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Ano III N" 49 Circula apenas entire assinantes 1" Quinzena de Outubro de 1989 REGION Renovando a pobreza A Constituigao de 1989 manteve o compromisso de reduzir as disparidades interregionais que dividem o pal's. Mas a regulamentagao dessas normas esta sendo feita nos gabinetes e pode nao ter resultados satisfatcirios uma superffcie de sete milh~es de quil~me- tros quadrados, com 60 milh~es de habitan- tes. Se fosse um pafs, seria o sdtimo do mundo em brea e contaria com uma populagIo equi- valente a da Alemanha Ocidental. HE quase quatro dbcadas o governor planeja e executa polfticas para diminuir o fosso que separa o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste das demais regimes do pafs, que for. mam embora sujeitas a imensas exceg6es a parte considerada mais rica e modern. Mas a distincia acabou crescendo. Como nas anteriores, na Constituigio de 1988 6 renovado o compromisso de "reduzir desigualda- des inter-regionais", que tem figurado como objeti- vo mdximo de uma ji significativa histbria de pla- nejamento federal regional. O principal instrument para alcangar essa meta continue sendo o tratamento diferenciado que o governor dB aos investimentos produtivos feitos nas regimes incentivadas. Por isso, a Constituinte poupou os incentives fiscais regio- nais, administrados pela Sudam na Amaz~nia, a Su- dene no Nordeste e a Sudeco no Centro-Oeste da degola geral desse tipo de subsfdio. Mas ao exigir uma reordenagio dos mecanis- mos e instituigbes do desenvolvimento regional (muito mais retbrico do que real), a Constituigio estimulou o surgimento de algumas frentes de luta Jor nal Pessoal Lticio Flivio Pinto que se formam em funglo da regulamentagio dos dispositivos constitucionais. A principal das dispu- tas gira em torno da delimitagio da brea de jurisdi- glo dos incentives e das formas que eles deverlo assumir. O senador Jarbas Passarinho, do PDS do ParB, desencadeou polemica so proper, atraves de projeto de lei complementar apresentado em agosto, que Mato Grosso, Tocantins e Maranhio sejam excluf- dos da Amaz~nia Legal, definida em 1953 para ser a drea de atuagio da SPVEA (a superintendencia que antecedeu a Sudam). Passarinho quer de volta a Amaz6nia CIBssica (ou Regi~io Norte dos antigos manuais de geografia), integrada apenas pelos Esta- dos do Acre, Amazonas, Rondania, Roraima, Parg e AmapB. Jg o deputado Ney Lopes, sem maiores jus- tificagiies, admite a retirada do Mato Grosso e do Maranhio, mas quer o Tocantins, rec~m-criado a partir do desmembramento de Goids, dentro da Amaz~nia. O senador paraense advoga a restituigio do tragado original da Amaz~nia por achar que as dreas a ela incorporadas permanecem fisiografica- mente ligadas so mundo nio-amaz6nico. AlCm dis- so, absorveram recursos que se desviaram da region e foram gerar efeito multiplicador nessas faixas de transigio, mais pr6ximas dos maiores mercados na- cionais. "Mesmo considerando aspects amazbnicos do setentri~o matogrossense", argument Passari- nho, "a atividade econ~mica exercida no Estado do Mato Grosso mostra crescente adensamento em fun- glo de vultosos investimentos e notivel fluxro mi- grat6rio alheios & Amaz~nia. Dessa forma, essa unidade federativa deve ser, por coerancia, levada a compor o Centro-Oeste, de que 6 igualmente parti- cipante . Esse tipo de racioclnio, que tem seus funda- mentos, poderia levar g constatagio de que todo o sul do ParB, por exemplo, jll nio poderia permane- cer ligado I Amaz~nia ClBssica porque passa por um process somelhante ao do norte de Mato Gros- so. O ex-ministro, de qualquer maneira, estd justifi- cando, por crit6rios s6cio-culturais, a volta a uma definigHo que seguiu diretrizes geogrdficas. Os li- mites da Amaz~nia acompanham o povoamento da Hildia (a cobertura vegetal densa identificada por Humboldt) e a bacia de drenagem do rio Amazonas. Por esses dois partmetros, o Mato Grosso 6 pate legftima da Amazbnia, assim como todo o oeste do Tocantins. Se esses dois Estados, mais Rond~nia e o sul do ParB, adquiriram uma fisiono- mia do sertio, isto se deve ao tipo de ocupagio pa- trocinada pelo governor. A id~ia que engendrou a Amaz6nia Legal em 1953 visava estender os inves- timentos produtivos at6 o limited dos grandes vales do rio, fomentando a produglo nesses locals e irra- diando-a a partir de centros geradores de riquezas voltados para dentro. A matriz da ocupagio recent da Amaz~nia 6 a cria~go de corredores de exporta- glo, que langam as riquezas para fora da regilo e deixam atrds de si um rastro de desorganizaCio es- pacial, social e ecol6gica, do qual escapam os "en- claves" dos grandes projetos, ilhas da fantasia cer- cadas pela misdria real. Mesmo que os fundamentos do senador Passa- rinho sejam questioniveis, o que ele quer 6 evitar a dispersio de recursos e sua aplicag~o fora do que era a Amaz~nia antes do planejamento regional re- publicano. Essa delimitag~io torna-se ainda mais im- portante porque, al~m dos incentives fiscais desti- nados nos projetos produtivos, a Uni~o terI que so- licar 0,6% da receita do imposto de renda na Ama- z6nia (outros 0,6% no Centro-Oeste e 1,8% no No- deste). Gerente do dinheiro