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ECONOMIC A sangria do Pard O dinheiro que entra no Estado do Pard pelas vias oficiais represent s6 pequena parcela do que sai por rotas invisiveis. Nao enriquece: empobrece. Ano II NO 41 Circula apenas entire assinantes 29 Quinzena de Maio de 1989 Sgrandes projetos econimicos, produto da associaCgo do capital international com Otecnologia de ponta, foram concebidos como a melhor maneira de desenvolver a Amazii- nia, fazendo-a saltar etapas e contribuir com d6- lares para a economic national, a qual se integra- ria dessa forma. Apenas dois desses grandes projetos jB acumularam um fantistico saido ne- gativo, de mais de 450 bilhiies de cruzados velhos, em balango apurado no final do ano pas- sado. Um deles, o Jari, s6 nio faliu porque o go- verno socorreu-o, obrigando dois dos maiores bancos prjblicos brasileiros o Banco do Brasil e e Banco Nacional de Desenvolvimento Econimico e Social a pagar os empristimos deixados pelo ex-dono do empreendimento, o miliongrio norte- americano Daniel Ludwig. Essa transfericia de recursos, gragas a qual em janeiro foi quitada a Ljltima parcela do major dos emprbstimos, de 200 milhies de ddlares, deve ter consumido algo em torno de 500 milhies de cruzados novos dos dols Pesa Liicio Flivio Pinto bancos, o suficiente para manter o Estado do Pa- rB, com saus 100 mil funcionirios, funcionando durante todo um ano. 0 endividament~o do Jari deve ter acarretado a saida, para fora do pals-, do equivalent a um bilhio de cruzados. Sem incluir pesadissimos de- sencargos de exclusiva- responsabilidade do go- verno brasileiro, c~omo a hidreletrica de Tucurui (cuja divida dever8 absorver nos pr6ximos anos uns tris bilhies de d61ares), os emprestimos e fi- nanciamentos desses grandes projetos represen- tam uma grande sangria financeira, que se man- terb at6 o inicio do pr6ximo s6culo. Essa transfe- rincia invisivel de recursos e riquezas 6 multo major do que o ingresso expilcito, na forma das convencionais transagies de compra e venda do combrcio exterior. Na forma de amortizagies, ju- ros e relagies de trocas desiguals, a Amazbnia se empobrece e degrada para permitir a multiplica- Cgo de riquezas long de seu territbrio. Nas matdrias seguintes, estb a tentative de revelar essas realidades terrivelmente onerosas para a Amazinia. O quadro ndo 6 ainda complete por falta de informagies essencials que ndo apa- recem nas contas pbblicas das empresas. M~esmo se nio permitem o complete esclarecimento, en- tretanto, os balangos publicados recentemrente por tals- etpresast slo uma rica fonte3 de dados. Da avaliagio qu'e se segue ndo consta um dos mais importantes desses empreendimentos, o Proje~to Ferro Carajds, porque a Companhia Vale do Rio Doce, uma estatal de amplitude juridica national, ndo se db ao trabalho de publicar quadro anal~itico de suas atividades (capaz de suprir a falta de balango, que ela nio 6 obrigada a apre- sentar) para informar os cidadios do Estado no qual localizam-se as minas que ela explore. Nes- se caso, a CVRD atem-se a comodidade do texto da lei para nio tender is decorrincias morals de seu dever para com os paraenses, numa relagio que mais aumenta o distanciamento miituo e o deficitt" da empresa em relagio ao territbrio dentro do qual, queira ou d~o, est8 a melhor de seu future. Em 10 anos de operaCIo commercial, a Compa- nhia Florestal Mionte Dourado, sucessora da Jari Florestal e Agropecuaria no control do pol~mico Projeto Jari,.acumulou mais de 200 bilh6es de cru- zados de prejufzo (a pregos de dezembro de 1988), o maior "d6ficit" de uma empresa privada prova- velmente em toda a histbria da Amazbnia. Esse va- lor represent mais do dobro de tudo o que o Estado do Pard, onde o empreendimento estl localizado, arrecadou no ano passado. Para prejufzo monumental contribuiu princi- palmente a custo financeiro do projeto. Nos dltimos anos a M~onte Dourado teve lucro operacional: o de 1988 chegou a quase tr~s bilh6es de cruzados (ou tres mi~lh~es de cruzados novos), praticamente o dobro do hiicro de 1'987. Mlas a amortizagio dos em- pr~stimos~feitos pela empresa esta muito acima de sua capacidade de pagamento: sd as variaqbes mo- netdrias dessas operagbes financeiras abocanharam 32 bilhbes de cruzados em 1988, fazendo o prejufzo do exerefcio ficar prbximo de 23 bilhbes de cruza- dos (na moeda de entio), Esse valor represents 80%b da arrecada~go de IChI do Para no ano passado. O famoso Projeto Jari, caminhando para seu 22" ano de existdncia (15 dos quais sob o control do miliondrio norte-americano Daniel Ludwig), jd teria sucumbido se ni~o recebesse a providencial ajuda do governo, cuja presenga nos neg6cios pi- vados Ludwig tanto dizia abominar, como repre- sentante do "laissez-faire" que pretendia ser. Mas apenas dois anos d~epois que sua flbrica de celulose comegou a funcionar, Ludwig percebeu que tinha em suas mios um empreendimento arrui- nado: para guitar o empr6stimo de 200 milhbes de d61ares, com o