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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00013

Full Text






Pess
Liicio Flsivio Pinto
!4 Circula apenas entiree assinantes 2~ Quinzena de margo de


1988


Ano I


NP 1


BASA



Ciclo sem mudancas?

Justamente no memento em que se realiza o maior
inquerito policial da administraego pdiblica local, o Basa
parece ter retomado sua vida normal. E real,
ou trata-se de uma velha hist6ria, sempre mal. contada?


A histbria do Banco da Amazania temn transcor-
rido num cidlo continue de crises, seguidas de inter-
venq8es e tentativas de saneamento. A mais grave
das crises recentes, provocada por um "rombo" equi-
valente a 30 milhbes de d6Iares, j6 teria sido supe-
rada ?
Essa 6 a imagem que a diretoria e at6 mesmo
oa funcionbrios do banco procuram transmitir, movi-
dos por razzes que nem sempre coincidem. A dire-
toria pretend que o Basa recupere integraimente a
normalidade do seu funcionamento, deavinculando-o
do inquerito policial que apenas foi iniciado em Be-
16m pela Policia Federal. Preocupados comn a cam-
panha contra os bancos e empresas estatais, refor-
gada pela presenga de Mailson da Nbbrega no Minis-
terio da Fazenda, sendo ele um ardoroso defensor
da subordinaCio ao catecismo econamico-finianceiro
do FMI (Fundo Monet~rio Internacional), os funcio-
nbrios querem que as fraudes, respons~iveis pelo
Iangamento do Basa no noticibrio policial, sejam con-
sideradas coisa do passado.
De imediato, as duas attitudes podem parecer
inteligentes. Mas apenas perpetuam a ciclotimica
hist6ria de um banco cujo possivel desaparecimento
seria muito mais lamentado do que a prec~ria pre-
senga em nossos dias. Ignorar que a montanha de
documents entregue B policia pode servir para lim-
par os caminhos obstruidos do Basa represent um
comportamento do avestruz, que, diante do perigo,
prefer enflar a cabega no buraco. I' umna ilusho de
salvagno, nada mals.
Club techado O levantamento das irregulari-
dades que foram praticadas no Basa continua sendo
um direito g cobranga da sociedade local. O princi-
pal respons~vel por esses desmandos, o ex-diretor e
ex-presidente Augusto Barreira Pereira, defended sua
prodigalidade argumentando que nunca ~o empresa-
riado local foi tio beneficiado, nem o banco fez tan-
tos negbcios. Deveras. S6 que redugio nas taxas


de juros, prazos mais dilatados para pagamento, ob-
tenG~o de dinheiro sem a necessidade de apresentar
garantias e outros acepipes financeiros deverlam
ser de acesso generalizado e nio privil~gio do um
grupo reduzido de pessoas amigas dos diretorea, ou
que para conseguir as vantagens pagaram co-
miss~es, inclusive e sobretudo para o filho
do responssvel pelas liberaqbes. Como~ nio houve
uma political geral de redug~o do custo do dinheiro,
o banco vai pagar carol por tanta generosidade.
No estoque de papeis formado no Basa por esse
tipo de operaqio favorecida podem ser pingados no-
mes de prestigio na sociedade e at6 mesmo arrol~a-
das empressas dotadas de solidez, com patriminio
capaz de responder pelas quantias que levantaram.
Mas de alguma maneira todos percorreram caminhos
tortuosos para chegar ao tratamento especial que re-
ceberam. Essa tortuosidade 6 que precise ser elimi-
nada.
O Basa deve ser considerade important para a
region nio apenas por pagar dos melhores sal81rios
da praqa a -banc~rios que, em outras institu~ig6es,
especialmente as privadas, ganham abaixo da mais
modest expectativa. Este detalhe nio deve ser es-
quecido, 6 claro. Mais important, por6m, 6 que o
Basa esteja comprometido com os interesses e as
aspiraqbes da regiio: deve ser da A~maz~nia e n~io
apenas para a Amaz~nia, transmitindo a voz que aqui
pode ser captada e nio se limitando a tracer as or-
dens emanadas de Brasilia, caixa de ressonlncia de
Sno Paulo e seus satelites.
Os interventores brancos que para o Basa foram
mandados, apbs cada uma das crises, fabricadas ou
alimentadas pelas elites dirigentes locals, esquece-
ram que nio basta sanear o banco segundo oa regu-
lamentos e normas da "boa t~cnica banc6ria". I'
preciso que le adquira sua expresso regional. Se-
ria bom que taxas de juros menos extorsivas, a par-
tir de recurs~os de capital mais baratos postos a sua







disposigho, pudessem ser praticadas pelo banco
numa regi~o em que a atividade mais necessitada e
a de tomento. No entanto, a sangria financeira per-
petrada pela quadrilha que esteve no Basa ocorreu
atraves da carteira de crgdito geral. Nem poderia
ser de outra forma num banco cuja carteira de cr6-
ulie especializado 6 decorative.
Cadeia de omissees Multa coisa no banco
tem essa tungho decorative, formal. fEa uinica ma-
neira de explicar como fraudes t~o primbrias e escan-
Gialosas, a ponto de terem se difundido largamentt
pela comunidade (s6 nlo chegando a grande impren-
sa e ao sindicato da categoria, combative em outros
mementos), foram se avolumando sem acionar ne-
nhum mecanismo autom~tico de defesa. Nao pode-
rao repetir-se outros epis6dios semelhantes no fu-
turo ?

O atual president, W~aldemir Messias de Arai-
jo, garante que ndo, apontando para a reformulagho
adlministrativa do banco. Suas palavras seriam mais
convincentes se elas pudessem ser referendadas
por uma nova diretoria, mas nio 6 esse o caso. Em
quase todos os cargos permanecem as mesmas pes-
soas que nho conseguiram, nio puderam ou nho qui-
seram impedir que os escassos e cars recursos de
capital de giro fossem comprometidos numa orgia
tlnanceira sem paralelo na hist6ria do banco. Um
minimo de iniciativa teria sido suficiente para blo-
quear essa sangria.
Em novembro de 1986 o principal acionista da
W\. .>. da Silva Monteiro, uma empresa de prestago
de servings entio recgm-instalada, denunclou ao au-
ditor Evandro Rosas e ao director Luis Lobho que es-
tava sendo forgado a pagar comiss~o para receber
emprestimo do banco. A firma queria 260 mil cruza-
dos para capital de giro, embora, por cadastro, s6
pudesse receber 10 mil. O filho do director Augusto
Pereira estava cobrando 10% do valor do emprestimo
e mais duas linhas telefinicas para arrancar a libe-
raqio do dinheiro. Rosa comunicou o fato verbal-
mente e nio por escrito ao chefe do Departa-
mento de Auditoria, Freddie Garcia.

