Correio do Cariry : orgam do Partido Republicano : issue 39 of anno 2

MISSING IMAGE

Material Information

Title:
Correio do Cariry : orgam do Partido Republicano : issue 39 of anno 2
Physical Description:
Mixed Material
Language:
Portuguese
Creator:
unknown
Publication Date:

Notes

General Note:
This is issue 39 of anno 2; articles call for families to practice formal Church marriages, criticize free movement of cangaceiros in the city, and report on military recruiting.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
All rights reserved by the source institution.
System ID:
AA00001668:00001

Full Text
/
Num. %% y
ORGAM IDO PARTIDO jEEJFTJ^nLIOAIsrO
Rua do Cmmercio n. 13 b 15 f No se devolvem originaes
GERENTE ANTNIO NOGUEIRA PINHEIRO
i a.nno .
w Semestre.
10$000 6$000
CASAMENTO CIVIL
II
Julgando assumpto da ma+-xima importncia, voltamos a tratar do casamento civil, ob-t-jecto do nosso artigo anterior.
Sentir-nos-hemos felizes e saj-tisfeitos se alguma cousa pu-t-dermos fazer em bem da cauj-sa que esposamos e defende-;-mos, espancando a relutncia que ainda existe n'aquelles que fogem celebrao do acto ci4 vil, despresando as suas van-r tagens e effeitos.
Procuraremos mostrar o que ha de real e benfico nacon-^ sumao desse acto que infelizmente pouca atteno tem merecido por parte dos que cegamente guiados pela crena? religiosa, abandonam por completo os principies da lei, da justia e do direito. )
Acreditamos que melhor orientados, comprehendendo ca-: da um o papel que representai no,seio da sociedade, no se; furtar a celebrao do acto civil que a garantia da prpria famlia, do futuro e estabilidade da unio conjugai.
No basta que o poder publico em sua qualidade de representante da sociedade, in-tervenha exigindo as formalidades do casamento civil. E' necessrio tambm, que cada um, attendendo a perpetuida-de do casamento, os importantes .interesses que ahi se jogam, a prpria moralidade do grupo social a que pertence, se manifeste favoravelmente.
No torcemos a lei, nem a acommodamos, enfeitando-a a nossa vontade! E' ellaprpria que diz, que tendo execuo aesde o dia 24 de maio de 1900, dessa data em diante, somente sero considerados va-lidos~T casamentos celebrados" no Brazil, se o forem de ac-cordo com as suas desposies, ficando em todo caso salvo aos contrahentes observar antes ou depois do casamento civil, as formalidades e ceremonias do matrimnio pela religio delles.
E-' fora de duvida, parece-nos, que a lei assim se ex-r pressando quiz apenas, respeitar a crena religiosa de cada um, mas deixando de p, unicamente a validade do acto civil a que se fica obrigado, perante a sociedade e a moral; tanto assim, que somente ao civil, a lei reconhece legal, s a
elle garante e apadrinha, deixando margem os interesses e direitos resultante^ ds que no estiverem abrigados sua sombra, quando diz, que daquella data em diante todas as causas matrimoniaes; ficaro competindo exclusivamente a ju-risdico Civil.
No fosse o art. 72 e 4\ e 7.' da Const. Fed. que revogou a precedncia do acto civil, elle seria hoje no mais ignorado recanto, uma realidade.
Tal faculdade trouxe o inconveniente que hoje se nota.
A doutrina da precedncia do acto civil ao religioso foi considerado necessria na Frana, cujo cdigo penal, arts. 199 e 200 pune o sacerdote que trasgredir esse perceito.
Na1 Itlia havia, ,como em nosso paiz, ampla liberdade a esse respeito, sendo, porem, approvado na cmara em 1879 um projecto de lei comminan-do penas ao sacerdote que celebrasse casamento religioso antes do civil.
Na suissa, na Allemanha, na Hollanda e na Argentina foi a-doptado adoutrina da preceden-cncia do casamento civil, doutrina que parece digna de ser imitada.
