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_____ go de 1988 PeSSOa Lticio Flsivio Pinto NO 13 Circulaglio apenas entire assinantes la Quinzena de Mar Ano 1 CASO Acusado de ser o mandante do assassinate do ex-deputado Paulo Fonteles, ocorrido em junho do ano passado, James Sylvio de Vita Lopes pode aca- bar passando por profeta. Dois meses depois do crime, quando ji tinha contra si um mandado de pris~o expedido pela justiga paraense, James escre- veu uma cart postada em Slo Paulo e remetida ao jornalista Jolo Malato em Bel~m defendendo- se da acusagho (seria apenas um bode expiatbrio) e orientando o president do inqu~rito a investigar "possiveis ligaq~es do crime com o Sr. Joziel, resi- dente em Capanema, donor de um pequeno impbrio, onde muitas irregularidades ocorreram e ainda ocor- rem". O "capit~io" James, como ficou mais conheci- do por sua truculenta carreira de agent de seguran- Ga, lembrou que Fonteles "dirigia-se, naquele fatidi- co dia, para aquela cidade, segundo consta, para uma audiencia no forum local, contra o citado cidadho". Seis meses depois o "citado cidadio", o comer- ciante paraibano Josiel Rodrigues, era dado pela po Ifcia como o verdadelro mandante do assassinate e preso, juntamente com oa que seriam os executores da morte. Fol uma revlravolta surpreendente. Em 48 horas, a policia, desprezando os resultados da in- vestigagio anterior e iniciando uma reconstitui~go completamente nova dos ac~ontecimentos, fazla o que James previra, seguindo a pista que nada rende- ra ao delegado Otacilio Mota, mas fizera o delegado Bertolino Neto, seu successor no caso, apresentar re- sultados . Linhas tortas O caminho que levou a tais conclus~es nlo podia deixar de intrigar. Um assas- sinato preparado durante no minimo tr~s mess, mo- bilizando ampla logistic ae provocando um dos maiores impacts na histbria recent dos crimes no Estado, seria desvendado de formal quase ing~nua porque uma suposta testemunha resolve contar o que teria viato olto mess antes. O misterioso sar- gento reformado da Aerondutica Agenor de .Macedo e Silva Neto, golano de 30 anos, revelou o que sabia porque teria perdido a mulher para o assassino do ex-deputado, que tambem estaria tentando mat8-lo. Alfredo Remigio Ferreira, o "Gaguinho", assu. miu com inusitada tranqiiilidade a autoria dos dois primeiros disparos que mataram Fonteles, mas ne- gou que tivesse tirade Sonia de Agenor ou viesse tentando math-lo. Mas a policia nio considerou re- levantes esses "detalhes". Tambem nlo se deu ao trabalho de conferir o primelro depolmento prestado per Agenor. No dia 19 de fevereiro, uma semana e meia de- pois de iniciar contatos com a familiar Fonteles, mas tras dias antes de entregar a grande pista, ao delega- do Bertolino Neto, ele procurou a Policia Federal para relater o que vira. Sua verso parece said de um romance policial se nio for relativizada por duas hi- p6teses: ou ele pr~pri~o participou do atentado de que se diz apenas testemunha, ou foi contratado para narrar uma hist~ria antecipadamente preparada. As hip6tesese n~o s~o mutuamente excludentes. No dia 10 de junho, Agenor atendeu, em sua oficina de Capanema (cuja existgncia ainda nao foi provada), o motorista de um Fusca vermelho. O propriethrio, o agent federal (ou da policia rodovi8- ria federal) Joel da Silva Carvalho, vinha de Salinas para Belem e queria regular a> motor. Para poder completar o reparo, Agjenor foi buscar 61leo num posto vizinho. Enquanto esperava ser atendido, viu Aue trgs homes consultavam um mapa dentro de um Fusca cinza. Conseguiu perceber, apesar, de jB haver sombras de final de tarde, que o mapa era das regibes Bragantina e do Salgado. Sua- perceppio foi mais poderosa ainda: percebeu, pela conversa dos trbs, "que estudavam uma maneira diferente de che- gar a Belim, sem passer pelos postos da Policia Ro- dovibria". Viu tambem quando 'Gaguinho", que jB conhecia, desceu para tirar as places do carrot eo reconheceu, alertando os outros dois companheiros (que identificou como sendo "Paraiba" e Guilherme) para o intruso que os observava. Foram embora. No dia seguinte Aglen~or veio para Belem de ca- rona com o donor do Fusca vermelho, que Ihe disse estar estudando numa Academia da Policia RodoviB- ria Federal em Brasilia (inexistente, assim como n60 foi encontrado nenhum Joel na PF). Pouco de- pois das nove e mela da manh8 o pneu do carro fu- rou, prendendo Agenor a prosaica troca de pneu por mais de meia hora. Gragas ao incidente, ele pade presenciar o assassinate, praticado pelos mesmos personagens da v~spera. Recordou para a Policia Federal "que o motorists do Fusca cinza permaneceu em seu interior, enquanto que, alem de Gaguinho, tambem Paraiba desceu do verculo, permanec~endo porem encostado no carro, de costa para onde o de- clarante se encontrava, demonstrando estar fazendo cobertuira para a aglo de Gaguinho". Agenor, apesar de empenhado na troca de pneus, teve sua aten95o atrafda para o posto, a 200 metros de distlincia, do outro lado da pista, porque o Fusca, chegando em alta velocidade, "cantou" os FONTE LES volta ao De comeCo Ao reabrir a investigaCgo sobre a morte do ex-deputado Paulo Fonteles, a policia apresenta uma verdade que pode ser apenas o inicio de novas perguntas. A quem interessa essa nova "verdade"? pneus ao frear. Anotou que o motorist do carro do ex-deputadio e o bombeiro do posto, que conversa- vam a tris metros do Chevy, correram para tr~s da bomba de gasoline, ficando de costas para o ponto em que Agenor se encontrava. Relatou que, "logo em seguida aos disparos", Gaguinho e Paraiba "entraram no Fusca, que saiu em desabalada velocidade'. Antes de entrar no carro, por~m, Gaguinho "olhou para os lads e viu que o declarante estava no outro lado da pista olhando o que se passava, tendo brandido o rev6Iver no alto em diregio ao declarante, dando a entender que o declarante estava ameagado; que da mesma distan- cia em que se encontrava, pbde notar que a arma que Gaguinho empunhava era um rev6Iver 'bem grandso', de cano longo. Apesar de haver duas pistas de trsfego intense nos 200 metros que separavam Agenor do posto, ele observou detalhes impressionantes, como a falta do estribo no Fusca, que jB