Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00025

Full Text







Jdo al Pessoal
Licio Fliavio Pinto


Ano II N 31


Circula apenas entire assinantes


1a Quinzena de Dezembro de 1988


SUCESSAO


Preparando


a


cis&o


O governador Helio Gueiros quer um secretariado sob
seu complete dominio para ter o candidate que vai sucedd-lo.
Para isso, pretend livrar-se da sombra
dominadora do ministry da Previd6ncia, Jader Barbalho.


volver a JAder Barbalho, em 1991, o cargo
que dele recebeu, em 1987. Esta 6 a ligAo
mais clara da macarr6nica novel sobre a
reform do secretariado estadual, com suas rafzes
langadas ha quase um ano e seus mais emocionan-
tes capftulos transcorridos nas dltimas duas sema-
nas, certamente as mais angustiantes para various
dos membros do primeiro escaldo do governor.
Gueiros recorreu a um m6todo no mfnimo inu-
sual para modificar sua equipe. Inspirou o chefe da
Casa Civil, o advogado Frederico Coelho de Souza,
a escrever uma carta dirigida ao governador e faz6-
la circular entire os auxiliares para receber as assi-
naturas deles. A carta dava a apar6ncia formal de
ser o produto da iniciativa dos secretarios e nio do
governador, embora na realidade fosse justamente
o contrario: alguns dos subscritores do abaixo-assi-
nado, que estavam viajando, s6 souberam que ha-
viam colocado seus cargos a disposicgo do gover-
nador ao serem informados telefonicamente sobre o
assunto. Mesmo assim, comprometeram-se automa-
ticamente a incluir suas assinaturas no document,
jeito bem tfpico de um povo que inventou o abrago
verbal e uma semAntica invertida (o que se diz 6
justamente o contrario do que se faz).


As coisas poderiam ter sido bem mais simples.
Todos os cargos do primeiro escaldo sdo de con-
fianga do governador. Os nomeados podem ser de-
mitidos a qualquer moment; para nao se melindra-
rem tanto, o ato 6 designado com pompa latina: tra-
ta-se de uma exoneracgo ad nutum. Logo, bastaria
ao governador convocar os interessados e pedir-
Ihes os cargos, sem maiores delongas e sofrimen-
tos ou sem o desnecessrio e desatualizado sus-
pense que a protelag8o da mudanga ensejou.

0 autor da derrota
Formado profissionalmente nos gabinetes e
nas sinuosas teias do jornalismo politico, Hl6io
Gueiros parece ter pretendido transformer o ato de
rotina administrative em uma manobra cheia de
significados e de recados. O pretexto para execu-
tar a media foi a derrota do PMDB na eleigAo mu-
nicipal de novembro no ParB. Gueiros classificou de
"fragoroso" esse rev6s. O principal Ifder do PMDB,
o ministry JAder Barbalho, reconhece a derrota,
mas a atenua. Nega que tenha sido o principal res-
ponsivel pelo esmagamento do PMDB em Bel6m e
garante que o partido ainda compensa, corn os
triunfos no interior, as perdas na capital.


__









Se o governador sustenta interpretago oposta
6 porque tambem responsabiliza seu correligionario
pelo mediocre desempenho peemedebista num dos
Estados brasileiros onde a presenga do partido era
completamente dominant. Aceitar essa tese signi-
fica dizer que o PMDB sera submetido a novas der-
rotas nas eleig6es dos pr6ximos dois anos se con-
tinuar a gravitar em torno de J4der. E que as oposi-
g6es jA descobriram um ponto fraco atrav6s do qual
podem martelar na campanha e conseguir boa re-
ceptividade junto a opiniAo p6blica: a anti-corrup-
gao, tema que se espelha no enriquecimento rapido
do ex-governador. Mesmo que as dimens6es dessa
fortune sejam artificialmente ampliadas pelos ad-
versarios, o campo 4 fertil para as investidas. A
lenda e a realidade tornaram-se uma coisa s6.
Helio manteve-se deliberadamente a distAncia
da dispute eleitoral, sobretudo em Bel4m, para que
esse ponto fundamental ficasse bem evidenciado.
Hoje, em pelo menos 60% do eleitorado do Pard, o
nome de Jader Barbalho esta definitivamente
"queimado" ou perigosamente comprometido, pe-
sando sobre ele um estigma que durante muito
tempo acompanhou o senador Jarbas Passarinho
em funglo da famosa comparag&o que ele asse-
gurava jamais ter feito e seus adversarios teima-
vam em Ihe atribuir em torno do salbrio minimo e
o seu excedente, que permitiria ao trabalhador to-
mar cerveja nos fins-de-semana e ainda poupar.
Passarinho viu-se na posig~o da mulher de
Cesar: al6m de ser honest, ela precisava parecer
honest. Mas a torment enfrentada por Passarinho
era incomparavelmente menor, naquele tempo, de
que a que assola atualmente seu (ex?) aliado. Pas-
sarinho seria o autor de uma frase infeliz, que na
verdade nao disse. Jader 6 o autor de uma fortune
infeliz, que na verdade existed (se 6 menor do que a
que Ihe atribuem os inimigos, o que tamb6m parece
ser verdade, 6 outra questao).

