Protesto, o Ceará victima de explorações e roubos, abastecimento e esgoto

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Title:
Protesto, o Ceará victima de explorações e roubos, abastecimento e esgoto primeiro emprestimo refutado, segundo emprestimo impugnado
Caption title:
Ceará victima de explorações e roubos, protesto
Physical Description:
139 p. : ; 22 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Jesus, José Barboza de, b. 1854
Publisher:
Typ. Minerva de Assis Bezerra
Place of Publication:
Fortaleza, Ceará
Publication Date:

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Ceará (Brazil : State)   ( lcsh )
Genre:
non-fiction   ( marcgt )

Notes

Statement of Responsibility:
pelo Pe. José Barboza de Jesus.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 48105215
System ID:
AA00000254:00001

Full Text
PROTESTO
O CEAR
V1CTIM DE EXPLORAES E KOBOS
ABASTECIMENTO E ESGOTO
PRIMEIRO EMPRSTIMO REFUTADO Secundo emprstimo impugnado
Pelo ::. /'* Pe. Jos Barboza de Jesus
NATURAL DA SERRA DE BATUR1T Villa de Pacoty
Tlrauem 2.000
CEARA'~FORTALKZA.
1918
.113
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PROTESTO
O CEAR
mm i e
e roubos
ABASTECIMENTO E ESGOTO
Segundo emprstimo impugnado
PRIMEIRO EMPRSTIMO REFUTADO Pelo
Pe, Jos Barboza de
NATURAL DA SERRA DE BATURIT LL
Villa de Pacoty
O.
Xireg;e>Hoi 2.000
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CEARA-FORTALEZA
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DEDICATRIA
AO
POVO CEARENSE
PELO
AUTOR.




Victima de exploraes e roubos
PROTESTO,,.
I
Senti-me justamente indignado, e li com profundo pesar a mais triste noticia telegraphica do correspondente do Rio de Janeiro ao Correio do' Cear de 2 de Novembro do corrente anno, que diz assim: Em,virtude de sentena o commendador Accioiy, vai receber grande quantia do Estado do Cear, por perdas e damnos que lhe foram causados por occasio dos acontecimentos de 9 de Novembro de 1912.
Alem de innumeraveis e muitos outros, este mais um escndalo de grosso calibre, que, de perfeito accordo com o systema poltico do Paiz, em vigor, consumma-se em nome da justia e da lei, com maior despreso e affronta Nao brasileira!
Alem de outros dero-se no Cear dois casos" de incndios' caracteristicamente interessantes,o de Aurora e o de Fortaleza; q de Aurora deo-se em pleno governo do commendador'Nogueira Accioiy, que in-directamente consentio, ordenando por telegramma, e pedido de um chefe de bandidos, que se retirasse d'ali a fora publica, em numero de 60 praas, para livremente dar passagem aos executores de to brbaro e maldito plano, immediatamente seguindo-se as depredaes e incndios contra os habitantes d'aquella Villa, por indole, to pacifica.


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O segundo repetio-se em Fortaleza, e^oi o incndio das.casas do commendador Nogueira Accioiy, directamente provocado por si mesmo, quando voltava ao 'Cear com inteno occulta de uma vez ainda assaltar o'poder, d'onde fora expulso por indignidade administrativa do seo.governo.
Aqui esto dois casos da mesma espcie, em que directa ou indirectamente o commendador Nogueira ,Accioly- causa instrumental de ambos, ora concorrendo por si mesmo para os incndios e Fortaleza, ora consentindo que os seos adeptos, antes de tudo roubassem os habitantes de Aurora, em seguida queimando-lhes as propriedades, sem soffrer por isto o menor encommodo o sr. commendador Accioiy, sempre amparado pela jurisprudncia de juizes do Cear, que, formados imagem e semelhana do commendador, sem minima atteno a responsabilidade do culpado, nem to pouco s justia do perseguido, absolvem, ou condemnam pelo que diz o verso da moeda judaica!.-...
Em vista de tanta immoralidade, de tanto escndalo poltico e administrativo do commendador Nogueira Accioiy, tudo at hoje sem uma s reparao, at hoje tudo impune, diante de tudo isto, se o Cear tivesse um governo, que realmente zelasse pelos interesses do povo cearense, um governo s de trabalho e justia, um governo, que independente agisse com critrio, um governo que submetesse rigoroso inqurito a gesto administrativa e econmica do Cear, um governo que particularmente* revisasse a causa, que, por seos effeitos, determinou aquellas perdas e damnos ao cominendador Nogueira Accioiy; se emfim o Cear tivesse hoje um governo, mas um governo, em tudo s amigo, s protector do povo cearense; ento sim . s depois de queimado o ultimo cartuxo, e sem mais appello, consentiria que o Cear fosse com tamanha injustia- condemnado a pagar ao seo mais cruel explorador um sermo a fora, sem que e nunca o tivesse encommendado,


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O Cear, falando em regra, ho deve nada a ningum ;. o commendador Noguaira Accioiy para levantar suas finanas profundamente arruinadas, levou-o ao prego; sempre doloso e fraudulento, vendeo o Cear titulo de melhoramentos de pura imaginao, custando ao pobre Estado rios de dinheiro, para ser pago a credores forados,;durante o correr de dois ou tres sculos; d'ahi ; suar sem descano, o maior excesso de trabalho e sacrifcios, sempre aggravados por. outras e mais cruis extorses . .
O commendador Nogueira Acioly vendeo portanto o Cear titulo de Pontes e pelo preo de seis-centos contos, titulo telegraphos do Estado por oitocentos contos; Grossos, desde todos os tempos pertencente ao Cear, foi vendido ao io Grande dd Norte por quatrocentos contos, bem de um syndicato de sl, lesando-se o Cear em quatro mil .contos, provenientes do imposto, que paga o mesmo syndicato ao governo d'aquell Estado j arrecadados at hoje. O commendador Nogueira Accioiy vendeo o Cear titulo de abastecimento e esgoto por nove mil contos, no levar.do em conta outras pequenas vendoS^bem assim a"do Forno de crema-o, comprado ns Estados Unidos da America por vinte contos, e vendido ao municpio de Fortaleza pela insignificante quantia de cem contos; o Theatro Jos de Alencar, ainda hoje no se sabe, se custou ao Estado somente quatro ou seis mil contos; pois tratando-se de materiaes, s tijolo de alvenaria, foram consummidos nas obras do Theatro, em casas dos filhos e genros do commendador Nogueira Accioiy, para mais de einco milhes de tijolos, sendo um de seos filhos o nico fornecedor d'aquelle artigo.
O povo do Cear, que trabalha dia e noite, j privado em tudo de viver pobremente, sem mais apoio do direito, da justia e. da lei, perseguido, roubado, vendido, j por completo esgotado, sem fora e sem alento necessrios ao trabalho e economia da vida pobre, o povo do Cear j sem o ultimo direito de


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viver sombra do seo casebre, vendido tantas vezes em hasta publica para pagar-se governos e juizes, governos, que o vendem, que o roubam, juizes, que atrozmente o perseguem, o condemnam !.. . O povo do Cear, em momento de tanta angustia, de suprema dor, usando da soberania do seo direito, sempre e com tanto despreso ludibriado, pergunta a estes governos, que o vendem, que o roubam; pergunta a estes juizes, que o perseguom, que o. condemnam, se assim que, em nome da lei, se governa um povo, uma Nao?! se assim que, equitativa-mente se distribue a um povo o direito e a justia?!
Ora, todo mundo sabe que foi o commendador Accioiy a causa provocante dos incndios, como tambm autor da venda do Cear por todo preo, ainda assim se julga o maior credor do Estado, em virtude da sentena mais iniqua, lavrada por juizes incompatveis, amigos subservientes' do commendador Nogueira Acccioly, e por tanto incompetentes, parciaes, toda prova suspeitos para julgamento ,do feito; logo, falsa, nulla ab initio, a sentena que condemilou o povo cearense a pagar ao commendador Nogueira Accioiy tanta perda e damno, provocados por si contra si mesmo; logo tambm no so de responsabilidade do governo de 1912; e o que se passa a demonstrar pela verdade sempre vencedora dos factos .
II
O julgamento de um feito depende sempre do exerccio de uma aco, que a lei prohibc; mas para que a aco seja formal, a lei deve ser anteriormente publicada e particularmente conhecida pelo indivduo, que usa do que a lei prohibe; se' conhece, se quer ou manda exercer uma aco prohibida, desde logo assume a responsabilidade formal, directa ou indirecta, do facto praticado.
Ora no se provou, nem se provar que o governo do Cear de 1912, directa ou indirectamente


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quisesse, ou mandasse incendiar os prdios do commendador Nogueira Accioiy, ou de quem quer que fossem; logo no so de responsabilidade formal d'aquelle governo, nem fo pouco pode ser condemna-do o povo cearense a pagar um s vintm ao commendador Nogueira Accioiy, de perdas e damnos oc-casionaes, em virtude dos acontecimentos de 9 de Novembro d'aquelle anno.
E' portanto certo que 6 governo no quiz, nem mandou incendiar prdios do commendador Accioiy; mas accrescentar algum :Porque no impedio? !... Huma segunda interrogao facilmente destroe a primeira ... O governo do commendador Nogueira Accioiy, dispondo no momento de numerosssimo elemento de fora armada, porque no impedio a sua deposio?! . No poder impedir as conseqncias de uma causa, no querer, nem ainda concorrer para este ou aquelle fim; e foi o que justamente succedeo ao governo de 1912, quando pela segunda vez a corrente popular, com toda raso e justia, se revoltara contra os horrores e despotismo legaes do commendador Nogueira Accioiy, pacientemente tolerado pelo povo cearense, depois de vinte annos de perseguio sem trgua, espoliado, vendido, roubado, massacrado e morto!
E s depois de tudo isto, quando o commendador fechava em suas mos todo elemento de fora no Estado, quando tinha sua vontade todos os favores e graas do governo federal; quando se julgava o commendador mais senhor e dono do Cear; quando algum dizia que j se tinha fundado aqui o seo reino eterno, vio assombrado pela primeira vez em sua7 vida, o brado de um povo inteiro, que o repellia, cobrindo de maldies.
Mas o commendador Nogueira Accioiy habituado a viver do que no lhe custa, seos filhos e genros da mesma escola, todos emim, orgulhosos e cegos pela ambio do posso, quero e mando, humilhados e expulsos do poder bala pelo povo cearense, corridos


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do Cear por indignos da communho social, primeira e segunda vez, no se convenceram ainda que o povo do Cear no os quer mais; no se convenceram ainda que volta-se contra elles/ dio de um povo inteiro ; no querem se convencer que este dio to bem comprehendido, to justo e conseqente da falta de justia, este dio' um accumulado de muitos annos, passados no cadinho do soffrimento, dr e lagrimas de togo de um povo sempre generoso e nobre em suas aspiraes; este dio no passou ainda, nem passar mais nunca; sempre o mesmo a clamar vingana, to forte, to vivo hoje, mais vivo ainda que em seo primeiro dia21 de janeiro de 1912.
O commendador Nogueira Accioiy submeteb o povo do Cear ao taco de sua bota; durante muito tempo cantou o hymno da victoria; em melhores1 tempos foi o vencedor pela traio e pela fraude; em desaccordo com a lei colloca acima do direito e da justia a fome insacivel de dinheiro e a poltica de perseguio e barbaridade contra todo aquelle que se recusa tomar parte em seo particular systema de corrupo; a lei prohibe o roubo e o commendador Nogueira Accioiy levado aos tribunaes, no Rio de Janeiro, onde foi denunciado pelo crime de estellio-nato, na espcie, e roubo ao Thesouro Nacional, na importncia de onze contos e tantos, sem que os restituisse; a lei prohibe o mo emprego dos dinhei-ros pblicos, e o commendador Nogueira Accioiy, titulo de melhoramentos, que nunca fez, redusio o Cear mais profunda e maior misria; a. lei prohibe o espancamento e a morte, e o commendador Nogueira Accioiy, podendo impedir, consente, appfova o morticnio de creanas pata de cavallo e bala, na praa do Ferreira; a lei manda punir o crime, e o commendador Nogueira Accioiy deixa na impunidade todos os crimes commettidos pelos seos correligionrios polticos ; e para cumulo de maior despreso, maior afronta ao povo do Cear, o commendador Nogueira


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Accioiy promove officiaes e praas de policia, porque so autores de maiores crimes! . .
D'aqui a mais justa indignao e revolta do povo cearense contra o commendador Nogueira Accioiy, seos filhos e genros; d'aqui tambm a causa das perdas e damnos provenientes dos acontecimentos de 9 de Novembro de 1912; logo o commendador. Nogueira Accioiy o nico responsvel por tamanho dilvio de calamidades, que ha meio sculo, vem caindo sobre o Cear. Muito bem e melhor que todos sabem disto os juizes, mas salvas honrosas excepes, em sua grande maioria movendo-se ao aceno do commendador, tudo fasem sua vontade !,.. para que outra lei ? . i
Ha uma cousa mais grave, tristssima e do mais perigoso contagio, muito peor que o mais repugnante leproso moral; se ouvindo diser tora do Cear, dificilmente se acreditar; por emquanto basta que o herico povo cearense tome nota, sabendo desde logo que ha juizes, no Cear, que no pagam aluguel das casas em que moram; um negociante e proprietrio abastado, de nacionalidade incerta, lhes faz este mimo, esta caridade, sem o menor interesse! . que tal ? !. . E' certamente um destes aquelle prevaricador, que condemnou o povo cearense a pagar ao commendador Nogueira Accioiy perdas e dam/ws causados por elle, contra si mesmo. Quanto receber do commendador aquelle judas de beca?! . Nada mais que trinta dinheiros para compra de uma corda . .
A questo por tanto bem estudada sob o ponto de vista capital do direito, em nenhuma hypothese, cabe ao governo de 1912 a responsabilidade dos incndios, como ficou provado; pois aquelle governo era legal, ou no; se era legal, consequentemente devia,ser para todos os actos administrativos; se no era legal, no podia ser legal para uns e ao mesmo tempo illegal para outros actos administrativos do mesmo governo; mas o governo federal julgou nullo aquelle governo, mandando depor pelas armas o Co-


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ronel Franco Rabello; as autoridades judiciarias do Cear, sm protesto, acceitaram como ai; logo illegal para todos os effeitos administrativos; logo no so de responsabilidade do governo de, 1912 os incndios de prdios do commendador Nogueira Accioiy, ou de quem quer que fossem; logo iniqua; nulJa ab initio, a sentena d'aquelle juiz corrupto, obrigando o povo cearense a pagar ao commendador Nogueira Accioiy aquillo que a lei condemna, e particularmente pelo modo, como se pretende fazer . .
III
Os juizes sem independncia, sem a compustura do cargo, sem justia, os juizes, que, por afteies pessoaes, dependentes de favores e proventos de uma poltica de corrupo, os juizes que condemnaram o Estado do Cear a pagar aquillo, que, por meios inconfessveis, os seos pretensos credores de hoje, hon-tem j o haviam roubado, ouam o que diz o Coronel Franco Rabello um jornalista da imprensa do Rio de Janeiro, por occasio de uma entrevista, de que no era licito se dispensar . .
Aquelle jornalista lendo por ventura um livr-o, que pouco havia saido luz da publicidade, deparou ali um trecho, contendo uma censura, alis injusta e descabida, ao governo do Coronel Franco Rabello, arbitrariamente deposto pelo sr. Marechal Hermes, pedido do sr, commendador Nogueira Accioiy, de seos filhos e genros, submissos todos aos ps do sr. Pinheiro Machado, quem a Nao inteira, e o Cear, de modo particularissimo, devem a maior e ultima de suas desgraas ...
O jornalista perguntou ao mui iIlustre Coronel Franco Rabello, se tinha lido aquelle trecho do* livro do sr. Gustavo Barroso? . .Ainda no li, respondeo o sr. Franco Rabello. Pois deve lel-o, insistio o jornalista . Huma vez instrudo o sr. Franco Rabello sobre a intelligencia do trecho, fez a seguinte decla-


rao:No me surprehende o que o sr. me refere do livro do sr. Gustavo Barroso, que alias ainda no li, e que, agora mais que ninca, no tenho desejo de lr. Sei quanto a paixo poltica cega os homens e quanto difficii encontrar-julgadores serenos e imparciaes.
Minha aco no governo d minha terra j pertence ao passado e. espera o julgamento dos posteros que provavelmente no se deixaro influenciar pelas suspeies de seus maiores. Eu estou tranquillo com aminha conscincia e confortado me sinto pela certeza de que, em minha terra, o pensamento quasi unanime o de quemo governo foi o de um homem d bem. Mas todo ataque deve ter resposta; como, porem, meu illustre amigo insiste e deseja" obter de mim, o. que penso sobre as asseres do sr. Gustavo Barroso, eu lhe direi! . .
Meu governo fez contra o banditismo dos sertes de minha erra a mais severa e inxoravel represso; no a fiz para exhibir uma fita, como se diz actualmente, mas pelo desejo sincero de prestar aos homens bons dessas regies, ainda incultas, um servio que no fosse esquecido e restabelecesse, sem vacillaes, o regimen da paz, da ordem, da-Justia e da segurana'de vida e propriedade.
Para tal fim mobilisei a fora policial, encarre-gando-a de dar aos bandidos uma caa sem trgoas e como medida complementar tratei de dar aos juizes o mximo de prestigio e autoridade, afim de que se sentissem fortes para o julgamento dos criminosos, por ventura, a soldo, ou sob a proteco dos mandes de aldeia. Nessa empresa no encontrei obstculos, nem tive hesitaes.
Em poucos mezes tornaram-se notveis os resultados obtidos. Ascendeu mais de .quatrocentos o numero de-criminosos recolhidos' s'prises, e justia conseguio retomar um curso normal, instaurando os processos competentes contra os que haviam cahido sob a sanco da lei penal. A segurana e a tianquillidade voltaram todos os ares; as estradas


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dos mais remotos sertes se tornaram perfeitamente transitaveis, sem. o menor receio de assaltos. Esta assero deve ser particularmente assignalada e o commercio do Cear, para quem appello, neste momento, pode dizer, pelo orgam de sua associao Commercial, se ou no verdade que meu governo acabou com os assaltos dbs bandidos nas estradas, permittirido que o transito se fisesse com toda segurana, salvo das incurses dos salteadores.
Quer o meu amigo uma prova de que a represso do banditismo, em meu governo, foi uma realidade evidente? Oua:Depois que seos effeitos benficos se fiserm sentir, durante um anno, de Novembro de 1912 Novembro de 1913, dos sertes do Cariry, os mais assolados pelos bandidos, a estatstica no registrou um s crime de homicdio!
Ahi esto factos eloqentes, que desafiam contestao e que no podem ser contradictados pelas criticas tendenciosas de escriptores mais ou menos apessoados. E se quisesse retaliar, quanta cousa teria a dizer? Vale a pena que diga tudo.
Diante de sua insistncia, direi que no creio na sinceridade do sr. Gustavo Barroso, quando investe contra os cangaceiros do nordeste. O jovem escriptor no me parece sincero, e agradecido muito menos. Porque sua Exc. hoje,, deputado federal? Qual o partido que o elegeo ? Como chegou esse partido ao poder?
No ha quem ignore que foi sobre os hombros do cangaceiro e do jaguno que o partido conservador do Cear assaltou o poder, destruindo a ordem constitucional do Estado que eu representava. ,
Os factos so de hontem. No desejando fazer minha deposio ostensiva, o sr. Pinheiro Machado alliou-se ao Padre Cicero e entregou o Cear uma horda selvagem de bandidos, recrutados nos sertes da Parahyba, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e confins do Cear, os quaes se despejaram dos alcantis da serra do Araripe e vieram pelas es-


