|
![]() |
|
| UFDC Home |
myUFDC Home | Help | RSS
|
|
ALL VOLUMES
CITATION
THUMBNAILS
PAGE IMAGE
ZOOMABLE
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Citation | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
STANDARD VIEW
MARC VIEW
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Text | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Jo al vPessoal Lficio Flavio Pinto Ano II N 34 a lucriC apenas entre a s fa liin~uanz rip .lanpirn r1e IQRQ -------r--- --- -------- L YYLr.VIilk YV VlllViiV UV i VVV CRIME Atras da pista falsa Para nao serem identificados, os assassinos do deputado Jo&o Batista montaram pistas falsas. Pode ser atras delas que a policia esta indo quando diz que esclareceu este "caso". meses depois de perder seu mandate politi- Como Paulo Fonteles s6 foi assassinado sete co, Joao Carlos Batista acreditou que o fato de ser deputado estadual e as vit6rias que conseguiu nas eleio6es municipals de novembro de 1988 Ihe serviriam de garantia de vida. Com base nesse raciocfnio, praticamente eliminou o esquema de protegAo que usava hd algum tempo:passou a andar sem os "amigos", como tratava os seguran- gas que o acompanhavam, apesar de continuar de- nunclando as ameagas que sofria. As pessoas que organizaram o atentado contra o parlamentar, executado na noite de 6 de dezem- bro do ano passado, estavam convencidas de que seria relativamente f4cil matar Batista. Ele j1 havia estabelecido uma rotina de vida e safa sozinho da Assembleia Legislativa para apanhar a esposa e os filhos antes de ir para sua casa. Isso facilitava o ataque. Os assassinos passaram a tratar, corn atenngo e cuidado, do despistamento do crime: o mais important passava a ser a eliminac o das pistas e nao propriamente do deputado. Quase dois meses depois do assassinate, a polfcia parece mais enredada nas pistas falsas deixadas pelos criminosos do que no caminho real que poderia levar A elucidagio do caso. O inqu6rito encaminhado A Justica pelo delegado Brivaldo Soa- res no dia 20 6 uma pega tAo fraca que surpreende a reagio de euforia do secretdrio de Seguranga do Estado. O delegado MArio Malato nao s6 conside- rou elucidado o caso, como consignou elogio escri- to aos policiais nele envolvidos. A justificativa para a fragilidade de provas reunidas nas 120 pAginas do inqu6rito 6 de que o delegado precisaria remet6-lo para a Justiga no prazo legal a fim de garantir a manuteng~o da pri- sAo do pistoleiro Roberto Cirino de Oliveira, o inico dos acusados press ate agora. Depois retomaria as dilig6ncias. Um bom advogado jA poderia ter li- vrado Robertinho. Qualquer um conseguiria "ha- beas corpus" para os demais indiciados o pisto- leiro Pericles, que seria o outro executor do crime, e os comerciantes e fazendeiros Josiel Martins Ro- drigues, Jeova Campos e Oscar Ferreira como mandantes, todos eles foragidos. As provas contra os quatro sio mais frageis ainda, limitando-se A acusag9o do confuso e contradit6rio Robertinho. A versao incorporada pela pollcia 6 de que P6- ricles fez contato cor Roberto Cirino (provavelmen- te um nome falso) durante uma vaquejada realizada entire os dias 2 e 4 de dezembro, em Capanema. Prop6s apenas a realizag o do "servigo", sem indi- car quem seria a vftima. No dia 5 P6ricles avisou Robertinho, no quillmetro 48 da Bel6m-Brasflia (a cidade de MAe do Rio): no dia seguinte iriam para Belem. Os dois fizeram o primeiro percurso, do km 48 a Santa Maria do Pard, pela manhi; A tarde con- tinuaram viagem. Chegaram a Belem apenas duas horas antes de P6ricles fazer os dois tiros contra o carro do deputado, um dos quais foi fatal. Nenhum dos dois conhecia direito a cidade. Para executar o "servigo", teriam usado tr6s tdxis: ur, da rodovidria at6 o pr6dio onde Joao Batista morava; outro, de retorno A estagio rodovidria; e o terceiro para voltar a Santa Maria, pagando 30 mil (da 6poca) ao moto- rista. Robertinho diz que P6ricles Ihe prometeu 800 mil cruzados (800 cruzados novos) pelo "servigo", mas nio esclarece exatamente o que fez. Sua mis- sdo seria a de dar cobertura ao pistoleiro, mas ele diz que s6 saiu do local onde se escondera, de c6- coras, do outro lado da rua, quando "ouviu disparos e ao se levantar, j6 encontrava Pdricles vindo em sua diregAo". O depoimento de Robertinho sugere tratar-se de um assassinate decidido A tltima hora, de logfs- tica pobre, inteiramente confiado a dois homes, que amadoristicamente deixaram pistas atrds de si, inclusive um dos tres rev6lveres que carregavam e o casaco que o autor dos disparos usava. Com uma facilidade surpreendente, tratando-se de assassino professional, Robertinho contou absolutamente tudo A polfcia (sem espancamentos, como fez question de salientar o delegado), inclusive alguns detalhes sem nitidez ou subjetivos que poderia ter omi- tido. Ele apontou os mandantes do atentado ape- nas cor base no fato de "ter visto Josiel e Jeova dar(em) dinheiro a Pericles, assim como o sr. Oscar Ferreira ter conversado com Pericles". Este 6 o Onico element, uma prova testemunhal, que liga, A quem interessa o crime? Josiel Martins Rodrigues ficou preso um m6s cialmente o relaxamento da prisAo preventive que em Bel em em maro do ano passado, acusado de ter havia sido decretada contra ele. mandado matar o ex-deputado Paulo Fonteles. Oito A indicagao de que Josiel poderia ter sido c meses depois Josiel se envolveria novamente em mandante da morte de Fonteles foi dada atrav6s de outro crime politico, de uma forma tdo primaria que uma carta que James escreveu para o jornalista Jokc logo a polfcia chegaria at6 ele? Malato, deixando a ddvida sobre a forma de encami Os grandes mestres da literature policial ensi- nhamento: se por via postal ou entregue em maos. nam que uma investigag9o criminal tern que comegar James havia conhecido, anos antes, o filho do jorna por racioc(nios 16gicos sobre os fatos inquestiona- lista, o delegado Mdrio Malato, que estivera duas ve velmente conhecidos. No "caso" Jodo Batista, a pri- zes na conturbada Gleba Cidapar em miss~o di meira pergunta suscitada 6 justamente sobre a parti- DOPS (a Delegacia de Ordem Polftica e Social). Ac cipagao do temido Josiel: ele seria tdo grosseira- investigar a participacgo de Malato nessas missOes, mente sanguindrio para se meter em nova e grande o delegado Otaclio Mota, primeiro president do in. complicagio pouco depois de ter sa(do de uma, dei- qu6rito sobre o "caso Fonteles", observou que a xando seus largos costados expostos? DOPS, acionada para averiguar a viol6ncia praticada contra os lavradores por segurangas das empresas, Durante muitos anos a policia ignorou, ou ape- sob o omando de James, sempre entou s ausa nas fez registry, "para ingls ver', os crimes que dos, dicomando de James, sompre isentou os acusar rdosaoricoddos, deixando suspeitas sobre as auto-declaradas eram atribuldos ao home mais rico de Capanema, como o paraibano Josiel Rodrigues era conhecido. A vftimas. E