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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00028

Full Text







Jo al vPessoal
Lficio Flavio Pinto


Ano II N 34


a lucriC apenas entre a s


fa liin~uanz rip .lanpirn r1e IQRQ


-------r--- --- -------- L YYLr.VIilk YV VlllViiV UV i VVV

CRIME


Atras da pista falsa


Para nao serem identificados, os assassinos
do deputado Jo&o Batista montaram pistas falsas.
Pode ser atras delas que a policia esta
indo quando diz que esclareceu este "caso".


meses depois de perder seu mandate politi-
Como Paulo Fonteles s6 foi assassinado sete
co, Joao Carlos Batista acreditou que o fato
de ser deputado estadual e as vit6rias que
conseguiu nas eleio6es municipals de novembro de
1988 Ihe serviriam de garantia de vida. Com base
nesse raciocfnio, praticamente eliminou o esquema
de protegAo que usava hd algum tempo:passou a
andar sem os "amigos", como tratava os seguran-
gas que o acompanhavam, apesar de continuar de-
nunclando as ameagas que sofria.
As pessoas que organizaram o atentado contra
o parlamentar, executado na noite de 6 de dezem-
bro do ano passado, estavam convencidas de que
seria relativamente f4cil matar Batista. Ele j1 havia
estabelecido uma rotina de vida e safa sozinho da
Assembleia Legislativa para apanhar a esposa e os
filhos antes de ir para sua casa. Isso facilitava o
ataque. Os assassinos passaram a tratar, corn
atenngo e cuidado, do despistamento do crime: o
mais important passava a ser a eliminac o das


pistas e nao propriamente do deputado.
Quase dois meses depois do assassinate, a
polfcia parece mais enredada nas pistas falsas
deixadas pelos criminosos do que no caminho real
que poderia levar A elucidagio do caso. O inqu6rito
encaminhado A Justica pelo delegado Brivaldo Soa-
res no dia 20 6 uma pega tAo fraca que surpreende
a reagio de euforia do secretdrio de Seguranga do
Estado. O delegado MArio Malato nao s6 conside-
rou elucidado o caso, como consignou elogio escri-
to aos policiais nele envolvidos.
A justificativa para a fragilidade de provas
reunidas nas 120 pAginas do inqu6rito 6 de que o
delegado precisaria remet6-lo para a Justiga no
prazo legal a fim de garantir a manuteng~o da pri-
sAo do pistoleiro Roberto Cirino de Oliveira, o inico
dos acusados press ate agora. Depois retomaria
as dilig6ncias. Um bom advogado jA poderia ter li-
vrado Robertinho. Qualquer um conseguiria "ha-
beas corpus" para os demais indiciados o pisto-
leiro Pericles, que seria o outro executor do crime,










e os comerciantes e fazendeiros Josiel Martins Ro-
drigues, Jeova Campos e Oscar Ferreira como
mandantes, todos eles foragidos. As provas contra
os quatro sio mais frageis ainda, limitando-se A
acusag9o do confuso e contradit6rio Robertinho.
A versao incorporada pela pollcia 6 de que P6-
ricles fez contato cor Roberto Cirino (provavelmen-
te um nome falso) durante uma vaquejada realizada
entire os dias 2 e 4 de dezembro, em Capanema.
Prop6s apenas a realizag o do "servigo", sem indi-
car quem seria a vftima. No dia 5 P6ricles avisou
Robertinho, no quillmetro 48 da Bel6m-Brasflia (a
cidade de MAe do Rio): no dia seguinte iriam para
Belem. Os dois fizeram o primeiro percurso, do km
48 a Santa Maria do Pard, pela manhi; A tarde con-
tinuaram viagem. Chegaram a Belem apenas duas
horas antes de P6ricles fazer os dois tiros contra o
carro do deputado, um dos quais foi fatal. Nenhum
dos dois conhecia direito a cidade. Para executar o
"servigo", teriam usado tr6s tdxis: ur, da rodovidria
at6 o pr6dio onde Joao Batista morava; outro, de
retorno A estagio rodovidria; e o terceiro para voltar
a Santa Maria, pagando 30 mil (da 6poca) ao moto-
rista.


Robertinho diz que P6ricles Ihe prometeu 800
mil cruzados (800 cruzados novos) pelo "servigo",
mas nio esclarece exatamente o que fez. Sua mis-
sdo seria a de dar cobertura ao pistoleiro, mas ele
diz que s6 saiu do local onde se escondera, de c6-
coras, do outro lado da rua, quando "ouviu disparos
e ao se levantar, j6 encontrava Pdricles vindo em
sua diregAo".
O depoimento de Robertinho sugere tratar-se
de um assassinate decidido A tltima hora, de logfs-
tica pobre, inteiramente confiado a dois homes,
que amadoristicamente deixaram pistas atrds de si,
inclusive um dos tres rev6lveres que carregavam e
o casaco que o autor dos disparos usava. Com uma
facilidade surpreendente, tratando-se de assassino
professional, Robertinho contou absolutamente tudo
A polfcia (sem espancamentos, como fez question
de salientar o delegado), inclusive alguns detalhes
sem nitidez ou subjetivos que poderia ter omi-
tido. Ele apontou os mandantes do atentado ape-
nas cor base no fato de "ter visto Josiel e Jeova
dar(em) dinheiro a Pericles, assim como o sr. Oscar
Ferreira ter conversado com Pericles". Este 6 o
Onico element, uma prova testemunhal, que liga,


A quem interessa o crime?
Josiel Martins Rodrigues ficou preso um m6s cialmente o relaxamento da prisAo preventive que
em Bel em em maro do ano passado, acusado de ter havia sido decretada contra ele.
mandado matar o ex-deputado Paulo Fonteles. Oito A indicagao de que Josiel poderia ter sido c
meses depois Josiel se envolveria novamente em mandante da morte de Fonteles foi dada atrav6s de
outro crime politico, de uma forma tdo primaria que uma carta que James escreveu para o jornalista Jokc
logo a polfcia chegaria at6 ele? Malato, deixando a ddvida sobre a forma de encami
Os grandes mestres da literature policial ensi- nhamento: se por via postal ou entregue em maos.
nam que uma investigag9o criminal tern que comegar James havia conhecido, anos antes, o filho do jorna
por racioc(nios 16gicos sobre os fatos inquestiona- lista, o delegado Mdrio Malato, que estivera duas ve
velmente conhecidos. No "caso" Jodo Batista, a pri- zes na conturbada Gleba Cidapar em miss~o di
meira pergunta suscitada 6 justamente sobre a parti- DOPS (a Delegacia de Ordem Polftica e Social). Ac
cipagao do temido Josiel: ele seria tdo grosseira- investigar a participacgo de Malato nessas missOes,
mente sanguindrio para se meter em nova e grande o delegado Otaclio Mota, primeiro president do in.
complicagio pouco depois de ter sa(do de uma, dei- qu6rito sobre o "caso Fonteles", observou que a
xando seus largos costados expostos? DOPS, acionada para averiguar a viol6ncia praticada
contra os lavradores por segurangas das empresas,
Durante muitos anos a policia ignorou, ou ape- sob o omando de James, sempre entou s ausa
nas fez registry, "para ingls ver', os crimes que dos, dicomando de James, sompre isentou os acusar
rdosaoricoddos, deixando suspeitas sobre as auto-declaradas
eram atribuldos ao home mais rico de Capanema,
como o paraibano Josiel Rodrigues era conhecido. A vftimas. E tamb6m levantou a possibilidade de que
ele eram atriburdos roubos de carretas, assass/nios o filho tenha entregue ao pai a carta mandad& pelc
conhecido ou amigo.
dos motorists, contrabando e violencias vdrias que Hoje Malato 6 secretdrio de Seguranga POblica
garantiam seu imp6rio na regido nordeste do Pard. e Ot o um seus assessores especiais. Con
NAo havia nenhum registro policial sobre essa vasta apea i das a secretario anunciou C
criminalidade quando o delegado Bertolino Neto opinion pdblica completeo desvendamento" do as-
prendeu Josiel porque o suposto matador de Fonteles sassinato de Joao Batista, tendo como principal im.
o aoa dsassinato de Jollo Batista, tend como principal im-
o apontara coo orgazador do atentadoplicado o mesmo personagem sobre o qual James
De repente, a polfcia que antes ficava A dis- Vita Lopes desviara os refletores da investigagao po-
tancia passou a investor sobre Josiel mal conseguia ficial um ano antes. Josiel pode at6 ser o autor inte-
um mfnino de indfcio sobre a participagdo dele em lectual dos dois assassinatos, mas as provas reuni-
crimes de encomenda cor motivacAo polftica. A pri- das contra ele em ambos os "casos" sao insustentd-
meira pista na diregao de Capanema foi dada por um veis. E ainda que ele seja inocente especificaments
ex-amigo e colaborador estreito de Josiel, o agent desses crimes politicos, ter tdo alentada listagem de
de seguranga particular James Silvio Vita Lopes. events suspeitos que se transform no perfil idea.
Coincidentemente, James o principal vfnculo con- do "bode expiat6rio". A elucidagio da dOvida s6 serd
creto entire os executores e os mandantes do assas- possfvel cor uma investigaago seria, honest e
sinato de Fonteles "entregou" o antigo patrAo oca- competent. Mas o que ter havido por enquanto 6
sional quando a polfcia o cagava. Conseguiu desviar um roto e desajeitado enredo construtdo sem maiot
as atencOes, deixou de ser o alvo e atd obteve judi- empenho.


