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Jornal pessoal
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Permanent Link: http://ufdc.ufl.edu/AA00005008/00036
 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00036

Full Text







cio Flvio P essoal
Lucio Flavio Pinto


Ano II NO 42


Circula apenas entire assinantes


1! Quinzena de Junho de 1989


ELITES


Certidao de falencia
A Federac&o brasileira esta falida. A atual estrutura
juridica do pais e incapaz de evitar a concentragdo de poder.
Mas as elites tambem nao conseguem canalizar
a insatisfac&o das regi6es submetidas a esse dominion.


E m plena agonia da principal empresa de nave-
gagio da Amaz6nia, o critdrio adotado para a
formagio de sua diretoria era exclusivamente
politico: o ex- prefeito de Santar6m, Ronaldo
Campos, cuja competencia tem alguma coisa a ver
com articulag6es political e quase nada com agio
administrative, foi indicado para a estrat6gica di-
retoria de navegagio da empresa pelo ministry Jader
Barbalho. Os outros cargos foram retralhados entire
clients das aliangas political locais, conforme os
interesses dos lideres, mas cor praticamente ne-
nhuma vinculaglo as necessidades da populacio.
Enquanto a regiao se mobilizava para salvar a Ena-


sa, os que tnm acesso pessoal e direto aos canais de
poder tomavam decis6es que agravavam a situagio
da empresa, embora dizendo-se participants da
campanha de salvagio.
As elites locals t6m se mostrado incapazes de
acompanhar a hist6ria recent da Amaz6nia. Quan-
do critical ou lamentam os problems surgidos no
curso do mais dramitico period vivido pela regiio,
nio conseguem apresentar um caminho alternative,
diferente, melhor. Vencidas pela hist6ria, recorrem
a um passadismo morto ou a uma ret6rica de oca-
silo, obtusamente regionalista, investindo sobre as








conseqiiUncias desses problems e nao contra suas
causes. Ao desafio do future, querem a regressio
no tempo, atd o moment em que eram elites de-
tentoras de poder e nio apenas intermediarias, abri-
doras de portas, gerentes de massa falida.
Impossibilitadas de embarcar num trem, cuja
velocidade untrapassa sua capacidade de atracagio,
e de vislumbrar o destino da viagem, essas elites
esforgam-se por tentar convencer a opiniio piblica
de que antes as coisas eram melhores, queixam-se
de nio serem consultadas, lamentam que suas quali-
dades sejam deixadas de lado. Sempre que foram
chamadas a participar, no entanto, deram contribui-
gio negative. Independentemente de saber se foram
melhores ou piores do que o que esta af, rest a
constatacao de que abandonaram a pretensio (que
s6 sustentaram enquanto foram elites dominantes)
de defender um projeto identificado cor a Amaz6-
nia para encontrar um lugar, por mais secundario
que seja, na ocupaqio feita de fora para dentro da
regiao.
Nio 6 apenas na Enasa que essas elites de-
monstram seu div6rcio das aspirag6es regionais, de
um projeto realmente comprometido cor a identida-
de amaz6nica, senio como produto acabado, ao me-
nos como busca, meta. Simultaneamente, abre-se a
possibilidade de recompor a diretoria do Banco da
Amaz6nia e o crit6rio usado 6 novamente o das
conveniencias political. O Basa ter oscilado entire
o corretivo tecnocritico e o desvario politico: in-
terventores sio baixados de Brasilia em seguida a
administrag6es locais ruinosas.

Foi assim quando o governor military mandou
para Beldm o gaucho Jorge Babot de Miranda e, em
seguida, o maranhense Francisco de Jesus Penha,
incumbidos da mission de resgatar o banco do nau-
frigico em que foi posto pela diretoria de Francisco
Lamartine Nogueira, indicado por Jarbas Passari-
nho. lider plenipotencitrio do Pari de entio. Nova
recafda e nova internagio seguiram-se as gest6es de
Oziel Carneiro e Ubaldo Corr6a, arrematadas no
maior de todos os desastres da hist6ria do Basa -
por Augusto Barreira Pereira.


Quem e melhor para a region

Desse ciclo seria enganoso deduzir que o criti-
rio tecnocratico supera o criterio politico. mas fica
bem claro que amaz6nidas nio sao nada melhores
do que estrangeiros se nio defendem uma political
diferente da que estes sio obrigados a cumprir por
forga de sua vinculagio a Brasilia Nio basta ter
nascido na regiio para identificar-se com ela, co-
nhec6-la. A constatagio 6 acaciana, mas nao apare-
ce nos discursos das elites locals quando elas rei-
vindicam posig6es na hierarquia do poder e, ao
ocupa-las, repetem os males que antes condenavam
- ainda que em escala menor, proporcional A capa-
cidade de sua mentalidade extrativista.
Os que defended a modernizagio da Amaz6nia
a qualquer prego, ou como etapa necessiria para
superar o primeiro moment gragas ao dinamismo
das contradig6es internal do pr6prio sistema criado,
consideram perfeitamente natural que as elites lo-