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iradas em ra, a matar, a incendiar, a saquear e a roubar, em uma fria satnica e maldita. A' esses feitos, provavelmente, o sr. Gustavo Barroso qualificar de hericos, porque permitiram e deram o lugar ao governo de seo parente, o sr. Benjamin Barroso e consequentemente eleio de S. Exc. pra passeiar sua elegncia por entre as columnas do Monre.
Devo dizer-lhe, com justo desvanecimento, que o brao forte do movimento revolucionrio, um que se portou com bravura e coherencia, j se penitenciou publicamente do grande mal que fez ao Cear, concorrendo, enganado em sua boa- f, para minha deposio.
O autor de Heroes e Bandidos critica minha acao contra o banditismo, mas no se lembra que foi secretario do interior, do Cear, em uma poca em que Fortaleza, a capital do Estado, vivia sob um verdadeiro regmen de terror, ali implantado pelo ja^ guno, vindo de longnquos sertes, typo repellente que deshonra a espcie humana. A bella cidade ainda se recorda com horror dessa epocha sinistra. Os jagunos victoriosos, transformados em soldados do segundo batalho de policia, typos nauseabundos, mal cheirosos de faces patibulares, emittindo sons gutturaes e selvagens, carregados de medalhas com as effigies do Padre Ccero e da beata Maria de Arajo andavam em magotes pelas ruas da capital e exhi-biam sem recaio, s vistas de todos, as parnahybas longas facas afiadas, capases de atravessar um homem de lado lado.
Ento ningum se sentia em segurana, nem mesmo no recesso do prprio lar; noite poucas pessoas se atreviam a saliir a rua. Foi este o tegimen que o sr, Barroso encontrou no Cear, quando l chegou para assumir o cargo de secretario do interior.
E que providencias tomou para reprimil-o? Nenhuma que me conste. O batalho de jagunos s foi dissolvido e seus soldados afastados de Fortaleza,


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quando vieram a constituir uma ameaa contra o prprio governo que elles haviam estabelecido!
No ha quem desconhea esses factos no Cear. S na imminencia de vero batalho de jagunos" revoltado contra seo governo, o sr. Benjamin Barroso resolve agir e o fez remettendo seos ex-auxiliares para o interior do Estado, isto, depois de consentir que muitos delles partissem, sponte sua, para seus antros armados com as mesmas armas que haviam servido para escalada ao poder e que iriam servir sem duvida, d'ahi em diante, para novos attentados, novos assaltos, novos crimes.
O sr. Gustavo Barroso esqueceo propositalmente no seo livro, essa phase da historia do banditismo em nossa terra, e vem publico criticar' o que fiz contra essa chaga social dos sertes nortistas. Eu perguntarei, porem, aos espritos insuspeitos:quem merece critica mais severa? Eu pelo que fiz ou o sr. Barroso pelo que no fez?
Para diminuir o valor do servio que prestou meu governo ao Cear, prendendo e fazendo processar centenas de criminosos e bandidos da peor espcie, meo injusto censor affirma que. meo governo as-soprva os fogachos da desordem na capital do Estado e consentia que hordas de vagabundos e desordeiros saqueassem e incendiassem fabricas e palace-tes nas ruas de uma capital martima.
Essa historia no est bem contada. No sinto pesar sobre meus hombros a responsabilidade desses deplorveis acontecimentos. Preste-me, meo amigo, alguns momentos de atteno, e estou certo de que acabar me dando razo. Ascendi ao governo do Cear depois de uma revoluo triumphante que, de armas nas mos, conseguiu destruir uma situao muito combatida.
Meu governo participava assim, por urna fatalidade histrica, da sorte de todos os governos nascidos das revolues, e no uma fantasia dizer que a agitao revolucionaria abalara a sociedade cea-


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rense at seus ltimos fundamentos. Assumindo o podei, comprehendi que muito havia a fazer para a obra de confraternisao e apasiguamento das paixes que devia ser realisada antes de qualquer outra. Se no o consegui, a culpa no exclusivamente minha, nem do partido que me prestigiava, tambm, e principalmente dos adversrios que, acorooa-dos pela fora que lhes emprestava a poltica federal, nem um s dia deixaram de conspirar contra meo governo e minha autoridade.
Os lamentveis successos que determinaram a critica do sr. Gustavo Barroso so uma conseqncia do estado de espirito dos cearenses, nessa7epoca agitada e revolucionaria. Por essa oceasio os adversrios investiam mais uma vez contra o meo governo. A Assembla do Estado, ultimo remnecentedas senzalas do ex-presidente. Accioiy, facciosa e anarchia, tentava runir-se com o fim de soltar atraz de uma deciso, negando-me a investidura constitucional e depondo-me do poder.
Foi contra essa investida audaciosa e imprudente que explodiu a clera popular de maneira sbita e irreprimvel. Todos os que conhecem um pouco de psychologia col!ectiva> sabem que esses movimentos populares so inconscientes,-indomveis e se precipitam como avalanches; nenhuma fora humana pode detel-os em sua marcha avassaladora. Creio que no ha paiz, nem poca da historia que no registre essas exploses da clera popular, muitas vezes commen-tadas sob o sugestivo titulo de" crimes das multides. So phenomenos de psychologia social, que ningum applaude, nem justifica, mas que tm explicao natural nesses momentos de dios e paixes incoerciveis.
Haja vista o que ha pouco se passou em Portb' Alegre, onde o governo dispe de numerosa fora policial e' um corpo do exercito federal e no pode evitar igual exploso^ da clera popular.
Comprehendidos assim os acontecimentos de 9


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de Novembro "de 1912, quem attribuir-lhes as responsabilidades? A' todos e a ningum directamente. Sei que o governo o primeiro visado nessas apuraes de responsabilidades, mas tenho o direito de esperar tambm que o caso no seja examinado per-functoria e superficialmente.
De um exame profundo e insuspeito dos acontecimentos, estou certo, meo governo no ficar como peso desse grande peccado. Que eu conhecesse, e incentivasse ou ordenasse actos to reprovveis, con-cito meus adversrios a que o provem. Alis meu caracter e as tradies de minha vida publica e particular repellem a autoria ou cumplicidade em taes successos. Se de imprevidencia me accusam, eu tambm aos adversrios poderia accusar de imprudncia. E' assim, com essas e outras rases de defesa e ap-pellando do conceito apaixonado dos contemporneos, que meo governo comparecer perante o juizo da historia.
Gazeta de Noticias do Rio de Janeiro, 16 de Agosto de 1917.
IV
Como sabem todos:quatro mezes nes da execuo ou nove mezes depois do julgamento, formal attentado contra a moral e a justia, j se levantava por mim um protesto de caracter publico, impresso neste folheto, ainda que incompleto em sua primeira edio, mas agora completo em segunda ; o sr. Coronel Franco Rabello fisera tambm declarao so-lemne palas coumnas da imprensa do Rio de Janeiro, publicada pela Gazeta de Noticias-, em 16 de Agosto de 1917, e dois mezes mais ou menos antes de comear a executar-sc a sentena por aquelles que, em primeiro lugar, devem zelar pelos interesses do contribuinte, dos que trabalham para fartamente pagar-se aos encarregados da distribuio equitativa dos direitos, sendo tantas vezes, com escndalo, os primeiros violadores da justia!


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Fosse mais prudente e de melhor aviso o poder executivo, depois de uma declarao mais franca, leal e to sincera, do Coronel Franco Rabello, teria immediatamente ordenado, que se fizesse uma investigao e analyse to serias, mediante pessoas hbeis, sobre a formao do processo, de modo a eliminar toda e qualquer duvida, salvando assim a conscincia e ao mesmo tempo tambm, desarmando contra si a responsabilidade de uma causa, em que ha perigo prximo de condemnr-se.o que se, deve absolver.
E' bem triste dizer, mas fora confessar que, nem o poder executivo, nem o procurador do Estado, neraos autores por si ou por seos procuradores, nem os prprios juizes, por deferencia e zelo de seos cargos, ningum pde articular, uma s palavra; calaram-se todos diante do desmentido levantado na imprensa pelo mui illustre Coronel Franco RabellOi repellindo com independncia, dignidade e energia, a clamorosa injustia, emprestando-lhe falsamente a autoria, e por tanto a responsabilidade dos incndios de 9 de Novembro de 1912: reduziram-se todos ao mais vergonhoso silencio, convencidos do erro e da mentira contra a verdade e a fustia!
Sim; calaram-se todos, porque egualmente participam do mesmo vicio; calaram-se, porque todos muito bem sabem que aquellas testemunhas, por disposio da lei, no aproveitam m f dos autores; sabem que a lei expressamente prohibe que parentes, interessados e commensaes, juizes, etc. sirvam de testemunha, sob pena de nullidade. Ora esta doutrina invarivel, unanime em direito; mas na questo sobre incndios, movida pelo sr. commendador Nogueira Accioiy contra o Estado, foram testemunhas pessoas dependentes, por emprego, interressadas, polticos e parentes, como assim tambm juizes, amigos incondicionaes e beneficiados da mesmissina poltica do sr. commendador Antnio Pinto Nogueira Accioiy; logo nulla ab inUio, mas nulla, por con-


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seqncia, para todos os seos effeitos -Nulla causa, nullus effectas.
Em virtude da jurisprudncia do supremo Tribunal Federal, alem de outros, em seos Acc. de 8 de Setembro, e 21 de julho de 1900, sempre que se trate de questo contra a fazenda do Estado, ainda depois de terminado o seo curso normal e jurdico, o poder executivo no pode se dispensar do dever deixando passar em julgado o Feitocontra a fazenda do Estado, sem o recurso de appellao, interposto, ex of-ficio. pelo respectivo procurador da Fazenda.
Mas o caso, de que se trata, sobre modo gravssimo ; no mais uma questo legal em seos termos, jurdica e definitivamente sentenciada^ trata-se de uma questo nulla por falta absoluta de condies legaes e necessrias sua validade, condies aquek Ias, que maliciosamente no foram observadas, como illegalmente j tem se, dado em diversos casos da mesma espcie; pelo que se conclue a evidentemente prova a combinao maliciosa dos juizes com os autores, destes com o procurador do Estado, e a do poder executivo com todos, ficando sempre impunemente lezada a Fazenda publica em centenas de contos, e agora, pela ultima vez, em quantia superior mais de mil contos! . .
E isto assim governar com justia ? istot assim administrar com zelo o bem. publico? este o bom emprego dos dinheiros- do povo cearense, pagos por meio de impostos j to pesados? assim que se faz economia para o engrandecimento cio Cear? . O sr. commendador Nogueira Accioiy, seos filhos e genros teem restricta obrigao, devem ser mui gratos sympathia e benevolncia do poder executivo/que suavemente vai enchendo-lhes o bolso de dinheiro sem trabalho e sem justia; recebam agora o que por direito no lhes pertence, porque lhes vem de uma causa nulla, e o que nullo por direito no pode ser de quem no o dono.
0 sr Nogueira Accioiy etc filhos, por uma anor-


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malidade de situao politica; podem reter em seo poder os dinheirns pubiicos, certos de que o Estado no perder jamais o direito de os haver em todo tempo; faam o que quiserem; questo de tempo; mais cedo ou mais tarde chegar uma vez o dia, para quem deve restituir o alheio ao seo dono; no se illudam hoje com tanta alegria, de bolso cheio custa do trabalho amargo, do suar continuo, das lagrimas, do sangue e da morte do^povo cearense; no se illudam; basta um governo honesto, independente e forte, que faa valer o imprio da lei, e nada mais. O Estado credor, que no morre.
No de mais; ainda uma vez importa observar que, tudo que resultar do emprego destes capites, dolosa e nullamente retidos, todo e qualquer bem adquirido, inimovel ou no, transaes de qualquer espcie, jamais constituiro direito em favor dos autores, por conseqncia immediata da nullidade da causa-Nulla causa, nullus effectus.
Pois bem, o povo cearense em sua immensa maioria, manda-me que diga aos juizes, que o con-demnam; que diga as autoridades, que o executam que no ha infelicidade maior nem peor desgraa para um povo que os mos governos e peores juizes do Cear ; governos que o roubam e vendem, juizes que o condemnam; que eu diga bem alto aos governos e aos juizes que saibam ser menos cruis e mais humanos, administrando, ou julgando as pessoas e os actos do povo cearense. d'onde lhes vem o dinheiro e a fora; que eu diga franca e lealmente, ao commendador Nogueira Accioiy, aos seos filhos e genros, que saibam ser prudentes; saibam evitar uma terceira revolta contra si; virga frrea, sem honestidade, ningum forte ...
O povo cearense manda-me que lhes diga, que saibam comprehender; que respeitem uma vez ao menos a generosidade de um povo inteiro, que em momento de suprema justia, fechando em suas mos


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e dispondo de todos os elementos de vingana, muito bem soube a todos poupar a vida; o povo cearense manda-me que diga a todos, governos e juizes, ao commendador Nogueira Accioiy, aos seos filhos e genros, que nada ha mais illegal, mais escandaloso, mais revoltante; que mais alto brade e clame vingana, que a sentena de um juiz prevaricador! . .
Fortaleza, 6 de Novembro de 1916.


O BANQUETE
A culpa sempre condemna, mas sinceramente confessar a culpa, j um bem comeado; isto um facto que pode dar-se em qualquer tempo, sendo que o desvio de bons costumes em tempo do homem moo pode reparar-se em tempo, do homem velho, o qe suc-cede muitas vezes: pelo contrario diificilimo. sempre que a corrupo se dr em tempo do homem velho.
Pois bem; conheci, quando' moo, o sr. Francisco S, outro homem, serio, incapaz de um mo negocio, mas corrompeo-sc na velhice; logo dificilmente se rehabilitar. Em laes condies chamado um banquete de honra, sem reflectbj declarou solemne-mente ser o mais desatorisado dos membros da representao cearense no Congresso, e por tanto, o mais incompetente, o mais deshonrado, incapaz da honrosa misso de felicitar o sr Joo Thom por oceasio do banquete, levando-lhe, em nome dos exploradores, uma boa dose de ensebamento.
. O sr. Francisco S sem reflexo e sem pesar confessou uma grande verdade pra eterna vergonha de si prprio, por tanto mal que fez ao Cear e a Nao, perdendo, de todas, a melhor oceasio de reduzir-se um silencio perpetuo.
Antes de outra cousa uma interrogao no faz mal:O sr. Francisco S por ventura representante pelo Cear, no Congresso, em virtude da maioria do voto livre ? ... no foi para alli imposto pelo depotismo e fora bruta do defunto Pinheiro Machado ? . no se lembra mais? . Ainda ningum se esqueceo.


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Representantes do Cear eleitos como o sr. Francisco S, infelizmente ainda resta uma meia dzia de typos, que representam s e somente o antigo syste-ma do velho commendador das pontes, o sr. Antnio Pinto Nogueira Accioiy, causa directa de todas as desgraas do Ceara, sempre aggravadas para mais, pelo sr. Francisco S, que, depois de faser tanto mal ao Cear, limita-se agora theorias, indicando ao' sr. Joo Thom melhoramentos, que, ha muito, j deviam estar feitos, problemas outros, cuja resoluo j devia ser um facto antigo, e somente hoje retocados pela boa vontade, energia e habilidade honesta de outro governo, que por ventura vai comear.
O mal foi to grande, a ruina to profunda, que d sr. Joo Thom, ainda vivendo um sculo, trabalhando com a maior actividade e esforo, no seria capaz de reparar tanto damno e livrar o pobre Cear de tanta corrupo, tanta immoralidade, tanta bandalheira, tanta perseguio, tanto roubo, transformado em systema pelo sr. commendador das pontes, de perfeito accordo com o seo genro Francisco S, outros genros e todos os filhos do commendador; pode algum taxar-me de exagerado, injusto mesmo, mas a culpa no minha; so os factos,. que provam sa-ciedade; uma eous.a triste, eu bem sei; muito t-iste, mas infelizmente uma verdade sem replica!
Todos estes representantes da mesma condio e envergadura moral do sr. Francisco S, sem uma s palavra de protesto, so elles testemunhas formaes, se no collaboradores de todo mal, que j fiseram, e continuam a fase- ao Cear, administrativa e politicamente falando, comeando pela questo de Grossos, desde todos os tempos pertencente ao Cear.
Qual foi o procedimento do sr. Francisco S, que interesse ligou tal questo, de direito liquido, indjsutivel, em favor do Cear? . porque aggra-vou, contra o Cear, o imposto de sal em favor de um syndicato do Rio Grande do Norte'?.. . porque deixou sem protesto a invaso arbitraria e inconsii-


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tucional, e portanto criminosa, feita mo armada pelo governo d'aquelle Estado contra o Cear? . quanto recebeo o sr. Francisco S e o velho commendador das pontes, seo sogro ? quanto receberam ambos por tanta improbidade commettida em nome e custa do suor e maiores sacrifcios do povo cearense ?! .
O sr. Francisco S muito bem sabe por quanto fez o servio, e quanto, e tantos contos de uma so vez meteo no bolsinho; o que devia ter declarado por oceasio do banquete, para que o sr. Joo Thom ficasse desde logo conhecendo to vantajoso problema a resolver-se para maior felicidade, pai, justia e ordem do Cear!
O sr. Francisco S fala de problemas que interessam o melhoramento material,, o desenvolvimento econmico do Estado, etc sem determinar um s, j resolvido por si, sendo deputado e senador pelo Cear desde o meado do sculo passado, sem diser uma s palavra a cerca de tantos melhoramentos empre-hendidos pelo celeberrimo commendador, seo sogro, alem de outros mais, importantssimos, como Grossos ha muito tempo concludos, graas ao patriotismo de bolso e ventre do sr. Francisco S! . .
As pontes j installadas em todos os rios do Cear, a rede telegraphica ligando o Estado em todas as direces, o Forno crematorio, baratissimo e sem igual neste mundo, o Abastecimento e esgoto quando se fiser e houver agua do rio Acarape, manancial que scca e sempre salga, passando uma vz sem correr 14 annos, melhoramento apreciado em nove mil contos j consumidos, sendo seis mil contos para manilhas de barro tubos de ferro de inferior qualidade, inclusive mo d'obra, e tres mil contos para commisso, de que no se dispensou ,o sr. Francisco S, metendo no bolso fartssima quantia por trabalhos que nunca fez bem do Cear; no recebeo menos, por sr commendador das pontes, o seo sogro, filhos, genros e demais parentes e


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adherentes; tudo se abasteceo lli para maior bem e economia do povo cearense!
Alem de tantos benefcios, mais uma extraordinria economia para o Ceara reforma do contracto de illuminao gaz. em melhores condies e vantagens para a companhia. At aqui o curso de grandes melhoramentos realisados pelo sr. commendador Antnio Pinto Nogueira Accioiy, bem do Cear, pelo que ver o sr. Joo Thom qe bem raso leve o sr. Agapito Jorge dos Santos, quando queimara a fronte do commendador, imprimindo-lhe a marca indelvel deegrgio gatuno.
Voltemos a pagina, e ora examinemos outros melhoramentos de caracter federal, ainda em projecto resolver-se, j extincta toda verba, titulo de obras contra as seccas, bem assim estrada de ferro, audes, barragens, Inspectoria Agrcola, Veterinria etc. . .
J sabem todos qual fora o plano primitivo do governo imperial em relao as estradas de ferro do Cear, tendo em vista attenuar effeitos de futuras crises; tambm todos sabem como to errada e criminosamente tem-se havido o governo brasileiro; como teem agido em mesmo sentido os representantes da Nao, invertendo tudo para peor, ficando tudo de pernas para o r! . e o povo, eterna besta de carga, o povo sempre a esperar, o povo sempre il-ludido, o povo sempre ludibriado, o povo sempre miservel, o povo trabalhando-at morrer para manter-se a borracheira e o roubo dos exploradores.
Fortaleza, 3 de Julho de 1916.


