Commemorando o 1.o centenario do jornalismo cearense e da adhesão do Ceará á confederação do Equador

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Material Information

Title:
Commemorando o 1.o centenario do jornalismo cearense e da adhesão do Ceará á confederação do Equador datas e factos para a historia do Ceará, Ceará-Estado
Uncontrolled:
Datas e factos para a historia do Ceará
Physical Description:
271 p. : ; 22 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Studart, Guilherme, 1856-1938
Publisher:
Typ. Commercial
Place of Publication:
Fortaleza, Ceará
Publication Date:

Subjects

Subjects / Keywords:
History -- Ceará (Brazil : State)   ( lcsh )
History -- Chronology -- Ceará (Brazil : State)   ( lcsh )
Genre:
non-fiction   ( marcgt )

Notes

Statement of Responsibility:
pelo Barão de Studart.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23223953
lccn - 28024334
Classification:
lcc - F2556 .S916 1924
System ID:
AA00000239:00001

Full Text



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2 7 DEZ 1947

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Commemorando o 1. na
do 3ornalismo Gearensi
E DA
adhesdo do Geard d Conlederaqdo
do Equador

Datas" e Factos
:para a Historia do Cearai

Ceard--Estado


pelo BAR


L&-RE STUDART


V


'", Fortaleza Ceara
STYVI COMMERGIAL- PRArA OSt DE ALENCAR, 104
19 2 4








Commemorando o 1. Centenario
DO JORNALISMO CEARENSE
e da adhe5so do Ceard
i CanfEDEpRRmO DO EOURDOR

DATAS e FACTORS
para a Historia do Ceara

CEARA ESTADO


M88g

16 de Novembro.-Installaqgo do Governo Pro-
visorio do Estado do Ceara
E' o seguinte o Acto de Installaqdo:
Aos dezesseis dias do mez de novembro do anno
de mil oitocentos oitenta e nove, nesta cidade da For-
taleza, o povo e o exercito de terra e mar, reunidos na
praca dos Martyres em commicio patriotic, proclama-
ram bern e legitimamente instituido o governor provisorio
installado na capital do paiz sob a presidencia do Sr.
mrarechal Manoel Deodoro da Fonseca, ao qual adheri
ram, proclamaram a provincia do Ceara-Estado da
Republican Brazileira e acclamaram chefe do poder- exe-
cutivo neste Estado o tenente-coronel de infantaria. Lu z
Antonio Ferraz, commandant do 11.0 batalho Em
acto successive dirigiram-se o povo e o exercito de
terra e mar ao palacio do governor e ahi declararam ao-
presidente da provincia, coronel Jeronymo Rodrigues de
Moraes Jardim, tudo quanto occorrera. E o mesmo
president declarou retirar-se do governor em obediencia
ao povo. ao exercito e A armada, entregando-o ao chafe
do poder executive acclamado. Em seguida o Sr. te-
nente coronel Luiz Antonio Ferraz nomeou e deu posse
A commissao executive junta ao seu governor, a qual
se comp6e dos cidaddos JoAo Cordeiro, encarregado dos
negocios da fazenda; major Manoel Bezerra de Albu-









-4-


querque, encarregado dos rregocios da guerraT; Jo~i
Lopes Ferreira Filho, encarregado dos negoeios do in
terior; tenente Alexandre Jose Barbosa Lima, encarregado.
dos negocios da justiga; Joakim Catunda. encarregado,
dos negocios. do exterior; capitdo Jos6 Freire Bezerril
Fontenelle, encarregado dos negocios da agriculture,
commercio e obras publicas; 2. tenente da armada. Jos&
Thomaz Lobato de Castro, encarregado dos negocios
da marinha. E assim ficou installado e reconhecido ao
governor provisorio deste Estado do Ceard da Confe-
deraqAo da Republica do Brazil.
(Seguem se muitas assignaturas).
16 de Novembro. Acto do Coronel Luiz A. Ferraz
fazendo public a adhesao do Ceard A forma republi-
cana e communicando ter assumido o governor como.
chefe provisorio do Poder.
E' assim concebido:
O Snr. Cel Luiz Antonio Ferraz, chefe do Poder
Executive no Estado Confederado do Ceara, manda
fazer public para conhecimento do.povo e da guarnigao,
que por acclama~Ao do povo e dos militares do exerci-
to e da a.nada foi investido provisoriamente do cargo
de chefe do Poder Executivo nesta provincia em adhe-
sao ao governor hoje constituido na capital do paiz sotb
a presidencia do Snr. Marechal Manoel Deodoro da
Fonseca, recebendo o cargo das maos do Snr. Coroner
Jeronymo Rodrigues de Moraes Jardim.
O Snr. chefe do poder executive declara que res-
peitandb a vontade manifestada pelo povo e a guarni
cqao, que adheriram A forma de governor republican,
proclama a adhes.o do Ceari i Republica Brazileira e
manda que, como tal, seja reconhecido'para todos os
effeitos;.o que se communica nesta data ao Poder Execu-
tivo no Rio de Janeiro e aos demais poderes constituidos.
Por acto immediate do mesmo chefe foi nomeada
uma commnissao executive junto ao seu governor, a quaP
se compoe dos cidad.os Joao Cordeiro, major Manoel
Bezerra d'Albuquerque, Joao Lopes Ferreira Filho, te-
nente Alexandrc Jos6 Barbosa Lima, Joakim Catunda,
capitAo Jose Freire Bizerril Fontenelle e tenente Jos6









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Tho.naz Lobato de Castro, o que se communica igual-
mente ao povo e i guarnigao
Fortaleza, Capital do Estado Livre do Ceara, aos
16 de Novembro de 1889, 1.0 da Republica.
Major Manoel Bezerra d'Albuquerque, membro da
commiss.o executiva-
16 de Novembro.-Acto emanado do Quartel Ge-
neral do Poder Executivo declarando em pleno vigor
toda a legislac.o geral e provincial salvo aquellas dis-
posices, que estiverem em desaccordo corn o regimen
republican.
18 de Novembro. Juramento do Governo Provi-
sorio do Ceard perante a Camara Municipal de Forta-
leza, segunlo a seguinte acta:
Camara Municipal. SessAo extraordinaria em 18.
de Novembro de 1889. Presidencia do cidadio Arnul-
pho Pamplona Aos dezoito dias do mez de Novembro
de mil oitocentos oitenta e nove, nesta cidade de Forta-
leza, capital do Estado livre do Ceard da Republica
Federativa Brazileira, no paco da Camara Municipal,.
onde se achava esta reunida em sessao extraordinaria,
sob a presidencia do cidadao Arnulpho Pamplona, ahi
compareceu o Exmo. Snr tenente coronel Luiz Antonio
Ferraz, chefe do poder executive do mesmo Estado, por
acclamac.o do povo e do exercito de terra e mar,
acompanhado pela commiss.o executive composta dos
cidaddos Joao Cordeiro, major Manoel Bezerra d'Abu-
querque, Jo.o Lopes Fprreira Filho, tenente Alexandre
Jos6 Barbosa Lima, Joakim Catunda capitao Jos6 Freire
Bizerril Fontenelle, 2 0 tenente da armada Jos6 Thomaz'
Lobato de Castro e perante a mesa camera como
chefe do governor provisorio do Estado livre do Ceara,.
subordinado A Republica Federativa Brazileira, promet-
teu sob o penhor da sua honestidade civica dedicar se
sinceramente ao progress moral e material deste Estado,.
conciliando-se continuamente corn a manutencgo da
ordem e da liberdade tanto quanto essa augusta missao
em si coubesse.
Em seguida o mesmo Exm-o. Snr- tenente-ccronel:
Luiz Antonio Ferraz, chefe provisorio do poder execu-








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tivo, recebeu das mdos dos membros da commissao su-
pra-mencionada identica promessa, finda a qual o cidad.o
Arnulpho Pamplona, president da Camara declarou em
alta voz e corn toda solemnidade achar-se constituido
provisoriamente o governio do Estado livre do Ceari
da Republica Federativa Brazileira, a quem todos os ci-
daddos devem obediencia e de quem podem esperar a
paz, a justiqa e o progress pela fraternidade, dando
vivas A Republica Federativa Brazileira, ao Estado livre
do Ceara e ao governor provisorio. E para constar la-
vrou-se a present acta, que eu Julio Cesar da Fonseca
Filho. secretario da Camara Municipal, escrevi.
Luiz Antonio Ferraz, Manoel Bezerra d'Albuquer-
que, Joao Lopes Ferreira Filho, Jos6 Freire Bezerril
Fontenelle, Joao Cordeiro, Alexandre Jos6 Barbosa Lima,
Joakim Oliveira Catunda, Jos6 Thomaz Lobato de Castro.
Arnulpho. Pamplona, Joaquim Felicio de Oliveira Lima,
Jesuino Lopes de Maria, Jos6 Nicolau Affonso Maia,
Olegario Antonio dos Santos, Francisco Florencio de
Araujo, Paulino J. Barroso, Olympio Barrete, Jose Fer-
nandes Vieira, Francisco Coelho da Fonseca.
I de Dezembro.- O tenente-coronel Luiz Antonio
Ferraz assume o exercicio ce Governador Provisorio do
Estado do Ceara por nomeaq.o do Governo Federal.
15 de Dezembro. Funda-se no Acarahti o Club
Repnblicano Acarahdense cUnido e Progressov.
24 de Dezembro.-Assume a chefia de Policia do
Estado o Dr. Custodio Alves dos Santos.
24 de Dezembro.-Bencao solemne da capella da
povoaq o de Sant'Anna, freguezia de Canind6.
30 de Dezembro. Decreto n.0 107 do Governo
Provisorio dando poder aos Governadores dos Estados.
para dissolverem as cameras Municipaes e reorganisa-
rem os respectivos services tendo por base as disposi-
q5es do Dec. n.0 50 corn relacao A camera da Capital
Federal.
Neste anno falleceram em Fortaleza 2 502 pess6as,,
sendo: 1 291 do sexo masculinio, 1 211 do sexo femi-
nino, 814 adults e 1 688 parvulos, 2.484 nacionaes e
J8 extrangeiros, 1.223 da freguezia de S. Jos6 e 1.227
da freguezia de S. Luiz.














4 de Janeiro.- Os vereadores da Camara Munici-
pal dc Fortaleza renunciam seu mandato diante da nova
ordem de cousas originadas da proclamaqo da Re-
publica.
Sua declaraqco 6 feita nos seguintes terms:
Os abaixos assignodos, vereadores da Camara Mur
nicipal desta capital, considerando, depois de seria e
detida reflexio, que os poderes, aliAs Lgitimos, que lhes
foram conferidos pelo eleitorado, nao tem mais razio
de existencia, por se acharem invalidados pela nova
ordem de cousas, creada e mantida sob o influxo paci-
fieo e fecundo do pensar e sentir harmonicos da nacao,
a cuja soberania, como centro de toda a acqco political,
rendem o patriotic culto do mais solemne respeito e
da mais formal obediencia; resolve desistir do manda-
to, de que foram incumbidos, nao importando semelhante
proceder, originado simplestiente do motivo acima addu-
zido, opposicqo de vista ou divergencia de interesses,
e antes, pelo contrario, a plena e public affirmacao de
que acham se ao seivico da patria, no trabalho de sua
inTegra e generosa reorganisacao Se os nossos esforqos
civicos porventura valem alguma cousa. desde jA, a des-
peito da actual emergencia e serm animo conturbado,
os pomos livremente A disposicqo do vosso governor, no
maximo impulso do grande renascimento da patria A
vida pura e sd da democracia.
Saude e Fraternidade Fortaleza, (Ceara) 4 de Ja-
neiro de 1890. IIlmo. Exmo. Stinr coronel Luiz Anto-
nio Ferraz.
Manoel Theophilo Gaspar de Oliveira, Arnulpfro
Pamplona, Olegario Antonio dos Santos, Francisco Flo-
rencio de P raujo, Paulino Joaquini Barroso, Olympfo
Barreto, Jesuino Lopes de Maria, Joaquim Felicio de
Oliveira Lima, Antonio Pinto Nogueira Accioly.








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A vista desta declaracAo o governador Luiz An-
tonio Ferraz baixou a seguinte resoluiao :
0 governador do Estado, em vista da renuncia
que fazem de seu mandate os cidaddos vereadores da
camera municipal da cidade de Fortaleza, em sua maioria:
Considerando que as funcq6es do poder municipal
nto podem soffrer interrupq.o ou perturbacqo, visto
que lhe incumbe concorrer constantemente para a se-
guranqa, tranquiliidade e salubridade do municipio e
bern estar de todos os municipes Resolve: Ait I Fica
dissolvida a Camara Municipal da cidade de Fortaleza,
capital do Estado Confederado do Ceari, da Repu-
blica dos Estados Unidos do Brazil.
Art. II At6 definitive constitui~io deste Estado, o
poder municipal d'esta capital seri exercido por um
Conselho de Intendencia Municipal, composto de cinco
membros, de noneaqco deste Governo, sob a presiden-
cia de um delles, eleito na 1.a secc~o de cada mez.
Art. III Ao Conselho da Intendencia Municipal
incumbem as seguintes attribuiaqes:
1.0 Rever a divis.o civil do municipio e seu ter-
mo, fixar os limits de cada parochia, crear novas e
repartil as em districts conforme o numero de seus
habitantes;
2.0 Fixar a receita e despesa public do mu-
nicipio;
3 o Ordenar a despesa e arrecadar as rendas;
4.0 Estabelecer as estacoes ou secq6es do ser-
vio municipal, como sejam de escripturaqao e conta-
bilidade, de arrecadagco de rendas, matadouros e agencies
annexas; creando empregos, suprimindo, conservando
os actnaes empregados ou provendo os de novo, redu-
zindo os ordenados e marcando os vencimentos;
S5.0 Ordenar e fazer executar todas as obras
municipaes, e prover sobre tudo quanto diz respeito a
policia administractiva e economic do municipio e seu
termo, assim como sobre a tranquillidade,seguranga, com-
modidade e saude de todos os seus habitantes;
6.0 Rever, alterar, substituir, revogar os actuaes
editaes e posturas municipaes, creando novas se assim
o exigir o bmrn p-iblico do municipio, nas quaes pode-











Tao comminar penas atW 8 dias de prizio e 305000 de
multa, que ser.o aggravadas na reincidencias atW 30
dias de prisdo e 605000 de multa.
Art. IV Fica competindo ao Conselho de Inten-
dencia Municipal 6 julgamentu das contravences das
posturas municipaes.
1.0 Logo que f6r preso o contraventor, o fiscal,
-ou quem suas vezes fizer na respective parochia, for-
mara o acto da contravenqco commettida e qualificacAo
do infractor, o qual seri assignado por este, pelo de-
tentor e duas testemunhas, sendo intimado para apre
,sentar-se no praso de 8 dias ao Conselho da Intenden-
-cia afim de ver-se processar, sob pena de revelia, e
Logo posto em liberdade, salvo se f6r vagabundo ou
sem domicilio.
2.0 0 process de contravenc.o seri verbal e
-summarissimo, lavrando-se somente um auto, e correra
perante o president do Conselho de Intendencia, de
'cuja sentenga haverA recurso, qie seri interposto no
praso de 3 dias para o dito conselho; neste julgamento
em recurso nio votarA o respective president, sendo
tomada a decis.o por maioria de voto.
Art V. 0 Conselho de Intendencia municipal pro-
cedera a exame e syndicancia de todos os actos da ca-
mara dissolvida, de todos os contracts existentes, pro-
videnciando nos terms das leis vigentes, ratificando ou
annullando quaesquer delles, ainda que estejarn em exe-
commnns do municipio.
Art VI 0 Governo Provisorio reserve se o direi-
to de restringir, ampliar, ou supprimir quaesquer das
attribuicbes que pelo present acto s.o confiadas ao
Conselho de IntenJencia Municipal, quando assim con.-
venha ao bern public do municipio, bem como o de
substituir, em todo ou em parte, o dito conselho, e de
nomear substitutes no impedimento de qualquer de seus
membros.
Art. VII Cada um dos membros do conselho per-
ceberA a gratificacqo de 200$000 pelos respectivos
cofres.
Art. VIII. 0 Conselho de Intendencia Municipal











c'elebrari sessao e dari expediente n- s dias e horas por
elle designados.
Art. IX Revogam-se as disposiqoes em contrario.
Casa do Governo do Estado do CearA 4 de Ja-
neiro de 1890. Luiz Antonio Ferraz.
0 Governador do Estado resolve nomear os ci-
dadaos Jo.o Lopes Ferreira Filho, capitao Dr. Jose Freire-
Bizerril Fontenelle, Jos6 Correia do Amaral, Dr. Joao-
Marinho de Andrade e Martinho Rodrigues para com-
porem o Conselho de Intendencia Municipal da cidade-
da Fortaleza, creado por acta d'esta.
Cumpra se e communique-se.
Casa do Governo do Ceara, 4 de Janeiro de-
1890. Luiz Antonio Ferraz.
Casa do Governo, 4 de Janeiro de 1890.
Tendo chegado a este Governo um abaixo assi;-
gnado, firmado por v6s e pelos vereadores. Arnulpho-
Pamplona, Olegario Antonio dos Santos, Francisco Flo-
rencio de Araujo, Paulino J Barroso, Olympio Barretor
Jesuino Lopes de Maria, Joaquim Felicio de Oliveira
Limo e Dr. Antonio Pinto Nogueira Accioly, em que-
deciaraes desistir do mandate de que fostes incumbidos,
considerando o invalidado pela nova ordem de cousas,
nao importando semelhante proceder opposicgo de vis
tas oa divergencia de interesses, antes pelo contrario, a
plena public affirmaqco de que vos achaes ao servico-
da patria, no trabalho de sua integra e generosa reor-
ganisacao, acceito a desistencia, reconhecendo os moii-
vos patrioticos que a determinaram, e, em consequencia,
resolvi dissolver a camera, nome-ando, por acto de hoje,
um conselho de intendencia municipal composto dos
cidadAos Joao Lopes Ferreira Filho, capitao Dr. Jos6
Freire Bizerril Fontenelle, Jos6 Correia do Amaral, Dr.
Joao Mrrinho de Andrade e Martinho Rodrigues o qual
deverA assnmir todos os poderes municipaes.
0 Governo conh que em v6s e em eada um de
vossos dignos companheiros continuard a encontrar umrn
devotado servidor da Patria Brazileira, do Estado do
Ceard e do municipio da Fortaleza. Saude e Fraterni-
dade. Ao cidadAo Manoel Theophilo Gaspar de Olivet-








-UI -


ra, president da Camara Municipal da Fortaleza, Luiz
Antonio Ferrar.
4 de Janeiro.-O Bispo D. Joaquim Jos6 Vieira
faz celebrar na Cathedral officios funebres pela ex-im .
peratriz do Brazil D. Thereza Christina, fallecida na ci-
dade do Porto
11 de Janeiro.-Posse do Inspector da Alfandega
Or- Antonio Olavo Calmon de Araujo Goes.
Foram seus antecessores no logar durante a me-
narchia:
Manoel do Nascimento Castro e Silva, 1837.
Joao Baptista de Castro e Silva, 1839.
Monoel do N. Castro e Silva, (reintegre).
Joao Baptista de Castro e Silva, 1842.
Jos6 Gervasio de Amorim Garcia. 1845.
Luiz Vieira da Costa Delgado Perdigio, 1852
Dr. Levino Pinto Branddo, 1862.
Fernando de Castro Pereira Sobrinho, 1871.
Joao Antonio Machado, 1872.
Jose Mariano da Costa Nunes, 1878.
Antonio Lustosa de Lacerda Macahyba, 1880
Luiz Carlos da Silva Peixoto. 1881.
Dr. Jos6 Basson de Miranda Osorio, .1886.
Major Joao Mendes Pereira, 1889.
Os Inspectores nas Alfandegas vieram substituir
aos Juizes, os quaes no Ceard foram:
Dr. Jos6 da Cruz Ferreira, 1813.
Dr. Manoel Joaquim de Albuquerque, 1814.
Dr. Adriano Jos6 Leal, 1819
Dr. loaquim Marcellino de Brito, 1823.
Dr. Manoel Jos6 de Araujo Franco 825
Dr. Joaquim Vieira da Silva e Souza, 1828.
Dr. Manoel Jose Cardoso Junior. 1832.
Manoel do Nascimento C. e Silva, (nao tomou posse).
Manoel Mendes Pereira (interinamente) 1835.
12 de Janeiro. Installa se corn 22 membros em
S. Matheus uma conferencia de S. Vicente de Paulo
sob a invocacao de N. Senhora do Carmo.
22 de Janeiro.-Circular do Inspector da Instruc-








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qAo public, Joaquim dOliveira Catunda, prohibindbo o
ensino religioso nas escolas.
25 de Janeiro.- 0 governor federal julga sem ef
feito o decreto, que nomeara o Dr. Custodio Alves dQs;
Santos chefe de Policia do Estado.
Em seu logar assumiu o exercicio neste mesmo dia-
o Dr. Jose Carlos da Costa Ribeiro Junior em virtude
de nomeaq~o interina feita pelo Governador do Estado.
26 de Janeiro. Embarci co.n destirto ab Mara-
nh.o, acompanhado da familiar, o Dr. Custodio Alves.
dos Santos.
2 de Fevereiro.-Os Consellros e Conferenctas Vi-
centinas de Fortaleza consagram se em acto public; e-
solemne aa Sagrado Coraqio de Jesus.
6 de Fevereiro.-A' 12 horas do dia na sala de
honra da Escola Militar em Fortaleza instatfa se o Club.
Military Cearense sendo por indicagAo do Capitao Dr.
Olegario acclamada a seguinte directoria:
President Cel. Innocencio Galvdo de Queiroz,
Vice-presidente Capitao Arestides Vaz, I.0 Secretario,
Tenente Franco Rabello e 2.0 Alferes Rodolpho Menna
Barreto, Orador Major Feliciano Benjamin, Thesoureiro-
Capit.o Correia Netto e Procurador Alferes Jodo Mar-
tiAt Alves Ferreira.
A acta da sessAo da installagAo do Club Militar
Cearense estA publicada no Libeitador de 15 de Feve-
reiro de 1890
9 de Fevereiro.-Cae em California, termo de
QuixadA, copiosa chuva de pedra. Egual phenomenon
succedera em 1865.
19 de Fevereiro.-Funda se em Fortaleza 0 Club
Democratic, sendo seu president Dr. Antonio Joaquim
Rodrigues Junior, e Secretarios Joaquim Hanvultando de
Oliveira e Jolo Severiano de Moraes Correia.
3 de Marc:.-Posse do Inspector da Thesouraria
da Fazenda Juvencio de Siqueira Montes.
Foram seus antecessores no logar durante a mo-
narchia:
Joaquim Ignacio da Costa Miranda, 1833.








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Joao Baptista de Castro Silva, (interino) 1838.
Joaquim Xavier Garcia de Almeida, 1839
Francisco Emigdio Soares da Camara, 1840.
Manoel Jos6 de Albuquerque, 1842.
Joao Baptista de Castro Silva, 1854.
Jos6 Francisco de Moura, 1855.
Joao Severiano Ribeiro 1859.
Sebasti.o Jos6 Cavalcante, 1868.
Antonio dos Santos Castro, 1870.
Aristides lose Correia, 1873.
Cdndido Fabricio Goones de Castro, 1876.
Dr. Aristides Cesar de Almeida, 1878. '
Joao Mendes Pereira, 1879.
Candido Fabricio Gomes de Castro, 1881.
Jose Maria da Silva Portilho, 1882.
Jose Mariano da Costa Nauns, 1882.
Joao Baptista da S. Gouveia, 1885.
Rodolpiano Padilha, 1886.
Aos Inspectores da Thesouraria da Fazenda pre-
cederam os Escriv.es Deputados da chamada Junta de
Fazenda. e" estes foram :
Francisco Bento Maria Targini;
Marcos Antonio Bricio;
Francisco Miguel Pereira;
Antonio de Castro Vianna;
Francisco Miguel Pereira Ibiapina (pelo governor
da Republica);
Jos6 Antonio dos Santos e Silva.
19 de Marco. Funda-se em Parangaba o Club
Litterario Democrata sob a presidencia de Julio Cicero
Monteiro.
7 de Abril.-De conformidade corn o Regulamen-
to n.0 200-A de 8 de Fevereiro deste anno procede se
no Estado ao alistamento eleitoral. 0 n.0 de eleitores
inscriptos foi de 41109, sendo 9.186 pela lei de 9 de"Ja-
neiro de 1881 e 31.923 pelo Decreto de 8 de Fevereirio.
13 de Abril.-Installa-se uma confereneia de S.
Vicente de Paulo em Nova Floresta sob a invocaqco de
S. Anna e presidencia de Thomaz de Aquino Pereira.,








-14-


27 de Abril.-Fallece em Maranguape o Phar-
maceutico Pedro Sombra acs 35 annos.
Era distinct cultor das lettras.
13 de Maio. E' entregue a, Governo o Parque
da Liberdade, situado em frente A Egreja do Sagrado
Coracao de Jesus, Fortaleza, cujos trabalhos haviam
sido confiados ao Engenheiro do Estado Dr. Romualdo
,de Barros.
19 de Maio. -- Publica-se em Fortaleza o 1.0 nu-
mero do journal 0 Bond, propriedade de Rocha, Santos
e Brito.
5 de Junho.-O Visconde de Jaguaribe (Dr. Do-
mingos Jos6 Nogueira Jaguaribe) fallece na Capital Fe.
deral victim de uma lesao cardiac.
Esse illustre Cearense nasceu na cidade do Ara-
caty a 14 de Setembro de 1820, sendo seus progemto-
res o Capitdo JoAo Nogueira dos Santos e D. Joanna
Maria da Conceiqco.
Matriculouse na Academia de Olinda em 1841, e
ji no seu 2.0 anno tomava assento, como supplente de
deputado, na Asse.nbl6a Provincial do Ceara.
Em 1845 tomou o grAu de bacharel em direito,
sendo nomeado promoter public de Sobral, e depois
da comarca de Fortaleza.
No bienaio de 1850 a 1851 foi eleito deputado
provincial, e na 1.a sess.o eleito president d'Assembl6a,
redigindo ao mesmo tempo o Pedro 2.0, orgam do
partido conservador, em cujas fileiras militou sempre.
Na legislature de 1853 a 1856 foi eleito deputado
geral, e na 1.a sessao da Camara eleito 2.0 secretario.
Nessa legislature distinguiu se na tribune, proferindo um
discurso sobre a instruccao, que mereceu do Visconde
de Castilho muitos elogios em carta, que foi publicada
no Journal do Commercio e transcript no Pedro 2..
Foi eleito ainda na seguinte legislature de 1857 a
1860 pelo 4 district coin s6de em Baturit6 e tambem
na de 1851 a 1864 pelo 2 0 district com s6de em
Sobral
Na legislature de 1861 a 1866, ji no dominio li-
beral, conseguiu no 2.0 anno ser eleito pelo 1. distri-








- 15 -


cto, em substituiq.o ao deputado eleito Dr. Frederico
Augusto Pamplona, que fallecera.
Subindo os conservadores ao poder em 1869 Ja-
guaribe, que se achava a esse tempo f6ra do paiz em
uma commissao patriotic. no Paraguay. foi eleito de-
putado geral pelo 1.0 district da -sua provincia, sendo-
seu nome incluido em lista sextupla senatorial, e esco-
Ihido senador do imperio no anno seguinte.
Fez parte do glorioso Ministerio de 7 de Mar;o-
de 1871, presidido pelo Visconde do Rio Branco, con-
a pasta da guerra, sendo agraciado, apoz a libertaAo
dos escravos no Brasil, corn o titulo de Visconde de
Jaguaribe corn grandeza
Na magistratura, foi juiz de direito das comarcas de
Inhamuns, do Crato e de Sobral, em que se aposentotw
para d-esincompatibilizar se para a elei;ao de-deputados
geraes; mas em 1872 foi reentegre na magistratura
sendo nomeado Juiz dos Feitos da CUrte, logar que exer-
ceu atW a proclamac.o da Republica, qaando foi nomea-
do Desembargador da Relaq.o do Recife, donde pouco
depois foi removido para a da Capital Federal
Na Capital do Ceari fundou em 1863 o jornal-
ConstituiiCo. orgdo do partido conservador, e occupou o,
logar de lente de Rhetorica do Lyceu, no qual se apo-
sentou em 1874.
De volta de sua visit e 'despedida aos patricios e-
amigos do Ceara, falleceu repentinamente na Capital'
Federal, e sepultou-se no Cemiterio de S. Francisco Xa-
*ter, corn 69 annos de idade.
7 de Junho.-Funda se em Fortaleza a sociedade:
estudantal Uniao P Concordia, cuja directoria ficou com-
posta da seguinte maneira:
President, Jorge Studart.-Vice Presidente, Ma-
noel Frederico Rodrigues de Andrade
1.0 Secretario, Jos6 Antouio Figueiredo Rodrigues-
e 2.1 Raymundo Theophilo de Moura Ferreira.
Oradores, Alvaro Ottoni do Amaral e Alvaro,
Martins.
Thesoureiro, Antonio Ambrosio Carneiro.
Commissao de Estatutos, Thomaz Rodrigues, Al-
varo Amaral e Andrade Rodrigues.








-:6-


Commisslo de Poderes, Joao Ricardo, Octavio
Eodrigues e Sabino Ferreira.
21 de Junho.-Sob pretexto de conspirarem con-
tra o governor do governador Ferraz sAo press em
Maranguape os cidaddos Guilherme Sombra e Antonio
Ribeiro do Nascimento e Silva Foram postos em liber-
dade a 23.
22 de Junho. Funda-se em Fortaleza a socie-
dade beneficente cUni.o Operaria,.
8 de Julho.-Sob a presidencia do Bispo Dioce-
sano installa-se o Partido Catholico do Ceari.
No dia anterior f6ra profusamente distribuido o
seguinte Boletim: Partido Catholico.- Os abaixo as
signados, de accord corn S Exc.a Rvdm.a o Sr Bispo
Diocesano, convidam a todos os catholicos para com-
parecerem a uma reunion, no eClub Iracema, amanha,
8, is 7 horas da noite E' objective da reuniao a ins
tallacao solemne do Partido Catholico do Estado do
Ceard. Fortaleza, 7 de Julho de 1890.-B. d'Aratanha,
Coronel Joao da Rocha Moreira, Dr. T. R. Bezerra de
Menezes. Cura Jos6 Teixeita da Graca. Vigario Antero
Jos6 de Lima, Conego Jodo Pauio Barbosa.
A essa funda<;Ao se refere o seguinte document:
Directoria do Partido Catholico do Estado do
Ceari, em 9 de Julho de 1890.
Illmo. Snr.
Ja n.o vos 6 estranho que estao constituidos ou
em via de se constituirem em pujante aggremiaq.o por
toda a Republica aquelles que desejao defender e zelar
os legitimos interesses, os direitos inauferiveis da Reli-
giqo e da Patria.
Servira esta carta circular para vos scientificar
de que hontem sob o patrocinio do nosso inclyto Pre
lado installou-se com a maxima solemnidade o Partido
Catholico deste Estado, cuja direcc.o esti a cargo dos
infra-assignados.
Esta Directoria espera que fareis sabedores d'esse
notavel acontecimento aos nossos amigos em crenqa
corn ciuja b6a vontade e energicos esforqos ella conta









-17-


para a realisacao inteira do seu desideratum e comple-
omento das vistas cujo triumph advoga.
0 programma do nosso Partido, que foi ampla-
mente divulgado e acceito por mais de duas mil pess6as
na sessao initial, 6 o que vos enviamos.
Cumpre, pois, que reunidos todos os nossos ami-
.gos, collaborareis na creaqlo de um Directorio que
trate sem perda de tempo da organisa406 do Partido
Catholico n'essa localidade, visto como se aproxima o
pleito eleitoral
Nas actuaes circumstancias conv6m caminharmos
na maior harmonia e actividade para o bom exito da
causa commum.
Bardo de Aratanha P.
Pe. Jos6 Teixeira da Gra-a V. P.
Antonio Epaminondas da Frota 1. Secretario.
Alfredo Salgado 2.0
Joao da Rocha Moreira: Thesoureiro.
Dr. Ildefonso Correia Lima
Jos6 Nicolio Affonso Maia
Conego Joao Paulo Barbosa
Theophilo Rufino Bezerra Menezes.
19 de Julho. Manifesto da Uni.o Republicana
ao Povo Cearense. Subscrevem-o o Dr. Antonio Pinto
Nogueira Accioly, Barao do Aquiraz, Manoel Ambrozio
da S. Torres Portugal, Dr. Joaquim Bento de Souza
Andrade, Dr Virgilio Augusto de Moraes, Dr. Helvecio
Monte, Dr. Joaquin Felicio de Almeida Castro e Major
Joao Severiano Ribeiro.
19 de Julho.- Funda se em Uni.o uma conferen-
cia de S Vicente de Paulo sob a invocagqo de Sant'Anna.
27 de Julho.-Publica-se em Fortaleza o 1. n.0
d'A Verdade, orgio catholico sob os auspicios do Bispo
Diocesano.
Essa empreza teve por gerentes Aleixo Anastacio
Gomes, Laurindo de Castro Natalense, Francisco Bar-
roso Antonio Firmino Goyana Desde sua fundacao a
<,Verdade teve como redactor-chefe o Pe. Francisco
de Assis Pinheiro, Mineiro.











