Vida completa do padre Cicero Romão Batista, Anchieta do século XX

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Material Information

Title:
Vida completa do padre Cicero Romão Batista, Anchieta do século XX
Physical Description:
58 p. : port. ; 24 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Romero, Tristão
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Juazeiro do Norte Brasil
Publication Date:

Subjects

Genre:
non-fiction   ( marcgt )

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23669268
System ID:
AA00000245:00001

Full Text


T RISTAO li~ OME flfi


VI DA


COMPLETE


PADBE CICERO RO HiO

BATISTA


Anchieta do


Seculo


Cidade de Juuzelro do Norte
ESTADO DO CEARA'
1950 -


XX


- X X - V - - - - -








TR1s1 A. RO-MERO


iVIDA


COMPLETE


DO -

PANBE CIEIO IM0 o
BATISTA


Anchieta do


Secule


Cidade de Juazeiro do Norte
*ESTADO DO CEARA'
1950 -






























Padre Cicero Pomao Batista
0 iacerdote de Cristo






I r I~ -- I ..-'__- 'e'....r WMaI'. L.


EXPLICAAO PRELIMINARY





Uma das minhas fortes aspi ages na vida, fol, externar de.
poblicO, cs mEus sentimefftos de admiragin, rcspeito eT7estima,
polo veneravel p mriarea de Juazeiro do Note. -
*- Desde a miaha infjlca ouco f lar do poder extrNrdi'r'rip
disse Padre, qup arrebatou mulhiijes no nordebte bra'ileiro, tali-
zaodo pfodWios soieafiturdig, in'thnindo, predominantemente na
poulfica do Eitad e dA Uaia), 'cnfinndtn e leva'ndo. A derrota,
a quantos inisrgiam se c aitra a sivi ptjderosa vontade.
Pablicndo, h je, m ,u. injidest estu:lo s4bre essa proeml-n
nente figira caririense, umna da' miis destacadas da sua his-
t6ria, o faco sem amb,,es e sem vaidade, visandi, finlcamente,
a elevacao do nome daqueld que fez da saa passage pela terra,
urn apostola.do em pro4 do aperfeicoameta- moral dos aeus se-
pitlhan es, dedicando se a defesa da Religiao Catolica, e a0 en-
grandecimento da Patria extremecida.
Coma Midistrd de Deua teve um\. vida santa, servinJo a
todos corn humiaildade e profundo carinho paternal, a exemp!o do
Rivino Mestre.
Os dies e as nites perman.cia entrcgue aos 4everes de sen
Ministkrio: pregindo o Ev ngeiha, celebrando, confessando, re-
zadnco em cosluatfo com os infimeros devotoo, que permaneciam,
laviriavelmente, em sua cnmpanhia.
Iacanasvel no trabalho da alvavgo das almas, vislteva,
constantrmente, as eifermor., levand aos maoribundos a sua pa'
lavra de a'mor, rearimando-os em Cristo, Nosso Deus e Sobe-
rano Senhor.
Nesse master prrmanecia at6 alta note, e quando procu-
rado velos fieis, atendia, solicito, aos que o b'uscavam chelo
de fN e confianca.
"Quam u baccava chorando, voltava com o cora5lo banhad6
de uma suave aiejia".








Simples e himilde, em tudo se tornava semilhante a Jesus.
Era d6cil compassivo e bomn.
NMo aliinentava. nenhuma vaidade humana.
Usava u tn bat'na velha e surrada, atW que o0 amigos Ihe
ofreciam uifi nova, em troca daquela jP batida pelo tempo.
A suo alimentaaio era irregular e deficlente e o seno Bari-
fisado pelo labor continue de sua proffisso sacerdotal.
S$ Ihe preocupava o apostoihdo divine.
Vivia como um santo dedicado exeusivamente ao servivo
de Deus em benefficio do humanidade sofredora.

Estudando o Padre CUcero a luz da Jtutica e da Verdade,
sern piix~o e c-m amer, de .nicio, devolvo aos seus inmligoe,
e detratores de seu nome impoluto, o coTrejo de mentiras, as fat
Ban versSes a o 6bIo atirados contr3 o nosso querido e: santo
Pastor, qo intuito mal6volo de diminuir o esplendor de sua obra
e deseviar os sentiments de reverente admiiacgo e respeilo que
Ihe devctim os bone.

Aigumas opiclies auterizedas de ,utrcs u.citcser, stbre o
Padre, enixerto neste trabalho, coam o desejo de cnriqc:ect If e
dar- Ihe maior substAncla hist6rica.
No0 comenftriis am tOrno de sen nastimrnto, infaocia, e
adoleseincia, nao Lf fantisiae nerni xagere.
Pessoas idonras, fidedignos caveaihjtis e matronas respei-
tAveis, contemporineos do Padre Cicero, prestarBm me criteriosas
Informa(8es a respeito destas passagint de sna video.
I Quanto ao que se referee A sua jnventudc, materidede e-
ve.lhice sio fato<. wair recentes e que, ainda continuam being
viveos em nossa memrnia.
Contra (aes nao pide have controvraio, n(m levantarem so
justos protests.

A cbra monumental que efta s.ndo realizada, (m Jua1ei e
pelos Padres, SalehOanos, 6 nm ettsdtad pcdtrcro da rc'reva de
intenC o, trts vezes santa, aelmentada pelo Padre Cicero, de bemr
servir ao seu povo, a q,'em jam;ls rha, dlnu; t eua Dicesp-;
A Socedade em geral;.- P-tiia; A .ua F6 Cdatlico; ao Altissimo,
cuja causa s(mpie d4fendeu c,'m entusisnio, com tida vontede
e inteligencla.
Sabre a personalidade do muito querido e admnirdo clrl-
g c.tuliens', assim se manifesta o histori6giafo crart, .e Dr.

ilaialnunimfi^S@SinatB^infillBiialminimaI^^'lsasulml^ialaiB^ smmsnmilim








Irineu Pinheiro, im6dico, em seu popular "0 Juazeiro do Padre
Cfcero e a R tolu;5o de 1914" piginas 173 e 174:
"Muit, diseutida a ac5o do Padre Cicero durarte a sua
vida e depois da more. HA os quo na largi existencia df, vene.
rando pastor s6 enxerggem gravfssimos defeitos. Fallam-lhes a-
queles sentinmentos generosos, que gram a Imparelalidade, in*
despensavels poitanto, sos que se averiturawn a de&crever cs su-
eedsos de uma 6poca, cu a tregar a biogisfia de um hornet."
'Pol 'e, -* continfia o intellectual cratenfe, o Padre Cictro
Consolador dos humlldes e desprotegidos do nordeste. Todos
oas que o procuravam desiludidos dos p~dersos, nle --ncon-
travam Invariavelmente a cadioho de uma palavra ou de um
gesto amigo.
"Durante heras a fio, dfsde a manbS att alta nolte, receblea
as sans romieros, conusolando-os atravfs dos seus conselhos e da
sea beoaCo amoravel, paternal.
"Respondia lhes os telegramas e as cartas, Is vezes de u=e3
adoravel ingenuadade. Nunca se the viu espelhr-se no rcto a
sombra de um enfado.
"Foi, na realidad-. o Consolador des gcntes abandonadas
dos sert5es, que sempre tiveram feme e side do justice.
"Rendamos ao venerando.patriarca de Juazeiro a nossa ho-
menagem e Ihe nao desconbegamos as virtudes que Ihe e-mal
taram a vida".

Procurando oferecer aos meus caros leitorcs uma Idea real
ea: tlquezas naturals e do magoffieo panora.ma, deste paradislaco
recanto cearense, oade veln ao mundo o P'dre Cicero, transcre.
Vo, dati--'inzs, eata linda pagina sobre o Carirf, elaborada per
faemoso jarnalista cearense.
Eseolheu a Providencia o Carirf. "onde a terra 6 prodiga
e sempre faitas as provieses com qua alimenta os seas ditosos
filhos", para servir de bergo an grandA apostelo dos humil.
des, pars mostrar too fi9is, qulo fNrtil e'abundante em gragas
divinas, seria, tamberm, aquele que viers para ecoperar na M-?se
do Senhor. p rque, em vordade, Cicero foi um enviado de Deus
para 'salvar assa parte do seu povo, que aflita e abandoned,
"eofrta fome a Wide de justiga".
Entrego polls, ao pflblico leitor, o men Irabalho s6bre a
grande cearense. renomado filho do Cartrf, urm dos males vir-
tuosos membrcs do seu Clero regular, honnra e gloria da terra na-
tal, orgulho d3 portentcso Vale, intangivel afirmacgo moral do

wiliB!BliaS131 aiiSiSE iB i llEUBB in!SSfCT 1B51lial~i3Slim~ilslila'l^i^lnnlllilalaaana




-6-


*eu povo.
Multo me ufaneria se o meu esforpo alcarnasse o seu obje-
tivo: o mairr engrandecimento do uome de qtuem, em vida, foi
um exemplo palpitante de nobreza e dighidade, espelho de pedrf-.
go e humildade cristas, enjoy de pureza, defensor indtmito do
Justica e do Direito, e hoje, depois da morte continfia sendo a
conforto e alegria dos que sofrem e n~1e conffam. e esperam.
"am cruclante ponto de interrogpoo, para quasi tcdo o mundo













0 CA RIR I



a O Cariri visto do c6u, empolga. Sias fontes
perenes tornam mais verde a chapada do Ara-
rip. e os acidentes do solo enfeitam a paisagem.
Rodovias ligam .as localidades cearenses a Per-
nambuco, Paraiba e Piauf. 0 rio Batateira leva
a fertilidade ao vale, as fazendas e es sitios sao
contados a dezenas e as aguis, em consequen-
eia da forma~io do terreno, precipitam-se em sal-
tos, miniaturas de Paulo Afonso e Fez de Igua.i'








--- 9-



0 CARIRI

Padre Leopoldo Fernande8
Quand) o viaiante, exausto de fadiga, suspira, na esteira
turva do horizonte, pelo oasis que assnalam as oartas do rotei-
ro, umr ralo de esperanga the desce na face escaldada, e a alma
se revigora para vencor os a'deres do desert.
Mals do,que uma esperanga, o Cariri 6 umra realidade con-
soladora no supremo e angustioso contraste corn que a Provt-
dbcIda houve por ber marcar esta torturada regigo que 6 o nor-
deste brasileiro.
E Ecravado no extreme sul do Estado, o grande vale pa-
rece dine zona & parte no facie3 geogrAfico do Cear,.
Qs que demandam-A CIDADE SANTA DO JUAZEIRO
DO NQRTE-levym estampado no rosto a cansaco DOS LON
GOSE PENOSOS DIAS de viagem, e nas vestes, a poeira a-
ctaidulada ides estradas esiampas queimadas pelos ardores do Sol
do meio dia. Mal transpOem OS LIMITES DA REGIAO, ix-
perimentam que a natuieza se transform, e os olbos descaniam
na pa iagem d6ce e suave dos canaviais que se extended, ver.
des e exaberanips, ao long dos ribeiros que se -entrecortam e
se prolongam em todas as dirc5es. Dir-se-la que o Cear4 figou
atrfz, e ao viajante embevecldo corn IAo gratas perspeetivas, sur-
gep em contornos delicados e definidos, novas terras corn no-
vos aspects, matizados de cores lindas e esquisitas, e onde oa
adores do sol Ja nao t.0m a inelemeacia de outras terras, e o
horem pode respirar o oxigenio puro e saudavel que se prendo
d "dciirva egmer'aldina do Araripe.
.Alimentado por infimeras fontes que realizam sem esforeg
o mnlbgre da irrlgavao que a, cigacia da acudagem nfo p'ude fa-
ze-lo corn todos os seun mllhaes, o vale do Cari esLtf sempre a
remwvar-se na fecondidade perene de suns terras, e nas energias-
criadoras de seusfilhos. Dotou.a a nstureza corn a distlnta prerro-
g'ativa de ser no Cearf a terra da cana e a cana que Ihe d5,
alem da bbupdanola e da grandeza, este garbo de seducgo cornm que
iaabe se enfeitar para d!zer ao viajanle recem chegado, que E all
que se dessedentamn todos os que o levam a alma opressa pela
desolaglo dos strt5es queimados, e os o!hos'reasequidos pelo te-
flexo esbraseado das cistlng is deserts. Nunca the mediram a
rfmi^ I IEI I , Imi I 1f^







grea-cultivada mas basta qiie algun as centenras dd milhares de
nordestinos, d-.de os habitant.es iesistentes e audazes das mar-
gans do Ciara NtiriaW ate os altos series da Pa.aiba e a des.
protegida regiro do Oeste de -Pernaibuco, sern contar com mais de
'urn terco dos cearenses, basta que saiba toda essa gene que J o
Cariri quem Ihe fcrnece anualmente, come so fOra a terra nutriz
da promisslo, a rapadura saborosa e dtaputada, e mais os cereais
e as frutas, que transformam os fauosos "trens de feira" em
verdadeiros transportes de vetduira. E a opuleocia do Eolo que
alo ca'igi, a fecundidade de umra terra sempre j ivem.
Ea Serra do AraripeP? I de uma velha beaua da Casa de
Caridade da Crato, e3ta ;bse vacia inteligente: "Se o mer e o
pai dos praianos. a serra do Araripe 6 a mwle dos pcbies."
MAI b5a e pr6digi, quti nouc- teve os selos 'ressequidos e form.
sempre fartas as providSes corn que linrrenta os seus ditsso,
filhos! A Serra du Araripe -E, na verdade, um manantial inex-
gotavel. De plana'to &s suas eucostas passamn diariamenwe, desde
as prinieiras horas da manha atl que o dia se anuncia em to-
to o sea fulgor, a% frutas e as cereais, exvelentes em qualidade: a
v)lumos's em quantvdade que via suptir -s atmazens e as qii-.
tandis dos homes qne habitarn as agrestes do srttio. Nadao'
mais fdrtil e produtivo d qua os seus.brejos. Preenchendo urnma
Area de muitos milhare4 dc .hectares, guardados pelos contrefor-
tes do Araripe, o vals do Cadri r bem '.8te imenso e magnifico,
oasis, comr se fora rfquissimna e preciosa esmeralta enfeitigando.
a mio. mirrada e ressequida as terr~s sertanejaW. Foi ainda na
salva exuibnratte de seus brejoi qa:e os fis hs do Cariri sor-
veram, hi mais de ur sOqulo, e n h-ustos de impaciencia A de:
bravura., a.s primeiras licbes de ;iberdade ea fe'eceram ao Ceari
e ao Brasil o h:r!mrno pe seu ideal quo sufocado nas masmorras.
ou nwo cadafaaso, fai semente iua germi,,ou, floiu, e da abun-
di cia de sesu frutos hauritam as 9grac.es futuras.a seiva-que...
Ihas deu umi alma livre e una patria.independebte;"


fIlk ,.vi~. ii-i,..A.'t g











CIcero Bo asta
e
Seus primeiros anos.de vida


NASCIMENTO BATISMO INFANCIA PRIMEIRA
COMUNHAO VOTO DE CASTIDADE INICIO DOS
ESTUDJ.OS E OUTRAS NOTAS


INGRESSO NO SEMINARIO DE FORTALEZA, E
SUA ORDENAQAO


" .... "r ar" i!rarij ri i ra r







13 -


S-NASCIMENTO

Um mcvimento estranho para o lado da rua Graude, umni
das principals arterias da cidade de Crato, desperta a curlosi-
dade pitblica da 'e"tto modest vile sertaneja, situado ao sul
do Estado do Cear4. Ilamieras pessOas de dlferefitOs categorlae
soeafis. afluew para 'a residencia do Senhor Joaquim Romio Ba-
tista, modesto conerclante de tecidos e mereadorias diversas.
O acenteclmento iA era aguardado pela populiago. Dona
Jeaquina Vienclia Rome'nae esposa date diatlito e estimado el.
4adAo, era a protagonist daquela cena popular, dando A luz urn
liido bedo, criiaina do sexo mascullro, alva, de olbos asues, Ijra-
diando de seu rcsto admiravel splendor, o que a toinava um
menino diferente dos outros, fenomeno que causou geral surpresa
a quantos o podlam constatar.
Os comentarios sObie o fato, surgindo naquele ambiente,
iam-se ex Lendeido ptia vila, e despois f6ra dela.
-Este meoino seri urm grande home. Grandes colua.s Ihe
foram reiervadas. No seiblante ele trAz a aurtola. da santidade.
Na sua fisionomla se estampa o sinal das grandes misses.
E outros:
-- de certo um eaviado de Jesus para aplacar a c61era de
Seu Pai, contra as criaturas. Os homes esqueceram o Messlas
e desprezaram a Sua doutrina. 0 mal campela abertamente.
As intrigas dominam a terra. E am santo descido do ceu para
nos salvar. Amem.
E persignando-se olhavam para o alto telvando a mao
benzida,
gmiquanto assim se manifestavam alguns dos curiosos
presente, a'`pr6p-ria pa-turiente, a virtuosa e santa genitora
do recem-ngseido, senmindo palpitar com, forga b, siu corafqo
uraterno; jkoa consagtiava a Deuns, enttegando-o'& proteigo de
Maria SanistisCma, a idem-pedia corn f6 e piidade, defendesse
o seu amado fiiho, li-randoe' do mat e das influencias pernici.
osas do mindo e do ',em8nio Esses jtigamentos apiessados A
prede-tiunao de seu Filblo, que fazem os parents, amikos e
curiosos, ab inv6s de envaidecerem o espirito materno de Dona
Quinou, nome ooi' que na intimidate eta conkecida a Mie
do Padre GCcero, --pesava-lhe, antes, como umn terrivel vati-
cinio contra o future do inocente gaioto.
E Doina Quinoui rezava :
--N.o fora o Divino 'Mestre, cenmo contiuiA sendo, alvo





