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cio Flvio P essoal Lucio Flavio Pinto Ano II NO 42 Circula apenas entire assinantes 1! Quinzena de Junho de 1989 ELITES Certidao de falencia A Federac&o brasileira esta falida. A atual estrutura juridica do pais e incapaz de evitar a concentragdo de poder. Mas as elites tambem nao conseguem canalizar a insatisfac&o das regi6es submetidas a esse dominion. E m plena agonia da principal empresa de nave- gagio da Amaz6nia, o critdrio adotado para a formagio de sua diretoria era exclusivamente politico: o ex- prefeito de Santar6m, Ronaldo Campos, cuja competencia tem alguma coisa a ver com articulag6es political e quase nada com agio administrative, foi indicado para a estrat6gica di- retoria de navegagio da empresa pelo ministry Jader Barbalho. Os outros cargos foram retralhados entire clients das aliangas political locais, conforme os interesses dos lideres, mas cor praticamente ne- nhuma vinculaglo as necessidades da populacio. Enquanto a regiao se mobilizava para salvar a Ena- sa, os que tnm acesso pessoal e direto aos canais de poder tomavam decis6es que agravavam a situagio da empresa, embora dizendo-se participants da campanha de salvagio. As elites locals t6m se mostrado incapazes de acompanhar a hist6ria recent da Amaz6nia. Quan- do critical ou lamentam os problems surgidos no curso do mais dramitico period vivido pela regiio, nio conseguem apresentar um caminho alternative, diferente, melhor. Vencidas pela hist6ria, recorrem a um passadismo morto ou a uma ret6rica de oca- silo, obtusamente regionalista, investindo sobre as conseqiiUncias desses problems e nao contra suas causes. Ao desafio do future, querem a regressio no tempo, atd o moment em que eram elites de- tentoras de poder e nio apenas intermediarias, abri- doras de portas, gerentes de massa falida. Impossibilitadas de embarcar num trem, cuja velocidade untrapassa sua capacidade de atracagio, e de vislumbrar o destino da viagem, essas elites esforgam-se por tentar convencer a opiniio piblica de que antes as coisas eram melhores, queixam-se de nio serem consultadas, lamentam que suas quali- dades sejam deixadas de lado. Sempre que foram chamadas a participar, no entanto, deram contribui- gio negative. Independentemente de saber se foram melhores ou piores do que o que esta af, rest a constatacao de que abandonaram a pretensio (que s6 sustentaram enquanto foram elites dominantes) de defender um projeto identificado cor a Amaz6- nia para encontrar um lugar, por mais secundario que seja, na ocupaqio feita de fora para dentro da regiao. Nio 6 apenas na Enasa que essas elites de- monstram seu div6rcio das aspirag6es regionais, de um projeto realmente comprometido cor a identida- de amaz6nica, senio como produto acabado, ao me- nos como busca, meta. Simultaneamente, abre-se a possibilidade de recompor a diretoria do Banco da Amaz6nia e o crit6rio usado 6 novamente o das conveniencias political. O Basa ter oscilado entire o corretivo tecnocritico e o desvario politico: in- terventores sio baixados de Brasilia em seguida a administrag6es locais ruinosas. Foi assim quando o governor military mandou para Beldm o gaucho Jorge Babot de Miranda e, em seguida, o maranhense Francisco de Jesus Penha, incumbidos da mission de resgatar o banco do nau- frigico em que foi posto pela diretoria de Francisco Lamartine Nogueira, indicado por Jarbas Passari- nho. lider plenipotencitrio do Pari de entio. Nova recafda e nova internagio seguiram-se as gest6es de Oziel Carneiro e Ubaldo Corr6a, arrematadas no maior de todos os desastres da hist6ria do Basa - por Augusto Barreira Pereira. Quem e melhor para a region Desse ciclo seria enganoso deduzir que o criti- rio tecnocratico supera o criterio politico. mas fica bem claro que amaz6nidas nio sao nada melhores do que estrangeiros se nio defendem uma political diferente da que estes sio obrigados a cumprir por forga de sua vinculagio a Brasilia Nio basta ter nascido na regiio para identificar-se com ela, co- nhec6-la. A constatagio 6 acaciana, mas nao apare- ce nos discursos das elites locals quando elas rei- vindicam posig6es na hierarquia do poder e, ao ocupa-las, repetem os males que antes condenavam - ainda que em escala menor, proporcional A capa- cidade de sua mentalidade extrativista. Os que defended a modernizagio da Amaz6nia a qualquer prego, ou como etapa necessiria para superar o primeiro moment gragas ao dinamismo das contradig6es internal do pr6prio sistema criado, consideram perfeitamente natural que as elites lo- cais nAo sejam mais do que reprodug6es menores das elites nacionais estas, extens6es das elites dos paises centrais, em relagio aos quais funcionamos como sat6lites. Esses interpretadores nio aceitam que a dimensio regional seja mais do que o pano de fundo do process econ6mico, fator sempre deter- minante. Eles acreditam que a Amaz6nia 6 apenas a frente de expansion do capitalism. Rejeitam, coe- rentes com a matriz de suas id6ias, construida nas salas do colonial Museu Britinico, em Londres, no s6culo passado, a id6ia