Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00004

Full Text

]z$ 20,00


NO 4


Crescem os pontos de atri-
to e as fontes de irritageo
mirtua entire o governador
HBlio Gueiros e o ministry
J6der Barbalbo, os dois
principois lideres do PMDB
no Par6. Apesar do preo-~ '
cupagao de ambos em pre-
servor as aparbncias e nio
comprometer a amizade de
longos anos, os dois grupos
- o primeiro mais marca-
domente administrative, o
segundo basicamente poll-
tico se hostilizam nos
bastidores j6 h6 bastante
tempo, trocando farpos e ,
indiretas.
Os "jaderistas" se quei-
xam do impassividade do
governador, que nao esta-
ria respondendo, com favo- i/oig
res e prioridades, aos que
o ajudaram a eleger-se, "carregando o pesado fordo
que ele foi durante a campasha eleitoral", conforme
a expressio de um dos politicos fibis ao ex-governador.
O lider do PMDB na Assemblbia Legislativa, Ni-
cias Ribeiro, expressou essa posigno durante uma reu-
niao da boncoda no semana passada. Disse que
estava disposto a entregor o cargo porqpe neo tem
mais fungao: o governador n8o o recebe, neo atende
seus pedidos e nom mesmo so dispee a marcar um en-
contro com os deputodos, que recorreram ao Ifder pa-
ra conseguir a reuniao. Nicias aproveitou para critical
e ironizar um piano de trabalho do Secretaria de Edu-
caCpio para o Xingu, apontando o que considerou "fa-
Ihos gritantes". A secret6ria 6 a esposa do governador,
Terezinha Gueiros.
Muitas farpas As queixas, feitas em tom du-
ro, deveriam ser mantidas em sigilo, mas pelo menos
dois dos participants do sessao vazaram informaybes
pora a imprensa. O governador neo conteve as opi-
nibes que s6 express em circulos mais intimos, ao rea-
gir bs afirmagaies de Nicias, um dos politicos mais


C~Crr"'
identificados com 36der Barbatho.
HBlio respondeu qlue tem muitos compromissos pa-
ra cumprir e neo pode ficar recebendo openas depu-
todos. Foi ferino quando disse que os politicos uee
quiserem conversar com ele o encontream sempre no Pa-
16cio Lauro Sodr6: "Eu neo me escondo nom no idesp,
.nem no Cohab e nem no Banco do Estado do PardI",
disse, numa clara alusso ao h6bito de seu antecessor
de despachor nesses 6rgeos a para 16 convocar ope-
nas as pessoas com as quais tinha interesse em falar,
negando sua presenga para as demois. Na relagao
H61io deixou do incluir as secrertarias de Planejamen-
to e do Fazenda, as duas pegas-chavne nesse roteiro de
administrageo informal ou parolela que constitui uma
dos mais notdveis caracteristicas de 16der como go-
vernador.
Procurando desqualificor as reclamagaes de Ni-
cias, Hblio disse que razaes teria para queixor-se, so
quisesse, o deputado M6rio Chermont, que 6 o lider
do governo no Legislativo. Mas Chermont, romanescen-
to do volho PSD antes de passar ao MDB e, em segui-


Pesa
Licio Fli~vio Pinto
2o quinzena de outubro de 1987 C


PM DB



0 s atr it os de Gueiros e Jader

Os grupos liderados por H41io Gueiros e Jader Barbalho
trocom tiros nos bastidores, mas quem sai ferido 4 o PMDB: fica
cada vez mais precdria a unido inter~na, enquanto
crescem as diverg~nciars entire os dois grandes aliados.







para J6der um ministbrio menos indigesto do qlue o
atual. Os "jaderistas" acharam que faltoo empenho
ao governador e Jrdder, no 6poco, teve que desistir do
MIRAD, ocupado per Marcos Freire. Quando o ex-
senador pernambucano morrou, Hdlio foi chamado a
Brasitio e ouviu, impossivel, o president JosB Sarney
anunciar-lhe qlue escolherio um paraense como substi-
tuto de Freire. O governador agradeceu, elogiou a ini-
ciativa, mos nom perguntou quem Sarney indicaria.
"Simplesmento neo so compromoteu", interprofou um
deputado poemedebista.
O atrito com Nicias Ribeiro pmroocov a confron-
togeo mais aborta, por~m o golpe mais sentido foi da-
do no dio 25. Embora o cerimonial do Pal6cio Lauro
Sodre tivesse distribuido convites internos, somente dois
secret6rios de Estado Romero Ximenes, do Traba-
tho, e Frederico Monteiro, da Fazenda foram a fes-
to do anivers6rio de Jdder, realizada no mais tipico
estilo populista no conjunto Jaderlandia. Mos o go-
vernador Hblio Gueiros preferiu viajor para Recife, no
sexta-feira ir noite, e 16 comemorar os 80 anos do em-
presdrio Joso Santos, done do segundo maior cartel
do cimento no pais e chefe de um "lobby" poderoso,
qlue incluiu o ex-governador Alacid Nunes. H61io s6 re-
tornou a Belem no segunda-feiro. No dia seguinte, bem
cedo, 36der viajou para Brasilia.
Apesar do aedeso maciga dos moradores do con-
junto, qlue surgiu com a desapropriageo da drea por
J6der quatro anos antes, a festa neo recebeu os 15 mil
Participants idealizados por seus organizadores, nem
foi um beija-meo consagrador, como pensavam. Mas
teve o ineg~vel mtirito de esclarecor as tendencias den-
tro do PMDB e permitir uma certa avaliaao de for-
gas. A do ex-governador ainda 6 poderosa e conta com
adesses importantes dentro do atual administrator,
qlue precisard refazer-se profundamente so houver um
rompimento.
Jdder neo parece interessado em aprofundar o
fosso ou em remexer feridas. Ao contrd~rio, tem procu-
rado domar os elements mais impetuosos deseu gru-
po. Mas tambem d6 suas estocadas. No discurso de
agradecimento, lembrou qlue, mesmo vaiado, "nunca
mandei retirar trabathodores do frente do Pal6cio",nu-
ma mais do qlue clara alusso b atitude- do governador
H61lio Gueiros contra uma das manifestacges de pro-
testo dos professors.
Ainda cj mais dificil dizer so no future a relag~o
entre os dois continuard sendo pontilhada por essa
guerrilha verbal de desgaste ou se evoluird para um
combat oberto, com desdobramentos imprevisiveis no
memento. Hblio poderia tentar former uma bancada
pr6pria, selecionando apoios em outros partidos e,
eventualmente, chegando a uma composig8o com o ex-
governador Alacid Nunes. Mas sua vertente mais na-
tural 6 o crescente aproveitamento de gente do antigo
PSD, como ele pr6prio. Umo atitude dessas certamen-
to enfragueceria sua base de sustentageo legislative,
mas talvez neo por muito tempo. J6 a situaao de J6-
der estd vinculada ao sou desempenho no ca6tico e
inst6vel governo de Sarney, dependendo too ou mais
dos outros do qjue dele pr6prio. De qualquer manei-
ra, a quadro estard definido at4 janeiro, com a corni-
doa bs prefeituras municipals, a previa do grande teste
de 1990.