,j a ,_ .. rL-...' _"- --_.--'---'------- ................m -.---.--.- -.... ---- am

de todas as codtradiSees. Conformo-me, poise, que o meu filho
se torne a Sua image e semilhanca' Ouvf-me, oh! bondoso
ii celestial, e amparai-o durante toda a sua vida e que esta
ieja inteframente consagrada ao Vosso Seivigo. Somente Vos
pego, nio permitais que ]he faltem forgas e gracas para veneer
a.todas as vicissitudes .de sua existencia.
-Esta era aa- or qode Dona Vicgncia,- naquele. instant.
venturoso de .sua vida, qu rndo, depois de..u6ma feliz delivrance,.
recebe um filh, homempara cobssagri-lo ao setvigo de Deus,
defensor da Sua F6 Catdlica da qual era. profess couvicta e.
fervorosat
Waste gradee acontecimento teve lugar aos 24 -de Ma.rgo.
de-.T844..Vdsperas da festa da Anunci Co'd de Nossa Senh&ra4.-
e q-ie le'mbra tambetn a. encarnaggo do Verbo Divino.
O.dia estava claro, o ceu coberto de.luz, a natureza em
f.sta, -tudo.a indicar qque -algo de extraordinario e gr ndioso
*acabava de ocorrer .em Crato, naquela data, consagrando-a.I
imortilidde como uma das mais auspiciosas da Hist'6ia do
Cartf'
Ea .noticia correu celere, infiltrando-se em todo o Vale
domin inlo os baixios, subindo As serra g-tnhando As 'idades"
veice.tdo -os Eitados nordestinos, todo 6ste vasto campo,.onde'
iria, faituramente, domin3r, pela foi-taleza de sen espirito de,
F-:e de Amor, n grande e predestinado Apostolo de Cristc:
Cicer.o-Rona.o Batista, Padre cat6lico.

2-BATISMO

No dia 8 de Abril do mesmo ano do seu nascimento,
(184.) palebo. i-se -olenemente, o batismo do prodigioso:
tne oie9, filho do Senhor Joaquim Romto Batista, e que rece-
beu -.t pia batismal o nome de Cicrtro. As ceri.mOnas foram..
clebori4,a -pelo. -Vg irio:da freguesia Padre, Manoel Joaqiiim
Ayree.do .Naslimento,- e tiveram lugar na Igreja Matriz .de
Noss,4 Senhoxa da Penha.
Q.oficiante, devidamen.te paramentado,. uzaudo capa de
aspeyges, .recebe no lugar sagrado, o garoto, que, banhando-
se na agns .purificadora, do sacramento, laVa-se da culpa. origi-
nal, ingrescando,. assign para 0 grnmio da Igreja de Cristo.
.Desta maneira armna-se cavalheiro do Salvador do mundo,
aquele infante, qUe itia. tambem, futuramente, pelo pode.r da
unmao.sacerdotal, eleger a C6;te de Deus, muitos outcos dos-





15 -


seus. semilhantes.
k version corrente entre osscus devotos rue na ocasigo
em. que o -Padre derramnva agua" sbre a. cab cidbna impubere
de Cicero, ouve.se arcovio.ba miriica, sem que, entretan-
to, nenhuma- orqiuetra, ou orgio fosse- tocado pr6ximo .d@.
recinto da Igreja.
Depais- do ato religioso, ao -qual .compareceim e1lemcntos
da familiar, e inuimeros amigos da mesma, algm dos curiosos que
jamais.deixaram de Hefar. all por perto, segue o cor.tejo-para
a residntcia do' Senhor. -Joaquim Romio.. 0. O.. Vigariq.
Padre Ma-nuel Joaquim Ayres-- do Nascimento, acompanha-0o,
vestindo, ainda, os paramentos de. luxo comn que assistira .o
cerimonial. Dona Quinoti serviu aos presents, txcelente licor,
bolihoQs frescos e saboroso caf6.
Os padrinhos de batisimo de Cicero. foram os s.us avos
patterns : Romdo Jos6 Batista e sua esposa Antalna Matla
de Jesus.'
Cicero recebeu igualmente o sacramento da Confirmaqco.
Foi crismado. Nio 6, entretanto, eonhecido o nome do cfician-
te que. crismou: 0 Cicero. TJlvez alguim Visitador Eclesiistico,
que tenha passado p lo C aril naquela epoca, ccmo eta de
prare-acontecer. O seu padlinho de Crisma foi o- Coronel An.
t6nio Luiz Alves Pequeno, o segundo d&ste nome,--Iigura
de renome, politico em toda regiio, senhor de grande fortu--i
na. portador de excelentes qualid'ades morals e fervoroso .a-
depto do catolicismo.

3 INFANCIA

Desde a .mais tenra inafAlcia o Cicero revela forte ineH-
nagao para o flavorr divinoi. Os seus primeiros anos ~ de VUid
passaram-se .comuins como a todos' os viventas, e ndo fdradi
dos mnis felizes; "Descevdia de umrn dos p imeiros colonizadores
portugu ses, JosV Pereira Lima. Cicero era sadio, forte e viviz,
e corn as suas duas irmins Maria -e Ang6lica, completava o
trio alegre que enchia de f.licidades a vida de seus -pais, o
lar paterno, abrigo santo, respeitado piles homes e abc-n-
goado por Deus.
Dona Quinou, tonmando-o nos jo6lhos, quando mal Utingia
o uzo de razio, de logo, procurava encamainha-lo na s-enda do
Bern e da Verdade, mostrando-lhi: o bom caminho, ensinando.
The a Doutrina de Cristo.








E muite cedo, o Cicero aprendia a conhecer o Deus do
Amor e da Ciridade. .Gr garaos belos ensinamentcs r cebidos
de soa MAi, seuendados pelo exemplo de"seu genitor,-hlomem
temonte a D.a s e iel aos principios de PA crista,-progredia,
rapidamente, no conhecimento das ccisas do Altissimc !
Crianma, ainda, porm, adtnmiravel na sun convkiOo reli-
gi.sa e na sua dediica~ aoecatolicismo, deutro do q al, mais
tarle, investido dos altos pideres sacelrdotAis, tornar se ia o
apostolp das multid&es nor4eatibias.
Nfo era para admirar equela manifesta&co prtm, tura ae
alta inteligeneia, de fM e de piedade do Cicero, Todc s sabiamA
txatar-se de um predestinado, alem d6 que livia num am*
biente de muita religiosidadfe, de -profundo .respeito ao cris-
tianismo, onde reinava, ainda, a mai, perfeita armonia conju-
gal,,S-entimento aue tanto-edifica as -criangrs e adolescents.
Nq tecto dos Romlo imperava o amor de Deus e ,m tudo
transpirava o mais puro espirito de catolicidade. Sua mai, san-
ta mulher, esposa afetuosa e dedicada, vivia .para o sea lar,
inteiramente absorvida pelos deveres domisticos pa'a corn o
seu marido e os seus filhos. Trabalhava muito, e nio rezava
menos. -Diariamente, reunia toda a irmilia, A neite, no quarto
de oraVOes, e rezava, em comrum, o rosario de Nossa Senhoa-.
Eqi outras ocasioes, meditavam, onu liam se vida de -sntos. ou
a.jiblia Sagrada.
Conta-se do Cicero, que, certa tarde, -durante a leitura.do
Novo Testamento. ao atingir o trecho que se refere a paiklo
de Cristo, 6le permanece de bzugos, i64re um banco proximo.
Dona- Quinou, supondo que o menino estivesse dortnindo, sus-
pende a leituta, e pede licenca para ir deitar o sou filh.o. Ao
toma-lo, porem, nos braeos, percebe o engann. 0 Cicero n~o
dormia. Chorava de pesar pelos softiment( s de Cristo.
Era d6cil. obediente,.puro. piedoso e bom. FIlho exemr.
plar, -j imais havia causado usma co.ntariedade aos seis ;pais.
Os professotes o estimavam peli sua b6a conduta, aplicasao
e sincera dedicai o aos estudos. Nenhuma advertncia.recebeu
dos seus mestres durante toda a sua vida escolar. Bra um. es
pelho no qual miravaImse as seus colegas. Pouco bilncava,
mas, por respeito 0 disdiplina, nunca fugiu do recreio e no
convivo corn outres merninos, a todos edificava coin a sua
maneira Ihina de tiatar os seus semilhantes, revelando, sem-
pre, em suas attitudes, os mais altoS principios de civismo e
de urbanidade.. Tal era a educacgo que recebia de sua bon-





17 --


dosa mai, por indol?,,porem, o Cicero era meigo e afetaoso
Quandoppodia sem infligir o regulamento da Casa. -trocava 9
brinqaedo por urna visit a Jesus Sacramentado. Acusado, as
vezes, 4e beatice p los seus camaradas, respondia eom htmil-
Wdae sqr melhoi ficar comn o Prisioneiro voluntadio da Eua.a-'
ristia do qgu eoidfortar-se onm diversoes, que, miit4s v.os,
iem fiziam bem. a alnia. As-im tormou o sen carter se"t
jOia, r~temperai:o o seu espirito -ltivo e nobre, pom q.Al.i
nifrentou as mais tduras proves de Nf e conianrca noi dae:-igiosi
da Providencia. Cicero Romio Batista, como Padre e ccmo0
Politi o teve vida agitadissima, cheia de adv rsidads as
tmais cruas, tudo encrafido com a mats complete sereandade,
eAperindo p augilio do Alto, que Ounca f4ltou, .near mesibo
nos branses mais dificeis de sun vida pi' -tea. Para a dupla
cadiunba que desenvolveu como religiosdoe como civil, ten o
coanio objetivo, em anibas, a maior extenvo do reino de Cri.to
entire os hometis, o Padre Cicero preparou-se nos joelhos de
s'ia santa Mai, aperfeigoando-se junto do Taberniculo, diante
do D2us oculto da Rucaristia, onde retemperou-se para susten-
tar a lute digna dos grandes homens, dos santos e dos pre-
destinado-s.
4 PRIMEIRA COM.UNH O

No regzao materno o pequeno Cicero formou o seu es-
pirito de eitrema piedade, revelando, ainda- mui4tocrianma,
extreme amor a Jesus Sacramentado, o eterno pristoneiro do
amor dos homes.
Aqs qustro anc.s, ja conhecia o tatecismo, e sgbia de c6r
os Mandamentos de Deus e da Igreja, e outras orac6ts p6retw,
somente aos 5 anos em virtude de sua pouca id, de, foi aten
dido na sua insi'stncia para que ihe deixassetn fazer a Pri.
meira Cotnurnho.-,te era o seu uiais ardent desfjo: receber
Jesus Hostia, comunear, guardar em seu coragcosinho puro
e fnflamado pelo amor de Deus, o Corpo Sacgs.anto'dco Ami-
go dos inocentes e dos bions. Atendendo o fato singular, des-
ta premature manifestacgo de interesse, amor e comprecnsaot
Pelas coisas dc Deus, o seu Vigario e ji set amigo, -- que o
h via bitisAd&'- cansentiu itie -o garoto prodigio fosse aten.
dido ni su just pretenqio. Prepara-se, entgo, o Cizero, para
comungar pala primeira vez. Nio hf palavras para traduzir a
alegria que invadiu o coracgo daquele pequenino amigo de
Jesus, e aos 23 de Marco de 1849, apresmnta-se ao Tribunal.

rnj Fji lioiffw jas TWIK Mfm





1"8 -


da-PeaitHeacia, a no.dia seguinte, festa da Anuuci cao de.Nossi
S-fibora,.aproxima-se pdta vez primeira- do Bairqu te Divino,
e recebe das. ma~s purificadas-do-.Saccrdote, a Ho. tia Ccno
sagrai'a, o TPAo dos Anjo, o Corpo de Ndsso Senhor Je6ui
Cristj, tio real e.perfeitamctite :coo'estd nos :chas. Ne~ te'ato,'
o pequ~eno comung.~nte p6e todo'o seu enkvo, partcendo.des-
prerfderv*ie da terra e el var-*e em ,xt:-ses, aos'eus., 'ai:
ma 'o0taimpl egIo infinit- &. gcaudz 'd-ivin3, descerido A trra,
tomaaido as forms mat erisis do pio para scivii de aliaieiito
dos homes.
Foi -ste dia o mnais feliz da intfncia de nosso Cicro6, o
future prott tor. dos humildes, e teve lugar na data de seu ani;
vers4io. Houve. .quitar alegria e f.-stas no .Lat dos Romano
Tomiafaip pa-rte nis. mesmas os s-us pad'inhos d&l batismo, de
crisinaj e outfos elements da familiar. A u'( querida Mai, cxul-
tava de jilbilo' por ver, 'qant-o o seu filinho querido, ja na-
qu:la Miade, amava a Jesus, a quem ela 0 ha.via ietregue no
dia de seu anascimento E maior contentamrnto s6 esperimen
taram naquila casa, quando Cicero, fLito home, era ordenado
Sacerdote do Altissimo.

