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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00003

Full Text









MINISTiRIO


Os critbrios da escolha
O president Sarney diz que escolheu Jcider Barbalho ministry
da Reforma Agrdiria por causa da boa ad ministragdo que ele teria
feito no Pardr. Mas os paraenses foram surpreendidos: o
acervo de Jidder 4 negative. AIJ~


i pouco prov6vel qlue a
maioria dos paraenses
aceite partilhar a opi-
niao do president Jos6
Sarney a respeito do no-
vo ministry da Reforma
Agr6ria. Disse o presi-
dente qlue escolhou Ja-
der Barbalho como o
substitute de Marcos
Freire no MIRAD devido
b boo administrator de
ex-governador do Pard. ,
O president neo teria
provocado tanta contro-
versia se tivesse dito exa-
tamente a verdade: qlue e
o crit~rio de seleSZao foi
politico e acabou preen-
chido por exclusso.
Quando Marcos
Freire foi obrigado a tro-
car a influence Caixa
Econemica Federal pelo
conturbado MIRAD, em i 60TE
junho, nom mesmo Jader h
Barbalho, recem-saido
do governo estadual,
queria o cargo. Tres me I~I r
ses depois, com a morte*
ate hoje inexplicada
satisfatoriamente de Freire, a conjuntura j6 reco-
mendova maior resignagao a Jader, reduzido 6 con-
diCSlo de empreserio,enquanto via avivar-se a luz
prepria de seu successor, Helio Gueiros. Mesmo o MI-
RAD ajudaria a recompor a identidade com o po-
der e Jader aceitou o convite.
No precdrio jogo da dispute politica, os fats
posteriores dariam razao a sua decisao: no primei-
ra visit a Bel~m como ministry, foi recebido com fes-
Stas preparadas no melhor estilo brego-populista e
at6 os ajudantes de ordens relaxaram sous deveres,


dando mais atengdo ao ministry. Subitamense desarm-
parado, o governador Hblio Gueiros teve que pe-
gar carona de, seu pr6prio carro official, tomado pela
familia do ministry ( ue ainda control grande pate
do possoal dentro ao Pal~cio Lauro Sodr6).
Mas se o MIRAD surgiu como o trem oportuno,
ainda que prec~rio, para chegar a pr6xima para-
do, a responsdvel pela indicapao neo pode justific6-
la com a boo administragBo do ex-governador, ine-
xistente. Na verdade, depois que se firmou, com a
marginalizoaBo dos inc~modos alacidistas, parcei-


Pesa
Liicio Fl~ivio Pinto
NP 3. 1.a quinzena de outubro de 1987 Cz9


___1


$ 20,00






ros apenas de caroponha eleitoral (o botim seampr~e
6 menor do que a voracidade na partilha), aam-
nistraSao Barbalho transcorrou entire sucessees de
esc~ndalos, iniciados com a desapropriaCeo do
Aurd.
Esse e os "neg6cios especiais" seguintes, varios
deles montados sem ao menos um verniz de sofisti-
capao,- indicavam os arranjos que uma administra-
g~o precisa engendrar para substituir a estrutura de
poder (e favorecimento) anterior. A bela gleba de
Conceigao do Aurd seria apenas o instrument de
uma transagao muito maior ainda. So com a com-
pra dos terras j6 seria possivel compor dividas de
particulares junto ao Banco do Estado, com a cons-
trusaio de 35 mil casas populares no terreno desa-
propriodo o principal financiodor do campanha
eleitoral de Jader, Jos6 Maria da Costa Mendonga,
se transformaria no maior empreiteiro de bras do
Pard. Seria uma boa recompensa para quem utili-
zou boo parte de suo divida, de dois milhges de d6-
lares, para eleger o amigo governador.
Os aliados do novo governor, que interrompeu
uma sucessoo de administraqaes de alguma manei-
ra ancoradas no poder do ex-governador, ex-
ministro e senador Jarbas Passarinho, ou dele deri-
vadas (ainda que por vias transversais), receberiam
recompensas atrav~s do BanpardI. Esse tratamento
deixaria o banco em situasio original: o governor
do Estado nada Ihe devia, sendo, ao contrdrio, sou
credor, um quadro diametralmente oposto ao de ou-
tros bancos estaduais onerados por seu acionista ma-
joritdrio; no entanto, o Banpard endividou-se como
nenbum outro para repossar o dinheiro almealhado
dessa maneira a uma drizia de clients especiais, to-
dos ligados ao governador. Proporcionalmente ao
capital, 6 a maior dlyida entire bancos estatais do
pals, somando quase 10 bilhaies de cruzados no fim
do primeiro semestre deste ano, 30% a mais do que
o orgamento do Estado para 1987. Grande porte
desse dinheiro nao voltardr ao banco, desviado por
operag8es mirabolantes como a Aur6 ou o empr~s-
timo d Maiame, uma madeireira de Breves qlue ser-
viu de biombo para encobrir os adiantomentos
irregulares aos clientes especiais.
A principal realizag~o do governor Jader Bar-
balho, a conclusio e asfaltamento da PA-150, mais
de mil quil6metros ligando a capital ao sul do Esta-
do, tamb~m seguiu essa 16gica de compadrio e fa-
vorecimento. As empreiteiras realizaram a obra
adiantando o dinheiro, mas so habilitando para re-
ceber os recursos de empr~stimos externs qlue elas
pr~prias negociavam, em nome do Estado, uma di-
vida qlue aioda levard tempo at6 ser saldada. A
maior das credoras, a Construtora Andrade Gutier-
rez, respons6vel pelo pagamento de um jatinho exe-
cutivo qlue, a partir de certo memento, constituiu o
mis usado meio de transport do governador, al6m
de receber a mais generosa fatia dos empr~stimos,
reivindica milion6ria indenizageo por sou fracassa-
do projeto de colonizageo no Xingu. A questao vai
ser decidida pelo pr6prio Jader, agora no MIRAD.
Jader neo deixou apenas compromisssos previa-
mente amarrados e contas a pagar para o sou su-
cesso, Gueiros herdou uma autentica bomba de
efeito retardado: a mdquina, emperroda e inchada
-- da administrator pirblica. Durante a administra-