cais nAo sejam mais do que reprodug6es menores
das elites nacionais estas, extens6es das elites dos
paises centrais, em relagio aos quais funcionamos
como sat6lites. Esses interpretadores nio aceitam
que a dimensio regional seja mais do que o pano de
fundo do process econ6mico, fator sempre deter-
minante.
Eles acreditam que a Amaz6nia 6 apenas a
frente de expansion do capitalism. Rejeitam, coe-
rentes com a matriz de suas id6ias, construida nas
salas do colonial Museu Britinico, em Londres, no
s6culo passado, a id6ia de que a regiao desfruta de
um razoAvel grau de autonomia, tem uma expressive
especificidade, nio se resume a ser um substrato ou
residuo da question national, que, se resolvida, gera
seus efeitos em cascata, automaticamente.
Quem mora na Amaz6nia e acompanha a ex-
pansio das atividades econ6micas na regiao ter
seus motives para achar que sua condigio colonial e
um trago muito mais definidor do que a fungio de
fronteira do capitalism. Ela esta nas duas situa-
g6es, mas quando se fala em ocupagio da Amaz6nia
a associa~io de iddias esclarecedora deve ser feita
em relagio a instalagio dos ingleses na India ou dos
franceses na Indochina e nao exatamente em relacio
a "corrida" ao oeste dos Estados Unidos. A dife-
renga em relag~o aos dois primeiros casos 6 que, na
Amaz6nia, a maioria, dos colonizadores fala a
mesma lingua. Assim, uma abstracio dificulta a
compreensio real sobre dois mundos distintos, um
que comanda as decis6es e o outro que 6 forgado a
submeter-se a elas. Nio hi uma interpenetragio en-
tre esses dois mundos, um estatuto capaz de esta-
belecer relagao mutuamente respeitosa.
t uma colisao tao flagrante que faz crescer na
regiao o sentiment de humilhacgo, alimentador de
teses separatists. E cada vez mais restrita a ilusao
na Federag~o, a crenga de que um Estado national
seja perceptive e receptivel a uma regiao como a
Amaz6nia. Fala-se cada vez mais em separar os
corpos, procurar uma nova identidade juridica. Mas
esse sentiment nio 6 exclusive da Amaz6nia: ele
emerge no Rio Grande do Sul e tamb6m no Nor-
deste, sem uma lideranga capaz de canalizi-lo. Ele
cresce porque, apesar de today a ret6rica em sentido
contrArio, a concentrag~o d a riqueza no Centro-Sul
- e particularmente em Sio Paulo tem se mantido,
agravando o desiquilibrio econ6mico no pais.
Varias propostp: ja foram apresentadas, mas 6
de elementary bom senso reunir as insatisfac6es e
procurar o trago de identidade entire elas. Os Esta-
dos que sofrem mais diretamente as conseqiiuncias
da hipertrofia concentradora de poder nio aceitam
mais a moldura juridica que perpetual essas relates
desiguais e injustas. A Federario esti falida. Bra-
silia nao passa de uma miragem de extreme mau
gosto, alias, se considerarmos as preocupag6es que
a inspiraram na era JK. Ou o Estado brasileiro
aceita a realidade deste pais continental, no qual
destaca-se a Amaz6nia como regiao inteiramente
distinta, ou vai gerenciar cor sua incompetencia
caracteristica uma crise que explodird mais
adiante, consumindo tamb6m as elites que hoje po-
sam como condutoras de um process no qual nio
sio mais do que figurantes pomposos.










ENTREVISTA


Retrato sem retoque


o ministry da Previdencia Social concede &
revista Veja da semana passada. Normalmente
habilidoso e sagaz, Jader Barbalho 6 apanhado
em situagio inc6moda pela revista, que abre a en-
trevista cor uma contundente e at6 mesmo des-
respeitosa pergunta: "O senhor 6 corrupto?.
Uma alta autoridade pdblica que leu a entre-
vista garantiu que se um jornalista Ihe fizesse tal
pergunta dessa maneira, seca e logo no primeiro
questionamento, "eu o expulsaria da sala". E justi-
ficou a attitude: "Por mais que eu negasse, como se-
ria normal, nao desfaria o impact de uma entre-
vista principiando assim. Deixaria no leitor a im-
pressio de algo que dispensa comprovacio, por ser
pdblico e not6rio".
Al6m de nao ter tal reaqio, o ministry deu uma
resposta desconcertante. Naturalmente, negou ser
corrupt. Mas acrescentou: "Seria uma temeridade
fazer este tipo de avaliaqio de mim mesmo". De-
pois lamentou que se faga political no Brasil "com-
batendo os homes pdblico, e nio suas id6ias ou
programss.
Se Jader Barbalho consider "uma temerida-
de" avaliar se Jader Barbalho 6 on nio corrupt, o
que nio estarg autorizado a pensar o comum dos
mortais, ainda mais porque exposto aos ataques e
dendncias freqiientemente desferidos contra o ex-
governador paraense? Acusi-lo pode ser uma teme-
ridade, mas quanta verdade nio surge de uma atitu-
de temerbria?
O ministry ter o direito de lamentar que se d6
mais atengio & vida privada dos homes ptiblicos do
que a suas id6ias. Mas a primeira nio havera de
prejudicar a segunda se a conduta do home ptibli-
co, independentemente de seus defeitos de persona-
lidade (que o povo brasileiro tem uma propensio a
perdoar bem maior do que o cidadAo norte-america-
no, por exemplo), for voltada para o bem pdblico.
Mas quando a vida particular prejudice a agio pi-
blica 6 natural que a sociedade volte-se para o que
a choca ou impression.
E claro que, em tais situag6es, os homes pd-
blicos estio expostos a caldnia, a injuria, a difama-
gbo e B injustiqa. E um 6nus, que funciona como
contrafagio ao usufruto do poder. Mas sempre eles
tem condig6es de recuperar a identidade cor a ver-
dade. Getdlio Vargas e Juscelino Kubitscheck, dois
exemplos citadcs pelo ministry, foram vitimas de
ataques exagerados: pessoalmente, redimiram-se,
mas nio limparam as n6doas de corrupgao que mar-
caram stores de seus governor. De qualquer manei-
ra, o saldo favorivel de suas administra6ges foi di-
minuindo a expressio de seus erros A media em
que o tempo foi pesando na avalialgo dos homes,
conferindo-lhes a dimensio de estadistas. Raros
politicos brasileiros t6m direito a esse lenitivo. Ne-
nhum pode ser enquadrado nessa dimensao entire os
que agora circulam pela cena national.