de que a regiao desfruta de um razoAvel grau de autonomia, tem uma expressive especificidade, nio se resume a ser um substrato ou residuo da question national, que, se resolvida, gera seus efeitos em cascata, automaticamente. Quem mora na Amaz6nia e acompanha a ex- pansio das atividades econ6micas na regiao ter seus motives para achar que sua condigio colonial e um trago muito mais definidor do que a fungio de fronteira do capitalism. Ela esta nas duas situa- g6es, mas quando se fala em ocupagio da Amaz6nia a associa~io de iddias esclarecedora deve ser feita em relagio a instalagio dos ingleses na India ou dos franceses na Indochina e nao exatamente em relacio a "corrida" ao oeste dos Estados Unidos. A dife- renga em relag~o aos dois primeiros casos 6 que, na Amaz6nia, a maioria, dos colonizadores fala a mesma lingua. Assim, uma abstracio dificulta a compreensio real sobre dois mundos distintos, um que comanda as decis6es e o outro que 6 forgado a submeter-se a elas. Nio hi uma interpenetragio en- tre esses dois mundos, um estatuto capaz de esta- belecer relagao mutuamente respeitosa. t uma colisao tao flagrante que faz crescer na regiao o sentiment de humilhacgo, alimentador de teses separatists. E cada vez mais restrita a ilusao na Federag~o, a crenga de que um Estado national seja perceptive e receptivel a uma regiao como a Amaz6nia. Fala-se cada vez mais em separar os corpos, procurar uma nova identidade juridica. Mas esse sentiment nio 6 exclusive da Amaz6nia: ele emerge no Rio Grande do Sul e tamb6m no Nor- deste, sem uma lideranga capaz de canalizi-lo. Ele cresce porque, apesar de today a ret6rica em sentido contrArio, a concentrag~o d a riqueza no Centro-Sul - e particularmente em Sio Paulo tem se mantido, agravando o desiquilibrio econ6mico no pais. Varias propostp: ja foram apresentadas, mas 6 de elementary bom senso reunir as insatisfac6es e procurar o trago de identidade entire elas. Os Esta- dos que sofrem mais diretamente as conseqiiuncias da hipertrofia concentradora de poder nio aceitam mais a moldura juridica que perpetual essas relates desiguais e injustas. A Federario esti falida. Bra- silia nao passa de uma miragem de extreme mau gosto, alias, se considerarmos as preocupag6es que a inspiraram na era JK. Ou o Estado brasileiro aceita a realidade deste pais continental, no qual destaca-se a Amaz6nia como regiao inteiramente distinta, ou vai gerenciar cor sua incompetencia caracteristica uma crise que explodird mais adiante, consumindo tamb6m as elites que hoje po- sam como condutoras de um process no qual nio sio mais do que figurantes pomposos. ENTREVISTA Retrato sem retoque o ministry da Previdencia Social concede & revista Veja da semana passada. Normalmente habilidoso e sagaz, Jader Barbalho 6 apanhado em situagio inc6moda pela revista, que abre a en- trevista cor uma contundente e at6 mesmo des- respeitosa pergunta: "O senhor 6 corrupto?. Uma alta autoridade pdblica que leu a entre- vista garantiu que se um jornalista Ihe fizesse tal pergunta dessa maneira, seca e logo no primeiro questionamento, "eu o expulsaria da sala". E justi- ficou a attitude: "Por mais que eu negasse, como se- ria normal, nao desfaria o impact de uma entre- vista principiando assim. Deixaria no leitor a im- pressio de algo que dispensa comprovacio, por ser pdblico e not6rio". Al6m de nao ter tal reaqio, o ministry deu uma resposta desconcertante. Naturalmente, negou ser corrupt. Mas acrescentou: "Seria uma temeridade fazer este tipo de avaliaqio de mim mesmo". De- pois lamentou que se faga political no Brasil "com- batendo os homes pdblico, e nio suas id6ias ou programss. Se Jader Barbalho consider "uma temerida- de" avaliar se Jader Barbalho 6 on nio corrupt, o que nio estarg autorizado a pensar o comum dos mortais, ainda mais porque exposto aos ataques e dendncias freqiientemente desferidos contra o ex- governador paraense? Acusi-lo pode ser uma teme- ridade, mas quanta verdade nio surge de uma atitu- de temerbria? O ministry ter o direito de lamentar que se d6 mais atengio & vida privada dos homes ptiblicos do que a suas id6ias. Mas a primeira nio havera de prejudicar a segunda se a conduta do home ptibli- co, independentemente de seus defeitos de persona- lidade (que o povo brasileiro tem uma propensio a perdoar bem maior do que o cidadAo norte-america- no, por exemplo), for voltada para o bem pdblico. Mas quando a vida particular prejudice a agio pi- blica 6 natural que a sociedade volte-se para o que a choca ou impression. E claro que, em tais situag6es, os homes pd- blicos estio expostos a caldnia, a injuria, a difama- gbo e B injustiqa. E um 6nus, que funciona como contrafagio ao usufruto do poder. Mas sempre eles tem condig6es de recuperar a identidade cor a ver- dade. Getdlio Vargas e Juscelino Kubitscheck, dois exemplos citadcs pelo ministry, foram vitimas de ataques exagerados: pessoalmente, redimiram-se, mas nio limparam as n6doas de corrupgao que mar- caram stores de seus governor. De qualquer manei- ra, o saldo favorivel de suas administra6ges foi di- minuindo a