96o Barbalho entraram para o governor, sem con-
curso e por criteria politico, quase 20 mil novos
servidores, uma faganha de empreguismo sem pa-
ralelo em toda a hist6ria do Estaldo. Seria como se
o Estado formasse uma grande empresa (para os
padraies da economic local) a cada mas, porem em-
presas improdutivas, qlue se alimentam exclusivamen-
to dos cofres publicos, absorven'do mais de 90% das
disponibilidades financeiras do Estado. Seis mil fun-
ciondrios a titulo prec6rio foram efetivados sem
concurso.
Mas neo restaria ao ex-governador o console
de ter imprimido um trago marcantemente social 6
sua administrator. Se ninguem antes dele fez tan-
tas desapropriagees de terras urbanas, como meio
capaz de dar moradia a milhares de pessoas mar-
ginalizadas, as mais relevantes entire essas transa-
95es ficaram co~bertas por suspeitas de
irregularidade ou ilicitude, como os casos Transpi-
na e Nortubo. Um exemplo do indpcia dessa oppao
6 a Fundageo do Bem-Estar Social do Pare, entida-
de com mais de cinco mil dependents qlue ficou mais
conhecida por suas bizarrias de empreguismo do
que por sous dividends sociais.
Se os movimentos sociais podem reclamar do in-
cremento do violgncia no campo, do parcialismo po-
licial, da ineficigncia do ag8o arbitrol da
administrageo pdblica ou de sou enfraguecimento
moral, faltam motives para queixas pessoais ao ex-
governador, hoje um home rico. Mas seria injusto
acus6-lo de former essa fortune como governador.
Ainda na condisao de deputado federal ele ja era
favorecido por tratamentos especiais que os maio-
res clients de sou Ministerio, os agricultores, reivin-
dicam eternamente inatendidos para poder
produzir mais.
Em agosto de 1980 conseguiu qlue a Sudhevea
(Superintendgncia do Desenvolvimento da Hevea) Ihe
financiasse, atraves do Banco do Brasil, 41,2 milhees
de cruzeiros para o plantio de borracha em uma de
suas duas fazendas no Pare. Para receber o dinheiro,
que satu com juros de 10%/ ao ano, para veneer 14
anos depois, o entao deputado deu como garantia
duas cases situadas no conjunto Bela Vista, em Be-
16m, avalinldas em 4,7 milhees de cruzeiros, 20%
do valor dos financiamentos.
Dois meses depois, Jader conseguia outro finan-
ciamento para custeio, de tres milhaes de cruzeiros
(da 6poca). Iria extrair quatro mil metros cobicos de
madeira de lei de sua fazenda Poliana. As condi-
goes: juros de 2% ao ano e correg~o moneteria
annual de 28%. Deu em penhor a prepria madeira,
avaliada em 10,3 milh~es e, em hipoteca, uma das
casas do conjunto Bela Vista, qlue j6 estava penho-
rada nas duas operaqaes anteriores.
Nestas condigaes, se neo realizou a administra-
56o pdblica qlue dele esperavam milhares de eleito-
res, elegendo-o governador pela oposigaio pela
primeira vez desde 1964, neo h6 ddvida alguma
de qlue Jader Barbalho fez uma exuberante admi-
nistrageo particular nos riltimos quatro anos. Talvez
este seja de fato a criteria usado para inclui-lo num
ministerio composto por figures qlue so tornaram no-
tavels na vida national por essa mesma caracteris-
tica. Fica assim a governor Sarney ainda mais
coerente e bem servido.