1


I
1





I










I








no inquerito, os tr6s indiciados como mandantes
aos dois apontados como executores do crime.

Uma hist6ria facil
A polfcia assumiu completamente a hist6ria
narrada por Robertinho, que teria contado tudo por-
que o parceiro o enganou, nAo pagando os 800 mil
cruzados prometidos. A rigor, porem, P6ricles nao
precisaria ter incorporado Robertinho a missao por-
que ele nada fez; foi mero espectador dos fatos
que narrou.
Outros depoimentos juntados so inqu6rito e in-
formag6es reunidas so long das investigag6es sao
suficientes para se concluir que Robertinho contou
uma hist6ria mentirosa a polfcia: ele repassou o
despistamento, montado cor tal cuidado que re-
vela a grande e dispendiosa estrutura por tr4s do
assassinate. Ao contrario do que faz supor a versao
official, oriunda do pistoleiro, nao foi um crime de
rixa, nem um atabalhoado atentado.
Tr6s homes pelo menos participaram da exe-
cugco direta do que foi planejado, em tr6s carros
diferentes, um dos quais era particular e os outros
dois podem ter sido t4xis, reais ou disfarcados (s6
um foi razoavelmente identificado). A manicure Ma-
ria Cristina Marcos da Silva, de 46 anos, estava as
18 e 30 horas na parada de 6nibus na esquina da
avenida Gentil Bittencourt cor a Alcindo Cacela
quando um Fiat amarelo parou ao lado dela e o
passageiro que estava ao lado do motorist, no


Sujeito oculto
Se Josiel, Jeova e Oscar nao sao mesmo os
mandantes, quem estara por tras do atentado con-
tra o deputado Joao Batista? Por enquanto, ha
apenas especulacgo. O "Diario do Para" e "A Pro-
vfncia do Para" fizeram referdncias, na semana
passada, a algum politico que teria ligag6es cor o
pistoleiro preso pela polfcia. Robertinho admitiu,
para o reporter de "A Provfncia, ter matado o pre-
feito de Irituia, Jos6 Lednidas, crime praticado ha
mais de cinco anos e ainda nio esclarecido.
O pr6prio Jo&o Batista apontara Robertinho e
teve varias discusses com a deputada Maria de
Nazarr, do PMDB, sobre a questAo, a ultima e a
mais grave delas algumas semanas antes de ser
assassinado. Ja Robertinho anotara o telefone de
um politico do km 48 como sendo o contato com o
outro pistoleiro, Pdricles.
Na verdade, o que nao falta 6 pistoleiro nos
registros da investigaago. S&o citados 14 deles no
inquArito do delegado Brivaldo Soares, todos corn
varios assassinatos no currfculo, alguns "donos" de
determinadas regi6es, onde ate implantaram fazen-
da, varios eliminados em operag es "queima de ar-
quivo" e os remanescentes completamente lives, a
excecao de Robertinho. Transformaram-se em per-
sonagens obrigat6rios de todas as investigagdes
feitas no mundo rural e est&o acima e alAm do
poder de polfcia do Estado, no qual alguns at6
plantaram suas rafzes ocultas, naturalmente.


banco da frente, desceu para perguntar-lhe "onde
ficava localizado o ediffcio Urca, pois era do inte-
rior do Estado".
Maria Cristina indicou a diregao para o home
moreno, alto, feig6es grossas, cabelos encaracola-
dos, usando jaqueta verde sobre uma camiseta
branca, calga jeans e sapato de pano. Ele entrou de
volta no carro e a manicure foi tratar de um assunto
na avenida MagalhAes Barata, all perto. Mela hora
depois, as 19, ela voltou a Gentil e viu o mesmo
Fiat estacionado na esquina posterior (Gentil corn
Castelo Branco), em frente a uma sorveteria. Dois
homes continuavam dentro do carro. O terceiro,
justamente o que pedira as informagdes, estava
encostado no muro do ediffcio Urca. Maria seguiu
seu caminho. O home provavelmente era o pisto-
leiro PBricles (ou outro nome que seja o verdadei-
ro). Uma hora e media depois ele mataria Joao Ba-
tista. Dez dias depois (e quatro antes de depor na
polfcia), Maria Cristina viu o motorist do Fiat no
terminal rodoviario de BelAm. S6 que agora ele es-
tava dirigindo um taxi amarelo, Fusca, "e se encon-
trava conversando corn outros elementss.
A hist6ria transmitida corn conviccAo pela ma-
nicure refaz a de Robertinho. Nao se trata mais de
uma emboscada simples e sim de um atentado em
sua complex montagem. Mas ha um detalhe intri-
gante: se os tres homes que participaram do es-
quema estavam com um motorist de taxi baseado
em Bel6m, por que o pistoleiro desceu para pedir
informag6es a uma pessoa qualquer na rua, se o
seu motorist conhecia bem a cidade? O home
que matou Jolo Batista nao se preocupou em ne-
nhum moment cor sua identificagao: foi na vAs-
pera ao pr6dio, conversou corn o porteiro duas ve-
zes e at6 pode ter aparecido na Assembleia Legis-
lativa (a vidva de Batista julga t6-lo visto 1A), sem-
pre de rosto limpo. Esse comportamento faz supor
que nio 6 pessoa conhecida na area: agiu como
pistoleiro de outros Estados que atuam fora de sua
base. A consult & manicure faria part do esque-
ma de despistamento, que levou a depoimentos
contradit6rios as raras testemunhas do crime.
O casaco verde integra essa mesma preocupa-
9 ocom o embaralhamento das provas. O pistoleiro
fez questio de destacar esse item da indumentaria.
TambAm parece ser ato calculado o descarte de um
revolver em plena avenida Almirante Barroso, a de
mais intense trafego na cidade. Momentos depois
que o revolver 38 foi jogado, em frente so mercado
de Sao Braz, estudantes o encontraram e o entre-
garam a dois soldados da Polfcia Militar (e eles re-
tiveram a arma durante uma semana). Mas perfcia
feita pelo Instituto MAdico Legal concluiu que nao
safram dessa arma os dois tiros dados pelo pisto-
leiro (uma bala ficou presa na cabega do deputado
e a outra ficou no carro).
Se o revolver era para despistar, o terceiro tiro
tamb6m pode ter sido disparado para confundir. As
testemunhas dizem ter ouvido tries tiros, mas s6
duas balas foram resgatadas no local do crime, o
terceiro tiro pode ter sido dado por outra pessoa
cor outro revolver, justamente para despistar.
Assim, a hist6ria passada a polfcia por Rober-
tinho (se 6 que ele contou-a espontaneamente, co-