O superintendent da Sudam reagiu & iniciativa de Passarinho, convocando as presses um semindlrio em Bel~m para garantir a atual definigio cartogr~fi- ca da Amaz~nia. Alega o general Roberto Klein que perder Mato Grosso significa enfraquecor politica- mente a regilo e tirar-lhe densidade econemica, jB que para esse Estado se destinam um tergo dos re- cursos dos incentives fiscais e justamente li est~o instalados alguns dos maiores projetos da Amaz~nia Legal. A reagio da Sudam, de tio imediata, deixou bem aftido o papel que o 6rglio se limitou a desem- penhar: mera agbncia administradora dos incentives fiscais, cujos resultados apurados nos poucos ba- langos feitos seriamente tem sido deficitdrio para a region. Criada para coordenar toda a aglo federal na Amazonia e exercer de fato a condug~io do pla- nejamento, a Sudam se omitiu quase inteiramente nos mais recentes mementos da histbria regional, como na construgHo de barragons, abortura de es- tradas, instalagIo de garimpos, conflitos fundidrios, etc. Restringiu-se a examiner os projetos do setor privado, aprov6-los e drenar-lhes os incentives fis- cais, negligenciando no acompanhamento e fiscali- zagio. A hipertrofia do Departamento de Administra- glo de Incentivos, que continuou em ebuligfo en- quanto os domais stores definhavam, sugere refle- xio mais profunda quanto a possibilidade de conci- liar essa funglo gerencial com a atuagio de um dr- glo de planejamento; de manter na mesma estrutura administrative o home do caixa c o home das normas polfticas. Ou o DAI fica subordinado a um comando categbrico a partir de foray, on o melhor seria incorpord-lo ao agent financeiro, no caso, o Banco da Amaz~nia. Mais a fundo O melhor mesmo n~o seria o fim dos incentives fiscais, tal como eles existem hoje? As elites locais, tamb~m acomodadas ao papel do apendices de inte- resses econbmicos maiores e externos, reagem ins- tintivamente, como o superintendent da Sudam, em favor do "status quo" ligeiramente retocado. Mas os admeros apurados em levantamentos espedlficos, como o da Comif (Comissio de Avaliag~o dos In- centivos Fiscais), feito em 1986, mostram que essa polftica tem acarretado grandes distorgbes, entire as quais a concentragio da renda e da terra, os con- flitos rurais e a devastagio ambiental, a especula- glo financeira e a drenagem da parte substantial de recursos de volt a s mios do aplicador, sem falar da especializagio colonial da regilo como fornecedora de matdrias-primas e insumos b~sicos, estabelecida na prbpria Constituigio. EstB at a explicag Ao para tio magros resultados de tanta retbrica desenvolvi- mentista regional. A Constituigio do ano passado ndo inovou maito em rela~go no discurso anterior, mas den oportunidade g sociedade de, mobilizando-se, es- crever o capftulo da regulamentagio legal inscre- vendo novas regras no jogo do nivelamento interre- gional, um dos grandes desafios do Brasil modern. A Constituigio mesma exigiu da Unilo que, so de. finir o plano plurianual e o orgamento do exerefcio, apurasse os admeros resis da polftica de incentives fiscais. Mas, no caso da Amaz~nia, at6 hoje a Su- dam sequer realizou a atualizagio monetdria do or- gamento do Finam, dificultando uma avaliaCIo real de scu significado. Certamente, a definigio da nova polftica re- gional 6 tarefa que transcende o Ambito dos corre- dores do parlam~ento on de encontros t6cnicos re- limpagos, como o que a Sudam patrocinou no mes passado em Bel6m. Dos 51 participants, 28 eram da prbpria Sudam. Se a dimensio do encontro foi minimizada pela falta de interesses do pdblico, que ainda nio conseguin perceber a importincia dessa fase de regulamentaSio constitutional, limitagno muito maior deve ter sido causada pela natureza do promoter do encontro e o aftio de sus realizagio. Ligada aos interesses de fora da Amaz~nia (nio por outro motive o scu mais estimado interlo- cutor 6 a Associnglio dos Emprest~rios da Amaz~nia, de S~o Paulo) e especializada na gerencia do di- nheiro que vai para os cofres das empresas incenti- vadas, a Sudam perdeu expression regional, nio 6 car a sociedade da Amazbnia, antes simbolizando o dominio colonial que se consolidou sobre a drea. Sem uma profunda mudanga dessa situagio, igual- dade interregional vai ser mais uma p~rola perdida nas filigranas ret6rica da Constituigio. deve abranger aproximadamente um milhIo de hectares no sudeste do Pard. A Compa- Snhia Vale do Rio Doce, detentora dos direi- tos de lavra de quase todos os mindrios at existen- tes, tem sob seu control direto 412 mil hectares, que lhe foram transferidos pelo Senado na formal de "direito real de uso resoldvel por tempo indetermi- nado uma varingl~o mais sofisticada da proprieda- de fundidria plena aplicada a um uso da terra dis- tinto da agropecullria. Mesmo com a resolugiio do Senado, de dezem- bro de 1986. a CVRD deixou bem claro que ainda precisava deter mais 340 mil hectares para desem- penhar satisfatoriamente suas atividades minerado- ras em Carajds. Em margo de 1988, parte maior des- sa pretensio, com quase 200 mil hectares, foi re- querida pelo Minist~rio do Ex~rcito e exclufda da relagio de Areas que deverto retornar ao dominio estadual em conseqtiincia da