31 de Julho.- Dec. n. 33 efevando i categoria
de villa a povoagco do Barrocdo, termo de Vigosa.
4 de Agosto.-A policia, de ordem superior, ap-
prehende nas ruas de Fortaleza o Relampago, periodic
de pequeno format escripto em sentido opposicionista.
16 de Agosto.--Por Dec. dessa data 6 elevada a
categoria de villa corn a denominacao de Aracoyaba
a povoaqco de Can6a.
25 de Agosto. Pablica-se o manifesto eleitoral
do Partido Operario do Estado do Ceara. Subscrevem o
Aderson Ferro, Joaquim Lino da Silveira, Miguel Au
gusto Ferreira Leite, Olegario A'ntonio dos Santos, An-
tonio Joaquim Victoriano da Silveira, Augusto Thomrn
Wanderley, Antonio Joaquim Belleza, Antonio Pinto
Maia, Joao Xavier de G6es, Victorino Gomes de Oh-
veira, Joao de Medeiros Sobrinho, Jos6 Domingues de
Souza, Jos6 Gongalves da Silva, Antonio Jos6 dos San-
tos, Zeferino Hypolito .de A Belleza, Domingos Rodii-
gues da Silva e Joao Benevides Costa.
Comeqa pelas palavras: eE' esta a primeira vez
que n6s, os artists, constituidos em partido e de nossa
conta propria, pleiteamos uma ele-ig o no intuito de,
como as demais classes sociaes,-tambem tomarmos par-
te nos altos problems da patriaD, e terminal pelas pa-
lavras: ,Diremos que, como elles, somos os homes do
trabalho, legitimos filhos do povo, e, portanto, os mais
bern identificados corn as suas necessidades e aspiracies.
Seja esta a nossa unica recommendaqao. Seja este
o nosso unico merecimento5,.
27 de Agosto.- Dec n.0 51 elevando A categoria
de villa a povoaq.o de Burity, do termo de Milagres,
corn e denominaq.o de Maurity. Uma lei de 20 de Se-
tembro de 1895 supprimiu o municipio de-Maurity
annexando-o a Milagres.
9 de Setembro. InauguraqAo da villa de Ver-
tentes.
9 de Setembro. Creacgo da villa do Guarany
pelo Dec. n 0 63.
14 de Setembro. Sob pretexto de conspirarem


--8-











contra o governor sao press por ordem do governadot
Ferraz os seguintes cidad.os: Conselheiro Antonio Joa-
qilim Rodrigues Junior (este foi conduzido para bordo
do vaso de guerra cCarioca,), Dr. Francisco Barbosa
de Paula Pess6a, Tenente Miguel Augusto Ferreira
Leite, Aderson Ferro, Tenente Juviniano Pio de Moraes,
Francisco Barbosa Lima, Miguel Fernandes Vieira, Joa-
quim Lino da Silveira e Felippe N6ry da Costa. Poucos
dias depois foi preso o Dr. Manoel Ambrosio da Sil-
veira Torres Portugal.
15 de Setembro.-Pro ede se no Estado do CearA
A eleilo dos seus representantes .ao Congresso Consti-
tuinte a reunir-se na Capital Federal, sendo eleitos depu-
tados Martinho Rodrigues, Justiniano de Serpa, Major
Alexandre J. Barbosa Lima, Major Jos6 Freire Bezerril
Fontenelle, Jo.o Lopes Ferreira Filho, Doutor Frederico
Augusto Borges, Doutor Jos6 Avelino Gurgel do Amaral,
Capit.o Jos6 Bevilaqua, Manoel Coelho Bastos do Nas-
cimento, BAl. Gongalo de Lagos Fernandes Bastos e se-
nadores Major Joaquim de Oliveira Catunda, Major Ma-
noel Bezerra de Albuquerqae Junior e Bel. Theodoreto
Carlos de Faria Souto.
23 de Setembro.- Aviso do Ministerio da Agri-
cultura autorisando a Directoria da Estrada de Ferro de
Biturit6 a executar as obras de um novo ramal, que li.
gue a Alfantdega A estagao Central, por motivo da ruina
do antigo rainal 0 novo, -corn uma extens.o dc 5,020
metros, devia entroncar na linha principal no kilometro
2,49 (Bemfica).
25 de Setembro.-Em virtude de urn telegramma
d Governo Federal s.o postos em liberdade os press
politicos Conselheiro Antonio Joaquim Rodrigues Junior,
Dr. Francisco de Paula Pess6a, Dr. Manoel Ambrosio da
Silveira Torres Portugal, Tenente Miguel Augusto Fer-
reira Leite, Aderson Ferro, Tenente Juviniano Pio de
Moraes, Francisco Barbosa Lima, Miguel Fernandes Vi-
eira, Joaquim Lino da Silveira e Felippe Nery da Costa.
Em virtude dessa ordem o Dr. Raimunao de Farias
Brito, Raimundo Pinto de Vasconcellos e Francisco Leite











Barbosa, que eshtvam' occultos, ficararrr egualamenTte emr
pleno goso de sua liberdade individual.
25 de Setenmbro.- A Gazeta de Sobrul cessa a pa.
blicag5o.
29 de Setembro. Regressa de sua viagem A Ca-
pital Federal e a Sdo Paulo o Bispo Diocesano D. Joa,
quim Jos, Vieira.
30 de Setembro.-Publica-se em Fortaleza o pri-
meiro rrumero do periodic Martim Soares-. Redactor
Major Joao Brigido dos Santos.
I de Outubro.-Decreto elevanido A categoria de
villa a povoaqAo de Paracurti.
G -de Outubro.. Ce'ebra se As 5 horas da tarde-
d'esse dia na S, Cathedral um solemne Te-PDem ema
acqo de gragas pela restituigAo A liberdade dos detentos.
de 14 de Setembro.
9 de Outubro.-Circular do governador Luiz
Ferraz invocando o auxilio da imprensa no sentido de
ser realisado com a maxima exactidao e regularidade o
serviqo de recenseamento da populaqao cearense.
13 de Outubro.- Decreto n.0 82 elevando a villa
a povoago do Quixara, da comarca do Assar&.
29 de Outubro.- O Conselho de Intendencia Mu-
nicipal de Fortaleza muda-lhe os nomes das ruas sub-
stituindo os por numerous, a Rua Formosa passando a ser
,Rua n.0 I, a Rua Senador Pompeu Rua n.0 2 e assimr
por diante. A innovaAo nAo teve effeito e voltou-se
ao que era d'antes.
8 de Novembro.- Manifesto do Directorio do Par-
tido Catholico do Ceard. Subscrevem o o Bardo de Ara-
tanha, Padre Jose Teixeira da Orapa, Coronel Joao da
Rocha Moreira, Conego Joao Paulo Barbosa, Engenheiro
Antonio Epaminondas da Frota, -Bacharel F Rulino Be
zerra de Menezes.
Comeca pelas palavras: tConsummado o grande
pleito eleitoral, que nAo poude ser a expresso franca e ge-
nuina da vontade e do sentiment de povo brazileiro por
causa das violencias de pessimos abusos dos agents do go-
verno; passado o tristemente celebre 15 de Setembro


-20-









-21-


que cravou no chdo da historic patria o marca miliario-
da immoralidade cynicamenfe proterva, o Directorio
Catholico da Fortaleza aproveita o agradavel ensejo de-
cumprir um dever de honra louvando e encarecendo a
attitude magnifica do Eleitorado Catholico.perante as,
urnas., E terminal pelas palavras: sao ominosa dos poderosos situacionistas, quem vence &
a foroa, e se a razao do mais forte continuar a ser entire
n6a a ultima razao, claro estA que o Brazil, como disse
Rousseau do genero human por identico motivo, ficard
reduzido 6s mesquinhas proporoqes de uma aggregaqdo
de individualidades hostis regida pela moral dos lobos.
N6s queremos a moral do Evangelho.,
13 de Novembro. Dec. n o 1001 prorogando atW
31 de Dezetubro de 1891 o praso para conclusao oas
Obras do Porto de Fortaleza e dando garantia de juros
de 60/% ao anno sobre o capital fixado de 2.500 contos.
Vide 7 de Junho de 1892
15 de Novembro. Installaaqo da villa do Quixarg.
15 de Novembro.-Inicia se a construcq~1o da bar-
ragem central do Reservatorio de Quixadi, corn a forma
circular de 249 metros de raio e o comprimento desen
volvido de 415 metros.
16 de Novembro.-Funda se em Baturit6 a asso
ciaq.o Bib/iotheca 16 de Novembro.
Apresentados seus Estatutos na sessAo de 31 de
Dezembro, foram approvados em sess.o de 19 de Ja
neiro de 1891.
14 de Dezembro.-Publica-se em Fortaleza o pe-
riodico intitulado 0 Patusco.
8 de Dezembro.-Inauguracqo das estaq6es Ria-
chio e Cangaty no prolongamento da ferro-via de
Baturit6
23 de Dezembro. Decreto n.0 122 publicando a
Constituiqao e convocando o 1.0 Congresso do CearA
para. 7 de Abril de 1891.
28 de Dezembro.-Ben qo e sagragqo da egreji-
nha de S. Joao Baptista, de Mecejana, reparada e ait-











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gmentada a esfor.os do vigario Padre Luiz Barbosa
Moreira.
31 de Dezembro. Procede se ao recenseamento
da populaqao da Provincia, o qual di 805 687 -habitan-
tes, sendo homes 394.909, mulheres 110.778 0 re-
censeamento foi mui defeituoso e den resultados muito
aquem da realidade. 0 recenseamento de 1872 dera
para o CearA 721 686 habitantes, sendo homens 365.847
e mulheres 355.839.
De um quadro organizado pela Recebedoria do
Estado se ve que esse aniio-Fortaleza possuia 6.845 pre-
dios, n.o contando cerca de 3.000 choupanase palho-
gas, dos qiaes 7 federaes, 11 estadoaes e 44 muni-
cipaes
Segundo o recenseamento de 1890 slao:
Brancos 358619 44,5 pdr 100 habitantes
Pretos 69,635 8,6 .
Caboclos 137.956 17,2 >
Mestiqos 239 477 29,7 V >
Neste anno falleceram em Fortaleza 1.332 pessoas,
sendo: Homens 658. Mulheres 574, Adultos 700, Par-
vulos 632, Nacionaes 1.317. Extrangeiros 15, da fregue-
zia de S. Jos6 596 e da do Patrocinio 736.











1891


11 de Janeiro.-Embarca para Pernambuco no
vapor Pernambuco o governador Luiz Antonio Ferraz,
atacado de enfermidade mortal. Na ante-vespera rece-
bera os sacramentos da Egreja.
21 de Janeiro. Victima de uma pleurisia, fallece
em Fortaleza Manoel Theophilo da Costa Mendes, o
conhecido educador da mocidade Cearense.
22 de Janeiro. Assume a administracgo do Es-
tado na qualidade de 2.0 vice governador o Major Ben-
jamin Liberato Barroso, que por Decreto de 10 de
Janeiro f6ra nomeado em substituiqao ao major (Senador
Federal) Manoel Bezerra d'Albuquerque Junior, exone-
rado, a pedido, na mesma data.
10 de Fevereiro.-Fallece em Pernambuco o Co-
ronel Luiz Antonio Ferraz. 0 1. governador, que teve
o Ceard Republicano, nasceu no Rio de Janeiro em 1833,
sendo seu pae o Cel. do exercito Luiz Antonio Ferraz,.
assentou praca a 1 de Fevereiro de 1849, e fez as cam-
panhas do Uruguay, tomando parte nos combates de
Tonelero e Monte Caseros, e do Paraguay.
10 de Fevereiro.- Procede-se no Ceard a 1.a elei,
q5o sob o regimen republican de accord corn o Re
gulamento n 0 200-A de 8 de Fevereiro de 1890 e dis-
posicqes que o alteraram.
19 de Fevereiro.- Decreto nomeando para com-
mandante do 11 Batalhdo de Infantaria estacionado em
Ceard o Tenente Coronel Zeferino Jos6 Teixeira Campos,
o qual chegou a Fortaleza no dia 14 de Abril.
26 de Fevereiro.-Cerca de 10 horas da noite-
desse dia fallece no Collegio da Immaculada Conceiqao,-
Fortaleza, Maria do Carmo Santos, que em religiAo cha-
mava-se Irma Margaiida Era natural da Bahia.









-24-


8 de Marco.- Inauguracqo do 1.0 estabelecimento
lithographico do Ceara, de propriedade dos negotiantes
Jose Marqal. Manoel Rocha, Francisco Theophilo, Al-
berto Ferreira e Costa Souza
10 de Marco.-A mare do novilunio sobe a uma
altura descommunal em Fortaleza, causando muitos
damnos. Veja-se a descripqAo deste phenomenon na
Ilecista do Instituto do Ceara, 1- semestre de 1901.
11 de Marco.-Fallece na cidade do Salvador,
Bahia, o 1.0 Bispo do Ceara, D. Luiz Antonio dos San-
tos, Marquez de Monte Paschoal, Arcebispo resignatario
da Bahia e Arcebispo titular de Chalcide. Nascera a
3 de Marco de 18.7.
Eis o que A Verdade, de Fortaleza. mereceu o fatal
acontecimento:
0 telegrapho communicou-nos a dolentissima noti-
cia do fallecimento do 1.0 Bispo do Ceara, Marquez de
Monte, Paschoal, Arcebispo resignatario e Bispo titular
de Chalcide, D. Luiz Antonio dos Santos, na legendaria
cidade de S. Salvador, aos 11 do corrente mez.
Este acontecimento enluctou o coracao cearense,
onde D Luiz entronisara o amor, a saudade, a estima
e entranhada venerac.o.
Setenta e quatro annos de uma vida intemerata, cin-
coenta de um trabalho indefesso, de uma caridade inex-
haurivel, uma front sempre lisa onde nunca o remorso
cavara uma ruga, uns olhos meigos sempre promptos
a acarinhar infelizes, tim coraq.o bern talhado e bene-
volente onde nunca poisara siquer um sentiment mes-
quinho, um brapo sempre estendido a proteger desva-
lidos e a abenqoair um mundo n.o create mas contra-
dizente, tudo isto a morte empolgou em sua garra
insaciavel e esmagou de encontro A lagea do tumulo!
Mas guardemos silencio.......
Filho de paes modestos e virtuosos, nasceu D. Luiz
Antonio dos Santos a 3 de Marqo de 1817 na cidade
de Angra dos Reis, Estado do Rio de Janeiro. Depois
dos estudos primaries e rudimentos da lingua latina, em
a sua cidade natal, entrou para o seminario da Jacua-
canga em 1835.










Em 1838 foi contmuar seus estudos no grande
seminario do Caraqa, em Minas Geraes
E.aI 1841 a 21 de Setembro recebeu o Presbyte-
rato, que Ihe foi. conf-Tido pelo Conde de Iraji, de
querida memorial. ,
No dia 3 ,de Outubro do mesmo anno celebrou
sua primeira Missa na Matriz da Freguezia de S. Anna
da Ilha Grande.
No mesmo anno e mez voltou para Minas, onde
consagrou-se aos trabalhos fatigantes das misses na
companhia dos Lazaristas
Em 1842 foi nomeado capell.o do recolhimento de
Macahubas, em Minas.
Em Junho de 1884 a convite e instancias do Sr.
Bispo D. Ferreira Vicoso, seu mestre, seu modelo, seu
melhor amigo, passou-se para a Cidade de Marianna e
foi hourado com a nomea~qo de Reitor do Seminario
Diocesano. Em 1816 foi apresentado Conego da Ca-
thedral;
No dia 13 de Marqo de 1848 seguiu para a Cidade
Lierna tendco.porcompanheiros o Conego Joao Antonio
dos Santos, Bispo de Diamantina,' e o Revdrmo. Pedro
Maria. de Lacerda, Bispo do Rio de Janeiro, e alli re-
cebeu .a laurea de Doutor em Canones.
Em 185) voltou para Marianna, sendo nomeado
professor- de- Rhetorica e Geographia, no Seminario.
Em 1859 ..foi.surprehendido corn a nomeaqo de
'Bispo desta- felicissima: Diocese e sagrado a 14 de Abril
de 1861,,na Cathedral de Marianna, pelo Exmo. respe-
ttivo Bispo, Conde -da Conceiq.o.
Fez sua entrada .solemne na S6 do Ceard aos 20
de Setembro de 1861.
Foi santamente fecundo seu long episcopado de
20 annos n'esta Diocese, esposa de seus primeiros amores,
como elle significadamente a chamava.
Creou dous seminarios cujos soberbos edificios
foram por elles fundados, urn nesta cidade, que passa
por um dos melhores do Brasil, e outro na florescente
cidade do Crato.
Fundou um Collegio de meninas nesta Fortaleza,
sob a direcq.o das angelicas filhas de S. Vicente, esta-










belecimento muitissimo acreditado,. formandbo-IFe um p'a,-
trimonio, superior a 100 contos, em apoliees da divida'
public national, em favor das orphans desvalidas.
Por sua iniciativa. e esforqos levantou nesta capital
o eleganrte e magestoso templo consagrado ao Sagrado.
Coragdo de Jesus, urn dos melhores do Brasil
No decurso de seu abenqoado episcopado ordenouw
l12 sacerdotes, que so a gloria e honra do elero na,-
eional. Visitou por vezes toda sua Diocese. realisando-
proveitosas reforms
Tendo encontrado na Diocese apenas 30' parochias,.
duplicou o nurmmero dellas, tendo em vista o bemrn espi-
ritual de seus amados diocesanos.
De urn desinteresse e abnegaqAo a toda prova, o.
excedente de suas parcas despezas foi sempre distribui
do pelos. pobres e miseraveis.
Durante a grande epidemic da- variola no clima-
terico anno de 1&7& desenvorveu o santo Bispo D Luiz,
o nosso Belzurnce, prodigios de dedicaqdo, prestando os.
mais relevantes servings, indo diariamente ao encontro.
dos tristes enfermos, nos abarracamentos e casas parti-
culares, para administral-thes os soccorros espirituaes,
amenisar-lhes a sorte e auxilial-os na media de suas-
fracas e reduzidas forqas.
No period de sua administraoo episcopal foii
duas vezes a Roma a convite do S. Padre Pio IX, de
veneranda memoria, em 1868 para assistir ao centenarian
de S. Pedro, e em 1870 para tomar part no concilio-
ecumenico do Vaticano, send nessa occasido agraciado.
com o tituto de Assisternte ao Solio Pontificio.
Por decreto imperial de i5 de Novembro de 1879
foi nomneado Arcebispo da Bahia e coniirmado pelo S.
Padre Leao XIII no dia 13 de Maio de 188&1-separa-
ao crudelissima do rebanho mi'moso, que golpeou de
vez o coracdo do amantissimo Pastor.
No novo campo, aberto a sua actividade, nAo des-
canqou; redobrou de alentos. Reformou o seminario
archi episcopal, commettendo a nova direcoo intellectual
e espiritual aos emeritos sacerdotes da MissAo. Fundou
urn asylo para abrigar na velhice e no cansago os sa-
cerdotes extenuados pelos trabalhos do ministerio, e


- 261-









-'27 -


u]jeitos A penuria unico patrimonio dos obreiros da
Vi:iha do Senhor neste mundo de multiplas e indisi-
veis miserias.
Cansado e vergado ao peso dos annos, as forgas
gastas e enfraquecidas, o organismo trabalhado por uma
diuturna erifermidade, o apostolico lidador solicitou dos
supremos poderes a renuncia do elevado cargo. que
tanto nobilitou e conseguindo-a, p6s instaites e atura
das supplicas, foi apparelhar se para a grande viagern -
al6m tumulo.
Cheio de fe, de crenqa, passou aos dominios do
.imperecivel, A eternidade de uma feliz vida.
A synthese de sua operosa existencia 6 o epitaphio
na sua campa. 0 anjo da morte escreveu na lapide:
A' r/tiisiit-passau; o anjo de ILZ additou esta pala.
vra: ]Ben j(fci(-ndo. favendo bern.
E o nome querido de D. Luiz Antonio dos Santos,
ex bispo do CearA, resuscitou para a immortalidade da
historic; e sua alma purissima, santa e bemfazeja para
a immortalidade da bemaventuranqa.
Pezames ao Ceara, a Bahia, a familiar, aos amigos,
A Patria.
Lux perpetuim hice(t ei.
18 de Marco.- Fallece na Capital Federal o Ca-
pitdo de Mar e Ouerra Manoel Lourengo de Castro
Rocha.
18 de Marco.- Celebram-se solemnes exequias na
Cathedral de Fortaleza por alma do Arcebispo D. Luiz
Antonio dos Santos.
21 de Marco.-O Dr. Eneis de Araujo Torredo
presta juramento e assume o cargo de Desembargador
do Tribunal da RelacAo de Fortaleza para que f6ra
nomeado por Decreto de 7 de Fevereiro.
23 de Marcc.-Decreto determinando que os pro-
fessores das escolas do Estado expliquem aos alumnos
o assumpto dos dias de festa national e manda que seja
obrigatoria nellas a leitura de Constituigao. Corn esse
fim foram distribuidos em larga escala exemplares da
Constituiqao, para a qual escreveu uma introducq.o Jos6
Carlos Junior.










29 de Marco.- Ftida. se em Fortaleza a Socie.
dade Beneficente do Pessoal da Estrada de Ferro de
Baturit&.
4 de Abril. 0 Governo Federal demitte os vice-
governadores Joao Cordeiro e Benjamin Liberato Bar-
roso, e nomeia o general Jose Clarindo de Queiroz para
Governador e tenente Coronel Feliciano Benjamin para
1.0 vice-governador do Ceara.
5 de Abril.-Publica-se em Fortaleza o. Combat,
orgam do partido Operario Redactores Aderson Ferro,
e Capitao Antonio Duarte Bezerra.
6 de Abril.-Presta juramento perante a Intendenr
cia Municipal e assume a administracqo o 1.0 vice-go-
vernador Tenente Coronel Feliciano Benjamin.
7 de Abril.-E' adiada para 13 a reuniao do.
Congress Cearense.
14 de Abril.-Publica-se em Fortaleza 0 Aorle,
diario da tarde sob a redaccgo de Martinho Rodrigues,
Justiniano de Serpa e Gonqalo de Lagos. Foi uma conr
sequencia da scisao do C'entro Republicano do Ceara.
A 6 de Maio Justiniano de Serpa deixou a redaccao
por se haver declarado no dia anterior em opposiA.o
ao governor do Bardo de Lucena e general Jos6 Clarindo.
Os citados redactores e mais o.. Senador Joaquim
Catunda e Deputado Manoel Coelho publicam o seguin-.
te manifesto: Aos nossos correligionarios e ao publi-
co.- Os acontecimentos que estdo no dominio de todos
justificam o nosso apparecimento na imprensa. Senti-
mos necessidade de definir a nossa posicao deante do
partido republican e do Estado.
Ausentes do Ceara por espaco de cinco mezes,
nao tivemos, durante esse tempo, interferencia direct
na politics do Estado. Limitamo-nos a acompanhar de
long os factos aqui occorridos, esfor;ando-nos por
bern desempenhar o nosso mandate constituinte no,
Congress Nacional.
Voltando ao Estado, uio tivemos ensejo de fazer
conhecer o nosso modo de pensar e sentir em relacao
A direccqo do partido e As questoes de governor, resol-
vidas em seu nome e sob a sua responsabilidade.








-29 -


Manifestada, por6m, a crise, que todos conhecem,
entendemos que era nosso dever assumir outra posicao,
nao deixando que os interesses do partido e a organi-
sacao do Estado seguissem rumo different daquelle que
deviam ter.
Neste sentido entrimos em communicaigo corn a
governor federal, resultando dos telegrammas trocados a
convicqco, em que estamos, de que nada se project
contra a autonomia do Estado ou contra os legitimos
interesses do partid9 republican cearense.
Ao envez disso o goverpo continda a manifestar a
maior confianqa nos representantes do Ceara, que o
apoiaram, significando o desejo que tern de, sem mu-
danqa political, ver ultimada a organisacato do Estado.
Nestas condiqces, em vez de romper em hostilidaes,
contra o governor, acceitamos as razoes do seu proce-
dimento quanto ao adiamento dos trabalhos do Con-
gresso, nao acreditando na existencia de um piano atten-
tatorio da soberania dos poderes regionaes
Infelizmente para n6s e para o partido a represen-
tacAo cearense se acha dividida, por questoes de alta
significao political, desde os trabalhos do Gongresso-
Nacional. Este facto, por6m, long de justificar uma'
posiqfto commoda inacessivel a todos os perigos imp6e-
nos o sacrificio de assumir a direcc;o do partido e aw
enorme responsabilidade da organisacAo do Estado.
Nos fosse dado e prefereriamos um posto mais-
modesto e menos arriscado na linha dos combatentes.
Mas, homes de partido, temos exacta noqAo do nosso
dever como republicans, cearenses e patriots.
NAo occupamos esta posigco por n6s, mas pelo-
partido e pela patria.
D'aqui dirigimos a palavra de paz e de concordia
a todos os nossos correligionarios e a todos os bons.
cearenses.
A political, que pretendemos fazer, obedece aos-
grandes principios da lei organic do Centro Republi-
cano e subordina se aos elevados interesses do Estado-
que representamos.
Na nossa tenda de trabalho ha espago para todos.








-30-


os verdadeiros patriots. 0 moment actual exige a maior
somma de abnegaqco e sacrificios e todos tem obriga.
quo de prestar o seu concurso obra da organisagdo
do Estado.
E' obedecendo a estes intuitos que nos dirigimos
aos nossos correligionarios e a todos os nossos conci
dadios Sabemos que a positao 6 arriscada e difficil,
mas s6 a abandonaremos quando o partido indicar, para
substituir nos, outros mais abnegados e mais dignos.
Fortaleza, 14 de iAbril de 1891 -Senador Joakim de
Oliveira Catunda, Deputado Martinho Rodrigues de
Souza, Deputado Justiniano de Serpa, Deputado Gonqalo
de Lagos F. Bastos e Deputado Minoel Coelho B. do
Nascirmento.
(124 de Abril.-SAo exonerados os membros da
Intendencia de Fortaleza e nomeados para substituil-
os os cidadaos: Senador loaquiim de 0 Catunda,
Manoel Theophilo 0 de Oliveira, Jos6 Albano Filho,
Antonio Costa Souza, Capitao Gailherme Cesar da
Rocha, Antonio Domingues dos Santos Silva e Tenente
Olegario Antonio dos Santos.
28 de Abril.-Perante a Intendencia Municipal
toma posse do cargo de governador do Estado o Ge-
neral Jos6 Clarindo de Queiroz, nomeado por Decreto
de 4 e chegado naqueile dia do Rio de Janeiro
28 de Abril.- Assume o exercicio do cargo de
chefe de Policia o Dr. Pedro de Queiroz.
29 de Abril.-A Intendencia de Fortaleza manda
recollocar nas ruas e pracas as places corn os nomes
pelos quaes eram conhecidas.
1 de Maio. Publica-se a Revimsta 1.0 de Maijo.
Redactores Thiago Ribas, Ayres de Miranda, Eugenio
Brandao, Oscar Feital, Rodolpho Brigido e Xavier de
Oliveira, alumnos do Collegio Militar do Ceari.
5 de Maio.- Entra o 1.0 trem no desvio da Esta-
i.go do Junco no kil 66 do prolongamento da Estrada
de Ferro de Baturit6.
6 de Maio.-A' I hora da tarde tern logar a ins-








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tallaA.o solemne do primeiro Congresso Cearense apre-
sentando sua Alensayem o governador do Estado Jose
Clarindo de Queiroz. Comega ella pelas palavras: Ve-
nho collocar sob vossa guard os destinos do Ceari.
Cearense. amantissimo desta terra que me foi berqo e
a meus antepassadus, julgo me supremamente feliz de,.
no cumprimento de meu dever, estar comvosco ao ini-
ciardes o estudo da lei basilar de nosso Ceara.
Termina pelas palavras: .
No curtissimo period de meu governor nao pude
habilitar-me a dar-vos conta dos actos praticadoa no
cyclo revolucionario de 16 de Novembro de 1889 at6
o present. Nao vim a tempo de preparar relatorio dos
diversos ramos de servings publicos necessario a vossas
discusses. Mas ministrar-vos ei, dentro da possivel bre-
vidade, quaesquer esclarecimentos ou informacqes de
que, no decurso de vossas deliberates tenhaes ne
cessidade. Podeis coutar corn minha franca, leal e in-
teira coadjuvacao. Sadido-vos.
7 de Maio.-O Congresso Constituinte Cearense,
estandb presents 23 deputados, elege governador e
vice governador do Estado o General Jos6 Clarindo de
Queiroz e Major Benjamin Liberato Barroso, os quaes
no mesmo dia prestaram juramento.
Aberta a sessao, lida e approvada a acta anterior
passou se a eleihao da mesa.
Foram eleitos: Presidente-Desembargador Jos6
Joaquim Domingos Carneiro, corn 22 votos.
1.0 Vice presidente- Doutor Joaquim Pauleta Bas-
tos de Oliveira, corn 22 votos.
2 0 Vice president Francisco Ignacio de Queiroz,
corn 12 votos. *
1.0 Secretario Padre Luiz de Souza Leitao, corn
13 votos.
2 0 Secretario -Coronel. Celso Ferreira Lima Ver-
de, com 12 votos.
Supplentes:-Bacharel Antonio Monteiro do Nas
cimento Filho, com 15 votos; e Bacharel Moysis Cor-
rea do Amaral, corn 10 votos.
Commissao: para rever a ConstituicAo: Joaquim








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Pauleta, 22 votos; Sabino do Monte, 21 votos; Oliveira
Sobrinho, 12 votos; Celso, 12 votos; Abel Garcia,
12 votos.
Em seguida o deputado Abel Garcia apresentou
uma motCo pedindo que se fizesse a escolha do Gover-
nador do Estado, o que sendo submettido A votaqao
foi approvado.
Pcocedeu se A eleigao de governador e foram vo -
tados: General Jos6 Clarindo de Queiroz, eleito, corn
22 votos; e Major Liberato Barroso, 1 voto.
O deputado Celso justificou e mandou a mesa urn
requerimento pedindo o adiamento da eleicao de vice-
governador e que se officiasse ao governador nomeado
para fazer a promessa do estyld e tomar posse.
Falaram sobre o assumpto os deputados W. Ca-
valcante, V. Cezario, Marinho de Andrade, Oliveira
Sobrinho e Padre Leitao.
Posto a votos o requerimento do deputado Celso,
foi regeitada a primeira parte e approvada a segunda,
tudo por votacao nominal.
Votaram a seu favor o Padre Rocha, Solon, Celso,
Oliveira Sobrinho, V. Cezario, Gomes de Mattos, Ma-
mede e Coutinho.
Procedida a eleiq.o para vice-governador, votaram
no Major Benjamin Liberato Barroso os Srs: Domingues
Carneiro, Agapito dos Santos, Pauleta, Benevolo, Sabino
do Monte, Abel Garcia, Cunegundes, W. Moreira, Pom-
pilio Cruz, Oliveira Sobrinho, Marinho, W. Cavalcanti,
Nascimento Filho e Francisco Ignacio.
Votaram tarpbem para vice-governador, no cidaddo
Martinho Rodrigues de Souza, os Snrs.: Padre Leitao,
Celso, V. Cezario, Solon Pinheiro, Moyses Amaral,
Gomes de Mattos, Cato Marnede, Coutinho e Padre
Rocha.
Em seguida a Mesa officious ao governador eleito
para fazer a promessa do esty!o.
0 deputado Abel Garcia apresentou um requeri-
mento, pedindo para que fosse chamado tambem para
o mesmo fimn o vice governador eleito. Foi approvado.
Levantou-se a sessao por uma hora, at6 As 4 da
tarde, quando apresentaram-se o governador Josd Cla-











rindo de Queiroz e vice governador major Benjamin
Liberato Barroso.
E' este o respective Edital:
A Mesa do Congresso Constituinte Cearense, em
nome do mesmo, faz public para conhecimento de
todos os cidadaos do Estado do Ceara, que, em sessdo
de hoje, foram eleitos o General Jos6 Clarindo de Quei-
roz. Governador deste Estado e o Major Benjamin Li-
berato Barroso, vice-Guvernador; os quaes, As quatro
horas da tarde, perante o mesmo Congresso, fizeram a
promessa civica de bem cumprir os seus deveres.
Sala das sess6es do Congresso Constituinte Cea-
rense, em 7 de Maio de 1891. Jos6 Joaquim'Domingues
Carneiro, president; Padre Luiz de Souza Leitdo, 1.0
secretario; Celso Ferreira Lima Verde, 2 0 secretario.
Esse Congresso extended seus trabalhos atW 16 de
Junho, data em que promulzou a primitive Constituicao
do Estado.
Pelo Art. 1.0 das disposicqes transitorias dessa
'Constituicao deixou de funccionar a Constituinte para
a I de Outubro comeqar a Camara dos Deputado suas
*sess6es ordinarias.
12 de Maio.-A's 8 horas da manhi desse dia
inauguram se em Fortaleza os trabalhos da Companhia
de melhorament.s do Ceara sob a chefia do Engenheiro
Joaquim Francisco de Paula
17 de Maio.-Publica-se em Fortaleza o Bucalhao,
jornalzinho critic.
24 de Malo.-Miguel Teixeira. Benvindo Alves,
Heraclito Domingues, Raymundo Cabral, Januario Fer.
nandes e Cesar Silva fundam em Fortaleza a Phenix
Caixeiral sob a protecq~o de S. Jo.o Baptista.
5 de Junho.-Decreto elevando Cascavel A cate-
goria de Comarca. A Lei n 0 37 1.0 de Dezembro de
1892 classificou-a de 2.a entrancia, comprehendendo os
municipios de Aqiiraz, Guarany e Beberibe.
15 de Junho.-- Publica-se em Fortaleza o journal
Athleta, sob a redacqco de Jos6 Tobias Coelho, A. Frei-
tas e Jos6 Horacio Coelho da Frota.








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Passou a ser orgao da Phenix Caixeiral e tomou
esse nome.
23 de Junho. Fallecimento de Francisco de Paula
Barros, filho de Francisco de Paula Barros e D. Maria
de Paula Barros, e nascido em Fortaleza.
Negociante, official de marinha e empregado pu-
blico Suicidou-se na sua propria ReparticAo no Rio de
Janeiro. Occupava entao o posto de chefe de seciao
na Secretaria da Agricultura.
E' autor do Opusculo Palavras a noiva, offerecido
A Exma. D. Emilia de Castro Medeiros, e de urn livro
de poesias e prosa sob o titulo Escriptos de hontem pu-
blicados em 1865 nb Rio de Janeiro. D'essa obra co
nheqo a edicao sahida da Typ. Brazileira. Rua Formo-
sa 88, 1870, Fortaleza. E' volume de 2.7 paginas de
prosa e 88 de versos
Escreveu tambem uma scena dramatic, 0 Capiaio
Ilyppolito, representada no theatre Pedro II pelo actor
Amoedo, Rio de Janeiro, '1877, 13 pags. in 4.0, e umrn
Compendio Elementar da physical, que teve tres edic6es,
1881 (100 pags.), 1882, (118 pags) e 1885. Esta 3a
edicao in 8 tinha o titulo Compendio de physical, para
leitura, destinado is escolas primarias e adoptado na
C6rte e provincias de Minas Geraes, S. Paulo, Piauhy
e Rio Orande do Sul.
Pertencia A Sociedade Internacional Uni.o lbero-
Americana, de Madrid.
24 de Junho.-Installa-se em Fortaleza a Socie-
dade cPhenix Caixeirali. Tern sido seus presidents
Antonio Alves Brazil, em cujo tempo installaram se
aulas e creou se o journal Athleta, Pedro Muniz, Fran-
cisco Barros Telles, Jo.o Salgado, Jos6 Rodrigues de
Carvalho, Francisco Barros Telles, Jos6 Bastos, Joaquim
Magalh.es, Jo.o de Castro Ramos, Joaquim MagalhAes
e Adolpho 0. de Siqueira.
Seus primeiros Estatutos foram approvados em
Assembl6a Geral de 1, 3 e 4 de Fevereiro de 1901.
14 de Julho.-Fallece no Rio de Janeiro, onde
fixara residencia desde 1885, victimado por um aneu-








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rysma. da aorta o Dr. Jos6 Pompeu de Albuquerque
Cavalcante.
Filho de Jose Cavalcante e D. Josepha Maria Ca-
valcante. nasceu a 10 de Abril de 1839 e dedicando-se
a engenharia military formou-se em 1865 seguindo logo.
em commiss.o para a provincia do Piauhy.
Deixando a carreira military, na qual attingiu ao
posto de Capitao, voltou ao Ceard, a cajo progress
material e intellectual desde entdo entregou-se com amor.
Foi vereador e president da camera municipal de
Fortaleza, engenheiro da Provincia, deputado e presi
dente da assemble provincial e deputado geral em 3
legislatures e no Rio de Janeiro fiscal da Empreza de
viacao central e intendente da Camara Municipal da
Capital Federal.
Illuminou por muito tempo com seus escriptos as
paginas do Cearense, org.o liberal da Provincia, e deixou
various trabalhos publicados, entire os quaes a cChoro
graphia da Provincia do Cearda.
20 de Julho.- Installa se em Fortaleza a Rua
Municipal n.0 18 o Escriptorio da New-Vork Life In-
surance Company, sob a gerencia do Commendador Al-
fredo Garcia.
22 de Agosto.- 0 Engenheiro Francisco Marques
de Souza da comeqo A perfuracao de um poqo artesia-
no em Fortaleza no bairro do Bemfica.
10 de Setembro.-Inaugura se em Fortaleza a
Empreza Telephonica do Ceara, concedida aos negocian
tes Pamplona, Irmao & Cia. por acto da Intendencia
Municipal de 8 de- Outubro de 1890 e confirmada por
urn Decreto do Governo Federal em Janeiro de 1891.
Tendo se installado com 60 apparelhos de assigna-
turas mensaes de 10$000 pagos em virtude do Regu
lamento approvado em Agosto, em 10 de Novembro jA
contava a Empreza 120 telephones assentados e func-
cionando.
A Empreza foi constituida sob a direcqao exclu-
siva do socio Confucio Pamplona.
Sua Estaq.o esta situada na Praqa do Ferreira
tendo sido construida especialmente para o seu fim por








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uma plant do Engenheiro Adolpho fferbster e direcqao,
do socio Confucio
Na dita Estaeao funccionam o escriptorio. as offi-
einas, e o. almoxaritado da Empreza.
Essa Empreza perteneeu, depois a uma Sociedade
sob a gerencia do Tenente-Coronel A. J. Guedes de-
Miranda e actualmente & seu, proprietario o, negociante
J. Pontes.
20 de Setembrm.--Benqc solenmne da nova Matria
da parochia de Nossa Senhora das Merces da villa da-
Itapipoca, antiga Imperatriz, sendo vigario o Revdmo.
Antero Jos6 de Lima. Seu prineipaD architect foi Freii
Cassiano de Camachio.
18 de Outubro.- Funda-se em Lavras uma Cont-
ferencia de S. Vicente de Paulo sob a invocaoo de S,
Vicente Ferrer, tendo por president Antonio de Oli-
veira Banhos. Foi aggregada a 18 de Dezembro de 1893.
15 de Novembro.-Publica-se em Fortaleza o-
jornal Silva Jardimn.
28 de Novembro. Funda-se em Aurora uma
Conferencia de S. Vicente de Paulo sob a invoea&ao de
N. S. das Dores. Foi aggregada a 7 de Maio de 1894.
28 de Novembro.-Funda-se em Aurora um Con-
selho Particular da Sociedade de S Vicente de Paulo,
o qual foi institutdo a 30 de Setembro de 1895.
7 de Dezembro.-Temn logar em Fortaleza a 1.
apresentacgo do Phonographo, fazendo-o funecionar no
Hotel Silvestre o Snr. Frederico Figner. 0 apparelho
foi depois transportado para o Pavilhdo Caio Prado,
onde o public ia aprecial-o a prego de 1$000 cada
pess6a.
8 de Dezembro.-- Fundam-se em Canindi e Giquy
conferencias de S. Vicente de Paulo sob a presidencia
de Jos6 Casemiro R. Campos e Joao Baptista do Amarak
A do Jiqui, que teve a invocaeao de N. Senhora
da ConceigAo, foi aggregada a 28 de Dezembro de
189-, e a de Canind6 a 18 de Marco de 190'1.
12 de Dezembro.-Assentamento da pedra funda-
mental do monument a Jos6 de Alencar na Praga Fer-








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reira Vianna, Capital Federal. Fez o discurso comme-
morativo Machado de Assis.
E' este o respective auto:
eAos 12 dias do mez de dezembro de 1891, 3.
da Republica dos Estados Unidos do Brasil, n'esta Ca-
pital Federal, foi assentada na praca Ferreira Vianna a
pedra fundamental do monument erguido a Jos6 Marti-
niano de Alencar, por subscripA.o popular, promovida
pela Gazeta de Nolicias, do Rio de Janeiro e pelo Monitor
Sul-Mineiro, da cidade da Campanha.
E para constar se lavrou este auto, que vai assig-
nado pelas pess6as presents e encerrado, juntamente
corn um exemplar dos jornaes do dia e diversas moedas
do paiz, em uma caixa de madeira, dentro de outra de
chumbo soldada e depositada na referida pedra. Capital
Federal, 12 de dezembro de 1891.D
13 de Dezembro. Publica se no Crato 0 Arlistir
orgam do partido operario.
21 de Dezembro. Os officials de terra e mar
activos, reformados e honorarios residents no Estado,
publicam o seguinte manifesto:
Em reuni.o convocada e presidida pelo coronet
Zeferino Jos6 Teixeira Campos, os abaixo-assignados offr-
ciaes de terra e mar-activos, reformados e honorarios-,
tendo em muita consideragco as difficuldades, que espe-
culadores sem patriotism procuram crear na march
gloriosa da Republica Federativa adoptada legalmente
pelo Paiz, vem por meio do present manifesto prestarem'
sua inteira adhesgo d moq.o de vinte do corrente votada
por mais de quatrocentos de seus camaradas da guar-
ni.o da Capital Federal compromettendo se sob empe-
nho -de honra e juramento solemne a manterem e fazer
respeitar em todo o terreno a forma Republicana Fede-
rativa como mais consentanea corn as ideas do seculo,.
corn a hegemonia Americana e corn os supremos inte-
resses da nossa Patria.
Fortalza, Estado do Ceard, 21 de Dezembro de-
1891.
Coronel Zeferino Jose Teixeira Campos, general de
Divis~o Jos6 Clarindo de Queiroz, Frederico Christiano,











-38-

Buys general de brigada reformado, capitao Jos6 Bar-
bosa, capitao tenente Silvino Jos6 de Carvalho Rocha,
major de engenheiros Jose Faustino da Silva, capit.o
Benedicto Hemeterio Valente, capit.o Augusto Cezar
Oa'spar, Dr. Alfredo Mendes Ribeiro. medico de 4.a
classes, alfares honorariao Jos6 Maria Menna Barreto, ca-
pitao Benjamim Liberato Barroso, tenente Alexandre
.Henrique Vieira Leal 1.0 tenente Joao Arnoso, major
Manoel Thom6 Cordeiro, capit.o Jos6 Joaquim Ayres do
Nascimento, major Anacleto Francisco dos Reis. Dr Can-
.dido de Hollanda da Costa. Freire, major graduado Ha
imuitas outras assignaturas
Falleceram em Fortaleza 1385 pess6as setdo: 706
.do sexo mnasculino e 679 do feminino, 669 adults e
716 parvulos, 1368 nacionaes e 17 extrangeiros, 623
Jda freguezia de S. Jos6 e 762 da de S Luiz.