mo autor do enredo e nAo mero repetidor de um
script que Ihe foi entregue pronto) leva a uma con-
fluencia de pistoleiros perigosos, todos cor espan-
tosos currfculos de morte, conduzindo na verdade
ao despistamento, a encruzilhadas que permitem
aos organizadores do crime mais uma vez escapar
A identificagco.

No caso de Paulo Fonteles, o atentado foi
executado com requintes de sofisticaggo, mas o
despistamento, nao, teve falhas. JA na morte de
JoAo Batista, a execug o foi simples porque o de-
putado foi apanhado desprevenido. Sofisticado foi o
planejamento da fuga. Seguindo as pistas prepara-
das, a polfcia e, cor ela, a opiniao pdblica cai-
rd no vAcuo. Ou no "bode expiat6rio".


Retrato da policia
Menos de mela hora depois que o deputado Jolo
Carlos Batista foi morto, trbs estudantes encontraram a
200 metros do local do crime um revolver que os as-
sassinos atiraram sobre o melo-flo da via pOblica de mals
intense trdfego de Belem. A arma foi entregue a dois sol-
dados da Polrcia Militar, mas eles a ocultaram durante
uma semana e s6 a entregaram obrigados, quando a poll-
cia civil os identificou.
O fato 6 tAo grave que mereceria uma investigaggo
paralela e uma puniggo exemplar. Os dois militares
constataram que a arma tinha sido deflagrada um pouco
antes, cor tres ou quatro balas usadas, mas nAo toma-
ram nenhuma iniciativa pars levA-la A polfcia mesmo sa-
bendo que poderia ser uma das principals proves do as-
sassinato do deputado. Ambos pertencem a PM hi sete
anos, servindo atualmente no Batalhio de TrAnsito.


PORTO



0 mito desmoronou


0 s paraenses lutaram, durante alguns anos,
pare que os minerios do Carajas fossem es-
coados por seu pr6prio territ6rio. Mas a na-
tureza, segundo a argumentagao dos que
decidiram essa pendOncia, favoreceu o Maranhio: a
maravilhosa bala de Sao Marcos permitiria instplar
all, a apenas novel quildmetros da cidade de Slo
Lufs, o segundo melhor porto interceanico do plane-
ta, capaz de receber navios tao grandes que s6 em
Rotterdam, na Holanda, dispdem de profundidades
equivalentes para acesso. O litoral do ParA foi pre-
terido porque os pontos favordveis sofriam o ataque
do assoreamento, deposig6es de lama e area que
modificam os canals, alem da agAo das fortes cor-
rentes de mars.
Se 6 inegAvel a supremacia geogrdfica do lito-
ral maranhense, hoje jd parece bem claro tambem
que a Companhia Vale do Rio Doce, com seus con-
sultores, nao fez estudos comparativos mais apro-
fundados, nem mesmo estudou melhor o projeto do
porto da Ponta da Madeira. Observag6es mais deti-
das devem ter sido consideradas desnecessArias
porque a alternative escolhida ferrovia ate a cos-
ta do MaranhAo diante da hip6tese rechagada -
hidrovia ou ferrovia/hidrovia ate o litoral do ParA -
atendia exatamente os interesses do component
decisive da questio: os japoneses, principals com-
pradores do min6rio de ferro de Carajas. Os gran-
des consumidores de minerios preferem a solucgo
traditional nesse tipo de transagao: uma via exclu-
siva de transport, ainda que ela tenha quase 900
quil6metros de extensao desde a mina ate o porto.
Sao alergicos a vias de escoamento de uso gene-
ralizado, democr6tico, como os rios eclusados.
Estando os japoneses satisfeitos, a CVRD tra-
tou de aproveitar o present da natureza e implan-
tou o terminal da Ponta da Madeira. Em 1982 o en-
genheiro Bento Moreira Lima Neto, director tecnico
da Companhia Docas do Maranhao, comegou a ad-
vertir para os erros do projeto: o novo terminal, lo-
calizado uma milha ao norte, ameagaria de asso-


reamento o porto de Itaqui, que movimenta carga
geral. Moreira Lima criticava a CVRD por ter defini-
do a localizagdo do grande terminal graneleiro sem
consultar a Codomar, que se op6s a essa decisAo.
Apesar de ouvir uma long exposig~o feita
pela Vale sobre as vantagens do projeto, o enge-
nheiro nao se convenceu de que os "molhes" -
enormes pared6es de proteglo construfdos no
terminal nao impediriam o gratuito service executa-
do pelas mares, de manter dragada a bacia de
evolug8o do porto, permitindo assim a estabilidade
dos funds da Area. Num relat6rio de fevereiro de
1982, Moreira Lima responsabilizou diretamente a
CVRD "pelo problema de assoreamento que esti
ocorrendo no Porto de Itaqui e, principalmente, por
todas as implicagdes que ele trouxer para o Porto,
especialmente no que concern As profundidades
no seu atual cais de acostamento".
Diante das declaragdes do director da Codomar,
a Vale reagiu. Em primeiro lugar, negou que o as-
soreamento se devesse A construgAo dos espig6es
da Ponta da Madeira, que serviriam de proteglo
aos grandes navios contra a forga das mares. Em
seguida, a CVRD alegou que a bafa de Slo Marcos
padecia de um "assoreamento hist6rico". Por fim,
"descobriu o absurdo de que a deposi9go de mate-
rial s6lido junto ao cais, antes da construgAo dos
molhes, foi maior que a media depois da obra",
conform o relate de Moreira Lima. Mas ele conti-
nuou sustentando que a mA localizacgo da obra tra-
ria prejufzos tanto para Itaqui, como para o pr6prio
terminal de Carajds.