A BAJULAO E O CYNISMO
II
Actualmente no Brasil o systema poltico, administrativo e financeiro meter dinheiro no bolso, em maior quantidade possvel, apertando sempre mais, no pescoo dos que trabalham, a maldita amarra do imposto, j reduzindo os brasileiros e a Nao ao supra-summum da misria ; e ainda assim os prprios na^ cionaes se arrendam ou vendem particulares pelo minimo do seo valor! . Verdade tristssima, vergonhosa, durssima, cruel, eu bem sei; mas eu sei tambm que o conseqente terrivelmente lgico, que se impe pelos factos; com tudo isto pretendem ainda os exploradores da misria nacional desviar a atten-o publica, j, com justia, yo!tando-se contra elles.
De que se lembraram agora em momento de to grande aperto financeiro ?! . Mais uma emboscada, uma traio de mais ao povoo imposto de honra para pagamento da divida externa, na importncia de dois milhes, dusentos e oitenta mil contos roubados Nao! Que resultado teve at agora o producto do imposto de sellos inventado pelo sr. Campos Sal-les para o mesmo fim? .. Que irriso! .. que falta de pudor! . que bandalheira!! . .
De tudo isto sabe muito bem o sr. Francisco S, muito melhor que o Brasil inteiro, porque foi neste meio moralmente apodrecido, onde se corrompeo, e perdeo-se a sua antiga honestidade 'poltica do homem moo de to felises tempos; o sr. Francisco S


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habituou-se ao vicio, e d'ahi por diante no levou mos medida! . .
Quando ministro foi o sr. Francisco S que transferiu o contracto da estrada de ferro, arrendada ao sr Novis, um syndicato inglez, fraudulento, que por falta de lastro no teve curso no Paiz visinho, sendo previamente de tudo avisado o governo brasileiro. Que vantagem offerecia-se a Nao por tal negocio ? ... o que aproveitou ao Cear a transferencia d'aquelle contracto ?... Foi uma perda total para o Paiz, para o Cear o maior desastre! . Em vez do syndicato, foi o governo brasileiro, que fez o lastro; pagou ao arrendatrio para faser o arrendamento, sendo todo este problema, admiravelmente resolvido assim, pelo sr. Francisco S, que recebeo de uma s vez, por tanta economia, quatrocentos contos pela transferencia e assignatura do contracto, lesando a Nao em quantia superior trinta mil contos! . .
Quarenta e sete kiiometros de estrada, j administrativamente concludos, foram pagos pela segunda, seno pela terceira vez ao arrendatrio, como se fossem realisados por conta do syndicato. Qual dos representantes do Cear, no Congresso, que levantara uma s palavra de protesto contra tamanha improbidade?'! . O sr Francisco S, sem duvida, no se asia presente; mas pela ausncia e pelo silencio em que ficou, recebeo mais tarde do syndicato um presente no yalor de quarenta e cinco mil setecentas e cincoenta libras esterlinas. E' assim que o sr. Francisco S quer o prolongamento das estradas de ferro do Cear; assim que se tm resolvido at agora os problemas de maior interesse para o Cear, sem o primeiro protesto levantado pelo sr., Francisco S no Congresso! ...
Como eu, tambm a Nao inteira sabe hoje, pela imprensa, que, nos ltimos dias do mais infeliz governo do sr- Marechal Hermes, sem vontade, passivo e submisso ao despotismo sem freio do sr. Pinheiro Machado, que, antes de assassinado, perdera


a Nao; sabem todos, e mais que todos o sr. Francisco S, que, a titulo de estradas de ferro do Cear, foram contrahidos os dois ltimos emprstimos no valor de vinte e um milhes de libras, esterlinas, sem saber a Nao qual o seo destino . .
Sabem de tudo isto os representantes do Cear no Congresso, mas observam.a mais absoluta reserva; nem d leve, nem por sonho, se deq ainda ao publico a mais ligeira satisfao. E' desta maneira que o sr. Francisco S, sem compostura, sem pudor, sem nenhum respeito a Nao, ironicamente diz que quer o prolongamento das estradas de ferro do Cear, como lambem a construco de audes, etc: aponta ao sr Joo Thom. os grandes problemas que mais interessam aos melhoramentos do Cear, material e econmico, sem declarar juntamente, que os parentes de sua mulher, aquelles que superintendem, no Cear, a Inspectoria de Obras contra as seccas, j esbanjaram uma verba de desesete mil contos, sem proveito de um s poo para o uso publico; no declarou ao sr. Joo Thom o sr. Francisco S, que aquelles mesmos, que vontade dispem dos dinhei-ros destinados s Obras contra as seccas, por motivos inconfessveis, incendiaram o prdio, em que ora funcciona aquella Inspectoria, o qual .reconstrudo depois pelo seo proprietrio, coronel Carvalho Mtta, a pedido do.sr. Francisco S, o governo no s comprou aquelle prdio, como tambm mandou que se entregasse pelas chaves aos mesmos, que o haviam incendiado.
Que melhoramentos j desenvolveo a Inspectoria Agrcola, ha tantos annos installada no Cear? . que medidas anteriormente adoptou para prevenir ef-feitos futuros, e a tempo dado, enfrentar a crise ? . em que parte do Cear fundou o seo primeiro centro de trabalho agrcola? . que artigos de sua espcie offereceo aos famintos? ...
Veterinria depois de ver bstificada morrer quasi todo gado do Cear, durante a secca de 1915,


o que' j. emprehendeo depois de passada a crise, pois anteriormente nada fez ? . Onde stabeleceo a primeira instaflao deste gnero ? . O sr. Francisco S e todos de seo tamanho moral, que representa o o Cear no Congresso, respondam ao sr. Joo Thom. se so capases; apontem que bem j fise-ram ao Cear.
Ahi fica a maior e mais criminosa sinecura de ruinas to deshumana e cruelmente cavadas por todos os governos de tempera do sr. Francisco S, dos seos admiradores e representantes do Cear no Congresso; ei-los todos no banquete, muito bem escovados, a comer e beber, serrj, par e sem conta, at a embriaguez; ei-los todos risonhos, satisfeitos, no melhor dos mundos, em maior conforto; vivem muito bem; passando largamente farta; invejvel!... para que melhor?!-.-..
Muito.bem! . sim, senhor! .. depois de roubada a Nao, milhares e milhares de contos no bolso, o sr. Joo Thom que se agente; todo dinheiro para elles; todo trabalho e resoluo dos problemas para salvar o Cear de toda desgraa, em que deixaram; tudo em fim corra por conta do sr. Joo Thom, e responsabilidade do seo governo.
O sr. Joo Thom, sendo, como diz muita gente, homem serio, experimentado, prudente, calmo, intel-iigente, hbil, e alem de tudo honesto, no suppor-tar, sem duvida, uma bucha to demasiadamente grande.
Fortaleza, 5 de Julho de 1916.


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Falando de moralidade e justia administrativas, trabalho bem diffiil e mais penoso saber qual dos dois, se o sr. Francisco S ou o sr. Frederico Borges foi o que mais se aproximou do systema de Vol-taire:mentir sempre, e ficar alguma bousa.
(3 sr. Francisco S. alm de outras indignidades, se capaz, aponte qual foi o acto de moralidade e justia, que praticou, sendo ministro? qual moralidade poltica e administrativa do seo sogro ? ... quai a justia do seo governo durante vinte e tantos annos de assalto ao' poder e ao Thesouro?. . Alem de tantos actos da mais vergonhosa improbidade foi denunciado no foro do Rio de Janeiro pelo crime de estellionato, indignarnente recebendo s Onze contos, e tanto mais que fora; ora s este facto seria mais que bastante para vivamente impressionar e mais profundamente confundir o sr. Francisco S, se o viras da corrupo no o tivesse encontrado na velhice.
E o sr Frederico Borges ?!. . O .Marechal FIo-riano Peixoto em certo dia falaudo outros do valor moral do sr Frederico Borges, j para si sem confiana e sem prestigio, dissera: em caso de necessidade para alguma cousa, em falia de outro, no se compra, aluga-se Ora, isto vale o. mesmo que diser-se que um sujeito no tem caracter, no tem voto, no tem independncia, no tem vontade; logo um desclassificado, moralmente perdido, zero em tudo.
Se effectivamente isto um facto, em taes condies quem poder illudir a palavra do sr. Frederico Borges? ... de quem merecer a confiana?. por quem se rccommendar? . logo um elogio seo pode comprometler a causa do elogiado, ficando por tanto o sr. Benjamin Barroso em posio duvidosa.


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E' fora confessar que o sr. Frederico Borges, por oceasio do banquete, engrossou de mais, no precisava tanto; houve perigo immediatamene prximo de faltar a verdade dos factos. O sr Benjamin Barroso se elevou muito menos, do que desceo em seo governo, consummando a ruina do Cear, como o sr. Pinheiro Machado a perda do Paiz; de todos o maior flagello do Cear, at hoje, tem sido sempre o mo governo, seno roubando, consentindo que se roube.
O sr. Frederico Borges no teve bastante coragem e independncia ; oceultou a causa, que determinou a devastao do Cear, anteriormente a secca de 1915; se no procedesse assim; se quisesse levar mos a esta chaga, immediatamente se teria coberto de crepe o scenario, baixando o pano scena do banquete.
O sr. Frederico Borges ainda uma vez no quiz ser franco e leal comsigo mesmo; pelo habito de engrossar tanto no se sente mais; transformou-se a natureza. O sr. Frederico Borges teria ficado muito melhor comsigo; se teria remido de toda macula, se na oceasio do banquete solemnemente indicasse ao sr. Joo,Thom a causa primitiva de todas as desgraas do Cear; no quiz assim.
Habituado a toda sorte de convenincia poltica o sr Frederico Borges no quiz dser ao sr Joo Thom que a ruina moral e physica do Cear, ha vinte e tantos annos, se cava e faz profunda, 'graas aos representantes do Cear, no Congresso, sempre ao servio, ao posso, quero e mando do sr. commendador Accioiy, de perfeito accordo com o sr. Francisco S, seo genro.
Pois bem; o sr. Accioiy, homem de uma teimosia sem exemplo, de uma esterilidade moral desconhecida, erradamente pensou que o Ceara se redn.-sira a uma propriedade muito sua, podendo absolutamente dispor do Cear e dos cearenses ao correr de sua vontade soberana; d'ahi por diante foi aper-


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tando por excesso o fio no arco, e tanto puxou, tanto apertou, at que em fim, cedeo a violncia da presso: tudo se resolveu pelo extremo; o projectil explodio pela culatra ; d'aqui tambm o 24 de Janeiro de 1912...
Expulso do Cear, bala, o velho commendador das pontes, em virtude da improbidade do seo governo, o sr. Accioiy habituado vida de zango, no se conformou com a lio duramente terrvel, e que deve servir de exemplo aos governos, que op-primem o povo, o sr. Accioiy esquecendo a benevolncia do povo cearense, que to generosamente poupou-lhe a vida, chegando ao Rio de Janeiro, pedindo a uns, supplicando a todos, foi cahir de joelhos aos ps do sr. Pinheiro Machado, de quem j era incondicionalmente servil; respondendo elle ao sr. Accioiy que sim ; tomaria providencias . .
O sr. Pinheiro Machado orgulhoso do seo despotismo poltico teve a preteno vaidosa e -infeliz de se impor Nao como candidato presidncia; o que no foi bem recebido, provocando forte opposi-o em diversos estados, inclusive o Cear. O sr. Pinheiro Machado despeitado pela repulsa, jurou vingar-se do Cear, e aproveitar-se da oceasio para sa-lisfaser aos desejos do sr. Accioiy, asendo que o sr. Accioiy de novo assumisse o governo, de que s"ei fi-sera indigno. Eis o que deo logar', e emprestou vulto a celebre revoluo de Joazeiro, j detalhadamente desenvolvida no Caso do Cear em face do direito e dos factos.
Foi o maior escndalo, a aberrao sem mais egual, despoticamnte perpetrada contra as normas da verdade, do direito e da lei, m ltimos dias do mais injusto e prejudicai governo do sr. Marechal Hermes, governado p.elo sr. Pjnheiro Machado, mandando, por todos os meios-abusivos e illegaes, devastar, incendiar, roubar e matar os cearenses, com inteira approvao e applauso do sr. Frederico Borges, representante, adepto inconsciente de todo es-


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candalo e immoralidade legaes do sr. commendador Accioiy, de quem sempre esteve servio
Assim como o sr. Frederico Borges, todos os demais representantes do Cear, no Congresso, eguaes a si, bateram palmas a desgraa dovCearL que se arrasasse, que importa! . comtanto que voltasse ao governo o sr. Accioiy com toda sua improbidade costumada ; pelo que o povo acceso em ira, por todos os meios tentou impedir. Mas o sr: Frederico Borges compromettido em favor da causa, no declarou ao sr. Joo Thom que o sr. Benjamin Barroso foi em tudo continuador do sr. Setembrino de Carvalho, instrumento cego do sr. Marechal Hermes Pinheiro Machado, havendo dos mesmos em recompensa a to bons officios, uma farda de general.
At aqui o sr. Frederico Borges com toda sua convenincia poltica o sr. Thomaz Cavalcante?! ... Ha muito para o Cear uma figura sem sombra; nunca foi, no , nem ser chefe de cousa alguma, em virtude dos papeis moralmente indecorosos, a que se tem prestado. Quando o Cear precisava de mais ordem, tranquillidade e paz, foi o sr. Thomaz Cavalcante, que concorreo para maior desordem e perturbao do povo cearense, como enviado dos Ac-ciolys, pretendendo peJa maioria da fraude eleitoral contca a maioria absoluta do Cear collocar no poder o sr. Beserrii, o que bem caro ia lhe custando .
Para chegar a tal" fim, j incompatibilisado com o Club Militar pelo alto abuso de confiana, lanou mo inqua de todos os meios; em to pouco tempo no houve ainda quem mentisse tanto pelo telegra* pho!.. .
Fortaleza, 10 de Julho de 1916.


k posse do sr. Joio Time do governo do Cear
IV
A' dose de Julho de 1916-voltou o Cear ao estado normal da lei, profundamente perturbada pelo despotismo da fora armada; levantou-se hoje o in-terdicto da Casa, em que reside o Governo, ha tanto tempo profanada pelos violadores da lei, agora expurgada e livre do que ali se mantinha pelo direito do mais forte, abre de par em par suas portas para dar passagem ao novo eleito, que em nome do povo cearense vem restabelecer no Cear o soberano im-perio da lei, de que depende toda grandeza moral da ordem e da justia.
Convidado para testemunhar o facto, no me foi possvel reconhecer a competncia legal do convite; pois, no entraram livremente pela porta da Assembla aquelles que actualmente occupam suas cadeiras, de salto pelas janellas; no podia comparecer a "um acto illegal de uma Assembla de palhaos, sob pena de ferir-me o labo de incoherente e contradictorio, condemnando indistinctamente, pelo jornal e pelo livro, a causa de sua origem.
Expurgou-se do mo fermento a Casa do goyer-no administrativo, ficando ainda interdicta a Casa do governo legislativo, escandalosamente polluida pelos prevaricadores da lei; em taes condies, e a bem da moralidade da ordem publica, urge tambm; neces-


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sario que se expurgue, sem penda de tempo, aquelle departamento da lei.
O Cear no pode ser legalmente administrado pelo novo governo do mui illustre sr. Joo Thom, tendo diante de si uma travanca, imposta ao povo cearense pela brutalidade do despotismo armado s ordens do sr. Pinheiro Machado, por detraz do.sr. Marechal Hermes.
Ora, se a interveno, ainda legal, no pode at-tingir o p.oder legislativo legalmente constitudo, muito menos a interveno sem base legal; mas existe no Cear uma Assembla legalmente constituda; logo no foi attingida pela interveno; logo esta a Assembla, que por direito deve occupar o lugar do governo legislativo, sob pena de continuar a iIlegalidade, e por conseguinte todos os actos dependentes de uma Assembla nulla, em todos os seqSr, effeitos, anteriores e posterioresNulla causa, riuihjs effectus.
A Casa do Governo munfcipal tambm continua p|>'lluida, em conseqncia da arbitrariedade da interveno ; a porta principal do edifcio, forada alavanca para dar entrada ao sr. Intendente, foi garantidaipela fora do exercito,, embalada, sempre de prrriptido, ordem de seos commandantes, para ameaar, prender, matar e varrer bala os cearenses, r^g o.usassem reclamar o seo direito; assisti com pxgf^^^tristeza, infelizmente vi tudo isto! No de-pijjtajerijtjo municipal, como igualmente tambm no egijS'aitivQ,.; ali, onde consummam as maiores aber-ra/es dffipta o direito ea justia; necessrio que se i^PjUfjgi^de to feias e tamanhas iniquidades.
r^ri, revejo a esta Assembla usurpante, que beneficio j prdmoveo bem do Cear? . qual o seo pr^r^jr.o.^ctj&jd^pois do despotismo triumphante ?!. . Aigda^s^ <)H^ry,a muito fresco na memria de todos, p^ra,jter^[jY)e,rgqiiha e condemnao dos seos pro-Pfp^li^ia^e^^i^oi esta Assembla de impatrio-tas.,e.',crii,ei5,,cernses, que deliberou por meio de um


