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Cz$ 30,00 Pelo texto da nova ConstituiqBo, conforme ele foi aprovado pela comissio de sistematiza- C~o da Constituinte, a Uni~o seria obrigada a devolver imediatamente, aos Estados da Amaz6nia, todasas terras devolutas excluidas do pa- trimbnio desses Estados pelo decreto-lei 1164, bai- xado no dia 10 de abril de 1971 pelo general Emllio Garrastazu M~dici. Foi a maior expropriaq8o de ter- ras da histbria do pals: transferiu para o dominio da Unibo 65% dos cinco milhbes de quilemetros quadra- dos da Amaz6nia Legal, compreendidos numa faixa de 200 quilometros de largura acompanhando todas as rodov~ias federals na regi~o. Antecipando-se a vig~ncia do dispositivo cons- titucional, o president Jose Sarney revogou o 1164 atraves de outro decreto-lei. A cerimbnia, segundo os assessores ao PalBcio do Planalto, deveria ser sim- ples, internal e em Brasilia. Mas o ministry Jader Bar- balho quis transforma-la em grande festa politica em Belem, com participaq~o popular, convencendo o president a aceita-la e o governador HBlio Gueiros a referendar a mobilizaq~o. Foi uma idbia desastrosa. Em nenhum memento a presenga do president conseguiu reunir 500 pes- soas, durante as cinco horas que ele passou em Be- 16m, no dia 24 do novembro, apesar da campanha desencadeada, atraves da imprensa, pelo Governo do Estado e o Ministerio da Reforma Agrbria. Os vb- rios incidents ocorridos durante o ato p~blico, inde- pendentemente de sua origem, demonstraramn que Sarney ja n~o tem condiqbes de aparecer em mani- festaqbes de massa. O prbprio president deve ter retornado a Brasilia com essa convicq~o, embora forgado a v8-la provada mais uma vez. Antecipagio negative Tambbm o povo pa- raense nho tinha motive algum para comemorar o que esta multo long de ser um beneficio. Na 6tica da Amaz~nia, o document que Sarney assinou, no Centro Cultural Tancredo Neves, 6 um evidence re- trocesso se comparado ao que prop~e o artigo 34 das disposiqbes gerais e transit6rias de nova Cons- tituigio. Embora nho seja satisfatbrio, exigindo regu- lamentaq~o posterior, o texto desse artigo 6 claro e simples. Diz: "Fica revogado o Decreto-Lei nO 1.164, de 10 de abril de 1971, e as terras de que trata re- verterho, imediatamente, ao patriminio dos Estados de que foram excluidas". JA o decreto-lei assinado por Sarney, ao contra- rio da maciga propaganda feita pelo Mirad e o Go- verno do Estado, n~o faz essa complete devolugfto, nem ela 6 imediata. O document deixa logo bem cla- ro que continue sob a jurisdigio federal a faixa de fronteiras, de 150 quilbmetros de extens~o a partir da linha divis6ria com os outros pauses, e que absorve mais de um milhio de quilometros quadrados, um quinto do territ6rio amaz6nico. Alem dessa faixa, contmnuaram a ser considera- das indispensaveis a seguranga national expressoo que a Nova Repdblica nho aboliu do seu jargho neo- 16gico) terras pablicas devolutas contidas em 10 mu- nicipios, tres deles no Park, tres em Rond6nia, dois no Amazonas, um em Roraima e outro no Maranhlo. A excegio de dois municipios de fronteira (Sgo Ga- briel da Cachoeira, no Amnazonas, e Caracaral, em oarnal Pessoal Liicio Flsivio Pinto Ano I NP 7 15 Quinzena de dezembro de 1987 TE~RRAS Festa para a fraude A festa programada para comemorar a devolugho das terras devolutas ao Park acabou fracassando. Mas nio havia mesmo motive para festa. O governor federal saiu antes da Constituigio e por isso saiu ganhando, final Em prazo nfro superior a 120 dias, contado da vig~n- cia do decreto-lei, o ministry do Exercito identificarA e indicard, para o president da Repbblica, quais as terras pbblicas que serlo afetadas. Devoluglio restrita Multas outras terras tambem nlo serio devolvidas, como aquelas que configuram "situagdes jurldicas ja constituldas ou em process de formaq8o, a favor de alguem". Slo os casos de terras que, depois de discriminadas, foram alienadas atraves de venda ou estio em ocupaq8o e uso gragas a titulos provis6rios expedidos pelo go- verno. Tambem se incluem nessa situaqao os proje- tos de colonizag8o, oficiais ou particulares, e ate mesmo as regularizaq~es fundiarias emn cursor, "sb- bretudo na hip6tese em que revertidas ao dominio da Uniho por forga de cancelamento do registro imobili8- rio, promovido pelo particular interessado". Alem de todas essas exceqbes, as futuras destinaq6es de terras que os Estados e Territbrios vierem a fazer fi- cario sob a jurisdiq8o e tutela do governor federal, atraves do Mirad. Uma leitura atenta serb o bastante para desau- torizar a afirmativa-chave de toda a campanha go- vernamental, segundo a qual, no caso do Para, por exemplo, 72% do patriminio fundibrio teria retornado ao Estado. A avaliaqgo exata ainda demorara muito Roraima), todos os demais s~o abrangidos pelas duas principals estradas federals, a Transamazbnica e a Cuiaba-Porto V'elho, com sua derivaq8o