Desfazendo a obra
Seis anos depois, a Vale finalmente cedeu aos
arguments, mesmo sem reconhec6-los como vAli-
dos. Obedecendo a parecer t6cnico, destruiu 112
dos 315 metros que o enrocamento sul do "molhe"
possufa, e 10 metros de seus 35 metros de altura.
O "molhe" passou a ser um "batente submerso"
capaz de permitir a passage das correntes por









sobre suas pedras. Com isso, impediria o que vinha
ocorrendo: um milhao e meio de metros cibicos de
area. foram jogados para dentro do terminal, so-
mente eff 1987, devido so redemoinho que se for-
mou cor o deslocamento das correntes de mar6
nos "molhes".
Para retirar 600 mil metros cdbicos de lama e
area depositados em frente ao terminal, trabalho
executado pela empress holandesa Amsterdam
Ballast; a Vale gastou no ano passado 1,8 milhio
de d6lare.s (dois milh6es de cruzados novos). A
dragagem, hip6tese impensAvel quando foi feita a
opg o pelo escoamento do min6rio do CarajAs at6
o litoral maranhense, nao apenas comegava a ser
feita, como passara a ser tarefa obrigat6ria a cada
ano para assegurar as condig6es adequadas de
atracag o e operaggo para os supergraneleiros
atrafdos para a Ponta da Madeira.
A Vale continue insistindo em que o assorea-
mento nao 6 causado por seu terminal, mas Moreira
Lima que consider a empresa estatal "a maior
aliada que possui o Estado do MaranhAo, para seu
desenvolvimento" aponta-o como a causa direta
de o porto de Itaqui ter deixado de ser "um dos por-
tes de carga geral mais profundos do mundo". Se-
gundo o t6cnico, os "bergos" do porto, que aceita-
vam navios calando 12 metros e variavam suas co-
tas negatives entire 1,1 e 13 metros, "hoje se con-
tentam com profundidades de sete, oito e nove me-
tros. Em um dnico trecho de cais, as cotas chegam
a menos de dez metros". A Codomar planejou dra-
gar ali mais de 400 mil metros cibicos, service que
Ihe custarA um milhao de d6lares.
Moreira Lima garante que o material s6lido,
em suspensdo nas Aguas da bafa de Slo Marcos,
"vem se acumulando naquele local, vagarosamente,
mas de uma maneira persistent e definitive". Ele
acha que o novo desenho dos "molhes", depois das
obras de correo&o da CVRD, "propiciou uma pe-
quena melhora no assoreamento do Porto de Itaqui;
entretanto, nao resolve o problema do Terminal de
Carajds.
0 criterio de sempre
Ele diz que a localizagAo do terminal de min6-
rios foi decidida "por injustificAvel media de eco-
nomia, quando haveria locais mais apropriados a
poucas milhas de distAncia". Afirma que se o ter-
minal fosse tAo perfeito como dizem seus idealiza-
dores, "nao aconteceria de assorear seu interior,
nem se pensaria em modificar os molhes de prote-
9Ao, quatro anos depois de conclufdos, pois estas
obras t6m um custo altfssimo".
Com a modificag~o feita nos "molhes" a um
custo que a Vale nega-se a revelar e as draga-
gens realizadas por dois d6lares o metro cdbico re-
tirado, Moreira Lima acredita que as profundidades
hist6ricas nos portos da bafa "possam ser parcial-
mente restabelecidas ou pelo menos mantidas as
atuais". Ainda assim, tergo desmoronado varios mi-
tos, entire os quais o da sapi6ncia da decisao to-
mada entire um col6gio de auto-selecionados tecno-
cratas, os "magos" da ocupaaio da amaz6nia a
partir de fora e de cima durante todos esses anos
de autoritarismo, que ainda perduram.


Esses tecnocratas ungidos pelo saber podem
ter desperdigado um fantastico present da nature-
za, comprometeram uma alternative de transport
de maior valor social, serviram a um esquema colo-
nial de explorag o de recursos naturals e causaram
pesados prejufzos A NacAo, que, como sempre, se-
quer consegue calcular quanto pagou e ainda paga-
rd por esses erros. Eles foram cometidos tanto na
Ponta da Madeira, como na Ponta Grossa, em Bar-
carena ( o terminal do alumfnio da AlbrBs), e em
muitos outros desses cais que nossa elite transfor-
mou em bases de langamento de nossas riquezas.
E ensinam uma ligao definitive: nao se deve aceitar
solug6es definitivas e salvadoras se, antes, elas
nao nos convencem.


As


surpresas


do governor
Tres d6cadas atrds o SNAPP fazia viagens
pelos principals rios navegaveis da Amaz6nia, indo
a pontos extremes da regiso e at6 mesmo al6m de
suas fronteiras, como Iquitos, no Peru. Hoje, a Ena-
sa, que sucedeu o SNAPP, limita-se a ligagAo Be-
16m-Manaus, cor algumas escalas, e ao transport
para a Ilha de Maraj6. Nesse perfodo, o volume de
passageiros multiplicou-se e a dnica empresa esta-
tal de navegagco passou a ser a mais acessfvel -
ou unica via de transport nos poucos trechos por
ela frequentados.
O servigo 6 muito criticado e a empresa ter
sofrido, ao long do tempo, a acao do virus do em-
preguismo, da politicagem e da inefici6ncia que
contamina os organismos da burocracia official. Mas
6 inaceitdvel que o tratamento desses males seja
feito A custa do paciente, como pretend o Piano
de Verio do governor federal. No capftulo sobre as
empresas pdblicas, ele foi inflexfvel e pouco inteli-
gente: a Enasa tern que ser privatizada em 90 dias
para nao ser extinta ap6s esse prazo.
O primeiro problema gerado por mais esse 6di-
to real baixado do trono brasiliense diz respeito A
pr6pria venda da empresa. Seu Onico acionista 6 a
Uniao. As agdes, portanto, nao tem valor de merca-
do. Indo para licitag o em prazo exfguo, nao have-
ria o risco de uma negociagdo pouco proveitosa,
para usar expressio educada, que a transferiria a
particulares a prego de banana? Privatizada, a
Enasa subsistiria como uma empresa de navegagdo
atendendo sobretudo a clients de baixa renda, ou
sofreria complete descaracterizagao, sendo seu pa-
trim6nio retalhado conforme o interesse natural-
mente, commercial do adquirente?
A solug o encontrada, obviamente, nao 6 boa
para a Amaz6nia. Mas o que se pode esperar de
um governor que ter assistido impassivelmente a
sucessio de trag6dias nos abandonados rios da re-
giso (a maior de today a hist6ria do pals foi em
1981, no Amap4, cor 387 mortos) e deslocou o ei-
xo de seus investimentos para as rodovias, que tmr
funcionado como instrument de agressdo A Ama-
z6nia? Nao se pode esperar por ele, nem se deixar
surpreender por suas decis6es. Surpresas, nesses
casos, serao sempre desagradiveis.









ECOLOGIA



Ponto de equilibrio

O Para nao p6de escoar por seu pr6prio territorio
o minerio de Carajas porque a costa maranhense
era melhor. Mas os tecnocratas ameagam
desperdigar um valioso present da Natureza.


E m 1972 o Brasil foi & Confer6ncia da ONU
(Organizagao das Nac6es Unidas) sobre
meio ambiente, em Estocolmo, declarar que
os problems ecol6gicos existentes em seu
territ6rio Ihe pertenciam e que os resolveria sobe-
ranamente, recusando as crfticas ou interfer6ncias
internacionais motivadas pela situag~o da floresta
amaz6nica. O representante brasileiro disse que os
pauses industrializados haviam polufdo a atmosfera
e dilapidado a natureza dentro e fora de seus limi-
tes. O Brasil nao iria remir esses pecados deixando
intapta a sua Oltima grande fronteira de recursos
naturals porque se atrasaria ainda mais economi-
camente. S6 faltou acrescentar: agora 6 a nossa
vez de praticar as irracionalidades de voc6s e, se
tudo der certo, ficar igual a voces, no que consegui-
ram de bom e de ruim.
A pr6xima confer6ncia da ONU sera no Brasil,
que se apresentou como voluntirio para ser a sede
do encontro. A intengdo do governor brasileiro pare-
ce ser a de criar um ambiente sob seu control pa-
ra tentar desfazer o quadro negative que vem sen-
do tragado nas principals capitals do mundo. Nelas,
a Amaz6nia comega a aparecer como um dos te-
mas mais preocupantes para os grupos de pressio.
E o governor brasileiro como o avalista de um pro-
cesso de ocupagao selvagem, que aniquila bens
valiosos em troca de produtos primarios, A custa de
pesados investimentos e subsfdios pagos pela Na-
9go.
O governor tem interpretado esse crescent in-
teresse da comunidade international pela Amaz6-
nia como ato de lesa-patria, uma conspiragio furti-
va contra as legftimas aspirag5es do pars de ser
tao poderoso e problematico quanto as grandes
pot6ncias, que estAo sempre na viseira da geopolf-
tica, o motor do sonho do Brasil Grande. Mas qual-
quer balango que se fizer sobre os 20 anos trans-
corridos entire a conferencia de Estocolmo de 1972
e a que vira em 1992 tera um saldo amplamente
deficitario. O governor nao parou de produzir pap6is,
siglas e atos decorativos; o background institucio-
nal at6 evoluiu, mas a situaago fatica tornou-se la-
mentavel. HA uma colecgo de belas leis, uma ci-
randa de reserves e estag6es ecol6gicas que po-
dem figurar fotograficamente num folder promocio-
nal, mas as relag6es de troca entire a agAo do ho-
mem e a oferta da natureza, ou entire o que o ho-
mem faz e o que a ci6ncia do home sugere que
ele faga, 6 negative.
Como que se desculpando, o governor argu-