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projecto, s digno de si, legalmente obrigar o povo cearense, j redusido pelos grandes sacrifcios ao extremo d pobresasim, pretendeo forar o povo do Cear a pagar ao sr. Flro Bartholometi a quantia, a insignificante quantia de quatrocentos contos, porque amparado pelos srs. Marechal Hermes, Pinheiro Machado, e particularmente pedido dos Accolys, o sr. Flro devastou, incendiou, matou e roubou o povo cearense.
Foi esta mesma Assembla, que tendo os ps na capital, a cabea em Joazeiro, poucos dias antes de chegar o sr. Joo Thom, de perfeito accordo com esse "governo, que moralmente j morreo ; foi esta Assembla, que bateo^ palmas mais vil e maior torpeza contra os direitos indivi Como se comprehende que dois elementos, o primeiro do poder legislativo, o segundo do poder municipal, ambos profundamente cormmpidos e moralmente podres, que valor e confiana, que lealdade e auxilio podem offerecer ao governo do sr. Joo Thom, animado de melhores intenes e alvo da mais viva esperana do povo cearense?! ... O que esperar?! . .nada mais nada menos do que at agora augmentar sempre a afflio, aggravar mais a dr do opprimido povo do Cear, em nome da iiberdade e da lei!
No escapar certamente ao cuidado e habilidade de vistas do sr. Joo Thom outro departamento, ^que se junta ao poder executivoa policia, se no por completo' perniciosa ao Cear, quasi intil ordem publica. Compe-se de dois batalhes, servindo principalmente at hontem para garantia de mos governos no poder, como tambm empregada muitas vses


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para perturbao da ordem, infraco da lei, perseguies polticas etc; outras veses ainda servindo de meio lucrativo a certos figures e empregados de confiana do governo, que vivem da explorao e ostensivamente do abuso em tudo . .
Ora, se o poder administrativo e as autoridades executivas procedem assim, qual o crime dos. subalternos seguindo os seos exemplos? . .como ento, se a frente da policia occupou at agora o primeiro lugar um certo typo, que altamente se recommenda, porque se fotografara ao lado de um bandido e assassino, a quem chamavam Lucinda? ... e o sr. Se-tembrino de Carvalho no fez de outro typo comman-dante de um batalho de facnoras e bandidos para surrar, roubar e matar em plna capital?! . X>'aqui os maiores escndalos, os roubos mais excepcionaes e caracterisados com as circumstancias formaes do crime, commettids em lugares e praas mais publicas da cidade, yistos e conhecidos por toda gente, s desconhecidos pela policia do governo anterior ao do sr. Joo Thom.
Eis o estado moral da ordem, a condio financeira do Estado, uma accumulao espantosa de dividas ainda-insoluveis, o augmento assombroso de despesas em desproporo flagrante com as rendas do Estado e portanto tambm com a capacidade dos que trabalham, morrendo fome paia sustentar-se a vadiagem, a ociosidade, a bebedeira dos borrachos e a torpesa dos que engordam custa do Thesouro, em to pouco tempo fasendo-se proprietrios e capitalistas, de pleno accordo uns e outros, facilitando todos o abominvel commercio da moeda falsa.
Toda esta gente, desde o tempo do commendador das pontes, j habituada a viver das sobras do rhesouro, que a generosidade paternal do sr. ccioly lhe dispensava; em outro tempo assim, mas at hontem dona e senhora do dinheiro publico, e


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hoje privada do mais facii e melhor meio de vida, desde que o sr Joo Thom, por sua honestidade, energia e nobresa de caracter, levar o cravo a roda, logo se levantar contra si a grita infernal de toda aquella gente, condmnando-lhe o luminoso plano de Trabalho e Justia. Foi o que succedeo ao sr. Franco Rabello . Alerta ...
Fortaleza, 16 de Julho de 1916.




ADVERTNCIA
Pensam muitos qu o Padre incompatvel com a poltica ; nada tm com os negcios administrativos do governo, especialmente quando a Egreja est separada do Estado. E' m comprehenso, um erro; o Padre no deve, no pode tomar parte na poltica doe erro, de faser mal, de perseguir, de roubar, perfeitamente concede-se; mas tratando-se da poltica de ordem, de verdade, de justia, de bem governar, porque no? . .porque excluir-se o Padre do bem universal, a que tem particularmente direito, como todos os homens em communho social?! ... o Padre deixa por ventura de ser homem, porque Padre?... ou porque a Egreja est separada do Estado ?!'. . ".Os homens podem estabelecer vallas de separao entre o Estado e a Egreja; podem, sim; mas uma cousa absolutamente no, eternamente nunca: romper o lao de relao, de dependncia, que prende a creatura ao Creador; o prprio satanz no con-seguio, revoltando-se contra Deos-
Ora, o que a sociedade? ... em si um bem universal, resultante da collectividade de todos os homens. Quaes os elementos de sua distinco e grandeza moral? . somente doiso" elemento civil e D'aqui a.mais alta convenincia de combinao e accord entre os dois elementos, pois o objecto de ambos nseparavelmente um s; logo devem agir tambm para um s e mesmo fim ; d'aqui a necessidade de se collocar o Padre frente da ordem civil,


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da boa poltica, para faser do homem civil um homem, christo perfeito; se a verdade, o direito e a justia so a base da ordem civil e da moral poltica, no pode haver antagonismo entre o Estado e a Egreja, entre o homem e si mesmo; d'tnde segue-se que o homem bom poltico, justo, honesto consequentemente bom christo na sociedade religiosa, como egualmente tambm cidado honesto, homem justo, homem de bem na sociedade civil.
A misso do Padre de' caracter universal;, foi enviado para ensinar .a todosite, et docete omnes gentes, no pode haver excluso de classe; a sociedade inteira, em todos os seos elementos, civil e religioso; logo, sendo o Padre enviado de Deos par instruir, ensinar a verdade, deve regeitar o erro em toda linha, onde quer que se apresente, ou na ordem religiosa, ou na ordem civil, dispondo para isto de dois elementos de toda foraa palavra e a pen-na; onde faltar um, ter o outro
Os mos governos e os erros de m poltica, na sociedade civil, causam o maior damno na sociedade religiosa; mas, como sempre, sendo publica ,a; pessoa do governo, todos s actos administrativos',! so de caracter publico, e portanto tambm passveis' de censura publica; o Padre uma vez collocado de frente frente com tanto mal, ningum tem direito de impor silencio, nem o Padre est obrigado a calar verdade, no batendo o erro ; so factos puulicos.
Ora, tratando-se de erros administrativos, ainda do tempo do despotismo governamental do sr. Nogueira Accioiy; e sendo o emprstimo de nove mil contos para o abastecimento e esgoto o mais prejudicial para o Cear, o mui illustre Presidente da Associao Commercial, o sr. coronel Jos Gentil, dirigio uma carta ao sr. J. de Matos lbiapina agradecendo a noticia referente a posse da nova Directoria, ao mesmo tempo acompanhada de uma nota sentimental, pelo


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qualificativo injusto, odioso, anteriormente empregado por alguns* politicos de vista curta, e agora, de novo applicado pelo Dirio do Estado, denominando aquella Associao benemrita decentro de poltica vermelha.
E' certamente centro de poltica vermelha, porque vem prestando os melhores benefcios ' causa com-mum do povo cearense ; e ccresce mui a tempo to illustre como' sensato Presidente Jos Gentil, porque contra toda sorte de impostos inconstitucionaes que subjugam as mais nobres iniciativas e arrastam as economias das classes productoras, que a Associao Commercial tem sempre clamado, bem assim os celebres impostos cte estatstica e o de 3%.
Foi ainda por esta causa que ella se levantou tmbera contra a orientao do governo do exmo. sr. dr. Nogueira Accioiy, quando s. exca. timbrou em desattender ao seo appello no sentido de se contra-ctar o servio de guas e-esgotos com uma companhia idnea mediante garantia de juros, de preferencia medida do levantamento do emprstimo ,de 15 milhes, acarretadora, para o Estado, de conseqncias desastrosas, hoje claramente patenteadas, e que em virtude dessa malfadada operao de credito o Estado desembolsa mais de dois contos por dia, ou seja quantia superior a seiscentos contos annuaes! .
Ora uma censura to justa, judiciosamente levantada contra os erros administrativos do governo do sr. Accioiy, bem cedo magoou profundamente o patriotismo e corao filial do sr. Jos Accioiy, pela honra de seo pai injustamente reprovado. Em vista de tamanho escndalo e contra o habito de escrever to mal, o sr.'Jos Accioiy atirou-se imprensa, primeira e segunda vez, ficando em pssimas condies para nunca mais voltar.
O sr. Jos Accioiy deitou rua, deixou claramente manifesta a sua capacidade moral; sagrou a


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inutilidade do seo esforo, pretendendo justificar.sen; provas o acto mais injusto e criminoso do governo do sr. Nogueira Accioiy, reduzindo mais dura escravido o povo cearense pelo emprstimo de nove mil contos, inutilmente contraindo, e sem as disposies legaes, para o abastecimento e esgoto de Fortaleza.
E' esta uma questo j assaz debatida, mas sempre de p, a clamar invencvel, sempre a condemnar a m f e o erro do seo autor^; d'aqui a impossibilidade ide uma defesa, que honre; d'aqui o effeito negativo, que desconcerta e confunde; d'aqui .o embuste, que arrogante atira-se contra a verdade e a justia; d'aqui tambm o desespero de causa, que fora o mais vergonhoso e duro silencio, d'onde e muitas veses a coUiso de imprensa, como triste; e sem reparo, succedeo ao Correio do Cear.
Ora, sentindo em mim a necessidade de voltar, alem de tantas veses, outra mais, imprensa, para restabelecer o imprio da verdade, to clamorosamen-te alterada sobre factos pblicos, no se comprehen-de mais a convenincia, o interesse, que por ventura tome um jornal para no publicar actos e feitos polticos e administrativos de mais alta publicidade; e tendo eu mais ampla acceitao na Folha do Povo, onde e sempre sou acolhido, preferi o Correio do Cear> pelo facto de no ser jornal de partido ; s assim e de melhor aviso tentei prevenir qualquer nota de feio .poltica.
Escripta por mim e assignada uma serie de artigos, em mais seria e commedida finguagem, destruindo affirmaes insustentveis, levantadas pelo sr. Jos Accioiy, no Dirio do Estado, sobre a melhor vantagem do,condemnado emprstimo de nove mil contos para abastecimento e esgoto; confiante dirigi-me ao Correio do Cear, levando o primeiro artigo, que, de vspera, submettido a exame, foi ap-


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provado sob a epigrapheAbastecimento e esgoto de Fortaleza.
Em T2 de Janeiro do corrente anno saiu luz da publicidade o primeiro artigo, o segundo 16, o terceiro foi uma vez / . e at hoje. O Correio do Cear no* sabendo ainda ser delicado, nem representar dignamente seo papel, exclusivamente em prol da causa publica, sem' mais nem -menos, suspendeo a publicao do terceiro artigo, sem ao menos um ligeiro cavaco minha humilde pessoa! . .
Este facto sem raso determinada e occultamen-te resolvido causou logo espcie aos que iam seguindo a discusso pela imprensa; o que deo lugar a algum levantar, na Foiha do Povo, aquella interrogaoSer verdade ?. . Pois 'fora confessar que profundamente abalou certa gente; uns tomaram melhor partido, reusindo-se ao silencio, o Correio do Cear reservou a si a nota cmica, terminando a comedia por uma pirueta a mais impuden-te e de mo gosto, quando.pretendia satisfaser a curiosidade publica, respondendo aquella celebre interrogao pelos seguintes termos;Estamos a.uctori-sados a declarar que o sr. dr. Jos Accioiy nenhum pedido fez ao exmo. sr. Arcebispo Metropolitano relativamente aos artigos que. o revdmo. padre Jos Barboza de Jesus vinha publicando nesta folha. Correio do Cear de 22 de Janeiro de 1917.
Vejam, todos se tal resposta satisfaz ao publico, e.se capaz de elevar-se altura moral d'aquella interrogao :Ser" verdade ? . -Pedem-nos a publicao do seguinte:Consta que o sr. Jos Accioiy vendo-se na impossibilidade de defender o sr Nogueira Accioiy, seo pai, pedio ao Sr. D Manoel que no consentisse que o Correio do Cear continuasse a publicar uma serie de artigos, apenas comeada, sob a seguinte epgrafe:Abastecimento e esgoto de Fortaleza, artigos escriptos e assignados pelo Padre Jos Barboza de Jesus; si verdade, no pode haver humilhao mais profunda, nem to pou-


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co, prova mais tremenda-contra o sr. Nogueira Accioiy e o obscuro collaborador do seo governo sr. Jos Accioiy. Ser Verdade ? . .
Emfim, tudo redusido ao silencio, e sem saber-se o motivo de incidente to inslito, servindo-me d acolhimento sempre liberal da Folha do Povo; de suas columnas dirigi ao Correio do Cear as seguintes linhas:No basta dizer que est autorisado a declarar que no foi o sr. Jos Accioiy, que pedio ao Exmo. Senhor D. Manoel para suspender a publicao d'aquella serie de artigos, escriptos e as-signados pelo Padre Jos Barboza de Jesus; no basta declarar-se autorisado para satisfaser a espectativa publica, e dignamente desempenhar-se de tal compromisso; si capaz, declare quem o autorisou ? . .
Ora, no fl o sr. Jos Accioiy, que pedio ao Exmo. Senhor D. Manoel, como affirma o Correio; logo foi algum . mas era ao sr. Jos Accioiy, a quem mais interessava a no publicao dos referidos artigos; logo foi cusr. Jos Accioiy quem pedio ao sr. A. C- .Mendes para suspender a publicao dos artigos; logo foi o sr. A. C. Mendes, que por si mesmo autorisou-se a fazer aquella declarao ; logo, foi tambm o sr. A C- Mendes, proprietrio exclusivo do Correio do Cear, que tomou a si a patronagem inglria do caso, advogandosos interesses inconfessveis d'aquelies, que mais profundamente cavaram a ruina do povo cearense; pelo que, e desde j-, deixo de ser assignante do Correio do Cear, podendo o sr. A. C. Mendes mandar nossa residncia receber o que lhe devo, contar do primeiro de Janeiro corrente at a presente data.
Fortaleza, 23 de Janeiro de 1917.


PRIMEIRO EMPRSTIMO
ABASTECIMENTO E ESGOTO REFUTAO
I
Nada mais louvvel que um filho tomar a defesa de seo pai. nada mais nobre, digno de applauso, nada mais .natural, nem to legitimo; tudo isto muito bem se comprehende, mas sempre que no exceda a raia do direito e da justia.
Lendo por aeaso o Dirio do Estado de 10 do corrente, abria-se ali uma local com .a seguinte epi-graphe: Duas Palavras... Salvando a boa inteno, em si mesma, no podia ser mais infeliz o sr. Jos Accioiy mistificando a verdade de um facto. e mais ainda comprometendo a justia-de uma"casa, que so.lemnemenie condemna a honra administrativa do governo do sr Nogueira Accioiy, junto a. quem obscura e tristemente collaborou o autor da local; em taes condies no mais nobre, e por tanto muito menos honra a defesa de um filho em favor de seo pai, gravemente prejudicando a verdade e a justia.
E' cousa que profundamente sangra o corao amigo de um filho, sabem todos muito bem, ver seo pai soffrer as conseqncias do mal, que fez; sempre custa; terrvel e amarga a reparao da justia ultrajada; mas que importa! . antes e alem de tudo cumpra-se a lei dura lex, scd lex.
O sr Jos Accioiy falou somente das vantagens do emprstimo, deixando de parte as preliminares do


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contracto, de que depende o mais alto interesse do Estado; deixou em silencio o principal, pelo que secundrio, interessando s as vantagens do emprstimo, sem suas preliminares, base inseparvel do contracto, anteriormente estabelecida, para em seguida effectuar-se o emprstimo.
Portanto o-sr. Jos Accioiy para levantar uma defesa, que salve a responsabilidade do sr. seo pai em to complicados negcios, no basta diser que foram de melhor vantagem as condies do emprstimo para o grande .melhoramento sanitrio da capital do Estado abastecimento e esgoto de Fortaleza ; no basta! .. antes de tudo importa irrefutavelmente provar que foram observadas todas as preliminares legaes antes do emprstimo.
Para comear, at aqui basta, e o sr. Jos Accioiy volte carga quando quiser; certo de que me encontrar na brecha, sempre disposto a defender, com muita dignidade, o Cear, bem da verdade e da justia, pelo muito amor a minha terra natal; estou munido de documentos e de quanto basta para redusir ao mais vergonhoso silencio a quem quer que apparea em descampado, tomando a defesa de uma causa tristemente condemnada, e ha muito tempo j perdida arrastando comsigo a eterna runa do Cear.
Fortaleza, 11 de Janeiro de 1917.