da, ao PMDB (ao contrdrio de Nicias, um produto do
era "jaderista"), ao que parece nao est6 interessado
em reclamar, nem de pirblico, nom em pretensas reu-
nises sigilosos, emboma neo the faltem motives (sua hor-
to eleitoral vem sendo depredada pelo correligiondrio
Carlos Kayath, com a ajuda dos bulldozers financei-
ros da Sudam, comandoda pelo pai, Henry Kayath,
o candidate a candidate ao governo mais pr6ximo do
corageo de Hblio).
Enquanto so preocupa com sous interesses cliente-
listas, Nicias teria descurade sue missao especifico,
que 6 defender o governor no pariamento, retrucou o
governador, queixando-se de ficar sem defesa em cer-
tas ocasi~ies. "Os~ partidos do oposicao at6 que sio
camaradas, ndo opertam tanto", complementou. A fa-
miliar do governador vai alem no interpretagso dessa
omissao: ela acha que stores do partido sijo no vetr-
dade os maiores opositores do governo.E como reage
quando 14 o "Didrio do Par6", de propriedade do mi-
nistro Adder Barbalho: "Vamos ver o que diz o jornal
do oposicaio" costume observer, sord6nico, um dos fi-
thos de Helo
Em sentide contr6rio, alguns "jaideristas" i6 apos-
tom no progressivo enfraquecimento da autoridade do
governador, que, por inapet~ncia, iria delegar cada
vez mais torefas. Nesses circulos tem sido constant a
referencia a uma doenqa grave da qual Hblio estaria
sofrendo e que teria motivado sua viagem oo Japao,
com prolongamento oos Estados Unidos. O boato vem
se disseminando, embora o pr6prio governador tenha
tentado adiar a viagem (ou mesmo cancei6-la) e apa-
rento boo sadde, neo tomando nenbum remidio siste-
maticamente. Mas se boatos desse tipo prosperam 6
porque a doenga neio est6 em nonhum dos dois lideres
individualmente, mas no relacionomento do universe
de seus interesses e dependents.
Pontos de atrito Os "pontos negros" come-
Sparam a surgir logo no inicio do governor Gueiros, em
margo. O novo governador neo poupou o acervo re-
cebido do administracaio anterior, criticondo a exces-
siva contrataao de fun~ciondrios, obras mal realizadas,
elevado grou do endividamento, caos administrative e
um quadro geral de dificuldades muito mais grave do
que o retrato traqado antes por Adder. Gueiros mante-
ve durante muito tempo sobre sua mesa um exemplar
do Di6rio Oficaal que publicou o reenquadramento de
seis mil funciondrios, transformados de prec6rios em
efetivos, um dos 61timos atos de 16der. So tivesse que
demitir, comegaria por aqueles nomes porque a ofeti-
vagaio era illegal, supetiu virrias vezes para assessores.
A investida sobre esses bolsees de empreguismo,
formados b margem da political clientelista de 36der,
provocou um atrito entire H41io eoa pai do ex-
governador, Laestio Barbalho. Lorcio pediu demissao
do cargo do assessor especial do governor, que ocu-
pou durante os quatro anos anteriores sem o exercer,
e a partir dal comeqou uma sutil campanha contra o
governo atrav~s do "Didrio do Pard" (reforgada com
o ofasiomento de Bechara Frohia do estrategica l ? De-
legacia Fiscal, com sede em Belim). Depois os dois fo-
ram reconciliados por interferencia de Henry Kayoth.
As m6goos dos "jaderistas" cresceu quando H6-
lio preferiu monter-se em attitude de expectativa, em
Belem, no inv~s de mentor acampamento em Brastlia,
engrossando o "lobby" dos que tentavam conseguir







BASA




Rombo cresce e pode afund-lo

Uma hist~ria inacreditdvel de irregularidades estd~ por trdis
das fraudes no Banco da Amaz~nia. O desaffo, agora,
4 o de punir os responsdrvels. Maior ainda 6 a tarefa de
evitar qlue o banco acabe sendo extinto.


Durante oito meses o Banco da Amaz~nial sofree
"um verdadeiro assalto ao seu patrimanio" em conse-
qiibncia de "tr~fico de influbncias junto ao Banco e
abuso de poder no process operacional interno, no
drea de Crgdito Geral", segundo as conclusbes de um
relat6rio de auditoria internal elaborado a 21 de agos-
to. Do lucro de 3,6 bilhaies de cruzados apresentado
no balanqo do primeiro semestre, o Basa poder6 che-
gar ao final do ano com prejuizo e seriamente amea-
cado de sofrer restric6es ou mesmo de vir a ser extinto,
desaporecondo sob uma sigla qlue surgiria de sua fu-
soo com o Banco do Nordeste.