1892


1 de Janeiro. Publica se em Fortaleza o jornal-
zinho A Cartola.
4 de Janeiro.- 0 Pearense< Aorte, fortaleza e Com-
bate, a maioria da imprensa, publicam um manifesto de
apoio ao governador do Estado, General Jos6 Clarindo.
16 de Janeiro. Encerra-se o 1.0 Congresso Cea-
rense apoz 8 prorogacqes sem ter formulado as leis
de meio.
17 de Janeiro.-A bordo do cruzador Liberdade
chega a Fortaleza o general de divisao JoaqLim Mendes
Ourique Jacques, Chefe do 2.0 district military e Presi-
dente da Junta governativa do Estado de Pernambuco.
Voltou para o Recife a bordo do paquete nacio-
nal Pernambuco a 26 de Janeiro.
Na manha do inolvidavel dia 15 de Novembro o
10.0 batalhao d'infanteria era commandado pelo entgo
Coronel Ourique Jacques.
16 de Fevereiro.- A's 5 horas da tarde d'esse dia
a Escola Militar e parte das forqas federaes promovem
a deposiq.o do Governador Jose Clarindo de Queiroz.
Este, apoiado pelo Corpo .de Seguranca e paisanos, re-
siste ao bombardeio durante toda a noute mas 6 for-
qado a render-se is 6 horas da manhi do dia seguinte.
Jos6 Clarindo passou o governor ao chefe da guar
nigco e commandant interino da Escola Militar C.el Jos6
Freire, Bezerril Fontenelle, e este por sua vez.a 18 ao
Major Benjamim Liberato Barroso.
Foram as seguintes as victims dessa lucta fra-
trecida:
a) Joo Epaminondas de Vasconcellos, alumno da
Escola Militar e natural do Sirid6, Rio Orande do Norte.
Valente at6 o delirio, foi afrontar o adversario mesmo








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dentro de uin de seus reductos, o Quartel da Guarda
Civica i Praqa do Ferreira, e ahi succumbiu. Tinha
20 annos de edade.
0 Congress do Rio Grande do Norte por indica-
cao do deputado Janucio Nobrega votou por unanimi
dade a 8 de Marqo uma moqao de pesar pela morte
do alumno Vasconcellos.
b) Bernardino Feliciano, Maranhense, immediate
do vapor Colombo, chegado havia dous dias dus portos do
Norte; Victima de sua imprudencia, pois instado por
amigos para que n.o se expuzesse e se recolhesse A
*casa de urn delles sahiu a apreciar a acq o onde mais
accesa ia ella, cahiu na Rua da B6a Vista, varado no
mnamelao direito por. uma bala Comblain disparada por
:urn dos alumnos corn cuja causa, aliAs, sympathisava.
.Deixou mulher e seis filhos.'
c) Luiz Lopes Bezerra, sargento do Corpo de Se
guranca, corn 31 annos de praqa. Morreu dentro de pa-
lacio de uma bala,. que, penetrando no olho direito, atra-
vessou-lhe o craneo. Deixou mulher e 3 filhos, sendo
o mais velho uma menina de 12 annos
d) Joaquim Ribeirode Carvalho, natural de Sobral,
de 46 annos de edade. F6ra. por 10 annos soldado do
Corpo Policial.e ha 2 annos fazia parte da Guarda Ci-
vica. Morreu deixando mulher e'3 filhos, sendo urn me-
nino de 2 annos, outro de 5 annos e uma menina de
14 annos, alumna do Collegio das Irmans de Caridade.
A um tiro desse soldado foi que cahiu morto o ca-
dete Vasconcellos. Foi visto muitas vezes atravessar por
sob o fogo a praga do Ferreira para buscar muniq6es.
A bala que o matou varou-o de lado a Iddo no hypo-
* chondrio direito.
e) Jose Cassiano de Lima, filho da viuva Maria
Cassiano. Um home de 13 annos de edade, pois era
o arrimno da mae e dos irmaos. Aprendiz de uma das
officinas da Estrada de Ferro de Baturit6. Corria elle de
casa para uma loja fronteira a comprar um pouco de
oleo de .cravo para applicar n'um dente de que estava
soffrendo quando attingiu-o no baixo venture uma bala
de espinlgarda Comblain.
A principio nao sentia se ferido, mas vendo-se co











berto de sangue voltou para a casa, morrendo d'ahi a
horas nos bracos da pobre mae, cheia de horror e d6r.
Seus collegess da Estrada de ferro abriram uma
subscripqIo para. occorrer is primeiras necessidades da
familiar, e uma alma caridosa corpprometteu-se a for-
,necer-lhe por um anno os vencimentos, que tinha o
pequeno martyr.
f) Antonio Ribeiro Ayres Guimaraes, filho do Cel.
Custodio Ribeiro Guimaraes que representou a Provincia
no antigo regimen, e natural de S. Bernardo de Russas.
Era estudante de preparatorios e empregado na Secre-
taria do Senado. Amigo do general, foi dos primeiros a
apresentar-se em palacio. JA muito adiantada a noute,
espreitava elle de um ponto do terrago de palacio as
linhas dos atiradores contraries quando urna bala veio
tferil o na regiao lateral direita do pescoco. Mais de uma
versao pretendeu explicar a causa de sua infelicidade,
havendo mesmo quem julgasse que por erro de ponta-
ria ferira-o um braco amigo. Outra versao correu e foi
que o tiro viera de uma das casas fronteiras, a qual
pertencia a um engenheiro, cunhado de um dos mais
influentes adversaries do General, mas verificou se que
a pess6a inculpada nerr na cidade estava.
Guimaraes veio a succumbir na tarde do dia 19.
A bordo Jos6 Clarindo nao cessava de dizer: nao
-me deixem morrer o Guimar~es; foi um bravo.
g) Joao Bezerra, sapateiro, morador no fim da Rua
da B6a Vista, quasi a Praqa dos Coelhos, a grande dis-
tancia, portanto, do logar da lucta Instado pela mulher
e pelos visinhos para deixar a calqada onde e'stava sen-
tado e r.ecolher se A casa, entregava elle a mulher um
filho, de peito, que tinha nos braqos precisamente quando
veiu varal o abaixo do umbigo uma bala Comblain. Essa
bala passara poucos instantes antes por urn individuo
entire a barriga e a camisa a que o vento fazia fluctuar.
0 morto era primo legitimo do Major Manoel Bezerra.
h) Francisco Izidoro, do Corpo de Seguranqa, na-
tural do Crato Falleceu 30 dias depois do combat de
infecqdo purulenta por estilhago de metralha na articu-
lacao coxofemural esquerda. Deixou dous filhos e a mu-
lher em estado muito adiantado de gravidez.










i) Pbrphyrio Jose dos Santos, cornlea do Corpo de
Regaranga. Pertencera ao 11 Batalhao. Verificou se que
estava apalavrado corn o lado contrario. Para ser co-
nhecido combinara em trazer ao pescoqo urnm leno branco,
mas urn aggregado da Escola, que o desconhecia, pros-
trou o corn um tiro de Comblain. Por muito tempo per-
maneceu manchada de sangue a 3.2 porta do armazemi
pertencente aos negociantes Gradvohl Freres (olhando-
para os funds da Egreja do Rosario), hoje Banco Po-
pular S. Jos6 onde elle cahiu ferido na front.
j) Salome Francisco Braga, um pobre aguadeiro,
que era privado de. um brago, e foi alcanqado por uma;
bala em pleno pleito.
k) Raymundo Guimaraes.
1) Euthymio de Franga Leite, soldado do Corpo de
Seguranga. Pertencia ao 1.0 pelot.o, que sahiu ao en-
contro dos alumnos da Escola. Atravessado no hypo-
gastro por um tiro disparado por um dos alumnos, que
estavam entrincheirados na esquina da casa Manaus, ca-
hia junto A porta do consultorio do Dr. Joao Moreira,
que ouvindo os gemidos recolheu-o, ajudado por Jo.o,
Carlos Jatahy e Pharmaceutico Jose Eloy, d pharmacia
Theodorico. Transportado d'ahi por 2 homes atW o hos-
pital de Misericordia, falleceu is 7 horas da manhA se-
guinte em consequencia de uma peritonite superaguda.
Era casado corn uma senhora da familiar Alencar. N.o,
tinha dado um tiro pois encontrou-se-lhe intacta a car-
tucheira.
m) Vicente Cabelludo, do corpo de Seguranga. Sua
morte foi'obra de uma perversidade f6ra do commum.
Foi morto quando vinha corn outro pela Rua do Trilho,
depois de serenada a lucta e ao sahir de uma venda
onde haviam ido comprar pao por nao comerem havia
mais de 24 horas e the chegar a noticia que os filhos-.
morriam de fome!
Estes e outros apontamentos publiquei na Revista
do Institute do Ceari, anno de 1898, sob o titulo Quaes
as viclimas do 16 de Fevereiro.
18 de Fevereiro. 0 vice governador Benjamimr
Liberato Barroso, por Dec. n.0 1, dissolve o Congresso








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Cearense e convoca outro para 12 de Maio. Em virtude
dessa convocacao procedeu-se a eleicao a 10 de Abfil
pelas instruccoes approvadas por acto de 1 de Marco.
18 de Fevereiro.-O vice-governador Benjamim
Liberato Barroso, por Dec. n.0 3, demitte de seus cargos
os membros do Tribunal de Appellacqo Emiliano Jos6
Rodrigues, Manoel Hemeterio Raposo de Mello, Henri-
que Domingues da Silva e Pedro Thomaz de Queiroz
Ferreira e nomeia para substituil-os o Juiz de direito
da comarca de Sobral Jos6 Gomes da Frota, o Juiz de
direito da comarca de Viqosa Carlos Francisco Soares
de Brito e os Doutores Paulino Nogueira Borges da
Fonseca e Manoel de Souza Garcia.
19 de Fevereiro.-Funda se em Pacoty uma Con
ferencia de S. Vicente de Paulo sob a invocaq.o de
Sant'Anna.
26 de Fevereiro.-O vice-governador Benjamim
Barroso, por Dec. n.0 4, mojifica o Dec. n. 200 de 6 de
Junho de 1891 e demitte 12 juizes de direito de varias
lucalidades do Estado, subst.tuiado-os por outros tantos
da sua parcialidade political.
28 de Fevereiro.- Publica-se em Fortaleza 0 Ope.
rrio sob a redacc.o de Jodo da Rocha e Jodo Benevi
des. Trazia por epigraphe as palavras rA alliauna da
raz~o co:n o coracgo 6 necessaria e indispensavel na pe-
leja e resistencia contra as paixoes.>
6 de Marco. Victima de amollecimento cerebral,
fallece em Fortaleza, a cujo clima viera pedir alivio a
seus padecimentos, no hotel Dragaud, rua da B6a Vista
esquina da rua das Fl6res, o Conego Antonio de Siq.eira
Mendes, notavel politico do Estado do Iard.
A 26 de Junho de 1899 procedeu se a exhumacqo
dos seus ossos, os quaes foram transportados para o
torrdo natal para o que veiu de proposito em piedosa
commissao ao Ceard Manoel Francisco da Silva, com-
missionado pelo povo Paraense.
7 de Marc3. Assume o commando da Escola Mi-
litar e da guarnicqo do Estado o Cel. Jos6 de Siqueira
Menezes, sendo por isso dispensado o commandant inte-
rino Tte. Cel Bizerril Fontenelle.








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8 de Marco.-E dessa data o Manifesto do Gene-
ral Jose Clarindo de Qaeiroz ao paiz sobre sua deposiqgo-
de Governador do Ceara. E' datado do Rio de Janeiro.

MANIFESTO dirigido peto General Jos& Clarindo-
de Queiroz A Naqao.
aS6 agora, vinte dias depois do monstruoso atten-
tado que me depoz do cargo.de.governador do Ceard,
6 que posso me desobrigar do ever de dirigir o ment
manifesto A na qo.
0 estado precario de .minha saude, rudemente
aballada naquella peleja desigual, a que s6 por accaso
sobrevivi, foi o motivo principal dessa demora, aliAsi
convenient, para que as minhas palavras -n.o paregani
resentir se da commogdo de moment; e antes teren o-
cunho da prudencia e firmeza, que em verdade nunca
perdi.
Na grande crise por que passa actualmente a NavAo,
Brazileira, quando, sob pretexto de restabelecer-se a
Constituigao Federal, promove-se a anarchia em todos
os Estados, desviando-se a forqa armada do papdl a que-
6 destinada, para implantar o despotismo em todo o-
paiz e derramar o sangue do povo, entendi que era
meu ever defender o Ceari, constituido em Estado-
autonomo, a cujos destinos me achava ligado pelo mais
solemne compromisso.
Assim procedendo, nao obedeci somente As inspi-
raoqes da consciencia, mas tambem e principalmente is
imposiq6es da vontade popular.
Livremente eleito para o cargo de governador
por um Congresso, constituido em minha ausencia, que,
tendo presents 23. deputados, elegeu-me por 22 votos,
fui sempre apoiado pela grande mhioria do Estado
Corn a maioria governei e corn ella cahi, se por
ventura 6 cahir ceder diante da forqa, da violencia,
effective e descommunal, cornm evidence impossibilidade
de levar por diante a resistencia.
Posso affirmar ao paiz, e o fago corn grande satis-
fahqo, que o povo cearense, identificado commigo, ndo








-45-


cedea por fraqueza, mas unicamente porque as cir-
cumstancias tornav.o a nossa victoria impossivel.
Ao lado daquelle povo heroico, lutei durante tres
horas e, quasi sem, armas nem municqes, apanhado de
sorpresa, oppondo resistencia a metralhadoras e canh5es,
collocados em posiqces inaccessiveis aos nossos parcos
meios de defeza.
Cedi, mas commigo terminou no Ceari o dominion
da lei, e em tempo algum se podera dizer que fui in-
differente aos destinos da minha terra natal.
Emquanto tive forcas lutei e s6 reconheci me ven-
cido quando o palacio do governor ameagava desabar
por. cima do povo, arrombadas as paredes a balas de
artilharia
Era impossivel vencer.
0 CearA, abandonado e pequeno, nAo podia deixar
de ser esmagado pelo poder da Federacao.
A convicc o da santidade da nossa causa nos den.
forcas, mas haviamos de ceder ante-o poder omnipo-
tente do absolutismo.
E podera o governor federal negar a sua intervefntio
no attentado de que fomos victims?
0 11.0 batalhao, que era uma garantia da tran-
quillidade public, teve de retirar-se para a cidade de
Maranguape, a 29 kilometros da capital, sob pretexto
de ali acampar e fazer exercicios por ordem do com-
mandante do 2.0 district e em obediencia a instrucqces
do ministry interino da guerra, contra almirante Cus-
todio Jose de Mello, nao obstante as ponderac6es que
fiz em telegrammas ao vice president da Republica,
previnindo-o dos boatos alarmantes, qIe corriam e das
ameagas de deposic.o, que me eram dirigidas.
E apenas retira se o batalhao comeqa a revolta,
pondo se em ordem de batalha toda a forca federal
restante.
E' o proprio commandant da guarniqco que poe
em movimento a escola military, corn pracas do batalhaio
que ficaram no quartel e pessoal dos navios de guerra
surtos no porto, desembarcando priviamente metralha-
doras e mais preparativos de guerra, e fazendo assentar
em pontos convenientes, quatro canh6es raiados da for-








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taleza, que corn as municqes foram dali retirados por
praqas de linha.
Entretanto, a forca federal devia prestar me o au-
xilio que me 6 garantido pela constituiqgo, e em tempo
o requisite, sem deixar de fazel-o ao commandant da
guarnic.o e ao do 11.o batalhao, quando ia este partir
para Maranguape.
Mas como podia ser de outro modo, si Ihe estava
reservada a miss.o de forqar a minha retirarda do go
verno ?
0 governor federal ordenou, e a forca obedeceu:
eis tud'o.
Alas neste caso fosse sincero e franco o Poder
Federal: assumisse abertamente a dictadura e nao nas
viesse fallar em nome da legalidade, garantindo mesmo
todo o apoio e confianca ao Governador do CearA.
Eu creio nos homes eminentes do paiz, e acredi-
tei a principio nas palavras corn que se apresentou A
Naqdo o sr. vice-presidente, no manifesto que publicou
ao assumir a supreme direcqAo da Republica.
Nada devia receiar de homes que acabavam de
sahir victoriosos de uma revolucao, que foi feita em
nome da lei, quando a minha causa devia ser a delles.
Entendi nao ser de meu ever contrariar o acto
de dissolucao do -Congresso Federal, porque as minhas
attribuiq6es eram limitadas ao Estado, e corn a conduct
reservada, que adoptei suppunha evitar perturbaq6es
lamentaveis.
Nao havia de minha parte intenq.o menos digna,
nemr os meus telegrammas foram devidamente aprecia
dos; aguardava os acontecimentos sem recorrer a meios
irritantes, convencido, entire tanto, da gravidade da situa-
cao em que entrava o paiz.
A solucao foi rapida; e logo pelo triumph da
revolucao de 23 de Novembro, foi saudadq em toda a
NaqAo o restabelecimento da legalidade. Suppuz resol-
vida a questdo; e vendo que pelo proprio sr vice-
presidente da Republica era qualificada como patriotic
a renuncia do benemerito sr. marechal Deodoro da
Fonseca, entendi que a revolugao era de boa f6. Lutar pela
lei 6 de facto a mais nobre das aspiracqes e eu nada








--47-


tinha a opp6r contra aquelles, que se apresentavam emr
nome da legalidade.
Fui accusado de incoherencia e commigo todos
os outros governadores.
Questio de principios-disseram.
Pretexto para monopolisar o governor em todos os-
Estados-tive de reconhecer.
Corn profunda magua convenci-me de que a revo-
luco se fizera-nAo por am6r do direito, mas por am6r
de poder.
Desde entdo nao tive mais illus6es.
Quiz deixar desde logo o governor, mas a popu
ladqo cearense, em sua quasi totalidade, incluindo tudo.
o que o CearA possue de mais distinct, impoz-me o-
dever de lutar peas instituicqes.
.Ceder era abandonar o Estado a anarchia e A de-
sordem. Eu nao devia attender s6mente aos meus inte-
resses, aos meus commodos, era sacrificio peFmanecer
no governor, sacrificial que so eu mesmo sei aquilatar
devidamente, mas devia obedecer aos dictames da opi-
niao.
Nunca me alterei. Calmo, impertubavel pela con-
vicio de que defendia uma causa sagrada, nunca exerci-
uma vingancia, nunca fiz uma perseguicao.
Se alguma vez me affastei da legalidade e da ho-
nestidade administrative que o digam os meus proprios;
oppositores; da grita palavrosa e apaixonada que tern
levantado contra mim, n~o se destaca uma s6 accusaqdo
s6ria, ou argumentaqao de acto meu menos regular ouw
menos recto.
Promovi ou presidi d primeira e talvez unica elei-
gao verdadeiramente livre da Republica, a do Senado.
Estadual.
Reorganizei a magistratura, reduzindo 34 comar-
cas a 18, e rao se levantou uma queixa, nao se fez'
uma s6 censura.
Fui severissimo exactor das rendas publicas, nio
infringindo jamais as disposig6es orgamentarias, nem
mesmo pars despezas corn a defesa de governor legal
contra a revolta d;s forqas federaes.
Apezar da exiguidade das rendas do Estado e das








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difficuldades itisuperaveis da administration, deixei saldos
no thesouro superiores a cem contos de r6is.
Procurei corn incessante esforgo prover a todos os
ramos do servico public e diz me a consciencia que
promovi a prosperidade do Ceara.
Entretanto, ji comeqou e ji vai long no caminho
da demoliqho a reacgdo do pequeno grupo, que ali re-
presenta a anarchia
Era um grupo limitadissimo de exaltados, mas a
forqa que Ihes dava o governor federal era tanta, que
elles chegaram a contar como segura a minha depasiqAo
nas diversas tentativas que fizeram.
Eu nao nutria mais illusoes: conhecia perfeita-
mente a direcqAo, que haviam de tomar os negocios.
O que se passava pelos outros Estados, o que occorria
diariamente no Ceari, as transferencias de officials meus
amigos, sendo substituidos por desaffectos, a chegada
de emissarios, e por fim um telegramma do chefe do
Estado convidando-me para uma commissao nesta ca
pital, tudo isto era bastante eloquente para que me
pudesse enganar.
Se nao deix-i logo o governor foi porque entendo
qufe nao se p6de tranzigir corn os principios. que sao
o fundamento da sociedade.
Eu tinha a obrigaqio de defender a autonoinia
do Estado, como havia promettido; e desde que esta-
vam de meu lado a lei, o direito e a opini.o, entendi
q ie niao devia ceder sinio em presenqa do ataque irre-
sistivel da forqa.
0 principio da legitimidade ficou salvo. Nao foi
convencilo, mas vencido Nao capitulei nem negociei a
paz; fai derrotado pela forqa bruta. 0 crime, embora
vencedor no moment, ndo oblitera o direito, que 6
imperecivel.
Coube ao despotismo a victoria material. Mas o
triu:.npho moral, que s6 a lei e a maioria do Estado
podiam dar, coube-nos a n6s, representantes da verda.
deira legalidade
Se a republican 6 -o governor da lei e da maioria,
p6de-se dizer que no Ceara cahio a republican para
comeqar o domino da forca.








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A cada um a responsabilidade de seus actos: quanto
a mim, tenho a consciencia limpa e tranquilla.
Creio bem que a palavra simples e despretenciosa,
que ora dirijo d Na.ao, nao seri esteril, porque fallo
em none da justica offendida.
Cedi, mas cedi lutando at6 ao limited do possivel,
-e 6 bello lutar pelo direito at6 a ultima extremidade.
Pela primeira vez tive orgulho, e se os aggresso
res da noite de .16 do mez ultimo acreditarn que me
retire abatido, se illudem.
Eu sahi corn o'coraqao engrandecido pelo exem-
plo de urn povo hercico, que sabe morrer para dar vida
aos seus direitos.
Suppuzeram talvez que nas ruinas do palacio do
governor ficava sqpultada a alma do povo cearense.
Enganam-se, o povo nao moire. A mnocidade apren-
dera nesse exemplo a melhor orientar se na defeza das
instituih6es
Era inacreditavel que se chegasse ao inaudito arrojo
de bombardear o palacio do governor e a capital do
Estado em nome da- falsa, legalidade contra a legali-
dade real.
Mas tivemos de ver, bern ao vivo, como ji se joga
corn a vida dos homes e como se affronta os brios
do povo.
Eram 5 horas. da tarde, de 16 de Fevereiro findo,
quando o major reformado Manoel Bezerra intirnou-me
pelo telephone (!), a deixar o. governor e ainda nro tinha
eu concluido a resposta, quando ouviu-se o prirneiro
tiro de canhro!
E a populaaio da capital assistio, corn espanto e
terror, ao tiroteio medonho que prolongou-se desde 5
horas da tarde de 16, at6 6 horas da manh~ de 17.
Tive de retirar minha familiar alta noite, para uma
casa visinha, por entire o estrondo do canhao e da me-
tralha, quando j~i amneaqavam desabar as paredes do
palacio e os moves foram revolvidos pelas balas.
Foi urna scena medonha.
-E pdrque todo esse terror?
Porque o Governo Federal pensou que o CearA








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nAo devia escapar i anarchia, que invade e convursiona o
paiz.
Fez uma revoluco em nomee da legalidade, para
restaurar a Contstituiqdo Federal, e por ordem ou corn
evidence consenso do Governo da Uni.o rasgam se as.
Constituic6es dos Estados.
A revolugco durou 20 dias, promove-se a rupture
de 20 Constituic6es e o assassinate em massa do povo.
em tres longos mezes. E' a logica do despotismo.
Reagi na media de minhas forqas contra o mons-
truoso attentado, e retire me corn a consciencia tran-
quilla, appellando para o patriotism da imprensa e para
a justiga, dos meus compatriotas.
Ainda sou, de direito, o governador do Ceari.
Rio de Janeiro, 8 de mar;o de 1892.
Jos6 Clarindo de Queiroz.

14 de Marco. Os directors do Centro Republi-
cano Coarense e da Unido Republicana declaram sua fusAo
em um novo partido, intitulado Federulista.
Seu manifesto 6 concebido nos seguintes terms:
Aos nossos concidadaos. 0 C'entro 1?punblicano Cea-
rense, instituido nos dias de propaganda pela Republica,.
e a Uniao Republieana, organisada em seguida 4 revo-
IuqAo de 15 de Novembro, foram levados pela forga dos.
acontecimentos 4 mesma arena de combat, ao mesmo>
campo de accqo, na defeza dos sagrados direitos confe
ridos aos cidadios brasileiros pela constituiWao, que fir-
mou a confederatio dos Estados Unidos do Brasil.
Animadas dos mesmos s!ntimentos de am6r da
patria e dignidade civica, as duas aggremiaq6es political
regulars do Estado empenharam se corn igual conviccfo
e esforgo no glorioso prelio travado em prol dos sAos.
principios consagrados na lei basilica da Republica, na
defeza tenazmente mantida da autonomia do Estado, sa
crificada pelo gotl.e de estado de 3 de Novembro annul-
lado, por honra da na;ao, pelo contra-golpe de 23 do
mesmo lmez. 6
Retemperadas nessa campanha gloriosa, que ter-
minou corn a victoria da manhA de 17 de Fevereiro








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ultimo, pela deposi&.o do governador general Jos6 Cla-
rindo de Queiroz, as forqas organisadas da political Re-
publicana cearense, ao assumir o grave compromisso da
reorganisacao do estado, de accord corn o regimen
federativo, sentiram-se de todo idcntificadas pelos intui-
tos que as animaram, pela justeza de vistas corn que
ambas parcialidades encaram os ideaes da nova patria.
Arrasadas, assim, as barreiras que, por ventura,
separam os dous arraiaes, 0 Centro e a Unido Republi-
caut deliberam constituir se em urn s6 partido -Repu-
blicnlto Federalista- congregando em torno de sua ban-
deira todos os bons cearenses, cujo patriotismo ainda
nao se tenha arrefecido e para os quaes a causa da
Uniao e do Estado esteja acima de quaesquer preoc
cupacOes de egoismo.
Nao se trata de uma allianla ephemera, inspirada
por interesses de miomernto, mas de uma organisaqdo
definitive e permanent. Esse manifesto 6 as-ignado
pelo Bardo de Aquiraz, Antonio Finto Nogueira Ac-
cioly, M. Ambrosio da Silveira Torres Portugal, Dr.
Helvecio da Silva Monte, Dr. Virgilio Augusto de Mo-
raes, Gongalo de Almeida Souto, Carlos Felippe Ra-
bello de Miranda, Dr Ildefonso Correi'a Lima, Joao
Cordeiro, Manoel Bezerra d'Albuquerque, Jos6 Freire
Bizerril Fontenelle. Antonio Joaquim Guedes de Miran-
da. Dr. Joao Marinho de Andrade, Alexandre Jos6 Bar-
bosa Li:na, Waldemiro Cavalcanti, Agapito Jorge dos
Santos, Francisco Benevolo. Manoel de Oliveira Paiva,
Waldemiro Moteira e Joao Lopes Ferreira Filho.
16 de Marco.-A Redacco d'A Verdade faz ce
lebrar na Cathedral suffragios pelas victims dos acon-
tecimentos de 16 e 17 de Fevereiro. Tanto A missa
como A encommendaq.o solemne esteve.presente o Bispo
Diocesano.
25 de Marco.-Num -dos sales do edificio do
Congress Cearense "em reuni.o presidida pelo Senador
Manoel Bezerra de Albuquerque 6 noneado o directo-
rio do novo Partido Federalista, organisado no Estado
pela fusdo dos partidos politicos Centro Republicano e
Uni.o Republicana.








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Propostos para meinbros do directorio, foram urra'-
nimemente acceitos os cidados:
Jo.o Cordeiro, Dr. Antonio Pinto Nogueira Ac
cioly, Dr. Ildefonso Correia Lima, Major Antonio Joa-
qhim Guedes de Miranda,. Dr. Manoel Ambrosio da
Silveira Torres Portugal, Capitdo Alfredo Barbosa e
Agapito Jorge dos Santos.
O Dr. Ildefonso Correia Lima propoz, e foi ac-
ceito, que os senadores e deputados que assignaram as
chapas para membros do Congresso Cearense fossem
considerados membros natos do directorio.
A's pessoas a que a proposta se referem eram:
Senadores Manoel Bezerra de Albuquerque Junior
e Theodoreto Carlos de Faria Souto; Deputados Joao
Lopes Ferreira .Filho, Jos6 Freire Bizerril Fontenelle,.
Gonqalo de. Lagos Fernandes Bastos, Jos6 Bevilaqua,
Alexandre Jos6 Barbosa Lima e Frederico Augusto.
Borges.
9 de Abril.- Publica-se em Fortaleza A Repnbli-
ea, orgaim politico. Pertencia a uma sociedade anonvma
denominada- CearA-Libertador.
Foi o resultado da fusdo do Libertador e do Es-
Mido do Ceard, orgaos do Centro Republicano e da Uu iaoo
Republicaua.
Principiou a publicar-se A Rua do Major Facun-
do, n.0 54, passando-se depois para a Rua Senador
Alencar, de onde mudou-se para a Rua BSa Vista oit
Floriano Peixoto n.0 55.
10 de Maio.-Abre-se o 2.0 Congresso Consti-
tuinte do Ceard, que a moda do 1.0 promulgou uma
ConstituicAo.
Seus trabalhos prolongaram se ate 12 de Julho.
13 de Maio.- Installa se no Cassino Cearense, de
Fortaleza, a sociedade litteraria Silva Jardim.
0 Cassino Cearense era situado no 2.0 piano do.
Passeio Publico e foi posto abaixo por afeiar aquelle
logradouro.
16 de Maio.-Publica-se em Fortaleza 0 Diario
sob a redaci.o de Adolpho Caminha e Oliveira e Silva.
22 de Maio.-Publica-se em Baturit6 o Oitenta e.







-53-


noe. orgam Republicano, sob a redaccdo de Anton'io
Arthur, Landido Thaumaturgo e Pedro Catdo.
26 de Maio.-Publica-se em Fortaleza o jornalzi-
nho 0 Canado. Redactor Jos6 dos Santos.
30 de Maio. Funda se em Fortaleza, A Rua For-
mosa n.0 105, a Pudaria Espiritual, associaq.o litteraria.
Foram seus fundadores: Jovino Guedes, Antonio Salles,
Livio Barretto, Ullysses Bezerra, Jos6 de Moura, Adol-
pho Caminha, Themistocles Machado. Joaquim Victoriano,
Sabino Baptista, Alvaro Martins, Antonio de Castro, Luiz
Sa, Jo.o Paiva, Jos6 dos Santos, Raymundo Theophilo
Moura, Henrique Jorge, Carlos Victor, Jos6 Maria Bri-
gido e Gastao de Castro.
Reorganisada em 28 de Setembro de 1894, para ella
entraram como socios: Dr. Jose Carlos Junior, Dr. Wal-'
demiro Cavalcanti, Dr. Almeida Braga, Jos6 Carvalho,
Roberto de Alencar, Cabral de Alencar, Arthur Theo-
philo. Eduardo Saboya. Rodolpho Theophilo, Antonio
Bezerra e Xavier de Castro.
Livros por ella publicados: Pihan/os, Lopes Filho;
Plocos e YVagas, Sabino Baptista; Confos do Ceard, Edu-
ardo Saboya; Trovas do Norte, Antonio Salles; Os Bri.
thuntes, Alaria Rilta, Fiol gdo, Rodolpho Theophilo;
Versos e Marinhas, Antonio de Castro; 'hromos, Xavier
de Castro; Dolentes, Livio Barreto; Perfis Cearluses,
Jos6 Carvalho.
5 de Junho.-Funda-se em Milagres uma Confe-
rencia de S. Vicente de Paulo sob a invocacio do Sa-
grado CoracAo de Jesus.
Em consequencia foi no mesmo dia ahi fundado
um Conselho Particular.
7 de Junho.-Lei n.0 48 innovando o contractoda
CearA Harbour Corporation L td, elevando seu capital a
4874 contos corn garantia de juros por 25 annos e au-
torisando a prorogacao do prazo para a conclusio das
respectivas obras. Vide 23 de Agosto.
9 de Junho.-A commissdo nomeada pelo Gover.
no Estadoal corn a incumbencia de agenciar products
naturaes e industries do Ceari para a Exposicao de








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Chicago faz um appello a populacao para que e.le seja
dignamente representado n'aquelle certamen universal.
27 de Junho.-Naufragio do vapor Alcantura em
que succumbe o engenheiro Richard Saunders.
9 de Julho.-Decreto sob n.0 69 mudando o nome
da villa de Maria Pereira para o de Villa Benjamirm
Constant.
10 de Julho. Publica-se 0 Pao, orgam da.Pdaria
Espiritual. Depois do sexto numero foi interrompida a
publicacao para recomeqar de novo a 1 de Janeiro de
1895 sob a direcgdo de Antonio Salles e gerencia de
Sabino Baptista.
0 ]'ao, que foi a principio publicado na Typ. da
Republica, -passou depois a sahir das Officinas Studart
A Rua Formosa n.0 46.
12 de Julho.-O Major Benjamim Liberato Bar-
roso deixa o Governo do Estado e 6 substituido pelb
Dr. Antonio Pinto Nogueira Accioly, 1.0 Vice-presidente
eleito pelo Congresso nesse mesmo dia.
15 de Agosto. Funda se na villa de Sant'Anna
do Brejo Grande a Sociedade Litteraria 11 de Janeiro.
S"" r1e A, str.-f., no 1022 jnnovando o con-
tracto corn a CearA Harbour Corpoi ation Ltd. de ac-
cordo corn a Lei n.0 48 de 7 de Junho.
27 de Agosto. Assume o governor do CearA o Te.
Cel. de eugnheiros Jos6 Freire Bizerril Fontenelle.
28 de Agosto.--Funda-se na Villa do Trahiry o
Partido Operario, sendo seu president Joo Barbosa
de Amorim.
ue Setembro. Pablica-se em Fortaleza o journal
0 1'll l.
8 de Setambro.-Installa'se em Fortaleza num dos
sales do Lyceu a sociedade litteraria Jo'si de Aleucar.
18 de Setembro.-- Publica-se em Fortaleza o pe-
riodic, litterario Jose de Alencar, como orgam da classes
estuddntal. Redactores Queiroz Fac6, Antonio Benicio,
Frob P-ss6a e Coelho Miranda.
28 de Setembro.- Publica se em Sobral o jornal-
zinho 0 Cascus.








