Ceara' illustrado : literatura, politica, humorismo

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Title:
Ceara' illustrado : literatura, politica, humorismo
Physical Description:
v. ; 30 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
unknown
Publication Date:

Subjects

Genre:
serial   ( sobekcm )

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
All rights reserved by the source institution.
System ID:
AA00000295:00001

Full Text


ffM IBhj5


.A-.N 0O TI


Dr. Floro Bartholomeu da Costa, deputado federal pelo Cearii e o politico
de maior prestigio eleitoral no sul do Estado


PReCO 1 ooo


'0l


w



























A melhor diversao
que se pode desejar
Se V.Sa. 6 amador de music deveri travar conheci-
mento corn este grande artista-a Victor-Victrola-e cor
certcza dcscjara adquiril-o para a sua propria casa.
Em caso de mau tempo, quando n.o se sinta, com vontade de
sahir, ou quando nao haja neihum logar onde possa ir divertir-se, a
Victor-Victrola proporcionar-lhe-ha toda a diversao que deseje na
sua propria casa.
E quando alguns dos seus amigos forem visital-o nao ha receio
de qhe elles se aborrecam, pois este instrument poe os melhores
artists do mundo a disposicao de V.Sa.
Visite-nos hoje mesmo para ouvir a Victor-Victrola.

a. SAnTOS & CIA. ws9


154-Praoa General Tiburcio, 154--1. Indur


___ -- -I






hNNO II -- FORTIiEZ~, 25 DE OUTUBRO DE 1925 --- NUM. 68

CEARA' ILLUSTRADO
Director-OEMOCHITO ROCHA | I Redactor Chfe-- Dr, TANCREDO MORAES I I Prep;etaria a Gorenla- ADALGISA CORDEIRO 00 CARMO
MlCERHaURa, POL TICfl, HUMORISMO
SEM~ANARIO INDEPENDENT PR[EO 1800O
IEscicureo residCencial ao Cari' 3-y


0 rvmo. padre Cicero Romeo Baptista em palestra com o illus-
trado engenheiro ]oao Nogueira, da comitiva presidential, volta-
se para a objective do CEARA' ILLUSTRADO







FORTALEZA, 25 BE OUTI BRI E 1925 CEARA ILLUSTRA 00 SEMANARIG INDEPINDENE


B Cespos perfielt D esembargadorSabino do Monte


Sob o titulo acima o illus-
trado frade hespanhol fr. Luiz
de Leon escreveu urn interes-
sante livro, que foi traduzido
para o francez pela escriptora
Madame Dieulafoy, livro cujos
conceitos judiciosos merecem
ser apreciados pelo bell sexo.
Diz fr. Luiz de Leon que se
existe sob os raios so/ares um
ser que mere(a estima, d a mu-
Iher virtuosa, thezouro de pu-
reza, de boa fM, de amor, de
docura de piedade e de paz,
penhor de felicidade dado por
Deus ao home e seu paraiso
neste mundo.
Mas, todo o bem ou todo o
mal prove da mulher...
Muitas dellas, diz o escriptor,
imaginam que o casamento con-
siste em deixar a casa de seus
pais pela do marido, sair da
escraviddo para vir para a li-
berdade e para o prazer: e,
dando de tempos a tempos ao
mundo uma creanca que lan-
cam nos bragos de uma ama
julgam-se mies carinhosas e
mulheres perfeitas.
E ainda: a casa de uma im-
pertinente e ralhadora e como
uma casa onde chove. E' mais
toleravelviver com leoes do que
viver comr uma mulher perver-
sa. Toda a desgraca e preferi-
vel a ter uma ma mulher, pois,
uma esposa ma e uima chaga
aberta no coraCao, e emfim, a
mulher que nao da alegria a
seu marido, quebra-lhe as per-
nas e as maos-
Nao ha peor cabeCa, accres-
centa, que a da serpente, nem
colera que iguale a da mulher
de meu genio..
A malicia da mulher resume
todas as malicias!
Serias rccriminapoes o author
lanca contra aquellas que ao
envez de introduzir na sua
casa a ordem, a'alegria, a do-
cura e a paz. abandonam as
obrigagoes domesticas; mere-
cein-Ihe tambem acres repri-
mendas as qu2 pela manha e
a tarde

Ao peso de seteuta e nove annos, mas
corn todo vigor da sua intelligencia pri-
vilegiada, na noite dA segunda feira
ultimi, nesta capital, fechou os olhos
a vida terrena o desembargador Anto-
nio Sabino do Monte, fignra le notavel
relevo no nosso meio social.
A existencia do illustre e prantead)
norto foi umna series continue dos main
bellos triumrphos, alcancados, todos elles'
coin muita honra, a forma antiga, por-
isto que, hodiernaiente, d6 sabem gal-
gar urn dograo in escada do poder.
pelo eniprego dos expedientes reprova-
veis.
Typos do seu feitio. organisuaees
comro a sun, vio .desapparecendo na
voragei do tumulo coin grande pre-
juizo dos contemporaneous, que ji ex-
perimentain enormne desfalque no sa-
grado patrimonio das melhores reserves
moraes.
Mtagistrado incorruptivel, dotado de
unma illustrnago invulgar num meio in-
tellectual pobre como o nosso, o des-
embargador Sabino do Monte, como
membro do Superior Tribunal de Jus-
tiga do Estado, primava pela serenida-
de, nunen se apaixonando na discussao
e investigaco de casos complicados,
nao obstante, muitas vezes, fortes agi-
tacoes pol.ticas ionturbartmn o amhi-
ente, conturbando consequentemente, o
espirito de alguns julgadores.
As suas sentengas e pareceres, que
os den cono Procurador Geral do Es-
tado, formam uma rica bagagem que
muito dignifica a sna memorial,
A t(Revista de Jnrisprudencia,, do
Rio, da qual foram directures os drs.
J. E. Torres Camars, Raja Gabaglia e
Bartholomeu Portella. teve a felicidade
de possuil-o, no Ceardi, coma corres-
pondente, o qua Ihe valeu a publicaqio
de aceordAos brilhantes, que attestamn
a existencia da vida do Direito entire
nos, isso ja annos atras.
Simples, modesto, communication e
affavel, o desembargador Sabino do
Monte era verdadeiramente bondoso,
popular, nunca se deslumbrando nos
mais altos postos que exerceu, ate a
presidencia da Paralyba, no antigo
regimen.
Lamentando sinceramente seu dps-
app;.recimento, "Ceara Illustrado" en-
via sea cartao de pesames A sua dis-
tincta fainilia.

igrejae porque, na sua ausen-
cia, os fi:hos adoecem, os di-
nheiros se estragam e a creada
namora.
0 frade, aconselha a esposa
perfeita a graCa das maneiras,
a preoccupaao corn o asseio e
elegancia de sua pessoa, sem o
requihte do luxo excessive que
e prejudicial e proprio das < quettcs>.


CLODOMIRO AMAZONAS,
o pintor brasileiro que actual-
mente visit Forta!eza.






Nasto, redacdo, v ve eomnosco, (is ve-
zes aetivo e rlpido, outras prcynieoso e
lento a doi mir no 'eito afofado dos col-
laturas, urn grande amigo o Almofa-
dinha.
Almaofadiinha e uni qato em pleno vigor
de sua primeirt juvrentude.
Nas noites de sabbado, em que o serdo
se yvrol nya ale alta irdrtugda, ou
amanhece na lucia de mantlar para as
ruas os priireiros exemplares do CEA RA
ILLUST.RADO, Alhnmofadliha tiraialha
connosco, dome, ds vezeqs, 4 bdnca da
revisdo, debaixo das cnixas de typos,
nas officials de qranruris, pe iio rfro,
excurtsiono atd (is trevacs ent (ltte se letr-
yulha o quintal da casa.
Almofitf'idnha de um qiao feliz amiina-
do, frequentemente. cari'hlosanrente, pelos
polpos de velludo das ."nuos de nossas
gentis colaboraadoras.
Unma desastrada operagricn irturfica
reiln cttomprietter; srerimniente, ,1 .vsile
se 1to a propria vida de Almofadinhlt.
Vive o polresitsit r trA triste ,nilanwcho-
l pq e nos causa dd.
Cue-lhe o pNllo, visivei'hnnIe. Aiid-
gaga-se-lhe a barriguinho, rettza outrora.
Sonmen-se-lhe o osquartts nutridos de
Inezes atrdz.
Urna expressio de amarqura le-se no
focinho do inditoso felino.
Comeo soffre Almofadinha.
Pobre gatinho, que e t ndio cain sobre
as costas as sombrias probabilidades de
um sonho do Paco-paco...


WRTILEZII. 2fi nE OIITIIRRO nE 1325


A RTSUL1 1A RAEC 0 0


MES AIIARIO INDEPENDE E








P.L.A 6III lIDEf lf 1F ISiH OFnnA AIUD inutrtELNDItEt


ANNIVERSAlRIOS
Dia 12
A senhoriuha Saozinha de Alencar
Santiago.
Dia 19
( dr. Francirco de Panla Rodrig.nos,
oculista de larga fama e prosidente da
Assenmblla Legislativa do Estado.
--A inspirada poetisa cearense d.
Francisen (lotildo.
-O dr. Virgilio Gomes. ex delegado
lie policia da Capital.
-0 academic Waldo Carneiro Leao
de Vasconlcellos.
r sr. Antonio nMends. director geral
da .Secretaria da Fa7.enda.
Dia 20
O dr. Sphocles Camara, director do
.Almanack do Cear;i-.
-A senhorinha Helena Mendes, fi-
lha estremecida do sr. A. C. Menles,
director do Correio do CearAi'i.
-0 vliho e conhocido jornalista Ro-
dolpho Rilis.
Dia 22
A scil.orinha Maria Aracy Bragi


MourAo.
-0 pequeno Manoel, filhinho do
pharm. Cailos Amora.
-A senhorinha Ziza Pompeu.
-Os meninos Metonzinho e Yvonne,
filhinhos do sr. Meton Gadelha.


--A sonhorinhia Maria Et'tvina.
-0 sr. Panlo Siqueiri Campos, do
(do commoercio desta capital.
--0 dr. Antonio da Jusia, medico
de grandc cliiica.
-A senhorinha Zeneida Mntta, filha
dilecta do pharm Turibio Motia.
-Madame Senador Benjamin Bar-
rosn.
Dia 21-0 dr. Eauardo Studart, ex-
deput do federal pelo CearAi.
-A exmna. d. Emilia Moraes Monte-
negro, esposa do sr. Alfredo Monte-
negro, funccionario da Fazenda Na-
cional.
-A exmla. d. J:ndyra ilMgallhiAs Bar-
roso, consorte Jo sr. Walter Barroso.
do commercio desta praca.
-0 pequeno Demosthenes Conto, do
Callegin do Sagrado Coraqao.
Din 23
-0 dr. Joho Motta, medico nesta ci-
dade.
Dia 2.5
-A exma. d. Rosl Figueiredo Mar-
tina. esposa do juiz dr. Angusto Mar-
tihno.
Dia 28
A exina. d. Creusa do Carmo Rocha-


virtuosa consorte do nosso director De-


r.ocrito Rocha.
-A exma. d. Isanra da Costa Me-
molia. respeitavel senhori do dr. Alon-
so Memoria, advogado nos auditorios
desta capital.
COMMEMORAQAO
IHa 23 deste, commemorou o seu pri
meiro anniversario de nupcias o distin-
cto casal Josias Pereira e a exma. d.
Zeneida Almeida Pereira, tendo havido
uma festival reuniAo na residencia dos
consortes.
COMMUNHAO
Realizon-se quinta-feira ultima, na
Cathedral Metropolitana. a Conimu-
nhao das alumnas do Collegio N. S.
Auxiliadnra.
Mais de setenta creangas receber:im
-a lesus-Hostia.
O acto revestiu-se de grande brilhan-
tismo.
ESCOIA PO1 X
Terca-feira ultima, 20 deste, o Gre-
mio Pie X realizon um brilhante festi-
val em homenagem ao revmo. frei Ro-
berto Jnlio, digno prelado de S. Jos6
do Grajahi, no Maranhao.
O programme, executado a capricho,
deixou lisonjeira impressAo ra enormo
concurrencia que affluiun sdde do
Gremio.
LYCEU DO CEARA'
De conformidade corn a noticia in-
sorta em o numero anterior desta re-
vista. effectuou-se, no Lyceu do Ceara,
a festa commemorative do oct(gesinmo
ernivwrsario da fundasgo daquelle edu-
candario.
Houve discursos dos corpos docente
e disceite. impressionando, vivamente,
no numnroso auditorio.
CLUB DE VINGAI)ORES
Os ars. Jos6 Fdnardo Girao e Tho-
mnaz Gom s Nmttn, directors do mez
do .Club dos Viogadores~, enviaraim-
nos am:,\el convito para a vesperal
daesante a realizar-se, nos sa'Ses do
Club dos Diarios, hoje, As 13 horas.


VENDEMOS COM ABATI-
MENTO OS CLICHES JA PU-
BLICADOS.


FnRlrlF~b. ~.5 nF nlrTannn nF li1~.5


r. X r a 11 I lloTain n


nrululonln I srr Jf Rrrn~








C E A R A' 11 L ILLU I RA.D SFMIANARIf INfFPFINDIV


JOAZEIRO POR DENTRO

JA esti divulgada a minha f6rte
impressao sobre o Joazeiro, a Ci-
ceropolis do future.
Ja conhecia, de annos alras,
essa grande cidade que evolue,
aqui no Nordeste brasileiro, coin
o aprumo e rapidez dos centros
populnsos de S Paulo.
Ha pouco, como representaiite
desia revista, junto a comitiva
presidencial,visitei a pela segunda
vez. S6 Ihe nega o progress,, ma
trial, s6 Ihe obscurece o sadio
asiecto moral, s6 malsina a sua
justica, s6 condemna a acao pa-
triarchal do Pe. Cicero, s6 aggri-
de e insult o deputado Floro
Bartholomeu, s6 desdenha da ex-
cellencia do seu element femini-
no, quem n.o tern olhos de ver
a verdade, quein tern a conscien-
cia obliterada pela obcessAo dessa
rnaledicencia nascida em. coraqoes
atrophiados pelo cactus repulsive
do odio.
Nestas poucas linhas creio syn-
thetisei lodo neu iensar sobre
urnma terra e sobr2 holhens que
merecem 1 maior acatamento pe-
las suas virludes civicas, pela pre-
occupaAio do bern public.
0 OJoazeiro em f6co*, drama-
lhAo tragico ainda ha pouco re-
presentado por actores pessimos
no palco da ignorancia po ular,
bem analysado no seu fundo, nao


AS MESS ELEITORAES


Uma das allegaqbes em voga contra
o project da lei que regulamenta o
voto secret, prescripto na vigente
Constituiqio, e a de que referida lei
vae de encontro ao mandate dos pri
neiros mesarlos eleitos depois da lei
n. 2.066, de 12 de Dezembro de 1922,
a chamada elei eleitoral do Serpa>.
Esses mesarios foram eleitos de ac-
cordo corn o artigos 50 da referida lei.
Acontece, entretanto, que o artigo,
13 da mesma lei 2.066 delimita o man-
date dresses mesarios:
S)s eleitores escolhidos para me-a-
rios servirRo em todas elei ges que se
effectuarem DENTRO DO. PERIOD
DA LEGISLATURE..
Ora, os mesarios que foram eleitos
em %irtude da referida lei, dentro da
legislature anterior, estfio corn os seus
mandates extinctos em virtude do urn
dispositivo da mesma lei que os creon,
pois ja so terminou o period da legis-
laturn em que elles foran eleitos.
Quando falla em legislature, jA se
v6 que a lei se referee A Legislutura da
Assemblea, unica corporacfo leg slativa
do Estado.
O tempo do mandate dos mesarios
comprehendido dentro da legislature
para a qual foram eleitos.
Actualmente nio existem mesa no
CearA, visto como us anteriores termi-
naram o sen mandate com a eleiqio da
nova Assembl6i.
loi inals do que a expl, slo rui-
dosa, tonitrownte, de insopitavels
sentiments de ambiCao e predo-
wiinio, de um padre que, A viva
forca quiz metter-se a chefe po-
litico.
Luiz B. Vieira


A Phoenix Caixeiral e a poli-
ticagem

Os ultinmos acontecimenlos, que have-
moas testemunhado, no que respeita c
vida internal da Phenix Caixeiral, timn
nos lcvado d convicted de que os poli-
ticos profissionaes trabalham, insidio-
samente, corn o reprovarel intuit de
transfor-mar aquella aggremiaorio de cai-
xeiros em unma camari/ha politicoide.
0 exempli de outras sociieddes de
classes qu", entire vds, se deixaram con-
taminar pela mvalefica influencia da
politicalha, dt monstra. elaramente, a
obrigoar o que assisted a todo o phenixta
de reagqi contra essa manobra indese-
javel.
No Ceard occorre uni phenomenon de
positive inversdo do estado natural das
cousas: em vez das classes entrarem na
political e a dominaren, -esta ultimv e
que invade as classes e as annulla,
completamr nte, desviando-lhes todas as
energies.
Quando a political, que tudo absorve,
consegue penetrar no seio de ura ins-
titu4ito de classes, o dissilio dos ele-
nmentos que a compnemn d o resultado
fatalmente certo que se verifica.
Produzido o mal, a administrafdo
dos gremios deixa de ecber ao consocio
de maior effi,:iencia administrative,
para ser exercida pelos mais affei~oa-
dos cabos eleito.-aes do partido a que
pertencer.
Achamos, pois, just a reacgdo dos
phenixtas contra as picaretas empenha-
dos, sorrateiramente, em demolir os
alicerces da Phenix, ecja argamassa
foi humnedecida corn o .suor que, ha
quase meio seculo, gotta a gotta, ven
porejaindo .da front dos caixeiros cea-
renses.