tamb6m levantou a possibilidade de que ele eram atriburdos roubos de carretas, assass/nios o filho tenha entregue ao pai a carta mandad& pelc conhecido ou amigo. dos motorists, contrabando e violencias vdrias que Hoje Malato 6 secretdrio de Seguranga POblica garantiam seu imp6rio na regido nordeste do Pard. e Ot o um seus assessores especiais. Con NAo havia nenhum registro policial sobre essa vasta apea i das a secretario anunciou C criminalidade quando o delegado Bertolino Neto opinion pdblica completeo desvendamento" do as- prendeu Josiel porque o suposto matador de Fonteles sassinato de Joao Batista, tendo como principal im. o aoa dsassinato de Jollo Batista, tend como principal im- o apontara coo orgazador do atentadoplicado o mesmo personagem sobre o qual James De repente, a polfcia que antes ficava A dis- Vita Lopes desviara os refletores da investigagao po- tancia passou a investor sobre Josiel mal conseguia ficial um ano antes. Josiel pode at6 ser o autor inte- um mfnino de indfcio sobre a participagdo dele em lectual dos dois assassinatos, mas as provas reuni- crimes de encomenda cor motivacAo polftica. A pri- das contra ele em ambos os "casos" sao insustentd- meira pista na diregao de Capanema foi dada por um veis. E ainda que ele seja inocente especificaments ex-amigo e colaborador estreito de Josiel, o agent desses crimes politicos, ter tdo alentada listagem de de seguranga particular James Silvio Vita Lopes. events suspeitos que se transform no perfil idea. Coincidentemente, James o principal vfnculo con- do "bode expiat6rio". A elucidagio da dOvida s6 serd creto entire os executores e os mandantes do assas- possfvel cor uma investigaago seria, honest e sinato de Fonteles "entregou" o antigo patrAo oca- competent. Mas o que ter havido por enquanto 6 sional quando a polfcia o cagava. Conseguiu desviar um roto e desajeitado enredo construtdo sem maiot as atencOes, deixou de ser o alvo e atd obteve judi- empenho. 1 I 1 I I no inquerito, os tr6s indiciados como mandantes aos dois apontados como executores do crime. Uma hist6ria facil A polfcia assumiu completamente a hist6ria narrada por Robertinho, que teria contado tudo por- que o parceiro o enganou, nAo pagando os 800 mil cruzados prometidos. A rigor, porem, P6ricles nao precisaria ter incorporado Robertinho a missao por- que ele nada fez; foi mero espectador dos fatos que narrou. Outros depoimentos juntados so inqu6rito e in- formag6es reunidas so long das investigag6es sao suficientes para se concluir que Robertinho contou uma hist6ria mentirosa a polfcia: ele repassou o despistamento, montado cor tal cuidado que re- vela a grande e dispendiosa estrutura por tr4s do assassinate. Ao contrario do que faz supor a versao official, oriunda do pistoleiro, nao foi um crime de rixa, nem um atabalhoado atentado. Tr6s homes pelo menos participaram da exe- cugco direta do que foi planejado, em tr6s carros diferentes, um dos quais era particular e os outros dois podem ter sido t4xis, reais ou disfarcados (s6 um foi razoavelmente identificado). A manicure Ma- ria Cristina Marcos da Silva, de 46 anos, estava as 18 e 30 horas na parada de 6nibus na esquina da avenida Gentil Bittencourt cor a Alcindo Cacela quando um Fiat amarelo parou ao lado dela e o passageiro que estava ao lado do motorist, no Sujeito oculto Se Josiel, Jeova e Oscar nao sao mesmo os mandantes, quem estara por tras do atentado con- tra o deputado Joao Batista? Por enquanto, ha apenas especulacgo. O "Diario do Para" e "A Pro- vfncia do Para" fizeram referdncias, na semana passada, a algum politico que teria ligag6es cor o pistoleiro preso pela polfcia. Robertinho admitiu, para o reporter de "A Provfncia, ter matado o pre- feito de Irituia, Jos6 Lednidas, crime praticado ha mais de cinco anos e ainda nio esclarecido. O pr6prio Jo&o Batista apontara Robertinho e teve varias discusses com a deputada Maria de Nazarr, do PMDB, sobre a questAo, a ultima e a mais grave delas algumas semanas antes de ser assassinado. Ja Robertinho anotara o telefone de um politico do km 48 como sendo o contato com o outro pistoleiro, Pdricles. Na verdade, o que nao falta 6 pistoleiro nos registros da investigaago. S&o citados 14 deles no inquArito do delegado Brivaldo Soares, todos corn varios assassinatos no currfculo, alguns "donos" de determinadas regi6es, onde ate implantaram fazen- da, varios eliminados em operag es "queima de ar- quivo" e os remanescentes completamente lives, a excecao de Robertinho. Transformaram-se em per- sonagens obrigat6rios de todas as investigagdes feitas no mundo rural e est&o acima e alAm do poder de polfcia do Estado, no qual alguns at6 plantaram suas rafzes ocultas, naturalmente. banco da frente, desceu para perguntar-lhe "onde ficava localizado o ediffcio Urca, pois era do inte- rior do Estado". Maria Cristina indicou a diregao para o home moreno, alto, feig6es grossas, cabelos encaracola- dos, usando jaqueta verde sobre uma camiseta branca, calga jeans e sapato de pano. Ele entrou de volta no carro e a manicure foi tratar de um assunto na avenida MagalhAes Barata, all perto. Mela hora depois, as 19, ela voltou a Gentil e viu o mesmo Fiat estacionado na esquina posterior (Gentil corn Castelo Branco), em frente a uma sorveteria. Dois homes continuavam dentro do carro. O terceiro, justamente o que pedira as informagdes, estava encostado no muro do ediffcio Urca. Maria seguiu seu caminho. O home provavelmente era o pisto- leiro PBricles (ou outro nome que seja o verdadei- ro). Uma hora e media depois ele mataria Joao Ba- tista. Dez dias depois (e quatro antes de depor na polfcia), Maria Cristina viu o motorist do Fiat no terminal rodoviario de BelAm. S6 que agora ele es- tava dirigindo um taxi amarelo, Fusca, "e se encon- trava conversando corn outros elementss. A hist6ria transmitida corn conviccAo pela ma- nicure refaz a de Robertinho. Nao se trata mais de uma emboscada simples e sim de um atentado em sua complex montagem. Mas ha um detalhe intri- gante: se os tres homes que participaram do es- quema estavam com um motorist de taxi baseado em Bel6m, por que o pistoleiro desceu para pedir informag6es a uma pessoa qualquer na rua, se o seu motorist conhecia bem a cidade? O home que matou Jolo Batista nao se preocupou em ne- nhum moment cor sua identificagao: foi na vAs- pera ao pr6dio, conversou corn o porteiro duas ve- zes e at6 pode ter aparecido na Assembleia Legis- lativa (a vidva de Batista julga t6-lo visto 1A), sem- pre de rosto limpo. Esse comportamento faz supor que nio 6 pessoa conhecida na area: agiu como pistoleiro de outros Estados que atuam fora de sua base. A consult & manicure faria part do esque- ma de despistamento, que levou a depoimentos contradit6rios as raras testemunhas do crime. O casaco verde integra essa mesma preocupa- 9 ocom o embaralhamento das provas. O pistoleiro fez questio de destacar esse item da indumentaria. TambAm