revogagio do decre- to-lei 1164 (que federalizou uma faixa de terras de 200 quil~metros de largura no trajeto das rodovias de integraqio national). Em maio desse ano, o res- tante da extensdo reivindicada pela CVRD foi co- berto por tr~s dreas de protegio ecolbgica criadas pelo Ibama (Instituto Brasileiro de Recursos Natu- rais e do Meio Ambiente), que ainda so superpuse- ram parcialmente is duas glebas reservadas pelo Ex~rcito. Estaria havendo um caos administrative e le- gisferante sobre essas dreas, com cada um dos inte- ressados agindo descoordenadamente? Os erros co- metidos na descrigio dos limits das tr~s reserves criadas pelo Ibama, que exigiram a publicagio de correqdes no Dillrio Oficial da Uniio, confirmariam essa suspeita. Apesar desses deslizes, insepardveis da tecnoburocracia brasileira, no entanto, o que pa- rece estar havendo 6 uma combinagio de esforgos para favorecer a Vale do Rio Doce: atrav~s de vd- rias iniciativas e distintos procedimentos, busca-se impedir a ameaga de penetragio nas dreas que inte- ressam i empresa estatal, a maior vendedora de mi- n~rio de ferro do planets. Essas greas tem concentragio de cobre, ouro, prata e molibdenio, que provocam a cobiga externa. A muito custo a Vale tem conseguido center as in- vestidas dos garimpeiros, que constantemente ron- dam as dreas do Salobo e do Pojuca. Mas sco poder de polfcia nio apenas 6 informal, como extra-legal (para nio dizer illegal) sobre essas dreas. A nordes- te, sua preocupagio 6 com a seguranga em torno da barragem que construing para armazenar os rejeitos da mineragio. A Vale poderia simplesmente requerer ao Se- nado a ampliagIo da drea de concessdo, mas deve saber que enfrentard muitas resistencias e se sub- meterd a um grande desgaste. Nos gabinetes dos parlamentares e nos corredores e anexos dos "lob- bies" hi munigio diferenciada contra uma tal medi- da. A esquerds, a ideia de espandir um latifdadio seria contraposta por usar essas terras no assenta- mento de lavradores. A direita, os espectros varia- riam do grupo de pressio dos garimpeiros (conceito incapaz, hoje, de expressar a multiplicidade de inte- resses que se esconde atrds dele) ao das empresas particulares de mineragIo. Tendo diante de si um quadro semelhante, a Vale deve ter preferido seguir por atalhos. 0 desvio ecol6gico A proposta das duas glebas pelo Ex~rcito (Cinzento e Aquiri) pode ter sido o primeiro desvio, mas n~io parece ter sido satisfatbrio. A destinaCio military poderia criar uma barreira protetora na pr6- pria denomina~go, mas seria um fator limitante quanto no uso. Em maio, a tentative foi pelo cami- nho ecolbgico. Atrav~s de tr~s decretos, o Ibama criou, so norte da primeira jazida de min~rio de fer- ro que estd sendo lavrada (conhecida como N4), a Caraja's: jogo exclui a verdade PArea de Protegio do Igarap6 Gelado (com 21.600 hectares), a Floresta Nacional do Tapirap6-Aquiri (190 mil hectares) e a Reserva Biolbgica do Tapira- pC (103 mil hectares). A iniciativa de cobrir o limited norte de Caraj~s com tras areas ecolbgicas somando mais de 314 hectares seria recebida com os aplausos que, neste memento de preocupagio com o meio ambiente, faltariam para a ampliaCAo, em quase 80%, dos do- minios territories da CVRD. Mas a simpatia inicial pode fencecr no future, se a prdtica nio correspon- der As declarag~es de intengdes, on se submetida a uma andlise mais rigorosa, capaz de demonstrar que ecologia foi apenas cortina de fumaga para a con- sumagio de uma posse fundidria. Embora as tras dreas estejam tooricamente ju- risdicionadas so Ibama, quem efetivamente vai atuar nelas sera a CVRD. Na minute de convenio que apresentaram, renovando um que havia sido as- sinado com a Secretaria Especial do Meio Ambiente (jA extinta), em 1988, o institute e a empress dect- dem atuar juntos para identificar eventuals ocupan- tes da reserve, fazer a vigil~ncia das areas, demar- ca-las e nelas implanter programs de manejo, que serao definidos em Planos Operacionais. O conv6- mio vigorara por cinco anos* Ningubm pecaria por imaginagio supondo que a inspiragio dos decretos tenha sido da CVRD e que o Ibama apenas referendou-os. Dois cientistas do Museu Paraense Emflio Goeldi que atuam em Caraj~s, Klaus Hilbert e Manoela Silva, criticaram a Vale por criar reserves ecol6gicas que nio se- guem as propostas dos pesquisadores, sugerindo que os interesses de domfaio territorial conforme o sentido da mineraCIo se sobrep6em ao interesse da ciencia. Essa observagio gen~rica aplica-se Bs tr~s dreas. Dentro da Floresta Nacional do Tapirap6 a Vale tem os projetos do Salobo e do Pojuca, para a exploragHo do cobre (tendo o ouro, a prata e o mo- libdenio como subprodutos), inclusive com estradas de acesso abertas e em uso. O decreto que crion a floresta diz que "as atividades de pesquisa e lavra mineral autorizadas jB em cursor na grea, nio sofre- rio soluglo de continuidade". Admite, generica- mente, o "manejo dos recursos nacionais", o que pressup~e uma novidade: pela primeira vez a lavra mineral em uma floresta national, atd agora reser- vada a projetos selecionados de explorag~o da mata. Estrategicamente, a floresta do Tapirap6 foi decla- rada de interesse social, tanto