notara no dia anterior. -Parece ter sido o linico a ouvir o cantar dos pneus do carro dos assassinos na chegada. As outras tes- temunhas dizem que o Fusca chegou devagar, sem alarde. S6 ao sair 6 que houve esse barulho. O assassinate foi praticado durante uns poucos segundos, mas Gaguinho teria tido tempo, sangue frio e dominio da situaqio para ver Agenor do outro lado e ameaq6-lo. A principal falha na verso de Agenor 6 que, no depoimento & PF, ele falou apenas de dols tiros seguidos que Gaguinho teria disparado contra Fonteles, por tris. Reforgou o depoimento declarando ter "certeza quanto a quantidade de ti- ros* Mas como Paulo Fonteles foi morto com tras tiros (um dos poucos fats acima de qualquer ques- tionamento no caso), trgs dias depois, jb na Delega- cla de Furtos de Veiculos, Agenor corrigiu sua ver- sio, acrescentando um terceiro tiro, atribuido a Ar- naldo Cavalcanti Coutinho, o "Paraiba", capataz de Josiel, que sempre negou a acusagio. Sem essa revisao, seu depoimento simplesmente perderia va. lor. Mesmo, com ela, no entanto, a policia teria mo- tivos suficientes para encard-lo com reserves, com~o fez a PF. Para culminar tantas coincidencias e uma capa- cidade de observagio que parece previamente orien. tada, Agenor diz que viu o crime e depois continuou o caminho para Belem, sem se preocupar em apre. sentar-se como testemunha, mesmo tendo uma no. GWe do significado do que presenciara. No depoi- mento diz que em janeiro de 1985 recebeu uma passage da Enasa, no trecho Bel~m-Manaus, gra- cas B interfergncia do entao deputado Paulo Fonte. les, a quem procurara. Reconheseu Fonteles como sendo a home morto dentro do carro, mas nem pensou em ajudar naquele memento a policia. Se tivesse dito o que tinha visto, dificilmente os assas. sinos conseguiriam escapar. Mas Agenor preferiu ir em fronte. Resolveu seu oroblema, almogou no restaurant Wilma e foi visitor um amigo no porto da Jonasa. Lg, por outra incrivrel coincid~ncia, viu o Fusca cinza usado no as- sassinato, exposto a curiosidade p~blica apesar de jB estar sendo seguido pela policia, que dele tivera a descrigio. Agenor esqueceu tudo o voltou a Capa- nema. Sua vida nho foi alterada nem mesmo quan- do, duas semanas depois, Gaguinho o ameagou de morte por ser testemunha perigosa. Na semana se- guinte sua oficina foi incendiada, mas ele diz s6 descobriu que os tr~s ocupantes do Fusca eram pis- toleiros tris meses depois. Eficientes para liquidar Fonteles, os pistoleiros falharam em tr~s tentativas para calar de vez Agenor. A ultima falha foi 20 dias antes de ele decidir contar o que sabia. Ao vir para Belem, logo no inicio de fevereiro, Agenor manteve contato com a familiar Fonteles, que custeou sua perman~ncia em dois bot6is. Antonio Fonteles, irmBo de Paulo, pediu-Ihe que esperasse sua volta do Rio de Janeiro para procurarem juntos a policia, mas Agenor resolveu prestar imediata- mente seu depoimento na Policia Federal para tomar rumo ignorado, pretendendo voltar a esta capital so- mente se for cham~ado pela Justiga na fase de julga- mento " Seu prop6sito foi respeitado pela policia. Embo- ra pudesse ser acusado de pertencer g quadrilha ou ser submetido a acareaq~es e reinquiric~es, a partir da falsidiade dos motives que o fizeram revelar se- gredos ocultados por oito mess (que, ademais, o tornavam climplice de um crime), Agenor continuou a ser tratado como inocente testemunha. Outro despistamento A partir da origem, a hist6ria sobre a morte de Fonteles 6 inconvincente. Ela pode ser considerada tio complete quanto a ver- sao que o delegado Otacilio Mota levantou. De uma formal desconcertante, as duas fases de um mesmo inqubrito se chocam, tornando impossivel concilid- las, embora provavelmente contenham parties da ver- dade. Sio peas de um quabra-cabegas; sozinhas, por6m, nho decifram o misterio. Se nio ha diivida de que o Fusca cinza incen- diado num ramal da BR-316 era o carro usado pelos assassinos de Fonteles (a partir da reconstituiqio do chassis, o carro foi rastreado at8 seu donor como descartar a pista levantada pelo delegado Mota des- de o Hotel Milano? Entre abril e junho, quatro ho- mens se hospedaram nesse hotel por conta de J~a- mes Vita Lopes. Dots deles usaram o Fusca na ves- pera e no dia do atentado. Foram identificados tanto por uma soldada da Policia Militar, como por um motorist de tbxi e uma funcionsria do hotel. Se nho executaram o deputado, podem ter participado do esquema de despistamento. A Policia Federal do Rio de Janeiro localizou o done do Volks. Ele tinha antecedente criminal, estava em situaqio irregular e contou uma hist6ria inverossimel, mas foi libera- do. A policia nem cobrou a promessa que fez, de apresentar o name do comprador do carro. Os matadores de Fonteles sabiam que o caso teria grande repercussio. Nio entrariam em aG~o sem um bom planejamento. Os tr~s tiros seguidos, que atingiram pontos muito pr6ximos no corpo do militant do Partido Comunista do Brasil, foram da- dos por um pistoleiro professional (ou por um ama- dor em dia de fenomenal inspiradao para o crime, hipbtese que nho pode ser simplesmente descartada, mas tem probabilidade remota de ser verdadeira). A carreira de Gaguinho, com seis registros policiais, mostra o perfil de um home capaz de viol~ncias, mas nio revela o pistoleiro tarimbado que a missao requeria. Diz mais sobre algubm forgado a assumir seu papel, talvez por violgncia. O home que desceu do carro e atirou em Fon- teles nio teve qualquer preocupag~io em esconder o rosto. Mesmo percebendo que o bombeiro do pos- to de gasoline o identificara, apenas ameagou-o. O normal, nessa situagio, seria logo eliminar a tested munha, se o assassino nio fosse de outro local. Jg Gaguinho 6 morador da reglio ha nove anos. O bombeiro ouviu a ameaga, mas nio fez qualquer re- fer~ncia B forte gagueira de Alfredo Remigio Ferrei- ra quando dep~s na primeira fase do inquerito. Se Gaguinho nito fosse um professional, os mandantes do crime provavelmente teriam tratado de "queimar' o arquivo, eliminando-o. Sendo pistoleiro de aluguel, nilo permaneceria no local do crime. Jogo de segredos Dono de uma fortune que cresceu tito rapidamente como sua fama de violent, Josiel 6 o home mais