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No 9 Circulagio apenas entire assinantes 14 Ouinzena de Janeiro de 1988 GARIMPO Ou ro: a gue rra su ja Serra Pelada continue sendo um caldeirio de interesses, explodindo todas as vezes que eles entram em cheque. A tIltima batalha gerou, como sempre mortos. Mas a verdade ainda vai demorar a aparecer. orrer 6- um ft orqiopaam lhae pessoas (60% delas, no minimo, maranhen- ses) que trabalham ou circulam pelo garimpo de Serra Pelada, no sul do Pard. Oficialmente, dali Js foram extraidas mais de 40 toneladas de ouro. rt riqueza superior a 52 bilhees de cruzados, duas vezes o orgamento do Estado para 1988. Diz-se - em estimativa modest que mais metade dessa produ~go official deve ter said ilegalmente, sem re- gistro. E faganha sem paralelo para garimpo que nio ocupa 50 mil metros quadrados de grea, ou cinco hectares. Dos 100 bilhaes de cruzados qlue Serra Pelada gerou, por via legal ou illegal, reduzidissima fragio ficou nas mios dos milhares de homes, humildes e rudes, que se acostumaram a condigdes de traba- Iho medievais e ao permanent c~ircuito da viol~ncia e da morte. Dezenas je morreram debaixo de terra e pedras roladas das encostas dos barrancos, apa- nhando-os nas laterals ou no fundo da cava, um bu- raco de mais de 100 metros de profundidade (equi- valente a um predio de mais de 30 andares), que s6 nio fica sempre alagado porque bombas de sucio funcionam sem parar, tirando Bgua. Assim como nio se sabe quanto exatamente Serra Pelada jB produziu de ouro, o nlimero correto de mortos no garimpo 6 desconhecido. Essa conta- bilidade macabra foi reforgada no dia 29 de dezem- bro, quando 350 homes da Polic~ia Militar avangaram sobre 1.500 ou dois mil garimpeiros (apesar de refe- rdncias exageradas a at6 cinco mil), acampados na ponte rodoferrovibria sobre o rio Tocantins, a seis quil6metros da cidade de MarabB, langaram bombas de gas lacrimoggneo, deram golpes de cassette e dispararam tiros de rev61ver e fuzil. Um piauiense de 33 anos morreu no local, comn o abdomen varado por uma bala de fuzil, e outro quando tentavam atend6-lo no Hospital da Fundagio SESP. Atd o final da semana passada eram os dois unicos corpos de vitimas oficialmente reconhecidas. Outras 20 pessoas, entire as quais uma mulher e um menor, receberam atendimento no mesmo hospital: estavam feridas a bala ou apresentavam lesaes cau- sadas por espancamentos. Mais da metade dos fe- ridos por disparos foram atingidos por tr~s, quando corriam. Depois de medicados, todos foram dispen- sados, sem necessidade de hospitalizaCio. O jogo da morte Mas a violgncia usada pela Policia Militar alimentava a convic6Bo de que o nB- mero de vitimas poderia ter sido bem maior. Havia a possibilidade de corpos terem caido ao rio Tocan- tins, quase 70 metros abaixo da ponte de concrete e aco, a principal obra de arte da ferrovia de Carajis e do complex rodovibrio entire o Maranhio e o Parb. Jom Pessoa Lrcio Flsivio Pinto Antes mesmo de qualquer confirmaCio, as especula- goes adquiriam conternos de denaincia ou mesmo de verdade. A4 morte est8 na agenda dibria dos garimpeiros de Serra Pelada. Vbrios morreram por insistlr em trabalhar clandestinamente, a noite, em locals inter- ditados. Sabiam que a escavaG~o poderia provocar desmoronamentos, mas a "febre do ouro" foi moti- vagao nlais torte. Nemn todos os mortos foram re- clamados per parents distantes, como o home oranco, torte, de cabelos louros, que teve o pulmbo atravessado por uma bala e permanecia 21 espera de identifica~go em Marabb, como a segunda vitima confirmada do cheque comn a PM. Informagao exata 6 produto raro no caldeirbo de tenses e inte~resses de Serra Pelada. Qualquer in- formaghio serve para alguma das multas parties en- volvidas, por acordo ou litigio. O governador HIlio Gueiros, por exemplo, repassou g imprensa a ver sho da PM de que os ocupantes da ponte teriamn reagido a bala e sustentado um principio de tiroteio. No entanto, nenhum home da PM queixou-se do menor ferimento. Ainda que a verso oposta, de que todos os garimpeiros estavam completamente desar- mados, parega inverossimel, um balango dos aconte- cimentos deixava mais do que evidentes oa exces- sos praticados pela tropa. Agente oculto AI6m de erros na condugho da operagho de desobstrugho da ponte, fica nitida a impressio de que a PM esperava uma reaqio dos garimpeiros multo mais agressiva do que a d6bil tentative de grupos reduzidos, estimulados pelo 6l- cool ou por alguma palavra-de-ordem mais agressi- va. E prov~vel tamb6m que oa garimpeiros nho es- perassem uma investida t~io violent como a da tro- pa. Pouco mais de um m~s antes a policia