para retirar invaso- res, como para facilitar os possfveis "manejos . Jb o plano de manejo para a Reserva Biolbgica do Tapirap6, a ser elaborado a quatro mios, deverd estar em execugio no prazo de dois anos. Tendo declarado a area de utilidade pdblica, o Ibama pre- cisara ter cuidado nesse tipo de manejo para nio expor-se a questionamento judicial sobre o desvir- tuamento na destinagio da Area. O decreto que criou a Area de Prote~go Am- biental do Igarap6 Gelado diz que seu objetivo 6 impedir ou evitar "o exerefcio de atividades causa- doras de sensfvel degradagio da qualidade ambien- tal, em especial as atividades garimpeiras e de ex- tragio vegetal". Nio por acaso, ali j6 existe uma barragem de contenglo de rejoitos da mineraSgo de ferro e nela surgird outra barragem, jB projetada. Longe da clareza A cortina de fumaga formada em torno de Ca- rajds 6 tenue o suficiente para nio esconder por muito tempo o que estd atrds dela. A Vale do Rio Doce poderia dispor-se a enfrontar positivamente a questlo de precisar deter 730 mil hectares de uma das dreas de suprimento de mat~rias-primas indus- triais mais estrat~gicas do mundo. Poderia argu- mentar que 6 muito menos predadora do que scus anllrquicos vizinhos e que sua atividade, sendo pla- nejada, 6 passfvel de control pela sociedade, que pode embora ainda nio o tenha conseguido vi- sualizar scu princfpio, meio e fim. Poderia a CVRD tambem demonstrar que se as reserves de cobre d~o forem resguardadas, a inves- tida dos garimpeiros sacrificard o bem mais nobre na busca invidvel pelo ouro. HAi, naquela drea, um potential equivalent a 20 vezes a produglo de Ser- ra Pelada, mas o ouro, agregado finamente ao metal dominant, o cobre, que ocupa 1% de cada tonelada de rocha, s6 pode ser recuperado na metalurgia. A garimpagem, nessas condigdes, seria uma insense- tez, um crime de lesa-p~tria. Certamente 6 diffcil convencer os garimpeiros com esses arguments, mas nio 6 improvdvel ter um auditbrio receptive entire pessoas nio envolvidas di- retamente na questio. Ao procurer subterfd-gios, a Vale alimenta a suspeigio dos primeiros e afasta de si os segundos, confiando, talvez, na forga dos fa- tos consumados, uma concept Ao que parece estar por trds da decision do Ibama de criar, de surpresa, reserves ecol6gicas sem ouvir, nem avisar nin- gubm, B maneira dos velhos tempos. O tempo future dird se a CVRD avalion corre- tamente todas as varidveis envolvidas e tomou a de- cisio certa, que, em qualquer situagio, seria mesmo temerdria. Mas hB fortes razbes para que possoas de discernimento, tendo so alcance da mente um qua- dro de refer~ncias amplo, questioned o modo de agir da CVRD. Em primeiro lugar, ela dd sun con- tribuigio para desgastar a jd combalida imagem do governor no trato das quest6es ecolbgicas, um biom- bo para fazer passer interesses outros e freqiien- temente escusos. A ecologia, locasc de uma luta po- Iftica, vira pano de fundo de outras conveniencias. Depois de ver desmoronar o modelo de "en- clave" puro, de cuja idealizagio a guarita de segu- ranga no p6 da serra e a cidade planejada de Pa- rauspebas slo shmbolos infelizes, a Vale parece re- tornar g titica de guerra de gabinetes para enfrentar seus perigosos inimigos, que muitas vezes podem combater g sombra do anonimato, on sob apar~ncias falsas (como a preocupagio social com lavradores sem terra e garimpeiros sem aluvibes). Evidentemente, a sociedade local nio se pode deixar seduzir pelos acordes bfblicos de algumas cornetas trombeteadas por politicos que dizem com- bater a "gata" (como o major Curi6 fez a CVRD ser conhecida em Serra Pelada) em nome dos deser- dados da terra. Nio 6 tio raro que garimpeiros e la- yradores sirvam de arfete para outros grupos que os impulsionam para atingir objetivos pr6prios e nio diferenciados, nem mais elevados do que os dessa estatal-mbr da mineragIo. No caso das dreas do Salobo e do Pojuca, impedir a invasio das jazidas de cobre pelos garimpeiros 6 fundamental para ter a produgio de cobre, de alto interesse national* Mas definir a produglo de cobre exige tambem que se diga logo onde sera instalada a metalurgia para que nio demos de present, so Estado que a recober, todo o ouro, a prata c o molibd~nio asso- ciados. Tamb~m 6 precise forgar a instalagio dessa nova metalurgia e no ParB para nio nos expor- mos a mais um control cartelizado. Explicando satisfatoriamente esses pontos e prestando contas no cidadios do territbrio que abri- ga essas riquezas, a Vale nio precisaria recorrer a sofismas para garantir dominios vitals g sua ativi- dade. Mas "abrir o jogo" envolve outras tantas va- ri~veis, capazes de levar a um amplo rearranjo, que a empresa parece achar mais estrat6gico entrar no jogo dos adverstrios, para prejufzo da sociedade, espectadora de uma competition de cbdigos al~m de sua possibilidade atual de compreensio e de parti- cipa~go. os funciondr-ios do Programa Funai-Eletronorte de terem induzido os fadios a expulsd-lo, montando a reunilo e manipulando informagdes. A vinculagio do antrop61ogo a um cartel do estanho foi tirada de uma das reportagens que o journal "O Estado de S. Paulo" publicou em 1987, acusando o Cimi (Con- selho Indigenista Mission~lrio) de