- 00900 W e" ew y 0.00 9000 0000


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FORTALEZA, 25 Of OUTUBRO DE 1925


C f R R I' I-L L I ST~ RI'D O


IIIillilAilAllfS E











O P4DRE CICERO E OS ROMEIROS

70" O _Oc3 r:EXEA


Sirvam estas linhas de additamento
ou sequencia As perfuitas observaqses
e justos conceitos, que o sr. Carvalho
Lima, publicou, aqui ha dias, no CEA-
RA' sobre os homes e a cidade do
Joazeiro.
Fiel nas suas descripaoes, estamos
certo de que s. s. foi sincere eip quan-
to disse das impresses. recibidas na-
quella terra. cuja celehridade jA grande,
ira crescendo cem o decorrer dos tem-
pos.
As observaq6es do sr. C. Lima con-
binam atg certo ponlo corn as nossas,
send que s. s. observou tudo on quasi
tudo; ao pass que n6s observamos de
preferencia a figure magnifica do pa-
dre Cicero, cuja existencia 6 a propria
'razdo' de ser do Joazeiro, de sua fama
e renome.
Inseparaveis do padre Cicero sio os
romeiros, into 4, esses sertanejos que,
nao estando contaminados pela civili-
zaVdo, se conservam simple sinceros e
leaes.
Os verdadeiros romeiros sRo pessoas
dotadas dessas qualidades; e as ha de
diversas classes sociaes.
Sio estes os que constituem o pu-
blice do padre Cicero, que escutam a
sua palavra e guardam o sou nome
coin grande amor.
De ha muitos annos, costuma o padre
Cicero dar uns conselhos ao povo, que,
para recebel-os se reune defronte de
sua humilde casa. E' o que os romei-
ros chamro a Bengdo.
Do Norte do paiz ao Sul de Minas,
da pancadia do mar ao fundo do ser-
tAo, accorre gente para recebel-a todos
os dias ao p6r do sol.
Chova on faga bom tempo, a multi-
dao se ajunta sempre. A Beng o 0 o
que ha de mais despretencioso neste
mundo, por que, sos 83 annos, ji se
estA muito para IA de va:dades e de
ambieoes.
De uma janella gradeada ao modo
antigo, fall ao povo e -expande-se a-
quella grande alma em conselhos e ora-
6es, repetindo, como os outros s;cer-
otes, a palavra de mansidao e de amor,
que partio da Gallil6a e ieb6a pelo
mundo ha dois mil annos.
E fall assim: oAquelle que matou
arrependa-se e tenha horror ao seu
crime; aquelle que viva mi vida, aban-
done esse viver de peccido; aquelle quo
roubou, restitua o que tirou, a seo do-
no; aquelle que peccou nao peque mais.
Jurai a N. S. das D6res amar a vossos
,pais, a vossas maes, a vossos filhos,
a vossos maridos, a vosso proxlmo. Ju-
rai deante d'Ella que nao pec6areis
mris; arrependei-vos; pedi perdao,.
A tolas estas exortaq6es o povo con-


trictamente rhurmurava: Amen!
Havia cerea de uma hora que o pa-
dre Cicero dssenvolvia um.por uin os
themas acitna, quando os gemidos de
uma mulher interromperam a pratica.
A um gesto do sacerdote o povo abrio
e trouxeram para junto da janella a ri-
de em que vinha essa doente. Acolhen-
do a ppbre mulher com palavris de
console, cnsinou aos que a traz am o
remedio, que devia alliviar aqutelle cor-
po; que, quanto A alma melhor reme
dio ensinou fazendo ver A doente que
a resignac-o serena As d6res 4 agra-
davel a Dous.
lito feito, afastaram a probrezinha,
que, ji consolada ficou por enfre o
povo; dentro de algum tempo nao se
.ouviu mais o seu.genido.
NAo abrimos, e certo. o corac~o dessa
pobre criatur., mas si o fiz'essemos en-
contrariamos IA dentro essa confianga
valente que a Fd, somente a F6, 'pode
dar.
Voltando-se para o povo continuous:
En. peccador me confesso a Deus>...
e a multiddo murmurou:' lEu peceador
me confesso a Dens !... E repetindo as
palavras do veneravel sacerdote foi atd
o fim desta oragto.
Nao nos 6 possivel dar.aqui a mini-
ma idda do ,tom de lamentaqo, de hu-
mi)dade e de tristeza que colorio entdo
a viz do padre Cicero.
A escripta nao tern signaes para,
comn elles, se exprimir os accentos e
tons da voz de um orador nem a nos-
sa palavra 6 assaz rica, pars externar-
mos o que enta.o sentimos, ner tao
.pouco descrevermos ou darmos idda
das physionomias dos ouvintcs, em cu-
jos olhos brilhava a F6 ardent dos
antigos christhos.
Honens e mulheres, os olhos muito
ibertos, pareciam fixar ilguma figure
deslumbrante que estivesso suspense
centre o. ceu e a terra na direcqAo do
padre Cicero.
Nao era. o extase, bem vimos mas
essa expressAo. particular de urna alma
que se entrega a outra, na mais intei-
ra confianqa.
Ah! a sinceridade d'aquella gente
humilde e pobre!
A grandeza do padre Cicero na sua
humildade !
Rezou em seguida a Salve Rainha>
acompanhado sempre pelo povo, que
repetia tao fervorosamente quanto elle
todas as phrases deste tocante appello
*A clemente, A piedosa, A doce sempre
virgem Maria*. Os coraRoes que se
sentem desgraqados por tLrem perdido
a crenca, mas que por ella conservam
grande ternura e respeito, nao podem
deixar de commover-se antes taes sce-


nas, porque a-.-E- :-. como u.m grande
amor: deixa urma marca indeldvel nos
coragyes.por. que, passou.
Depois da segui am-
se conselhos outros e exottaq6es a pin-
tura do Dia de Juizo, desse dia me-
donho. em que a Divindade offendida
vira judicare secular. per ignent.
Perfeita a descripqao do quadro hor-
rendo e de pleno accord coi os livros
santos; admiravel a.oratoria do p.' Ci-
cero pintando com a linguagem a mais
singela deste mundo o perfeitamente ac-
commudada a perpepgto do vulgo, o de-
sabamento do Universo, a catastrophe
espantosa em .que montes, terra, mar,
arvores, tudo em medonha confusao,
jogados uns.contra os outros, actbam
devorados pelo fogo-do ceu Admiravel
o csntraste entire a grandez do qua-
dro e a singeleza? da palavra. Nao 6
facil fallar assim.
"Quando descrevia o incendio da ter-
ra peccadora,, Eentia-se o palpitar dos
coracses. apavorados; aqui e ali, pur
centre a multidio, ouvia se uma exela-
mnsao abafada, lia-se o espanto em todos
rostos.
A pratica terminou com a bencgo dos
rosarios.
Em. dado moment a multidao levan-
ton acim,..das cabecas uma immensida-
deo de rosarios; e o veneravel ancito
tragando.noar uma grande crnz e mur-
murando algumas .,palavras, transfor-
mou .eses objects tio vulgares em
prendas de, alto valor, que o povo bei-
jou com reverencia.
Estava.termiuada a .be.nco, que du-
rnra cereal de dnas horns.
E todos n6s nos retiramos em paz.


Em casa e no silencio da uoite en-
tramos a refleetir: como tudo isto re-
corda o christianismo nascente! Qua
espectaculo commovedor e grandi-:o
na sna grande..sing leza !
Nenhunma palavra aspera on mesmo
emphatica: nos conselhos, exortaQ6es,
avisos, descripgoes, aineaas e promes-
sas aos peecadores, nenhuma phrase
incisiva, coisa ,alguma em tom de man-
do !.Todos os.discursos que acabava-
mos de ouvir traziam ease accento de
suave tristeza e de candura que cara-
eterisa tudo quanto 4 profunda o ver-
dadeiramento christao.
Corn certeza foi assim na Gallil4a
aos primeiros albores do christianismo:
uma. simples tunica, um cajado, uma
F4 ardente, o gesto humilde.
Foi assim que se despertou nos co-
ra6Ses corn csta linguagem singola dos
tempos apostolicos, o Amor que santifi-
ca e a F4 que, alnm de gerar o herois-


SEMINAL INHIPFINDElNT


C E AR i .I L L U ST-Ri A0


FORTAIZA, -13 IE SETEMBRO DE 1825








FgTLZ,2 EOTBOOi25CEARA -ILLUSTRAPO SEMANARMf IN[WPENflNT
1Fn
_


mo, rati da more disfarga o horror*.
S. Pedro e seus companheiros nao
fallavam nos sabios e poderosos, mas
a almas tto simples quanto estas, aos
desgrlaados que formavam, nos pri-
meiros tempos da dra christa a vili
plebeeula. que piedosaomente ouvia e
seguia S. Jeronymo. Plebe vil aos olhos
dos vis; que qnem guarda a palavra do
Mestre nada tom do vil.
Nenhumn joia, penultn brocado, ne-
nhum vestigio de seda !
Ali nfnguem sabe o que sho pnrpu-
ras, columns enormes, pompas des-
lunbrantes, vestuarios riquissjmos.
As almas piedosas na,) se sentem
esmagadas por nenhum edificio ospan-
toso e rutilante onde a arte haja a rcu-
mulado tantas obras primas, d(e nmdo
a provocar adnliran;es e enthnsiismnos
bom differences da piedade santissinma
dos christaos d:is Catacnmbas. Nada
existe de mais radicalmiente contrario
ao verdadeiro espirito christao do que
ppompas e riquezas.
A nmolestia do padre Cicero, da sua
casa, e, sobretudo a dos romeiros, lem-
bram a pobreza de S. Francisco; po-
breza resignada e tranquilla, que nao
blatera nem se nmaldiz, mesmo que Ihe
falte o pao de cada dia.
Mas, porque se attribuetho somente
ao fanatismo e neo 1 veneraCAo e ao
amor, esse mnuvimento que se opera
em torno do padre Cicero ?
Sera porque o Joazeiro nao flea na
Europa e os ronmeiros nao sao braneos
de olhos azues?
Bernardette, unma pobre e simple
camponeza franceza poude tocar corn
o dedo no sobrenatural; porque, pois,
entire n6s outra camponeza simple o
pobre nao poderia fazer o nesrno ?
Acaso nao era tambem fillia de Deus ?
Nao 6 de crer que a Divindade tenha,
corno dizem, uma predilocqao especial
pela terra de Combes e de Marat... sun
miao destribuio coin egualdade por todas
n6s o ar e a Inz, a legria e a d6r, o
vida e a mortet
Todos nascomos innocents e pros;
e a ninguemi e dado decidir si alguni
dle uds conservou on nuo essa inno-
cencia, essa angelitude que, segundo
os crentes, 6 indispensavel para se me-
recer um rato da luz celeste.
Um dia no Joazeiro uma innocent
mulher, ao commungar sentio nos la-
bios um sangue que nao era sen.
O facto repetio-se varias vezes. Co-
mo isto podia ser ? Na sua innocencia
e exaltacao mystical, ella o muitos que
assistiram o facto, acharam,como era na-
tural, a explicacio no sobrenatural. Os
que viram creranm; e os que nuto v r.ti
tambem acreditaram independunteinen-
to das affirmativas de muitos e das
n.egativas formaes, que vieram depois.
Levada pelo vento. a noticia do mi:a-
gre se espalhou por today part; e as
nmultidoes veram attrahidas pelo so-
brenatural, mysterioso, temivel e pro-
mettedor.
Foi en vao que se tentou deter -as


mariposas que voavamn para a luz ou
apagar o f6co,,que as attrahia.
Ninguem ignorao. pendor que seteon
pelo maravilhoso e sobrenatural e a F6
que so Ihe presta quandb'-confirmam
ou realizam aquillo que se de"seja e
espera.
Todos aquelles qte anceiam por um
conselho, um amparo on soccorro, que
jA nao esperam mais de part nalguna,
voam, no movimento mais natural deste
mundo, para onde quer que se ontreveja
on advinhe o sabrenatural, mysterious,
temivel e promettedor.
Em nossa ancia. do felicidade e de
consolaqho, qual de n6s nao empunha-
ria o bordho de peregrine para ir, emn
afastadas parts contemplar. mesmo de
long, o clarA ) do Pmiraiso ?
Mesmo nas classes illuitradas a ten-
dencia para o mnarvilhoso e sobrena.
trial dornita escondida no ainio de
mnuitos:; muitas vezes basta nm nada
para despertal-a.
Nio e tao frequent uln espirito for-
te* empallidecor ante o numero 13 ou
deanto de nuna inoffensiva borboleta
negra ?
Que 6 isto sinao o maravilhoso? E
que 4 o maravilhoso sinAo o que so
suppoe ser a manifest iFaode alguma
coisa advinhada ou presentida a quo a
nossa imaginalao e ignorancia attri-
buem proporcoes e qualidades assom-
brosas?
Debalde mostrareis ao civilisailo que
esse 13 que lhe causa tanlto medo e o
que ha do mnais Fugitive no pensamen-
to human; quo uto pass de ulU nu-
mero, urna abstracgao, e que portanto,
s6 existed no nosso proprio pensamento.
Qual! Nao podendo refutar os vossos
arguments elle conservard firmomente
a sua crenca e dirA 18 comaigo: .E
pur .si muove,.
Entre os civilisados, o horror ao nn-
mero 13 nao signifies pobrcza de es-
pirito: chega a ser uma elegancia; en-
tre os camponezes, um horror identico,
fundado nas mesmissimas causes d a
prova irrecusavel de sua inferioridade...
Si, por um lado, o miravilhoso con-
duz a vios temores, conduz tanbem a
sentiments resp itaveis pela sun sin-
ceridado o, mais aiuda, pelas reacqoes
beneficas quo causam no moral de quem
ob.possue.
Todos sabemos qte se podo tirar de
um principib also consequencias as
mais logicas e que, muitas vezes nossos
actos reaes teem origem na nossa pro-
pria phantasia.
Que ha de mais real que um velho
temple no Egypt'o?
Quem ignore as guerras de religiao
quo ensanguentaram a Europa tano
tempo ?
Edificio majestoso levantado, san-
gueira derramada pelo sonho o mais
et.lireo.
Dado o estado mental dos povosdo
sertao nida iha mais natural, mais hu-
mano do que voarem ao padre Cicero
isto 4 ao representante mysterious te-


liivol a cunsolldor ao mesrmo tempo,
as alnas abertas, os coraqbes anhelan-
tes para lh ouvirem a palavra de con-
solo e de amor que, expont:neaniente
prefoeren a q(palquer outra.
Os ronmeiros penetrlui n cidade rin-
diantes de alegria e at onln os areas
coin fogos iestivos: e o sen nodio ori-
ginal, pourin since ro do bradar nos qua-
tro ventos:
Alleluia !
Quem quizesse detel-os repetindo-lhes
o que se affirm! Joazeiro, descobriria nas suis iespos-
tas ingennas ou no seu ollhar uni son-
timento nmito p recido corn esse que
dictou estas palavras: "Credo quia ab-
su;dum est",
E assinl 4 que a F6.
Si anmor qn' riciocina e amor one
morreu". a F6 que analysa e a Fe
que se perdeu.
Os romeiros creni no padre Cicero
e nos seus ensinos; nho analy.-anl nem
discutem os rbjectos de sua cienea e
amor; creem corn o coraen o e, portan-
to, forternente. Nf o 'io cono alguns
que eximinain a Erscri)tura para redu-
zil-a a contos infants: on outros que,
perdendo-se em divagnqoes letestaveis
e prejudiciaes p-ira fazerem concordar
textos biblicos com descobertas da sci-
encia, tiraim aqnelles o que teem de
bello e de consolador.
Quem tiver olhos para ver e tacto
para sentir o qne vai na alna a]hein,
percebera quho fundo ,Meu Padrinhio
penetrou nos :oraqbes e quao long
irA o sen nome e a tradiao de sua
vida e virtudes atrav6s des geracies,
Ide arrancar no coracho do poyo o
fnndo amor em que elle temn o padre
Cicero.
Ao dizermos adeus no Joazeiro acu-
diu-nos nma vaga lembranea do reino
do Freste Joao, esse paiz ignoto de
quo tanto se fallon na Edade Media e
onde se acreditavanexistir um Rei Pa-
dre q.e governava unma grand chris-
tandade, fundado tao somante na vir-
tude e no amor.





Um film do Joazeiro


Ainda ha puco, no cinenti M'oder-
no, pprante o exmo sr. Preidonte do
Esltdo. su!l fwanili:i. deputido Fl!rn o
dive sos membros lda coinitiva prjp.i-
denc;:l. foi exhibido. emi expcrienci:,
o iltimo film do Joizi-iro. ;oianhado
pelo dr. Alfoiso !jinao. E' nma fita
limpa, being illumin:ida,. na qual se vmni
interessantes nspectos da ciimitivi. suti
entrada triumphal naquella eidade e
no Crato, alem de outros, tirados na
Lstrada do Baturi'e, entire Missto a
Ingaizeiras.


FORTALEZA. 25 DE 011711880 QL 182!i


Ef ARA I LL (13 IB A 0 0


PEDNID IRANA1413 T








FO1LEA 2 DE OUTBR BE IB2 1h1. ..I.R ILUTRD SFAARf INEEN


ao Carir.y


I
~..j..:
.~~-: :;I~.~~
.ii~ .. .i:...



A comitica p'resilenciaul, en* frente 4 eaetnrio de AMis.eio 'eli/a. iinniiugrada no diu a terior, apresta-se pa' a
sequeir em deminrii do .Jo.seij'o.


Vista geral da tstagdo ferroviaria de Miissdo Velha, inaugurada a 10 de s tenliro, prlo dr. l:emon.htenes RIckert dire-
ctor da R&de de Viagfo Cearense, corn a presenga do exmo. ?r. desembargador Moreira dai ocha president do Estudo


_1 -


_,. .. T~CE.ARA ILLUSTRADO


SFMANARIA INDEPENDfNT


Excurc~Lo presicsncial


FORTALEZA, 25 DE OUTUBRO OE 1925







E xcurso presidential ao Carir
Excursdo presidential ao Cariry


0 revmo padre Cicero e o deputado Floro Bartholomeu, no sitio
TIMrBAUBA, onde ficaram d espera da comitiva presidential.
S. revma. comprimenta, affavelmenie, o deputado Jorge da Rocha.
0 exmo. sr. president do Estado, em companhia do commandant
Montenegro e do dr. Juvencio Santanna, observa, cor muita curiosida-
de, um sertanejo, de calga de riscado e camisa de algodao, que, alheio
a todas as demais pessoas do grupo, mantem-se em respeitosa attitu-
de, seguindo, cor a vista, os menores movimentos do Padre Cicero.
0 sr. dr. Godofredo Maciel, prefeito da capital, de costas para o grupo,
(toma as alturas do terreno>...


FORTALEZA, 25 DE OUTUBRO DE 1925


0 0 A RTSULLIARAEC


SMMEAlillF191 W iff F









Excursio presidential ao sul do Cstado


A comitiva presi-
dencial recebida na
fazenda pelo revmo. Padre
Cicero Romao Baptis-
ta e deputado federal
dr. Floro Bartholo-
meu da Costa, pousa
esvecialmente para o
>.
Na photographia
veem-se, a frente, o
exmo. sr. President
do Estado entiree o
padre Cicero e o de-
putado Floro Bartho-


lomeu), o dr. Endas
Carneiro, Delegado
Fiscal do Thesouro,
o commandantefMon-
tenegro, ajudante de
ordens de s. excia. o
sr. President; o com-
mandante Pedro Bit-
tencourt, da Escola
de Aprendizes Mari-
nheiros e o dr. R. Go-
mes de Mattos (no
estribo do auto).-A'
esquerda do deputa-


do Floro, o dr. F. Sa-
boya (do Jornal do
Commercio) deputa-
do Luiz Felipe de Oli-
veira (fallecido dias
depois de seu reqres-
so a esta capital). La-
deando o comman-
dante Bittencourt, ap-
parecem os bustos do
dr. Godofredo Ma-
ciel, prefeito da Ca-
pital e do sr. Luis
Baptista Vieira, re-
presentante deste se-
manario.


~DATALEZA, 25 OE OUTUBRO ,OE 1925


CEARA ILLUSTRADO


SEMAHARIO INDEPENDENT







FORTALERU, 2 OE OUTUBRODEi 1 8,b CA PA i LLbSTAUA .... SEMAHARID INDEPENDElTE


: .* .: .. .. .. ? i' *
1-. .... .... ., . . .
.*hA


Entrada da comitiva presidential na cidade do Joaseiro, o centro mais po-
puloso do Estado. A photographia deixa ver oarco triumphal construido is
portas da cidade.









FOTLEA 2 L BUUI E12 EAAILSIAEf SEMAABI IDEENENTE


S%

;.-


Arco de folhas sylvestres que ornarentava uma das ruas do

joaseiro, por onde devia transitar a comitiva presidential


FORTALEZA, 25 DE OUTUiRRO BE 1925


CEARA ILLUSTRA Oil


SEMINAlIO INDEPENDEITE







FORTALEFA, 25 DE OUTUBRO OE 1925


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7~;" irPar~
A~li:
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A convite do Rvmo. Padre Cicero (o do centro do carro)

o dr. Godofred6 Maciel, prefeito de Fortaleza e o Com-

mandante Pedro Bittencourt percorrem a cidade de Joaseiro


SEM\ NBIO INSEPESNENTE


CE A R A' ILL !I S T R A 0 0








FOTAEA._5 E01TRB R S2 EAAILUTRD SEANRI INDPNE


Commissao de senhorinhas encarregadas da kermesse rea-
lizada em beneficio da . Ao lado
de gentilissimas senhorinhas, vOem-se o dr. Demosthenes Ro-
ckert, director da ROde de Viagao Cearense, o engenheiro
Fanor Cumplido e o nosso representante sr. Luiz Baptista
Vieira.