A denirncia foi comprovada e a proposta, que
exatamente naquele memento estava rro gabinete do
director de cr6dito geral, foi indeferida. Mas em ja-
neiro de 1987 o mesmo Augusto, no exercicio da
presidbncia, aprovou a operag8o. O dinheiro foi li-
berado no dia 10 de margo com ou sem comissao,
nio se sabe. O assunto, grave, permaneceu em ba-
nho-maria at6 agosto, quando o Minist~rio do' Inte-
rior fez uma auditagem especial no Basa, compro-
vando tudo o que uma carta de denlincia, assinada
por um ficticio Crist~vio Colombo, havia relatado
um pouco antes.
Os eternos favors HE responsabilidades ain-
da por cobrar e procedimentos a exigir mudangas.
Ao depor na auditagem internal, um func~ionbrio anti-
go manifestou certo espanto diante da repercussio


do "Caso Augusto". Em 20 anos de banco, ele acos-
~tumou-se a ver as mesmas pritticas serem repetidas
por todas as diretorias, talvez sem a mesma reaqio
''porque melhor "maquiladas". Outro funcionsrio con-
firmou ease ponto de vista lembrando que virou ro-
tina para aos escalbes inferiores cumprir ordens con-
trbrias as normas do banco, mas tomadas "de cima
para baixo".

Na defesa que apresentou no process de pu-
nigio administrative, esse graduado funcionsrio con-
tou um caso que exemplificava os caminhos tortuo-
sos seguidos na alta hierarquia do banco. No dia
19 de agosto do ano passado escreveu num do-
cumento de defesa o deputado federal Manoel
Ribeiro levou pessoalmente ao entio president, De-
lile Guerra de Macedo (que realmente iniciou a apu-
rag8o das irregularidades anteriores), um expedien-
te pedindo o adiantamento de 3,2 milh~es de cruza-
dos, por conta de recursos do Finam (Fundo de In-
vestimentos da Amaz~nia) para a empresa Marajoara
Mecanizagio, de sua propriedade. AlBm da Maraj~oa-
ra, a Agrimar (Agricola Mista Marajoara), tamb6m
de Ribeiro, recebera empr~stimo liberado por Augus-
to Pereira.

Ao inves de encaminhar a proposta a aggncia
Beldm-Centro para estudo na forma regulamentar,
Delile mandou o pedido B Diretoria de Cr~dito Geral
e, esta, B Ger~ncia de Cr~dito Geral. A gerancia
manifestou-se favor~vel ao atendimento do pedido,
"sem antes obter o pronunciamento da Ag~ncia e
mesmo contando as seguintes anormalidades com
relagio g empresa beneficiada: cadastro vencido hB
mais de 18 meses; existincia de d6bito da propo-
nente inscrito em 'creditos em liquidaglio', bem co-
mo da empresa Agrimar, pertencente ao mesmo gru-
po da Marajoara ,Mecanizagio, no montante aproxi-
mado de Cz$6 4 milh6es (base 30.06.87)", diz o do-
cumento .

Com os 3,2 milh~es de cruzados que foram li-
berados, a Marajoara Mecanizagho apenas liquidou
um compromisso de 520 mil cruzados, ficando com
o restante do empr~stimo, sem abater o debito
maior, que permaneceu "em ser" na conta "cr~ditos
em liquidaCio".

Assim, o que pode estar sendo apresentado co-
mo hist6ria nova, seria apenas mais uma etapa de
um cicio jB bem conhecido. Mas talvez n6o haja
multas novas oportunidades para adiar uma resposta
definitive para o Basa. Conquistar a credibilidade
pljblica B fundamental n-o memento em que o banco
pretend depurar a lista de empresas e pessoas en-
tregue a policia para orientar o inqu6rito. I' certo
que algumas exclusies precisam ser feitas, por jus-
tiga. Mas que critbrio orientar8 essa eliminaqio ?
O mesmo que tem sido adotado at8 agora ? S6 a
revelagio complete dos fats poders ajudar a opi-
niho pljblica a aceitar a resposta como verdadeira,
fiscal izando-a.







BASA


Em apenas seis meses, Augusto Barreira Perei-
ra na dupla condigio de director de cr~dito geral
e president do Banco da Amaz~nia autorizou 888
operacies atrav~s de tr~s ag~ncias, aplicando 2,1
bilh~es de cruzados (a pregos de junho de 1987) em
transag~es irregulares ou completamente fraudulen-
tas. Desse total, o Basa na auditagem feita em
agosto do ano passado esperava receber de volta
30% do dinheiro emprestado na aggncia de Madu-
reira, no Rio de Janeiro (577 milhaes de cruzados);
40% do que saiu atrav~s de Itaituba (383 milhijes),
e 50% dos empr~stimos feitos pela ag~ncia centro
de Belem (1,2 bilhio), a principal de toda a sua rede.
De 583 transaC6es efetuadas pela aggncia da
avenida Presidente Vargas, o JORNAL PESSOAL le-
vantou, nos documents originals, 507, beneficiando
187 empresas. Essa listagem 6 que orientou a Poli-
cle Federal na Intimagiio de aproximadamente 400
pessoas, chamadas a depor no inqudrito que apura
os neg6clos ilicitos. No final, a n'ljmero poderia
chegar ao dobro, caso o Basa como jB 6 esperado
- nito reformule o criterio de apurac;io.
Ele inclulu todas as operagdes autorizadas por
Barreira Pereira, inclusive as que tinham garantia
real, obedeceram As tabelas de taxas ou jB foram
quitadas. V~rias das empresas arroladas operam re-
gularmente com o banco e tam patriminio para res
ponder por seus d6bitos. Chamadas, se limitariam
a responder como participaram da operaqiro, se pa-
garam o que deviam e se aceitaram alguma interme-
diaqio, respostas que, naturalmente, precisariam ser
checadas com o pr6prio banco.
Esses cuidados precisariam ser adotados porque
a audiitagem internal no Basa, que precedeu a fase do
inquerito, detectou diversos tipos de irregularidades,
como :
Operaq~es de cr6dito geral a favor de em-
presas em fase de imobilizaglio ou de implantaglio,
quando deveria ocorrer pelo cr6dito especializado.
ContabilizaGio indevida de saidos devedores
oriundos de saques por meio de cheques como se
fossem "titulos descontados", quando o correto se-
ria lang-los na conta "adiantamentos a depositan-
tes"; com isso, o banco teve prejuizo, j6 que a taxa
de juros para titulos descontados 6 inferior a taxa
de adiantamentos a depositantes; alem disso, houve
acrescimo de risco para o banco, pois nessas ~opera-
c5es niio ha glarantia pessoal ou real.
-- Concessio de credito a taxas favorecidas
inferiores Bquelas estabelecidas pela diretoria, com
"evas~o significativa" de receita.