5- VOTO DE CASTIDADE

"A pureza umia verdadeira p6rcla, umra jola pieciosa, delei-
tavel em si inesma.'"
"O0 valor da puresa consiste principalmente em domar a
mais.deficil de toda as inclinaq6es e em transformar a nossa
alma e a nosso cotpo numa morada -i na de D. us. Ela fz
do nosso coreagio um sanu ario magnifico, fech. do ao que 6
mundano; e de fito a alma pura se recusi, quanto possivel,
As atrav& s do muado sedutor, e despresa as suas vwidades; e
rigorosaco6msigo mesma, e vighl os seus sentidos."
"O jovem _uro estimais pr-to do c6u do qne da terra,
intacto da iun iicie deste mundo, e 6 um estimulo e um en-
canto para todos os que dl1es se aproxialam. Portnenhuma
outra virtude os homes tornam-se lto semelhantes aos Auj's
como pela santa puresa, "diz Cassiano grande pensi~Jor ca-
t6lico."
'Nao admira, pois que homc--ns angelicos tambem gosem
privilegios ang6licos. tl-.s compreendemn mais facilmente as
coiscs divin s sdio mais accessiveis As coisas celestes, seu
olhar 6 mais chro, mais depurada a sua aspiradio, mesnos

ia)pi^[ff^[~aiij|^~j~~iit~iaira~raarisNow&%~~u





19 -


penosa a sua orago."
"Os espiritos celestes que os consideram seus semeltlantes e
.quasi iguais em nobreza, parece que st aproxtmam dbles corn
predilegao, protegem-nos m'is eficazmente, e aleanqam-lhe:ie-
la sua intercessno gra'as tonais abundantes."
Tais" princtpio%, tho 6levados, sobrehumanos,- quasi divi-
nob, emitidos 0sbre a santa pureza, esta virtude mais .proitia
dos Anios e de dificil aquisiaio on eonservagqo por. parte'4os
hortiena, empolgeu o espirito de Cicero, sempre voltado par
Deus, arrebatou-o aos pAramos celestiais, transformando-o -de
unia simples oriatura mortal e Qujeita a todas as misiidas da
vida, em urn verdadeiro Anjo de pureza. e piedade.
D. Ant6nio Luiz dos Sintos, I0. Bispo. do :Ct-ai, cetthe-
eedor profundo das almas puras e inccentes,, Mestre de .con-
cieucias, ia d -clarira: "Cic-ro 6 uni Aujo." E que 61e, Bigpo,
inspirado p 10 Espitito Santo, conheceu o grande poJerccn-
fiado ao seu discipulo.
0 Cicero, foi, rea'mente, puro desde a sua infancia.
Mais do que isto, nasceu puro, porque assim viera to ven-
tre de sua Mii. Como um predestinado para o sacerdoci o
escolhido por Deus para curar as almas, nao piodia, o Ci
cero, macular-se com a imrtureza.
Coneiente da sua missao, inspirado pela leitura da
vida de SAo Francisco de Sales, um dos Doutores d,a Igre-
ja chamado o da perfeigao, Cicero, aos doze anosde ida-
de ainda virgem, faz um voto de perpetua castidade.
Sublime renuncia a desta crianga. Somente por in-
tuiugo divina .e animado por forgas sobrenaturais, se.tcr-
nava p.ssivel a um ser tao frail conaeguir-tamanha.vJ-
tbria. Deus o queria awsim e assim o fez. Superior -a .todos
os homes e igual aos Anjos era como devia- ser o egivia-
do do Altissim para poder desincumbir se da nobire:e
dificil mrissQ que lhe f6ra confiado.
Conhecendo-se esta part de sua vida, ninguem po-
-derl duvi lar da sugerioridade es:.ritual do nosso Padre,
Mestre e Amigo. que s6 ambicionou a grandeza de Deus
e da Stin Igreja.
Outras virtudes nio aureolassem o nome do Padre
Cicero, e esta qualidade angelical, por si s6, jA o tornaria
um eleito do Senhor.
Oig'mos neste particular as nalavras de alguns Dou-
tores, Sabios e outros autorisados e eminentes iscritcres

fi AEISSYIYW~afAVK~iiln3








Eclesiasticos:
Saqt) Athanaslo, diz assim: "Uma virtifde sublimne.6
a contifeneia, multo I uvavel 6 a 'irgindade -ma, nilica.
;a puriza, 0' contin6ncia, an iga de Deus, e tfio honrada,
los ,santos! 0' continencia, problema faa os mundanos,
e cohleoida tMosomente d s el-itbas do Seahor! 0' conttt.
I6InOia'amante dos Prote as,'gl rna dos Ap'6sto'os!
O" pureza, d riquesas indestriptiveis! 0' ptreza, pe
rela'prediosa,A oclilta -para muitos e enlre poucos dvaylga-
das! 0' pureza, cpr6a imarcesivel! O' pureza, tempo di
Deus e-morada ddj Espir1t, Santo! 0' pureza que- eitas a
morte -sterna, aos teus p6s prendes a iaortatidade! 0' ru.
reza, vida dos ADJos. enlevo das VirgenF, e ornaitheiit
da huimanidade!' Feliz quem te de'sposa com fiinesa e
perseveranga, porque depots de bi'eve conibate ter*t .or
ti grande reconipensa. Feliz quem nesta vida',te pofsue
porquas o a sua ba! itao serd na eterna Jerusalem, on-
de, entire os Anjos os profetas e os Ap6stolos g sara,
juqbiloso o eterno descanso no Coraao de Deus.
,-Sao "Cipriano: -' A Castidade embelesa o corro,
purifica ,s costumes, engrapidece As gerag-es."
'Makgzificos sao oa louvores de Tertuliano: -' A pureza
6 o centroj luninoso de toda a virtude moral, o decoro
dos co'po,, o rnamento das gera es E'a 6 o arrimo-de
toda a santidade. Fla prepare o terreno detodo o tem es
piIitihal Ela '-cisa rara veste munde. E' d'ficil encon-
tra-la em toda a plenitule de sua perfegilo e sem. qte*
bra a'gma a"
0 .Padre Cicero a possuia, perfeita, complete, eter-
na, te i-6-a'trazido do berno, ou melhor do-ventre'- iater
no e ch 61ela se-apresentado n, ceu,- ao Rei dos AnjD-'
3fhieruftlfs e Serafins, depois de haver e .nvivildr c(m s
h mens, -urando os do pecado, convertendo-os a-,Deus
e encailinhando-: s para o Bern, para aVerdade.
Mo1nsenhor Vicente Sother. ProtonotArio Apostpoico,
Vigario Geral da Diocese de Crato, Memibro depteado
do Chuselh-)'Diocesano, F- se, era iinigo particular do Ita re Cicero, seu Diretor
Spiritual e Confessor.
i Su Exceleencia Reverendissima 'fifm;.va que o Padre
Ci erp jamais cometera um ,pecado contra a santa 4yIjjde
da Pureza.





- --- --- ---

Esta pagina da sua vida 6 a mais important da his.
t6ria de sua existencia. Ele proprio se ( rgulha deste fa-
to e declara no seu Testam-nto organizado anos antes de
sua morte! Foram estas as suas palavras:
-' Devo, ainda deelarar por ser para mim grande hon-
ra a dos muitos feitos da Graga Divina spbre mim que,
em virtude de um voto p r mim feito aos doze anos de
Idade, inspirado pdea leitura n6sse tempo que fiz da vida
imaculada de SAo Francisco de Sales, conserve a minha
vlrgiadaie e minaha castidade at6. hoje."
Ea manifestagio da vaidade dos santos, do orgulho
da nobreza spiritual.
Sobre tao magno assunto, poderia escrever.se um li-
vre volumoso.
Esta graqa, como ele proprio confessa, uma das maio-
res que Ihe foi concedida por Deus, encerra em si, todo
e se redo de sua vitorla na vida e na morte: Venpendo
o mundo e os homes e conquistando um lugar no cuao
]ado de Jesus e de Maria Santissima, a quem amava ar-
dentemente. Era o padre Cicero portador dos altos me-
riios que a Divina Providencia despensa aos puros.
"Bemaventurados os limpos do coragao, porque eles
ver&o a Deus."
"Deveis saber e entender, diz SAo Paulo, qne nehum
imundo tern heranga no reino de Cristo e de Deus."
Nesta sentenga proferida pelo Mestre no Sermnio da
Montanha, como. nas palavras de Slo Paulo, Cicero, encon-
trava maior conforto para a sua grande virtude.
A pureza era a luz da sua alma, nela, todo seu corpo
resplandecia revestindo-se de dignidade e ao seu olhar.confe-
rindo extranha forga sobrenmtural.
"A luz do teu corpo, diz o salvador, 6 o teu olho. Se o
ten olho for claro, todo teu cotpo seri luminoso"'
No respelte a santa castidade, o Padre Cicero, desde
menino, colhia tOdo element necessario A formago dos gran-
des espiritos talhados is alturas. Via claro todas as coisas de
Deus; era glorificado pelos homes; respeitado e tenrido pelos
inimigos; estimado pelos bons; sublime em suas relac5es corn
os Anjos; glorioso no combat ao mal; e na pureza s.e alimen-
tava de um santo temor de Deus, a Quern amava ardentemen-
te; fortificava-se na F,' tornava-se urn assiduo vigilante con-
tra o pecado, refazendo se de forte austeridade pessoal, 'de





-- 22- *


amor a oraggo; a pureza anitnava-o para a imit 95o dos san-
tos, santificando-se, tambem, desprtsando 6 mundo, cuidr.ido
no trato coma os homes, fortific.ndo se na guerra a impurza,
amando o trabalbo, enchendo-se assim de generosa abnega-
gio; pelo culto da puieza recebeu abicluta p.z sspiritubl, a
mais santa alegria, inmiteros bens temporis, embora as
d&sprezassp, aceitando-as sornente por obtediencia aos de'ignios
da Providadcia. 0 Padre Ciceio olhava p imeiramenite para
Deus, antes' de tudo buicava a virtu le, toiavia a genaeosida-
de do Altissinmo. qu-. d, rrama as beniAgos de justi.i sobre os
virtuosos,"'cobre-lhe de riquezas materiiiss.imnsas, tornando-o,
assfm, o mais rico proofietario do Cari i A' sua indifeereua
ptlas coisas da terra permanece dentro da fartura. Todos os
setis b 6grafos rcconh cem esta qualidade. A purez', scbretu-
do, continue s'ndo para o seu espirito superior e bern for-
miado uima fonte de vigor e forQa e-spiritual; manancial de
gracas abundantes; de iniluencia s hitar .sobre os out os; de
segara decislo sobre o future; de l'imbrangjs conholador~s na
velhice.

6 INICIO DOS ESTUDOS E .OUTRAS NOTAS.
Muito cado o Padre Cicero iniciou os seas metudos
primarios. Inteligente e argato, perspicaz e ativo, fi.cil-
menteaprendeu as primeiras letras. A'propbrgao que cres-
cia, aumentava corn os anos a sua inclifnaqao para o es-
ta'do eclesiastico. t vista corn asiduicade tomando parte
em noven s rezadas em ea'as de families catolicas, cos-
tume, #iinda hoje, muito em uzo em nosso meio. Duirante
o ms de Maio, tambem chamado -o mrs de Maria, con-
sagi'ado A venerad-) (ea S intissma M5i de Dens, o que
se faz entre floi'es e canticos, to'na-se o pequeno ,Cicero,
um dedicadd' auxiliar do Vigario. Nas procissoe., ei-lo,
acompanhando o prestito,'muito piedosamente, o que mui-
to edifica a todos os q,-e observam a -sua natural e fx-
pontanea manifestacao de F6 e de interesse peas cvisas
de Deus, causando assim imonsa satisfacfo a sua Mai.
Diante de tamauha mawuiietayo vocacional, o seu }ai,
que deseja ve-lo no comercio, evita coDtrariar o garoto
de sua predestinaq o, pelo que, em respeito, aos senti-
m6ntos de seu filho. concede permistSo para iDiciar os
estudos preparatorios correspondentes A carreira que de-
WM Mi iV.w v iVl,





-23--


seja abracar.
0 professor Rufino Monteznma teve a gloria de al-
fabetiza-lo e aos 12 anos, 6poca em que comegava u'a
n va vida, consagrando-se a Deus, pelo voto de castidade
que fez, como vimos em capitulo anterior, -Cicero, come-
qa'Oi estfidos de Latim. Foi o seu me tre o Padre Joao
Mir.oco. Teles, reconhecic'. autoiidade da lingu- e que des-
frutava de.alto condeito ertre os cducadores do Cafii" Corn
o auxilio deste culto sace:dote, o nosSo j vem preparou-se
para ingressar no CG!1gio do Padre Inicio de Souzai Roliw, da
vizinha cidade de Cijas-iras, onde f z o curso de humanida-
des, devendo igualmente a ele, economicamente a sua ascen.
9o0 ao Curso gina.,ial.
Aos 19 anos, perde por falecimento o sen estremecido .?ai
que ;oi viti'mado p la c6lra-moirb ,epidemia que dizirhou utn
terTo da pdpulawao cratense, o qua, teve ocorrencia nb ano
de 1b62.
]Rste imprevisto acontecimento altcra um pouco o pro-
grama de sua vida estidantil. Forqa-lhe a deixar o Col]gio
pata tomar conta da fanliliia e dos n- gb6i s de seu Pai. Erac o
fillio mais velh) e o tuaic' honmemr di Casa dos RomAo.
tste impasse, entretanto, foi vencido. Cicero ngo nascera
para as coisaS deste mundo. Outra missed o aguardava na terra.
Contaa -le pT6prio a um amigo, ancs depois do -ocorrido,
ji ordeuado' umn sonho que ti era, corn o seu Pai, neste p6-
riodo de inte rupqiao de sens ettu los.
-"Era-estudante no Col6gio do Padre Inicio Rolin,-cm
Cajaseiras, quando more o men P i. Por 5ste motive, soft du-
plajmente. A -perca de um amigo e o desgosto prifundo po.r
me.ver na contingSacia de abatdonar os meus livros .e a vo-
caglo que tiha -para a vida sacerdotsl. EstimAndo muito a
minha MMi e as minhas irmls, nio podia furtar-me a 6ste
sacrficio.
JA havia ajudado a liquidar um negbcio do comercio dcleixado
por.-meu Pai, quando, certa noite, estava s6 e a pensar nessas
conjecturas, numa das salas de nossa caia, d. itado nurna- re-
de, no silencio de um escuro crreioiro que dava para a aludi-
da dependiencia Ouqo pat;cs delalguem Olho naquela dirrc(o e
noto logo que me.u Pai, ja fa'ecido, se aproxima de mirim, e diz :
"Cicero, nao abandon teus livros. Deus dait um geito p -ra
prosseouires em teus estudos". Subresaltado corn aqu! la apari-
i~ao subita de meu Pai ji morto, movimento-me, e procuro dei-

n g tfly>>IU rM -- ------- gall MIi~ff





24 -


xar a rdJe, para -melhor averiguar a visao, .bem distinta ao,
clario da laz da sala, porem, esta ji havia se desfeito, dei-
xando-me somente a nitida impressso de um aviso de Dens
dando-me por intermedio de meu Pai."
Efetivamente tudo mudou dai em diante. Resgatados al-
g..ns d6bitos do pranteado Chefe da familiar Romao, o jovem,
Cicero, sempre bom e virtuoso 6 protegido por Deus que o faz
trilhar, novamente, pelo Caminho do Senhor. A loia f6ra ven-
dida ao seu Padrinho de Crisma, Cel. Antonio Luiz Alves Pe-
queno, home caridoso e bor. E regularihados dignamente
os assuntos ligados ao nome de sea Pai, amparada a situagao
economic da familia,-ViuvA e orfAs, suna Mai e irmis,-volta
o Cicero aos seus estudos.
Agora sob a prote4ao de Joao Brigido, fulgurante jorna-
lista, corn epoca no Ceard, porem, natural de Sdo Jos6 do
Norte,', do Estado do Rio de Janeire, Cicero Romao' Batista,
ingressa no SeminArio de Fortalesa.
Corria calmo o ano de 1865. 0 Jovem estudante, estava
feito um home e era apontado como exemplo vivo de f6 e
piedade, palpitante edifica;io da mocidade cat6lica do Cariri.
Alimentava forte e ardente devogao a Nossa Senhora e Siao
Francisco de Sales, sen patrono e seu Guia-.

7- INGRESSO NO SEMINARIO DE FORTALEZA-SUA
ORDENACAC.
A vida do Padre Cicero como seminariste. foi uma eon-
tinuaggo do, sea estado no s6culo, cheia de piedade e pal-
milhada de saerificios, ao que ji estava aclimatado o Levita
do Senhor.
0 sofrimento 6 o crisol onde se aprimoram os espiritoS
destinados ao ministerio divino.
Claero, sofrendo, resignadamente, os mais sirios revezes
da. sorte, aperfeigova se moral e espiritualmente, preparande-se
para o desempenho da missao que Ihe fora confiada por Deus,
Humilde, paciente, conformado corn os ditames da Pro-
videncia, ngo se queixava, nada recl Am-iva, antes, alegre e pra
zenteiro, enfrentava a vida que Deus Ihe reservara.
Born aluno obediente, estudioso, aplicado, era um exem-
plo para os seus colegaS, sendo muki admirado e querido dos
mastres. Piedoso, parecia sempre em extases durante as suas
prices quotidianas, edificando a quantos o viam rezando na





25


capela -do'Semindrio.
Alimentava grande devovio a Maria Santissima, adotando
o uzo diirio do Rosario de Nossa Senbora. ,
Conta-se que em urn passeio dos Professores e alunos a
que tambem tomrAra pirte, ao ch-garetnm o ponti in'dicacdo,
todot colociam nos cabides xistenten-, os seus chap6u4 e bar-
retes. 0 Cicero que se atrazara um pouco da comunidade, nao
encontra mais lugar para colocar o sen. Ent4to, sed coristran-
gime'nto; toma o chap4u e o p5e na parede lisa, ficando o rues.
mo, bern fixo all, com g.-ral espan.o dos presented,. Dando o
fato-azas a comentarios impressionantes chi ga so- onvidos
dos'seus supetiores que o chamam a sua presengi. Interrotan-
do poiz 6te e pelos colegAs corn Drguntas insistentes; a todcs
respondia- om sorrisos discretos.
D.sde c8lo o Cidero era portador de um alto poder ocul-
to e que mais tarde fa-lo-ia o grande e poderoso condutor das
mis'as humildes que o-buscavam corn amor e confian'a.
Vencendo moments de alegria e outros de pesar, comuns
no vae e vemn da lide humana, pisSa o tgosso estudante pela
fase principal do curso superior.
E aos 26 anos de idade, em 1870, era ordenado sacer-
dote cat6lico, por D. Luiz Ant6aio dos Siitos, entgo Bispo
de Fortaleza.
Qaisera, antes o Padre Cicero, celebrar a sua ordenaqio
em Roma. Pira isto, trabalhou fort'mente, nao obj-tiv.ndo,
entretanto, a sua alta pretencio. Solicitou da Asscmbhiia Pto-
vincial um auxilio para custeio das despesas de sua viagem
a Italia, nada conseguindo
Tdl verso 6 aceita com-n veridica e tern como tette-
munha a trvci de correspondencia narrando a fato entire dois
seminaristas.