disparara para o ar quando foi liberar a Belgm-Brasilla, blo- queada por moradores da vila M~e-do-Rio. Na ponte do Tocantins s6 os primeiros tiros foram para o ar; depois, buscaram aivos. Essa attitude agressiva pode ser explicada pela expectativa criada dentro do prbprio governor. No final da tarde do dia 29, vgspera do conflito, a dele- gacia da Policia Federal em Marabi informou que os garimpeiros decidiram reagir a qualquer tentative de represslo pondo fogo "em todos os veiculos que so encontram na referida ponte e manterem como re- fem o dr. Nelson Marabuto, que preside as negocia- g6es em Serra Pelada em nome do ministry do Inte- rior"'. O governador H61lio Guelros recebeu o tele- grama da PF na manha do dia 30. Pouco depois de- terminava que a PM s6 aguardasse a desocupagio espontinea da ponte at6 o final da tarde. A desobs- truGhb teria que ser feita antes da noite avangar, "de qlualguer maneira". Na vespera e ao long da terga-feira o governa- dor recebeu seguidos telefonemas de Brasilia e do Rio de Janeiro.O chefe do SNI (Servigo Nacional de Informag6es), general Ivan Mendes, e o president da Companhia Vale do Rio Doce, Agripino Abran- ches, manifestavam preocupaCio comn a manutend8o do bloqueio. A CVRD construiu a ponte e a terrovia de Caraj~s, que Ihe custaram 1,5 bilhio de d61ares, para usa-las no escoamento da produgio de minbrio para embarque no porto da Ponta da Madeira, no li- toral do Maranhao, a 870 quilbmetros da mina. f o segundo maior eixo de exportagio do pais, que a Vale opera na condigio de concessionbiria federal, que exercer8 pelos pr6ximos 50 anos. O carregamento dos navios que vgm de v~rias parties do mund~o, mas sobretudo do Japho, em busca do excelente minerio de ferro de Caraj~s nso pode- ria ser prejudicado pelo bloqueio do trifego de trens na ponte, ainda que a suspensio durasse v~rios dias. O porto tem um estoque estrat~gico jus~tamente para prevenir eventualidades desfavor~vels. MVas dificil- mente compradores europeus e japoneses entende- riam que uma ferrovia de tal importancia tivesse sido paralisada por garimpeiros dispostos a morrer para garantir seu melo de sobrevivencia. Paises de- senvolvidos nio t~m mais ease tipo de problema hB dgcadas, ou hB mais de seculo. Os mais insistentes telefonemas, porem, foram dados pelo ministry da Justiga. Sem nunca ser pro- priamente explicit, o ministry Paulo Brossard - cujo interesse recent pelo conflagrado sul do Pard chega a ser com~ovente insinuava a necessidade de o governor estadual assumir plenamente a tarefa de garantir a seguranga pdiblica dentro de seus limi- tes e algada. Mas Brossard n~o fez qualquer refe- rancia ao que estava fazendo (e falando) a Policia Federal, uma depend~ncia do Minist~rio da Justiqa. As relag6es entire o ministry e o director do DPF, delegado Romeu Tuma, estlo mais do que deterio- radas. O governador assumiu todas as responsabilida- des pelo que a PM praticou na ponte, negando que as ligag6es de Brasilia e do Rio de Janeiro tivessem influido sobre o rigor na ordem de desobstrugh~o. No dia seguinte recebeu uma esp6cie de console: o comandante da 8a Regiho Militar, general Romero Lepesquer, o visitou no Palicio Lauro Sodre e, sob o pretexto de cumpriment4-lo pelo ano novo, infor- mou-o de que o Exercito reforgaria o 520 Batalhio de Infantaria de Selva, em Marabb, com 150 homes remanejados do 29 BIS, em Belem. A tropa chega- ria ostensivamente a Marabs para ser notada por todos, ainda que nio interviesse na operaGio, man- tida exclusivamente pela PM. A justificativa apre- sentada foi de que o 52Q BIS estava desfalcado em seu efetivo por causa das liceng~as de final de ano. Guerra estranha Foi esta provavelmente a linica iniciativa de apolo do governor federal ao es- tadual. O president Jos6 Sarney telefonou de seu retire maranhense, na ilha do Curupu, mas, segundo fontes de Brasilia, limitou-se a cumprimentar o go- vernador e agradecer-lhe o apolo. Gueiros tamb~m nio provocou a questio incbmoda. No entanto, nho faltaram petardos contra o governador. Os mais agressivos, naturaimente, vieram dos garimpeiros. Os mais graves, no entanto, partiram do paiol da Policia Federal. Ja na quinta-feira che- gou a Serra Pelada um enviado especial, delegado Wilson Perp~tuo comn a mission de fazer uma avalia- glio da situaglio e relatar suas observaq~es ao mi- nistro Paulo Brossard, antes entregando-as a Tuma, naturalmente. Ele passou quase todo o tempo em Serra Pelada mesmo (fez apenas uma rspida incur- slio a MarabB), ouvindo garimpeiros. Ouviu, como os outros 15 ou 20 agents da PF na grea, o auto-assumido organizador da ocupagio da ponte, Victor Hugo, 37 anos, ameagar -- num