, O cod. civil portuguez reconhece duas espcies de casamentos, mas para que o religioso produza effeitos civis, o sujjeita ao registro, reconhecendo assim a interveno ci-
iNo cod. civiLhespanhol tam-ben se encontra a dualidade de casamentos, mas, melhor e racionalmente regulado a frma civil.
Ijtfo carece de acurado estudo para conhecer-se os saluta
ntos adiantados
consintarn no casamento somente religioso, de s aas inexperientes filhas, impul iionadas pelo amor que facilpiente conquista-lhes os' deba.is coroes, balanando-os nasi impetuosi-dades da vida, conto nas re-
voltas ondas os
;-eis barcos Iii-
mieira
esconde a-le vir tra-a familia o a dor e a
ue a lasci-e encarea
aranti-vos.
o do Vlf-y
de todos \o ario Quin-
res
bUeficios do acto civil que tem. como principal effeito a legitimao da prole, fazendo-a a eiWar para. a communho social, determinando os seus direitos e deveres na forma da legislao civil.
As nossas theorias so firmadas e inspiradas nas sabias lipes do illustrado mestre de dirjeito dr. Clovis Bevilqua, theWias abraadas por Lafaye-te, V. de Castro, A. Cirne e Outros juristas que se tem oc-cupado da matria.
Terminando, fasemos hoje o nosso appello aos pais de famlia para que, de modo algum
que sossobram a pr fada; porque, muitas 5 vezes, como j tem acontecido, por traz do vu que occultal a face de um noivo gen quelle que mais tar< zer ao seio de voss 1 desgosto, a deshonrs lagrima, abandonando-as para mais adiante ligar-jse por laos legaes a outra c via ou a ambio 11 a imaginao. Acautelai-vos e
Provocao e propo gario do Crato, Rodrigues d'0i! e Silva ><
Est na conscienci modo porque o sr. v tino procedem na lu travada contra seu grande e querido amigo, procedimento que. temos calado, para no^ expor s. s. a irriso e dospreso popular, mas que a sua provocao e accentua-do propsito, a isto ns obriga. Precisamos de pacincia para revolver este passado de hontem, e provar com actos quanto s.s. concorreu para trazer a luto a familia cratense.
Iniciada a campanha de libertar o Crato, do jugo o mais ferrenho e humilhante que soffreu, j uma populao inteira, de um regulo sem entranhas e sem noo do bem, sempre apto para as empre-zas mais ciueis e sangrentas, s.s. que como Pastor devera ser um e-lemento do ordem e paz, podendo empregar a fora da intima ami-sade. que tinha ao seu grande e precioso amigo, fez-se surdjo aos soffri-mentos de seus parochianos.
Rara a noite que s. s. no con-ferenciava com esse mijseravel, sa-hindo muitas vezes a ^ hora da madrugada, pelos fundps da casa, e no-dia segiiisB eraraWHi8-vi.-
te gente.
! S. Ex. Rev.ma attendendo o justo pedido telegraphou a s. s. qiie no demorou em responder acji no ha cangaceiros !!!... Consigno o facto, sem commentar.
Veio em seguida o 3 de outu-bro quando a fora local a mando do nefasto regulo assassinou de modo brbaro ao indefezo Cyno-belino, de 16 annos de idade, e cujo cadver atravessado em canga-lha percorreu a principal rua da cidade, no meio de algasarra infernal, offerecendo cspectaculo repugnante e doloroso, e que s crebros enfermifffe de tanta perversidade podiam conceber e~ executar.
Quando toda soldadesca escolhida dentre os maiores scelera-dos foi dar conta da misso cumprida a seu, precioso amigo, este abraou a todos, proclamando-os fieis e cumpridores de ordem!
Outro que no s. s. diante- disto teria rompido de vez, semelhante 4 amisade que tanto ia compromet-tendo seu nome e sua posio.