temido na regitio de influ~n- mia de Capanema. Quando protegidas pelo anonima- to, fontes variadas referem-se aos roubos de carre- tas, desvios de pimenta-do-reino ou quadrilhas de pistoleiros colocados na conta desse paraibano de 46 anos que e o representante da Antartica, tem tres fazendas, com 22 mil hectares e 2.800 cabegas de gado, e multos negocios. Apesar de tantas denun- cias, a Delegacia de Furto de Veiculos, onde foi pre- so, nito tinha um s6 registro contra ele at6 entlio. No dia 11 de junho Paulo Fonteles ia para Capa- nema nlio para questioner na justiga contra Josiel, como disse o "capittio" J~ames, mas para defender o irmiio, a medico Ronaldo Fonteles, num litigio de terras com o frances Roland Louis Donlzeau iniciado no dia 3 de abril. Apesar das relaq6es tensas entire as duas parties, o process ainda nito estava em fase de decisiio. Ate agora nito surgiu nenhuma pista li- gando Donizeau a Joziel, ou estabelecendo um ponto de atrito entire o comerciante e o ex-deputado. Atd que surja ao menos uma evid~ncia nesse sentido ,Josietl niio parece ter interesse direto capaz de motivar o assassinate. Mas 6 possivel que saiba mais do qoue admitiu, ou esteja em tal condiFio, de- vido a seus antecedentes, que niio possa fazer uma defesa mais frontal em relaglio As acusaqbes feitas. Elas stio insuficientes para mante-lo tanto tempo na prisho, principalmente se considerada sua legendB- ria influencia nos bastidores policiais. E mais do gue evidence que os personagens en- volvidos no inquerito, tanto na fase presidida por Otacilio Mota, como na atual, sob a responsabilidade de Bertolino Neto, escolhido pela familiar como uma esp~cie de president "ad-hoc", nito tem biografias limpidas e cristalinas. Suas vidas revelam manchas ESCI^I ApuraC~o p Com base na auditagem do Banco da Amaz8nia, a Policia Federal relacionou 280 empresas que foram beneficiadas por emprestimos irregulares autoriza- dos nas agancias de Belem e Itaituba pelo ex-diretor de credito geral e ex-presidente interino do banco, Augusto Barreira Perelra. Esses mesmos dados levaram g expediG~io, ate a semana passada, de quase 400 intimagies para pessoas que deverio depor no inquerito instaurado em Bel~m pela PF. Como a lista inclui politicos, emprestirios e pessoas notliveis ou influentes, as intimag6es provocaram impact malor, nos melos locals, do que todas as medidas econbmicas adotadas nos iiltimos tempos pelo governor. Iniciou-se, entlio, uma intense articulaglio de inastidores para modificar a feiglio do inqudrito. Se- gundo algumas fontes do setor, o pr6prio Banco da Amaz~nia, "sensivel a essa situaqiio", poderia redu- zir o alcance da denlicia apresentada g policia. O n~mero de empresas arroladas poderia ser reduzido de sete vezes, para algo em torno de 40 o que, consequentemente, evitarb que comparegam diante do delegado Fgbio Caetano para depor muitos figu- de sombra, a que tanto pode levantar suspeitas, co- mo dar-lhes a condiglio de bodes expiatbrios. Mas tamb~m ficou claro que se alguns falam mais do que sabem, outros sonegam informaqbes. E hB tam- bem os que fazem revelaq6es importantes sem rece- ber atenglio. So niio apareceu mais ningu6m que finesse re- fer~ncia ao principal personagem do primeiro capi- tulo dessa novela, o prdprio James Vita Lopes. Jo- siel Rodrigues tentou desmentir que a conhecesse, mas vacilou alguns segundos quando um jornalista fez refer~ncia a carta que o"capittio" James mandou de Stio Paulo, lembrando que James, num de seus antigos depoimentos g policia, por causa do conflito na gleba Cidapar (ele chefiava a seguranga da em- presa que disputava as terras com os posseiros), admitira ter ido ao dep6sito de Josiel. "Se ele foi, eu nlio estava lIi", responded o comerciante, final. Apenas por esses fats, entire muitos outros que uma investigagilo mais seria apontars, niio hB diivida que a reabertura do caso Fonteles, As vesperas de um arquivamento natural, langou novas luzes sobre o assassinate. Mas s6 pessoas menos exigentes ou mal informadas se satisfariam com a hist6ria apre- sentada pela policia no final de fevereiro. Ainda niio 6 a verdade, nem a palavra final, ou a mais autoriza- da. Seu maior merito terdi sido o de provocar novas perguntas e acusacdes, questionando velhas e novas respostas mal dadas. N. da R. Esta materia jik estava pronta quan- do, no dia 9, "Gaguinho" denunciou para a juiza Ma- ria de Nazare Silva que assumira a autoria do assas- sinato de Paulo Fonteles forgado pela policia, que o espancara. Gaguinho" negou toda a hist6ria que havia contado, reabrindo mais uma vez o caso Bs vesperas do despacho da juiza, que iria pedir a pri- slio preventive dos seis acusados pelo delegado Ber- tolino Neto e liberar os tras indiciados pelo delega- do Otacilio Mota, inclusive James Sylvio de Vita Lopes. O novo capitulo que se inaugura confirm as reserves da reportagem. IDALO ,ara valer ? rantes do "jet-set" paraense, como slio tratados nas colunas socilas, onde t~m lugar cativo. Essas fontes, entretanto, tentam assegurar que nito se trata de favorecimento ou de submissilo a inger~ncias espiirias, apenas porque se trata de pes- soas destacadas. Explicam que, no~ caso das inves- tigagdes feitas no Rio de Janeiro, a Policia Federal seguiu apenas as empresas que receberam emprds- timos fraudulentos, deixando de lado os casos de irregularidades que poderiam ser sanados atraves de composictio entire a banco e o client. JA na apu- radio do rombo em Beldm foram abrangidas todas as 507 operacdee deferidas por Augusto Pereira. Por isso, foram intimadas pessoas ou empresas que jB quitaram saus d6bitos ou realizaram transaq~es que niio caracterizam fraude. Se fossem chamadas a policia, apenas prestariam informaq6es e seriam li- beradas, estando fora de qualquer possibilidade de indiciamento. Para poupar esse trabalho, o pr6prio banco poderia rever a listagem. Universe de interesses Como ests, ela 6 uma bomba de vsrios megatons, que tanto pode levar a apuragiio policial Bs 6ltimas consequbncias (que nem todos 06tfiO intef688ados em alcangar), co~mo ter efeito justamente contrbrio, dispersando os aivos e impedindo o inquerito de alcangar algumi objetivo concrete. Pois tanto receberam -dinheiro empresas fantasmas, criadas no papel mas sem funcionar de fato, como s6lidos empreendimentos, com garantias reais suficientes para responder pela divida. Alguns dos beneficidrios nito apenas js foram identificados como envolvidos com a quadrilha que se instalou no Basa, como at6 confessaram o pagamento de comis- s6es aos intermedibrios, entire os quals o mais con- tumnaz 6 o filho do ex-presidente, que continue no Rlo de Janeiro mas ainda nito foi preso. A relaCho de deferimentos de Barreira Pereira s6 tem 16gica se, al6m do objetivo de propiciar ga- nhos ilicitos aos que faziam parte da rede de inter- mediaglio, ela for relacionada ao jogo de poder que so travava dentro do Banco da Amaz~nia. Os direto- res paraense e amazonense que se revezavamn na presidencia durante o v~cuo de quatro meses (Au- gusto e Mnatias Pereira) procuravam conquistar alia- clos para definir a dispute. Esse criterio explica a seleglio de alguns clients especials. Ao depor na sindictincia, Antonio Nunes da Silva, o principal as- sessor de Augusto Pereira (e tambem arrolado no inquerito), declarou que "a todo memento o Diretor Augusto recebia telefonemas dos Minist~rlos, soli- citando interfer~ncias para agilizagio de operaq~es de credito". Citou como exemplo Paulo Maia, "que ocupa, segundo o Dr. Augusto, fungdio important na P'resid~ncia da Repirblica". Ainda de acordo com Nunes, o mesmo acontecla com outros politicos, en- tre os quaia Augusto referia-se ao ex-governador Alacid Nunes, ex-deputado Osvaldo Melo e depu. tados federals Arnaldo Moraes Filho, Manoel Ribei. r~o e Carlos Vinagre. Barreira Pereira tinha o poder total quando as- sumia a presid~ncia do banco, comn a cobertura do genro, entlio o segundo na hierarquia do Minist~rio do Interior, ao qual o Base 6 subordinado. Mesmo os cliratores que sabiam das irregularidades, em crescimento fantistico, preferlam usar politicamen- to a informagilo. Por causa dessa teia de relaCaes sutis niio chegou a surpreender quando a primeira grande percussion pliblica do inqu6rito veio atravis do president do Sindicato dos Banctirios, Carlos Levy. Embora assinada pelo secret~rio-geral do PL, partido pelo qual 6 candidate g Prefeitura de BelBm, Levy estava por trss de uma durissima nota contra o delegado regional da Policia Federal, Roberto Porto, publicada com destaque (e alto custo) no "Jor- nal do Brasil" e "Correio Brasiliense". Primeiro caso Porto nito chegara a fazer qual- quer refer~ncia pliblica ao nome de Levy como en- volvido em uma das operaqbes irregulares autori- zadas por Barreira Pereira. O candidate, na verdade, reagira a perguntas de uma jornalista enviada do Rio de Janeiro pela "Folha de S. Paulo" para uma reportagem sobre ~o esciindalo do Basa. A reporter comentara com Levy que na Policia Federal ele era dado como intermedidirio e beneficidrio indireto de empr~stimos de pouco mais de 15 milh~es de cruza- dos (valor hist6rico, sem correGlio monetdria) conce- didos & Empresa de Transportes Draglio do Mar. Em- bora juridicamente instalada, a empresa nito funcio- nava. Seu donor, Carlos Pinto, evadido atualmente, era o organlzador e o candidate potential do PL & Prefeitura de Ananindeua, e jb estava em campanha. Acabou afastado do partido porque o TRE nito defe- riu seu registro. Levy acusou Porto de disseminar esse "boato" em multos encontros socials, fazendo o jogo de seus adversirrios politicos e corruptos, o que teria esti- mulado uma intense onda de comentbrios nilo s6 sobre o possivel envolvimento de Levy, seu si- 14ncio em relagilo As irregularidades praticadas no Basa, ao long da administration de Barreira Pereira, como logo apbs, no inicio das apurac;~es, contras- tando com seu feroz combat g corrupplio nas ges- ties anteriores. O journal "DiBrio do ParB", do mi- nistro Jgder Barbalho, aproveitou a oportunidade para usar contra Levy, seu maior inimigo, o mesmo feitico que ele usa contra o ex-governador: a anti- corruppio. Tal arma pode ser fatal para as preten- sies do candidate. O tom emotional da nota, 0o mesmo da reporta- gem, poderia avivar o interesse da opinitio pdblica por um escindalo das dimens6es que tem o do Basa, com um rombo de tris bilh6es de cruzados, mas tamb~m desviar, pela polgmica political, o que 6 o principal nas apuraqbes: verificar quem realmente tem culpa e reaver o dinheiro pljblico que foi des- viado criminosamente para bolsos particulares. O pr~pri~o banco, tanto pelo legitimo interesse de re- tomar suas atividades normals, desfazendo-se do estigma que Ihe foi mais uma vez Iangado, como pe- los desdobramentos politicos do caso, parecia inte- ressado em langar um pouco de Bgua na fervura, talvez uma quantidade exc~essiva. O banco divulgou seu balance annual destacando para o lucro de 3,5 bilhges de cruzados, que poderia recompor sua imagem junto ao p~blico, gragas a distribuiglio de dividends aos acionistas, mas que se sustenta sobretudo em correctio monethria e no pique inflacionfirio. Em nota official, a diretoria in- formou ainda que s6 precisou provisionar 516 mi- Ih~es de cruzados dos prejuizos que as operaCbes autorizadas por Augusto Pereira the causaram. Ou- tros 1,2 bilhilo ficaram como cr~ditos em liquida~gio e mais 1,1 bilhbo estariam em composiglio. Mas que tipo de composiglio o banco estaria fazendo para poupar-se de provisionamentos mais pesados? Um dos mais citados membros da lista de beneficifirios das operaq6es, Luis Guilherme Barbalho, irmlio do ministry Jiider Barbalho, exibiu a prova de sua re- gulariza~gio Junto ao banco, mas a nota de quitagdo de d~bito era de 8,2 milh6es de cruzados, o mesmo valor das quatro transagies da AP Engenharia (da qual Barbalho 6 um dos s6cios), sem incluir a correptio monetsria de oito meses. Ou estli faltando algum outro document, ou a conclustio 6bvia da andlise da quitaglio 6 de que o banco estd dando mais importlincia g beleza de seu balango contdibil do que g situaCio real de seu caixa quando apaga de suas contas os malsinados creditos em liquida- Cgo. Como a repercussion de um rombo de 30 milh~es de d61ares foi muito menor do que se poderia espe- rar desse tipo de event numa sociedade que con- trolasse melhor o patrimbnio pijblico e fosse mais sensivei