comicio feito no palanque do garimpo destruir trechos da ferrovia se os terms do acordo assina- do com o representante do Ministerio do Interior, Nelson Marabuto, nito forem cumpridos pelo gover- no. Victor Hugo garantiu que os garimpeiros t~m dinamite e sabertio us8-la para explodir os trilhos, que passam a pouco mais de 20 quilimetros ao nor- te da cava. Um agent, consultado, minimizou a declaraglio: "Os garimpeiros estlio de cabega quen- te", disse, sem negar, entretanto, a possibilidade. Fora de Serra Pelada uma tal ameaga teria gerado imediatamente process pela Lei de Seguranga Na- cional, que a Nova Repiiblica ainda mant6m. Victor Hugo, que tem participation em alguns barrancos e B fornecedor de garimpeiros, nio foi incomodado. Quase tiio agressivo quanto Victor Hugo, foi o delegado substitute da PF em Serra Pelada, Isaias Munhosa (o titular, Paulo Duarte, que 8 nome de hospital, estava de licenga quando ocorreram os incidentss. Isaias acusou a PM de ter ocultado ca- diveres, assegurava que havia pelo menos oito mor- tos e dizia ter uma relagilo de 79 desaparecidos que tamb6m poderiam ter morrido. JB em Brasilia, Marabuto aproveitou o mote e anunciou para o "Jor- nal do Brasil" que os mortos poderiam chegar a 100, com base em uma list que ninguem chegou a conferir. A "febre do ouro" O comportamento da po- licia em Serra Pelada discrepa em relaglio ao que B usual em outras Breas menos carregadas dessa tensilo especial que o ouro provoca. Na resposta, o governador H61io Gueiros foi explicit quando se referiu B "febre do ouro", apontando a porcentagem destinada g cooperative, 5% sobre a produgio total, como um fator de fascinio e seduglio. De fato, tris diretorias e duas interventorias passaram pela directio de uma cooperative que se julga a maior do pais, com 50 mil associados, e sem d~vida g uma das mais polbmicas, para dizer o mi- nimo. Suas contas sio uma confus~o, suas dividas um assombro e o tratamento principesco que dis- pensa aos diretores, remunerados com sal~rios de marajss, contrast com a pobreza da esmagadora maioria dos filiados. Mas Nelson Marabuto, depois de atribulada administra~gio na presidencia da Funai e metecirica passage pela subsecretaria de Segu- ranga Pljblica do Rio de Janeiro, JA aposentado da Policia Federal, nega a carapuga e devolve a acusa- glio ao governador, travand~o comn ele um duelo se- melhante ao que envolveu o president da CNEN (Companhia Nacional de Energia Nuclear), Rex Naza- reth Alves, sobre a deposiglio do lixo atbmico no ParB. Marabuto diz que 6 pobre e honrado. Outros jB fizeram a mesma declaraglio, mas 100 bilhoes de cruzados, a valores de hoje, 6 multo dl- nheiro. As riquezas que possibilitou acabam apa- recendo. As riquezas que promete s~o uma tenta- glio. O ex-todo-poderoso chefe de Serra Pelada, o "major Curi6" do SNI, que imprimiu a face de Serra Pelada quando p~s para correr oa compradores in- dividuais de ouro, 6 hoje, ele pr6prio, um bem-suce- dido comprador, depois de exercer um rjnico man- dato de deputado federal pelo PDS, obtido gragas a uma campanha milionbria, que os "capitalistas" de Serra Pelada financiaram. Identidades mutantes A mera observaglio vi- sual seria suficiente para distingiiir os homes e mu- lheres que bloquearam a ponte dos que, a seis quilb- metros dali, se sentavam na mesa de negociagbes, na sede da Prefeitura de MarabB, limpos, perfumados a bem vestidos, para negociar o acordo em nome dos garimpeiros. Tantas e tiio desconexas liderancas acabaram prejudicando o movimento, que, em outras ocasi~es, conseguia aparentar maior coestio e uni- dade. Para que o acordo assinado na Prefeitura pu- desse ter algum valor toi necesabrio buscar adestio para ele na serra e na ponte. Os negociadores tive- ram que gastar horas no convencimento de pessoas sem interesses afins. O document acabou perden- do coerancia e forga. Esse resultado nito surpreende. Os garimpeiros fizeram a obstruFio da estrada no inicio do inverno, epoca pouco apropriada para a movimentaglio de terra. Mesmo que o rebaixamento emergencial seja executado no prazo previsto por ,Marabuto, de 60 dias, dificilmente permitird o reinicio das atividades, Poucos acreditam no cumprimento de outros itens, comlo a definiCtio do rebaixamento definitive, que exi- girs 80 vezes mais serving e custard 12 vezes mais. Mais do que em qualquer outra ocasillo, fica palp~vel a sensaglio de que os sofridos garimpeiros, expondo- se ao risco da morte diante da policia, defenderam menos seus interesses do que oa de outros grupos personagens obliquos e quase Invisiveis nessa obs- cura hist~rla que 4 Serra Pelada. Durante quase trgs anos o garimpo de Serra