I'stas as perspectives sombrias ao final dos inqup-
ritos internos, entregues na semano passada ao Minms-
terio do Interior. Os levantamentos mndicaram qlue
aproximadamente 600 operacbes irregulares foram
realizadas no setor de cr~dito geral, quase todas au-
torizadas pelo entao diretor-geral Augusto Barreiro Pe-
reira, no valor aproximado de 30 milhaes de d61ares,
parcela consider6vel dos quais dificilmente o banco
conseguird reaver. AlIm do prejuizo material, qlue ten-
derd a crescer at6 o fechamento do balance e ainda
ndo foi completamente medido, o Basa recebeu um pro-
fundo abalo moral, "que carece imediatamente ser re-
cuperado", como dizem os auditors internos, para qlue
possa se manter "como empresa respeit6vel" e restau-
rar a "moralidade professional de sou quadro".
Seis funciondrios foram demitidos e outros oito so-
freram punic~es administrativas nas trbs agbncias de
BelBm, Itaituba e Rio de Janeiro nas quais foram apu-
radas as irregularidades. Mas os principals respons6-
veis e maiores beneficidlrios, por j6 estorem fora do
banco ou neo terem com ele qualguer tipo de vincula.
gao, ficaram fora do alcance dos inquiritos. O ex-
diretor e ex-presidente Augusto Barreira e seu filho, in-
termedi6rio na maioria dos transa~es, sequer foram
ouvidos, embora responsabilizados pelos danos cou-
sados. Ao receber os autos dos inquiritos, em Brast-
lia, o ministry do Interior, Joao Alves, garantiu ao
president interino do Basa, Luiz Estanislau tobsio, lue
os dois e outros implicados ser~o atingidos por ou.
tros meios: atrav~s dos inqubritos policiais, a serem con.
duzidos pela Policia Federal, dos processes por
sonegaq8o de imposto de renda e enriquecimento ill-
cito, na Receita Federal, de inqubrito do Banco Cen-
trol e das ages penais qlue a Procuradoria Geral da
Repliblica provocaria.

Origem da explosao As promessas foram rece-
bidas com certo ceticismo dentro do prbprio Basa. Em
novembro do ano passado, quando as transaCges ill-


citas estavam apenas comecoando, o mesmo Luiz Lobao,
enteo no diretoria, e o auditor Evandro Rosas, foram
procurodos por um empresdrio que estava organizan-
do uma pequena firma de prestacao de servigos. O em-
prejario havia pedido 260 mil cruzados de cr4dito
para capital de giro, com base no resolu~o 695 do
Banco Central, oferecondo como garantia apenas sou
oval eoa da esposa.

O empres6rio denunciou a Lobao e a Rosas qlue
o filho do director de credito geral, Augusto Barreira
Pereira J~nior, estava cobrando comissio de 10% e
mais a transfer~ncia de duas linhas telef~nicas para li-
berar o empristimo. Lobso confirmou a hist6ria ao ve-
rificar que a proposta estava realmente no gabinete
do director, enquanto Rosas eoa chefe do auditoria no-
tificavam verbalmente o pr6prio Augusto da denancia.
O director teria garantido qlue a proposta seria indefe-
rida, mas no dia 16 de janeiro a encaminhou B agan-
cia centro "para providenciar". A agancia concluiu qlue
o pedido neo tinha amparo t~cnico e qlue o atendimen-
to acima de 10 mil cruzados "s6 poder6 ser em card-
ter de absolute excepcionalidade", a crit6rio de
admmnistracao superior. No dia 10 de marco o dinhei-
ro foi liberado.

Se o procedimento normal para esses casos tives-
se sido adotado, com a instauracao de sindicancia, o
banco talvez tivesse contido a frenitica liberacao de
dinheiro que ocorreu entire janeiro e junho. Mas todos
se omitiram, inclusive a diretoria, que, no semana pas-
sada, decidiu punir os funciondrios da agancia de Be-
16m, que participaram ativa ou passivamente das
transages em escala hier6rquica inferior. No seu de-
pimento, o principal desses punidos, o gerente Clelio
de Lima Pontes, mostrou que a omiss~o ou passivida-
de 9eneralizadas eram produto da luta pela presidan-
cia do banco, estimulada incialmente pelas constantes
ausancias do entaio president e aberta em seguida pe-
lo pedido de demissao de Carlos Thadeu. Havia ain-
da uma outra componente, segundo Clelio: "Com a
forte personalidade do director Augusto e, at4 certo mo-
do, sua condigao de home temperamental, este do-
minava integralmente os atos do banco, com o qlue
todos se curvavam".

Com o apoio do genro, Mauricio Vasconcelos,
secret6rio-geral do Ministerio do Interior (ao qual o Ba-
so est6 subordinado) e, agora, assessor do chefe do
Gabinete Civil da Presidgncia da Repdblica, a mesmo
Ronaldo Costa Couto, Barreira Pereira era um director
poderoso: contava como certa sua confirmagaio defi-






nitiva no presidencia, que ocupova em rodizio com ou-
tro director, Matias Pereiro, apoiado pelo Amazonas
e com direitos oo cargo se o ocordo entire os governa.
dores fosse respeitado. Barreira tinha tantos poderes
qlue mesmo quando as operacses na 6rea do cr~dito
foram suspensas, a partir de seis de maio, ele conti-
nuou liberando dinhreiro porque tinha 6 sua disposi-
gao "uma dotos60 para atnder cosos especiais",
segundo revelou C16lio no inqubrito.

Houve assim "uma verdadeiro explosao de crcidi-
tos, num exiguo espaqo de tempo", em tres agancias
como verificou o Departamento de Auditoria Interna
em seu relat6rio de 21 de agosto. As opera(ses eram
realizadas com "total irresponsabilidade", atrav~s de
deferimentos "sem respaldo tecnico nonhum qlue pelo
menos teoricamente pudessem conduzir a um desfecho
favor6vel". Relata o Audin: "Inrimeras operag~es rea-
lizadas no Agencia Belem-Centro foram negociadas a
taxas inferiores bs determinodos pelo Comite de To-
xas, levando a Banco a consider6vel prejuizo com re-
ducaes percentuois de aproximadamente 30%/, em
media".

Dinheiro derramado Em janeiro a aplicagao
global do banco era de 2,8 bilhaes de cruzados e os
cr~ditos vencidos representavam apenas 32,5 milhaes,
ou 1,16%. Em junho a aplicaSgo havia dobrado para
5,6 bilhaes e os cr4ditos anormais saltaram para 23%
do total (Cz$ 1,3 bilhaes), "exageradamente acima do
nivel tecnicamente admissivel, que 4 de 5%", dizem os
auditors. Nessa "situoago de verdodeiro descalabro",
as trgs ag~ncias concentravam 92% dos crriditos con-
siderados anormais.