MINISTERIO


A ida de J6der Barbalho para o minist~rio al-
terou o equilibrio de poder no Pardr. O ex-
governador foi o mais favorecido com seu retorno
b administrage~o pdblica, num cargo equiparirvel
ao de governador. Mas ele ainda enfrentar6 al-
guns problemas. Um deles 6 a presenga do ex-
presidente do BASA, Delile Macedo, na secretaria-
geral do MIRAD. Delile nunca foi segundo, nem
parece ter vocaqBo para sombra. J6der, alids, de-
testa sombras, principalmente se elas neio tgm seu
priiprio perfil.
A convivencia entire os dois teria qlue equilibrar-
se entire a desconfianqa de um e a fiscalizagelo de
outro, principalmente porque nunca trabalharam
juntos e adotam metodos conflitantes. A previsao
6 de que, mantendo-se a situageo, Delile nao
agiiente a secretaria-geral mais do qlue alguns me-
ses e decide aposentar-se, passando para a ini-
ciativa privada.
O segundo desofio 4 o do sobrevivencia em
meio b crise do governor e de sua sustentagaio po-
iftica. A ret6rica esquerdista ou centrista de Adder
ser6 deslocada com a novo eixo de equilibrio qlue
Sarney est6 buscando, 6 direita. Para quem subiu
ouvindo o estouro dos fogos de festim da UDR, qlue
em relagZlo a outros ministros do reform agr6ria
usava outro tipo de fogo, a conjuntura serdI, no mi-
nimo, embaragoldora. J6der poder6 perder o "'gla-
mor" o trunfoV que aindaU Ihe resta dianteC de fixasU
do eleitorado. A nivel national, ele estard muito
mais exposto ao fogo cruzado do que a nivel lo-
cal, no qual podia empurrar os problems com a
bariga(oprocesso do Aurd, por exemplo, estd
parao hd21 meses na justiga paraense).
A ida para o minist~rio, de qualguer manei-
ra, tem um efeito pr6tico imediato: elimina de vez
a remota possibilidade de J6der condidatar-se 6
Prefeitura de Belem, em novembro do pr6ximo ano.
Ele poderia aliviar a agonica situageo do PMDB
no municipio da capital: contando com uma s61i-
da estrutura de poder, o partido neio dispee de no-
mes de forte opelo popular, capazes de servir de
controlponto eficaz B guerritha verbal qlue Carlos
Levy, do PL, pretend desencadear.
O senador Almir Gabriel, a outra alternative,
prefer desta vez arriscar-se a ficar de fora para
tentar o governor em 1990, sua maior aspiragao
depois do Ministbrio da Sadde. O PMDB caminha-
ria entio para uma candidatura ne6fita e temer6-
ria, a do poeta Joaio de Jesus Paes Loureiro,
secretd~rio de Cultura do Estado. Mesmo provocan-
do o ceticismo do partido, Jesus seria uma bandeira
mais limpida atr6s da qual a mdquina de votos po-
deria movimentar-se com desenvoltura. O mesmo
neo ocorreria com outras candidatures mais for-
tes partidariamente, como as de Carlos Vinagre e


as~i~~m~sa~t~iao~
Vicente Queiroz, por~m suscetiveis oos ataques de
Levy.
Como ministry, 16der vai interferir poderosa-
mente nessa definiso. Mos ela depender6 ainda
de dois ourtros pgn'dulos: a do governador H41io
Gueiros, qune ate agora neo fez uma s6 visit a su-
blirbios, eoa do prefeito Fernando Coutinho Jor-
ge, que estardr ao desabrigo em janeiro de 1989,
mas em novembro de 1988 poder6 ser o principal
cabo eleitoral do minicipio.


Alteragaes no jogo de poder

















O economist Delile Guerra de Macedo foi sur-
preendido, na noite do dia 21 de setembiro, por um
telefonema do ex-governador J6der Barbalho. Era
um convite para ser o secret6rio-geral do Minist6-
rio da Reforma Agr6ria, que J6der assumiria no
dia seguinte. Delile chegara horos antes a Brast-
lia para participar, no dia 22, do reuniao do Con-
selho Monet6rio Nacional, na condigao de pre-
sidente do Banco da Amazania (que ouve, mas neo
tem direito a voto nas deliberates).
Delile pediu tempo a Adder e tentou ob~ter
apoio para sua permangncia no BASA. Conseguiu
convencer o ministry do Interior, o pefelista Joao
Alves, seu superior hierdrquico. Mas a crise politi-
ca desencadeada pelo rompimento da Alianga De-
mocr~tica impediu-o de chegar at6 o president da
Repliblica, como era sou desejo. Sarney estava mui-
to ocupado com os arranjos politicos entire o PFL
c o PMDB. O pr6prio Jodo Alves considerava a
questeo do BASA como um problema tangencial:
ele B politico do Nordeste e neio da Amazenia.
No dia seguinte, o j6 ministry 36der Barbalho
retornou a Delile neo mais com um convite: agora
tratava-se de uma convocago, "uma missao" co-
mo depois o economist piouiense referiu-se B in-
timagaio, atribuida a Sarney, para trocar a
presidgncia do maior banco da Amaz~nia pela
secretaria-geral do Mirad. "Deixo o BASA, nio
por minha vontade, para ocupar um cargo qlue neo
sei se B mais important, mas 6 mais dificil", disse
depois Delile no discurso de despedida, diante dos
funcion6rios do banco.
Carta marcada
Delile e 36der se conheciam apnsdco-
tatos rdpidos, nunca haviam trabalhado, juntos de n
t~m biografias completamente distintas. Para com-
plicar, ambos t~m estilos pessoais conflitantes, ba-
seados no vontade impositiva de cada um. Se-
gundo fontes credenciadas, o novo ministry ndo es-
colheu seu secret6rio-geral: junto com sua pr6pria
indicago, o Pal6cio do Planalto entregou-Ihe dois
nomes para o segundo posto mais important no
ministerio. Um deles era 9 ex-deputado federal
Odacir Klein, qlue preferiu continuar no Banrisul,
a verso sulista do BASA. O outro era Delile, a
quem neo foi dada a prerrogativa de imitar a de-
cisao de seu colega.
Quem sugeriu os dois nomes ao president
Sarney, que por sua vez o repassou a 36der, sa-
bia que Klein jamais oceitaria a troca, completa-