FORTALEZA. 25 DE OITUBRO DE 1925


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~Zc"pn~~i~-~s~ ~p;


CEIAR ILLUSTRAOO


SEMANARIO INDEPENDENTE













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Aspecto do grande e
do deputado Floro
president do Estado


lauto banquet offerecido pelas autoridades joaseirenses, na residencia
Bartholomeu, ao exmo. sr. desembargador ]ose Moreira da Rocha,
e sua domitiva. A photographia p6de apanhar somente uma parte da mesa


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Luis Baptista Vieira, nosso representante, -. de
Matos Ibiapina, ,director d', dr. Fanor Cumplido e cel. Francisco Pires de Hollan-
,--I
















A comiia president dial, na Commerrasse da residencia do deputadr. Demosro themes Rockert,sa
para o Ceara lustradoe de iado Cearense, dr. s. Presidenteiro, do Eslegado Fis-tendo,
sua esquerda, o depus (do Correarholomeu, o commandante onte-Sucupira
(dnegro, audanordeste), drs. Carao Limorge Carlos Rocha, srs.
beiro. De pisa ieiraatr, noemse, entre outras pessoas
atgs biapina, director d' Cear, dr. anor Cumplido e e Francisco eires de olln-
da, president da Junta Commercial;--a sua direita--dr. Demosthenes Rockert,
director da Rede de Viacao Cearense, dr. Eneas Carneiro, delegado Fis-
cal, Cesar Magalhaes (do Correio do Ceara), Luiz Sucupira l
(d'O Nordeste), drs. Carvalho Lima e Carlos Ri-
beiro. De pe, atras, veem-se, entre outras pessoas
gradas, os drs. Hugo Rocha e Joao Nogueira (da Rede de Via- =
Co Cearense), sr. Antonio Fiusa (da Associacao Commercial de
Fortaleza, Meton Gadelha e F. Saboya (do <]ornal do Commer-
cio>), Augusto Carlos, Albino Alves, Joao Montenegro, Clovis Vas-
concellos e dr. R. Gomes de Mattos
































Novo aspect da comitiva presidential, tomado frente da residencia do deputado Floro
Bartholomeu, no Joaseiro. Sentados, frente, o exmo. sr. President do Estado, tend, A
sua direita, o reumo. padre Cicero, prefeito do Joaseiro, dr. Josd Pires de Car-
aho, Chefe de Poicia, dr. Demosthenes Rockert, dire-



ctor da ROde de Viagao Cearense, deputado Floro Bartholo-
meu da Costa, dr. Eugenio Gadelha, deputados forge da Rocha
e Luiz Felippe. A'. esquerda de s. excia., o dr. Manoel Theophilo Gas-
par de Oliveira, Secretario da Fazenda, dr. Godofredo Maciel, prefeito de
Fortaleza, dr. Endas Carneiro, Delegado Fiscal do Thesouro, dr. Feij6, deputado
Antonio Botelho e Cesar Magalhaes, do cCorreio do Cear>>. No segundo piano, de
Sp, entire outras pessoas figuram o dr. Carlos Ribeiro, ceis. Jo&o Montenegro, Meton Gade-
lha (proprietario do ), Josd Meneleu (da firma Antonio Fiusa (da AssociaCgo Commercial de Fortaleza), dr. R. Gomes de Matos, comman-
dante Pedro Bittencouri, commandant F. Montenegro, cel. Pedro Silvino de Alencar, F. Sa-
bopa redactorr do <]ornal do CommerciJo), Luiz Sucupira (Delegado do Tribunal de Contas),
dr. Fanor cumplido, dr. Alpheu Aboim, Carvalho Lima, Luiz Baptista Vieira (deste semanario)







FOTLZ.25D UUR DE- 192 CEBA tiii-~---s rn- mi A~~-.fO- r---- F~--l-wF~iT


No Joaseiro


H, '

C .
i $IM~ S^--' .-j-^ ;j 'a ^__ ^ __


Outro aspect do grande jantar otferecido a comitiva presi-
dencial, pelas autoridades-do Joaseiro. Veem-se, a mesa, da esquer-
da para a direita, os srs. drs. Alpheu Aboim e R. Comes de Mat-
tos, cel. Francisco Pires de Hollanda, deputado dr. ]ose de Almei-
da, Luiz B. Vieira, representante deste semanario, ]Joo Farias, re-
presentante d' Joao Nogueira.


SE"-.SARi IFDCFCflFE


CEA RA' ILL U S T R 01


.FORTALEZA, 25 DE OUTUBRO DE 1925







1 E2CEARA I LLBTRAf SMAMAIR~l IINfM T


PALAVRAS DO SR. ANTONIO FIUSA PEWlElO


Antonio Fiusa Pequeno, ex-secretario da Fazenda Esta-
dual, no governor do president Joao Thome, membro da
Associaqao Commercial do Cearg, responded a uma consult deste
semanario,


Fortaleza, 19 de Outubro de 1925
Prezado Amigo Dr Democrito Rocha
Attendendo ao seu pedido em carta
de hoje. dou ao a linhas abaixo, corn as quaes resume as
minhas ultimas impresses sobre o Joa-
seiro.
Tinha estado no Joaseiro pela pri-
meira e -unica vez erm 1917, Quando da
visit do Presidente Joo Thome au
sul do Estado. Naquella occasiAo
nio occultei a minha impresso' admi-
rativa pelo aspect goral da cidaoe nas-
cente e pelo powder do aceqo do Padre
Cicero e sen bravo direito, o deputado
Dr. Floro Bartholotneu.
Voltando all agora, constatei urn
desenvolvimento que jamais se terA ob-
servado em nenhurn outro onto do
Estado. A cidade, notadainente cresci-
da, tem agora snas rnas principles todas
empedradas de bom ealgamento, corn
o 0meio fio estendido em todo o seu
sentido longitudinal. jR construidos at4
os muros de sustentaao em todos os
pontos exigidos pela conservaqto do
do nivelamento; various predios novos,
de construcQoo mais apurada; regular
illumincRo public, por por electrici-
dade; muita limpeza e uma ordem
poueo eommum.
Esta ordem foi notadainente obsor-
vada na feira, concorridissima e duran-
te os festejos qne ali se realisaram,
sern ser registrado o mais leve movi-


Publicaioas recebidas

0 das ba-
nhistas.-U provecto advogado
cearense dr. Virgilio Augusto de
Moraes Filho, membro do !ns.
titut- da Ordem dos Advogados
Brasileiros, remetteu-nos por gen-
tileza, o opusculo de sua autoria
em que publicou a peticAo de
ahabeas cornuss em favor das ba.
nhistas da (Praia de Iracema,.
Al1m da brilhantissima senten-
ca proferida nelo doutor Carlos
Levino de Carvalho, dign, Juiz
da 3" V.ra Crimninal desta Capi-
tal, o livrn cnntem umn erudito
proemio de cerca do cincoenta
naginas em ioe n illustrado e ta
lentoso c-usidico esttida o seu


mento de perturba.po.
Notei ainda um augmento conside-
ravel na percentage da populacgo
classificada, que ha sete annos ataz era
bastante diminuta.
Alguem obser ou que a limpeza das
ruas; a ordem em tudo; a serenidade
no trabalho e aquelle aspect de obedi-
encia e respeito, era simplesresultado
de recommendacoes expresses e ordens
positives para aquelles dias de perma-
nencia da comitiva presidential. Se as-
sim mosmo foi, digo ou: a obediencia
de uma populagao de mais de quaren-
ta mil habitantes a recommendac6es
de tal ordem, seguidas a risca, e o
mais eloquente attestado do valor de
seus dirigentes e da influencia real que
exercem sobre essa mesma populac-io.
Nao posso crer que nma tal influen-
cia esteja send exercida no man sen-
tido porque se assim fosse o progress
da cidade seria todo negative.
Se desejassem, o Padre Cicero e o
Dr. Floro manter a cidade e seu povo
mergulhad is no atrazo, nao se empe-
nhariam tanto pela passage da linha
ferres por hL, levando o progress, por
assim dizer automatic, do grande mein
do communicaqr o a transport. namn fa-
ziam da instrucglo pablica object de
tao assiduos cuidados. Sko dois bem-
feitores. E' de justiCa reconhecel-o.
Do admirador e amigo
A. FIUZA PEQUENO


gesto, A luz da ethica profissio-
nal e superjustifica as razoes de
suas infelizes constituintes.
0 trabalho do dr. Virgilio de
Moraes intitula-se *A prostitute
estudada A luz do Direito, e soc-
corre se de uma valiosa argu-
inentacan legal social e theologica.
Nao sabemos de existir, em por-
tuguez, tratado que se Ihe avanta-
ge, no assumpto t.o complete se
apresenta o do advogado cea.
rense, a quem felicitamos.


OPOGAL IUM do DR. GUER-
SANT.-Tu be r-
culose, Rachtismo. Debilidade,
Neurasthenia, etc. Reminerali-
saCao, Recalcificapao, Polgopo-
therapia.


Exposi ao do pintura

Umn novo pintor visit o Ceara.
Terra, ate ha bern pouc' tem-
po, esquecida pelos artists, como
terreno indesejavel e ingrato para
os cultores das bellas artes, ob-
servamos uma benefica transfor-
macao no meio em que vivemos,
tornando-se convidativo As expo-
siq6es de arte.
Clodomiro Amazonas, o pintor
nacionalista, aqui, se encontra en.
tre n6s, vindo de S. Paulo, em
visit aos tres grande centros
nortistas- Recife, Fortaleza e Be-
lem.
Artista originalissimo. de arte
sua e de inspiracao, patriotica-
mente national, os motives de
Clodomiro Amazonas discorrem,
preferentemente, em cores gehui-
namente brasileiras, sem influen-
cia de nenhuma escola de alem
mar, fugindo, systematicamente.
A sediqa orientacio copista, que
transform os nossos artists em
nacaqLueadores das celebridades
estrangeiras.
Clodomiro Amazonas, al6m de
pintor. 6 um espirito de brilhan-
te cultural egrands talent, sendo
de esperar desfructe da intellectu-
alidade cearense o amparb de sua
generosa cordealidade.
900
A RETIRADA DA lMOUNA
(Pagina historic dadicada ao insigne mestre da
mocidade military, Julio Matos lbiap'na),
Gritos, imprecaq5es blasphemias a gamidos,
partiam sam ce;sar daquela cohort brava
qua, exangue, exposta ao sol, de peitos resequidos,
inda era uma muralha 6 tropa que a buscava.
A furia deshumana, os loucos alaridos,
ao longs, n'amplidlo das solvas, so escutava
o tropil dos corceis, a tr6te, dastsmidos,
de p6 denso nevoeiro aos areas levantava,
E foi aquella gente expasta i dir insana
de sar entregue em vida a macega incendiada,
a ter, dspois de morta, a sort mais tiranna,
Pois essa tropa affaita an choque da metralha
rao teve do Paiz per quem morreu quaimada
Nem salva an funeral, nem cova, nom mortalha!
APOLLINARIO DE SOUSA
Fort., 21 de Outuhro de 1925.


L- -- -~--~--- -- -~ -r`


FORTALEZA, 13 OE SETEMBRO DE 1925


0 0 A RTSULLIARAEC


EPJONIS IGANAMES L











Fallanos o dr. R. Oomes de Mattos Rompem... ou


0 dr. R, Gomes de Matios, professor da Faculdade do
Direito, advogado a brilhante jornalista cearanse, responded ao CEAFA'
ILLUSTRAOO


Democrito
Meus saudares
'Mais que qualquer outra pessoa jul-
go-me suspeito para dep6r sobre o Joa-
zeiro.
Ouso fazel-o, comtudo, em attenAo
I


ao muito que v. me merece pela lou-
vavel insubiniaih to sen espirito, o que
import dizer, o1 signill de gratidho
no a< ' aren a iki ..Ilizeiro ( n f6coa, reflec-
tindo o e(:racter do sen director, nio
quehrou a sua linlia de condunIeta ante


ANNUNGIOS PROFISSIONAES

Cirurgioes-dentistas
DEMOCRITO ROCHA--Tratamen-l
to rapid dos denpte.-Consultas das 8
.s 17 horas. Cnnsultorio:-Rua Major
Facundo. 25S8.
RAYMUNDO BIZERRA Todos
os trabalhos de cllnica e prothsse. Col-
sultorio:--altos da Pharmacia Meton.

ldvogados
DR. TANCREDO MORAES--Ma-


solicitaqdes que visavam negasse v.
acolhida a qualquer palavra de defesa
aquella terra.
A visit presidential ha pouco al'i
realizada, (a imprensa o declalou nou-
tros termos), foi o mais esplendente, o
mais complete triumph quo uma so-
ciedade sertanejh jA logrou conquistar
sobro os destrncos de u'na campanha
tio inept e injusta, que cain por si
mesma. Quanto no aspect material da
cidade, s u progro so vertiginoso, mi-
Ihares de testemunhos o attestam.
JA 4 coisa sediga esse ponto, tanto
ha side elle liscutido da pagina do jor-
nal independent, A tribune da Assem-
blIa Legislativa.
Basta salientai: as remodelaqGes que
ali existing, o calqamento, o fio de
pedra, a illuminaqooelectrica, o alinha-
mento das ruas e praOis, a avenida
Almiranto Alexandrino, o asseio publi-
co, sAo melhoramentos que se nAo fa-
zer dontro dos limits orqamentarios
de nenhu n municipio do Estado, ainda
que ease municipio tenha uqm <,gover-
1.0 phenomenon.
A ordem social, pedra de toque do
adeantamento de um povo 4, no Joa-
seiro, um fact. e nao se a obtem, a
nlo ser atravez de um largo tempo e
ingente esforgo. empregado pela sua
honrada justice local, poderosamente
apoiada pelos dirigenies politicos, o pe.
Cicero e o deputado Floro: o primeiro
4 a synthese da maior forqa moral que
trAs no apice dos seus ensinamentos
nma grande populaqao, nao de fan-ti-
cos, mas de admiradores;.o segnndo,
d a encarnac'o viva da energia mas-
cula, do trabalho fecundo, e de uma
sinceridade que se discute, mas que
janass se desment:n.

R. GOMES DE MATTOS


juLr Facundo. 268.

Medicos

DR. A3MADEU FURTADO--C,,n-
sultorio: Phiarmacia Universal.

Electricistas
MENNA BARREICO- Major fa-
cundo, 248.

Cypographlas

MARIO JATAHY- Major F'aun-i
do, 272.


ndo rompem?


Vou ao Cimema: e emquanto espero
Que desespero,
No banco duro. que a fita rutim
(Que d sempre assim)
Venha na tela.
Ouqo a palestra 'de um grupo ao lado,
Corn desagrado,
Pois, cada qual emitte opinide
-Se ronmpet o n ado...
A fita e apenas intoleravel.
E e detestavel
A projecgdo. tica o Ribeiro
Corn men dinheiro
E eu don a f6rn; rou p'ra Avenida
Que estd mais fresea e concorrida,
M(as. 0o seatnr-me.
Sou abordado de supttdo:
-Entdo on homes romperm ou n)to ?

Fico indeciso
Fago um ar de riso
E de munsinho eu you saindo,
me diriqindo
Para um cafd; sento-me d mesa
(Pouca hygiene, pouca limpesa)
Chamo um garcon:
-Louga escaldada e cefe bom.,.
E, de repente,
i.stdi commigo jd muia gente !
Todos conversaf m e contusdo
E n assumpto e r, mesmo:
Rompem oun nac ?
Mals, finalmente, isto d um mysterio,
E' umn ca.o serio:

-Rompem... ndo rompem, por onde che-
(go...
Ndo ha soeg !
Deve ser mesmo uma cousa dura
de contextura,
De filamentos de tal dureza,
Que o povo todu de fortaleza
Conhetendo a trauma do tal tecido,
Fica esquecido
De seus ne .oio~, deixa-on de mdAo,
Vem pare a rua sd discutir
-Se rompem ou no o!

0' povo ilgenuo Pobre creanga
Que se nIo cansa
De eternamente ser enganada !
Rompemn id nada !
Os taes partidos politiqueiros
Sdo cinemeiros;
E' urma coberfi a de retalho~ !
Corn qule trnla/hos,
Coin queo canceira
Poemn remiendois nit biurnqteira...
Tdla ordi/ari, grosseiro panno.
Sd po" ''f;nsco
Pensain que seja sda on damasco,
Alas, que em certeza,
Jd estd rompido, por natureza
Se desfazendo,
Pois d renemiiie sobre remendo!
FULANO LE TAL


WI"--r


FORTBLEZA. 25 DE OUIUBRO OE 1925


CE A 8 A ILL II STRA 0 0


3REP(ONIC IRANAME3 T







FORTALEZA, 25_DE.L.TUBRO .E 1.925 CE AR AR' I .L U.