Constatou a auditoria que a "quase totalidade"
das operacges realizadas nas trgs ag~ncias "foi au.
torizada! pela Diretoria de Crddito Geral, atrav~s de
seu assessor, Dr. Anturps Clunes dp Silvc~com quem
eram mantidos os contatos pelo; Gerentes, sem respbal-
dos t~cnicos minimos em favor de clients de reputa.
98o duvidosa e na maioria sbm tradiao de neg6cios
com o Banco"

Era incrivelmente f6cil levantar dinheiro no Basa.
Os procedimentos, acrescentam os auditors, "consis.
tiam em autorizacbes dadas apenas por contatos te-
lef~nicos, com homnologagaes "a posteriori" via telex
ou simples comunicagijo internal. Nas Aggncias ope.
radoros a auditoria constatou inexistancia de documen-
tos que pudessem legitimar os cr~ditos, inclusive de
fichas cadastrais, fator primordial para a andlise e de-
ferimeinfo dos emprestimos". Na aggncia do bairro de
Madureira, no Rio de Janeiro, on'dle a situacso era mais
ca6tica, "todas as operagies foram realizodos sem a
necess~lria documentagao, 6 revelia dos preceitos bd.
sicos das diretrizes internal". Observam qlue ali hou.
ve at6 caso de estelionato por saques em contas
correnrtes de clients por pessoas neo autorizadas, "o
qlue poder6 levar oa Banco, inclusive, a reembolsar tais
clients pelos pagamentos indevidos".

Em 24 contratos feitos na aggncia carioca, no va-
lor de 572 milhaes de cruzados, 508 milhaes id ven-
ceram e ndio foram pagos. "Alguns clients tgm
comparecido 6 Aggncia propondo a composigoa de
seus debitos, contudo sem oferecor as necess6rias ga-
rantios e com isso causando um impediments as regu-


larizacbes", diz o relotbrio do comiss~o de inquiritos
administrative, de 18 de setembro. Ela admite que, em-
bora estejam em estudo cobrancas por meios judiciais,
h6 "remotas possibilidades de exito por falta de bens
6 penhora".
Verificou a comissaio de inquerito que a situoq~lo
de 90% dos cr~ditos era "estarrecedora", demonstran-
do a "'gravissima e irrespons6vel attitude dos ex-
odminmstradores, que colocaram em alto risco o patri-
manio do Banco". Em todos esses transagaes foram po-
gas comiss~es de agenciomento no valor de IS%,
sendo 9%1 transferidos piara Belbm e 6%/ retidos no Rio
de Janeiro. Essos comissbes atingiram 33 milhaes de
cruzados, dos quciis 20 mithaes foram transferidos para
Belem pelo intermedidrio de todos os neg6cios, Gui-
therme Feldhaus, e os restantes 13 milhaes divididos
entire sete pessoas. As empresas beneficiadas emitiram
111 cheques para pagar essas comiss~es, "com coin-
cidencias de valores, beneficidrios, datas dos recebi-
mentos concomitantes bs liberacaes", segundo o
relat6rio da comissao. Nas trbs agencias, as comissoes
segundo avaliacaio conservadora teriam atingido
mais de 50 milhaes de cruzados.

As transferi~ncias eram feitas por Feldhous atravis
do Incomex, "dormiom" alguns dios no Banco Itoor e
depois era repossadas para as contas de Augusto e
Augustinho no Lloyds e no City Bank. Augusto autori-
zou a dispense de 50%/ do corregao monetaria (no va-
lor de 770 mil cruzados) para que a Incomex, uma
empresa ainda em fase de organizocqao liquidasse an-
tecipodamente seu d6bito para com o Basa. Feldhaus
o visitova constantemente no sede do banco.
Gragas ao agenciamento excepcional, firmas ine-
xistentes fisicamente, como a 3 B Rio Indirstria de Bor-
racho e a ABE Injetados PI6sticos para Eletricidade,
levantaram entire 20 e 22 milhaes de cruzados. A co-
racteristica comum das operaqaes soo seus valores de
6, 8, 10 e 12 milhaes de cruzados e terem sido auto-
rizadas "rinica e exclusivamente pelo ex-Diretor Au-
gusto Barreira Pereira", que as deferia em limits
superiores aos da sua alcada de 6 milhaes para ca-
da diretor ao assumir interinamente a presid~ncia.
O estouro de Itaituba Estas mesmas caracteris-
ticas estijo presents nos operaq~es feitas em Itaituba.
Quando Ordep Coelho da Silva assumiu a gerancia,
em agosto do ano passado, as aplicagaes no drea de
cr~dito geral eram de aponas 1,4 mithao de cruzados.
Quatro meses depois o saido das oplicag~jes j6 era de
15 milhaes. Em maio, o Basa j6 havia despejado no
proga 250 milhaes, volume que no final de agosto che-
gou a 380 mithaes e, projetado para o final do ano,
com os encorgos financeiros, ultrapassar6 800 milhijes
de cruzodos se neo for ao menos parcialmente amor-
tizado. As aplicacijes do Banco do Brasil, tradicional-
mente o mais forte, neo vilo alem de 50 mithses em
Itaituba.

Empresas sem cadostro, que nunca operaram com
o Basa ou neo the davam reciprocidode, recebiam di-
nheiro e logo o transferiam para bancos particulares
locois, com aplicagso didria no "over night". O gerente
aplicou macigamente em firmas comercializadoras de
ouro, que sempre transacionoram 6 vista, gracas 6 au-
tom6tica liquidez do metal. Mas se esqueceu de pro-
testor sete duplicatas, no valor de pouco mais de um







mitheo de cruzados, perdendo assim o direito de re-
9resso sobre esse dinheiro.

Na semona passada, os 22 benefici6rios dessas
tralnsacbies vieram a Belim tenter uma composicao com
a direcao do Basa, sem muito sucesso depois de tr~s
horas de reuniao. Alguns sao virtualmente analfabe-
tos ou semi-alfabetizados, outros neo tem patrim6nio
para responder pelas dividas, mos estoriam dispostos
a comp6-las para pagamento comn a redugao dos en-
cargos financeiros, o que significaria juros abaixo do
mercado. A atual diretoria provavelmente neo ter6 con-
dicaes de assumir um comprmisso dessa envergadura,
mesmo que a outra alternative seja a perda dos cr~di-
tos e a necessidade de supri-los.