mente desfavor6vel. Sabia tombem que Delile, bs
vesperas do aposentadoria, depois de 32 anos de
servir0s na administrageio priblica, neo poderia re-
cusar uma convocag8o. O author da sugestoio foi o
chefe do Gabinete Civil da Presidencia da Repli-
blica e ex-ministro do Interior, Ronaldo Costa Couto.
Mas quem inspdirou-Ibe a lembranqa foi sou princi-
pal assessor, Mauricio Vasconcelos, genro do ex-
diretor e president interino do BASA, Augusto Bar-
reira Pereira.
Mauricio j6 havia sido o respons6vel pela no-
meagelo de Barreira para a estrategica diretoria
de cr~dito geral do BASA. Tambem avalizara a as-
censao do sogro b presidencia nas ausancias sis-
tembticas e prolongadas de Carlos Thadeu Gomes.
E vinha tentando garantir-Ihe a ofetivageo, ap6s
a rendincia de Thadeu, quando Delile teve que sawr
da Suframa (Superintendgncia da Zona Franca de
Manaus) por incompatibilidade com o governador
Amazonino Mendes, e foi devolvido ao BASA. Des-
de o primeiro memento, a novo president deixou
bem claro que entire suas principals tarefas estava
a de descob~rir as irregularidades que vinham sen-
do praticadas no BASA, saned-lo, reveler os no-
mes de todos os culpados e puni-los exemplar-
mente.
Delile j6 encontrou em andamento uma audi-
tagem internal e algumas iniciativas dentro da di-
retoria ainda isoladas e sem a firmeza necess6ria.
Enquanto transformava a sindicancia em inqu~ri-
to administrative, decidia modificar a formaCeo da
diretoria de uma maneira tilo energica que provo-


CORRU PCAO




Um go pe a mnvestigagao
Delile Macedo foi obrigado a deixar a presid~ncia do BASA
quando encerrava a apuragdo de um dos maiores rombos de sua
hist~ria. Agora, a grande preocupagdo g quanto
d! impurtidade dos responsdvels.





cou o pedido de demissaio do principal implicado
nas irregularidades, o ex-diretor Augusto Pereira.
Ad em setembro Delile encaminhou um relalt6-
rio confidencial ao ministry Joaio Alves, para ser
repassado ao president Sarney, sumarizondo os re-
sultados da apuraCao at6 ali feita e anunciando
as medidas que seriam adotodas em seguida. Elas
resultariam em process por enriquecimento ilici-
to, sonegagao fiscal, trdfico de influsncia, malver-
sagao de recursos pliblicos e outros itens penais.
Delile antecipava que pediria a intervengo da Re-
ceita Federal e da Policia Federal. Tambem pod~e-
ria recorrer 6 prisio administrative dos implicados.
Riscos futures
Sua sirbita e surpreendente remossio para a
secretaria-geral do MIRAD ocorreu quase ao mes-
mo tempo em que o inqubrito sobre o "rombo" na
aggncia do Rio de Janeiro, i6 concluido, chegava
6 procuradoria juridica do BASA. Delile havia pro-
metido divulgar pela i~mprensa as conclusses des-
se inqu6rito, 'doesse a quem doesse". Em seguida
seria a ocasiao de revelar os golpes na aggncia
de Belem, ainda mais graves, e de Itaituba. O no-
vo president interino, emboro tenha mantido a de-
cisiio de fechar a aggncia de Madwreira, comple-

CORRU PCAO0



Rombo cheg~


Us$ 30 milhi
O Banco da Amazenia poder6 ter prejuizo
equivalent a 30 milhaes de d61ares, tras vezes o
seu capital e capaz de consumer um quarto de seu
patrimenio liquido, em consequgnia de operaCaes
mal realizadas ou completamente irregulares das
quais seu ex-diretor e ex-presidente Augusto Pereira
Barreira foi o principal responsirvel. As transages,
efetuadas por v6rios funcion6rios e qlue permitiram
a cobranca de comissees de 8 a 12% sobre o va-
lor global, abrangeram principalmente tr~s aggn-
cias: a central de Belem, a de Modureira, no Rio
de Janeiro, e a de Itaituba, no interior do Estado.
Mais recentemente, comegaram a aparecer novas
operagaes no aggncia metropolitan da Pedreiro,
tambem em Belem, de menor expresso. Iniciadas
em novembro do ano passado, foram incrementa-
das entire abril e junho deste ano.
No Rio de Janeiro o inquerito j6 foi conclui-
do, resultando no demissao do gerente e do sub-
gerente, alem do fechamento da pr6pria aggncia,
no bairro carioca de Madureira. O "rombo" foi
de 572 milhaes de cruzados, dos quais 508 mi-
lhaes j6 foram langados na conta de cr~dito em li-
quidageo. Dificilmente o banco conseguird
recuperar esse dinheiro. Das 43 operag6es, ape-
nas uma, das Lojas Masson, com garantias reais,
oferece perspective de retorno.
At6 empresas fantasmas receberam empresti-