qual pagara a Ishkawajima (o maior estaleiro do Japio) pela fa~brica e a usina de energia (ambas montadas sobre enormes balsas e transpor- tadas por 21 mil quildmetros atd o rio Jari), ele te- ria que tirar dinheiro do prbprio bolso e desfalcar sua fortune pessoal, considerada uma das maiores do planet. Ao invts disso, Ludwig comegou a criar "ca- sos" para o governor, fazendo exig~ncias descabi- das, e recusou-se a pagar a parcela do emprt~stimo da IHI que vencia a 31 de julho de 1981. Se essa attitude fosse mantida, o governor teria que assumir o control do projeto, sfmbolo emblemitico do capi- talismo na Amazbnia, estatizando-o. Afinal, o Te- souro national avalizara o empr~stimo em troca da garantia de praticamente todo o patrimenio da Jari, dada ao BNDE (hoje BNDES). Solugho "a brasileira" As elites brasileiras ligadas a Ludwig tratarami de dar um desfecho ao caso que thes fosse mais in- teressante: as presses e "no escuro" foi forma- do um conglomerado por 22 dos maiores emprest- rios nacionais, boa parte dos quais dependents de obras pdblicas, para substituir Ludwig no Jari. Mlesmo nio podendo negar-se a convocaqio do go- verno, essres 'enipresilrios fizeram uma exigencia: o custo financeiro, que Ludwig se recusara a pagar para nio comprometer sua riqueza (como seria de: se esperar em um negbcio capitalista, passaria para os ombros do prbprio governor. Os novos dons do em- Jari: um pesadelo de NCz$ 1 bilhao a Albrds, outra empresa postal na mestma situaglo, foi violentamente onerada pela guerra commercial entire o Japlo e os Estados Unidos, tanto que s6 no ano passado a variag~o entire as moodas representon 32 bilhbes de cruzados. Um bomn negbcio O endividamento quase liquidou o Jari, mas foi excelente para o Japlo, que com ele fabricou e ven- den unidades industrials e ainda recebeu o dobro do dinheiro que ced'eu. Nunca 6 demais lembrar que Ludwig tornou-se priprietsrio do estaleiro da IHI durante a ocupagio americana, logo apbs a Segunda Guerra M~undial. Mesmo quando devolveu a empre- sa, reteve 20% de suas agbes. Assim, faturon de ambos os lads do balcio, uma estrat~gia sempre lucrative enquanto a taxa de juros esteve sob con- trole. Mas na metade da d~cada de 70 o custo do dinheiro disparou e Ludwig perdera a capacidade de se antecipar aos movimentos efclicos do capitalism international, a principal razio de seu sucesso. NIo seri exagerado concluir que o endivida- mento deixado por Ludwig procovou uma safda do pafs de algo acima de um bilhio de cruzados novos reais, duas vezes o orgamento do Estado do ParB deste ano. E que quase metade desse dinheiro todo saiu dos cofres pdblicos, ainda que a empresa seja privada. Quando Ludwig era o inico donor daquele mundo dentro da Amaz6nia, ele seria o responsivel pelo pagamento, que em boa media nio seria mais do que a remissio de tantos erros cometidos. Na realidade criada em 1982, aos brasileiros foi trans- ferido o encargo mais pesado. Agora que a grande dfyida nlo existe mais, 6 um bom memento para a sociedade avaliar a nova situagio, cobrando a prestagio de contas que lhe 6 devida e participando da defini~go dos rumos da maravilha que o milion8- rio estrangeiro pretendia criar e abandonou quando percebeu que o produto era monstruoso e dio divi- no. preendimento ficariam apenas com as despesas ope- racionais, a parcel menor dos gastos totais. A cada vencimento de prestagiio, o BNDES e o Banco do Brasil compareciam so caixa para o pa- gamento. Ele tornou-se tio pesado que no final do ano passado os dois bancos estatais ji detinham mais de 43% do capital da Monte Dourado. Eram 413 milhees de agiies, todas elas preferenciais, sem direito a voto, num arranjo generoso para impedir que os dois bancos pdblicos se tornassem dons da empress, como ocorreria sem o estratagema. A re. munera~go vird quando a Monte Dourado distribuir dividends, o que deve acontecer no prbximo s6- culo. Os bancos que tenham paciencia at6 14. Evidentemente, nenhum investidor entraria em tal negbcio se nAo fosse compelido a isso por deci- slo superior irrecorrfvel. Foi o que ocorreu na na- cionalizagio da Jari, a alternative encontrada para evitar a estatiza~go da empresa, mantendo seu ca- rater de instituigio privada, mas socializando o prejufzo coisa tfpica do capitalism de joitinho do Brasil. O empreendimento s6 se manteve gragas a esse hibridismo heterodoxo, que maquilou os inacredita- veis erros de concepgIo, administragio e ger~ncia cometidos por Daniel Ludwig no seu impgrio ama- z6nico. Os sete anos que se seguiram a sua provi- dencial safda do Jari s6 puderam ser suportados gragas ao pronto-socorro governmental. Final- mente em janeiro a gltima das parcelas semestrais do empr~stimo da IHI foi paga, livrando a Monte Dourado de sua principal despesa e criando condi- gbes para que ela possa vir a apresentar lucro real. Embora os ndmeros oficiais atd agora nlo te- nham sido apresentados, certamente os 200 milhbes de ddlares contratados foram a muito al~m do dobro na