N) dia em qu o P.dr0 Cicero receb.u a tonsura, apare-
ces no c6a um cometi, e a pirtir dessa dat', em que se cele-
Orara no Seminirio de Fjrtilezi, aquela cerimonia 'itu-gica,
to das as madrugadas, o astro luminoso era visto nos ceus de
nossa capital. A populag5o em peso observe o fenomerio e os
Seminaristas, "deslumbrados corn o espetaculo indjto,' ierrna-
necem horas a fio no pAteo do c)i1gio sicra da P.ainh'a"
A respeito do carioso ac-ntecimento, assiria se maniiesa-
tam os seus fervorosos e pios devotos
-"Foi um grtnde vaticinio do astral. Urn avi!o de D us
Owww~ijrf-w qK-'VIi-TiM17131_Ifavwrw nvm





26 -


aos iomenis, similhante aos que se mlniiestaram no sru nasci-
mrnte, batismo, e outras pissioens de sua vida Um sinal
dos tempos novos. EInbora os clentistas tenham prvcurado
desmentir esta versdo, considerando o fenomeno como urma
coisa natural, a vida edificante de piedade, austera e humilde
do Padre, o seu apostolado junao is multid6es que o procu-
ravamn cheias de dores voltando consoladas, o seu espirito de
abnegago e de sacrificio, provam, reais do que o ftu nomeno
astronomico ocorrido no CearA ew 1870, que o Padre Cicero
foi relmaiente urn enviado de Deuw."
Assim, envolvendo-se em misterios, coml a a vida do
novo Miaistro do S nho 0 u6v-l Sa erdote desempenha
varias misses eclesiasticas durante o; dois primeiros anos de
sua ordteniao estando assinalada a sua passagerm pelas v:las
de Trairi e Sio Pedro do Cariti-Caririasst.









0 Sacerdote de Cristo


Realisa em Juazeiro
a mais bela aeoc


do Norte
social


ANCHIETA DO SECULO XX 0 INCOMPREENDIDO
PASTOR E MESTRE NA EDUCAQAO DAS MASSAS=
OS SALESIANOS- DONS SOBRENATURAIS VIDEN-
CIA BITLOCAQAO MO'\TR E SEPULTAMENTO -
CONCLUSAO











1 ANCHIETA DO SECULO X'X
"Oa serttes do Cariri, por tradigio e per urnm legado de
sangue, no comego do s6culo XIX, sao umra zona babitada
por nima. casta descendente dos primitivos colonizadores que
vao em busca do umas minas, pomo de discordia entire os que
governam a capitania. Gente de todos os feitios, sem escru-
pulos e fascinada pelo ouro, infestam o Carirf, leva do a de-
sordem, o roubo, o assassinio frio aos povoados. Pot sua vez,
uma questio entire as families Monte r Feitosa transform a
circunscrigFo num campo de batalha, enchendo as caatingas
de cruies. Mas, em 1758, repete-se no nordeste o mesmo dsa-
ma. decepcionante de Fernio Dias Pais Leme. As jazidas de ou-
ro do Caridi, como a dos Martirios e a dos Arade, ndo existem.
Suspensos os trabalhos da Mineraigo e dissolvida a Compa-
nhia das Minas de Sao Jos6 dos Caritis, uma populaggo fo-
rasteira, favorecida pelas condio5es climat6'icas do vale sempre
vOrde, fresco e corn riachos perenes brotando aos p6s da serra,
pov8a a regiio, surgindo, entAo, uma geracto a mais hetero-
g&nea possivel. As lutas armadas e os conflitos sao quasi que
diarios. E' uma sociedade a servigo do crime e da desordem
ou da bravura n6tnade, genese do cangago, que, cria raizes no
Cariri, resolvendo as suas contends pelo bacamarte. Mas o
Cariri cresce dentro do tumulto... Os sevs camps atestam a
fertilidade da terra e sao um convite aos homes que vivem,
nos Inhamuns, na Jaguaribe, de bragos dados corn a mis6ria,
vencidos pelas secas periddicas. Legi6es de families atraidas
pelo solo exuberante do novo vale da promissAo deixam suas
glebas e para ali rumaam em procissao." I
E -estp formagao sociological, perdura ate o firt do mesmo
s6culo, (1872) quarndo o jovem paroco 6 designado pelo seu
Bispo D. Luiz Antonio dos Santos, para servir como capelio
no sitio Juazeiro, a 15 quilometros da sede da fregueeia de
Nossa Senhoza da Penha, sua terra natal, e onde era vigario,
ainda, o Padre Manuel Joaquim Ayres do Nascimento, o mes-
mo que Ihe batisara e The dera a Prirteira Comunhao. A 8sse
tempo, Juazeiro, pequeno povoado 4 margem do rio Salgado,
era habitado por elements de mi conduta, descendentes di-
retos dos primeiros povoadores da Regiio, os quais, como vi-
mos na opinilo de um estudioso do assunto, eram gente afe!ta
ao crime, profissionais do cangago, dados & injustiga, amigos
da desordem e do barulho.





S- 30 --


Eimbora, ao lado dessa populapo corrlipts, existissem
alguns elements sadios, nao moravam -na S6de do povoado.
Viviam erm suas propriedades entregues ao seu labor quotidi-
ano, aparecondocrm Juazeiro, somente aos domingose di.s san-
tif cades,'para assistirem A santa Missa, ou qu;lquer outro ato
de culto religioso. Coop ravam coin o Padre no trabalho de
regeneraeao daquele povo inclto e mal por naturezi. A parte
nimis dificil d&ssa tarofa, entrttanto, sonient. o santo Capelio
conseguia realizer. Somente Mle despunha de tempo sufidiente
para Ate mister que tanto o deleitava, porque e.ta operagco
constituia a ravzo de ser de sua propria i xistencia. Amava
aqueles demn6aios como se foram os seus filhos esforgando-se
por transforrua-los em Anjos, amigos do Bern e temenites a
Deus. Agia corn a-mesma brandura como Anchleta na catequese
dos biUtos selvagens A todos e a tudo vercia com a mais edi-
ficante piciencia e complete abnegagto. Nada queda para si, mIs
para o seu Re!, Dtus e Amigo. 0 Juazeiro de 1872, era quasi o
Brasil de 1600, pedra bruta, que o Grande artis'a lapidata crm
a ferramenta que son-ente a f1 pode oferecer so home. A Ca
pelania oferecida ao Padre Cicero, tena aria povoada por a'mas
embrutecidas, coragies estereis, onde vno germtinava a palavra de
Deus, e que havi'Am perdido a f6 e a confianoa em sens senmilhan-
tes, f6ra o grande present que es c.us reservara pa'a o-novo
Sacerdote do Altissimo. Aquele povo ifistico era-lbe entregue com
especial carinho. Conflavam-ihe os p"dcres ceWestes ests missBo
priviteglada e dele era esperado que transformasse -a terra incu'ta
em outras ferteis e fccundas, que os rebutalhos humanos fossem
convertidom em criaturas dignas de seu Pai, uttia A sociedade e
5 Patria.
Submisso, chelo de fM e conffanga,. o Padre rtcebe o en-
cargo, assume o posto... abraga a sun Cruz!
Nao foram em vio os seus esforges. 0 campo de macegas
que Ibe 6dnfiala a Senhor d&s Mdsfes, onde o jolo se multiplica-
va, capinava-se aos peucos, plh'ntendo no mesmno terrena a Oea se-
mente, que num future mals di tante, se transformaria em abun-
dante e feliz colheita, represented per urr.a Tinda 'e rica cidede
de 'nais de 50.000 habitantes, formnda de gento ordeira pacifica
laboriosa e progressista, tal qual 6 o Juazeiro de noscos dias.
Desde os primelros instanites de suea chegada ali, tornou-se
o Padre Cicero, wntavel pela sua Influencia naquele cmbiente, on
de o espirito das trevas perdia o sen domino pera ceder lugar a
autoridade invencivel do sacerdote, cuja fima de sentidade se
Wxtendia plus serttes nordestincs.
i r, ,, f nF, ; ?,r ,








Ainda umra vez.com a palavra o Dr. Irineu Pinheiro:
-"Impressionava toda a gente a vida enstera de penitencia,
de castidade, de abnegada renuncila ass prazeres, do juvem ap6s-
tolo da mode.ta loc lidade cadiriense "
0 punhale o bacamarte eram substituidos pelo RosArio e
o llvro de uragces. As brigas pelos movimentos de paz e de
armonia.
Ninguem tinha forca p:ra se antepor a vontede regia 6aque-
le humilde e santo pastor de almas, cuja vida emoregava inteira-
mente ao serv'co do pobie e despresado campene8.
E o Juazeiro see conveitia, econvertendo-se o Juazelro, tor-
nava-se o Padre Cicero, o precursor dos grades movl entt( s so-
clais que ora se opera no Carid, o iniciador dessa civilisailo be-
neflel)dora das geraosea hodlernas.
[numeras errn as suas atividades socials no camno ,de suas
operegses apostolares. Visitando, a pIs, os seus paroquianos, d!s-
tribuia entire eles a palavra de Cristo, administrando Ihes as en-
sinamentos de sua bela doutrina,- a mals social que Et entgo
se tern easinado em todo o Universo. Instruindo-os nos enioa-
mentos sagrados do Evangelho, faziA no.melo de seus liumildes
afiihados, a meals perfelta ag5o social a unica capaj de converter
mundos e delevar A conversa- todas es povos da humanidade.
Corn os seua c riselhos paternals, sfbios, prudentes, orien-
tava a centenas de milhares de devotoq, conduwindo os .para o
c-mlpho do Bern, da Verdade, e da Just.ca- e do Direitr,. do Amor
ao proximo, do respelto as autoridades da Igreja e do Pais.
2 0 IMCOMPREENDIDO

Ao Ihe ser confiado o governor spiritual da capelania de
Juazeir) o Padre Cicero, encontra, a!i, urn pequeno nfie:eo de ha-
bitantes, cuia tituagao moral, ia foi classificada no capitulo an-
terior.
0 povoado 6 constituido por 12 casas de tijolos e telhas e
20-de ta!pa gbertas de palhas de palmeira. Eoconlra, tombem,
uma m,-desta capela, construdda por inicidtiva e As expenses
do Padre Pedro Ribeiro de Carvaiho, situada A sombra de fron-
doso Juazeiro e A margem de um entigo caminho que ligava as
cidades de Crat' e Misdso Ve'ha Do nome da arvore, Juazeiro,
nasceu o da capolinha, euc cujo sitio surgiu o po.voado, quo re-
cebeu a mesma denominac0o e que dep is se tornou aldein, vi!a,
e hoje, grande e important cidade craitnse, a niakir e wais'po-
pulosa do Eitdo, depois da Capital.








0 mor~eeto Templo foi ergnido em honra de Nossa Senho.
rn da. D6res, a quem o Padre Cicero construtor, fizera, ainda
a doacao do patrim6ni- que constou de grande faixas de terras,
dvze eqcravos e multa preta.
No dla 11 de abril de 1872, chega a Juazelro o Padre Ctoe-
ro a quem estava reservado mr menlos' toiturros, dificels, o de
'.utas, as mai. terrivfis. 0 Padre Cicero o cohtola -o -caminho
que devia trilhar. -0 seu eppirito, retemperado na fe e na pqre-
za, de males' fortes esteins em que se pode apoiar o edificlo da
perfeiggo christS, nao Ignorava o future que ]he aguardava.
Cheio de amor pela causa que abrafara, ardente no deseJo
de server 'a Deus na salvacio daa almas. convicto-dos deveres
que' Ihe assistlam, como Padre e como Vigfrio, entrega-se corn
Inteira dedicag5o so seu sublime spostolado.
Cornm as suas pritIcas, com a sua vida de intensa vieda-
de. sempre a rizar e a aconselhar, o Padre Cicero inicia um tra-.
balho de regeneracao numa coletividade viciada. De inicio abriu
aulas de catecismo e realize u diariamente pregagdes ncturnas,
ap6s n reza do Rozarin que fazla em comum corn s seus paro.
(qilanos. 0 seu primeiro empreendimento de vulto foi a recons-
truc'i, da COpela, "cuJns trabalhi's tiveram comeCo logo no.anro
sequinte ao de sna chegida emn Juazeiro. Com o auxillo pecuni
ario que recebla dos fieis, comprava o material necessfrio ao
servico e adquerh algumas imagens a ornamentos novos par.a,a
iea de Nossa Senhora das Dores, que ele desejava f sse a mals
bela e mals rica de todo o mundo. As 'pessoas de sua intimidade
e que cooperavam comsigo na remodelaggo daeuele edificlo sagra-
do, revelava esta sua pretenglo, dizendo: "Se me fosse possivel
eu faria a Igreja de Nossa Senhrra das Dores com todas as
paredes forradas do ouro, e"as colunas, tambem, de'ouro mastlc9.S
Em 1877 ura forte estiagem, sem precedentes na Regilo,,
provocou a suspen9go dos trabalhos de reform, sendo, porem,
repniciados algum tempo deposits, ugio estando, ainda hoje, termite
pdos, dado o grande porte da obra
Conchnida a Igreja de Nossa Senhora daa Dores, como de-
monstra desdeja, podewi ser apresentada crno um dos Templos
eatolicos male lindos do Brasil. Rivalisa-se ccm a Catedral de
Crato, Igreja de Nossa Senhora da Penha. I mats rica, mai. bo-
nito, ter melhor aspect arquitcct6nco, e maior e mais bem
Iccalisada:
De varias atuagbes se constitule o desenvolvimento de seu
fecundo apostolado, paroqulal.