tamente inviabilizada por sua desmoralizageio, di-
vulgou apenas uma pdrlida sintese do inqubrito, ar-
rolando somente os funciondrios, j6 demitidos.
Na pr6pria diretoria e em vt~rios escalaes do
BASA a preocupaao 4 com os desdobramentos
dos inquiritos administrativos, qlue s6 tem efic6cia
internal. "i injusto punir os bagres e deixar esca-
parem os tubnrares", obsrva, uma graduada fon-
'to do banco. Ela ressolta que s6 com a colaboracao
de outros 6rg~os do governor "serd aossivel d'es-
fazer e responsabilizar toda a qluadril a", formada
com base em favorecimentos escusos e ilicitos no
concessao de emprestimos.
Mas h6 queixas contra o procedimento do Mi-
nisterio da Justiga, qlue ainda neo acionou a Poli-
cia Federal, mesmo solicitado, e do Banco Central,
que neo deu prioridade 6 investigate,
conduzindo-a sem moaor empenho. Sem a policia,
nao podem ser obtidos depoimentos de nelo fun-
ciondrios, nem feitas acareagaes. E s6 o Banco Cen-
tral pode rastrear o dinheiro pago nos comiss~es
de agenciamento ot4 sous destinatirrios. Sem es-
ses elements, os tubarsies escaporao a rede que
foi lanSgada para apanh6-los. Nelas, ficariio ape-
nas os bagres, como sempre.





a a


6esB
mos, alguns dos quais foram concedidos com ta-
xas abaixo das do mercdado a firmas sem cadastro,
sem lastro ou proibidas de operor no rede banc6-
ria por inadimplencias anteriores. O intermedid-
rio de todas as operaqaes foi o corretor Guilherme
Feldhaus, que fazia constantes e demoradas visi-
tas a Augusto Pereira em Belem, conforme os re-
gistros do portaria do sede do bonco. Ouvido em
depolmento, Feldhaus admitiu ter cobrado comis-
soo para agenciar emprestimos, mas disse qlue sua
atividade era regular.
No inqubrito ficou constatado que ele trans-
feriu, atrav~s de ordens banc6rias, 35 milhaes de
cruzados do Rio de Janeiro para Belem. Deposs
de passar por duas aggncias e ser aplicado du-
rante alguns dias, o dinheiro era transferido para
a conta de Augusto Barreira Pereira JOnior, filho
do director do Basa, no City Bank. Nesse mesmo
period, a conto do par no Lloyds Bank pas-
sou de um saido medio em torno de 10 mil cruza-
dos para mais de um milhao de cruzados.
Agostinho foi o agenciador dos empr~stimos
obtidos em Belem e Itaituba. Em Belem, essas ope-
ragoes somavam 541 milhaes de cruzados em
agosto e em Itaituba, 383 milhaes. Como allgumas
operaq~es foram realizadas com empresas de por-
to ou com garantias reois, a expectativa do atual
diretoria do Basa 6 de recuperor 40% do dinhei-





..arado, o qlue poderia salvar o banco do
resultado negative traum6tico para o balanqo fi-
nal de 1987.
EFEITOS PROFUNDOS
SNo relat6rio confidencial enviado ao presiden-
te Sarney, Delile Macedo obsenrou que, al~m de
em geral terem sido homologadas por Barreira Pe-
reira, as operaq6es tinham uma outra caracteristi-
ca comum: eram operagaes sucessivas de 6, 8, 10
e 12 milh~es de cruzados, nunca ultrapassando es-
se limited. E que cada director pode autorizarr em-
prestimos de at6 seis milhees de cruzados sem
submet6-los ao Comits de Cr~dito ou ao Comits de
Taxas, qlue sao 6rgios colegiados. O teto do pre-
sidente 6 de 12 milhaes.
Os atos, portanto, foram de responsabilidade
solitirria de Barreira Pereira quando ele ocupou a
diretoria de cr4dito geral ou a presidgncia. Mas
essas operaq6es s6 puderam consumar-se porque
contaram com a participate de gerentes, sub-
gerentes e assessores, "uma qluadrilha", segundo
graduada fonte do banco.
A grande preocupatiio no Basa, agora, 4 re-
cuperar a maior parcela postivel desse dinheiro.
Como foram operaq6es de curto prazo, o banco
ficou com sua capacidade de giro profundalmente
abalada, efeito ainda mais sentido porque o go-
verno federal ainda neo transferiu 500 milh6es de
cruzados do total de um bilhao com o qual capi-
talizaria o Basa.
O banco ser6I afetado ainda pelo reajuste de
44,5% de sua folha de pessoal, qlue chegard a 580
milhaes de cruzados mensais para pouco mais de
quatro mil funciondrrios (valor openas um pouco in-