derradeira amortizaCio. O negbcio foi efetuado em moeda japonesa, com paridade com o dblar, a juros de 8,5% ao ano, mais a inflagio. A Jari, como A Albr~s, a maior empresa industrial da Ama- z6nia, acumulou no final do ano passado prejufzo equivalent a 130 milh~es de ddlares (aproximada- mente 150 milhbes de cruzados novos, no fictdcio c~imbio official do dia). O valor 6 em si mesmo im- pressionante, mas scu impact pode ser atenuado pelo fato de que a Albr~ls, implantada em Barcare- na, a 40 quilbmetros de Beltm, por um consbrcio japones e a Companhia Vale do Rio Doce, ainda est8 na fase inicial (atingiu escala de produglo mais significativa em 1986) e s6 produzirg a plena carga a partir de 1991, quando chegard a 360 mil tonela. das anuais do alumbnio. A atenuagio desse impact, por~m, perde scu ofoito quando se verifica que o saido da dfvida da Albrds no final do ano passado era de US$ 717,5 milhbes de dblares, dos quais US$ 701,4 milhbes foram emprestados na moeda japonesa, o yen. So- mente a variago cambial do yen em rela~go no dd- lar acarretou B Albrds, em 1987, uma perda monlu- mental, equivalent a US$ 157 milh6es, tr~s vezes o valor do orgamento do Parl[ naquele ano. Segundo a balango da empresa relative no exerefcio do ano passado, a relagio da variag~o monetllria em 1988 foi favorivel A Albr~s em US$ 12,1 milh6es. Um resultado fenomenal. Ele foi conseguido - diz ainda o relatbrio gragas a duas medidas "de apoio no projeto": a reduglo da taxa de juros ea capitalizaglo de parte dos financiamentos. Infeliz- mente, o balango n~o dB maiores detalhes sobre es- sas operagbes, capazes de permitir uma avalia~gio da repercussio de tais providencias sobre a dfyida a long prazo da Albr~s. Mas o perfil tragado faz su- por que se houve um desafogo imediato no balango financeiro da empresa, os encargos futures ainda slo muito duros. Em valor do final do ano, o exagf- vel a long prazo somava 611 bilhbes de crazados, capaz de assustar mesmo o mais impassfuel oriental, se ele d~o fosse o credor. A Albris tem pesados compromissos a compnrr at6 o in~cio do prbximo sbculo. Mosmo a exceleate Albrbs: uma sucSq Ao financeira cotaglo alcangada pelo aluminio nos dlitimos tempos nlo parece ser suficiente para compensar os efeitos do custo financeiro e particularmente das flutua- S6es cambiais entire o ddlar e o yen, sobre as quais o poder de interfer~ncia do Brasil 6 nulo. Os ndme- ros mais favoraveis que a Albrls pbde apresentar no exerdicio passado, em comparagio com as negras estatfisticas de 1987, t~m que ser relativizados nio s6 em funglo da conjuntura international, como de expedientes contibeis. O prejufzo Ifquido, que bai- xou de 16,3 bilh6es de cruzados em 1987 para 1,3 bilhio em 1988, deve ser creditado mais a generosa corregio moneta~ria do que a desempenho real. As incertezas financeiras decorrentes da Fase I vbm somar-se os encargos da Fase II (duplicagio da atual capacidade de produgIo), exigindo mais 625 milh6es de ddlares, 70% dos quais sairio dos cofres do BNDES, responsivel pela contrapartida national (a primeira fase foi financiada pelos japoneses, com juros de quase 11% no ano mais corregio monetiria on variagbes cambiais, tendo como garantia a exemplo da Jari o aval do Tesouro national). As perspectives tornam-se ainda mais diffeeis diante da necessidade em que se vC o governor de voltar a desvalorizar mais intensamente o cruzado novo em relagIo ao ddlar, com repercussbes sobre outras moedas estrangeiras. Diante desse quadro, a empresa ainda declara no seu balango que examinea, com bastante apreen- slio, os reflexes das medidas na adrea tributtria, re- centemente decretadas (refere-se ao chamado Plano Verlo), em especial as referentes ao ICMS nos seus resultados futures". Quer dizer: pagar juros on va- ria~go cambial ao exterior, tudo bem; mas imposto para o pafs, 6 outra coisa, indesejavel. cia da plant de lavagem da bauxita, instalando-a no prbprio local de extragio do minbrio e poupando a paisagem do Trombetas da deposigio desses re- jeitos, no que vinha sendo ama das mais f~erozes agressoes amblentais na region. O balango do ano passado da MRN foi o me- lhor de todos os tempos, com record de produglo (quase seis milhees de toneladas de bauxita), de navios embarcados (158) e lucro lIquido (21 bilh6es de cruzados velhos) correspondent a mais da meta- de da receita operacional liquid (43 bilh6es de cruzados). A soma dos empr~stimos e financiamen- tos representava apenas 6% do patrim~inio Ifquido, numa evid~ncia de que a empresa pode programer sem atropelos sua quitagio. Tantos ndmeros radiosos poderiam ser ilumi- nados pelo retorno social do empreendimento. Se nio fosse incentivada, a Rio do Norte teria que pa- De cada 100 dblares que a MineragIo Rio do Norte disp6s no ano passado, 87 ddlares foram g~e- rados pela prbpria empresa e 13 d61ares vieram de terceiros. Em 1979, quando comegou a operar, ven- dendo bauxita para o mercado international, de ca. da 100 dblares que a MRN tinha, 60 