-55-


29 de Setembro.- Fallecimento de Manoel de Oli-
veira Paiva, romancista e jornalista.
Nasceu a 12 de Julho de 1861 em Fortaleza, na
entao rua Amelia, hoje do Senador Pompeu, casa n.0 162.
De collaboraqio com Jodo Lopes e Antonio Martins,
escreveu A semana, chronic que.o Libertador publicava
aos sabbados, assignada por Gil, Pery s& Ca.
E' o autor da Zibellinha ou T7cha 4/aildila, Conto
em verso, CearA Typ. Economic Rua da B6a Vista, 85-
1883, offerecido A memorial de Luiz Gama, 8.0 de 40 pa-
ginas,e um romance sob titulo A afilhada, que foi public
cado no roda p6 do Libertador.
Em Janeiro de 1887 cornm Joo Lopes, Antonio Mar-
tins, Abel Garcia, Jos6 de Barcellos e Jos6 Olympio re
digit A Quinzewa, propriedade do Club Litterario e
nella publicou various, contos como-A corda sensivel, 0
velho vov6, 0 ar do rento Are Mtaria, A Paixdo, De preto
e de verme!ho,. A melhor cartada etc
A Padaria Espiritual publicou a 9 de Outubro uma
polyanthea corn o retrato de Oliveira Paiva e seus Tra-
qos biographicos por Antonio -Salles
15 de Outubro. 0 Bispo Diocesano D Joaquim
sagra a Ermida de N.a S.a de Lourdes, levantada pela
piedade de D.a Anna Caracas no cimo do monte fron
teira a antiga Matriz da Villa de Guaramiranga, serra
de Baturit6.
27 de Outubro. Funda-se em Lavras uma Confe-
rencia de S. Vicente de Paulo sob a invocaqAo de N. S.
da Conceigqo. Foi aggregada a 20 de Agosto de 1894.
28 de Outubro. Funda se em Lavras uma Confe-
rencia de S. Vicente de Paulo sob a invccacAo de Sant'
Anna. Foi aggregada a 20 de Agosto de 1894.
Em consequencia foi alli creado a 6 de Novembro
um Conselho Particular, o qual foi aggregado ao Centra
em Paris a 4 de Maio de 1896.
10 de Novembro. E' dessa data a Lei n. 35
regulando a Organisacao Municipal do Ceara.
Falleceram em Fortaleza 1874 pess6as, sendo 1010
do sexo masculine e 864 do feminine, 832 adults e
















1042 parvulos, 1842 nacionaes e '32 extrangeiros, 763
da freguezia de S Jos6 e 1111 da de S. Luiz.
Registaram-se nas diversas freguezias do Estado
38151 baptisados (19886 do sexo masculine e 18205 do
feminino), 5920 casamentos e 9280 obitos, sendo 4066
adults e 5214 parvulos, 4851 homens e 4429 mulheres.
Em 1892 crearam-se no Estado do Ceard agencies
de co:reio em Mecejana e Quixadi (18 de Junho), Pacoty
e Tangui (19 de Junho), Beberibe (23 de Julho), Bahi,
Castro, Mondubim e Riach.o (25 de Julho).
0 venture de Fortaleza enguliu 15878 bois, 1347
porcos e 425 carneiros.











1893


1 de Janeiro. -Transfere se para o seu novo aquar-
telamento, na praqa do Marquez do Herval, o batalhdo
de seguranca do Estado Foi preparado para esse fim o
antigo pr6dio provincial, no qual funccionaram outr'ora
o Lyceu e a Bibliotheca Todo o trabalho foi executado
sob as vistas do Tte. Joao Arnoso
16 de Fevereiro. Jos6 Carolino public em Forta-
leza o journal DezVseis de Fevereiro.
20 de Fevereiro. Aos 65 annos de edade fallece
na Santa Casa de Misericordia de Fortaleza o benemerito
Pe. Jos6 Thomaz de Albuquerque, parahybano, de gran-
des services ao Ceara.
Deixou escripta em 3 volu:-mes sua auto-biographia.
Repousa em modest sepultura n.o cemiterio de
S Joao Baptista levantada por piedosa subscripcqo"
popular.
21 de Fevereiro. Fallecimento do Dr Meton da
Franca Alencar, Doutor em medicine pela Faculdade do
Rio de Janeiro, ex-primeiro cirurgido, contractado, do
exercito em operaqoes contra o Paraguay, socio das so-
ciedades Beneficencia Academica, Medico-Cirurgica de
Observa..es, Instituto Academico, Academia de Medicina
e Cirurgia do Rio de Janeiro.
Nascera em Mecejana a 7 de Setembro de 1843,
sendo seus paes Antonio da Franca Alencar e D. Praxe-
des da Franca Alencar.
Fez os primeiros estudos no Lyceu Cearense, e ma-
triculou-se na Academia de Medicina do Rio em 1864,
recebendo o grau de doutor em 1870.
Sendo ainda estudante, quando rebentou a guerra
do Paraguay offereceu seus serviqos ao governor, que os
acceitou e recompensou justamente com as honras de Ca
pit.o e a medalha commemorative da Campanha.








-58-


De volta ao CearA em 1871 foi nomeado medico da
Santa Casa, cargo que exerceu atW a morte. Foi tam.
bem Inspector da Saude do Porto
Eleito pelo 1.0 district, representou o Ceara na
Camara dos Deputados na legislature de 1881- 84.
Era collaborador da Revista de Medicina de Paris.
24 de Fevereiro. Publica-se em Fortaleza o jor
nal Voz do Povo. Sahiu ate 15 de Marco.
1 de Abril.-A Repartigao d'Alfandega principia a
funccionar no novo edificio construido pela empreza
Ceara Harbour Corporation Ltd.
A historia da fundaqao desse important edificio
encontra-se nos seguintes dizeres de uma lapide nelle
collocada:
Inaugurada em 15 de Julho de 1891; sendo Presi-
dente da Republica o Generalissimo Manoel Deodoro da
Fonseca; Chefe do Ministerio Bardo de Lucena; Ministro
das Obras Publicas Dr. J Barbalho U. Cavalcante; Go-
vernador do Estado General Jos6 Clarindo de Queiroz;
Empresario Ceard Harbour Corporation Ltd;' Construc-
tores Punchard M. Taggart Muntz & C.a Representados
por E. Jackson, E P. O'Meara; Engenheiro chefe da
Corporaqco Sir George Barclay Bruce, e inspector do
1.0 district dos portos maritimos Augusto T. Coimbra.
1 de Abril. DA-se execucao A lei mandando des.
membrar a Caixa Economica da Thesouraria de Fazenda
do Ceara, principiando a funccionar autonomamente.
2 de Abril.-Funda-se em Pedra Branca uma Con-
ferencia de S. Vicente de Paulo sob a invocacAo de N.
S. da Conceicao. Foi aggregada a 18 de Novembro de
1895.
15 de Abril.-Eclipse total do Sol ao meio dia.
Para o estudo do admiravel phenomenon veio ao CearA
uma commissAo da Real Sociedade Astroflomica de Lon-
dres e della fazia parte sir Albert Taylor. 0 local pre-
ferido para as observag5es foi Paracuri. A linha cen-
tral do eclipse cortava a costa Brasileira cerca de 30
milhas de Fortaleza para Oeste. Foi igualmente visivel
na costa da Africa Occidental perto de Bathurst.








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Em Fortaleza ao moment do eclypse parecia ser
o comego da noite e os animaes domestics procura-
ram recolher-se aos logares de dormida
Para observer o phenomenon aqui esteve tambem
uma commissao chefiada pelo Dr. Henrique Morize.
26 de Abril.-Fallece em Mecejana corn 58 annos
de edade Joaquim Bento de Souza Andrade, Dr. em Me-
dicina pela Faculdade do Rio de Janeiro em 1858.
Repousam seus restos no Cemiterio de S. Jodo
Baptista de Fortaleza. Nasceu a 19 de Junho de 1835.
Foi official da secretaria da guerra, nomeado pelo
ministry Sebastiao Rego Barros, e official de gabinete
do ministry da guerra general Polydoro.
Representou a Provincia .como deputado geral em
mais de uma legislature. Escreveu no Diario Official e na
Reforma do Rio de Janeiro, e por alguns annos em com-
panhia de Francisco Octaviano esteve na redaccao do
Correio Mercantil.
11 de Maio.- Fundacao de uma Conferencia de S.
Vicente de Paulo na Cidade de Quixeramobim, sob a
invocagao de Santo Antonio. Foi aggregada a 19 de
Novembro de 1894.
22 de Maio. Installa se em Pedra Branca uma
Conferencia Vicentina sob a invocaqao de S. Sebastiao, a
qual foi aggregada a 18 de Novembro de 1895. Em vir-
tude dessa installacao ficou creado ahi urn Conselho Parti-
cular, que foi instituido no mesmo dia 18 de Novembro.
24 de Maio. Inauguracao da estatua do general
Tiburcio corn as reforms e melhoramentos feitos no
primitive monument ap6s os estragos nelle occasionados
pela lucta do 16 de Fevereiro do anno anterior.
E' este o respective Auto:
Aos vinte e quatro dias do mez de Maio do anno
de mil oitocentos noventa e tres, quinto da Republica,
nesta cidade da Fortaleza, capital do Estado do Ceari,
na Praca do General Tiburcio, As quatro e meia horas
da tarde, present o Exmo. President do Estado. Te-
nente Coronel Jos6 Freire Bezerril Fontenelle para o ef-
feito de novamente inaugurar a estatua do inclito cea-
rense-General Antonio Tiburcio Ferreira de Souza, be-










nemerito da patria, cahida do seu pedestal por occasion
do combat de deseseis de fevereiro do anno de mil oito-
centos noventa e dous, concorreram em multidao pes-
s6as as mais gradas da sociedade para se associarem A
manifestaqao de am6r, respeito e admiraqao pelo grande
home, cuja memorial se consagrava.
Estava postada na praca uma brigada de artilheria
e inf4nteria, composta do corpo de alumnos da Escola
Military, os Aprendizes Marinheiros e Batalhdo de Segu-
ranqa, sob o commando do Snr. Tenente Coronel Fran-
cisco Xavier Baptista, commandant da Escola e da
Guarniq.o, presents mais o president e membros do
Tribunal da Relaqao, president da Assembl6a Legisla-
tiva Dr. GOncalo de Almeida Souto, os respectivos se-
cretarios e alguns deputados, o capit.o do Porto e com-
mandante da Escola de Aprendizes Marinheiros, 1.0 Te
nentc Caio de Vasconcellos Pinheiro, o corpo docente e
officialidade da Escola Militar, o Intendente Municipal
major Joaquim Francisco dos Santos, president da Ca-
mara Municipal Cor6nel Valdemiro Moreira, vereadores,
e muitas outras autoridades civis e militares, os Secre-
tarios de Estado, o Director da Estrada de Ferro de
Baturit6, Dr. Ernesto A. Lassance Cunha e 1.0 enge.
nheiro da mesma estrada de ferro Dr. Lucio de Freitas
Amaral, o commandant da forca public do Estado,
Coronel Jos6 .Ribeiro Pereira e respective officialidade,
grande parte do Corpo Consular, empregados estadoaes
e federaes, commerciantes, artists, homes de lettras,
tudo que a sociedade reune de mais egregio e mais pres-
tadio a causa public.
Antes da leitura do discurso inaugural proferido
pelo cidaddo Julio Cesar da Fonseca Fihio, Secretario
da Camara Municioal, S. Exc.a o .Snr. President do
Estado declarou re inaugurado o monument fazendo
descer a cortina, que vellava o vulto do heroe cearense.
Os circumstances proromperam em vivas e saudaram
duas bandas de music; os corpos de alumnos militares,
corpo de seguranga e aprendizes marinheiros fizeram
continencias, encorporados sob o commando do Snr. Te-
nente Coronel Francisco Xavier Baptista. De todo este
festivo e solemne acontecimento em homenagem ao he-








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roe que o povo cearense honra, como um estimulo A pos-
teridade, accordou-se lavrar esta actaque assignam os
circumstances. Eu, Cesidio d'Albuquerque Martins Pe-
reira a escrevi.
0 pedestal de granito onde assenta a estatua com-
p6e se de uma plataforma de 10 metros em quadro,
corn superficie de 100 metros quadrados, circumdada coin
lages de granito rajado.
3 de Junho. Fallece em Vienna d'Austria o Dr.
Jos6 Ourgel do Amaral Valente, que all exercia o alto
cargo de enviado extraordinario e ministry plenipoten-
ciario.
Era filho do Aracaty e encetara'a carreira diplo-
matica a 27 de Janeiro de 1869.
14 de Junho. Fallecimento de Jos6 Patricio de
Castro Natalense, filho do tabellifio de Canind6 Fran
cisco de Paula Natalense, fallecido em 1878.
Nasceu em Quix'eramobim a 17 de Marco de 1840,
formou-se em sciencias juridicas e sociaes na Faculdade
de Pernambuco em Novembro de 1870 e morreu como
juiz de direito da comarca de S. Francisco de Paula de
Cima da Serra, Rio Grande do Sul para a qual f6ra
nomeado em Junho de 1890. Foi na Provincia juiz mu-
nicipal de Maria Pereira.
Publicou quando estudante um livro de versos sob
o titulo A Cumponeza, depois de formado, em 1883, o
poemeto A Ceareida e 0 Brazil Livre, Epilovo da (.ea-
reida (Aboliq.o da escravatura) Ceara 1888, Typ. Eco-
nomica, Praqa do Ferreira, 43.
I de Julho. 0 president Cel Jos6 Freire Bezerril
Fontenelle abre a Assembl6a Estadoal, cujos trabaihos
duraram 2 mezes e 20 dias durante os quakes foram
promulgadas 83 leis e sanccionadas 81.
15 de Julho.-Installa-se em Areias uma Confe-
rencia de S. Vicente de Paula sob a invocaAo de N. S
do Rosario. Foi aggregada a 13 de Abril ae 1896.
20 de Julho. Publica-se em Fortaleza a Ecolitcao,
revista dos alumnos da Escola Militar, Luiz Agassiz,
Flavio Belleza, Vianna de Carvalho, Leite de Berredo,







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Francisco Barretto, Cortes Guimaraes, Eutychio Galvao
e Jos6 da Penha. Sahia da Typ. Universal de Cunha
'Ferro & C.a.
26 de Julho.-Installaq.o em Fortaleza da Caixa
Filial do Banco de Pernambuco sob a gerencia de H.
Harding.
3 de Agosto. Decreto n.0 153 dividindo o Estado
em trez districts eleitoraes, tendon o 1 0 21 municipios,
o 2.0 30 e o 3.0 26, sommando todos 77 municipios. .
11 de Agosto. Fallece no Rio de Janeiro o Dr.
Theodoreto Carlos de Farias Souto, deputado geral no
antigo regimen, e Senador pelo Cear. no advento da
Republica. Administrou as Provincias de Santa Catharina
ie do Amazonas, a cujos escravos muito serviu como
,libertador.
21 de Agosto. Fundam-se em Pedra Branca duas
Conferencias de S. Vicente de Paulo sob as invocaq6es de
.S. Francisco das Chagas e Sagrado Coracao de Jesus.
Ambas foram aggregadas a 18 de Novembro de 1895
31 de Agosto.- Fallece no Rio de Janeiro ds 8 ho-
ras da manha, victim de uma hernia estrangulada, o
Dr Jose Julio de Albuquerque Barros, Barao de Sobral,
Procurador Geral da Republica.
Filho do Dr. Joao Fernandes Barros e D. Luiza de
.Albuquerque Barros, nasceu na cidade de Sobral a 11
de Maio de 1841, bacharelou se na Faculdade do Recife
em 1861 e doutorou-se na de S. Paulo em 1870.
Nomeado promoter de Sobral logo depois de for-
mado, passou a servir como Secretario do president
Lafayette; foi director da Instrucc.o Publica do Ceari;
i epresentou a Provincia como deputado liberal em 1868;
redigiu a Rejorma, Rio, na qualidade de redactor-chefe.
Em 1872 voltou a Sobral entregando-se ent.o d advocacia.
Aproveitando suas qualidades de administrator, o Go-
.-verno Imperial nomeou-o president do Ceari e Rio
Grande do Sul; na administracqo da nossa provincia,
durante a horrorosa quadra da secca, elle revelou se um
espirito de elite, luctando energica e desassombradamente
,,contra os horrores da fome e da peste, e como admi-
nistrador do Rio Grande prestou relevantes serviqos em








-63-


favor da libertagco dos escravos. Corn a retirada do,
ministerio Saraiva, foi chamado para o logar de Director
da Secretaria da Justica e por occasiio de reorganisar-se
corn o advento da Republica o Supremo Tribunal Fede-
ral, foi nomeado Procurador Geral da Republica.
Collaborou na organisacao do nosso Codigo Civil
e na organisacao Judiciaria.
20 de Setembro.-Lei n 0 106 creando uma ca-
deira primaria do sexo masculine e uma agencia fiscal
no logar Grossos, pertencente ao municipio do Aracaty.
30 de Setembro. Cerca de 2 horas da madru-
gada, o estabelecimento typographico d'O Norte 6 assal-
tado e em parte destruido.
5 de Novembro.-Publica-se em Baturit6 o Gut-
temberg.
9 de Novembro.-Apresentagao do Phonographo
ao public no Caf6 Central, de propriedade de ManoeF
Pereira dos Santos a Praca Jos6 de Alencar, sob a di-
recgao de John Petter Bernard.
10 de Novembro. Por occasiAo dos luctuosos-
successos da Revolta iniciada a 6 no Rio de Janeiro
more heroicamente o alamno da Escola Militar Oustavo,
Sampaio corn toda a guarnicao do canhao que comman-
dava no Forte da Lage. Era Baturit6ense e filho do-
Pharmaceutico Jodo Sampaio e de D.a Maria de Castro
Sampaio.
12 de Novembro.-Funda-se em Lavras uma Con-
ferencia de S. Vicente sob a invocacgo do S. Coraqio
de Jesus. Foi aggregada a 6 de Maio de 1896
12 de Dezembro.-Provis.o do Bispo D. Joaquinr
Jos6 Vieira approvando o compromisso da confraria do-
SS. Sacramento da freguezia do Sr do Bomfim de-
Cratheds.
Essa confraria fora organisada em 1855 e seus com-
promissos approvados pela Resoludao Provincial do Pi:-
auhy n.0 443 de 7 de Agosto de 1857
19 de Dezembro. -E' assassinado a horas mortas;
da noute em sua residencia na chacara Villa Isabel, For-
taleza, o Tte. Carlos Baptista de Oliveira.








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28 de Dezembro. Fallece no Rio de Janeiro o
general Jos6 Clarindo de Queiroz.
Jos6 Clarindo de Queiroz, filho de Ignacio Lopes
de Queiroz e D. Anna Lopes de Queiroz, nasceu a 2,
de Janeiro de 1841 em Fortaleza, rua Senna Madureira
n.0 71 Inclinado A vida military assentou praca aos 15
annos de edade Em 1865 partiu para o Paraguay e
depois de haver feito toda a campanha corn o maximo
valor voltou ao Rio de Janeiro no posto de tenente-
coronel.
Em 1880 foi promovido a coroner, em 1883 a bri
gadeiro e em 1890 a general de divisao.
No regimen m6narchico foi president do Ama
sonas, cuja administracio assumiu a 15 de Novembro de
1879. Occupou na mesma occasido o commando das
Armas.
Em 7 de Maio de 1891 o Congresso Constituinte
do CearA o escolheu governador e nesse cargo se man-
teve at6 ser deposto e'm 16 de Fevereiro do anno se-
guinte pelas forgas federaes por occasiao do golpe de
Estado do Marechal Deodoro da Fonseca.
De volta ao Rio de Janeiro, foi urn dos treze ge-
neraes a qaem o Vice-Presidente Floriano Peixoto, por
decreto de 12 de Abril de 1893, desterrou para Cu-
cuhy. Ahi se the aggravaram os padecimentos de que
veio a fallecer.
Foi commandant do Bataihto de Engenheiros, da
Escola military e commandant geral da artilharia e por
actos de sua gloriosa vida de soldado mereceu a Habito
de Christo e as Ora-Cruzes de Aviz e Cruzeiro.
Segundo os dados enviados pelos Rvdos Parochos
a Camara Ecclesiastica registraram se este anno de 1893
em todo Estado 39591 baptisados, 6908 casamentos e
7650 obitos.
Neste anno entraram no Porto de Fortaleza 75
vapores e navios de vela extrangeiros corn 64412 tons
e 2078 pessoas de tripolaq.o, sendo ingleses 55 (52122
tons e 1590 tripolaq.o).
Segundo os Mappas dos Rvdos. Vigarios o
movi;nento das freguezias de Forialeza deu as seguintes













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cifras: S. Jos6 baptisados 1096 e casamentos 188;
Patrocinio baptisados 723 e casamentos 177.
A estatistica mortuaria de Fortaleza no quinquenio
registrou as seguintes cifras: 1889 2502 obitos; 1890-
1332; 1891-1385; 1892-1874; 1893-1315.















2 de Janeiro.-Assentamento da 1a' pedra da I.-
fabrica de fiagao e tecidos de Sobral, important em-
preza a que estA perpetuamente ligado o nome de Er-
nesto Diocleciano d'Albuquerque.
19 de Janeiro.-Como offensivos do governor do,
Marechal Floriano sao prohibidos pelo chefe de policia
Waldemiro Moreira alguns dos festejos, que em Maran-
goape se preparavam para a conclusao das tradicionaes-
novenas de S. Sebasttio. Para fazer effective a ordem,
em caso de resistencia, seguiu para aquella localidade-
urn piquete de soldados municiados.
20 de Janeiro. -Putylica-se em Fortaleza o 1.0 nu-
mrero do Ceard lllust, ado, revista artistic, litteraria e
scientific.
21 de Janeiro. Funda-se em Aurora uma Confe-
rencia de S. Vicente de Paulo sob a invocaqao de N. S,
das Candeias. Foi aggregada a 19 de Agosto de 1895.
4 de Fevereiro.-Apparece o 1.0 numero do UIr-
talho, publicagdo litteraria, manuscripta, sob a redacq.o
e collaboracao de gentillissimas jovens de Fortaleza. Re-
dactoras principles Mad.e""e Luiza Amelia de Paula Ro-
drigues e Anna Lecticia da Frota Pess6a. Sabia aos do-
mingos.
19 de Fevereiro.-Pelas 111/2 horas da noute en-
calha no porto de Fortaleza o vapor national Mandos,
da companhlia Lloyd, entrado durante o dia dos portos.
do sul. Comparecendo na occasiao o Capitdo do Porto
Eduardo Augusto Verissimo de Mattos, e o Pratico-
m6r Major Nascimento tomaram-se as necessarias provi-
dencias, e se conseguiu com o auxilio da mare, As 2 1/2
horas da manhR, safar o referido navio, que tomou o an
coradouro de franquia.








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10 de Marco.- Entre 10 1/2 e 11 horas da noute 6
barbaramente assassinado em Qaixeramobim o Commen-
dador Jos6 Nogueira de Amorim Garcia, negociante
abastado e chefe politico n'aquella localidade, intendente
municipal e deputado ao Congresso do Estado.
Entre os accusados do revoltante crime figurava
Irineu Dias, que cumpria na cadeia de Fortaleza a pena
de 30 annos a que f6ra condemnado pelo jury. Estando
Sem 1985 gravemente enfermo, Irineu Dias fez perante
\v w-saekrdote que o ouvira de confiss.o e varias teste
munhas a solemne declaracAo de ter sido o unico autor
do crime e que os mais condemnados, todos elles, eram.
.innocentes. Dos condemnados era um o Coronel Lessa,
home rico, respeitavel. ancido, que morreu preso na
*enxovia de Fortaleza redusido A miseria e deshonrado
-e sempre a protestar pela sua innocencia. Terrivel erro
judiciario.
15 de Marco. Inauguraqco do Lyceu do Ceari no
-edificio situado 4 Praca dos Voluntarios.
E' esta a respective acta:
Aos quinze dias do mez de Marco de mil oitocentos
e noventa e quatro nesta cidade da Fortaleza, capital do
Estado do Ceari, reunidos no Edificio do Lyceu o Exmo
Snr. President do Estado Tenente-Coronel Dr. Jos6
Freire Bizerril Fontenelle, Vice-Presidentes Commen-
dador Dr. Antonio Pinto Nogueira Accioly, Dr Gonqalo
.de Almeida Souto, Commandante da Escola Militar Te
nente-Coronel-Henrique Eduardo Martins, Commandante
do corpo de Aprendizes Marinheiros Capitao-Tenente
Augusto Eduardo A. Verissimo de Mattos, Secretario do
Interior Dr. Thomaz Pompeu Pinto Accioly, Secretario da
Fazenda Miguel Ferreira de Mello, Commandante do Ba-
talhdo de Seguranca Coronel Jose Ribeiro Pereira, Pe-
dro d'Araujo Sampaio, Tenente Honorario do Exercito"
e actualmente Capitao do Batalhgo Patriotico Gustavo
Sampaio, Professor do Lyceu Padre Dr. Iodo Augusto
da Frota exercendo a directoria por antiguidade no im-
pedimento do Padre Dr. Justino Domingues da Silva e
*os mais Professores do Lyceu, Des.01 Jos6 Joaquim Do-
mingues Carneiro, Presidente do Tribunal da Relacao,








-6S-

Des.*r Umbellino Moreira de Oliveira, Major Dr. Jose
Faustino da Silva, lente da Escola Militar e Comrritadante
do Batalhao Patriotico Oustavo Sampaio, muitas senhoras
e muitas outras pessoas gradas, entire as quaes: represen-
tantes do Exercito, Escola Militar, Escola Norrhal, Batalhao
de Seguranca, magistratura, e commissbes representando
diversas corporaV6es, o Exmo Snr Presidente do Estado
declarou aberta a sessAo inaugurando o novo edificio
mandado construir pelo Governo para nelle funccionar o
Estabelecimento de instruccao secundaria,proferirido nessa
occasido um discurso em que historiou os motivos e expoz
a necessidade da reform da instruccao que o Congresso
o auctorisou a fazer corn plena liberdade. expondo ainda
os fundamentos de algumas disposicqes da mesma refor-
ma e saudando ao professorado e corpo escolar, disse que
esperava que uns e outros correspondessem dignamente
aos esforqos e sacrificios empregados pelo Governo para
elevar o estabelecimento a um nivel condigno ao seu ele-
vado fim, embora as condiqoes do Estado nao permitissemr
o luxo desenvolvido em taes estabelecimentos' por outros
Estados mais. Terminando foi S Exc. saudado por ge-.
raes applausos e fez em seguida distribuir impressas em
avulso algumas disposi 6es do novo Regulamento im-
presso, em virtude de terem os operarios da typographia
Official obtido feriado em regosijo pela victoria das for-
cas legaes, a qual veio converter em jubilo o pesar. que
a todos os bons brazileiros opprimia durante a longa e
dolorosa cruise em que a negra revolta de uma parte da
armada mergulhara o paiz. Em seguida obtiveram a
palavra os Srs Jos6 Nava representante da classes estu-
dantal, e Roberto Alencar Mattos representante da mes-
ma classes, Jos6 de Carvalho representante do Instituto
de Humanidades, Arthur EncarnaqAo representante do
Parthenou Cearense, Eduardo Saboia representante da
Padaria Espiritual, Agostinho En6as da Costa repre-
sentante do Batalh.o Gustavo Sampaio, o alumno Frota
representante da Escola Militar, Dr. Antonio Augusto de
Menezes representante da Escola Normal, Francisco Agno
Soares Dantas, representante da Escola Christd.
Depois nao havendo mais oradores inscriptos offe-
receu a palavra a quem quizesse utilizar-se d'ella e








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nenhum orador mais se aoresentando, deu o mesmo Snr.
President por encerrada a sessao.
E de todo o occorrido lavrei eu Manoel de Moura
Rolim, Amanuense do Lyceu, a present acta que todos
assignam.
Jos6 Freire Biserril Fontenelle-Presidente do Es-
tado- Antonio Pinto Nogueira Accioly- Presidente da
Assembly Henrique Augusto Eduardo Martins- Com-
mandante da Escola Militar-Eduardp Augusto Virissimo
de Mattos-CapitAo do Porto-Thomaz Pompeu Pinto
Accioly-Secretario do Interior Dr. Padre Joao Augusto
da Frota Dr. Helvecio da Silva Monte Professor de His.
toria Natural, Manoel Ambrosio da Silveira Torres Por-
tugal, Abdon F. do Nascimento, Eduardo da Rocha
Salgado, Pedro Caetano Martins da Costa, Jos6 Faustino-
da Silva, Antonio Moreira de Souza, Francisco Fonte-
nelle Bizerril, Carlos de Miranda, Dr. Pedro Augusto
Borges, Manoel Moreira Pequeno, Joao Firmino de H.
Cavalcante, Hildebrando Pompeu de S. Brazil, Gonqalo
de Almeida Souto, Ulysses Bezerra. Francisco do Rego
Lemos, Adolpho de Castro Fialho, Cezidio de Albuquer-
que Mertins Pereira, Sabino Baptista, Joaquim Augusto
de Araujo, Antonio Bastos da Paixao, Agapito Jorge dos.
Santos, Jos6 Joaquim Domingues Carneiro, Raymundo,
Guilherme da Silva, Ranulpho Gonzaga de M. Lyra.
Pedro de A. Sampaio, Jos6 Carlos da Costa R. Junior.
Raymundo Leopoldo Coelho de Arruda, Virgilio Augusto:
de Moraes, Antonio Epaminondas da Frota, Arthur Au.
gusto Borges, Desembargador Umbelino M d'Oliveira
Lima, Justino Domingues da Silva, Roao C d'Oliveira
Freira, Rogerio Accioly de Vasconcellos.
25 de Marco.-Inaugura-se As 10 horas a Estalao'
Telegraphica da cidade de Viqosa.
26 de Marco. Fallece em Pernambuco o Dr.
Jose Austregesilo Rodrigues Lima, advogado, jornalista e
lente da Escola Normal. Era socio do Instituto Archeo
logico Pernambucano e seu elogio funebre corn o de
outros foi proferido em sessao de 6 de Marqo de 1895
pelo orador Dr. Celso Uch6a Cavalcanti.
4 de Abril.--Decisdo da Sagrada Inquisigao Ro-








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mana Universa! condemnando os pretensos milagres do
Joazeiro. Para prova de como o embuste se alastrava
entire o povo ignaro basta consignar que negociantes de
Fortaleza fizeram vir da casa Shuback e Filhos, de Ham-
burgo (vapor inglez Justin entrado a 26 deJunh6 de '893)
grosas de medalhas representando Maria de. Araujo, e
essas medalhas venderam se como por encanto. Alem
dessas havia innumeras outras medalhas tendo de um
lado a effigie da Virgem ou de Santos e do outro a
effigie de urn monge corn o nome -Padre Cicero.
10 de Abril.-Fallecimento em Fortalcza do ne
gociante Cel. Manoel Theophilo Gaspar de Oliveira.
Era filho do Dr. em direito M. Theophilo Gaspar de
Oliveira e nascera em Fortaleza a 23 de Outubro de 1849.
O n 3.0 annoo 3.0 da Galeria Cearense traz seu
retrato e biographia.
2 de Maio.- Primeira sess.o preparatoria da As-
sociaqlo Medico-Pharmaceutica do Ceara, no palacete da
Assembla Estadoal. Presidiu-a o Dr. Joao da Rocha
Moreira, secretariado pelos Drs. Jos6 Lino da Justa e
Guilherme Studart.
3 dewMaio.-Publica-se em Fortaleza 0 Ideal, jor-
nal litterario.
3 de Junho.-Publica se em Fortaleza A Alvoradq,
journal noticioso. Redacqco A Rua do Major Facando n.0
52. Impresso na Typ. Universal.
7 de Junho. -Em consequencia de chuvas torren-
ciaes, desmorona-se parte do Seminario de Fortaleza.
0 Bispo diocesano tendo implorado a caridade pu-
blica, comeqaram a affluir os donativos e em pouco tem-
po ficou o edificio reconstruido, e em melhores condi
*;6es que dantes, subindo as despezas com as obras A
somma de 24:746$540
Para melhor noticia lea-se a Exmo. e Rvdmo. Snr. D. Joaquim Jose Vieira, Bispo do
Ceari, agradecendo As pessoas, que concorreram para as
obras de reconstrucqao e reparos do Seminario Episco-
pal do Ceara. 1895,.
Eis os terms em que o journal A Republica noticiou.
o facto:








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,Hoje pelas 3 114 horas da manha ouviu se para os
lados da Prainha um grande estrondo, e logo depois o
sino da egreja da Conceicao comeqou tocar a rebate.
Muita gente, apesar da chuva que na occasiao cahia, di-
rigiu-se para ahi e teve de assistir um lamentavel es-
pectaculo Um grande lance do Seminario Episcopal, do
lado do norte, contiguo A egreja, havia desabado in-
teiramente.
Nos dormitories estavam o Sr. Padre Ottoni e 8
seminaristas, alguns dos quaes ficaram debaixo dos es-
combros, de onde foram corn difficuldade retiraaos, mas
finalmente sem terem soffrido contuzao apreciavel; o
Padre Ottoni apresenta ligeiras escoriaq6es em diversas
parties do corpo; o seminarista Raymundo Themistocles
soffreu muitas contusoes e teve o rosto ferido.
O tecto do cubiculo do Padre Reitor tambem aba-
teu, porem elle nada soffreu.
Os alumnos, que fasiam guard n'Alfandega, logo
que ouviram o signal de rebate, se dirigiram para o
logar do sinistro.
Hoje pela manha, S. Ex.a o Sr. President do Es-
tado e grande n. de pessoas foram observer os estra-
gos. Os prejuizos sao calculados em 20 contos de reis.
Foi profunda a sensaqio produzida por semelhante
catastrophe; nao houve quem nao a lamentasse.
Esse important edificio foi construido durante o
episcopado do finado D. Luiz Antonio dos Santos, Mar-
quez do Monte Paschal, depois Arcebispo da Bahia, a
custa de immensos sacrificios. Nessa obra foi applicado,
o product de uma subscripqao tirada por aquelle vir-
tuoso prelado em toda diocese, em favor das orphds do
collegio da Immaculada Conceiq:o. 0 Estado pagava
1:200$000 annuaes por seu aluguel, para nella funccio-
nar o Seminario e esse dinheiro revertia para o patri-
monio das mesmas orphas. Corn a separaqdo da Egreja
do Estado cessou, porem, esse auxilio dos cofres geraes.
Consta-nos que o resto do edificio ficou muito
abalado, receando-se que desabe tambem.
Desastres sobre desastres sao os marcos em que
pretend assignalar a sua passage o inverno diluvial
de 1894*.






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9 de Junho.-Fallece em Fortaleza Leonardo Mar-
ques Brasil, Bardo de S. Leonardo, Coronel da antiga
Guarda Nacional e Cam.dor da Ordem da Rosa.
Nasceu no municipio de Maria Pereira e falleceu aos
77 annos de edade. Tomou parte na guerra dos Balaios
no posto de Capitio.
11 de Junho. Victima de soffrimentos cardiacos
fallece o Conego Raymundo Francisco Ribeiro.
Nasceu na Cidade do Cascavel a 23 de Marco de
1820. Aos 23 annos de edade recebeu as sagradas or-
,dens, tendo feito seus estudos, corn brilhantismo, no Se-
minario de Olinda.
Por carta imperial de 25 de Junho de 1845 foi
,collado Vigario da Freguezia de Baturit6, onde exerceu
o ministerio, atW expirar, por espaqo de 49 annos. Foi
membro important dopartido conservador, que o dis-
*tinguiu por mais de uma vez corn o mandato de depu-
tado provincial, tendo tambem representado o Ceard como
deputado a Assembl6a geral.
Possuia grande somma de conhecimentos ecclesias-
.ticos, e era versado n'outros ramos da sciencia.
24 de Junho.- A' 1 hora da tarde, corn assistencia
do president do Estado, bispo diocesano, commandant
da Escola Militar, commandant do Batalhao de Segu-
ranha, secretaries de Estado da Justica e Interior, im-
prensa, funccionarios publicos, crescido numero de se-
nhoras e cavalheiros, 6 inaugurada a 1.a fabric de meias
de Fortaleza. Precedeu A declarag.o de inauguracgo da
fabrica a benc.o do estabelecimento pelo Rvd. Bispo.
Depois do discurso inaugural, proferido pelo Dr.
Pedro de Queiroz, foi solemnemente declaada inaugurada
a Companhia Cearense fabril de meias.
Essa fabric desappareceu, sendo vendidos edificio
e machinismos em 1899.
24 de Julho. Fallece pela madrugada em Forta-
leza o Monsenhor Jos6 Teixeira da Graca, cura da S6.
Nascen no Aracaty em 1853, estudou no Seminario do
Ceard e recebeu ordens de Presbytero em 1876. Foi vi-
gario de Parangaba d'onde passou para uma capellania
da qual foi chamado para cura da S6.









-73-


Foi deputado provincial no antigo regimen e pre-
sidente da Assembl6a.
Consultado para aceitar uma das ultimas dioceses
creadas, excusou se corn maxima modestia.
A Ferdade deu a 2 de Agosto em honra do illustre
morto, que era seu redactor chefe, uma ediqAo especial
em que cullaboraram Paulino Nogueira, Thomaz Poinpeu,
Antoiio Augusto de Vasconcellos, Guilherme Studart,
Ferreira do Valle, Epaminondas da Frota, Jos6 Lino,
Pedro de Queiroz, Jos6 Carlos, Goncalo Souto, Alvaro
de Alencar e outros
Seus restos repousam no cemiterio de S. Joao Bap-
tista em mausoleu levantado por seus amigos e admi-
radores.
4 de Agosto.- Inauguracqo da estaq o de Quixe-
ramobim e paradas Floriano Peixoto e Uruque na via-
ferrea Baturit6.
14 de Agosto.-Installa-se em Fortaleza a obra da
Adoraco nocturna ao S. S. Sacramento sob a direcqio
spiritual de Monsenhor Antonio Xisto Albano e presi-
dencia de Jos6 Meneleu de Pontes, urmdos membros do
Conselho Central da Sociedade de S. Vicente de Paulo.
O local da installac.o foi a Egreja do S. Coraqgo
de Jesus e os adoradores da 1.a noite: Francisco Anto-
nio Gomes de Mattos, Dr. Guilherme Studart, Jos6
Meneleu de Pontes, Jos6 Maria Bastos, Benedicto Anto-
nio de Oliveira, Francisco de Salles Brito, David Gon-
calves da Justa, Raymundo Bezerra da Rocha, Antonio
Machado da Silveira, Joao Baptista de Castro Silva, Del
phim Henriques, Francisco Barboza, Pedro Fabricio de
Barros e Boaventura da Silva Braga.
O acto terminou as 5 112 horas da manh, pelo
santo sacrificio da missa e communh.o dos qu-atorze
adoradores.
15 de Agosto, Sob a presidencia de Manoel Cy-
riaco de Barros installa-se uma Conferencia de S Vicente
de Paulo corn a invocaqio de N Senhora do Rosario na
povoacao de S. Francisco, freguezia de Lavras.
15 de Agosto. Funda seem Fortaleza a Academia
Cearense, a qual se comp5e de 24 membros effectivos.