Pelada foi comandado por um tenente-coronel do Ex~rcito, que era agent do SNI (Servigo Nacional de Informagies), 6rglio destinado por lei a assesso- rar o president da Repljblica. Esse coordenador se apresentava de pljblico por um pseud~nimo e se di- zia membro do Conselho de Seguranga Nacional, o mais alto colegiado da administraGio pliblica, for- mado pelo president e todos os ministros, que nun- ca protestou contra o uso indevido de seu nome. Ningu~m tambem reagiu por um 6rgio de assesso- ria do president assumir fungBo operacional e para legal. Semi-deus durante esse period no garimpo, o ex-deputado federal Sebastiso Rodrigues de Moura, o "Curi6", 6 hoje umn nome execrado em Serra Pela- da. Mas 16 continuam trabalhando dois matadores que "Curib" recrutou na pr6pria regiho para comba- ter a guerrilha do PC do B, depois instalou como agricultores na OP-3 (estrada primbria aberta pelo Ex~rcito) e, finalmente, levou para o garimpo como "olheiros" e guarda-costas. "P6-na-cova" teria cor- tado a cabega de "Osvaldho o lider da guerrilha. Mas 6 discrete. Hist6rias assim bizarras fazem parte da "nor- malidade" em Serra Pelada, O Oinico garimpo criado por lei e mantido pelo contribuinte brasileiro. Ali 6 considerado garimpeiro tanto o secretirio-geral do sindicato, Milton Gatti, o home mais rico de Serra Pelada, donor de fazendas e posto de gasoline, que fornece para 160 barrancos, como Jesus Pinheiro, o ex-assessor pessoal do entio ministry das .Minas e Energia, C~sar Cals, que possum quatro barrancos em posiCtio privilegiada. Uma relagio de detentores oe barrancos, que estio por tr~s de milhares de "sa- queiros", "mneias-pragas" e "testas-de-ferro", sur- preenderia mais do que a lista de "doagies" dos banqueiros do jogo do bicho. Para o "formiga", o home que escava o fundo do buraco e carrega a terra rros ombros, o "bambur- ro" de ouro 6 uma possibilidade tio plausivel quan- to ganhar o grande prgmio na loteria esportiva. Au- mente ou diminua a produgho, para esse enorme con- tingente flutuante, que jB chegou a reunir mais de 50 mil homes, trabalhar ali rende um prato de co- mida e 20 cruzados por cada saco de terra. O rejeito 6 c~onduzido para autinticas fortalezas, onde B lavado e dali se extra atualmente a maior parcela da produg~o de ouro, JB que apenas dois ou tras por cento dos barrancos est& em atividade. O morro artificial de rejeitos que se formou das exca- vaqdes deve center, segundo c~lculos conservado- res, mais de 10 toneladas de ouro, que valeriam ago- ra 10 bilh~es de cruzados. Essa 6 a linica mina segura de Serra Pelada. Por isso, a diretoria anterior chegou a negociar esse rejeito com uma empresa australiana, que pagaria, de "comissio", um milhio de ddlares a cada director. Mas o acordo nho chegou a ser fechado. Ao nivel de 50 quilos por mgs, o mor- ro levaria mais de oito anos rendendo bem, at6 ter todo o seu ouro esgotado. Certamente multos grupos, dentro e fora de! Serra Pelada, est~o de olho nessa mina. Se por aca- so nio houver mais ouro no subsolo, ou nho tanto, 6 para o monte que convergirio os interesses. Mas essa 6 a segunda etapa, que esses grupos s6i irio acionar depois que o garimpo for desmobilizado. Por enquanto, a meta 6 conseguir convencer o go- verno a aplicar mais dinheiro em Serra Pelada, nio tanto para o rebaixamento dos altos taludes, mas para a amortizagBo dos capitals investidos. Nao 6 por outro motiv o qe jB existe uma AssociaGio dos Fornecedores de Serra Pelada, dentro da qual estho 112 credores, reclamando quase 200 milhbes de cru- zados. G o mais poderoso "lobby" dentro do garim- po. E, tamb6m, a outra mina. O grupo de trabalho formado pelo governor para proper solug~es para o garimpo endossou a princi- pal reivindicaglo desse grupo, recomendando a apli- cagao de 315 milhbes de cruzados a fundo perdido. Os credores ficariam com quase 310 milh~es. Os garimpeiros 6 que levariam a fama, como sempre. Nio h6 mais do que duas mil pessoas realmen- to produzindo ouro em Serra Pelada. Tiram em m6- dia entire 4 e 6 quilos por dia. A renda presumfvel, pouco acima de 5 milhbes de c~ruzados, nio dB para manter os investimentos necessdrios g produgao, nem garante a sobrevivgncia de uma comunidade 10 ou 20 vezes maior (as estatisticas t~m sempre uma enorme margem de imprecis~io). Pouco sobra para amortizar o que ji foi aplicado em Serra Pelada. Assim, s6 hB uma alternative: encontrar mais ouro GARIMPO Jogo duro da especulaq~o O "lobby" dos capitalistas transformando-se por forga da alta especulagio havida em Serra Pelada em assalariados, sem vincula~go empregaticia e sem qualquer das vanta- gens que o direito social confere a outros