servir a manobras internacionais contra os interesses do Brasil. O pr6prio Cimi conteston as reportagens, que se ba- searam em material antigo e ji questionado que o empresdirio Octivio Lacombe, donor da Paranapa- nema, a maior produtora de estanho do pafs, repas- sou so journal, em outras situagdes um ardoroso de- fensor do capital estrangeiro. A associnglo de Baines foi reforgada pelos 10 meses em que ele trabalhou, a meio expediente, na biblioteca do Cimi em Brastlia, entire 1987 c o ano passado. E tamb~m porque sua assistente de pesqui- sa havia trabalhado, na condigio de jornalista, junto ao padre Egydio Schwade, um missiondrio de posigao crftica em relagio aos projetos econbmicos e g hidrel6trica de Balbina, implantada em territbrio Waimiri-Atroari. Egydio tamb~m foi expulso da brea, em dezembro de 1986. Baines contest as alegagdes, referindo-se no seu pr6prio trabalho, que critical a penetragIo das empresas na reserve. Garante que seus contatos com os fndios, antes da reuni~o convocada para exami- nar sua pesquisa, eram amistosos. Admite a relagio com o Cimi, mas afirma que nio tinha vfnculo com o conselho durante o perfodo de suas pesquisas et- nolbgicas, nem agora. Relagio de dependincia O antropdlogo invested contra o program Fu- nailEletronorte, dizendo que ele "pode remendar algumas das conseqiiencias destrutivas da atuagio das empresas ao invadir a drea indfgena, como por exemplo na brea de sadde, por~m ele nlo deixa de perpetuar as relag~es de dominagio/sujeigi~o entire os funciontrios que representam o poder da socie- dade national e os Waimiri-Atroari". Acrescentoo que a aplicagio de muitos recur- sos em infra-estrutura e projetos econamicos e edu- cacionais "pode levar so estabelecimento de esp6- Indios: uma nova postura jB foi obtida com balas ou atrav~s do agres- s~es mais sutis, como as epidemias de doen- gas para as quais nio tinham resistencias, como a gripe, o sarampo e diarr~ia. Mas agora os Indios est~o sendo atraldos para a sociedade nacio. nal de uma nova maneira: atrav~s do dinheiro. O dinheiro 6 apresentado como passaporte de acesso As vantagens e comodidades existentes nas cidades. O prego a pagar 6 a rendncia a identidade 6tnica ou a permissio para a exploragHo das riquezas locali- zadas nos territ6rios indfgenas. Este seria o pano de fundo capaz de explicar a decision dos Waimiri-Atroari de expulsar de sua Brea (2,4 milhdes de hectares entire o norte do Estado do Amazonas e o sul de Roraima) o antrop61ogo inglbs Stephen Baines, na 6poca vinculado so Museu Emf- lio Goeldi e hoje g Universidade de Brastlia. Baines havia permanecido durante 17 meses entire os (n- dios, em etapas alternadas, no perfodo de margo de 1981 a margo de 1988, quando elaborou a tese de doutoramento sobre os Waimiri-Atroari. Em junho deste ano, com uma autorizagio for- necida pela Funai, ele retornou B drea, mas antes que pudesse reiniciar seu trabalho, os integrantes do Program Waimiri-Atroari (fruto de um convento entire a Funai e a Eletronorte para durar 25 anos, utilizando recursos do Banco Mundial) exigiram que se submetesse a uma avalia~go dos pr6prios (n- dios. Reunidos na base principal da reserve, que fica As margens da rodovia Manaus-Boa Vista, 40 Ifde- res vetaram a volta de Baines. Argumentaram que a pesquisa anterior por ele feita nio tivera nenhuma utilidade para o grupo, que Baines demorara multo a voltar B drea, que d~o enviara sua tese e o que demorou a ser dito, mas acabou revelado: Baines, como outros pesquisadores estrangeiros, estaria sendo utilizado pelo "cartel do estanho" no sentido de retarder o desenvolvimento da produgIo de esta- nho brasileiro e, assim, impedir os Waimiri-Atroari de ter acesso aos resultados dessa atividade. Na Area existem grandes dep6sitos de cassiterita, o mi- n~rio do estanho. Baines saiu, mas produziu um relat6rio en- dossado por seus colegas do "Goeldi" acusando autorizou a Mineragio Taboca (tambbm da Parana- panema) a construir uma estrada privada dentro do territ6rio indfgena. Em 1986 a Taboca recebeu au- torizagIo para construir uma hidrel~trica particular na bIrea desmembrada da reserve, cujas barragens de terra se romperam no ano seguinte. Em 1986 os (n- dios assinaram um termo de compromisso com a Ta- boca, que financing a construgiio de casas de alver- naria para dois "capities" e projetos pecud~rio e agrfcola, que "partem de um modolo de ocupagio da Amazania ecologicamente predatbrio", al6m de contrariarem os costumes tribais: "Os Waimiri- Atroari, cagadores e agricultores da florests tropi- cal, nio tbm o costume de criar animals para abati- mento", observa Baines. Mas a populagio cresceu quase 30% entire 1982 e 1989, um (ndice excepcionalmente alto para os padres dessas sociedades. Como, nesse contex- to, as criticas de antrop61ogos como Baines podem ter ressonincia? E uma competigio desigual e, nessa dispute entire Davi e Golias, os crfticos nio contam com judas extra-terrestres. Nem mais com a benevolencia ou a passividade dos (ndios para com os olfmpicos antrop61ogos de outrora. O sonho da paz academic acabou. cies de 'fazendas-modolo' on 'coldnias agrfcolas' em que os indfgenas, com um grande contingent de funciondrios (atualmente 52, conforme o coordena- dor), alcangam boas condig6es de sadde e um pa- drio materialmente pr6spero. Por~m, sempre subor- dinados aos interesses das empresas que financial on gerenciam o financiamento dos programss. Assim, Baines prev6 que, dentro de poucos anos, embora o territbrio indfgena esteja demarca- do, os Waimiri-Atroari estario "totalmente subordi- nados por programs que representam o poder eco- n6mico de grandes empresas, encurralados em greas muito reduzidas e sujeitos a um estilo de vida ab- solutamente alheio h sua vida traditional". Impo - tos atrav~s de "discursos de auto-determinagrio ', esses programs visariam, na verdade, tenderr aos interesses econdmicos das grandes empresas". Albm de serem remanejados da grea inundada pelo reservat6rio da hidrelbtrica de Balbina, os Waimiri-Atroari tiveram de aceitar que a empresa Timb6 Inddstria de Mineragfio (subsidibria da Para- napanema) se apossasse de parte da reserve, "ap6s uma manipulagio cartogrifica" convalidada por de- creto presidential de 1981. No ano seguinte a Funai Mesmo devendo gerar neste ano receita de quase um bilhio de ddlares, os dois maiores empre- endimentos m~inero-metald~rgicos da Amaz~nia a mineragio de ferro de Carajds e a metalurgia de alumfnio da Albras continuario operando no "vermelho", com prejufzo. Quatro ou cinco anos depois de terem iniciado suas atividades comerciais, os dois projetos sfo obrigados a suportar custos fi- nanceiros extremamente pesados. As principals par- celas dos empr~stimos externos para sun implanta- glo vencerio no perfodo que vai at6 a primeira me- tade da prbxima d~cada. Maior geradora individual de receita de toda a Amazbnia, a mineraqio de ferro da Serra dos Cara. jas, no ParB, render neste exerdicio so redor de 600 milhbes de d61ares, quatro vezes mais do que devera arrecadar de impostos o pr6prio Estado. Mas a Companhia Vale do Rio Doce devera gastar US$ 560 milhges com o servigo da dfyida do projeto Ca- rajgs. Isto significa que a empresa estatal devert retirar de outras atividades rentiveis os recursos necessdrios para cobrir o enorme deficitt" de Ca- raj ds* At6 1992, quando terminal o perfodo crftico das amortizagdes, nio menos de US$ 1,7 bilhio sairio dos cofres da CVRD para os bolsos dos agents fi- nanciadores do projeto. Na 6poca em que foram contratados, os financiamentos internacionais para Caraj~s somavam US$ 1,1 bilhio, mas se multipli- caram em funglo das taxas flutuantes de juros. Ca- da dblar emprestado valer6 tr~s no memento da amortizag~o final valorizagio para quem recebe e nio para quem pagan, evidentemente. A valorizagao seda muito superior a inflagio do perfodo, acrescido dos juros normals. A Albr~s, mesmo com receits esperada em tor- no de US$ 400 milhges, tamb~m permaneceda no "vermelho". S6 a variagIo cambial do emprdstimo japones abocanhou US$ 157 milh~es em 1987, 20% do valor global do que a empress recebeu do con- s6rcio japones para instalar sua primeira fase do produgHo, de 180 mil toneladas de alumfaio. A pa- ridade da moeda japonesa, o yen, em relagio no d61ar fez o custo financeiro atingir a estratosfera e obrigou os prbprios financiadores a admitirem uma recomposi~go da dfyida. Do contrd~rio, a Albris quebraria e isso jB nio interessaria aos parceiros da CVRD. Para se ter uma id~ia da importincia da Albrlls para a estrat6gia de suprimento do aluminio no Jap~o basta lembrar que essa fllbrica, situada a 20 mil quil6metros do territ6rio japones, supre qua- se 20% das necessidades de alumfnio daquele pals. Apenas esses ndmeros bastam para mostrar que, al~m de ser obrigada a manter relagbes comer- cisis desfavor~veis no mercado international, for- necendo insumos e mat~rias-primas que s~o devol- vidas pelos compradores na formal de produtos mais elaborados (e, por isso, de maior valor), a Amaz6- nia transformou-se numa maravilhosa fonte de ga- nhos financeiros, aquele tipo de capital que menos aparece nos olhos e mais d6i no bolso de quem pre- cisa remuner8-lo e segundo as condigdes impostas por quem o emprestou. LUm JOrnal do leitor Circulando apenas entire assinantes, o JORNAL PESSOAL depend inica e exclusivamente deles, ji que niio tem publicidade. Por isso, 6 important que os assinantes mantenham-se atentos em relagio ao journal. Para renovar assinaturas vencidas ou pedir informag6es sobre novas assinaturas, basta ligar pa- ra 224-3728 ou procurar a sede do JP, A Rua Aristi- des Lobo, 871. Amazonia, paraiso do lucro financeiro Os verdadeiros alvos estavam nas retaguardas do candidate, efamera referencia de uma guerra ainda em prepara~go. Foi pensando nela que o go- verno inspirou um dispositivo da nova Constituigio estadual que possibilitar8 em temerllria hip6tese de colisio com o "espfrito" da Constituigio federal - no president da Assembl~ia Legislativa assumir definitivamente o governor do Estado no dltimo ano de mandate, sem precisar convocar (60 dias depois) elei~go indireta para a escolha do ocupante do car- go nesse prazo final, caso o governador e seu vice renunciem para disputarem a eleigio de 1990. O president do Legislativo 6 o deputado Mgrio Chermont, do esquema Gueiros (ou assim deve-se considerar). Agora s6 falta uma composigio