-74-


Funccionou,bem como o Instituto do CearA, no an-
dar terreo da Assembl6a Estadoal, lado do poente e
posteriormente A Rua Floriano Peixoto n.0
Entre as disposic6es de seus Estatutos l&-se que o
preenchimento das vagas, que occorrerem, sara feito por
eleicgo, em escrutinio secret, o nome do candidate a
vaga serA apresentado por alguns dos socios effectivos
ou por meio de carta do pretendente enviada A secretaria
da sociedade, e e condiCAo essential de admissao ter o
candidate publicado alguma obra litteraria, artistic ou
scientific de merecimento real ou apresental-a manus-
cripta ou inedita A Academia, que a mandarA examiner
pela commission respective e julgara si ella preenche a
condiqao exigida.
Foram socios fundadores os Snrs. Thomaz Pompeu,
Pedro de Queiroz, Waldemiro Cavalcanti, Raymundo Ar---
ruda, Alvaro Mendes, J de Serpa, R de Farias Brito, Gui-
Iherme Studart, Jos6 Carlos Junior, Virgilio A de Moraes,
Antonino Fontenelle, Jos6 de Barcellos, Antonio Be-
zerra, F Alves Lima, Drummond da Costa, Eduardo Sal-
gado, Alcantara Bilhar, Franco Rabello, R. Theodorico
Filho, Alvaro de* Alencar, Padre WValdevino Nogueira,
Henrique Theberge, Eduaido Studart, Ad. Luna Freire,
Antonio Augusto de Vasconcellos, Jos6 Fontenelle e,
Benedicto Sidou. Tendo fallecido o academic Jos6 Car-;
los Jnnior, foi substituido por Jos6 Rodrigues de Carvalho,
Parahybano, como aquelle.
Alem dos 24 socios effectivos conta 23 correspon-
dentes nacionaes e 14 estrangeiros.
Sua Revista, que attingiu ao 15.0 anno de publicaqAo,
e que desappareceu, teve como Directores Pedro de Quei-
roz, Bario de Studart e Thomaz Pompeu. Foram directors
della tambem o Engenheiro H. Theberge e Dr. J. Rodri-
gues de Carvalho.
26 de Agosto. Funda-se em Pernambuquinho corn
11 membros uma Conferencia de S. Vicente de Paulo sob
a invoca;ao do Senhor do Bomfim.
26 de Agosto.-Realisa se, em presence de esco-
Ihido concurso de povo, a inauguracao da Fabrica de
Cortumes, sita no bairro da Jacarecanga, Fortaleza.








-75 -


A' hora aprasada o Bispo Diocesano benzeu a Fa-
brica, segundo as prescripqoes lithurgicas, tocando nessa
occasiao a Musica do Corpo de Seguranga, que durante
o acto executou diversas peas do seu repertorio. Em
seguida o president do Estado, convidado pela Direc-
toria, fez a inauguraq.o official, pondo se em movimento
todas as machines, e ouvindo se entao o Hymno Nacional
casar-se corn o sibilo da machine, que transmittia ao
long a b6a nova do progress.
7 de Setembro.- Funda-se em Fortaleza a socie-
dade (:ongresso de Sciencias Praticas
Seus Estatutos foram approvados em sessio da as-
sembl6a geral de de Julho de 1895.
Essa associacao, que custeava e dirigia escholas em
various bairros da cidade, teve por presidents An
tonio Bezerra de Menezes, Dr. Ouilherme Studart, Tte.
Cel. Antonio Guedes de Miranda e Henrique Autran.
10 de Setembro.- Lei n.o 158 autorisando a Presi-
dencia a transformar a colonia Christina em colonia cor-
reccional agricola, de conformidade corn o art. 9. do
Decreto Federal n 0 115 de 12 de Julho de 1893.
23 de Setembro.- Funda-se em Fortaleza corn a
invocacqo de N. Senhora do Patrocinio e sob a presi-
dencia de Jose Meneleu de Pontes uma Conferencia de
S. Vicente de Paulo. Foi aggregada a 19 de Agosto
de 1895.
27 de Setembro.-No escriptorio da redacqio d'O
Commercio, Fortaleza, funda-se a Sociedade Centro Lit-
terario. Firmam os credits dessa Associaqco Clamydes, 0
Coracao, Os pescadores da 7ahyba, Versos de hontem,
Myris, Prismas, Facetas, Psalmos, Ruinas, 0 Simas e
outras valiosas publicacoes devidas a penna de Ulysses
Sarmento, Rodrigues de Carvalho, Alvaro Martins, Pedro
Muniz, Themistocles Machado, Vianna de Carvalho, Frota
Pess6a, H. Castriciano, Papi Junior.
Manteve por algum tempo na imprensa uma Re-
vista sob o titulo Irucema.
Teve por presidents Themistocles Machado, Dr.
Guilherme Studart (2 vezes) e Dr. Jos6 Lino da Justa
30 de Setembro. Funda-se em Fortaleza corn a









-76-


invocacgo de Santo Antonio dos Pobres e sob a presi-
dencia de Antonio Bezerra de Menezes uma Conferencia
de S. Vicente de Paulo. Foi aggregada a 19 de Agosto
de 1895.
11 de Novembro. Installa-se na cidade da Re-
dempcao (Acarape) uma conferencia de S. Vicente de
Paulo sob a invocacao de S. Sebastiao. Como consequen-
cia, installou-se ahi no dia 18 do mesmo mez um Con-
selho Particular sob a presidencia de Antonio Leonel de
Vasconcellos. A Conferencia de S. Sebastiao foi aggre-
gada a 22 de Julho de 1895 e no mesmo dia instituido
o respective Conselho.
12 de Novembro.-Apparece em Fortaleza o Dia-
rio do Ceard sob a redaccao do Dr. justiniano de Serpa
e Roberto de Alencar. Foi uma continuacao do Com-
mercio.
20 de Novembro.-Decreto n.0 1394 concedendo
ao Lyceu Cearense as vantagens de que goza o Gym
nasio Nacional.
23 de Novembro.-Distribne-se em Fortaleza A
Escola, journal manuscript sob a redacqco e collaboraqao
das M.e'"le Joanna Rodrigues, Maria de Mello, Josepha
Freire, Stella Castro, Sara Rossas, Raymunda Abreu e
Alexandrina Machado, creancas menores de 12 annos de
edade.
9 de Dezembro.-Fallece em Fortaleza aos 43 an-
nos de edade Fausto Domingues da Silva. Era natural
de Sobral e filho do Dr. Antonio Domingues da Silva
e D. Filina Domingues da Silva.
Entrou muito moqo para a extincta Secretaria do
governor sob o regimen decahido e exerceu various loga.
res, chegando a ser chefe de secqdo. Nesse character oc-
cupou o logar de official de gabinete de various presi-
dentes, entire os quaes o Desembargador Calmon e Caio
Prado. Em commissao doGoverno Geral seguiu para o Rio
Orande do Sul como secretario do Desembargador Cal-
mon, nomeado president daquella provincia sob o mi-
nisterio Cotegipe, e em commission do governor da provin-
cia desempenhou o logar de Bibliothecario da Bibliotheca
Public, a que presto releva-ntes servigos.








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Foi urn dos fundadores do Gabinete Cearense
de Leitura.
9 de Dezembro. Funda-se em Fortaleza a esforqos
de Francisco Fontenelle Bizerril a Associadao Propanu-
dora da Arboricultura, cuja directoria provisoria ficoat
assign constituida: Presidente Francisco Fontenelle Be-
zerril, Vice-presidente Dr. Alvaro de Souza Mendes, Se-
cretario Affonso Arnerico de Freitas, Thesoureiro Coro-
nel Manoel Rodrigues dos Santos Moura, Orador Dr.
Ouilherme Studart, Directores Dr. Henrique Theberge,
Antonio Bezerra de Menezes e Julio Braga.
17 de Dezembro.-Fallece em S. Pedro de Ibia-
pina o Rvdo. Vigario Manoel Lima de Araujo.
Segundo os dados fornecidos pelos Rvdos. Parochos.
A Repartigao Ecclesiastica em 1894 registraram-se 42220a
baptisados, 6757 casamentos e 7952 obitos, havendo corn
o anno anterior uria differenqa para mais de 2629 bapti-
sados, para menos 141 casamentos, e para mais 302
obitos.
Corn relacao As duas freguezias de Fortaleza foi
este o movimento:
Freguezia de S Jose. Baptisados 1006, do sexo-
masculino 536, do sexo feminino 470, legitimos 834,
illegitimos 172; Casamentos 172; Obitos 460.
Freguezia de S. Luiz de Gonzaga.- Baptisados 752,
do sexo masculine 378, do sexo feminino 374, legitimnos
633, illegitimos 119; Casamentos 162; Obitos 1006.
'lotal das duas Ireguezias.- Baptisados 1.758, Ca-
samentos 334, Obitos 1.466, sendo adults 750, parvulos.
716, homes 821, mulheres 645, estrangeiros 20 e na-
cionaes 1446.
No entretanto o encarregado do Registro Civil em,
Fortaleza registrou: nascimentos 377, sendo do sexo
masculino 204 e do feminino 173, legitimos. 333, illegiti-
mos 44; casamentos 136; obitos 1309 sendo: parvulos
691, adults 618, do sexo masculino 754, do sexo fe-
rninino 555.
A populacio provavel da Diocese em 1894, tornan-
do se por base os 46442 nascimentos (inclusive os -10
% dos ndo registrados nos livros de baptisados) deve















-78-

ser nunca inferior a 928840 habitantes, calculando se, no
minimo, 1 nascimento por 20 habitantes
Durante o anno funccionaram no Estado 170 es-
cholas primaries, sendo 57 do sexo masculine, 57 do
sexo feminino e 56 mixtas. A matricula dos alumnos
montou a 8687 e a frequencia a 5002.
Nesse anno houve copioso inverno no Estado regis-
trando-se em Fortaleza 2726 millms. d'agua, o maior n.0
atW hoje registrado.











1895


13 de Janeiro.-Publica-se em Fortaleza o jornal-
zinho intitulado o Diabo
2 de Fevereiro.- Funda-se em Quixeramobim uma
Conferencia de S. Vicente de Paulo sob a invocaqAo do
Sagrado CoracAo de Jesus.
Em virtude dessa creaqAo fundou-se no dia seguinte
(3) um Conselho Particular.
Conselho e Conferencia foram aggregados a 16 de
Dezembro.
1 I de Marco. Fallece em S. Luiz do Maranhdo
corn 80 annos e 2 mezes de edade o Major reformado
Joaquim Ferreira de Souza JacarandA, um dos man-
dantes do assassinate do Vice-Presidente Major Joao
Facundo.
8 de Marco.-Inaugura-se o telegrapho em Hu-
maytA, prolongamento da Estrada de Ferro de Baturite,
hoje Senador Pompeu.
9 de Marco.- 0 Correio do Ceara installa-se no
edificio situado a Praga dos Martyres n.0 1, esquina da
Rua Floriano Peixoto, antiga B6a Vista, sendo o alu-
guel de 5.400?000 annuaes em virtude do contract
celebrado a 4 de Margo corn a locadora, sociedade
anonyma UniAo Cearense.
10 de Marco.-Funda-se em Grossos na Capella do
Sagrado Corago de Jesus uma Conferencia de S. Vicente
de Paulo por iniciativa do Professor Manoel Cantionilio
de Carvalho e Silva, Presidente do Conselho Particular
do Aracaty.
29 de Marco.-Funda-se em Fortaleza a associaqAo
Recreio Militar, cuja directoria ficou assim composta:
Joao Bartholomeu Klier, president, Julio Sampaio, 1.0 se-
cretario, Francisco de Mello Rabello, 2.0 secretario, e
Alfredo Floro, thesoureiro.









-80-


31 de Marco.-Victimado por padecimentos da es-
pinha fallece em Fortaleza Antonio Martins. Filho de
Antonio Dias Martins e D. Francisca Xavier de Albu-
querque, nasceu a 16 de Junho de 1852 em Fortaleza.
donde aos 7 annos retirou-se com a familiar para a villa
do Trahiry e, voltando de novo d Capital, empregou-se
em casas commerciaes como caixeiro de escripta, pro
fissdo que deixou pela de empregado di Alfandega.
Fez as priteiras armas na imprensa redigindo em
1875 corn Joaquim de Souza e Lino Encarnac.o a Briza
e collaborando nos Ensuios Lilertarios e Lyrio, outros
dous pequenos jornaes litterarios. Em 1876 redigiu com
Joaquir de Souza e Rodolpiano Padilha a 31ocid,ide,
em 1878 ainda corn Rodolpiano e Francisco Perdigao
a 7ribuna do Povo e de 1881 a 1882 publicoL na Cons
fitui( io uma series de folhetins sob o pseudonymo de
(Delisle como mais tarde no Liberlador de parceria
corn JoAo Lopes a secqao A semana.
Os services prestados por Antonio Martins no Li-
bertador i causa abolicionista s.o inestimaveis.
Por ultimo Antonio Martins illu-ninou corn sua pen-
na as columns do Norte, orgar da parcialidade political
a que pertenceu e qje Ihe deu o alto posto de senador
estadual.
0 Ditirio do Ceard dedicou sua memorial um n.0
especial a 30 de Abril de 1895.
2 de Abril.-Publica-se 0 Irarema, orgam do Cen-
Iro Litterario, de Fortaleza, sob a direcqao de Pedro
Moniz e Julio Olympio. No 2.0 n.0 ja sao redactores Ro-
drigues de Carvalho e Pedro Moniz.
Transformou se mais tarde numa revista trimensal
sob a redacgao scientific dos Drs. G. Studart e Justi-
niano de Serpa, e redactao litteraria de Pedro Moniz,
Rodrigues de Carvalho e Alvaro Martins.
15 de Abril.-Assume o commando da Escola Mi-
litar e da guarniqco deste Estado o Coronel de enge-
nheiros Dr. Antonio Vicente Ribeiro Guimardes
28 de Abril.-Funda-se em Barbalha urma Confe-
rencia de S. Vicente de Paulo sob a invocacao de Santo








-81-


Antonio Thaumaturgo. Foi aggregada a 17 de Agosto
de 1896.
28 de Abril. Funda-se na Barbalha um Conselho
Particular da Sociedade de S. Vicente de Paulo, sendo
seu primeiro president Jos6 de Sa Barreto Sampaio. Foi
instituido a 17 de Agosto de 1896.
28 de Abril.-Funda-se em Fortaleza uma Confe-
renicia de S. Vicente de Paulo sob a invocacao de N.
8. de Nazareth. Foi aggregada a 18 de Janeiro de 1897.
30 de Abril.-Joaquim Lopes Vergosa na qualidade
de procurador da Sociedade Ceari-Libertador firma corn
o Governo do Estado o arrendamento, por 9 annos e
prego de um conto de r6is annuaes, do predio n. 55 A
ia Rua da B6a Vista, Fortaleza, tudo de accord corn o
despacho do president Freire Bezerril em 22 de Abril.
30 de Abril.- Fallece em Fortaleza Augusto Xavier
de Castro, o poeta dos Chromos.
Filho de Jos6 Xavier de Castro e Silva e D An -
tonia Josephina de Castro, nasceu em Fortaleza a 30
de Janeiro de 1858.
Baldo de recursos, dedicou se A vida do funcciona-
lismo, percorrendo os empregos de collaborador na Se-
cretaria do Governo, logar para o qual entrou em fins de
Dezembro de 1878, praticante, 3.0 e 2 0 escripturario e
director de seccao do Thesouro do Estado.
A Padaria Espiritual, associacqo a que elle pertencia
fez colleccionar e imprimir sob o titulo Chromos suas
poesias esparsas aqui e all nos diversos jornaes. Os
Chromos, que dao um cunho a parte A phisionomia litte-
raria do autor e pintam corn fidelidade scenas e aspects
da vida cearense, fazem um vol. em 8.0 pequeno, de 76
pp., impresso.na Typ. Universal, Fortaleza, 1895.
5 de Maio.-Apparece em Fortaleza 0 Figarino,
periodic humoristico, fundado por Antonio de Laffayete,
Joao de Albuquerque e Nicephoro Moreira. Depois pas-
sou A propriedade e redaccao de Carlos Severo e Nice-
phoro Moreira, sendo este o gravador em madeira.
10 de Maio.-Victima de uma leslo cardiac, fallece
em Fortaleza o Dezembargador aposentado Hypolito Cas-








- 82-


siano Pamplona. Filho do Capm. Jose Pamplorra e de
D.a Angelica Rosa Pamplona, nasceu em Aracaty a 2
de Marco de 1819.
Foi deputado geral duas vezes, chefe de policia do
Ceara (1867 e 1868), desembargador da Relagio de Ouro
Preto (1881) e president da Relaqco do Ceara. Coin
Jos6 Liberato fundou o Aracaty em 1859.
20 de Maio.-- Fundea no porto de Fortaleza o pa-
quete Olinda, procedente do sul, vindo a seu bordo corn
seu estqdo maior o general de brigada Arthur Oscar,
commandante do 2.0 Districto Militar, cuja sede havia
sido passada, provisoriamente, do Recife para Fortaleza.
Acompanhou tambem a S. Exe.a o 2.0 Batalhao de
infanteria,. commandado pelo Coronel Pedro Paulo da
Fonseca Galv.o.
Ao desembarque fizeram as continencias devidas os
alumnos da Escola Militar e o Corpo de SeguranCa.
0 quartel-general funccionou no andar-terreo do Pa-
facete do Congresso Estadual e o batalhAo aquartelou
no antigo quartel de 1.' linha.
24 de Maio.- A Empreza Telephonica de Fortaleza
consegue por-se em communicaqAo corn a cidade de
Quixeramobim corn um percurso de 267 kilometros de
linha.
24 de Maio e 1 de Junho.-.Fundaqao e Installa-
q.o da Despensa dos Pobres de Fortaleza A Rua For-
mosa n 0 48, actual Bardo do Rio Branco e sob os aus-
picios de N. S. Auxiliadora e presidencia de Solon da
Costa e Silva, predio gratuitamente cedido pela piedosa
matrona D. Maria Carolina Vieira da Cunha.
Tendo sido demolido o predio A Rua Formosa n.
48, foi a Despensa transferida para o de n.0 A mesma
rua, e finalmente para casa propria sita A Praga Cora-
c.o de Jesus, lado direito do grande predio pertencente
ao Conselho Central da S. de S. V de Paulo.
Era proprietario de grandes sitios de cafe em Ba-
turit6 e Vice-Consul Portugues em Fortaleza.
9 de Julho. Publica-se em Fortaleza o Jornal da
larde, de propriedade de Jos6 Olympio e redacqao de
Tiburcio Rodrigues.








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14 de Julho.-Reapparece na arena jornalistica o
Jaguaribe, orgam do Gabinete Aracatyense de Leitura.
Esse journal data de 1886.
19 de Julho.-O Conselho Particular da Sociedade
de S. Vicente de Paulo no Crato funda a Escola de S.
Jos6 para o ensino das creangas pobres. A essa escola
esti ligado o nome do zeloso professor confrade Vicen-
tino Jos6 Felippe Santiago, fallecido em 1918.
21 de Julho.-Funda-se em Maranguape a Asso-
ciacao das Senhoras de Caridade por iniciativa e esforgos
do entao vigario Rvdmo. Bruno Rodrigues da Silva
Figueredo.
21. de Julho.-Funda-se na povoaqdo de Cuncas,
freguezia de Aurora, urma Conferencia de S. Vicente de
Paulo sob a invocacao de N. S. das Dores. Foi aggre-
gada a 4 de Outubro de 1897.
28 de Julho.-Publica-se em Fortalezi o jornalzinho
Pif paf, de propriedade de Raymundo Pinto Bandeira e
redaccao de Cassiano Maia.
11 de Agosto.-Installa-se em Quixadi um Club
musical e litterario denominado Alberto Nsponmuceno, fi-
cando sua directoria composta da seguinte forma: Vi-
cente F. da Motta, president; Thiago M. da Cunha,
vice-presidente; Raymundo R. de Araujo Costa e Joa-
quim Nogueira, secretaries e Rvd. Vigario Pe. Antonio
Lucio, thesoureiro.
11 de Agosto.- Funda-se em Fortaleza a Sociedade
Congress Estudantal, cuja directoria ficou assim consti-
taida: Director Roberto de Alencar, secretaries Joaquiin
Fontenelle e Octavio Mendes representante Gervasio
Nogueira. Para a elaboragco do programma do Con-
gresso foram eleitos Gervasio Nogueira, Bohemundo
Affonso e Leonel Chaves.
23 de Agosto.-Por acto dessa data s.o declarados,
nos terms da Lei n o 206 de 26 de Julho ultimo, de
public utilidade, para o fim de, mediante previa in-
demnisaa.o, serem desapropriados, nos terms da Lei
n.0 96 de 5 de Outubro de 1837. os predios n 0 25, sito
a praga dos Voluntarios, n.0 90. sito i rua Senna Ma-








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dureira, n.0 12 e 14, sitos A rua do Cajueiro, os dois
primeiros destinados ao augmento do edificio do Lyc&o
Cearense, e o ultimo ao rompimento de nova rua, que vai
da rua Municipal a emboccar na rua da Alegria.
29 de Agosto.-E' dessa data a Lei Estadual n.o
229 concedendo ao Cel TristAo Antunes de Alencar
privilegio para construccao de uma estrada de ferro de
Fortaleza a S. Bernardo de Russas 0 praso concedido
para o inicio dos trabalhos foi prorogado por cinco,
annos pela Lei n.0 735 de 28 de Agosto de 1903.
30 de Agosto.-Publica-se em Fortaleza A jandaia,
orgam da classes estudantal. Tinha como director Joaquimn
C. Fontenelle e como redactores Joaquim Carneiro, Octa
vio Mendes e Gervasio Nogueira.
7 de Setembro.-E' creada a fregIezia de Mu-
Tungd, a qual se inaugura a 15.
26 de Setembro.-E' desta data a lei n. 264 con-
ferindo ao president do Estado a attribuigo de no-
mear e demittir livremente os Intendentes Municipaes.
29 de Setembro.-Fallece na cidade de Camocim,
onde exercia o cargo de guard livros da agencia da
Companhia Maranhense de navegaa.o a vapor, o poeta
cearense Livio Barreto. Fulminou-o uma congestAo
cerebral.
Filho de Jos6 Soares Barreto e D. Marianna da
Rocha Barreto, nascera a 18 de Fevereiro de 1870 na
Jazenda dos Angicos, povoaqao de lbuasst, termo da ci-
dade da Oranja. Suas poesias, hoje enfeixadas em vo-
lume, correm mundo sob o expressive titulo Dolentes.
As Dolentes, obra posthuma, foram publicadas em
1897 pela Casa Cunha. Ferro e C.a, de Fortaleza, e tra-
zem urn prefacio de Waldemiro Cavalcante.
Livio Barreto era membro da Padaria Espiritual,
cujo orgam na imprensa, 0 Pdo, dedicou A sua memorial
a edig o n. 20, escrevendo-lhe a biographia Arthur
Theophilo, seu companheiro e amigo.
29 de Setembro.-Sahe a luz da publicidade em
Fortaleza a Galeria Cearense sob a redacqAo do Dr. An-









9 950
--.-85-

tonio Augustode Vasconcellos e collabora.o de various
homes de lettras.
15 de Outubro.- Publica-se em Fortaleza o 1. n.
do journal A Penna sob a redacc.o de Marcolino Fa-
gundes, Oraccho Cardoso, Julio Olympio e Mattos Guer-
ra, rapazes conhecidos no meio litterario cearense.
18 de Outubro,-E' dessa data o contract cele-
brado entire o president do Estado Freire Bizerril e o-
cidad~io Isaac Amaral para a construcc.o de umrn theatre
em Fortaleza. 0 termo do contract, que consta de
25 clausulas, vem publicado no journal Republica, n '
de 21 de Outubro. Vide 24 de Maio de 1896.
20 de Outubro,-Sob a invocaao do Sagrado Co-
ra.o de Maria funda se em Goyaninha uma conferencia
de S Vicente de Paulo.
3 de Novembro.-Sob a invocacao de N. S. da
Gloria funda-se em Maria Pereira (Benjamin Constant)'
uma Conferencia de S. Vicente de Paulo.
10 de Novembro,-Sob a invoca.ao de N. S. da
Conceinco fundam-se Conferencias de S. Vicente de Paulo
em Milagres e Junco.
15 de Novembro,-Inaugura se o Pharol de Ca-
mocim, situado na ponta do eTrapia, na seguinte po-
sidao: latitude 2 0 51'30' Sul e longetude 40.0 42'50'a
a Oeste do meridian de Greenwich.
Foram seus primeiros pharoleiros Constantino
Loureno Gomes, (que se exonerou por motivo de doen. a
dose annos depois) e Joaquim Jacob Ramalho, segundo-
e terceiro pharoleiros respectivamente.
15 de Novembro.-E' inaugurada a linha tele-
phonica para o Pharol do Mucuripe (9 kilometros) corn
o fim de fazer as communicacoes do movimento do-
porto de Fortaleza, que sao traduzidas por um tele-
grapho optico collocado no mirante da Estawo Tele-
phonica a Praca do Ferreira.
15 de Novembro. Inaugura-se uta pequena es-
tap.o telephonica para 10 assignantes na villa de Pa-
rangaba em communicacao corn a Rede geral da For-








-86-


taleza. Em Parangaba ji existia uma linha (unica) inau-
gurada em 24 de Maio de 1894.
19 de Novembro.-Fallece em sua fazenda Ca-
lifornia, Quixadi, o Dr. Arcelino de Queiroz Lima, fi-
lho do Tenente-Coronel Pedro de Queiroz Lima, e D.
Francisca Helena de Queiroz Lima.
Nasceu a 22 de Janeiro de 1837 e formou-se na
Academia de Direito do Recife a 14 de Novembro de
1871, tendo sido no anno anterior urn dos membros
mais influentes do cOuteiro Democraticov, associaq.o
republican academic. Exerceu a magistratura em
Canind6 e Pacatuba e occupou os logares de chefe de
secqao da Secretaria do Ooverno e procurador fiscal
interino da thesouraria da fazenda na antiga Provincia.
Em 1872 fundou o Gymnasio Cearense. Estava retira-
do da vida political em qae logrou o logar de Senador
Estadoal (1891).
28 de Novembro.-Publica-se em Fortaleza 0
Cearcl, orgam do partido republicano-democrata do
Estado. Redactores Conselheiro Rodrigues Junior, Drs.
Martinho Rodrigues, Alvaro de Alencar, Jodo Othon
e Pedro Rocha. Substituiu-o o Estado.
6 de Dezembro.-Realisa-se em Mondubimn a
inauguraqco da fabric Ceramica Cearense de proprie-
dade de Olympio, Gondim & C a
0 plano da fabric, locaq.o, etc, pertence ao Dr.
H. Autran e a montagem das machines foi effectuada
por Alfredo Mamede.
7 de Dezembro.- Fallece aos 77 annos de eda-
de em Fortaleza Anitonio Rosa de Oliveira, mais co-
uhecido por Mestre Rosa. Era natural da Ilha de S.
Miguel e chegara ao Ceard a 7 de Dezembro de 1838.
Seu nome estA ligado a innumeras construccoes
religiosas n3 Estado, entire as quaes a Egreja do Sa-
grado Coraqco de Jesus.
Foi o introductory no Ceara do pio exercicio do
Mez Marianno.
8 de Dezembro.-Varios moqos da melhor so-
ciedade Aracatyense fundam a Philarmonica Figueire












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do. Foram seus regents: Raymundo Paraguai, Lean-
dro Ozorio e Manuel Brigido.
15 de Dezembro.-Sob a invocaqgo de Sant'Anna
funda-se em Independencia uma Conferencia de S Vi-
cente de Paulo.
25 de Dezembro.-A convite do Rvd. Jos6
Raymundo Baptista a populacao do povoado do Jacti
muda-lhe o nome para Povoado de S Sebasti.o.
31 de Dezembro.- Comeqa a funcionar a meia'
noite o Observatorio Astronomico de Quixeramobim.
EstA situado a 5016'00 de Lat Sul, 3055'00 de Long.
Oeste do Rio de Janeiro e a 206m70 acima do nivel
do mar.
Em 1894 registraram-se no Estado segundo os
Mappas dos Rvds. Vigarios 42220 baptisados, 6757'
casamentos e 7952 obit6s, e em 1895-40920 baptisa-
dos, 6130 casamentos e 7182 obitos.
Houve. portanto, differenqa para menos em 1895
nos baptisados 1300, nos casamentos 627 e nos obitos
770.
Fortaleza registrou 16613 nascimentos e 350 ca-
samentos.
Ainda houve grande inverno este anno no Cear,
registrando o pluviometro em Fortaleza 2392.mm
A Exportacao foi uo valor official de 6.996&
contos.















I de Janeiro.-Funda se em Fortaleza a socieda-
de Auxiliadora Postal, para auxilio mutuo de seus socios.
5 de Janeiro. -Procede-se a benqdo da 1.a pedra
da Capella do S S. Corag o de Jesus no arraial Oros-
sos, freguezia de N. S. do Rosario de Areias, addida
A da cidade de Sant'Anna da Unido. bispado do CearA.
sendo officiante o Rvd. Vigario da Uniao, Pe Agosti-
nho Jose de Santiago Lima E' esta a respective Acta:
Aos cinco dias do mez de Janeiro do anno de mil
oitocentos noventa e seis. is cinco e meia horas da
tarde, no Arraial Grossos Freguezia de Nossa Senhora
do Rosario d'Areias, addida A da cidade de Sant'Anna
da Uniao deste Bispado do Ceard; achando-se present
grande concurso de povo de ambos os sexos, de'di-
versas idades e de todos os matizes sociaes, urma banda
de music vinda da cidade de Mossor6; procedeu se
ao acto de benqao da primeira pedra da nova Capel-
la dedicada ao Sagrado Coraa.o de Jesus, no mencio-
nado lugar-Grossos-; sendo officiante o Rvd. Viga
rio da Un'.o e encarregado desta. Padre Agostinho
Jos6 de Santiago Lima, competentemente auctorisado
pelo Exm. e Rvm. Snr. D. Joaquim Jos6 Vieira, Bispo
Diocesano, observando-se em tudo as cerimonias, que
prescreve o Ritual Romano.
Foram paranymphos do supra mencionadp acto
os cidadaos, em primeiro lugar, abaixo assignados;
deixaram porem, de comparecer os seguintes cidad.os:
tenente-coronel Augencio Virgilio de Miranda, Frede-
rico Antonio de Carvalho, consul portuguez, capit.o
Joao Felix do Valle. major Jos6 Marcolino Pess6a, ca-
pit.o Sebasti.o de Souza Bastos, capitao Antonio Fer-
Inandes de Carvalho, Antonio Severiano de Souza e
.Andr6 Filgueira Liao e outros que nao 6 possivel men-











cionar seus nomes, todavia enviaram generosos dona-
tivos que serdo mencionados no competent livro de
receita e despesas do servico da capella em comego.
Para perpetua memorial e a todos em todo tempo
cons'ar mandou o Rvd. Parocho Agoslinho Jos6 de
Santiago Lima lavrar a present acta que sera por elle
assignada e por todos os cidaddos presents que o qui-
zerem fazer, comeqando pelos paranymphos. Eu Minoel
Satyro Dias, escrivao ad hoc a escrevi.
0 Vigario Padre Agostinho Jos6 de Santiago Li-
ma, paranyinphos: Izael de Menezes Brasil, Jos6 Mar
colino Pessoa, Hyppolito Cassiano de Mendonqa, Luiz
de Pontes Vieira. Manoel Bernardes de Souza, Joaquim
Rodrigues das Chagas, Jo.o Martins Evangelista, Anto-
nio Bernardo de Souza, Andr6 Corcino de Medeiros,
Raymundo Teixeira de Souza Barros, Andre Felix Ro
drignes, Francisco Balthazar Rebougas, Jesuino Ferrei-
ra, Benedicto Marrocos de Mendonqa, Amancio Dantas
Ferreira, Izaias Demetrio de Souza, Jos6 Graciliano Fer-
reira, Jos6 Benedicto de Mendonqa, Antonio Bernardo
de Souza Filho, Manoel Freire do Nascimento, Manoel
Manoel Antonio do Valle, Jos6 Evangclisia Freire, Ma-
noel Trajano, Antonio do Valle Loureiro, Francisco
Firmino de Souza. Manoel Liberalino d'Oliveira e Se-
bastiao de G6es Nogueira.
2 de Fevereiro.-Inaugura se em S Bernardo de
Russas uma casa de educaqo corn o titulo de Collcgio
dos Sagrados Corac6es e sob a direcqco do Pe. Joao
Luiz Santiago e Ildefonso Gonqalves Rodrigues de Car-
valho.
4 de Marco.-Conclus.o da linlia ferrea. que liga
a fabric de tijollos do Coc6, de propriedade de Moura
& C.1, i praca Benjamin Constant na extens~o de 1000
metros, inclusive desvios e linhas interiores, sendo a.
distancia de 3600 metros da referida praca A fabric
Moura. Sea raio mininimo de curva 6 de 100 metros; quasi
toda linha 6 em declive desde a fabric a praca Benja-
min Constant, tendo apenas uma descida de cerca de
'200 metros comn a qual faz entrada no Coc6.








