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rnal Pessoal SLucio Flivio Pinto Ano II NO 35 Cirimla Slnann Inntrip 2c~inantoe .-..-- ..... .. _....w w.. w..' ,i,- uUlllitia Ua UVUUIrU UU IUyo AMAZONIA Defesa faz-de-conta O responsavel pelo inc6ndio aparece como bombeiro na hora de contabilizar as perdas. Assim e a attitude do governor brasileiro diante do crescimento da preocupagao international pela sorte da regiao. Amaz6nia: para o colonizador, fonte de mat6rias-primas, nio de vontades E m 1952 o governor brasileiro desistiu de par- ticipar do Instituto Internacional da Hil6ia, que um cientista brasileiro havia proposto cinco anos antes cor a finalidade de "orien- tar as pesquisas, mobilizar os recursos necessarios, centralizar informag6es cientfficas e difundi-las" en- tre nove palses cor territ6rios na Amaz6nia latino- americana. Chegava ao fim uma poldmica que, em seus moments mais acesos, vislumbrava por trhs da id6ia desse institute de cidncias a intengdo de alguns passes de se apoderar da ultima grande fronteira do planet. Em 1952 mesmo surgju o Inpa (Instituto Na- cional de Pesquisa da Amaz6nia), com sede em Manaus, a maneira encontrada pelo governor para dizer que nao estava omisso diante da comunidade cientffica que apoiara o projeto da Hileia. A criagao do Inpa foi o dividend de toda a discussAo estrei- tamente nacionalista em torno da proposta de Paulo Carneiro, mas se o institute nio saiu, nem por isso a soberania brasileira na Amaz6nia ficou mais forte: a partir da d6cada de 50 comegaram os levantamentos de recursos naturais, alguns deles no impulse do acordo military Brasil-Estados Unidos que balisou o relacionamento dos dois pauses (o primeiro absolutamente alinhado ao segundo), e as aplicagoes de capital estrangeiro na exploragao dos bens econ6micos identificados. ~a n..;,,,,, *, e,..,,,:,, ~, ~nnn Na ret6rica, a internacionaliza~go foi bloquea- da. Na prAtica, foi a partir de entao que ela se con- solidou: tomar posse das mat6rias-primas dessa vasta fronteira deixava de ser o alvo de aventurei- ros e sonhadores para se transformer na estrat6gia das corporag es de neg6cios, mal batizadas de multinacionais. Se o Instituto da Hileia nao saiu, o projeto Radam, na d6cada de 70, atendeu a de- manda. Os geopolfticos, que mantinham uma vigi- lAncia descriteriosa sobre essa cobiga, armavam-se contra passes atormentados pela combinagAo de li- mitagAo territorial e excedente populacional, mas eram in6cuos em relagAo ao capital. Mais do que inocentes: receptivos. Os castelos de vento Nao parece ter impressionado aos que comba- teram doutrinariamente a segundo acreditavam - internacionalizaggo embutida perigosamente na ideia do Instituto da HilBia o fato de que as maio- res pot6ncias, como Estados Unidos e Inglaterra (ainda conhecida entao como Gra-Bretanha), nao aderiram ao projeto, ao qual a redemocratizada Ita- lia deu seu apoio. Os nacionalistas acharam que poderia ser apenas um despite, embora nao titu- beassem em proclamar que o objetivo escuso esta- va claro na pr6pria designagAo da instituig&o. O au- tor da ideia, Paulo Carneiro, reagiu cor acaciana indignag o: "Que outro tftulo, que outro nome se pretenderia para o Instituto, se a sua criagao foi convencionada entire vArios Estados? International seria ele se pactuado apenas centre o Brasil e o Pe- ru", ponderou. Mas foi indtil a tentative de remeter a discus- slo & elucidacao semAntica. Quase tr6s d6cadas depois um epis6dio semelhante quase se repetia em Santar6m porque pesquisadores do NAEA (NO- cleo de Altos Estudos Amaz6nicos da Universidade Federal do Par&) usaram a expressAo "internacio- nalizag o" num document. Foi precise sublinhar e cercar de cuidados explicativos a palavra no texto para nao provocar novo furor nacionalista centre os que participavam de um encontro sobre "politicas amaz6nicas". Os pesquisadores nao eram "interna- cionalistas amazdnicos": apenas queriam que os efeitos da ocupagAo amaz6nica ficassem na regiao, fossem nela "internalizados". Como o famoso per- sonagem de Cervantes, os brasileiros deliciam-se com ataques her6icos a moinhos de vento, enquan- to deixam passar inimigos de came e osso. Essa belicosidade ret6rica foi retomada na semana pas- sada pelo president Jos6 Sarney, entire outros al- tos burocratas chamados a combat, a prop6sito da proposta de transformer em investimento ecol6gico uma fracio centre quatro e seis bilh6es de d6lares - da dfvida externa brasileira. "N6s brasileiros 6 que temos o ever de de- fender a Amaz6nia", tonitroou Sir Ney, para usar o apelido proposto por Mill6r Fernandes, mais apro- priado do que nunca. "NAo hA dinheiro international que possa comprar um metro sequer do solo ama- z6nico", completou o president, do alto de sua ca- deira ergon6mica. A necessidade que tern a "mfdia" de etiquetar o conjunto irregular de reflexes e projetos em tor- no da integridade ambiental amaz6nica logo reedi- tou o jargdo da internacionalizagio. Nada de novo no front: os mais velhos, ou mais estudiosos, ja vi- ram este film, de enredo pobremente fantasioso, que nao serve a qualquer das pedagogias coletivas. Naturalmente, ha empresas ou at6 mesmo paf- ses que gostariam de retalhar a Amazonia e tomar posse de part de seu territ6rio. Mas uma iniciativa dessa