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BANPARA Ameaca de extincao Se nio conseguir um tratamento especial para sua diyida, o Banco do Estado poder8 sucumbir aos neg6cios que foi obrigado a fazer e lhe provocaram um rombo de quase 9 bilhies de cruzados nos illtimos anos. 18 quinzena de novembro de 1987 Se o governo federal nio oferecer condi- gZ~es vantajosas para a composigBo da dlyida, o governador Helio Gueiros podere desistir da re- cuperag~o do Banco do Estado do Pare. Entre sacrificar completamente o seu programna de obras, je limitado pela carencia de recursos e a avolumag~o de encargos, e perder o banco, fard a segunda op~go. Do contrerio, teria que passar os quatro anos de seu mandate de bragos cru- zados, pagando o funcionalismo e as contas da administration anterior. Esta 4 a posig~o do governador, segundo credenciada fonte ligada a Helio Gueiros. Foi por isso que o president do Banparb, Frederico Coelho de Souza, reivindicou do Banco Central a prorrogagto do prazo de carencia (de 18 me- ses para cinco anos) e a eliminaqio de alguns encargos que reduziriam o mbntante do debito, do Banpare junto g reserve banceria. Frederico - expressando posigio pessoal do governador - acha que o banco paraense tem direito a um tratamento diferenciado dos outros sete bancos estaduals no "vermelho". E que enquanto os governor estaduais seo responsevels por boa parte do endividamento de seus bancos (o caso mais grave 6 o do Ba- nerj, no Rio de Janeiro), o Banpare ficou em si- tuaqio de quase insolv~ncia por causa dos maus neg6cios que fez com empresas privadas. O governor, ao contrbrio, manteve vivo o banco porque fazia nele os seus dep6sitos, deixando assim de ganhar com a aplicag~o financeira desse dinheiro. Mas as pessimas transagbes efetuadas pelo Banpars ao long dos bltimos oito anos s6 se realizaram porque o governor as unpbs, contrariando as normas bancsrias, o bom sensor e, freq~entemente, a dec~ncia. Para poder voltar a respirar e superar seu dificil memento atual, o BanparB precisaria de 10 bilhbes de cruzados, sendo 8,9 bilhdes para provisionar os creditos vencidos e nio pagos, e um bilhao pelo menos para capital de giro. 8 quantia superior ao orgamento em execugho no Estado. Significa um patrim~nio ifquido alta- mente negative. Se nao pudesse ter um trata- mento especial, o banco jB estaria sob liquida- S8o extra-judicial. Tecnicamente, est8 falido. Histbria de Negociatas Os maus neg6- ci~os que o banco fez t~m uma explicaq~o: tr~fi- co de influ~ncia, interfer~ncia politica e corrup- q8o. Os 8,9 bilhbes de cruzados de saido a des- coberto sio dinh~eiro repassado irregular ou ilici- tamente para diversos grupos empresariais de alguma maneira ligados ao governor, clientss especiais", no jargio banc~rio. A maioria n~o quitou seus compromissos, muitos nem temn condigdes de said8-los. S6 agora a administra- g~o, formada depois da interven~go do Banco Central, no final de maio, est8 fazendo um le- vantamento dos creditos e tentando classific8- los entire os recuperbveis e os definitivamente perdidos. Segundo levantamentos extra-oficiais, hB 1005 processes de execug~o em cursor ou em formaq8o. Desse total, foi possivel checar 711 operag?>es mal realizadas (porque nio havia ga- rantia real, ou as oferecidas eram inadequadas, nbio havia seguranga cadastral, os dados exis- tentes eram negatives, etc.), das quais 438 rea- lizadas em Belem, 180 no interior do Estado e 93 nas pragas de Sho Paulo, Rio de Janeiro, Brasilia e Manaus. Estes sio alguns dos casos mais graves, curiosos ou escandalosos: Eccir (Empresa de Construgiies Civis e Rodovibrias) De propriedade de Jos6 Maria Mendonga, o principal financiador da campanha de Jader Barbalho ao governor, em 1982, que transferiu o control nominal da emnpresa. O or nPessoal Liicio Flsivio Pinto Cz$ 20,00 .saido do debito seria de 110 milhbes de cruza- dos, que vem sendo amortizado atraves de composi~go do banco com a Prefeitura de Be- 16m e d DER, aos quais a Eccir presta servigos. Mendonga retirou-se da empresa para que ela pudesse ser saneada. Metro Engenharia Jos6 Maria -Mendonga assumiu o control dessa empresa para poder realizar o grande neg6cio do Aur&: ter o terreno desapropriado e nele construir 35 mil casas. Mas a transeqo se tornou pfdblica e foi desfei- ta. Atualizada, a dlyida j6 estaria pr6ximo de 300 milhbes de cruzados, que o banco passou a cobrar judicialmente. Maiame (Madeireira It~lia C~omercio e In- deistria) Foi uma "esta-de-ferro" para que 5,5 bilhbes de crurzeiros (de dezembro de 1984), por ela teoricamente retirados como emprestimos, fossem usados para cobrir saido a descoberto em nome de Mendonga, aberto por "'adianta- mentos a clients especiais", um dos maiores escandalos do banco. Como n~o recebeu o di- nheiro (apenas a comiss~o de 10%), a Maiane n~o pagou o emprestimo. A questao est8 na justiga. A prego de outubro, o debito atingiu 1'23 milhbes de cruzados. Imorsa (Indr~stria de Molduras) Alem de 53 milhbes de cruzados que deve atraves dessa indi~stria, o donor tem ainda outro debito, com a AripuanB Compensados, de 20 mithbes de cru- zados. Todo o patriminio dado em garantia ao Banpars ja estava onerado ao Banco da Ama- r8nia. Compolar SIA Uma hist6ria inusitada: o proprietbrio cedeu sua parte ao s6cio, assinou um contrato de trabalho com a mesma empresa que Ihe pertencia, por um valor descomunal, executou-a na justiga e habilitou-se a um credi- to de 70 milhbes de cruzados, que tem prefer rgncia gobre o credito do banco, de 53 milhbes de cruzados. Se nio conseguir caracterizar a fraude, o Banpard perder8 o dinheiro. Grupo A.R. Gomes O governador Jgder Barbalho fez vsrias inauguraqbes festival de lojas do grupo, que patrocinava os "sacolees do povo". Hoje a empresa est4 executada judicial- mente e sob penhora. Deve 70 milhbes de cru- zados. O banco enfranP dificuldades para rea- .ver o dinheiro porque a empresa arrendou suas instalaqbes para terceiros. Transfrisa Assinou sete contratos de c~mbio, vencidos e nio pagos desde 1980. O saido da divida jB supera 200 milhbes de cruza- dos. Os bens da empresa, que montou um frigo- rifico em Santarem, foram arrematados, mas houve recurs e ainda nio foi expedida a carta de arremataq~o. Os bens, porem, n~o cobrem o valor da 'divida. Dominium Seu contrato de c~mbio, no valor de 84 milhbes de cruzados, venceu em ju- nho. A empresa jA estd concordattria. O banco habilitou seus creditos, mas o retorno 4 incerto. O banco tambem tem sido excepcional- mente generoso com as empreiteiras. Quatro delas devem quase 200 milhbes de cruzados ao bancoo, que, para receber, fez um acordo com a Prefeitura de Belem: parte dos pagamentos efe- tuados pela Prefeitura a essas empresas, que lhe pertam servigos, seria repassado ao banco. Mas o volume 6 significativo demais em compa- rago com a verba de invegtimento da PMB. Por isso, as transfer~ncias comegaram a atrasar. Negdcios para perder A prbpria dirego do BanparB tem dificuldades para inventariar esse imenso e desconexo patriminio negative que herdou. Os levantarnentos disponiveis slo parciais. Mas eles permitem uma conclusio ge- ral: a maioria das operagbes apresenta um ele- vado e inaceit~vel grau de risco para o banco. Nada justifica, por exemplo, que o banco invista quase 22 milhbes de cruzados num hotel tr~s estrelas em Abaetetuba, que, evidentemente, nho pagou o emprestimo. Jg os politicos simp~ticos ou vinculados ao governor sempre foram clientes especialissimos. Da Construtora Nazare, do deputado federal Manoel Ribeiro, o Banparb transferiu 2,3 mi- lhbes de cruzados para creditos em liquidaq~o. O deputado estadual Jos6 Rufino deve 1,4 mi- Ihio. A concordat~ria Maya Inddstria, Comercios e Exportagio, do deputado federal Amilcar Mo- reira, tambem deve e em d61ar. O deputado federal Fausto Fernandes est8 sendo executaco por pouco mais de nove mithbes, de cruzados. A A.P. Engenharia, que tem como um dos sbcios o irmio do governador, Luis Guilherme Barba- Iho, deve 8 milhbes de cruzados, em valores atualizados. O Banpard se ressente ainda da condigio de banco de segunda linha operando em praga forte e concorrida. 'Assim, resta-Ihe tender clientes de segunda linha ou fazer negbcios incertos. Das 32 empresas que receberam em- prestimos do banco em Sao Paulo, 14 est80 em concordata e sete em falgncia. O banco est8 ameagado de s6 recuperar uma parcela infima dos 150 milhdes de cruzados colocados como credito em liquidagio. Entre os devedores estio senador Severo Gomes, que 6 donor da Tecela- gem Parahyba, e a Editora Von Baumgarten. Mas esta tem um m~otivo relevant para nho pa- gar: seu donor, o jornalista Alexandre Von Baumgarten, not6rio por suas ligaqdes com 6r- Os jornalistas grevam, sem noticias g~os de seguranga e neg6cios complicados, foi assassinado quando comegava a fazer revela- g6es comprometedoras para seus ex-amigos. Um caso especial HA, porem, aqueles clients que, embora estejam vivos, jA declara- ram que nio honrarlo seus compromissos, obri- gando a atual diregio a executt-los. FGo caso de Nelsonita Barbatho e Renata Sandoval. Atra- ves de dois emprbstimos rurais, elas devem ao BanparA 2,i milhges de cruzados. Os dois credi- tos foram concedidos em margo do ano passa- do, quando o cunhado de Nelsonita, Jgder Bar- balho (irmlo de seu marido, Joercio), era gover- nador do Estado. Sem tradigio na