Aps o 3 de outubro, veio o lu-tuoso 7 de novembro', quando os seiearios locaes obedecendo ordens do mesmo regulo, assassinaram
perversa e friamente a tiros e pn-nhaes o inditoso Horacio Pequeno, do Crato,.se deixaram quasi morto o intrpido Augusto Baeuro, para no dia seguinte ser o cmmercio obrigado a fechar-se por se achar a cidade cheia de cangaceiros !
Qual foi o procedimento de s.s. diante de tanto luto, de tantos horrores? Repugna dizer...
Mas est na conscincia de todos o pedido feito a s. s. pelo ento moribundo Baeuro, naquella trgica noite de 7 afim de ser avisado seu cunhado Diogenes Prazo, em seu sitio, no vir naquella noite a cidade, evitando assim ser assassinado tambm.
S. S.persona grata naquelle tempo, e por isso de preferencia escolhida para aquelle pedido, pro-mettera fazel-o, mas com a fris que todos lhe reconhecem, no deu passo algum.
Que importava que novas victi-mas fossem immoladas ? O seu grande e querido amigo assim queria, assim desejava, era quanto bastava: e mesmo a Promotoria de seu sobrinho c a promessa da de-putao lhe offuseavam a raso e cincia. jppb- majs pssouii
ctimas que caliiam a.o iflPe dos sir.-. indittercutt: *
assassinos locaes, espal^radas e arrastadas a cadeia !
A 6 de setembro do anuo atrasado por oceasio de um decantado banquete poltico, (a piro ) ficou a cidade repleta de cangaceiros que vinham de acompanhar aos banqueteados e incutir o terror no seio da sociedade cratense que ento se levantava contra a prover-bial perversidade do novo Nero.
Algumas sras. horrorisadas com o transito dos malfeitores nas ruas, em attitude aggressiva e acana-lhada, tiveram a lembrana de te-legraphar ao Exm. sr. Bispo, implorando para que S. Exc. Rev.'u* pedisse ao sr. vigurio do Crato, empregasse as boas graas da amisade afim de ser retirada semelhan-
A populao revoltada diante destes factos, de tamanha perversidade, comeou ver no procedimento de s. s., seno comiiven-cia, mas aquiescncia a todos os desmandos* pois que, cada dia1 se j seuhor estreitavam suas relaes com o mandante de todos os assassinatos
Quem seno s. s. e seu amigo no se enlutou nesta terra, e no experimentou pesada tristeza invadir a alma, diante de tamanhos acontecimentos! A populao inteira que representava os paro-chianos de s. s. lhe era indifferen-te !
seu bom amigo, perante alguns cavalheiros, de collocao social, para dizer poucos dias depois : que nunca tinha assumido responsabilidades e nem tomado cumpromis-sos.
Ac^tesmo tempo que era espal-deiraco. e levado a cadeia um amigo nosso, s. s. foi completamente indifferente, haveudo assumido entretanto" responsabiidadas.
Que outros espancamentos se reproduzissem, nada faria afstal-o de to preciosas relaes.
S. S.: em junho do anno passado, poeo antes da queda de seu melhor amigo, o monstro que infi-licitava esta terra, julgndo-nos fortes para no mais sujeitar-nos a tanto: aviltamento, comeou freqentar rainha casa, indo 2 e 3 vezes por di, dando credito a quanto boato estravagante lhe di-sio, e suggeria sua imaginao doentia. Recebia sempre s. s. a cavalheiro, com a maior deferencia, a despeito de seu modo de proceder para comnosco, e das censuras que por isso me fasiam.
Pouco tempo depois indo com dois amigos visitar a frei David, ento missionand aqui, s. s. deu-nos as costas, retirando-se para o interior da casa, deixando-nos a porta de entrada, procedimento este que motivou o meu amigo Pelix Italiano, que me acompanhava na visita, e que amigo de s. s., accompanhal-o para dizer-lhe que semelhante proceder era admirvel e censurvel na pessoa do vigrio. S. S. desculpou-se banalmente. Tudo isto accntuada-mente prova o rancor que s.s. nos tem. Entretanto, oh doce e santa Religio do Crucificado, quanto em teu nome pregam a humildade, a caridade e a mansido!