Cr~ditos de valores expressivos concedidos
com base exclusive em garantia pessoal, quando o
normal seria garantia real.
OperaC~es de credito a favor de empresas
em crise financeira ou com restrigbes cadastrais,
como protest de titulos, execug6es judicials ou fi-
gurando no cadastro de cheques sem fundo.
Entre 10 de maio e nove de junho do ano passa-
do foram concedidos 112 adiantamentos a chientes
por conta de futuras operag6es de crgdito. As em-
presas beneficiadas pagavam taxas inferiores por-
que essas transagies eram contabilizadas nio como
"adiantamentos a depositantes" e sim como "titulos
descontados que tem juros menores. Os beneficid-
rios t-amb6m n~o precisavam apresentar garantia de
qualquer especie. Os principals grupos alcangados
por essa manobra foram Newton Carneiro (8,2 mi-
lh~es de cruzados), Transjuta (7,7 milhies), Impar
(5,3 milh6es), Disrel (4,8 milh6es), Norte Madeiras
(3,7 milhies), Agropecubria Coaracy Parand (3,5 mi-
lhoes) e Ocex (3 mllh~es).
A andlise da longa lista de 507 operagies enca-
minhadas B Policia Federal ap6s a auditagem do Basa
mostra que entire os favorecidos estlio empresbrios
I~gados ao ex-governador Jgder Barbalho, como JOSC
Maria Mendonga, principal financiador da campanha
do atual ministry (que recebeu quase 65 milhbes de
cruzado~s atrav~s de tres empresas), Manoel Ac~c~io
e Silva (ex-secret~rio de Obras) e Sgvio Miranda
Correa Icoordenador da arrecadaSio do jogo do bi-
cho), socios na Construtora e Imobilibria M. S. (que
obteve 13,5 milh~es).
As principals operagijes que constam dos do-
cumentos repassados B Policia Federal sho as se-
guintes :
Grupo Jos6 Maria Mendonga -- A. Poliplast
fez 19 operagbes, entire desconto de notas promis-
s6rias e creditos fixos, no valor de pouco mais de 25
milhbes de.cruzados. A Cialpa (Companhia de Agre
gados- Leves do ParB), em quatro transagoes, coube
13 milh~es de cruzados. E a Copala levou 26 mi-
thges, de 16 vezes (todos sao valores niio atualiza-
dos e arredondados). AlBm desses novos neg6clos,
a Eccir (empresa de construg~o da qual Mendonga
era um dos s6cios, at6 precisar afastar-se) J6 devia
ao Basa 164 milh6es. A Poliplast recebeu Cz$ 4 mi-
lhbes, em outubro de 1986, quando estava Impedida
de operar com o banco por causa de um debito de
1,3 milhio. Mendonga, um dos avalistas, tambbm
estava impedido por causa de suas responsabilida-
des com o d6bito da Eccir. O outro, Sdrgio Leite,


Di nhei ro:


para


quem







que nito tinha outra alternative senio efetivar a ope-
radio por causa da autorizaglio superior. Na audita-
gem foi anexado um demonstrative da conta corren-
te da Madecol com A~ugustinho, que em tr~s opera-
95es pagou 2,5 milh~es de cruzados ao advogado
de comisslio pelos empr6stimos obtidos.
A. Pinheiro Papelaria Recebeu 13,5 mithaes,
beneficiada com reductio nas taxas de juros. Deve-
ria pagar em 180 dias empr~stimo de 6 mithaes,
com juros de 12% ao ano, mais LBC, quando essa
taxa s6 poderia ser praticada em empr6stimos de
90 dias. Com prazo maior, os juros deverlam ser
de 22%.
Shersan Distribuidora de Alimentos Recebeu
1,5 milblio quando, pelo seu cadastro, s6 podia ter
acesso a 100 mil cruzados. Um dos avalistas nem
era cadastrado no Basa.

Paraplast (Indlistria e Com~rcio de PI~stico} --
Recebeu 16,8 milhbes. Numa das transagies, de 3,2
milhees, atrav6s de notas promiss6rias, quando
seus dados cadastrais mostravam que nHo tinha con-
digbes de obter, na forma regulamentar, esse em-
pr~stimo. Embora se tratasse de uma NP, o cr6dito
foi efetivado e caracterizado como adlantamento pa-
ra capital de giro proposto pela Paraplast, no valor
de 12 milh~es. O permissivel mbximo em cadastro
era de 515 mil.
Newton Carneiro O caso mals impressionan-
te de favorecimento. Em maio de 1987 sua conta
ficou "estourada" em quase oito milhbes devido a
dois cheques sem fundo que emitira. Os cheques
foram carimbados para devolugQo pela agbncia, mas
Augusto Pereira mandou anular os carimbos e acei-
tar os cheques. O said devedor foi contabilizado
na conta "titulos descontados", com a perspective
de ser liquidado com o produto de um empr~stimo
destinado a capital de giro, cuja proposta ainda es-
tava em tramitaglio. Uma nota de cr6dito de 12 mi-
lhdes recebeu data atrasada para que ele se bene-
ficiasse da deflaglio do Plano Bresser. Em junho,
Carneiro ganhou 678 mil cruzados com a reduglio de
taxas de juros.
Agropecu~ria Coaracy-ParanB 86 podia rece-
ber 10 mil cruzados, mas levantou quatro milh~es,
embora incluida no cadastro de emitentes de che-
ques sem fundo a pedido do pr6prio Basa.
Disrel As garantias oferecidas nito eram su-
ficientes para cobrir um emprestimo de 12 milh~es,
mas Augusto autorizou a liberaglo do dinheiro com
0 aval do donor da firma e sua esposa. A empresa
recebeu 17,2 milh~es at6 junho.
Amazonas Mercantil Em julho tinha um saido
devedor de 5,8 milh~es, todo ele normal.
Nortubo Uma das empresas que recebeu
maior volume de recursos, 63 milhbes de cruzados
ate maio do ano passado, em 14 operaqbes. EstB
em concordata. Tamb~m foi uma das mals berieficia-
das pel-a Sudam, que liberou at8 dinheiro do artigo
17, de acesso dificil be empresas locals. Teve uma