0 criterio da lealdade
O governador estaria disposto a romper corn
JAder, se ele insistir em ser candidate ao governor
ou comandar unilateralmente o PMDB. Quando
acrescentou aos tr6s requisitos honestidade,
compet6ncia e trabalho que usou para escolher
os secretarios, mais um lealdade pessoal ao go-
vernador para mant6-los, Gueiros estava sinali-
zando com uma ameaga de declaragio de guerra a
Jader, sem, no entanto, formaliz6-la.

Pode-se recorrer a um paralelismo para tentar
entender a situacgo, aparentemente complicada. O
president Franklin Roosevelt queria guerrear con-
tra o Japio, ao lado dos Aliados, mas esperava que
os japoneses atacassem primeiro para poder con-
vencer os cidadAos norte-americanos a abandonar a
posigao de neutralidade, endossada pela maioria
at4 o ataque a Pearl Harbour. O important para
Roosevelt era que a iniciativa fosse do Japao e nao


dos Estados Unidos, o que levou alguns historiado-
res a afirmar que o president sabia do ataque a
nao preparou suas tropas para reprimi-lo.
Da mesma maneira, embora em cendrio mi-
croscopicamente menor, o governador H6lio Guei-
ros nao espera ser o autor do rompimento cor Ja-
der Barbalho, mas deixou o ministry diante de uma
Inica alternative: recuar para compor em condig6es
desfavoriveis ou assumir a iniciativa do ataque. A
demora do governador em fazer as mudangas no
secretariado, depois de ter declarado que iria exigir
lealdade dos auxiliares, tern a ver tanto com os me-
todos meio desordenados de Gueiros quanto cor
sua estratdgia polftica.
O governador quer ter uma equipe submetida
ao seu comando (se ele vai se constituir efetiva-
mente 6 outra questAo) e capaz de trabalhar ombro
a ombro pelo candidate que langard a sua suces-
s&o. Podem ate ocorrer mudangas de percurso, mas
esse candidate serd o superintendent da Sudam,
Henry Kayath, se a vontade de Gueiros prevalecer.
Nao por mero acaso, Kayath foi presenga constant
no Palacio Lauro Sodr4 nas duas semanas anterio-
res A confirmagAo da reform de secretariado. A
obra de articula8go de bastidores tem a co-autoria
dele, cuja participacao em muitas das deliberag es
do governor nao pode ser minimizada.

Sapos para fora
Helio Gueiros esperou pacientemente pelo
moment oportuno, que chegou com a derrota elei-
toral de 15 de novembro, para colocar para fora os
sapos jaderistas em sentido figurado ou literal -
que engoliu desde marco de 1987. O primeiro im-
pacto veio tr6s meses depois da posse, quando o
Banco do Brasil bloqueou part das transfer6ncias
federal destinadas ao Para. O dinheiro retido ser-
viria para amortizar a primeira parcel de um em-
pr4stimo de 20 milh6es de d6lares que Jader con-
trafra tres dias antes de passer o governor ao seu
amigo de muitos anos e sem informa-lo da ope-
ragao. Tratava-se, na verdade, de um papagalo,
dresses que os empresarios costumam empinar nos
bancos, s6 que do porte de um Pderoddktilo porque
nao tinha prazo de car6ncia, vencendo trimestral-
mente, em 10 parcelas, reajustadas pelo valor do
cAmbio do dia.
Outro present de grego foi a folha de pes-
soal, inchada por aproximadamente 15 mil novas
contratag6es em quatro anos, seis mil delays ao
apagar das luzes da administragAo Jader Barbalho,
num rnico exemplar do Didrio Oficial, sem concur-
so. Pagar essa folha transformou-se num drama
quase mensal do governador, que passou a dedicar-
se a constantes exercfcios aritm6ticos para fechar
contas e ao despacho quase didrio cor o secretdrio
da Fazenda, Frederico Monteiro.
Gueiros p6de medir a extensAo da sombra que
ainda pairava sobre o seu governor quando Jader









conseguiu sair do retire dourado e foi nomeado mi-
nistro da Reforma Agraria. O governador foi ao ae-
roporto receber o novo ministry, que chegou cerca-
do de muita festa, tao contagiante que ajudantes
de ordens e assessores largaram Gueiros e segui-
ram na caravan de Jader. Uma auxiliar ficou in-
dignada corn a cena, que quase transformara o go-
vernador num desassistido pedestre, mas Gueiros
pediu calma, engoliu o sapo e foi em frente.
Os batraquios, no entanto, continuavam a pu-
lular. Alguns secretaries jb pareciam incorporados a
campanha de retorno de Jader, pensando no jogo
de 1990 e esquecendo que continuava em campo o
dono da bola. "O governador se fingia de morto.
Mas eles pensavam que o governador estava de fa-
to morto", observa uma fonte palaciana.

A espada no ar
Com o m6todo adotado para mudar os auxilia-
res, o governador parece interessado em exercer
domfnio complete sobre a maquina estadual para
usd-la no process sucess6rio. Se simplesmente
pedisse de volta os cargos, seu gesto poderia ser
interpretado como um ato de hostilidade ao minis-
tro e tamb6m se esgotaria af, delimitando os cam-
pos. Corn a carta de demissao de toda a equipe em
suas mAos, Gueiros fica livre para agir e com o
poder de iniciativa, deixando os possfveis oposito-
res na defensive.