com o vice, Hermfaio Calvinho (do esquema Jader Barba- lho), para Guciros comegar a pensar seriamente na possibilidade de candidatar-se so Senado, deixando algu6m de conflanga em sco lugar, de preferencia sem a ameaga de retorno de Jader so cargo. Mas o ministry jB est8 estocando material para sua campanha no prbximo ano. Os cartazes, que vieram de Brastlia para Bel6m, nio fazem refer~n- cia a partido, nem dizem explicitamente qual 6 o cargo, mas proclamam a candidatura de Jader Bar- balho, pronta para chegar As runs novamente, com - ou sem H61io Gueiros. O memento certo para essa definislo, no entanto, ainda nio amadureceu e ainda hB muito sapo previsto nos pr6ximos cardd- pios. J 8pOn 8S 6S Alunorte recomega At6 o final deste mes o consbrcio japones NAAC definird seu retorno a Alunorte, a fabrica de alumina que esta sendo implantada em Barcarena, no Para. Ela deveria ter comegado a produzir em 1984, simultaneamente no inkcio das operagbes da Albr~s, para a qual devera fornecer o insumo basico na transformagio do metal. No entanto, as protela- goes e, em seguida, o afastamento dos japoneses, sbcios da Companhia Vale do Rio Doce no empre- endimento, em 1986, provocaram uma defasagem de oito anos no cronograma original. Segundo os cBl- colos, a Alunorte devert entrar em funcionamento em 1992. O reinfcio das obras de implantagio da fabrica est8 provisto para o primeiro trimestre do pr6ximo ano. A CVRD acredita que os japoneses s6 nio confirmaram formalmente sus volta so projeto por- que nIo decidiram ainda o percentual de participa- gio que terto no capital da Alunorte. Essa partici- pagio sera menor do que os 41% anteriores, mas ainda sort a segunda maior, depois da prbpria CVRD. As outras cots serfo divididas entire novos s6cios: a Mineragio Rio do Norte, a Alcan, o grupo CBA e a Shell, atravbs de sua subsididria, a Billi- ton. Para eles se interessarem pela Alunorte, sort precise ampliar a capacidade de produgio da fibri- ca. Com as 800 mil toneladas inicisis, a Alunorte so tornaria uma usina cativa da Albrdls, que consumird 640 mil toneladas de alumina quando estiver a ple- Sapos no caminho de Jader e Hello Por monos os coron6is Jarbas Passarinho e Alacid Nunes romperam relagbes polfticas e pes. sonis. Mas o governador H61io Gueiros e o ministry Jader Barbalho d~o dever~o chegar a tais extremes, mesmo j6 tendo trocado entire si farpas ainda mais pesadas do que as usadas por scus antecessores no dominio de poliltica paraense. Continuario manten- do as apar~ncias, so menos enquanto nenhum deles so sentir suficientemente forte para prescindir do outro. At6 esse memento, deixario sempre aberta uma port para a recomposigIo de dZltima hora vi- sando a cleigSio estadual de 1990. Em posigio mais incbmoda, o ministry da Pre- videncia Social tem confirmado suas virtudes de engolidor de sapos. Absorve ataques, crfticas e iro- nias com a impassividade aparente de um oriental. Recomendou sos correligiontrios ndo revidarem as "provocag6es" porque nio poderiam enfrentar uma guerra aberta contra o governor. Mas adota uma po. sigio de combat que, nos palanques, Jader compa. ra g sllbia maneira de comer o mingau quente pelas bordas mais frias do prato. Enquanto H61io Guciros desfere estocadas contra a administrator de Jader e scu control mo- nopolista do PMDB, o ministry chama a Brastia prefeitos e lideres politicos do interior para ratear entire eles verbas da Provid~ncia Social que fario brotar hospitais e postos de atendimento em locals eleitoralmente estrategicos, a maneira de prevenir- so do v~cuo de poder que se seguir8 so fim do go- verno Sarney. Jader sentiu muito bem a gravidade desse deslocamento quando deixou o governor do Estado e ficou esperando pelo convite para o mi- nisterio. Nesse perfodo, diminufa a freqtiincia ao escritbrio que montou no journal "Didrio do ParB". A posig~o de Jader Barbalho na sucess~io pre- sidencial 6 "murista", do apoio difuso, como con- v~m a quem est8 fora dos eixos principals. Mas de- cidia organizer uma demonstraglo de forga para a visit a Bel6m do deputado Ulysses Guimarles. Ja- der autorizou todas as desposas que fossem necesst- rias para trazer do interior para a capital de carro, barco on at6 de avilo o m~ximo possfvel de gente para receber gloriosamente o candidate do PMDB. Nio que o ministry tenha passado a acreditar em Ulysses, mas para tenter desmoralizar o governador H61io Gueiros, que n~o se cans de apontar o esfa- celamento local do PMDB e sua abalia em relagio h dispute presidential. Informado sobre a preparagio da "mise-en- schne", o governador reagia com um telegram praticamente de rompimento com a candidatura de Ulysses, embora ressalvando nela votar, como sim- ples cidadio. A dendncia de Gueiros desfez o circo g dltima hora, mas, se nada prejudicou, tambbm nio significou ajuda alguma para Ulysses, que conti- nuou so largo de um dos poucos Estados onde o PMDB ainda exerce algum control polftico de maior expresso. Ulysses entron no episbdio, ali~s, como Pilatos no credo. V O t am, o didepregos nio permitiu tenter ve- rificar q6 ai enquadrar-se na situagio mais favor derii~~~e as exigencias. 