dblares eram oriundos de empr~stimos e financiamentos. Reduzir o grau de endividamento do projeto, concebido, como todos os demais de grandes proporgbes que se implantaram na Amaz6nia, para ir buscar dinheiro fora do pais, pode ter sido a maior realizagio da di- retoria da Rio do Norte na comemoragio do 10 aniverstrio de seu funcionamento commercial* Gragas a esse desafogo financeiro (o dltimo encargo da d~vida vencer8 em 1996), a Rio do Norte que era a mineradora mais suja da regilo - realiza o maior de todos os investimentos ecoldgi- cos, aplicando 70 milhbes de dblares na transferan- cativa de alumina para a Albrds,~ mas esse es- quema sd se justificava quando os japoneses estavam nas duas pontas da linha, vendendo a comprando a materia-prima para transformd-la em metal.l Com sua desist&ncia, a base de sus- tentagdo da Alunorte desmoronou. Parel reconstruf-la, a Vale pretend elevar a capacidade de produgho para 1, f millhbio de to- neladas,~ criando mais de 400 mil toneladas de excedente para comercializar com outros clien- tes aidm da Albrd~s (que,' naturalmente,~ destruta do poder de barganhar pregos multo maior).l A Vale garante que essa definig~io serd~ dada atd a final do prdximo mes.' ff mais um prazo,, den- tre muitos.* Atd que a Alunorte se viabilize,t o Pardl continuard4 a ver a triste espetd~culo de sua bauxita ser exportada em bruto e a alumina vlr do exterior para ser transformada em alumlnio aqui dentro,~ embrulhado com energia fornecida atrav~s de tarifa abaixo do custo de garagao. O Alunorte, a irmd-gdmea da Albrdfs no projeto que visava a produgbo de alumina e alumlnio no distrito industrial de Barcarena, es- td com sau cronograma atrasado: ela deveria entrar em operagdio antes de 1984,' quando a Albrds foi inaugurada, mas a perspective ain- da incerta 4 de que essa data seja adiada pa- ra 1991, no mlnimo.* Mesmo assim, a Alunorte - sob o control exclusive da CV9D depois que os sdcios japoneses se retiraram, em 1996 jd havia acarretado despesas financeiras de 77 inilhbes de ddlares para uma inversao total de US$ 250 milhbes no final do ano passado*' Para a sua implantagao, a Alunorte vai po- der sacar 130 milhdes de cruzados novos em emiprdstimos jd contratados no mercado interno. M~as a principal problema a superar 4 a falta de interesse de poss~veis novos sdcios da CVRD. A Alunorte foi concebida para ser fornecedora Mineraq~io: um retorno desigual O triste espeticulo do vai-e-vem Os custos socials da Mineragio em 1988 foram apenas os encargos e beneftcios do capital, com de. 2,3 bilhbes de cruzados, que representam 15% ele pudesse criar tudo sozinho. A contra-mbio do rio gar no ano passado quase 15 bilh6es de cruzados de imposto de renda. Como 6 beneficiada pela Sudam, capitalize esse dinheiro, mas essa forma de capitali- zagio deveria ser reorientada para que projetos des- se tipo nio se cristalizem em enclaves. da capitalizaglio decorrente dos incentives e 10% do lucro 1(iquido da empresa. O retorno ao trabalha- dor 6 uma pequena parcela, a menor na estrutura de custos. Um definitive desmentido aos que falam em custos amazenicos nas solenidades oficiais, vendo o0 se No dia 17 o president Jos6 Sarney baixou um decreto preparando a extin~gio da Enasa (Empresa de Navegagilo da Amaz~nia). No dia 19 Sarney voltou atrds e deu uma desculpa para o ministry JA- der Barbalho, que a repassou B opinitio pdblica da regilo, garantindo que a Enasa niio seria mais fe- chada. A confustio foi atribufda a um mal-entendi- do; os personagens da 6pera esperavam que o dis- tinto pdblico se satisfizesse com as esfarrapadas explicag6es dadas. O president nito fizera o que disseram ter ele feito; mas se tivesse feito, niio faria mais tudo simples e cristalino como seu governor. O decreto que tanta celeuma provocou era ape- nas um prolongamento de decreto anterior, de 15 de janeiro. Neste, o governor cometera um pequeno er- ro: designara a Fazenda Nacional para convocar a assembl~ia geral da Enasa e nomeat o liquidante da empresa, tarefa que na verdade competia ao conse- lho de administragiio, como ficou estabelecido na corregio de 17 de maio. O segundo decreto dava prosseguimento, ademais, ao process de extingio iniciado quatro meses antes: passados os 90 dias do prazo. fixado no primeiro decreto, sem ter havido a privatizagilo da Enasa, o governor se propunha sim- plesmente a extingui-la, O que acabaria significan- do, na prbtica, a mesma coisa. A forma sorrateira adotada, atravts de um do- cumento que o ministry do Planejamento, Jolio Ba- tista Abreu, levou para Sarney assinar, sem o co- nhecimento do ministry ao qual a Enasa esti ligada (Jos6 Reinaldo Tavares, dos Transportes) ou do que indicara os diretores da empresa (Jgder Barbalho, da Previd~ncia), revela a real intenglio do governor. Ele niio esta preocupado com a navegaglio na Ama- z6nia, mas em livrar-se de um ap~ndice que o onera e provavelmente tender algum amigo, aliado ou client do setor, interessado no estaletro e nos ca- tamaris