidate que
poderia apoiar para sua sucessio, disse que, al6m
de consistencia political, ele precisaria ter "honesti-
dade, amor ao Pari, espirito piiblico, mios limpas,
o que implica respeito pelo dinheiro pdblico, e sai-
ba aplica-lo em beneffcio do bem comum, que 6 o
bom do povo paraense". Para um nimero crescente
de interlocutores, o governador tem dito que Jader
nio se enquadra nessas categories. O pano de fundo
para tais declarag6es nio poderia ser mais propicio:
as acusag~es feitas contra o ministry da Previd6ncia
Social pelo prefeito de Osasco. Elas ajudavam a re-
forgar as restrig6es do governador.
Toda a ironia, sarcasmo e at6 um pouco de de-
boche que apimentam cada vez mais as refer6ncias
de Gueiros a Jader, no entanto, nio significam que
o governador tenha descartado de vez o restabele-
cimento de um acordo com seu ex-amigo e aliado. E
sintomitico que os dois continue preocupados em
preservar o relacionamento pessoal, evitando para


isso os encontros em pdblico. 0 governador sabe
que a dnica possibilidade de sair candidate ao Se-
nado depend de Jader, que control o PMDB.
Qualquer outra alternative implicaria em renincia a
esse sonho, sonho que o governador nio admit
ainda acalentar. De outra maneira, Gueiros teria
que sair do PMDB, mas isso de nada valeria se ti-
vesse que deixar a administration nas mios de seu
vice, Hermfnio Calvinho, que ja nio admite qual-
quer tipo de entendimento cor Gueiros. Para rom-
per de vez cor Jader, H61io teria que descartar a
volta ao Senado.
O doloroso silencio que Jader Barbalho tern
mantido 6 a maior prova de que ele ainda alimenta
alguma esperanca de recomposiago. O ministry tam-
b6m nio ter ilusAo alguma sobre o que representara
para ele a dispute de uma eleigio contra as miqui-
nas dos governor federal e estadual. Para Jader, o
melhor mesmo seria desfazer os elos que formaram
a estranha alianca Collor-Gueiros-Xerfan-grupo Li-
beral. Retirar qualquer element desse nexo signifi-
caria enfraquec6-lo. E Jader s6 ter a possibilidade
de mexer na posigio do governador, o que ele vem
tentando.
0 ministry pode apostar no tempo. De todos, 6
o inico que nio precisari renunciar a uma posigao
de poder at6 2 de abril, prazo fatal para as desin-
compatibilizag6es que atingiri Xerfan e Gueiros. O
governador ter um interesse oposto: precisa forgar
logo a definiAio de Jader para poder tomar outro
rumo, se a composigio tornar-se realmente impossi-
vel. Daf a contundencia de seus ataques, que visam
enfraquecer a posigio do ministry no moment de
sentarem a mesa de negociagao. Jader oferecerd,
num primeiro lance, a vice-governanga a H6lio e a
garantia de vaga ao Senado, podendo insistir para
que Calvinho complete o mandate at6 margo de
1991, mas admitindo a presenga do deputado Mario
Chermont, president da Assembl6ia Legislativa. O
complicador em tal transario 6 a perda da confianga
mdtua, que deixa os acordos sem aval.

A frente consolidada?

Ao ir a Brasflia para c enc ontro com o presi-
dente eleito no mesmo dia em que o president Sa-
hid Xerfan tamb6m seria recebido, Gueiros mante-
ve-se coerente cor sua titica, de deixar o leque de
opq6es bem aberto para negociar cor todas as van-
tagens possiveis. O acordo cor o prefeito de Bel6m
esta mais pr6ximo do que nunca, mas ainda nio foi
formalizado. Gueiros, ao contririo, parece ter libe-
rado seu amigo Henry Kayath para voltar a tentar
viabilizar sua candidatura. O ex-superintendente da
Sudam nao apenas acompanha o governador em to-
das as suas viagens, como passou a ser o agencia-
dor e intermedifrio de contratos e acordos cor pre-
feitos e politicos do interior. Em alguns encontros,
Kayath tem dito que o candidate do governador sera
um administrator, com experi6ncia pdlftica, mas
que nunca exerceu um mandate eletivo. S6 faltou
etiquetar um nome nesse retrato falado, o nome de
Henry Kayath.