Bs questies de moralidade pliblica, a ma- nuten~gio de multos pontos obscures alimenta a des- conflanga de que mais este crime de "colarinho branco" passardi impune, se niio houver cobranga de fora do governor. Para que essa cobranga assuma sua plenitude e tenha boa base informative, o papel da imprensa local 6 tfio fundamental quanto tem sido sua omissiio at4 agora, com a exceCio de um jornal, o "Dibrio do Parir", cuja participation tem que ser relativizada por seu interesse politico na questlio. As exportagoes feitas pelo Pars no ano passado podem ter se aproximado do primeiro bilhso de d6- lares. I' provsvel que nenhum Estado brasileiro possa apresentar crescimento semelhante nas suas ven das para o exterior. Metade das exportaq~es pa- raenses jB sso constituidas de produtos de origem mineral, que vso desbancando os itens tradicionais na pauta do com~rcio exterior, como madeira, pimen- ta e pescado. A contribuiqso paraense para o comer- clo exterior brasileiro ainda gravita em torno ~e dois ou tr~s por cento, mas js represent aproxima- damente 10% do saido commercial do pais, um nuime- ro expressive. O Para tem um peso forte no comercio de mi- nbrio de ferro, mangan~s, bauxita, aluminio, ouro, madeira, pescado, pimenta-do-reino, dend6 e, cada vez mais no future, energia. No entanto, apesar des- ses indicadores de grandeza, apontando com largas perspectives para o horizonte pr6ximo, a filtragem social dos beneficios revela um descompasso in- quietante. Embutido num piano regional de desenvolvimen to, o Para e o que o governor federal imp~e que seja. Dele, a UniHo espera que se espcialize na export FWo de materias-primas e insumos b~sicos para mer- cados previamente acertados no exterior e que, nessa relagho dte troca, gere sempre mais saldos em dolar. Internamente, sua "vocagio" 6 a de permitir efeitos multiplicadores nos centros de produgho mais adiantados, nem que o produto 16gico dessa especializagio seja alargar o vasto fosso que separa a Amazinia do Centro-Sul. O outro lado Na mensagem que enviou & abertura dos trabalhos legislativos, no dia 19, mar- cando tamb~m seu primeiro ano g frente da adminis- traG~o puiblica estadual, o governador H6Ilo Gueiros pinga alguns dos indicadores que delineiam essas amargas contradiC~es. Se ests chegando a marca de um bilhbo de d6Iares de exporta~go (o dobro do que conseguia no inicio da d~cada) e seja responssvel por 10% do saido commercial brasileiro, o Pars tem que conviver com a contrafaqZio desse aparente be- neficio do "modelo" de desenvolvimento que the foi Imposto . Sua renda "per capital que 6 apenas um pouco superior a metade da national, ainda ests abaixo da media regional. Por outro lado, aumenta o contin- gente dos que nso conseguem emprego. Entre os consos de 1970 e 1980 a populagio economicamente ativa representava 30% da populagio total, propor- Fgo que baixou para pouco mais de 18% na estima- tiva official de 1985. Em 1980 havia no Estado 1,5 milhso de pessoas com mals de 19 anos, mas 500 mil delas nso estavam trabalhando, nem mesmo in- formalmente (nos "bicos"). O pior 6 que a agropecubria, o setor que absor- via quase 60% da mio-de-obra em 1970, entrou em decadincia (37% estimado para 1985), sendo espe- rado pela primeira vez na hist6ria paraense re- cente pelo setor de servigos, "o que, obviamente, assume, nas condiqdes s6clo-econ~mico-politicas do Pard atual, a condiso de um verdadeiro esc~ndalo". Apesar de vsrlas dezenas de projetos agrope- cusrios aprovados pela Sudam para o Estado, a par- ticipaFgo do setor decaiu de quase 23% do Produto Interno Bruto emn 1970 para 20% em 1980. O incre-l mento da induistria, que passou de 12% para 31% do PIB no mesmo period, est8 long de poder re- presentar uma compensagio para a decad~ncia da agropecudria num Estado que 6 obrigado a buscar fora de seu territbrio quase 80% dos hortifrutigran- jeiros que consome. Tambem a beneficiamento industrial orienta-se para a exportaglo, o que significa receita tributbria quase nula e prejuizo nas relaciies de troca por cau- sa da compressio dos pregos dos produtos da "fron- teira". O governador Hblio Gueiros calcula que o subsidio a exportaCho tirou o equivalent a 60 mi- Ih~es de d61ares de impostos do Estado, um tergo de sua arrecadagho real. Como o governor federal, principal agent da penetraqio econ~mica na Amazinia, nio admite ou- tro caminho para o desenvolvimento senio atrav6s da exportaCgo, o governor local s6 conseguir8 rever- ter os efeitos danosos desse process questionando o "modelo". Ou quebrando a linha de subservigncia que tem marcado o relacionamento entire Brasilia e as capitals amazbnicas, tratadas como se fossem um distant e incompreensivel nijcleo colonial. Concentraqio brutal O diagn6stico da situa- glo pode parecer dramatizado para quem se deixa embalar apenas pelo acalanto do que entra na region, sem se preocupar em saber para onde vai o dinhei- ro, a quem serve e que volume sai em consequgncia do circuit criado na A~maz~nia. Os te6ricos tim dito que a Amazinia serve para multiplicar o capital, que volta g mbo do donor, ampliado, como um bume- rangue. O residue retido na region 6 absorvido por pouca gente, gerando uma concentraq~io de renda brutal, maior ath do que a concentra~go nas blreas de ocupagao mais antiga no pais, para as quals a "fronteira amazinica deveria ser uma solug~o ou uma "valvula de seguranga". A mensagem do governador registra que 35% das pessoas que trabalhavam no Estado em 1980 ga- nhavam de um salbrio minimo para baixo. At6 dois salsrios minimos, eram 66%. Nio diz, mas atrav~s de outros calculos pode-se verificar que apenas 23 mil pessoas, numa populagio de 3,4 milhaes de ha- bitantes e pouco mais de um milh~o considerados como economicamente ativos, ganhavam acima de 20 salbrios minimos (a nivel de hoje, seriam 85 mil cruzados). Com a agravante de que os dados esta- tisticos "abrangem apenas as pessoas que de algu- ma forma trabalharam em 1980 e, portanto, nio di- zem respeito propriamente aos desempregados", como ressalta a mensagem. Com um mercado inter- no desse porte, resultado 16gico do "modelo" im- posto g Amaz~nia, nho chega a surpreender o colo nialismo a que ela estd submetida. Hg