Quanto te offendem, te nodoam, te abatem, te amesquinham, oh santa Religio Catholica, religio de paz o de amor.
Porqt t-ms ministros que assim procedem ? Mistrios....
Tanto odio, tanta preveno que s. s. re^la-ns nas mais insignificantes cousas, dizem todos, foram suas pretenes polticas contrariadas, a queda de seu intimo amigo que lhe trazia prezo pela promotoria exercida por nm seu sobrinho e lhe acenara nma futura deputao, tendo voto deliberativo na p^olitica local.
"A^a.cencia do poro cratense a respeito de s. s. tem sido inegua-lavel, no obstante s. s. tem abu sado dessa tolerncia, e continua inimigo irreconciliavel.
No espirito popular perdura a saudade e falta d ex-vigario ftion-Alexandrino, de saudosa memria, e que aqui prestou inestimveis servios nesta terra a-hi tomos a bella matriz, attestado vivo de sua fora de vontade e amor a religio c ao progresso. Monsenhor, entretanto, por insinuaes do sr. vigrio Quintino, pediu a sua exonerao e foi refugiar-se no E. do Piauhy, onde sea-
gravaram seus ineommodos de sa-| ude, longe da familia e dos amigo-Tambm est na conscincia de que o idolatravam e ali fallecens-todos os cratenses, o convnio de no pesa na conscincia de s. s. paz firmado por s. s. em nome de que dando conselhos taes para re;
I


V
v.
\
CORREIO DO CARIRY
tirada de monsenhor, tinha por lim substituil-o ?!!
E tanto verdade, que veado o mao effeito produzido por sua nomeao, disse do plpito que s acceitava o lugar por obdiencia, (convenincia) mas que seria vigrio somente 6 meses. J decorreram G annos e s. s. acaricia a ida de se eternisar aqui. Foi ainda sob os auspcios de s. s. 'que a torre de nossa matriz oi occupada por cangaceiros de seu lom amigo, para atirarem sobre o povo que lutava pela sua liberdade, nos terrveis dias de junho do anno passado. .
S. S. vem de tempo divorciado de seus parochianos e privinido com alguns de seus collegas que no lhe accompanham no seu modo de ver e pensar... mas ooto tem os c>Ji.)<#fljs era ys., et^^atc?!y&tr-r zer-lhe : basta, basta, :Je hypocri-sia e de dios, basta o que j nos fez soffrer!!
Jos F. Alves Teixeira.
O Advogado Ottoni de S Roviz pa disposio do publicj ao seis vios d:j sua profisso nas Miorr.arca-do Cariry e bem assim na^fde Iga-t'i, Lavras e Milagres.
..aquelle queignorr tal nome & cxtrnnhono qne o homem t$m de mais divino
Byron
Creio, certamente, na fatalidade do destino, minha senhora; mf s s comecei a crer depois que envelheci.
Antes, na poca feliz das fantasias, sem os rheumatismos que a idade vai espalhando pelas juntas, smtia o calor da mocidade diffun-dir-se-me pelo corpo, subir do corao ao crebro e repetir l em cima as odes de Anacreonte.
Ento, a existncia me parecia enfeitada com a3 pompas eflores-centes da alegria, e no chegava a comprehender, pudesse Ovidio, ainda na melancolia do desterro, cobrir de erepe o estro galhofeiro para escrever a elegia dosTris-teS:,[. -'/> '
Pensava qu cada um de ns era o artfice da prpria fortuna, amparado pela bondade divina, sempre opulenta na disperso generosa dos benefcios de sua graa. Acreditava que os desastres da yida, os erros do roteiro, os espantos da chegada, representavam somente pequena nuvem, contingentes de quadro arrebatador em que se revela o futuro, pintado com as tintas que o amor, a f e a poesia combinam na intima palheta dos nossos mysteriosos anceios...
Vivia fora do inundo...