Fiel a melhor tradigio pessedista, Gueiros
mant6m as linhas pontilhadas da sua preferencia,
deixando que elas possam ser preenchidas por
aquele que se adequar melhor aos seus interesses. E
claro que ele gostaria de fazer de Kayath seu suces-
sor, mas seguidamente tern reconhecido que falta ao
amigo peso eleitoral. A densidade de Xerfan 6
maior e, a rigor, 6 a dltima alternative do governa-
dor para uma definigio de compromisso, que lhe ga-
ranta alguma participagio e influencia no pr6ximo
governor. O resto 6 solucio meramente pessoal, ca-
paz de assegurar a Gueiros uma aposentadoria se-
natorial e mais nada.
Talvez tenha sido para estreitar a margem de
liberdade do governador que os grupos ligados a
candidatura Xerfan se movimentaram nos dltimo,
dias. A candidatura do prefeito da capital foi deci.
dida em reuniio reservada realizada no dia 19, a
qual tiveram acesso apenas os que formario o co-
mite de campanha,. Dois dias depois comeraram as
aq6es praticas, que culminaram com a obtenqio da
audiencia de Xerfan com Collor de Melo. A compa-
nhia do vice-presidente do Sistema Romulo Maiora-
na de Comunicaqio, tendo a tiracolo o arquiteto Al-
cyr Meira, tido como candidalo a superintendent
da Sudam, nio foi fortuita: significa que o mais po-
deroso grupo de comunicagqo entrou firme na cam-
panha de Xerfan, nio s6 como attitude de combat,
mas at6 mesmo de sobrevivencia diante da perspec-
tiva de ter no governor o mais pcrigoso concorrente.
O jornl "O Liberal" tem ammentado o poder de
fogo dos seus ataques ao ministry da Previdencia
Social, sem ter o tipo de revide que se podia espe-
rar do "Didrio do Pari". Jader tem controlado com
mao firme o seu grupo exatainente para nio dar
motives para um rompimento aterto com o governa-
dor, i espera de um moment para a recomposigao.
Mas esse sil6ncio 6 estudado e sera interrompido
tio logo o ministry se convenca de que nio lhe
rest outra alternative senio guerrear contra Guei-
ros, Xerfan e aliados.
Mesmo nessa hip6tese, 6 possivel que Jader
acabe sendo forgado a desistir de disputar a volta
ao Governo. Por isso ele mant6m algumas alternati-
vas como reserve. O senador Jarbas Passarinho 6
uma dessas hip6teses, como bem visualizou o go-
vernador H6lio Gueiros ao desferir algumas de suas
alfinetadas contra o ex-ministro, que retrucou corn
estilo, abrindo caminho para una troca de farpas a
maneira dos mais tensos duelos de ret6rica da poli-
tica paraense. Velhas diferencas e rancores aziagos
ameagam aflorar debaixo de um discurso que pre-
tendia-se modern, mas tamb6m o que pode oferecer
a modernidade disponivel nas prateleiras da polftica
do Estado?
Oferecer uma efetiva modernidade seria o
grande caminho para grupos politicos que fossem
capazes de fazer a opiniio pdblica perceber que es-
sas disputes senhoriais estio fadadas a provocar
muitas batalhas de Itarar6 e nenhum ganho real para
a sociedade, talvez muito sangue, mas nenhuma gl6-
ria duradoura. A hist6ria political do Para, como fa-
zem crer esses primeiros moviinentos belicosos da
pr6xima guerra eleitoral, ainda estA no estigio pri-
mitivo de ficar repetindo o passado sem o auxflio


da mem6ria, fadada ao movimento pendular da tra-
g6dia a farsa, sem qualquer novidade efetiva debai-
xo do t6rrido sol do Equador.