para Ma- naus. Os tres municipios do Para est~o justamente entire os mais extensos e problemfiticos do Estado: Marabb, Altamira e Itaituba. Estas terras, como as de fronteira, s6 devergo ser parcialmente transferidas aos Estados por ato do president da Repdblica. Nos tres meses posteriores a publicaqio do decreto-lei * Sarney regulamentara as posslvels transferencias. Nesses municipios, a Unilo "afetard a uso es- pecial do Exercito" terras pbblicas federals, atual- mente devolutas (a terra pdblica distingue-se da de- voluta porque jA foi apurada, atraves de discrimina- Clo, eventualmente tendo destinagio). Essas greas "serio utilizadas como campo de instru~go por uni- dades militares localizadas na Amaz6nia Legal e para a instalaq~o de novas organizaqbes militares a se- rem criadas, dentro do piano de expansio da Forga Terrestre", diz o decreto. Quando for "efetivada a afeta~go" (isto 6, a destinaqgo), as terras devolutas remanescentes desses municipios, quando nlo situadas na faixa de fronteira, "descaracterizar-se-h.o como indispensa- veis Ai seguranga national, incluindo-se entire os bens do Estado, ou Territ6rio, no qual se localizam". Dlz a lend que tudo come- gou de um erro datilogrdfico: *ao inves de escrever 10, a da- tilbgrafa bateu 100 e assim foram declaradas "indispen- s~vels 6 seguranqa e ao de- senvolvimento nacionais" as terras devolutas situadas na faixa de 100 quilometros de largura, em cada lado de tre- chos de 17 rodovias federals na Amaz~nia Legal. Acrescen- tar um zero seria falha multo simples, mas o artigo primeiro do decreto-lei 1164 utiliza em seu texto as duas formas, o 100 e o cem, que impossibill- tariam um laps da datil6gr*- fa. Ngo houve erro algum: no auge de um dos periodos de maior autoritarismo, o gover- no federal simplemente se apossou das terras devolutas dos Estados, passando por cima do principle federalista que norteou a formaCgo da na- gao. Expandiu de oito vezes a faixa de terras que os gdver- nos democrats anteriores, organizados sob a inspiraq~o da ConstituiC~o de 1946, ha- viam considerado necessaria para que o poder pdblico pu- desse organi~tal o espaeo ru- ral nas regimes pionetras do pals, valorizadas pelas estra- das de penetraq~o que o go- verno construia. O decreto expressava o im- peto patrimonialista da buro- cracia federal, que passou a comandar tr~s mithees de quitometros quadrados (quase um tergo deles no ParB, o Es- tado mais prejudicado'depois do Acre, que simplemente fi- cou sem terras devolutas pr6- prias, jB que 6 afetado tam- bem pela falxa de fronteira). Marcaria igualmente a mntensi- ficag8o do process de milita- rizaCio da quest~o fundibria, sobretudo na Amaz~nia, onde as Forgas Armadas, paralela- mente gs suas funGdes con- venclonais, sempre desempe- nharam um forte papel de ag~ncias de desenvolvimento. O artigo 4p do 1164 previa que o Conselho de Seguranga Nacional "estabelecerb as normas para a implantaC~o de projetos de colonizaqlo ou a concessio de terras, bem co- mo para o estabelecimento ou exploraq~o de Indlstrias que interesse B seguranqa nacio- nal". O CSN, secretariado pelo chefe do Gabinete Militar da Presidgncia da Repiiblica, transformou-se em fonte de direito agrdrio e de pr6tica fundidria, editando exposiGio de motives, regulamentos e inspirando at6 mesmo toda- uma lei, a 6383, de,1976, que orientou as discriminatdrias de terras da jurisdigio federal. O decreto-lei 2375 apenas atenuou essa inspiraqio, mantendo quase todo o subs- trato legal (ou para-legal) an- terior, consolidando-o e adap- tando-o a um memento no qual se busca uma nova or- dem constitutional para o pais. Um iinico personagemi poderia testemunhar as duas fases. Como ministry da Edu- cagio, o coronel Jarbas Pas- sarinho subscreveu o 1164, que feria de morte seu Estado natal, o Acre, e sangrava sua terra adotiva, o Pard. Jg como senador e cobstituinte, Passa- rinho, 16 anos depois, prefe- rlu nio tender o convite do president Sarney para teste- munhar a revogagio do decre- to-lel que ajudou a criar. ~--A maior expropriaCgo de terras -- tempo at6 poder ser feita, talvez tanto tempo quanto o incra e sucessores levaram para apurar o acervo do qual tomaram posse a partir de 1971, levanta- mento at6 hoje inconcluso, pa.ssados 16 anos. Segu- ramente a devolugho abrangerb multo menos do que 70%, 60%, 50%, ou menos ainda. Mas isto n~o 6 o pior que o ato do president Sarney em Belem represent. Aos Estados ficarlo as terras mais distantes dos eixos rodovibrios, menos valorizadase ainda nem discriminadas. O governor fe. deral s6 discriminou 54 milhbes de hectares, de mais, de 200 milh~es postos sob a jurisdigio, e essa brea, de maior interesse, continuard em sua 6rbita mesmo com a revogagiio administrative do 1164. Ao receberem de volta as terras de mais dificil utilizaq8o no memento, os Estados -- nbo apenas em funglo do decreto-lei 2375, mas tamb6m da des- centralizag~o da