Abasteci meoto o esgoto de Fortaleza
ii
Se o sr. Jos Accioiy no fosse dotado de um viso moral ainda menos amplo que o zero ; se no fosse aquelle obscuro coiiaborador do governo do sr. Nogueira Accioiy, tratando-se de actos "pblicos de sua administrao, o sr. Jos Accioiy jamais baixaria a mo sobre esta chaga to profunda, inson-davel, e que irremediavelmente mortfera sempre sangra; em taes condies, forado ao silencio, sria, com raso, para mui lamentar-se, no sendo mais possvel levantar uma defesa ao seo velho pai; mas em todo caso pouparia-lhe maiores decepes nos ltimos dias da velhice ;~no quiz assim o novo professor de Methodologia da Escola Normal de Fortaleza.
Pois bem, empenhado na defesa que, j de longe, venho sustentando em favor do Cear, contra os rnos governos, de minha dignidade refutar as a-firmaes sem provas que^conveno, ora apresentadas em- publico pelo sempre obscuro coiiaborador e secretario do sr. seo pai Noguejra Accioiy; o que vou faser em ligeira synthese, restabelecendo a verdade, que se impe pela verdade dos factos, comeando pela execuo das obras de arte, realisadas durante o governo do sr. Nogueira Accioiy.
Todo mundo sabe que o governo no pode em-prehender nenhum trabalho publico, ainda de maior vantagem para o Estado, dispensando-sc de certas e determinadas disposies legaes, como antes de tudo estabelece a lei a concorrncia publica ; ou assim,


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e aproveita, ao Estado, ou no assim, e s aproveita ao interesse de pessoas do governo.
Por tanto o povo do Cear pergunta ao sr. Jos Accioiy, porque o sr, Nogueira Accioiy, seo pai, quando se lembrou de melhorar o Cear com as pontes e telegraphos, no abrio concorrncia publica? . Em que ponto do Cear se installaram aquellas, e d'aquel-les que proveito at hoje resultou para o Estado? . como responder? . Huma s verdade irrespondvelsahiram do Thesouro para os dois primeiros melhoramentos mil e quatrocentos contos, sem voltar at agora um s vintm de lucro para o Estado, merc do regimen de ordem e de parcimnia, que soube manter o governo do dr. Nogueira Accioiy para maior felicidade do povo cearense . E' assim que o sr. Jos Accioiy pretende justificar e honrar a memria do velho commendador seo pai ?
Assim para a installao das pontes e telegraphos, e para o abastecimento e esgoto? . Quem foi chamado a concorrncia e que praso foi determinado para acautelar os interesses do Estado, tratando-se de uma operao de credito, na importncia" de milhares de contos?. . quaes as preliminares estabelecidas? . quaes as pessoas e os nomes dos pro-fissionaes, que .apreciaram a quantidade e a qualidade das guas ? .. qual a commisso de oramento ? . .
Huma outra verdade irrespondvel jurita-se a um facto esmagadoro abastecimento e esgoto de Fortaleza j custam ao Cear 12 mil contos, 3 mil contos de commlsses, 6 mil contos para o material e mo d'obra e 3 mil contos de juros sem um tosto de lucro para o Cear, merc do regimen de ordem e de parcimnia, que soube manter o governo do dr. Nogueira Accioiy para maior prosperidade do povo cearense! ...
Fortaleza, 15 de Janeiro de 1917.


bastecinieoto cesgoto de Fortaleza
m
O sr. Jos Acciory, ainda em resposta a A Folha do Povo, continua a diser vagamente, sem prova, que o emprstimo de nove mil contos para abastecimento e esgoto foi, sem outro egual, de melhor vantagem econmica para o Cear, unicamente porque liquidou oitenta e tres por cento, mas sem resultado seguro e pratico, faltando-lhe o elemento principal, que, anteriormente j devia estar determinadoagua em maior quantidade, sem minimo receio de faltar um s dia.
O sr. Nogueira Accioiy, como sempre, indiffe-rente, completamente alheio a todo bem, qe no o seo, que lhe importava ter agua ou no para abastecimento e esgoto? E assim to zeloso pelos interesses de ordem publica indicou aquelle manancial do Acarape, rio que secca e sempre salga, passando sem correr uma vez, durante-o sculo passado, 14 annos, de 1880 a 1894; eu v\Oculi mei viderunt.
A Folha do Povo levando a mo sobre aquelle boto electrico dos 580 mil francos retirados do banco, sem fim justificado, sensivelmente chocou o obscuro coiiaborador do sr. Nogueira Accioiy; o sr. Jos Accioiy diz que no tem necessidade de renovar em torno do estafado assumpto um debate irritante e intil.
O sr. Jos Accioiy pode no ter necessidade de se mover em torno do assumpto estafado, irritante e tambm vergonhoso para os que no presam a honra e dignidade pessoaes; o sr. Jos Accioiy pode no


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ter necessidade de tudo quanto quiser, mas no pode dispensar-se da maior obrigao de defender-se e provar o que vagamente affirma; se no pode, nem sabe faser este trabalho, para que se mefeo com esta questo de emprstimo, de abastecimento e esgoto, etc.?'. . no parava tudo em silencio ? o que quer? . agora agoente-se . .
O sr. Jos Accioiy considera intil discutir a questo sobre os 580 mil francos; mas perfeitamente pode distinguir-se:emquanto a retirada e desappare-cimento d'aquella importncia, concedo; emquanto a aproveitamento pratico e financeiro, sua applica-o, etc. nego; pois questo de mais alto interesse e ordem publica. Para o sr. Jos Accioiy a questo de pontes, telegraphos, forno de cremao, abastecimento e esgoto, o emprstimo de nove mil contos, os 580 mil francos, tudo j foi amplamente esclarecido na imprensa do Rio e de Fortaleza; na imprensa do Rio pode ser, de Fortaleza, ningum sabe ; pois no tempo do governo do sr. Nogueira Accioiy no se discutia cousa alguma; quando algum fasia qualquer observao, uma ligeira censura, ainda a mais rasoavel e justa, a Republica', folha official' do governo, alem da injuria, do insulto, usava sempre da formula summaria do constrangimento, da ameaa e da surra . .
E no "senado quem tomou to difficil e penoso encargo de esclarecer quastes as mais duvidosas e to sombrias?! ... Provou tambm que o sr.-No-gueira Accioiy fora forado a contrahir o emprstimo de quinze milhes de francos? . quem o autor de to grande violncia?.....
Entretanto o sr. Jos Accioiy inconscientemente affirma que/ tudo j fora muito bem esclarecido na imprensa do Rio, de Fortaleza, na tribuna do senado, sem dar-se ao trabalho de citar um s numero de jornaes do Rio, sempre na impossibilidade de justificar o uso e lisura, de que servio-se o sr. Nogueira Accioiy lanando mo.d'aquelle dinheiro! .


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O sf. Jos "Accioiy ignora, ou maliciosamente finge ignorar aquelle documento escripto e remettido da Europa pelos snrs. Dreyfus Comp. ao governo do Cear, quando fala do veredidum proferido pelo poder judicirio em favor do sr. seo pai; ora trata-se de um documento de caracter altamente publico; os juizes podiam ignorar ? . logo sabiam, ou no ; se sabiam, mas julgaram o feito em favor do sr. Nogueira Accioiy, prevaricaram ; se no sabiam, compro-metterain gravemente a causa da justia, julgando com ignorncia voluntria e formal o que ex-officio anteriormente deviam saber; logo para nada vale; substancialmente nullo o tal veredidum.
Ainda assim o sr. Jos Accioiy considera aquillo como prova mais forte, irresistvel; tanto mais sendo os juizes adversrios seo e do sr. Nogueira Accioiy, seo pai. At aqui chegou, fez ponto e deo o prego toda sabedoria, illustrao e tale rito jurdico do sempre obscuro coiiaborador do governo de seo pai e o primeiro dos magistrados do Norte. Em que Universidade do mundo se enfornaram ambos, pai e filho?!. .
Para quem officialmente prese a dignidade de juiz, exercendo o elevadssimo cargo de julgador, no ha cousa mais odip.sa; no ha injuria, nem maior afronta, que taxat^sc um juiz de adversrio; mas s o sr. Jos Accioiy ignora, que o juiz, emquanto juiz, no pode ser adversrio, nem inimigo de algum; no julga por afeies; ou juiz, ou prevaricador.
Fortaleza, 16 de Janeiro de 1917.


Abastecimento e esgoto de Fortaleza
IV
O sr. Jos Accioiy se fosse capaz de reflexo, tratando-se de finanas do governo do sr. Nogueira Accioiy; tratando-se de economia pecuniria, de qualquer negocio, que cheire a dinheiro, tomaria o maior cuidado no aventurando affirmaes insustentveis contra a verdade de factos to conhecidos, to notrios, que affirmar o contrario, seria o mesmo que pretender o sr. Jos Accioiy impedir a luz do dia, collocando-se entre a terra e o sol. Nada de exagge-ro, a lgica dos factos; basta um s, e logo importa a resoluo de todos:o processo e denuncia por crime de estellionato contra o sr. Nogueira Accioiy, na importncia de onze contos e tantos, sub-trahidos ao Thesouro Nacional?... tudo mais conseqente.
Ora, tratando-se da retirada de 580 mil francos do emprstimo, sem motivo, que justique, como esclarecer a lisura do sr. Nogueira Accioiy em tal negocio, se falta o-objecto para o esclarecimento?. . logo no foi esclarecido. Hum outro facto confirma a verdade da conseqncia, escapando vigilncia d sr. Jos Accioiy; e um documento escripto pelo banqueiro, remettido da Europa ao governo do Cear, declarando que o sr. Nogueira Accioiy havia, sem allegar justificao, retirado 580 mil francos do emprstimo destinado ao abastecimento e esgoto; mas no se discutio isto na imprensa do Rio, nem egualmente na tribuna do senado; logo no foi, no , nem ser mais esclarecido to vantajoso negocio para o Cear.


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Mas se aquella quantia foi retirada sem se justificar o fim, sem applicao conhecida; de duas, somente uma, ou o banqueiro calumniou gravemente o sr. Nogueira Accioiy, no recebendo os 580;mil francos, ou o sr. Nogueira Accioiy recebeo aquella importncia; mas no podia dar-se tal, pois tratava-se de uma transao altamente publica e de caracter internacional ; logo o sr. Nogueira Accioiy recebeo todo aquelle dinheiro, sem nenhum esclarecimento ao publico, emquanto a sua applicao e fim.
O sr. Jos Accioiy appella para o poder judicirio, pronunciando-se a tal respeito em favor do sr. seo pai, Nogueira Accioiy; uma prova mui fraca e duvidosa, pois, com excepo de mui poucos juizes, at outro dia, que juiz seria capaz de dar uma sentena contra o sr. Nogueira Accioiy, ou a qualquer um dos seos protegidos ?! . .
Diz ainda o sr. Jos Accioiy que, sendo o dr. Nogueira Accioiy violentamente apeado do governo (por improbidade administrativa), havia em deposito na Europa, em poder dos banqueiros Dreyffus Comp., a importncia necessria concluso das obras. Mas que irriso, que falta de seriedade do sr. Jos Accioiy! ou muita malcia, ou por demais tolice; ou por ventura pensar que todo mundo assim? . Os 580 mil francos no foram retirados d'aquella quantia em deposito? . uma das clusulas do contracto no prohibia a retirada de qualquer quantia, antes de realisar o trabalho por seces ? . mas retirou aquella importncia, sem cumprir as condies da clusula; logo violou-o contracto em toda sua validade substancial . .
Como affirmar o sr. Jos Accioiy que aquella quantia em deposito era bastante para a concluso das obras, se o sr Joo Phelippc abandonou o trabalho, em meio comeado, allegando que o dinheiro tinha s acabado? . e porque se acabou antes de se concluir a obra de abastecimento e esgoto ? . pela raso nica e principal de no ter-se feito or-


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amento; pois o sr. Nogueira Accioiy pelo systema de economia administrativa, que fundou, claramente prova que nunca teve inteno de fazer o menor bem aof Cear ; o caso no era de melhoramentos, nem de concluso de obras ; a magna questo era somente de haver dinheiro . .
Nada disto se esclareceo na imprensa, nem to pouco na tribuna do senado, seno agora, com assombro de muita gente; pois aquelle contracto, por quanto foi vendido o Cear, era. s conhecido ento pelo sr. Nogueira Accioiy, pelo seo obscuro coiiaborador de governo, Jos Accioiy," e tambm por meia dusia de typos de maior confiana e intimidade do pessoal reinante. D'aqui o receio, a grande inquietao, e por tanto tambm o maior interesse do sr. Jos Accioiy, empenhando-se com o proprietrio do Correio do Cear, para no dar publicidade aos artigos escriptos e assignados pelo Padre Jos Barboza de Jesus!
Sabe porventura o sr. Jos Accioiy de que provas devia munir-se para triumphalmente sustentar em pulic.O; na imprensa, na tribuna do senado, as vantagens do emprstimo? ... se soubesse, no se teria exposto mais amarga decepo, affirmando o que antes devia provarquod probandum.
Por tanto, se o sr. Jos Accioiy fosse menos pre-tencioso e mais prudente, no se arriscando a falar do.que no entende; se fosse capaz de apresentar em publico, antes de contrahido o emprstimo, um oramento em regra para a concluso das obras de abastecimento e esgoto, ento sim . eu ficaria sum-mamente satisfeito, vencido, de uma s vez para sempre, pelo sr. Jos Accioiy, e para todo sempre fora de combate. Amem.
Fortaleza, 17 de Janeiro de 1917.


Abastecimento e esgoto de Fortaleza
v
Quando o urubu infeliz, no ha poiso que lhe sirva; todo galho quebra-se, diz o povo com raso e muito acerto; tambm o que succede ao sr. Jos Accioiy; uma caipora o persegue sempre, desde que se fez obscuro coiiaborador do sr. Nogueira Accioiy, seo pai, em negcios administrativos e de ordem publica; assim pois, quando pretende justificar a mais desastrada administrao do sr. Nogueira Accioiy, quando mais o condemna, pela improcedencia da defesa, sempre desacompanhada de provas.
Vejam bem:Ainda encarecendo as vantagens do emprstimo diz que, opporfuno consignar que, para aquelle resultado satisfatrio (dos 83 do emprstimo para o abastecimento e esgoto) muito concorreo o bom nome que o Cear fruia no exterior, merc do regimen de ordem e parcimnia, que o governo do dr. Nogueira Accioiy soube manter e que lhe permittio executar obras de arte, como o Theatro Jos de Alencar, o Telegrapho, o Quartel de policia, o Grupo Escolar n. 1, ele, sem recorrer ao credito nem perturbar a vida financeira do Estado.
Sem commentario e sem analyse bonito e mui fcil de expor o regimen de ordem e parcimnia do sr. Nogueira Accioiy; at ali bem possvel, que o sr. Jos Accioiy tenha dito aquellas cousas levianamente, sem reflectir, talvez sem malcia; pode ser, mas sempre caipra; de uma imbecilidade imperdovel !..;.'
Em nome do povo cearense eu pergunto ao sr.


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Jos Accioiy, se possvel haver aquelle regimen de ordem e parcimnia sem o sr. Nogueira Accioiy observar certas e determinadas disposies legaes ? . em que tempo o Cear teve o bom nome e credito l por fora ? . no foi antes do infeliz emprstimo ?.. mas antes de to desastrado negocio, no foram emprehendidos outros.melhoramentos? .. em que condies econmicas para o Cear ? ... se foram observadas as disposies, que a lei ordena? . houve concorrncia publica para o fornecimento de taes obras?... quaes as pessoas officialmente hbeis e preferidas, em virtude de suas propostas de maior vantagem para o Estado? . quem legalmente forneceo o material para as pontes, telegraphos, forno crematorio, Theatro Jos de Alencar e Quartel de policia? ... os quatrocentos contos, resultado da venda de Grossos, entraram para o Thesouro do Estado ? . e os dusentos contos pela reforma do contracto antecipado com a Gaz Comp. ? . quem recebeo? . porque foi encontrado um saldo de mil e tantos contos, attestado pelo balano Carvalho Mot-ta ? . O sr. Jos Accioiy no quiz, ou melhor, no pode diser; mas o povo cearense perfeitamente sabe que/ foi encontrado aquelle saldo, to somente porque o sr. Nogueira Accioiy, surprehendido, no teve mais tempo de emprehender outras tantas obras e eguaes melhoramentos . .
Mais outra do sempre obscuro coiiaborador; para tirar-se o chapo! ... O sr. Jos Accioiy, com muita raso, leve pejo uma vez, ou -antes teve horror, no podendo esclarecer o modo interessante e van-tajos para o Estado, como foi o da compra do Grupo Escolar n. 1 ; no pde; de qualquer modo inconveniente esclarecer um negocio que s aproveitou ao pessoal de casa, como em to bons tempos era sempre de costume; mas o que se faz por costume, embora occultamente, um dia sai publico; assim succedeo, e o negocio foi assim:O ex-proprietario do prdio, depois Grupo escolar, constrangido pela


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crise, tomou de um certo capitalista de Fortaleza uns tantos contos a juro; mas aggravando-se a sua condio financeira, no pode mais tempo saldar aquelle compromisso; o que succedeo d'ali por diante, facilmente se comprehende . .
O credor capitalista era pessoa de grande influencia junto ao governo do sr. Nogueira Accioiy; o devedor j certo de que mais cedo ou mais tarde seria forado a entregar o prdio pela divida, antes de chegar a tal extremo, o devedor entendeo-se com o capitalista, resolvendo-se entre ambos a venda do prdio a titulo de Grupo escolar.
E como j" sabem todos, sendo o credor typo de maior cotao moral junto ao governo do sr. Nogueira Accioiy, na primeira oceasio entabulou com o governo o tal negocio, sendo em seguida vendido o prdio ao Estado por oitenta ou cem contos!.. Muito bem se comprehende que um trabalho de to boa espcie d direito alguma cousa, que no se diz pagamento, mas presente, agrado; logo aquelle capitalista embolsou todo seo dinheiro, alem de juros, mais um mimo de oito ou dez contos de ris; o devedor sendo da mesma situao polkica liquidou muito bem aquella divida impertinente, sobrando-ttTe da diviso com o governo e o capitalista um saldo quanto sufficiente para outro melhor negocio.
Ainda uma vez, em nome do povo cearense, eu pergunto ao sr. Jos Accioiy, se por ventura o sr. Nogueira Accioiy, seo pai, continuasse no governo seguindo o mesmo regimen de ordem e parcimnia, se ainda hoje algum empregado receberia seos ordenados em dia, excepo da pessoa particular do governo do sr. Nogueira Accioiy, de seos filhos e genros? .. Responda, se capaz e esclarea as interrogaes, que aqui se levantam . .
Fortaleza, 10 de Janeiro de 1917.




Abastecimento e esgoto de Fortaleza
vi
Porque o sr. commendador Nogueira Accioiy durante todo tempo de seo governo d ordem e parcimnia jamais deo e publicou um s balano do The-souro? . Quanto custaram aquellas obras d'arte ao Estado ?.. e os palacetes dos filhos, genros, amigos e parentes mais prximos do commendador Nogueira Accioiy?. ... obras de constrco carae luxuosa foram feitas por conta prpria ? . Ora, antes da situao poltica a* que chegaram, conheci todos os filhos e genros do commendador Nogueira Accioiy de condio medianamente pobres, e com muita particularidade, o sr. Nogueira Accioiy, que vivia sempre apertado com dividas, devendo mais que os cabelios da cabea, com todos os bens hypothecados, como comprehender-se e desvelar tal segredo ? . d'on-de lhes veio tanto dinheiro, em tempo relativamente to breve ?!'...
Nunca trabalharam, nunca exerceram empregos de maior vencimento, no foram commerciantes, no foram industriaes, no cavaram a terra, no so crea-dores, de ningum receberam heranas de to grandes capites; apenas so professores inhabeis de tudo, que no sabem, seno receber dinheiro e mais dinheiro por tudo que no fazem; todos professores sem o primeiro, nem um s discpulo; mas si as grandes fortunas, que possuem, no lhes vieram do trabalho, de maiores vencimentos, sem commercio, sem industria, sem legados, etc ; logo chegaram tanta opulencia por outros meios; mas s os melho-


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ramentos emprehendidos pelo omrnendador Nogueira. Accioiy so os nicos altamente conhecidos pelo publico cearense; logo toda riquesa e opulencia do commendador Nogueira Accioiy, de seos filhos e genros procede d'aquelles melhoramentos, a saber: Pontes- despachadas na Alfndega no valor de oitenta contos, custaram ao Estado quinhentos e tantos contos. Foi este o primeiro dos melhoramentos ...
O segundo, obedecendo ao mesmo despacho das pontes, em que fora lesada a Fazenda nacional, foi o telegrapho, custando ao Estado a importncia de oitocentos coutos; terceiro o forno de cremao, comprado na America por dezoito ou vinte contos e vendido ao municpio de Fortaleza por cem contos; quarto o abastecimento e esgoto por 15 milhes de francos. Ora, sendo o sr. Jos Accioiy obscuro coiiaborador do sr. Nogueira Accioiy, seo honrado pai, em todos estes melhoramentos, deve por tanto esclarecer muito bem tudo isto, respondendo impvido, alem de outras, as seguintes perguntas:Em que rio do Cear se installara uma s d'aquellas pontes"? . Por quanto( contractou o governo a installao da rede telegraphic ? . Qual o seo resultado econmico para o Estado ? . O forno crematorio j regularmente funcciona? ... O abastecimento e esgoto esto concludos? . Que vantagem financeira deixa este prprio ao Estado ? . Do emprstimo externo, exclusivamente contrahido para este fim, na importncia de nove mil contos, que saldo ha em caixa ? . Apenas realisado o emprstimo para que fim o sr. Nogueira Accioiy, contra disposies do contracto, retirou 580 mil francos ? . .
Segundo o balano official, apresentado ha pouco, e nico publicado, de vinte annos esta parte, sabe agora o publico cearense que 8 milhes de francos do emprstimo externo, o que est escripto em algarismo, somente; pelo que suppe-se que, pouco mais da metade do capital fora dispendido com a compra do material e a mo d'obra; at aqui com-


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prehende-se o negocio de maior vantagem para o Cear; mas o que no se comprehende, nem o sr. Jos Accioiy absolutamente pode justificar, o desvio de sete milhes de francos, tambm escriptos m algarismos, como consta do balano, que, apesar de mais funda corrupo, s o sr. Antnio Fiusa teve topete para o fazer! ... l esto escriptos15 milhes de francos! . 9 mil contos! . 5 mil contos para mo d'obra e compra de material de inferior qualidade, somente aproveitando ao sr. Joo Phe-lipp, que abandonou o trabalho por falta de verba! .<. 4 mil contos para pagamento de commisses de encarregados da transao, composta de judeos francezes e de christos judeos ; a um dos judes ran-cezes coube um milho de francos pelo favor prestado bem do .Cear, os outros seis milhes foram divididos entre os christos judeos, isto , entre o pessoal da casa reinante n'aquel!e tempo, o sr. commendador Nogueira Acciolyrseos filhos e genros.
Como se v do balano, do/emprestimo no resta mais nem um s vintm, somente a divida de 15 milhes de francos para o povo cearense pagar o capital e juros, de corda ao pescoo, e muito mais ag-gravados impostos para pagar em dia os empregados pblicos; o que j era impossvel, si o. commendador Nogueira Accioiy no fosse o primeiro estadista do norte; graas mais extraordinria sabedoria financeira operou-se um grande milagre \ O.sr. Jos Accioiy, obscuro coiiaborador do mui honrado c benemrito commendador Nogueira Accioiy, amigo e sr. seo pai, deve, sem duvida, muito bern saber como se dera aquelle milagre da mais rigorosa economia para o Cear; como tal deve saber porque no houve perturbao no regimen de-ordem e parcimnia que o honestssimo governo do dr. Nogueira Accioiy soube manter, sem recorrer ao credito nem perturbar a vida financeira do Estado!:. Eis o assombroso mysterio financeiro, collaborado pelosr. Jos -Accioiy, e s agora desvendado pelo sr. Antnio -Fiusa .