U I IMMPRESSOES DO SERTAO a


Quando o .Desembargador Moreira
da Rocha, eleito e reconhecido, cliegou
ao CearA para ansuinir o sen governor,
abalaram de todds estos serties gran-
des levas de matntos que foran assis-
A solemnidade da posse e olhar de
perto para o novo president.
Aquella especie de romaria political
era feita emn oedioncia a ordens dos
clh-fes dos dois partidos qne entre si
venm ha alguns annos, dividindo, as
posicres de mando em ncssa terra, eada
qual mais empenhado em testemunhas
o sen grande, o sen iinmenso amnor A
protest de que .ia tomar assento ro
throne dr Olympo. Era a a'rdorayo no
novo sol que naqnelle nmom nto appa-
recia corn a belleza fascinadora dos as-
tros no Levante.
Os jornaes que representam o pensa-
mento dos dois grupos, no lado do gran-
des estiradas lantadorias ao candidate
eleito, enchiam colimnas com as noti-
cias dos respectivos correligionarios
que iam affluindo de todos os angulos
do Estado. Ap6s o acto, comeQon a
voltar aos seus penates a tabareiada
que se nho cansava de exaltar a nagni-
ficencia das festas e o espirito cava-
Iheiresco do illustre conterraneo que
aeabava de empunhar as redeas do go-
verno do Estado.
Si a gente conversava com um sol-
dado das hosts do coronel Franco
Rabello, tinha, necessariamente, de ou-
estas palavras proferidas numa quase
exaltaito mystica:
NiNao iha duvida qu o Desembarga-
dor e democrat. Ievotado amigo do
nosso supreme chefe senador Joao
Thome, de cujo governor foi secretario,
n.o deixara nunca de ouvir a vo: con-
selheiral do ex-presidente 0 nosso
partido vae, portanto, dominar emn to-
da linha. Os dias do acciolismo estAo
contados.
Assim. falava umn rabellista mas, si
tinha a palavra urn correligionario do
ministry SA, era um hvmno cantatdo
As virtudes do president que, no dizer
daquelle, sempre foi acciolista :. accio-
lista por indole e por edutano.,
0 rabellismo, accrescentava, era uni
organismo em deconpositcao, velha ar-
vore prestes a morrer per falta de a-
dubo. Emquanto assim so expressavam
os matutos, os chefes, na capital con-
servavam-se em attitude reservada,
sondando-lhe as preferencias political.
Isto assii foi ate ha pouco. Ja ago-
ra resaltam A comprehensd.o de qual-
quer mortal is sympathias do clefe do
governor Cenrense per umna das faccqes
que o elevaram ao powder.
Quem como eu, porem, tem vivido
nos ultimos tempos em vilgem pelo in-
terior do nosso Estado, observando as
variarnes do thermometro politico atra-


vds dos actos daquelles que represen-
tain as sitear6es nos diversos rmuniel-
pios, pode affirmar corn seguran.a .que
esta unidade federada jA ;desfructon a
mellior phase do sen ac-tual governor.
Daqui para deante tudo esta indican-
do quo vineos entrar no regimen da
violeicia e da anarchia. De alguns an
nos a esta parre acompanhando de perto
;t anceio dos partidos que tmrn a reo-.
pons:bilidade d,) poder em nossa tera;
observando os grades erros qire prati-
earani examnando ;.s falhas de nossa
ducaiao political, ainda hoje tao defi-
ciento quanto ha vinte annos atraz,
cheguei a me convencer de que para o
CearAi 6 um benefici estirom aqnollas
duas aggreniiaices partidarias apoian-
do umr mesmo governor.
O dominioexclusive de qualquerdel-
las s6 pr juizos traz, A vida deste Es-
tado ja tao flagellado pela natureza. (1)
Destribnindo-lhes favors pqr egual,
nao 6 difficil no governor mante-las em
attitude de respeito urna para corn a
outra, nao obstante o velho. odio que
se votamn mutuninente.
Embora sentindo-se bafejada pelo
powder public, nenhunma se desmanda
em vialencia, receiosa de qne o gover-
no niao ipoie ( s seus excesses.
Umra vez, poren, aesfeito o equilibro
da balanha, como monopolio das gra-
gas officials concedido a urna das fa-
cCoes em prejuizo da outra, serA o fa-
cdoo juiz soberano que vie derimir
quaesqtur litigios nestes mntinicipios..
O recent caso de Misstio Velha vale
como umn panno de amostra da situa-
qao que vamos atravessar daqui ati o
fim do actual governor.
O prefeito daquelle. municipio, afas-
tado das funegses do sen cargo pela
forqa do bacatiai-te. dizem ser, parti-
cularmente, .um .estinmavel cidadao.
Conio admiinistrador, por m, 6 noto-
ria a sna incapacidade .No eacti.vo de
sua gestho nio Se aponti uni ,icto que
o recommended ai gralid o dos saus
municipes; o passive, entretanto, has-
taria muitas veres para tornar mnrito-
rio o gesto ie qualquer governor que o
ex0nerasse do cargo sem mesmo lhie
dizer porque.
Mas, a circnmstancia de so haver re-
velado o coronel Dantas uim pessinmo
administrator justifica o procedirmento
dos que o arrancarair do poder?
Nato, mil vezes nio.
E, quando assim mle expresso, estA
entendido que encaro os factos do ac-
cordo com a moral governista.
Ora, paia os cidadtos que se acham
A frente dos nossos distinos, o indivi-
duo que represent qualquer parcella
de poder d unna entidade sagrada e
por issue, todo aquelle que cominetter o
sacrilegio de attentar contra ella, o me-


nos que rmerce 6 ser esquartejido na
prrqa public.
Como. se defended, pois, o governor
que, decorridos 15 dias da depsicao de
urn prefeilo, municipal, nio manidon,
j:A nto quero dizer enforcer os autores
dte tao monstruoso crime, ins ao me-
nos report aqiiella autoridade ?
Decidilamente eu uniao posse compre-
hender a moral dos ihorens de gover-
no!
A minha, que,- infelizmente, ainda
nio pude por em pratic. mnanda que
sejam atirados f6ra dos respectivos lo-
gares os srs. administradores que nao
souberam cumprir o seu ever, ponco
importando emane o ;.:to dh da auto-
ridade superior on d;is que ja so sen-
tern cansadas de aturo-los.
No case de Missto Velha apparece
ainda umna aggravante: os ouedepuze-
ram o prefeito sio elements da peor
especie, os inesmos que em 1921, por
occasiao dis eleicyes federaes. deram
em Aurora mais de duzentos tiros, fa-
zendo os mesarios fugirem e abando-
narem as urnas, de que se apossaram
os desordeiros.
Das columnas do tCearA Tllustrado-
ji una vez disse q e o governor nao
deniite um prefeito senro quando elle
chega a ter o topete de filiar-se a qu il-
quer partido que perdeu as graqas do
president.
Ahi tern os leitores um testemunho
do que affirmoi: O governor chegou a
convecer de quo a pormanencia do co-
ronel Dantas na prfeitura de Missito
Velha era um verdadeiro crime, mas o
nio'demittiu, preferindo ve-lo deposto
por um acto de forqa embora com o
sacrificio da moral que em political de-
fende... para uso proprio.

TALMAR
Iguatfi. outubro de 1925.


(1) NOTA DA REDACC'AO-A opi-
niao de Talmar coincide corn a dos
nossosapreciad RA'. 0 governor ideal, entire n6s, seria
aquelle sustentado no poder pelos dois
partidos. 1. quando pentre n6s se falla
nos dois partidos, ja sabemos que sao
elles o rabellista e o acciolysta. 0 go-
verno magnifico, no conserso de Tal-
mar, serA aquelle que dividir, entire es-
sas dnas correntes, os favors de sua
gra.re.
NAo podemos, infelizmente, partilhar
desse aviso.
0 CesrA possue alguma cousa aldm
losses dois grupos politicos.
Cada qual desses dois partidos 6 o
peor.
Quando ambos se dio as m,.-s e


S T-. A-0- 0 SEMANARI0- INDEPBENENTE











DISCURSO PRONUNCIADO PELO DR. GODOFREDO MACIEL, PREFEITO DA CAPITAL,

no banquet offerecido ao deputado Ploro Bartholomeu, por occasito de seu recent
embarque para o Rio


Sr. dr. Floro Bartholomeu :
Esta manifestaqido, com ser de si
mesma simples e modest. issignala-
se nobremente corn o timbre indelevel
da mais pnra e legitima cordialidade
Aqui, asseguro-vos desde logo, nao
vos vae fair o convencionalismo cal
culista das segundas intengoes; tFao
pouco tereis de escutar os retornelos
lisongeircs daqualla velha sereia enga-
nosa do espirito de partido; nao, nada"
disso. Aqui ides ouvir spenas, em pou
cas palavras, e sem atavios, dirigida
ao vosso coraqao, amigo a voz da nos-
sa amisade, inspirada no am6r A jus.-
tica reparadora.
0 vosso nome, sr. dr. Floro, que.de
ha mnito so vem distinguindo nas li-
les da political cearense, a qual, infe-
lizmente, nos excesses tradicionaes da
sua paixdo combative nao sabe esco-
lher armas para ferir, quaetodas lhe
parecem licitas; o vosso nome, dizia,
voltou, ultimamente, talvez mair que
nunca, a ser discutido e lapidado, a-
travez de urnrude process critic, ra-
dicalmente negativista.
Tudo se vos recusu, nada se vos

galgam o poder, neutralisamn, simples-
Inente, os malelicios de um contra o
outro; sommam-se, entretanto,.as ma-
zellas communs, augmentam a sua no-
cividade contra tudo mais.
0 governor Serpa, invocado como o
padrAo do que serve para'o Cear-, foi
a demonstraqio dessa tristissima ver-
dade.
Que o digam os tavoristas, os mar-
retas ortodoxos e os elements inde-
pendentes que deixaram de respirar
naquelles tempos do cynismo official e
das mais destemperadas violencias po-
liciaes.
No governor do fallecido sr, Justinia-
no, inportou o Ceara os primeiros ca-
pangas policies, aquelles que surra-
ram, na praga do Ferreira, o redactor
de um journal (Deusdedith Gondim) e
que tentaram contra a vida de Fernan-
des Tavora, em seu desembarque, na
ponte metallica.
Nesse pacifico quadriennio, foram
numerosos os assassinios de pessoas
grades, no interior do Estado, bastan-
do, entire outros, citar-se o de Joaquim
Cit6, no Tauhi, por.um cabo de po-
licia.
A tolerancia political foi de tal or-
dem, apesar de apregoada, que o nosso
director foi atirado para as frontei-
raw goyanas no Maranhio, e os srs.
Mario Felicio e Tertuliano Menezes
demittidos de seus cargos federaes a
pedido de governor do Estado.


reconhece.
Mas, diz a sabedoria popular, ha
males que vem p'ra bem, on, melhor,
segundo o alto conceito philosophico
de Spencer, ha um fund de bondaue
nas cousas mais.
Essa critical systematic, por odios
on amSres pessoaes, sunmmariamente
feroz, que nada examine, mas que tudo


.










I
2


contest por negacao, cor os finorios
protests de convencer final; essa cri-
tica leviana, feita de ma f4, para ar-
mar a certos effeitos inconfessaveis,
redunda sempre, aos olhos da opiniio
sensata, em grosseiro ardil contrapro-
ducente, em perigosa espada bigumea,
cujos golpes incantos e como que sui-
eidas, attingem antes o espadachim
precipitado. Por fim do caso, tomadas
bem as contas, esse process difama-
torio a todo transe, do de por onde
der, do seja como for, transforma-se,
providence almente, em crivo joeirador
da verdade incontrastavel, crivo que,
aliAs, em mrios de sophistas, vem a
ser aquella mesma peneira corn a qu;il
elles, teimosos senAo ridiculous, se obs-
tinam em tapar a luz do sol.
Tudo se vos recusa, nada se vos re-
conliece.
Entretanto, quem ainda nesta terra
tiver olhos do ver semn prevenCtes, que
demande os coufins do Estado, rumo
sul,-e 1l encontrara, no delicioso oasis
do Cariry, florescendo entire outros
exemplares de vida social exhuberon-
te, o municipio de Joazeiro, cuja cida-


de ainda moca, ridente, lougA, pacifica,
generosa e hospitaleira, ali se ortenta
no mais singular e admiravel ccntras-
te cor a arvore do sen proprio nowe.
porqne, senhoies, naquelle Joazeiro do
(ariry, se esp:nhos houve, converte-
ram-se todos em flores e fructos opi-
mos, graqas A maravilhosa bondade
evangelical do seu glorioso demiurgo,
o reverendissimo e benemerito Padre
Cicero, figure apostolica o ji agora
historic, a que tendes prestado e pres-
taes, sr. dr. Floro-eis o vosso cri-
me-a mais decidida, leal e fecunda
coilaboraqao, no patriotic intuito de
fazer daquelle malsinado e calumniado
e invejado recanto sertanejo um dos
maiores e mais efficientes nucleos de
civilisagao em terra cearense.
Bern haja,. pois, esse vosso nobili-
tante esforco, que os homes de boa
vontade, livres de prcjuizos intoleran-
tes, san unanimes em attestar, o o
chronista do future ha de recolher um
dia, na sua serena imparcialidade vin-
dicadora. E porque nunca se vos que-
brante o animo pugnaz, e possats con-
tinuar sempre e eada vez mais na
estacada, firme e forte pelo bern da
causa public em Jazeiro, tudo para
maior prestigio e realce do vosso no-
me, n6s. este pugilo de amigos vossos
aqui reunidos muito mao por mio, er-
guemes effusivamente as nossas taqas,
corn os melhores votos pela vossa sau-
de e pela vossa felicidade pessoal.
-00
Se tens bom gosto e desejas ser
elegant, fazei voss;is cor
pras n'~Ar Cearense, a qual tern
sempre novidade em sedas e teci-
dos finos.
me

Os films da casa Bayer

Terca-feira ultima. a convite do sr,
Edgard FalcAo, conceituado agent dos
products Bayer, tivemos occasiao de
assistir A rep -ise, na tela do CINEMA
MODERNO, dos interessantes films des
criptivos da fabrics de products chi-
micos BAYER.
A referida pellicula deixou-nosa ni-
tida impressho dos inexgotaveis recur-
sos technicos e scientificos do grande
estabelocimento, o que represent ase-
guranga de sua produccqo.
Entre n6s, os preparados mais co-
nhecidos da cass Bayer sae vs com-
primidos de ASFIRINA (Bayaspirina),
Cafiaspirina, de largo consume e vast
applicaeao therapeutic.


FORTALEZA, 25 DE OUTUBRO DE 1825


CEARA ILLUSTRAOO


NEPEDH1O IRAilAMES T








MAAA AAA AAA AAA .'..Ao .AA AAA AAA AA m


PI !OI DO SaBOOTE[ "OhiYCCRO"
9 V ___V VV V V VV__VV []


Todas as collaborac6es que fo
rein remettidas afim de serenm
publicadas nesta vagina, nIo de.
verAo exceder de trinta palavras
inclusive assignatura e pseudo-
nymo. -
Toda a collaboraqiro para ser
publicada na Pagina do Sabo-
nete Glycerol, deverA ser remet-
tida a: Sabonete GLYCEROL,
Rua Major Facuido, 271 For
taleza
EU ideal consiste numa moca
formosa residente.a tua Flo-
.riano Peixoto. Chama-se C. Es-
tara compiromettida? Sy-npathi-
zara corn um raraz moreno que
a fita com insistencia ? Se os
seus divinos olhos corresponded
a estas linhas pego responder a
-Alma Feri: a.

E fodas as casas do medas, armarinho, dro-
garias a pharmacies, encontra-so a venda a
maravilhoso e inagualaval sabonoto Glycerol,
no infimo preqo do 1$000 cada um. Preuo para
propaganda,
OU moco extrangeiro (Inglez)
muito ben empregado, attrai-
do pela beleza das nmocas cearen-
ses e desejo amar profundamen
te uma senhorinha que reside 6
rua Floriano Peixoto. Ella fre-
quenta, todos os domingos o
Cinema Moderno e deve lembrar-
se de um rapaz de branco que
a olha cor grande insistencia.
Se corresponde ao seu anor es-
creva para esta revista a--In-
glez.
ada sabonete Glycerol acompanha um
coupon que di direito a muitos premios no
valor de 2:230$000- que tori diroito quam maior
numero do coupons apresontar,
LTA, elegant, alva, discreta, de
uma altivez sympathica, em-
fim um typo guano na acceppco
da palavra. Este 6 o meu ideal.
-Oru a .


P emios, o meu amigo Tala em premios, eati
enganado a pode ficar certo que premios so
quam di ao fabricanto do sabonete Glycerol.
EIhs sim, slo premios, pnrque estes olhos, quo a
terra ha do comer, ja fitaram a linda marquize
de brilhants a varies chequas am dinheiro,-Ha-
bilitem-se,
f( EU ordenado 6 de 600$000
n ensaes Tenho 34 annos
de idade. Nunca fui noivo, Con-
cretizando a minha carreira conm-
mercial, nao pude gozar nenhu.
ma delicia pessoal. Posso darre-
ferencias satisfatorias Desejo en-
contrar uina companheira para o
meu lar, ate 30 an:ios de idade,
para former un lar respeitado.
Exijo boas referencias de con-
ducta irreprehensivel. A charei
uma nas condiq6es que desejo?
(onrlio.-Mario.
Um caso curioso
0 sabonoet Glycerol conseguiu eliminar
uma arroba e meia de caspas que tinha guarida
na cabega do uma mulhor australiana, quo come
recompensa deu esse peso em ouro ao inspirador
do tio maravilhoso product.
MO um rapaz de oculos. pro-
prietario de um estabeleci-
mento typographico e a quem co
nheci no ( inema Moderno. Se
seus olhos pecorressem estas li
nhas lembrari a senhoriiha ves-
lida de verielho?-ANISV.
DP la grande acceita ao quo vae tando o sabonete
S Glycerol esti provado quo a elite
Fortalezensa em peso esti consumindo essesabonete
ideal que regenera e aformoseia a cutis,
ORENITA-Sempre tua image
deante dos meus olhos Amo-
te profundamente. Esoero ver-te
como de costume no Cinema-Mo-
derno. Ten -Moreno.
uando v, s. vir passar uma moQa parfumada,
Srsto sem nam uma espinha, os cabellos
sedosos podo jurar essa maravilha s6 faz o sabo-
note Ol.cerol-custa 1$000 cada,


Usar o sabonote Glycerol 6 for um gosto
aprimorado no sou "toillet",
fYOSOTIS-TI' conslitues o maior
encantc de mninha almna. Sin-
to necessidade de amar-te e ado-
rar te eternamente Perderei a il-
lusgo de ter-te conhecido ? Tua
figure esth esculpida em minha
alma Quando poderei fallar-te
Myosotis? O teu-Amor.
ue horror! quanta caspa! mas lembro-mo quo
a Glycerol--e s per nolle pensar,
que maravilha, ji nio tenho nem unma caspa-
Um curado.
LARA -N No tendo cumprido a
promessa de fallar-me pelo
telephone pego.te se ainda te
lembias de quem te fallou no
Passein Publico, segunda-feira
passada. de responderes para-
Cra vo Roxo.

Sa sa a he bo be no no no t to to ly
Oly Oly ce ce ce rol rol rol
-o melhor,

OOT-BALL MoOa vestida de azul,
sendo muito adnirada domin-
go passado n jogo Leard x For-
taleza, por um moCo trajando
rupa creme da qual ficou bastan-
te syrnpathisado, des jando cor-
respondel-o respond tara-Febo,
Ah! quanto 6 bhllo um rosto avolludado-Para
obtel-o, basta usar um sabonete Glycerol.
iva o sabonote Glycerol o Rei dos sa-
bonetes.
W MARIA eternamente a quem
possuindo altas condiq6es vir-
tuosas, .fosse ura mulher exem-
plar para o lar. Sou rapaz de
boa posi~go e bem parecid,.
Quem estiver em condices de
amar-me eternamente respond
para-Myosotis.
E spinhas, coceiras, sarnas, queda do cabsllo curam-
se corm afamado Glycerol.


FOBTAtEZA, 25 'OE GUITIIBR DE 1925


PEDNIO IRANAMEI( T


0 0 A RTSULLIARAEC








- ,E..T,,, E.....S.MANARIO iN. ,. .p,-.N ..NT


Paloavras do -dr-AemoFslst nR cr1


0 dr, Demosthenes Rockert, engenhiiro director da RHde
de Via io Cearense, satisfaz a enquete do CEARA ILLISTRADO


Joazeiro 6 urna cidade intensa-
menti progressista.
Eu. que sou extranhn ao Cea-
ra e ao Norte em geral, surpre.
hendi-ne diante do espectaculo
de actividada que nos offerece a
referida Incalidade cearense, a que
alias ji cnhecia atravez da im-
prensa sulista.
Em cotac cot comi os seus esfor-
cados di'igentes, qualquer foras
teiro ,bserva, d2 proniilti. as
boas intencqes de todos elles, o
empenho de nellhorar e a ancia
de tudo aperfeicoar.
Julgo. pelo que eu conheco
deste iibre Estado, que Joazei-
ro e u'n. exemplo digno de ser
iitiado pelas demais prefeituras
do Ceairi.
Por outro lado, considerando-
sc as ferrovias como verdadeiras
arteries cpor onde corre o sani
gue do progres;o e da civiliza-
Ca.U e constatando-se n extraor-
dinario interesse do revnlo. Pa-
dre Cicero e do deputado Floro
pela mais breve possivel inaugu-
raqio de Joazeiro, fica, virtual-
mentc, repell;da a versdo de que


os chefes-daquelle imp rtante nu
clen sertanejo sejam creatures


retrogradas contrarias ao pro-
gresso moral, social e economic
de seu povo.
Demosthenes Rockert


AS IMPRE88OE8 DO CHEFE DE POLICIA E DO GOINMAANATE
DA E8COLA DE MARIHEIRS08


Fortaleza, 22 de Outubro de
1925.
Amigo Democrito.
Attenciosas saudaq6es
Respondo sua carta, em que
me pede minhas impressOes da
cidade de Joazeiro, n. curto es-
paQo apenaR de dez linhas do
sen apreciado CearA Illustradoa.
Encontrei uma cidale coin um
progress material assombroso.
que excedeu muito a ininha ex-
pIctativa.
Situada em urma regiao riquis-
sima, verdadeiramente ,ncanta.
dora, Joazeiro est, fadada a um


grande desenvolvimento, dentro
em poucos an:nos.
Creia-ine corn sinceridade.
Seu amo. e cro. atto.
Jose Pires de Carvalho

Fortalea, 23 de Outubro de
1925.
Muito presado amigo sr..De-
mocrito Rocha.
Cuinpriientos
Muit;z- ;,- a:nente recebi a sua
carta p dindo as imipress6es por
mini colhidas, quando da excur-
sao presidenctal ao Joazeiro.