maneira de impedir a continuidade desse " modelo" que enriquece o agent do process, empo- brecendo o paciente, os natives e seu mundo? HE, certamente. Mas, ao tragar seu perfil na primeira mensagem que enviou ao Legislativo, o governor H61io Gueiros parece admitir que nio est8 a altura dessa missio, ou nho est8 disposto a ir As Ij1timas consequ~ncias desse desaflo. GOVERHO que o d~esafio Menor de Ou seja, o governor Gueiros recebeu uma heran- ga maldita em meio a fanfarras que the sugeriam festa. Sempre que pode, o governador lembra que a cada tris meses 6 obrigado a amortizar um empresti- mo de 20 milhBes de d61ares contraido por seu an- tecessor junto ao Banco do Brasil trgs dias antes de entregar o cargo. As parcelas sho reajustadas pela atualizacgio do d61ar, nho dando tempo para o gover- no respirar. Trata-se, na verdade, mais de um "pa- pagaio" tomado nos extertores do governor anterior para pagamentos de 61ltima hora, sem a menor caute- la em relagio aos custos da operaqio, como se o go- verno fosse um comerciante asfixiado que assina uma nota promiss6ria no balcho de um banco. Mesmo sem o dizer explicitamente, o governa- dor sugere na mensagem que ests de bragos atados. Embora uma estatistica indique certo alivio orGa- mentdrio gragas g redugio das despesas correntes, o saido liquido para despesas de capital 6 reduzido porque pouco mais de 10% da receita estadual foi destinada g amortizaglio da divida. Computando os recursos que repassa e as despesas com pessoal e encargoe socials (quase 60%), a mensagem conclui que as despesas c~ompulsbrias chegaram, no ano pas- sado, a quase 89%, "sobrando para o Governo a exi- gua margem de liberdade de decidir sobre menos de 11,4%". O quadro pode ser mais ou menos esse, mas nio 6 exatamente esse. Como seu antecessor, o go- vernador HBlio Gueiros continue administrando im- peridlmente o Fundepard (Fundo de Desenvolvimen- to do Estado do ParB). O Fundo represent 14,4% do orgamento, mas foi embutido na conta das despe- sas vinculadas, que o governor nho poderia dispor B sua vontade. No entanto, como Jgder, Gueiros des- tina recursos do fundo sem qualquer tipo de consul- ta ao Conselho Superior de Desenvolvimento, que seria o drgio competent para isso e que nho se reljne ji hB cinco anos. Assim, o Fundepar6 quase se transformou num caixa dois a disposiGao do go- vernador, que o aplica mesmo sem levar em consi- derag8o certas vinculaq6es, como as que sio im- postas pelo Imposto Onico sobre Minerals, ou os abjetivos que justificaram a criaG~o do fundo, nada coerentes com a dispers~o desordenada dos recur- sos segundo critbrios politicos. Esse 6 um trago de continuidade da administraqio anterior que em nada credencia a atual. Pela terceira vez nesta decada a receita global do Pard diminuiu em relagho ao ano anterior. Isso nto ocorria desde 1983, mas voltou a repetir-se em 1987, como jB havia acontecido antes, em 1981. Na sua mensagem annual, o governor procura atenuar o sig- nificado dessa retraq~io lembrando que a queda foi relativamen~te mnenor do que a s~ofrida por outros Estados, nho deixando de anotar, entretanto, que e!a deu-se apesar do esforgo para aperfeigoar a msquina de arrecadaG~o. Em termos reais, a receita estadual dobrou nos Gltimos 10 anos, passando de oito bilhbes para lo'"4 bilhoes de cruzados entire 1978 e 1987. Aparente- mente, pbde assim absorver os efeitos de um cres- cimento demcgrdfico qlue foi de aproximadamente 50.:0 nesse period. Mas o mncremento foi obtido grages, sobretuldo, a operaqaes de cr~dito, boa parte das quais t~m sua aplicaqio previamente vinculada. Nao podem ser usadas livrernente pelo governo. Esse endividamento se mntensificou no governor Jd- der Barbalho, que em 1985 elevou-o em 1.361%, fa zendo-o passar de 1,2% para 11% do orgamento. Em 1986 houve uma pequena redugBo nessas operag~es, que ficaram emn 9,4% do orgamento, mas a administration Barbalho transferiu ao governor Gueiros um orgamento com 17,9% de empr6stimos. Registra o governador na mensagemn que se as re- ceitas pr6prias (menos 5,7%) e as transferidas (-- 17,4%) cairam, "aumentaram significativamente (84,5%) as entradas de dinheiro B conta das opera~ 95es de cr6dito, sendo que estas operaqbes tinham elevado sua participagio no total para astronomi- cos 17,9% ". ,Mial disfargando um ressentimento no texto, a mensagem lembra um outro detalhe "que particula- riza 1987 multo mais: 6 que nada menos de 77,5% dos recursos provenientes das operag6es de cr~dito foram especificamente destinadas a pagar dividas contraidas anteriormente". E traduz para quem pode nao ter apreendido exatamnente o significado: "alim de se defrontar com uma recessio a nivel national, que afetou severamnente a economia paraense, o Governo Estadual arrostou, em 1987, quedas nas re- ceitas total, prbpria e transferida e, ainda por cima, o linico segment que mnostrou elevaCio estava com- prometido majoritariaments com a amortizaGio da divida". Sob a transparincia, Se um dos objetivos da mensagem que o gover- No que se nador Hdlio Gueiros encaminhou g AssembiBia Le- pessoal, o go~ gislativa era o de tornar o governor transparente a usou expressBe partir da heterogeneidade que a caracteriza" o resul- lhos", "engolir tado n~o poderia ser melhor. A comegar pela errada recorreu a um concordancia da frase (a heterogeneidade 6 do go- uma frase de verno, nho da transparbncia) e vkrios outros erros, vara curta", qu que poderiam ser corrigidos numa revisio mais aten- inspiraGio, mer ta, at6 o desencontro de estilos. nal (cutucar ou Publicada no format de um livro, com 431 pB- vel destinat~rio ginas, a mensagem, "ao lado de seu valgncia politic Produzida c ca, tem uma inegsvel importancia como registro num audit6rio i hist6rico", atesta o pr6prio texto, com a auto-pre- se chocou tanl tensho de se transformer "numa especie de obra de do texto inaugl refer~ncia". JB na leitura da apresentaglio no plend- esgaivarva e el rio da Assemblbia, o document causou certo es- per um dici~onb panto. nocratas do go\ umT vacuo Presume ter sido sua contribuigio vernador, um Jornalista professional, es como "misturar alhos com buga- gato por lebre", "devagar e sempre", "prudenties" e foi remexer no bad