expressio de seus erros A media em que o tempo foi pesando na avalialgo dos homes, conferindo-lhes a dimensio de estadistas. Raros politicos brasileiros t6m direito a esse lenitivo. Ne- nhum pode ser enquadrado nessa dimensao entire os que agora circulam pela cena national. Por crit6rio de edigio (o que caracterizaria uma manipulagio) ou simplesmente porque foi as- sim mesmo na conveys a, Veja atordoa o ministry cor a pergunta inaugural e arremata a entrevista voltando & mesma question. O entrevistador lembra que o SNI "elaborou ur dossier sobre a sua vida pdblica (de Jader) e concluiu que o senhor era cor- rupto. Foi um 6rgio do governor quem acusou o mi- nistro". Resposta de Jader Barbalho: "Em primeiro lu- gar, um 6rgio do governor nio acusou um ministry. O drgio estava a servigo de um governor de arbftrio e fez anotag6es baseadas em recortes de jornais so- bre a vida de um adversdrio politico desse governor de arbitrio. As anotag6es do dossier Jader sio da 6poca em que Jader Barbalho era um home de oposigio. No governor Sarney, as anotac6es do SNI foram substitufdas por elogios". Se nio consegue funcionar como atestado de auto-absolvigio, a resposta do ex-governador serve para condenar o SNI do governor Sarney. Nao paira *divida alguma de que o Servioe Nacional de Infor- mag6es, sob os governor militares, serviu de ins- trumento politico e desviou-se tanto de suas fun- g6es originals que seu fundador, o falecido general Golbery do Couto e Silva, chamou-o de "monstro". Mas a information dada pelo ministry, de que em seu prontuario no "servigo" as anota6ges critics foram trocadas por elogios, mostra que o SNI 6 indtil. Afinal, o president da Repiiblica precisa de informag6es exclusivas e nio de juizos de valor. Elogios ficam bem em discursos (sobretudo os ofi- ciais), mas nio nos fichirios de uma ag6ncia de in- formag6es que quer orientar e nio conduzir a autoridade maxima da Repdblica, ou vice-versa (como se t6m queixado alguns servidores do SNI, desanimados cor a destinagio dada As informag6es que coletam). Assim, mudou a forma do governor, mas, na ess6ncia, o de antes (quando Jader era ca- luniado) e o de agora (em que Jader 6 elogiado, por ser correligionirio e nio mais opositor) se equiva- lem. 0 pais visto pelo powder Nio 6 s6 ao SNI. entretanto, que Jader Barba- lho confere o certificado de inutilidade. Ele deixa muito mal o Executivo, comandado por seu amigo Jos6 Sarney (de quem tornou-se soldado na defesa do mandate de cinco anos) ao revelar que a dfvida da Unibo junto A Previd6ncia Social atinge 23 bi- lh6es de d6lares, um quinto da monstruosa divida externa brasileira. A divida nio 6 da responsabili- dade da atual administraaqo, mas Sarney tambr m ter dado sua contribuiqio para aumentd-la. Sem meias palavras, Jader diz que seu colega, o ministry do Planejamento, Jobo Batista Abreu, desvia dinheiro da Previd6ncia Social para custear outras despesas do governor, mas justifica: "O grande problema do ministry do Planejamento 6 que ele tern varios deficits para administrar". Diante de tal raciocfnio, nio espanta que o go- verno se lance sobre os bolsos do contribuinte mal se v6 em dificuldades de caixa e, para facilitar o assalto, violent a rec6m-nascida Constituigio com seguidas medidas provis6rias, que dio I tal transi- Aio que Sarney diz ser seu aval a dimensio de um verdadeiro estado de insolv6ncia. Insolvente estA o povo. Insolvente estA o Esta- do. Mas a insolv6ncia dos homes do governor 6 peas moral: eles parecem ter perdido sensibili- dade para perceber a realidade, ingressando naquele estado de catatonia auto-reflexiva que estimula os moments de ruptura dos governados. Colocado diante d a situagio calamitosa dos servings de sadde no pats, o ministry da Previd6ncia Social encontra uma said bem i maneira desse mandarinato que comanda o Brasil: se tivesse problems de coragio, hoje uma epidemia urbana, admite que procuraria um hospital no exterior (cita o mais famoso e caro - centro de tratamento cardiol6gico, o de Cleve- land, nos Estados Unidos). Acredita o ministry mi- nimizar o impact dessa confissio acrescentando em seguida: "se fosse a Cleveland, o faria por meus pr6prios recursos, e nio por conta da Previd6ncia". A intenfio de Jader parece ser a de convencer o contribuinte de que o tesouro pdblico nio estA por tras da fortune que lhe permit tratar-se no exterior, esse mirifico destiny de boa parte do produto que result do exercicio do poder neste pais. PMDB: um campo de batalha Se em 40 dias o PMDB do Para nio se incorpar efetivamente A campanha do deputado Ulysses Gui- maries & presidencia da Reptiblica, o governador H6lio Gueiros pedird ao diret6rio national do parti- do que intervenha no diret6rio estadual. O prdprio Gueiros comunicou essa decision aos deputados es- taduais peemedebistas, cor os quais se reuniu na semana passada, no Palacio Lauro Sodre. O governador queixou-se do desinteresse dos politicos pela candidatura de Ulysses e lembrou que se eles se mantiverem neutros ou aderirem a outros candidates "terio que ser tratados como inimigos e nio como