Uria rectificaao
0 sr. depiutado Godofredo de Castro
solicitou-nos a rectificcaeo de um to-
piico da palesra qn u/e lntr, teve coinaos-
co e q/le, a siu reielia, fizeiios puhli-
car ei nossa' ultiina ediCrio.
E' caqelle (e, quce nos teria anlludido
(o facto de IhLer ex.pulso de suia cisa
(10o c'l. Jose Piorto.
Nl.o fai o referido orallheiro o que
foi posto fdra dos hnumhraes dei sia re-
irde'ncia, mas outros cidoad/os que o
tentfram veializr a o tiemipo ldus can-
didaturas St rpa-Brlisario.
Ahi fica a rectifcimcao.


DR, TANIORDO MORAES

WDVO IDO I

Rua Major Pacundo, 268

~ L--- -- -
Excusado 6 dizer Ihe que sou
um grande admirador do Joazei-
ro, dessa terra b6a e hospitaleira
e da qual guardarei sempie gra-
tissima recordaQao.
Nunca poderei esquecer me da
b6a hospitalidade que o Joazeiro
dispensou a Escola de Aprendi-
zes, quando ella all esteve sob
ineu commando em Janeiro deste
anno.
Todos n6s livemos a opportu-
nidade feliz de privarmos inti-
mamente com os illustres revdm.
padre Cicero Romio Baptista e
dr. Floro Barlholomneu e desses
dois illustres e dignos brasileiros
todos os que serve nesta Esco-
la guardam as mais gratas iecor-
dacqes.
Emnfim, sinto-me bemr Icda a
vez que posso fallar do Joazeiro,
dos seus administradores e do
seu .povo.
LA tive a occasion de apreciar,
bern de perto, a delica.iiza de
nossos patricios e a sinceridade
dese Dovo bom e trabalhador
Emfim, nmeu resado anlgo te-
nlio e coinm eu todns que ser-
vein nesta Escola, o.coracao cheio
de recordacao desse recanto bello
do nosso Ceara.
Com uin abraqo amistoso o
ado. obr.
Pedro Bittencourt


.- :- ,. [ AR C A ILLUSTRADO


FORTALEZA, 25 OE OUTUBRO OE 1925.


HlPEDNIC IRANAAFES E








FORTALEZA, 13 RE- SE R DR IMMANARID INDIPENDENTE


Instantaneo tornado na fazenda Lameiro, do eel. Nelson da Franca Alen-
car. Da esquerda para a direita: cel. Nelson, dr. Demosthenes Rockert, director
da R&de de Viagao Cearense, s. excia. o sr. desembargador Moreira da Rocha,
president do Estado e cel. Abdon da Franca Alencar, no pateo da fazenda
Lameiro.


MECcicursao jpr:esicenciSl ao Cari-ry


CEARA ILLUSTRADO


TORTALEZA, 13 DE SETEMBRO E-.1925


DNEFEDNID IRANAMEJ E






FORTLEZuA.25 E liUTBRO 1925 EA____ I _.__ ILLUST iiR 10 A___ iNFNDEfNT

Excursaio.prsidenciaa ao Cariry
IYaiiigjHCi~iiiAirBr mla a-at~u(MJtufraOMl


Outro aspect das ruas do joaseiro. Arco de folhas
por onde devia passar a comitiva presidential.










PAGINA COMMERCIAL


llmanack haemmert
Ksteve, nesta redacqdo, em attenciosa
visit, o sr. Henrique da Costa, redac-
tor e representaitte do antigo e concei-
tuado Almanack Laemmert, do Rio de
Janeiro.
0 illustre cavalheiro viaja pelo nor-
te colligindo informaiaes e fazendo a
propaganda da aconhecida e apreciada
publicacao.

Almanack Oonzaga
A antiga e prosper Drog;iria Gon-
zaga, desta capital, acaba de editor,
tenllo- os remettido. un exemplar o sel
estimado Almanack Gonzaga, para o
anno de 192 26,
A present edicdo do excellent aln-
nuario veim optimomelte impressa e il-
lustrada com, grande numlero de gravu-
ras, trazendo, alem disso, variada Ima-
teria redactorial e'de collaboragdo.
Felicitamos aos srs. A. Gonzaga &
Filho pelo exit de sua publicadco.
flssociad ao Commercial de
.Iguati
Recebemos a seguinte circular:
"lenho a subida honra e distinct
consideracdo de communicar a V. Excij.
a eleigdo e posse da nov0 directorial da
Associaeno Commercial de Iguatil, que
regerd os seus destinos no presented anno
social, a terminal em 19 de Agosto de
1926, compondo-a os nomes seguintes:
Virgilio Correa Lima, president (re.
eleito); dr. Josd HIosanu/h Coelho de A-
razijo, 1P vice; Periyces Uch6a Barrei-
ra, 1P secretario; Vicente Alves Brasil,
2- secretario; Raymundo Gurgel Gue-


des, 1P thesourciro (reeleito); Jodo da
,ilva Mello, 2" thesoureiro. J)irectores:
Joaquim Teixeira d'Alcantara (reeleito),
Gustavo Correia Lima (reeleito), Ma-
noel Alexandre ie Souza, Carlos Colla-
res, Pedro Gonmes d'Arat'io, (reeleito),
Maario Gurgel Guedes (reeleito), Alfre-
do Barretto de Carvalho, Joaquim Cor-
rea Lima. Commissdo de (ontas: Al-
lfredo Barboza Gondinm Antonio de Pi-
nho Vieira, Sophocles Lima Verde.
Aproveito a opportunidade para sig-
nificarr a V. Excia. o desejo que tern
a nossa co, poracco de continuar a man-
ter cada vez mais estreitas as relaches
de amisade cordial com V. Excia. e,
nesta espectatira, corn a mais elevada
estima e distineta-cousideracto
Son de V. Excia.
Amo. Att. e Crd.
Perycles Uchoa Burreira
1P Secretarioo

B. AMORI 6& SOAR[S

Recebemos a circular supra :
"Temnos o maior prazer em communi-
car a V. S. que a 1' do corrente, orga-
nizamos uima sociedade mercantile, em
nome collective, em successor a firm
social, ora extinct, de J. Rodrigues
& Cia. a. gual se regerd sob a razdo
de .B. Anmra & Soares- send socios
solidarios Geographo Barros Amdra e
Joaquin Arteiro Soares. A
Esta sociedade continia a explorer
o mesmo ramo de negocios de moves,
con fabric movida a electricidade,
bern assim, Representagoes, Commissdes
e Conta Propria, co0n sdde nesta capi-
tal, d Rua Major tacundo, n. 72, con-


tando conm capital sufficient para mai-
or desenvolvimenato de seus negocios.
Na espectativa de continual a nova
firm a merecer a mesima confiltca
dispensada d que succedemos, pedimos
dc annotar as assifinaturos q(/e abaixo
offerecemos e firrmanlo-nos coan elevada
estma e alta cons.ideracio,
De v. s. amigos e crds. atlos.
Geographo Barras Anmora
Joaquim Arteiro Soarcs'
J.v. heCITe

Recebemos a circular al/nixo:
"Temos a honra de coumillnnicar r a V.
S. que, nesta data, por aecordo amiga-
vel e em complete harmonia, e de con-
formidode comn distracto arrhivadl, nlI
ilMeritissima Junta, Conwnerrial, fica
drssolvida a sociedade que giratfa nes-
ta cidade, sob a razao social de "J. V.
Leite & Cia." da qual se relirou o so-
cio Luiz Studart, embolsado de seu ca-
pital o lucros.
Em vista de tal dissolub(i o, fica co-
mo unico responsavel pelo activo e pus-
sivo da firm ora extinct, o sociu J.
V. Leite, cujo ramo de negocio ado
soffrerd nenhuma solucco de continui-
dade.
E&peramos que a nova firm conti-
nue a merecer as mesmas attencaes que
firam sempre dispensadas ai 'ua ante-
cessora, e pedindo tomar nota da assig
natural do componente actual e unico,
firmamo-nos
attenciosaimente
J. V. Leite
Luis Studart>


*e0e *o* easee **** V YYYY TWVe see see0 Os e


Theatre J0os de Alcncar


Companhia "Aida Garrido"

Confornme annlunciianon eCm nossa an-
terior edicoi venl, ha dias, trabalhan-
do no *Theatro Josd de Alencarls a
Companhia Alda Garrido.
Este semanario, que tern sempre es-
tado d fr nte dos inferesses das empre-
sas theatres que nos vizitam e que, re-
centemente, tomou sob seu esforgado pa-
trocinio a Companhia de nossna festeja-
da conterranea, a actriz Mlaria Castro,
pleiteando e por fim alcanqando, dos
poderes publicos, fav.res de subvencao
e apnio moral para a sun temporada,
este semanario. dizemnos, v9-se na aon-
tingencia de negar seu applause d
ComnpannlLi, ora enearregadl de de-
mlnlir as tr rl;9d'i's, seln.. de svevne-
rid,.de, prlo mno08s de moder,,gco da-
quella cara.


Dispondo de um repertorio consti-
tuido, todo elle, por pecas muito abai-
xo da critical, a Companhia Alda Gar-
ride devia soffrer, ndo os rigores das
chronicas theatres, mas de" suas con-
generes policies.
Alids, extranhamos, razoavelmente,
comno se explica, no caso, a actuacdo
dos funccionarios da censura official,
permiittlndo que passe, semn o menor re-
paro, as peas de franca licenciosida-
de, que sdo as glorias do conjuncto/ do
-Jose de Alencar-.
Para que se tenha uma idea do que
a Companhia estd proporcionando aos
seus frequentadores, basta citarmos a
collect intitulada CA Costureirinha da
rua 7-.
Esse entremez decorre todo todo elle,
do primleir ao ult mo acto. no interior
da casa de uma prost-tuta di.sfargada
enm dona de atelier de cos uras.
Cono empregados desse "atelier", fi-
guramn um degenerado. uima raparign


de md rcputagdo e umla creada de os-
tensiva perdigdo.
Os demaes compa~sas afinam pelo
mesmo diapasdo -umn proxeneta, urma
velha que mercadeia a propria filha e
um pornograpiico serventuario da
Light.
A linguagem da pega e today vasada
em giria de bordel e as scenes sdo de
tal forina despud6radas que attingecm
ao inacreditavel: por duas vezes, um
dos personaqlens levanta. as saiais de
uma actriz e esfrega-lhe o rosto wus
pernas inteiramente descobertas.
Por ultnwm, fingindo enganar-se,
emn ve de pegar na perna da actriz,
que as mntinha abertus e para o ar,
segura a perna do degenerado inverti-
do, e beija-lhe as ceroulas !
U que ahi vae e de fazer corar as
pedras: d, poren, exactamente, o que
as families viram no Theatro tJosd de
Alcicar".
Theatro dessa bitola, pode ser tudo:
menos Theatru...


-'' '' - ---


~ORTALEZII. 2fi DE OIITIIBRO DE 192fi


C E d R At I I I II S T R A n n


NEPEDNIC IRANAINES (







FORTALElA, 25 DE OUTURRO OE 1825


0 Centenario de D. Pedro II


Discurso proferido por Gilberto Camara na

do dos jornalistas Cearenses


Associa-


Sr. President,
Caros consocios:
Nesta vasta, nesta immensa, nesta
dolorosa pasmaceira que 6 o Ceard
mental; onde nenhuma associaq~o cul-
tural na realidade existed; onde o mor-
maqo da terra se diria operar, inver-
samente, sobre os espiritos, tornando-
os mais do que atrophi'dos: inertes e
insensiveis; onde a coisa de que mais
seriamente se cuida 6 a political, po-
rem political na accepFio mais estreita,
mais tacanha, mais ridicule e grotesca
do term; onde mais de um milhio de
patricios sAo reduzidos. pela nossa pro-
pria incuria, A tristissima condiqao de
jecas corroidos por um sem numero de
males physics, e, sobretudo, por este
cancro inextirpavel, que 6 o analpha-
betismo; onde nos contentamos em vi-
ver ruminando a gloria do passado, des-
mentindo, cor a inercia do presentA,
as alcunhas de < de JTerra da Luz>; onde tudo anda de
tal sort indifferent e apalermado que
o CearA parece estar soffrendo a in-
fluencia torporifera de uma formida-
velinjecqao de curare, a ponto de Ray
Barbosa jA o haver chamado, corn in-
finita propriedade, --a cAssociagAo de Jornalistas Cea-
renses", com a sua actuaqao efficient
e brilhante em nosso meio, apezar de
em sen seio contar membros obscuros
e desvaliosos como o que ora vos di-
rige a palavra, e uma excepgo das
mais honrosas, e syntoma altamente
alvicareiro de que nem tudo estA per-
dido, havendo ainda quem se aggrupe,
no afan de batalhar pelas coisas do es-
pirito, o quo importa dizer: pelo ale-
vantamento do nivel intellectual da
gleba-mumificada na phase aurea da
"Padaria Espiritual"-e que, da tntio
para eA, so dA por bem pago em se
Ihe apontar os grandes expoentes do
passado, como si takes expoentes por si
sos bastassem para sustental-o, semn o
apparecimento de valores novos que os
contrabalancem, sem manifestao5es im-
prescindiveis de Forga o de Vida.
Ora, pois, Sr. President, ainda bern
que a nossa AssociaAio existe. E exis-
uindo, estA na obrigadio moral de nho
deixar decorra sem uma commemorni-
aio condigna uma das ephemerides
mals augustas de nossa historic: a que,
a 2 do dezembro vindouro, assignalarA
o Centenario de nascimento de Pedro
II, este 'neto de Marco Aurelio- na
expressao infinitamente acertada e exac-


ta de Victor Hugo, e que, A media
que sobre sna inolvidavel ephigie se
cond6nsa e accumula a patina do tem-
po, ainda mais vivo so torna em nossa
memorial, ainda mais imperecivel se
nos apresenta ao espirito, numa glo-
riosa emersAo da destruidora poeira dos


toria sentenceia seus arestos e a lenda
creia seus numes.
Ja seis lustros sho passados e frias
suas cinzas nao various, entretanto, do
calor de sempre a consagraqgo da opi-
nio national, nem a historic apuru
em seu distillar de verdade nada que


I ''
.1 -, -..


annos, tAo implacavel pa'a os idolos
de barro, tho justiceira para os idolos
de oiro!
Defendendo, recentemente, no Con-
gresso Nacional, um project que man-
dava erigir um monument condigno
no saudoso Monarcha, uw dos membros
mais illustres do nosso Parlamento, o
deputado Wanderley Pinho, proferiu
estes periods refuigentes:
Pausados e por isso imparciaes; im-
parciaes e por isso verdadeiros; ver-
dadeiros e por isso irrevogaveis sao os
julgamentos da posteridade, quando le-
vamos o character, a vida, a obra de
D. Pedro II ao pretorio em que a his-


nao fossem as scintillaQges cor que
Ihe reluzia a memorial ncs primeiros
tempos '.
Assim falando, Wanderlev Pinho cor-
por.ficou, stou cerio, a unnninidade
di opiniko national, em seu julgamento
sobre o Imperador.
Unanimidade, sim. porque as opi-
nioes esparsas de um ou outro qune
contra tal juizo se rebella, procurando
obscurecer a vida o a ohra de Pedro
Il, levando sna iconoclastia so ponto
de consideral-o apenas preclaro por
suas virtudes domesticas, nao p6dem
ser levadas em linha de conta, tal a
pequice de seus arguments, tal a ino-


__


CA li ILLUSTR AD


SEMAHARID IHDEPENDIETE








_FDRTlEZA, 25 QE OUTruB~rO BE-- IS2---- C-lIA' LILISTSEMAMARIO IIDEFENDENIE


cua gratuidade de suas asserqoes.
N'so ha muito, um dos orgios de
nossa imprensa, por signal que pela
penna denam dos nossos jornalistas mais
brilhantes, inseriu um artigo soberana-
mente injusto contra o velho Impera-
dor, em que se contrariava a idda de
se dar o nome de Pedro II Escola
Normal de Fortaleza, por nao tcr sido
S. M. urn estadista "inem -mesrno no
sentido brasileiro da palavra'', e em
que se terminava por escrever, toxtu-
almente:
"0 CearA jA lhe origiu nma estate.
por nma phrase. Contentem-se os sens
thuriferarios. Ligar o sen nome a um
estabelecimento do ensino 4 levar mii-
to lounge a generosidade na critical his-
torica".
Como todus os Governos, sr.. Presi-
dente, se resentiu a Monarchia bra-
sileira do falhas e erros, que nito ten-
tarei justificar ou defender, por nuo
acreditar seja esta uma nissao facil-
imente realizavel.
D'ahi; pordm, a se fazer ruma serie
de accusia*es injustissimas contra Pe-
dro II, a distancia a. veneer 6 infinite.
Sinan, vejamos:
Consideram-n'o falho de espirito li-
beral, pois aconservou a escravidao atd
os ultimos mementos de seu reinado,.
No entretanto, innumeros slo os .teste-
munhos valiosissimos que a esse juizo
podem ser objectados, dentre centenas
de outros se destacando o do conspi-
cuo jornalista argentino Hector Varela,
que, em sua famosa .Carta notavelo,
datada de 9 de julho de 1888, dirigida
a S. M., a'proposito da extincAio do
captiveiro, accentuava que, ao falar-
Ihe, certa vez, arespeito de -tao magno
assumpto, teve a surpreza de. ver asso-
mar-lhe aos labios um suave sorriso,
,como si hubiesse sentido vibrar on la
lira de su alma el eco que mis la ein-
ternecia en horas solitarias de medita-
ci6n*, tendo o Imperador, entao, lhie
asseverado:
'La esclavitud Cree usted que haya
en el Brasil, nadie, ninguno de mis
compatriots quo desee Ia abolici6n
mis ardientemente que yo? Ninguno,
senor Varela: y lo, primeros en saberlo
son los mismos quo se hallan al frente
del hermoso movimiento de la eman-
cipaci6n, algunos de los que me ata-
can con tan marcada injusticia, crey-
endo que yo retardo la hora mAs feliz
de mi reinado: aquella on que pnoda
anunciar al mundo que v; no existe
un s6lo esclavo en mi patria, y que el
ultimo de esos desgraciidos estan li-
bres como yo; pero, bien lo sabe ustod.
la abolici6a iinediata, de hoy, del mo-
mento, no se puede decretar sin otra