agropecubria (uma 4 me- dica e a outra 4 funcion~ria pdblica), as duas amigas se associaram e, em fevereiro, compra- ram tr~s lotes agricolas, com 313 hectares, em S~o Francisco do ParB. Essa aquisigio foi pra- ticamente simult~nea a concessio do empres- timo, atrav6s de uma linha de credito altamente subsidiada: uma das cedulas rurais teria que ser resgatada um ano depois com o encargo de apenas 3% de juros, sem corregio monet~ria; a outra poderia ser paga em duas parcelas (a d1- tima em dezembro de 1988), sempre com juros anuais de 3%. As garantias seriam os animals financiados e os im6vels, provavelmente adqui- ridos com o recurs do emprestimo. Como nio houve o pagamento, mesmo com todas as van- tagens concedidas, o banco est8 executando os dois titulos na 15" Varas Clvel. A partir da intervenq8o do Banco Central e do inicio da administration compartilhada comr o governor do Estado, dezenas de execug~bes co- mo essas comegaram a chegar g justiga. Se- gundo a orienta~go do governador Hdlio Guei- ros, a Onica maneira do BanparB se credenciar junto ao governor federal para receber um trata- mento diferenciado 4 se comprometer a cobrar todos os creditos em liquidagio e usar os recur- sos obtidos na amortizagio do enorme -debito formado na reserve banc~ria (agora repassada ao Tesouro Nacional). Mesmo que a quantia nio seja das mais expressivas, teria o significado de demonstrar a boa intengio do banco de sanear os maus ne- gbcios que praticamente o levaram a ruina. Es- se trabalho de saneamento 6 dificil e exige um component que tem faltado na histbria do ban-~ co e de seu principal acionista: credibilidade. Mas agora a questio 6 de vida e de morte e o banco nio pode dizer ainda qual das duas ten- d~ncias 4 a mais forte. Os jornalistas, que dio cobertura as greves de todos ostrabalhadores, nho conseguiram noticiar sua pr6pria greve. Desencadeada no dia 6, depois de um desastroso process de negociagio, ela apareceu apenas lateraimente nos principals 6rgios da im- prensa local e sequer foi referida no mais important deles, o Grupo Liberal. S6 ao long dos dias B que leitores e telespectadores foram percebendo a anor- malidade da situaCgo, mais do que evidence pela per- da de qualidade e de volume nas ediqdes dos jornais e nos noticiosos da televisio. O impasse na negociaCgo e a greve dela decor- rente surgiram num memento particularmente critic para os jornalistas e a pr6pria imprensa. Os jorna- listas seguramente est~o entire os trabalhadores qua- lificados de mais baixa remuneraqio no mercado, Dentro do quadro de carreira, vio de oito mil a 11 mil cruzados. Com a proposta das empressas, esse re- ferencial ficaria demarcado entire 10 mil e 14 mil cru- zados. Com tais saldrios os jornalistas teriam que enfrentar a inflagio da dupla Bresser-Sarney ao lon- go dos prbximos seis meses. Mais do que isso, s6 em cargos de confianga. Pela proposta dos jornalistas, os parbmetros entire o mbximo e o minimo no quadro de carreira fi- cariam entire 15 mil e menos de 20 mil cruzados, que 6 quanto ganharia um redator. Mas para que ele re- cuperasse o salbrio do inicio da d6cada, precisaria receber 31 mil cruzados. As empresas chegaram, entio, a pagar um saldrio equivalent a esse valor de hoje. Mas ele foi sendo achatado por anos sucessi- vos de acordos francamente desfavor~veis aos jor- nalistas, sempre por indices oficiais que significavam a depreciaCio do rendimento real. Todos pareceram ter esquecido que acordo sd 6 bom quando atende as duas parties. As empresas salram sempre ganhando. Mas o achatamento criou uma situagio de indignida- de que alimentou o estado de revolta expresso na greve, particulamente em alguns de seus mementos mais explosives. Com suas justas razbes, as empresas mostram arguments que as impedem de recompor, agora, os salbrios aos nlvels do passado ou da mais elementary justiga. Elas sofrem, como os mais sacrificados seto- res da economic, os efeitos da recessio nho decla- rada que se abate sobre o pals. Mais sofrimento, po- rem, enfrentam seus trabalhadores, que nho contam, para minorar suas dificuldades aganicas, com reser- vas que poderiam ser formadas em periodos mais fa- vordveis, como os anos anteriores, durante os quais o estado da economic permitia melhores concessies e elas nho foram dadas. E, a bem da justiga, alem de nio terem side dadas, nio foram pedidas de maneira convincente, por quem deveria falar em nome dos empregados. Hoje o fosso 6 de uma profundidade abissal. minando a suspensio da obra. Sua ordem at6 agora n~o foi comprida. Politica por debaixo dos panos O enredo tragado nos autos do process, que tramita na 15a Vara F6rum de Belem, no entanto, est4 lon- ge de