envergadura envolve riscos tao grandes que simplesmente ela foi abolida pela atualizagao da divisao international do trabalho e do capital. NAo foi por outro motive que o velho colonialismo, cujo cone era sir Cecil Rhodes, ficou nas paginas dos livros de hist6ria. Jogar com a soberania alheia acarreta complicag es pesadas, ainda que seja um jogo de simbolos ou justamente por isso. Mas por que precisariam esses vorazes cobi- gadores de territ6rio brasileiro na Amaz6nia recorrer ao ardil de converter d6lares da dlvida por ecologia para consumer suas maquinag6es? Foi cumprindo integralmente a legislag o brasileira que a Alcoa feriu de morte uma political national integrada de alumfnio, capaz de permitir ao Brasil furar os car- teis internacionais do metal. Tamb6m a Alcan nao precisou deslocar-se um millmetro dos c6digos bra- sileiros para exercer o control da mat6ria-prima dessa inddstria estrat6gica. Os grandes consumido- res de energia precisaram apenas recorrer a media dizia de personagens influentes para conseguir contratos de suprimento que embasbacariam sir Cecil Rhodes. Muitos outros exemplos mostrariam - a guerreiros menos imaginosos do que Dom Qui- xote que ndo precisaria brotar uma instituilAo cientffica international para erodir-se a simbologia da soberania national. Algumas das inquietag6es em torno da devas- ta go amaz6nica assumiram formas que os brasilei- ros e quaisquer outros povos dotados do mais elementary auto-respeito nao podem aceitar. Mas essas propostas desastradas nAo anulam o valor da preocupagao em si, sua legitimidade. Ao contrhrio, ela abre uma trilha muito mais positive do que as largas avenidas financeiras percorridas por empre- sarios predadores e burocratas doidivanas, que re- sultaram num endividamento tao grande quanto im- produtivo. At6 aqui, esse dinheiro aplicado para "aumentar a produg~o de alimentos", apenas in- crementaram o combustivel que tem incendiado a Amaz6nia. Algumas cautelas seriam o bastante para ex- purgar dessa nova abordagem seus aspects nega- tivos. Em primeiro lugar, converter d61ares por ecologia nao significa uma maneira de resolver o problema da dlvida externa brasileira. Quatro ou seis bilh6es de d61ares representam disponibilidade de verbas sem igual para projetos ecol6gicos, mas sdo uma gota d'Agua (nao mais do que 3%) no total da dfvida, que nao pode ser enfrentada cor ecolo- gia, matemAtica ou principios de economic, mas cor attitude political ao menos como inlcio de tra- tamento. Desta vez, as fontes mais categorizadas nao estao querendo que a aplicagao de d6lares da dfvi- da em ages favoraveis ao meio amblente seja co- mandada por uma instituigao international, nova ou j6 existence. O Brasil tern densidade institutional e humana para absorver um fluxo de investimentos em ci6ncia como nunca houve antes no pars ou na regiao. Num esquema assim, dinheiro corn destina- 5ao especifica prd-fixada (em projetos definidos atrav6s de negociagdes bilaterais de alto nrvel) 6 mais do que bem vindo: 6 ansiosamente esperado. A falta de confianga Mas ao rechagar a interferdncia de organismo international, nem por isso o governor brasileiro se credencia junto A comunidade international e en- tre seus pr6prios concidadios como entidade confiavel e segura para controlar e gerenciar esse dinheiro e as aq6es dele decorrentes. No mesmo moment em que se declara em condi6bes de pro- mover uma exploragao racional da Amaz6nia e as- sim corresponder As justas preocupag6es da huma- nidade corn a sorte da mais rica fonte de vida do planet, o governor destroca o setor de pesquisa, extingue o minist6rio da Ciencia e Tecnologia, de- mite cegamente pesquisadores e nomeia para urn novo 6rgao esdrdxulo, obtido atrav6s da pior manei- ra de encarar a atuacgo de outros 6rgaos inapeten- tes para o meio ambiente, que foram extintos, um cidaddo sem a menor das qualificagbes e creden- ciais para a tarefa, exceto sua amizade pessoal pelo chefe da administragao piblica federal (sem- pre mais parecendo o "coronel" da curul municipal). Se o pals quer continuar seguindo ret6ricas anacr6nicas e vazias, acompanhard o governor na defesa de uma soberania que nao apenas estA des- titufda de conteddo, como funcionou exatamente contra os objetivos para cujo atendimento 6 outra vez ressuscitada. Mas se a nagao quiser ver-se corn os olhos da realidade, haverd de encarar corn se- riedade, realismo e intelig6ncia uma nova situado que se cria corn o interesse, vAlido ou nao, legItimo ou esplrio, por esta parte maior do territ6rio brasi- leiro que o "outro Brasil" administrou tao mal nes- tas ultimas d6cadas. Certamente mais de 10% da dfvida externa foi formada para financial obras que deveriam favore- cer a Amaz6nia, mas s6 um analista obtuso ou de ma f6 haverd de concluir, da relaq&o de troca, que a regiao realmente saiu ganhando. Sua principal perda, e em muitos casos irremediavel, foi a pilha- F gem do estoque de bens que a natureza nela acu- mulou e que deveriam servir ao seu progress e nao A cristalizacgo de sua subordinagao, de sua depend6ncia a centros. externos de usufruto e po- der. A sede da capatazia O governor de Brasilia serviu de gendarme, ca- pitao-do-mato, banqueiro, avalista e parceiro de tu- do o que se fez nesse perlodo na Amaz6nia que re- sultou em