consult que las nobles y generosas im-
presiones del. cora':6n, de que partici-
pamos todos: hay que prepararla para
que la libertad repentina acordada A
los esclavos no lastime profundamente
grande. inteiesses, .qe deben ser res-
pectados..."
Taes sentimenlos, alils, S. M. jti
exlernAra publicamente, auxiliando, a
2 de inarco de .1884, cor a quantia.de
1:000$. tirade de seu proprio bolso,
uina caixn especial, fuprdadno Rio de
Janeiro, por iniciativa do dr. Jose Fer-
reira Nobre, president da Camara Mu-
nicipal, cujo fundo era deetioado a
libertacano dos escravos do mInnicipio.
E, a 29 de jilho de 1886, ao retirar-
se de uma sessao realizada naquella
inesina Camara, parr a .entrega de 60
carts de liberdade, dizia a sen presi-
dente: "Os imeus sentinientos siao bemr
conhecidos. Prosigam..."'
E qnantos patricios nossos, Sr. Pre-
sidente, quantos escravos 'cearenses
nAo tiveram da mfesma sorte sua li-
berdade inagnanimamrento nuxilinda pelo
Imperador?
E num luminoso artigo ultimamente
publicado em 'La Prensa, de Buenos
Aires, assim se expressava uin dos
I~P~ll~~___ __I I


nosscs mais abalizados e notaveis his-
toriadores, que 4 Oliveira Lima;
'O espirito de liberdade quoe inda
reins no Brasil 4 tim legado da Mo
narchia. A forma de grande tolerancia
corn a qual a Republica resolve a se-
parRaYio da Egreja do Estado correspon-
de be 't form ordenada e generous conm
que o imperio resilveu o pr.blemna
naximo da emancipacho dos escravos.
Sho duAs rolan;es de caracier politico
e social que honrnm sobremaneira um
paiz e illnstran para todo o sempre
umra naciboalidaded.
A abliito no Brasil vai ter seu li-
vro definitive. O sr. Rudger Bilden,
jovern alumno da Universidade de Co-
lumbia, em Nova York, -escolheu esse
them, que Ihe permitted ao mesmo tem-
po confrontar a formal pacifica do im-
perio brasileiro, no tocante A extincao
do element servil, com a formula vi-
olenta da RepublicI norte-americana,
expressada na guerra. de SetebSso. A
esse livro, cuja bibliographia compre-
hende mais de 500 volumes, jA dedi-
con o sr. Bilden dois-annos de traba-
lho e dedicarA outros tantos.
O Brasil sabe o que deve A memo-
ria de D. Pedro II. Us-que nAo pddem
ter consciencia disso, por falta de illus-
tra~io, teem para isso oinstincto. que
raras vezes falha no espirito popular.
Nao creio que exist Republica que
tenha recebido com maior alvorogo os
restos de seu governante. Muito pou-
cos (uns raros jaco'binos que nunca
foram a expressito exacta da alma na-
cional) eram os quo nio desejavam, o
nio o desejavam ardentemente, ver re-
pousar sob o edo da patria, longer das
bombs carbonarins da capital portu-
gueza-que algum dia seriim capazes
de demolir o pantheon real de Sao Vi-
cente de Fora, como na Revolucgo
Franceza foi devastado o pantheon de
Saint-Denis-a queo tanto amon sen
Brasil, com carinho aid pueril, si po-
dia h ivor puerilidade naqueile espirito
superior, irritando-se, per exeniplo. si
algum diplomat extrangeiro lhe dizia
quo fazia muito calor no Hio de Janei-
ro, responded o-:he immediatamente:-
'E na Europa nao faz cnloi ?"
0 retour des cendres de Napoleho foi,
sobretudo, urma demonstracao de amor
A gloria militri, por parte de unma
grande natao que em Napoleao via
justamente o symbol de sua grandeza.
0 retour des condres do I). Pedro II
nio podia ter o mesmo signifiendo,
mas envolvia u'na reparacao da injns-
tipa commettid;a, e.possuia, portanto,
um grande alcance moral. A naiho
brasileira, que em 1889 assisting, em
sua m;ior part com pezar, A partida


*0 0 0 0 @0 0 @0 00 0 00 0 0 0 0 0 00 9
SPhoto-W alter o c e 0 uerme 0 0 0o 0 10


PhOto-VWal ter- -,m, Cd(iii~ulherme Rocha, wG


C E "AR A' IL L U 8 T fl A 0 0 .


FORTALEZA, 25 -fE OUTUBROQ DE 1825


SEMAHARIO IIIBDEPElUlTE








FORTALEZA, 25 DE OUTUBRO DE 1925


CEABA'---.r- _--iY-- ILLUSTRADO~ S-f-IAMB-fl INOEPEIOER


da familiar imperial, retribuin cor essa
hoinenngem que Ihe poderia tributar,
a phrase que affluiu aos labios do Im-
perador, gravissimamente enfermo em
Milao. ao saber que, sob a regencia
de sua f:lha, se having 'edimido do cn-
ptiveiro a raqa negra: -Que grand
porvo !
Refereptemente no ,eu ami'r ai ins-
truncqto, quo naquelle' artigo se obscu-
rec-n, 4 licito se dizer, com uarlos Ma-
galhlies de Azeredo, em sou livro'Dom
Pedro II", que nenhum problems, como
este, tanto o preoccupou,--"consagran-
co-lhe o melhor do seu zel e da sua
perseveranga, que culminaram num
ge to synbolico, quando, terminada
a campanha do ,Paraguay, corn honra
e victoria para as armas brasileiras,
se planeou erigir-lhe uma estatua por
subscrip;ao public. Elle recusou a
estatua nuina nobre carta, pedindo que
as sommas jA .angariadas, e as que se
angariassem, fossem applicadas a eons-
trucgio de novos edificios para as es-
colas primarias. Com as mesmas in-
tencqes. recuson o offerecimento de um
novo "pag.o da cidade", cor que se
entendia substituir o velho casarho co-
lonial, sem estylo o sem conforto, ari-
tigo domicilio dos vice-rois, conhecido
por aquelle nome. A residencia habi-
tual de Sio Christovio era, na verda-
de, urma quinta, uma propriedade su-
burbana, e s6 no declinio do reinado
comenou a capital a estender-se nessa
direcqAo. O Imperador lamentava a
larga percentage de analphabetos,
que constituia (e, corn quanto dimi-
nuida, coustitue ainda) urna das ma-
ximas deficiencies da vida national,
em contrast con o esc61 mais intel-
lectual e mais culto de toda a America.
Incessantes foram, assim, os seus es-
forgos pela multiplicagao das escolas,
e os encorajamentos com' que incitava
a diligencin, a generosidlde do governor
central dos governor provinciaes, e
dos cidadAos ricos, pars que por todos
os cantos do Imperio o sen numero
crescesse. Um dia, em Cannes, con-
versando corn alguns brasileiros, pro-
feriu gravemente estas palavras: "Si
eu nio fosse Imperador. desj-ria ser
mestre. Nao conheqo missao maior e
mais nobre, que a de dirigir"as intel-
ligencitisjuvenis, e preparar os homes
do future". Nas suas frequentes visi-
tas nos gymnasios, lyceus, estabeleci-
mentos universitarios, nao se limitava
elle a rapidos passeios pelas aulas, a
breves col,(quios coin os direct.res.
Demorava-se em cada classes, interro-
gindo os alumnos sobre as materials
do curso; comparecia inesperado aos
exaiies publicos, sentava-se no lado
dos examinadores, intervinha nas per-
guntas aos examinandos
E nao 4 sem proposito, Sr. Presi-
dente, o divulgar-se o thecr dessa carta
em que Pedro II recusou a estatua que
Ihe pretendiim urigir, carta qne, s6 por
si, conPtitue o mais eloquente elogio so
seu espirito:


"Sr. Paulino-Leio no "Diario" que
se pretend fazer uma subseripcPo para
elevar-me uma estatua. O sr. conhece
meus sentiments, e desejo que decla-
re, quanto antes, A commissa.o de qiue
fala o mesmno .Diario, que, si quArem
perpetuar a letiibranqa do qunnto con-
fioi no patriotisno( dos brasileiros para
o desaggravo complete da honra na-
cional e prestigio do nome brasileiro,
por mode que me nao contrarie na sa-
tisfa;aio de servir a minha patria uni-
camente pelo cumprimento de um de-
ver de coraq.o, muito estimaria eu
que s6 empregassem sous esforqos na
acquisigBo do dinheiro precise para
construcgo de ediftios apropriados
ao ensino das escolas primaries, e o
melhoramento do material de outro
estabelecimento de instruceco public.
0 sr. e saus predecessors sabem como
sempre tenho falado no sentido de cui-
darmos seriamente~da educaqgo pu-
blics e nada hie agradaria tanto como
ver a nova era de paz. firmada sobre
o conceito da dignidade dosBrasileiros,
comegar por um grande acto de inicia-
tiva delles a bem da edncacao public.
Agradecendo a id4a, que tiveram, da
estatua, estou cerlo de que nao serei
forgado a recusal-a. (a) Lonm Pedro II.
19 de marqo de 1870,.
E ahi estao. ati hoje, Sr. President,
emais duradouras do. que o bronze".
as escolas levantadas corn o dinheiro
destinado A estatua equestre de Pedro
II, cuja maquette pode ser vista no
Museu Historico, do Rio...
Quanto ao seu espirito de justica,
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k DO OLIVEI1A JUNIOR
BRONCHITE &
ASTHMA
SCOQUELUCHE
ROUQUIDA

PEOIR

**GRINDELIA"J
DE I
&OLIVEIRA JUNIORA


que tambem se negou. se p6de objec-
var a cironmstancia de que, depois que
assumiu o poder, com 15 snn.s ope-
nas, nhunc mais no Brasil a justiqa
matou alguem, pois-como judicinsa-
niente jA o observou Rangel Pestam a-
cineoenta annob antes da qbolic ao da
pens de morte pelo legislator republi-
cano. a mao clemente o boa de Pedro
de Alcantara extinguirn o homic:dio
legal, nas pretendidas desaffrottas da
Sociedade.
Referentemente A nsserq~o de que
ndo respeitava a vontade do povo, 6
just se opponha esta admiravel, esta
soberba; esta luminosa liqao de des-
prendimento que a tod(s os brasileiros
nos den, fazendo questao de nao titn-
gir de sangue o poente de sen governor,
deixando, se.n um gesto, siquer, de
recrimina(co ou protest, que o carro
triumphal da Republica Ihe esmagasse
o grande, o bonissimo coragio, na ma-
drugada de 15 de novembro de 89.
E ainda, Sr. President. A falta de
honestidade administrative da Monar-
chia, a que se alludiu, e da qual tam-
beni soffre, em maior escala ainda, a
Republica,=4 possivel se antepor o
edificante exemplo; hoje tAo rare nos
chefes de governor, do desinteresse pes-
soal.de Pedro II, tao grande que exce-
de a qualquer louvor, e a cujo respeito
se referee, na obra citada, o nosso Em-
baixador junto ao Vaticano:
*Em meio seculo de reinado, esse es-
toico nao cogiton de ajuntar pars si e
os seus a mais mediocre fortune, de
confiar capitals a bancos nacionaes on
extrangeiros. Todo o valor, digo todo,
da sua lista civil, que nho era sump-
tuosa elle o despendeu, deduzidos os
gastos de substancia e representagqo (a
sua CSrte era a mais simples das C6r-
tes), em obras de utilidade public, e
de caridade intelligence, auxilios a ini-
ciativas benemeritas, pensOes a escrip-
tores e artists de talent, a families
necessitadas. Segundo depoimento. de
testemunha ocular, no paco imperial
se distribuiam, cada Sabbado, Sete con-
tos de rdis em esmolas, einco em nome
do Imperador, iois em nome da Impe-
ratriz; o Imperapor tinha aperias 800
contos de reis annuaes. doa quaes,
portanto dava, s6 nessa formal de be-
nemerencia, mais de duzentos e cinco-
enta! N o admire. pois, q, q ao er
proclamad a Republica,.elle so achasse
literamnente pobre- exemplo unico nos
annues dh realeza! 0 governor proviso-
rio mand( u-lhe offerecer 5.0CO contos
de reis (cerca de 15 mnilhoes de f. an
cos, entAo), para us suas primeirs ces-
pezas. Elle recTsou, como leriasegurn-
mente recusado os honorarios de 120
contos annuaes que lhe arbitrou, niais
tarde. a Constituicao da Republica si
houvesse chegado a t.r conlhecimento
dessa doaqto. Preferin recorrer a um
3mprestimo de um amingo rico. No exi-
lio viveu modestissimamente: o seu
quarto era, como elle dizia, e como,
alias, jA o f6ra entire os esplendores da


k


CEAR A' I LL U S TRA D 0


SEMAW.hiA IHiEPEHIDETE








'C E A . A) I I b .. R ;lil U


quinta de Sio Christovao, quarto de
estudante ...

Mas, o que, sr. President. princi-.
palmente admiro em Pedro II e o sen
espirito de tolerancia para corn todos
e para corn tudo, notadamenre para
corn a imprensa, tendo, num opusculo
de Jonquim Nabuco (vid. Umn Esta-
dista do Imperio-, tono III, pags. 191-
192-denominado *Agradecimento nos
pcrnanmbucanos),. A margem desta phra-
se: -Nada :balavn as duas ideas do
Imperador: que nao se devia tocar na
imprensa, o que as opinioes republica-
nas nao inhabilitavain neninum cidadho
prra os encargos que a Constituiiao
fizera s6 defender do merito,,-tendo,
repito, i margem desta phrase, escri-
pto, corn o sea proprio punho, a nota:
.Assim foi,.
E' isso o que seduz na physionomia
moral do Imperador. E' esta complete
liberdade de opinitio political sob todas
as frmias, que me fascina na analyse
de seu espirito. E' est:a superstiqAo da
liberdade e da toleranc-ia)i que me em-
polga no estado de seu character.
E hoje, em plena Republica, o que
vemos ?
Mario Rodrigues-a passer todo. um
anno entire as grades de um carcere,
simplesmente porque ousou pensarem
vua alta certas verdades que andavam
na consciencia de todos.
E, como este, innumercs sao os ex-
emplos de garroteamento da libordade.
de imprensa, que tern de se cingir A
pallidez de comrment.rios in6cuos, pois
a Verdade, corno outr'ora, nos tempos
de Pedro II, nio. p6de ser revelada em
today a &ua amplitude I
Na Monarchia, o que viamos ?
-A Republican orgao de propaganda,
na C6rte, do actual regimen, nunca
soffreu as iras do Imperador, e nemr
foi obrigado, como o -Correio da Ma-
nha>, do Rio, durante various mezes,
oun A Tribuna,, nesta propria cidade
de Fortaleza, at6 hoje, a suspender sua
publicagao, com a corda da lei infame
a asphyxiar-lles a garganta.
E, por todo o nmperio, a imprensa
republican, sob o reinado de Pedro 11,
sempre se desenvolveu coin a mais
complete liberdade. e facto sabido por
todos a que, si Apulchro de Castro,
director do celebre ,Corsario-, tivesse
limitado sua actividade jornalistica is
deslavadas descomponendas que todos
os dias passava na familiara do Impe-
rador, e nio tivesse pretendido ultrajar
alguns officials do Exercito, quo o as-
sassinarami,-sua lingua fic ria eternia-
inente sein peias, pois S. Al. proliibiu
que o prumotor public da C6rte o
processasse pelas injuries que contra
Ulle e os seus lanaavai.
N.a Repu,lica, os jornalistas incoim-
modos sito arra.tados A cadeia, nao se
perinittindo neim Inmsmo a valvula de
escapaiao do livramento conditional.
Na Monnrchi, os ini igus do Poder
er,mi alvo dL.s attongoes e do carinho


de Pedro II; Lafayette Rodrigues Pe-
reira, jurisconsulto e literate insigne,
um dos signatarios do famoso mani-
festo republican redigido por Qninii-
no Bocayuva, foi, depois, sen ministry
da Justice, e, em seguida, president
do Conselho; Salvador de Mendonga,
outro signatario daquelle manifesto, e
Fontoura Xavier, autor de um poemeto
irroverente contra S. M.,"O regio sal-
timbanco", foram ambos nomeados cou-
sales pelo Imperador, merc dos seas
merits intellectuals, tendo o primeiro
aeabado como ministry plenipotenciario,
o o segundo como embaixatlor da Re-
publica, cargo emque recentemento o
colhen a morte, em Lisboa.
E naio 6 tambem sem proposito re-
lembrar, aqui, o que a respeito deste
faces do espirito de Pedro II, disse,
naquelle sen notavel trabalho. Carlos
Masalhies de Azeredo:
cO Imperador parecia ter se consti-
tuido procurador de todos os opposi-
cionistas, e, em especial, dos republi-
canos, contra quaesuner medidas de
coaqxo que o seu1 proprio governor qui-
zesse tomar. A propaganda republican
surgiu, desenvolveu-se, avultou, na ca-
pital e nas provincias, directamente
garantida pela tolerancia imperial. Ain-
da na sua ultima phase, quando jA nio
se tratava s6 de propaganda, mas de
conspira;Ao em todo o rigor do termo,.
o Soberano impediu a prisao de alguns
conjurados, nao querendo crer na rea-
lidade do conluio; como, em 1886, nos
pr6dronmos da questAo military, emba-
ragou a energia repressive desejada
pelo BarAo de Cotegipe, president, do
Conselho de Ministros, exclamando,
corn horror: "Por Leus, nao me ensan-
guentem a cidade!,
Em Umn Estadistad o Imperio>, narra
J. Nabuco :
-Com relacao A formacao do espirito
republican, e A sua apresentaqco pela
imprensa sob o ministerio do Marquez
de SA Vicente, 4 caracteristico da
att tude constant do linperador para
corn a propaganda o segunite incident,
referido pelo dr. Oliveira Borges, em
notas que escrevdu a men pedido:
rEm 1870. quando ministry, logo de-
pois do apparecimento do manifesto
republican, disse o Marquez ao Im-
perador:--Senhor, os republicans pu-
blicaram sen manifesto, e urra das me-
didas que o governor imperial deve a-
doptar, por norma invariavel, d.de nao
prover nos empregos publicos ,quemn
tiver opinies republicans. Nem o go-
verno da Inglaterra, corn todas as suas
garantias de liberdade, admitted que
sirva em empregos publicos quem tem
opinioes republicans, nem os Estados
Unlidos. tambemn corn as suas liberdades,
admittiriam que occupasse empregos
publicos quein tivesse opinioes monar-
chicass. 0 Imperador radarguiu-lhe:
oSenhor SAo Viceute, o paiz que se go-
verne como entender, e d6 razao a
quem a tiver.-"Senhor-respondeu q
Marquez-V. M. nao ter o direito de


pensar por este modo. A Monarchia 6
um dogma da ConstituicAo que V. M.
jurou mnanter; ella nto estA encarnada
na pess6a de V. M."--"ra--disse-lhe,
rindo-se, o ]mperador--si os brasilei-
ros nto me quizerem para seu Impera-
dor, irei ser professors
E sobre Pedro II assim se externava
Rangel Pestan em artigo publicalo
ha cerca de tres annos. no "Correio da
Manhai :
outro rei do sen tempo deinonstronu maior
amor As sciencias, as letras e is artes,
nenhum permittia que em suas terras
todos gozasserm maior liberdade de pen-
samento. Os povos difficilmente voltam
atraz, mas todas as nagpes, todos ho-
mens que ainda nao se de mittiram
da hierarchia que occupant na eseala
zoologicn, buscam no passado novas
energies para a luta em prol da liber-
dade. Eis porque, na data do anniver-
sario do Imperador, todos os brasilei-
ros tributam a Pedro II as homenagens
que, durante 32. annos, o Monarcha
deposto nao poude receber no solo da
Fatria.
E' por isso, Sr. President, que sou
"thuriferario" de Pedro 11, que nao foi
preclaro apenas por suas "virtudes do-
mesticas", sinao tambem pela immense
bondade de seu corogCo, pela inataca-
vel rectidao de seu caracter,-qualida-
des estas que nao mais reviveram, corn
o mesmo grAo de intensidade, em ne-
nhum president da Republica.
Os que nao o admiram como estadista
devem, ao menos, veneral-o como uma
creature que, tendo podido ser un des-
pota, como sen pae, ou um louco, como
sua bisav6, foi eninentemente b6a, com-
passiva, tolerant e just.