esgotar toda a hist6ria de questio. Na verdade, ela envolve uma sutil dispute politica de bastidores. Quando pensou em transformar a torre num cartio postal e instrument de "mar- keting" para o seu projeto da TV Carajss, com investimento de 150 milhbes de cruzados, o empresbrio Jair Bernardino projetou uma estru- tura mettlica. Depois substjituiu-a por uma torre de concrete, a primeira autosuportada de Be- 16m, tendo no topo um restaurant. Mas uma torre de metal, que afunila para cima e permit a visibilidade por dentro dela, ditere bastante de uma torre compact e com uma edificaq~io maior em sua extremidade superior. Essa dife- renga foi logo observada pelos pilots de aviho e operadores de vio. A seguranga gerea 4 uma questio ainda nio completamente respondida, mesmo com o alvard da Aerondutica. Ela serb testada na prb- tica a cada dia em que os pilots de "teco-te- co com seu hbbito de voarem abaixo das ca- madas de turbul~ncia, orientados apenas pela frequ~ncia das emissoras de r~dio, fizerem com seguranga a aproximaq~o da pista do Aero Clu- be, contornando a torre, jB sinalizada conforme as exig~ncias do Comar. Mas a hist6ria da TV Caraj~s vai alem desse importantissimo detalhe tecnico. A televi- slio faria parte de um esquema amplo de sus- tentagio do ex-governador e ministry Jader Barbalho, um dos integrantes do "lobby" para a concessio do canal 13 a Jair Bernardino. Dono de um dos maiores grupos empresariais locals, Jair serviu de biombo para as radios Clube (AM) e Caraj~s (FM) passarem As mios de Jader, que conta ainda com o journal "Dibrio do Pard", o Onico orgio de comunicag~o que controlava quando assumiu o governo, em margo de 1983. A television poderia seguir a mesma rota, que no memento inicial parecia sustentar-se num deslocamento de concorrgncia: investindo numa estrutura sofisticada e cara, a TV Carajbs con- Os pequenos avides que chegarem a Be- 14m sob tempo fechado vio precisar ficar aten- tos para um novo obstAculo: a torre da TV Ca- rajAs, jA em fase final de construgho. Com 100 metros de altura, ela 4 vizinha da pista de pou- so do aeroporto J~lio Cesar, a base de opera- gBo dos "teco-teco". Correspondendo em altura a um predio de 33 andares, a torre 4 a maior edificagBo da cidade e foi levantada rapidamen- te, gragas a tecnica adotada, um sistema de es- teiras rolantes que permit a concretagem con- tinua. Pilotos de avibes alertaram para o risco que a torre represent em pousos e decolagens feitos em condigdes climbticas adversas. Prova- velmente refletindo essas preocupag6es, no dia 14 de abril o comandante do 10 Comando Aereo Regional, brigadeiro M~rio Fernando Cechi, pe- diu a Prefeitura a documentagdo da obra e su- geriu "que a torre seja interrompida ath a emis- s~o do parecer" do Comar. O military dizia que o Comar "nao se res- ponsabiliza por qualquer acidente aerona~tico que possa ocorrer, ocasionado pela referida obra. Segundo os pilots, na area s6 seria ad- missivel uma torre mettlica com, no mbximo, 60 metros de altura. Nove dias depois, tomando por base o off- cio do 10 Comar, a Prefeitura de Belem ajuizou uma acao de nunciagio de obra nova contra a TV CarajBs, uma das empresas do grupo Belau- to, de Jair Bernardino, para impedi-la de cons- truir a torre por causa da ameaga que represen- taria para os v~os. Em sua defesa, a empresa alegou que a obra fora licenciada pelo Comar quase um ano antes (a 13 de junho de 1986), em document assinado pelo pr6prio brigadeiro Cechi, que teria cometido um equivoco. No dia 24 de setembro, num lac~nico off- clo, o comandante military reconheceu que a tor- re estava legalizada, mas a Prefeitura prosse- guiu a agio com base em outro argument: a obra fora iniciada e jA esta em fase muito adiantada sem ter obtido o alvard de licenga municipal, pr6-condigio para qualquer constru- 940o. A juiza Terezinha Fonseca acabou deter- TELEVISION O que nao val para oar Os pequenos avides que chegarem a Belem enContrario uma nova barreira na rota: a torre da Televisio Caraj~s. Apesar de seus 100 metros, ela nao 6 a coisa mais important que estg no ar nessa histbria de disputes. A solugaio: derrubar os 17 andaresl taria com a possibilidade de tirar da TV Liberal, do Sistema Romulo Maiorana de ComunicagBo, a afillagio B Rede Globo. Descartada essa hi- p6tese (o contrato da TV Liberal com a Globo for renovado per niais quatro anos), A Carajis restaria a associag~o B Rede Manchete, embora fendo que suportar o 6nus de um neg6cio que nio dard retorno ao pesado capital investido. Political nos bastidores A televis~lo, po- rem, seria apenas um dos elos de um neg6cio mais amplo, ancorado tambem em interesses politicos. Ela integra um esquema