Os possiveis

candidates

Said Xerfan S6 nio esta ainda com a candi-
datura nas ruas porque depend do apoio do gover-
nador 6lio Gueiros. O de Collor de Melo, aparen-
temente, j6 obteve, embora possa vir a ser mais
verbal do que real, ao menos de imediato. A duvida
6 saber se Xerfan conseguira former uma coligagio
tao ampla quanto a que o elegeu prefeito de Bel6m.
O tom de sua campanha sera moralizador: vai apre-
sentar-se como alternative para que Jader Barbalho
nao volte ao governor. Outra duvida 6 sobre a es-
trat6gia de marketing: Xerfan teve dois tergos dos
votos na capital sem precisar falar; conseguiri re-
petir a dose na dispute em todo o Estado? Se for
para o debate na television, resistira ao ministry da
Previdencia Social? O pr6prio prefeito deve estar
pensando nessa hip6tese.
Jader Barbalho Se conseguir fechar um acor-
do com Gueiros, indicando algu6m de sua confianga
como candidate ao governor, podera renunciar, por
enquanto, ao piano de voltar a ser inquilino do Pa-
lIcio Lauro Sodr6, deixando-o para 1994 (quando
estarA chegando aos 50 anos de idade, ainda novo
para a polftica). Nesse caso, poderia simplesmente
ser candidate a deputado federal, poupando-se do
desgaste que inevitavelmente ira sofrer numa cam-
panha majoritaria pelo aproveitamento de quest6es
controversas acumuladas ao long de sua carreira
pdblica. Parece bem clara a estrat6gia de seus ad-
versarios: explorer as acusag6es de corrupcio e in-
centivar Collor a dar muniqio para essa guerra. Mas
se nio conseguir esse minimo, Jader sera mesmo
candidate ao governor. Ter uma vantage: pode es-
perar mais tempo do que todos os demais protago-
nistas. E 6 quem mais ter meios pr6prios para uma
campanha, fora dos esquemas oficiais. Vive sua
pior situario polftica, mas nao esta derrotado,
muito pelo contrario.
Ademir Andrade Esta em campanha para ser
o candidate da Frente Brasil Popular. Nio 6 uma ta-
refa facil. O PT nao costuma aceitar os nomes de
outros partidos e, mais uma vez, pode ter candidate
pr6prio. A forga eleitoral de Ademir, por outro la-
do, saiu desgastada da eleigio presidential do ano
passado. Ele pode nio ter f6lego para sustentar sua
candidatura.
Benedicto Monteiro Esta tentando viabilizar-
se num partido, o PDT, sob a suspeita de estar in-
filtrado de quintas colunas. Em 1987, o deputado
federal apoiou Xerfan porque ele representava o
anti-Jader. Desde que rompeu cor o entio governa-
dor, de cuja administration foi chefe da Procurado-
ria Geral, Benedicto tem explorado essa opio e
pode, se firmar a candidatura, ser mais bem sucedi-
do nessa escolha do que o pr6prio Xerfan, ainda
que enfrente, ao contrfrio dele, problems logisti-
cos e operacionais para ter a possibilidade real de
vit6ria.






Almir Gabriel E uma inc6gnita (outros di-
riam: uma esfinge). Seus correligionirios do PSDB
garantem que ele vai liderar a frente das oposig6es
e empunhar a bandeira do "progressismo" no Esta-
do. Mas na polftica paraense Almir tem sido um
nome que germina sempre i sombra. Seu desempe-
nho na eleigio presidential foi sofrivel, reforgando
o ponto de vista dos que acham que ele nio tem pe-
so eleitoral especifico para uma dispute majoritiria.
Se isso for verdade, rest saber sob qual sombra
evoluiri a candidatura do senador.
Fernando Coutinho Jorge S6 tem uma possi-
bilidade de ser candidate ao governor: se de um
acordo entire Gueiros e Jader for aceito como o ter-
tins. NBo 6 uma hip6tese muito provivel, mas 6 a
que esta ao alcance do ex-prefeito de Bel6m. Se
nio, seri novamente candidate A CAmara Federal.
Henry Kayath Se nio der para provar ao
amigo governador que tem condig6es de vencer,
ainda assim estard credenciado a ser o que tem sido
a constant na sua vida pdblica: uma eficiente emi-
nencia parda. JA comegou a freqientar a assessoria
do president eleito.
HA outras alternatives, mas sem expressio
eleitoral. O governador H6lio Gueiros tem razio
quando observa que as liderangas de Jarbas Passa-
rinho e Jader Barbalho foram ou ainda sio mono-
polistas, eliminando as demais e sendo at6 mesmo
autofigicas. Mas ele pr6prio nio conseguiu ser a
excegio a essa regra. A rigor, Gueiros nio disp6e
de nomes, no que se poderia classificar de "seu
grupo", capazes de preencher as exigencias que ele
mesmo fez de um candidate a seu successor.