Mas, Sr. President, esta perlenga-
ji vae excedendo os seus natures li-
mites, e large ainda expressar o prin-
cipal motive quo me fez sahir da pe-
nuimbra em que vivo, discretamente, e,
sobretudo, em que estudo, porqLo no
estudo, parn mim, a vida so resume,
para o clario desta tribune: ter a hon-
ra de submetter A vossa esclarecida
apreeiaq~o o seguinte:
PROJECT DE COMMEMORACAO
DO CENTENARIO DE NASCI-
MENTO DE PEDRO II

A "Associaeiao dejornalistas Cearen-
ses, desejando que no CearA secom-
memore, condignamente, a data mag-
na do centenario de nascimento de Dom
Pedro 11, a decorrer a 2 de dezembro
vindouro, delibera:
1."--Pleitear, junto ao Arcebispado
de Fortaleza, a celebracgo, na manli
daquelle dia, de uma imponente Mis.sa
-Campal, na *Praqa Caio Prado, no
local onde se erige a-estatua de Pe-
dro IL.;..
2-Pleitear junto ao Govcrno do Es-
tado, a confecgho de uma artistica


JFLATROF E 25 DE OIll 5


~ F a 'R dl Il I tl fi 1 R I~n a


PEillIC IRANAMES E







FORTALEZA. 25 DE OUTOBRO DE 1925 CEARA' II I R. A. fl c Qulul E IVnD


placa de bronze, cor dizeres allusivos
a magnidade da ephemeride, em que
se declare haver,sabido a alma de nos-
so povo vibrar na decor.rencia daquella
grandiose centuria,-placa que deverA
ser emtbutida no pedestal da referida
estate. ;
3.-Promover a realisaq4o, As 13
horas daquelle mesmo dia (ou em hora
mais apropriada) uima sessou civica no
Theatro Jos6 de Alencar, (m que se
celebre solemnemente o centenario do
nascimento do Imperador, para a mesma
se procurando obter a valiosa e impres-
cindivel adhesio do Instituto Historico,
Faculdade de Direito, F'aculdado de
Pharmacia o de Odontologia, Instituto
Polytechnico, Escula de Agronomia,
Lyceu, Escola Normal. e todos os de-
mais estabeleeimentos de ensino desta
capital ;
4.0-Promover a realizacio, As 16 on
17 horas do mesmo dia. de urna outra
grande festa civica-esta, por6m, de
character eminentemente popular, na
"Praga Caio Prado", em que a grande
alma anonyma da populagdo cearense
vibre ante a recordagao daquelle que
nio hesitou em firmar-quando da de-
soladora secca de 77-que preferia f6s-
se vendida ate a ultima joia de sua
coroa, corn tanto que nenhum cearense
morresse de fome;
5.-Pleitear, juntoao Governo da
Cidade, a mudanqa official do nome
de -Praqa Caio Prado, para o de
"Praga Pedro 11";
6.o--Conseguir que todos os jornaes
e revistas oe Fortaleza deem, a 2 de
dezembro proximo, edig6es especiaes,


ou pelo menos, em sua maior part
consagradas no centenario do nascimen-
to de Dom Pedro 11.
Para collimar esse fins, a AssociacAo
tomarA todas as providencias necessa-
rian, podendo, ate mesmo, acceitar, ao
envez destes, outros alvitres mais jus-
tos on mais facilmente oxeqniveis, ca-
bendo-lhe designer commissoes especia-
es, incumbidas da plena effectivaqao
deste project.
Terminando, Sr. President, pego
venia para fazer minhas estas expres-
s6es refulgentes com que Wanderley
Pinho enfeixou aquelle seu dircurso
no Congress :
tamente este o julgamento da critical
historic ; quando faltasse a justificati-
va do que propomos, tantos argumen-.
tos fortes e medidos, tantos motives
pesados e certos, pela justiga dos fac-
tos verazes; quando nao fosse o nosso
project aquillo que devemos a essa
memorial, pelo que ella merece rigoro-
samente, haveriamos sempre de acudir
cor uma cerimonia, uma -prece, um
sacrificio ao cult dos grandes mortos,
a religilo dos grades homes.
Esse culto tao necessario A alma das
na6es exclhe como heresia e castiga
cor anathema a analyse perquiridora
de fraquezas e delictos na %ida dos
heroes. 0 mais transcendent dogma
dessa religiafo e a intangibilidade dos
grandes nomes que a tradigao consa-
grou symbols.
A n6s, representantes do povo, ha
que acudir aos julgamentos defenitivos
e irrecorriveis-se quizerdes -aprioris-


ticos, mas sabios, da opiniio public
Sebastianismo... ingenuo.;. fetichismo
politico; expressao exaltada de um in-
consciente atavismo monarchico, o que
for, o que tiver stdo, o que seja-certo,
indiseutivel e certo, innegavel e just
4 que Pedro II. na masea quasi uni-
versal do povo brasileiro 4 a represen-
tagio das qualidades civicas da naqao,
a synthese de suas normas political
ma:s elevadas, e, por isso, orago de
seus anseios de redempgAo.
Corramos da cidade ao campo e do
cmpo aos sertbes, o mesmo, immuiavel
e grande, encontraremos esse sentimen-
to popular.
E n6s, que Ihe dirinmos, no povo que
nos elegeu (os jornalistas diriamos:
no povo de quem vivemos e para quem
vivemos), para que nos desculpasse essay
negative. para que nos perdoasse essa
renegayro, para que comprehendesse a
nossa algida attitude, se regateassemos
ao Imperador um tumulo e ao sou cen-
tenario umas parcas commemoragnes?
Os povos hAo necessidade de idolos
civicos. O povo brasileiro erigiu como
um dos seus, e como o seu maior-a
Pedro II, e si esse idolo Ihe dA vigor
para crdr, Ihe da forga para agir; si
esse idolo o educa em estimulos sAos
-que import que haja alguma opaca
nas scintillaq6es que Ihe empresta ? Si
esse idolo o command para a pureza,
o bern, a forqa, a justica, o ideal, nao
ha como si nAo alentar essa idolatria,
aparar esse fetichismo, augmentar, lim-
pando-a de qualquer sombra, a aureola
dessa divindade !...
GILBERTO CAMERA


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AS CERVEJAS DA



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dos c modernos, continuum a ter a preferencia em todo

o BRASII devido a excellencda da sua qualidade e ao

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fORTALEZA, 25 DE OUTUBRO DE 1925


I:F i R b' 1.1 I II Z T R 1. a a


O IRANAMES IN






C i I L L u lU I 92 P 1 0 SELLI ui II EP 14EH1 T1f1


iI' I--


DOM-QUIXOTE

To, eterno guerreiro e sonhador fecundo
Da loucura, do amor, hinos, guerras, batalhas:
TI, que da Perfeicia as ;speras moralhas
Escalaste a serrir da parioice do Mundo

Oue ora te olhava alegre. ora olhava iracundo:
Tu, que ouviste o zombar intrmnino das gralhas
SObre quem a sorrir tens poemas espalhas,
-O cerebro de Sancho adipos, e rotundo
E da m igia semi fim do hirsuel liocinan to
O espirito formaste.---irinico chicote!
DOste o riso,- marfim na boca do eifante,,,
O Mundo a rir glosou ten angustiado mote:
Tolo,- cuida zombar do Cavaleiro-Andante
E pensa, an rir de si, que ri de Donl Quixote!

TOMAS LOPES




ORUCIFICA AO

Forrado de crystal quero nosso aposento,
Abertas num perfume, orquideas solitirias,
Subindo em spiral, come o meu Sentimento,
duma cacoila eslranha, as essincias mais Ovrias,

Quatro esfinges a olhar, vagas a funerkrias,..
Um Cristo de inarfim, vision.rio e sangrentu,
Quase apagado o son de aveludadas drias,
atravis dos cristais, trazidas polo vento.

E de tons de violeta uma luz o ilumina:
ambient sensual, espiritualizado
a emocio original que ne prende a domina...

Sibre limina de oiro-em format de lira,
Se estcnde o Corpo em flor, macio a perfumado,
en que todo o men ser se alucina a dilirai


P 1I


A ROBERIO DIAS

Infeliz e arrojado bandeirante,
Come somos na sort parecidos!
Como nos abracamos nests instant
Atraves e apezar dos tempos ides!

Tu, que andaste a explorer estes floridos
Matagais e este solo exuberante,
Aqui tens tua image, decorridos
Trezentos anos. num poeta e amante.
Comno t, que, vencendo indios e feras,
Os tens tesuiros escondeste a fone,
A' aimbic~ o dos mortais daquelas dras,

Eu, triste, os olhos neste pranto imersos,
Morrerei a esconder o exacto nome
Da amorosa senhora destes versos!

HUMBERTO DE CAMPOS

OmmE

LE HUGHIER DE NAZARETH

Le bon maitre huchier, pour finir un dressoir,
Courbi sur I'itabli depuis I'aurore ahane,
Maniant tour a tour le rabot, le btdane
Et la ripe grin;anto on lI dur polissoir.

Aussi, non sans plaisjr, a-t-il vu, vers Is soir,
S'allonger jusqu'au seuil i'ombre du grand platane
Oi madame la Vierge ,et sa mire saints Anne
Et Monseigneir 6esus pris le lui vont s'asseoir.

L'air est lirlant et pas une feuille ne bouge:
Et saint Joseph, tres las, a laisse choir la gouge
En s'essuyant le front ou coin do tablier;

Mais I'Apprenti divin qu'une gloire envelope
Fait toujours, dans le fond olscur de I'atelier,
Voler les copeaux d'or au fil do sa varlope,


FLEXA RPBEIRU


6--


Tl'L 6 ; t Iiiu; C it 1925


,lir;Sf-UAhiR ~~ HEiiE~IB





FOATALLIA, 25 BiE lUfOUBR DE 125 __ ___ CEADiA ILLUSTBADO ___ SEMANARIO INDEPEHlEENT



TRES LINDOS POEMETOS DE VICENTE DE CARVALHO


Jcsus

P6lido sonhador, que hd. dois mil anos quase
Sobre uns palmos da Terra atravessaste a vida
Semeando ao vento um gesto, um suspiro, uma frase,
Toda num sonho vago absorta a alma dorida,
Pito no azul do ceu vazio o olhar tristonho;

Pdlido sonhador, ha dois mil anos quase
Enchem de mdgua e sombra a Terra comovida
0 eco da tua voz e a nevoa do ten sonho...


SONMEM, nHOj, IMMflNIA

Ontem, hole, amanhd... Como simbolizar
Q 0 passado, o present, o futuro-as tres fazes
Da vida? Cor tres frazes
De sentido corrente e de uso o mais vulqar:

Uma saudade; um grande esforpo: uma esperanga.

Ou antes, e melhor talvez, expondo-as numa
Criplice imagem que resume a vida inteira:

Um rosto, luminoso e alegre, de crian;a;
Duas maos agarrando uma bOiha de espuma;
E rindo-se-de que? de tudo-uma caveira.




Tu, mopa;eu,quase velho...Entre n6s dols,que I)orror,
Vinte anos de distancia. Entre nos dois, mais nada.
E hoje, pensando em ti, pus-me a sonhar de amor
Sbmente porque vi por acaso, na estrada,
SObre um muro em rasrin umia roseira em -flor.


IBI I


~tl









FORTALEZA, 13 DE SETEMBRO BE 1925 CEARA ILLIISTRADOf SEMANARIO INDEPENDENTE
~. .. .. .. ; . .. .. -.... . . . . .... ....


*: PAGINln FEMIrINA 1


Umo modern licio de moral


A' MELLE, SUZANA DE ALENCAR GUIMARAES


V











V
PI

y

go
7


EM janeiro ultimo, telegram-
mas de Moscon annuncia-
va-nos, que. o celebre e
afamado dictador russo Tr 'tzki,
repudiara sua mulher, .senhora
de altas virtues, companheira
adIIiravol, alma estoica que corn
ellf se identificara na. nmis ab-
soluta atbnlgasi.o, sfguindo-o no
exilio, soffrendo as mesmas an-
gustias, os mesmos dissabores.
Qual a razho deste abandon
para corn a m5ie d'e seus filhos
nos quaes ella so dedicava atd o
sacrificio ?
-Um motive bem simples e
em relaqto cor os melindrosos
sentiments modernos : Leona,
mulher invulgar, desaffeita aos
artificios e atavios da moda, nuo
pintava os labios, nao usava bils-
tre, nao tinha mfios terminadas
em garras, nao era, emfim, uma
boneca. -- Uma vida sempre pro
occupada, cheia de apprehens6es
e commoqoes violentas, a inquie-
taqao pelo dia de amanhli que
bern poderia ser o de sua entra-
da no carcere, desanimou-lhe as
fei?5es, annuviou-lhe o rosto,
provocon-lhe esse ar de mysti-
cismo tfo commum aos santos e
aos martyres.
E quando esperava partilhar
corn seu marido o triumph da
victoria, foi, sem piedade, rele-
gada I Logo em seguida, o gran-
de revolucionario desposou, con-
forme o rito maxinalista, a fi-
1ha dum antigo general do tzar,
Natalia Zanevna, joven conhe-
cidisbima na alta sociedade mos-
covita, pela sua belleza, graga e
elegancia. Ap6s sea casamento,
Trotzkv nomeou a intendente ge-
ral das Bellas Artes.
Que licqao de moral bolshe-
vista !! E querem ser reforma-
dores aquelles que nao se domi-
nam a si mesmos I
E' com verdadeiro terror que
n6s, mulheres, encaramos agora
o future. O que nos serA reser-
vado ?-Problema insoluvel se
nos depara e prevemos o com-
pleto desmoronar da familiar,
quitA da sociedade.


ADILIA DE ALBUQUERQUE MORAES


V

v



'I
V
V

V

V

V
V

V
V
vg


Quern tornou a mulher o ser
futil, sem ideal, sem confianca,
despresando os dias a vir para
contentar-se da hora present?
Modificou-se-lhe o sexo, des-
virtuaram-se-lhe os sentiments?
-Nao. 0 que Ihe fez temer a
realisasao, em si propria, da mais
sacrosanta das elaborasbes hu-
manas-o mister de ser mie ?
Quem Ihe fez receiar os duros
trabalhos que envelheeem pre-
maturamento, quem lhe ensinou
a hypocrisia, a mentira, o des-
vio ?-Umn raciocinio justo, ori-
ginado pelo despreso, pela falta
de apoio, pelo desdem e descon-
sideraqao corn qu tratam-n'a, os
homes.
Quem era a mulher nos tem-
pos medievaes ?--Aquella recon-
dita castella que tecia a seda e
fiava a linha, em quanto 1A f6ra,
no long, batiam-se e morriam
os cavalheiros, pelo nome de
sua bella.
A esposa era tao sagrada que,
ferida em sea amor conjugal, ti-
nha direito a todas as vingan-
Gas.
Era ella a primeira, a flor su-
ave, que, perfumando um lar,
merecia todo acatamento e todos
os respeitos.
Sentia-se forte, feliz, protegi-
da, physical e moralmente, por
aquelle que tudo promettera!
Hoje, atarantada, confundida,
desamparada, 4 a creature hu-
milde, assustada, 'incomprehen-
dida.
Mentiram-lhe os austeros prin-
cipios que Ihe ensinaram seus
paes?
Desilludida, desanimada, ven-
cida, tenue haste anoitada pelo
vendaval da descrenqa absolute,
ji nao guard mais de si mesma,
nem siquer a doce e peculiar
physionomia que constituia Seu
encanto indefinivel: a maqiilla-
ge ahi estA para alteral-a, para
illudil-os a elles,-os ingratos!
Mulheres actuaes !-Pobres pa-
lhagos !
21, Julho-1925.


* .1 -


V
V

V

V

V

V
V

V
V
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V



V


FORTIILEZA, 13 DE SEI'EIBRO OE 1925


0 0 A RT3 J IL LliRAEC


IRAIIAMES O INI)EPENDENTE








Porque e que as cervejas da



Companhia Cervejaria Brahma



do Rio de Janeiro

tem em todo o Brasil a preferencia do mais exigente consumidor
e intended( r?
Forque sao fabricadas corn todo o esmero, sb entrando na sua fa-
bricagao as mais finas e escolhidas materias primas, a par de
processes tecnnicos os mais aperfeigoados e modernos;
Porque sao de inegualavel paladar;
Porque fazem berm d saude e sao de uma estimulacgo insuperavel;
Bebam as preferidas, tao conhecidas e antigas marcas

"BOCK-ALE:"-'MALZBIER" E "BRAHMA-PO. TER"
N" 66" 69- W 999 99" 990 9999 999 099 999
Opiniao dos medicos sobre o CllXIR DE PCRRO ER-

OOTINMIDO de a. 0NZfl1li
Attesto que tenho empregado em minha clinic o ELIZIR DE FERRO ERGOTINADO,
do pharmaceutico ANTONIO GONZAGA, corn os melhores resultados.
Fortaleza, 14 de Janeiro de 1924
Di. Clovis Barbosa de Moura
A ttesto que tenho empregado em minha clinic o ELIXIR DE FERRO ERFOTINADO,
de A. GONZAGA. nas perturbacqes menstruaes e hemorrhagias uterinas corn optimo resultado.
Fortaleza, 3 de Dezembro de 1923
Dr. Cesar Cals
ELIXIR DE FERRO ERGOTINADO preparado pelo Pharmaceutico A. Gonzaga pro-
duz excellentes resultados no tratamento de doencas das senhoras, cono em anemia, dysmenor.
rhea leucorrhea'etc., o que attesto i vista das frequentes prescripyoes que tenho feito do mesmo pre-
parado, desde alguns annos.
Fortaleza, 4 ds Janeiro de 1924
Dr. Jo s Carneiro
a minha clinic de molestias de senhoras tenho einpregado seu ELIXIR DE FERRO ER-
GOTINADO corn excellent resultado nos casos de metrites hemorrhagicas e em todos em
que a fibra uterina precisa de urn poderoso tonico e reconstituinte, conjurando assrn muitas vezes affec-
c6es rebeldes do utero e anemias consecutivas.
Felicito-o, pois, por este seu magnifico preparado tao util, recommendavel nas affecqces uterinas
acima indicadas.
Fortaleza, 2 de Abril de 1910
DR. AASELMO JOGUEIRA


FORTALEuA. 25 DE OUTUBRO OE-1925


CEARA' I LLU TRA D 0


SEMANARIO INDEPENDENT








FORTALEZA, 25 DE OUTUBRO DE 1925


C.F aR &' H I II .0TBARln


O IRANAMIS (HBEPE E


C A- A' 1 1 -.. R n RN -"l* INF.. . .