Como nAo hA uma guerra declarada, nem
campos de luta definidos claramente, a espada
pendente e sem rumo certo gerou um clima de
paranoia entire secretArios e dirigentes de autar-
quias, fundag6es e empresas pdblicas, um rosArio
de 32 cargos conferindo poder, prestfgio e even-
tualmente muito dinheiro a seus detentores.
Quando o governador declarou que passaria a exi-
gir dos secretarios "lealdade ao governor, que sou


eu", automaticamente comegou a circular a divida:
e quem 6 infiel a Gueiros? Mais ainda: pode-se ser
fiel aos dois Ilderes ao mesmo tempo?
O ex-deputado Romero Ximenes, por exemplo,
esteve na marca do penalty desde o primeiro mo-
mento. Embora elogiasse a atuagao de Romero na
secretaria do Trabalho, Gueiros nAo escondia sua
irritagAo corn a insist6ncia do secretario de colocar
na Fundacao do Bem Estar Social pessoas mal vis-
tas pelo governador. Romero, alem disso, por causa
de acesso bloqueado, costumava disparar extensos
comunicados para o telex do governador, como se
os dois integrassem mundos distintos.
O m6dico Nilo Almeida comegou a entrar para
o Index ao declarar que nao recebia os grevistas da
Secretaria de Saude por ordem do governador.
Quando comentou que alguns secretaries "tmr a
mania de me atribuir o que de ruim acontece e fi-
cam com as gl6rias do que 6 bom", Gueiros estava
se referindo a Nilo Almeida, entire outros. Mas o
excess da conta parece ter vindo quando o secre-
tario de Sadde foi a Brasflia falar com o ministry
Jader Barbalho e voltou anunciando um aumento de
150% para o pessoal do SUDS. O governador ficou
sabendo da decisao pela imprensa.
As modificag6es, assim, significam o enqua-
dramento dos homes de confianga do governor a
uma s6 lideranga, a do governador, para, juntos,
atuarem em torno de um objetivo: vencer a eleicao,
na qual serd candidate o superintendent da Su-
dam, Henry Kayath, talvez outro nome, se a primei-
ra alternative nao viabilizar-se, mas nao o ministry
Jdder Barbalho. Aceitando essa diretriz, JBder po-
derW at6 ser o candidate do governador ao senado
e o PMDB permanecerd unido, se tal expressao po-
de ser empregada para os partidos que buscam as
fontes da coesao no uso do poder. Caso contrario,
a cisao estar6 aberta numa guerra que comega a
ter agora os seus primeiros movimentos.


O tiro de largada ja foi dado


0 governador Hl1io Gueiros nao interferiu na
indicag o dos candidates do PMDB as pre-
feituras, mas pretend fazer o seu successor
e nesse caso seria o superintendent da
Sudam, Henry Kayath. JA hA bastante tempo o mi-
nistro JAder Barbalho sabia que seu amigo (ou
ex?), nAo pretendendo mais permanecer apenas
como eminencia parda, poderia impedi-lo de voltar
ao governor do Estado. Em abril Jader pensou em ti-
rar Kayath da Sudam, mas sentiu que o prego a pa-
gar seria muito alto. Gueiros referendou pessoal-
mente junto ao president Jos6 Sarney o nome de
Kayath. Qualquer mudanga teria que obter a apro-
vacdo do governador, a nao ser que Sarney assu-
misse o 6nus do rompimento e deixasse de lado o
reconhecimento que manifesta pelo apoio recebido
de Gueiros quando Ifder no Senado.


Jdder recuou, ou pelo menos desistiu de uma
investida frontal. Mas certamente esta agindo pelas
laterals, nos bastidores. Ao inv6s de tirar Kayath,
poderia forg~-lo a deixar espontaneamente a Su-
dam. Quanto a isso, nao faltam motivag6es para
essa decisio: o ministry do Interior, Jolo Alves,
nao apenas nao veio uma s6 vez a Bel6m participar
da reuniao do Conselho Deliberativo da Sudam ou
de qualquer outro event, como nao recebe o seu
subordinado.

Mesmo largamente desprestigiado, Kayath
usou sua sagaz inventive para aumentar as opg6es
dos aplicadores de incentives fiscais pela Amaz6-
nia. Conseguiu a faganha de fazer o orgamento do
Finam ultrapassar, pela primeira vez na hist6ria, os
recursos do Finor. Ganhou, mas n&o levou: .Jlo