para recolo- car na plenitude do dominio local o grupo do (ninistro Jgder Barbalho, que pode voltar ao go- verno ou quer indicar algubm de sua confianga para o cargo. Na sutileza do tabuleiro em que os diversos grupos disputam o poder e do resul- tado retiram seus beneficios, Jair Bernardino vem travando uma guerra de guerrillas contra o empres~cio Lutfala Bitar, donor da Estacon, a maior empreiteira do Estado. Lutfala decidiu fa- zer sua primeira incursio na construgbo imobi- libria, langando um conjunto residential de luxo As margens da orla fluvial, o Marina Guajard. Para dar acesso ao predio, teria que ren- conquistar para o dominio pijblico uma rua da qual a Belauto se apossou indevidamente, in- corporando-a as instalagdbes de sua locadora de carros. A Prefeitura saiu em defesa da Estacon, mas Bernardino contou com as preocupa~ges ambientalistas da Secretaria de Saijde, que nio liberou a construgho do predio porque ele blo- quearia a ventilagio da cidade. A Prefeitura voltou a cruzar com Bernardi- no na televisio. No dia 6 de fevereiro funciond- rios municipals interditaram a construgbo da tor- re porque ela n~o estava licenciada, mas a me- dida, de carter meramente administrative, s6 se tornou dr~stica com a agio judicial. Mesmo nio tendo concedido a liminar solicitada pela PMB e antes de iniciar a instru~go do process, o que 6 incomum, a juiza Terezinha Fonseca determinou a suspensio dos servigos. Mas a official de justiga nio cumpriu sua intimagio, nemn parece estar sendo pressionada por isso. Troca de Ameagas Segundo algumas fontes, Bernardino ameagou suspender a coleta de fixo da cidade se a interdigio fosse executa- da, embora o ritmo das obras da TV tenha so- frido drbstica redugdo e as datas de inaugura- ~go recebam constantes adiamentos, sobretudo por causa das dificuldades econ8mico-financei- ras do grupo. Mas a principal pressio exercida sobre a Prefeitura nio seria essa e sim uma re- composigio politica entire o ministry Jgder Bar- balho e o prefeito Fernando Coutinho Jorge, um dos candidates ao governor dentro do PMDB. Ainda que a torre estivesse irregular, tanto diante das exigencias federals, como da legis- lagio municipal, o fator politico esteve entire as motivagbes da Prefeitura para interditar a cons- trug~o e recorrer B Justiga contra a TV Caraj~s. Na contestagio A agio, o advogado da empre- sa, Waldemar Viana, deixa b'em claro que hB essa circunst~ncia ao estranhar que a Prefeitura tenha sido o dnico 6rg~o a nio dar a licenga re- querida. A Prefeitura contra-argumenta, sem anexar provas, que nem mesmo o alvar8 foi so- licitado a Secretaria de Obras. Entretanto, nio explica por que s6 se interesoni pela obra illegal quando a estrutura jB estava le vantada e qual- quer reag~o que tentasse teria apenas efeito fi- nanceiro (o pagamnento de taxa e emolumentos para o concessio do alvard), sem resultado prb- tico a nio ser que estivesse disposta a mnan- dar demolir a construg8o (veja outra matdria a respeito). Nessa hist6ria composta de omissdes e in- tengdes ocultas, a verdade transit pelos basti- dores e nio pelas pegas que constituem o pro- cesso judicial. Mesmo por esse roteiro torto, o "case" serve de amostra do jogo politico que jB est8 travado e se intensificarA ainda mais com a proximidade das eleigbes. & um jogo pesado. Se a lei simplesmente for aplicada, o edificio Bertino Lobato de Miranda, um pr~dio de apartamentos de luxo com 17 andares, num dos bairros nobres de Bel~m, terA que ser demolido. Localizado na avenida Governador Jos6 Malcher, entire Benjamin Constant e a Rui Barbosa, ele tem um gabarito que contraria lei federal sobre tomba- mentos. A quadra onde se localiza niio permit prddios al- t os para garantir a integridade arquitetbuica e o valor his- t6rico de construgbes como o casardio no qual funcionou, durante muttos anos, o Centro Cultural Brasil-Estados Unidos. Essas construg~es do final do s~culo passado ou ini- cio do atual convivem com grandes edificios, mas eles fo- ram construidos antes do tombamento. O "Bertino Lobato de Miranda", por~m, foi iniciado depois, pela CCA (Cons- trugbes Civis da Amaz~nia). A Sphan (S cretaria do Pa- trimbaio Hist6rico e Artistico Nacional) s6 percebeu a ir- regrlatidade quando a estrutura do prddio ji estava con- cluida. Mesmo assim, cumprindo a lei, pedio provid~ncias g Procuradoria Regional da Reptiblica, que, agindo estrita- mente dentro da lei, teria que pedir a demoligito da obra. Se isso viesse a ocorrer, a construtora poderia cobrar indeni- zai~~o da Prefeitura, que licencion a construglio, ignorando a lei sobre tombamentos. Sendo federal, essa lei deve ser respeitada em todo ot errit6rio national. Num