Mlanhlu radios de Outubro. Dez ho-
ras. Leie. enfastiado, t4 inigua de unm
born livro, miseravel ftancaria, pessi-
rnamente traduzida, dessas corn que nos
costumam burlar os editors portugque-
ses; quzando mte entra tem casa, pallido,
effegante. o ieu pequeno Leonidas, men-
sageiro dlsta l'atrlidade:
-0 dr. Josed. arneiro foi morto per
ui autlo !
Profundo fai o nme abalo. Ndo ten-
tareri descrevel o... E' que, todox nds
em nosso lar Ihuniler. queriarnos since-
rameute an grande morto.
E eis a razdo..
Ila rmais de um anno, nuim leito de
dor, vivia eu, melhor diria ocabava
lentamente, torturado par soff'riientos
physics e moraes de today especie, serm
faltar miesmo o contrapcso venenoso do
odio oriundo do despeito, que ia ld por
fdra, cevando a sua vingainca...
Era pungente o meu esthfzamento.
Descrente de tudo. definhava, asse-
nhoreado por esse amargo scepticismo
que vy na merle rnsa libertacdo.
Neste traise, (que ainda assim no
fei o peor de minha vida), por inter-
ferencia desse excellent amigo que d
Armando Mfaral, accudiu-me com a sua.
sciencia e o seu carinho, esse medico
philanthropo-
Moiestamente trajado, (que a sua ele-
gancia consistia aptnas na btlleza do
espirito), com essa familiaridade e bo-
nhomia com que mais amnado se fes entire
as simples, abeirou-se do meu leito, e apds
demorado e percucientc exame, rimatou,
afagando-me o hombro:
--Isso nao vale nada... Animo, poeta
amigo... Compremetto-me cural-o dentro
de pouco tempo.
Prometteu-o e cumpriu-o... Mas eu,
talves por uma disposigdo particular
do meu estado morbido, descrente da
presciencia dos hippocrates. por tremais
fallivel, limftei-,ne a baixar a cahega,
cont um imperceptivel sorriso de duvida.
0 desgraoado, entretanto, nao tern
outro remedio sendo a esperanga, como
pensava o nobre louco de 1'lsenor:

"The miserable hath no other medicine
But only Hope..."

Ao menos desta vez, gragas, nao me
foi ella o porno enganador de Asphal-
tite..
Todos as dias,-e era em pleno rigor
do inverno.--ds vezes d chuva, aconche-
gado ds alma fadas de urn auto, on mes-
mno a rp, riinba elle, sent outro interes-
se que o de fazer benm, trazer-rne si-
mulrtainprme:,tr o balsoino dal sua the-
rap)etlirn e do Set cr'nfonfro.
dle r, r, aquelli doIlors,.a ,niticia,
coni'ranrgeui-e corag ncdo4. i ruldlo de
totns tderepo'es, na Via Crecis que


tern sido a minha vida /
Querendo illudir-me, porem. puz-me a
conjecturar, para ,ninha tranquiHidade,
o desastre, da maneira seguinte: um
atropelamento, algumas contus6es, sem
maiores consequencias...
Como acreditar que um super-homem
pudesse acabar conmo um simples vi-
brido ?
E, no collisdo desta duvida. presses
mandei minha afflicta mulher d resi-
denria do medico mallogrado.
NTo era umn boato. Era, infelizmente,
a verdade: ladeado pela esposa semi-
nouca--Penelope ineons lavel,- e irrnds
lacrimcsas, id estava elle, jd cadaver:,
a face ptllidd, num feretro coberto de
flores...
*
A catastrophe.-Cerca de 7 horas lda
mnanhdi, engulido o seu cafe, o medico
dos bastards da sorte, que so era rico
.de grandeza d'alma, tomando o chapdo,
disse a sua esposa, quasi no calgada:
--Filha, vou aos meus doerites... Atd
breve.
E, serenmnente, Id se foi, rua abaixto,
com essa despreoccupagdo de queem, por
andar em paz cor a consciencia, podia
faser sua a divisa do author da Con-
fissdo de Augsburgo: Ego nihil temo,
quia nihil habeo.
Alas a more, sempre truicoeira, se
apprcximava, disfareada no aspecto de
sinlistro automedonte.
E inopinadamente o colheu, inexora-
vel, sob as rodas inconscientes de um
auto...
E. assim, aquelle home manso, de
bondade ingenita, que ha poueos minu-
tos deixara sua casa, pressuroso de le-
var algumr allivio aos seus enfermrs, am-
parado por bragos amigos retorna ao
lar viuvo, sem ao ments powder diser d
estremecida consorte, num derradeiro
olhar--um derradeiro adeus !

Em Carneiro ni, se finalizava ape-
nas o scientists frio e secco, ado raro
erapedernido, que ri. como o pessimista
Apemanto, de todo senticentalismo, e
an v noe no poeta, cmo via Alves Men-
des--"o reflexor e o condensador uni-
versal", mas unicamente o mattoide
de Lombroso.
Culto, semn o pedantismo des doutores
almofadinhas, que ndo presoindem do
rouge, e trn oa celebro vasio; ou essa
outra especie, nao menos interessante,
que usa lanetas escuras. cujo typo ideal
d o naturalist do paiz das Wa.'kyrias.
que Gastao Cruls idealisou; ado perdia
o melhor do seu tempo com if ioleiras,
a sustentar, por exsenplo, em polemicas
estafantes, a theoria, hoje decadente, de
un tr'ansfor'nismo esteril, do pro-
toznarioo o Apollo de BJlvedere dos
anthropoides o australopitheco-aavo


do home nobilis. de Moritz Benedikt...
E, todavia, impotentes, como assegura
Wirclhow, o insigne creador da pa-
thologia cellular, de, pelo tratamento
de um bacillo, produsir vm mucenoide,
conseguindo destaite, mais que todos os
esmerilhadores da genealogia do home.
Nel/e havia estal dualidade : a home
de sciencia, seguro na saa diagnose,
que ninguem ousa conteitar, e o poeta,
que nunca fez um verso mnas prssuidor
em alto grdo do sentiminto esthetico, de
que fala Hannequin, ser o qual ndo
se pode inferpretar a obr-a d'arte.
Nao era, d de ver, comno os Aristar-
chos dissolventes, de que e tdo prodigy
a terra dos verdes mares...
Famiiiiarizando corn a litteratura de
todos os tempos, tanto discorria, corn
sensor critic e prodigiosa nmemoria, so-
bre os rapshodos da antiga Grecia, a
que Homnero deu vida immortal, no bron-
ze da "Iliada", como do encadeamento
cyclico da fdrma poetic atd aos nossos
contemporaneos...
Edo era um sceptico. como talvez pre-
tendessem-era una alma de sonhador....
E assim, tanto vibrava de emogdo
corn Anthero do Qaental, ou coin o sen-
timentalismo religioso da Musa Mysti-
ca do "Caminho da Perfeigdao", na sua
ansia do Alem, como con a lyra.rebelde
de Nekrassov, psalmeando pelos steppes
gelados da Russia, os gemidos do sew
povo...
Suavemente ironic, mas nunea sar-
castico, tantc ria da prosapia do cre-
tinoide, como do f'fo orgulho do argen-
tarie, a ostentar no grosso dedo de arti-
culagdes deformadas, o seu solitario de
by ilha nte.
Mas amava os pobres... De preferen-
ecia os operarios enfermos, calcetas de
uma escraviddo modern, que ndo tem
o direito de adoece e come apenas
no dia em que tranblharn; sobre cujas
enxergas, tantas vezes, coin a receita que
os miseros nado podiant mandar aviar,
deixava a sua ultima notta de cineo
nil reis !
E tudo isso elle fuzia sorrident-, senm-
pre de bomr humor, sem esperar por
qualquer gratildo, no terra, ou recom-
pensa-post mortem .. NAii !-fazia-o parin
ser agradavel a si imesmo, conscience
de que,
,...'dos sentimento-, o mais paro
E' a renuncia de tudo, o nobre heroismo
De ser util, soffrer, morrer obscuron
Numna epoca de materinlismo grossei-
ro, de mercnn ilismo do earacter, de e
goismo feros, como a nossa. quando a
philantropia, corrida, cede logar ao Be-
zerro tie Ouro, isso ate' prrece rennta-
da tolice. ni opinion dos que coin o
grande Anatole, ndo podem gosar a vo-
lupia dus "sileri'iosas orgi s in el/i-









FOTLZA 5B OUTBR BE 825 CER ILUTRD SEMNAIB HE


08 8Y8TEMA8 EDUOATIVOS DE SPARTA E ATHENA8 E 0 PRO-

BLEMA DA EDUCAQAO


(CSCORCO DE CRITICAL IISTORICaI)


Laniando lum olhar retrospective as
antilas civilizagc3es Idu superficie terra-
quea, nido podemios absoluttaneate near"
que a velha (-recia tenha alcanciado a
piniarulo da gloria e do esplendor. Este
vrlora ella deve quasi que tdo somente
as dluas graitdes cidades que attingiran
,inior iIlmortanccia saquelln epocu e que
forawt inlubiitavel/imee: Sparta e At/he-
nas. Sim, Sparta e Athenas-rivaes--
duar corlrentes o])postas. mas que procu-
ra van diescorttinar seiinpre umt meslmo
alevciatiido horizonte-a supremnucia.
'Para conseguir tio nobres fins, am-
bus ttrabaliavam coin denodo e eis, emn
pallidos tracos, o que se 2,de dizer da
furmaOtco do character de cada uma:-
Sparta cuidava da educacdo das cre-
anvas, desde os mais verdes annos, isto
K, desde a idade de 7 ainos, quando
ellas j eram pertencentes ao Estado.
Entdo, eram as creangas subinettidas ds
mais durias privances, praticavam os
mla is a,-riscados trabalhos de cultural
physical exercitavai se na arte military,
erami su/hbmettidas d pratica de faanhas,
onde s se sobresahisse a bravura e de-
v'iiin, eiifliii, mais tarde, q(1ndo a pa-
t,ia as chamasse, servil-a acites de fudo
miostranilto assiin que era verdadeiros
soldados, como attestavat a abnhegaydo
de Lyrur'go. As imulherts eramo verda-
deiras heroines; preferiam trayar, como
o fizerant, o amor materino, que chorar
por iun filio qu e fosse luctar em prol
da Patria.

tacigo", e sdanm punhado de libras ein-
contram umn Pactolo de gosos...
Podia te"r defeitos, por que era hu-

Tul'ez tivesse abesadolo um0 poutco da
cervja, que foi o Let/hes desse bebado
inmolortal que sese c'ioa u EIllcard Poe...
1'nde setr nesimo que essa inteinperanca
tenl/a dado ensaOtichas d macltdicencia
de meiai duzia de Turtufos, (para esses
o epji.lramma de Albertou 1amos), tra-
vestidls de moralistas...
Isso que imiporta ?
-0 so' ainda mais fuldgira quando
emerge dentre nuvens caliginosas...

Por seti desprend 'mentto. que ndo teve
p'trtil'/it/, ima'rr'n )upelirrimo. mnima
ti',rri que e o paraiso dol's itedicos. E, -
6 iro, in det vid/ .! em, plerai via pu-
bhirc, ,o,' itina ma Oh i dC e Ilwz e ceo des-
lli/I a te., eitia antes para unia apo-
thei dsc e

Oit/bro de I,25


CARLOS GuNrDIM


Infelizmente, ;a prefereneci que ellas
davavm cegamente 4a putria, superior et
tttdo aos laoos d la failia, aldo era to-
tcalmente recom penstada. p0ois sei. Imais
bello sentiimento-o pudor-era deshn-
manamente sacrificado. A falta de es-
timulo; as imprecgioes que dimlanavam
das devassas boccas ds hori'zontaes; o
castigo severe das impotentes; as orgias
e immoralidades existedntes nos proprios
acttos de seu culto, depunhiam multo
contraa belleza que devia sobreslahir na
educnt'5o Spartana. Elles cuidavnam
excessivamente da edtucacio physical e
tinlhan em vista este lemma: -"a forqca
d tudo no mundo" ; descuravaC i por
complete do cultivo do intellecto e pra-
ticavam u(ma insignificant comprehensido
da moral, excessivamente elementary.
Para exemplo, temos que: qualquer in-
dividuo podia robnar, mas se acaso fos-
se pegado, perderia todo o prestigir; se
podesse occultal-o deveria fazel o emboara
corn sacrificio de sua propria vida. So-
bre istl, existent various ex*mplos.
**
Os athenienses, ao contrario dos Spar-
tanos, pos0s5iuiai costumes mais slaves.
Obtiveraml esta superioridade, gragas (is
instituigoes ad)ptadci ar poir Solon cono,
por exemp/o: o Areopaolo; a divisdo do
povo em classes varias, obedecendo d
ordem de fortunes; dando a todos de
per si plena liberdade, etc. Os atheni-
enses cultivavami set intelleeto, descui-
dando da moral e eram verdadeiros
apreciadores da litieratura, amigos da
arte e da philosophia.


Solon, ao contrariio de Lyeargo, fa-
voteceu d iilstrucetdo, ao comilmerci'ro, ai
jnustiqa e eis comao 9 inoo1002 a sitliadco
dos athenienses que plossulain ns jmaos
a supremlaia de today a/ G'reciai. ]um-
quanto os Spar'Iios icuidaraio do phy-
si.'o, us f/heiei se.s desnoltria, (I in.
tell/genci/; e mqunto as intlheres spar-
tan as ni(o era m acnatadats conto ellm cl'r-
d/ile o rdet'rii ser, as m/li/,ire-s taihe-
uicnses domin/irai n!'i /ilO hItailionia i(e selis
r-espeitadissinas lares.


Pelo que aciia dissentos, iem resumi-
das palavras, porleieimos mais ou mne-
incs avalitar o nmdo de elducan r dcs spar-
tanos e athenirC ses e ditzer se ium sd
desses systetmas edcativos podle sati.fa-
zer as exigenccias de Inossa these.
0 priteiro ndo satisufz ]porque um
povo que apeOnas cuida do ph/y.ico, pou-
co da moral e nada do intellecto, ado
pode absolutamenite voar nas azas leaves
da civilizagio e colnsituir umi pazlz po-
deroso.
0 segundo alo satisfaz tdo pouco.
p1orque. co)mo sabe'mos, edcucar apenas o
iltellecto eesquecer a belleza e fran-
cdeza que se encerram ios precei'tos da
moral e o mesnio quie atfiar sorrateitra-
niete ilm povo as garras da decadecria.
Facamos a fi.cli des'es dois mlodos
de educuIr e a)ppliquenos a um povo
quialquer:-vereemos entdo este p)ovo sur-
ogir, progredir descompassad aiente e
tudo isto porque?-Po qe, (a final este
polo possu'i em si a inti-epidezc dos spa Ir-
tanos e a intelligelcia dos athelienses.
Ap :feicoemos a maral sparl tana e
entdio terellmos uL) po01 forte pl)o phy-
3ice, grande p)ela infelliciencia e, antes
de tudco, im plovo extreinamente nobre
pela moral.

CAVALCANTI FILHO
(quartannista do Collegio Mililar)


Gabinete Electro-Mechanico





ERrSi l^Cajor -t icCuido, 24=


Telephone, 4GS3

Installacces de luz, force.: cinema. telepho-
nes, radio-telephones, para ralos. ngua, cxgoto
na capital e no interior do Estado, enrzolamen to
de motors electricos, ventiladores e bobina s.

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Acceita assignatula de avisos de va-
pores no porto.


CEARA ILLUSTRAD-0


SEMANARIO INDEPENDENT


FORTALEZA, 25 DE OUTUBRO DE 1925








cOPTIFT cOiS ER:E:S"CTrLjTA.:PO!3
SDr. Odorico de Moraes medico pela Faculdade de
Medicine do Rio de Janeiro, director do Hospicio
de Allenados de Porangaba
Attesto que tenho empregado o Elixir de Nogueira,-
magnifiea associa~ia de substancias depurativas,-emn divers(. s ca":os
de minha clinic, conseguindo optimos resultados.
Fortaleza, (Cearg), 30 de Agosto de 1913.
DR. ODORICO DE MORAES (Firma reconheoida)
FORTALEZA-CEARA

Attesto que tenho empregado em minha clinic o conheci-
do preparado ELIXIR DE NOGUEIRA do Phco. Chco. Jo5o da
Silva Silveira, obtendo sempre optimo resultado no tratamento da
SYPHILIS e todas as suas manifestacqes,
Fortaleza (CearA), 24 de Setembro de 1918.
Dr. Amancio Philomeno Ferreira Juniori

Vende-se em todo o Brasil e nas Republicas Argentina, Uruguay, Paraguay, Bolivia, Pern. Chile, etc.

As cervejas da

COMPANHIA CERVEJARIA BRAHMA

Fabricadas com as melhores materials primas e pop processes technicos os mais aperfei-
coados e modernos, continuam a predominar em todos os Estados do Norte e 8ul e a
term a preferencia do mais exigente consumidor,

"As cervejas da Brahma ainda e sempre na ponta"
BEBAM AS PREFERIDA8, TAO CONHECIDAS E ANTIGA8 MARBAS:

"Boc-Ale"

"Malzbier"

e "Brahma-Porter"


CEARA ILLUSTRADO


FORTALEZA, 25 DE OUTUBRO DE 1925


SEMANARIO INDEPENDENT







Baneo dos Importadores de Foptaleza


(Sociedade Cooperativa de Responsabilidade Limitada)


S:E::)- :E'TOr_-,A ,__r' :F..'r.O-C'Zo, 55


END.'TEEO. IMPORTlDOR


TEUIPHONC, N. 435


Faz cobranga de titulos em todas as Capitaes dos Estados e localidades do Interior
Estados circumvizinhos


CAPITAL INICIAL 1.000:000$000


4lcceita deposits populares e commercials corn praso fixo, retiradas limitadas.
Paga juros de 4, 5, 6 e 7*/.ao anno

PRESIDENTE-JOAO BAPTISTA LOPES


IBalancete em GO de Seterabro de 1925


ACTIVO


PASSIVE


Accionistas
Titu!os descotados
Titulos a receber
Titulos a cobrar
do interior 1-567:44
Titulos a cobrar em
cauCdo 1.129:136$4
Contas correntes ga-
rantidas
Corrpspondentes no paiz
Caixa
Em meedo corrente 141:073$586
Frota & 6entil 40:000$000
Diversas contas


637:900$000
57:455$500
21:750$000


1$969

69 2.696:578$438

323:3528110
125:954$280


181:073$586
47r505$680
4.091:569$694


Capital
Fundo de reserve


1.000:00SO000
830$000


Depositos em contas correntes:


Coin juros
sem Juros
Populares
A praso fixo


292:319?661
14:415$780
53.230S165
4:140$000


Titulos em cobranca
de conta alhei
Titulos em cobranCa
cuacionados
Diversas contas


364:105 $606


1.567:441$919

1.129:1365469
30:0555650
4 091:5698694


(a) Jodo Baptista Lopes-PRESIDENVTE
(a) Jos6 Cavalcante Parente-SECRETARIO
(a) F, F. Delgado Perdigd a-GERENTE













AUTO DVE 5


0 resultado triumphant obtido
nos annos passados nos principles
centros automobilisticos t a prova
indiscutivel de merito exceptional.
Dez annos seguidos de constan-
tes experiencias permittiram o maxi-
mo grdo de aperfeiloamento numa
machine economic de quatro cylin-
dros.
Agora, DODGE BROTHERS apre-
senta-nos o seu novo modelo
SPCCIiAL DODGE 1925
cujo conjuncto de qualidades belle-
zas de linhas tornam-,,: capro ideal
para os Touristes, sendo, entretanto,
de preco relativamente baixo.

CAMIIIhO E CIA.
RUi D'AhP i DE6~, 37
FORTflIEZA