estava com anotaq6es de protest e execugbes. Pa-
ra que o emprestimo pudesse ser concedido, Augus-
to Pereira deu g agencia uma "dotaglio transit6ria",
'seu recurs para veneer tais impasses,
Maserva Engenharia Recebeu 18 milhges de
cruzados. Em 23 de abril e 21 de maio a empresa
descontou notas promiss6rias, recebendo 4,2 mi-
Ihges de cruzados, embora o banco tivesse em seu
poder sete titulos descontados em 13 de margo pela
Maserva contra a Albrbrs e a SBE, no valor de tris
milhi~es de cruzados. Essas duplicatas haviam sido
encaminhadas para cartririo tempestivamente, mas o
protest foi suspense e os pap6is retirados do car-
tbrio a pedido da pr6pria aggncia do banco. Com
isso, o Basa perdeu o prazo e o direito de cobrar os
titulos. No final de Junho de 1987 o saldo negative
da Maserva era de 28,5 milh~es, dos quais quase
10% estavam em situac;io normal. E apesar de ter
restrigbes cadastrals (execug~es, protests, cheques
sem fundo), continuou operando normalmente.
Agropecu~ria Boa 8orte Do deputado federal
(PMDB) Fausto Fernandes, recebeu 16,4 milh~es. Os
descontos de notas promiss6rias eram efetuadas B
taxa de 12% ao mgs, quando o banco deveria ter
cobrado de 13,5% a 14,77%. Quando avalizou esses
descontos, o deputado jd nito era mais s6cio da em-
presa (foi substituido pela esposa) e respondia por
aego executive movida pela Fazenda estadual.
Consitrutora e Imobilibria M. S. Empresa "de
pessoas com grandes lagos de amizade" com o di-
retor, segundo o depoimento do ex-gerente CIBlio
Pontes. Recebeu 6 milhaes em outubro de 1986
quando seu patriminio liquid era de apenas 432 mil
e o limited de cr~dito, de 80 mil. Em abril recebeu
emprestimo de 12 milh~es, que representava 2.777
vezes seu patrim8nio liquid, quando o banco s6 dA
financiamento equivalent a uma vez o PL. O dinhei-
ro foi solicitado para reforgo do capital de giro, mas
na verdade foi aplicado no loteamento Vila Bernini.
O prazo normal para esse tipo de operaglio 6 de 30
a 90 dias, mas a empresa ganhou 120 dias, com mais
~90 de carancia.
Incomex Mesmo sem ter entrado em opera-
glio, fol favorecida com a dispensa de metade da
correcgao monetbria que devia ao banco para liquidar
antecipadamente a conta. Assim, economizou 771
mil cruzados (valor da 6poca). O donor da Incomex
6 Guilherme Feldhaus, o principal intermedibrio nas
transag6es, com pedido de prisio preventive solici-
tado pela juiza federal Julieta Luntz, do Rio de Jab-
neiro.
Madecol (Madeirelra Colorado) Consegulu
mais de 51 milhiies de cruzados em nove operaq~es.
Numa delas, pediu capital de giro de oito milh~es.
Augusto Pereira autorizou adlantamentos atraves de
notas promiss6rlas. O gerente CIdlio Pontes disse
que no caso da Madecol "era sintom~tico o envolvi-
mento com assessoramentos financeiros externos
(escritbrio do Dr. Augusto Barreira Pereira Jr.)", mas





ga, foi o Onico a sair ileso na reconstituigiio dos fa-
tos feita por Agenor. Ele inevitavelmente consegul-
ria revogar o mandado de prislio se Alfredo Remigio
Ferreira, o "Gaguinho", nito tivesse voltado atrbs e
negado a autoria de dois dos disparos que mataram
Fonteles.
De qualquer maneira, a reviravolta teve um efel-
to prstico: despejou o trabalho policial para pr6xi-
mo do ponto zero. Embora a juiza Maria de Nazare
Silva tenha remetido para a Secretaria de Seguranga
cbpias do exame de corpo de delito e das declara-
95es de "Gaguinho" sobre tortures que teria sofrido
na policia para assumir a responsabilidade pelo cri-
me, nenhuma providgncia foi adotada para apurar
imparcialmente o que realmente houve. As diligan-
cias necesabrias g elucidagiio de tantos pontos obs-
curos, quando adotadas (o que raramnente ocorre),
demoram demais.
A pista mais segura, que leva at6 o Fusca usado
pelos assassinos, a Ijnica prova material incontestb-
vel que a policia descobriu, nito foi retomada. De-
pois de tantos lances dram~ticos algumas semanas
atrds, o "caso Fonteles" volta g temperatura daque-
las ocorrancias policiais condenadas ao arquivo:
est& frio, quase congelado.