-- 33 -


Catequisava, pregava o Evanoeino e exercia outras funcoes
rrelliiosas. Por nenhuma delays recebia pagaomento. Jarrais acitr u
esportults pela celebraCto doe atos 'iturgicos. "Dal de grace o
.que 4de.gpea reeebt stes, disia o Divino Mestre ans seus diser
pui s.Aeusaado pagemento peles casamentoc que fazia, pelas
.miBsas quecelebrave, pelos batisedos. encomendec5es e outras
cerim6nias a que era convidado, despertava ne espi'ilo do povo,
.um saentiBmete profundo de admiracio e respeito, que o levava
poeo a pouco as rains da santidade. Ao par d sta abnegasgo
revestia-se o Padre Cicero de umrn ansteridede sew par. contra
a sea propria pess6a." As colsas de Deus, costumava dizer, nao
devem ser feltas por dinheiro."
A sua manatenvCo pessoal era. dada pelos seus paroquianos
que auitwssgedificavam comr a vida santa e hamilde de seu vigario.
.Somente mais tarde, atendendo a suges'fo de alguns de seus
mnals intmos servicais, se dicidiu aceitar as esmolas que Ihe eram
oferecidas, expontanei.mente, peles seus romeiros. Recebeodo dos
mais abastados distribuia ccm os mais necessitadrs. Depots, ani.
mou-o a grandiose% idiia de crier instituiAieas srcials que viese
beneficiar.os filhos d s meus amigos, daqtelas almas, chelts de
b6: vontade, que ajudavam ao Padre a constfuir uma grande
obra para o future, pare a posteridade.
Ao par de suas almoestafges paternals, a seus prudentes
elbto conselh s ministrados aos seus paroquianos, arlicava-lhes,
Stambdm, o nosso austero educador, o castigo da palmat6ria, pals
s6bre oe mesmos Ilnha absolutea ascendencia moral, devido a
sui vida austera, exemplar. honest, de sinoera humildade, fazen-
do -missSes rellgiesas e ensinando o catecismo,"
D minado de grande espirito ascetico, A maneira do Padre
BDoutor Jose Antt6io de Maria Ibiapina, organinou um ndcleo de
moves, Q: que deu instruggo religiosa, regulamento e o mento de
beatas. "e caja mlissio consistia em catequisar a infAncla juazel-
tense.
Esta- organisacSo pla extinguiu-se em virtude da grande
-pressio religiosa estabelecida contra o Padre Cicero, em conse-
queacla dos milegres, de umra de suas professes, em 1889, cha-
mada Maria de'Araujo, que, ao receber a Sagrada Comunhao,
tern a H.st!a impreg ada de sangue vivo, ainda quando conserve
na lingua a particular cousagrada.
Rste fol um caso rumoroso sobre que a Igreja soe pronun.
clou-contraria e que aconteceu pela primeira vez no dial 6 de Mar.
co de 18-9, numaa 1'. sexta fe!ra di quaresma. 0 fenOmeno per





-- 34


maneceu em segrido durante dois anoe, apesar das suas repeti-
S5es, somente em 1891 o Mons. Francisco Monteiro. .anutcia do
pulpito o extrbordinirlo milagre.
Travam-se entAie deatro do clero caririense B rloa debates
em to no do assunto. Haf os que aceitam como verdaidelro,.o -pro.
digio euoaristico que se opera na pess6a da beata Maria de Arau-
jo. Outros, porem, duvidam.
Finalmente, a Igreja, mOdvda pela sua eterna vigilanciai esecupu-
lisa no jilgamento das colsas de Dens, terminal con.elnando om
fUtos ocorridos em JuStziro, e impondo certas crndi~5es de vida
ao seu Vigdrio, a que nAo se submeteu, Belo que tve suspensas,
as suas ordens sacerdotais.
0 Padre Cicero, alma .conformeda e paciente corn os desig-
nhis da Providencda recebe a car'a as determina5ges de -sus
superiors hierarquicos. Deixa de celebrar, de batisar e de con-
fnsear, e nio mais fala sobre o assunto comn quem quer qiue
seia Assini se comprometera com o Santo Padre, quando foi
por Sa Santidado chamado a s8a presenoa.
Em 1928, os jornais catolicos divulgam o caso de uma frei-
ra em Campinas, Estado de Seo Paulo, coin sinals de estigma
t! agao. Recebe a rellginsa as Chagas de Cristo, que assim reapa-
t com depois de 19 seculos.
As antoridades eciesiasticas brasileiras exatkim e ccrrido
c imnpara o fenorneno com o cpso de Ssnta Teresinha, e o de Ber-
n dete Soubirous e outros nao aceitas de inicio, pela Igreja, mas
que sia depois elevadas ao cult(: doa altar(e.
Urn jornalista pernabucano transport se a -uazeiro, pro-
cura entrevistir o sacerdote sobre a cincerencia de seus colegas-
e ele responded simplesmente:
Promoti ao Santo Pa ---cea mais comentar estes

PersonificapAo maxima da humildace e da obediencia.
t' o. sen breviario, o amigo inseparavel que acompanha
desde 1870, present de um ciolga de Simnario, no da
de sua ordenagco.
vtlig'oso, em meio da assistencia e jamais deixa de estar
pvesente ao Santo Oficio, muitas vezes chegando ao
Tempo, entermo. Eie, Senhor absoluto de milhies de al-
mas e de corpos, sentado na sua cadeira de palha, ouve
o sermao de seus colegas, muitos de:es cheios de conse-
lhos, intercalados de rerova6es contra o fanatismo.,
'' -








0 Pred.estiaio ouve, cala, e perd6a. Esrera em Deus,
Ip hlival no. seu julgamento final e aguarda, pacieett o Dia
(oiGrande jiizo, quando tudo sera esclarecido e preiv.do.
Assim .a Ig.eJi de Rom liquid ofieoalmente 6 assunto.
Forem, ninguem jamais conseguiu ab ifar no eoraQAo .de seus
15eis romeiros.aqueles sentimmmtos de f6, que eles cons gramn
Ao Consolador dos aflitos, Protetor dos humildes.. Am ultidSo
*oktinua a procura-16 e a ouvi-lo. Suspeaso das ord:ens ecle.
qiasticas, soniate em caso de mort- bitisa os meninos doen-
tes tque Ihes slo apreseutados, recomendando, porem, aos seus
fouieiros quise o mo n:n, ndo morrer, procurem d-po s o Vi-
gtrlo para a 1iicar-lbes os Sintos OlMos. As. c-iancas sadias
noo batisa niada levar para a Igreja, das DOres.
NIo atenilia os penitences no cofissionario, os. fieis em
deskspero s6dconfiava no Padrinho Cicero, fiziam muit9s ve-
zesiconfiss6iaptilblicas, e-'ecebiam, ali mesmn, os conaselhos
do.-Padre: d..uaem pecou. na) peque mai.. Quem roubou, nao
rouae mais. (Qem matou, nio mate maii. R.:speitem as autori-
dad&s da Igrta e do Plis. Sejam tementes a Deus, e rezem
todo's s.sdias.o- Raz-riQ de Nossa Senhora ... etc.*
'"A multidap, reconfortada na paz do Senhor, cheia fe
alegiia, desper ava-se pelas ruas A sombia da noite que caia
sobre a cidade'

8 PASTOR E MESTRE NA EDUCA(;AO DAS MASSAS
Estes movimntos q e marearam 6poca na vida do ve-
nerado Patriarca tiveram oz.orrencia no tempo em -que se
torriava vitorios. o movimento republicauo, no Brasil, e dg.
terminaram a 'gfluWaoia pira Juazeiro, de milheOs de pessoa?,
que "vencidas. p-ela cutiosidade de ver o precioso sangue de
Jesiit, rumavaoem busca do desconhecido...
'Dibrianie.te cntram na cidade santificada pelosnilagres
de C~sto, ,miliares de fimiliaz, que, airaidas pot untt poder
magn itico, eninIongas perigriuaacs, levantam nuvens deo po-
eira itos camiaihos abertos pelos carros de bi I
.eParalitice~. em rfeds, doentes oom esperanria de cuira,
oegos corn votitide de enxergar, mudos querendo fal]r, na
longa- e estafarte c.minhada, dormem no relento e come
na caiuoeir>s, eam de muito longe, de todo o Brasil, do
baiXo-Slao Fratndisco. do alto Goyaz, do Amazonas, do T, c.n--
tins, e por onde- pssam, arrastam mais gente para o Caritif.





36 -


E assim teve inicio a form-rn o da cidadt; cao lado dos
grupos de penitentes da Irmandade da Cruz,'(os beats e'seus
proz4litoi) surgiam comerciantes, artists e operarios, tcdos
trabalhando, pois a palavra de ordem do Padre Cicero, ap6s-
tole de bmrn e amigo do pregresso, era: Trabalho e Orao:ao.
Que trabalhassem, e rezassem todos os dias, o RozArio de
Nossa Senhora.-
A todos 'acolhia corn singular carinho e paternal afeto.
NAo afastava de sua presen'a nert os maiores criminosos, pois
dizia que a sua obra era de salva.go, e Jesus Cristo nulo veio
aO mundo para salvar os satitos e si.m os pecadores.
.Da Manhb A noite, compact multidao de romeiros e de-
votos, permanecia, em f.ente a sua residencia aguardando a
said do veneravel Patriarca, A janela de .sua casa, de onde,
depbis de ligeira pritica dirigida aos presentes,.rezava, em co-
mum o Rozdrio de Nossa Senhora, ap6s o que, abencoava-os,
miuistraudo-lhes, ainda, prudentes e:sibios conselhos, em lin.
guagem simples e modest, para que mlhor o compreendc-ssem
e o ouissem.
Era a seguinte a Ben(;o que dava acs seu fieis amigos,
e bons discipulos e afilhados, o que fazia como prova de
amor paternal e corn abundancia de cora;io:--MAi de Deus a
MMi nossa, MVi soberana, Mai das Dores, de hoje, para sempre
nos entregamos a V6s as nossas pess8as, as nossas families
cons os nossos filbos e tudo que 6 nosso, entrega.nos a V6s
por Jesus Cristo a Qaem juramos essa entrega de hoje em
diante, ainda, eue nos custe tado mesmo a morte.
E Vos tomamos por Mai no c6u e nossa MEi el Mstra,
aqui. na terra, como A verdadeira Dona de nos que sois.
Ab ,noai'nos e is nossas families e aos nossos filhos, a
benqoai A nossa vida aqui e a nossa volta, de hoje para sem-
pre. Assim sej.* *
Eocerrandor corn esta bencgo, as reunites que se faziam
diAriamente, em frente a sua morada, orientando,. ainda aque-
-le povo -simples e bemrn intencionado, pedia A multidio que se
despersasse, indo todos para as suas casas:
Quemn tiver de viajar para as suis terras e para as
suas rogas, ou para as suas moradas, pode faze-lo sew neces-
sidade de pedir mais lincenga.
Sejam bons e honestos por amor de Nosso Senhor Jesus
Cristo e Nossa Senhora das Dores.
Quem roubou nio roube mais; quem matou nao. mate

INiWOanaaijaasia BiassuBM






-37-


mais quem bebeu ndo beba mais, Porque Deus, o Juiz Supreme,
castiga quem compete Estes pecados, corn as penas do f6go do tl-.
ferno, per tida a eternidade.
Rezem os seus RozArios todos os dias, aniand> de vlagem
ou em casa; mesmo doentes ndo deixem de rezar,
Respeitem as autoridades da Igreja e os governor constitul-
dos.
S-iam bons por amor de Deus noeso Pai qne estA- no
edu, a uossa espera. quando tivermos de delxar waste Vale de
lfgrimast.
E assim, servindo-se deste m6todo de pleda'e e continue
oragAo, com amor e singular simplicidade, o Padre Cicero Ia.
$malnando a Seara do Senhrr,
> A semente langada ao solo, germinava. medrendo, tomava
porte, desenvolvendo a sua fronde, que florava e deitava frutos,
exaltando destarte a obra creedora do santo P dre de Juazeire.
Neste campo ferlll onde as benrAos de Deus caiam em pro-
fus.o, o Padre desenvolvia uma sfrie de atividades, cada qual
mals important' 0 objetivo, fnico: a malor amplitude do reine
de Cristo na lerri. E no meio deste fervor cristAo, ndo esquecie
e caridoso sacerdote a parte material da vida de sen queridos
romeifos. B que o Padre Cicero, A semelhanCa de SSo Vieente
de Paula. o santo 'das galeras, o Irmlo da Caridade, fizera- uns
grande descoberta, na qual deveria inspirat, today a sua eglo future.
Lutando com os pobres, antes de pensar em lhes salvar as
alas, era preciso dar-Ihes uma vida que Ihes permitisse term con-
ciaoUia dessa alma.
Os elemtntos de quo despunha o patriarea de Juazeire para
ofereoer protesgo corporal aos seus afihados eam por demals
defiolentes no meio ambiente em que vivia. NAo havia Industriasl
em cujas fabricas, podessem ser colocados os necessitadno. Acon-
selhava, entio, aqueles que conheciam alguma profisslo," que ge
instalassem com as suas tendas, e assimi prestava ainda, o pre-
vidente Padre, um notivel concursn ao extraordin irio desenvol-
vimento atingtdo pela pequena indii.-tria que, hrje. lhonra o seu
povo laborioso e empreendedor. Obietos as mais vatiados fabrl-
cam-se, atualmentr, em Juazeiro do Norte, e tat A atte e o es-
mwro cor' que sAo acabados que causam admiraVlo e entusiasmo
conhece.-Is de visu,
Existem, all, milhares de ouriveserias, ferrarlas, fAbricas de
punhais, de espelhos, de agulhas, de fosforos, de artigcs par, meon
taria, de mosaicos, de redes de dormir, e uma grande fabdica de








relogio de torre.
cSeD maqqioas, nao dispondo de apetrechos moderns,
o que Juazeiro tem 6 um element humano exceltnte, car az de
tudo fazer dentro do possivel e do raz(fAvel. Se the falta a
t.unica, subram-lbe inteligencia e operoeidade R E este povo dinf-
ithio e bom, toi formado pelo Padre Cicero, que fundando o Jua.
zetro, instraiu e educwu os seus babitantes.
Outro melo de que se utilisou o grande protetor e condu.
tire dos homes do sertio, pala garantir Ihes o sustento pessoal,
foi a colo glo em masta, de seus aflihades, nos trabaihos really.
zados pela Inspectoria Federal de Obras Contra as Secas.
Corn o aparecimento deste Depaitamento, Fedrral, I gfdo ao
Minist~rlo da Viabio e Obras Pfblicas, criado, especialmente
para beneficiary o Nordeste, esta zont patria atacada peri6dica-
mente pelas secas, teve o Padre Cicero, nesta RerartigSo um ex-
celente meio de qjudir os seus protegidos e queridos afilhedos.
Ao mesmro tempo que clocava milhares de tperarios, aju.
dava, tambem, A lasp ctoria fauclitandoo he a Pquisicfo do ele-
uento human, cuja eficieocla, favorecia o mfixtmo desenvolvi
mento nos traba hos de construtOes empreendid. s pela mesa.
Neste particular, o Dr. Arojado de Listba, Engenheiro
Chef d& Inspectoria, assim se expressava :
S tAs rela~~es da Inspictoria corn o Padre Cicero, foram,
sempre as mali cordeais. Mas nao somente cordeail,porem. mui-
to mai? do que Isto. pois o Padre Clcero di sempre h Inspectoria
uma preciosa assi.-tncia, pela solicitude corn quite intervem para
que milIhares de tribalhadores do sextao acirressem para sBtis-
fazer as necessidades do traba hoe peidrio nis vai.:s mervigos
do N1,rdeste. Pelos seas conselhos a esta gente de lOa Indole
natural, e pela sua cons'ante intrvyenvio junto a nenra, em
prol dos interesses dos servigos, o Padre Cicero foi um poderoso
atxill-r das obras mnrreendidas, ccn o que senpie cativou. o
obsso reconhecilrento, meu e de todos os mcus auxillare .
Un terceiro expedieote de pt teger os seus r:'meahos, era a agriculture. Outro campo, onde
a fundador de Juazeiro, Irla prestat relevantes services, sebretu.
do a Regigo, conauzindo naquele sentido, a sua gente numersa
e tr.balhadora
A grande confienca que depositavam no Padre e a fEma de
sue santid de difundida em todos cs Estados do Nordeste, da.
yam-no extraordinarlo poder sobre as multidaes, do qual, .e ser-
-via o nose. Pattiirca, em prol do maior desenvolvimento moral








e social desta reillo. Rnmarkls e mals romarias, em todo slte
setor patrio, do Manrnho a Bahia, durane decadas, defler n-
naram uma forte corrente imigrat6lh para o J. asziro. conselho do Padre Cicero, dispersaram-se essas originals levis
de imigrantes por tod-s os mfnicipios do Carirf e pelos que the
slo vi4inhos. Aoonselhou lhes o Padre, e especialmente, o cut-
tivo da terra.
Tem o anxllo dos governos da Unito q do Fstado, canal]
zou-se espopntne-nente para uma das porgSes mais f&ftlp do
Ceard umia Intens itmig.raco de elements puramente n cion-ip,
pacfiMos e trabilhadores. E aus ceh padts das serro9, on ncs
vales, on, ainda, no% terrenos pedregnsos dos srrt6ep, surgiriw,
de repente, as rudimpntares habitac8es de talpa dos rcmeirosw.
(I ineO Pinhelro.-O Juazeiro do Padre Ctrero e a revelucho de
1914.-pag!nas 170 e 171). Ao lado do tugfrlo humfilme, faez o
adventicio, o su rocado, garantia de subsi.t~ncia de familia.
No planalto da serra d- Araripe, gragas aos novos emi
grantes,-p-ra ali enviado- pelo Padre Cicero,-estabEleceram-se
lavras de mandl6ca capazes de sba-stecer de feriuha o Cati' e
provar os serties, em grande part, desse ginero allmenticio in-
despen.avel na mesa de todo sertanejo.>
Lucrnu eminentemente o Carit coom a imigrego dos romei-
ros. Sob ease ponto de vista, fol o Padre Cicero um dos maiores
fatores de progress da vida econ6-rica sul cearense. ao lado das
lavras de mandlocA, na serra, alargaram-se crnsidefiveIm.ente as
plantagges de millho de feijao, e de cana de -aucar no vale ca-
ririense, at6 entio por escassez de braces, cultivado em redurida
parte. (0 Joazeiro do Padre Cicero e a revolugo de 1914. (pA-
gina 173.)
E desta maneira estimulando a pequena lndidatia, arran,
jando emorego na Iospect-ria para os seus rapazes, e fomen.
tandi a agricu'tura regional, (emcooperando, ainda corn o Estado
e corn a Unaoio educava o pwvo,-p 'rque nao hi melhor escrla
que o trabalho,) o santo e prevldente pfiroco de' Juazefro, aam-
para a sua gente, beneficiando-ihe o coipo, pora que melhor pc.
desse conquistar-lbe a alma para Deus.
E assim, formando homes, comr o trabalho, o exemplo e
a palavra, formava, tambim, um povo, que embora vivendo es-
parg.- power todo p terrlt6rio national, permanecia unido pela pala.
vra de ordem e pelo pensamento do Padre Cicere, o seu Sula,
MestrA e Amigo.
tste fenOmeno sooliol6gico, ptrdura ainda hoje apbs a mor





40--


te do venpervel pattierca de Juareiro, porque c Padre CU'ero con.
tinua vivo no coraSio de seus devotes e afilhados. que ?ro mi
lhos, espalhodos per tode a parte do mundo, alt onde poude
chegar o 6co de seu grandloso pader spiritual. E o Juaziro do
Norte 6 bern a capital desse povo imenso, forte, Influente, a
quem est$ distinado um venturoso future, cheio de grindes reali-
zase8. As profeclas do proprfo Padre Cfcero e cutras revelai6es
havidas posteriormente nes as.eguram a realizaASo dos fenOmenos
que estlo anunciados.
4 OS SALESIANOS.