ferior ao da folha do Estado, que compreende mais
de 60 mil servidores na administraCeo direta). Mas
certamente nio foi por causa desse aumento, re-
conhecido em acordo amigdvel, que Delile foi de-
mitido, apesar dos rumors nesse sentido. O
ministry da Fazenda, Bresser Pereira, s6 manifes-
tou sua irritagelo com a decisao do president do
Basa no reuniao do Conselho Monetario Nacio-
nal do dia 22. O convite de Adder Barbalho foi no
v~spera. Eoa president do Banco do Nordeste as-
sinou o mesmo acordo, sem ser sequer amearado.
Voltando a apresentor prjioem balanso,
em consequegncia do iaiao de seus recursos
de curt prazo, o Banco da Amazenia estard mais
exposto ao otaque de setores do pr6prio governor
que querem cerced-lo ou mesmo lev6-lo 6 extincao.
Esse risco tem aumentado o grou do indignagelo
de sou corpo funcional com a possibilidade de neo
serem punidos os maiores respons6veis por essa
situaeo, como parece indicar o "confisco"' de De-
lile Miacedo. Foi justamente um antigo auditor que,
sob o pseudenimo de Crist6vaio Colombo de Sou-
za, iniciou a reveloqa~o de toda a f~raude: ele man-
dou duas cortas, entire maio e julho, ao Banco
Central e ao Basa, relatando todas as irregulari-
dades que estavam sendo praticadas.
Mas Crist~vao Colombo desconhecia tudo
qunoconversou com um jornalista, em maio, num
dsmai concorridos bares de Bel~im. Alarmodo
com as revelacaes usou sua competancia de ex-
auditor para s'eguir as pistas e revelar a hist6ria,
que depois seria integralmente confirmada. Ela jd
estar reconstiturda nos inqu~ritos. Mas coloc6-la em
pr6tica 4i outra questoo.


Uma das maiores companhas
publicit6rias j6 realizados em Be-
Idm anunciou, no final de julho, o
fimn do monop61io do distribuigao
de g6s liquefeito para use domes-
tico, commercial e industrial, exerci-
do pela Parag6s h6 muitos anos.
A Tropig6s, a mais nova empresa
do grupo Belauto, entraria no
mercado, depois do investor 10 mi-
thses de d61ares e mobilizar 300
empregados. Mas sou langamen-
to nao passou mesmo da compa-
nha publicit6ria: at6 agora a
empresa nao pade operar.

Segundo a verso da Tropi-
g6s, o que estd havendo 6 um boi-
cote do grupo Edson Queiroz, que
domina todo o setor no Norte e
Nordeste. Quando langou a Tro-
pig6s, inicialmente formada por
pessoas ligados ao entao gover.
nodor J16der Barbalho e ao presi-


dente do Conselho Nacional do
Petrdleo, general Oziel Almeida,
Jair Bernardino imaginava rece-
ber 10% do mercado. Em 1988 te-
ria direito a 25%/, fatia suficiente
para dar rentabilidade ao seu in-
vestimento. Mas o CNP, j6 sob no-
va administrageo, deu-Ihe 3%/,
que -s6 d6 para garantir prejuizo.
Convencido de que seria difi-
cil superar o bloqueio do monop6-
lio, Bernardino hoje um dos
empresdrios mais ricos, influentes
e tamb~m problem6ticos do Pard
- buscou um entendimento com o
grupo Edson Queiroz, do Cear6.
Depois de algumas tentativas frus.
tradas, consegumu marcar um jan-
tar na magnifica mansoo do
familiar Queiroz, na Praia do Fu.
turo, em Fortaleza. Foi bem rece-
bido, mas nom so dispas a tratar
do acordo que pretendia fazer.
Sem que soubesse, para o jantor


tombem foram convidados o go-
vernador do CeardI, Tasso Jereis-
sati, e o comandante military da
region.

Depois desse evidence recado,
Bernardino decidiu aceitor a guer-
ra declarada. Contando com v6-
rios politicos, neo conseguiu,
porem, que o governador HBlio
Gueiros Ihe desse o apoio que o
grupo do ex-governador Adder
Barbalho tem cobrado. HBlio neo
compareceu 6 inaugurageo da
Tropig6s, embora tivesse manda-
do a esposa, Terezinha Gueiros.
Tambem neo se manifestou sobre
os apelos dos deputados esta-
duais. Bernardino, que enfrenta
dificuldades para ampliar ou mes-
mo manter sou imperio, conta ago-
ra com a ida de Adder para o
Ministerio Sarney e a simpatia do
senador Jarbas Passarinho.


O g~is entupido
















fisticados5 comegam a ser
"animadas" com a distribuivao
da droga.
No oportamento de uma
Personagem da sociedade, num
Predio localizado as proximida-
des de um dos mais badalados
Pontos de encontro da noite pa-
raense at6 algum tempo atrds,
houve em agosto uma festa rega-
do a cocaine, qlue foi servida aos
presents ao lado de comida e
bebida da melhor qualidade.
Um medico, neo habituado B
droga, cometeu uma "gafe" im-
perdo6vel pelos que a usam com
mais desenvoltura.
Levado para um dos aposen-
tos do apartamento, a ele foi ofe-
recido o p6 branco, que um
empregado carregava no ban-
deja. Imaginando tratar-se de al-
guma brincadeira, a medico
soprou o p6, espalhando sobre
o tapete al guns milhares de d6-
lares. Mas, alem do riso e do ve-
xame, neo causou maior impact
aos presents: o estoque de co-
caina foi logo reposto.