reform agr~ria --ficaram coem encargos que antes eram competencia exclusive da Unilo. Mas nlo Ihes foram transferidos recursos fi- nanceiros, uma quest~o simplesmente ignorada por ocasilo da extinghio do 1164. Os Estados n~o tgm dinheiro para atuar nas Areas que Ihe foram entre- gues e que, ao long destes 16 anos de monop61io fundiirio federal, se transformaram num barril de p61- vora, ameagado de detonaqBo por conflitos de terra, tens~o social, miseria e um crescimento demografico espantoso. Albm desse dinheiro, os Estados ji ngo t~m (se 6 que tiveram algum dia) competgncia ou mesmo tra- quejo para atuar sobre esse caos fundidrio. A partir do 1164, foram reduzidos a escrit6rios mercantis ou ag~ncias politicas de repasse de titulos a clients eleitorais. Os 6rg~os fundidrios estaduais conse- guem estar bem atrbs do incra e subprodutos, extin- tos ou vivos, quando nada em fungho do imobilismo que thes foi imposto. N~o tem condiq6es de recupe- rar um a'cervo que a pr6pria administraglo federal se encarregou de dile 'dar e que passa em frente num memento extremamente critico. O quadro tragado por esses contornos indica que o governor Sarney praticou uma faganha: fez a emenda ser pior do que o soneto. As previsbes fun- didrias para a Amazania ficarlo ainda mais negras, agora que o 1164 desapareceu. O decreto-lei 1164 foi um ato de violgncia ludldica e de abuso de poder. O governor federalizou as terras situadas as margens tanto de estradas construldas ou em constru~go, como daquelas simplemente pro- jetadas na mapa, que nunca se materializaram. G o ca- so da BR-158, que foi prolongada de Sho Felix do Araguaia, em Mato Grosso, at6 Altamira, no Parb* numa extensio de 1.600 quilometros (federalizando* portanto, 320 mil quilometros quadrados), apenas pa- ra que o governor Geisel impedisse o governor A~loysio Chaves de consumer a venda de 412 mil hectares em Carajbs B Amaz~nia Minerag~o. A estrada nunca foi implantada no terreno, nem isso era necessbrio para que a Unibo assumisse o control das terras, gragas A forga tir~nica do 1164. Na press de revog8-lo, o governor Sarney esqueceu de acabar com a vigencia do irmbo-g~meo do 1164, o decreto-le 1.473, baixado em 13 de julho de 1976, justamente para permitir o prolongamento da BR-158 Apesar da violc~ncia que o ato de confisco repre- sentou numa Federaq~o teoricamente em pleno vigor, o governor military procurou alguma forma de legitima- Cgo. Os governadores da Amaz~nia foram convida- dos para uma cerimbnia, em Belem, seguida de co- quetel, na qual assinaram um termo de adesio ao re- cem-editado decreto-lei. Durante a recepg~o, no ho- tel Grio-ParB (entio o principal de Bel~m), um as- sessor do incra, jB comovido por generosas doses de ufsque, ironizava a iniciativa dos governadores: "eles nho sabem nemn o que assinaram", confiden- clava a um jornalista amigo. N~o seria o primeiro ato inconsciente dessa histbria. Durante a pol~mica com o governor do Estado sobre a venda de Carafas, em 1977, o general Golbery do Couto Silva, na 6poca chefiando o Gabinete Civil da Presidgncia da Repd- blica, referiu-se pela primeira e bltima vez a esse termo de adesio, que garantia a legalidade da expro- priaC~o. Talvez ele devesse referir-se apenas a le- gimidade, que nio 6 propriamente sin~nimo de legali- dade. Quanto ao document em si, continue sendo um misterio, mesmo para os protagonistas do drama. Nem o general Golbery chegou a mostrb-lo. Um personagem se destacou na repressio as ma- nifestaC~es de protest contra Sarney, no dia 24. Era um home forte, alto, louro,aparentandoentre 40 e 45 anos, trajando palet6 claro. Ele ficou o tempo todo nas escadarias que dio acesso ao "hall" do Centur, improvisado em palanque para as autoridades, e de IA recrutava quatro ou cinco soldados da Policia Mi- litar, mais um official, para as v~rias incurs~es que fez sobre as 500 pessoas que estavam na Praga do Povo, nome pomposo dado ao espago que nor- malmente funciona como estacionamento do Centro Cultural Tancredo Neves. Membro da seguranga pessoal do president da Repiiblica, o major do Exercito Heitor Souza identifi- cava, da escada, grupos que apupavam Sarney e partia contra eles. Indicava para a PM os que deve- riam ser press e, em duas ocasibes, deu chutes em manifestantes e chegou mesmo a partir contra alguns que reagiam ou, ao tentarem fugir, esbaravamn no ofi- cial a paisana, que parecia interpreter esses gestos como agress~o. O major chutava sem deixar de othat firme nos olhos dos agredidos e sem perder a ele- g~ncia, como um atacante muito bem treinado. Fez cinco ou seis desses ataques-rel~mpagos. Ganhou todos, naturaimente, mnas foi criticado por outros in- tegrantes do rigido esquema de segurang~a. Acharam que o chefe da seguranga do president n~o precisa- va "chegar a tanto". Os atos seguidos de violgncia O feroz agent do Presidente A da, Bresser Pereira, e o president do Banco Central, Fernando