Por crit6rio de edigio (o que caracterizaria
uma manipulagio) ou simplesmente porque foi as-
sim mesmo na conveys a, Veja atordoa o ministry
cor a pergunta inaugural e arremata a entrevista
voltando & mesma question. O entrevistador lembra
que o SNI "elaborou ur dossier sobre a sua vida
pdblica (de Jader) e concluiu que o senhor era cor-
rupto. Foi um 6rgio do governor quem acusou o mi-
nistro".
Resposta de Jader Barbalho: "Em primeiro lu-
gar, um 6rgio do governor nio acusou um ministry.
O drgio estava a servigo de um governor de arbftrio
e fez anotag6es baseadas em recortes de jornais so-
bre a vida de um adversdrio politico desse governor
de arbitrio. As anotag6es do dossier Jader sio da
6poca em que Jader Barbalho era um home de
oposigio. No governor Sarney, as anotac6es do SNI
foram substitufdas por elogios".
Se nio consegue funcionar como atestado de
auto-absolvigio, a resposta do ex-governador serve
para condenar o SNI do governor Sarney. Nao paira
*divida alguma de que o Servioe Nacional de Infor-
mag6es, sob os governor militares, serviu de ins-
trumento politico e desviou-se tanto de suas fun-
g6es originals que seu fundador, o falecido general
Golbery do Couto e Silva, chamou-o de "monstro".
Mas a information dada pelo ministry, de que em
seu prontuario no "servigo" as anota6ges critics
foram trocadas por elogios, mostra que o SNI 6
indtil.
Afinal, o president da Repiiblica precisa de
informag6es exclusivas e nio de juizos de valor.
Elogios ficam bem em discursos (sobretudo os ofi-
ciais), mas nio nos fichirios de uma ag6ncia de in-
formag6es que quer orientar e nio conduzir a
autoridade maxima da Repdblica, ou vice-versa
(como se t6m queixado alguns servidores do SNI,
desanimados cor a destinagio dada As informag6es
que coletam). Assim, mudou a forma do governor,
mas, na ess6ncia, o de antes (quando Jader era ca-
luniado) e o de agora (em que Jader 6 elogiado, por
ser correligionirio e nio mais opositor) se equiva-
lem.

0 pais visto pelo powder
Nio 6 s6 ao SNI. entretanto, que Jader Barba-
lho confere o certificado de inutilidade. Ele deixa
muito mal o Executivo, comandado por seu amigo
Jos6 Sarney (de quem tornou-se soldado na defesa
do mandate de cinco anos) ao revelar que a dfvida
da Unibo junto A Previd6ncia Social atinge 23 bi-
lh6es de d6lares, um quinto da monstruosa divida
externa brasileira. A divida nio 6 da responsabili-
dade da atual administraaqo, mas Sarney tambr m
ter dado sua contribuiqio para aumentd-la.
Sem meias palavras, Jader diz que seu colega,
o ministry do Planejamento, Jobo Batista Abreu,
desvia dinheiro da Previd6ncia Social para custear








outras despesas do governor, mas justifica: "O
grande problema do ministry do Planejamento 6 que
ele tern varios deficits para administrar".

Diante de tal raciocfnio, nio espanta que o go-
verno se lance sobre os bolsos do contribuinte mal
se v6 em dificuldades de caixa e, para facilitar o
assalto, violent a rec6m-nascida Constituigio com
seguidas medidas provis6rias, que dio I tal transi-
Aio que Sarney diz ser seu aval a dimensio de um
verdadeiro estado de insolv6ncia.

Insolvente estA o povo. Insolvente estA o Esta-
do. Mas a insolv6ncia dos homes do governor
6 peas moral: eles parecem ter perdido sensibili-
dade para perceber a realidade, ingressando naquele
estado de catatonia auto-reflexiva que estimula os


moments de ruptura dos governados. Colocado
diante d a situagio calamitosa dos servings de sadde
no pats, o ministry da Previd6ncia Social encontra
uma said bem i maneira desse mandarinato que
comanda o Brasil: se tivesse problems de coragio,
hoje uma epidemia urbana, admite que procuraria
um hospital no exterior (cita o mais famoso e caro
- centro de tratamento cardiol6gico, o de Cleve-
land, nos Estados Unidos). Acredita o ministry mi-
nimizar o impact dessa confissio acrescentando em
seguida: "se fosse a Cleveland, o faria por meus
pr6prios recursos, e nio por conta da Previd6ncia".
A intenfio de Jader parece ser a de convencer o
contribuinte de que o tesouro pdblico nio estA por
tras da fortune que lhe permit tratar-se no exterior,
esse mirifico destiny de boa parte do produto que
result do exercicio do poder neste pais.