Uma c01801008013

O Did~rio Oficial1 do dio 2d
de setembro publicou o extrato
do contrarto de empreitardo entire
a Secretario de Educopeo e a
Construtora Marques Forriors, no
valor de 2,7 milhaes de cruzor-
dos, para a recuperageo de duas
escolas estadvoris em Belim. A
publicoaio ero openas uma for-
malidade: o contrato foro assinor-
do no dia 20 de fulho e deveriar
ser executodo ate 25 diols depois,
como outros 12 publicardos no
mesmo edigeo, no valor de 25
milhaes de cruzados. A obro do
Construtoral Marrques Farrios pa-
ra a Seduc deveriar estor conclui-
do no dia 14 de agosto, um diar
opds a queda do-edificio Rari-
mundo Farrios, tambdm de suo
responsarbilidode.


Joarquim Fonsecar chegou 6 sorlo
do delegaldo Otodilio Motar, no
inicio do noite do dio 28 de se-
tembro, pare depor no inqudrito
que apor ao assassinate do ex-
deputodo Parulo Fonteles {ver Jor-
nal Pessoal 1 e 2). Com arrgdcia,
os advogados Osvalldo Serrao e
Odilson Novo harviarm escolhido
a memento idearl par o client
flark sem ser perturbado. Em
condiFges normoris, suar presenga
no Delegarcia de Crimes Contra
a Pessoar, no centro do cidade,
movimentaria toda a imprenso:
aFinal, Fonseca 4 acusadoplo
fam'lior Fonteles de ser a man-
dante do crime.
Com base em transcric~es de
pronunciamentos de Fonteles
q~uando deputaods a delegado
Motor, que preside o inquirito (jd
em seu quarto m~s, concluso mos
sem prisdes), convocou o donor
do grupo Jonarsa. Os advogados
arlogaram que o empresdirio es-
tava viojando a so apresentalrio
quando chegasse. Assim, criorom
as condipdes para Fonseca che-
gar repentinarmente, declarar-se
em condicaes de Forlor, negor as
ocusagaes e ortribut-las a "mole-
cogem" do farmilio a do Porrtido
Comunista do Brasil, que estd
processando judicialmente. De-
pois retirou-se em companion dos
advogados, aos quuais estolriam
reservados o~precidvels honord-
rios de tr~s milhaes de cruzados,
umo quantiar provarvelmente ex-
cessivar diante do tarefo pouco
complicarda de demonstrar uma
inocancior toEo simples como a que
Fonseca declarou em seu de-
poimento.

Cocaw em Be

Belem jd; 6 um dos pontos
principals no rota da cocaina no -
Brasil, segundo uma fonte policial
qire atua no combat ao tr6fico.
Alem de servir de entroposto no
fluxo da droga, qlue j6 6 produ-
zida na Amaz~nia, Belem vai se
tornando uma razo6vel fonte de
consume. Como j6 ocorre em
mais larga escala no Rio de Ja-
neiro ou em Sao Paul'o, festas so-


Um plor V~xpo

A EBAL (Estaleiros da Bacia
Amaz~nica) 4 uma das privile-
giadas empresas amparadas pe-
lo sistema de incentives fiscais qlue
neo tem motives para reclamar
da Sudam (Superintendgncia do
Desenvolvimento da Amazenia),
que administra esses recursos.
Depois de passar 16 meses sem
qualguer liberagao entire de-
zembro de 1985, quando teve
seu projeto aprovado pelo Con-
selho Deliberativo, e abril deste
ano, data da primeira libera~o
-, a empresa recebeu, no inter-
valo de dois meses, todos os 19
milhaees de cruzados a qlue tinha
direito -.e pelo angmico artigo
17, que represent apenas 2%
das verbas do Finam e tem de ser
retalhado entire 400 projetos in-
centivados (ver Jornrl Pessorl nd-
mero 2).
Apenas uma semana depois
de aprovar a ampliaCgeo do pro-
jeto original da EBAL, a Sudam
autorizou a liberageJo de mais de
20 milhaes de cruzados para a
empresa, qlue no dia 21 de se-
tembro incorporou-os ao seu co-
pital, assim integralizado em 39
milhaes de cruzados. Na sema-
na seguinto a diretoria da E BAL
decidiu aumentar o limited do co-
pital autorizado de 83,6 milhaes
para 700 milhaes de cruzados,
dos quais 365 milhaes sao refe-
rentes i~ampliaCeo oprovada pe-
la Sudam. Com essa providgncia,
o capital autorizado ficou 10 ve-
zes maior do que a capital subs-
crito, por sua vez quase o dobro
do capital efetivamente integra-
lizado. Significa qlue a EBAL es-
pera muitas e rdpidas liberaqaes
da Sud am, que pode ter mud a-
do o tratamento 6 empresa por-
qlue em abril o fil ho do
governador Hblio Gueiros, An-
drd, assumiu a diretoria ticnica.