menta que essa trilha 6 quase inevitavel e o Brasil
at6 6 tfmido comparativamente ao que fizeram paf-
ses ricos na aurora de seu crescimento econ6mico.
A partir dal brotam as mesmas citag6es que vAm
sendo repetidas desde 1972 sobre o lixo da indus-
trializag&o (que o piauiense ministry do Planeja-
mento de dois governor militares, o economist
Jo&o Paulo dos Reis Veloso, quis importer na 6po-
ca a tout court e hoje confeita essa attitude comr
novo glamour nas explica6des enviadas A impren-
sa).
O governor omite todas as transformag6es que
ocorreram no mundo e na consciencia dos homes
desde o seculo dezoito. Hoje eles sabem que hd
uma solidariedade compuls6ria no planet: a elimi-
nag8o da cobertura vegetal de uma extensa part
dos tr6picos nao repercute apenas localmente; ela
vai afetar a globalidade da Terra, em escalas varia-
das, de formas distintas. O estado de consci6ncia
gerou um interesse que 6 a preliminary de um novo
direito international. Nem a posi~lo categ6rica de
nossos guerreiros geopollticos conseguird center
essa evolucgo, ou essa involug8o (na 6tica deles).
Troca desfavorivel
Mas nio sd a comunidade international que
habitat alem-fronteiras adquiriu essa consciencia:
um crescent nSmero de brasileiros tamb6m a par-
tilha. SAo cidad&os que hd bastante tempo v6m se
opondo ao sistema de trocas que o governor esta-
beleceu cor o "modelo" de ocupagao usado para
ocupar a Amaz6nia. Troca de bilh6es de d6lares em
investimentos pdblicos por empreendimentos parti-
culares que monopolizam os benefrcios das obras
geradas. Troca de iseng6es fiscais e tributarias,
mais colaboraggo financeira do tesouro national,
por projetos que transferem grande parte desse di-
nheiro para suas areas de origem, agravando a
concentragao da renda. Troca de Arvores que cria-
ram um estado geral de equilfbrio depois de s6cu-
los de mutualismo por campos de pastagem mal
formados e tao mal usados que logo se degradam,
virando lixo. Troca de uma ocupacio orientada pela
natureza, difusa a descontlnua, por uma ofensiva
que mais parece um rolo compressor porque "orien-
tada" pela preocupagAo (novamente geopoltica) de
substituir a Arvore e seu mundo pelo colono e o
mundo que ele traz de fora, pronto, acabado, refra-
tdrio 6 troca cor a paisagem que o recebe. A Ama-
z6nia tem tudo para dispenser a ajuda desse go-
verno central que a devasta. Sem ele, nao teria tan-










tas transformag6es. Mas nlo estaria tio saqueada.
Boa part dessa relag o paradoxal foi estabe-
lecida atrav6s da alianga entire o governor national
e empresas multinacionals. Nesse intercAmbio, nao
houve nenhum xenofobismo, nenhum preconceito,
nenhuma suscetibilidade de soberania national.
Contra o capital nao estao voltados os anteparos
da geopolitica que faz a cabega dos que fazem a
doutrina imposta & Amaz6nia como se fossp dela.
Os mecanismos de reagAo slo acionados contra as
manifestag6es das sociedades internacionais,
aquelas que nio sao gestadas no reconfortante
seio das instituic6es amigas. O capital 6 bem-vin-
do. A ci6ncia, quando nio Ihe 6 acompanhante,
nao. Quando independent, ela vira arma do colo-
nialismo, instrument de soturnos interesses, impe-
rialista.
A questlo amaz6nica 6, antes de tudo, um
problema dos que moram na Amaz6nia. Do enqua-
dramento e resolugio desse desafio participam-
tamb6m os brasileiros em geral. Da sociedade pla-
netaria espera-se que oferega contribuig6es especf-
ficas, conform o grau e a direoao de seu pr6prio
patrim6nio. Se o Brasil nao se fecha & sociedade
econ6mica, optando por uma participag o des-
bragada, alias nas relag6es de troca, nao pode
pretender uma posigio excludente em relaglo A so-
ciedade do saber. Uma part desse saldo negative
deve-se justamente ao descompasso entire esses
dois nfveis de participagio humana.

Relagio com o mundo
Part do que hoje se conhece sobre a Amaz6-
nia foi obtido gracas A contribuigio de estrangeiros
como Henry Bates, Wallace, Agassiz, Coudreau,
Wagley, Goeldi, Le Cointe estrangeiros que aqui
formaram sua patria adotiva, adotada pelo c6rebro
e por ele enobrecida. Claro que alguns desses cien-
tistas visaram tamb6m ou sobretudo algum in-
teresse que nao 6 o da ci6ncia ou da terra onde
passaram a atuar. Cabe A sociedade exercer a vi-
gilAncia e separar o jolo do trigo. O tragico 6 que
no Brasil ha um fosso brutal entire a sociedade e o
governor, a Nacgo e o Estado. O governor que repele
o interesse international pela Amaz6nia 6 o mesmo
que ignore os anseios de participaglo da comuni-
dade sobre a qual atua como tutor autoritario. An-
tes que os estrangeiros fizessem as criticas que
atualmente fazem, os brasileiros e, no caso, os
amaz6nidas a repetiram ad nauseam. Os estran-