Alves fez com que o president Sarney tirasse o
;inheiro extra do Finam e o repassasse para o Nor-
deste, sem sequer consultar a respeito o superin-
tendente da Sudam. Kayath soube do transplant
atrav6s do Dirio Oficial da UniAo.
Desde entAo o ministry parece ter comegado a
preparar o Animo da bancada federal paraense para
a mudanga. Na semana passada dois parlamenta-
res foram chamados ao ministerio para conversar
sobre o engenho & arte a que Kayath recorreu para
multiplicar o orgamento do Fundo de Investimentos
da Amaz6nia. O trabalho de sapa deve prosseguir.
Se ele vai dar ou nso resultado, 6 por enquan-
to uma inc6gnita. Mas a articulag&o Gueiros-Kayath
tem diante de si dois caminhos. Um seria o afas-
tamento espontaneo do superintendent, que troca-
ria a Sudam pela Secretaria da Fazenda do Estado,
na marola da atual reform. A outra alternative se-
ria a de procurar manter-se na Sudam enquanto
fosse possfvel e pudesse render dividends. Quem
quiser ser governador em outubro de 1990 terd que
desincompatibilizar-se de cargos pdblicos em abril
daquele ano. PoderA Kayath sobreviver atd IA?
O que n&o falta 6 appetite ao ex-secretArio da
Fazenda no governor Aurelio do Carmo, cassado
pelo movimento military em 1964. Gragas ao taco da
Sudam, Kayath fez do filho o deputado estadual
mais votado do Pard e, de um sobrinho, um dos
campe6es de votos da CAmara Municipal de Bel6m.


Os Kayath participaram firmemente das eleig6es
municipals no Estado, usando a sigla do PTB, alem
de, eventualmente, o PMDB. A temperature das
relag6es entire Jdder e Hllio subiu perigosamente
porque o superintendent da Sudam entrara na
campanha de Sahid Xerfan.
Kayath recuou, mas taticamente? O esquema
para 1990 passa pela ascendente lideranga do novo
prefeito de Bel6m. Se Jdder aceitar a declaragAo de
guerra de Gueiros, ainda ter& condig6es, ao menos
hoje, de ficar com o control do PMDB. Restaria ao
governador e ao superintendent da Sudam buscar
a alianga corn Xerfan, no PTB, em outro partido ou
em uma nova coligagAo. Os terms dessa composi-
9ao ainda estdo em aberto, podendo resultar em
Kayath para o governor e Xerfan, mantido na prefei-
tura at6 o final do mandate, como seu successor em
1994, quando ainda estara com 54 anos. Ou Xerfan
para o governor e Kayath para o senado. Ou qual-
quer das alternatives que nao incluam nomes como
o do empresario Oziel Carneiro, ja em insinuante
apariggo como possfvel candidate de uma conti-
nuada coligagco de centro, usando mais os espagos
disponfveis em locals privilegiados de difusAo e
contato cor a opiniAo pdblica do que um presumf-
vel poder pessoal.
Depois de um ano e meio de uma administra-
cgo em banho-maria, coube a H6lio Gueiros dar o
tiro de largada. Mas a corrida apenas comegou. E o
primeiro tiro 6 apenas simbdlico.


Resposta por via indireta


O "Didrio do Para" entendeu perfeitamente o
recado do governador H61io Gueiros. O journal do
ministry Jader Barbalho negou-se a dar na primeira
pdgina a mudanga do secretariado, destacada nos
dois outros jornais didrios. Nos rdpidos registros da
coluna "Rep6rter Dibrio" sobraram alfinetadas ao
governador pela iniciativa.
Mas o troco viria por via oblfqua, ao estilo do
journal. A pretexto de responder a um editorial de "O
Liberal", que procurava reenquadrar-se como um
6rgAo professional de comunicag o, passada a elei-
dgo municipal, o "Dibrio" ndo apenas desfechou
uma das mais baixas agress6es ja praticadas na
imprensa do Pard em todos os tempos, alvejando a
famflia Maiorana, como forgou o governador a apa-
recer diante do pdblico como aliado desse ataque.
A primeira investida, um editorial de primeira
pdgina publicado no dia seguinte ao de "O Liberal"
(28 de novembro), lembrava que o "Dibrio" abrigara
o entao jornalista, "que havia sido censurado e
proibido de escrever no journal "O Liberal". No "Did-
ro", H61io "p6de escrever com inteira liberdade/e
atd contar em detalhes a hist6ria da origem patri-
monial, matrimonial e familiar dos que se imaginam
hoje tutores da sociedade paraense", diz o edito-
rial.
O segundo ataque, mais grosseiro, nivelou o
governador ao jornalista Paulo Carvalho, que editou


um pequeno journal atacando R6mulo Maiorana por
seu passado, vinculado ao contrabando, mas depois
usou essas mat6rias para arrancar um acordo com
o empresario, deixando-o de lado e at6 trocando
cartas com ele. Na nota, o "Diario" diz que H6lio,
nos artigos escritos lodo depois do rompimento
com R6mulo Maiorana por causa da dispute pelo
senado, "revelou passagens degradantes das liber-
tinagens praticadas no lupanar referido".
Com esse sumArio distorcido e a refer6ncia
aos artigos de Paulo Carvalho, o journal deixava no
ar a ameaga de publicar novamente esses artigos.
Fora de seu context, sobretudo os do governador,
na epoca apenas aspirante a senador e afastado de
um de seus principals amigos, os artigos teriam
efeito bem mais virulento do que na moldura origi-
nal. Mesmo cercada de todas as ressalvas, essa
republicacgo criaria um constrangimento entire
Gueiros e a famflia Maiorana, comprometendo um
trabalho de reaproximag8o que vinha sendo promo-
vido pela vidva de R6mulo, Dda, talvez por isso
mesmo tdo rasteiramente alvejada. Procurando se-
parar "O Liberal" de Gueiros, o "Diario" pretend
minar uma das bases do esquema que pode levar
Henry Kayath ao governor do Estado.
Essa guerra ainda estd no princfpio, mas jd
mostrou tudo o que vai ser: muito suja.