'Fuda oNatura, sediada em Quito, no Equa e f% ndoum Centro de Documenta- glo d az~qie Floresta Ijmida Tropical e pu- blicardlt~ co pfigio com o Museu Emflio Goeldi e a Editorial ya 'Iala, o livro Alternativas so Des- matamento. f o que anuncia o primeiro ndmero do boletim "Amaz~nia", que comegou a circular no mes passado. O departamento que funciona dentro da Fundagio 6 o responsdvel pela publicag~io do boletim. "Grande Caraj~s Planejamento da Destrui- glo" 6 o tftulo do dltimo livro de Orlando Valver- de, pioneiro da geografia modern no Brasil e autor de um cl~ssico estudo sobre a colonizagio na rodo- via Bel~m-Brastia. O langamento 6 da Universida- de de Slo Paulo, Forense Universitllria e Editora da Universidade de Brasflia. Dois meses atrlls o Banco Nacional de De- senvolvimento Econ~mico e Social criou uma ge- r~ncia de ecologia em sua estrutura administrative. A primeira provid~ncia da gerancia foi realizer um ciclo de palestras sobre a Amazbnia, no Rio de Ja- neiro, para reciclar scu pessoal. Aposar do nome, os principals investimentos socials do BNDES sempre foram feitos por tabela, atrav~s dos empresdrios. O banco poders ter, agora, um novo tipo de experi~n- cia. Daf a id~ia do ciclo de palestras, que inclain gente da Amazenia mesmo e nlo apenas int~rpretes "alienfgenas . "Crisis", de inspiragio portenha, comegou a circular neste mes nas bancas e livrarias do pafs. E uma das raras iniciativas de imprensa alternative nos dltimos anos no Brasil, que prossegue o cami- nho interrompido por "Versus". O autor 6 o mes- mo, o jornalista Marcos Faerman, que trabalha no "Jornal da Tarde de Slo Paulo. Na linha do jor- nalismo cultural terceiromundista, a maneira de Eduardo Galeano. Quantos garimpeiros jB morreram soterrados em Serra Pelada? E prov~vel que jamais so consiga chegar a um ndmero verdadeiro e nem mesmo as oito mortes ocorridas nest semana estimulario in- vestigag~5es mais acursdas. Serra Pelada, que jB mobilizou tanta gente, hoje 6 um reduto completa- mente entregue a especulagio, no menos at6 que os japoneses arrematem os entendimentos com a Coo- perativa para explorer os rejeitos. Al comegard am novo tipo de especulagio, certamente nio menor. na carga, com a fase II. Nesse caso, os maiores fa- vorecidos seriam os japoneses. Com a ampliagio para 1,l milhio de toneladas, pedida pelos novos sbcios, a Alunorte tera 460 mil toneladas para co- mercializar junto a outros consumidores, volume que the daria margem de autonomia maior. Do con- trario, sua polftica de pregos estara fortemente li- mitada pelo poder de barganha da Albras* Na Alunorte foram gastos at6 agora 250 mi. lh~es de d61ares. Atd estair concluida, exigird mais 620 milh~es de d61ares. O BNDES financiard US$ 210 milhees, o Fundo Nakasone (do Japio) entrart com US$ 180 milhges e os sbcios aplicario US$ 230 milhdes. Fontes da Vale do Rio Doce assegu- ram que depois da integrag~o do p61o de alumfnio de Barcarena, com a Alunorte suprindo a Albr~s e pondo fimn a importagio de alumina, o pass se- guinte sera a verticalizagio do process produtivo. A Amaz~nia deixaria de ser uma mera exportadora de lingotes e passaria a fabricar produtos mais n - bres, que nio signifiquem, apenas poupanga de energia para quem compra. E mais uma promesa. Po nto final Dez milhdes de hectares de pastagens foram formados na Amazbnia, segundo as estatfsticas ofi- ciais (certamente conservadoras). Metade dessa drea esta degradada, exigindo altos investimentos para ser recuperada. Ao fazer refer~ncia a esses ndmeros durante a palestra que fez na semana passada para integrantes do grapo "Parters of America" (Com- panheiros da Am~rica), o pesquisador Adilson Ser- rio reconheceu que apenas 25% do universe total produziriam tanto quanto 10 milhbes de hectares, bastando que fossem adotadas tecnologias mais de. senvolvidas. A correg~io das distorg~es n~o anula o custo da destruigio jB praticada e a constatagio de que, nu- ma avaliagao menos apressada e distorcida, jamais se deveria permitir a derrubada da floresta para a formaqio de pastagens. Se o leite esta derramado e Ines 6 morta, ha ainda duas questdes a enfrentar. Uma 6 pratica: onde e como fazer a recuperagIo de pastes degradados; final, recuperar 6 muito mais carol do que former. A outra 6 mais filosbfica, em- bora tambem exija eficiencia para resultar em reali- dade: nio permitir mais a expansion da pecu~ria na Amaz~nia. A era da pata do boi terminou. Mas nom deveria ter comegado. NOtaS A Secretaria da Fazenda do Estado realizou uma tomada de pregos pouco ortodoxa para adquirir um barco a motor que serd usado na fiscalizagio de mercadorias em tr~nsito. A Secretaria exigiu a en- trega da embarcagQo no prazo de 10 dias a partir da data do recebimento da nota de empenho pelo for- necedor. Se a press da Secretaria em dispor do barco a fizer emitir a nota, isto significara que ape- nas quem dispusesse de uma embarcagio part pronta entrega poderia se habilitar. Como as carac- terfsticas tbcnicas do barco d~o foram apresentadas, JOFITRI PeSSOal Editor responsa~vel : Lucio Flavio Pinto Enderego (provis6rio) rua Aristides Lobo, 871 Belem, Pad, 66.000 Fone : 224.3728 Diagramaglo a IlustraC~o : Luiz Pinto Opgo Jornallstic |
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