de luxo. Se o golpe niio deu certo agora, surtira efeito depois ou ao menos o governor tenta- rd retornar a ele, se puder. A Enasa passou a ser considerada um estorvo. Ela nito deixa de ser mesmo um problema, me- nos por uma impossibilidade fitica do que por erros praticados pelo prdprio governor. A empresa est& contaminada pelo vfrus da politicagem, do empre- guismo, do favorecimento escuso, da inefiedcia e da incompet~ncia. Todos esses vfcios, entretanto, s6io alimentados pelos crit~rios de indicagio dos diri- gentes da empresa critdrios estabelecidos pelo governor, que os nomeia. M./as problema administra- tivo pode ser resolvido com administragiio dife- rente da que agora se adota, evidentemente. Se o governor nito muda os crittrios 6 porque niio quer resolver o problema. Simplesmente extinguir a Enasa significa tratar a doenga com medicaglio errada. Ainda que todos os crbnicos problems administrativos da empresa fos- sem resolvidos (a partir do memento em que os If- deres politicos da terra se preocupassem em servf-la ao inv~s de servir-se dela, escolhendo como diri- gentes os mais capazes e nIto os mais convenientes aos seus interesses pessonis), dificilmente a empre- sa deixaria de operar no vermelho. Niio hi efici~n- cia empresarial capaz de tirar lucro de viagens de cinco dias entire Beldm e Manaus a 31 cruzados no- vos a passage, despesas com alimentaglio incluf- das. Mias uma boa administration pode tirar exce- lentes lucros do estaleiro que a empresa possui, considerado o melhor do Norte, do transport de cargas, dos diques flutuantes. Pode eliminar as pas- sagens de cortesia, ou reduzf-las no mfnimo rigoro- samente indispensivel, que signifique real investi- mento ou atendimento a casos extremes de necessi- dade. Pode tamb~m consolidar princfpios sauddveis de gerencia, submetendo-se a auditorias externas que nilo sejam mais um item do clientelismo e com- padrio que funcionam como elevadores da ascensilo funcional. A administragiio da Enasa 6 ociosa, mas niio a empresa. Na pratica, extinguf-la quer dizer privati- za-la. Nada de horroroso em regime capitalist co- mo o nosso, se os empres~rios quisessem ou pudes- sem desempenhar a funglio social da Enasa no aten- dimento a populaglio de baixa renda, que se serve dos navios da empresa como a tibua da salvagiio, ainda que rota. Essa demand 6 real e crescente. Os que conseguirem arranjar-se depois que a empresa desparecer, viio pagar muito mais carol pela passa- gem e estario mais expostos a riscos de acidentes. M~uitos serlio despejados na mais marginal via de locomo~gio. O terrfvel cartel que age desenvolta- mente na navegagilo fluvial amaz6nica terB, entio, eliminado o dltimo dos anteparos. Os rios estarlio totalmente entregues ao imptrio da pirataria. Financiar a navegagiio de baixa renda na Ama- zbnia custa pouco, uma endsima fraglio da montanha de dinheiro consumida pela navegaglio de cabota- gem, pelo rodoviarismo ou pelo Pro~lcool. Nio hi transport de massa sem subsfdio. Em relaglio aos rios, ele deveria aumentar e nito ser extinto. O que deveria desaparecer nilo 6 a empresa, mas a anacr6- nica postura da elite que criou os males e pensa em manipular sua solugIo para mais uma vez ter bene- ffcio exclusive. A question 6 s~ria demais para dei- xi-la nas miios do mais tfbio dos governor que a Repdblica brasileira jg teve, ou como massa de ma- nobra dos menos escrupulosos entire nossos repre- sentantes polfticos. A Enasa morreu. Que viva a Enasa. um estouro no mercado, com falta de dicheiro para projetos "menos competitivos". Qualquer que seja a forma de colaboragio, o conteddo 6 o mesmo: o governor financial pelo me- nos 40% da obra, um comprometimento que poderd ampliar-se nas etapas seguintes, sobretudo no rumo Norte e Oeste de Cuiaba: para Santar~m e Porto Velho. O maior beneficiairio da ferrovia serl o prd- prio Olacyr, que produz um tergo dos grlios da re- gilio de influ&ncia e terd economic de 70% nos fre- tes, consolidando um monopdlio diffcil de quebrar finala, sera concessiondrio e ususrio principal da ferrovia). Aldm disso, sua empreiteira sera a res- pons~vel pela construglio da linha sem concorr~n- cia, 6 bvio. Entende-se que "Veja" queira louvar um em- preendedor privado. M/as nio tem motives para achat que ele difere da esmagadora maioria dos ri- cos empresiirios brasileiros (se 6 que nlo da totali- dade), cuja carreira beneficiou-se dessa atavica promiscuidade entire os neg6cios do governor e o das empresas, gerador do "incesto econbmico" a que a revista se refere. Ao inv~s de tratar da regra, "Ve- ja" fatitasiou nova exceglio. As alternatives dentro do PMDB Apesar de ter admitido publicamente pretender voltar ao governor do ParB, o que o ministry Jader Barbalho quer mesmo 6 sair candidate ao Senado pelo PMDB. A interpretaglio 6 de um destacado po- lftico peemedebista, que tem acompanhado de perto as evolug6es do ministry da Previd~ncia Social. Pa- ra esse polftico, Jader negociard com o governador H61io Gueiros