Vivia dentro do inundo. Habituada, talvez a aprender no con-fissionario que o inundo um la-meiro onde as almas se embebem
SI DOCE
Si doce no recente ameno estio Ver toucar-se a manh de ethereas flores; E lambendo as areias e os verdores, Molle e queixoso deslizar-se o riso;
Si doce no innocente desafio Ouvirem-se os volteis amadores Seus versos modulando e seuefiardores D'entre os aromas do pomar |ombrio;
Si doce mares,ver anilados, Fej^^uaTfra^nti^de amor qitNjida
Que esperta coraes, floreia opprados;
Mais doce ver-te de meusais v encida, Dar-me em teus brandos olhos desmaiados Morte, morte de amor. melhor%|ue a vida.
Bocage
qu" neste momento o nico velho que dansa com uma menina vapo-rosa, o Athayde, -a calva mais resplendente que licito imaginar. Os cabellos brancos esto quietos, junto s hombreiras... exceptua-dos os meus que agora rejuvenescem...
No queira ser contradictorio! Falemos da fatalidade do destino.
gasta a sua alma correndo perpe-tuamente atrs dos vagalumes...
E condemna essa caada de pyrilampos ?
No ; applaudo-a. Um antigo poeta nosso j disse:
dentro da concha spera e rugosa que se oc culta a prola formosa
No sei se o verso exactamen-
Falemos. Julga V. Ex. que a : te assim ;
sorte de cada qual independe de uma eterna designao feita pelo arbtrio do Creador Supremo no momento de abrir as mos pra semear a vida no universo? Ouso -presumir que semelhante hypothe^-se surdiu de um delrio da vaidade humana. No posso admittir li-\ mitaes" no infinito e por isso tenho absoluta certeza que o infinito abrange o destino dos seres, com a sua fatalidade irresistvel escondida na mente divina.
Uma intelligencia que aprende, uma intelligencia que ignora e.
guardo na memria a
de impurezas, V. Ex. admira-se
que houvesse pousado na terra um ente de to adorvel crlulidade, cmio eu; mas confesso rque at me nasceram os cabellos brancos, neve salutar que o temp^ deposita sobre as idas ardentes; estava persuadido que os nos03 omo-platas eram rudimentos de azas virginaes. Um dia, as azas rompiam as carnes e vovamos, radiantes, para as alturas appetecidas em que a alacridade evangeliza.
Essa alluso cavilosa aos cabellos brancos no muito" Tran-quilsadora conforme a experincia feminina demonstra... A velhi-ee no corrige; accenta. Conhece a lenda daquelle cavalheiro, que fez-se ermito, depois de velho?
Conheo ; e peo venia para lembrar que o diabo no tinha cabellos brancos ; era calvo. Est verificado que os velhos perigosos foram e continuaro a ser desprovidos de cabelleira. Nelles, a sabedoria celeste substituo alvura da neve pelo brilho da epiderme, e quando um beijo do sol iucide na convexidade de taes craneos, os raios reflectidos se esgalham em forma de sara incendiada, E' o pharol plantado pela mo de Deus na crista do arrecife. S naufraga, quem no v. Digne-sc V. Ex. de
tamanho, q de poder ei
medida que os suecessos rolamj.ditao ext no universo, Deus aprenderia, se tudo se no achasse previsto, desde o comeo do principio, no espirito soberano do inventor dos mundos.
Ao tempo em que trinavam dentro de mim as esperanas juvenis, meus olhos reconheciam-se capti-vos da belleza renascente da vida e eu sentia-me inebriado pela allu-cinao encantadora do destino livre. Hoje, "procedo ao* doloroso inventario de todas as idas, que foram despontando lentamente, na flor da minha conscincia e apuro, desilludido, a realidade do destino fatal. O ser, que nasce, traz na fronte o sello da predestinao. No o vemos nem o deciframos, porque, felizmente, ningum conhecer jamais os signos da carisma celeste. Esta doutrina, minha senhora... Tenho tentado rotulal-a, e no o consegui ainda.