pafs que prefer desconhecer as leis, casos co- mo esse costumam ser resolvidos atrav~s de "jeitinho", uma das mais eficientes entire as raras instituigbes nacionais com esse atributo. Mais eficiente, 6 claro, do que as leis. Um subordinado deve cumprir a ordemn de seu superior, mesmo que ela seja illegal? A questio jB andou por lugares notdveis, como o Tribunal de Nuremberg, onde ifderes nazistas 'tentaram justificar seus atos selvagens alegan- do que apenas cumpriam ordens. Mas tambem estb sendo provocada pela juiza da 14(! Vara do F6rumn de Belem, no que poderd vir a ser um .dos mais explosives "casos" da.histc~ria do judi- cibrio paraense. A juiza Marta Inbs Antunes Lima, famosa no F6rum tanto por sua honestidade e coragem, como por seu temperament explosive, de "compradora de brigas"', recusou-se a cumprir determina~go do desemnbargador Humberto de Castro. Da Gltima leva de juizes que chegaram ao Tribunal, quando o quorum foi elevado de 15 para 21 desembargadores, 'Castro concede li- minarmente um mandado de seguranga requeri- do pela Xylo do Brasil Exportagbes, basicamen- te para ndio ser citada em juizo e ganhar tempo para se defender. A emnpresa reagiu ao pedido de fal~ncia contra ela apresentado junto a 14a Vara - pelo Banco do Estado do Pard, credor de 65 contratos de c~mbio n~io quitados no valor (his- tbrico) de 37 milhdes de cruzados. A fal~ncia foi pedida no dia 29 de setembro e no dia 10 de outubro a juiza mandou citar os sbcios da Xylo. Mas a citaq~o nio havia sido cumprida no dia 22, quando o banco protestou contra a demnora. :A julza exigiu do official de justiga a citag~o em 24 horas. Comn data do dia seguinte, o desem. bargador Humberto Castro deferiu a liminar ao mandado de seguranga da Xylo, datado do dia oito, mas s6 no dia 27 notificou a julza (num oficio de nove linhas) para que prestasse "as in- formagbes que achar necessbrias". A "heresia politica" Marta Inds veio com a resposta logo no dia imediato, embora tivesse prazo de 10 dias. Em quatro laudas, combinou ironia comn indignaqio, atacando frontalmente o despacho do desemnbargador. Gastou quase me- tade do oficio resumindo as alegagbes da em- presa, admitindo ser uma sintese exaustiva de- mais "para se agasalhar no bojo de um oficio". Mas disparou: "foi a Onica forma de a informan- te, supostamente coatora, provar a si mesma que nho estava nos bragos de Morfeu", o lendd- rio deus dos sonhos. A juiza arrolou os "erros tecnicos" do pedi- do de~ferido pelo desemnbargador, classificando-o de "urna heresia juridica, que de certo nio es- capard A cr~nica de nosso Tribunal, n~io s6 pelo seu carter preventive (presume que o Juiz violard "direito Ifquido e certo", se aplicar a lei), como tambem por atacar a citaglo, sem preten- der o trancamento da agio". A mpdida ia rnais JUSTI A Heresia em silencio Caso raro na histbria da Justiga no Brasil: uma juiza declara que nlo cumpre a ordem de um desembargador porque ela 6 illegal. O desembargador nio pede a puniglSo, como seria normal. E faz-se um silincio convenient. depositar 700 mil d61ares de uma s6 vez, em 24 horas, a Xylo nbo poderia elidir a fal~ncia, a iinica maneira de evitar sua decretaqBo. Assim, recorreu ao mandado de seguranga. Na sua resposta, a juiza diz que a empresa pediu muito mais do que isso, inclusive dilata- g~o do prazo para defesa, apuragio do debito, ampliag~o do n~mero de pessoas a serem cita das e produ~go de prova pericial, que nio cabe- riam no mandado de seguranga. Mais descabido ainda, segundo Marta Inds, 4 "o impedimento do exercicio de judicatura, para que o magistra- do nio praftique atos de seu oficio". A empresa requereu a sustaq8o da cita~go, mas nio o trancamento da a~go, "deixando, pois, inc61ume o impulse official e o direito de a~go como pos- tulado constitutional inarred~vel". Ao dar sen- tenga favor~vel, o desembargador invadiu a compet~ncia da juiza e impediu-a de cumprir a lei, "uma heresia", como diz Marta Ings Um silencio official Os desembargadores preferiram evitar comentdrios sobre uma ques- tio com tanta explosividade, que talvez s6 ve- nham a analisar se provocados formalmente - e, ainda assim, em carter sigiloso. Mas ja havia rumors intensos o suficiente para impe- dir que o assunto fosse ignorado. Foi lembrada a oposigio suscitada por tr~s desembargadores g eleva~go do juiz Humberto Castro, promovido por ser o segundo mais antigo do F6rum, mas com retrigies dentro do colegiado. Aiguns desembargadores manifestaram de- saprovagio A attitude da julza, que consideraram "precipjitada", mas tambem condenram o despa- cho de Castro, "completamente errado", segun- do um deles. Circulos fechadissimos do Tribu- nal