A um dos empres6rios foram prometidos 240 mi-
thaes de cruzados, dos quais s6 30 mithees foram li-
berados. Ele disse que s6 recebeu mesmo seis milhbes,
porque os outros 24 milhaes foram pagos antecipoda-
mente a Augusto Jr. por conto de sua comissao de 10%.
No depoimento qlue presto 6 comissao de inqugrito,
no dia dois de outubro, JosB Valderi de Oliveira, um
pr6spero comercializador de ouro mais conbecido pelo
apelido de Espadim, disse ter feito v6rias remessas de
dinheiro para Augustinho, otravgs do Bradesco, do Itae
e do pr6prio Basa, em valores qlue somam mais de 10
milhaes, sendo cinco milhaes destinados 6 compra do
Bermasa, uma empresa madeireira instalada em Be-
16m. Quando ia ao escrit6rio de Augustinho, Espadim
sempre encontrava "dliversos clients do Basa tratan-
do de financiamentos'.

Segundo os empres~lrios de Itaituba, 21 frente dos
quais est6 Silvio Macedo, que tamb6m 6 comerciante,
foram liberados Cz$ 380 milhaes, mas as promessas
otingiam v~rias vezes esse valor, "talvez cinco ou seis
vezes mais".

Belem: maior destaque O maior rombo, por~m,
foi praticado na principal aggncia do Basa em todo
o pais, qjue funciona em sua pr6pria sede, na avenida
President Vargas, em Belim. Ali foram aprovadas 507
operates, no valor de 1,2 bilhao de cruzados, duas
vezes o capital do banco, dos quais quase 500 milhaes
sao considerados cr~ditos anormais, de dificil retorno.
As irregularidades foram de todo tipo e inacreditdveis.

A ag~ncia adotou como pr6tica antecipar dinhei-
ro a clients por conto de emprbstimos qlue ainda iriam
ser concedidos e lancou o d~bito como titulos descon-
tados, quando no verdade deveria tb-lo contabiliza-
do como adiantamento a clients. Os juros nos
primeiros tipos de operaSbes variam entire 15% e 19%,
enquanto nos adiantamentos v~o de 31 a 34%. Uma
das empresas beneficidrias desse favor, qlue acarreta-
va prejuizo oo banco, foi a A. P. Engenharia, qlue re-
cebeu em abril 616 mil cruzados por conta de um
empristimo de capital de giro de tr~s milhbes de cru-
zados. Em quatro transagbes, a empresa obteve 8,2
milhaes de cruzados, mesmo com dados codostrais
desfavor6veis. Um dos dons da A. P. 6 Luiz Guliber-
me Barbalho, irmeo do ministry Jader Barbalho.

Os politicos tinham um acolhimento de gabinete
e generoso, conforme o entao chefe de gabinete de
Barreira. Em seu depoimento, Antonio Nunes da Silva


declarou que a todo memento o director recebia solici-
tog~es dos ministerios, "solicitando interferencias pa-
ra agilizoaco de operates de crdditos". Citou como
exemplo Paulo Maia, que ocuparia "fungeo importante
na presidgncia do Repriblica".
Assim, a aggncia descontou duas notas promiss6-
rias de 7 milhaes e 2,2 milhaes de cruzados da
Agropecu6ria Boa Sorte, embora a empresa tivesse
emitido cheques sem funds e houvesse restriges con-
tra um dos avalistas, a deputodo federal (PMDB) Fausto
Fernandes, sem limited cadastral. O gerente CI61io Pon-
tes explicou que o deputado, "pessoa de dificil rela-
cionomento", se escudava "em sua posicio" e buscava
"atendimento bs pretensees de suas empresas nas al-
tas esferas da Administrageo do Banco, por onde, nor-
malmente, 4 atendido". Mas fez a observagao de que
o deputodo sempre liquidou, "sem maiores proble-
mas", seu d6bito.

Mais bem servido ainddfoi Newton Carneiro, que
fez v6rias operacaes no aggncia. Quando j6 estava
com um soldo negative de 25 mil cruzados, ele emitiu,
entire os dios 27 e 28 de maio, dois cheques sem fun-
dos, um de 880 mil e outro de sete milhaes de cruza-
dos. O sub-gerente mandou devolver o segundo
cheque, mas foi obrigado a honr6-lo porque o geren-
te, de ordem do director, mandou concelar o carimbo
de devolugao e acotar o cheque. O saido devedor foi
contabilizado no conto Titulos Descontados e seria li-
quidado com um emprbstimo destinado a capital de
giro, cuja propost oainda estava em transmitagio.

O mesmo Newton Carneiro recebeu outro favor.
No dia 19 de junho ele estava no gabinete do gerente
quando recebeu a minute de um contrato de cr~dito
industrial no valor de 12 milhaes de cruzados, com da-
to desse mesmo dia e vencimento a 15 de marco de
1988. Carneiro se recusou a assinar e Ciblio determi-
nou que o document fosse rebatido com a data atro-
sada, do dia 11 e vencimento em sete de margo do
pr~ximo ano. Assim, o client beneficiou-se dos efei-
tos da deflaeo instituida no dia 12, uma semana on-
tes. A altera;eo de contrato para esse tipo de "favor"
deu ao Basa prejuizo de Cz$ 20,7 milhaes.

Com operac~es desse tipo o banco jogou fora seus
recursos de curto prazo. Quase 40% dos 5,6 bilhaes
de aplicacaes em crbdito geral apuradas no primeiro
semestre seguiram pelas trtbs aggncias, totalizondo 2,1
bilhaes de cruzados. Segundo a "previsao otimista"
do auditagem de a90sto, seria possivel reaver 888 mi-
lhaes de cruzados: 30% do que foi aplicado no Rio
de Janeiro, 40% dos aplicaces em Itaituba e 50% dos
crdditos irregularmente concedidos em Belem.

Mesmo nessa projeqao otimista, ainda neo confir-
mada pelos fats, o efeito ser6 explosive sobre as con-
tas do Basa. Quase metade dos 3,6 bilhaes de lucro
registrados no balance do primeiro somestre (1,7 bi-
Ihao) foram obtidos nas tr~s aggncias. Como esse di-
nheiro ainda neo foi devolvido, significa que se trata
de mera escriturageo cont6bil, noda mais do que pa-
pel. Assim, 6 media que os dibitos forem vencendo,
o bonco ter6 de fazer provisionomento dos valores. Da
evolucgeo desse movimento depender6 seu future, que
hoje 4 incerto e neo sabido.