Milliet, foram ao Palacio do Planalto levar ao president Jos6 Sarney uma questgo delicada. Com base em nbmeros prepa- rados pelo Bacen, mostraram que, se nho fosse ofi- cial, o Banco do Estado do Park, em situaqio de fa- 16ncia, teria que ser liquidado extra-judicialmente. Se a mera extinq8o estava fora de cogitaq6es, o Banpa- re n~o poderia continuar pretegido da intervengho fe- deral, que em fevereiro atingira sete outros baricos .estatuais. Sarney ouviu o relate, conferiu os ndme- ros, que retratavam uma situaq~o extremamente crl- tica, mas nbo autorizou a intervenc;o. Em fevereiro o BanparB jB era, proporcional- mente, o banco estadual em pior condiCgo, conforme um relatbrio do Banco Central. Mas o ent~o governa- dor Jgder Barbalho venceu a dispute de bastidores com o Bacen, preservando o BanparB. Para isso usou o prestigio do deputado federal Ulysses Guima- r~es, seu amigo, e o credito do governador eleito H6- lio Gueiros junto a Sarney, grato pelas posiq~es de Gueiros a seu favor quando o senador paraense era um dos lideres peemedebistas. O Pard tambem oferecia um panorama especial: era o irnico Estado no qual o governador eleito esta- va afinado com o governador em fim de mandate. Nos demais, os governadores a serem empossados queriam a interven~go para atingir seus antecesso- res e na esperanga de receber de volta os bancos saneados pelo governor federal. Animado pela exclus~o do Banpard da interven- gio geral, quatro dias depois de tomar posse Gueiros entregou um oficio a Sarmey propondo um acordo pa- ra resolver a questio do Banpare. No document, ar- gumentava que o banco estadual havia sido obrigado a sacar no "vermelho" junto a reserve banceria por- que nho tivera acesso aos novos recursos reclama- dos desde 1978. Embora o Senado aprovasse um emprbstimo de 20 milhbes de d61ares em margo de 1986, esse dinheiro nunca foi liberado. O novo governador garantia que o Estado as- sumiria o passive de seu banco, mas pelos saques ate entao etetivamente realizados (870 milhdes de cruzados), sem os acessbrios (multas e juros) incor- porados ao principal (que o elevavam para quase 2,5 bilhbes). O governador queria 10 anos de prazo, coem trbs de carencia, para guitar o debito. Albm disso, queria que a reserve monetaria adiantasse os 20 mi- Ihdes de dblares do emprestimo e que o Banpard fosse autorizado a captar 200 milhies de cruzados junto ao peblico, enquanto o governor o capitalizava emn valor equivalent ao da dfyida. Sarney recebeu o document e prometeu a Gueiros que s6 tomaria umna decisio depois de con- sultb-lo. O Banco Central recebeu a proposta para exammnar, mnas sequer levou-a emn consideraqio, por considerar "leoninos" os seus terms. "Se aceitar- mnos umn esquema desses, estaremnos premiando ao inves de punir o banco comentou na 6poca umn gra- duado funcionbrio do Bacen. OperaCio de emerq~ncia Sarney estava cumprindo esse compromisso quando rejeitou a pro- posta de Bresser e Milliet para intervir no Banpara. A evolugho de alguns acontecimentos na quinta-feira, no entanto, iria levar o president a mudar de posi- 94o. Cresciam as presses, inclusive da parte do deputado Ulysses Guimaries, para que o ex-gover- nador JAder Barbalho fosse indicado para ministry. Essa ofensiva esbarrava num movimento emn sentido contrdrio dentro do governor, principalmente da parte do chefe do SNI, general Ivan Mendes. O general, que comandou a 8" Regiho Militar e sempre foi um atento observador dos fats na Ama- zbnia, montou para o president um vasto dossib so- bre irregularidades praticadas por Jader no governor do Park. Em missio sigilosa, jl como chefe do SNI, o general fez uma visit a BelBm para ouvir o juiz Pedro Paulo Martins sobre o process do Aurb, le- vando para Brasilia fitas e documents. Sarney levava emn consideraq6es esse tipo de resist~ncia, mas nho se sentia em condigbes de ne- gar os pedidos em favor de Jader. Deu todos os si-. nais indicatives de que a nomeapo para o minist6rio sairia. Na sexta-feira de manhi, pessoas bem infor- madas em Belbm ja reservavam passagens para es- tar na segunda ou na terga-feira emn Brastlia para a posse de JBder. Mas nesse mesmo dia Sarney pediu um contato urgente comn Bresser Pereira e Fernando Milliet. O ministry da Fazenda estava na sua fazenda, no interior de Sho Paulo, onde nho havia telefone. Milliet nio foi encontrado na sede do Bacen, em Sgo Paulo. S6 algum tempo depois o director de fiscaliza- 940, Tupy Caldas, que estava no Rio de Janeiro, fez um contato com ele e foi busca-lo de aviho, levando- o para Brastlia, jA que nio podiam esperar por Bres- ser. Sarney dera uma ordem confidencial: que provi- denciassem imediatamente a intervengSio no Banco do Estado do Pard para poderem executh-la antes do BANPARA verdadeira hist~ria A histbria da intervenClo federal no Banco do Estado do Pard 6 contada, aqui, pela primeira vez. Ela revela o jogo duplo praticado pelo