comentavam outra iniciativa "desastrada" do juiz, que substituiu seu primeiro despacho por um novo, redigido com data atrasada, e ain- da permitiu que a prbpria empresa mudasse sua peti~go inicial, procedimento t~o ou mais here- tico do que a liminar contra a qual a juiza se in- sur~giu. Nenhuma previsio formal sobre os desdo- bramentos do "caso" foi possivel extrair dos membros do Tribunal. Mas, como quase sempre, eles podem acabar optando pelo comportamen- to padrio nesses mementos: deixar os conflitos se desfazerem naturalmente, sem intervir neles. Foi assim que esvaziaram a apura~go da de- nincia de corrupg8o do juiz Pedro Paulo Mar- tins, que atuou no "esc~ndalo do AurA", solici- tada pelo pr~prio juiz. Hg mais de um ano nio hd novidades no process, que deve estar guar- dado em algum arquivo g espera de que o es- quegam. al~m: impediria a juiza de praticar "os atos de seu oficio, determinando a citagio, impulsio- nando o feito e juigando a fal~ncia". Mesmo admitindo comn uma ponta de iro- nia que a "heresia" poderia ser "fruto de equivoco do relator, justific~vel dada a avalan- che de processes que desabam impiedosamente aos seus ombros", a jufza conclula pela impos- sibilidade de "compatibijizar o cumprimento da liminar com os postulados processuals referi- dos, entire os quais avultam o impulse ofic~ial e a indeclinabilidade jurisdicional". Solicitava do desembargador "a imediata revogaC~o da limi. nar, assumindo, porem, em caso de sua man- tenga, o descumprimento da ordem recebida". N~o deixou de lembrar que a funglo do juiz "4 indeclinbvel" e que ele respondede civilmente pelos prejuizos causados As parties . JB em duas ocasides anteriores a juiza ha- via se insurgido contra deliberag8o superior, mas este certamente 4 o mais grave de todos porque surgiu no cursor de um process judicial. Em circunt~ncias normals, um desembargador desobedecido dessa forma teria imediatamente pedido uma punigio ao Conselho Disciplinar da Magistratura ou levado a quest~io a uma das c~maras clveis reunidas. Seu ato nho pode ser desfeito pela justiga estadual: aos desembarga- dores nbo restaria outra alternative senio punir a juiza. Ela poderia tentar demonstrar que a or- dem nio 4 apenas illegal, mas tambem imoral. De qualquer maneira, seria uma situagio ex- tremanente desconfort~vel para o Tribunal. Talvez por isso, duas semanas depois de criado o impasse, a Onica iniciativa foi anuncia- da pelo pr6prio BanparB, que nesta semana - ao lado da Procuradoria Geral do Estado vai pedir ao president do Supremo Tribunal Fede- ral para suspender os efeitos da liminar do mandado de seguranga. A transferencia da questao para o STF pouparb o TJE da aprecia- WBo judicial, mas n~o do desgaste que os co- mentdrios jB intensos no Fbrum provocaram. Comparagdes com esc~ndalos antigos ou recen- tes, envolvendo membros da magistratura, fo~ ram inevitdveis. Com quem o Direito? A empresa alega que tanto o pedido como seu deferimento s~o atos regulars, com antecedentes nos registros judicibrios. Com o mandado de seguranga, que- ria ter a oportunidade de continuar em ativida- de, empregando 400 pessoas, produzindo e ex- portando madeira beneficiada, para pagar todos os seus debitos, que jB ultrapassam 200 mi- Ihbes de cruzados. Como nio tem condig8es de .POR DENTRO_ 01710l POSSOal Editor responsivel: Lincio Flivio Pinto Enderego (provis6rio): rua Aristides Lobo, 871, Beltm, ParP, 86.000. Fone: 224-3728. OpCao Jornalistica restante do pagamento: 800 mil cruzados em dinheiro a um auto- mdvel Monza novo, a sua parte num esquema criminoso que en- volveu diretamente outro pistolei- ro, Osvaldo Pereira, a tenia sido planejado pelo agent de seguran- ga James Sylvio de Vita Lopes. A fazenda na qual o matador de Fonteles ficou homisiado seria de propriedade de um certo doutor Duarte, ou doutor Eduardo, onde pistoleiros costumam ser vistos. A informagdo foi transmitida pelo prdprio gerente da fazenda, que estava decidido a pedir de- miss~o com medo de represdlias. A Poilcia Militar de Rio Maria re- passou os dados & Pollcia Civil, que pediu provid&ncias & Poilcia Federal. Nao se sabe ainda de al- gubm que tenha ido so local che- car a preciosa informagdo. So verdadeira, ela criaria a primeira pista dos criminosos, quatro me- ses depois do assassinate de Fonteles. filho nas intermediagbes e da punigio que Barreira recebeu em 1968 (e nbo 1967, como diz). Mas dificilmente pode ser considerada como uma pega de de- fesa, Apuragao indireta O pistoleiro paraibano Antonio .Pereira Sobrinho, de 38 anos, re- cebeu 200 mil cruzados como "si- nal" para executar um serving: niatar o ex-deputado Paulo Fonte- les. No dia 11 de junho Antonio deu