PMDB: um campo de batalha


Se em 40 dias o PMDB do Para nio se incorpar
efetivamente A campanha do deputado Ulysses Gui-
maries & presidencia da Reptiblica, o governador
H6lio Gueiros pedird ao diret6rio national do parti-
do que intervenha no diret6rio estadual. O prdprio
Gueiros comunicou essa decision aos deputados es-
taduais peemedebistas, cor os quais se reuniu na
semana passada, no Palacio Lauro Sodre.
O governador queixou-se do desinteresse dos
politicos pela candidatura de Ulysses e lembrou que
se eles se mantiverem neutros ou aderirem a outros
candidates "terio que ser tratados como inimigos e
nio como correligionarios". Nesse caso, o gover-
nador disp6e-se a pedir que eles sejam excluidos do
PMDB, "porque quem nio e a nosso favor e contra
n6s".
A primeira media dessa ofensiva seria o pedi-
do de intervengio no diret6rio do PMDB paraense.
A provid6ncia seria facilmente alcangivel porque a
atual diregio esta em situagio irregular: hi mais de
seis meses, desde que Vicente Queiroz assumiu o
cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Es-
tado, o deputado estadual Nicias Ribeiro preside
interinamente o partido, quando ja deveria ter sido
escolhido um novo president.
Gueiros disse ainda aos deputados que vai exi-
gir uma definigio dos politicos que estio em outros
partidos mas dizem apoiar o PMDB: ou ingressam
no partido ou devem assumir a posigio de adversA-
rios. Esses politicos, sobretudo prefeitos do inte-
rior, abrigaram-se em outras legends como PDC
e PTB porque nio puderam ser candidates pelo
PMDB, vitima da inflagio de ades6es no ano passa-
do. Esses politicos se beneficial da alianga, mas
nio se incorporaram a campanha peemedebista para
a presid6ncia da Reptiblica.
O governador insistiu em que o PMDB precise
decidir claramente se vai apoiar ou nio a decisiono
soberana" da convengio do partido. O alvo de sua
ofensiva 6 o ministry Jader Barbalho, que combateu
a candidatura de Ulysses Guimaries e vem agora
praticando um jogo duplo em relagio a ela. Boa
parte dos peemedebistas paraenses acompanba essa


orientagio, que impede a candidatura do president
licenciado do partido de efetivamente instalar-se no
Estado.
Essa indefinigio 6 a extenslo dos interesses do
ministry, que quer permanecer no governor Sarney
atd o fim, nio quer assumir um rompimento cor o
PMDB, nio acredita na possibilidade de sucesso de
Ulysses e pretend credenciar-se entire os candida-
tos mais fortes na dispute, como o ex-governador de
Alagoas, Fernando Collor de Mello. Informalmente,
Jader ji orientou alguns de seus seguidores a collo-
rirem o insosso neologismo da moda. Jader nio
quer larger um bonde e ficar no vacuo de poder.
Mas se sua estrat6gia for aplicada, s6 ele passari de
um a outro veiculo. Para Gueiros, essa attitude nio
tem o menor interesse.
Um dia depois de ter feito a reuniao, o gover-
nador tentava explicar que em nenhum moment
anunciara o desencadeamento de retaliasges e re-
presalias contra os que nio seguissem sua orienta-
gto, conforme a interpretagio dada por alguns dos
deputados que participaram do encontro. Aos jor-
nalistas, o deputado Hamilton Guedes, um dos mais
fi6is "jaderistas", disse que seriam tratados a "pio
e agua" os que nio se curvassem a ordem de tra-
balhar por Ulysses. Declarando-se surpreso com a
versao, o governador arriscou uma explicagio: seria
a maneira dos deputados aproveitarem-se da reuniao
para pressionar os prefeitos do interior. Mas pode-
ria ser tamb6m, maneira de fazer eco a reagio vinda
de Brasilia.
O PMDB paraense continue a ser o campo de
batalha de uma guerra nio declarada.

Um journal do leitor
Circulando apenas entire assinantes, o JORNAL
PESSOAL depend dnica e exclusivamente deles, ja
que nio tern publicidade. Por isso, 6 important que
os assinantes mantenham-se atentos em relagio ao
journal. Para renovar assinaturas vencidas ou pedir
informag6es sobre novas assinaturas, basta ligar pa-
ra 224-3728 ou procurar a sede do JP, A Rua Aristi-
des Lobo, 871.










PISTOLEIRO


Com future incerto


Quem visse o home gordo e corado tomando
sol no patio do quartel da Policia Militar em Mara-
ba, a 665 quil6metros de Bel6m, nio imaginaria
tratar-se do famoso Sebastiio da Terezona, o mais
temido pistoleiro da mais violent regiio da Ama-
z6nia, onde costumam atuar cor total desembarago
algumas centenas de outros pistoleiros de aluguel.
Ha quase tr6s anos Sebastiao Pereira Dias, pa-
raense de 42 anos, 6 h6spede do 49 Batalhio da
Polfcia Militar do Pard. Ele aguarda julgamento
como responsavel por um dos crimes de maior im-
pacto ji ocorridos na regiio. O julgamento, que de-
veria ter sido realizado em fevereiro, foi adiado e
agora nio ter mais data prevista para acontecer.
Pela primeira vez na prisio, depois de passar
anos sob a suspeita de ter matado muita gente em
MarabB, Sebastilo nega sua responsabilidade pelo
assassinate, em junho de 1985, de nove ocupantes
do Castanhal Ubb, oito deles integrantes da mesma
familiar. O choque causado pela descoberta dos cor-
pos foi ainda maior porque eles estavam carboniza-
dos. Sebastiao admite apenas que "empreitou" o
verdadeiro assassino, conhecido como Juraci, a pe-
dido de dois proprietirios de terras e pessoas in-
fluentes, entire os quais o dono do Uba, Edmundo
Vergolino, como tamb6m ji havia feito outros "ser-
vigos" para a familiar Mutran.
SebastiAo da Terezona parece ter decidido
"contar tudo" depois de perceber que dificilmente
conseguiria repetir a rocambolesca fuga da delega-
cia de policia de Conceicio do Araguaia, sua pri-
meira prisio antes de ser transferido para Maraba.
Cor a coniv6ncia de policiais, o pistoleiro fugiu
com outros 24 press, mas foi recapturado quase
um ano depois de ter sido preso, em setembro de
1985 ji em Imperatriz. No quartel da PM foi
montado um esquema mais rigoroso de vigilincia, a
principio para evitar nova evasio, mas que depois,
quando o pistoleiro comegou a falar, tomou o senti-
do de uma maior proteqio ao acusador.
Terezona confessou ter servido de intermedia-
rio para a contratagio de virios outros pistoleiros,
que cometeriam outros tantos crimes, sempre a pe-
dido de gente "notivel" na regiio, como o ex-de-
putado e fazendeiro Aziz (Zizi) Mutran. Depois de
fazer-tantas revela6ges sobre relaq6es entire o mun-
do marginal do crime de encomenda e o poder local,
Sebastilo se indignava de so ele continuar preso:
"Sera porque os outros t6m dinheiro?", perguntava
em uma das suas ultimas entrevistas.
SebastiAo temia que pudesse vir a "pagar ca-
ro" por tais declarag6es. Justamente por isso, con-
siderava-se de certa maneira satisfeito por estar
prcso no quartel da Policia Militar no final das
contas, um lugar bem mais seguro do que a cadeia
da policia civil ou as ruas e sert6es de Maraba, por
onde ele antes circulava, sob a protegio dos homes
que agora estava acusando.