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Como o povo cearense que paga tudo, torne nota : . No sendo intencionalmente um facto deliberado pelo sr. Nogueira Accioiy a concluso do abastecimento e esgoto, uma vez contrahido o emprstimo de 15 milhes de francos, 7 milhes foram logo separados para pagamento dos commissarios, ou melhor, comedores dos dinheiros pblicos, ficando em deposito 8 milhes para indemnizao e pagamento de juros de todo capital; de modo que, emquanto no desapparecessem aquelles 8 milhes de francos, apparentemente nenhuma alterao soffreria a vida financeira do Estado, ficando iivre e vontade do sr. Nogueira Accioiy a arrecadao dos impostos de todo Cear para pagar em dia todo funccionalis-mo publico e tudo mais, como de costume; d'ahi alguns pequenos comedores, que inconscientemente dizem que, no tempo do Accioiy era muito melhor porque os empregados recebiam todos os mezes . mas quanta imbecilidade!... "Que ingnorancia profunda!... ou antes, que servilismo estpido . que paixo cega, interesseira e baixa! . E a conseqncia tristssima do desastre financeiro, depois de absorvidos aquelles 8 milhes de francos em deposito ? !. . Hein, sr. Jos Accioiy ?. . que tal ?j.. com tudo isto a vida financeira do Estado no soffreria perturbao? . mas depois de consummidos os 15 milhes de francos, 7 milhes com os roedores e 8 milhes com indemnizao e juros ? e depois ? ... o que o sr. Jos Accioiy pode saber, mas no pode dizer. .
O povo cearense oua: Depois de liquidados os 15 milhes de francos com a gatunagem official, o povo cearense acabava de pagar ao banco de judeos, em Paris, 15 milhes de francos, continuando com a corda ao pescoo para pagar outros 15 milhes de francos, sem comer um po nem beber um copo d'agua, graas ao regimen de ordem e parcimnia do honestissinio governo do sr. Nogueira Accioiy, pai do seo filho Jos Accioiy, tambm muitissi-


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mo honesto e obscuro coiiaborador de seo velho amigo e pai; 30 milhes de francos! . em vez de 15! . ainda assim o sr. Jos Accioiy pretende impingir ao publico cearense que o esprestimo foi negocio de maior vantagem para o Cear, realisado pelo sr. commendador Nogueira Accioiy para maior felicidade e ventura do povo cearense Proh pudor! . .
Como claramente se v, uma vez rompido o vo do mysterio pelo sr. Antnio Fiusa, o Cear j estava condemnado a uma escravido perpetua; j estava condemnado o povo cearense a trabalhar por toda vida para pagar 30 milhes de francos, no incluindo os juros do capital . e tudo isto para melhor goso, felicidade e bemaventurana do honradssimo commendador Antnio Pinto Nogueira Accioiy, de seos filhos e genros . etc etc. . Ento, sr. Jos Accioiy?... nenhuma perturbao vida financeira do Estado mantida pelo sr. seo pai! . E' assim que o sr. Nogueira Accioiy, seos filhos e genros pretendem se reconciliar com o povo cearense ? . com semelhante bagagem- de quanta misria e tr-pesa, sem reparao possvel ? . com tanto apo-drecimento moral que os srs. Acciolys se apresentam hoje ao povo cearense, a quem sempre e atrozmente perseguiram?... assim que pretendem uma vez ainda impor-se confiana de um povo, a quem tanto ludibriaram? . porque se animaram a voltar to cedo sem nenhuma reparao por tanto mal? . o que pretendem? . qual a inteno ? . O povo cearense no os perde de vista; os acompanha de perto ; hoje muito melhor comprehende os srs. Ac-cioiys, e quaes as suas intenes, o que pretendem, sendo tres as intenes correlativas, de que se animam :a primeira j manifestaintrometerem-se na gesto poltica e administrativa do Cear; a segundadinheiro e mais dinheiro pelos damnos que sof-freram e lucro cessante de tudo que, de direito, no lhes pertence; pelo contrario so todos devedores do Estado, comeando pelo sr. Accioiy, pai, que, alem


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de outras quantias, a que no tem direito, est obrigado a pagar o capital e juros de 580 mil francos, que desviou do emprstimo para o seo bolso; emfim a terceira inteno particularmente consiste no ajuste de contas com o povo cearense, alvo ardentemente esperado de represlias e vinganas . .
Mas o sr. Nogueira Accioiy, seos filhos e genros devem saber tambm, que continuam a ser a causa de toda ruina, em que vive o povo cearense; devem saber ainda os srs. Acciolys que so oslespon-saveis por tanto sangue j derramado no Cear; saibam ser prudentes; no provoquem; no se illudam ... o povo cearense.de 24 de Janeiro de 1912 ainda aquelle mesmo; perfeitamente vos comprehende ; vos acompanha por toda parte; est sempre alerta, dia e noite; muito bem sabe que hoje necessrio velar muito mais, pois todo aquelle que tem inimigos, no dorme; est sempre alerta .
Fortaleza, 25 de Fevereiro de 1917.


ABASTECIMENTO E ES60T0
O RIO ACARAPE
O testemunho de maior autoridade, a,prova mais brilhantemente lgica a verdade do facto, que invariavelmente observado, faz calar toda sciencia.
Antes de tudo sou cearense e quero muito bem a este torro amado,eis o meo interesse principal.
Nasci e criei-me margem direita do rio Acara-pe, no lugar denominado ento Pendncia, hoje villa do Pacoty.
O nosso sitio, uma lgua acima, seguindo linha do poente, sobre a serra de Baturit, forma uma das origens daquelle rio.
Do interior do mesmo e de outros sitios vizinhos precipito-se. riachos bastantemente carregados de salitre, comeando desde logo o pccado original das guas do Acarape.
Todos os demais riachos ao norte, pelas quebradas da serra, arrastam com suas guas pesadssima carga de caparrosa e potassa, formando uma soluo, por ventura, to amarga que os prprios nimaes no a bebem.
No interior da serraf onde as guas so menos insalubres, devido a fontes lateraes, que por sua vez engrossam a torrente, ainda assim, ningum se abastece dellas para beber.
Conheo a serra de Baturit a palmo; alli temos agua de primeira, mas no se pretenda confundir os pequenos regatos, que direita e esquerda se desviam, com o todo rio Acarape.
Fique inteirado o Brasil inteiro que a agua mais viciada, que tem o Cear; o rio Acarape o


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esgoto por onde constantemente corre todo o lixo da serra de Baturit, arrastando em sua corrente bilhes e bilhes de detrictos perniciosssimos economia da vida, j to alterada pelas guas, que nos vem do subsolo desta capital.
Certamente no bebeu daquelle manancial, quem, to ha pouco, affirmou, em seu relatrio, ser a melhor agua do Cear; ou se bebeu, no tem mais paladar, nem to pouco entende da matria.
Era de suppr que uma vez provada pela verdade inconcussa dos factos a imprestabilidade da agua daquelle rio, no ousaria algum affirmar ainda que de superior qualidade!
Ha poucqs dias, viajando a bond uma pessoa da melhor qualificao, me disse que um engenheiro da empreitada de esgotos affirmra-lhe que a agua em questo a melhor que se pode desejar.
No pense por ventura esse engenheiro que ns estejamos privados de saber tambm alguma cousa rJaquillo que elle pde saber muito, pois o saber no monoplio de algum,, < de todos que estudam.
Portanto, o sr. engenheiro seja mais prudente; no se arrisque a uma decepo; no comprometta a sua honra profissional; tenha mais amor e zelo ao seu nome.
Si o sr. engenheiro est de ba f, antes de tudo de melhor alvitre ir ao Acarape e perguntar aos habitantes daquella cidade porque no se abastecem de to excellente agua?!
Da resposta de todo aquelle povo, sem minimo esforo mental, concluir que a agua remettida Europa e submettida a processo chimico, no fora apanhada do leito daquelle rio.
Naturalmente, 'perguntar o sr. engenheiro: Ento, alm do rio Acarape, ha outros rios? Ha, sim, senhor, mas nada temos que ver com outro rio, se do Acarape que se trata.


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Alm do exposto, apanhemos o fio de outras provas que no teem replica.
Agora o sr. engenheiro julgue que nada soube de toda aquella gente da cidade.
Siga rio acima, examine bem de perto as diffe-rentes topographs originaes daquelle rio, e proporo que fr avanando ver, de distancia em distancia, que pequenos regatos se confundem com o grosso das guas do Acarape, e que pela sua quantidade muito inferior de boas guas, tornam-se impotentes para corrigir a insalubridade original de to viciada fonte.
Si tudo isto no fr bastante ainda para convencer o grande talento profissional da engenharia brasileira, passemos a limpo *a ultima prova de fogo: O sr. engenheiro beba do rio Acarape e depois emittir com segurana suas opinies scientificas.
Todos que moram margem do rio Acarape, affirmo que as guas de sua torrente no se presto' para beber; no so potveis.
E' portanto um facto verificado em todos os tempos, e como tal no se pode inventar, nem to pouco destruir-se.
Ora, ou o sr. dr. Engenheiro dos esgotos de Fortaleza conhece aquelle rio, pelo menos praticamente como conhecem todos, ou no conhece; si conhece, como conhecem todos, mas nega o que affirmo todos, no diz o que conhece.
Si no conhece o rio, como conhecem todos; mas affirma que a agua ba, diz o que no conhece.
Donde resulta, por conseqncia chimica e phi-losophica, que o sr. Engenheiro dos esgotos no ter jamais uma sahida, que recommende seu nome e honre seu titulo de professor; porque no diz o que conhece, nem conhece o que diz.
Consta-me que o sr. Engenheiro dos esgotos cearense, mas no est obrigado a seguir o tristissi-


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mo exemplo de alguns filhos desnaturados do Cear; tenha um pouco mais de amor sua terra e muito mais zelo ainda sua honra profissional, que ora forosamente prende-se a uma empresa de milhares de contos, j em grande parte duvidosamente despendidos; e eu no;sei si para algum proveito, por ventura, ou si tambm para maior perda do Cear.
Eu bem previ que o trabalho de observao relativamente s guas do Acarape no seria completo, no por incompetncia do meu dedicado e mui particular amigo dr. Antnio Th. da Costa; mas devido to somente ao breve lapso de tempo, mais que insuficiente para outro quafquer trabalho de caracter e preciso.
E o que so tres ou quatro dias, quando se trata de um trabalho de espcie ?! . .
Foi justamente o que succedeu ... O meu particular amigo, j asss carregado de servios nesta capital, bem como a directoria do Lyceu, que absorve todo tempo, pesa ainda sobre si a inspeco de esgotos.
Para economia de tempo e adiantar trabalhos, seguiu plo horrio de 11 do corrente (*) at a cidade de Redempo, e d'ali ao lugar do aude em projecto, 12 kilometros acima e 6 abaixo, parece-me, do ponto de conjunco de todas as guas, que se desprendem da serra, formando ali um dos primeiros elos da corrente, j bastante forte de suas guas.
Da bacia do aude s extremidades do rio Acarape so pelo menos 50 kilometros, o que por si s constitue objecto de observao mui lenta, trabalho impossivel ao meu amigo realizar com tamanha brevidade.
{*) Outubro de 1912.


_IL.
Entretanto, apezar de deficincias to sensveis, nega-se a imputabilidade das guas daquelle rio.
Pois bem. Se tratando d'agu, convencionalmente desde todos os temposAcarape quer dizer: ruim, salgado; si no mais salgado, o rio tambm no mais acarape, rio bom, doce ou zdo; acarape nunca mais; perdeu o prprio nome, essencialmente mudando de classe.
Por conseqncia desappareceu para todo sempre o rio Acarape, que fica sendo e sempre o mesmo desde os mais antigos tempos.
E' deveras o maior dos milagres chimicos e geolgicos, ultimamente operados no Cear, para garantia do esgoto e abastecimento de Fortaleza.
O rio Acarape ser sempre ruim, salgado sempre, queiram ou no os chimicos; a natureza no se muda.
Portanto, o reservatrio em projecto para esgoto e abastecimento de Fortaleza ou no rio Acarape ou no ;' si , ser salgado; "si no fr salgado, em conseqncia natural o reservatrio tambm no ser no rio Acarape . Conclua de outra maneira quem' melhor souber.
O que no posso agora, s mais tarde farei juntar s provas de razo, j conhecidas pela imprensa, as de facto, experimentaes ebemfirmadas pelo testemunho constante de um povo inteiro, o que para ns tem mais pezo e mais valor na pratica do que toda theori scientifica.
Irei depois serra de Baturit e de l trarei agua das principaes fontes originaes do rio; e no s isto, levantarei tambm uma planta geographiea do r.io Acarape com todos os seus dizeres e particularidades, submeitendo em seguida apreciao do publico inlelligente e sensato.
Mas antes de ir e voltar da serra,, j todos sa-


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bem que a agua do mar salgada, independentemente de qualquer processo scientifico.
Assim, porventura, .no ha caboclo na serra de Baturit, ainda o mais estpido, que ignore e no saiba que a agua do Acarape to salgada que, a ns desacostumados, o primeiro banho faz cceira.
Portanto, no precisamos de tanto- aparato e ap~ parelhos de que somente usa certa gente para negcios de chegar, nem to pouco ainda precisamos viajar pela Europa, percorrer o mundo inteiro para saber que a agua do rio Acarape no presta para beber ; e justamente isto que fcil e seguro podemos conhecer d'ali de Baturit, aqui para a capital.
O que' sobre tudo importa a esta gente comear de hoje a fazer aqui as cousas com mais critrio e probidade, pois at agora nada, seno tudo, tem-se feito para completa ruina do Cear, perseguido e sempre victima de cruis exploraes.
Felizmente para muita honra e brio do povo cearense, acha-se frente de todos os negcios do Cear, um homem sem ligas, um Homem de Lei. Confiana: esperemos.
Abastecimento dgua
j disse mais de uma vez e repetirei sempre o saber no monoplio de algum, seno de todos que estudam.
O sbio s sbio, porque estuda. Ora, qualquer pessoa pde livremente estudar, logo, qualquer pessoa pde saber tambm; pde ser um sbio.
Fique portanto livremente aos sbios apresentarem, em mais alto gro scientifico, as theorias que quizerem; mas pelo amor de Deus e das sciencias, no nos privem do nico meio, que resta ao leigo para tambm conhecer as cousas:a pratica experimental de todo dia, de todo tempo, no sendo para


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admirar que, em caso especial, a theoria ceda pratica.
A questo, que ora interessa mui de perto aos habitantes de Fortaleza, a do abastecimento d'agua, um dos primeiros elementos de vida, que nos vem da terra.
Agua e terra so como dois amigos que se do as mos; falando de m, trata-se de ambos.
Pois bem; quando se fala d'agua em seu elemento hydrologico, os sbios chamam hidrologia, e quer dizer: sciencia que ensina a conhecer a agua em sua raiz elementar.
A terra que nos passa pelos ps, em seu elemento geolgico, os gelogos e naturalistas chamam geologia, e quer dizer tambmsciencia que ensina a conhecer a terra em suas camadas geolgicas, determinadas por seus perodos de formao.
Para o estudo e exame to difficeis de matria sem limites, supponhamos tres summidades scientifi-cas, que, por todos ns, falem desse assumpto sem fronteiras:So ellesum gelogo, um naturalista e um hydrologo.
Vo, a passo lento, especificar um caso de natureza hydrologica ou um rio e suas guas- E' portanto um exame puramente scientifico.
Preliminar scientificaOrigens.
Antes de qualquer observao principio universalmente certo que a agua em seu elemento hydrologico ou de natureza pura no se altera. Ora, si a agua em seu principio fixo, no varia; mas toda vez que resente-se de mo gosto, de mo cheiro, insalubre, etc; logo manifesta a anormalidade de outro elemento. E' o que os sbios vo observar, comeando pelo que variaa terra.
A terra, dizem o gelogo e o naturalista, um laboratrio ou antes um labyrintho variadissimo dos reinos vegetal e mineral, ambos to assombrosos,


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quanto innumeraveis em seus elementos, como so os saes vegetal e mineral produzindo uma serie sem fim de outros saes, uma infinidade de oxydos, sul-factos e cidos de todos os metaes, dando lugar a uma outra serie interminvel, quasi desconhecida em suas derivaes e de tudo mais que no se conhece ainda, nem to pouco se conhecer mais nunca! ..
So portanto, dizem elles, os mineraes, que em maior ou menor quantidade dissolvem-se n'agua, communicando-lhe insalubridades de mil espcies.
Theoria hydrologica.
Ha no interior da terra uma infinidade de ca-naes conductores por onde as guas passam de uns para outros reservatrios subterrneos da mais variada capacidade cbica; d'ahi tambm os milhares de fontes pela superfcie do solo, pela encosta dos montes e dos rochedos, formando, a principio, pequenos regatos, que engrossam, augmentam de volume at que por fim do margem a um grande rio.
Si estas fontes alimentadas pelas guas subterrneas no estiverem em contacto com substancia extranha ao seo elemento natural, nem correrem suas guas sobre terreno mineralurgico, todo rio formado por estas fontes ser potvel desde a origem at a foz. E' doutrina corrente, affirmam os gelogos, naturalistas e hydrologos.
O reverso da base produz agua salgada, insalubre e de mo cheiro.
Eis um exame, seno completo, porque deve ser muito mais.
Como todos sabemha dois meios para conhecer a verdade de cada cousaa theoria, estudando, a pratica, applicando; o objecto de uma, o de ambas.
Theoria comparada.
Assim, por ventura, o objecto d'agua em sua base hydrologica o mesmo que o d'agua no copo;


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como assim tambm o, objecto csmico da terra em sua base cosmologica identicamente o mesmo que o da terra em que habitamos, que nos cria e que nos come em fim.
Por tanto a cousa conhecida e a cousa a conhecer-se sempre a mesma em seu elemento lgico, metaphysico e pratico; a differena somente em quanto ao modo ou meio de conhecer.
Para o conhecimento theorico temos o methodo scientifico estabelecido pela intelligencia culta; para o conhecimento da realidade positiva temos a im-pirica ou prova experimental, que em caso de caracter privativo, e para o homem da roa, a sciencia fica muito longe.
Praticaprova experimental.
' sem igual a distancia que vae do sbio ao ignorante. O sbio conhece a verdade da cousa pelo seu elemento lgico e metaphysico; o ignorante conhece a cousa material e praticamente pelo que a cousa . material.
Pois assim o matuto, o caboclo do p da serra, incapaz do menor esforo intellectual; morre sem conhecer a primeira lettra do a b c, mas tudo pelos sentidos percebe to bem, quanto o sbio pela intelligencia :v mais que todo mundo, ouve melhor ainda; de muito longe sente logo o cheiro de tudo que cheira bem e cheira mal; come, bebe e pega em tudo.
O que at aqui se desenvolve theorica e praticamente tem a mais Viva analogia com o caso do rio Acarape ora em questo.
O mui illustre engenheiro do esgoto e abastecimento de Fortaleza affirma em nome da sciencia, que a agua daquelle rio das melhores do Cear; mas a agua sempre a mesma; o matuto, o caboclo, todos insistentemente dizem ao contrarioque a agua ruim, no presta para beber; salgada sempre.