Mas os factos depem em sentido opposto e recommendam a oficacia do trabalho, a supremacia do esforo, a dignidade do talento...
Os fa^os"? ^j*factos so^Hg^ pre mudos : a apreciao dehs, feita por ns, essa eloqente. Entretanto, a apreciao funde-se no ponto de vista. A vida um livro impresso em que buscamos o prazer da leitura nas entrelinhas. Le-mol-o mais com a imaginao que com a retina, mais com o desejo que com a intelligencia. A frente de um exercito, o santo gritaria fere, como na solido de um claus-tro o batalhador murmurariareza. V. Ex. espanta-se da minha, philosophia, na qual divisa uma espcie de anniquilamento ? Pois saiba que com ella eu sou um resignado, e longe delia V. Ex. u-ma anciosa... A imaginao de V. Ex. creou a fina rede de seda e prendeu-a a uma haste dourada... obseivar'E' com tal artefacto que V. Ex.
imagem, apenas, porque transportei-a para a esphera psychologi-ca, afim de servir de meridiano. Li, ha muito tempo, naquelle tempo em que repetia as odes de Anacreonte, que na feitura do nosso sentimentolDeus, a sorrir, engastou um gijfcshiho de chimera e o abenoou. ^Deu-nos d'est'arte, o ozo espiritual. Adora-na estrella que scin-da concha spera e vezes, nosso prazer sentimo-nos felizes igrar dp seio da me-uante para as regies em que se traam' vagalumes... V. Ex. no leu], provavelmente, o delicioso conto de Ea de Queiroz sobre o Jos Mathias. Ah! leu ? Suppunha que cultivasse uma literatura mais! sideral. Pois o caso do
nen dol
pequ dentrl
teira e dependurou a alma nas janelas do seu idolo, engulindo -Evidentemente o Jos Ma ;hi-as era um louco...
Devia ser um louco o Josi Ma-thias.Desperdiou 23 annos a apanhar vagalumes... Mas se o/caso do Jos Mathias for despiyfsonali sado, veremos, nas linhas/ de con torno, n Xnold
Jos Mathias edificante, como um cartaz de fatalidade. Aquelle casto amor' do visionrio devia a-cabar como!acabou: afogado no lcool. A divina Elisa era o grosi-nho de chimera do Jos Mathias.
De longe valia o diamante; de perto descobria-se o carbono. m-quanto ella consumia-se de tdio nos braos furunculosos do primeiro marido, o diabtico. Jos Ma-ihias contemplava-a a distancia, com olhos de Moyss, desejando e fugindo, qurendo-a e evitando-a, num sobrehumano enlevo de espirita apaixonado; depois, durante a viuvez delia, desertou da visinhan-a, porque j a negrura do luto re-vocava o diabetes do morto; depois quando ejlla pediu-lhe que a levasse ao aliar e santificasse, com a beno dio padre, a unio de duas aJMM^gads^^pfr um sonti-menj^J^mi, Jos Mathias recuou afnici, quadros. Estava escripto que a Elisa seria um ideal intangvel; e tanto assim, que ao approximar-se da realidade, Jos Mathias tinha saudades da illuso e apartava-se de Elisa.
E' inconcebvel que to desalentada philosaphia tenha vindo aninhar-se no espirito de um homem chamado Felicio !
Meu nome o meu grosinho de chimera. Deram-m'o, na igreja, como um penhor de carinho e como uma aspirao votiva. No o escolhi eu, nem o supprimi, depois, por um sentimento de religiosa piedade. E' uma fico, como tantas outras, meu nome. Agora, o appellido justo. Kepresenta o quilate ancestral de um sem numero de geraes ignoradas e confusas na poeira da terra. J declarei a V. Ex. que minha philosophia a da resignao; no accei-tar V. Ex. que meu nome signifique a humildade ?
O senhor no dansa ?
No. Bem v que no sou calvo...
Podemos, ento, dar um passeio em redor da sala. Estaria tambm previsto, desde o comeo do principio... o passeio em redor da. sala ?