Havia ainda um outro component a favor des-
sa seguranga: o comandante do batalhio, coronel
Reinaldo Pessoa Chaves, 6 um desafeto da famflia
Mutran, poderosa oligarquia que control terras e a
political municipal, reforgada cor a eleicio de Na-
gib Mutran para a prefeitura. O coronel parecia ser
uma das pessoas mais interessadas em que Sebastilo
da Terezona desfrutasse de todas as garantias para
depor.

0 risco na rua

0 process sobre a "chacina do Uba", como o
crime passou a ser conhecido, ha muito tempo
aguarda o depoimento das testemunhas e a convoca-
gio do Tribunal do Jdri para realizar o que deverA
ser o maior julgamento dos liltimos anos em Mara-
ba, onde sessio de jdri 6 uma raridade. Mas os de-
poimentos ji foram adiados quatro vezes e nova-
mente o prazo para o julgamento ficou indefinido.
Para complicar, a juiza Ezilda Pastana ficou
grAvida e teve um filho, o que a obrigou a deixar a
Comarca e ainda nio Ihe permitiu voltar. A juiza
exp6s-se a ataques, em meio a polemica suscitada
por um process tao explosive, quando iniciou um
romance cor Osvaldo Mutran Filho, que trabalha
como investigator de policia. A isenigo da juiza
para atuar no caso passou a ser questionada, justa-
mente por causa das acusag6es de Terezona aos
Mutran.
Quando Ezilda Pastana retornar a comarca, 6
provAvel que o coronel Reinaldo Chaves tenha dei-
xado o batalhio. Sua transfer6ncia ja foi assinada
pelo comando da PM. Em Marabd comegam algumas
especulag6es em torno dos desdobramentos desses
fatos. Uma delas 6 sobre a possibilidade de Sebas-
tiao da Terezona ser liberado para responder em li-
berdade ao process. Ao inv6s dos banhos de sol no
quartel da PM, terA as ruas e o sertio de Marabi pa-
ra transitar nio cor a incolumibilidade de antes,
e claro. Terezona passou a ser muito perigoso jus-
tamente para os que atestavam ate entio sua ino-
cencia.

Ironia cega
Na entrevista que concede a revista Veja, o
ministry Jader Barbalho declarou: "No meu Estado,
o Para, onde o doutor Waldir Pires ter muito pres-
tigio, cabera a ele organizer o palanque do doutor
Ulysses. Eu nio movo uma palha".
Ao fazer a ironia, Jader esqueceu-se de que
outras pessoas poderiam incumbir-se de organizer o
palanque. Tr6s dias depois que a revista circulou
em Bel6m, o governador Hilio Gueiros iniciou uma
ofensiva para credenciar-se a essa tarefa e tentar
demonstrar que o PMDB nio depend apenas do
ministry.









Uma novidade

para Carajas

O piano de produzir ferro gusa na Amaz6nia &
base de carvio vegetal sofreu seu segundo golpe
sucessivo nesta semana. Na segunda-feira, dirigen-
tes da Prometal, do grupo noruegues Elkem e do
BNDES foram comunicar ao governor do Estado o
infcio da implantagio da maior fabrica de ferro-liga
de manganes do pafs, que comegara a produzir 200
mil toneladas em 1991, no distrito industrial de Ma-
rabt, depois de consumer 190 milh6es de d6lares de
investimento. S6 que essa usina utilizard o coque e
nio o carvio vegetal, obtido atrav6s da queima da
floresta.
Desde o s6culo dezoito os principals pauses eu-
ropeus vem proibindo a utilizagio do que rest de
suas florestas para a queima de mindrio de ferro.
Mas o governor brasileiro nio vacilou em aprovar
a transferencia do polo guseiro de Minas Gerais pa-
ra a regiio de Carajas, mesmo sabendo que essas
usinas s6 decidiram sair do local de origem por nio
disporem mais de floresta native a distincia econ6-
mica para transformer em carvio. Entre reflorestar
Areas pr6ximas ou instalar-se onde ainda hi mata
densa, optaram pela segunda alternative.
No mes passado o Minist6rio Pdblico federal
concede liminar a um pedido de diversas entidades
nio governamentais que querem sustar a implanta-
gio das usinas em Carajas. O process esti agora
na justiga federal em Bel6m, dependendo de um
despacho do juiz Aristides Medeiros. Justamente
nesse moment a Prometal anuncia seu novo s6cio,
que substitui os russos, e revela que fara a redugio
do min6rio atrav6s de carvio mineral, poupando a
floresta e o ambiente da agressio inevitavel das gu-
seiras ja aprovadas pelo Programa Grande Carajas.
Embora haja diferengas tecnol6gicas entire
metaldrgicas que produzem gusa, silicio metalico ou
ligas, o projeto da Prometal represent um forte
abalo na concepqio do governor, que considerava
inevitavel a evolu~go da atividade mineradora at6 a
atividade siderdrgica intermediaria. Por outro lado,
reforga a posigio dos que nio aceitavam a produgio
guseira atraves do carvio vegetal, nio s6 porque
ela causa um dano irreversivel a floresta, como
porque nio significa real incorporag~o de valor ao
produto. Exportando gusa, o pafs estaria apenas
atualizando sua dependencia. Seria at6 preferivel
exporter min6rio, que ja possui alto grau de pureza,
a tentar enriquece-lo criando um lixo monumental.
O projeto da Prometal tornou-se viavel corn
o ingresso da Elkem, corporagio norueguesa que no
ano passado faturou 1,7 bilhio de d6lares gragas
sobretudo a produtos metaldrgicos. O president do
grupo paulista Prometal, Donald Archer de Camar-
go, garantiu que a tecnologia da Elkem 6 a melhor
da Europa e nio provocara nenhum efeito negative
sobre o meio ambiente, alem de permitir o funcio-
namento do alto forno da usina cor coque (a ser
importado da Col6mbia, Pol6nia, Estados Unidos e,
supletivamente, de Santa Catarina).