de suas f~bricas desapropriadas pelo governor Jgder
Barbalho para a instalagiio da escola de policia. O
valor da desapropria~gio foi considerado alto e ques-
tionado judicialmente.
Incluidas tambem em algum tipo de favoreci-
mento hB multas outras empresas que nio0 chegaram
a praticar Fraude, nem podem ser indiciadas em cri-
me, embora devam prestar explicaqiies sobre suas
transaG~es. Entre os valores mais expressivos ou
as situag6es especiais estlio :
-- Transjuta : 66 milhdes em 18 operaq6es.
-- Norte .Madeiras Importaglio e Exportagio : 10r
operaq6es, no valor de quase 20 milh~es.
Maryelk : 15 milhbes em 10 operagijes.
-- Joaquim Fonseca Navegaglio: : mais de 25
milh~es em oito vezes.
-- Impar (Induistria Mineraldgica do ParB): 20
milhies.
-- Engenorte Engenharia : 20 milhbes.
-- Ecca (Engenharia e Constructio Correa Al-
meida): 23 milh~es em 11 operagies.
-- Estaleiros da Bacia Amazinica : 28 milh~ea
Dipercos : 7 milh~es.
-- Exportadora Perachi : 11 mith6es.
-- Empresa de Transportes Draglio do Mar : 16
mith~es.
--A. P. Engenharia : 8 milhbes.
-- iazendas Stio Luis : 12 milh~es.
Fazenda Mironga : 10 milhbes.
-- Indljstrias Arapiranga : 7,2 milhbes.
-- Companhia Grifica Editora Globo: 24 mi-
thbes.


Agroindustrial Suinorte : 12 milhies.
Pepi Luminot6cnica: 18 milhoes.
Pedro Carneiro Indlistria e Comercio: 17 mi-
Ihies.
P61o Engenharia : 16 milhies.
Sabino Oliveira Com~rc~io e NavegaqZio: 11
milhies.
A~gro Pastoril e Extrativa Brasil : 21 milh6es.
Delmar Norte : 17 milhiies.
Semasa (Servigo de Motomecanizaglio da
Amaz~nial: 13 milhees.
Higson & Cia.: 6 milh~es.
Engeplan : 8 milhaes.
Delta Publicidade : 10 milhaes.
Copem (Companhia Paraense de Estruturas
Metslicas): 9 milhaes.
Codenpa (Companhia DendQ Norte Paraense):
8 milhies.
Amazo Cominpex : 9 milh~Ses.
Agropecudria Pacuhy : 9 milh~es.
Soela : 6 milh~es.
Rubertex : 7 milhiies.
RPJ Com~rcio Indlistria e Representaqaes :
6 milhbes.
Mendes Jirnior Agricola : 7,5 milh~es.
Inca : 7,5 milh6es.
E. Georges & Cia.: 6,2 milhaes.
Companhia Industrial do Brasil : 6 mithaes.
Cobrss Com~rcio de Mdquinas : 7 milh~es.
Cobovale (Companhia de Hoteis Vale do To-
cantins): 6 milh6es.


Antes de reabrir o "caso Fonteles" com uma
den~ncia sobre os possiveis assassinos do ex-depu-
tado, o golano Agenor de Macedo e Silva Neto hos-
pedou-se durante alguns dias num hotel em Impera-
triz, no Maranhilo. Durante o mesmo period, o ho-
tel recebeu outro h6spede, que teria conversado bas-
tante com Agenor: James Sylvio de Vita Lopes, que'
at6 Agenor aparecer com sua nova histdria, estava
sendo perseguido pela policia, com ordem judiicial
de prisito js decretada, como o organizador do as-
sassinato.
A informaglio sobre o encontro entire Agenor e
o "capittio" James foi passada a imprensa por um
morador de Imperatriz, que seria um pistoleiro, mas
at6 hoje nito foi checada no pr6prio local. Se confir-
mado, o fato poderia se transformar em mais uma
pega capaz de decifrar a claudicante versito que mu-
dou completamente os rumos da investigation sobre
o assassinate de Paulo Fonteles. Agenor teria sido
um instrumento para despistar a policia, posto em
a~gio por Vita Lopes ?
A hipbtese pode parecer mais um delirio na su-
cessio de fantasias que foram surgindo ao long da
apuraGlio do crime, mas tem sua 16gica. Afinal, Vita
Lopes, um truculento agents particular de seguran-


dos


arquivos


Outra vez no


rumo 0










empresa der lucros, provavelmente na segunda de-
cada do ano dois mil.
Ouando e se isso ocorrer, alibs, espere-se
um c~ro em favor da desestatizaCgio da economic.
Nio 6 sem prop6sito que o ex-governador de Minas
Gerais, o piauiense Francelino Pereira, abrilhanta
com sua presenga o Conselho de Administraqio da
Companhia Florestal Monte Dourado. Para os que
nio lembram, Francelino president do ex-quase-
futuro maior partido politico do Ocidente, a finada
Arena 6 autor da mais angustiante reflexio -
escatol6gica? sobre o Brasil contemporineo. Sem
indicar o menor lampejo de resposta, ele perguntou
- a si, a seus bot~es e ao etereo "que pais 6
este?". Pelo balango contibil que o doutor France-
lino ajudou a assinar, pode-se arriscar a conclusio
de que este pais d isto que 6 : quase um pais.







Em nota de uma pdgina no GIitimo nijmero da
revista Ciancia Hoje, da Sociedade Brasilelra para o
Progresso da Cibncia, Vera Maria de Almeida e Val
sadida os efeitos positives da transfer~ncia do Inpa
(Instituto Nacional de Pesquisa da Amaziinia), do
Manaus, que estava subordinado ao CNPq (Conselho
Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnold-
gico), para o Minist~rio da Cultura. Houve melharia
de salsrios, maior confianga na produGio (que pode
resultar em ganhos de produtividade), rearranjo nos
departamentos, definigio de metas bbsicas, intera-
gio interdepartamental, inicio da informatizaG~o, me-
Ihoria da estrutura fisica e uma atuaCio mals coor-
denada.
Por tudo isso, Vera Maria, pesquisadora do pr6-
prio Inpa, acha que "a reestruturaqio do (inico ins-
tituto de pesquisa tropicais do pais" poderia repre-
sentar "uma luz no fim do tirnel" num pais que "pa-
rece ainda nao ter acordado para a importancia da
ci~ncia Naturalmente, exageros de uma clentista
empolgada com seu trabalho e sensibilizada comn seu
emprego. O Inpa nio B o dnico institute de pesquisa
dos trbpicos brasileiros. Dizer isso implica, na mais
tolerante das hip6teses, ignorar o Museu Emiliu
Goeldi, antigo, forgado e precursor irm~o siamgs que
recuperou a pr6pria personalidade.
Mesmo que a mudanga de jurisdigio do Inpa te-
nha sido largamente proveitosa, esse fato est8 long
de poder iluminar um tljnel ~tio escuro quanto o da
cibncia, particularmente a que 6 praticada na Ama-
zbnia. Obviamente, toda a sociedade fica alegre com
as melhorias propiciadas a uma instituiq8o que 6
respons~vel por 60% dos curses de p6s-graduagio
da regiio, como lembra Vera Maria. Mas ela esque-
ceu, na enumeraGio de tantas conquistas, um ponto
important: a autonomia clentifica dos institutes
de pesquisa.
Ela faz refer~ncia B grande dependgndia a que
ficou submetido o Inpa dos recursos de convgnios
com empresas, como a Eletronorte. Mas os efeltos
negatives dessa dependgncia nao ocorreram apenas