contaminagao de seus rios oelo t6xico mais terrIvel que o home inventou para atividades nao militares, o mercurio; ou na elevagdo da exten- s&o de destruigco de toda a sua floresta, de 0,2% para 8%; ou na formag o de espirais humans de marginalidade, delinqu6ncia e degradacgo sem pa- ralelo em qualquer outra 6poca de vida na regilo. O governor montou essas bombas sociais e ecol6gicas preocupado apenas corn a contabiliza- c9o de seus resultados em d61ar. Foi na Amaz6nia que o autoritarismo e a centralizac o de poder fo- ram mais acentuadas: os amaz6nidas viram seu ter- rit6rio, mantido como national durante os s6culos em que a dominac&o foi metropolitan e as d6ca- das em que o Imperio esqueceu-se de que havia tamb6m aqui concidadaos, ser ocupado oor novos senhores, que corn a gente native mantinham ape- nas a ligacqo da mesma Ifngua. Raras regioes de um mesmo pals (se existem outras) foram submeti- das a um process tao tiranico quanto o que t6m sofrido os amaz6nidas enquanto agents passivos da "integragao" comandada de Sul para Norte. O president fala, agora, em defender a Ama- z6nia da cobiga dos estrangeiros. Mas qual foi a vez em que Brasilia ouviu a voz dos amaz6nidas e, encontrando uma opiniAo divergent, reconheceu que cabe aos moradores do lugar o direito de deci- dir sobre seu destino, conform a margem de auto- nomia que o princfpio federativo Ihe oferece? Antes de falar em nome da Amaz6nia, o president deve- ria renovar a delegagco, que, alias, nunca Ihe foi conferida. O governor quer defender uma Amaz6nia que ele pr6prio faz destruir, da mesma maneira que os colonialistas ingleses defendiam seus siditos na india e, 1 at6 com mais efici6ncia. Se alguem tem que falar nesta discussao somos n6s e jA nao 6 sem tempo. PETROBRAS Surgem irregularidades 'elo menos 17 irregularidades praticadas pelo 6rgao". setor de compras da Petrobras na regiao Norte fo- ram constatadas em auditagem internal realizada centre abril e junho do ano passado. Embora com- provando boa part das dendncias que vinham sen- do feitas por funcionarios da pr6pria empresa, os auditors conclulram que em nenhuma ocorrencia "ficou patenteado algo mais que nao tenha sido atribufdo ao despreparo dos executantes e/ou As nuances operacionais pr6prias da peculiaridade do Mesmo assim, os auditors verificaram que o Distrito de Perfuragdo do Norte "incorria em reite- radas situag6es comprometedoras da transpardncia das operag6es (de compra) realizadas, ocasionado- ras de gastos desnecessarios e indevidos, assim como evidenciadoras de descumprimento normati- vo". Em relagio a contratos da PetrobrAs corn em- preteiros e fornecedores, por exemplo, os auditors observaram que a atuapdo da fiscalizag&o precise de mais vigor e formalizagdo das ocorr6ncias, cuja falta, As vezes, afeta a dignidade da opera(go". Mas negaram-se a endossar as acusac6es feitas por dois funciondrios (ver materia seguinte) sobre corrupg o, nepotismo e md f6 nas relag6es do setor de compras da PetrobrBs, baseado em BelBm, mas cor jurisdigio sobre toda a regido Norte. Algumas das principals irregularidades estao ligadas ao cadastramento de fornecedoras. Deter- minadas empresas eram cadastradas como forne- cedoras exclusivas de certos produtos, nem sempre de forma correta, aproveitando-se dessa circuns- tAncia para praticar pregos elevados. Nem todas as evid6ncias de irregularidades observadas puderam ser comprovadas porque todos os processes de compra anteriores a 1985 foram queimados, antes do prazo legal permissfvel. A documentacgo tam- bem nem sempre 6 precisa. Alegando necessidade urgent de material pa- ra um guindaste, o setor de compras adquiriu um motor As presses. Mas o guindaste passou um ano na oficina, parade. Como a nota fiscal sequer men- cionou o n6mero de s6rie do motor, ningu6m con- seguiu comprovar a entrega do produto ou encon- trA-lo nas dependencias da Petrobras. Uma outra forma de manipulaiao de pregos dava-se atrav6s da formacgo de cartdis. Em uma tomada de pregos para a compra de sal (produto muito usado na lama de perfuragdo), venceu uma firm a Comerge que nlo estava no cadastro da PetrobrBs, nem mesmo para fornecer outros ma- terials. Alegando falta de condid6es para entregar a matoria-prima, a Comerge desistiu do fornecimento, que foi transferido para a segunda colocada, a M. Carneiro. O dono da M. Carneiro 6 pal do proprieta- rio da Comerge, que, depois da concorrOncia, dei- xou de morar em Beldm. Houve uma serie de com- pras desse tipo, sem tomada de pregos, mas a Co- merge nunca mais participou. Em outra compra, apenas duas das seis firmas participants cotaram pregos: dois dos s6cios da Estancia Guama eram tamb6m proprietarios da Comvil, sendo que esta em outra compra admi- tiu nAo ter o produto sobre o qual apresentara pro- posta. Para um outro process foi convidada a Co- norte, onde trabalha ur dos filhos do s6cio majori- tario da Comeq, que acabou ganhando. A auditagem encontrou tomada de pregos vi- ciadas, manipulaggo na entrega e no recebimento das propostas, subdivisao de compras para que o limited jurisdicional nao fosse ultrapassado, e nepo- tismo, jA que o chefe do setor de compras era so- brinho do chefe do setor de suprimentos. Mas os auditors se satisfizeram cor as providencias ado- tadas pelo superintendent