correligionarios". Nesse caso, o gover- nador disp6e-se a pedir que eles sejam excluidos do PMDB, "porque quem nio e a nosso favor e contra n6s". A primeira media dessa ofensiva seria o pedi- do de intervengio no diret6rio do PMDB paraense. A provid6ncia seria facilmente alcangivel porque a atual diregio esta em situagio irregular: hi mais de seis meses, desde que Vicente Queiroz assumiu o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Es- tado, o deputado estadual Nicias Ribeiro preside interinamente o partido, quando ja deveria ter sido escolhido um novo president. Gueiros disse ainda aos deputados que vai exi- gir uma definigio dos politicos que estio em outros partidos mas dizem apoiar o PMDB: ou ingressam no partido ou devem assumir a posigio de adversA- rios. Esses politicos, sobretudo prefeitos do inte- rior, abrigaram-se em outras legends como PDC e PTB porque nio puderam ser candidates pelo PMDB, vitima da inflagio de ades6es no ano passa- do. Esses politicos se beneficial da alianga, mas nio se incorporaram a campanha peemedebista para a presid6ncia da Reptiblica. O governador insistiu em que o PMDB precise decidir claramente se vai apoiar ou nio a decisiono soberana" da convengio do partido. O alvo de sua ofensiva 6 o ministry Jader Barbalho, que combateu a candidatura de Ulysses Guimaries e vem agora praticando um jogo duplo em relagio a ela. Boa parte dos peemedebistas paraenses acompanba essa orientagio, que impede a candidatura do president licenciado do partido de efetivamente instalar-se no Estado. Essa indefinigio 6 a extenslo dos interesses do ministry, que quer permanecer no governor Sarney atd o fim, nio quer assumir um rompimento cor o PMDB, nio acredita na possibilidade de sucesso de Ulysses e pretend credenciar-se entire os candida- tos mais fortes na dispute, como o ex-governador de Alagoas, Fernando Collor de Mello. Informalmente, Jader ji orientou alguns de seus seguidores a collo- rirem o insosso neologismo da moda. Jader nio quer larger um bonde e ficar no vacuo de poder. Mas se sua estrat6gia for aplicada, s6 ele passari de um a outro veiculo. Para Gueiros, essa attitude nio tem o menor interesse. Um dia depois de ter feito a reuniao, o gover- nador tentava explicar que em nenhum moment anunciara o desencadeamento de retaliasges e re- presalias contra os que nio seguissem sua orienta- gto, conforme a interpretagio dada por alguns dos deputados que participaram do encontro. Aos jor- nalistas, o deputado Hamilton Guedes, um dos mais fi6is "jaderistas", disse que seriam tratados a "pio e agua" os que nio se curvassem a ordem de tra- balhar por Ulysses. Declarando-se surpreso com a versao, o governador arriscou uma explicagio: seria a maneira dos deputados aproveitarem-se da reuniao para pressionar os prefeitos do interior. Mas pode- ria ser tamb6m, maneira de fazer eco a reagio vinda de Brasilia. O PMDB paraense continue a ser o campo de batalha de uma guerra nio declarada. Um journal do leitor Circulando apenas entire assinantes, o JORNAL PESSOAL depend dnica e exclusivamente deles, ja que nio tern publicidade. Por isso, 6 important que os assinantes mantenham-se atentos em relagio ao journal. Para renovar assinaturas vencidas ou pedir informag6es sobre novas assinaturas, basta ligar pa- ra 224-3728 ou procurar a sede do JP, A Rua Aristi- des Lobo, 871. PISTOLEIRO Com future incerto Quem visse o home gordo e corado tomando sol no patio do quartel da Policia Militar em Mara- ba, a 665 quil6metros de Bel6m, nio imaginaria tratar-se do famoso Sebastiio da Terezona, o mais temido pistoleiro da mais violent regiio da Ama- z6nia, onde costumam atuar cor total desembarago algumas centenas de outros pistoleiros de aluguel. Ha quase tr6s anos Sebastiao Pereira Dias, pa- raense de 42 anos, 6 h6spede do 49 Batalhio da Polfcia Militar do Pard. Ele aguarda julgamento como responsavel por um dos crimes de maior im- pacto ji ocorridos na regiio. O julgamento, que de- veria ter sido realizado em fevereiro, foi adiado e agora nio ter mais data prevista para acontecer. Pela primeira vez na prisio, depois de passar anos sob a suspeita de ter matado muita gente em MarabB, Sebastilo nega sua responsabilidade pelo assassinate, em junho de 1985, de nove ocupantes do Castanhal Ubb, oito deles integrantes da mesma familiar. O choque causado pela descoberta dos cor- pos foi ainda maior porque eles estavam carboniza- dos. Sebastiao admite apenas que "empreitou" o verdadeiro assassino, conhecido como Juraci, a pe- dido de dois proprietirios de terras e pessoas in- fluentes, entire os quais o dono do Uba, Edmundo Vergolino, como tamb6m ji havia feito outros "ser- vigos" para a familiar Mutran. SebastiAo da Terezona parece ter decidido "contar tudo" depois de perceber que dificilmente conseguiria repetir a rocambolesca fuga da delega- cia de policia de Conceicio do Araguaia, sua pri- meira prisio antes de ser transferido para Maraba. Cor a coniv6ncia de policiais, o pistoleiro fugiu com outros 24 press, mas foi recapturado quase um ano depois de ter sido preso, em setembro de 