Janio Ouadros, "chugar a onga comn ie, sem considerar a infelicidade da ecia ao menos uma adap'taglio regio- catucar diz mais ao poviio, presumi- Sda mensagem, do que chugar). :om o deliberado prop6sito de ser lida solene, a abertura da mensagem qua- to, por seu estilo, quanto a sisudez ural do governor Aloysio Chaves, que idia quest~es para ouvintes ansioses rio. Jg no restante do texto, oa tec- verno HBlio Gueiros perpetraram suas atadas AdministraCao maos invenC~es vernaculares, desferindo "tecnicalidades", "mais prioritsrio", "oportunizar", ou recqrrendo a neologismos de suspeita criatividade, como "adho- crdtico". Talvez receando pelos efeitos dessa inventive salada de frutas, o redator pede v~nia antecipada- mente, explicando que "em virtude dos dados forne- cidos pelos 6rgiios terem sido melhores ou piores - ou por outras raz~es hB mat~rias bem tratadas, outras mal e outras nem isso". Jg a redagio "tem a inconvenient marca da press (a Mensagem foi montada em exiguo tempo) e pode ser menos ex- pressiva ou mais redundante do que deveria". Rapi- damente admite que "pode ter ocorrido falha de copy-desk'', mas tamb6m arrisca que as absorventes funqdes da administration nito dito tempo para os "possiveis editors finals" trabalharem em documen- tos. No texto que tem sua assinatura, o governador HBlio Gueiros demonstra estar com olbos voltados para a hist6ria e a conjuntura political, remexendo o passado e estocando o present. Critica a reagio dos que se opuseram a sua pretendida iniciativa de "colocar alguma ordem no caos que tempos de las- sidito, amoralismo e regimes de 'mateus, primeiro os teus' infelizmente disseminaram em nossas pla- gas brasileiras". Admite que "a m~quina pdblica paraense, nio fugindo B infeliz regra brasileira, est8 inchada". Critica o tratamento dado aos professors, "que deviam estar no centro do setor, (mas) tam sido anos a fio desprezados, espezinhados e marginaliza- dos da gestlio educational". Passa recibo g revoga- clio do decretco-lei que federalizou as terras devolu- tas estaduais como "uma vit6ria maidscula", embora js tenha sido demonstrado suficientemente que isso nhlo ocorreu. Nilo explica por que o Mirad, dirigido por um paraense, jB fez conv~nio comn o governor de Stio Paulo para regionalizar a reform agrbria, mas niio com o governor do seu Estado, onde o process est& atrasado. Marcada pelo "trago 6tico" de "falar tamb~m da- quilo que nho deu certo", a mensagem sucumbe 8que- la velha constatagito de que boa intenglio nito 6 pas- saporte para o ceu, nem sinceridade o suficiente para agir certo. O governor complete um ano enre- dado em suas metas, atado ao seu passado e sob o peso do acervo que lhe foi transmitido quase como um espdlio. in Vinte anos depois de seu inicio e 10 anos ap6s comegar a produzir, o projeto de um enorme plantio de arroz na virzea do rio Amazonas, idealizado pelo miliondrio norte-americano Daniel Keith Ludwig, est8 pr6ximo do fim. A Companhia do Jari, formada por 22 dos maiores conglomerados econbmico-finan- ceiros do pais para substituir Ludwig no control do Projeto Jari, decidiu que at6 o final do ano ter8 de- sativado o arrozal se nito conseguir, antes, pass8-lo adiante. Como outras empresas privadas do setor nito se interessaram pelo projeto, a Gltima esperanga, mais uma vez, seria o gorverno. Os ministerios da Reformna Agrdria ou da Agricultura poderiam assumir a plantagilo. Essa decisiio foi comunicada ao governador H6- lio Gueiros, em Belem, pelo president do conselho de administra~gio da Companhia do Jari, o ex-minis- tro e general da reserve Costa Cavalcanti. Ele ale- gou que, desde a primeira safra, colhida em 1977, a Slio Raimundo Agroindustrial vem dando prejuizos entire tris e cinco milh~es de d61ares por ano, que os novos dons nito estlio mais dispostos a tentar absorver. O conglomerado national assumiu o Projeto Jari das miios de Ludwig em abril de 1982, mas, durante dois anos, resistiu g absor~gio da Sho Raimundo, jb entlio acumulando grandes "deficits". Depois de di- ficeis negociaC~es, Ludwig passou em frente seu projeto de arroz por um valor simbblico, mas o em- preendimento nlio alcangou sua viabilidade. Ao inici8-lo, um ano depois de haver adquirido uma vast possessito de terras na foz do rio A~mazo- nas (que imaginava, na 6poca, comn 3,5 milhaes de hectares, mas cuja titulagilo s6 garante a dominio sobre 10% desse total), Daniel Ludwig previa que seu projeto, abrangendo 14 mil hectares de solos Inund~veis, produziria tanto quanto toda a Amaz~nia e teria condiC6es de competir no mercado interna- cional. Mas, segundo as informaqGes de Costa Caval- canti. um quilo de arroz da Jari chega a Belim pelo mesmo prego do arroz produzido no Rio Grande do; Sul, que percorre distlincia sete vezes superior. Houve apenas uma exportagilo, para a Itslia, ainda em 1977, mas desde entlio o arroz da Jari ficou res- trito a consumidores no norte e nordeste. Usando a mais sofisticada tecnologia da bpoca, Ludwig previa que o arrozal lhe permitiria faturar 45 milhdes de dolares ao ano, com lucro de nove mi- lhies de ddlares, mas esses nirmeros se tornaram de- lirantes. Uma usina de beneficiamento, com capaci- dade para proc;essar de 60 a 80 mil toneladas por ano, s6 funciona trgs meses por ano. A brea planta- da, que deveria se estender por 14 mil hectares, nito foi alem de tr~s mil, enquanto a produGlio, esperada para 160 mil toneladas, estancou em 25 mil. Com um passive monumental, o future do em- preendimento estaria entire duas alternatives. A pri- meira seria o seu simples cancelamento, com a des- mobilizagilo de 1.500 pessoas. A outra seria a sua conversito para a criaglio de b~falos ou o plantio de outras cultures, entire as quals o milho. Como em relaglio a outros projetos idealizados por Ludwig para o vale do Jari, os novos proprietirios parecem esperar muito do governor para essa converstio, tal- vez entregando a colons agenciados pelo Mirad um plantio que o milionsrio americano fez tudo para manter B distlincia deles. Ao tentar mostrar que as ricas virzeas amazdnicas podem produzir alimentos em grande quantidade, Ludwig um fiel sacerdote das prsticas e mentalidades colonialistas esco- lheu o caminho errado, da