Os Salestanoa lo o0 filhos espirituals de Dom Bosao
Dom B ,co fol um privilegiado do Aitissimo, e, Dpla Igreja
eat' I ea, eletto ao cultn dos Pltarea.
Qundo menino, pobre e h omilde. alimentava ardente desejo
de se tornar sacerdote. Teve que enifrentar as mals cruas batalbas
para aloancr o seu nobre ubjetivo. Colocadc sempre so lade- do
Ben e do Belo, era forte e altivo, corambativo e violent, porem,
multo cedo aprendeu a se tornar manso e humilde de coraoio.
Aos nove aaos tivera um sonho bem significA.lvo que valeu
pela visle da sua vida future:.
Era Joio Bosco um pastorsinho a service de sue modesta
preflaslo, equando Be enc'Dtra de improviso entire umn grupo de
rapases que jogem, btigam e blasfemam, Ao cuvir as blasfamlas
figa indignado e, a socos, pretend mnderar a sue linguagem. Nes-
te memento sparece-lhe uma misteriosa personeger,; esta. The
admoestando the dlz: cAssim, nao! Ensina-os cornm brandura e
conquistar"s a sua amizade!
-Senhor, que poaso ensina-los. ru que scu Ignornte? .re-
plica Joio Bosco a visilo que Ihe falhra.
-Eu te darei a Mestra que te tornara sAHbo. E ao seu lado
aparece uma Dama de belo semblante e singular formosura, que
Ihe orden-:
O'ha ! !
ToSo vira-se e nota que os rppazes que \li estavam di-cu-
tindo e jogando, transformaram-se em bsatas rebeldes e ferozes.
A Dama Ihe fala: Este 6 o teu campo! Trabblha!
Joao olha de n-vn. As bestas selvegens trocam se fm mansos
cordelros.. 0 jovem vidente, confunde-se, pie se a chorar e se
lamenta:
-Nfio coir-pretndo,. Senhora.. Que devo fazer?





41 -


-No devido tempo compreenderas tudol Eu te enainarei!
]A Joao Bosco cresceu, estudou non melhoies cologios de
sen tempo, progredlu nas letras, ordenou Ge sacerdote, fez se
Ministro do Senhor. Tornou se santo. Fundou umc Ordpm Re-
liglosa que se denomlnou PIA SOCIEDADE DOS SALESIANOS,
finis devotes e filhos de Nossa Senhora Auxiliadora. E hoje, mi-
lhares e milhares de profez-os, ,bnegades e !santos mIssionurios,
ehcontram-se espaihados pelo mundo inteiro, distribulnco op ensi-
nameatos do Evangelho, Instruindo, formando e educando a Mo-
cidade pelo metodo da persuasio, do amor, corn braudura, pa-
ciancla e firme vontade.f que -Dom Bosco sabia o segredo de
corrigir sem molestar. E corn Ds seas conheclmentos educacionsis
assonmbrou os centros mais cultos do mando.> Este 6 bem o' con-
caiUo, traduzIdden sea proprias palavras, que o nosso veifera-
-do Patriarca alimentava comi relaCSo ao grande fundador da Or-
dem dos Salesianos. E a 8stes humens extraordinfrlos, preparados
atraves os tempos, especialmente, para a alta missfo de former
caracteres e educar vontades, foi entregue pelo Padre Cicero a
continuagVo de sua obra afgantesca que todes conhecemos e
admiramos.
Quando em 1898, por motivos ligados ao caso religioso de
Juaneiro e que afetava a perBonalidade do nosso santo sacercote
foi ele chamado a Roma, teve, entlo, o venerado Patriarca stu
primeiro contact corn os SalesianWs.
D-s grandes virtudes do Padre Cicero unidos As excelentes
qualidades espirituwia dos Filhos de Dom Bosco nasceu uma gran-
de e forte amizade, baseada, no elevado intento de servir A causa
divina. Na Italia ficaram estes amigos, verdadeiros lirmios do
Padre, cujos proposites de traze-los para a eua terra foram-lhe
d logo nianifestados. E- o contact permaneceu. Por via pos-
tali manttve-se entire Mles a mAis correta e pontital correspon-
dencia epistolar.
Este conhecimento, depois amizade e profunda uui.o en-
tre o Apostolo dos sert6eb brasileiros e os dedicados.missicna-
rios italianos, se constituia o ponto de partida da mais intense
campanha social desenvolvida pelo Padre Cicero em favor de
Juazeiro, obra ciclopica continuada e susteutada pelos seus le-
giti-mos sucessores, os Salesianos, filhos cspirituais de D- Bosco
e de Nossa Senhora Auxiliadora.
A do2wgo de maior parte de sua fortune em favor lesta
Congrega tantemente. destes missionaries e a lembranua em que eram ti-








dos pPrsiqtnt-n, ente, bem atestam a ligitimidade desta succsEgo.
Transcrevo na integra o texto de st u ongo Testam-nto,
ond-e o Padie Cicero, em perfeita e resoluta ftinc0 mental,
destacon a benemerita .CongregagCo de Dom BoscoTom- maio-
res e melhores conttmpla@,es tendo em c'nta o grSfde traba-
1ho que realizaria ela em -hl-eficio de Juazeiro e de seus afi-
lhados e amigos.
*eDeclaro, ainda, qne todos os dinheiros que-nme foram
continual a ser dados, como ofeitas a mim unicaruente as
tenho distribuidos em atos de catidade que esIlo tipt conhed.
meoto de 'todos bem como em grades e vantajos obras de
agriculture cujo resultado tenho aplicado em ben's,que- ora
deixo, na riaior parte para a benemerita congrega ato dos Sa-
lesianos, afim de .que ela funde aqui no Juazeiro o seus-Co-
lagios de Educanio para crianc;s de ambos os sexos. Ds9de
multb cedo, quando comecei a ser auxiliado corn esmolas, pe-
los romeiros de Nossa Senhora das Dotes que aqui chegavam,
a par do auxilio eficaz por mim feito para o desenvolvimento
desta terra, resolvi aplicar parie das mesmas esmolas recebidas,
em propriedades, visando assim fazer um patrimonio para aju-
dar uma Institulcio Pia e de Caridade que podesse aqui con-
tinuar a sua Obra Bemfazeja.
E porque dentre todas as existentes, nethuma se me afi-
gura mais beuemerita e de ago mais eficaz e de caridade mais
acentuada do qne a dos bons e sintos discipulo, de Dim Bos-
co, os Benerneritos Salesianos a ales deixar, i quasi tudo o que
pbssuo, confprme adiante declaro. IE rogo a esses bous e ver-
dadeiros servos de D-us, ns Padrs Silesianos que me faCam
essa grande caridade, instituindo nesta terra usa ob'a completap.
tntregando, assim, com palavras t5o ardentes e cheias
de f6, aos fiJhos de Dom Bosco. a continuaVio de sua .obra,
ao mtsmo tempo auxilia-os, economicamente,. e lhbs pcde para
que lh- diudew, tambem. continuando a conduzir pelb cami-
nho do Bern e da Verdade os stus romeiros e filhos Pm Nos-
sa Senhora. E que o salv..mento moral e religioso de Juazeiro,
como o seu fcrescimento intellectual represeutava a scn ho dou"-
rado do Padre Cicero. DeFejsva vc--lo transformado em utwa
grande oficina de inteligencia humana. monumental, de pro-
porcoes gigantescr s, na qual fossem todos osscus h'bitantes,
verdadeiros alunos. Queria que o Juazeiro fosse como uma
Univetsidade, cujas ruas representas.em cor.edores; seus ed.
ficios, apartamentos, e seus tectos servissem de abrig, s' todas








as classes de aprendizes das mais dignas profiss6es. Que o seu
comercio se desenvolvesse elevando se ao apogeu regional, e
a sua industria doaminasse o apice do mais alto progiesso cari-
riense. Que em Juazeiro tudo fosse grande, forte, poderoso,
tanto n. campo do espirito como no setor material, onde uma
humanidade fil a Dcus, se conduzisse corn o maximo respeito
e reverencia diant. de sua infinita.bondade e ete'in. sabedoria.
Alimentando- A.te ideal duiante toda a sua .xistencia
primava pelo esForgo empregado na preparacgo do telreno onde
se desnvolvia o tombate 4ue Ihe daria a vitoria,, como foi
igualm nte escrupuloso na escolha dos elementos a.q uem con-
fiou a 'ptostsgulmento'da luta, os Salesianos.
Ai, ims, iquanto o Padre Cicere e-iidava de sea povo,
entrepgindo-lhe em bCas mrnos, ao m?smo tempo dirigia-lhe sin-
cero e"'aternal apelo no sentilode que os.seus romciros con-
tinuassem amigos da ordcm e da discipline, entregues aos seus
afazeres e sobretudo para que nio abandonassem a sua terra
querida o Juazeiro.
-*Estou certo, nao s6 porque conhigo a indole deste po-
vo aqui domiciliado, assim como das populaqces set tanejas
que aqui frequentam e que por mcio dos bons conselhos tenho
educado na pratica do Bern e d) Amor a Deus e mais ainda
porqueo vodido que faco estou certo, que todos os romeiros
aqui domiciliados ou de p3ntos distantes, como prova de es-
tima e de amizade a miua e em louvor a Virgern Mie de Deus,
continuario a frequentar este meu amado Juazeiro corn a mes-
ma assiduidade, e auxiliario aos benemeritos Padres Safesia-
nos como se fosse a mim proprio, para manutefnco aqui de
.sua Obra de caridade cristi; isto 6, dos seus col6gios, nesta
tera gira todo se'mpre, seri a maior tranquilidade de minha
alma na oiftra vida.*
Quem visit Juazeiro, mormente, nas epocas da Festa de
Dowa "Bosco, de Nossa Senhora das Dores e no Dia de& Finados,
tern a prova de que os romeitos co responded a irontade de
Sen Padrinho. Centenas de milh6es de romeiros continue tn
visitafdo a terra privilegiada do Ceaia sati.fzerido a desejo
do grande apostolo nordestino. Os SIesianps satisfazcndo 1gual-
tmente o seu compromisso muito t&n realisado em favor da
terra que Ih : foi entregue pelo taumaturgo .cearense. A sua
eficicia se manifesta em todas as cxtencoks. A instruggo, a
formacio intellectual e professional constituem os maiores re-
sultidos de seu trabatho desde aut cl aram em Tuazeiro

^jaaaAIAMMIUIWcAVMMWAMjaAftM~TAAZMAi~j





S44-


asses piedosos e dedicados missionarios.
O Ginasio Salesiano Padre Cicero, imortalisa o nome de
eu grande bemftitor e desenvolve eficiente a,;96 social em
today regiAo do Cariri. todo sul do Ceari, part de Pernambu-
co, Paraiba, Piaui e de outros Estados mais distante, podendo
ser qualificado como am dos mais acreditados estabelecimientos
de educaQla do norte do 'Pais.
0 sen nome represent just homenagem ao velho sa-
cerdote que arrnstou para o Carii, aifimado do mais puro amor
ao engrandecimento de Juazeiro, um prolotgamento do 0Qato-
rio de Dom Bosco. legando aos fjlhos das terras dos yvrdes
eanaviais, o mnetdo do evsino pela persuasslo a da educa&o
pla caridade.
0 edificio onde funelona o educandarlo 4 um predio mo-
lerno e constidido de acoido corn as mais 'fortes. exigencias
pedagogieas, destacaudo-se entre as atividades educacionsis
all mantidas pelos salesianos, os seguintes cuasos:- Primatio,
(diutno e noturno) CAlegial, (equiparado) Escola profissicnal,
(para a formacgo de artes e oficios) Aprendizado agricola,
Oratorio festivo, satisfazendo, assim, a todas as necessidades
da juventude estudantil nordestina; aquele estabelecimetito de
ensino, de onde, saem os seas alunos preparados para o Curso
d-s' Academias, ou aptos para exercerem na vida pratica qual-
quer profissgo de arte ou oficios varios-
Na Escola profissional preparam-se sapateiros, ferreiros,
alfaiates, mecanicos, exitindo, ainda, ligada a e-,ts, aira grande
fabric de relogios para Igr(jas, Fab icas, Colunas de Prawas
-Publioas, etc. etc. No Aprendizado agricola formaw.-se Capata-
zes de Campo que muito servigo tem prestado aos trabalhos
rurais do Cairi. Do Curso de Humanidades jA sairam do Gi'
n.sio turmas de propedeutas, levando bem long, em outras
terras distantes o renome do Juazeiro e de seu grande funda-
dor, o Padre Cic-ro, que iniciou em vida bela agio social e
q'xe hoje & continuada pelos Salesianos.
A continuaago das romarias ao Ju-ziro, pclos romeiros
do Padre Cicero, fi6is A sua fd e coniiang.i naquele que f6ra
em vida o seu Mestre, Guia e Amigo, como as suas visits A
Igr-ja de Nossa Senhora das Dores e ao tumulo do seu Pa.
drinho, a eficiente atuagAo e dedicdo trabalho feito pelos Sa"
lesianos, tudo esti sendo visto pelo santo Padre de Juazeiro,
do lugar que Daus Ihe reservoujunto a Si como premio As
suas excelsas virtudes na terra. e de li, ele abencca aos seus