SUDAM



mal


0 s recursos captados pela Sudam junto aos
contribuintes com imposto de renda a pagar
sempre representaram um tergo ou at6 um
quarto das opg6es destinadas a Sudene.
Neste ano, houve uma hist6rica reversao: para um
orgamento de 73 bilh6es de cruzados, aprovado em
fevereiro, o Fundo de Investimentos do Nordeste
chegou a outubro cor apenas 61 bilh6es; j6 o Fun-
do de Investimentos da Amaz6nia, que previra arre-
cadar 36 bilh6es (metade do Finor, portanto), obte-
ve 63 bilh6es, dois bilh6es a mais do que o concor-
rente.
Cor base em um calculo nao revelado ao dis-
tinto ptblico, o ministry do Interior, Jogo Alves, ao
qual os administradores dos dois funds estao su-
bordinados, decidiu que 22 bilh6es eram recursos
"excedentes" do Finam e deveriam ser transferidos
ao Finor, no qual estaria ocorrendo "um acentuado
desequilfbrio entire os recursos disponiveis e os
comprometimentos assumidos".
Se neste ano o Finam iria, pela primeira vez
na hist6ria, vencer o Finor, esta foi tamb6m a pri-
meira vez que o governor federal usou um dispositi-
vo realmente existent na legislagao o parigrafo
19 do artigo 42 do decreto-lei 1.376, de setembro de
1974 para transferir recursos de um fundo para o
outro. O absolute domfnio do Finor sobre o Finam
nAo apenas era considerado um fato normal, diante
das dimens6es comparativas entire o Nordest e ea
Amaz6nia (inclusive quanto a seus "lobbies" politi-
cos), como nao se esperava que algum dia viesse a
haver reversao.
0 jogo dos arguments
A Sudam, os aplicadores do imposto de renda
e os empresarios que iriam receber os 22 bilh6es
de cruzados desviados para o Nordeste (a esmaga-
dora maioria deles encastelados na Associac&o dos
EmpresBrios da Amaz6nia, em Sdo Paulo) iniciaram
logo uma contra-ofensiva, que, se os ventos forem
favordveis, deverA culminar em uma audi6ncia corn
o president Jos6 Sarney. A reagao disp6e de al-
guns arguments razodveis para usar. A transfer6n-
cia desfaz o desejo do aplicador, que optou pela
Amaz6nia e nao pelo Nordeste. Se o Finor estd em
"deficit" cor seus projetos, esse buraco tamb6m
existed no orgamento do Finam, que comprometeu
muito mais dinheiro do que liberou para os empre-
endimentos aprovados. Logo, nao existe excesss"
de arrecadagco, diante de uma diferenga entire o
valor comprometido e o liberado historicamente
acumulada.
Mesmo os mais indignados membros da cru-
zada que se formou contra a decisao sabem que,


contada


na melhor das hip6teses, conseguirao minimizar a
drenagem dos recursos, mas nAo recuperd-los inte-
gralmente. A nova divisAo 83 bilh6es para o Fi-
nor, 41 bilh6es para o Finam pode ser atenuada,
mas nao eliminada. Afinal, tambem sobram argu-
mentos do lado contrario, ainda que ele nAo tenha
agido exatamente como diz.
Em primeiro lugar, a media 6 legal, prevista
em um decreto-lei em vigor. Em segundo lugar, o
embasamento da media 6 tecnicamente sustent6-
vel: o Nordeste tem mais projetos e mais gente (ou
clientses) para tender em seu problemdtico terri-
t6rio. Em terceiro lugar, o produto das arrecadac6es
dos dois funds em 1988 interrompeu uma "ten-
d6ncia hist6rica". Mas ninguem procurou explicar
por que houve essa reversAo ou de que maneira
agiram os ministros envolvidos para brecA-la. Nes-
se tipo de dispute, o distinto pdblico 6 informado
pela metade para nao perceber todas as engrena-
gens dresses jogos de gabinetes.
O ministerio do Interior jB previa essa mudan-
ga de tend6ncia quando designou, no infcio do se-
gundo semestre (ver JORNAL PESSOAL n9 24),
uma comissao para auditar a Sudam. JA entao se
delineava um grande avango das opg6es pelo Fi-
nam sobre as do Finor, tudo isso por causa de um
engenhoso mecanismo posto em pratica pelo supe-
rintendente da Sudam, Henry Kayath: ele permitiu
que os optantes do artigo 17, que nAo t6m projeto
pr6prio na Amaz6nia (ou nao participam de seu ca-
pital), nem disp6em de grande volume de imposto a
aplicar, pudessem dirigir a destinagAo do dinheiro
que repassavam A Sudam, privil6gio at6 entAo s6
concedido aos optantes do artigo 18. Os demais
eram atirados na vala comum do Finam e a Sudam
6 quem escolhia os projetos. Era o "17 e meio", ar-
tiffcio que engendrou dois inqu6ritos na Policia Fe-
deral, em Bel6m, para apurar a atuagao de uma re-
de de intermediagao (ponte de ligagAo entire o op-
tante e o projeto beneficiado) e o papel da pr6pria
Sudam nesses caminhos (ou descaminhos) invios.
Se a comissao de auditagem do minist6rio do
Interior descobriu irregularidades ou fraudes, nin-
guem sabe: seu relat6rio nlo foi divulgado publi-
camente. Mas ele pode star sendo mostrado a um
pequeno cfrculo de pessoas interessadas para de-
monstrar que a intervengdo do minist6rio do Inte-
rior, A qual se associaram os minist6rios da Fazen-
da e do Planejamento, 6 mais do que uma barreta-
da regionalista. t diffcil nao pensar nela, ji que os
ministros Jodo Alves e Mailson da N6brega sAo
nordestinos, Joao Batista de Abreu 6 um agregado
e o president que deu forga ao ato tamb6m 6 um
nordestino-maranhense.