que assumiu o distrito quando as investigagdes estavam em curso. Ele substituiu e remanejou chefias e mandou publicar edital atualizando e ampliando o cadastro de forne- cedores. Houve o que os ge6logos chamam de "a- comodagdo de camadas". Cor quase nenhum tre- mor. Funcionario sustenta denuncias Basicamente sobre os mesmos fatos anotados pe- los auditors internos da Petrobras, Marlano Klautau de Aradjo, o funcionArio que sistematicamente vem apontan- do irregularidades dentro da empresa, tem interpretacgo diferente. Depois de ter elaborado tres dossies, com mais de 200 paginas, que circularam por 6rgios de dire- 9go da Petrobrbs e provocaram as verificag6es, ele nao se satisfez com os resultados e encaminhou suas de- ninclas ao Tribunal de Contas da UniAo, que passou a examiner a questAo. Na denincia, Mariano Klautau classifica como "a maior ilegalidade national que a Petrobras compete" a compra de determinados produtos para estoque, o "su- ply-house". Alem de essas operagOes nao integrarem o manual de suprimento de material, o distrito "faz rodrzio centre apenas seis firms, isto 6, 'cada uma de cada vez', sem licitagAo entire elas, com simples requisi ao encami- nhada para quem estA na 'vez de fornecer' ". Acrescenta que os materials assim adquiridos "sAo os de mais alto valor que a Petrobrbs compra para consume". Segundo Klautau, que atuou no setor de suprimen- tos, ha seiss eixos principals" nas irregularidades prati- cadas pelo setor de compras da Petrobras na regiSo Norte. Um 6 o nepotismo: "Cinco pessoas, entire si pa- rentes consag0ineas de primeiro grau, durante uma de- cada (atW julho de 1988) conduziram diretamente o pro- cesso de compras e, atualmente, continuam a interferir de modo indireto". Relata Klautau na denOncia ao TCU que, contra- riando as normas da Petrobras, as compras de emergen- cia, que s6 poderiam ser feitas por absolute necessidade (e seus documents mantidos em arquivo especial para sofrerem auditagens extras), "se tornaram rotinas na verdade pretextos para privil6gios, e nAo existe arquivo especial". O funcionArio acredita que ha quase 20 anos o distrito pratica o esquema do fornecedor inico, tambem contrariando as normas da Petrobras. Um dos fornecedores inicos 6 a Comeq (Com6rcio de MAquinas e Equipamentos), que se declare exclusive para os sobressalentes "Buggy". Por considerar que hf outras fornecedoras na praca de Belem, Klautau enviou carts consultas a eles e nio apenas A Comeq, como era rotina. Uma hora e meia depois que a correspond6ncia saiu da sede da Petrobrbs, o director da empresa fornece- dora jA se queixava ao superintendent do distrito. A ra- pidez levou Klautau a concluir que uma "rede de informa- g6es" foi montada "por algumas firms de grande porte" dentro da base da PetrobrAs em TapanA. Mas nAo consi- derou isso "tao estranho assim, porquanto ainda funcio- nam absurdamente nas dependAnclas desta unidade va- rios escrit6rios de firmas lornecedoras da PetrobrAs". Klautau nao concorda cor a explicagao dada pelos auditors a essas irregularidades, atriburdas a "deficien- cias estruturais". Os auditors, mesmo comprovando as denuncias, pediram o afastamento de Klautau e de San- doval Barbosa, outro que tern endossado as dendncias, "o mais rapidamente possfvel". Explicam que os dois "nao gozam da confianga do distrito". Por cause das de- nincias que tem feito, Klautau diz jA ter sido ameagado de morte por um dos fornecedores, al6m de ser submeti- do a quatro "arbitrarias transferOncias de setor" nos 01- timos meses, "sem portaria ou explicag6es". Um abaixo- assinado questionou seus m6todos e criou um ambient hostile contra ele no Tapana, mas ele garante querer ver apuradas denOncias que poderiam mostrar uma espiral da corrupigo dentro da PetrobrAs de amplitude national. NAVEGAQAO Caminho da Justiga precisam esperar pela definicgo da respon- sabilidade penal dos causadores dresses acidentes para cobrarem indenizag6es, lu- cros cessantes ou quaisquer outros ressarcimentos materials a que se julguem cor direito. Foi corn base nesse entendimento que a jufza Marta In6s Antunes Lima, da 14- Vara COvel do Forum de Be- 1em, decidiu obrigar a prefeitura de Chaves, na ilha de Maraj6, a pagar indenizac&o & famflia de um dos passageiros que morreu durante naufrAgio da em- barcacgo municipal. O barco "Cisne Branco" afundou na madruga- da de 25 de agosto de 1985, depois de bater num rebocador. Dos 12 passageiros que transportava, tr6s morreram, entire os quais Marco Antonio Ma- chado Espfndola, de 15 anos. Em margo do ano se- guinte o pal dele, o sapateiro Joanicio Gaia Espfn- dola, prop6s uma acao de reparagao de danos na Justica contra a prefeitura de Chaves. O pedido, muito simples, coube em uma lauda e meia de papel. A principal base de sustentagao era uma certidao fornecida pela Capitania dos Por- tos do Para e AmapB. O document apontava como "possfveis responsaveis" pelo naufragio o coman- dante e o piloto do "Cisne Branco". Os dois tenta- vam voltar a Belem, de onde mal haviam safdo, por causa de um defeito que apareceu no motor do barco. Mas o piloto manobrou cor imperfcia, pro- vocando a colisAo cor o rebocador de uma balsa, que navegava em sentido contrdrio. O "Cisne Bran- co" estava naquele moment cor as luzes apaga- das. A