Indca r

Ndo havial um sd jornarlista
ou quarlguer pessoar estranha
quando o empresdirio Francisco


Por Dentro























































Editor responsivel: Lddio Flivio Pinto
Enderego (provisdrio): mua Aristides Lobo, 871, Belinz,
iadr, 66.000. Fone: 224-3728
Oppio JornalisticaL


O Pard ingressou na era, nuclear pelas portas
dos funds. A decisdo, adotada pelo governor nd
semana passada, de levar para a Serra do Ca.
chimbo o material radioativo qlue contaminou um
ndmero ainda indeterminado de pessoas, mostra
que ali j6 existe .multo mais do qlue uma simplest
drea militabo-o Sm compo de provas para arma.
mentos ~erdcrivnaionl. Pelo menos desde 1979 4
Cachimbo 6 uni des pontos no amplo roteiro do
program nuclear aut~nomo, atraves do qual o go-
verno pretend dominar o ciclo complete com
enriquecimento e processamento do uranio e es-
tar em condisaes de fabricar a bomba.
O governor pensou iniciaimente em minimizor
o incrivel ocidente de Goiania, provocado pela ne-
gincano uso de um prosaico equipamento ra-
diotrdpco.Mas o interesse de cientistas de outros
palses deu ao epis6dio a dimensoo de maior oci-
dente nuclear, abaixo openas de Chernobyl. Nos
primeiros dias, tecnicos da CNEN (Comissao Na-
cional de Energia Nuclear) mediam a radioativi-
dade em mangos de camisa. S6 depois foram
adotodos os cuidados impostos pela gravidade do
acidente. Despreparade para atuar nessas circuns-
tancias, o governor procurou uma soluCeo rirpida.
Encontrou urna s6: a 6rea da Serra do Cachimbo.
A decision indignou e estarreceu os paraenses,
a comegar pelo governador Hblio Gueiros, que
reagiu com um telegrama ao president Sarney em
terms inusitadamente duros para as cordials re-
lacges entire os dois. Enquanto assistia o pronun-
ciamento do president da CNEN, Rex Nazareth
Alves, por uma cadeia de rddio e television, o go-
vernador deixou escapar alguns palavraes. Furio-
so, preferiu aguardar o dio s Siinte para redigir,
com mais calma, o telegram smoC~sm assimpau
um texto qlue poderia loverg as mpimedo en-
tre o governador e o;p~residente.
Sarney j6 havia recebido uma advertancia de
Gueiros na vispera, mesmo assim sem consultd-
19, ao contr6rio doque.coticiou a TV Globo au-
torizou a CNEN a trbiloferir a. material de radioa-
tivo para o Cachimbo a miiait 6pido Fr sivel. Up


assessor do governador especulava, com ironia,
sobre a motivageo dessa press: "Goiania fica per-
to de Brasilia. Os maraj~s do Planalto estfio com
medo de ficar contaminados".
A hist6ria brasileira recomenda neo encarar
com tanto ceticismo essa esdrdxula possibilidade.
Mas a opp8o pelo Cachimbo, segundo algumas
fontes que tem acompanhado de perto as artivido-
des no local, se xliapelo papel qlue aquela base
tem deepnaono desenvolvimento do progra-
ma paralelo, voltado para utilizaCeo military da
energia nuclear. A deposicao do cesio-137 teria a
funCao de oficializar o Cachimbo como dep6sito
de lixo atamico, uma fungaio cada vez mais impor-
tantei: pesar de afetada pelos constantes parali-
saCaes, a usina de Angra dos Reis, a primeira em
atividade no pais, j6 produziu 1.300 temrboleade
rejoitos, por enquanto estocodos em @apelo~as
que necessitam de um dep6sito definilivo. '
AIem de preencher essa lacuna, cC'Cachimbo
ficaria oficializado tambem como o local para as
novas experimentaCaes ou mesmo explosees sub-
terraneo quando o program paralelo chegar a
esse ponto, dentro de cinco anos, ou talvez ate me-
nos tempo. Para os paraenses, essa perspectiva 65
negra: a decisao sobre o Cachimbo foi tomada
clandestinamente, sem maior consult cientifica. 36
assim so explicaria a contradieo flagrante de es-
colher como dep6sito nuclear uma regialo sob in-
tensa precipitasso de chuvas e onde se forma uma
riquissima rede hidrogrifica. Se o erro inicial foi
cometido, s6 resta mant&-lo, conforme a 16gica da
clandestinidade.
O mer6 protest, ainda qlue indignado, neo
modificardI a situagio. O protest foi o bastante pa-
ra retirar a material radioativo de Goiania e nelo
lev6-lo para outros Estados cogitados, como o Rio
de Janeiro. Mas neo 6 o suficiente para poupar o
Pard. Por isso, j6 comegavam a surgir algumas al-
ternativas de resistancia: unvinterdito proibit6rio no
Justiqa ou a montagem are vm acampamento no
pr6prio Cachimbo. Qualguer qlue for o caminho,
o Pard prcebe qlue o pesadelo id comeqou.


BOMclBA



Cachimbo: na rota elandestina