1985 ji em Imperatriz. No quartel da PM foi montado um esquema mais rigoroso de vigilincia, a principio para evitar nova evasio, mas que depois, quando o pistoleiro comegou a falar, tomou o senti- do de uma maior proteqio ao acusador. Terezona confessou ter servido de intermedia- rio para a contratagio de virios outros pistoleiros, que cometeriam outros tantos crimes, sempre a pe- dido de gente "notivel" na regiio, como o ex-de- putado e fazendeiro Aziz (Zizi) Mutran. Depois de fazer-tantas revela6ges sobre relaq6es entire o mun- do marginal do crime de encomenda e o poder local, Sebastilo se indignava de so ele continuar preso: "Sera porque os outros t6m dinheiro?", perguntava em uma das suas ultimas entrevistas. SebastiAo temia que pudesse vir a "pagar ca- ro" por tais declarag6es. Justamente por isso, con- siderava-se de certa maneira satisfeito por estar prcso no quartel da Policia Militar no final das contas, um lugar bem mais seguro do que a cadeia da policia civil ou as ruas e sert6es de Maraba, por onde ele antes circulava, sob a protegio dos homes que agora estava acusando. Havia ainda um outro component a favor des- sa seguranga: o comandante do batalhio, coronel Reinaldo Pessoa Chaves, 6 um desafeto da famflia Mutran, poderosa oligarquia que control terras e a political municipal, reforgada cor a eleicio de Na- gib Mutran para a prefeitura. O coronel parecia ser uma das pessoas mais interessadas em que Sebastilo da Terezona desfrutasse de todas as garantias para depor. 0 risco na rua 0 process sobre a "chacina do Uba", como o crime passou a ser conhecido, ha muito tempo aguarda o depoimento das testemunhas e a convoca- gio do Tribunal do Jdri para realizar o que deverA ser o maior julgamento dos liltimos anos em Mara- ba, onde sessio de jdri 6 uma raridade. Mas os de- poimentos ji foram adiados quatro vezes e nova- mente o prazo para o julgamento ficou indefinido. Para complicar, a juiza Ezilda Pastana ficou grAvida e teve um filho, o que a obrigou a deixar a Comarca e ainda nio Ihe permitiu voltar. A juiza exp6s-se a ataques, em meio a polemica suscitada por um process tao explosive, quando iniciou um romance cor Osvaldo Mutran Filho, que trabalha como investigator de policia. A isenigo da juiza para atuar no caso passou a ser questionada, justa- mente por causa das acusag6es de Terezona aos Mutran. Quando Ezilda Pastana retornar a comarca, 6 provAvel que o coronel Reinaldo Chaves tenha dei- xado o batalhio. Sua transfer6ncia ja foi assinada pelo comando da PM. Em Marabd comegam algumas especulag6es em torno dos desdobramentos desses fatos. Uma delas 6 sobre a possibilidade de Sebas- tiao da Terezona ser liberado para responder em li- berdade ao process. Ao inv6s dos banhos de sol no quartel da PM, terA as ruas e o sertio de Marabi pa- ra transitar nio cor a incolumibilidade de antes, e claro. Terezona passou a ser muito perigoso jus- tamente para os que atestavam ate entio sua ino- cencia. Ironia cega Na entrevista que concede a revista Veja, o ministry Jader Barbalho declarou: "No meu Estado, o Para, onde o doutor Waldir Pires ter muito pres- tigio, cabera a ele organizer o palanque do doutor Ulysses. Eu nio movo uma palha". Ao fazer a ironia, Jader esqueceu-se de que outras pessoas poderiam incumbir-se de organizer o palanque. Tr6s dias depois que a revista circulou em Bel6m, o governador Hilio Gueiros iniciou uma ofensiva para credenciar-se a essa tarefa e tentar demonstrar que o PMDB nio depend apenas do ministry. Uma novidade para Carajas O piano de produzir ferro gusa na Amaz6nia & base de carvio vegetal sofreu seu segundo golpe sucessivo nesta semana. Na segunda-feira, dirigen- tes da Prometal, do grupo noruegues Elkem e do BNDES foram comunicar ao governor do Estado o infcio da implantagio da maior fabrica de ferro-liga de manganes do pafs, que comegara a produzir 200 mil toneladas em 1991, no distrito industrial de Ma- rabt, depois de consumer 190 milh6es de d6lares de investimento. S6 que essa usina utilizard o coque e nio o carvio vegetal, obtido atrav6s da queima da floresta. Desde o s6culo dezoito os principals pauses eu- ropeus vem proibindo a utilizagio do que rest de suas florestas para a queima de mindrio de ferro. Mas o governor brasileiro nio vacilou em aprovar a transferencia do polo guseiro de Minas Gerais pa- ra a regiio de Carajas, mesmo sabendo que essas usinas s6 decidiram sair do local de origem por nio disporem mais de floresta native a distincia econ6- mica para transformer em carvio. Entre reflorestar Areas pr6ximas ou instalar-se onde ainda hi mata densa, optaram pela segunda alternative. No mes passado o Minist6rio Pdblico federal concede liminar a um pedido de diversas entidades nio governamentais que querem sustar a implanta- gio das usinas em Carajas. O process esti agora na justiga federal em Bel6m, dependendo de um despacho do juiz Aristides Medeiros. Justamente nesse moment a Prometal anuncia seu novo s6cio, que substitui os russos, e revela que fara a redugio do min6rio atrav6s de carvio mineral, poupando a floresta e o ambiente