trbs tiros certairos na cabega de Fonteles, matando-o, e fugiu. No mes passado, tendo contra si um mandado de prisdo da justiga paraense, Antonio Sobrinho foi visto numa fazenda do sul do Pa- rd~, a "Descoberta", localizada a 70 quildmetros de Redengdo. Segundo informagbes apuradas por drgdos de seguranga, a pisto- leiro teria ido & fazenda cobrar o Com av ango ' ma s lento A Policia Federal j~imistaurou inqud- rito em Beltm para apurar o rombo de 30 milh6es de d61ares no Banco da Amazania, mas ainda nio inicion a to- mada de depoimentos. Um deleg~do e alguns auxiliares deverlo comegar o .trabalho ouvmndo os funciond~rios envol- vidos, mas chegar~io aos elos externos da aut~ntica quadrilha que desvion os recursos do banco atrav6s de operagoes irregulares. Dois agents da PF estive- ram na sede do Basa na semana passada e anunciaram que precisariam de umia sala. Niio retornaram ao prddio nos dias seguintes. Atd agora, dos funciondios punidos, o finico que recorreu foi o sub-gerente da ag~ncia centro Brcio Bemerguy. Ele recebeu uma advert~ncia, petdendo o cargo comissionado e sendo transferido para o departamento de engenharia, de- pois de 23 anos no banco com uma folha funcional limpa. Para instruir sua defe- autos o bu6 ito dmun stuaae mso a diretoria nio o atendeu. O advogado de Arcio deverdrecorrer gviajudicial. Atrav~s de um "esclarecimento", publicado no journal "O Liberal" como informede publicitblrio", o ex-diretor e ex-presidente interino Augusto Barreira Pereira, o principal personagem do es- cgndalo, tentou responder hs acusagies que lhe foram feitas pela association dos empregados. Logo no inicio da nota ele contradiz documents e depoimentos que fazem parte do inqu6rito adminis- trativo: "jamais homologuei ou deferi operagZo com qualquer restrigio por parte dos gerentes de todas as ag~ncias do Banco", escreven Barreira Pereira. No depoimento que prestou g co- missio de inqu~rto, o ex-sub-gerente Arcio Bemerguy disse justamente o contrdirio: anexando vdrias comunica- g6es internal, ele mostrou ter se oposto a muitas transag6es, prestando informa- g6es que desaconselhavam a consuma- glio dos neg6cios. Mesmo assim eles foram efetuados, por deliberag~o de Augusto Pereira. Indignado, Bemerguy diz no seu depoimento que estava en- frentando "sucessivas humilhagbes", sendo"obrigado^ a responder pelos des- mandos e pela irresponsabilidade dos atos praticados pelos means pr6prios su- periores hierdirquicos". A nota trata ainda das garantias oferecidas pelos beneficia~rios das tran- sag6es, da liquidez das empresas, das re- dug~es concedidas nas taxas de juros cobradas pelo banco, da participa~gio do O leitor notardi logo as mudangas grdficas desta edigio do. JORNAL PESSOAL. Elas sio conseqii~ncia da nossa busca de sobreviv~ncia. Compro- metido apenas com seu leitor, este journal desagrada a poderosos. Naturalmente, eles nio querem que uma publica~o desse ~tipo sobreviva. Assim, jd muda- mos tras vezes de local de composigao e/ou impression e 6 possivel que conti- nuemos essa peregrmnagao. Colocar o journal nas ruas tem se tornado tarefa extremamente penosa. Mas amnda temos Animo para enfren~tar as dificuldades e pressies. Com o pr6ximo ntimero, cumprire- mos nossa obrigagio com a primeira le- va de assinantes trimestrais. Apesar do apoio comovedor de dezenas de pessoas, as assinaturas ainda reduzidas, inclusi- ve por nossas pr~prias defici~ncias e a venda avulsa slo incapazes at6 mesmo de garantir o pagamento das despesas industrials e administrativas, o minimo para que~o JORNAL PESSOAL conti- nue saindo. Ele surgiu como um ato de indignagio jornalistica. Mas se quiser prosseguir, ter8 que alcangar viabilidade empresarial, ainda que primdria. Por is- so, a partir do mimnero seis, o prego de capa passard para 30 cruzados e as assi- naturas trimestrais para 300 cruzados. Esta iniciativa ainda niio 6 suficiente para dar uma base realista de suporte ao nosso journal. Sobre ele pesam encargos que s6 uma empresa mais bem estrutu- rada pode suportar. No entanto, espe- ramos contar com a sensibilidade, a compreensio e o apoio do leitor. Para minorar suas dificuldades, o JP precisa multiplicar seus assinantes, estabelecen- do um relacionamento direto com eles. Pretendemos desencadear uma campa- nha de assinaturas, de acordo com nossa limitada capacidade. Mas cada leitor po- deri. nos ajudar a continuar informando- o corretamente tomando a iniciativa de tornar-se assinante. Basta enviar os da- dos pessoais para entrega on fazer con- tato, conforme os dados do expediente. N6s s6 temos o leitor ao nosso lado. Mas esta 6 a nossa grande arma. |
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