REFORM




Andando firmemente para tris

Depois das medidas adotadas na semana passada, ficou
dificil dizer como o governor executari a reform agrdria.
Exclaindo das desapropriaq9es os latifiindios,
voltar8 g regularizaCgio fundidria, arma da Velha Repi~blica.


Para combater a UDR (Uniao Democr6tica Rura-
lista), a principal trincheira de resistancia 6 reform
agrdria, o governor adotou-Ihe as iddias. Esta estranho
16gica est6 por trds do decreto-lei 2.363, assinado pelo
president Jos6 Sarney exatamente um mas depois que
oex-governador do Pard, 36der Barbatho, assumiu o
Ministbrio da Reforma e Desenvolvimento Agrdrio. O
pr~prio Jdder s6 soube do documents, preparado pe-
lo Consultor-Geral da Repdblica, Saulo Ramos, quan-
do a minute jd estava redigid ae pronto para ser
submetida oo president, que a referendou no dia 21.
Mas o ministry nao apenas aprovou o texto, como se
tornou seu defensor e escudeiro.
O principal argument apresentado em defesa das
medidas 4 de que elas esvaziarao a UDR. Dos
4.559.982 im6veis rurais cadastrados no extinto incra,
apenas 118.541 (ou 2,6% do total) poderao ser de-
sapropriodos. Foram excluidas todas as propriedades
com mais de 1.500 hectares na Amaz6nia, mil hecta-
res no Nordeste, 500 hectares no Centro-Oeste e 250
hectares no restante do pals. Elas somam 4.441.269
im6veis rurais.

*Wi lli:F

Com essa exclusio, o governor pretend retirar da
clientele da UDR os pequenos e m~dios proprietdrios,
assustados com a esquerda e mais oinda com a
propaganda alarmista e tendenciosa dos adversdrios
do Plano Nacional de Reforma Agrdria. Eliminando
os extremismos de ambos os lads do espectro ideo-
16gico, o governor poderia realizar sua utopia, inedita
na hist6ria universal: uma reform agrdria consensual,
negociada, harmonica.




Esse nirvana de entendimento ja se estoria mate-
rializando na prorpia reaSqao do president da UDR'
Ronaldo Caiado, qlue recebeu com simpatia as provi-
dgncias e saudou comn o destaque de proxe no gran-,
do imprensa o fim do "conotageo ideol6gica" na
reform agrdria com a extinc(5o do Incra.
Perfumaria Agrfrria Se o decreto-lei tem o sim-
pdtico efeito de retirar a guante do desopropriagio
de cima do cabeca de 97,4% dos im6veis rurais, qua-
se por conseqiigncia ele provoca a frustrante consta-
taao de qlue a reform passa a ser perfumaria
ag'rdria. Ela est6 virtualmente abolida no principal
egiao de produgiao agropecudria do pais, a partir de


Minas Gerais at4 o Rio Grande do Sul. Se no Amaze-
nia 64%/ do 6rea dos im6veis rurais permaneceu pas-
sivel de desapropriageo, no pare mais valorizada do
Brasil esse percentual foi reduzido para 23%/.
Mas ainda haverd um decrdscimo maior quando
os detentores de im6veis situados nos limits das dreas
minimas fixodas pelo governo desmembrarem suas pro-
priedodes. Eoa que seguramente fordio, transferindo pa-
ra os nomes de parents e amigos parcelas do im6vel
original, seccionodo em tantas parcelas quantas forem
necessdrias para vacind-lo contra a desopropriageo.
Ser6 um mero arranjo cartorial, sem influgncia no ex-
ploragio fisica da terra.


-4~-~IC;iJ44mwah~ sy- 4

A maioria dos propriet6rios, por~m, sequer prei-
sard recorrer a artificios semelhantes. O decreto diz
que noo poder6 ser desaproprioda a drea "em pro-
ducao". A expresso, deliberadamente vago, revoga
na pr6tica o artigo 19 do Estatuto da Terra (derroca-
do em muitos outros dispositivos, no aberragio de um
decreto revogar uma lei). Ate entao, so as empresas
rurais estavam imunes 6 desopropriagao e a fmnalida-
de b6ica do Estatuto, editado pelo governor military no
auge de sua popularidade, em novembro de 1964, era
justamente a de modernizar a estrutura de producao
agricolo eliminando as unidades obsoletas, o miniion-
dio~ de um lado eoa latifbndio de outro.

~d~a 05 4*+

So o Estatuto da Terra, velho de 23 anos, estives-
se sendo aplicado, nonhuma propriedade rural pode-
ria ter mais do qlue 72 mil hectares (600 vezes o maior
modulo, para reflorestamento). O maior im6vel regu-
lormente cadastrado no incra alega possuir qjuatro mi-
thees de hectares. Apenos 24 propriet6rios det~m tanta
drea quanto a que o oaverno considerou necessdria
para o assentamento de 1,d milhaes de lawradores e
trabalhadores rurais.
T~cnicos ligados ao ministry Adder Barbolho pro-
curavam atenuar o efeito do media argumentando
que, ~a rsr baixadar em 30 dios, a regulamentageo po-
dedminimizar as conseqigancias dessa extrema libe-
ralidade, que liquid com a reform agrdria e a
substitui pela ineficaz regularizageo fundidria, mera
emi~sso de titulos, praticada pelos governor militores,
qlue a Nova Repdblica quis abolir atrav~s do PNRA.
Sinal nesse sentido 4 a indicago, para a presidgncia














