parece ser ato calculado o descarte de um revolver em plena avenida Almirante Barroso, a de mais intense trafego na cidade. Momentos depois que o revolver 38 foi jogado, em frente so mercado de Sao Braz, estudantes o encontraram e o entre- garam a dois soldados da Polfcia Militar (e eles re- tiveram a arma durante uma semana). Mas perfcia feita pelo Instituto MAdico Legal concluiu que nao safram dessa arma os dois tiros dados pelo pisto- leiro (uma bala ficou presa na cabega do deputado e a outra ficou no carro). Se o revolver era para despistar, o terceiro tiro tamb6m pode ter sido disparado para confundir. As testemunhas dizem ter ouvido tries tiros, mas s6 duas balas foram resgatadas no local do crime, o terceiro tiro pode ter sido dado por outra pessoa cor outro revolver, justamente para despistar. Assim, a hist6ria passada a polfcia por Rober- tinho (se 6 que ele contou-a espontaneamente, co- mo autor do enredo e nAo mero repetidor de um script que Ihe foi entregue pronto) leva a uma con- fluencia de pistoleiros perigosos, todos cor espan- tosos currfculos de morte, conduzindo na verdade ao despistamento, a encruzilhadas que permitem aos organizadores do crime mais uma vez escapar A identificagco. No caso de Paulo Fonteles, o atentado foi executado com requintes de sofisticaggo, mas o despistamento, nao, teve falhas. JA na morte de JoAo Batista, a execug o foi simples porque o de- putado foi apanhado desprevenido. Sofisticado foi o planejamento da fuga. Seguindo as pistas prepara- das, a polfcia e, cor ela, a opiniao pdblica cai- rd no vAcuo. Ou no "bode expiat6rio". Retrato da policia Menos de mela hora depois que o deputado Jolo Carlos Batista foi morto, trbs estudantes encontraram a 200 metros do local do crime um revolver que os as- sassinos atiraram sobre o melo-flo da via pOblica de mals intense trdfego de Belem. A arma foi entregue a dois sol- dados da Polrcia Militar, mas eles a ocultaram durante uma semana e s6 a entregaram obrigados, quando a poll- cia civil os identificou. O fato 6 tAo grave que mereceria uma investigaggo paralela e uma puniggo exemplar. Os dois militares constataram que a arma tinha sido deflagrada um pouco antes, cor tres ou quatro balas usadas, mas nAo toma- ram nenhuma iniciativa pars levA-la A polfcia mesmo sa- bendo que poderia ser uma das principals proves do as- sassinato do deputado. Ambos pertencem a PM hi sete anos, servindo atualmente no Batalhio de TrAnsito. PORTO 0 mito desmoronou 0 s paraenses lutaram, durante alguns anos, pare que os minerios do Carajas fossem es- coados por seu pr6prio territ6rio. Mas a na- tureza, segundo a argumentagao dos que decidiram essa pendOncia, favoreceu o Maranhio: a maravilhosa bala de Sao Marcos permitiria instplar all, a apenas novel quildmetros da cidade de Slo Lufs, o segundo melhor porto interceanico do plane- ta, capaz de receber navios tao grandes que s6 em Rotterdam, na Holanda, dispdem de profundidades equivalentes para acesso. O litoral do ParA foi pre- terido porque os pontos favordveis sofriam o ataque do assoreamento, deposig6es de lama e area que modificam os canals, alem da agAo das fortes cor- rentes de mars. Se 6 inegAvel a supremacia geogrdfica do lito- ral maranhense, hoje jd parece bem claro tambem que a Companhia Vale do Rio Doce, com seus con- sultores, nao fez estudos comparativos mais apro- fundados, nem mesmo estudou melhor o projeto do porto da Ponta da Madeira. Observag6es mais deti- das devem ter sido consideradas desnecessArias porque a alternative escolhida ferrovia ate a cos- ta do MaranhAo diante da hip6tese rechagada - hidrovia ou ferrovia/hidrovia ate o litoral do ParA - atendia exatamente os interesses do component decisive da questio: os japoneses, principals com- pradores do min6rio de ferro de Carajas. Os gran- des consumidores de minerios preferem a solucgo traditional nesse tipo de transagao: uma via exclu- siva de transport, ainda que ela tenha quase 900 quil6metros de extensao desde a mina ate o porto. Sao alergicos a vias de escoamento de uso gene- ralizado, democr6tico, como os rios eclusados. Estando os japoneses satisfeitos, a CVRD tra- tou de aproveitar o present da natureza e implan- tou o terminal da Ponta da Madeira. Em 1982 o en- genheiro Bento Moreira Lima Neto, director tecnico da Companhia Docas do Maranhao, comegou a ad- vertir para os erros do projeto: o novo terminal, lo- calizado uma milha ao norte, ameagaria de asso- reamento o porto de Itaqui, que movimenta carga geral. Moreira Lima criticava a CVRD por ter defini- do a localizagdo do grande terminal graneleiro sem consultar a Codomar, que se op6s a essa decisAo. Apesar de ouvir uma long exposig~o feita pela Vale sobre as vantagens do projeto, o enge- nheiro nao se convenceu de que os "molhes" - enormes pared6es de proteglo construfdos no terminal nao impediriam o gratuito service executa- do pelas mares, de manter dragada a bacia de evolug8o do porto, permitindo assim a estabilidade dos funds da Area. Num relat6rio de fevereiro de 1982, Moreira Lima responsabilizou diretamente a CVRD "pelo problema de assoreamento que esti ocorrendo no Porto de Itaqui e, principalmente, por todas as implicagdes que ele trouxer para o Porto, especialmente no que concern As profundidades no seu atual cais de acostamento". Diante das declaragdes do director da Codomar, a Vale reagiu. Em primeiro lugar, negou que o as- soreamento se devesse A construgAo dos espig6es da Ponta da Madeira, que serviriam de proteglo aos grandes navios contra a forga das mares. Em seguida, a CVRD alegou que a bafa de Slo Marcos padecia de um "assoreamento hist6rico". Por fim, "descobriu o absurdo de que a deposi9go de mate- rial s6lido junto ao cais, antes da construgAo dos molhes, foi maior que a media depois da obra", conform o relate de Moreira Lima. Mas ele conti- nuou sustentando que a mA localizacgo da obra tra- ria prejufzos tanto para Itaqui, como para o pr6prio terminal de Carajds. Desfazendo a obra Seis anos depois, a Vale finalmente cedeu aos arguments, mesmo sem reconhec6-los como vAli- dos. Obedecendo a parecer t6cnico, destruiu 112 dos 315 metros que o enrocamento sul do "molhe" possufa, e 10 metros de seus 35 metros de altura. O "molhe" passou a ser um "batente submerso" capaz de permitir a passage das correntes por sobre suas pedras. Com isso, impediria o que vinha ocorrendo: um milhao e meio de metros cibicos de area. foram jogados para dentro do terminal, so- mente eff 1987, devido so redemoinho que se for- mou cor o deslocamento das correntes de mar6 nos "molhes". Para retirar 600 mil metros cdbicos de lama e area depositados em frente ao terminal, trabalho executado pela empress holandesa Amsterdam Ballast; a Vale gastou no ano passado 1,8 milhio de d6lare.s (dois milh6es de cruzados novos). A dragagem, hip6tese impensAvel quando foi feita a opg o pelo escoamento do min6rio do CarajAs at6 o litoral maranhense, nao