prefeitura de Chaves defendeu-se mostrando que a pr6pria certidao ressalvava que s6 teria "va- lidade probante ap6s decisAo definitive do Tribunal Marftimo", conform estabeleceu o artigo 20 da Lei 2.180, de 1954, que disp6e sobre o Tribunal. Tais decis6es, entretanto, demoram anos. A jufza Marta InOs resolve nao esperar por essa decisAo. Argu- mentou que o aspect cfvel independe da definic o penal. Em sua sentenga, ela diz que o Brasil ado- tou "a modern doutrina do risco administrative, a ensejar a responsabilidade objetiva do Estado na reparagao de danos causados por seus funciondrios a terceiros". Por isso, a jufza consider descartada "a teo- ria subjetiva da culpa traduzida no artigo 15 do C6- digo Civil". Para a configuragao "da responsabili- dade civil do ente publico basta que a administra- cAo tenha praticado o ato ou a omissAo administra- tiva causando o event lesivo". Observou ainda que a prefeitura limitou-se "a atacar a validade juridica" da certidao fornecida pela Capitania dos Portos, mas nAo provou que seu funciondrio nAo teve culpa no acidente, nem que ele poderia ter sido causado por terceiros. Ainda que o rebocador fosse o res- pons6vel, entretanto, "a tutela ressarcit6ria da vida humana motiva a procedencia da agao", sentenciou a jufza, arrematando que o ever do transportador 6 "conduzir o passageiro sao e salvo ao lugar de des- tino". Marta In6s decidiu que a prefeitura tera que pagar A famflia 1/3 do piso salarial (menos de 20 cruzados novos atualmente) por mes, a contar da data do acidente e at6 o mrmento em que o filho de Joanicio Espfndola completaria 25 anos (em 1995). O pal havia reivindicado cinco salfrios mf- nimos, sendo por isso acusado pela prefeitura de querer "tirar proveito financeiro da pr6pria morte no nefasto acidente em que perdeu a vida seu pr6prio filho". O advogado de Joanicio retrucou que pedira a indenizagao "pelo fato de ser a Onica maneira de punir a principal responsivel pelo acontecimento". Quanto ao valor, lamentou a reag~o da prefeitura: "' simplesmente triste que pessoas brinquem cor a vida alheia e depois ainda achem que uma quan- tia irris6ria como esta de para suprir a falta de uma vida", protestou. Acidentes como o do "Cisne Branco" ocorrem cor frequ6ncia na Amaz6nia, onde esta a maior bacia fluvial do planet. Com tr6s mortes entire 12 passageiros, quando tinha capacidade licenciada para 30, o caso 6 muito menos grave do que o do "Novo Amap4", cor 378 mortos, ou o recent com o "Correio do Arari", corn 56 mortes. Mas o depoi- mento prestado por Joanicio na Justiga revela cla- ramente como sao feitas essas viagens pelos rios amaz6nicos. Antes da desastrosa viagem de 25 de agosto de 1985, o "Cisne Branco" esteve no estaleiro. Ao sair, sofreu uma avaria no casco. O comandante te- ria entgo tapado o buraco corn duas camisas e o barco saiu. Alguns minutes depois de desatracar de Bel6m, de madrugada, o motor pifou. O piloto ten- tou voltar para Belem, mas cortou a frente de uma balsa que vinha em sentido contrario, sendo por ela abalroado e afundado. O piloto nao era pratico, nem "instrufdo em navegagdo", como disse Joani- cio, mas um lavrador Hamilton dos Santos. Com esse pano de fundo, a jufza Marta In6s decidiu dar a primeira sentence de indenizagAo a vftima de acidente de navegacgo na hist6ria da Ampz6nia. O precedent pode vir a ser important para estimular outras iniciativas. A sentenga mostra que ages cfveis nao podem ficar A espera de defini- 96es penais, geralmente lentas demais. Tamb6m rep6e o caminho judicial como meio de reparagdo independentemente da fruig&o administrative, atra- ves dos longos caminhos que vAo das capitanias at6 o Tribunal Maritimo, cheios de esquinas corpo- rativas. Basta a demonstracgo da incuria, neglig6n- cia ou ornissdo do transportador para responsabili- z6-lo, o que invariavelmente acompanha as viagens fluviais. O que falta 6 a determinagdo de punir es- ses abuses, que em geral resultam em mortes e "mais nada". Um arrimo para pedir Pelo menos quatro vezes nos iltimos meses a polfcia foi deslocada, em algumas ocasides As pressas, para a fazenda que o ministry da Previ- d6ncia Social possui As proximidades da rodovia Belem-Brasflia, no Para. A motivag o, em geral, sao dendncias sobre a iminente invasAo da proprie- dade. Na ultima vez, mais de 70 soldados da Polf- cia Militar e policiais civis foram ao local por causa de uma emboscada armada contra o gerente da fa- zenda, epis6dio sem qualquer relagdo cor litfgio possess6rio. A constant e ostensiva presenga policial pa- rece ter inspirado um vizinho de propriedade do mi- nistro a seguir o exemplo. No dia 2, o empresdrio Francisco Joaquim Fonseca, o principal armador fluvial da regiAo e um dos maiores donos de terras ao long da Beldm-Brasflia, pediu protecdo policial ao governador H6lio Gueiros para retirar gado seu que ficou bloqueado por invasores de duas de suas fazendas. Para reforcar a solicitaqAo, Fonseca lem- brou que part dos animals encontrava-se na vizi- nha fazenda Poliana, hoje a propriedade rural em mais evid6ncia no Estado por causa de seu ilustre proprietdrio. O governador ignorou a citaqAo e mandou di- zer a Fonseca que a Constituiido o impedia de ce- der polIcia por ndo haver ordem judicial de requisi- cao, nem flagrant delito. Em