geiros sao os estrangeiros. Os nacionais divergen-
tes sao inc6modos, ou subversivos.
Part desses divergentes, por desalento ou in-
compreensao, resolveram travar sua luta nio mals
dentro das fronteiras geograficas do pals, mas nos
parametros em que circula o capital. Se a causa
das desgragas nacionais estA sediada nos centros
financeiros que Ihe sugam toda a vitalidade, atra-
v6s do servigo da monstruosa drvida que formaram,
16 pode star tamb6m a fonte da salvag o. Ao inv6s
de golpear a hidra nos tentaculos, 6 melhor visa-la
na cabega. A constatag o 6 correta no piano das
id6ias, da luta pela compreensio. Mas pode ser fu-
nesta enquanto esquema salvacionista. Transferir
para fora do pars o campo da luta 6 aceitar, por ou-
tro prisma, o mesmo raciocfnio que levou realmente
o pars a perder sua soberania.
Deve-se ir aos centros financeiros pars neles
travar part do jogo de presses, revertendo a mao
Onica que atualmente existed. Mas trazer esses cen-
tros para dentro do pars, tentando faz6-los substi-
tuir os nacionais, 6 uma distorgio. A ilusio que os
autores da trag6dia brasileira procuraram criar, de
que a poupanga estrangeira (na forma de capital ou
de financiamentos) iria fazer o Brasil crescer acele-
radamente e eliminar a pistancia que o separa dos
mais ricos, sera repetida em relacao a ci6ncia e
aos grupos de pressAo nAo governamentais.
A question 6 complex. As organizag6es brasi-
leiras nao governamentais deveriam examina-la
sem os antolhos da geopolrtica e a contaminagAo
das aliangas que impedem o governor de analisa-la
em proveito da Nagco e nio do circuit dos inte-
resses de grupos que o controlam. Qual a extenslo
do conceito de soberania e de Nag~o? Como usa-
los produtivamente? Quais slo os nexos entire as
institulg6es financeiras e as cientfficas? Como in-
corporar a parcel de generosidade desse interesse
international? Como evitar que mais um biombo
oculte nossa pilhagem?
Certamente as respostas nao podem ser en-
contradas no sebastianismo impregnador de alguns
brasileiros que estao atras de uma nova Meca, nem
na arrogAncia de alguns estrangeiros que aportam
na possessAo colonial como super-homens desem-
barcados dos c6us. O governor incensa os charmo-
sos enviados do capital e anatematiza os emissa-
rios da ciencia que ndo rezam pela mesma cartilha.
Nio se pode repetir, em posig6es invertidas, essa
attitude colonial.


Tucurui: agora, mosquito ataca


Quase 30 famrlias ja abandonaram suas casas
e lavouras na area do reservat6rio da hidrel6trica
de Tucurul por nio suportarem os ataques dos
mosquitos. Eles proliferaram com o afogamento das
Arvores durante a formagAo do lago artificial pela
represa, que reteve 43 bilh6es de metros cibicos
de Agua e inundou 2.430 quil6metros quadrados, no
segundo maior lago artificial do pars.
0 problema vem se agravando nos iltimos
dols anos. Como em todas as parties da Amaz6nia,
sempre houve mosquitos no curso mrdio do rio To-


cantins, represado pela Eletronorte para gerar atd
oito milh6es de kw de energia na Oltima etapa da
construgao da usina de Tucuruf, atualmente corn
40% dessa capacidade nominal instalada e em ope-
raglo desde o final de 1983. Mas nio apenas surgi-
ram novos tipos, como se multiplicaram velozmente
os mosquitos, sobretudo nas reentrancias do lago.
Nesses trechos, a decomposicio da mass vegetal
criou um ambiente favoravel 6 proliferag-c dos in-
setos.
Piuns, murigocas e "rabos verdes" sAo algu-










mas das esp6cies que passaram a atormentar a vi-
da dos habitantes, destruindo seus cultivos agrfco-
las a matando at6 mesmo animals, A base de fer-
roadas. Antes, o ataque dos mosquitos era apenas
durante o inverno e a partir do final da tarde, em
volume muito menor. Agora 6 o ano inteiro e duran-
te todo o dia. Em outubro do ano passado o pro-
blema foi levado A diregio da Eletronorte e a Su-
cam fez borrificagao de DDT em varios locais, mas
o problema persistiu.
Pe6es comegaram a se recusar a trabalhar nas
rogas e o horlrio de trabalho comegou a ser abre-
viado, tornando-se impossrvel em algumas Breas.
Famrlias tiveram que passar a jantar mais cedo e
fechar-se em suas casas para fugir aos ataques. HA
lavradores inadimplentes junto a bancos porque
nao colheram a safra e assim nio puderam pagar
os financiamentos recebidos. O sindicato rural de
Tucuruf ja registrou a fuga de 30 famflias qua nio
puderam continuar morando em seus lotes e vai es-
tudar, junto A Fetagri, a proposigao de uma agao
contra a Eletronorte, que nao admite que o lago da
usina seja o causador desses problems, como de
todos os demais ja registrados na regiao. A Eletro-
norte s6 acredita no que seus olhos aceitam ver.

Os salaries

da policia
O governor podera modificar o atual crit6rio de rea-
juste salarial da Pollcia Militar. Segundo a lei 5.233, ins-
pirada pelo entAo deputado estadual (e coronel reformado
da PM) Eladyr Noguelra e sancionada em junho de 1985
pelo governador Jader Barbalho, o soldo do coronel da
PM n8o poderb ser fixado em valor inferior a 60% "do
soldo fixado para igual posto nas Forgas Armadas". A lei,
no entanto, diz que a atualizag&o s6 ocorrera "nas datas
de reajuste de vencimentos dos servidores pdblicos fe-
derals".
Assim, embora estabelecendo a vinculagao dos
soldos da PM aos do Ex6rcito (com o que stores do go-
verno nAo concordam), a lei permitiu a exist6ncla de um
hiato, que acaba desgastando as re!ag6es da corporacAo
corn a administration publica. Os soldos do Ex6rcito foram
reajustados em agosto de 1988. A partir desse moment
comegou uma pressAo na PM para a atualizago, s6
concedida pelo governor do Estado em dezembro. De
acordo cor a letra da lei, o aumento do pessoal da PM
teria que coincidir com o reajuste geral do funcionalismo
pbblico estadual, o que acabou nao ocorrendo.
Novo problema comegarh a se former agora. Os
soldos do Ex6rcito sofreram mals um aumento a partir de
19 de janelro, obrigando o Estado a acompanha-lo. Um
coronel PM passou de 74 mil para 196 mil de soldo em 1-
de dezembro e teria direito agora a soldo de 320 mil cru-
zados (cor tempo de serving pleno, chegarla a quase
1,5 milhAo de cruzados). A rigor, o governor s6 deveria
fazer a atualizagio quando de novo reajuste geral no
Estado, mas at6 IA se intensiflcarA o jogo de presses e
a insatisfagfo nos quart6is.
Alguns assessores ddo atengdo aos custos dessa
vinculagco. A atualizaglo de dezembro custou aos co-
fres pObllcos 500 mllh6es de cruzados. O novo ajuste
onerard mensalmente o Estado em mais de bilhAo de
cruzados. AIem disso, Influi sobre o Animo dos policiais
civis, que ficaram cor seus salbrios defasados em rela-
gAo A PM. Um soldado de primeira classes esta ganhando
quase tanto quanto um investigator e tem vantagens


funcionals inexistentes na polfcia civil.
HA um outro ponto na lei que desagrada A maioria
da pr6prla Polfcla Militar. A tabela de escalonamento ver-
tical dos salArios na corporagAo tem como base o soldo
do tenente-coronel e nlo a de coronel. Por causa disso,
o soldado de 3a classes, que recebe um soldo de 97 mil
cruzados, poderia ganhar 144 mil se a referenda fosse a
do coronel (que conta com um efetivo de 16 oficiais numa
corporadAo de 6.500 homess. Os mais crrtlcos acham
que lei de autoria de um coronel s6 poderia beneficiary
com mals enfase os coron6is. Para o governor, por6m,
qualquer corregAo nesse sentido Implicaria em despesas
adicionais e a PM nAo 6 propriamente uma prioridade
na atual administraCgo.

Sinai

O "DiArio do ParA" comegou a dar sinais de que
tamb6m 6 suscetfvel aos problems econ6mico-flnan-
ceiros que afligem a imprensa local. Num trimestre o pre-
go do journal aumentou 200%, aproximando-se da realida-
de. Comegou uma certa contenglo de despesas. Surgi-
ram dificuldades pare as despesas correntes, como a
aquisig o de papel. Em compensagio, o journal, mesmo
sendo o de menor tiragem em Bel6m, fez jds a um tabl6i-
de de oito pAginas de mat6rias pagas da Previdencla So-
cial. Nos dois lados do caixa, naturalmente, Jader Bar-
balho, que 6 ministry e dono do journal.