da agressio inevitavel das gu- seiras ja aprovadas pelo Programa Grande Carajas. Embora haja diferengas tecnol6gicas entire metaldrgicas que produzem gusa, silicio metalico ou ligas, o projeto da Prometal represent um forte abalo na concepqio do governor, que considerava inevitavel a evolu~go da atividade mineradora at6 a atividade siderdrgica intermediaria. Por outro lado, reforga a posigio dos que nio aceitavam a produgio guseira atraves do carvio vegetal, nio s6 porque ela causa um dano irreversivel a floresta, como porque nio significa real incorporag~o de valor ao produto. Exportando gusa, o pafs estaria apenas atualizando sua dependencia. Seria at6 preferivel exporter min6rio, que ja possui alto grau de pureza, a tentar enriquece-lo criando um lixo monumental. O projeto da Prometal tornou-se viavel corn o ingresso da Elkem, corporagio norueguesa que no ano passado faturou 1,7 bilhio de d6lares gragas sobretudo a produtos metaldrgicos. O president do grupo paulista Prometal, Donald Archer de Camar- go, garantiu que a tecnologia da Elkem 6 a melhor da Europa e nio provocara nenhum efeito negative sobre o meio ambiente, alem de permitir o funcio- namento do alto forno da usina cor coque (a ser importado da Col6mbia, Pol6nia, Estados Unidos e, supletivamente, de Santa Catarina). Os representantes da Elkem tambdm disseram que exclufram o uso de carvio vegetal por causa das presses dos ambientalistas de seu pafs. Prefe- rem ficar dependents do suprimento de carvio de terceiros a expor-se a ataques na Europa, como os que vem sendo feitos atualmente. Mas o interesse da Elkem por uma siderdrgica em Carajis tamb6m relaciona-se I possibilidade de, pela primeira vez, ter uma inddstria integrada. Enquanto na Noruega recebe manganes de terceiros, em Carajas tera sua prdpria mina, a jazida de Buritirama, que a Prome- tal adquiriu da norte-americana Utah hi tries anos. Assim, a Elkem sai na frente dos concorrentes, um resultado capaz de compensar a dependencia em relaiao ao carvio dos outros. Essa nova configuracio do projeto reabre a discussion sobre a industrializagio na regiao de Ca- rajas. Mostra como 6 mais interessante ter parceiros estrangeiros suscetfveis a presses mais consisten- tes das suas pr6prias sociedades. No passado, duas empresas norueguesas tiveram que retirar-se da Mi- neragio Rio do Norte por causa das dendncias sobre a lavra predat6ria da bauxita. As duas empresas eram estatais. A Elkem entra no projeto da Prome- tal, cor 40% das aq6es, preocupada com o que po- derio dizer dela os noruegueses e europeus em ge- ral. O projeto ensina tambCm que uma boa investi- ga~io de mercado, atenta e competent, permit selecionar parceiros e tirar proveito de situag6es. O novo empreendimento anunciado pela Prometal ain- da precisa ser avaliado melhor para definir-se o que exatamente ele represent, mas comprova o que a Amaz6nia ter aprendido A custa de muito sofri- mento: nio deve aceitar decis6es apressadas e, ape- sar disso, acabadas. Safra de leiloes Nos seus contatos com politicos, o governador H6lio Gueiros tem repetido que se a constant pere- grinagio de parlamentares e prefeitos do interior ao gabinete do ministry da Previdencia Social repre- senta um leilio, "eu nio you entrar nessa". Quase metade dos prefeitos do Para apareceu no gabinete de Jader Barbalho nas dltimas semanas "e ningu6m voltou de mios abanando", como ressaltou o pr6- prio ministry. S6 a Iltima leva foi integrada por 25 prefeitos, quatro deputados estaduais e dois fede- rais. Se Jader estivesse integrado a campanha do deputado Ulysses Guimaries, o "beija-mio" nio acarretaria problems politicos para o PMDB. Mas o ex-governador ter esquema pessoal, que nio se harmoniza com a outra fonte de poder dentro do partido, o governador. Certamente nio por mera coincidencia, mesmo garantindo que nio entrara no leilio, H61io anunciou sua disposiqio de dedicar 50% de seu tempo, a partir de agora, w interior. Mas tamb6m nio fara viagens cor mios abanando: ele admitiu que guardou dinheiro para investor na dltima etapa de seu governor, justamente a que sera marcada por eleic6es. "Dei uma de formiguinha. Agora vou usar o que estoquei, enquanto hi muita cigarra se lamuriando por af", comparou, na sua tf- pica linguagem. Uma cidade emparedada A luta para preservar o Museu Paraense Emilio Goeldi, a mais antiga e prestigiosa instituigio de pesquisa cientffica da Amaz6nia, levou quase mil pessoas a um debate tenso, no qual os representan- tes dos empresirios imobiliirios e da Prefeitura de Bel6m dispuseram-se a enfrentar a ira da plat6ia pa- ra sustentar suas posig6es. E diffcil avaliar o ver- dadeiro clima de guerra provocado pelos defensores do Museu a partir da dimensio da causa. Ela pretend limitar o crescimento vertical nu- ma area ao redor do Museu, que ,cupa 0,1% da 16- gua urbana da capital paraense e 5% de sua ja de- bilitada area verde. Os grupos de pressio querem que o gabarito dos pr6dios seja fixado de tal manei- ra a nio comprometer a formidavel cobertura vege- tal, uma amostra representative da hil6ia amaz6nica, que