Em nove anos de atividade commercial, a Com-
panhia Florestal Monte Dourado sucessora do
Projeto Jari, idealizado pelo milionbrio norte-ameri-
cano Daniel Ludwig acumulou 20 bilhies de cru-
zados de prejuizo. S6 em 1987 o prejuizo foi de 3,5
bilhiies de cruzados, a suficiente para colocar a Jarl
entire as empresas mais negatives do pais e tam-
\ bem entire as maiores por capital e patrim~nio, com
um ativo que, js no ano passado, de 41 bilhbes de
cruzados, era superior g previsio de arrecadagao
Total do Estado do ParB para 1988.
A classificaGio pode soar injustamente dura aos
ouvidos dos 23 conglomerados econ~micos nacio-
nais que assumiram o periclitante bastao de Ludwig
no Jari, em 1P de abril de 1982, data sugestiva. Na
apresentagio do balango da empresa referente ao
exercicio passado, os membros do conselho de ad-
ministraG~o destacam o lucro operational de 1,i bi-
Ihio de cruzados, uma faganha se comparado ao pre-
juizo anterior de 158 milh6es de cruzados. Em 1987
a empresa vendeu tudo o que produziu e mais ainda
do que havia estocado. Faturou 124 milhiies de d6-
lares, 34% mais do que em 1986, gragas g elevaqio
do prego m~dio da celulose: de US$ 515 a tonelada,
ele sublu para US% 614, compensando os baixos pre-
pos praticado no mercado interno por causa dos con-
troles do CIP e fazendo as exportaqaes absorverem
76% das vendas.
vO ponto de estrangulamento, por6m, continuam
a ser os custos financeiros do empreendimento.
Como sempre fez, Ludwig endividou-se multo para
former a floresta de 100 mil hectares de grvores ex6-
ticas, a fsbrica de celulose e toda a infraestrutura
de apoio no dari, que serve ainda 2r produ6Eo de cau-
lim, arroz, bauxita e atividades de subsistgncia. 86
que o excgntrico millonbrio tomou emprestado jus-
tamente no memento em que o custo do dinheiro
disparou, e fazendo contratos por taxas flutuantes,
ao sabor dos p~s-de-vento soprados de Wall Street-
.rO custo da amortizaqio desses emprestimos
consumlu mais de 5,5 bilh6es de cruzados no ano
passado, quase 90% desse valor devido As variaqiies
da moeda. Esses sugadouros de dinheiro nio impe-
diram que o saido da divida continuasse subindo. A
principal credora, a japonesa Ishkawajima, que cons-
truiu a fibrica de celulose e a usina de energia, am-
bas sob plataformas flutuantes, tinha a seu favor 1,2
bilhio de cruzados em 19816; no fim do ano passado,
habilitava-se a 4,2 bilh~es porque a divida foi escritu-
rada na moeda Japonesa, o yen, que se valoriza cada
vez mais.
Os novos dons do Jari podem lamenter esse
prejuizo, mas pelo menos resta-Ihes o console de
nio precisar pag8-lo. O enorme custo da divida for-
Smada por Ludwig em seus projetos mirabolantes e
mal pensados foi jogado sobre os ombros largos
de dois bancos estatais, que, no capitalism de pron-
to-socorro pljblico praticado no Brasil, estio at para
isso mesmo. A cada parcela do emprdstimo da IHI
Sque vence, no border aparece o BNDES, consumin-
do uma ponder~vel parcela da poupanga national -
Para que o banco nio se liquidasse nessa pira finan-
ceira infernal. a ele foi compulsoriamente agregado
o Banco do Brasil, essa invencivel m~e do capitalis-
mo de muletas. Em troca, recebem aq6es preferen-
clais, com direito prioritbrio a dividends quando a


dos arranjos,


Dr. Francelino


Este eo pais







em rela~go a "um esvaziamento ou estagnaG~o gra-
dativa dos recursos pr6prios do institute", deixan-
do-o carente de recursos materials e de pesquisado-
res. Eles minaram a pr6pria autonomia do Inpa,
incapaz de escapar B bitola e ao dec~logo de proibi-
96es que a Eletronorte the impgs, sobretudo em rela-
glio As pesquisas na Brea do reservat6rio da hidrel6-
trica de Tucurui.
Se nao fosse pela reaqi8o do entho secretario
da Sema, Paulo Nogueira Neto, o Inpa ate teria aceito
fazer experi~ncias com desfolhantes quimicos, no
desmatamento da floresta, uma "bomba ecologica
que, depois de inventada, ningubm conseguiria mais
"desinventar", como protestou Nogueira Neto. U
Inpa fez censura cientifica a seus pesquisadores e
impediu-os de participar de um debate poblico que,
por sua complexidade, exigia esclarecimentos da
ci~ncia. Ao inves de ligar o beneficio da ci~ncia Bs
exiggncias socilas, o Inpa quedou-se mudo diante das
cl51usulas inaceitiveis contidas nos ricos contratos
que assinou. Surpreende de certa maneira que, ao
mndicar os nomes dos responsiveis pela reestrutu-
ra~go do institute, Vera Maria junte no mesmo saco
os que ofereceram seu saber e sua compet~ncia tec-
nica para essa tarefa com os que simplesmente re-
passaram dinheiros, entire os quals os que oferece-
ram ao Inpa cabalisticos trinta dinheiros.
Por isso, adquire certa grandiloqii6ncia despro-
positada e 6ca o titulo do artigo, "Inpa: resister foI
precise", que n~io responded gs duas quest~es funda-
mentais: resistir ao que e resistir a quem? Se 6, na
verdade, que houve mesmo resist~ncia.