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8 de Marco. Publica-se em Fortaleza a Patestrar
jornalzinho critic.
15 de Margo.-No Salto de honra do Institut&o
de Humanidades funda se uma sociedade, que tomou o-
nome de cCongresso Estudantal e cuja directoria pro-
visoria ficou assim constituida:
President, Mamede Nogueira; 1.o vice-presidente,
Joaquim Cunha Fontenelle; 1.0 secretario, Leopoldo
Gondim; 2.0 secretario, Walfrido Ribeiro; orador, Ger.
vasio Nogueira; thesoureiro. Manoel Baptista de Oli-
veira,- procurador, Gentil H. de Barros Lcal.
15 de Margo.-Publica se em Maranguape o jor-
nalzinho Equador sob a direcqdo de Alfredo de Oliveira.
25 de Marc9.-Apparece o Symbolo, orgam do.
Apostolado Litterario de Baturit6.,
21 de Abril.-Organis'a-se em Fortaleza o Club&
Unido Militar corn o fim de, amenisando a vida afano-
sa de seus associados, promover diversies, dando men-
salmente saraus dansantes.
1 de Maio.-Fallece na Santa Casa de Miseri-
cordia de Fortaleza a irma Vfcencia, no mundo Rosa-
lia Bernard, corn 78 ann6s de edade, tendo comeado,
o seu apostolado em 1844. Viera para o CearA em
1872. Eta natural de Puy, na Franga.
13 de Maio.-Comega o assentamento dos trilhos
da linha /errea do bairro do Oiteiro de propriedade de
uma associagdo, cuja directoria se compunha do Dr.
Joao da R. Moreira, Tenente Coronel Arnulpho Pam-
plona e Capitao Alfredo Jos6 Barbosa.
13 de Maio.-Publica-se em Sobral o jornalzinho'
0 Estudante. Era redigido por alumnos do capitao Vi-
cente Arruda.
17 de Maio.- Sob as invoca6es de N. S. das,
Dores e Sagrado Coraqao de Jesus fundam se em Li-
moeiro duas Conferencias de S. Vicente de Paulo. Em
consequencia um Conselho installou-se ahi a 5 de Junho.
24 de Maio.- Colloca go da pedra fundamental do
theatre a Praga Marquez do Herval, sob a direc qo do
contractante Isaac Amaral, que o tomon a si por 500








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contos, de conformidade corn um contract celebrado a
18 de Outubro de 1895.
A lei autorisando as obras do theatre tem o n.
144 e 6 de 25 de Agosto de 1894.
Foi mandado mais tarde derrubar, ji estando as
*obras bem adiautadas.
29 de Maio.-Succumbe em Fortaleza a u.ia
pneumonia o Dr. Jos6 Carlos da Costa Ribeiro Junior,
professor e jornalista.
Filho do Dr Jose Carlos da Costa Ribeiro e D.a
Adelaide Josephina da Costa Ribeiro nasceu na capital
da Parahyba do Norte a 24 de Julho de 1860.
Bacharelou-se a 31 de Outabro de 1881 na Facul-
dade de Direito do Recife, vindo para o Ceard dois
annos depois. Entregando se a principio A vida de ma-
gistrado, foi promoter e depois juiz municipal do Ara-
.caty e juiz municipal do Ipti. Pondo de parte a ma-
gistratura, entregou se de corpo e alma ao magisteri9
para o qual tinha muita predilecgdo e estava perfeita-
mente apparelhado por profundos estudos nessa especia-
Jidade, e conseguiu corn applausos geraes ser lente de
allemdo no Lyceu Cearense e de varias disciplines em
,collegios particulares.
Foi nomeado chefe de Policia do Ceari no tempo
do Governo Provisorio e quando a morte veio supre-
hendel-o, roubando ao paiz um filho que o honrava,
occupava elle o alto cargo de Secretario dos Negocios
da Fazenda. Era membro da Academia Cearense e di-
rector da Padaria Espiritual.
Em memorial deste distinctissimo home de lettras
deu o Diario do Ceard uma editio especial a 4 de Junho
e foi publicada uma polyanthea do Congresso Estudantal
sob o titulo As Lettras, mas nenhuma manifestacqo
equiparou-se a que lhe foi tributada pela Academia Cea-
rense, como poder-se a ver da Revista dessa illustre
associaqio.
14 de Junho.-Installaq.o em Fortaleza da Asso-
ciacao Nossa Senhora dos Remedios- E' esta a respe-
-ctiva Acta:
Aos quatorze dias do mez de Junho de mil oito-











centos e noventa e seis, presents, na residencia do Snr.
commendador Alfredo Garcia, este mesmo cavalheiro, o
Revdmo. Padre Ananias Correa do Amaral, Joao Miguel
da Fonseca Lobo, Jose Candido Freire, Joaquim SimOes
Cadaxo, Victorino Gomes de Oliveira, Laurindo Virgi-
nio de Moraes, Claudio de Oliveira, Francisco Gomes
Parente, Josue Amaral, Arao Amaral Josu6 Garcia, foi
por unanimidade acclamado president o Snr. commen-
dador Alfredo Garcia, o qual chamou para Secretarios
os Snrs. Argo Amaral e Jos6 Candido Freire, declaran-
do entao aberta a sessio. 0 Snr. President deu a
palavra ao Revdmo. Padre Ananias Amaral para expor
os fins da present reunio, o qual fel-o, propondo que
se fundasse uma associacqo afim de levar a effeito a
conclusao das obras da egreja de Nossa Senhora dos
Remedios, sita no bairro do Bemfica, o que acceito pelos
cavalheiros presents, foi pelo Snr. president declarado
achar-se fundada a associacio mencionada.
Procedendo se de novo a votaqdo para composiqdo
da mesa, foram por unanimidade eleitos: para president
o Snr. Commendador Alfredo Garcia, 1. secretario
Arao Amaral, 2.0 dito Jos6 Candido Freire, thesoureiro
Joao Miguel da Fonseca Lobo. Resolveu a associacio,
em accord de ideas, que se mandassem imprimir cir-
eulares afim de, dando conhecimento de sua respective
fundacao angariar o maior numero possivel de tantos
contribuintes, designando se em seguida o 1.0 domingo
do mez de Julho proximo vindouro para a primeira
reuniao ordinaria e eleiqco definitive da meza adminis-
trativa da mesma sociedade. Ao encerrar a sessao, o
Snr. president designou os Snrs. Revdmo. conego Ana.
nias Amaral, Jos6 Candido Freire, Francisco Oomes Pa-
rente e Claudio de Oliveira para irem em commission
ai imprensa desta capital pedir o seu auxilio em favor
da associaeao, que vem de se rear. E nada mais ha-
vendo a tratar-se, declarou o Snr. President encerrada
a reunido, da qual se lavrou a present acta de instal
lacao. E eu, Arao C. Amaral, 1. secretario, a escrevi.
-- Alfredo Oarcia Padre Ananias Correia do Amaral --
Jose Candido Freire-Arao C. Amaral-Joao Mfguel


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F. Lobo-Claudio de Oliveira-F. Gomes Parente-
Laurindo V. Moraes Victorino G. de Oliveira-Joaquim
Cadaxo- Josu6 C. Amaral-Josu6 Garcia.
12 de Julho.-Posse do Presidente do Estado Se-
nador Antonio Pinto Nogueira Accioly.
12 de Julho.-Funda se no Crato a Associacqox
das Senhoras de Caridade. E' esta a respective Acta:
Acs doze dias do mez de Julho do anno de mil
oitocentos e noventa e seis, As quatro horas da tarde, na
Egreja de S. Vicente Ferrer, reuniu-se um consideravel
numero de pessoas para a sessdo da installaqco canoni-
ca da Associaqdo das Senhoras de Caridade, a qual foi
aberta corn as oracqes regulamentares pelo Revdmo.
Director spiritual, Monsenhor Francisco Rodrigues Mon-
teiro, e corn a presenqga do Monsenhor Vigario Antonio,
Alexandrino de Alencar, e das seguintes Senhoras ins-
talladoras em numero de 22: Izabel Amorim, Francisca'
Garcia, Maria Moreira Facundo, Idalina de Norfes
Chaves, Rosa Joca, Maria Teixeira, Matildes Alexandrina
de Alencar, Rachel Sisnando, Raymunda Angelica, Can-
dida de Jesus Albuquerque, Vicencia Esmerina de Jesus..
Leonida Moreno Vanderley, Idalina Francisca do Nas-
cimento, Maria Pedrozo Maciel, Maria Gomes de Mat-
tos, Maria da Penha Gonqalvfs, Maria Affonso Moreno,.
Maria Angelica Flamino, Maria Moreira Vianna, Maria
Jacome de Carvalho, Elvira Nobrega da Silva e Balbi-
na de Alcantara Lima. Em seguida o Revdmo. Director
proferiu uma concisa mas substanciosa allocuq~o em
que bern patenteou a origem, deveres e vantagens da
Associaq.o, mostrou os innumeros beneficios que advem
da particicipacqo das indulgencias, e, por ultimo, con-
gratulou se corn todas as pessoas assistentes por ver
effectuado um dos seus mais ardentes desejos-a orga-
nisacqo desta pia Associaco, approvada pelo inclyto-
Bispo da Diocese, o Exmo. Snr. D. Joaquim Jos6 Vieira.
Coube logo ao Monsenhor Vigario Antonio Ale-
xandrino externar seus conceitos sobre o present acto.
Foi a sua allocuqio sobre os deveres de cada uma
das Senhoras de Caridade, aconselhando-as e animan








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do-as a cumprir religiosamente a missao de que se acha-
vam incumbidas.
Exhibiu-se em conceitos sobre a imprescindivel
virtude da Caridade, e, a exemplo do grande heroe dessa
virtude-S. Vicente de Paulo-exhortou as Associadas
a amarem e a terem muito zelo e muita dedicacqo A
causa dos pobres enfermos, aos quaes deviam visitar,
empregando todos os meios para salvar suas almas.
Seguiu-se a eleiqao, sendo eleitas as seguintes Se-
nhoras: Presidente, D. Elvira Barbosa Madeira; Secre-
taria, D. Maria Benigna de Alencar; Thesoureira, D.
Fausta de Oliveira Frazdo. Isto feito, o Revdmo. Di-
rector, de accord corn Monsenhor Vigario Alexandrino
e corn as circumstancias da Associacqo, nomeou doze
visitantes e dez thesoureiras
Nada mais havendo a tratar se procedeu se a col-
lecta, que rendeu trinta e sete mil reis (37$000), e en-
cerrou se a sess.o corn as orac6es regulamentares.
17 de Julho.- Fallece na Capital Federal o repre-
sentante do CearA no Congresso Federal Dr. Gonqalo
de Lagos Fernandes Bastos. Era bacharel em direito
pela Academia de S. Paulo.
Foi deputado provincial mais de uma vez e redi-
giu o Pedro 1!, -orgam conservador.
19 de Julho.-Sob a direcqlo do Bacharei Joao
Augusto Perdigio funda-se um institute de ensino sob
a denominac.o de Gymnasio Baturiteense
20 de Julho.-Funda-se em B6a Esperanca uma
Conferencia de S. Vicente de Paulo sob a invocaq.o de
Nossa Senhora da Conceiqao. Foi aggregada a 19 de
Dezembro de 1898
26 de Julho.-Publica-se em Fortaleza o jornal-
zinho intitulado 0 Garoto.
7 de Agosto.-E' dessa data a Lei n.0 294 ele
vando Independencia a categoria de villa. Foi ella
inaugurada a 16 de Novembro.
13 de Agosto.-Lei no 297 autorisando o Go
verno do Estado a concorrer corn a metade das despezas
necessarias para a ligaqao das linhas telegraphicas da








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UniAo is localidades do interior. A essa lei nio foi
dada execucAo.
3 de Setembro.- Lei n.0 332 elevando A catego-
ria de villa a povoaqco de HumaytA corn a denomina-
qAo de Senador Pompeu. 0 municipio foi inaugurado
a 8 de Novembro.
4 de Setembro.-Lei n.0 334 autorisando o go.
verno do Estado a renovar corn quem mais vantagens
offerecesse o contract para exgotos de Fortaleza cele-
brado a 16 de Fevereiro de 1891, modificado a 7 de
Maio de 1892 e rescindido a 3 de junho de 1895-
Chamada a concurrencia por Edital de 28 de
Agosto de 1897, apresentou se urna proposta firmada
pelcs profissionaes Engenheiros Antonio Theodorico da
Costa e Roberto 0. Bleasby, a qual nao foi acceita pelo
motivo contido no Despacho da Presidencia em 24 de
Abril de 1898.
Firmado naquella !ei n.0 334 e mais na de n.0 5'5
de 31 de Outubro de 1898, o Presidente Dr. Antonio
Pinto Nogueira Accioly fez publicar a 12 de Janeiro de
1899 Edital chamando concurrencia para o contract
dos services de exgotos c agna potavel, e encerrado o
respective praso a 29 de Abril foram apresentadas 4
propostas sobre as quaes teve de dar parecer uma
commissao.
20 de Setembro.-Funda-se em Manaos a Socie-
dade cBeneficente Cearense,, cuja Directoria ficou as-
sim constituida:
President. Manoel Raymundo Affonso de Carva-
lho; 1.0 Vice-presidente, Pharmaceutico Joaquim F. de
Araujo; 2.0 Vice president, Antonio de Miranda Araujo;
1.0 Secretario, Antonio Cyrillo Freire; 2.0 Secretario,
Pharmaceutico J L. da Costa Aguiar; Thesoureiro joa-
quim Antonio Guedes; Directores, Henrique da Silva
Rocha, Joaquim Freire da Silva, Manoel Moura; Sup-
pientes, Dr Jose Leite Barbosa, Martinho de Luna Alen-
car, Temistocles Machado, Antonio Bezerra de Menezes,
Vicente Araujo, Joao Ramos, Lutiz Leite, Sergio do,
Areal Souto e Gervasio Reis; Conselho de. Honra, D.
Jos6 Lourenco da Costa Aguiar, Conego Antonio Fer-








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nandes da Silva, coronel Luiz da Silva Gomes, coronel
Manoel de Oliveira Bastos, desembargador Abel Garcia,
Joaquim Antonio Guedes e major Boaventnra de Paula
Avelino.
Seus Estatutos foram approvados pelo D n 148
de 23 de Janeiro de 1897.
26 de Setembro.-Inaugura se o predio destinado
para servir de forum e para as sess6es da Camara
Municipal da Cidade de Quixadg.
28 de Setembro.- Victima de uma intoxicacao
uremica, fallece em Fortaleza o desembargador Americo
Militao de Freitas Cuimar~es. Contava 71 annos de
edade e nascera na cidade de Quixeramobim.
Teve occasi.o de administrar como 1.0 vice-presi-
dente a provincia ap6s o fallecimento do Dr. Caio Pra
do, decorrendo o period de sua administracao de 26
ae Maio a 11 de Julho de 1889.
12 de Outubro.-Inauguraq~o da Ferro-Carril do
Oiteiro (da Praqa do Ferreira d Praqa Benjamin Cons
tant) em Fortaleza.
16 de Outubro.-Com 0 nome de Carios Gomes
publica-se em Fortaleza a ediao especial a unica de um
journal dedicado a memorial do illustre maestro Campinista.
A primeira pagina traz o retrato do grande artist.
16 de Outubro.-O Centro Litlerario e a Padaria
Spiritual representados por uma commission composta
do Dr. O Studart, Rodolpho Theophilo, Pedro Muniz,
Antonio Salles e Ulysses Bezerra, promovem uma bella
sessao solemne em Fortaleza honrando a mem-oria do
maestro Carlos Gomes, o immortal filho de Campinas.
17 de Outubro.-Morre a Rua das Flores, For-
taleza, Antonio Ferreira de Laffayete, o typo mais ca-
racteristico do bohemio Cearense, o conhecido trovador
do ieirinho, Charuto. Figarino e outros muitos jor-
naesinhos tao apreciados pela plebe Cearense, cujos sen-
timentos e linguagem elle traduzia e imterpretava.
Nasceu em Aquiraz a 7 de Junho de 1850, sendo
seus paes Jos6 Felippe Ferreira, empregado durante 52
annos na Alfandega do Estado e fallecido em Aquiraz








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em Outubro de 1898 aos 92 annos de edade, e D. Ale-
xandrina Maria da Conceicao.
Typographo desde creanca, cedo tambem appare-
ceu elle no jornalismo fundando o Meirinho, que se pu-
blicava na Typ. Americana de Theotonio Esteves de
Almeida, na antiga Rua do Fogo. Redigiu ou collabo-
rou em todos os pequenos jornaes, que se publicaram
em Fortaleza, sendo 0 Figarino sua ultima tenda de
trabalho
Antonio Laffayete n.o escrevia e portanto nao dei-
xou originaes. Sentado no banco da caixa, de compu.
nidor em punho, pensava e compunha, sendo por isso
mesmo mais dignos de adtnirac.o seus versos tio cheios
de verve e seus trabalhos humoristicos e de critica li-
geira, como a seccio Boeorianas, que escreveu no Norte.
0 lignrino, que elle fundara a 5 de Maio de 1895
corn Joao de Albuquerque e Nicephoro Moreira, dedicou
A sua memorial a edia.o de 9 de Novembro de 1896.
29 de Outubro.-Fallace na Capital Federal, vi-
ctima de uma syncope cardiac, Iclirerico Narbal
Pamplona. Era filho do Tenente-Coronel Candido Jose
Pamplona e D Maria Palacio Pamplona e nascera a 14
de Outubro de 1830. Era Moqo fidalgo da Casa Real
Portugueza e Commendador da Ordem de Nossa Se-
nhora da Conceicqo de Villa Viqosa.
8 de Novembro.-Publica-se em Foitaleza o jor-
nalsinho intitulado 0 Pagao.
15 de Novembro.-P-ublica se em Fortaleza o
jornalzinho intitulado 0 Porvir.
18 de Novembro.-InauguraiAo do municipio de
Independencia, restabelecido pela lei n.0 294 de 7 de
Agosto.
27 de Novembro.-Sagraq.o e assentamento da
pedra fundamental do novo Templo do Collegio da Im-
maculada Conceic.o, A Praqa Figueira de Mello.
Assistiram ao imponente acto, em que funccionou
o venerando Lazarista Padre Pedro Chevalier, o Bispo
Diocesano, todo o Clero de Fortaleza e enorme e esco-
Ihido concurso de cavalheiros e senhoras.
















29 de Novembro.- PublIca se em Baturite o jor-
nalzinho intitulado Bicho.
Neste anno appareceu a peste de canna no SuF
do Estado;
Nesse anno em Fortaleza foram registrados 17377
nascimentbs, 298 casamentos e no Estado 41644 bapti-
dos, 6165 casamentos e 7608 obitos.











18 97


1 de Janeiro. Fallece na Capital Federal Adol-
pho Caminha. Nascera no Aracaty a 29 de Maio de
1867. Filho de Raymundo Ferreira dos Santos Cami-
nha e D Maria Firmina Caminha.
E' autor de varias obras como: -Judith e Lagvi-
mas de urn crente (Contos); VMos ineertos versoss), folhe-
to de 36 paginas em que o autor reuniu as poesias, que
compoz e fez publicar em diversas revistas no period
de 1885 86; A normalista, romance de tons naturalistas
bem accentuados, cujas scenas se desenrolam em Forta-
jeza; No pais dos yankees, narraq o da viagem, que o
autor fez a bordo do cruzador Almirante Barroso; Born-
Creoulo, outro romance d'apr6s nature, em torno do quai
se tern agitado a critical; Carlas Litef arias, em 8.0 de
224 paginas, publicadas no Rio de Janeiro.
Depois de morto, foi publicado o seu ultimo ro-
mance, 7entagdo, vendido pela infima somma de seiscen-
tos mil 1iis.
A. Caminha foi o redactor-director da Revista Mo-
derna e escreveu nella uma critical sobre os Versos di-
versos de Antonio Salles, e no Rio foi redactor-chefe da
Nova Revista, que com elle desappareceu.
Valemtim Magalh.es (A Litteratura Brasileira pag.
27) o proclama continuador de Aluizio Azevedo e re-
conhece nelle um admiravel temperamiento de romancista.
0 Centro Cearamse, Rio de Janeiro, tomou a si a
iniciativa de se levantar umr mausoleu em que fossem
recolhidos os restos do habilissimo e desditoso critic e
romancista Cearense.
Papi Junior, vice-presidente do Centro Litterario
Fortaleza, publicou em 1897 um trabalho sob o titulo
A. Caminha e a sua obra litteraria.
9 de Janeiro. No theatrinho Iracema, de Forta-




Full Text
422
Revista Nacional
84 alumnos matriculados; e em Fortaleza, 5 aulas isoladas diversas Latim, Lgica, Rhetorica, Geometria e Francez com 14 alumnos. (!) Deu-se, ento, o phenomeno que no Brasil caracterisou a differenciao do ensino secundrio: as cadeiras isoladas se reuniram, sob o mesmo tecto, com o nome de Lyceu, (Lei provincial, n.o 299, de 15-7-1844).
Em 1850, comea-se a comprehender a inutilidade desse ensino. No seu relatrio Assembla Legislativa, em julho desse anno, o Presidente da Provncia, Fausto Augusto de Aguiar, estendendo-se em judiciosas consideraes a respeito da instruco publica, em geral, lembra a convenincia de serem sup-primidas as 9 cadeiras de latim, existentes no interior do Cear, afim de que, com essa economia, pudesse o Governo dar mais amplo desenvolvimento ao ensino primrio, criando cadeiras de l.a classe nas localidades mais populosas e florescentes. O Presidente era um homem progressista. Enfrentando com desassombro os preconceitos de seu tempo, inaugurou brilhantemente a reaco contra o latinismo, do qual, segundo affirmou, a mocidade no podia tirar nenhuma vantagem pratica .
II Reaco contra a escola latina
Em 1853, reaffirma-se a reaco. O ento Presidente, Joaquim Villela de Castro Tavares, louvando a iniciativa do Legislativo, que resolvera fazer supprimir as cadeiras de Latim, proporo que se fossem vagando, faz consideraes sobre a inutilidade desse ensino, com a suppresso do qual faria o governo uma economia de 4:100$000, que poderia ser appli-cada uma instruco mais proveitosa. Todavia, no fala em instruco primaria, limitando-se a dizer algo do ensino secundrio, e concitando o Legislativo a crear cadeiras de Religio Catholica, Physica, Mecnica, Botnica, Agricultura, Veterinria, Contabilidade e Escripturao mercantil, bem como cadeiras de artes liberaes, como Desenho e Musica. Sobre a Musica, diz, literalmente: A Musica, senhores, que na phrase de Gustavo Beaumont, encerra tudo, imaginao, poesia, enthusiasmo, sensibilidade, fora de engenho, ternura de corao, canto de gloria, e suspiros de amor; a musica, cujos sons mysteriosos, differentes da palavra, e exprimindo mais que o pensamento, no se dirigem sino alma; a Musica, que por mais de uma vez tem adoado os coraes e aperfeioado os costumes , etc. Era um presidente do tempo de Plato... S faltou encommendar os citharistas, para que os cearenses, cigarras do estio, revivessem neste pedao de terra secca, as magnficas melodias de Hellade.
Mas nada se fez de pratico, por isso mesmo. Submettidas lei fatal da evoluo, as cadeiras de latim, de ha muito con-


O ensino no Cear
473
engenho de bomba de vento! Desde a ventoinha, at ao corpo de bomba, tudo reproduzido com perfeio, servindo como servem os grandes apparelhos que as obras contra a secca teem por l disseminado, nos poos, que abre. Encontramos, hoje, o automvel, guiado pelas mos do sertanejo at nos mais longnquos municpios do Cariry; j tive occasio de ver um campeiro mettido dentro da sua roupa de couro, guiando elegantemente um Ford... A industria de algodo, bem adiantada em Sobral, Iguat, Maranguape e outros pontos, fala pela comprehenso que o caboclo tem do valor da maquina. Em Baturit, em pleno corao do Cear, ha uma fabrica de caramellos e bonbons de chocolate, cujos productos podem ser comparados com os das nossas melhores fabricas. Quanto ao amor pela instruco, basta verificar que, em oito mezes de trabalho, a matricula subiu de 30 o/o; e a freqncia de 50 o/o. Em 1921, a matricula era de 19.360 e a freqncia de 10.137, em seiscentas unidades escolares; em 1922, ella, a primeira, se elevou a 25.725 e a freqncia attingiu a 15.971, para o mesmo numero de classes. A matricula tambm attingiu m bello numero nas escolas municipaes e estabelecimentos particulares. Vinte e dois por cento das creanas em idade escolar freqentam escolas no Cear, o que significa que l estamos na mesma proporo de S. Paulo, ha poucos annos atraz. Isso basta para mostrar o amor que l se tem pela instruco. O sertanejo no impenetrvel maquina e escola; os governos, em geral, que teem mantido uma criminosa' indif-ferena pelo problema da cultura popular.
Mas no isso, principalmente, falta de recursos financeiros? %
PrincipalfUente, no. Si ha Estados como S. Paulo, Santa Catharina, Rio Grande do Norte e Cear que gastam quasi um quinto das suas rendas com a instruco, outros esquecem que educar deve ser a nossa principal poltica. Ha Estados ricos e prsperos, que gastam a ninharia de tres por cento... Demais, preciso considerar que esse dispendio nem sempre bem feito, tendendo a uma organisao efficiente e compensadora. O problema do ensino no deve ser encarado simplistamente, s pelo lado da extenso. Muito ha a considerar a boa qualidade do ensino.
Para isso no seria, ento, aconselhvel o auxilio federal?
Evidentemente. Feito o recenseamento escolar, no Cear, verificamos que, em 162.000 creanas em idade escolar, e podendo freqentar escolas, apenas 36.000 se achavam ins-


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JECA TATU E MANE CHIQUE CHIQUE
O tremendo flagello da secca, o secular problema do Nordeste, ha trezentos annos assola essa vasta regio do Brasil, mantendo em continuo sobresalto mais de tres milhes de brasileiros, impedidos de evoluir, impossibilitados de progredir.
Dir-me-ho talvez: Ora, esses tres milhes de indivduos no passam de Jecas Tatus a vegetar de ccoras, incapazes dr evoluo c impenetrveis ao progresso!
um engano!
Quem Jeca Tati? Que faz?... Diga-o Ruy Barbosa: Solta Pedro I o grito do Ypiranga: e o caboclo em ccoras. Vem, com o 13 de maio, a libertao dos escravos, e o caboclo, de ccoras. Derriba o 15 de novembro um throno, erguendo uma Republica; e o caboclo, acocorado. No scenario da revolta, entre Floriano, Custodio e Gumercindo, se joga a sorte do paiz, esmagado quatro annos por Incitatus; e o caboclo ainda com os joelhos boca. A cada um desses baques, a cada um desses estrondos, soergue o torso, espia, coca a cabea, magina, mas volve modorra, e no d pelo resto.
De p, no gente. A no ser assentado sobre os calcanhares, no desemperra a lingua, nem ha dizer cousa com cousa. A sua biboca de sap faz rir aos bichos de toca. Por cama, uma esteira espipada . Roupa, a do corpo. Manti-mentos, os que junta aos cantos da srdida arribana. O luxo do toucinho pendente de um gancho cumieira. parede, a pica-po, o polvarinho de chifre, o rabo de tatu, e em pra-raio, as palmas bentas. Si a cabana racha, est de janellinhas para o resto da vida . Quando o colmo do tecto, alluido pelo tempo, escorre para dentro a chuva, no se veda o rombo; basta aparar-lhe a agua em um gamello. Desaprumando-se os barrotes da casa, um santo de mascate, grudado parede, lhe vale de contraforte, embora, quando ronca a trovoada, no deixe o (dono de se julgar mais em seguro no co do uma arvore vizinha.
O mato vem beirar com o terreirinhb n da palhoa. Nem flores, nem fruetos, nem legumes. Da terra, s a mandioca, o milho e a canna. Porque no exigem cultura, nem colheita. A mandioca, sem vergonha, no teme formiga. A carina d a rapadura, d a garapa, e assucara, de um rolte espremido a pulso, a cuia do caf.
Um fatalismo cego o acorrenta inrcia. Nem um laivo de imaginao, ou o mais longnquo rudimento d'arte, na sua imbecilidade. Mazorro e soturno, apenas rouqueja lugubres toadas. ;< Triste como to curiango, nem siquer assobia . No meio


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Foi tudo quanto deu a sua memria que, entretanto, merecia e merece muito mais.
possvel que a famlia guarde os manuscriptos do poeta, se existem acaso. O pouco, muito pouco que delle temos, lembra-nos pela escassez e pela suavidade as trovas de Crisfal.
Creio servir curiosidade dos leitores publicando os versos de Jos Albano que delle consegui a custo para o Almanaque Garnier de 1908.
Fui eu quem passou a dirigir o Almanaque (depois de Ramiz Galvo) annuario excellente pela imparcial variedade de autores e escriptos e pelas noticias do Brasil e de suas riquezas materiaes e moraes. Infelizmente o Almanaque desap^ pareceu em 1914 e difficilmente cessar essa interrupo.
L ,que sairam pela primeira vez os versos de Jos Albano. Vamos em parte transcrevel-os, pois que no tiveram maior repercusso, e jhoge seria difficil alcanal-os em um numero j esgotado daquelle annuario.
As Redonilhas como era o titulo, abrangiam trovas avulsas, cantigas e voltas.
Eis, em primeiro lugar, algumas das trovas:
Duas ncoras num dia Vi rompendo em luzes f lavas; Uma era o sol que surgia A outra eras tu que chegavas.
A violeta anda chorosa, E a rosa alegre e faceta S porque te chamei rosa E no te chamei violeta.
Nesta existncia padeo De dois males, ai! de mim! Da ventura sem comeo E da tristeza sem fim.
So bellos esses versos talvez inspirados na musa popular; mais ainda so mais formosas as poesias esparsas e as cantigas conforme se pode vr de dois exemplos:
Esparsa
Ha no meu peito uma porta,
A bater continuamente,
Onde a esperana jaz morta
E o corao jaz doente.
Em toda a parte em que eu ando
Oio este ruido infindo:
So as tristezas entrando,
E as alegrias sahindo.


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Revista Nacional
ser para encher os hospitaes e as prises de enfermos e criminosos.
A escola primaria portanto, ao lado do a b c e no mesmo tempo, deve ensinar muito rudimentarmente, e como necessidade ainda maior que a do a b c, o essencial dos conhecimentos mais indispensveis vida do homem, conservao do indivduo pelo trabalho produzindo-lhe o alimento e o vestido, e pela defesa do seu corpo amparando-lhe a sade; porquanto, se no cabe escola primaria, na diviso do trabalho da educao cuidar do profissional para esta ou aquella actividade humana cabe-lhe, porm, cuidar do indivduo,' ainda creana, collaborando com elle no inicio da sua educao, qualquer que seja o seu destino mais tarde, dentro desta ou daquella profisso. E para isso que ella deve ensinar-lhe os rudimentos de sciencias naturaes, mais indispensveis, para facilitar-lhe a vida no trabalho e na defesa da sade; tanto mais quanto, e este ponto de mxima importncia, a maior parte da nossa populao escolar da regio rural no vae alm do ensino da escola primaria, accrescendo ainda que boa parte delia, pela necessidade de auxiliar os paes na cultura das terras, abandona a escola sem terminar o curso. iE essas circum-stancias evidenciam a necessidade inadivel de cuidarmos, melhor e mais praticamente, da educao escolar da nossa-gente, principalmente da nossa populao rural insulada como vive no interior do paiz, dentro da immutabilidade de costumes e princpios, exigindo modificaes conservadoras, mas urgentes, para melhoral-a, a ella, que est to longe dos benefcios, qe os nossos estabelecimentos de ensino distribuem largamente populao das cidades; e quando justamente com a intelligencia e os msculos do homem do interior, cultivando a planta ou criando o gado, que elaborado e feito quasi todo o trabalho nacional.
De outro lado, para orientar como deve ser feito o ensino de rudimentos de sciencias naturaes na esoola primaria, e clarear mais o assumpto: assim como a creana aprende a lr vendo frmas de letras as mais diversas nas respectivas cartilhas de ensino, assim tambm ella deve aprender na escola primaria rudimentos de sciencias naturaes vendo frmas de plantas e animaes, de folhas e sementes, de nuvens e nevoas, e de tanta cousa mais, que a gente v a cada passo, em todos-os logares e numa cartilha bem maior, que a natureza.
E de accordo com este critrio, para pratical-o uniforme e geralmente na escola primaria de qualquer aldeia do paiz, diante da qual est sempre aberta a grande cartilha que a natureza, basta o professor, guiado por livros apropriados mostrar s creanas ia! planta e o animal, sob a frma de qualquer planta e de qualquer, animal ao alcance dos seus


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Revista Nacional
termediario: o seu papiei o de estreitar e (multiplicar as relaes do indivduo com o meio, no s aproveitando as circumstan-cias, mas criando circumstancias artificiaes, de que o alumno se ter de sahir, agindo e raciocinando, associando e abstrahindo organisando, emfim, a sua prpria mentalidade. E tudo isso no era apenas dito: era demonstrado experimentalmente, a propsito de todas as disciplinas, na Escola Modelo, estabelecimento destinado a marcar poca na historia do ensino do Cear, segundo affirmou, em mensagem ao Legislativo, o sr. Presidente do Estado.
As Lies do professor Loureno Filho apaixonaram os espritos. Assistiam-n'as, diarimente, assim os alumnos da Escola Normal, como professores pblicos particulares, inspecto-res escolares, deputados, literatos, advogados e jornalistas. O prprio sr. Presidente do Estado, talvez o mais enthusiasta, costumava distinguir as aulas com a sua presena. O recinto j tinha o aspecto de um salo de conferncias, ou melhor de um cenaculo, porque nunca as aulas eram puramente expositi-vas, mas animadas das mais interessantes discusses. Foi preciso estabelecer um curso especial, alem do da Escola," onde se ouviram aulas memorveis, que muito elevaram o nivel in-tellectual do professorado, ao mesmo tempo que lhe accendiam no espirito o amor pelas bellas coisas da educao.
Assim comeou a reforma: por uma reforma de idas.
b) Installao da Directoria da Instruco Havia-se crea-do uma ida-fora admirvel. Mas no bastava. O ensino primrio no Cear nunca tivera um rgo prprio de direco, a no ser nas leis. Era um organismo decapitado: agia to somente graas aos reflexos medullares... A Inspectoria da Instruco, ora vivia em symbiose com a directoria do Lyceu, ora se enkistava na Secretaria do Interior, onde perdia o nome. A sua historia uma constante migrao daquelle estabelecimento para esta Secretaria, desta Secretaria para aquelle estabelecimento. Nessa vida nmade nunca fizera patrimnio; faltavam-lhe tradies.
Ultimamente, alguns annos j, houve uma tentativa de installao condigna e adequada de uma directoria ou Inspectoria. Adquire-se o mobilirio, aluga-se uma casa, nomeam-se tres funccionarios... e os negcios do ensino continuavam na Secretaria do Interior, como dantes.
Quando o professor Loureno Filho chegou ao Cear, a iituao era essa. Acephalia completa, e a administrao do ensino um pandemnio. A politiquice tudo havia contaminado. Assumindo a chefia da nova repartio, o professor paulista tomou logo duas ou tres medidas que mostravam a consolidao do apparelho do ensino, pela inaugurao de um governo prprio. Suspendeu, em absoluto, at que se fizesse o recenseamento da populao em idade escolar, todo o servio de


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Revista Nacional
AS CAUSAS DAS SECCAS E OS MEIOS DE MINORAR-LHES OS EFFEITOS
A secca um phenomeno climtico cuja causa ignorada. o mal congnito do Cear. Das primeiras seccas, do Brasil colnia, sabe-se pouco, vagas noticias chegaram a ns pela tradio. Uma das maiores foi a de 1723, durou quatro annos. Imagine-se o que teria sido este flagello sem meios de transporte, sem assistncia de espcie alguma! A populao civili-sada era pequena, e esta mesma acabou-se de fome. Os indios morreram pela metade, escapando os que emigraram para as praias.
Durante o centenrio do Brasil nao, onze vezes a secca nos flagellou nos annos de 1825, 1845, 1877, 1878, 1879, 1888, 1889, 1898, 1900, 1915, 1919.
Fui testemunha locular de todas estas calamidades, exce-po das de 1825 e 1845.
De todas occupei-me em livros que publiquei.
A primeira secca que tivemos, depois da maioridade de D. Pedro II foi em 1845. O flagello durou somente um anno, e, por curto, pouco impressionou.
Deslembrados estvamos delle por um perodo de trinta longos annos de paz e abastana, quando nos chegou a secca de 1877, que. durou tres annos. Foi indescriptivel o pnico que de todos se apoderou.
Corte chegavam todos os dias novas da nossa desgraa. A imprensa da grande capital pedia providencias promptas ao Governo. O Centro Cearense pedia esmolas para soccorrer-nos.
A todos o flagello impressionava.
D. Pedro II, ouvindo os clamores que se levantavam de toda a parte, reuniu no Instituto Polytechnico os sbios do paiz para pedir-lhes conselhos sobre as, seccas do nordeste.
Sob a presidncia do sr. Conde d'Eu, reuniram-se os scien-tistas brasileiros, >Baro de Capanema, Andr Rebouas conselheiro Beuarepaire Rohan e senador Viriato de Medeiros, em sesso, no dia 18 de Outubro de 1877.
Discutiram as causas das seccas e os meios de remediar-lhes os effeitos.
Esperava-se que desse areopago shissem medidas effi-cientes que debellassem os effeitos da calamidade.
O Baro 'de Capanema e o senador Viriato de Medeiros eram os nicos que conheciam de visu o Cear, o primeiro por ter estado aqui, em 1862, como membro da Commisso Scien-tifica que veiu estudar a fauna, a flora, a mineralogia, a cli-


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Revista Nacional
Constre-se, no anno seguinte, um pequeno edifcio destinado Escola Normal, mas o bello movimento que se ensaiava arrefece um pouco. A inspectoria da Instruco volta a fundir-se com a direco do Lyceu, com prejuzo de ambas as coisas. O professor Barcellos, chegado havia pouco, de sua viagem, addido ao Lyceu para ensinar Geographia e Historia____
Em 1884, funda-se, finalmente, a Escola Normal. Mas a sua vida precria. Vive do patriotismo de Jos de Barcellos e de outros professores, que se offereceram para lc-cionar gratuitamente, durante o seu primeiro anno de existncia. O Regulamento de 1881, que lhe marcava um curso de tres annos, modificado com a reduco dos estudos a um anno, somente...
Comtudo, a fundao do novo estabelecimento marca a differenciao do ensino primrio. O clssico vae cedendo
NOVO PRDIO DA ESCOLA NORMAL DE FORTALEZA Este prdio tem doze salas de aulas, amphitheatro, bibliotheca, museu, directoria, secretaria, hall e outras dependncias, sem contar o poro habitavel, que servir para as aulas de trabalhos manuaes, gabinete de chimica, etc. Representa o typo de construco escolar: hygienica e econmica. Foi orada em 280:000$. A construco est adeantada, devendo inaugurar-se o prdio dentro de dois a tres mezes.
terreno ao ulil e ao concreto: Os futuros professores aprendem Portuguez e Arithmetica e noes de Geographia, Historia, Desenho Linear e Geometria pratica. As escolas primarias se multiplicam cada anno, e penetram o serto, corajosamente. Em 1884 tnhamos quasi duzentas escolas; em 1894, 230; em 1904, 246.
Em toda a ra de ensino, ha um homem que a corporisa um homem diogenico. Nesse perodo de grande trabalho, acima descripto, tivemos Jos de Barcellos, a cujo nome se associaram todas as reformas do ensino primrio no Cear, at 1905. Foi longos annos o professor de Pedagogia da Escola Normal. Intelligencia de elite, homem patriota, e sobretudo enthusiasta pela causa do ensino, tornou-se, entre ns, a maior autoridade em matria pedaggica.
Era, entretanto, e infelizmente, um theorico. O curso


A evoluo do ensino no Cear e a reforma de 1922
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Prdio em que funcciona a Escola Modelo, a escola donde partiu a renovao technica e onde primeiro foram empregados os modernos processos de ensino, no Cear. A Escola Modelo, annexa Escola Normal, foi inaugurada ali de agosto de 1922, quatro mezes apenas depois da chegada ao Cear do Prof. Loureno Filho. Foi montada com todo o material necessrio importado de So Paulo.