Palicio do Planalto 8 Os bastidores da dispute pelo poder em Brasilia. final do expediente. Qualquer rea~go s6 poderia ha- ver tr~s dias depois, na seguanda-feira. Iria livrar-se das presses para nomear J~der. Os tecnicos do Banco Central tiveram que tra- balhar as pressas para formalizar a intervenqgo, mas a emerg~ncia criara varies problems. Quando Tupy ligou para Belbm, o chefe do departamento regional, Jose da Costa Homem duimaries, estava dentro de um aviio rumo a Brasilia para uma reuniao de retina, que comegaria no shbado. O diretor-adjunto, Rui Ta- vares Batista, sabia que Guimaries jA havia selecio- nado nove nomes de tecnicos que integrariam a in- terventoria, mas os desconhecia. Ligou para o aero- porto de Brastlia deixando umn aviso para Guimar~ies* que deveria telefonar para Belem logo ao desembar- car. Mas Milliet nho poderia esperar ath as 17 horas. Rui mesmo teve que indicar trbs nomes de interven- tores. Quando Guimaries telefonou de Brastlia, o as- sunto ja estava decidido. As posigoes do president Outro impre- *visto era o governador Hblio Gueiros. Ele estava em Itaituba, numa de suas rara incursbes ao interior, quando o gabinete do president da Rep6blica come- gou a procurb-lo em Belem. O chefe do Gabinete CI- vil, Ronaldo Costa Couto, ficou de plantio no telefo- ne para passar a ligaCpo de Hblio a Sarney assim que ela fosse completada. No mesmo plantho, em outro telefone e em outro local estava o president do Banco Central. Quando o governadr chegou a re- sid~ncia official, encontrou as duas ligaq~es. Natu- ralmente, deu prioridade a do president da Rep~ibli- ca. Sarney disse que estava telefonando para co- municar que, infelizmente, nso seria possivel apro- veitar J~der Barbalho no minist~rio, mas que assegu- rava para ele a presidencia do IBDF (Instituto Brasi- leiro de Desenvolvimento Florestal). Nada falou so- bre intervengho no Banpara. Hblio, que nho fizera nenhum empenho especial pela vaga no ministerio, encarou a recusa com naturalidade. Depois de conversar por alguns minutes com Sarney, foi tender Milliet, que o notificou da inter- vengdo, pedindo desculpas por nio ter feito a comu- nicaglo prbvia, alegando que o Banco Central fora levado a adotar a providencia por causa doagrave. mento dos saques na reserve. H61io reagiu indignado, alertando que se consi- derava traido. Falou em seguida com Costa Couto, que the garantiu o desconhecimento do president em relaqgo a iniciativa do Bacen,atribuindo-a a uma possivel orientaCgo do Ministbrio da Fazenda. Bres- ser Pereira era novato no cargo e certamente nbio estava informado do acordo pessoal entire o presi- dente e o governador, arriscou Costa Couto. Teria sido um ato meramente t~cnico, diante dos niimeros sobre a insolv~ncia do banco paraense. Prometeu verificar, mas nunca a hist6ria verdadeira da inter- ven~go foi revelada. Ela mostra que alguns dos mb- todos utilizados pelo Pal~cio do Planalto nbo sho na- da edificantes. O governador declarou "persona non grata" ao Estado o chefe regional do Bacen, Homnem Gurima- raes, que, na verdade, transmitira durante o period anterior orientaqdes importantes para a diretoria do 'Banpard conduzir-se, ele pr6prio esperando vir a ser o president do banco. Hblio tambbm retirou do Ban- par8 os dep6sitos do Estado, o que fez os saques na reserve aumentarem 400 milhies de cruzados em dois meses. Foi criado um tens clima de retaliaqao, mas um acordo acabou sendo obtido trbs meses de- pois, embora a confianga nho voltasse mais As rela- qdes entire o Estado e o Banco Central. O president Sarney, entretanto, transitou olimpicamente por esse oceano encrepado. O Banco do Estado do ParB e o Banco Central poderio chegar a um acordo sobre a composiq~o da diyida do Banpara, em valores bem abaixo dos que vinham sendo discutidos. O maior impasse a um acerto geral, que permitiria o retorno pleno da admni- nistraq~o no inicio do prbximo ano, 6 a aplicaq~o de dinheiro novo entire um bilhlo e 1,8 bilhio de cru- zados, segundo os calculos da diretoria do Banpara. Ao inicio do regime de administraCgo especial, entire o Estado e o Bacen, os saques a descoberto na Feserva banc~ria se aproximavam de 10 bilhbes de cruzados, um valor acima de qualquer considera- Cgo pelo Estado. Dpois de longas negociaqbes, o go- verno federal decidiu perdoar as penas e os custos, baixando o d6bito para 3,3 bilhdes, sendo 1,5 bilhio de saque efetivo e 1,8 bilhio de novos custos. No fi- nal de novembro, a diretoria do BanparB enviou ao Bacen uma nova planilha, cauculando a mesma base e reduzindo o dbbito para 1,3 bilhbo, dos quais 586 milhbes de saque efetivo e 716 milhies de novos custos. Apesar da diferenga de dois bilh6es de cruza- dos entire as duas pianilhas, tudo indica que haverb acerto entire as parties, qualquer que seja o valor que vier a ser estabelecido entire os dois par~metros. O governor federal concede tantas vantagens que