trabalha- dores. Vivem na expectativa do "bamburro", a gran- de descoberta, cada vez mais rara num garimpo que s6j produz menos de uma sexta parte das 13 tonela- das records alcangadas em 1983. Naturaimente, 6 possivel dizer que o garimpo nao produz mais porque a grea trabalhdvel ficou di- minuta. Com a interdigSo de quase toda a cava, a produg~o prov~m da lavagem de cascalho. ainda contaminado de ouro. HE cascalho que jB foi lavado mais de 10 vezes. Os garimpeiros, no entanto, es- thej firmemente convencidos de que ainda existe multo mais em camadas que se aprofundam. O "ma- jor Curid" nio thes disse que hB uma laje compact de ouro la embaixo? O interesse da Companhia Vale do Rlo Doce de receber de volta a Brea seria mais um element a confirmer a desconfianGa. E estranho, assim, que, no acordo de 16 itens, nenhuma das duas parties tenha feito referbncia a novos estudos geol~gicos, a Ojnica maneira de con- firmar se hB ou n~io mais ouro e em que volume - para justificar os 10 milh~es de d61ares que o rebaixamento definitive val exigir. Sem as sonda- gens mais profundas e as anllises t6cnicas, aplicar em Serra Pelada torna-se uma loteria, que custard carol aos cofres pliblicos, principalmente com o risco de novos desvios de dinheiro para bolsos particu- lares. ou forgar o governor a jogar dinheiro na brea. Do contrsrio, sem precisar lutar contra seus fantasmas, reals ou imagindrios, Serra Pelada, a maior mina de ouro da histbria brasileira, ir8 a fal~ncia. Se 6 que jB nho est8 falida. A~ divida da cooperative, a Coogar, criada em 1984 para administrar o garimpo, 6 avaliada em 440 milh~es de cruzados. S6 com a Construtora Brasil, respons~vel por v6rios servings de terraplenagem, ela seria de 110 milhdes de cruzados. Duas outras construtoras teriam direito a 80 milh6es. Milton Gatti. um dos maiores dons de barrancos, espera receber desde 1983, pelo fornecimento de 61eo e lubrificante, um cr6dito de 60 mith~es de cruzados. Homens como Gatti, que ja Iangaram em suas contas de deve ou de haver muitos milh~es de cru- zados, sho tratados impropriamente como garimpei- ros. Eles pertencem a uma casta de n~io mais do que 100 "capitalistas", B qual so agregam os forne- cedores, nem sempre diferencidvels uns dos outros, como acontece com o pr6prio Gatti e Victor Hugo. Chegam a participar, com porc~entagens, de dezenas de barrancos, Iotes do aproximadamente seis me- tros quadrados, que ultrapassavam trgs mil quando ainda era possivel dar alguma ordem ao fundo da cava. Os verdadeiros garimpeiros, no significado ori- ginal da palavra, slo hoje "formigas": raros mais de 90% num universe de 40 mil homes conse- guiram manter-se como produtores autbnomos, constituem uma incognita para os historiad~ores. "A guerrilha ainda 6 uma sindrome", diz um destacado personagem do governor: "os militares raciocinam que se ela ocorreu uma vez, poderb voltar de novo, desde que se repitam as condiG~ees". Nessa regiho estlo alguns dos maiores investi- mentos puiblicos ou privados do Brasil, como a hi- drel6trica de Tucurui (custo de 5,5 bilhbes de d61a- res), com seu reservat6rio espraiando-se por 2.430 quildmetros quadrados e acumulando 45 trilh~es de litros de Agua, e o Projeto Ferro Carajirs (3,1 bilhbes de d61ares). O principal item desse empreendimen- to 6 a ferrovia, que os garimpeiros periodicamente ameagam sabotar. Uma tropa de elite pode facil- mlente ser deslocada de helicbptero para prevenir ou combater atos desse tipo. A simples m~ontagem de uma estrutura militer mais pesada influiria sobre o Anime de v~rios dos personagens envolvidos nos constantes e numerosos conflitos que ocorrem? na regitio. Sua complexidade social, ao que parece, vai corresponder a uma intensificaCgo do process do militarizagio ou de sofisticaCgo dessa presenga. O Ex~rcito vai reforgar o seu efetivo em Mara- bB, instalando novas unidades, uma aerotransporta- da e outra de blindados. Com isso, dard mais im- portincia a 23a Brigada Militar, que comanda bata- Ih~es de infantaria de selva espalhados por MarabB, Altamira, Itaituba (no Pars) e Imperatriz, no Mara- nhao. HE entire 600 e 700 homes nesses batalhoes, mas pobremente equipados. A 23a Brigada, chefiada por um general, recebe- rB um novo quart~el, jB em construgho, projetado para abrigar mil homes. A infantaria sedio acres- cidas tropas aerotransfortadas e grupos de carros leves e pesados. O objetivo da ampliaqio e do re- forgo 4 evidence: MarabB domina uma das regimes mais estratggicas do pais, nio s6 pelo conjunto de atividades que redne ou vir8 a ter proximamente, como porque em sua Brea de influencia ocorreu um fato traum~tico para oa 6rglos de seguranga inter- na: a guerrilha organizada pelo Partido Comunista do Brasil, s6 definitivamente erradicada em 1975, ao fim de sucessivas campanhas que, mesmo hoje, Presenga military mais forte LIVRO acerto de contas Num livro corrosive e brilhante, Haroldo Maranhio reconstitui literariamente os Qltimos tempos do mais poderoso journal da hist6ria do ParB, a "Folha do Norte"'. E tira uma liChio: journal nio 6 s6 folha de papel. Atd o final da decada de 60, vendedor de journal em BelBm nlo era jornaleiro: era "folheiro", expres- slio inventada pelo povo em razlio do absolute domi- nio exercido na imprensa paraense, durante pelo menos cineo dbcadas, pela "Folha do Norte", o journal de Paulo Maranhio. Da Bahia (onde imperava e ain- da impera "A Tarde") para cima, nenhum se com- parava em poder e prestigio a "Folha". Os jornalei- ros sabiam disso e s6 apregoavam o nome da "Folha" ao percorrerem matinalmente as ruas de BelBm, sem a concorrbncia das bancas, inovagilo trazida pelas estradas. Viraram "folheiros", para desespero dos outros Jornals. Nenhum poder se estabelecia no ParB sem que, antes, o candidate posasse ao lado do "velho" Ma- ranhbo, sentado em cadeira de palhinha e tendo ao fundo estantes anarquicamente entulhadas de livros, para engalanar o inevit~vel registro fotogrdfico da visit. A forga da "Folha", no entanto, nito foi con- quistada facilmente: durante duas d6cadas e meia ela travou ferozes batalhas contra o outro eixo do poder local, o general Magalhlies Barata, epigono do "baratismo". Paulo e Joho Maranhilo, seu filho e incansivel gerente, viviam praticamente exilados no predio da "Folha", cuja arquitetura sugeria mesmo estradas. Viraram "folheiros". Nem sempre tiveram sucesso: Paulo Maranhlo foi banhado em fezes quando entrava em sua casa, jB septuagendrio, num atentado praticado por um dos mais radicals "baratistas", Armando Correia, a par- tir de entlio tratado pela "Folha" como "Armando Trampa". Ao reagir a uma referbncia do journal "ba- ratista" de entlio, "O Liberal", que divulgara o inusi- tado incident sob o pretexto de cobrar a instaura- ~gio de inqu6rito para reparar o dano, Maranhilo foi mais uma vez devastador: disse que de um governor de merda, s6 se poderia mesmo esperar merda. Barata morreu em 1959 e o "baratismo", a partir de entiio, entraria na curva descendente. A "Folha" tamb6m seguiria o destiny de seus inimigos mortais, nito propriamente por causa deles. A causa determi- nante da destrulglio do Jornal, que desapareceria no inicio da decada de 70, viria de dentro dele mnesmo, por desentendimentos e erros crassos praticados por membros da familiar ou, especificamente, por um deles, CI6vis Niaranhilo, filho do "velho" Paulo, que morreu a tempo de nito ver o fim de aeu jornal. Ajuste de contas Um neto do Jornalista, tambem ele jornalista, mas acima de tudo escritor, revolveu as feridas e sujeiras que marcaram a paixiio do prin- cipal jornal paraense. "Rio de Ralvas" (Editora Fran- cisco Alves, 278 p~ginas, 1987) 6 um ajuste de con- tas de Haroldo Maranhilo com a amarga histbria dos dias derradeiros da "Folha", "Folharal" no livro. f tambgm o corrosive retrato de uma 6poca, a 6poca anterior a "integraglio" da Amaz~nia a este outro pafs chamado Brasil. E mals uma prova da imensa capacidade criadora do mals importante ficcionista da Belem contemporsnea. "Rio de Raivas" 6 o prolongamento de "Os An~es", romance langado em 1984, embora en- quanto tem~tica seja cronologicamente anterior. Personagens de um livro emergem no outro, todos reais ou reconstruidos a partir de inspiraglio na rea- lidade. Um dos divertimentos ou martirios, con- forme a identidade do leitor que Haroldo Mara- nhilo oferece 4 justamente a busca das identidades frouxamente escondidea sob nomes bizarros. Cagar- U m Sraios Palscio 6 Barata. Palma Cavalso (tirado de Eca de Queiroz) 6 Paulo Maranhlo, com uns acr6scimos de Joso, pai de Haroldo. Em torno deles gravita uma legitio de homes e mulheres que nio conseguem definir um caminho pr6prio, uma alternative ao dua- lismo que marcou as ditimas d6cadas em que o Pard piide produzir political prbpria, ainda que de baixa qualidade. Depois, niio seria mais do que uma satra. pia do poder central, como quase todo o Brasil, de resto . A pena gcida de Haroldo desenha os contornos /tragic8micos desse caleidosc6pio humane. Outros escritores antes dele e, at6 a definitive globaliza- glio do planet, outros depois desnudaram esses mundos provincianos, com seus tipos e molduras. Gragas Rs suas qualidades de escritor, Haroldo estd SIncorporando BelBm ao universe da melhor literature. Mas tamb6m ajudando-a a se conhecer melhor. A Sficolio the dB essa possibilidade