86 11.712 1.216 5 156 104 4 68 66 224 170 18 % 28 o/
87 17.360 2.005 7 335 235 1 63 46 898 281 20 o/ 80 o/0
38 Limoeiro....... 18.512 2.184 5 136 84 136 64' 6 /o 94 o/
39 25.396 3.664 25 1.141 741 1 30 20 3 256 112 1.427 873 40 / 60 o/0
40 Maria Pereira .... 10.273 1.938 4 215 132 2L5 132 11 /o 89 o/0
41 11.457 2 968 7 295 220 295 220 10 /o 90 o/o
42 23.360 3.760 5 204 146 1 66 57 1 19 19 289 222 8 /o 92 o/0
43 Misto Velha . 16.462 2.806 3 156 119 1 30 15 1 31 15 217 149 8 /o 92 o/0
44 Morada Nova .... 12 316 1 992 4 130 73 1 60 45 1 20 15 210 134 11 /o 89 o/
45 13.374 1.915 17 649 666 619 456 33 / 67 o/
46 8.148 1.119 4 lk9 69 2 30 27 1 40 40 199 136 18 / 82 o/o
47 12.471 1.071 5 237 148 37 148 22 / 78 o/0
48 Pedra Branoa .... 11.400 U276 2 111 91 2 41 44 166 135 12 /o 88 o/o
49 7.473 840 2 128 53 2 20 13 148 66 18 % 82 0/0
50 Pereiro...... 11.569 1.380 6 170 87 170 87 12 /o 68 o/
51 26.065 2.456 11 464 293 11 446 358 4 210 177 1.120 828 45 % 55 o/o
52 Quixeramohim'. . 20.801 1.418 9 329 199 323 199 23 /o 77 o/0
53 16.955 1.738 11 449 291 4 110 86 659 380 32 % 68 o/
54 4.736 720 3 123 76 123 76 17 /o 83 o/
55 16.651 2.249 4 153 100 1 92 18 2 27 20 272 138 12 /o 83 o/0
56 SanfAnna do Cariry 14.159 2.474 4 209 115 2 1S6 100 5 275 206 620 421 25 o/ 75 o/0
67 Santa Quitaria.... 7.665 1.518 ieo 115 4 75 75 235 190 15 o/o 85 o/o
68 So Benedicto .... 21.089 3.640 9 483 291 483 291 13 o/ 87 o/0
69 So Bernardo das Russas 16.969 1.745 8 270 150 1 20 14 7 159 121 449 285 26 o/ 74 o/0
60 So Francisco .... 14.587 2.466 7 272 190 1 28 26 1 120 65 420 281 17 o/ 83 o/0
61 Sito Gonalo .... 17.969 1.120 10 867 240 .- ' 367 240 33 % 67 o/
52 So Joo da TJruburetama 11.246 761 4 178 88 _ 178 83 23 o/ 77 o/0
63 So Matheus .... 22.477 2.800 4 207 77 207 77 7 % 93 o/
64 So Pedro do Cariry 9.855 1.472 2 92 66 1 26 16 _ 118 62 8 o/o 92 o/0
65 Senador Pompeu . 10.195 1.164 7 343 190 -- 343 190 29 / 71 %
66 39.003 3.708 16 624 442 11 420 296 1.044 738 2S o/ 72 o/0
67 19.753 2.199 14 619 402 5 130 81 1 18 16 767 497 35 o/ 65 o/o
68 13.825 1.135 5 238 181 238 181 21 % 79-o/o
69 13.756 1.269 6 237 161 237 161 19 /o 81 o/
70 14.493 1.532 2 62 32 _ 62 32 4 o/o 96 /
71 9.5:56 1.496 3 110 60 3 65 50 175 110 12 /o 88 o/
72 15.376 1.666 5 212 126 2 77 66 1 75 82 364' 214 22 o/ 78 o/
73 Vrzea Alegre .... 113.350 1.664 2 108 49 103 49 6 "/o 91 o/
74 19.315 1.862 5 173 113 1 40 20 Ui, 2 47 30 260 163 14 o/o 86
POPULAO TOTAL DO ESTADO (Recenseamento Federal de 1920) -\\"............1.319.228
POPULAO EM IDADE ESCOLAR DE TODO' O ESTADO (Cadastro Escolar realisado pela Directoria da Instruco
em Setembro de 1922).................. :........161.572
MJiTPirin a wm fm TnnAQ as Fcrni as nn FSTAnn ... 36.058


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Revista Nacional
caes. No os cansem nem os fatiguem, no prejudiquem a sade de um organismo, obstando a normalidade das suas funces e provocando talvez uma depresso do systema nervoso da creana, do discpulo, s vezes, por isto, irremediavelmente perdido nas complicadas malhas de uma neurasthenia.
Foi por isto que os lbios de um grande hygienista proferiram: Se a Pedagogia quizer continuar os seus desatinos no por no estar bem informada do como deveria modificar o ensino. Pensai bem nesta phrase e as vossas reflexes, dobradas da experincia que j tendes alcanado no magistrio, daro razes de sobra a quem a formulou, to justa, to precisa e to verdadeira.
E quantos professores, entre ns, conhecem estas verdades que j as minhas ultimas discpulas tm como cousas come-sinhas?
Sabeis o que faltou, e falta a esses mestres?
O conhecimento terra-a-terra, elementar da Psychologia.
O Sr. Director da Instruco com muito acerto vos disse nas primeiras de suas aulas que quando vemos uma creana mutilada, sentimos immensa pena e mais devamos sentir se possvel fosse enxergarmos as mutilaes do crebro, as mutilaes do systema nervoso de que taes mestres so em mr parte os nicos causadores.
Passemos", emfim.
O que vos disse sufficiente neste particular que do vosso bom senso no perlustrar o erro quando de ante-mo o conheceis. .
Retomando o fio que levvamos no assumpto diremos que alm da Physiologia, da Psychologia tambm prestam inestimveis ensinamentos Hygiene, a Physica, a Me.chanica, a Chi-mica nas suas mltiplas applicaes que entendem de perto com a construco, illuminao, ventilao, asseio e desinfec-o dos edifcios pblicos e particulares, bem como com a fiscalisao dos alimentos, a depurao das guas e o saneamento das matrias usadas e dejectos.
A Microbiologia ou Bacteriologia e a Parasitologia deram Hygiene a chave do problema das doenas transmissveis, mostraram-lhe os vectores dos micrbios e a Hygiene se armou de meios efficazes de defeza, permittindo aos poderes pblicos agirem com precisa" segurana no evitar a propagao das epidemias, que hoje no devastam o mundo civilisado com o mesmo terror que ha menos de um sculo atraz lhe dizimava e extinguia populaes inteiras, como nos dizem os fastos da Historia e como ainda provavelmente deve succeder entre os povos que no sahiram da barbaria e cujas chronicas mal conhecemos.
Costumam os clssicos no assumpto dividir essa' evoluo em 4 ciclos ou ras que representam mui de perto atra-


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Revista Nacional
O mestre deve mostrar aos discpulos como todos podem servil-a, instruindo-se e procurando cumprir o seu dever, qualquer que seja a esphera social em que esteja collocado; que as creanas, vindo aula e applicando-se, cumprem tambm um dever civico, preparando-se, pela instruco, para mais tarde bem servirem ao seu paiz.
O fundamento da educao cvica a Historia Ptria. Assim como a vida individual no se comprehende sem o passado, assim tambm a ptria no se explica sem a tradio. O ensino da Historia Ptria se destina a um trplice fim: ornar o espirito da creana das noes histricas mais importantes; interessal-a no destino de seu paiz, exercital-a a julgar e a raciocinar, comparando factos do passado aos do presente.
Para isso, bem se comprehende que a historia no pode ser ministrada pelo processo enfadonho e indigesto de recitar, com minuciosidades chronologicas, de cr, palavra por palavra, sem explicaes, sem clareza; antes, deve ser ensinada por meio de comparaes e exemplos, analysados, discutidos, bem com-prehendidos, para que possam ficar incorporados personalidade do discpulo.
A historia exige parallelamente o ensino da geographia do paiz. E que colheita immensa de civismo no poderemos obter dos germens de patriotismo que innocularmos no corao dos nossos pequenos alumnos, por meio da geographia! Est claro, porm, que falo do ensino methodico, sem a tarefa da decorao inconsciente, que no dizer expressivo de um grande mestre de pedagogia, imbecillisa o alumno e o professor.
Mas o meio mais efficiente de cultivar o civismo infantil, minhas collegas, o meio de fazer vivel-o, a organisao de festas escolares, que commemorem os grandes feitos da nossa historia. Elias possuem o condo mgico de transformar a escola num logar querido, cheio de attractivos, para onde as creanas vo prazenteiras, alm de que exercem uma influencia tambm considervel, no animo dos paes. Em todos os paizes cultos, as festas escolares so levadas a effeito continuamente. A infncia a vida em festa. E porque no aproveitar o corao da petizada to propenso ao enthusiasmo?
Havendo uma festa, despertam-se as energias emocionaes dos alumnos. E como nesses dias, as creanas passam a ter maior actividade, ellas prprias dizendo, e cantando, e applau-


472 v Revista Nacional
como em todo o Norte, maior cultura do sertanejo. A que ha pouca, e quasi sempre desnaturada por um ensino quasi que s literrio. Uma das grandes preoccupaes da reforma cearense justamente a de oppr uma orientao mais natural, tendncia que ha, arraigada, de ensinar apenas a lr, a escrever, a decorar... O ensino primrio deve ser mais alguma coisa, as noes mais necessrias vida, no ambiente em que a creana ter que viver. Afinal de contas, lr e escrever no adianta nem atraza a ningum, se, na escola, no se do outras noes que formem equilibradamente o espirito e o informem para agir com intelligencia, isto , de modo a aproveitar as foras da natureza, na produco da riqueza geral e no conforto da vida. Por isso, os novos programmas das escolas cearenses dedicam grande atteno s sciencias physico-naturaes', dando aos alumnos os elementos mais necessrios s profisses agrrias, hygiene, vida commum.
ento um ensino quasi profissional?
No. No , nem pode ser profissional, na expresso technica da palavra; mas, sim, a adaptao da mentalidade dos nossos futuros homens s profisses normaes... O ensino profissional propriamente dito, ser dado para outras idades, em escolas especiaes. O1 sr. lldefonso Albano, Vice-Presidente do Estado, em exerccio, apaixonado com , pelo ensino profissional, estuda elle prprio a mais rpida execuo dos aprendizados de artes e officios e dos patronatos agrcolas de que cogitou a reforma de 1922.
E o povo, como tem elle recebido as innovaes do ensino? ,: :
A principio, com o desinteresse natural que as promessas de reforma merecem, porque ellas se' fazem em todo o Brasil, quasi sempre, no papel... Desde, porm, que o publico percebeu que havia segura inteno de trabalho, no tivemos sino que encaminhar o seu enthusiasmo e amor pelo ensino. Aqui est uma ida em que convm insistir: imagina-se, no geral, que o caboclo inimigo da escola. Um dos nossos grandes scientistas, que tambm andou pelo Norte, antes de nossa partida para o Cear, em palestra, teve occasio de lamentar fossemos empregar esforos numa regio que elle dizia impenetrvel escola... No ha maior injustia ou erro de observao: o sertanejo no ' inimigo da escola, nem da maquina. Pelo menos no Cear, cujo serto conheo. A propsito da comprehenso dos modernos progressos mechanicos, basta citar que elle imita, com admirvel pacincia e percepo agudissima, reproduzindo em madeira de carnahuba, todo um


O Cearense patriota
467
os ramos da actividade e da intelligencia humanas, offerecendo ao Brasil uma pleiade luminosa de grandes vultos nas sciencias, nas letras, na musica, nas armas, no direito, no jornalismo: Jos Avelino, Moura Brasil, Nepomuceno, Clovis Bevilacqua, Capistrano, Heraclito Graa. Dominou a litteratura nacional com esse formidvel, sempre formidvel Jos de Alencar; dominou em tempo o Estado com a figura solemne e digna do conselheiro Jos Liberato Barroso/
Tudo o cearense tem feito afim de servir bem o Brasil, dando-lhe o melhor dos seus esforos em qualquer ramo da energia nacional, embora lhe ra o figado um abutre voraz como o de Prometheu a Scca! ;
Nunca a Nao deixou de contar com elle. A ardencia do seu habitat, batido de muito sol, d-lhe um calor to grande quanto ella nos seus sentimentos e emoo patriticos, como propugnador dos deaes e liberdade, nas pocas da oppressO', como guerreiro nas lutas contra os inimigo externos ou internos, como desbravador das regies inhospitas ou como libertador das raas escravisadas!
PROGRESSO DO ENSINO PRIMRIO NO CEAR NOS LTIMOS 7 ANNOS, DEMONSTRADO PELA MATRICULA NAS ESCOLAS
Joio do Norte
1916
10.945
1917
19.116
1918
19.224
1919
(Incompleta)
1920
(Incompleta)
1921
19.360
1922
25.725


A educao civica e as festas escolares
451
dindo, bem se comprehende que o ensino se torna ahi activo por parte do alumno. Educa-se assim a creana, divertindo-a.
A propsito, farei minhas as palavras de Bilac: Dir-me-o, talvez, que a creana bem pde divertir-se em casa, quando arcaba a labuta diria. Mas, perdo! o que torna til a festa escolar justamente o poder facilitar s creanas a occasio do divertimento ollectivo, que traz o habito da sociedade o goso ollectivo da animao festiva, das musicas, das bandeiras, das flores, das expanses ruidosas, o goso ollectivo em uma palavra, da alegria de viver, base nica da felicidade physica e moral.
Num dia de feriado nacional, tres de Maio, por exemplo porque no poderemos alliar a ida de feriado de festa verdadeira, de alegria?
No difficil.
Ser assim, na capital, dir-me- a professora do interior; a tns tudo nos falta, encontramos impecilhos cada passo, a comear pela nenhuma comprehenso e pouca importncia dos matutos, dos paes de famlia atrazados .
Respondo eu, porm, que justamente por ser assim, pela falta de comprehenso dos elementos que formam as acanhadas sociedades dos centros menos cultos, que professora compete ter iniciativa e trabalhar. Depois de uma ou duas tentativas, sero elles prprios os que mais apreciaro as festas escolares. Tudo depende da habilidade do mestre.
Depois de fornecidos aos alumnos, pelos processos da moderna pedagogia, os conhecimentos de que carecem para bem comprehender a feolemnidade commemorativa que se vae fazer, exercitam-se os alumnos na recitao de curtas e interessantes poesias, allusivas data histrica, bem como de pequenos trechos de prosa, de fcil comprehenso.
No pode deixar de haver musica, e essa ser a musica da escola o CANTO CORAL, excellente exerccio hygienico, esthetico e fonte das mais puras emoes. Cumpre, entretanto, fazer cantar, e no permittir que... se grite, como to commum observar. Pode a mestra, para despertar ainda maior interesse, deixar para esse dia a leitura das boas notas, collocao dos nomes nos quadros d honra, distribuio de pequenos prmios, etc.
Convm que o programma seja sempre curto, porm. Nunca


470
Revista Nacional _
O ENSINO NO CEAR
RESUMO GERAL DA ESTATSTICA DE 1922
ESCOLAS SUPERIORES, SECUNDARIAS E PROFISSIONAES
Matricula Freqncia
Faculdade de Direito (Estad.).......... 61 32
Faculdade de Pharmacia e Odontologia (Subv.) ...
Escola de Agronomia (Subv.).......... 40 30
Escola Normal.....< ......... 142 140
Escola Complementar............ 50 > 45
Lyceu do Cear............... 72
Escola de Aprendizes -Artfices (Federal)...... 345 152
Escola de Aprendizes Marinheiros (Federal)..... 170 163
Seminrio de Fortaleza :......... 100 100
ENTREVISTA CONCEDIDA REVISTA NACIONAL
PELO
Prof. LOURENO FILHO
'Director Geral da Instruco Publica do Estado do Cear
A Revista 'Nacional est procurando ouvir todos os chefes do ensino publico nos Estados, estabelecendo, assim, um verdadeiro inqurito, de que se poder, mais tarde, resumir interessantes concluses sobre o sempre momentoso assum-pto da educao popular no Brasil. n ,
Tendo estado em S; Paulo, a servio da commisso que no Cear desempenha, como director do ensino, o distincto professor paulista sr. Bergstrom Loureno Filho, lente da Escola Normal de Piracicaba, procuramos ouvil-o a respeito do ensino naquelle grande Estado do Nordeste.
A reforma da Instruco que ahi se vem operando, iniciada na administrao do illustre sr. Justiniano de Serpa, cujo infausto passamento roubou ao paiz um dos seus grandes estadistas, e idia! qual, alis, damos alguns interessantes documentos neste numero, a comprovao do que pde a boa technica pedaggica e a energia de um governo de intenes serias, que resolve romper com a rotina. Nada mais interessante do que ouvir, ao prprio chefe desse movimento, que tem impressionado at ou-~ tros Estados nortistas, as difficuldades que encontrou e como


A evoluo do ensino no Cear e a reforma de 1922
427
FESTA DAS ARVORES O brinquedo da lavoura realisado na Escola Modelo de Fortaleza, por occasio da Festa das Arvores, levada a affeito em todo o Cear, em Maio deste anno, e tornada obrigatria pela reforma do ensino.
tempo. Fundam-se a Padaria Espiritual e o Centro Literrio e outras associaes congneres. So fabricas de poetas e romancistas. Desse tempo escreve um literato do sul, que ento nos visitou: Neste Estado, a literatura uma mania. Todo o cearense rabisca o seu conto e idealisa o seu romance . Pobre Cear! Emquanto as seccas dizimavam a pecuria, des-organisavam toda a vida econmica, matavam o homem e extinguiam as suas riquezas, os homens cultos, de quem alguma coisa de util se devia esperar, perpetravam sonetos e se inspiravam para romances e novellas...
Raros espritos dos que tomaram parte nesse movimento literrio, conseguiram engrandecer as letras ptrias. A grande maioria, a que faltavam qualidades individuaes para vencer, no conseguiu sahir da obscuridade. E as difficuldades financeiras dos intellectuaes concorreram ainda mais que a ausncia do gnio literrio para o desalento das hostes dos poetas. Reproduzia-se a fbula, mais uma vez: a formiga mostrava cigarra que se no vive s de melodias. E! a reaco devia nascer. Os poemas ficam s moscas e as corporaes literrias no conseguem mais existncia duradoira; formam-se e se desfazem em seguida, deante do indifferentismo geral.
As desilluses levam ao sceptismo, que se propaga com os caracteres de uma psychose geral. O desprezo e as desilluses em relao s letras coincidem com o desprestigio da


Jos Albano
413
Parecia-me antiquado nessas feies romnticas que, chamando a atteno de todos, por isso mesmo se tornavam de grande vulgaridade.
Um symptoma grave das suas contradies pude verificar no momento em que partia do Rio de Janeiro, doente e j tristemente affectado pelos prodromos da loucura.
Jos Albano no permittia em sua conversao qualquer palavra impudica, e, nem pessoa alguma se animava a referir qualquer anecdota impura ou qualquer historia ertica. En-rubescia, vociferava com grandes indignaes, e azulava.
De uma feita, em companhia jovial e desattenta, o baro de H..., allemo, proferiu certa palavra equivoca ou licenciosa; Jos Albano sacou do bolso o leno e apresentou-lh'o, dizendo:
Limpe essa boca.
O caso ia degenerando em conflicto, quando a interveno discreta de alguns amigos conseguiu apaziguar a fria do offendido e do offensor.
Pois bem. Quando Jos Albano se retirava do Rio, uma livraria qualquer annunciava e punha venda uma colleco de livros allemes. Fui ver esses livros onde por ventura poderia eu encontrar alguns nmeros de interesse.
O que realmente vi foi essa terrvel Sclmnd-literalur que faria crar o prprio Rabelais, to desenvolto e desbocado era aquelle thesouro bibliographico que se acotovelava com os versos de Goethe e de Heine. Era a livraria do nosso poeta.
Apesar dessa curiosidade mals, Jos Albano foi sempre um homem puro, honestssimo e digno da affeio de todos ns que o conhecamos.
Sua vida era illibada e sem macula; nada se podia incriminar ao seu caracter a no ser aquella incurvel misanthropia que, por vezes, o assaltava.
Era, pois, um doente e nada mais. A curiosidade por aquella literatura de erotismo devia ser mais uma das suas numerosas contradies e exquisitices de espirito sem importncia para a vida cristalina e impeccavel do poeta.
Quando rebentou a grande guerra mundial de 1914 nelle se exacerbou a molstia que o perseguia, declarando-se em verdadeira loucura.
Tomou o partido da Inglaterra que conhecia e amava desde os verdes annos da infncia e mocidade. Considerou-se perseguido da espionagem allem c foi recolher-se ilha vingadora donde poderia assistir victoria final do occidente colligado.
Nem essa mesma victoria lhe restituiu a razo que afinal se apagou nas trevas num dia de julho em Paris.
As suas inconsequencias fizeram-no figurar nas chronicas humorsticas do jornalismo e num romance nacional como personagem excntrico e intratvel.


A educao civica e as festas escolares
449
A EDUCAO CVICA E AS FESTAS ESCOLARES
(Palestra realisada por occasio do Curso de Ferias , em Janeiro de 1923,
em Fortaleza, Cear)
Bem sabeis que a escola primaria no s a fonte da instruco das camadas populares; , mais ainda, a forja onde se devem formar caracteres, onde se deve fornecer ao futuro cidado uma educao nacional, baseada no culto do civismo. Formar o espirito, educar o caracter, desenvolver na creana a intelligencia e o corao, mas de maneira a dirigil-o no sentido do engrandecimento da Ptria eis um dever que no pode ser esquecido.
O principal sentimento, que a instruco civica, no ponto de vista educativo, tem por fim despertar, o amor ao solo ptrio. :E como poderemos provocar, na creana, esse sentimento de civismo?
Na verdade, o meio nico fazel-a bem conhecer o paiz em que nasceu, porque s poderemos amar a nossa ptria, conhecendo-a, aprendendo a admiral-a, na vastido de seu territrio, no poder de seus grandes rios e montanhas, nas suas decantadas bellezas e riquezas naturaes inexgottaveis; conhecendo-a tambm nas suas gloriosas tradies, nos factos capites de sua evoluo, e no herosmo dos seus grandes homens; e, verificando quaes so os grandes horizontes, do futuro sem igual, que se deparam nacionalidade brasileira, se os seus filhos se tornarem dignos delia. -
Sem civismo no ha nao, pois o indivduo e a terra, por si ss, no a formam: a InaiO uma entidade moral, resultante dos sentimentos cvicos. preciso considerarem se o territrio e seus habitantes, trabalhando activamente em commum, segundo suas capacidades e aptides, apegados ao solo natal, consagrando seus mesmos ideaes, operando todos para o progresso da ptria. Alem do patriotismo, a educao civica ensina a obedincia s leis, os deveres de um cidado para com sua nacionalidade, isto , o prprio equilbrio funccional da sociedade.


418
Revista Nacional
Foi Mane Chique-chique!
O chique-chique um cardo da ptria de Man. Nasce e prospera em qualquer terreno, bom, medocre ou ruim; mas, sbrio, resistente, tenaz e rude, prefere a todos, a pedra nua, a rocha dura. Alli, onde parece impossvel a vida, onde qualquer plarda estiolaria, e outra semente encontraria a morte, alli elle se firma, alli encontra seus elementos de vida: a atmos-phera clara e lmpida, cheia de luz e batida pelos ventos ge-raes; a agua, que cae dos cos.e se empoa emcima da pedra, e a humidade (que se infiltra na rocha; para alimento, algum detricto vegetal, que o vento lhe traga, e os productos mine-raes, que seu prprio esforo vae buscar nas fissuras da rocha. Si lhe falta o alimento, gasta as reservas; si a agua se evapora, as raizes j>enetrantes se enfiam por uma brecha na rocha dura e vo buscar a lympha vivificadora, onde ella estiver. O chique-chique nunca perde sua roupagem verde, quer no inverno diluvial, quer na secca mais tremenda. Filha extraordinariamente; corte-lhe o caule em dezenas de pedaos: de cada um, qualquer que seja o tamanho, e a posio em que caia, nasce uma nova planta. Depois de uma secca brotam com mais exhuberancia os rebentos, parecendo que a natureza se apressa em preencher os claros, que abriu. Saiba tratal-o, elle lhe apresentar a face macia; no o leve com geito, elle se defender com os espinhos. D-lhe trato, cultive^o com cuidado, desapparecero os espinhos. Modesto e despre-tencioso, no passa de chique-chique, despresado e villipen-diado; mas, nos momentos difficeis, nas seccas devastadoras, todos recorrem a elle, alimento saboroso, tanto para os ani-maes, como para os homens.
Assim tambm o homonymo Man Chique-chique: nasce e prospera em qualquer terra. Mas, sbrio, resistente, tenaz e rude, prefere, a todas, a regio rida e pedregosa, em que nasceu. Alli, onde parece impossvel a vida, onde outra raa estiolaria e outro povo encontraria a morte, alli elle se firma, alli encontra seus elementos de vida: a atmosphera clara e limpida, cheia de luz e batida pelos ventos geraes; a agua, que cae dos cos e se empoa sobre a terra; alguma fructa silvestre, que o matto lhe fornea, e s productos agrcolas, que seu prprio esforo vae tirar do solo. Si lhe falta alimento, gasta as reservas do organismo; si a agua se evapora, elle vae buscar a lympha vivificadora onde ella estiver, no subsolo, dentro da rocha dura. Man sempre o mesmo, forte e desr temido, quer no inverno diluvial, quer na secca a mais tremenda. De uma fecundidade extraordinria, tem uma prole abundante, sendo os nascimentos mais numerosos depois de uma secca, parecendo que a natureza se apressa em preencher os claros, que abriu. Saiba tratal-o, elle se deixar conduzir como um cordeiro; no o leve com geito, elle se tornar espinhento. For-


A evoluo do ensino no Cear e a reforma de 1922
437'
collocados, nas classes, segundo a sua acuidade visual e audi-ctiva, e tm o exame medico-pedagogico completo para o prehenchimento da Ficha Sanitria Individual.
V Concluso
Toda essa obra, mais que de reforma de construco e organisao tem tido, por si, sem vacillaes, a mo forte do sr. Justiniano de Serpa, Presidente a quem o Cear j muito e muito deve. Noutros governos houve tentativas de remodelao do ensino, mas palavra reforma j se associava a ida de papelorio. O que se reformavam eram os Regulamentos... Sempre, o prestigio da letra! Da letra que a escola antiga incorporava ao crebro, inconscientemente, pela memorisao brutal, imaginando produzir mentalidades; da letra, que a sociedade depois fazia pompear nas leis no cumpridas! e nos regulamentos artificiaes, imaginando crear instituies. Esta nova phase da evoluo do ensino no Cear restabeleceu a verdadeira accepo do termo reforma. A remodelao escolar assumiu a feio de uma renovao social, penetrando at ao sub-solo dos costumes.
Nella, a letra s veio depois dos factos. Veio depois, para os systematisar, para representar coisas que j existem, para representar coisas de realisao possvel, para dar significao e continuidade grande obra iniciada. Ha dez mezes que o prof. Loureno Filho e seus auxiliares trabalham incesr santemente e s agora comea o jornal official a publicar o novo Regulamento da Instruco Publica.
A sua appario marca a victoria da reforma e annuncia o segundo cyclo duma maravilhosa obra de cultura e de patrior tismo.
Fortaleza, janeiro de 1923
Newton Chaveiro


O ensino no Cear
475
prehenso dos phenomenos naturaes, ao lado da previdncia para poder resistir aos dias calamitosos. Exige, emfim, o que o nosso povo em geral no possue: capacidade technica e educao econmica. Reclama as qualidades primaciaes da educao primaria e profissional: o methodo e a disciplina do trabalho.
Assim, o auxilio da Unio, .si util em qualquer Estado, no Cear indispensvel e urgente. Deem-lhe escolas e audes e o Cear dentro de pouco tempo ser dos Estados mais prsperos do Brasil, graas reconhecida intelligencia de seu povo e tenacidade inquebrantavel do sertanejo.
GRAPHICO DEMONSTRATIVO DO ENSINO NO CEAR
NUMERO DE ESCOLAS
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O CEARENSE PATRIOTA
Acostumado a uma luta sem trguas que lhe desenvolve formidavelmente a energia, vibrante e decidido, o cearense sempre foi no Brasil dos primeiros a esposar as grandes causas e a bater-se por ellas com denodo inegualavel e com tenacidade inexcedivel.
Quando em 1817 o nacionalismo ardente dos Nordestinos se rebellou contra o poder portuguez, os patriotas cearenses acompanharam, na zona do Cariry, com a sua palavra e a sua aco, a ousadia pernambucana. Jos Martiniano de Alencar, ento seminarista, mas que seria mais tarde notvel homem poltico no seu paiz, frente de muitos membros de sua famlia e de vrios amigos, tomou attitude de franca revolta contra as autoridades ,do Reino, na villa do Crato. Isso deu azo a uma srie de perseguies tremendas que os Alencares e os que os acompanhavam soffreram como verdadeiros patriotas, de cabea erguida.
Ao se agitar, sob o peso da coroa lusa, a chamada lucta constitucional, os cearenses continuaram a provar o seu forte patriotismo. Elles chegaram a organisar, no fim de 1821, um governo temporrio e, depois, um governo provisrio em Fortaleza. s eleitores, convocados para escolher deputados s Cortes de Lisboa, preferiram nomear os membros desse directorio patritico independente.
Chegam os acontecimentos de 1822, cujo primeiro centenrio, commemoramos, todo o Cear vibra, agitado pelos seus sentimentos nativistas. A 16 de Outubro proclamava-se a Jndependencia .na villa de Ic. No havia tempo de chegarem noticias do grito do Ipiranga; todo o mundo alli completamente o ignorava. A fora publica prende os que tiveram essa coragem. Mas os seus amigos e parentes os libertam pelas armas. E todos reunidos do aos soldados que ainda defendiam a realeza joanina o combate da Forquilha, aprisionando-os. Um exercito de sertanejos, armados do dia para a noite, depe o governo da provncia e installa na mesma a primeira' administrao brasileira.
Esse movimento um facto histrico affirmado pelos melhores historiadores do Cear. A Independncia do Ic parallela das visinhanas da Paulica. Emquanto o corao nacional pulsava, assim, no Sul, o corao cearense, ignorando por completo os factos, estremecia tambm, no Norte. Tristo


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Revista Nacional
mais de dez nmeros, que occupem, no mximo, quarenta minutos.
No perdendo a opportunidade de cultivar as relaes com as famlias dos alumnos, interessando-as pelo que se faz na escola, deve a professora convidal-as para as festas cvicas d escola; para muitas ser uma novidade impressionante, qui de optimos effeitos. E assim, educando os filhos, de modo in-directo iremos educando os paes.
Si a sala de aula no tiver tamanho sufficiente para uma reunio de muitas pessoas, faa-se a festa ao ar livre, de manh. Num ou noutro local, no se deve esquecer o culto devido Bandeira Nacional, que como a imagem da Ptria: ella deve ter o logar de destaque na ligeira ornamentao que se fizer.
Uma festa escolar bem feita vale mais que uma semana de aula, pelo seu valor educativo. Por isso, cuidemos de firmar o bom habito que a Reforma da Instruco veio muito incentivar. Nada mais fcil, especialmente agora que grande numero de escolas acabam de ser reunidas e agrupadas, collo-cando sob o mesmo tecto as professoras da mesma localidade, para melhor trabalharem pelo mesmo patritico ideal que aqui nos congrega.
Maria de Jesus Mello




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Revista Nacional
novas, to indispensveis conservao e multiplicao da energia nacional, sob todas as frmas da actividade humana, dentro desta ou daquella funco, por mais elevada ou humilde, e muito principalmente em relao populao do interior do paiz.
De modo que a nossa gente assim educada, vendo essas cousas em todos os logares, saiba com humildade, mas prat> camente aonde esto as foras da natureza, com as quaes ella pde contar para melhorar a sua vida e o seu trabalho, e sinta por isso mesmo maior necessidade de aprender o a b c, afim de poder lr tambm nos livros que ensinam melhor a utilidade de cada uma dellas.
assim, mais ou menos, que devemos educar os nossos filhos, desde a (escola primaria, preparando tambm desde ento a intelligencia das creanas para entenderem mais tarde e com mais facilidade e interesse o ensino da botnica, da zoologia, etc.
dentro destes moldes de ensino de utilidade econmica e immediata, que devemos construir os alicerces de uma instruco primaria, popular, praticavel em todo o paiz, e indispensvel organisao da grande nao que hade ser o Brasil, e cujos factores mximos, por isso mesmo, devem estar dentro de cada famlia e de cada escola primaria.
A effectividade e efficiencia deste ensino dependem, porm, de livros apropriados para tal fim, e habilitando portanto o professor a ministral-o com facilidade e segurana, sem o que ser impraticvel: e poir isso, e para collaborar, com humildade, no movimento patritico da reforma do ensino primrio, como propagandista que somos do ensino popular, acabamos de elaborar a 2.a edio da nossa Biologia Popular, que brevemente ser publicada, destinada ao ensino de rudimentos de sciencias naturaes, e agora, especialmente modificada e feita com lies j preparadas, o mais praticamente possvel, afim d iniciar este methodo de ensino nas escolas primarias do Brasil.
Dias Martins
mm


lntroduco ao Estudo da Hygiene
443
vz dos tempos os conceitos da doena e da sade e assim o primeiro ciclo chamado religioso, no tempo em que a medicina era funco dos sacerdotes e a hygiene, reduzida estreiteza de dogmas rgidos e inflexveis, como so todos os preceitos religiosos. Considerava-se a doena um castigo divino, um. flagello vindo dos cus e era professado por isso o terror do doente e da doena, cuja cura era buscada em rezas para que Deus abrandasse a sua clera sagrada.
Ainda hoje ha quem assim pense e assim pratique. So os que atravz de todos os tempos, de todas as evolues e adeantamentos se ficaram apegados ao primeiro ciclo.
O segundo ciclo ou ra medica, em que unicamente era procurada a cura do doente, fazendo-o depender do ma! que o atacara, tem tambm, como o primeiro ciclo, os seus ferrenhos sectrios os quaes so os que no observam nenhum preceito de Hygiene salvo aquelles, que por feliz coincidncia, esto nos seus hbitos. '.
No terceiro ciclo ou ra prophylactica, quando foi possvel comear comprehender as doenas como perigo publico, visou-se resguardar os sos dos malefcios das molstias tomando a Hygiene uma feio inteiramente nova, graas aos trabalhos de Pasteur, que descobriu como causa das molstias contagiosas agentes vivos, que so hoje nossos conhecidos
micrbios, seres unicellulares e microscpicos, animaes uns, vegetaes outros e que por sua rudimentarissima constituio so classificados nos lugares mais baixos das respectivas escalas: protozoarios, protophytas.
Seja dito de passagem, entretanto, que nem todos os micrbios so capazes de provocar phenomenos mrbidos, bem ao contrario, s uma pequena minoria causa de alterao da sade quando penetra o organismo do homem., d'ahi a diviso .dos micrbios em pathogenicos (os que geram as molstias) e os saprophytas e saprozoarios (os que vegetaes ou animaes produzem a decomposio das matrias orgnicas de que elles se nutrem).
As primeiras noes scientificas sobre a Hygiene repousam por conseguinte na causa germen das molstias, quando Pasteur descobriu a aco dos micrbios. Uma infeco a ag-gresso do organismo por micrbios que nelle penetram e vivem a expensas suas, como parasitas. ,
J dizia um sbio russo, nome muito arrevesado para vs, porm, muito conhecido entre os mdicos Metchnikoff
o conflicto entre o invasor e o invadido limita-se a uma questo de alimento e de digesto e as armas que os micrbios fabricam contra os seus aggressores no nosso organismo que so os glbulos de sangue so os seus venenos a se derramarem nos nossos tecidos, nos nossos orgams. A nossa vida depende do triumpho do nosso sangue na lucta...


As causas das seccas e os meios de minorar-lhes os effeitos 461
matologia, a geologia da provncia; o segundo por ter aqui nascido e vivido.
Das causas das seccas pouco se occuparam.
Lembraram a falta de focos de evaporao, a devastao das mattas, as manchas do sol. No falaram na direco dos ventos.
Foram pouco felizes em suas presumpes. As mattas devastadas no so a causa do flagello.
Nos sculos XVI e XVII, quando presume-se o Cear coberto por uma floresta virgem, tivemos as maiores seccas de que ha memria.
A de seiscentos e tantos durou cinco annos. O que a matta faz conservar a humidade do solo amenisando o clima; proteger os mananciaes que esto sua sombra, do calor do sol, das correntes areas, dim,inuindo a evaporao. Qual o maior foco de evaporao, no o oceano?
E, no entanto, a secca no respeita o littoral e nem mesmo as ilhas nas regies das seccas.
As manchas do sol influindo na meteorologia da terra das seccas outra presumpo falsa.
Comparadas as tabellas das manchas do sol e as das seccas, de 1712 a 1878, 166 annos, s duas vezes coincidem as seccas com s mnimas de manchas solares. Neste perodo dezeseis vezes as manchas solares desceram ao minimo e s duas vezes a secca assolou o Cear.
No ha portanto a mais notvel coincidncia entre os dois phenomenos, como affirma o sr. Baro de Capanema.
Das causas passaram aos effeitos e meiios de combatel-os!
Cirandes foram as heresias ditas, isto para ainda uma vez provar que os intellectuaes brasileiros conhecem mais os paizies extrangeiros do que o seu paiz.
As medidas por elles apresentadas foram a construco de cisternas, a arbonisao dos sertes com arvores fructiferas, a remessa de grandes alambiques para distillar a agua do mar.
O Baro de Capanema opinava pelas cisternas, apoiado pelo senador Viriato de Medeiros, e regeitava os audes.
Um espirito observador examinando a topographia do solo cearense, assistindo um inverno aqui veria que abrupto o declive do serto para o mar, que as ravinas transformam-se em rios caudalosos e que trilhes de metros cbicos dgua perdem-se no oceano. Descendo a um exame mais demorado do relevo da terra ficaria convencido de que si a natureza nos legou o flagello das seccas, nos "deixou na configurao da crosta da terra o que o homem devia fazer para annullar os effeitos da calamidade. >
Si o Baro de Capanema tivesse reflectido maduramente sobre o caso, no opinaria pelas cisternas.