opplio pela intensividade da mbquina e do capital, pelo desprezo As condiCges ecol6gicas do local e por uma tecnologia adequada a ela. Agora, para remir esse pecado, todos teriam que pagar um pouco. E a Amazinia mais ainda. f~ pos- sivel que, esquecendo as razoes e origens do erro, se prefira a viciada liCio das consequgncias: que as v~rzeas amazanicas slio mesmo invibvels. JARI Erro made Brasil especializada do governor no setor fundi~rio e obri- gando-o a rec~orrer ao minist6rio pliblico federal, ja assoberbado de serving. Essa restri~gio, fixada na pr6pria lei, val impedir que o institute contest as empresas, como a Agro- pecus, que tem recorrido b aGio declarat6ria para obterem da Justiga o reconhecimento de serem em- presas rurais e, nessa condiCio, imunes g desa- propriaglio por interesse social. Administrativamente o incra havia conseguido descaracterizar a Agropecus como empresa rural, embora ela tenha projeto aprovado pela Sudam. A Agropecus passou a ser Iatiflindio por explora~gio. De seus 43.417 hectafOS, nO municipio de Conceiglio do Araguaia, 25.970 hectares deveriam ser desapro- priados e redistribuidos entire 127 families que ocu- param parte das terras. Editor respons~vel : LWclo Fl~vio Plnto Enderego (provis6rlo): rue Aristides Lobo, 871 Bel~m, Para, 6e.000. Fone : 2243728 DiagrarmaFlo e ilustrag~o: Lulz Pinto Opple Jornalistica do Como a aqio nito de direito a participaqiko na administration da empresa, seu Oinico retorno serlam os dividends a serem pagos a partir do memento em que o empreendimento comegar a dar lucro. Isso demora multo a acontecer, quando ocorre. A maioria dos projetos da Sudam permanece sob a tutela do fundo muito mais tempo do que o normal ou aceitfrvel gragas a v~rios mecanismos, um dos quais 6 sua volta constant ao Condel (o Conselho Deliberative) para reformulagdes, atualizaC~es, mo- dernizagdes, etc. He projetos que, dessa maneira, ficam recebendo incentives (que podiam chegar a ate 75% do valor do projeto, se ele recebesse - como a maioria recebia prioridade um) por oito, 10 ou 15 anos. Mas, ainda que a proporglio seja insignificant, alguns acabariam tendo qlue pagar dividends ou tendo qlue apresentar contrapartida mais efetiva. Nesta circunstancia e em mais alguns outros ca- sos a melhor alternative 6 recomprar as agbes no leillio, o que ainda permit um bom lucro finan- ceiro. A parcela majoritsria das ag8es oferecidas no dia dois foi cotada a um cruzado por unidade, quando o valor de mercado 6 Cz$ 6,60 e o valor patrimonial (num caso aleat6rio) de 23,19. Um comprador pode- ria ter lucro imediato de at6 50% graqas a essa simples diferenga de valores, alem de desobrigar-se junto ao fundo dos dividends. Esse estranho mercado, que nada tem a ver com o desempenho produtivo das empresas ou as regras ferozes do mercado aberto de agbes, s6 se mant~m porque seu grande combustivel 6 o subsidio gover- namental, subsidio que, em suas engrenagens soltas, estimula o mero jogo especulative praticado selva- gemente na Amaz8nia. agraria Em outubro do ano passado o governor federal criou o Inter (Instituto Juridico das Terras Rurais) em substituiCtio ao Incra (Instituto Nacional de Colo- nizaqilo e Reforma Agrdria), seu linico 6rglio de a~gio fundidria. Quatro meses depois, est8 mais do que demonstrado que o novo institute serge incapaz de ocupar o espago do antecessor. Na troca, o governor saiu perdendo, saido dificil de imaginar diante da car~ncia de que ji se ressentia o pr6prio Incra. Essas limitaq~es estlio se evidenclando no ParB, numa das v~rias aqijes de desapropriaglio que fica- ramn mais dificeis de executar em consequgncia da mudanga institutional. O juiz federal Aristides Me- deiros nito aceitou que o Inter, como successor do incra, participasse de uma agilo cautelar proposta pela Agropec~us, que teve parte de sua propriedade incluida no plano regional de reform agrsria. Segundo o juiz, a lei 2.363, que criou o Inter e inibiu ainda mais a reform agrdria, niio previu a atuaglio do novo 6rglio em feitos como a aglio cau- telar. Nesse caso, quem deveria se apresentar seria a Unitio Federal e nlio seu institute de terras. A lei estabeleceu que o novo 6rgilo poderia atuar apenas nas desapropriaqbes, nas discriminat~rlas e na exe- cugio fiscal, para a c~obranga do ITR (Imposto Terri- torial Rural). Por isso, o Inter perdeu muitas fun- g8es que o Incra desempenhava, prejudicando a agii0 faz-de-conta Agoes: o jogo Quem fosse ao audit6rlo da Associaqilo Comer- cial do Parb, em Belem, no dia 2, teria uma surpresa. Ao inv~s do nervosismo e da dispute caracteristicas de uma venda de ag8es conventional, o leillio espe- cial do Finam, que comercializa ag6es de empresas incentivadas pela Sudam, era de uma calma e uma ordem mais adequadas a um convento do que a um pregso de bolea. Estavam sendo oferecidas pouco mais de 30 milh~es de aGC~es de 125 empresas, das quais apenas 515 mil agbes, de cinco empre- sas, chegaram a ser apregoadas. Mesmo os que disputavam essas poucas agiies acabaram acertando quantas cada um levria e a que prego. Todas as ou- tras foram vendidas por acerto direto, sem a neces- sidade do lance a "viva voz". No vasto sallio havia poucas pessoas e o ujnico pretendente que nao era das prbprias empresas in- centivadas representava o Banco do Brasil, que tra- dicionalmente usa parte do seu imposto de renda no Finam, o fund de investimentos admmnistrado pelo Banco da Amazania e a Sudam. Na verdade' s6j quem possui os Cl (Certificados de Investimen- to), que representam as aplicaq6es feitas, pode par- ticipar do leillio. onde esses documents slio usados em lugar de moeda nas transaG6es. Em geral, quem arremata as agiies slio oa prciprios dons dos em- preendimentos . Essa situaglio aparentemente esdrujxula aos ~olhos de um observador desavisado tem uma expli- captio. Como contrapartida ao dinheiro que recebem da Sudam para Implantar seus empreendimentos, as empresas beneficiadas emitem ages preferencials (sem direito a voto) em favor do Finam, que, reunin- do-as, forma uma carteira de papeis que circulam em circuit fochado, apenas entire as mesmas empresas do sistema. em refluxo A reform |
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