apenas comegava a ser feita, como passara a ser tarefa obrigat6ria a cada ano para assegurar as condig6es adequadas de atracag o e operaggo para os supergraneleiros atrafdos para a Ponta da Madeira. A Vale continue insistindo em que o assorea- mento nao 6 causado por seu terminal, mas Moreira Lima que consider a empresa estatal "a maior aliada que possui o Estado do MaranhAo, para seu desenvolvimento" aponta-o como a causa direta de o porto de Itaqui ter deixado de ser "um dos por- tes de carga geral mais profundos do mundo". Se- gundo o t6cnico, os "bergos" do porto, que aceita- vam navios calando 12 metros e variavam suas co- tas negatives entire 1,1 e 13 metros, "hoje se con- tentam com profundidades de sete, oito e nove me- tros. Em um dnico trecho de cais, as cotas chegam a menos de dez metros". A Codomar planejou dra- gar ali mais de 400 mil metros cibicos, service que Ihe custarA um milhao de d6lares. Moreira Lima garante que o material s6lido, em suspensdo nas Aguas da bafa de Slo Marcos, "vem se acumulando naquele local, vagarosamente, mas de uma maneira persistent e definitive". Ele acha que o novo desenho dos "molhes", depois das obras de correo&o da CVRD, "propiciou uma pe- quena melhora no assoreamento do Porto de Itaqui; entretanto, nao resolve o problema do Terminal de Carajds. 0 criterio de sempre Ele diz que a localizagAo do terminal de min6- rios foi decidida "por injustificAvel media de eco- nomia, quando haveria locais mais apropriados a poucas milhas de distAncia". Afirma que se o ter- minal fosse tAo perfeito como dizem seus idealiza- dores, "nao aconteceria de assorear seu interior, nem se pensaria em modificar os molhes de prote- 9Ao, quatro anos depois de conclufdos, pois estas obras t6m um custo altfssimo". Com a modificag~o feita nos "molhes" a um custo que a Vale nega-se a revelar e as draga- gens realizadas por dois d6lares o metro cdbico re- tirado, Moreira Lima acredita que as profundidades hist6ricas nos portos da bafa "possam ser parcial- mente restabelecidas ou pelo menos mantidas as atuais". Ainda assim, tergo desmoronado varios mi- tos, entire os quais o da sapi6ncia da decisao to- mada entire um col6gio de auto-selecionados tecno- cratas, os "magos" da ocupaaio da amaz6nia a partir de fora e de cima durante todos esses anos de autoritarismo, que ainda perduram. Esses tecnocratas ungidos pelo saber podem ter desperdigado um fantastico present da nature- za, comprometeram uma alternative de transport de maior valor social, serviram a um esquema colo- nial de explorag o de recursos naturals e causaram pesados prejufzos A NacAo, que, como sempre, se- quer consegue calcular quanto pagou e ainda paga- rd por esses erros. Eles foram cometidos tanto na Ponta da Madeira, como na Ponta Grossa, em Bar- carena ( o terminal do alumfnio da AlbrBs), e em muitos outros desses cais que nossa elite transfor- mou em bases de langamento de nossas riquezas. E ensinam uma ligao definitive: nao se deve aceitar solug6es definitivas e salvadoras se, antes, elas nao nos convencem. As surpresas do governor Tres d6cadas atrds o SNAPP fazia viagens pelos principals rios navegaveis da Amaz6nia, indo a pontos extremes da regiso e at6 mesmo al6m de suas fronteiras, como Iquitos, no Peru. Hoje, a Ena- sa, que sucedeu o SNAPP, limita-se a ligagAo Be- 16m-Manaus, cor algumas escalas, e ao transport para a Ilha de Maraj6. Nesse perfodo, o volume de passageiros multiplicou-se e a dnica empresa esta- tal de navegagco passou a ser a mais acessfvel - ou unica via de transport nos poucos trechos por ela frequentados. O servigo 6 muito criticado e a empresa ter sofrido, ao long do tempo, a acao do virus do em- preguismo, da politicagem e da inefici6ncia que contamina os organismos da burocracia official. Mas 6 inaceitdvel que o tratamento desses males seja feito A custa do paciente, como pretend o Piano de Verio do governor federal. No capftulo sobre as empresas pdblicas, ele foi inflexfvel e pouco inteli- gente: a Enasa tern que ser privatizada em 90 dias para nao ser extinta ap6s esse prazo. O primeiro problema gerado por mais esse 6di- to real baixado do trono brasiliense diz respeito A pr6pria venda da empresa. Seu Onico acionista 6 a Uniao. As agdes, portanto, nao tem valor de merca- do. Indo para licitag o em prazo exfguo, nao have- ria o risco de uma negociagdo pouco proveitosa, para usar expressio educada, que a transferiria a particulares a prego de banana? Privatizada, a Enasa subsistiria como uma empresa de navegagdo atendendo sobretudo a clients de baixa renda, ou sofreria complete descaracterizagao, sendo seu pa- trim6nio retalhado conforme o interesse natural- mente, commercial do adquirente? A solug o encontrada, obviamente, nao 6 boa para a Amaz6nia. Mas o que se pode esperar de um governor que ter assistido impassivelmente a sucessio de trag6dias nos abandonados rios da re- giso (a maior de today a hist6ria do pals foi em 1981, no Amap4, cor 387 mortos) e deslocou o ei- xo de seus investimentos para as rodovias, que tmr funcionado como instrument de agressdo A Ama- z6nia? Nao se pode esperar por ele, nem se deixar surpreender por suas decis6es. Surpresas, nesses casos, serao sempre desagradiveis. ECOLOGIA Ponto de equilibrio O Para nao p6de escoar por seu pr6prio territorio o minerio de Carajas porque a costa maranhense era melhor. Mas os tecnocratas ameagam desperdigar um valioso present da Natureza. E m 1972 o Brasil foi & Confer6ncia da ONU (Organizagao das Nac6es Unidas) sobre meio ambiente, em Estocolmo, declarar que os problems ecol6gicos existentes em seu territ6rio Ihe pertenciam e que os resolveria sobe- ranamente, recusando as crfticas ou interfer6ncias internacionais motivadas pela situag~o da floresta amaz6nica. O representante brasileiro disse que os pauses industrializados haviam polufdo a atmosfera e dilapidado a natureza dentro e fora de seus limi- tes. O Brasil nao iria remir esses pecados deixando intapta a sua Oltima grande fronteira de recursos naturals porque se atrasaria ainda mais economi- camente. S6 faltou acrescentar: agora 6 a nossa vez de praticar as irracionalidades de voc6s e, se tudo der certo, ficar igual a voces, no que consegui- ram de bom e de ruim. A pr6xima confer6ncia da ONU sera no Brasil, que se apresentou como voluntirio para ser a sede do encontro. A intengdo do governor brasileiro pare- ce ser a de criar um ambiente sob seu control pa- ra tentar desfazer o quadro negative que vem sen- do tragado nas principals capitals do mundo. Nelas, a Amaz6nia comega a aparecer como um dos te- mas mais preocupantes para os grupos de pressio. E o governor brasileiro como o avalista de um pro- cesso de ocupagao selvagem, que aniquila bens valiosos em troca de produtos primarios, A custa de pesados investimentos e subsfdios pagos pela Na- 9go. O governor tem interpretado esse crescent in- teresse da comunidade international pela