a amortizaqgo da divida s6 comegara a ter algum peso a partir do quinto ano de pagamento, iniciado 18 me- ses depois da assinatura do acordo. Mas Brasilia continue reagindo muito a injetar dinheiro novo nos bancos estaduais, nho tanto por suas pr6prias convicqbes, mas pelas presses do FMI e dos banqueiros internacionais. Para reforgar o caixa doS bancos oficiais, o governor teria que emitir dinheiro e entesourar pap6is que compraria dos Es- tados, alternatives inflacionbrias. Alem disso, em ano eleitoral, 6 possivel que parte desse dinheiro nso te- nha boa aplicaqio, como temn sido comum na hist6ria dos bancos oficiais, que ressuscitam para iniciar, lo- go em seguida, nova paix~o. Pr6xirno o acordo sobre a divida O Banco do Estado do Para jb tem uma ideia nitida de quanto deve B reserve monet~ria e de quanto precisa para voltar a operar normalmente. Mas ainda n~o sabe quanto Ihe devem, qual a exten- s~o da cobertura das garantias que the foram ofere- cidas e qual a propore~o dos cr6ditos que poderb re- cuperar. No entanto, foram justamente os maus ne- gbcios que levaram o banco a situaqio de falencia. Nesse quadro ainda pouco definido, porque exi- ge um amplo e minucioso levantalnento, a diretoria do Banpara jd esta convencida de que o retorno do di- nheiro que foi aplicado em dezenas de transaqdes serd muito lento, se realmente viver a ocorrer. N~o poderA contar com esse dinheiro para veneer seu imediato problema de iliquidez. As informaqbes sobre esse tragico acervo de maus neg6cios ainda nho sho globais. Mesmo par- celadas, porem, jd sdo o bastante para impressionar. Apenas tr~s empresas, duas de S~o Paulo e uma do Pard, num total de 23, por exemplo, detinham quase metade das operaq;Ces da carteira de clmbio, rece- beram at6 nove vezes aidm de seu limited operacional e, agora, estio numa posigio comum: nio pagaram o que deviam; e, mesmo que quizessem, jB nio pode- riam pagar, porque estho insolventes. . Ha um caso ilustrativo. A empresa Sanave (Sa- bino Oliveira Combrcio e Navegagio Ltda) devia, em 1984, 13 bilhbes de cruzeiros. Na composiq~o, a di- retoria do Banpard decidiy abater parte dos juros, que considerou excessivos embora cobrados por ela mesma, reduzindo o debito para 8,4 bilh6es. Ngo sa- tisfeita, dispensou mais outra parcela de juros e o saido ficou em pouco menos de. sete bilhbes. A Sa- nave ofereceu, entlo, 15 embarcaqbes para a liqui- daqgo da divida, avaliadas em sete bilhees de cruzeiro ros. Oportuna coincidencia. Em fevereiro de 1985 o Banco levou a leillo as embarcagbes, mas nlo apareceram licitantes, o que fez a diretora optar pela venda atraves do melhor prego que fosse oferecido. A Reicon (Rebelo, Indis- tria, Comercio e Navegaq~o), dispondo-se 'a pagar sete bilh~es de cruzados, ficou com as embarca- 96es. O banco, que s6 iria receber metade do credit original, foi mais do que generoso: a empresa deu, de entrada, menos de 5% do valor total e amortizaria a restante em seis parcelas trimestrais de 1,1 bilhio, fixas, sem juros. Dando a frota em garantia, a Reicon estA contratando um emprestimo com o Bndes "no valor de 210 milhbes de cruzados. A histbria teria um glorioso "happy-end" (para a empresa, naturalmente) se as escrituras jb tivessem sido assinadas e registradas em cartbrio. Mas a nova diretoria do Banpari recusou-se a referendar as es- crituras, mesmo estando formalmente consumada a transagio. Ela 6 um dos muitos maus neg6cios que estio sendo investigados pelo Banco Central, que deveria aprovar o ato por causa da administration especial compartilhada do BanparB. Com a rejeigio administrative, a Reicon foi B Justiga, obtendo da juiza Sidney Floracy da Fonseca um despacho favoravel. A juiza mandou o Banco as- sinar as escrituras em 48 horas, sob pena de pagar multa dibria de 300 mil cruzados pelo atraso. Argu- mentando que uma execugho de fazer nio pode ter como base um tituto extrajudicial, o banco conseguiu que o Tribunal suspendesse os efeitos da sentenga ate o exame do merito da questio. Mais do que mb- rito, 6 a moral dessa histbria que est8 em questlo. Banco faz negocio para perder FoGasS em Combate Nos bastidores, duas forgas, tendo a mesma origem, o PMDB, combatiam a favor e contra a cassaCgo. Uma delas, tendo como sua lideranga mais evidence o vice-governador, Her- mlnio Calvinho, mais prbxima da msguina partidaria formada por antigos pessedistas (ou "baratistas"), como o pr6prio Aquilon. A outra, mais modern, tendo ligament's com a Prefeitura e o Governo do Estado. Na vespera do inicio da sessho, um dos verea- dores do PMDB, a principio simp~tico a Aquilon, con- fidenciou que o governador Hblio Gueiros, por telefo- ne, lhe havia recomendado votar na cassaq~o. Va- rias fontes palacianas e peemedebistas confirmaram que o governador encomendou um parecer ao Con- sultor Geral do Estado, Daniel Coelho de Souza, so- bre a possibilidade de intervir na C~rnara. NBW ha essa