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Logo ha uma incgnita, que escapou vigilncia do mui distincto profissional brasileiro.
Mas como assim!? Por incompetncia no, mas, naturalmente s e s por engano, como outro qualquer sbio competente pde enganar-se.
Em todo caso urge indeclinavelmente desvendar aquella ellipse impertinente e p.rejudicial ao modo scientifico, adoptado para determinar um caso de systema hydrologico.
Parece-me que houve inverso no methodo sci-entificamente empregado, d'ahi o exame sem resultado completo. Deixo de caracterisar o caso por no ser profissional.
Observao
A questo do rio Acarape no d'agua para esgoto ; questo principalmente d'agua para o estmago. E' necessrio admittr que nosso estmago seja um pouco mais sensvel e delicado que todo esse material pezado e bruto de barro e ferro.
Venham por tanto as guas todas do Acarape; passem todas e todas corram interiormente pelo esgoto de Fortaleza, durante o correr de todos os sculos; mas eternamente passem tambm por fora sempre do nosso estmago.
As chuvas, os invernos, que vamos ter com abundncia, modificam, mas no corrigem defeitos de origem hydro-geologica, cujas fontes ficaro sempre jorrando agua insalubre, salgada, etc.
As modificaes pluviaes so de grande influencia, no ha duvida; mas tem contra si a anormalidade certa de determinados tempos, como de 77 a 1909; e eu no sei porque, durante essas crises, quando os saes mais se approximam da superfcie, a ponto de crestarem certas hervas; talvez isso por algum esforo mercurial provocado por excesso de calor sob a aco da atmosphera; no sei . .
No so portanto um meio efficaz de correco original, nem to pouco constituem um facto perma-


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nente; meu pai viveu quasi um sculo, aqui no Cear, na serra de Baturit; passou por todas essas vcissitudes de bons e mos tempos, sem uma vez beber agua do rio Acarape por ser tradicionalmente insalubre.
Eu completo agora 58 annos, sem minima lembrana de ter uma vez bebido agua daquelle Ganges cearense, por ser.ainda insalubre.
O rio. Acarape, em futuro prximo, estar'repleto d'agua do co e agua da terra, qe combinadas, devero encher o grande reservatrio em via de construco.
Mas no escape, por ventura, um acto, por natureza interessante, ao observador experimentado:vo entrar- para o grande aude elementos diversos; um s que entra e sahe; outros, os saes precipites que, proporcionalmente, vo descendo ao fundo, em virtude de duas leis combinadas, a pri1^ meira de densidade, a segunda de repouso, alm de outras.
E' um producto de causas, que sempre tende ao crescente, e, ainda que de marcha lenta, espera vencer aquella quota, que sobe de zero a 2 metros em nivel de sahida.
E quem affirmar hoje que, depois de decorridos tempos, no teiemos desde o nivel de sahida at a quota zero, uma camada de saes precipitados, adubando eternamente aquella das melhores guas do Cear ? ^..
Tratando-se de analyse das guas do Acarape (no para meu uso, nunca); parece-me que a prova de melhor effeito a de espcie total hydrologica, isto , uma vez cheio o aude e successivmente as guas renovadas no interior de sua bacia durante um inverno de guas mil, abra-se ento margem a dois exames, o primeiro em fim de^Junho, o segundo em Janeiro ou Fevereiro conforme o maior volume das primeiras guas de entrada no grande reservatrio.


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Mas no basta uma s vez a prova chimica d'agua do inverno que termina e o do inverno que comea, deve repetir-se em todos os annos, por causa do pendor de insalubridade que tm as guas de augmentar sempre, cedendo s continuas cargas de elementos diversos, como so o vegetal, o mineral e o animal, precipitados dia e noito no fundo immobilizado da bacia hydraulica. x
Deve ser assim, querendo fazer-se cousa sria e de proveito ao bem publico, levado aqui, at certo tempo, em contas de cousa nulla; pois todos com-prehendem, muito bem conhecem, que a maior necessidade de que se resente o Cear, o Brasil inteiro a falta quasi absoluta e profunda de serieda-" de dos homens e das cousas, como infelizmente denunciam os factos.
Fique portanto solemnemente de p o protesto que ora levanto s por dignidade e nobreza de sentimento,, que me caracterizam e pelo muito amor e bem que me prendem ao Cear.
No ha sciencia humana sem prova scientifica da existncia moral da verdade, como assim tambm no ha realidade positiva sem prova experimental do facto.
Deve portanto haver o mais perfeito accrdo de relao scientifica entre o objecto da verdade theorica e o da verdade pratica. De outra maneira tudo mais que se quizerignorncia, duvida, erro, mentira, m f; sciencia que absolutamente n pode ser.
E' critrio de verdade moral o testemunho unanime do acontecimento histrico e o senso commum dos homens reforados pela prova experimental do facto; so critrios de verdade, acceitos e sanccio-nados pela sciencia.
Pois berr/; vem sempre tona a questo do rio Acarape. A sciencia no sei de onde, nem de quem ... publicada em relatrios, diz com arrogncia, para


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no dizer com irriso, que a agua daquelle rio ... potvel!. .
Mas o testemunho unanime e o senso commum de um povo inteiro insistentemente affirmam o contrarioque no agua de beber-se, porque ruirn^ salbra. Ha portanto clara e visivelmente o maior desaccrdo scientifico e pratico.
Ora o objecto da verdade scientifica idenii-camente o mesmo que o da verdade pratica, logo no ha, no pode haver desaccrdo entre a sciencia e a pratica; sob pena de ser e no ser sciencia ao mesmo tempo; ser e no ser pratica ao mesmo tempo.
No havendo por impossibilidade absoluta desaccrdo entre a sciencia e a pratica, em virtude da identidade do objecto, segue-se que. ha um defeito opposto, extranho sciencia e pratica hydrologi-cas do rio Acarape.
Ha, sim, um defeito gravssimo, que necessariamente resulta de uma das duas causas, alm de outras : da ignorncia ou da m f.
Eis o maior dos perigos a evitar-se; pois, si por um desastre, a ignorncia e a m f, combinadas, im-puzererm-se ao caso do rio Acarape, teremos ento em prximo futuro o Gahges cearense, em sua passagem subterrnea, transformando a capital de Fortaleza em uma cidade pestilenta e moribunda; porque a ignorncia e a m f, a titulo de sciencia, nos foram a ingerir, dia e noite, o veneno daquellas guas pela bocca e pelos ps.
E' fora admittir-se que no estamos na Turquia; l que a sciencia assimou cr, ou morre.
Podem fazer de mim tudo que quizerem, mas no turco, mil vezes no, nunca.
S a verdade e a justia tm direito' de impor-se por si mesmas razo e ao respeito de todos. Convicto sempre da verdade que durante seis


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mezes, com toda dignidade e nobresa de caracter, tenho sabido defender contra o mais grave embuste e falsidade urdidos para completa ruina de toda populao desta capitai felicito a mim mesmo e aos habitantes de Fortaleza pela causa commum e tri-umphante da verdade, da sciencia e da justia.
Um dos laboratrios de analyse chimica do Rio de Janeiro acaba de condemnar todas as "amostras d'agua do rio Acarape como impotavel e que sete mezes antes o contractante das obras de abastecimento e esgoto afirmara em documento publico e pela imprensa desta capital ser a melhor agua do Cear! E aquelle sr. uma notabilidade profissional de primeira classe!
iVlinhas felicitaes e parabns festivos cidade de Fortaleza que j vae se livrando dos grandes males, expulsando do sagrado templo da moral, da verdade e da justia os seus cruis vendilhes e tra-hidores.
O Cear portanto descanse e tenha confiana, porque frente de> sua administrao tem agora um homem que se presa, homem de sentimento, homem de bem, um homem que, acima de todas as cousas mais elevadas, colloca a sua dignidade.
E assim peiiso com fundamento que, durante o seu governo, no ficar um s dos antigos erros administrativos implantados no Cear, sem reparo particular; como assim tambm proporo que for corrigindo to grandes defeitos, por isso mesmo ir promovendo os grandes melhoramentos, sendo um de primeira ordemo abastecimento.
E j estando julgada como, impotavel a agua do Acarape, fora cavar em outra parte uma fonte potvel, no s.endo difficil encontrar-se no valle de Tabatjngavem Maranguape, onde j se levantou uma planta de udagem no sitio denominado Frecheiras
Convm-notar, por ser de melhor vantagem, que Tabatinga dista de Fortaleza apenas cinco lguas, emquanto que o aude do Acarape do Meio vai alm


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desta capital quatorze lguas; admiftindo ainda que a agua daquelle rio fosse igualmente ba, a de Ta-batinga seria mii vezes prefervel pela grande economia da distancia.
A questo principal de trabalho bem organizado e sobre tudo de seriedade, que sobra ao governo, que felizmente dirige os destinos do Cear. Confiemos.




O ESGOTO
A causuia 3.* do contracto diz que o manancial destinado ad abastecimento d'agua e esgoto de Fortaleza o aude do rio Acarape; mas no somente isto, tambm uma cortesia de nova espcie, que algum honestamente pretendeu fazer. com chapo alheio.
Temos o- projecto relativamente ao reservatrio do rio Acarape anterior a 98, projecto de caracter federal, tendo especialmente por fim nico a iiriga-o do grande vaile, que se abre naquelia regio.
Sendo portanto a irrigao o fim exclusivo do antigo projecto iniciado em outro ponto do mesmo rio, como que pode ter um dualidade de applicaes inteiramente diversas?
A irrigao sempre suppe a crise, que apenas passa para depois voltar, sendo sem duvida a esse tempo quando se precisa de muita agua e sempre mais agua, e justamente quando tem menos e muito menos. ...
E volfmo outra vez a crise quem que pode affirmar hoje com segurana que o aude do Acarape dar para a irrigao do extenso valle sem prejuzo do esgoto ?
O que se pode affirmar agora, quasi com cer-tesa absoluta que, em tempo de crises o rigor de uma necessidade sem lei arrastar tudo a um de dois extremos:ou o valle do Acarape se fertilisa com o recurso, de suas guas, que por direito de, posse lhe pertencem desde todo tempo, e a cidade de Fortaleza morre por infeco; ou os habitantes de Redempo com tedas as suas propriedades des-apparecem, e s a capital do Cear se abastece


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custa do sacrifcio de um povo, que miseravelmente morre de fome e sede, por que no sabe ou no quer defender o seu direito.
O projecto de abastecimento d'agua e esgoto de. Fortaleza tendo por base a agua do rio ou aude do Acarape seria, na espcie, o maior crime, se no fosse cousa nulla, porque directamente lesa um direito de posse constitudo desde os mais antigos tempos Primas in tempore primus in jure. E' um direito incontestvel e por conseqncia do mais amplo recurso perante todos os tribunaes.
Os prejudicados portanto, e sem perda de tempo, reclamem ao governo federal, fazendo-lhe sentir que absolutamente no podem abrir mos do seu direito, ao qual se prendem os mais legtimos^ interesses. /
E eu, em nome dos habitantes de Redempo/; em .nome do commercio, em nome da industria, em nome da lavoura e criao, em nome de todas as classes, solemnemente protesto contra o projecto de abastecimento d'agua e esgoto de Fortaleza por ser attentatorio e lesivo aos direitos e vida de um povo inteiro.
Para se conhecer praticamente obrv de tal espcie no necessrio grande esforo intellectual, nem ainda cursar a Polytechnica oito ou dez annos, riem tambm se recommendar por qualquer titulo scientifico \ basta observar o que j facto em outras praas do Brasil, a partir do Rio de Janeiro.
O que sobre tudo mais importa se compre-hender que um esgoto, por sua natureza e fim s pde ser de duas uma, uma somente:ou melhoramento de primeira ou cousa nenhuma.
Assim pois o esgoto para ter lugar de primeira ordem depende principalmente do material e habilidade do constructor.


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Comparecida em juizo a capacidade do contra-ctante considerado este como de primeira competncia profissional, e que faz, com mrito, a honra e gloria da engenharia brasileira. Corre portanto ao mui illustre engenheiro do esgoto de Fortaleza o rigoroso dever de sustentar em mais elevado nivel a reputao de nota e fama que o distinguem.
O mui illustre profissional brasileiro melhor que todos deve saber que um trabalho de tal espcie, como este, por sua natureza e por seu fim, deveria ter, si fosse possvel, a durao de todos os sculos e que uma vez concludo deve, sem variantes func-cionar sempre de modo uniforme, equivalente ao de mars, jamais sem reparo e sem retoques, o quanto possvel.
D'aqui a necessidade absoluta do emprego de material de lei, superior, de resistncia extramamente forte, isento da menor suspeita e que offerea a maior segurana e garantia publicas em toda sua extenso.
J hoje todos sabem, que entre o governo passado e o contractante lavrou-se uma escriptura de contracto; mas o que muitos no sabem, so as condies estabelecidas e firmadas entre as partes con-ractantas.
E' a verdade enfeixada nesse instrumento, que brevemente levarei ao conhecimento publico, determinando os pontos mais agudos e de mais interesse d'aquella pea offfcial.
O contracto
ANALYSE ...
Ha muito que fazer e muito que examinar! . O contracto de abastecimento e esgoto de Fortaleza por sua natureza devia ser de obras e empresas publicas, e portanto bilateral; mas como se pretendeu fazer, parece antes objecto de compra e venda pelo


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que se diz meia voz e se observa por diversos furos ..
Si no fosse cousa to vergonhosa; si no fosse necessrio correr a mo sobre chaga to profunda e que sempre escorre sangue, se poderia dizer com muita intelligencia que aquelle contracto assim como uma encommenda que se faz a xerto negociante para mandar vir da Europa algumas pontes . .
Pois muito bem; em vez de pontes esgoto, abastecimento, comtanto que o resultado seja aquelle mesmo, separando sempre a serra pelo meio do negocio; a metade pelo menos sempre em casa . .
O contracto ento que deVia ser bilateral revestiu-se da forma quanto indispensvel para armar o efeito, meia noite concertado, servindo de ponte ao emprstimo e de passagem ao dinheiro por fora do Thesouro do Estado, ficando em certo logar e de uso mais fcil para tudo que quizessem, nunca ^para esgoto; mas sempre para esgotar-se, \
Agora que vai apparecendo em publico alguma cousa do contracto, por causa daquelle revz imprevistoo 24 de janeiro de 1912, para todo sempre memorvel; pois a empresa de abastecimento e esgoto de Fortaleza obedecendo ao antigo systema de forno, pontes, etc, era somente para constar que o primeiro estadista do universo intencionalmente realizara o maior dos melhoramentos a bem do Cear /.-..
Sendo portanto a cousa s para constar, uma vez contrahido o emprstimo qualquer pretexto justificaria a suspenso da obra; assim por exemploa falta de verba, a grande distancia da capital Re-dempo, a m qualidade das guas do rio Acarape, no obstante aquella analyse, o antigo projecto do aude principalmente para irrigao do valle, o direito inconcusso dos habitantes de Redempo, em no consentirem que sejam desviadas as guas do seu rio, etc.
E .. prompto! . Nada mais to justo e natural nem esgoto, nem abastecimento, nem tele-


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grapho, nem pontes, nem forno de cremao . Uma s cousa que fica sempre de p, terrvel e ameaadora:a divida, o emprstimo para o pobre Cear pagar com mil sacrifcios, suando sangue, durante o correr de geraes futuras! . nove mil contos em pura perda para o Cear, aproveitando to somente a meia dzia dos.typos!. .
Da analyse anterior facilmente se conclue que para a execuo do contracto havia margem ampla, teipo de sobra . durante o correr de meio sculo do reinado decahido, como dissera algum, persona grata da casa reinante, sem prever o feliz e eterno dia 24 de Janeiro de 1912! . .
Assim pois, para o publico bem conhecer.a chave d'aquelle bom negocio d'elles, examine com atten-ao algumas condies bilateraes do contracto determinadas por suas clusulas.
A clusula 45 fixa um prso de quatro mezes paraa entrega do esgoto depois de concludo- Este praso, j se v, seria sufficiente para as primeiras experincias de pequeno apparelho fabril depois de sua instaliao; mas para abastecimento, e esgoto excessivamente diminuto, jamais 'tratando-se de to interessante applicao hydraulicaj . .
Portanto devia ser indeclinaveimente ampliado para tres ou quatro vezes mais um praso to .-insuf-ficienfe ; em vez de quatro, doze mezes e s depois de verificadas todas as experincias, depois de func-cionar sem o menor embarao, ento sim, passe a obra a ser prprio do Estado.
A clusula 14 imperativamente d-que as ma-nilhas devem ser de barro vidrado de primeira qualidade. Vejamos bem si isto est sendo observado ..
O mui illustre engenheiro do abastecimento e esgoto de Fortaleza sabe, conhece melhor que o pobre e humilde leigo autor destas linhas, que o barro