Os representantes da Elkem tambdm disseram
que exclufram o uso de carvio vegetal por causa
das presses dos ambientalistas de seu pafs. Prefe-
rem ficar dependents do suprimento de carvio de
terceiros a expor-se a ataques na Europa, como os
que vem sendo feitos atualmente. Mas o interesse
da Elkem por uma siderdrgica em Carajis tamb6m
relaciona-se I possibilidade de, pela primeira vez,
ter uma inddstria integrada. Enquanto na Noruega
recebe manganes de terceiros, em Carajas tera sua
prdpria mina, a jazida de Buritirama, que a Prome-
tal adquiriu da norte-americana Utah hi tries anos.
Assim, a Elkem sai na frente dos concorrentes, um
resultado capaz de compensar a dependencia em
relaiao ao carvio dos outros.
Essa nova configuracio do projeto reabre a
discussion sobre a industrializagio na regiao de Ca-
rajas. Mostra como 6 mais interessante ter parceiros
estrangeiros suscetfveis a presses mais consisten-
tes das suas pr6prias sociedades. No passado, duas
empresas norueguesas tiveram que retirar-se da Mi-
neragio Rio do Norte por causa das dendncias sobre
a lavra predat6ria da bauxita. As duas empresas
eram estatais. A Elkem entra no projeto da Prome-
tal, cor 40% das aq6es, preocupada com o que po-
derio dizer dela os noruegueses e europeus em ge-
ral. O projeto ensina tambCm que uma boa investi-
ga~io de mercado, atenta e competent, permit
selecionar parceiros e tirar proveito de situag6es. O
novo empreendimento anunciado pela Prometal ain-
da precisa ser avaliado melhor para definir-se o que
exatamente ele represent, mas comprova o que a
Amaz6nia ter aprendido A custa de muito sofri-
mento: nio deve aceitar decis6es apressadas e, ape-
sar disso, acabadas.


Safra de leiloes

Nos seus contatos com politicos, o governador
H6lio Gueiros tem repetido que se a constant pere-
grinagio de parlamentares e prefeitos do interior ao
gabinete do ministry da Previdencia Social repre-
senta um leilio, "eu nio you entrar nessa". Quase
metade dos prefeitos do Para apareceu no gabinete
de Jader Barbalho nas dltimas semanas "e ningu6m
voltou de mios abanando", como ressaltou o pr6-
prio ministry. S6 a Iltima leva foi integrada por 25
prefeitos, quatro deputados estaduais e dois fede-
rais.
Se Jader estivesse integrado a campanha do
deputado Ulysses Guimaries, o "beija-mio" nio
acarretaria problems politicos para o PMDB. Mas
o ex-governador ter esquema pessoal, que nio se
harmoniza com a outra fonte de poder dentro do
partido, o governador. Certamente nio por mera
coincidencia, mesmo garantindo que nio entrara no
leilio, H61io anunciou sua disposiqio de dedicar
50% de seu tempo, a partir de agora, w interior.
Mas tamb6m nio fara viagens cor mios abanando:
ele admitiu que guardou dinheiro para investor na
dltima etapa de seu governor, justamente a que sera
marcada por eleic6es. "Dei uma de formiguinha.
Agora vou usar o que estoquei, enquanto hi muita
cigarra se lamuriando por af", comparou, na sua tf-
pica linguagem.