autorizaq~o constitutional, mas o governador poderia, assim mesmo, adotar alguma media que marcasse uma posiCio contrdria ao acobertamento das irregularidades no legislative municipal. A preo- cupagio dessa corrente 6 com as repercussdes ne- gativas do epis6dio sobre o PMDB, as visperas de uma nova eleiq~o. Essa preocupaq~o prevaleceu sobre o "espirito de corpo" da ala mais conservadora e fisiol6gica do partido, mas a novela nho pode ser considerada en- cerrada. O advogado de Aquilon anunciou que recor- rera ao Judicibrio da decisio dos vereadores. Na pr6pria C~mara podera surgir uma nova denijncia de corrupCho, capaz de provocar a instauraCdo de pro- cesso contra outros vereadores. O mais visado 6 o ex-1" secretdrio, Theobaldo Reis, que assinava to- dos os documetos solidariamente comn Aquilon. Ha ainda o inqubrito policial presidido pelo delegado da DOPS, CI6vis Martins, no qual outros vereadores jB est~o ou ainda virio a ser indiciados. PeFSOnagem oculto Cesar Oliveira, o prin- cipal personagem de toda a hist6ria, tambem reu confesso, contra o qual ainda nho houve qualquer provid~ncia (como prisho administrative, por exem- plo), busca sua forqa nos documents que foi juntan- do h media em que transformava a C~mara numa fonte de sinecuras, de trsfico de influbncia e de cor- rupCho. Sua moral consist c m nbo deixar-se punir sozinho, procurando aliados nas dezenas de pes- soas que favoreceu utilizando o dinheiro p~blico. En- tre as mil passagens fornecidas pela C~mara, trans- formada na maior ag~ncia de viagem de Bel~m, tribs foram para a irm8 do entio governador Jgder Barba- Iho fazer compras no Rio de janeiro, Fortaleza e Ma- naus, e uma para o tio, L~cio Mauro. O entho deputa- do Herminio Calvinho tamb~m recebeu a sua, de ida e volta a Braslia, cedida ainda a parents do deputa- do federal Fernando Velasco, entire multos. C~sar parece confiante de que, se puxar mais o fio das irregularidades, arrastar8 peixes mais graO- dos para a rede da puniCgo, ainda de pouco alcance. Se a puniq~o de Aquilon inicia um cicio capaz de restaurar a mais elementary dec~ncia, ainda 6 uma in- cbgnita, tantos sho os interesses envolvidos. Mas nio ha divida de que a hist6ria teria que comegar com a cassaqlo ou nho haveria mais hist6ria alguma para a C~mara. C~mara a nau dos A maratona de 36 horas, cumprida pelos verea- dores ate estarem em condiq~es de cassar Aquilon Bezerra, na semana passada, pode ser uma de- monstraqio de resist~ncia, mas ainda nio 6 o bas- tante para restituir o minimo de respeito e credibilida- de, sem o qual a C~mara Municipal de Belem nho te- ria condiqbes de sobreviver como instituiqao e seus integrantes estarho com seus pianos de reeleiqgo se- riamente ameagados. A sorte de Aquilon ja estava decidida antes mesmo de comegar a mais demorada sessio da his- tbria legislative do ParB, nio tanto por uma conspira- gio dos ex-pares, como ele sempre insinuou, mas tambem porque' ele pr6prio condenou-se, admitindo as irregularidades e ilegalidades praticadas durante os dois anos em que presidiu a C~mara. As explica- 98es que tentou apresentar, declarando-se uma pes- soa boa e alegando complete desconhecimento das situaqbes, atribuidas ao filho adotivo, o secretario le- gislativo, Cbsar Augusto de Oliveira, nio atenuam em nada o fato bgsico: ele era rtbu confesso, A sessio que resultou na cassagao foi uma inirtil demonstraq~o de vitalidade. Trinta das 36 horas foram gastas na leitura das quase 2.600 psginas do process, a que poucos prestaram atendgo, inclusive Aquilon. Mas ele nio concordou com a proposta de suprimir grande parte dessa leitura, aceita por seu advogado, Deusdeduth Brasil. A intransig~ncia tinha um objetivo: tentar arrancar mais um vereador do plenario (pelo cansago, se nio por outro motive, co- mo o que fez sumir o suplente Afonso Monteiro), o suficiente para acabar com o "quorum" necessario para a cassaq~o (dois tergos). Tambem asvaziaria. o plenbrio, diminuindo a pressio das galerias em favor da cassagho. O Banco da Amaz~nia deixard de ser o agent financiador exclusive do Finam (Fundo de Investi- mentos da Amaz6nia), se for aplicada a resoluglo aprovada pelo Conselho Deliberativo da Sudam na reuni~o do dia 6 de novembro, em Manaus. O fim do monop61io do Basa foi proposto pelo governador do Amazonas, Amazonino Mendes, e apoiado pelos de- mais Estados da Regilo. Amazonino disse que' a exclusividade dada ao Basa limitava a possibilidade de um movimento fi- nanceiro pelas empresas beneficiadas com os recur- sos dos incentives fiscais. Obrigadas a operar comn apenas um banco, elas estariam encontrando dificul- dades para conseguir outras fontes de recursos de curto, medio e long prazos, e movimentar seus titu. los em outros bancos. Pediu, entio, que os recursos financeiros do Finam tamnbem sejam depositados nas a-gencias dos demais bancos oficiais. Os representantes dos ministerios do Interior e do Planejamento