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vidrado obedece a um processo especialissimo, inteiramente diverso do de barro apenas protegido por banho vidrado.
Temos" por conseguinte tres classes, sendo ,a primeira barro vidrado, de primeira classe, o vidro ; a segunda loua vidrada; a terceira botija. Ora a clusula acima accentabarro vidrado.
As manilhas ora empregadas na construco do esgoto so vidradas ou somente banhadas e protegidas por soluo de vidro?... A' primeira vista, pois no ia me enganando, pensando que aquillo fosse vidrado ? ... S depois que examinei pela segunda e terceira vez alguns pedaos, foi, ento que verifiquei ser barro passado em banho vidrado, e no barro vidrado.
Ora muita gente sabe e o illustre engenheiro do esgoto sabe melhor ainda, que o barro vidrado de qualidade superior ao barro apenas passado por aquelle, banho; mas as manilhas empregadas no esgotp so lavadas somente em banho de vidro, logo no so de barro vidrado; no sendo de barro vidrado, no podem ser tambm de primeira qualidade em virtude da clusula; se no so de primeira qualidade, no podem ser aproveitadas para o esgoto sob pena de violar o contracto.
Mas o mui illustre engenheiro do esgoto empregou e continua a empregar material que no barro, vidrado, logo no material de primeira qualidade, logo violou o contracto.
Agora s ha dois caminhos a seguir: ou rescindir o contracto, ou substituir, as manilhas, que no so de barro vidrado, por outras que sejam d'aquella matria; de outra maneira no se entende.
Ex-vi do contracto o mui illustre engenheiro do esgoto no pde allegar desculpa e muito menos furtar-se ao que est obrigado em virtude da clusula 24 do contracto; no pde furtar-se ao rigoroso de-


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ver s compatvel com o homem de bem, com o homem honesto, de critrio, homem de lei . .
O mui illustre engenheiro do abastecimento e esgoto de Fortaleza, no pde jamais furtar-se um compromisso de ordem publica do qual Inevitavelmente depende ou a mais elevada reputao moral do seu nome, j to illustre, ou tambm a morte moral de sua to grande fama e competncia profissional, no sendo mais nada, nem a honra, nem mais a gloria da engenharia brasileira.
O illustre,profissional da Polytechnica, por sua dignidade, no pde d'irma vez romper o lao, que o prende a.tamanha responsabilidade; no ha meio que o justifique, no ha sahida possvel.
O notvel professor e contractante do esgoto de Fortaleza veja bem, reflicta um pouco em quanto ha tempo de sahir-se nobremente; pois ter sempre de p, armada e terrvel contra si a clusula 14 do contracto, pela qual se obrigou sem restrico a construir o esgoto com manilhas de barro vidrado de primeira qualidade.
No se pretenda confundir cousas, que jamais se confundem; para tanto no ha engenharia possvel. Si a clusula determina barro vidrado, outro que no seja vidrado no serve, condemnado.
Ora, as manilhas para a construco do esgoto de Fortaleza so apenas protegidas por banho vidrado, logo no so de barro vidrado de primeira qualidade, logo tambm so expressamente prohibi-das e consequentemente condemnadas.
A concluso e ser sempre a mesma que o illustre profissional brasileiro no pode continuar a obra do esgoto empregando manilhas de barro ligeira e superficialmente blindadas por soluo vidrada.
Convena-se o illustre profissional que vai errado e o melhor partido corrigir-se, deixar o erro; de outra maneira obstinao, cegueira; si houve algum engano at agora d'aqui por diante no mais possvel; est descoberta toda culpa original; j


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um facto\ pois^a violao do-contracto deu-se desde que a encommenda do material no se fez de ac-cordo nem obedeceu disposio especiai da clusula 14, seguindo-se por tanto inevitvel a resciso, conseqncia necessria da violao do contracto in radice.
O mui illustre engenheiro (*) do abastecimento e esgoto de Fortaleza infelizmente no o que se pensava relativamente elevao moral do seu caracter; de primeira competncia profissional, mas no. serio, no honesto em seus negcios.
E para sellar esta verdade que no se pdejnais illudir, &m momento mais agudo levo ao conhecimento do publico cearense a existncia de documentos, alm de outros da mesma espcie, em -differentes valores, principalmente um de cincoenta contos, que um dos scios commahdiarios, o Sr. Senador Thomaz Accioiy entregou aoMtlustre engenheiro do abastecimento e esgoto de Fortaleza, passando-lhe este, em seguida, um recibo a 17 de Maio de 1911, no Rio de Janeiro.
S por este documento, pde-se com todo peso de justia julgar -o caracter, e seriedade do notvel engenheiro do esgoto, e ao mesmo tempo tambm a probidade do governo, de quem obteve o contracto, sob condio, embora oceulta, de acceitar como oo-cios commanditarios iodas as pessoas daqueiia casa, filhos e genros do pai daquelle senador.
J fora convir que, depois de factos to caracterizados, o Cear deve pertencer aos cearenses e no, nunca mais a meia dzia de exploradores, que o venderam.
No pense erradamente por ventura o illustre engenheiro do esgoto que ainda continue o domnio
[*] Dr. Joo.Phlippe.


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dos co m m a n dta ri os, scios das obras de abastecimento e esgoto, de pontes e forno, tudo isso para maior vergonha e desgraa do Cear; no, nunca mais, porque nem Deus, nem os cearenses querem.
A violao do contracto, in radice depende unicamente da m f ou vontade dolosa das partes con-tractame >
Oi a a clusula 14 do contracto diz sem restri-co, que na construco do esgoto devem ser empregadas manilhas de barro vidrado de primeira qualidade, mas o illustre engenheiro do abastecimento e esgoto de Fortaleza mandou-fazer e est empregando na construco do esgoto manilhas de barro apenas blindadas por soluo- de vidro ou banho super ficiai, logo foi o mui illustre engenheiro do esgoto que procedeu de m f e com vontade dolosa dire-ctamente violando o contracto in radice pela no observncia da clusula 14, logo oi tambm o illustre profissional brasileiro que annullou o contracto desde o momento em que fez effectiva a encommen-da de manilhas de barro blindadas> e no manilhas d barro vidrado.
Kesr.lta portanto ex vi do contracto que toco material empregado na construco do esgoto, qualquer cousa ou objecto relativo entrega e accei-tao de mater-faes e trabalhos j realizados, tudo completa e totalmente nullo, porque tudo que depende de causa nulla nullo tambmNulla causa, nullus effectus.
O objecto da verdade scientifica idntica e necessariamente o mesmo que o da verdade pratica, no podendo, portanto, em absoluto, haver desaccrdo entre um e outro, nem por sonho.
Ora, a agua remettida ao Rio de Janeiro para ser himicamente processada em diversos Laborato-


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rios, ou do rio Acarape, ou no ; se , o resultado das analyses, por natureza e identidade do objecto, deveria ser um s e sempre o mesmo, ainda que passasse por um milho de analyses em todos os Laboratrios do mundo.
Mas um delles condemnou todas as amostras d'agua do Acarape, outro nada concluio nem affir-mou acerca da potabilidade ou imputabilidade das agus daquelle rio; logo houve desaccrdo e por conseqncia, tambm no se fez um trabalho especial e uniforme, faltando toda prova, a identidade caracterstica do objecto da verdade scientifica.
Ainda um dos Laboratrios pretendeo incutirem nimos desprevenidos que o filtro moderno e de perfeio ultra possvel que faa potvel a agua do rio Acarape, muito embora tradicionalmente salgada desde todos os tempos.
E' muito mais possvel tambm que um leigo sem instruco, tratando-se de caso de natureza hy-dro-geologica, engula essa pilula filtrada, ns outros no; pois aqui, no Cear, sabem todos que o filtro s para coar o liquido, purificando-o ora de substancias orgnicas, de substancias terrosas, que descem ao fundo, ora de substancias outras que sobem superfcie liquida.
Portanto o mais perfeito e poderoso filtro no capaz de corrigir defeitos origihaes, nem to pouco eliminar substancias, que em maior ou menor quantidade se dissolvem n'agua; de outra maneira teria-mos a inverso de todo systema scientificoa causa inferior ao effeito, o maior absorvido pelo menor, a verdade productora da incerteza, a duvida emfim principio universal da sciencia!
Como quer que seja, e seja como fr, as guas do rio Acarape, scientifica e praticamente, so, e sero salgadas sempre, emquanto no estancarem as suas origens hydro-mineralurgics.
Pode-se concluir ainda uma vez por todas que um dos Laboratrios, desviando-se por completo da


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questo principal, limitou-se m responder quesitos, no sei de quem.
Bem propsito perguntamos aos senhores pro-fissionaes, e mui particularmente tambm ao illustre engenheiro do abastecimento e esgoto de Fortaleza, porque, sendo a agua do rio Acarape uma das melhores do Cear, os engenheiros que dirigem os trabalhos do aude do Acarape-do-Meio, mandam vir agua para beber de outro ponto diverso, a duas lguas dali distante ?! . Porque no bebem a do rio Acarape ?.. no uma ds melhores guas do Cear ?
Os responsveis
Eu, que agora escrevo, nada levo em linha de conta, que interesse a minha individualidade; s escrevo e digo a verdade aos meus contemporneos e s geraes futuras, apontando-lhes os homens e factos pblicos de que hoje damos testemunho
A ningum tenho odio nem paixo; amo a verdade e detesto o mal, o erro, de qualquer modo e golpe de vista; sempre assim toda Vez que falo ou escrevo sobre factus, que se prendem a pessoas publicas.
Por tanto s pelo amor verdade e bem com-mum do Cear incampei a questo acima, apontando hoje seus auctores, para livrar amanh de accusa-es injustas geraes passadas e das maldies de geraes futuras.
O mui distincto coronel dr. Franco Rabello, no obstante emprego de meios at ultimo recurso, j mui farde, sem culpa sua, no pde mais evitar o immenso prejuzo financeiro com ameaa de insalu-bridade contra a populao de Fortaleza; o mal, o erro attingiram s ultimas raias da gravidade no cedendo mais sequer aco enrgica de uma amputao seria.
Pois bem ; admittindo ainda por desastre a po*


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abilidade do rio acarape, ficaria resolvido-o problema relativamente ao esgoto e abastecimento desta capital ? jSi fosse possvel eliminar o terreno mineral por onde se deslizam as guas do Acarape, sim, in primo loco; em segundo si depois de correr pererine durante meio sculo, um sculo, houver possibilidade de seccar um s dia, no; ficar sempre de p, sempre insoluvel a zombar de qualquer bonificao..e de quantos filtros quizerem.
Ora em 1877 do sculo passado o rio Acarape suspendeu, no um dia s, mais de tres annos no correu e seccou por completo at o p, eu e muita gente ba vimos, mas si a crise semelhante ao cometa passa para depois voltar, logo em 1977 o rio Acarape seccar uma vez ainda, at o p; j , um facto.
Ento? como funccionar um esgoto Sem agua?... como se haver aquella gente?! . no se pde avaliar a gravidade do perigo. Se me fosse dado assistir pela segunda vez a volta da crise em 1977, para mim seria nenhuma surpresa vr a capital de Fortaleza abandonada por infeco.
1'ara mim hoje o que surprehendente, lamentvel, tristssimo, ver e conhecer tantos contem-praneps, que no querem pensar, nem prever; e muito menos prevenir to grande mal, que mais cedo ou mais tarde ferir de morte os filhos dos filhos da gerao presente, prolongamento das famlias, da sociedade e da ptria cearense;, as maldies dos contemporneos do futuro cahiro com todo pezo de justia sobre os contemporneos do passado, hoje contemporneos do presente.
Os responsveis por to grandes calamidades futuras so em primeiro lugar a Assembla de 1908 auctorizando ao sr. commendador Antnio Pinto Nogueira Accioiy a contrahir o monstruoso emprstimo para maior desgraa do Cear; em segundo lugar responsvel ainda o commendador Accioiy, presidente ento, pela applicao' indbita e vergonhoso des-


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vio dos dinheiros pblicos confiados em to. m hora a sua guarda; em terceiro, mais responsvel o mui illustre engenheiro contractante das ob-ras de abastecimento e esgoto, por ser profissional de primeira competncia da engenharia brasileira; pois como tal no podia ignorar tantos defeitos, tantos erros ahi patentes.
E para constar em todo tempo fica lavrado* este soiemne protesto, que ora levanto era nome do Cear e por todas as classes laboriosas, que dignamente o representam.
Quando em outro artigo anteriormente dfzia que. durante a crise de 1877 o rio Acarape deixou de correr mais de tres annos, foi somente para preparar os nimos; que no se deslumbrassem, recebendo um claro de luz mais forte sobre a questo de esgoto, j alis bastante discutida mas. ainda mui complexa enr^uas linhas de proveito e execuo.
Em 1877 comeou, no Cear, a crise dos 32 annos de secca, e ramificra-se com toda intensidade de seus, effeitos at 1909. Foi a mais tremenda quadra de horror do sculo passado; todos os rios da serra de Baturit, ento perenncs, com surpresa, sec-caram por completo; agua tinha mais valor que tudo neste mundo; e eu vi; eu vi, e assisti tudo aquillo . .
Quem no viu, mas tem alguma comprehenso e experincia das cousas, no pde ouvir hoje sem admirar, o que sem minimo receio de confradicta passo a referir aos meus concidados : -';
O anno de 1876, bastante escasso de chuvas, foi a vspera de 1877 ; todos, como eu. no sabio o que brevemente ia sueceder, porque eu e todos estvamos desprevenido^ ; 7 justamente lambem o que est se passando nesta capital. Vejo com tristeza tanta gente de brao cruzado e como que a zombar diante de um leo esfaimado, diante do mais


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formidvel perigo, que se arma agora contra geraes futuras!.. .
No ha cilada mais prfida, nem enfermidade to mortfera que um esgoto sem agua, o que bem se comprehende e facilmente quer dizer: foco de maior podrido!... E talvez o mui illustre engenheiro no trema affirmando que segundo seus clculos d capacidade cbica o grande reservatrio do Acarape d Meio tem uma bacia hydraulica excepcional e de resistncia superior tres annos de seca! . Quod probandum . .
Que o aude do Acarape do Meio tenha capacidade cbica para vencer tres annos de secca, theo-ricamente pode. ser, praticamente nego ; pois no se verificou ainda o facto experimental, nem se poder to cedo, sino depois de concludo o esgoto, o aude e vencidos os tres annos de secca, facto que s ter lugar daqui a 66 annos, em 1977.
Agora, meu dr., s temos que prevenir o .futuro si se quizer levar por diante uma cousa seria; a errivel crise de seccas no Cear terminou em 1909; tanto assim que este j o quarto inverno abundante e seguido de guas mil. Daqui para 1977 teremos duas pequenas seccas, primeira em 1925, a segunda em 1945, no falando de 1915.
Para prevenir com segurana os factos do presente, que j so o reflexo dos acontecimentos do futuro, vejamos os gccidents que se deram, uma vez modificando, outra aggravando a intensidade da crise desde que se manifestou, at que terminou, e foi assim:Em 1880 houve um ligeiro inverninho para rama e pastagem no serto, como tambm algum legume pelas serras, sendo to escasso que no deu para renovar as guas do sub-slo: a esse tempo todos os rios da serra de Baturit, o Acarape, o Canda, Ara-coyaba e Puti, todos j estavam seccos.
Hydrologicamente falando principio corrente que no entrando regularmente novos e successivos


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contigentes d'agua, qualquer que.seja o reservatrio, tende sempre a romper o principio ou regra de.proporo, o que em tempo de crise facilmente se verifica. Temos por exemplo o facto sempre vivo e duplamente experimental do aude de Quixad; no de muito tempo; deu-se ao comear este sculo; um facto de imputabilidade e deficincia hydrologica, ao mesmo tempo.
Em 1899 o aude de Quixad recolheu em sua grande bacia considervel volume d'agua, se elevando de muralha acima at a quota de 9 metros, sendo para notar que era de chuva e s de chuva aquella enorme massa d'agua.
Perguntamos aos senhores profissionaes e mui particularmente ao nosso patrcio, illustre engenheiro, contractante das obras.de abastecimento e esgoto desta capital, porque seccou o aude de Quixad, e quando tem agua muita, embora totalmente de chuva, sempre salgada ? . .
Respondemos, no aos profissionaes que j sabem, mas a quem quer que no saiba, desde logo fique sabendo que a agua daquelle aude, no obstante toda ser de chuva, sempre salgada, porque o terreno de natureza mineralurgica incorrigivel, como igualmente tambm em grande parte o valle banhado pelo rio Acarape; e seccou tambm por completo o aude de Quixad por tres motivos : primeiro pelo prolongamento da crise at 1909: segundo soprado constantemente pela atmosphera abra-sada sob um si de fogo; terceiro porque uma' vez, uma vezinha s, houve sahida de uma parte d'agua relativamente pequena, sem que houvesse mais uma s gotta de entrada.
Pois bem; supponhamos que tudo se acha concludo em melhores condies, o esgoto e o aude do Acarape do Meio; tudo se acha regularmente func-cionando, a nada mais desejar.
Sopponhamos tambm que est terminado o ultimo perodo de bons invernos e melhores tempos


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desde 1945 a 1997. Est declarada no Cear, com todo seu cortejo de horrores a mesma secca do sculo passado pela volta da crise.
O aude do Acarape do Meio extravaza !!'... 'e segundo theorias hydraulicas tem agua para mais de um sculo!!... um verdadeiro mar!! e o, mar no scca!!. .. E' o que parece, mas, do que parece ao facto, muitas vezes ficamos a uma distancia sem fronteiras.
Vamos observar o caso sob a luz da experincia e o testemunho infallivel do facto, si effectiva-mente o aude do Acarape tem capacidade hydrau-lica para vencer diversos perodos de seccas de 3 a 7 annos, de 7 a 9, de 9 a 14, como se deu em 1877 a 1879, de 1880 a 1894, de 1895 a 1899. de 1902 a 1909, bem assim ser de 1979 a 1994, etc.
Ha um adagio popular, que tem muito bem sua razo de ser. Diz assim : donde se tira e no se bota, no pde haver augmentao.E' o caso do aude do Acarape obedecendo mais perfeita regra de proporo ...
J sabemos que de 1877 a 1909 s dois invernos, o de 1894 e 1899, renovaram as guas do subsolo; os demais foram como aquelle de 1881, apenas para pastagem, rama e algum legume pela serra.
Supponhamos uma vez ainda declarada a secca de 1977 e o aude do Acarape do Meio extra vazando agua por toda parte e tudo por aqui alagado; mas em 1979 o rio Acarape suspender, como suspendera por completo em 1879 do sculo passado; logo est condemnado a seccar, dada uma vez a crise, renovando suas guas to somente em 1994 e 1999.
E agora o que fazer, que medida a tomar ?. si o colosso de grani to do Acarape d Meio, durante 14 annos no receber mais de entrada nem uma s gotta, sendo forado a conservar abertos tres canaes de sahida, o terceiro delles a jorrar dia e noite sob