Uma cidade

emparedada

A luta para preservar o Museu Paraense Emilio
Goeldi, a mais antiga e prestigiosa instituigio de
pesquisa cientffica da Amaz6nia, levou quase mil
pessoas a um debate tenso, no qual os representan-
tes dos empresirios imobiliirios e da Prefeitura de
Bel6m dispuseram-se a enfrentar a ira da plat6ia pa-
ra sustentar suas posig6es. E diffcil avaliar o ver-
dadeiro clima de guerra provocado pelos defensores
do Museu a partir da dimensio da causa.
Ela pretend limitar o crescimento vertical nu-
ma area ao redor do Museu, que ,cupa 0,1% da 16-
gua urbana da capital paraense e 5% de sua ja de-
bilitada area verde. Os grupos de pressio querem
que o gabarito dos pr6dios seja fixado de tal manei-
ra a nio comprometer a formidavel cobertura vege-
tal, uma amostra representative da hil6ia amaz6nica,
que se espalha por cinco hectares em pleno centro
da cidade. E notavel que Arvores de 30 a 40 metros
tenham conseguido desenvolver-se em ambiente
hostile, mantendo sua diversidade de esp6cies, mas
esse aut6ntico milagre tera seus dias contados se as
laterais do Museu continuarem a ser emparedadas,
bloqueando luz e vento.
O "Goeldi" nio 6 apenas respeitado por seu
acervo de pesquisas cientfficas, mas tamb6m pelo
valor educativo e sentimental que represent para a
cidade. Estima-se que 500 mil pessoas circulem
pelo parque zoobotinico todos os anos. Para muitos
habitantes de Bel6m, ele 6 a unica referencia viva
de uma natureza cada vez mais distant, massacrada
por um crescimento violentamente especulativo,
selvagem, empobrecedor.
Que os principals agents dessa destruigio nao
se sensibilizem pelo residue de natureza no espaco
que ter alterado cor seus espig6es diz bem sobre a
gravidade dessa destruicgo, que p6s abaixo alguns
dos principals testemunhos da hist6ria de Bel6m,
vem criando autenticos monstrengos modern6ides e
ameaga uma cidade que resisted a essa guerra nao
declarada gracas a elements que independem des-
ses criadores, como a luminosidade, o odor, a cor e
a insia de uma cidade que nio quer se transformer
numa miragem de concrete.

Dois anos depois,

ainda sem soluiao
Todas as vezes que Ihe cobravam provid6ncias
sobre os crimes politicos praticados no Para, o go-
vernador Hl6io Gueiros reagia citando o assassinate
do ex-primeiro-ministro da Suicia. Olof Palme,
morto em pleno centro de Estocolmo. Se a policia
sueca nio conseguia encontrar o criminoso, como se
poderia exigir tanto da policia paraense?, defendia-
se o governador.
Nesta semana a justiga sueca comeqou o jul-
gamento do home que a policia garante ter sido o
assassino de Palme. Alguns dias depois, o assassi-
nato do ex-deputado estadual Paulo Fonteles com-


pletava dois anos e o de Joio Carlos Batista, sete
meses, mas em relagio a nenhum deles as provas
reunidas permitiam a convocagio de jiri.
Se ji nio pode usar o caso sueco para parale-
lismcs, o governador ainda ter um argument para
livrar-se da acusagio de omissio diante dos dois
crimes ainda nio elucidados: a policia paraense
concluiu os inqu6ritos, indiciando suspeitos de en-
volvimento no planejamento e na execugio dos ho-
micidios. Um deles esta preso. Outro foi solto.
Quatro encontram-se foragidos. Prosseguir no es-
clarecimento cabe, agora, a Justiga. O Executivo ja
teria cumprido a sua parte.
Nio 6 nem assim. 0 assassinate de Fonteles
ocorreu quatro meses ap6s a posse de Gueiros no
governor (e cinco meses depois da more de Olof
Palme). Na epoca, a Secretaria de Seguranca Publi-
ca realmente mobilizou-se de tal maneira a dar um
tratamento de impact A caga dos criminosos. Logo
foram apontados os executores do atentado e o in-
termedi-rio. Mas a partir daf a estrutura inicial foi
minguando, tornando-se incapaz de sustentar as in-
vestigag6es fora do territ6rio paraense (ainda mais
dificultadas pela falta de colaboragio de outras po-
licias).
Esse trabalho foi comprometido (e talvez at6
tenha recebido o golpe de more) quando, subita-
mente, surgiram novos acusados e a apuragio des-
viou-se por outros rumos, em boa parte porque a
pr6pria famflia do morto aceitou como definitivas
suspeig6es extremamente frigeis. O resultado 6 que
a apuragao tornou-se inconvincente. Agora, s6 um
acaso pode impedir que o "caso Fonteles" acabe no
arquivo morto: a instrugio do process na justiga
perdeu o rumo, ou ter rumos demais para chegar ao
verdadeiro.
Mas se a disposigio inicial da policia para res-
ponder ao clamor da sociedade, abalada pelo crime,
nio pode ser questionada, a investigation sobre o
assassinate do deputado Joio Carlos Batista ji co-
megou comprometida, inclusive pela ausencia de
vontade, de conviccqo. Desde o inicio, a rota traga-
da em cima de pistas inconsistentes dava sinais
de ser fak a. E mesmo assim a policia prosseguiu
monoliticamente nela, indiferente aos questiona-
mentos que foram sendo feitos. O resultado, assim,
6 desastroso. E possivel que tanta falta de rigor, re-
petil la pela justiga, explique-se pela vontade de dar
uma resposta imediata a opiniao pliblica, mas as
duas investigag6es, passado tanto tempo, parecem-
se a castelos de cartas: aparentam solidez, mas nio
resistem a um sopro.
Para prejuizo de todos, rest ao Pard a sensa-
gio de ser um Estado no qual matar tornou-se um
fato corriqueiro.

Diregao do vento
Sintomas da nova estrat6gia de Jader Barbalho:
seu journal, o "Dibrio do Part", nio deu troco as
seguidas republica6ges no rival "O Liberal" de
matirias desfavoriveis ao ministry, transcritas so-
bretudo de "O Estado de S. Paulo". Mais ainda do
que essa surpreendente indiferenga: o "Diario" de-
dicou um alentado espago i homenagem prestada-









pela Cimara Municipal a mem6ria do jornalista
Romulo Maiorana, o criador do imprrio centrado em
"O Liberal". A mat6ria era simpitica a Romulo,
como hi muito tempo nio acontecia no "DiArio",
que sempre foi virulento nos ataques, sem regras
6ticas.
Por outro lado, intensifica-se a campanha con-
tra o prefeito de Bel6m, Sahid Xerfan, admitido
como hip6tese future e ji comegando a tornar-se
remota para uma composigio com o PMDB visan-
do o governor do Estado em 1990.