Levy respon e
Em cart encaminhada ao JORNAL PESSOAL, o president
do Sindicato dos Bancarios, Carlos Levy, que tamb6m 6 can.
didato do PL (Partido Liberal) 8 Prefeitura de Bel~m, contesta
a acusagio de ter sido conivente, por omissio, com as irre
gularidades que resultaram no "rombo" de 30 milh~es de d6.
lares no Banco da Amaz~nia. Ele diz que nio denunclou as
operagaes fraudulentas de empr~stimos, realizadas principal-
mente entire novembro de 1986 e julho de 1987, por falta de
documents que comprovassem os boatos, que j6 circulavam
per toda a cidade, sobre os pagamentos de comiss6es para a
obtenglo de dinheiro f~cil e barato no Basa.
Levy admits que apolou, niio em seu nome, mas pelo sin
dicato, a Indicadio de Augusto Barreira Pereira para a presi.
dancia do banco, mas assagura que na 6poca o curriculo do
director, apesar de uma puniCio rigorosa no passado, era limpo.
Levy diz que, diante de carts anenimas levianas e acusaG6es
vagas, ningu6m conseguira ter acesso a documents suficien-
tes para fundamental uma deniancia, citando como exemplo a
pr6prio JORNAL PESSOAL. Mas a comparagiio nito precede:
surgido apenas em setembro do ano passado, este journal fez
amplas reportagens sobre o esciindalo, sempre com base em
documents do pr~prio Basa, a partir do segundo n~mero. O
primeiro foi dedicado quase exclusivamente ao assassinated
do ex-deputedo Paulo Fonteles*
Abaixo, trechos da certa de Levy :

CASO BASA Contesto com veemincia e provas o entendi-
mento de que- eu teria silenciado, ao long da administration
Barreira, sobre fats ocorridos no BASA.
Da parte do sindicato, assim como V. Sa. e seu Jornal,
entidades ind~ependentes, e conhecondo sua atividade profits.
sional de exaustivo investigador de assuntos de interesse pu.
blico, todos tiveram boicotados seus trabalhos para chegar
aos fats, sob rumors, tanto que V. Sa., como este sindicato,
ate hoje n~io tiveram a oportunidade de divulgar documents
da 6poca,


Esta entidade tem trbs diretores que trabalham direta.
mente na Directio Geral e Agbncia Central e esses dirigentes
sindicais ficaram isolados, talvez propositadamente, de todas
as ocorrencias.

Dentro do pr6prio banco uma Associaglo de Empregados,
inclusive com membros que trabalharam e trabalham direta.
mente em gabinetes, nunca dotou o sindicato ou a opiniiio pli.
blica de quaisquer elements, ao menos que facilitassem che-
gar aos envolvidos,

Tao-somente recebemos, como milhares de pessoas rece.
beram, "cartas.ananimas' que se tornaram impublicavels pe-
los seus terms, sem acrescenter "pistas". Essas carts ape.
nas relatavam que "um filho do Diretor Barreira, homosexual,
vivia pelo banco gozando de regallas, ~para as empresas com
as quais teria interesse e que o referido director havia sido
punido hB 20) anos em um concurso pliblico". Ora, convenha.
mos, tais elements nito possibilitam nem mesmo indicios.

Mas tlo logo tomamos conhecimento dessas carts, acre-
ditamos que em abril ou maio, levamos o assunto ao prbprio
conhecamento do atingido que alegou que "tudo nlo passava
de political do grupo do Matias e que seu filho prestava ser.
vigos, era evidence, como sempre ocorreram esses trabalhos
no banco com referbncia a projetos a dai deveria ser compen-
sado com honordrios, mas que pelas suas m~ios nlo facilitava
tal atividade Nl0 satisfeitos contactamos com a director Ju-
vgncio, na presidbncia do BASA, havendo este dado a enten.
der que iria mnvestigar as ananimas denbncias.

Insistindo procuramos contactar com inlimeros banadrios
do BASA e nito obtivemos qualquer "pista".

impertinentemente mantivemos ligagdes telefinicas com
JosB Pereira e Silva (exiDiretor) e com Delile Macedo (ex.
president) que tamb~m somente conheciam rumors, mas o
primeiro indicou-nos como melo a Investigagio em "redugides
de taxas", por6m nlo consegulmos obter documents ou ao
menos os nomes das firmas beneficiadas paeos presidentss
em rodizio".

.Ao sentir que o que nito era aninima se situava na briga
interna pelo cargo: que de um Jado Matias se agasat~hava na
indicaglio de Mestrinho x Amazonino x politicos mineiros; do
outro Juvbncio com Alacid x Aureliano; Loblio com .politicos
maranhenses e de territbrios e Barreira, pelo Pard, ao tempo
em que todo o funcionalismo se mobilizava para que "um dos
4 fosse logo nomeado presidente, defendendo.se a tese de
que o banco negociando com presidents transit6rios perdia a
sua autonomia, pela primeira vez ingerimos em indicapbes da
categoria econ8mica.

Como naquela 6poca ningu6m havia afirmedo que o diretor
Barreira estaria facilitando as ligaf~es de seu filho com gru-
pos e nem mesmo se anunciava se algum grupo teria se be.
neficiado de favors ilicitos, tanto que V. Sa. como seu Jor.
nal nlo noticiaram Bquela altura positivamente qualquer fato,
o sindicato e n~o o Sr. Carlos Levy indicou o nome do Sr.
Barreira para com isso eliminar as ingerbncias dos Srs. Mes.
trinho, Amazonino, grupos mineiros, grupos maranhenses, tam.
bem desconhecendfo que um ex-governador deste Estado teria
indicado o mesmo Sr. Barreira.

Niio tinhamos, como nito temos, os poderes de *vidente"
para prever o future de um home que antes director do
banco, president interino, catedrditico de direito trabalhista e
criminal, advogado do grupo O Liberal, aposentado do BASA,
sem ser denunciado por milhares de empregados que convi.
viam com os neg6cios do banco, ou em outras atividades, pas-
sasse a ser denunciado por este sindicato sem proves, ou
com base em contumazes carts an~nlinas que circulam no
BASA. Nemn mesmo evid~ncias, tanto que V.Sar. tamb6m foi
prejudiicado em seu trabalho Jornalistico.