Mineirice

A revista Manchete fol a Onica que publicou um co-
mentArio do ministry JAder Barbalho sobre o prontuArio
do SNI, divulgado por Veja. Diz o ministry na mat6ria,
temperada, alids, com a traditional simpatia dedicada
pelos Bloch aos homes do poder: "Ate 15 de marco de
1985, fui da oposig~o. FIz polftica estudantil, antes de in-
gressar no PMDB. NAo me causou estranheza que fos-
sem feitos registros de que eu combatia o regime. HA um
patrulhamento ideol6gico. Ter uma ficha no SNI compro-
va apenas uma participag~o, ainda que modest, contra o
regime ditatorial. Sou um politico que jA passou por vA-
rias campanhas eleitorals no Para. Muitas bobagens di-
tas a meu respeito foram registradas no SNI".

Divida
O governador H1lo Gueiros pagard em fevereiro a
ultima prestagAo, de 3,7 bilh6es de cruzados, da drvida
de US$ 20 milhOes de contrarda por JAder Barbalho tr6s
dias antes de deixar o governor, em margo de 1987. Fo-
ram oito parcels, a primeira das quals venceu em maio,
reajustadas pelo d6lar do dia, sem prazo de carencia, O
dinheiro foi usado para pagar empreitadas da rodovia PA-
150, uma das obras mais divulgadas da administragAo
anterior. Gueiros s6 soube da divida quando o Banco do
Brasil bloqueou a cota-parte do Estado na receita do
ICM. Jader nada Ihe disse quando da transmissAo de
cargo. Foi esse o primeiro grande ponto de atrito centre os
dois correligionarios.



Journal Pessoal
Editor responsive: Lucio FlBvio Pinto
Enderego (provls6rio): rua Aristides Lobo, 871
Bel6m, Par&. 66.000. Fone: 224-3728
DlagramMio e Ilustrago: Lutz Pinto
Op9co Jornalstica






Coincid ncia
Num flagrant feliz, o fot6grafo de .A Provinaa do
Par, pegou o president da Repriblica, marechal Caste-
lo Branco, e o governador do Pari, coronel Alacid
Nunes, no auge do regime military, em 1966. Ao re-
ceber o president, em visit ao Palicio Lauro
Sodre (que era a sede do governor e agora e o
Museu do Estado), Alacid levou Castelo para
um sofi sob os retratos dos ex-presidentes
Jnio Quadros ejuscelino Kubitscheck,
ambos cassados pelos chefes do novo re-
gime, estabelecido cor a deposiK;o de
Jolo Goulart, dois anos antes. Cas-
telo voltava a cidade em que vive-
ra uma decada antes, quando es-
teve a frente do Comando Mi-
litar da Amaz6nia. Morreria
num rumoroso acidente
aereo um ano depois.


ROSERTO CARLOS CANTARA

NO CAMPO DO CLUB DO REMO


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--r ^ *^ i^


S-etla foira, dia 2, as R0,30 horas, o
id'oo da juventude brasileira em
grande "show", present de
"Cerpa Chop"
INGEL:SSOS: Na purLai ia de A PROVINCIAL
DO PARA. no PIERRE FOTO,
na TESOURA1tlA DO CLUB
DO REMO, na ODA.LISCA e na
PORTARIA DA RADIO MARA-
JO.ARA.
INTEIRA : C:S 3,000
ESTUDA:;T. : Cr$ 2.Ou0


O rei
Roberto Carlos, "o brasa, mora", fez um showed Belem,
em setembro de 1966, para milhares de fas reunidos no estadio
de futebol do Clube do Remo, quase lotado. Ja era o "idolo da
juventude brasileira", mas ainda nao exatamente o incontestavel
rei da muisica popular. Dos quatro pontos de venda de ingressos
para o espetaculo, apenas um ainda esta em atividade, a tesoura-
ria do Remo. Os outros locals desapareceram. Algo nada inco-
mum na terra do "ja teve".


DEZEMBRO/2001 AGENDA AMAZONICA 9


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Memoria

do Cotidiano


Guerra
Ja as proximidades do rim da Segunda Guerra Mundial,
em julho de 1945, o coronel Ney Peixoto, chefe da seqo de
abastecimento, distribuit3o e control de cares verdes, pes-
cados e mariscos do Estado comunicava ao p6blico que "a
care de mamote e suas visceras" seriam vendidas v'i;lwa,,,,'
em quatro talhos: na avenida So Jer6nimo actuall Governa-
dor Jose Malcher), entire Rui Barbosa e Quintino; na Benja-
min Constant canto corn Ode Almeida; na 14 de Marqo can-
to corn Boaventura da Silva, e na Manuel Barata canto cor a
Frei Gil de \'ila Nova.
Adverria que tais talhos iam vender livremente a came e as
visceras de mamote, "isto e, fora do racionamento, ao preqo
de Cr$ 8,00". Qualquer um podia comprar essa care, "inde-
pendente da quota a que tenham direito pelos cart6es de raci-
onamento destinados aos mercados ou talhos de rua".


Importaqio
Na mesma 6poca, Pickerell Representau6es S/A ofereci-
am orcamento a quem quisesse fazer importaiao direta das
fibricas de artigos que representavam, como cimento cin-
zento americano Hercules, farinha de aveia Quaker, farinha
de trigo Northern King e Granada, azeites finos para mesa
Bela Albion e A ndaluza), uisque Balmoral, aguardentes
John Bull eJuizo, ou linotipos da Mergenthaler, de Nova
York. Tambem aceitavam assinaturas para as revistas Time,
Life, Architetural Forum e Fortune.


Censura
Uma pequena e vaga nota publicada na Fo/l' d. Nort de 5
de julho de 1945 informava que a circulaaio da revista .-
t",..ana, que estava sendo editada "por nova diregio", fora.
suspense por determinaq~o do DEIP, a versao esradual do
famigerado DIP (Departamento de Imprensa e Propagan-
da), criado por Lourival Fontes (o Golbenr do Couto e Silva
do Estado Novo) para censurar a imprensa, sob a ditadura
(que ji agonizava) de Getulio Vargas. Segundo a explicacao
do censor, a revista estava circulando foraa da lei". Seus res-
ponsaveis ja estavam "entrando em entendimento com as au-
toridades do sul da Repuiblica" para tentar liberar o semana-
rio, que voltaria a circular, corn uma edii;o especial, "assimn
que fique resolvido o impasse".


Mercearia
A partir do final de julho de
1954 as mercearias de Belem
teriam que funcionar em dois
expedientes, o primeiro come-
gando as 5,30 da manhi e indo
ate as 12 horas, e o segundo,
entire 14 e 20 horas. Quem fun-
cionasse fora do horario, esta-
belecido em lei municipal, se-
ria multado. Aos domingos, as
mercearias poderiam ficar
abertas entire 7 e 12 horas, pa-
gando uma licenca especial no
primeiro ano de vigencia da
nova lei, que revogava a ante-
rior, de 1951, mas inteiramen-
te de graga a partir dal. Os
merceeiros, porem, teriam que
cumprir as leis federal sobre
os regimes de trabalho.
A mercearia era vital an-
tes da era dos supermercados.