Amaz6- nia como ato de lesa-patria, uma conspiragio furti- va contra as legftimas aspirag5es do pars de ser tao poderoso e problematico quanto as grandes pot6ncias, que estAo sempre na viseira da geopolf- tica, o motor do sonho do Brasil Grande. Mas qual- quer balango que se fizer sobre os 20 anos trans- corridos entire a conferencia de Estocolmo de 1972 e a que vira em 1992 tera um saldo amplamente deficitario. O governor nao parou de produzir pap6is, siglas e atos decorativos; o background institucio- nal at6 evoluiu, mas a situaago fatica tornou-se la- mentavel. HA uma colecgo de belas leis, uma ci- randa de reserves e estag6es ecol6gicas que po- dem figurar fotograficamente num folder promocio- nal, mas as relag6es de troca entire a agAo do ho- mem e a oferta da natureza, ou entire o que o ho- mem faz e o que a ci6ncia do home sugere que ele faga, 6 negative. Como que se desculpando, o governor argu- menta que essa trilha 6 quase inevitavel e o Brasil at6 6 tfmido comparativamente ao que fizeram paf- ses ricos na aurora de seu crescimento econ6mico. A partir dal brotam as mesmas citag6es que vAm sendo repetidas desde 1972 sobre o lixo da indus- trializag&o (que o piauiense ministry do Planeja- mento de dois governor militares, o economist Jo&o Paulo dos Reis Veloso, quis importer na 6po- ca a tout court e hoje confeita essa attitude comr novo glamour nas explica6des enviadas A impren- sa). O governor omite todas as transformag6es que ocorreram no mundo e na consciencia dos homes desde o seculo dezoito. Hoje eles sabem que hd uma solidariedade compuls6ria no planet: a elimi- nag8o da cobertura vegetal de uma extensa part dos tr6picos nao repercute apenas localmente; ela vai afetar a globalidade da Terra, em escalas varia- das, de formas distintas. O estado de consci6ncia gerou um interesse que 6 a preliminary de um novo direito international. Nem a posi~lo categ6rica de nossos guerreiros geopollticos conseguird center essa evolucgo, ou essa involug8o (na 6tica deles). Troca desfavorivel Mas nio sd a comunidade international que habitat alem-fronteiras adquiriu essa consciencia: um crescent nSmero de brasileiros tamb6m a par- tilha. SAo cidad&os que hd bastante tempo v6m se opondo ao sistema de trocas que o governor esta- beleceu cor o "modelo" de ocupagao usado para ocupar a Amaz6nia. Troca de bilh6es de d6lares em investimentos pdblicos por empreendimentos parti- culares que monopolizam os benefrcios das obras geradas. Troca de iseng6es fiscais e tributarias, mais colaboraggo financeira do tesouro national, por projetos que transferem grande parte desse di- nheiro para suas areas de origem, agravando a concentragao da renda. Troca de Arvores que cria- ram um estado geral de equilfbrio depois de s6cu- los de mutualismo por campos de pastagem mal formados e tao mal usados que logo se degradam, virando lixo. Troca de uma ocupacio orientada pela natureza, difusa a descontlnua, por uma ofensiva que mais parece um rolo compressor porque "orien- tada" pela preocupagAo (novamente geopoltica) de substituir a Arvore e seu mundo pelo colono e o mundo que ele traz de fora, pronto, acabado, refra- tdrio 6 troca cor a paisagem que o recebe. A Ama- z6nia tem tudo para dispenser a ajuda desse go- verno central que a devasta. Sem ele, nao teria tan- tas transformag6es. Mas nlo estaria tio saqueada. Boa part dessa relag o paradoxal foi estabe- lecida atrav6s da alianga entire o governor national e empresas multinacionals. Nesse intercAmbio, nao houve nenhum xenofobismo, nenhum preconceito, nenhuma suscetibilidade de soberania national. Contra o capital nao estao voltados os anteparos da geopolitica que faz a cabega dos que fazem a doutrina imposta & Amaz6nia como se fossp dela. Os mecanismos de reagAo slo acionados contra as manifestag6es das sociedades internacionais, aquelas que nio sao gestadas no reconfortante seio das instituic6es amigas. O capital 6 bem-vin- do. A ci6ncia, quando nio Ihe 6 acompanhante, nao. Quando independent, ela vira arma do colo- nialismo, instrument de soturnos interesses, impe- rialista. A questlo amaz6nica 6, antes de tudo, um problema dos que moram na Amaz6nia. Do enqua- dramento e resolugio desse desafio participam- tamb6m os brasileiros em geral. Da sociedade pla- netaria espera-se que oferega contribuig6es especf- ficas, conform o grau e a direoao de seu pr6prio patrim6nio. Se o Brasil nao se fecha & sociedade econ6mica, optando por uma participag o des- bragada, alias nas relag6es de troca, nao pode pretender uma posigio excludente em relaglo A so- ciedade do saber. Uma part desse saldo negative deve-se justamente ao descompasso entire esses dois nfveis de participagio humana. Relagio com o mundo Part do que hoje se conhece sobre a Amaz6- nia foi obtido gracas A contribuigio de estrangeiros como Henry Bates, Wallace, Agassiz, Coudreau, Wagley, Goeldi, Le Cointe estrangeiros que aqui formaram sua patria adotiva, adotada pelo c6rebro e por ele enobrecida. Claro que alguns desses cien- tistas visaram tamb6m ou sobretudo algum in- teresse que nao 6 o da ci6ncia ou da terra onde passaram a atuar. Cabe A sociedade exercer a vi- gilAncia e separar o jolo do trigo. O tragico 6 que no Brasil ha um fosso brutal entire a sociedade e o governor, a Nacgo e o Estado. O governor que repele o interesse international pela Amaz6nia 6 o mesmo que ignore os anseios de participaglo da comuni- dade sobre a qual atua como tutor autoritario. An- tes que os estrangeiros fizessem as criticas que atualmente fazem, os brasileiros e, no caso, os amaz6nidas a repetiram ad nauseam. Os estran- geiros sao os estrangeiros. Os nacionais divergen- tes sao inc6modos, ou subversivos. Part desses divergentes, por desalento ou in- compreensao, resolveram travar sua luta nio mals dentro das fronteiras geograficas do pals, mas nos parametros em que circula o capital. Se a causa das desgragas nacionais estA sediada nos centros financeiros que Ihe sugam toda a vitalidade, atra- v6s do servigo da monstruosa drvida que formaram, 16 pode star tamb6m a fonte da salvag o. Ao inv6s de golpear a hidra nos tentaculos, 6 melhor visa-la na cabega. A constatag o 6 correta no piano das id6ias, da luta pela compreensio. Mas pode ser fu- nesta enquanto esquema salvacionista. Transferir para fora do pars o campo da luta 6 aceitar, por ou- tro prisma, o mesmo raciocfnio que levou realmente o pars a perder sua soberania. Deve-se ir aos centros financeiros pars neles travar part do jogo de presses, revertendo a mao Onica que atualmente existed. Mas trazer esses cen- tros para dentro do pars, tentando faz6-los substi- tuir os nacionais, 6 uma distorgio. A ilusio que os autores da trag6dia brasileira procuraram criar, de que a poupanga estrangeira (na forma de capital ou de financiamentos) iria fazer o Brasil crescer acele- radamente e eliminar a pistancia que o separa dos mais ricos, sera repetida em relacao a ci6ncia e aos