Armas cruzadas

O "escAndalo da Previdencia Social em Osas-
co", como o journal O Estado de S. Paulo batizou as
dendncias do prefeito Francisco Rossi, chegou &
Polfcia Federal. No depoimento prestado na PF,
Rossi reafirmou o que havia escrito em duas "csrtas
abertas", a dltima das quais transcrita em 0 Liberal
do dia 25 (juntamente cor editorial do Estadio).
Nesta, o prefeito deixa as sutilezas e aponta fron-
talmente o minitro Jader Barbalho como envolvido
com uma quadrilha que diz existir no minist6rio do
ex-governador do Para: "essa quarilha a que me re-
firo tem algu6m desse minist6rio e bem pr6ximo &
sua pessoa", cioplementa Rossi.
O prefeito de Osasco levou A policia docu-
mentos e fitas das gravagdes de conversas cor o
dono do pr6dio que seria desapropriado para a ins-
talagio do hospital municipal, Odair Mondelo, que
diz sempre ter recebido em seu gabinete "na condi-
gio de home ligado & sua pessoa (do ministry) e
aos mais altos escal6es do seu minist6rio, at6 por-
que ele se apresentou a mim corn um convenio ji
assinado por Vossa Excelencia, tres dias antes de
eu formalizar o pedido de verba". Rossi inform ter
recebido o dinheiro apenas no dia 23, mas estava
devolvendo-o "porque se trata de dinheiro que che-
gou at6 aqui com a mancha da corrupgao e da safa-
deza".
Espoap oMinist6rio Publico se interesse
pelo case panhe do-a, a
S,,do


Polfcia Federal na investigation. Pelo que foi ex-
posto at6 agora, os pontos obscures sio mais nume-
rosos do que os esclarecidos. Afinal, houve quase
tr6s meses de sil6ncio (embora provavelmente de
intense movimentaglo de bastidores) entire o inicio
das negociag6es sobre a desapropriagco do pr6dio
do hospital e o moment em que elas apareceram na
imprensa, levadas pelo prefeito atrav6s de mat6ria
paga. 1 nesse interstfcio que os investigadores in-
dependentes devem ir buscar a exlicaaio desse im-
br6glio.

Causas ocultas
Dois dias depois de consumada a venda da TV
RBA, Luiz Paniago deixou o grupo Belauto, do
qual era o president. A associaio dos dois fatos
foi imediata. Nem os donos da Belauto, nem Pania-
go explicaram satisfatoriamente o que ocorreu, es-
timulando as especulag6es. Algumas delas estabele-
ceram relaio de causa e efeito entire a transagio e
o afa'11 to de Paniago. Outras especulag6es pro-
curara Uusas diversas. Uma delas seria a divida
de quase 100 milh6es de cruzados que a Belauto
cobra da Eletronorte h& alguns meses, sem sucesso.
Um destacado polftico paraense foi contactado
para interceder pela Belauto, mas o president da
Eletronorte, Miguel Rodrigues Nunes, disse que sua
empresa nada poderia fazer porque estava de caixa
quase zerado. Mesmo nessa situagio, Nunes autori-
zou a publicafio de seis pfginas de mat6ria paga da
Eletronorte em duas edig6es do Jornal "Folha da
Tarde". A primeira imediatamente depois de crfti-
cas feitas a Miguel Rodrigues Nunes (que tamb6m 6
suplente de senador pelo Maranhfo e compare do
president Jos6 Sarney) em uma coluna do journal.

O novo president da Cosanpa (Companhia de
Saneamento do Para), Luiz Otavio Mota Pereira,
enviou ao Jornal Pessoal a seguinte carta:
''0 JORNAL PESSOAL, de dezembro passado,
traz um artigo de tftulo 'A AMAZONIA MEDIE-
VAL', o qual comungamos dos mesmos pensamen-
tos, referentes a responsabilidade social dos gran-
del projetos. A seguir, algumaS informag6es, que
pensamos ser dteis em divulgd-las:
Cobramos uma avdo da Mineracdo Rio do Norte
S/A, relative ao abastecimento de i1gua de Ortxi-
mind e o assunto estd em fase de conclusdo.
Cobramos posigdo semelhante d Eletronorte rela-
tiva a Tucuruf e Jacundd.
0 Governador H6llo Gueiros conhece e apola
estas id'ias.
Na oportunidade, parabenizamos o nfvel ele-
vado do JORNAL PESSOAL e nos colocahos d dis-
posigdo para um melhor intercdmbio".
I


Journal Pessoal

Editor responsavel: LOcio Flivio Pinto
Enderego (provls6rio): rua Aristides Lobo, 871
Bel6m, Par,. 66.000. Fone: 224.3728
Diagrapalso ae uIstraoLuiz Pinto