Future: inc6gnita ameagadora


do rec~m criardo Inter, do advogado Wiellington Men-
des Lopes, um dos mais assidue colaboradores da Ve-
Iha Repdrblica nas questees fundidrist.
Noda para desopropriar No entanto, 6 pouco
provr6vel que a regulamentagao escape ao delineamen-
to do decreto. Ao excluir das desoproprioaces os im6-
veis com direas entire 1.500 e 250 hectares, conform
sua localizageo geogr6fica, ele protegeu boo pate
dos latifrindios por explorag~o, caorcterizados em fun-
96o da relaCgo entire a 6rea total e a drea utilizada
(por isso, um im6vel comt 200 hectares pode ser lati-
friadio so for mal explorado). Os latifirndios por dimen-
sdo (acimar de 600 vezes o mr6dulo rural especifico, que
vai de tre a 120 hectares, conforme a destinageo) fo-
ram prolegidos polo decreto que aprovou o PNRA, em
outubro de 1985. Somados, os crit~rios de eclus~o de
im6veis das desapropriagaes soo toio ampios qlue dei-
xam muito pouco para ser incluido.
Mas, alem desse disposition, que faz o pots que
regridir constitucionalmenrte ao period anterior 6 co-
branca de fungdo social para a propriedade, h6 ou-
tras normas t8o ou mais negatives dentro do decreto.
Mesmo a propriet6rio que tiver son im6vel desa-
propriado ganhard um seguro contra eventuais incur-
sees do governo no future sobre 25% do drea original,
que Ihe ser6 reconhecida como de dominio "e que so
tornard insuscetivel de nova desapropriageio para fins
de reform agr6ria". Serd uma oportuna said para
aqueles glue jd estavam ameagados de perder toda a
propriedade por casa de ocupaCaes de posseiros.
Mais beneficiado estard ainda o detentor de pro-
jetos agropecu6rios na Amaz6nia. O governo vai exi-
gir qlue Ihe seja transferido "o dominio de dez por
cent da drea beneficiada e qlue serd, sob a supervi-
soo do Mirad, utilizado no assentamento de peque-
nos agricultores". E a materializagao do reservea de


posseiros", que a Associago dos Emnpres6rios do
Amaz6niar, com sede em Sao Paulo, propes no inicio
do administrago Figueiredo. Atraves dessa drea de
confinamento, as fazendas tereo mao-de-obra de re-
serva e podoriio comercializar a diversificado produ-
soo agricola desses colons. No 6poca em que langou
a iddia, a AEA um dos fortes redutos da UDR -
pensave em arcar com o 6nus do impiontag8o dos as-
sentamentos. Agora o governor assume a responsabili-
dode. Soird muito mais bramto para os empres6rios,
naturaimente.
Alguns avangos propiciados pelo decreto-lei, co-
mo a imissdo imediata no posse dos dreas desapro-
priadas quando o propriet6rio concordar em ficar com
a reserve de 25%, ou a inalienabilidode dos titulos
de dominio de terras, soo obsolutomense secondbrios
diante do retracesso geral qlue as novas medidas vao
provocar. Com maita propaganda e eficiencia no "~gla-
mour" usado, a governor poderd minimizer reagaes ne-
gativas a essa naov contra reform agrtjria e conquitar
novas adesses em stores do opiniao pilblica (ou pu-
blicada) paro medidas sintomaticamente adotadas bs
v~speras da deliberago do Assembibia Nacional
Constituinto sobre a questao e do encontro nacional do
UDR. Mas certamente agravord as distorSaes clue jd
existem e soo graves no estruturo agrdria brassleira.
Ao ministro J6der Barbalho restoria o questiond-
vel console de alegar qlue neo inspirou as provid~n-
cias. Elas nasceram (ou form envernizadas) -no
escrit6rio do consultor Saulo Ramos, atelier contumaz
para esse tipo de arquitetura juridica sinuoso. Mas a
outoria indireta indica que so em tao pouco tempo o
ex-governador paraense j6 se dispas a consumer sapo
desse porte, no future so submeter6 a card6pio mais
indigesto. Esse estado de espirito 4 qlue d6 unidade 6
administrator Sarney.


S6 depots que digerir os tres
alentados volumes dosinurts
administrativos instaurados em
Bel~m, Itaituba e Rio de Janeiro
B que o ministry do Interior, Jodo
Alves Filho, estar6~ em condisses
de decidir sobre a indicago do
novo president do Banco da
Amaz~nia. Isso ele mesmo disse
ao president interino do banco
Luiz E stonislau Lobso, no con-
versa que tiveram no dia 21, em
Brasilia. Tambem significa que
uma definigeo nelo ocorrer6 an-
tes do final de novembro.

A escotha do novo presiden-
te, no entanto, neo depender6
exclusivamente do ministry do In-
terior, nem do simples leitura dos
inqubritos. Mais do que nunca,
h6 um forte jogo de press~ies di-
retamente relacionadas ao car-
go, mas tambem engatadas no
crise political nacional e nos pro-
blemas econ~micos enfrentados
pelo pais. A combinaCeo dessas


circunstancias nalo poderia ser
mais desfavoravel ao BASA.
Pelo process natural, o su-
cessor deveria ser Matias Perei-
ra, que foi indicado pelo
Amazonas e recebeu o endosso
do Pard. Mas o nome enfrenta
resistancia em Brasilia e jd esta-
ria sendo renegociado em Bel~m
e Manaus, onde outras alterna-
tivas passaram a ser examina-
das. O ex-presidente Delile
Guerra de Macedo sugeriu o no-
me do ex-superintendente da Su-
dom, Hugo de Almeida, que
atualmente trabalha ao lado de
Mauricio Vascancelos no Gabi-
note Civil do Presidgncia da Re-
piiblica, como assessor do
ministry Ronaldo Costa Couto.
Delile acreditova que Hugo de
Almeida seria uma oppo t~cni-
ca, acima das disputes political
regionals. A vizinhanga com o
genro do ex-diretor Augusto Pe-
reira, porem, poderia compro-
meter essa imagem.


As dificuldades para chegor
a um nome capaz de compor to-
dos os interesses, ou ao menos os
mais fortes, ameaga deixor o Ba-
sa mais uma vez exposto aos
azares da interinidade, que es-
too no origem dos desmandos
praticados em sua administra-
gao. Desta vez, nejo h6 mais gru-
pos politicos solidariamente
dlefinidlos. No Amazonas, Ama-
zonino Mendes e Gilberto Mes-
trinho estoo so distanciando,
assim como Hblio Gueiros e Ja-
der Barbalho. Os compromissos
de ontem neo soo mais os de ho-
j.A nivel administrative tomb~m
h6inten6ees conflitantes, princi-
palmente sobre a amplitude das
medidas que devem ser adota-
das com base no apurag8o dos
irregularidades, que uns querem
limiter e outros, oprofundar. De
qualquer maneira, se algu~m
quisesse prejudicar o Banco do
Amaz6nia, neo poderia fazer
melhor.





POR DENTRO.