de escapar g bitola reducionista da cigncia. Em relaglio B capital paraen- se, nenhum outro escritor tem feito mais do que ele. Fechada em seus Irmites, dos quais poucos con- seguem escapar (o "Folharal" at6 criou a coluna "pa- Sraenses que vencem no sul" para saud8-los), a cida- Sde cria seu modo de vida, sua prbpria linguagem, que Haroldo capta com felicidade, referindo-se a pa- lavras e expressiies como petisqueiro, p8-casca, nd- ris de pitibiriba, de flose, cogado (que o obtuse "Au- rdlio" nito registrar, qual 6 o p6, ir parar na caixa- prego, capina da minha frente, escreveu nito leu pau comeu. Mundo em decadgncia O romance dB a chave para entender esse mundo e usufruir dele. Tem, as. sim, duplo valor. Como obra literdria, permit o pra- zer da leitura gragas a uma narrative Agil e simples, nessa simplicidade das coisas bem construidas. Co- mo testemunho, o livro 6 uma bomba atirada sobre os contempor~neos, para meditarem sobre os tempos apaixonados da "era de Barata". Haroldo comeca desmontando a empatia dos lideres e a fachada de respeito de suas cidadelas, enquanto apanha os pi- rilampos que gravitam em torno dos chefes coem seus espamos de luz. I' o brilho da inventive, da graga, do humor, do trago prciprio que ds atraglio a esses microscosmos de gentes. Mas aos poucos, mesmo sem aprofundar a caracterizaglio de tipos (cacoete de contista), Ha- roldo val convergindo para os dois personagens em- blemiticos, enquanto apequena os coadjuvantes. Na segunda metade do livro, sobreleva Cagarrios e Pal- ma acima da mediocridade generalizante, dando-lbes uma estatura de lideres que jB faltava B 6poca e e 4 ainda mais vasqueira hoje. Superabundam os anbes. Somem os gigantes. A percepGlio 6 a mesma ao fim de "Os An~es" e "Rio de Ralvas". A decad~ncia do Pars, um Estado que perde a luta por sua pr6pria identidade e destiny, comega na decad~ncia de suas liderancas . O retorno de Mimi Cavallio (CIbvis Maranhiolo para "modernizar" o "Folharal" 6 a expresso desse dieclinio. Para comandar a reform, traz do Rio de Janeiro o marechal reformado Gorila Majestic (mare- chal Augusto Magessi), "que niio sabe distingiiir um fuzri de um croquete de camario, mas marech~al"'. Para canalizar melhor sua indignaglio, Haroldo passa. por cima da hist6ria real e constrbi uma trag~dia mais g altura da fic68o: Cavallo more antes de Ca- garraios, mas depois da intervengio de Mimi, que o interdita judicialmente e o langa a indigbncia; Majes- tic chega antes do movimento military de 1964, a tem- po de ser contempor~neo de Cagarraios. Do leito, Caval~io ganha lucidez e dignidade, ven- do desmoronar sua obra: "Os jornais cumprem um ciclo de vida, como as pessoas. Niio 6 mais um Jor- nal, mas um papel sem opiniao", observaGio de valor eterno em relaglio aos jornais, que seus dons even- tuais nem sempre slio capazes de perceber. A sirene do "Folharal", acionada em todos os mementos gra- ves como "aviso de mau agouro que alastrava a Inquietaglio na cidade como o canto do acauii", niio dobrou para si pr6pria. I' uma sina. Sere sempre ? Com "Rio de Raivas', Haroldo Maranhilo de o enterro merecido a "Folha do Norte" e ao "baratis- mo". Ao mesm~o tempo, evita que eles morram, pe- renizando-os com o sopro da obra de arte, tiio ca- rente numa cidade da qual at6 o vento tem sido des- viado pelas incontrolaveis paredes de concrete le- vantadas sebre um chilo de lama. Para Os amigos O ministry do Desenvolvimento Urbano (que 6 tamb~m deputado federal) Prisco Viana deixou bem claro durante sua visit a Belem, no dia 28: o presi- dente Jos6 Sarney sera generoso apenas com seus amigos e aliados. Prisco, um dos politicos mais pr6- ximos de Sarney (apesar de ser ex-malufista)- trouxe 5,3 bilhdes de cruzados da Caixa Econ~mica Federal para serem aplicados em obras de saneamento em Belem. Foi a primeira grande verba para o governor Gueiros vinda de Brasilia. Antes de assinar os convbnios, o ministry tra- tou de esclarecer que os recursos deviam-se as po- siq6es do governador, que "convergem para tender os mais altos interesses nacionais". E destacou o sentido politico do ato, muito mais do que seu signi- ficado administrative: "O president quer prestigiar o governor do Estado e o lider politico de dimensilo national", referindo-se a Gueiros. Jd o governador declarou-se um "aliado firme e determinado' de Sarney, garantiu n~io ser "apolo t~ergiversador, que muda a cada semana" e aprovei- tou para defender o mandate de cinco anos para o president. O governor H6lo Gueiros resolve comemorar seus oito meses de vida produzmndo uma s6rie de seis paginas sobre as realizag6es nos principals se- tores da administraglo pliblica. A