nos seguintes terms: abrindo miio da candidatura ao governor, depois de reivindicd-la pa- ra si, em troca do apoio de Gueiros para disputar a iinica vaga para o Senado que se abrird. na eleiglio do prdximo ano. O governador ficaria com a indica- glio do candidate B sua sucesslio. Argumenta o politico que se J~lder voltar a dis- putar o governor, transformard sua eleigilo em ple- biscito "e 6 muito diffcil algu~m, sobretudo na condiglio em que ele esta agora, de figure pdblica extremamente pol~mica, passar por uma eleiglio plebiscitbria". As dificuldades seriam ainda mais agravadas pela posiglio do governador, que nito po- deria concordar com tal esquema: seria obrigado a permanecer no governor at6 o fim, arquivando sua intengilo de recuperar o lugar que tinha no Senado, e ao mesmo tempo aceitar o retorno de Jader no Pal~cio Lauro Sodr6, com o que niio concorda. FL claro, entlio, que J~der nito contardl com a maquina do Estado diz a fonte. H61io s6 sacrificaria suas pretensbes senatoriais se puder fazer seu successor. Por causa dessa conjuntura desfavordvel, J~der estaria alardeando sua condigilo de candidate ao governor apenas para negocicar essa pretensilo, tro- cando-a pelo que seria sua aspiraglio real: a candi- datura ao Senado, que lhe assegura um mandate eletivo (imune gs flutua~ges de um cargo adminis- trativo), presenga national e a possibilidade de Os herois de papel da revista "Veja "Veja" elegeu na semana passada seu novo herdi: 6 o empreslrio Olacyr de Moraes, donor de um patrimbnio de um bilhilo de ddlares, o maior plantador individual de soja, trigo e milho do pafs. Olacyr ganhou seis piginas bem coloridas e adjeti- vadas da revista a prop6sito do infcio da construgio da ferrovia Leste-Oeste, uma linha de tragado defi- nitivo ainda incerto mas com o prop6sito de levar a produgHo agrfcola do Centro-Oeste atC o literal Sul. "Veja" diz que o donor do grupo Itamaraty est& investindo nessa obra 400 milhbes de d61ares de seu bolso, "o mais gordo investimento privado da hist6- ria do pafs". Niko sendo, por isso, "uma obra do governor a ferrovia distinguiria Olacyr do grupo de empresirios que "mantam uma relaglio de incesto econ~mico com altos funcionirios da administra- glio" pdblica. Ao contrdrio: ele encarnaria a legen- d~ria figure do "self-made man" de que tanto pre- cisa o capitalism para renovar suas forgas. A revista diz que Olacyr de Mloraes "comegou a ganhar dinheiro em 1951". Como possui patrimb- nio avaliado em um bilhilo de ddlares, aumentou sua fortune a uma taxa m~dia de 25 milh~es de ddlares por ano uma faganha, sem divida. "Veja" asse- gura que tudo isso foi conseguido i base de tenaci- dade, trabalho e compet~ncia, sem ajuda official. A construtora do empres~rio paulista, por exemplo, a Constran, tornou-se a quinta maior do pafs sem ter sido jamais premiada com uma usina hidrelttrica, por exemplo, como insinua a revista, supinamente contraditdria. Hidrel~tricas tim sido a principal ra- zlio da fortune de Sebastitio Camargo, o donor da Camargo Correa (outro dos herdis da desmem6ria de "Veja"), ou de Gabriel Andrade, a "cap" da Andrade Gutierrez. Inegavelmente hi grandes m~ritos nessas car- reiras de homes de empresas, mas tamb~m ha fan- tasias e inverdades em seus racontos. Ao contririo do que "Veja" diz pensar, 40%~ dos 400 milh6es de d61ares que sedio gastos na primeira etapa da ferro- via Leste-Oeste (as outras slio ainda incertas e nlo sabidas) sairlio dos cofres pdblicos e n~io do tesouro de Olacyr. Em dezembro a Sudam aprovou essa co- laboragiio financeira dos incentives fiscais, que sd niio foi espichada ainda mais porque apenas uma parte do tragado da ferrovia encontra-se dentro da Amaz~nia Legal, sob a jurisdiglio da Sudam. Pode-se argumentar que tais recursos slio oriundos do imposto de renda que o grupo Itamaraty deixa de pagar e aplica no projeto incentivado de sua propriedade, naturalmente atrav~s do artigo 18. Diante do volume de dinheiro a ser desembolsa- do no prazo de quatro anos (mais do que todo o or- gamento do Programa Nossli Natureza, tiio fantasia- do pelo governor os especialistas duvidam que o grupo empresarial tenha tantas dedug6es de imposto a fazer: o Itamaraty paga pouco porque export. Acharp que a captaago acabard transitando por al- gum dos desvios dos incentives fiscais, provocando concorrer outra vez ao governor do Estado em 1994, quando ainda estara; chegando aos 50 anos (nessa 6poca, alguns de seus possfveis concorrentes ja. es- tadio com idade avangada). Um ponto obscure nessa possibilidade de en- tendimento 6 quanto ao nome que o PMDB endossa- ria para disputar o governor. H61io Gueiros tem dito, a princfpio a assessores e, mais rencentemente, de pdblico, que o PMDB nito tem ainda um candidate forte e por isso niio deve eliminar a possibilidade de coligar-se e mais do que isso atC, de apoiar um nome que niio pertenga ao partido. Gueiros pensa, quando faz essa especulagilo, no atual prefeito de Beldm, Sahid Xerfan. Mas essa