ainda procuraram alertar para a ne" cessidade de estudos mais aprofundados sobre a media e suas implicaqbes legais, mas ela foi colo- catta enk gMalo sem atende-los e aprovada. O su- . perinteitlente da Sudam, Henry Kayath, garantiu nio haver nenhum impedimento legal: como o Banco da Amazania tornou-se o agent financeiro exclusive da Sudam atraves de uma resolu~go, outra resolug8o .poderia modificar essa situaq8o. A questio, no entanto, 6 bem mais complex do que esse simpl6rio diagn6stico. A lei 5.122, de se- tembro de 1966, so criar o Banco da Amazania atri- buiu-lhe "as fungbes de agent financeiro da Supe- rintendencia de Valorizago Econemica da Amaz6- nia", podendo, nessa condigho, aplicar os tecursos destirsados pela entgo Spvea B iniciativa privada. 6 verdade que uma resolu~go, a nO 10, adaptou esses dispositivos B estrutura da Sudam, que subs- tituiu a Spvea. Mas outra lei, a 5.173, justamente a que criou a Sudam, em outubro de 1966, estabeleceu que os recursos do Fundo de investimentos da Ama- *z~nia seriam aplicados pelo Basa. Competente para modificar resolugbes, o Con- del nbo pode alterer decretos ou leis. Na pior das hi- piteses, a proposiqlo do governador do Amazonas deveria ser melhor examinada e uma decii~go transfe- rida para reunilo posterior, como pedi4i os repre- sentantes do Planejamento e Interior. Estranhamente, o representante do B sa no mtEldel nio fez qualquer manifestaSgo, embofill a' me~dBd vb representar um forte abalo ao banco, que perderA uma de suas me- thores fdntes de recurses. iviatias Pereira talvez te- nha ficado ca ado porque depltkda proposta, o go- vernador A'masonino Mendes,% o padrinho de sua in- dicaqio e respo vel por sua manutengto no Basa. O objetivo da riiciativa 6 claro: visa reforgar o - caixa dos bancos estaduais num memento em que os governadores da regilo esperam dispor deles para a campanha eleitoral do pr6ximo ano. O resto 6 filoso- Uma marca Diante de algumas dezenas de convidados reunidos no 'hall" do Centur, em Beldm, o president Jos6 Sarney assinou um papel sem timbre, que n~o tinha nenhuma outra assina- tura (deveria ter a de todos os minis- tros), formalizando a revogagao do decreto-lei 1164. O novo decreto-lei ainda nem estavam numerado (rece- boria, ~Jpois, o nb'mero 2375). Na verddhe, *a atinuta. foi conclufda mo- mentos antes da assinatura. Por isso, nenhuma'c~lpia foi distributda aos jor- nalisfas' A redago tosca, sem seguir a methor tecnicitlegislativa, obrigando a umna leitura torta, Indo e vindo nos ar- tigos para ser Compreendida, revels essa imnprovisaCgo. O documents parece ter sido escrito comn a espada. o que 6 mais do que uma imagem: ele nirscou mesmo no Conselho de Segu- registrada ranga Nacional, onde o general Bayma Denys vinha patrocinando estudos a respeito, apressados para conclus~o aT. pedido do ministry J~der Barbalho, interessado nos rendir'entos politicos de uma decis~o a respelto (como de- putado federal, foi o prir~eiro a pedir a revogaglo do 1164,. em 1975). O documents deixa transpare- cer a inspiraq8o do Conselho ao tratar da reserve de Areas ao ExBrcito em 10 municipios. amazbnicos. Quart~is a campos do instrug~o poderiam ser instalados sem que a Uni~o precisas- se abandar as dreas, excluindo-as da devolug~o aos Estados. Pode ser um excess de rigor. mas pode indicar tamberm que as requisipdes ser~o am- plas, de acordo comn as exig~ncias do Projeto Calha Norte, o principal condi- cionador do decreto na part referente As fronteiras. Um. datalhe bem Bportqno SSd nao houve.intervehC~o formal no IBanco da Amaz~nia p ade um detalhe t~cnico: o o 231, que -sm fevereiro ir~titi adihinistraq~os especial comTpartilhada (aplicada a oito 'F anIcos estaduaigj por falha odl mdin- renglo nao prelriu a intervenglo nos bancos federais. Ao rD os foi esta a explicapgo official dad t~8o ministro do interior, Jo~o Alveis Filho, ao governa- dor Hdlio Gueiros. Diante da impossibi-, lidade, o governor subrnreteu o Basa a uma intervenC~o branca. Waldemir Messias de Araftio, 0 presidente-interventor, jB tomnou as pri- meiras meqdidas. Chamou uma possoa de sua confianga, formada igualmente no Eldnco (Io Nordeste, para assumi a dirdtoria de cr6dito geral, a principal na estrutura administrative do banco, que foi ocupada por Augusto Barreira Pe- reira, o malor responsdvel pelas irre- gularidades praticadas no Basa. Os demals diretores trocaram de diretoria entre si, em rodfzio, mas sem acesso a atividades operacionais. Numna das reu- nides de que participou, Messias pro- meteu que val trabalhat com os geren- tes, deixando entender que, nlo mu- dando a diretoria, a marginalizar8. Basa: golpe contra o monopollo Editor responsivel: Lracio Flivio Pinto Ende~rego (provis6rio): rua Aristides Lobo, 871, Belim, Parf, 66.000. Fone: 224-3728. Dineramaqio e ilustraglio: Luiz Pinto. OpqPo Jornalistica |
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