_____ ~_


Editor respons~ivel: Li~cio Flivio Pinto
Enderego (provis6rio): rua Aristides Lo~bo, 871,
Bel~m, Park, 88.000. Fone: 224-3728.
opgoseJornalistica


tacle o ex-senador Pedro Moura Palho.
Aldm dos converses sobre political, uma
das atrocaes donoite fo o carddipio, en-
niquecido por protos de tartarugo, cos.
quinho de mucuva e lagosta. Entre os
convives, o soperintendente da Sudom,
Henry Kayath. A superintend~ncia do
Desenvolvimento da Amaz~niojd oro.
you um projeto para a criaao de oar,
toruga em cativeiro, a formo de permitir
o abate do animalsem agroavr o risco
de sua extincido, mas a experieanci neo
dev certo. Oique nio impediu os convi-
vas de Moura Po/ho, embolodos por um
conjunto de seresta contratedo poro ani-
mor a noite, de enfrentarem com valen-
tia o suculento oinda que proibido _
menu. Ningudm do IB0F responded
present oo digape, como dizem os re-
dotores de notas sociois.




generOSO

Em novembro de 1984 o Institu-
to Tecnol6gico de Brasilia, dedicad?
a implantacao de escolas de 1? e 2.
grous na capital federal e sem qual-
quer vnculo com o toe diannc iarc6
intermediar um emprestimos de 20 mi-
lb~e de d61Bsares, que estava engata-
do no aoverno federal, cobrando
taxa de 7,75% sobre a transageo. Em
90 dios, a president do IITB, Agnal-
do Menezes Dantas, garantia obter
a carta de prioridade do Bonco Cen-
tral em troca dos 350 mil d61ares, qlue
seriam gastos em servicess de asses-
sori con u tri pra ac mpnh -

prioridade". '
O advogado Paulo Lamarao, au.
tor de 10 acaes judiciois contra a ad-
ministracao anterior, achou estronho
qlue um instituto educational apare-
cesso como intermedi6rio numaoe-
ragoo de emprestimo entire ois
bancos oficiais. Inutilmente tentou lo-
ca izar o I em Bros ia, mas ajuizou
uma agao popular contra o Banco do
Estado, acusando-o de ter pago 350
mil d61ares (quase 20 milhges de cru-
zados) sem a contraprestageo do ser-
vigo id que o empr~stimo ats boi*
neo soiu. O advogado considerou


ainda mais grave o pagamento feito
ontecipadamente, atrav~s de tras che-
ques, cujas c6pias onexou oo
process.
Somente agora, j6~ sob nova ad-
ministracilo, comportilhada pelo Es-
todo eoa Banco Central, o Banpor6
admitiu o envolvimento do ITB no
operopao. Respondendo 21 solicitaSqao
da juiza Marta Inez Antunes Lima, o
President do banco, Frederico Coe-
Iho de Souza, informou que o rinico
document a respeito da transaceo
existente nos arquivos era uma xerox
da carta do president do ITB. Nem
mesmo o original do correspondencia
foi encontrado. Quanto mais outros
documents ou o dinheiro.


JOgO
traulmitico

o ievantomento de todos as irre-
gularidodes praticados nos liltimos
mess no Banco do Amaz~nia, que
agora estdi sendo estendido 21 agbn-
doa do Pedreiro, em Beldm, foi obti-
do otravis de um paciente trabolho
de seus prdprios auditors. Eles tive-
ram que mentor um verdedeiro
quebro-cabego old reconstituir as
operates, mas ndo contoram com a
aoio do Banco Central ora rostrear
o dinheiro drenado paro outros
broncos.
E proydivel que o Departomento
Regional do Banco Centrol em Belim
jdi conhero toda a roto do dinheiro
desviado do BASA, mas sous fundio-

ndrinc usiv n rel~o ao eudt is
do Banco da Amaz~nia. Esso atitu-
de seria conseqiilnci do trauma so-
Frido pelo Bacen quando do
intervencao no Banco do Estado do
Pardi. Por cause da reacdjo politico do
governador Hdlio Gueiros, que pedio
a conseguiu as cabecos do chefe de
departamento, chef adjunto e do
president esecretairio-geral d~o ao-
cioydo dos funciond~rios. Temendo as
mesmos desdobramentos, a pessoal
do Banco Centrol em Bel~m preferio
agora jogar no retranca e deixor a
quesao por ont~~r~ o e ~rico d rpi


COrteSiaS

concretaS

Pelo segunda vez o governador
Hdlio Gueiros visitou Recife, sempre
pelo mesmo motive: levado pelo gru-
po JoEdo Santos. A primeira vez foi no
escala de uma outra viagem, que te-
ve a capital pernambucana apenas
como ponto intermediario. No sexta-
feira a~ noite Gueiros viojou para Re-
cife com um objetivo: participar do al-
moso dos 80 anos do miliondrio Joao
Santos, qlue ainda comanda com ma?
de ferro seu impgrio empresarial. Fol
uma deferenaia especial em se tratan-
do de um governador qlue nom sem-
pre comparece a encontros com
outros governadores e neo se disp~ee
a sair de B~elem por qualguer
pretexto.
O grupo Joao Santos, que j6 tem
uma f~brica de cimento em Capane-
ma, a Cibrasa, est6 construindo ou-
tra em Itaituba, com recursos dos
incentives fiscais administrados pela
Sudam. Esta f6brica deveria ser im-
plantada simultaneamente 6I de Mo-
naus, qlue j6 funciona h6 mais de dois
anos. Embora com cronograma mui-
to defasado, a Caima-Itaituba 6 a
maior absorverdora dos rercursos do
artigo 17 do Finam, qlue jd v~m de
Brasilia com destinagdo definida. Pa-
ra a frrica d taitu a funcionar, ga-
rantindo sou control monopolistico
sobre o cimento no Amazonia, a gru-
poJoao Santos precisa de um -
alias, bastante extension ramal de
energia desde a hidrel~trica de Tucu~


qlue ndo dard lucro para a empresa
geradora de energia.
Um jatinho executive do grupo
Jodo Santos levou o governador a Re-
cife. i o mesmo aviao que HBlio Guei-

dslocam ntma pausoforae soe Pa
Gratuitamente, o aporelho tambem
foi utilizado muitas vezes pelo entjo
governador J6der Barba ho. i uma
cortesia do segundo maior produtor
de cimento do Brasil '


Tartaruga
A PSD

Politicos do antigo PSD {Partido
Social Democrcitico), depois abrigados
sob a legend do PMDB, so reencontro-
ram no dio 19, no festa de aniversdirio
do procurador geral do Fazenda do Es-