hip6tese niio faz pate da estrat~gia de J~ader, ao menos no memento. No memento, alifis, nenhuma candidatura para 1990 esta definida: o pano de fundo para a pr6xima eleigio esta sendo tecido com os resultados da cor- rida presidential deste ano. Mlas politico profissio- nal nito pira de pensar no future e de raciocinar so- bre hip6teses, mesmo e principalmente quando diz o contririo. Pri~ximo pass O future do relacionamento entire H61io Guei- ros e Jgder Barbalho dependedg de como o ministry da Previd~ncia Social conduziri a substituiglio de Henry Kayath na superintend~ncia da Sudam. For esse o principal tema da conversa que os dois tive- ram no dia 14, na Granja do Icuf. O encontro, o mais demorado desde que os dois passaram a trocar farpas entire si, havia sido acertado duas semanas antes, durante a convenglio do PMDB em Brasfia para a escolha do candidate do partido B presid~n- cia da RepdZblica. Jdder e H61io conversaram sem testemunhas, mas as informagdes filtradas nito deixam ddvidas de que boa parte do tempo foi consumido por circunl6- quios cautelosos em torno da delicada situadio da Sudam depois da intervenglio. O ministry deve ter repetido o juramento de que nada teve a ver com o afastamento de Kayath, decidido pelo ministry do Interior, Joiio Alves, e o governador pode ter rea- firmado sua disposi~gio de ignorar a substituigio do amigo, por consideri-la uma agressiio pessoal. Am- bos sabem que Kayath, qualquer que for o resultado da sindicincia em cursor para apurar irregularidades pelas quais foi responsabilizado, nlio voltar8 & Su- dam. A inica said honrosa para ele seria a absolvi- glio pela comissiio de inqubtito instalada na Sudam, mas esse resultado desmoralizaria um pouco mais (se isso 6 possfvel) o governor. A soluglio entlio, se- ria uma substituiglio negociada: Jader apontaria co- mo novo superintendent um nome do agrado do governador, sendo esse ponto pate de um entendi- mento mais amplo que incluiria os candidates no governo e ao Senado em 1990. Outra hipbtese seria a perman~ncia do superintendent interino, general Roberto Klein, atC o final do mandate de Sarney, talvez melihor como acomodagilo, mas desinteres- sante aos interesses politicos do ministry. A Sudam 6! important demais para ficar no vacuo ou no limbo. Cachoeira Porteira. 8 pfOX Ima historia A Eletronorte niio podera tender o desejo do president Jos6 Sarney, que pretend langar a con- corr~ncia para a construgHo da hidrel~trica de Ca- choeira Porteira, em Oriximind, no prbximo m~s. A empresa tentou convencer a Secretaria de SadZde do Pard a aceitar a licitagilo da obra condicionada ao compromisso, por parte do vencedor, de s6 comegar a instalar-se depois que o Relatbrio de Impacto Ambiental da usina fosse aprovado. A secretaria niio concordou. Primeiro o Rima terb. que ser mesmo analisado e, depois, submetido a primeira audi~ncia pdblica do Estado, conforme a mais recent legislaglIo am- biental. Apesar de ter sido pouco discutida atC ago- ra, a hidrelttrica de Cachoeira Porteira (projetada para gerar 1,4 milhilo de kw em duas etapas de 700 mil kw, a primeira ao custo de 640 milhdes de ddla- res) 6 um dos mais complexes aproveitamentos energtticos da Amaz~nia. Os problems que ela podera: acarretar na bacia do rio Trombetas estlio bem listados no Rima, mas apenas sumariamente descritos e o tempo disponf- vel atC o fechamento do rio, muito curto para qual- quer coisa de prdtico. O risco ecol6gico mais grave afeta as tartarugas, que procuram o baixo cursor do Trombetas para desovar e t~m sido, af, protegidas pelo mais important esforgo de preservagilo biold- gica da regilio. As conseqii8ncias do sub-planejamento Mas tamb~m a usina envolve complicagdes tic- nicas e econbmicas. Ela sera: construfda principal- mente para tender, na prbxima d~cada, o mercado de M4anaus, que a hidrel~trica de Balbina niio con- seguird suprir seniio minimamente. No entanto, an- tes de Cachoeira Porteira poder funcionar, a Eletro- norte pretend atravessar o "linhilo" de Tucuruf e Karara6 para a margem esquerda do rio Amazonas. Nesse caso, Cachoeira Porteira (ou, se tivesse sido possfvel usar um planejamento racional desde o Anico, a prdpria Balbina) nile se terl tornado des- necessaria, ou pelo menos nito prioritbria? Outra question diz respeito ao g~s e ao petrdleo do Ama- zonas, seja o de Urucu (ji em produglio) ou o do Jurub: niio seria possfvel modificar a matriz ener- g~tica, baseando-a em usinas tdrmicas abastecidas por mat~ria-prima local? Quem nIio tem ddvidas a respeito 6 a Constru- tora Andrade Gutierrez: depois de arrematar Balbi- na e asfaltar o ramal de acesso a usina, esta se transferindo para Cachoeira Porteira, de onde, hg quatro anos, extrai madeira para o forno de secagem de bauxita da M~ineragilo Rio do Norte (capftulo que~ constitui outra histbria, ainda a ser escrita). As em- preiteiras, no Brasil, t~m raziies que a prdpria raziko desconhece e sabem mais do que todos nds. Sem said O m~inistro J~der Bar~balho jB esta