45 -


queridos afilhados, aos seus atnigos, aos Padres Salesianos e a
todo o povo de Ju-zeiro, rezando para 6les pela sua felicidade
terrena e salvaio eterua.
5 DONS SOBRENATURAIS, VIDtNCIA, BILOCACAO
NAf podia enfechar este trabalho sem algons comentarlos
s6bre.-a.parte mai*s important da vida do Padre Cicero, o San-
to do'Cairi.
Quem viveu puro como 6le, cor a sua concieocia ligada As
colsas dos C6ur, vencendo, resignaad mente, todas as sortes da
sacrifflcos, sem se afaster, um Instante, do miis puro e proftin-
do contact com Deus, mereee, patutimiente, grande .reapeito
dos homes nmaiores gptpas do Altisaiho-
s seaus e4evedos sentimentos cristios, o seu sagraao lto
A virtwie dos Aiuos, dos Apostolos e dos Prof4sta,-a Santa Pu-
reza,-fizeram no superior aos moi tals de quem JA se distinguia
pela qualidade sobrenatural que Ihe era iufl'gida crnm o Sacer-
doclo Cristao.
Padre Dubois, escrevendo sobre ele, assim se expres~u :
casto, Inteligente, caridoso, davidoso. cordato, chelo de bo6as in-
teng es, A me arrancar um bom conceit) baitariam o carter
sacerdotal e a sua provecta idade.a
Outros conceits que o elevam sobremodo acinra de seus
semelhantes, sgo os que emitem, em palavras escrites. sibre a
HOMEM PURO, grandes figures da Igreja Cat6lica, JA elevadas
ao culto dos aitares, como Santo Athanaslo,. SAo Cipniano e'.ou-
tros luminares d& nossa FR.
Como vimos nos primeiros capi'ulos. deste. livro, Cicero,
desde o see nascimento, ja revelava colsas .-xtraodinarias que
levavam as almas devitas a crtrem na sua predestinagao para
as grande misses
Adolescente, no convivio de seus colegas, ao laao dos seus
Mestres, a todas inmreqsionava comn uma vida amstera, pledosa,
revelando poderes sobrenaturais.
No dia de sua ordenacoe, um fato curloso, surpreende a
quantos tomatm conhecimento do feakmeno atmosferico, ocorrido
no Ceard naquela ipoca.
Durante a sua vida ministerial, quando ndo havia sofrido
alnda a suspangio das ordens eclesfisticas, era um es pobres que conviviam com o .humilde capelIo de Juazeiro.
Bjlljlll155EflBEI B)BI3B] llEISJfiiBEIEi@B)S!IBlEBISV





46 -

Oa pr6pribs Bispos 0 querfam muito, admirand) e prctlamando
as suas excelias qualidades de santo Mini.tro de Deus.
Cmvidad' pel) Supremo Chefe terreno do Cr.-tianitmo.
S. S. o Papa, I sua pre.enca para ser ouvido LIBITU AD LI-
B1T M s6bre, os milagres que se visham operindo em
sua terra sob o seu patrocinio, volta de l& absolvido e
reintegrado das fungSes sacerdotais de que f6ra privado
pelos soes imediatos superiores bierarquicos.
A inoompreencto de uns e a maldade de outros,- a
sua convicgAo na justiga deoua Causa, fizeram-no, nova-
vmente vitima de outra suspensAo das or ens eclesiasti-
cas, levando.o, desta vez, ao complete e definitive afas.
timento dos direitos sacerdotais. Respeitou, entretanto,
durante todo o resto de sua existencia, ebta determin-e
qpo de sel Bisp:, sem insurgir-se contra a mesma, pa-
eina 6 e resigaadi a vontade de Deus. Somente assim re-
vela do o 6en auto dominio, conservando se manso e hu-
milde de ooraAo, para melhor t rnar-se semelhante ao
Divino Mestre;
Nao adanbonru o seu povo, Ndo se afastou dele vm
dia seq'ier. Era o seu Guia, pelo que se julgava cornm o
direito de deixa-lo sozinho, abandonado em meio ao ca-
miaho tortaroso da vila.
Auxliiado pela Providencia, incarnand um Espirito
passuldo de alta vidancia e do dlevado 'dom de biloca-
o, estaOa sempre disposto A continuaqao da grande
Obra que,'Deus Ihe confiara :dA sa,vago das almas peca-
doras.
Inimeros sflo os casos que se contam do padre CI-
pero, santo para ans, rebeldes para outros, mas que re-
presenta para todos, em verdade e justiga, uam grande
misterio na vida social e religiosa desti progressista ci-
dade nordestina.
passo, aqui, A narraapO de alguns fates ocorridos
aiada, quando o padre Ciceo em vida, e ou'ros depois
de sua morte, justificando e cosolidando a F6 dos romei-
ras.no htmilde Capelao de Juazeiro. do Nc rte, o eter-
no desta terra e desta gene, em cujo coraVAo jamais
morrerd esta confianga que, he torna feliz e Ihe asegu-
re melhor vida na eternidade.
x x x

wlam@ TaianBinHRIEaW 3BOaRsiaiaianiuBia n





47

bitado por ele.neatos. Poucos trabalhavam, levando vida
luxurlosa e cbhabitando comn mulberes alegre- dadas
constantemente ao vicio dalembriagues, verdadelras escri-
vas da impureza.
Entre elas si destacava u'a mulher de rara beleza e
de espirito grandamente profano. Chama-se Maria Belmi-
ra e era iliha de p ,rtugu6s, alva, loura de olh s asues,
atrevida e que permanecia quasi sempre embriagada. Qs
seus excesses de libidinagern revoltava a alma bOa e
piedosa- do Padre Ferreira de Melo quando yai neneado
Capelao de Juszelro, um modesto Ta go, recem-ordenado
no SeminArio de Fortaleza.
Era o Padre CIcoroi o neo sacerdote ,do Senhc r.
Frequentava a casa de residencia daquela inaeliz
criatura -a Belmira -os a iugos do pecado, assiduos fre-
quentadores noturaos daquele recanto da aideia; chaintio
Beco Novo, uma das viel.s do povoado. Certa noite o
Padre Cicero 6 avisado de que a escanialosa mugjer,
corn os seus fregueses entregava-se mals uma vez aos
maiores crimes contra a Pareza. Vai ~le or6prio, entao,
haver-se corn a tal criatura-cacontranio-a entoando itna
de suas feias can95es que se tornAra popular entire os
seus admiradores.
Neste mrnnento entca o Padre em casa daquela es-
posa do demOnio, prouto para acabar a festa e cover.
ter aquela alma A Deus. arrancando.a das garras adUa.
cas de satanaz. AI pisar o solo simples do humilde tet6
que servia de abrigo Aquela alma infeliz, o Padre. delia
a todos perplexes, a mflsica paira, a marafona que con-
tinuava dangando, a fren'e e entOa:
_Quando.eu queo, o quero Ja&!
O Padre nest" instatte, colocando a sua mao slbte
a oabega. da peoadbra,: pergunta em tow de voz pattern. I
e severe
-0 que queres mulher ?!
Belmita transbrinma-se movida por uma roderosa for.
pa extranha e cai.de joelhos em pranto aos p6s do S.a,
cerdote, e diz: aqqero me confessar seu Padre,.
All mesmo num canto da sa'a, promete regenerar-Fe
aquela mulher bonita, nova, alva, lindo rebentode euro.
peu.
Morreu aos .85 anos, ten !o levado desde o dia de






4-4 -


sna conversao, vida inteiramente dedicada A piedade e
a orr95o. Foi um exemplo de santidade, de henestidade
e de bons costumes dado As doidivanas da regi&o carl
riense, durante os anos qae se segu ram A vids Irregular
que levara na mocidade.
xxx
Multo antes da' queda da Monarquia brasileira, o
padre Cicero teve uma visao pela qual fora revelada a
vitoria da Republica. Conta um seu amigo particular, pese.
s6a ligada estieitamente ao Padre Cicero que, am 1864,
1le, o Padre, vira em soaho todas as cenas da deposi-
qdo de. D. Pedro, ouvindo, darante o mesmo, um dos. pro-
ceres da revcluq&o dizer que o Imperador devia ser ful.
zilado, para maior seguranga-do movimento.
Nessa 'poca Cifero cursava o Seminario maior de
Fortaleza e como seminarista interferira na quest&o 'a-
conselhando que nao fizessem aquilo com o velho Rel do
Brasil. Seria mais human que o deportassem; porquo, apo-
sar dos erros administrativos de nosso M narca tratava.
se de um brasileiro ilustre, corn uma grande fo.lha do
servigos prestados A Patria. Conta-se, mais, que no final
das discusses as sugest1es de Cicero f6ra aceita peles
Chefes republieanos. Este fato teve ccorrencia no ano
de 1864.
xxx
Outro dos inumeros sonhos tidos pelo nosso profeta
e videte e que impressionou a quantos o ouviram narrar,
foi o segulrate:
Em meiados do ano 1872, certa noite, o nosso Padre-
acorda sobresaltado, gritando per Nossa Senhera. Socor,
riIo por pessoas de asU familIaI .explioa ]hes .a erazo de
sen assomabro :-4 qie vira efl sonho, como se estfvese
acordado, enorme, arso branco corn malhas pretas. peld
corpo.
O animal tinha proporgoes monstruosas, e sustinhai m
suas maos gigantescas o globo terrestre que: retalhiva
corn as unhas, causando horrivels sofrimentos e ruinas
a todas as naqges do mundo.
x XX
Anunciava serious e graves a.contecimentos .para os
tempos futures, pr> fetisando a igualdade dos omens so-
bre a face da terra.








Pessoas ijdedignas afirmam, ainda hoje, ter ouvido
o Padre assegurar que-nao estavam muito lounge os tem-
pos em que o Estado do Ceari sofreria uma grande e
devastadora invasao das aguas ocean'cas qne -dominariam
todo o. territorio ceareuse, do literal as costas da serra
do Araripe.
xXx
Sempre vigilante na< defesa dos interesses espiri-
taiai de -seus paroquianos, auxiliado pelo pcder de vi-
dencia, v.. certa ocaslao, de sua proptia casa, em apu-
ros,. uma piedosa velhiuha, perdida nas matas do sitio
B-ejo QueimaJo.
Convida, entao, um de seus serviQais, toma um candieiro-
,farol, (eram mais ou mencs 9 horas da noite) e se dirige para
o local onde se eneontrava a pobre .mulher, devota de No.si
S. das Dores. Ao se aproximar do local toma o Padre um cairi-
nho desconhecido do seu companheir.> ao qae este objeta, in-
si'tindo em convencer o Sacerdote de que aquele caminhp npo
leva ninguem a parte alguma. Trata-sfe de uma vereda sem-.im-
portancia. 0 Padre nao atende e prosseguindo vai ter adiante.
Ap6s uma caminhada de mais de tres'quilometros, descobremn
por fim os dois viandantes, caida debruqs. sobre um ftixe de
lenha, a velhinha exangue e sem sentidos que o Padre Cice-,
ro vira de sua propria residencia, a noite, d, uma distancia
de quasi 'uma legua. Recomposta a posi~io da pobie 'mia-
Ihersiuha. reL-ita as forcas perdidas pela sincope.' alimentada
e ajudada pelo santo Paroco de Juazeiro e o- seu auxiliar,
toma rumo em diregio de sua habitagqo situada a algamas
bragas dalL
Outro. fato identico teve lugar corn u'a irma do Sr. Pedro
Ferreira, das MalVas, sitio localisado a alguns quilometros'da
cidade de Juazeiro.
Encontrando-se A more a sua mana Dona Generosa Es-
tevam, esposa do Senbor Jos6 Estevam, 8ste rihaida um de seus
agregados pedir ao Padre Cicero para vir urgente atende-la
em counissao de hcra de morte. 0 portador encontra o ?adre
c.lebrando e terminada a Missa, se dirige ao mesmo transmi-
tindo-lhe o recado de seu patrAo. Apesar" de sua manifetal
preocupagao, o Paroco. corn muita calma, se dirige ao Cemi-
terio oude inicia o Rosario de Nossa Senhora, em sufragio da
alma de sea falecido Pai. 0 rapaz, cada vez mais aflito, insis-
te corn o CapelSo para nao se demorar, sob pena de nao en-






)50 -


contrar mais corn vida a doente que pedia socorros espirituais
Manaamente o Phdre Ihe adverte que a Dona Generosa nAo
ebtA A morte, nail vai morrer desta vez.
0 empregado da Senhora Estevam que vira a mulher Ic
seu patrio agonisante, reclama:
Quall Sea Padre. Eu deixei-a nas ultimas. Se o
Senhor: nao aadar corn press, a, chegari tarde...
Concluida, corn muita pausa, alias, as oracges do su-
fragio, movimenta-se, finalmente o Padre Cicero para fa*
zer a tal confisslo de hora de morte. Porem, so se apro-
ximar do sitio Malvas, o Padre convida, novamente o sau
companheiro para entrarem por urm atalho que surgira
inesperadamente. Neste moment o portador do Estevam,
quasi revoltado pela indiferenca do Sacerdote em tender
Aquela necessidade de urma paroquiana, pensa em nao a,
companha-lo. Convencido, entretanto pela brand ura deste,
toma o desvio e descobre, logo A frente, uma mulher loa-
ca sofrendo os estertores da morte: Comovido coin o caso
a mais impressionado corn o que vira e ouvira, ajuda,
corn o Padre Cicero, aquela mulher, nos ultimos instantes
de sua vida.
So santo Sacerdote, voltando-se depois para o agre-
gado, 1he diz suavemente:
-Esta sim, meu filho, estava A morte e precisando
dz socorro. JA morreu. Esta corn Deus. A Generosa vai
viver muitos anos, ainda. Vamos ve-la agora.
Nesti moment o caboelo nao duvida maii do santo
hometa a quem acompanha e at6 fica desconfiado am sua
presentqa.
j m pouco & frente, antes chegarem a residencia do
Senhbr Pedro Ferreira, passam os dois por umas casas
situadas a margem da estrada e o Vigario pergunta a
um de seus habitantes :-
--Nao faltq ninguem por aqui ? Quem desaparaceu
deste birro? E Ihe responded :
Falta, sim, men Padrinho. Desde hontem fugiu da





51--


casa visinha urna louca, a qual aiida nao foi encontrada por
mais qiue a proeurassemos.
E o Padre Cicero, indicando o lugar, diz :-
.--Pois 'ela estA ali naqtiele juazeiro,. Ainda a encontia-
mos conm vida, eu e 6ste rapaz" Porem, ji morreu e devida-
merife saorimentitda. Cheguei a tempo para dat-lbe a Extre-
ma-U-*o. Vio buscadla
E Doni Generosa foi encontrada em franea inelhora, res
tabelecendo-se depois de alguns dias de 'cuididoso tratamento,
cujo m dico foi o pOoprio Padre Cicero.
Someutt. ap6s longos anOs morren, e finandc havia criado
toda a sud nutilerosa familiar.
Repetia ,essa mesa historia a todos que a procuravam
para donta-la.

No: sitid Porteiras, entao propriedade do Senhor Jogo
Inacio dt Silva. a qttein, uns cobbeciam por yy86 e outrcs Cemo
Sen Ioacinho, residia uma selteirbria, estimada, de today popu-
laCto juazhirense chamada Moniica Viiiito. A ela f6ra doada,
plo6s pAis. fIlecidos, uma mocinha de nome Maria. Cohvidado
a Vigatio para atehder emt confissgo Aquela garota,..vaiLo san-
to confessor entonfra-la quasi reiglbelecida deixando antever
compl.et' cuar do mal acometido. Este, informado do ocorrido
e tevoltado corn o caso. diz para a nocinha, em tinmbie fcrte
de .quem pass ama ordem :-Menina! 0 que queres fioar
fazeudo neste mtindo sem os tens pais ? Eles estao te espe-
rand-o no C& Vai pari a sua companhia. Vai morrer, me-
aban!* Reg-etsaiido A casa o santo profeta, a jovem entra em
agonli e tr s idrias' dep6is expira eni meio de geral admira-
tbO dos ptesentes que ouviram a ordem.
Anjo de Purei'a, Sacerdote do Altissimo, Ap6stolo da
Verda'e Crista, foi, tambem, o Padre Cicero -urn grande Pro-
feta em' tossos tempos.
Dotaldo pela Divinb Poteatado de um grande espirito de
previditia, tios deixou o legado de vAtias revelacoes s6bre
os tempos uovos, cuja divulgaqAo tern sido feita em prosas
e- etli versos,
0 SermAo da Semana Santa, foi unma das mais impor-
tantes pecis orat6rias do,sablo pregador de Juazeiro, pela
equal S. Revina. anunciava ao mundo, fatos, cuia ocorrencia
abaliriam os ektts e a terra.
Nio me foi dada a graga de adquir;" tAo precioso tra-





52'-


balho. Este como outros, p6rear, enfecharei em um seaundo
volume para conhecimento e deleite de quantos poss:im adque-
ri-lo mais tarde. Darei igualmrnte franca publicidade 5sr'Ve-
lag5es feitas pelo Padre Carlos, da Congregacto Salesiana a
respeito Oa future aparigao, nos cdus de Juazeiro. do Espirito
luminoso e vencedor do nosso grande s.nto Paare Cictio Ro.
mao Batista, o imortal benfeitor dos pequenos e oprimidos fi-
lhos doS sert6es brasileiros.