Hist6ria









Presenga estranha
Nenhuma das respeitaveis autoridades, pordm,
referiu-se ao mAgico mecanismo do "17 e meio",
responsavel pelo crescimento in6dito das opg6es
pelo Finam, talvez por raz6es polfticas, talvez por-
que, no pr6ximo ano, o Nordeste queira usufruir da
inovag o, que pode democratizar os funds, mas
pode levA-los a tal desmoralizag8o (se o inverso, a
moralidade, for ou fosse perseguida pelas auto-
ridades) que facilitara o trabalho de p6r fir a essa
obscena maneira de criar subsidies em nome dos
deserdados da terra e das regi6es desequilibradas
para favorecer os mais ricos e poderosos (distorcgo
que result da falta de filtragem social para esses
beneffcios).
O "17 e meio" ficou de fora, mas comecaram a
aparecer os arguments politicos. Em entrevista ao
journal "O Liberal", o ex-deputado Osvaldo Melo, do
PDS (e um dos articuladores da campanha do pre-
feito eleito Sahid Xerfan), acusou o ministry JAder
Barbalho de ter-se omitido da questAo. De fato, foi
discreta a participagAo do ministry da Previd6ncia
Social,,nao porque ele seja insensivel aos argu-
mentos da Sudam, dos empresarios e dos investi-


dores, mas porque nao estA nada satisfeito com o
superintendent Henry Kayath. Se nAo pode sim-
plesmente tird-lo do cargo, de maneira como la o
colocou, JAder estA disposto a agir por via indireta
para levar Kayath a sair. O que Melo nao disse 6
que muitas cabegas coroadas estao convencidas de
que ter dedo de JAder na iniciativa do ministry do
Interior. Seria a maneira de tirar Kayath sem criar
problems para Sarney.
Nessa arenga, cada um defended seu interesse
e puxa a sardinha para o seu fogo. Todos esque-
cem um fato fundamental: o dinheiro pelo qual bri-
gam nao 6 da Sudam, nem do investidor e muito
menos do empresArio, que, num capitalism de
verdade, s6 recebe capital de agents financeiros
ou do pdblico, atrav6s da comercializagAo de
ages, quando ndo ter seu pr6prio capital para ar-
riscar (e, cor isso, legitimar o lucro). No caso, o
dinheiro 6 do tesouro national. abdicado em bene-
ffcio da coletividade, que deveria fiscalizar a apli-
cagAo e exigir que Ihe desse dividends (nao pro-
priamente os que uma ag o engendra). Mas nessa
novel toda ningu6m conjuga o verbo coletivo: s6
dA o "venha a n6s".


DESMATAMENTO


350 anos


em


E m 1975 o home mal havia tocado na vasta
paisagem do Estado do Parb, cujos 1,2 mi-
lhao de quil6metros quadrados representam
extensao superior A da maioria dos pauses
do mundo. A penetragAo pelo interior atrAs das
"drogas do sertio", o extrativismo vegetal e a ten-
tativa de estabelecer uma agriculture de subsisten-
cia na region Bragantina, no infcio do s6culo, alem
da "bovinizacgo" mais recent, a partir da metade
dos anos 60, tinham acarretado a alteragAo de me-
nos de 10 mil quil6metros quadrados de floresta, ou
0,8% do total, segundo o registro obtido atraves de
imagens de satelite em 1975.
A political de incentives fiscais, com sua opg o
preferencial pela pecuAria, jA tinha, entao, nove
anos de existencia. Mas em 1975 ainda se vivia a
etapa final da mera especulag o: as pessoas com-
pravam terras para transacionar e o dinheiro pdbli-
co era partilhado entire os escrit6rios de corretagem
(que chegaram a abocanhar ate 40% do total) e os
canals de vazamento, que devolviam os recursos
financeiros ao local de captagao. O dinheiro passa-
va pela Amaz6nia como um bumerangue continue
a passar, alias -, voltando, multiplicado, a mao de
quem o langou.
Tres anos antes o entso ministry do Interior,
Costa Cavalcanti, havia reivindicado em Estocolmo
o direito de o Brasil decidir soberamente sobre sua
fronteira, anatematizando os que tentavam racioci-