em campo para tentar fazer do ex-prefeito de Bel~m, Fernando Coutinho Jorge, novo president do Banco da Ama- zbnia, em substituigio a Valdemir Messias de AradZjo. Os entendimentos slo feitos com o ministry do Interior, Jolo Alves, responsivel pela indicagio de Messias de Arad~jo, sergipano como ele. A no- meagIo poderia bloquear o caminho de saida de Coutinho do PMDB e garantir um nome alternative no esquema de Jdder. Fimn de balle na ecologia No fim de seu mandate e com o maior [ndice de impopularidade da Repdblica, o governor Sarney teima em adotar medidas de long prazo, cujas im- plicaqges irio afetar a pr6xima administragIo fede- ral. E o caso do Programa Nossa Natureza: o go- verno recusou-se a retirar do Congresso os projetos ja encaminhados, com pedido de tramitagio urgente, e transform6-los em simples propostas para andlise. Com o forte lobby de que disp6e junto aos parla- mentares, reforgado pelos interesses em jogo, o go- verno poderd acabar conseguindo a aprovagio para iniciativas de gosto e seriedade mais do que discu- tfveis. Durante os debates sobre o program realiza- dos em Bel~m, ficou claro que aos grupos ecoldgi- cos sd resta uma alternative: combater os projetos do governor no Congresso, tentando aproveitar os pontos positives e expurgar a parafernalia de as- pectos nefastos, ou simplesmente recusar-se a tratar desse program. M4esmo diante da segunda hipdtese, a estrat~gia consistiria em impedir os projetos de serem apreciados, o que significa sua revogagio. A partir daf, recomegaria o trabalho de criaCgo e na perspective de poder ser utilizado pelo novo gover- no. Em sua passage por Bel~m, o president do super-drgio criado pelo Nossa Natureza, o Ibrama, admitiu que o program foi elaborado em gabinetes fechados, numa "falha grave". Fernando Cesar Mlesquita tambtm reconheceu que o governor s6 se mexeu por pressilo international. Sendo assim, nio se justifica a press: insistir nela 6 permanecer no erro alids, um estado de espfrito permanent do governor Sarney. Serra Pelada; o ex-garimpop * A primeira associagio entire garimpeiros e uma empresa privada de mineraqIo para atua~go em conjunto poder8 surgir em Serra Pelada. A hip6tese foi admitida pelo prbprio president do Sindicato Nacional dos Garimpeiros, Roberto Athayde de Souza, durante visit feita na semana passada ao governador H61io Gueiros. Athayde acompanhou na visit executives e t~cnicos japoneses da Mtsubish, que estio analisando a possibilidade de investor no garimpo. O estudo de viabilidade s6 estard conclufdo em 90 dias, mas os representantes da Mitsubish ficaram bem impressionados com o potential do garimpo. A empresa esta interessada em reaproveitar o cascalho ja trabalhado pelos garimpeiros e que eles nio tem condig6es de reprocessar. Embora se trate de rejei- to, ali pode haver tanto ouro quanto o que jfi foi extrafdo (oficialmente, em torno de 40 toneladas). E que os m6todos da garimpagem, mesmo com o apolo de equipamentos e miquinas, permitem retirar ape- nas 40 ou 50% do mindrio contido. Os japoneses fa~ riam a recuperaglio atrav~s de m~todo mais sofisti- cado, pela cianetagIo. Em troca, a Mitsubish pagaria "royalty", in- vestiria na infra-estrutura de apoio a Serra Pelada e participaria do trabalho de terraplenagem na "ca- va" do garimpo para permitir a retomada da perfu- ragIo, que ja ultrapassou 150 metros de profundi- dade, transformando-se quase em mina subterrinea. Os garimpeiros acreditam que ali ha ainda mais ou- yo primario do que no meio da pilha de cascalho. baseados menos em informag6es reais do que na lenda espalhada pelo "Major Curid" (ex-agente do SNI, ex-coordenador do garimpo e ex-deputado fe- deral). Ele garantia que, lb embaixo, havia uma vasta laje de ouro. Para os japoneses poderem entrar em Serra Pelada, a cooperative dos garimpeiros ter8 que aprovar a associagi~o em assembl~ia geral. A situa- glo que se former a partir daf sera nova na AmazG- nia, mas 6 pouce provivel que Serra Pelada volte a ser conhecida como garimpo depois que mais essa tr~ansformagiio consolidar-se. De ex-alguma coisa, ela serb quase-outra coisa* Um journal do leitor Circulando apenas entire assinantes, o JORNAL PESSOAL depend dnica e exclusivamente deles, ji que n~io tem publicidade. Por isso, 6 important que os assinantes mantenham-se atentos em relagio ao journal. Para renovar assinaturas vencidas ou pedir informag6es sobre novas assinaturas, basta ligar pa- ra 224-3728 ou procurar a sede do JP, A Rua Aristi- des Lobo, 871. Tamb~m a difusio do journal depen- de, em grande media, da repercussion que nossos leitores derem no que publicamos. Ao contr~rio da "Folha de S. Paulo", este journal nio tem rabo; tem 6 compromissos e todos eles estio vinculados ao seu leitor. JOITIRI PeSSOal Editor responsivel: Leicio Flavio Pinto Enderego (provis6rio): rua Aristides Lobo, 871 Belem, Pard, 66.000. Fone : 224.3728 Diagramagao e ifustraC~o: Luiz Pinto OpC60 Jomalistica |
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