se espalha por cinco hectares em pleno centro da cidade. E notavel que Arvores de 30 a 40 metros tenham conseguido desenvolver-se em ambiente hostile, mantendo sua diversidade de esp6cies, mas esse aut6ntico milagre tera seus dias contados se as laterais do Museu continuarem a ser emparedadas, bloqueando luz e vento. O "Goeldi" nio 6 apenas respeitado por seu acervo de pesquisas cientfficas, mas tamb6m pelo valor educativo e sentimental que represent para a cidade. Estima-se que 500 mil pessoas circulem pelo parque zoobotinico todos os anos. Para muitos habitantes de Bel6m, ele 6 a unica referencia viva de uma natureza cada vez mais distant, massacrada por um crescimento violentamente especulativo, selvagem, empobrecedor. Que os principals agents dessa destruigio nao se sensibilizem pelo residue de natureza no espaco que ter alterado cor seus espig6es diz bem sobre a gravidade dessa destruicgo, que p6s abaixo alguns dos principals testemunhos da hist6ria de Bel6m, vem criando autenticos monstrengos modern6ides e ameaga uma cidade que resisted a essa guerra nao declarada gracas a elements que independem des- ses criadores, como a luminosidade, o odor, a cor e a insia de uma cidade que nio quer se transformer numa miragem de concrete. Dois anos depois, ainda sem soluiao Todas as vezes que Ihe cobravam provid6ncias sobre os crimes politicos praticados no Para, o go- vernador Hl6io Gueiros reagia citando o assassinate do ex-primeiro-ministro da Suicia. Olof Palme, morto em pleno centro de Estocolmo. Se a policia sueca nio conseguia encontrar o criminoso, como se poderia exigir tanto da policia paraense?, defendia- se o governador. Nesta semana a justiga sueca comeqou o jul- gamento do home que a policia garante ter sido o assassino de Palme. Alguns dias depois, o assassi- nato do ex-deputado estadual Paulo Fonteles com- pletava dois anos e o de Joio Carlos Batista, sete meses, mas em relagio a nenhum deles as provas reunidas permitiam a convocagio de jiri. Se ji nio pode usar o caso sueco para parale- lismcs, o governador ainda ter um argument para livrar-se da acusagio de omissio diante dos dois crimes ainda nio elucidados: a policia paraense concluiu os inqu6ritos, indiciando suspeitos de en- volvimento no planejamento e na execugio dos ho- micidios. Um deles esta preso. Outro foi solto. Quatro encontram-se foragidos. Prosseguir no es- clarecimento cabe, agora, a Justiga. O Executivo ja teria cumprido a sua parte. Nio 6 nem assim. 0 assassinate de Fonteles ocorreu quatro meses ap6s a posse de Gueiros no governor (e cinco meses depois da more de Olof Palme). Na epoca, a Secretaria de Seguranca Publi- ca realmente mobilizou-se de tal maneira a dar um tratamento de impact A caga dos criminosos. Logo foram apontados os executores do atentado e o in- termedi-rio. Mas a partir daf a estrutura inicial foi minguando, tornando-se incapaz de sustentar as in- vestigag6es fora do territ6rio paraense (ainda mais dificultadas pela falta de colaboragio de outras po- licias). Esse trabalho foi comprometido (e talvez at6 tenha recebido o golpe de more) quando, subita- mente, surgiram novos acusados e a apuragio des- viou-se por outros rumos, em boa parte porque a pr6pria famflia do morto aceitou como definitivas suspeig6es extremamente frigeis. O resultado 6 que a apuragao tornou-se inconvincente. Agora, s6 um acaso pode impedir que o "caso Fonteles" acabe no arquivo morto: a instrugio do process na justiga perdeu o rumo, ou ter rumos demais para chegar ao verdadeiro. Mas se a disposigio inicial da policia para res- ponder ao clamor da sociedade, abalada pelo crime, nio pode ser questionada, a investigation sobre o assassinate do deputado Joio Carlos Batista ji co- megou comprometida, inclusive pela ausencia de vontade, de conviccqo. Desde o inicio, a rota traga- da em cima de pistas inconsistentes dava sinais de ser fak a. E mesmo assim a policia prosseguiu monoliticamente nela, indiferente aos questiona- mentos que foram sendo feitos. O resultado, assim, 6 desastroso. E possivel que tanta falta de rigor, re- petil la pela justiga, explique-se pela vontade de dar uma resposta imediata a opiniao pliblica, mas as duas investigag6es, passado tanto tempo, parecem- se a castelos de cartas: aparentam solidez, mas nio resistem a um sopro. Para prejuizo de todos, rest ao Pard a sensa- gio de ser um Estado no qual matar tornou-se um fato corriqueiro. Diregao do vento Sintomas da nova estrat6gia de Jader Barbalho: seu journal, o "Dibrio do Part", nio deu troco as seguidas republica6ges no rival "O Liberal" de matirias desfavoriveis ao ministry, transcritas so- bretudo de "O Estado de S. Paulo". Mais ainda do que essa surpreendente indiferenga: o "Diario" de- dicou um alentado espago i homenagem prestada- pela Cimara Municipal a mem6ria do jornalista Romulo Maiorana, o criador do imprrio centrado em "O Liberal". A mat6ria era simpitica a Romulo, como hi muito tempo nio acontecia no "DiArio", que sempre foi virulento nos ataques, sem regras 6ticas. Por outro lado, intensifica-se a campanha con- tra o prefeito