A novel tecida em torno da alternative Almir
Gabriel ainda a recobre de incbgnitas. O ex-prefelto
teria recusado definitivamente voltap- a disputar o
cargo, argumentando que 6 mals 6tiI na Constitulnte.
e no Senado. No entanto, as duas grandes metaa
political de Almir continuam sendo o ministerio da
Salide e o governor do Estado. Se a candidatura a
prefeitura pudesse viabilizar essas rotas, ele aceita-
ria. Mas essa estrat~gia 6 extremamente complica-
da porque todos oa caminhos dependem de Jgder
Barbalho. Almir ainda nlo tem lideranga suficiente.
para disputar cargos majoritbrios: 6S, eleitoralmentil,
umn satelite do ex-governador, dependbncia (que na-
da tem a ver com diferengas politicas e ideolbgicas
entre os dois) capaz de explicar o silgncio do sena-
dor diante da avalanche de ataques 8 honradez e se-
riedade da administration estadual passada.
Diante dos indicios crescentes de que JIder
optaria mesmo por Velasco, o prefelto Coutinho Jor-
ge e o governad~or Hdlio Gueiros fizeram discretos;
movimentos em diregio B candidatura de Almir Ga.-
briel. Coutinho nito entraria numa campanha por Ve-
Iasco, Carlos Vinagre, Vicente Queiroz ou Manoel
Ribeiro, outros nomes especulados. A ele~g~o serb:
em pleno vertio, Bpoca favorsvel a obras com divi-
dendos eleitorals mesmo para uma prefeitura empo-
brecida, como a de Bel~m. A participaq~o do prefei-
to, ou sua omisslio, ter8 um peso ponder~vel no re-
suitado .
A inc6moda posi~go do PMDB 6 um element
chave na definictio da candidature. Almir Gabriel
nio quer ter o mesmo destiny de Coutinho Jorge,
que, tendo aceito a prefeitura, a partir de 1989 terb
quase dois anos pela frente sem mandate, sujeito
As intemperies political. O senador quer um passa-~
porte que garanta a possibilldade de disputar o go-
verno ou hilo impega seu chamado para o minist6rio
de Sadjde. Como acordo desse tlpo nito se assina,
e os que slio assinados nio prevalecem quando h6
forte disposiCio em contrdri~o (como o desejo de JA-
dier de voltar ao governor mals uma vez A~lmir Ga-
briel est8 diante de uma encruzilhada sem poder de-
cidir por sua vontade, mas Impulsionado pelas cir-
cunst~nclas. O bom administrador que ele mostrou
ser ests debalxo desse politico de ocasiiio~que ele
tem sido. Ambiguidade semelhante 6 a marca da
Bel~m pr6-eleitoral.





J~OTTIR PeSSORI
Editor respons~vel : L~cle FI~vio Pinto
Endereq~o (proviadrlo): rue Arlstides Lobo, 871
Bel~m, Pard, 66.000. Fone: 224JT28
DiagramaC~o e Ilutragdo: Lula Plnto
i ~Opg~io JornalisticaI


Sob o sig no c

A vit~ria do presidencialismo na Constituinte
val abrir, final, a temporada de caGa As prefeituras
e c~maras municipals. Prefeitos e vereadores que
ainda esperavam a prorrogaglio de mandates vio ter
que admitir a realidade: as eleiCges deste ano se
tornaram inevit6vels, senito por razbes mais eleva-
das (que a adoegio do parlamentarismo suscitaria),
ao menos pela necessidade de compensar a grande
frustraGlo do eleitorado, mais uma vez privado de
esc~olher o president da Repliblica.
Em BelBm, a dispute s6 vai comegar de fato
quando for anunciado o candidate do PMDB, o parti.
do que tem o governor do Estado e 90% das prefel-
turas, alem de ser hegeminico nos parlamentos.
Segundo credenciadas fontes peemedebistas, o mi.
nistro J~der Barbalho ests dando os ir1timos reto-
ques bem ao seu estilo para que o escolhido
seja o deputado federal (e ex-vice-prefeito) Fernando
Velasco, seu fiel e obediente seguidor. JBder pre-
tendeu impor o nome de Velasco em 1985, mas se
curvou diante da fragilidede eleitoral do entio pre-
sidente do Iterpa. Acabou optando por Fernando
Coutinho Jorge.
Apesar de determinadas fontes assegurarem
que Velasco jB 6 o escolhido, stores ponderlvels
do PMDB apostam que vai se repetir o episbdio de
tres anos atrss e J~der se veria obrigado a recuar,
aceitando alternative mais vi~vel, embora nito intel.
ramente de seu agrado. Exceto por pequenos grus
pos fissolbgicos, a massa peemedebista s6 admite
duas hip6teses para veneer a eleiglio de novembro
na capital: o senador Almir Gabriel ou o empresbrio
Sahid Xerfan. As outras opg6es apresentadas, inclu.
sive a de Velasco, slio consideradas at6 mesmo
dentro do Pal~cio Lauro Sodr6 inaceit~vels. Sig-
nificariam derrota certa diante do linico candidate
que jB est& em campanha: Carlos Levy, do PL.
O ministry da Reforma Agrdria teria declarado
que prefer perder a eleiglio a ganhl-la com Xerfan.
Prefeito nomeado de Belgm, Xerfan foi obrigado a
renunciar ao cargo pelo entiio governador, que nem
conflava no empresdrio, nem estava disposto a di-
vidir com ele o britho da lIderanga. Aproveltando o
pretexto de uma visit secret que Xerfan fez ao
senador Jarbas Passarinho, Jgder criou uma situaCqie
insustent~vel par a prefeito continuar no cargo,
alem de atack-lo num ponto em que ele se mostrou
vulner~vel: oa negbcios.
Atrav~s de discretos contatos peribdicos com
politicos como o ex-governador Alacid Nunes e o
deputedo federal Jorge Arbage, alem de outros mo
vimentos menos visivels, Xerfan tem dedo a Impres-
s~o de que estd interessado mesmo em voltar para
a prefeitura. Mas teria que procurar caminho pel0
PTB porque a via do PMDB Ihe foi bloqueada por J6'
der. Se 6 que, mesmo com appetite, tem condi~e8
de ir at6 o fim.


am big uidade