Direito
As maiores notas alcanga-
das pelos candidates ao ves-
tibular da Faculdade de Di-
reito em 1954 foram de Je-
ronimo de Noronha Serrio
(9,11), Carmen Lucia Paes
(8,94), Maria Dulce de Pau-
la (8,94), Raimundo Lobato
Teixeira (8,72), Wilson de Je-
sus Marques da Silva (que vi-
ria a ser desembargador,
com 7,77), Helmo Hass
Gongalves (7,72), Otavio
Sampaio Melo (7,63), leda
Neri Ledo (7,55), Ivete Lui-
cia Pinheiro (atualmente ju-
iza, 7,38), Ant6nio Pereira
Mendes (7,36) e Francisco
Candido da Silva (7,36).
Tambem foram aprovados
nesse vestibular os atuais de-
sembargadores Isabel Benone
notaa 6,63), Felicio Pontes


(6,36), Jose Alberto So-
ares Maia (6,30) e Isa-
bel Vidal de Ne-
greiros (5,80), e
o ja falecido
desembar-
gador Ossi-
an Almeida (6,22).
Amilcar Tupiassu
tambem
passou nes-
se ano notaa
5,88), mas
trocou o di-
reito pela
sociologia,
como vari-
os outros
dos 68 candidates
aprovados, dos
quais ape-
nas 50 po-
deriam ser
matricula-
dos. Era o nuimero exato das
vagas disponiveis.


Escola
Em 1954 ogovernador
Zacharias de AssumpCdo
recebeupedidos de quatro mil
criangas que queriam se
matricular como interns na
rede de ensino pdblico
estadual, mas sop6de tender
51 dospedidos, deixando de
fora 3.949 crianqas. 0 estado
contava corn 11 vagas no
coldgio Antonio Lemos, 10 no
GentilBittencourt e30 no
Institute Lauro Sodre. 0
governadorficou de mandar
alguns dos meninospara o
Educanddrio Monteiro
Lobato, na mal-afamada
(para esses efeitos) ilha de
Cotijuba.


10-DEZEMBRO/2001 -AGENDAAMAZONICA


4 10.


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Y .I ..... ..... Z .'i. ...

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CEPC
Em 1957 a
diretoria do
Centro Civi-
co Honorato
Filgueiras, o
gremio estu-
dantil do
CEPC (Cole-
gio Estadual
Paes de Car-
valho),
conse-
guiu fi-
nalmen-
te preen-
cher to-
dos os
cargos de
adminis-
traao da
entidade. No
departamento de
esportes, o volei ficou sob a
responsabilidade de Emanu-
el Rodrigues, enquanto o
basquete foi entregue a An-
tonio Brasil, o futebol a Ma-
noel Medeiros, o atletismo a
Raimundo Ewerton e a nata-
gao a Voltaire Hesketh. In-
tegravam o departamento ar-
tistico Francisco de Assis Fi-
lho, Maria Carvalho, Arman-
do Rosa, Esther Serruya e
Pedro Galvao. No departa-
mento de imprensa atuavam
Raimundo Maues, Felipe
Soares e Isaac Serruya. No
departamento social: Marr-
lene Viana, Celina Mendon-
qa, Agis Belchior, Celio
Martires Coelho e Jose Ri-
beiro. No departamento
cultural: Joaquim Bastos,
Floriano Barbosa, Sergio
Nascimento, Doralice Al-
meida e Fernando Pena.


Radio
A Radio Educadora dava destaque, em sua propaganda de 1964, ao fato de ser "a unica que
corn a PRC-5 [Rddio Clube do Pard] e ouvida eficientemente" em todo o Estado, gracas a sua
freqiiencia tropical. Mas tambem erra a unica "ouvida corn exclusividade em mais de 500
povoa5oes paraenses", usando duas freqiiencias, em onda media e tropical.


Eleiao
A prefeitura indicou, em 1966, apenas 11 pragas nas
quais poderiam ser afixados cartazes de propaganda
eleitoral: Floriano Peixoto, do Opertrio, Brasil,
Magalhies, da Bandeira, Princesa Isabel, Olavo Bilac,
Palacio, Sao Joao, do Carmo e Cruzeiro. A portaria foi
assinada pelo entio prefeito, Stelio Maroja, no
desempenho de uma faculdade que cabia entao ao
municipio, delegada pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Voc6 sabe localizar todas essas pragas?



Vestibular
O curso de vestibular Helio Dourado, que
funcionava na antiga sede do Centro Cultural
Brasil Estados Unidos, na avenida Nazar6 com a
Benjamin Constant, comemorou, em anfincio
publicado na imprensa, o indice m6dio de
aprovagao de 79% no vestibular da Universidade
Federal do Pari de 1969. Conseguiu o primeiro
lugar em sete cursos, entire os quais o de
Medicine (cor Rui Dias Borborema), engenharia
(com Renato Guerreiro, que agora dirige a Anatel,
a agencia national de telecomunica~ges) e
arquitetura (com Ronaldo Marques de Carvalho).


Crime
A caixa d'agua instalada
no centro de Belem (ao lado
do que hoje e conhecido
como "o buraco da Palmei-
ra"), que podia fazer as ve-
zes da nossa Torre Eifeel,
foi vendida como sucata,
em outubro de 1966. As 600
toneladas de ferro desmon-
tadas foram compradas pela
firma Alzinco Comercio
Exporta~io e Importaao,
do Rio de Janeiro (Guana-
bara na epoca), e levadas
pelo navio Areia Branca,
dos Snapp (a empresa de
navegagao que antecedeu a
Enasa) para a Sideruirgica
Algonete, em Recife, onde
foram reprocessadas.
Um crime contra o pa-
trimonio arquitetonico da
cidade, praticado a luz do
dia, ou da inconsciencia
pdblica.


DEZEMBRO/2001 -AGENDAAMAZONICA-11








Seja fea a v e do *g e 6. o .o .6.o *a AGENDA I. m i o rn


S... ... ... .


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0 inicio da

televisao

Em 1961, apenas 10 anos depois da sua introdu~io no
Brasil (por sua vez, apenas cinco anos ap6s o inicio da hist6-
ria televisiva, nos Estados Unidos), a televisao chegava ao
Para trazida pelas mesmas maos que ja haviam criado a TV
Tupi em Sao Paulo: Assis Chateaubriand. A TV Marajoara,
canal 2, trazia a antena dos Diarios e Emissoras Associados,
permitindo aos belenenses apreciar "a mais modern emis-
sora de televisao do Brasil", por um fato simples: era a mais
recent. A rede tinha filiais apenas no Rio de Janeiro, Belo
Horizonte e Porto Alegre, alem da capital paulista. Belem
estava, entao, na linha de frente.
Quatro anos depois, Lopo de Castro montava a se-
gunda estacio, a TV Guajara. Mas como "nao se torna real
um empreendimento deste sem o dispendio de grandes
somas", o anuncio de lancamento conclamava o paraense


a adquirir ages da nova emissora,
cor "facilidades totais". A negoci-
agao podia ser feita "153 metros aci-
ma, nos ceus do Para, nos dois 6lti-
mos andares do Edificio Manuel
Pinto da Silva". No topo do predio
mais alto do norte do pals ficaria a
antena da televisao.
A Guajara cresceu se associan-
do a expansive Rede Globo. E dimi-
nuiu ao perder os direitos de retrans-
missao para a TV Liberal. Depois aca-
bou se transferindo para onde a TV
Marajoara funcionou ate que o presi-
dente Castelo Branco obrigou os As-
sociados a diminuir o tamanho de sua
rede, sacrificando, entire as emissoras
excedentes, a lucrative Marajoara. Pos-
teriormente, a pr6pria Guajara tam-
bem desapareceria. As pioneiras fo-
ram engolidas pelo tempo.


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