Os novos lances

das sucess6es
A indicagio de Fernando Coutinho Jorge para
a presidencia do Banco da Amaz6nia seria parte de
uma estrat6gia montada pelo ministry Jader Barba-
lho para transformer o ex-prefeito de Bel6m em
candidate do PMDB ao governor do Estado, em
1990. Jader pensava inicialmente em colocar Couti-
nho na Sudam, mas nio encontrou o apoio do go-
vernador Hl6io Gueiros, favorivel, no entanto, a
nomeagio para o Basa.
No banco, Coutinho teria um guarda-chuva de
poder para usar at6 ao redor de maio do prdximo
ano, prazo final para as desincompatibiliza6ges de
cargos pdblicos. Depois entraria na campanha como
um dos raros nomes do PMDB capaz de reunir ade-
s6es no segundo turno, sem provocar as paix6es que
acompanham o ministry da Previdencia Social.
Presidindo o Basa, Coutinho tamb6m teria em
mios instruments que podem atingir o prefeito Sa-
hid Xerfan, candidate em potential ao governor e
uma possibilidade de coligagio na eventualidade de
uma aproximagio maior cor o governador. Muitas
das verbas a que Xerfan espera ter acesso passam
pelo Banco da Amaz6nia, onde os canais de irriga-
gto podem ser bloqueados.
Talvez nio tenha sido por mera coincid6ncia
que, simultaneamente ao andncio de que Coutinho
iri para o Basa, Xerfan tenha iniciado uma ofensiva
de critics ao antecessor. Em entrevista dada na
semana passada, disse que a cidade estava arrasada
e suas finangas destruidas, tendo herdado divida de
18,5 milhdes de cruzados novos, parte dela vencida
ou a vencer a m6dio prazo. Se uma das misses de
Coutinho no novo cargo 6 anular o prefeito, Sahid
Xerfan parece pretender dar o troco transferindo a
responsabilidade pelo estado de abandon da capi-
tal paraense ao ex-prefeito.
O future do campeio de votos na eleiaio do
ano passado vai defender do que ele puder fazer no
primeiro verao de sua administration. Xerfan prepa-
rou um impressionante piano de obras, o maior dos
dltimos anos no municipio, que exigiria 80 milh6es
de cruzados novos, o dobro do orgamento municipal
previsto para o atual exercicio. S6 que ele nio tem
um centavo de recurso pr6prio para investor. Teri
que defender inteiramente de transferdncia da
Uniao e do Estado.
Procurado para colaborar, o governador H6lio
Gueiros nio foi nada estimulante. Descartou logo a


possibilidade de dar o valor solicitado pelo prefei-
to, "alto demais". Mas tamb6m nio disse nem
quanto poderia ceder. Gueiros fechou-se numa ati-
tude ambigua, um sinal desfavorivel para o prefei-
to.
Xerfan amargou ainda um dissabor muito fre-
qiiente quando empresirios tornam-se politicos: sua
fazenda, a Pari-Minas, na rodovia Bel6m-Brasilia,
foi invadida por aproximadamente 700 pessoas. Pa-
ra reintegrar-se na posse das terras, o prefeito teve
que recorrer & Policia Militar. Os invasores sairam,
sob violencia, segundo o journal do ministry Jader
Barbalho, ou sem resistir, de acordo com a version
official, mas Xerfan ji deve estar consciente de que
enfrentari outras vezes o mesmo problema. Pode ser
que as invas6es sejam motivadas pelas condig6es de
uso da fazenda (com seis mil hectares de past, mil
cabecas de gado e 12 mil hectares de Area, segundo
dados de Xerfan), mas podem estar inspiradas por
adversirios do prefeito, que sentiu o golpe: ao falar
sobre o assunto, ele estava tenso.
Nio 6 para menos: os movimentos dos politicos
visam quase sempre as eleig6es, seja a presidential
deste ano, como a de 1990. O ministry da Previd6n-
cia, por exemplo, mantem-se em duas linhas de
combat. Numa delas, negocia sua adesio A campa-
nha de Ulysses Guimaries, dificil porque quer par-
ticipar dela sem deixar o governor Sarney, que 6 hi-
p6tese fora de cogitagio. Ao mesmo tempo, autoriza
alguns dos integrantes de seu grupo a embarcarem
na canoa de Fernando Collor de Mello, attitude
exemplificada por Paulo Titan, no Incra, e pelo de-
putado federal Asdrubal Bentes.
Como se trata de um jogo cujas regras modifi-
cam-se conforme evoluem os lances, ainda haverd
muita surpresa reservada para a opiniio pdblica.

Nosso premio

Na primeira vez que a Federagio Nacional dos
Jornalistas realizou uma selegao das melhores re-
portagens publicadas em todo o pais, o JORNAL
PESSOAL conseguiu ficar cor dois dos 20 pr6mios
distribuidos. Nosso journal era o dnico que poderia
ser classificado de alternative entire os 18 distin-
guidos. O resultado mostra, mais uma vez, que
quando nao se disp6e de bons acess6rios ou de uma
adequada estrutura de apoio, investor na qualidade 6
o caminho capaz de superar todas as adversidades.
O JORNAL PESSOAL 6 um nanico colocado em pi
de igualdade cor os grandes porque trabalha preo-
cupado exclusivamente cor seus leitores. Ele 6 o
nosso grande premio.



Journal Pessoal

Editor responsvel : Lucio Flavio Pinto
Enderego (provls6rio): rua Aristides Lobo, 871
Belem, Par, 66.000. Fone: 224.3728
DiagramarAo e Ilustratio: Luiz Pinto
Oprao Jomallstica