15 meses


nar sobre a Amaz6nia como patrim6nio ecol6gico
da humanidade. Em 1973 o todo-poderoso ministry
do Planejamento, Reis Veloso, dava o tom da nova
opago do governor na "jungle": deixar de lado os
devaneios populistas da colonizagdo official dirigida,
que arrebanhava famflias de pequenos produtores
nordestinos ou sulistas, e transferir todos os bene-
ffcios A grande propriedade e sua monocultura de
pastagens (mais para fiscal da Sudam ver do que
para boi comer).
Em 1974 o governor receberia a primeira grave
advertencia sobre os efeitos do apocalipse que es-
tava patrocinando: o satelite norte-americano Sk-
ylab fotografava o inc6ndio da Volkswagen em San-
tana do Araguaia, um fogar6u que escandalizou
cientistas de todo o mundo e provovou uma pergun-
ta bastante pertinente: por que a Volks decidiu
montar bois e nao fuscas na Amaz6nia? (O que po-
de ser desdobrado em outra ddvida: por que empre-
sas modernas utilizam m6todos arcaicos na frontei-
ra?)
O governor nao se deixou impressionar por tals
angistias e seguiu em frente, irrigando os empresi-
rios cor a mais generosa forma de subsldio official
de toda a hist6ria do capitalism. Em 1978 o sateli-
te informou aos seus monitoradores que a Area al-
terada no Estado do Para experimentara um notA-
vel crescimento e jA atingia 25 mil quil6metros
quadrados (ou 2,5 milh6es de hectares). Ou seja:









enquanto levou dezenas de s6culos (tres e meio
s6culos sob a forma europdia) para modificar a pai-
sagem em um milhdo de hectares, o home preci-
sou de apenas tr6s anos entire 1975 e 1978 pa-
ra desfigurar 1,5 milhdo de hectares, uma taxa de
incremento de 150% nesse perrodo (500 mil hecta-
res de mata post abaixo por ano).
O ritmo se intensificaria ainda mais nos anos
posteriores. Em 1986 o Landsat revelou que a alte-
rag&o da cobertura vegetal primitive jA alcangara
11,5 mftibes de hectares. Um milhAo de hectares


de floresta, em m6dia, por ano, nove milh6es em
nove anos: o saldo espantoso da "integragAo" do
Para A economic brasileira. Seis vezes mais do que
a alterag&o promovida ao tongo de s6culos em me-
nos de uma d6cada. Cada ano e meio desse perfo-
do correspond a 350 anos anteriores.

Os paraenses continuarAo a fazer de conta
que essa hist6ria tenebrosa nada tern a ver com
suas possibilidades de desenvolvimento, hoje e
com todo o seu future?


CRIME


A loucura das mortes anunciadas


Quando o ex-deputado estadual Paulo Fonte-
les foi assassinado, em julho do ano passado, o
governador H6lio Gueiros garantiu que, depois da
famflia do morto, ele era a pessoa que mais iria so-
frer com o acontecimento. Dezessete meses de-
pois, o governador repetiu a mesma frase diante de
um novo atentado politico. Nao se hd de duvidar da
sinceridade colocada pelo governador em sua de-
claragAo, mas no intervalo entire o assassinate de
Paulo Fonteles e o de Joao Carlos Batista, na noite
do dia 6, em Bel6m, a situagdo s6 fez agravar-se. O
governor, se realmente empenhou-se em combater a
criminalidade organizada, com motivag6es polfticas,
foi impotent para reverter um quadro que fez do
Pard um dos Estados mais violentos da Federagdo
na administragao de um home religioso.
Os assassinos de Paulo Fonteles esperaram
que ele ficasse sem mandate politico para elimi-
nd-lo. Mas Jodo Batista foi assassinado quando es-
tava no pleno exercfcio de seu mandate de deputa-
do estadual, o Onico do PSB (Partido Socialista
Brasileiro) na Assembl6ia Legislativa do Para. O 61-
timo atentado foi executado num bairro central de
Bel6m. O cendrio do anterior foi um posto de gaso-
lina na safda da cidade, a seis quil6metros de seus
limits. Os participants diretos agora parecem ter
sido dois, enquanto tr6s foram mobilizados para o
ataque a Fonteles. Foram mais demorados os pre-
parativos que resultaram nos tr6s tiros desferidos
contra o deputado do PSB, na entrada do pr6dio
onde ele morava ( e do qual estava se mudando
justamente por causa das ameagas de morte). O
pistoleito atirou de uma certa distAncia e ndo a
queima-roupa: 6 sinal de que confiava em sua perf-
cia (errou o primeiro tiro, mas o segundo foi fatal).
Como os assassinos de Paulo Fonteles, o que ati-
rou em Joao Batista nao se preocupou em esconder
o rosto para evitar ou dificultar sua identifica(go:
agiu sempre de "rosto limpo", como dizem os poli-
ciais. t que foi contratado fora do Pard.
A encomenda tamb6m pode ter sido paga por
gente estabelcida al6m dos limits paraenses. Foi