grupos de pressAo nAo governamentais. A question 6 complex. As organizag6es brasi- leiras nao governamentais deveriam examina-la sem os antolhos da geopolrtica e a contaminagAo das aliangas que impedem o governor de analisa-la em proveito da Nagco e nio do circuit dos inte- resses de grupos que o controlam. Qual a extenslo do conceito de soberania e de Nag~o? Como usa- los produtivamente? Quais slo os nexos entire as institulg6es financeiras e as cientfficas? Como in- corporar a parcel de generosidade desse interesse international? Como evitar que mais um biombo oculte nossa pilhagem? Certamente as respostas nao podem ser en- contradas no sebastianismo impregnador de alguns brasileiros que estao atras de uma nova Meca, nem na arrogAncia de alguns estrangeiros que aportam na possessAo colonial como super-homens desem- barcados dos c6us. O governor incensa os charmo- sos enviados do capital e anatematiza os emissa- rios da ciencia que ndo rezam pela mesma cartilha. Nio se pode repetir, em posig6es invertidas, essa attitude colonial. Tucurui: agora, mosquito ataca Quase 30 famrlias ja abandonaram suas casas e lavouras na area do reservat6rio da hidrel6trica de Tucurul por nio suportarem os ataques dos mosquitos. Eles proliferaram com o afogamento das Arvores durante a formagAo do lago artificial pela represa, que reteve 43 bilh6es de metros cibicos de Agua e inundou 2.430 quil6metros quadrados, no segundo maior lago artificial do pars. 0 problema vem se agravando nos iltimos dols anos. Como em todas as parties da Amaz6nia, sempre houve mosquitos no curso mrdio do rio To- cantins, represado pela Eletronorte para gerar atd oito milh6es de kw de energia na Oltima etapa da construgao da usina de Tucuruf, atualmente corn 40% dessa capacidade nominal instalada e em ope- raglo desde o final de 1983. Mas nio apenas surgi- ram novos tipos, como se multiplicaram velozmente os mosquitos, sobretudo nas reentrancias do lago. Nesses trechos, a decomposicio da mass vegetal criou um ambiente favoravel 6 proliferag-c dos in- setos. Piuns, murigocas e "rabos verdes" sAo algu- mas das esp6cies que passaram a atormentar a vi- da dos habitantes, destruindo seus cultivos agrfco- las a matando at6 mesmo animals, A base de fer- roadas. Antes, o ataque dos mosquitos era apenas durante o inverno e a partir do final da tarde, em volume muito menor. Agora 6 o ano inteiro e duran- te todo o dia. Em outubro do ano passado o pro- blema foi levado A diregio da Eletronorte e a Su- cam fez borrificagao de DDT em varios locais, mas o problema persistiu. Pe6es comegaram a se recusar a trabalhar nas rogas e o horlrio de trabalho comegou a ser abre- viado, tornando-se impossrvel em algumas Breas. Famrlias tiveram que passar a jantar mais cedo e fechar-se em suas casas para fugir aos ataques. HA lavradores inadimplentes junto a bancos porque nao colheram a safra e assim nio puderam pagar os financiamentos recebidos. O sindicato rural de Tucuruf ja registrou a fuga de 30 famflias qua nio puderam continuar morando em seus lotes e vai es- tudar, junto A Fetagri, a proposigao de uma agao contra a Eletronorte, que nao admite que o lago da usina seja o causador desses problems, como de todos os demais ja registrados na regiao. A Eletro- norte s6 acredita no que seus olhos aceitam ver. Os salaries da policia O governor podera modificar o atual crit6rio de rea- juste salarial da Pollcia Militar. Segundo a lei 5.233, ins- pirada pelo entAo deputado estadual (e coronel reformado da PM) Eladyr Noguelra e sancionada em junho de 1985 pelo governador Jader Barbalho, o soldo do coronel da PM n8o poderb ser fixado em valor inferior a 60% "do soldo fixado para igual posto nas Forgas Armadas". A lei, no entanto, diz que a atualizag&o s6 ocorrera "nas datas de reajuste de vencimentos dos servidores pdblicos fe- derals". Assim, embora estabelecendo a vinculagao dos soldos da PM aos do Ex6rcito (com o que stores do go- verno nAo concordam), a lei permitiu a exist6ncla de um hiato, que acaba desgastando as re!ag6es da corporacAo corn a administration publica. Os soldos do Ex6rcito foram reajustados em agosto de 1988. A partir desse moment comegou uma pressAo na PM para a atualizago, s6 concedida pelo governor do Estado em dezembro. De acordo cor a letra da lei, o aumento do pessoal da PM teria que coincidir com o reajuste geral do funcionalismo pbblico estadual, o que acabou nao ocorrendo. Novo problema comegarh a se former agora. Os soldos do Ex6rcito sofreram mals um aumento a partir de 19 de janelro, obrigando o Estado a acompanha-lo. Um coronel PM passou de 74 mil para 196 mil de soldo em 1- de dezembro e teria direito agora a soldo de 320 mil cru- zados (cor tempo de serving pleno, chegarla a quase 1,5 milhAo de cruzados). A rigor, o governor s6 deveria fazer a atualizagio quando de novo reajuste geral no Estado, mas at6 IA se intensiflcarA o jogo de presses e a insatisfagfo nos quart6is. Alguns assessores ddo atengdo aos custos dessa vinculagco. A atualizaglo de dezembro custou aos co- fres pObllcos 500 mllh6es de cruzados. O novo ajuste onerard mensalmente o Estado em mais de bilhAo de cruzados. AIem disso, Influi sobre o Animo dos policiais civis, que ficaram cor seus salbrios defasados em rela- gAo A PM. Um soldado de primeira classes esta ganhando quase tanto quanto um investigator e tem vantagens funcionals inexistentes na polfcia civil. HA um outro ponto na lei que desagrada A maioria da pr6prla Polfcla Militar. A tabela de escalonamento ver- tical dos salArios na corporagAo tem como base o soldo do tenente-coronel e nlo a de coronel. Por causa disso, o soldado de 3a classes, que recebe um soldo de 97 mil cruzados, poderia ganhar 144 mil se a referenda fosse a do coronel (que conta com um efetivo de 16 oficiais numa corporadAo de 6.500 homess. Os mais crrtlcos acham que lei de autoria de um coronel s6 poderia beneficiary com mals enfase os coron6is. Para o governor, por6m, qualquer corregAo nesse sentido Implicaria em despesas adicionais e a PM nAo 6 propriamente uma prioridade na atual administraCgo. Sinai O "DiArio do ParA" comegou a dar sinais de que tamb6m 6 suscetfvel aos problems econ6mico-flnan- ceiros que afligem a imprensa local. Num trimestre o pre- go do journal aumentou 200%, aproximando-se da realida- de. Comegou uma certa contenglo de despesas. Surgi- ram dificuldades pare as despesas correntes, como a aquisig o de papel. Em compensagio, o journal, mesmo sendo o de menor tiragem em Bel6m, fez jds a um tabl6i- de de oito pAginas de mat6rias pagas da Previdencla So- cial. Nos dois lados do caixa, naturalmente, Jader Bar- balho, que 6 ministry e dono do journal. Mineirice A revista Manchete fol a Onica que publicou um co- mentArio do ministry JAder Barbalho sobre o prontuArio do SNI, divulgado por Veja. Diz o ministry na mat6ria, temperada, alids, com a traditional simpatia dedicada pelos Bloch aos homes do poder: "Ate 15 de marco de 1985, fui da oposig~o. FIz polftica estudantil, antes de in- gressar no PMDB. NAo me causou estranheza que fos- sem feitos registros de que eu combatia o regime. HA um patrulhamento ideol6gico. Ter uma ficha no SNI compro- va apenas uma participag~o, ainda que modest, contra o regime ditatorial. Sou um politico que jA passou por vA- rias campanhas eleitorals no Para. Muitas bobagens di- tas a meu respeito foram registradas no SNI". Divida O governador H1lo Gueiros pagard em fevereiro a ultima prestagAo, de 3,7 bilh6es de cruzados, da drvida de US$ 20 milhOes de contrarda por JAder Barbalho tr6s dias antes de deixar o governor, em margo de 1987. Fo- ram oito parcels, a primeira das quals venceu em maio, reajustadas pelo d6lar do dia, sem prazo de carencia, O dinheiro foi usado para pagar empreitadas da rodovia PA- 150, uma das obras mais divulgadas da administragAo anterior. Gueiros s6 soube da divida quando o Banco do Brasil bloqueou a cota-parte do Estado na receita do ICM. Jader nada Ihe disse quando da transmissAo de cargo. Foi esse o primeiro grande ponto de atrito centre os dois correligionarios. Journal Pessoal Editor responsive: Lucio FlBvio Pinto Enderego (provls6rio): rua Aristides Lobo, 871 Bel6m, Par&. 66.000. Fone: 224-3728 DlagramMio e Ilustrago: Lutz Pinto Op9co Jornalstica Coincid ncia Num flagrant feliz, o fot6grafo de .A Provinaa do Par, pegou o president da Repriblica, marechal Caste- lo Branco, e o governador do Pari, coronel Alacid Nunes, no auge do regime military, em 1966. Ao re- ceber o president, em visit ao Palicio Lauro Sodre (que era a sede do governor e agora e o Museu do Estado), Alacid levou Castelo para um sofi sob os retratos dos ex-presidentes Jnio Quadros ejuscelino Kubitscheck, ambos cassados pelos chefes do novo re- gime, estabelecido cor a deposiK;o de Jolo Goulart, dois anos antes. Cas- telo voltava a cidade em que vive- ra uma decada antes, quando es- teve a frente do Comando Mi- litar da Amaz6nia. Morreria num rumoroso acidente aereo um ano depois. ROSERTO CARLOS CANTARA NO CAMPO DO CLUB DO REMO %4 .-i'~6:LIy ,^. iy~ y --r ^ *^ i^ S-etla foira, dia 2, as R0,30 horas, o id'oo da juventude brasileira em grande "show", present de "Cerpa Chop" INGEL:SSOS: Na purLai ia de A PROVINCIAL DO PARA. no PIERRE FOTO, na TESOURA1tlA DO CLUB DO REMO, na ODA.LISCA e na PORTARIA DA RADIO MARA- JO.ARA. INTEIRA : C:S 3,000 ESTUDA:;T. : Cr$ 2.Ou0 O rei Roberto Carlos, "o brasa, mora", fez um showed Belem, em setembro de 1966, para milhares de fas reunidos no estadio de futebol do Clube do Remo, quase lotado. Ja era o "idolo da juventude brasileira", mas ainda nao exatamente o incontestavel rei da muisica popular. Dos quatro pontos de venda de ingressos para o espetaculo, apenas um ainda esta em atividade, a tesoura- ria do Remo. Os outros locals desapareceram. Algo nada inco- mum na terra do "ja teve". DEZEMBRO/2001 AGENDA AMAZONICA 9 "- fi i . r I, , --- .' t - -"--.. Memoria do Cotidiano Guerra Ja as proximidades do rim da Segunda Guerra Mundial, em julho de 1945, o coronel Ney Peixoto, chefe da seqo de abastecimento, distribuit3o e control de cares verdes, pes- cados e mariscos do Estado comunicava ao p6blico que "a care de mamote e suas visceras" seriam vendidas v'i;lwa,,,,' em quatro talhos: na avenida So Jer6nimo actuall Governa- dor Jose Malcher), entire Rui Barbosa e Quintino; na Benja- min Constant canto corn Ode Almeida; na 14 de Marqo can- to corn Boaventura da Silva, e na Manuel Barata canto cor a Frei Gil de \'ila Nova. Adverria que tais talhos iam vender livremente a came e as visceras de mamote, "isto e, fora do racionamento, ao preqo de Cr$ 8,00". Qualquer um podia comprar essa care, "inde- pendente da quota a que tenham direito pelos cart6es de raci- onamento destinados aos mercados ou talhos de rua". Importaqio Na mesma 6poca, Pickerell Representau6es S/A ofereci- am orcamento a quem quisesse fazer importaiao direta das fibricas de artigos que representavam, como cimento cin- zento americano Hercules, farinha de aveia Quaker, farinha de trigo Northern King e Granada, azeites finos para mesa Bela Albion e A ndaluza), uisque Balmoral, aguardentes John Bull eJuizo, ou linotipos da Mergenthaler, de Nova York. Tambem aceitavam assinaturas para as revistas Time, Life, Architetural Forum e Fortune. Censura Uma pequena e vaga nota publicada na Fo/l' d. Nort de 5 de julho de 1945 informava que a circulaaio da revista .- t",..ana, que estava sendo editada "por nova diregio", fora. suspense por determinaq~o do DEIP, a versao esradual do famigerado DIP (Departamento de Imprensa e Propagan- da), criado por Lourival Fontes (o Golbenr do Couto e Silva do Estado Novo) para censurar a imprensa, sob a ditadura (que ji agonizava) de Getulio Vargas. Segundo a explicacao do censor, a revista estava circulando foraa da lei". Seus res- ponsaveis ja estavam "entrando em entendimento com as au- toridades do sul da Repuiblica" para tentar liberar o semana- rio, que voltaria a circular, corn uma edii;o especial, "assimn que fique resolvido o impasse". Mercearia A partir do final de julho de 1954 as mercearias de Belem teriam que funcionar em dois expedientes, o primeiro come- gando as 5,30 da manhi e indo ate as 12 horas, e o segundo, entire 14 e 20 horas. Quem fun- cionasse fora do horario, esta- belecido em lei municipal, se- ria multado. Aos domingos, as mercearias poderiam ficar abertas entire 7 e 12 horas, pa- gando uma licenca especial no primeiro ano de vigencia da nova lei, que revogava a ante- rior, de 1951, mas inteiramen- te de graga a partir dal. Os merceeiros, porem, teriam que cumprir as leis federal sobre os regimes de trabalho. A mercearia era vital an- tes da era dos supermercados. Direito As maiores notas alcanga- das pelos candidates ao ves- tibular da Faculdade de Di- reito em 1954 foram de Je- ronimo de Noronha Serrio (9,11), Carmen Lucia Paes (8,94), Maria Dulce de Pau- la (8,94), Raimundo Lobato Teixeira (8,72), Wilson de Je- sus Marques da Silva (que vi- ria a ser desembargador, com 7,77), Helmo Hass Gongalves (7,72), Otavio Sampaio Melo (7,63), leda Neri Ledo (7,55), Ivete Lui- cia Pinheiro (atualmente ju- iza, 7,38), Ant6nio Pereira Mendes (7,36) e Francisco Candido da Silva (7,36). Tambem foram aprovados nesse vestibular os atuais de- sembargadores Isabel Benone notaa 6,63), Felicio Pontes (6,36), Jose Alberto So- ares Maia (6,30) e Isa- bel Vidal de Ne- greiros (5,80), e o ja falecido desembar- gador Ossi- an Almeida (6,22). Amilcar Tupiassu tambem passou nes- se ano notaa 5,88), mas trocou o di- reito pela sociologia, como vari- os outros dos 68 candidates aprovados, dos quais ape- nas 50 po- deriam ser matricula- dos. Era o nuimero exato das vagas disponiveis. Escola Em 1954 ogovernador Zacharias de AssumpCdo recebeupedidos de quatro mil criangas que queriam se matricular como interns na rede de ensino pdblico estadual, mas sop6de tender 51 dospedidos, deixando de fora 3.949 crianqas. 