6 MORTE E SEPULTAMENTO
0 Padre Cicero viveu em perfeita lucidez de.espirito at6
os ultimos instautes da sua existencia.Sempre esclarecido, bom
e piedoso como nos albores de sua mucidade, Apenas pesa-
vai-ihe um pouco mais os anos de sua vida atribulada pra-
pria dos santos e dos predestinados, cheia de persegui6es,
vencidas corn resignaago e singular paciencia. provando a to-
des o -valor de uma vontade que foi moldada no ago melhor
retemperado. Alguma ccisa havia per tias dessa tenacidade
que raiava no heroismo. Como Dom Bosco, vemos que marca-
va todas as suas aqOes por um proposito baseado na supreme
finalidade de conseguir o maior eingrandecimento do reino de
Cristo ha terra. Homens ha que reckbem de Deus a graqa da
PAZ, outros, enitretanto sao aquinhoados peto espirito de AM-
BI1AO. A esta ultima Classe ptrt-ncia .o nosso saudoso sacer-
dote. Tudo queria conquistar. A todos procurava dominar, To-
dos os seus passes cram dados na direiao de uma conquista,
todos, porem, para maior gloriade Deus. As suas oragbes eram
ardentes e cheias de f6 como as de Dom Bosco, Como as do
grande santo de Castelnuevo d' Asti, o bumilde pastorsinho
da c.saria -dos Becchi, aldeia situada a cinco leguas da cidade
de Turim, na Italia;
Uzando as mesnas paiavras proferidas por Domr Bosco, o
seu Mestre e Guia esliritual, o Padre Cictro rezava uma oraw;o
de Apostolo, dizendo:.0h! meu Senhbor, meu Deus e meu Rei,
Todo Poderosc! Da me muitas almas, como pedras biiutas, e
devolver-Te-asei esculpidas A Tua image e -stmelhanqa! 0
RISTO NAO ME IMPORTA!
Foi assim, cheia de edificagces e grandtmente operosa a
vida paroquial do Padre Cicerc, em Juazeito do Norte.
So'reu poucas doen tencia. Em 1925, aos 82 njs ce im d., &inda tralalhou pe





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sua rehabilitagAo saceriotal, anelhndo para o seu particular
amigo Padre ROTA, S lesiano, no seritido de orienta-lo neste
particular. Em 1926 sofre umea c-tarata que o leva por fimni
complete cegueira. 6poca em que e forcado a submettr-seia um
parco regime alimentar de seco de frtitas e mingiu~, em
respeito ao estado de seu organismo debilitado. Em 1929 6
op rado rie uto 4otr iz difuso na regiao cervical, ;elo cirurgigo
Licinio Santo'.
A ageo tefasta deste tumor o manteve preso aO leito
durante dois mtses. Esteve h mo-te. Era, porem, extraordi-
nariamente calmo e muifo resignado. Sentia fortes dores, mas
nio gemii. Senipre acometido de ticerras eai divarsas parties
do cirpo, p'incipalrnente na part inguinal -(umbigo) tudo re-
sistIa corn singular e absolute contormidade. Nos tratamentos
deste enc6modo tornava-se curioso vwr-se com que recato se
entregiva aos cuidados medicos. Valia por mais uma revela-
e&o de seu oudor. 0 seu clinic particular Dr. Belem de Fi-
gu-iredo, fitho do Crato, corn resideneia em Juazeiro, teste-
munha a) fato.
O Padre Cicero nuo sofria nenhuma anomalia lisica e
nunci f z uso de bebidas alcolicas.
Assim, adilicionndc 6stes padecimentos aos que j4 Ihe
hMviam sido postos s6bre os hombros'por determinhggo Divi-
na, carregava o santo Padre de Juizeiro o. pezado fardo da vida
material.
1932-Alquebrado pelos anos, ferido pelas enfermidades
pcualiires a velhice, causado era sublime, entretanto. vO-lo a-
teniendo, aind;, as multidoes de romeiros,- que as vezes, eon-
duzia-no em triunfo pelas ruas da cidadelem direg&o 5 Igre-
ja das Dores, onde rezava' coletivamente o Rozlrio de Nossa
Senhora. A massa se comprimia para distinguir, mesmo- de
long, o velbino santo, a qu-m todos aroava sendo pelo mes.
mo- igualmente qjerido e amparado espiritualme'
Em casa, mal podia dar um passo. Cego, era conduzido
peles sens mais iatimos e fidis servidores
Quasi urnm seculo de vida e ainda se deloita em servir
ao seu povo que o consagrou o REI DO CARIRI.
Os polificos profissionais, anda o procuram e a Imprensa
litorana tambem o que quer ouvir.
Desta vez 6 o jornalista Lauro Reis Vidal aue o aborda
sobre o movimento revolucionario que sacode a Patria em to-
dos os seus quadrantes. C BrasiL atravessa um dos mais gra-

* AAAZA~jMAlWAAW *fA A JI~AAW A AA l.AAAJI>WW ,|i|CAJIMAIAEL>AWAE I^> l),h1m' LTAWAAWT~iflAWAAV ll








Ves instantes da political national, corn a queda da ol;gfrquia
dominance e a vit6ria do movimento Liberal Libertador.
E o Padre, o notavel socidlogo caririense, assim se
express:
==Ngo posso deixar de ter urn justijicado receio de que
a vida premature da constituin.te, fica o Biasil e'nvertdar pe-
los torturoscs carinhos por que vinha seguindo no regime que
passou. Acho que o Pais deve ficar sob a ag5o ditatorial, ate
que se consiga operar uma sonsiv,- modificacao na fentali.
dade political dos nossos contemporAueos, por melo de imne-
dicta inustrui;o do nosso povo.
E todos as dias. continuava abencoando e aconselhan-
do os s. us romeiros que tambem, pcrmaneciain aos tii'l3b*s,
visitando-o, assidua e regularmente.
Quando a Padre thes falava de seu proximo fim material,
ninguem acreditava, porque nao compreendiam como havia
de ser a morte de um santo. B que santo! 0 seei Padrinlio
querido a quern tanto amavam. Todos protestavai. NiuIguom
qaria se conformar. Ele esperava. norem, resignadamente,
pela venta'de de Deus, como sempre fizera durante toda a sua
long a existencia, ante a certeSa do proximo encontro ctm o Mes-
tre'e a Aeguranca dos dirditos adqueyidos no f6rurm celeste o
que o torna alegre e feliz.
Domina as d6res a procura alegrar igualmente os seus
filhos espirituais, ditendu :-
,0 fim eatf proximo. E chegado o moment de apreseo-
ta-me a Deus. Von para o C.u, onde junto A Mai das D( rea
resarel constantemente por vocris todos.
E a multidAo chorava convulsivamente, p'rew, o santo de
Juazeiro, ainda resis'e e vive. Celtbrou o seu 9.00. antversario de
netaliclo e depo!.s em uma reuiito iatima do amlgos e parettei,
em sua residencla, ouve a leitur:. dos jornals que nottciam is
solenidades.
1934. 0 Padre drtnme os dias inteiros. Sempre mals abatido
Jaf nfo resisted a adCo dos tno3, alimenta-se mal e trial pode a
benpoar os seus rouieiros. E' o fim. A multidao estacioneda a
frente di casa do swnt.o a piciente enfermo, desalentada, agitada
anciosa o cair do vdu, V ,irs sau os seus m6dicos assistentes.
Completaineite c4go, d ixa se arrebatar pelo forte deseja de tor-
nar a ver os seus amigos e devotos, pelo que insisted im fazer
umra operaglo de catarata. Fol atendido NAo teve 4xito o tra
balho do operador Form frustrades todos oe esforgcs do Ocu-





'- 5 -


lista da Universidade de Recife, chamado para este fim Dr.
Izdac Salazdr.
A:.roximam-se os festej s de Sao Vicente, celebra-
dos, anualmente, corn grande pompana Irefa de Nossa
Senhora das Dores. Naquele ano nao se notava a ,ibra-
Vto sentida nos anos anteriores. Uma perspective negra
pesava cpmo prenuneio pe uma grande desgraca prestes
a cair 6bre aquele povo oprimido pelo niedo de perder
o seu- Chete. o seu Gdia, o stru Pai esp ritual.
Os medicos oomunicam a multidao que se compri-
mia em freute da casa do Padre, que o fim se aproxima.
O ViaTfo d6ienataio.. padre Ju. eral Co'are. Maia e oiitrbs
eolegas, iperinafiecem corn os m6dicog k cabeceira" do
moribultiO -e rezam as orago'es dos a -onzante's. JA esta-
vamao parssanddo pela segunda quinzena de Julho do ano
de 1934. A casa continue de portas cerradas 'e a multi-
da) cresce de dia p ra dia. 0 enfermn' sore does cru-
ciantes, mas, nao solta urn gemidb. O seu corpo contor-
ce-se sob a agcio de cblicas terriveis. Novamente os
clinics presents anunciam os ultimos instantes de vida
do nosso taumatdrgo. A sua camara mortal se enche de
gente. Recitam, todos os preseutes, as preces dos agoni
santes. Um Crucifixo 6 colocado entire as maos mirradas
do sacerdote que balbucia a sua ultima bencao aos seus
romeiro4, ihes envianjo o derradeiro recado: eDizei aos
outros romeiros que you es; era-los no (6e, c que corn
a devogIo a MAe do Deus, a comunhao frequent e re-
zando diariamnnte o Rozario de Nossa Senhora, todos
chegario at6 IA, oude nos cunontraremos,) E assim, na
madrugada de 20 de Julbo de 1934 o Padre Cicero en-
trega sua alma a Deus, em cuja corte I i recepc onado
como fiel.discipuio do Altissimo, grande enviado do. Se-
nhor dos Muados, a terra, de ( nde voltava para prestar
e ntas dos beneficio0 desPensado., aos stus semelhatites.
O espetaculo desesperador provocado pela Iflorte
do Padre Cicero, foi descrita corn muita simplicidade c
criterio pelo joveini juazoircnse Lourival Marques, atual
Director artistic da Maring Veiga Radio do Rio de Ja-
neiro.
--Acordei pe'o tropel de gente que corria pela rua.
Fiquei sem saber atribair aquelas icarreiras insolitas
ruando cheguel & jane a tive a impressao de de que algu.








ma coiga de monstroosa suceJia na ci'ade. Que espeta
culo horroroso, 6sse de mitLa-es de ;pesjoas alucinadas,
correndo pelas ruas afore, chorando, arrepeland -se...
Foi entAo que se s-ube ... 0 Pedre Cicero faecora ... Eu
sern ser rim 'iro, seiti uma vootade louce de chorar, de sair aos
gritos, com", t dA aquela gente, em direg;o a casa datse home,
qie nS() teve iguil em bndnde e nem igual em ser calhniado.
Urma caudal de mais de qu. renta mil pei-6as ;tr pelrvea-.e, ts-
magava-e na afcia do chrgar 5 easa do reverend 0 te'egrhto
transborrlava..'e de passbas c'im te'egramas pars expedifi des-
ticads a toda. cidade, do Brasil, Para fazer idea bastante
dizer qu so era telegrdrmas, pauculi u-se tr se g.sto, alsunD ccn
tos de rii;. L g, qje oa telegramaa mais pr6ximos ch' garam ao
destino, uma verdadeira tomaria de dezenas de caminhbes super
lotados, milhares e milhares de pess6as a p6, marchaam ,para
aqul, Juazeiro viveu horas que nem Londres, dem Nova Yorque
viverao jamois .., 0 p vo, nma onda enorme, invadiu tudo, der-
rubando quem se interpbses-se de'permeio, quebrando po tas,
passando par cima de tudo. Pediu-se reforCo a policia, mas o
delegado recusou, alegando que o Padre era do povo e conti
nuava ser d povo
Arranjram no entanto, um meio de colocar o cAdiver ex-
posto oa janela, a uma altura que ninguem p, desse ilcancar e,
durante t- do a dib, varias pe6ads encarregaram se de toca, c(:m
galhos de mato rosriaos, nedalhas e ( utros .bjett S r ligiosos,
no corpo, afim do seem rn guardadoa como relfquias Milhiret. de
peqs6as conlinnavam a chegar de trdos os pontes, a p6, a ca-
valo, de autom6vel, canlnhio, de todas as formats pfwssivels.
4 h ras da tarde ... Surge no c6u o primeiro eviSo d& Exer
cito, Depois outro. Langam-se de ponta para beixo, in v6as
arrilca iis;imns. passando a doi met'os do telh.do da cbsa do
Padre Velho. Durvram muito tempo os ous Era bonrersaim
snli 'a que i"s aviarore; presta am ao grande vulto braFileiro
que caia Denceram dep.ils no nosso campo, vindo pessoa'men-
to trazer umn riqisimrna cr6q, em name da aviagIo -ilitar
A c idde parecia uaa colmela imensa; colmnea de 60 rmil
almaa, aumentada por mais de 20 mil, que chegavam de f6ra,
Nenhuma c so de comercto, de genero aigum, batbearles, cat.s,
bares, nada se abriu. A Prefeitura decretou luto offclal por tries
d'as. 0 memo imita'wm as cidades do Crato, Babhaiha e rutras.
T)das as socledad-s e sindicatos tiveraw o pavtihio national
hasteado a mel opau cow uma faixa negra, em funeral.,








E esqs mul iddo assustadoramente enorme, perma-
nece- durante today a noite de 20 de Julh-, en frente a
casd do extinto, lastimindo se e chorando 'copiosamente.
No ia seguinte, As 10 horas, p cortejo. vag rosa-
mente, chetou A Capela de Nossi Senhora do Perpetno
Socorro e aos p6s de seu altar fol sopultado o maior ho-
mem d- Cariri, u, a das maiore, figures nwcionais.
A encomendag9o do Corpo foi,feita pep Monsenhor
Esmeraido, acolitado por Eonsenhor Vicente Sother,-amigo
e confessor do falecide-, Padre Cicero C(utinh Osvai.
do Rocha, Fr nc sco Pita, J, s6 Gongalves Sob eira, Ju% e-
nai Ca ares Maia e outros colegas de bdtino corn ,quem 61e
coep rou durante mais de 40 anos.
xxx
Morrendo o Padre Cicer6 f,.i como "o born eperfrlo que
abandonendo ss ferramentas, d-ixa a vitha para entrar na casa
de seu Pai ". Sim, porque ale ,nfrara no Cfu para receher o ga-
laidio de seus trahhalhs redlisados centre as homens, para major
gl6ria de Deus e do sen reino na teora. E c mo continuador de
sue obra magnifice, confiou no espidto de operosidade dos fi-
Ihos de Dim Bosco, a quem entregou, come heranla, o sublime
ideal se que vivia Inspirado, corn os necessaries meios para o
seu sustenlo e a sua realisacio.
Padre Cicero e uma das figures mals cintilantes do Brasil,
um dos malores benfeitores de sua Patria. Muitos dos nossos
grandes homeni, quando nao esquecidcs, slo lembrados, apenas,
d4los estudlosos do pussado de nossa Patria. 0 Padre Cicero
marc com o seu :.desaporecir'ento o Infeio de uma nova hira.
Juazeirn rena.,ce pela Instruclo e pela moral cristi, al plantada
pelo inexqueclvel Patriarcu nordestino.
In,,meros 'escritores entregam se ao mals apurado estudo
sobre e8te hom-m misterioso e a pr6rria Igreja Catulica j5 sen.
tiu dificuldades no ju girmento que ihe fez. 0 Pidre Azarlas So-
breira, um dos mals respeitiveis vultos do Ciero oeerense, con-
siderou o seu colega em cruclante ponto .de interrogagCo para
quase torio mundo e em seguida !o compare corn o Cura d'Ars,
Sao Vicente de "P ula, Sio Francisco de Sales, Eutiquio, Frei
Jeronimo de Savanarols, etc.
A sua verdadeira hist6ria, nio foi escrita,'e emquanto uns
preparam-se para lanjar a lume novas biografias do santo de
Juazelro. outTos mais apressados, ib as term em seu gabinete

4s x V* :*: = K





58 -


de trabalh-s ou n's prelos, cnmo obrvs verdadeiramente revelao
doras-o feniSmen's soclol6g0Qos, politiCos e religlosoS do Cariri.
.Em t dos, porem pndereioos tiaduzir.a sorte dos santos
qne a fgreja proclama e s, bre cujas sepulturas, devuriamrs escre-
(ver o epitaflo do pr6prio Jesus :-Pertransiit bcnefaciendo.
Passou a vida fazendo o bern.)