novo, mais long e enfAtico telex, o empresArio insistiu em que se limi- tara a pedir ao governador "sua interferencia junto ao sr. secretario de Seguranga Pdblica no sentido de dar apoio policial que permit a retirada do gado de minha propriedade e das empresas que dirijo". O secretario informara que s6 autorizaria a safda de policiais corn ordem do governador. Fonseca voltou a insistir que 326 vacas cor crias estavam em suas fazendas, Iracema e Mari- monte, e 220 novilhas na fazenda do ministry Jader Barbalho, sem esclarecer se havia alugado os pas- tos ministeriais ou se simplesmente os animals ha- viam tamb6m invadido a propriedade vizinha. Para justificar o pedido de tropa, Fonseca tragou um quadro dramAtico da situagdo criada na area por movimentos armados de invasores de terras e ga- rantiu que a pr6pria polfcia estadual, em levanta- mentos efetuados no local, havia identificado "um irrecusAvel estado de guerrilha". Insistiu em que a fazenda do ex-governador estaria igualmente inva- dida, provocando uma rapida corregdo do journal do ministry, o "Dibrio do Pard", que endossou a de- ndncia de movimentos "fortemente armados", mas assegurou que a fazenda Poliana estA sem invaso- res. A super-protegqo Nenhuma propriedade esta sendo tio bemr monitorada como ela. Diversas dilig6ncias consta- taram que a Onica ameaga esta nos funds da pro- priedade, uma das tr6s que o ministry possui em seu Estado, mas nem chega a ser propriamente uma ameaga: trata-se de um process de acomoda- glo sobre limits ainda ndo adequadamente defini- dos entire vArias fazendas (inclusive da Poliana corn a Rio Branco, a fazenda contfgua de JAder Barba- Iho). HA uma articulag o entire posseiros para que o governor reconhega a exist6ncia de uma faixa de terras vagas, na qual poderiam instalar-se, mas tu- do tern sido feito oficialmente, exceto os desdo- bramentos politicos em torno dessa aspiraIAo dos lavradores. Nesse ponto 6 que passaram a atuar os 6rgAos de informaa6es. O SNI, por exemplo, recebeu de- nincia de que varios politicos estariam atuando na Area, tentando ocupar o vAcuo deixado pelo depu- tado Jodo Carlos Batista, que comandava os movi- mentos de posseiros. A dispute envolveria princi- palmente o deputado federal (PTB) Benedicto Mon- teiro e o irmao do deputado assassinado, Pedro Ba- tista. A dendncia 6 de que eles estariam insuflando posseiros a invadirem a fazenda do ministry para criar um problema politico ou firmar lideranga. Uma missdo policial observou o problema, mas tamb6m verificou que os Onicos lavradores dentro da fazenda sdo cinco ex-empregados, autorizados a ocupar pequenos lotes. Mas sao previstos novos problems, principalmente agora, quando as serin- gueiras plantadas por JAder cor financiamento do Probor, o program official de fomento, comegarem a ser cortadas para a extragdo do 16tex. Esse 6 o maior investimento realizado na Poliana, a menor das fazendas do ministry, cor 2.258 hectares, mas no moment a mais valiosa. Quanto a Joaquim Fonseca, ele terA que pro- curar outro arrimo na sua tentative de forgar o go- verno a dar-lhe protegio policial para entrar nas duas fazendas ocupadas por mais de 200 lavrado- res: o recurso ao vizinho influence nao deu certo. Por isso, o empresArio poderA forcar ainda mais nas tintas de urn novo telex ou de um novo ins- trumento de pressio. O governador H6lio Gueiros recusou-se a atend6-lo por temer que a presenga da polfcia agravaria a tensdo que jA existed na Area e poderia ser manipulada pelo fazendeiro. No Oltimo telex, Fonseca disse ainda ter a crenga de que o governador seria capaz de garantir o direito de propriedade "nos limits do Estado do Para". Deixou implfcito que, na nova investida, po- deria pedir a intervengdo federal. Mas 6 muito diff- cil que, em Brasilia, consiga resultado diferente do alcancado em Belem enquanto a questAo possess6- ria, pendente na comarca de Sdo Miguel do GuamB, nao for decidida. "Caso" Batista: o mesmo destiny Durante toda a semana passada os jornais de Belem ficaram insinuando que a polfcia parou deli- beradamente as investigag6es em torno do assas- sinato do deputado estadual (PSB) Jodo Carlos Ba- tista a meio caminho da pista mais important. Ela levaria atd Pericles, apontado como o autor do tiro que penetrou na cabega de Batista, matando-o ins- tantaneamente. P6ricles estaria escondido em uma pequena fazenda localizada em Arco Verde, no in- terior de Pernambuco, de propriedade do pai. O jornalista Francisco Assis, em sua coluna no journal "O Liberal", at6 transcreveu o possfvel didlo- go entire o pal de Paricles e os policiais que foram em diligAncia at6 a fazenda: VocAs querem prender meu filho? Ele est6 aqui pela redondeza. A hist6ria que voc6s sabem 6 muito diferente da realidade. Se quiserem leva-lo, podem faz6-lo, mas 1a em Bel6m ele vai contar realmente quem mandou matar o deputado. Assis diz que o pal de P6ricles "foi ouvido em depoimento e o conteddo de suas declarag6es tra- zidas para Belam". Mas o document estaria sendo mantido em sigilo por causa da "revelagAo bomba". A partir de entAo, a polfcia "nAo fez mais questao de prender o pistoleiro". O mandante seria um des- tacado politico paraense. A secretaria de Seguran- Ca Pdblica nenhuma declaragAo fez a prop6sito de acusa aes tAo