de Bel6m, Sahid Xerfan, admitido como hip6tese future e ji comegando a tornar-se remota para uma composigio com o PMDB visan- do o governor do Estado em 1990. Os novos lances das sucess6es A indicagio de Fernando Coutinho Jorge para a presidencia do Banco da Amaz6nia seria parte de uma estrat6gia montada pelo ministry Jader Barba- lho para transformer o ex-prefeito de Bel6m em candidate do PMDB ao governor do Estado, em 1990. Jader pensava inicialmente em colocar Couti- nho na Sudam, mas nio encontrou o apoio do go- vernador Hl6io Gueiros, favorivel, no entanto, a nomeagio para o Basa. No banco, Coutinho teria um guarda-chuva de poder para usar at6 ao redor de maio do prdximo ano, prazo final para as desincompatibiliza6ges de cargos pdblicos. Depois entraria na campanha como um dos raros nomes do PMDB capaz de reunir ade- s6es no segundo turno, sem provocar as paix6es que acompanham o ministry da Previdencia Social. Presidindo o Basa, Coutinho tamb6m teria em mios instruments que podem atingir o prefeito Sa- hid Xerfan, candidate em potential ao governor e uma possibilidade de coligagio na eventualidade de uma aproximagio maior cor o governador. Muitas das verbas a que Xerfan espera ter acesso passam pelo Banco da Amaz6nia, onde os canais de irriga- gto podem ser bloqueados. Talvez nio tenha sido por mera coincid6ncia que, simultaneamente ao andncio de que Coutinho iri para o Basa, Xerfan tenha iniciado uma ofensiva de critics ao antecessor. Em entrevista dada na semana passada, disse que a cidade estava arrasada e suas finangas destruidas, tendo herdado divida de 18,5 milhdes de cruzados novos, parte dela vencida ou a vencer a m6dio prazo. Se uma das misses de Coutinho no novo cargo 6 anular o prefeito, Sahid Xerfan parece pretender dar o troco transferindo a responsabilidade pelo estado de abandon da capi- tal paraense ao ex-prefeito. O future do campeio de votos na eleiaio do ano passado vai defender do que ele puder fazer no primeiro verao de sua administration. Xerfan prepa- rou um impressionante piano de obras, o maior dos dltimos anos no municipio, que exigiria 80 milh6es de cruzados novos, o dobro do orgamento municipal previsto para o atual exercicio. S6 que ele nio tem um centavo de recurso pr6prio para investor. Teri que defender inteiramente de transferdncia da Uniao e do Estado. Procurado para colaborar, o governador H6lio Gueiros nio foi nada estimulante. Descartou logo a possibilidade de dar o valor solicitado pelo prefei- to, "alto demais". Mas tamb6m nio disse nem quanto poderia ceder. Gueiros fechou-se numa ati- tude ambigua, um sinal desfavorivel para o prefei- to. Xerfan amargou ainda um dissabor muito fre- qiiente quando empresirios tornam-se politicos: sua fazenda, a Pari-Minas, na rodovia Bel6m-Brasilia, foi invadida por aproximadamente 700 pessoas. Pa- ra reintegrar-se na posse das terras, o prefeito teve que recorrer & Policia Militar. Os invasores sairam, sob violencia, segundo o journal do ministry Jader Barbalho, ou sem resistir, de acordo com a version official, mas Xerfan ji deve estar consciente de que enfrentari outras vezes o mesmo problema. Pode ser que as invas6es sejam motivadas pelas condig6es de uso da fazenda (com seis mil hectares de past, mil cabecas de gado e 12 mil hectares de Area, segundo dados de Xerfan), mas podem estar inspiradas por adversirios do prefeito, que sentiu o golpe: ao falar sobre o assunto, ele estava tenso. Nio 6 para menos: os movimentos dos politicos visam quase sempre as eleig6es, seja a presidential deste ano, como a de 1990. O ministry da Previd6n- cia, por exemplo, mantem-se em duas linhas de combat. Numa delas, negocia sua adesio A campa- nha de Ulysses Guimaries, dificil porque quer par- ticipar dela sem deixar o governor Sarney, que 6 hi- p6tese fora de cogitagio. Ao mesmo tempo, autoriza alguns dos integrantes de seu grupo a embarcarem na canoa de Fernando Collor de Mello, attitude exemplificada por Paulo Titan, no Incra, e pelo de- putado federal Asdrubal Bentes. Como se trata de um jogo cujas regras modifi- cam-se conforme evoluem os lances, ainda haverd muita surpresa reservada para a opiniio pdblica. Nosso premio Na primeira vez que a Federagio Nacional dos Jornalistas realizou uma selegao das melhores re- portagens publicadas em todo o pais, o JORNAL PESSOAL conseguiu ficar cor dois dos 20 pr6mios distribuidos. Nosso journal era o dnico que poderia ser classificado de alternative entire os 18 distin- guidos. O resultado mostra, mais uma vez, que quando nao se disp6e de bons acess6rios ou de uma adequada estrutura de apoio, investor na qualidade 6 o caminho capaz de superar todas as adversidades. O JORNAL PESSOAL 6 um nanico colocado em pi de igualdade cor os grandes porque trabalha preo- cupado exclusivamente cor seus leitores. Ele 6 o nosso grande premio. Journal Pessoal Editor responsvel : Lucio Flavio Pinto Enderego (provls6rio): rua Aristides Lobo, 871 Belem, Par, 66.000. Fone: 224.3728 DiagramarAo e Ilustratio: Luiz Pinto Oprao Jomallstica |
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