0 estado contava corn 11 vagas no coldgio Antonio Lemos, 10 no GentilBittencourt e30 no Institute Lauro Sodre. 0 governadorficou de mandar alguns dos meninospara o Educanddrio Monteiro Lobato, na mal-afamada (para esses efeitos) ilha de Cotijuba. 10-DEZEMBRO/2001 -AGENDAAMAZONICA 4 10. ..... ... .... . "."Y ' "..... : 7 .... ........... Y .I ..... ..... Z .'i. ... 'Z '. .. .... .. i ........ 2 .. ." ....... CEPC Em 1957 a diretoria do Centro Civi- co Honorato Filgueiras, o gremio estu- dantil do CEPC (Cole- gio Estadual Paes de Car- valho), conse- guiu fi- nalmen- te preen- cher to- dos os cargos de adminis- traao da entidade. No departamento de esportes, o volei ficou sob a responsabilidade de Emanu- el Rodrigues, enquanto o basquete foi entregue a An- tonio Brasil, o futebol a Ma- noel Medeiros, o atletismo a Raimundo Ewerton e a nata- gao a Voltaire Hesketh. In- tegravam o departamento ar- tistico Francisco de Assis Fi- lho, Maria Carvalho, Arman- do Rosa, Esther Serruya e Pedro Galvao. No departa- mento de imprensa atuavam Raimundo Maues, Felipe Soares e Isaac Serruya. No departamento social: Marr- lene Viana, Celina Mendon- qa, Agis Belchior, Celio Martires Coelho e Jose Ri- beiro. No departamento cultural: Joaquim Bastos, Floriano Barbosa, Sergio Nascimento, Doralice Al- meida e Fernando Pena. Radio A Radio Educadora dava destaque, em sua propaganda de 1964, ao fato de ser "a unica que corn a PRC-5 [Rddio Clube do Pard] e ouvida eficientemente" em todo o Estado, gracas a sua freqiiencia tropical. Mas tambem erra a unica "ouvida corn exclusividade em mais de 500 povoa5oes paraenses", usando duas freqiiencias, em onda media e tropical. Eleiao A prefeitura indicou, em 1966, apenas 11 pragas nas quais poderiam ser afixados cartazes de propaganda eleitoral: Floriano Peixoto, do Opertrio, Brasil, Magalhies, da Bandeira, Princesa Isabel, Olavo Bilac, Palacio, Sao Joao, do Carmo e Cruzeiro. A portaria foi assinada pelo entio prefeito, Stelio Maroja, no desempenho de uma faculdade que cabia entao ao municipio, delegada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Voc6 sabe localizar todas essas pragas? Vestibular O curso de vestibular Helio Dourado, que funcionava na antiga sede do Centro Cultural Brasil Estados Unidos, na avenida Nazar6 com a Benjamin Constant, comemorou, em anfincio publicado na imprensa, o indice m6dio de aprovagao de 79% no vestibular da Universidade Federal do Pari de 1969. Conseguiu o primeiro lugar em sete cursos, entire os quais o de Medicine (cor Rui Dias Borborema), engenharia (com Renato Guerreiro, que agora dirige a Anatel, a agencia national de telecomunica~ges) e arquitetura (com Ronaldo Marques de Carvalho). Crime A caixa d'agua instalada no centro de Belem (ao lado do que hoje e conhecido como "o buraco da Palmei- ra"), que podia fazer as ve- zes da nossa Torre Eifeel, foi vendida como sucata, em outubro de 1966. As 600 toneladas de ferro desmon- tadas foram compradas pela firma Alzinco Comercio Exporta~io e Importaao, do Rio de Janeiro (Guana- bara na epoca), e levadas pelo navio Areia Branca, dos Snapp (a empresa de navegagao que antecedeu a Enasa) para a Sideruirgica Algonete, em Recife, onde foram reprocessadas. Um crime contra o pa- trimonio arquitetonico da cidade, praticado a luz do dia, ou da inconsciencia pdblica. DEZEMBRO/2001 -AGENDAAMAZONICA-11 Seja fea a v e do *g e 6. o .o .6.o *a AGENDA I. m i o rn S... ... ... . PUBLICIDADE 0 inicio da televisao Em 1961, apenas 10 anos depois da sua introdu~io no Brasil (por sua vez, apenas cinco anos ap6s o inicio da hist6- ria televisiva, nos Estados Unidos), a televisao chegava ao Para trazida pelas mesmas maos que ja haviam criado a TV Tupi em Sao Paulo: Assis Chateaubriand. A TV Marajoara, canal 2, trazia a antena dos Diarios e Emissoras Associados, permitindo aos belenenses apreciar "a mais modern emis- sora de televisao do Brasil", por um fato simples: era a mais recent. A rede tinha filiais apenas no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, alem da capital paulista. Belem estava, entao, na linha de frente. Quatro anos depois, Lopo de Castro montava a se- gunda estacio, a TV Guajara. Mas como "nao se torna real um empreendimento deste sem o dispendio de grandes somas", o anuncio de lancamento conclamava o paraense a adquirir ages da nova emissora, cor "facilidades totais". A negoci- agao podia ser feita "153 metros aci- ma, nos ceus do Para, nos dois 6lti- mos andares do Edificio Manuel Pinto da Silva". No topo do predio mais alto do norte do pals ficaria a antena da televisao. A Guajara cresceu se associan- do a expansive Rede Globo. E dimi- nuiu ao perder os direitos de retrans- missao para a TV Liberal. Depois aca- bou se transferindo para onde a TV Marajoara funcionou ate que o presi- dente Castelo Branco obrigou os As- sociados a diminuir o tamanho de sua rede, sacrificando, entire as emissoras excedentes, a lucrative Marajoara. Pos- teriormente, a pr6pria Guajara tam- bem desapareceria. As pioneiras fo- ram engolidas pelo tempo. L _U Wpnndo -a6lum t*m*" par mwrto, mra. apertalc"mw*n. C K-d I*-r j tL M VM vs5PERA DE APRLCkAR A TV MARAJOARA a mar. modern& traensmissomra 1o Mt0va4 dO e8rasll f d.' ej rrt '4. da- r-ita6. V da. oMurAXIt 4m'ansnw n ,,v pn *t d,4 l Pirno.&ra, ii.me, ; .io. &,fsfv. a'., ^wCT~ p oei zci() pi e nacf B *w. o tl S a6d a ddbte i: vrin a pear .spr S' d 1, b u -i P . c cg:*ICr)r* SMARAJOARA "i- BONO*mm 40 4MA&. .o a Agenda Arnazonica Travessa Benjamin Constant, 845/203- Bel6m Par6/66.053 040 -e-mail: iornalkaomazon.com.br- Fone: 241 7626 Editora;ao/ilustrag6es: LuizAFPinto 494F1 122 B4/01/03 31 ;"- I |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| MILLISECOND | CLASS.METHOD | MESSAGE |
|---|---|---|
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Application State validated or built |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Navigation Object created from URI query string |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.display_item | Retrieving item or group information |
| 0 | sobekcm_page_globals.get_entire_collection_hierarchy | Retrieving hierarchy information |
| 0 | sobekcm_assistant.get_entire_collection_hierarchy | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | Found item aggregation on local cache |
| 0 | item_aggregation_builder.get_item_aggregation | Found 'all' item aggregation in cache |
| 0 | system.web.ui.page.page_load (ufdc.page_load) | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor.on_page_load | |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_style_references | Adding style references to HTML |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Reading the text from the file and echoing back to the output stream |
| 33 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Finished reading and writing the file |