Sem duvida. Estava tambm previsto que eu ainda teria esse gozo... peripherico.
D'O Paiz.
Felicio Terra.
Segundo afflraia o sr. Deme-trio de Toledo, correspondente da Gazeta de Noticias, tem feito verdadeiro suecesso em Paris, o nosso compatriota Oscar Gamboa.
Todas as noites, em um dB theatros mais concorridos da movimentada e populosa capital da Frana, ou antes em um dos rniis famosos do mundo, o Folies Ber-gres, Gamboa attrahe a curiosidade de numerosssimos espectadores, exhibindo admirveis sortes de prestidigitao, que arrebatam plata estrepitosas palmas, calorosos e prolongados ap-plausos.
0 singular artista, que ha s.ete
annos vive na Europa^^erMi^-^os&.vteva. rendo as principaes cidades do velho mundo, sob o nome de Gu-takisis, depois de maravilhar civilisada plata parisiense, ciom suas prodigiosas mgicas, nuulca executadas por escamoteador il-gum, delicada e arnavelmeute explica e ensina-as, aos circunjs-tantes, tendo j desfarte conquistado os foros de professor Se prestidigitao, mas de uma prejs.
tidigitao originalissima.
Guatakisis, todavia, conforme
a expresso do alludido chronis-ta, toca as raias do surprehen-dente', torua-se mesmo pasmosa< mente extraordinrio na sua arte^ quando apresenta Vermouih ao
publico.
Vermouih um cao que Gaim boa conseguiu ensinar a (aliar, mas filiar igualmente, semelhantemente a um ser humano.
O intelligente canino, que tambm brasileiro, sabe geogra-phia e menciona nome3 de nossas cidades no obstaute de diffi-cil pronuncia, como Piudamon-haugaba, jacarcagu e outras.
Vermouih quasi um poliglot-ta; sabe poituguez, francez, iu-glez e italiano !
Trava dilogos com Guatakisis, que lhe interroga pelo estado tb nanceiro de casa, ao que elle res-pode que o pap ganha dinheiro, mas a mama Ja_sta-n
Tambm versado em historia e para proval-o lembra aos espectadores a resposta de Ca-brone aos inglezes e diz distin ctamente a palavra indecente, que immortalisou o citado general francez.
E depois de muitas pilhrias Vermouih despede-se da plata, que delirantemente o applaude, do mesmo modo que se despe-derhi Molire, Boileau, Racine e outras celebridades de que se orgulha a Frana :
Bon soir!
*
* *
Como vm os leitores no podemos mais tomar por simples a-pologos as fbulas de La Fontai-ue.
As ellegorias do burro e o leo, do gallo e a raposa, podem, alem de uma verdade moral, encerrar uma verdade commura.
Tambm no poderemos, jamais, lembrar, com certo ar de mofa, historias de animaes parlado-res, que na infncia, s nossas avosinhaB nos contaram. Tudo factvel. E certamente, em pouco tempo, se apparecerem mais alguns Gamboas, as lettras tomaro desmedido impulso entre os quadrpedes, e no muito longe, no sero somente as mulheres a disputar as prerogativas aos homens. Teremos gatos pleiteando eleies ces mdicos, burros oecupando a tribuna civil; cmaras bovinas... um inferno, finalmente.
Mas pondo de parte estas consideraes, foi um magnifico tri-umpho que nos proporcionou o no830 original Gamboa E como no ? se os fraucezes, que tanto ufanam de sua civilisao, que to pouco d."o pelos nossos dotes intellectuaes e que nos chamam de macacos, rendera preito de homenagem ao mrito da um artista brasileiro, e-mais que isto, maravilham-se com uns simples ditos jocosos de um... co de
Cariry
IELE551MMS
Servio especial do Correio do Cariry
'- Fortaleza 9
Continua funce i o n a n d o bem o alistamento aqui, ten-
do at hontem 1139 eleitores.
se alistado
Fortaleza 9
O estado sanitrio da cidade bom, podendo se considerar extineta a epidemia que reinava.