por isso que o governador H61io Gueiros solicitou
logo a intervenvdo da Policia Federal. A suspeita
generalizada, que Gueiros endossou no telefone ao
ministry da Justiga, 6 de que a Uniao Democratica
Ruralista esteja envolvida. A UDR tamb6m foi acu-
sada no caso de Paulo Fonteles, inclusive por Ba-
tista. Apesar da falta de pistas mais s61idas, as
primeiras evid6ncias eram de que havia mais mo-
vimentagdo contra o deputado em Itaituba do que
em Paragominas, os dois p61os atrav6s dos quais
gravitava sua atuag~o de politico, defensor de pos-
seiros e segundo a acusagdo dos proprietarios -
fomentador de invasdes, nem sempre justificaveis
politicamente.
Dois dias ap6s o crime, o saldo da atividade
polftica era mais pobre do que no caso Fonteles.
Em parte porque algumas determinag~es do gover-
nador, como o bloqueio das saidas de BelBm, foram
sabotadas, provavelmente por causa da tensao que
tem caracterizado as relag6es entire a PM e o go-
verno nos iltimos meses. Mas tambem porque os
primeiros movimentos pareciam mais coerentes
cor uma polfcia political do que cor a polfcia judi-
ciaria que se espera ser uma das caracterfsticas
bAsicas desse setor em democracies. A policia pa-
recia mais bern informada sobre os desdobramen-
tos que se seguiram ao atentado do que os rumos
do executor.,
Batista foi vftima de uma tfpica morte anun-
ciada. No sepultamento de Paulo Fonteles, o depu-
tado do PSB atendeu ao pedido de um jornalista
amigo e posou para um fot6grafo. "Vamos guardar
essa foto. O pr6ximo vai ser tu", disse o amigo,
com um toque de humor negrissimo. Mas Batista
riu, como riram alguns deputados quando, pela
en6sima vez, ele anunciou que estava ameagado
de morte, quatro horas antes de a ameaga consu-
mar-se. O espantoso nesta Amaz6nia levada A alu-
cinagio nio 6 tanto que ocorram mortes violentas,
mas que todos a prevejam, entire toques de humor,
e ningu6m consiga evitar o desfecho cantado cor
tanta antecedencia. Esta regido virou terra de ban-
dido.










..a devastacao
curiaa exerceu o grande efeito multiplica-
Sdesmatamento na Amaz6nia. A coloniza-
I transformou as grandes estradas de pe-
na a em espinhas de peixe, a forma das derru-
b as ompanhando as vicinais que partem do ei-
_ipal para dentro da mata. As grande em-
pr as triplicaram essa ofensiva. A siderurgia
ameaga incrementA-la ainda mais. Apesar de todas
essas frentes ditas pioneiras, processes mais anti-
gos, menos ostensivos e mais sutis tamb6m estAo
destruindo regiOes amaz6nicas.
O quadro abaixo evidencia a gravidade do pro-
blema em municfpios paraenses de ocupaqAo ante-


sem preconceito
rior, mais pr6ximas de Bel6m. HA casos dramaticos,
como os de Magalhles Barata e Santar6m Novo,,
que em 1979 estavam com suas coberturas vege-
tais originals intactas e, sete anos depois, perde-
ram-nas completamente. Verifica-se que, nesse pe-
rfodo, as micro-regi6es Bragantina e do Salgado fo-
ram submetidas a uma depreda~go que, guardada a
escala, foi t.o grave quanto a praticada nas areas
novas, "pionelras". A devastagao nAo faz esse tipo
de discriminagAo.

Embora a base comparative do quadro sejam
as imagens de sat6lite interpretadas, em 1979, pela


Municfpio 1979 1986

Ha % Ha. %


Abaetetuba
Acard
Augusto Correa
Barcarena
Bel6m
Bonito
Bujaru
CametA
Capanema
Castanhal
Colares
CurugA
Igarap6-Agu
Igarap6-Miri
Limoeiro do Ajuru
Magalhdes Barata
Maracand
Marapanim
Mocajuba
Moju
Peixe-Boi
Primavera
S 'Caetano de Odivelas
Santarem Novo
Vigia .

(*) Abrange apenas parte da drea dt'luccip

,d;
Jomal Pesso
Editor respons&vel: Lucio FIvio i '
Endereco (provis6rio): rua Aristides Lobo,71
Bel6m, Pari, 66.000. Fone: 224Q7
Diagramarfo a IlustraCfo: Lulz Pint
Opio Jornalistica -.
= J


26.075
89.849
10.731
12.662
10.712
52.500
17.030
8.525
19.000
95.175
174
22.505
72.037
7.638
0
0
4.175
9.250
8.200
58.843
25.062
1.512
12.850
0.
13.50"


23,9
12,2 (*)
12,6
14,1
14,5
93,3 (*)
12,2 (*)
9,4 (*)
28,9
94,8
0,6
23,8
95
4,9
00
00
5,5
13,4
8,4 (*)
9,9 (*)
62,9
1,3
24,4
0
17,7


103.111
319.846
24.831
71.688
31.045
58.323
166.600
128.977
58.945
99.285
22.485
60.470
79.655
78.939
5.817
22.120
43.660
60.079
31.026
245.816
39.515
60.973
53.833
13.371


88,4
37,4
75,2
63,7
54,7
100
96,9
61,6
100
97,9
99,6
100
100
47,5
6,9
100
100
100
52,3
19,5
100
100
100
100
100


equ pe do convnnio Sudam/IBDF e, em 1986, pelo
CeKtro de Sensoriento da Amaz6nia, que funciona
na Sudam, h& falhas e discrepAncias metodol6gicas
queomitam bastante a andlise, demonstrando a
nec4 idade de consolidagAo dresses trabalhos, por
aqqiL inda revestidos de um carAter de vanguard.
Ma&,s municrpios selecionados serve para aler-
tar os paraenses.