graves. Embora sustentando que o inqu6rito esta absolutamente correto (opiniao par- tilhada pelo governador H6lio Gueiros, segundo "A Provfncia do Para"), o secretario Mario Malato afas- tou o delegado Brivaldo Soares do process, to- mando como justificativa tA-lo tambam demitido da Delegacia de Crimes contra a Pessoa. O afastamento foi logo lamentado pela pessoa que mais vinha criticando de pdblico o delegado: a vidva do deputado, Sandra Batista. Mesmo sem concordar cor as conclus5es das investigag6es, Sandra acha que a decisAo do secretario sera ainda pior porque quebrard o ritmo da atuagAo da polfcia. Assim, o "caso" Batista vai incorporando o mesmo perfil do "caso" Paulo Fonteles: o perfil dos crimes insoliveis, menos pela perfeigio da execug&o e mais pela claudicagao da apuragdo. Carnaval de 1990: com outras maos? Aplicado no carnaval deste ano, o new populism da prefeitura de Bel6m foi um retumbante fracasso. Ao abolir a venda de ingressos para o desfile das escolas de sam- ba na Doca de Souza Franco, que 6 o que rest da festa popular de rua na capital paraense, e eliminar os cama- rotes, o prefeito Sahid Xerfan pretendia democratizar o acesso As arquibancadas construfdas pela PMB e acabar cor privilAgios que all se teriam encastelado. De fato, ele consegulu praticamente expurgar a presenga dos socialites, que migraram para os balnea- rios de Salinapolis e Mosqueiro, mas nAo atraiu malor contingent de povo. Ao inv6s disso, irritou os carnava- lescos a tirou o brilho que reaparecia ao long da aveni- da nos dltimos anos. O deste ano foi um carnaval fraco, esvaziado se nAo houve intencao deliberada nesse sentido por uma visAo apressada e equivocada. Os re- sultados desse populismo empresarial-burocratico foram tAo sofrrveis que, mal terminou, a experiencia ja era con- siderada morta e enterrada. Os camarotes, redutos dos frequentadores das co- lunas socials da cidade, funcionavam como atragAo A parte do desfile e um component indissociavel da festa em geral. A farta distribuicgo de bebida e comidas che- gava aos brincantes na avenida, criando-se um elo de li- gagAo e de trAnsito que, naturalmente, s6 funciona du- rante o desfile das escolas de samba. Sem o camarote, os coluniveis foram embora e os sambistas ficaram des- protegidos, sem a "boca livre" necessAria. "Os gra-finos me davam ulsque. E agora?", Indignava-se um brincante. Mas o chamado povfo pouco p6de usufruir da au- sencla dos socialites: a prefeitura repartiu dols tergos dos 15 mil ingressos entire 6rgAos p6blicos e agregados, nos quais funclonaram os critArios de compadrio, antf- dotos contra a intencAo de democratizar o acesso As ar- quibancadas. Os politicos abriram as alas do fisiologismo para mandar no samba. Se, cor a experi6ncia deste ano, a prefeitura quis demonstrar que o poder pOblico nao tem condig6es de realizar sozinho o carnaval, ao contrario dos outros anos, consegulu o objetivo, mas por linhas tortas. Afinal, quem conhece realmente carnaval percebeu logo que a inovagAo seria um desastre. Assim, antes de "empresa- riar" o carnaval de 1990, a prefeitura tern que fazer um reexame honest de seus erros e corrigi-los para nAo dar aos observadores mals atentos a impressAo de que aglu justamente com o prop6sito de transferir a administration da malor festa do povo para outras mAos, que do povo s6 esperam o usufruto. Um monument a insensatez Combatido desde que apareceu nas pranche- tas, o projeto da hidrel6trica de Balbina, a primeira da Amaz6nia Ocidental, se baseava na urg6ncia. O primeiro cronograma previa que a usina entraria em operagAo em 1982, a um custo de 383 milhoes de d6lares, para tender de 70 a 80% do'consumo de energia de Manaus, que entAo como ainda hoje - funclonava sob complete depend6ncia do petr6leo. Quando Balbina comegou, vivia-se o impact do segundo choque dos pregos do petr6leo. Cor Balbina, as necessidades basicas de Ma- naus ficariam atendidas por cinco ou seis anos mais, dando folga para o governor pensar cor me- nos agodamento numa fonte mais ampla, estAvel e aceitavel de suprimento. Mas a data de entrada em funcionamento de Balbina atrasou sete anos, o cus- to duplicou, a usina s6 assegurara 20% da deman- da da capital amazonense e os problems que to- dos evitaram considerar adequadamente, por causa da pressio do tempo, se ampliaram tanto que de- ram a obra os contornos nftidos de uma bomb de efeito retardado. Numa 6poca em que c Brasil tentava prolongar a ilusio do "milagre econdmico", catapult que langou o capitalism no interior da Amaz6nia, Bal- bina 6 o exemplo acabado da insensatez que mar- cou a aCAo governmental. As razdes ecol6gicas ja foram exaustivamente apresentadas, funcionando como antevisAo do que uma barrage desastrada- mente implantada vai criar ou destruir. Mas no moment em que o journal "O Estado de S. Paulo" e a Eletronorte discutem bizarramente se a hidrel6tri- ca foi ou nAo inaugurada, sem a presenga do presi- dente da Repdblica, um outro "pequeno detalhe" mereceria ser lembrado. Certamente houve um moment em que os colossais erros do projeto se tornaram tAo evidentes que prejufzo menor seria o de abandona-lo attitudee que ja nio se pode mais adotar agora). Mas a Ele- tronorte continuou a tocar uma obra nati-morta. De- pois de nela jogar 600 milh6es de d6lares (sabe-se IA mais quantos milh6es serAo exigidos pelos cus- tos financeiros), verifica-se que o mais 16gico teria sido investor no prolongamento do "linhdo" da hi- drel6trica de Tucuruf, fazendo-o atravessar para a margem esquerda do rio Amazonas. Essa interligacio, mesmo cor Balbina, sera uma questAo de tempo, at6 mesmo porque a hi- drel6trica de Cachoeira Porteira se sair, conven- cendo a opiniao piblica que se interessar por este empreendimento igualmente pol6mico exigira o fechamento do circuit. A interligagco pouparia a Amaz6nia das pesadas consequ0ncias que Balbina Ihe vai acarretar e daria maior racionalidade & aplicacgo do carfssimo dinheiro que foi usado para edificar, no leito do rio UatumA, um monument A insensatez humana, mas sem a imobilidade granf- tica dos simples monumentos de concrete, que ou- tro mal nAo fazem a paisagem e seus habitantes alam de agredi-los visualmente. A agressio de Bal- bina sera mais profunda e mais persistent. SNI: retomada Depois de mais de 15 anos, o Ex6rcito vai re- tomar o control da agnncia do Servigo Nacional da Informagbes em Bel6m, que permaneceu cor a Ae- ronautica durante esse perfodo. A chefia da ag6n- cia, que estava com o coronel aviador Luiz Carlos Rodriguez, vai passar para o coronel Jorge Corr6a da Silva, que, na ativa, chefiava o 39 Batalhao Es- pecial de Fronteira do Ex6rcito no Amapa. A substituigo ja vinha sendo preparada ha al- gum tempo, mas foi apressada pelos recentes epi- s6dios envolvendo a ag6ncia do SNI desde agosto, quando cinco funcionarios foram demitidos e o sub- chefe, coronel Ely Benevides, remanejado. A culmi- nagao foi a divulgagio do prontuario do ministry Jader Barbalho cor base em informag6es do arqui- vo de Bel6m ja expurgadas pela diregao do SNI. A mudanga confirm reportagens publicadas anteriormente pelo JORNAL PESSOAL. Prontuario de encomenda Confirmando notfcia dada neste journal, o mi- nistro Jader Barbalho declarou em entrevista em Bel6m a RBA que seu prontuario no SNI foi um trabalho semi-clandestino de ex-funcionarios do Servigo Nacional de Informag6es, conforme relate que Ihe foi feito pelo chefe do SNI, general Ivan Mendes. Jader referiu-se especificamente a um dresses ex-funcionarios, que obteve as informag6es no arquivo, montou um prontuario e depois entre- gou-o a revista "Veja", em Brasilia, mesmo saben- do que o document nao era official. Sem sofrer a pressao dos entrevistadores, que gravaram o program tr6s dias antes de ele ser apresentado pela emissora de televisao, o ministry nao revelou o nome do autor desse prontuario. Mas nAo guardou segredo para os amigos mais fntimos: trata-se de Natalino Brito, filho de Ossian Brito, di- retor da sucursal de "O Liberal" em Brasflia. Jader disse ainda que Natalino aproveitava-se dos dois poderosos canals de influ6ncia de que dispunha, como informant do SNI e filho de um dos diretores do maior journal do Norte. Demitido em agosto por- que seria pouco produtivo para o serviceo", Natali- no teria encontrado a maneira de vingar-se divul- gando informagSes do arquivo do SNI sobre Jader Barbalho que ja haviam sido expurgadas em Brasf- lia do prontuhrio official. Triste papel O desembargador Ossiam Almeida foi o prin- cipal protagonista, no dia 1, de uma das mais melanc6licas sess6es na hist6ria do Tribunal de Justica do Para. Abrindo o ano judiciario, ele deve- ria ter lido o relat6rio de seus dois anos como pre- sidente do Tribunal e transmitido o cargo ao vice- presidente eleito. Steleo Menezes. Ao inv6s disso, urdiu uma manobra para realizar imediatamente novas eleig6es e sacramentar um nome de sua es- colha para suced6-lo, mesmo sem ter feito convo- cag~o para esse fim, cor seu mandate jA expirado e contrariando decisAo do president do Supremo Tribunal Federal. O ministry Rafael Mayer, trds dias antes, re- conhecera atrav6s de liminar a um mandado de seguranga impetrado pelos desembargadores Almir Pereira e RomAo Amoedo que Ossiam Almeida passou por cima da Lei OrgAnica da Magistratura ao concorrer a reeleigdo e eleger-se juntamente cor a corregedora Maria LOcia Santos. O argumen- to para essa iniciativa, de que a nova Constituigao fora omissa sobre a questao e a LOM perdera vi- gencia, s6 poderia ter surgido no amblente que foi sendo criado no Tribunal nos dltimos dois anos cor o autoritarismo absolutista do president, fonte de todo o direito interno. As manobras nio deram certo. Como mandava a decisao do president da mais alta corte de Jus- tiga do pals, o vice-presidente tomou posse, depois de uma arenga do antecessor sobre vocacges que deixou estupefacto o publico no audit6rio lotado. No dia seguinte o president que queria continuar no cargo renunciou A rendncia que apresentara na v6spera e decidiu continuar perseguindo seus obje- tivos, sem deixar o gabinete da presiddncia. Se os alcangarA, nAo se sabe: vai defender da decisao fi- nal do STF. Mas inegavelmente conseguiu com- prometer ainda mais a imagem da Justiga e dar ra- zAo a um triste brocado em curso: quem tern jufzo nao vai a Jufzo. Jomal Pessoal Editor responsavel : Licio Flivlo Pinto Enderego (provis6rio): rua Aristides Lobo, 871 Bel6m, Parl, 66.000. Fone: 224-3728 Diagramagio e ilustrago : Luiz Pinto OpEPo Jornalistica |
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