campanha deve ter custado quase quatro milhbes de cruzados em veiculaGoes na imprensa. Mas, obrigado a restringir- se ao pagamento de pessoal e ao custelo da mdquina official, super-inchada (s6 o governor Jdder Barbalho c~ontratou mais de 15 mil novos servidores, sem con- curso), a campanha apresentou nfameros pilidos, re- tratando a baixa capacidade de investimento de uma administraghio ainda obrigada a guitar empr~stimos da anterior. M~ais do que em qualquer setor, no de seguran- ga puiblica a aggncia de propaganda precisou usar - e abusar da imaginagho para preencher a pega publicit~ria. Teve que incluir entire os feitos da Segup uma media illegal: a cobranga de licenga p~ara a passage de veiculos pela estrada que da said a Belem. A barreira montada na BR-316j e na travessia de oalsas, segundo a Segup, reduziu o roubo de carros, mas deixou mal o governor, que con- tmnua agredindo a lei e dearespeitando declsao ju- dicial . C~onforme reconheceu o Tribunal de Justiga, ao apreciar mandado de seguranga, o governor do Estado pode fazer a vistoria dos voiculos, mas n~o pode cobrar o licenciamento. O cidad~io deve submeter-se a vistoria do carro e dos documents, mas nho a pa- gar uma taxa nso instituida legalmente (e a legisla- Cho sobre veiculos 6 federal). O pr6prio governador Helio Gueiros admitiu a irregularidade, prometendo tornar gratuita a expediG~o da licenga e descentrali- zar o atendimento, eliminando as enormes e ener- vantes filas. Mas sua promessa nho foi cumprida. Assim, qualquer dos desembargadores que quisesse cumprir sua pr6pria decislo ficaria diante do impas- se: nito aceitar pagar a licenga, expondo-se a nito passar na barreira, mas "comprando a briga" para fazer cumprir a lei, ou esquecg-la e ir pagar submis- samente o que 6 cobrado, como preferiram fazer os acomodados cidadios ? Espera-se que o Par6 n~o esteja voltando Bque- les tempos de considerar a lei nada mais do que potoca. O prdprio Banco Central admite que o Banco do Estado do Pard', um dos nove no pais subme- tidos a regime de administragd'o especial, sd pode- rd sobreviver se receber 1,f bilhbio de cruzados de dinheiro novo para so capitalizar. Mas ainda n~o hdl um acordo sobre a forma de repassar esse di- nheiro: o Ministe'rio da Fazend~a quer que o gover- no do Estado emita OTE's (Obrigagado do Tesouro Estadual) e as comercialize junto ao pdblico. O E~stado, que nunce transacionou com papd'is desse tipo e sabe da pouca credibilidade do seu banco junto ao pdjblico, em virtude de todos os escdnda- loj em que esteve envolvido nos u'ltimos anos' prefer que o governor federal encarteire as OTE's, sd aprese~ntando-as quando for necessdirio acertar as contas. Essa d'a principal quest~io que ainda falta ser definida para que Bacen e Banpard' acertem o fi- nal da administragd~o conjunta. O montente da di- vida ainda exlge uma apuragd~o final, mas as con- digdes oferecidas siio ta~o vantajosas que o gover- No estadual nd'o poderd' recued-las. O Banco Central aprovou-as para que ele prdprio possa techer suas contas, o que no memento ndio g pos- sivel. A Policia Federal dever8 concluir, ate o final desta semana, o inquerito sobre as irregularidades praticadas na agbncia do Banco da Amaz~nia no bair- ro carioca de Madureira. Foram indiciadas 12 pes- soas, entire funcionirios da aggncia e intermedibrios nas operaF8es fraudulentas, todos enquadrados na chamada "lei do colarinho branco", mas comn possi- bilidade de processamento por peculate. O ex-diretor e ex-presidente interino do Basa, Augusto Barreira Pereira, um dos indiciados, foi iden- tificado criminalmente na Superintendancia da Poli- cia Federal no Rio de Janeiro, juntamente comn seu filh~o, Augustinho, os principals acusados. O pedido de prisio preventive solicitado pelo delegado Lacort niio foi aceito pela juiza federal que atua no caso, nlas ela praticamente impas uma prisio domiciliar aos dois. Eles s6 p~odertio fazer livremente viagens entire Bel~m e o Rio de Janeiro, o distrito da culpa. Para qualquer outro lugar, do pais ou do exterior. p~recisartio obter autorizaglio judicial. A policia conseguiu rastrear o dinheiro que era pago como comissio pelos tomadores de empresti. m~os irregulares. O intermedisrio nessas operag8es' Guilherme Feldhaus, admitiu que levava dinheiro par~a o entho dlretor do banco, que, ao depor, negou as acusaC~es, considerando-se inocente. A potoca, de volta? JOITTRI YOSSOal Editor responsivrel : L~clo FI~vio Pinto Enderego (provis6rlo): rua Aristides Lobo, 871 Bel~m, Pard, 66.000. Fone: 224.3728 Diagramagfio e Ilustra~ito: Luis Pinto Opg~io Jornalistica |
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