REDACO. Rua Libero Badar. 90 SO PAULO
JOS ALBANO
Jn memoriam
Quando me dispunha a escrever, como de costume, as minhas impresses de actualidade ou de reminiscencias para os leitores da Revista Nacioriql eis que me surprehende a triste noticia do fallecimento ernyParis de um dos nossos mais inspirados poetas, Jos Albano.
Ningum o conheceu quasi, fora de um pequenino circulo de admiradores. Parece que escreveu muito pouco e quasi nada publicou, a no ser dois pequeninos cadernos de versos, exguos e quasi clandestinos em sua insignificante circulao.
Todavia, era Jos Albano um poeta inspirado, alheio a todas as escolas poticas a no ser daquella que se approxima das fontes genunas da poesia popular.
Como era um discolo, pouco lhe havia de importar o com-mentario dos seus contemporneos ou a gloriola de se ver acclamado.
Coisa difficil, e s vezes empresa arriscada, era tentar arrancar-lhe do ineditismo voluntrio a que se propunha deliberada-mente, evitando a vozeria dos crticos e dos philisteus da literatura.
Fao versos para ningum (dizia sempre) porque nem a mim mesmo me aprazem.
E no era um dito vo, pois que na realidade se abstinha da imprensa a que votava odio tranquillo, profundo e irredu-ctivel.
Entretanto, conhecemos alguns dos seus versos.
A julgar por esses raros especimens do seu estro, dir-se-ia que era um homem simples que nada mais accusava que a rusticidade da natureza.
Assim era. Mas, entretanto, sua erudio foi vastssima, pois que lhe eram familiares as grandes literaturas do mundo a allemj, a inglesa, a grega e a latina cujas lnguas cultivava com esmero.
Parece um milagre que to vasta erudio no prejudicasse as qualidades nativas e ingnuas da sua poesia sem emphase.


Jeca Tatu e Man Chique-Chique
419
nea-lhe instruco, d-lhe educao, desapparecer a rudeza. Modesto e despretencioso, no passa de sertanejo, despresado e villipendiado; mas, nos momentos difficeis, nas guerras sangrentas, recorrem a elle, valente soldado e bravo marujo, para carne dos canhes.
Emquanto nas veias de Jeca Tatu corre, ao que parece, sangue degenerado, herdou Man Chique-chique as qualidades nobres e viris dos Tabajares, dos Genipapos, dos Carirys, dos Pitiguares e dos Apinags.
Aquelle vive numa toca, em logar escuso, dentro do mat-to. Este, homem de vistas largas, constre sua casa, limpa e arejada, no alto, donde possa dominar a estrada e perscrutar, assumptar, os horizontes; o terreiro, vasto e limpo, a separa da estrada.
Emquanto Jeca, acocqrado em sua toca, com olhar em-baciado e palpebras preguiosamente semi-cerradas, mal enxerga a vereda estreita e coberta de matto, que vae ter estrada, os horizontes de Man Chique-chique no teem limites; com seu olhar vivo, de longo alcance, livre elle campeia pelos vastos sertes.
Ildefonso Albano


Introduco ao Estudo da Hygiene
445
Do nascimento edade util o homem consome em instruc-.o, cultura, alimentao uma importncia em que grande parte indirectamente do Estado e chega ento edade de retribuir-lhe para o augmento da produco de qualquer ordem da riqueza publica.
pensando assim que o Estado mantm suas despezas com a Hygiene, como a assistncia medica e instituies congneres, com a instruco e demais servios pblicos; procura tornar as cidades saneadas afim de evitar o maior numero possvel de doentes que so parcellas negativas e nervosas.
No pelo espirito de caridade que o Estado mantm as instituies de assistncia aos doentes.
O seu fim no de modo algum esse sentimentalismo apregoado pelas, instituies religiosas que visam como sabeis, um interesse de ordem differente do que o que compete ao Estado o interesse simplesmente econmico no sentido da mxima produco.
De uma feita um grande vulto da medicina ptria, na anteviso dos problemas que se prendem ao futuro da orga-nisao econmica do nosso paiz, para despertar o torpor dos nossos estadistas, atirou aos ventos de todo nosso territrio esta phrase que ainda echoa como um alarma: O Brasil um vasto hospital.
A repercusso destas palavras proferidas por Miguel Pereira foi to intensa e to profunda que os despertados para logo trataram de organisar a campanha nos mltiplos servios da Prophylaxia rural, espalhada por todos os Estados.
No sei se os resultados conseguidos pelos mdicos que se empenham nessa cruzada so efficientes e seguros aqui no Cear porque tenho duvida que comprehenda o nosso povo precisamente o senso de preceitos comesinhos de hygiene e os doentes restabelecidos pelos cuidados desses meus collegas ao depois no se contaminem novamente e voltem como parcellas negativas a pezarem onerosas na economia do Estado.
E qual ser o recurso para evitar semelhante fracasso?
Simplesmente a observao de regras comesinhas de hygiene, que deixam de ser cumpridas por falta de quem explique aos nossos sertanejos e mesmo citadinos o seu alcance.
Na pratica da clinica tenho visto constantemente muitos clientes que, atacados de uma verminose e medicados adequadamente por' esteou aquelle collega, nos primeiros tempos da medicao se sentem melhorados, mais animosos, mais dispostos para seus trabalhos e menos de tres mezes depois voltam ao estado primitivo de mal estar, de indolncia, de preguia. Porque ?
Porque desconhecem como deveriam proceder em relao s suas obrigaes de hygiene.


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Revista Nacional
* *
A Hygiene estuda as causas das infeces e tambm os meios de combater essas causas e a isso que se chama a prophylaxia para cada uma em relao aos meios em que vivemos solo, ar atmospherico e agua; o solo em que nos movemos e pisamos, a agua que bebemos.
Os recursos da Hygiene nas campanhas prophylacticas dos seus primordios foram as praticas rigorosas das quarentenas. Pensava-se que os micrbios produziam o contagio levados pelos ventos a grandes distancias; depois veio o conhecimento de que na mr parte o contagio era indirecto, principalmente nas infeces de mortalidades communs agudas a peste, a febre amarella, o paludismo, as formas typhicas e paratyphicas, quando o germen provindo de um doente ino-culado ou vehiculao pelas pulgas, mosquitos, moscas...
Chegamos por ultimo ao' quarto ciclo que no representa propriamente uma modificao radical na pratica da terceira ra.
No quarto ciclo a Hygiene passa a ser regulada inteiramente pelo Estado e como elle por grande parte de sua misso deve encarar o ponto de vista econmico no sentido do trabalho, o caminho naturalmente indicado na soluo deste problema foi o de considerar o homem u'a machina de trabalho, sendo um nus para a sociedade o doente, desde que seja considerado um instrumento de trabalho parado, estragado ou diminudo na sua produco.
Da mesma frma que o homem valido constitue uma fonte de receita, pelo trabalho de que capaz, quando doente elle se transforma em um elemento de despeza: gasta e no produz.
A vida humana no phantasia, tem para o Estado um valor monetrio aprecivel.
Disse Afranio Peixoto que emquanto romanticamente se concedeu vida humana um valor inapreciavel, faltou-lhe estima. No valia sacrifcio de dinheiro para conserval-a e menos para produzil-a; hoje, porm, o homem se conta como um valor; sua vida tem um preo.
O homem yale para a prosperidade de sua nao o que elle produz dos 16 aos 55 annos.
Est claro que produzir mais o que estiver physica e intellectualmente melhor apparelhado para a vida de seu meio; menos, aquelle em que essas qualidades faltarem ou forem tambm menores.
Num paiz, quanto maior o numero de indivduos aptos e capazes para o trabalho, maior a produco, maior a prosperidade.


462
Revista Nacional
As vantagens dos audes, sobre as cisternas, no se discutem. As guas destes poos nada produzem, a dos reservatrios alimentam a grande riqueza agrcola, enchendo os celeiros, remindo assim o homem da fome.
O instincto da audagem innato no cearense. Uns dos brinquedos predilectos das creanas na terra das seccas fazerem barragens nos pequenos regatos que descem pelos caminhos, nos dias de chuva. Eu as fiz muito e quando hoje vejo os meninos fazendo audes pelas estradas, concluo do fa-cto uma manifestao da previdncia humana.
O sr. Beuarepaire Rohan, acreditando que, restabelecida a arborisao no Cear, as seccas fatalmente diminuiriam ou acabariam, propoz que se cobrisse a terra das seccas com o abacateiro, laurus prsia.
Esta arvore vestida de bella folhagem amenisaria o clima e quando os retirantes descessem do serto em rumo do littoral, acossados pela secca, viriam alimentando-se do saboroso fru-to o abacate.
Estas e outras opinies que me convenceram que ns conhecemos mais a China do que o Brasil. O abacateiro uma planta que em nosso clima s d nas serras. Na plancie, no littoral mesmo, para conseguir-se um abacateiro necessrio ser regado e muito bem regado, duas vezes por dia.
Imagine-se no serto em que a temperatura sombra chega a quasi 40.o centgrados e o solo no vero parece com-busto, o que seria do pobre abacateiro?!
Andr Rebouas, este luminar da engenharia brasileira, no seu tempo, no foi mais feliz em seus projectos, pedindo que fossem enviados para o Cear alambiques para distillar agua do mar. Por esta proposta v-se que o notvel scien-tista desconhecia por completo a geologia da zona flagellada. Em todo o Estado ha um farto lenol dgua no sub solo. A questo chegar a elle, que se acha em maior ou menor profundidade.
Em Fortaleza observa-se um phenomeno curioso. A cidade, como se sabe, est assente em uma duma de areia, que por sua vez repousa sobre uma camada de argila permevel de maior ou menor espessura. A rocha de argila permevel descansa sobre uma camada impermevel.
Quando o inverno copioso, chega a dois metros, as guas infiltram-se at encontrarem a camada impermevel, e ficam retidas. No podendo descer afloram e alagam os lugares mais baixos da cidade, constituindo pntanos que muito prejudicam o estado sanitrio.
A medida capital para no futuro attenuar os effeitos da secca a audagem.
Na sesso do Instituto Polytechnico ningum se lembrou delia: pelo contrario, condemnaram-na!


A evoluo do ensino no Cear e a reforma de 1922
423
demnadas, iam desapparecendo, para darem lugar, aqui e alli, s escolas de primeiras letras, providas, na sua maioria, por pessoas quasi analphabetas. Dellas se exigia um exame sum-marissimo e um tirocinio de 15 dias...
III Differeniao do ensino primrio
S em 1881, se inicia um perodo novo. Tendo sido nomeado Director da Instruco Publica, a 2 de outubro desse anno, o bacharel Amaro Cavalcante, que havia chegado da America do Norte, animado de idas novas, procurou o novo
Grupo Escolar do Outeiro, em Fortaleza, inaugurado em Janeiro deste anno. Funcciona em prdio amplo e arejado, com uma matticula superior a setecentos alumnos. /
funccionario conhecer a situao do ensino na provncia e tomar aos hombros a reforma estatuda pela Lei provincial n.o 1951, de 12 de setembro desse anno. Como o Director da Instruco era ao mesmo tempo director do Lyceu, o Regulamento da lei citada comea por separar essas funces, ficando a instruco com um chefe parte: o Inspector Geral da Instruco.
A lei 1951 creava ainda uma Escola Normal, e autorisava a mandar um cearense Europa, em commisso, afim de fazer, no curso de um anno (!) estudos completos de Pedagogia. Essa disposio aproveitou ao cidado Jos de Barcellos, que ja havia sido nomeado professor do futuro estabelecimento, ainda no nstallado, e que partiu para a Frana em outubro de 1881.


Jeca Tatu e Mane Chique-Chique
417
da natureza brasileira, das suas catadupas de vida, sons e colorido, o sombrio urup de pao podre , a modorrar silencioso no recesso das grotas. No falia, no canta, no ri, no ama, no vive.
este o Jeca Tatu.
Reza a Historia, que, cinco annos antes do grito do Ypi-ranga, j se ouvira um grito de Liberdade, que, percorrendo os sertes do nordeste, ecoara nas quebradas do Araripe.
Quatro annos antes do 13 de Maio, j estavam partidos os grilhes e fechadas as senzalas em vasta zona do Nordeste; no mais se davam as scenas de selvageria, nem se ouviam as lamentaes e gemidos de infelizes escravos.
Antes do 15 de Novembro 65 annos, j existira em territrio brasileiro a Confederao do Equador.
Antes do scenario da revolta de 1893, j os campos para-guayos haviam presenciado o herosmo e a coragem dos que defenderam o auri-verde pendo...
Quem deu o grito de Liberdade em 1817?
Quem libertou os escravos em 1884?
Quem fundou a Confederao do Equador em 1824?
Quem foi o heroe do Riachuelo, do Tuyuty e do Campo Grande?
Quem, nos tempos que correm, realiza a moderna epopa do desbravamento da Amaznia?
Jeca Tatu?... Decerto que no! pois elle vive de ccoras!
Acocorado, ningum d vivas Liberdade, nem liberta escravos. Em ccoras, ningum abate dictadores, nem funda republicas. De ccoras, ningum desbrava florestas, nem povoa terras.
Vemos muitas vezes, na mesma familia, filhos dos mesmos pes, com o mesmo sangue nas veias, educados na mesma escola, se tornarem um, estroina, preguioso e rotineiro, outro, um homem honrado,- trabalhador e progressista. No poderamos escapar regra; o mesmo se d na grande familia brasileira: filhos dos mesmos paes, com o mesmo sangue nas veias, educados na mesma escola, temos o Jeca Tatu, preguioso e bisonho, e seu irmo Mane Chique-Chique, affoito como o jaguar, resistente como o chique-chique.
Quem deu o exemplo a Pedro I? Quem precedeu a Isabel, a Redemptora? Quem se adeantou a Deodoro?...
Foi Mane Chique-Chique!
Quem venceu Riachuelo, Tuyuty e Campo Grande? Quem desbravou a Amaznia?____


A evoluo do ensino no Cear e a reforma de 1922
433
os esforos e a sua insignificante despeza por parte do Estado. (1)
O Cadastro produziu effeitos dynamogenicos. Levantou em toda a prate o nivel do interesse pelo ensino, incorporou psychologia publica alguma coisa de novo e de salutar. Segundo os clculos do professor Loureno Filho, fez por si, metade da reforma. Elevou rapidamente a matricula nas escolas, porque muitos paes tomaraim o recenseamento como matricula compulsria. Acordou as prprias corporaes munici-paes, que, aterradas com as cifras de analphabetos que lhe foram postas deante dos olhos, criaram numerosas classes primarias, sua custa. Foi um vibrante toque de reunir. (2)
Uma aula de geographia, pela cartographia, no 4." anno da Escola Modelo, annexa Escola Normal de Fortaleza, evidenciando a orientao do aprendizado activo, ahi seguida em todas as disciplinas.
d) Eelocalisao das escolas S dispomos de uma escola Normal, que funcciona em Fortaleza, (3) pelo que, quasi todas as professoras do Estado tm famlia na Capital e no se conformam em trabalhar nos sertes longnquos. Quando muito trabalhariam com prazer pelos municpios vizinhos. Em vista disso, a metade das escolas primarias do Estado tem
(1) As despesas, por parte do Estado, no chegaram a vinte contos de ris; por parte dos municpios orou approximadamente em cincoenta contos.
(2) S a Prefeitura de Quixad criou, de uma s vez, dez escolas; a de Acarahu, 5; a de Camocim, 5; diversas outras, varias escolas. Alguns municpios subvencionaram estabelecimentos privados, como o de Aracaty, onde acaba de se installar um gymnasio o iCollegio Jos de Alencar s.
(3) Entra nos planos da reforma a creao de duas escolas normaes no seio do serto : uma no Crato, outra em Sobral.


O ensino no Cear
471
as removeu , motivo pelo qual foi por ahi que encetmos a conversao com o prof. Loureno Filho, que, da moderna gerao de professores paulistas , incontestavelmente, um dos que mais se tem distinguido pelo seu talento e pouco vulgar preparo profissional.
A reforma do ensino, com a implantao de um novo regimen administrativo e technico, se fez fcil e rapidamente, no .Cear, disseJnos S. S.,. e pode ser hoje considerada como victoriosa. Mas conforme tive a occasio de fazer notar, ella no representa nenhum milagre: devida, em grande parte, a um conjuncto de circumstancias felizes do momento. Podemos resumil-as dizendo que nunca foi to grande a prosperidade econmica do Estado e que nunca nelle se trabalhou mais que desde que alli se iniciaram as grandes obras contra a secca. Com essas obras, houve um sopro de vida por todo o Nordeste. Viu-se que havia novas cousas a fazer. Uma atmos-phera de confiana comeou a levantar o moral de toda a populao, que dantes se considerava condemnada a um completo abandono. Havendo, da parte do Governo Estadual, uma administrao honesta e intelligente, como a actual, comprehen-de-se porque o Cear tem podido levar a cabo grandes reformas, de interesse capital para o seu futuro, como a reforma fiscal, a da Constituio e a do ensino. Tendo entregado a reconstruco financeira do Estado ao dr. Manoel Theophilo, Secretario da Fazenda, o Presidente Serpa agira com feliz inspirao, pois as rendas duplicaram em pouco mais de tres annos! O ann passado, o Cear rendeu mais de dez mil contos, sendo o oramento de menos 'de sete. Este anno, s a Re-cebedoria de Rendas j accusa maior movimento que todo' o do anno de mil novecentos e dez. So factos muito significativos e que demonstram, outrosim, as grandes possibilidades da regio.
Apezar das seccas? indagmos.
J esperava a objeco. No se comprehende aqui o Cear sem secca... O conceito geral que se faz por aqui, do Cear, o imais immerecido possvel. A comear por essa ida da secca: a secca uni accidente formidvel por certo mas um desastre temporrio, que no pde ser comprehen-dido como o regimen normal de toda a regio. Nem mesmo, por occasio do flagello, todo o Cear retrograda: ha grandes tractos de seu territrio que nunca soffrem a aco das estiav-gens prolongadas. Alis, luta-se firmemente contra os desequilbrios climticos, e nessa luta se patenteia bem a intel-ligencia natural do povo. O que falta, em geral, no Nordeste,


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Revista Nacional
O RAPAZ DA GUIA
Pobre rapaz da fazenda, Nos campos do Cear, Foi-me sorte ser guieiro Oh, meu Deus, que sorte m! M'escolheram por esperto, Em susto continuo vou; Segui-me, gado formoso, boiada, cou... lou...
Eu, por isso sou humilde, E por isso canto assim... Se minha voz a boiada No escutar... ai de mim! Mas uma voz entoada Sempre a boiada escutou; At mesmo a mocambeira Vae direito cou... lou.
Vou cantando aqui na frente
D'este gado a caminhar,
Onde terei certa a morte
Quando a boiada arrancar; Pois o gado sequioso, Se uma fonte adivinhou Corre todo eu fico morto; Oh, que sina!... cou... lou...
Quando o guieiro saudoso Sabe seu canto dizer, Marcha o gado reunido, Como que chora a gemer!
Pois elle conhece o canto
Que terno choro molhou!
Ama a rez a voz saudosa...
Eia, avante... cou.. lou.
Oh, que sina! No perigo
E' meu dever aboiar;
Do-me sempre um bom ginete,
Em qu'eu me possa salvar. Ai qu'apenas me consola, Nesta vfda em que estou, Toadas de minha gaita... O' Espao... cou... lou...
Mas a cantiga receio, Que pde gado esconder; E nas pontas d'urh novilho, Tenho medo de morrer!
E comtudo eu sou sozinho,
Minha me j se finou...
E' minha famlia o gadc...
Eia, avante... cou... lou..
Minha vaca Noite escura,
Nada, nada de parsr!
Meu Surubim, meu boi Liso,
Cr de noite de luar; Toca, toca para a feira, A viagem no findou; Adiante, Pintadinho, O' Bargado... cou.. loir.
Juvenal Galeno


\s letras no Cear
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AS LETRAS NO CEAR
Com o livro A poesia Cearense no Centenrio deu o Cear uma prova da vitalidade e apuro com que a arte do verso cultivada na Terra da Luz. Outros aspectos de sua vida mental esto estudados na parte que ao Cear foi reservada no grande diccionario do Centenrio, cuja primeira parte foi publicada recentemente sob a direco do eminente sr. Ramiz Galvo.
A terra de Alencar, de Rocha Lima e de Farias Brito no deixa de produzir talentos que sustentam a sua reputao, mesmo 'quando deixa de produzir o po de que se alimentam seus filhos.
De tempos em tempos se forma uma vaga de actividade intellectual, que passa para dar logar a outra, com intervallos mais ou menos longos.
Para no estirar muito esta resenha, limitamo-nos apreciao 'do momento actual da vida mental cearense, bosquejando, s pressas, as suas figuras mais significativas.
Da velha guarda, temos em primeiro logar o venerando poeta 'Juvenal Galeno, que ainda vive e verseja, apesar de quasi nonagenario e cego ha muitos annos. O grande bardo popular foi contemporneo e amigo de Gonalves Dias, de quem recebeu Os primeiros incentivos para cultivar o gnero em que se immortalizou. Temos depois o festejado romancista Rodolpho Theophilo, autor de livros notveis no s na literatura de fico como tambm na literatura histrica, com seus preciosos estudos sobre as seccas, e alguns trabalhos scientificos de reconhecido valor. Dois grandes nomes cearenses so tambm 'o erudito polygrapho Thomaz Pompeu e o eminente his-toriographo Baro de Studart.
Outro romancista, cujo nome no se contm nos limites do Cear Papi Jnior, cujos livros lhe grangearam uma reputao solida de escriptor.
A nova gerao, que est na maior parte comprehendida na Poesia Cearense no Centenrio, rica de talentos que j do fructos brilhantes ou que encerram magnficas promessas.
Essa nthologia, publicada sob os auspcios do Presidente do 'Estado, enfeixa os nomes de Jos Albano, Cruz Filho, Salles Campos, Clovis Monteiro, Soares Bulco, A. Furtado, Epiphanio Leite, Alfredo Castro, Mario Linhares, Jlio Maciel, Beni Carvalho, Octacilio de Azevedo, R. de Andrade, Quintino Cunha, Saboya Ribeiro, Irineu Filho e Leo Vasconcellos.
Ao lado destes poetas temos um joven conteur de muito ta-


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Revista Nacional
escola publica, que j no desperta a confiana dos chefes de familia. Esse estado de espirito devia annunciar o advento de um novo estado de coisas, porque o scepticismo sempre o architecto de situaes novas. Destre e devasta, porque toda a renovao deve nascer entre ruinas.
VI-A renascena A reforma de 1922
Foi nesse perodo de crise profunda, que chegou ao Cear, chamado de So Paulo, o professor Bergstrom Loureno Filho.
Comprehendeu logo o Sr. Justiniano de Serpa, Presidente do Estado, que no tinha a seu lado apenas um technico,
Gymnastica sueca no Grupo Escolar de Baturit, interior do Cear, inaugurado officialmente a 25 de Maro deste anno. Como o Grupo de Baturit esto unccionando doze outros no serto.
mas o homem de que precisava para realisar o seu grande sonho de estadista e de patriota. E apenas inteirado disso, isolou a instruco da influencia dos polticos, entregando ao professor paulista, armado com poderes discrecionarios, toda a maquina administrativa do ensino.
No possvel dizer, num simples artigo de revista, o que o novo Director da Instruco, e tambm professor de Pedagogia da Escola Normal, tem realisado nos dez mezes de sua permanncia entre ns. Mas para que se tenha ida approximada da obra de remodelao technica e administrativa j effectivada, basta que lhe delineemos as linhas mestras.


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Revista Nacional
Expellidos os vermes pela medicao no tiveram cuidado necessrio para depois no ingerirem os vulos desses mesmos parasitas que se acham nas guas que bebem, contaminadas em extremo porque no n'as filtram, no n'as fervem.
Esses vulos introduzidos com a agua no organismo, no apparelho digestivo, ahi fazem a sua ecloso e de novo produzem outra camada de vermes que vo minando as foras e a vida do seu hospedeiro.
Andam os sertanejos por economia descalos e gastam a sade quando por esse habito esto sujeitos pela pelle penetrao das larvas do ancylostomo que uma vez no organismo lhes causa a anemia e progressivamente a diminuio do trabalho at as raias do irremedivel.
So esses pequenos conhecimentos de Hygiene que faltam a esses infelizes e a vs compete justamiente na actual misso da escola primaria o ensaio e a divulgao.
Creio que ida do Sr. Director da Instruco organisar um folheto para distribuio ao professorado primado e onde se encontraro, na linguagem simples que convm ao caso, as prescripes que ireis ensinando s creanas das vossas escolas e aos adultos. Estes quando "tiverem entendido a importncia dessas cousas, pratical-as-o, zelando os prprios interesses, porque so os ensinamentos da Hygiene, os que bem comprehendidos, melhor que quaesquer outros se observam rigorosamente. O indivduo defende o seu prprio corpo e iser o primeiro a reclamar das infraces alheias, se o prejudicam.
O indivduo bebe uma agua de gosto supportavel, retirada de poos abertos e desabrigados, contaminada, porque vendo-a clara, transparente, julga que no contem os germens que produzem as molstias, as verrriinoses, as perturbaes gastro-intestinaes e outras desordens; o indivduo come uma carne de procedncia suspeita porque no imagina os venenos que est engulindo; respira um ar viciado, carregado de poeiras porque no sabe que o ar puro que lhe tonifica o sangue e que este, o liquido restaurador das suas foras, fazendo a correco das suas funces orgnicas^ desde o menor movimento muscular at o mais complexo dos nossos actos o pensamento.
O indivduo no tem methodo de trabalho, e para mostrar-se forte, prolonga-o, faz por exceder-se o que no lhe permitte o organismo e pana breve eil-o enfraquecido, deprimido.
No sabe o indivduo que as funces do seu organismo esto sujeitas a duas pnases o movimento e o repouso. No movimento o organismo, nos seus ntimos elementos as cel-lulas desprende parte das substancias com que se havia nu-


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Revista Nacional
INTRODUCO AO ESTUDO DA HYGIENF
SUMMARIO Hygiene Idas geraes, evoluo da sua concepo A razo-do seu estudo nas Escolas Normaes Sua divulgao por intermdio das professoras primarias.
Terminadas as preleces sobre a parte de Pedagogia, comeam as de Hygiene (*), e muitos de vs, certo, esto interrogando, de si para si, porque da matria do actual curso da Escola Normal, foram s essas duas, as que mereceram destacadas neste programma de frias, a que nos congregou o Sr. Director da Instruco.
Muitas sabeis, vagamente, e conheceis da Hygiene pela concepo usual e commum que o publico tem da palavra, outras, por leituras prprias talvez tenhais algumas idas; e s as turmas mais recentes do professorado, as que alcanavam na Escola Normal um estudo mais claro, mais efficiente, tm de fado um conhecimento mais apurado das principaes questes que na matria se prendem ao respectivo programma, orientado para ai disseminao de instruces praticas, terra-a-terra, que no servem para enflorar o pedantismo de presumidos doutos, mas que podem de verdade ser teis e venham contribuir por melhorar a nossa regenerao physica e moral a comear pela base, que a educao da creana.
Antes desta orientao, o que se consignava nos program-mas, com o rotulo de estudo de noes de Hygiene, era uma diverso, collocada visivelmente atoa, por copia servil dos pro-grammas europeus.
No temos, entretanto, de que nos envergonharmos porque do mesmo mal soffreram at pouco tempo as demais Escolas Normaes do Brasil, ajustadas quasi todas para o preparo de professores primrios velha noo, que j sabeis caduca, de ensinar a lr, escrever e contar, por methodos ^resumidamente pedaggicos.
i S de dois decennios para c, comeando por S. Paulo, que se modificaram os obsoletos processos de didactica e um sopro de nova vida passou triumphante, desarvorando os professores que ficaram fossilisados no archaismo do ensino palavroso e co.
Foi precisamente por esse tempo, no comeo da presidncia Rodrigues Alves, que na capital do Paiz, surgiu para as cul-
(I) Este trabalho resume a aula inaugural das lies de hygiene, constantes do Curso de Ferias, realisado em Fortaleza, Cear, em Janeiro deste anno, por iniciativa da Directoria Geral da Instruco, como uma das medidas complementares de reforma do ensino, operada no grande Estado do Nordeste. O Curso de Ferias reuniu para lies de pedagogia e hygiene trezentos e sessenta e oito professores.


A evoluo do ensino no Cear e a reforma de 1922
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Uma aula de geographia no 2." anno da Escola Modelo de Fortaleza, fazendo-se uso do taboleiro de areia, para estudo dos accidentes, que as prprias creanas constrem, comparam, analysam e denominam. ,
A Escola Modelo tornou-se por muito tempo o objecto de verdadeiras romarias. Iam ahi assistir as aulas tanto os nor-malistas, como professores e professoras, quer pblicos quer particulares, chefes de famlia, jornalistas, curiosos. O interesse que haviam despertado as aulas de pedagogia na escola Normal e no Curso especial manteve-se no publico, por muito tempo.
f) 0 Curso de Frias Mas a reforma technica s pela Escola Modelo estava restricta Capital e aos municpios de fcil accesso. Foi ento que o prof. Loureno Filho estabeleceu, aproveitando o perodo das ferias do fim do anno, o curso com razo chamado de Curso de Frias. Foi concedida uma pequena ajuda de custo aos professores do interior, e em breve a matricula attingia ao espantoso numero de trezentos e, sessenta e dois! O Curso teve necessidade de func-cionar num recinto muito vasto, e assim que o Theatro Jos de Alencar teve de se fazer sala de aula* e se encheu diariamente, por mais de uma quinzena, de professores que vieram dos recantos mais longnquos do Estado, para respirar o oxyge-nio das novas idas. As aulas do professor Bergstrom so entremeadas de palestras rcalisadas por muitos de seus discpulos, o que demonstrou que as suas lies no tm sido impro-ficuas. O Curso terminou com uma serie de conferncias sobre hygiene pratica realisada por mdicos especialistas, tendo produzido a melhor impresso ao publico que o seguia de


Como a escola primaria deve ensinar rudimentos de sciencias naturaes 455
olhos, dizendo-lhes o para que serve de cada um delles na natureza: a planta servindo para elaborar, para fabricar tudo o que preciso para o animal viver, desde o alimento e o vestido, at o ar que elle respira: e o animal servindo para destruir tudo o que a planta produz, comendo-lhe os frutos, as folhas, as raizes, utilisando-se das colheitas, da madeira, queimando a lenha, etc. e muitas vezes destruindo at a prpria planta.
E mostrar tambm com o mesmo critrio pratico, a luz do sol, entrando pelas portas e janellas da escola, ou illumi-nando os campos, as florestas e as plantaes, dizendo-lhes tambm: o para que serve ella na natureza, cahindo sobre as folhas de todas as plantas, afim de fazer com que ellas elaborem, fabriquem tudo o que preciso para a planta produzir; flores, frutos, gros de caf, de milho, de arroz, de trigo, de feijo, capulhos de algodo, leite para borracha, madeira, lenha, etc, alm de ar puro, para todos os animaes e todas as plantas poderem respirar e viver, o ar puro que feito dentro da folha de toda e qualquer planta desde a mais alta at a mais humilde, rastejando o solo, coberta de poeira, e at mesmo dentro da folha das plantas pizadas e judiadas pelos animaes, inclusive o prprio homem, que de todos os animaes aquelle que mais utilisa do trabalho das plantas, e mais as destroe.
E assim por este modo ou semelhante, a creana. aprendendo ainda o a b c, rnas educada com este critrio, de synthese biolgica, acommodada s necessidades pedaggicas da escola e econmicas do indivduo, entender facilmente o para que serve de tanta cousa da natureza, interessando to directamentc sua vida, como por exemplo: da atmosphera ou ar que respiramos; das florestas e dos campos; das plantaes e dos rios; das terras e dos mares; da luz do sol e das nuvens, etc; cousas essas com as quaes ella vive em contacto dirio at morte, como todo organismo, e que ella v, a cada passo, aqui e alli, nos logares onde mora, e onde as colheitas e os rebanhos so elaborados pelo conjunto de todas ellas e de muitas outras mais.
,E aprender a creana desde a escola primaria o para que serve da luz do sol e da folha da natureza, factores pri-maciaes da Vida sobre a Terra, elaborando os alimentos dos animaes, e dos quaes o ar que respiram o mais precioso, garantindo-lhes a vida, sadia e forte, a sade, so conhecimentos, como outros mais, que mesmo ministrados rudimentar e popularmente, suggestionam poderosamente a intelligencia da creana, e no melhor sentido da vida util, bem como suggestionam todo aquelle que os adquirirem; e essas suggestes criam em todos, o espirito de iniciativa, de observao, de disciplina de trabalho, determinando assim uma corrente de foras


Introduco ao Estudo da Hygiene
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nossa urbs, sabei tambm que essas grandes falhas cabem em mr parte populao destituda de conhecimentos sanitrios, no valendo posturas municipaes que no podem ser comprehendidas.
* *
A Hygiene no propriamente uma sciencia no sentido de independncia do seu estudo, antes uma applicao racional de grande numero de sciencias, quer da orbita medica quer de extranha uma realisao pratica dos conhecimentos adquiridos na esphera de quasi todas.
Assim Physiologia humana (estudo das funces physico-chimicas do nosso organismo), Anthropologia (desenvolvimento do organismo do homem) e Psychologia experimental (estudo das funces intellectuaes) deve a Hygiene os magnficos resultados obtidos pela cultura physica e intellectual do indivduo, lanando as bases da melhor educao da creana, o equilbrio entre o desenvolvimento physico e psychico.
justamente nos conhecimentos destas tres sciencias que a Pedagogia assenta grande parte dos seus princpios actual-mente em voga.
A psychologia experimental estudou o orgam das funces intellectuaes e estas as estudou desde as primeiras manifestaes na creana at a edade adulta, foi alm e alcanou as regresses djo orgam com as ruinas da edade ensinando aos pedagogistas o caminho natural e lgico dos conhecimentos, como se adquirem, mostrou que o crebro, como qualquer orgam do nosso corpo, est sujeito s vicissitudes dos gastos e 'das reparaes, nutrio e ao repouso e que o trabalho intellectual fatiga da mesma forma que o trabalho physico, e como este tem um limite visvel, aprecivel aos olhos de todo o mundo, e os olhos do professor devem tambm enxergar no trabalho mental dos discpulos um limite e uma gradao, no sendo perdoavel o mestre que ignorante ou arbitrrio exige o impossvel e no respeita esses preceitos de didactica.
O trabalho physico que um homem susceptvel de sup-portar no o mesmo que o de uma creana, assim o trabalho intellectual de que um adulto capaz no ser o que a uma creana cabe exigir. Foi a Psychologia ainda que fez a Pedagogia lembrar aos mestres que o crebro de uma creana no tem a mesma associao de imagens, de idas, que elles os preceptores ie por isto os aconselha que nunca falem aos seus discpulos de accrdo com o seu modo de vr, mas saibam comprehender o estado intellectual dos aluirmos e subordinem a essa craveira as suas lies, as suas expli-


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Revista Nacional
FESTA DAS ARVORES O plantio da arvore, por occasio da Festa das Arvores no Grupo Escolar do Outeiro em Fortaleza.
apressado que fizera na Europa, numa poca em que as praticas escolares no haviam attingido a perfeio de hoje no lhe podia ter dado as qualidades de technico. Conhecia todos os auctores, discutia as vantagens e as desvantagens de uma infinidade de processos didacticos, mas faltava-lhe o espirito de realisao indispensvel nas reformas.
A escola primaria do Cear, organisada sob sua influencia, era um reflexo desse theorismo. O recurso pedaggico, por excellencia, era a memorisao: os effeitos do ensino o ver-balismo. A instruco popular trouxera assim, por via hereditria, os vcios do classicismo da instruco secundaria. No organisava os recursos da natureza humana: organisava o palavrorio, orientava, quando muito, para o literatismo ou a literatice.
E o peior que o seu effeito social era o urbanismo e a mania, burocrtica. Deslocava o homem dos campos para as cidades, das profisses possveis die um meio em que se vive quasi que exclusivamente da lavoura e da pecuria, para as profisses ihtellectuaes ou pseudo-intellectuaes: a imprensa, a literatura, a advocacia e sobretudo, o funccionalismo publico. As artes e os officios e as profisses normaes, essa escola considerava humilhantes...
As tendncias dessa pedagogia do formal e do artificial coincidem com as grandes manifestaes literrias do


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Revista Nacional
A EVOLUO DO ENSINO NO CEAR E A REFORMA DE 1922
SUMMAR10 I Primeiros tempos; as escolas de latim. II Rcaco contra a escola latina. III ifferenciao do ensino primrio. IV A Renascena >: a reforma de 1922. V Concluso.
A evoluo do ensino, no Cear, como em quasi toda a parte, tem consistido numa passagem do clssico e do verbal, para o scientifico e o utilitrio.
I Primeiros tempos: as escolas de latim
At o meiado do sculo dezenove, dominou o latinismo.. Toda a instruco publica consistia em algumas escolas de latim , que se localisavam na Capital e, escassamente, no interior da Provncia. Entendia-se que o homem no tinha necessidade de saber outra coisa sino as declinaes de rosa, rosae.
Dr. JUSTINIANO SERPA Illustrc presidente do Cear, recentemente fallecido
Depois, fundaram-se, pouco e pouco, na Capital, cadeiras isoladas de outras matrias. Em 1844, existiam no interior da provncia, nas cidades mais povoadas, 6 aulas de latim, com




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Revista Nacional
estado sempre localisadas nessa pequena faixa do territrio cearense; ultimamente, essa tendncia de centralisao, ajudada pelo favoritissimo poltico, havia tomado propores assustadoras. Quasi diariamente as escolas do serto, entre as quaes algumas muito bem localisadas, funccionando de longa data em ncleos muito povoados, eram transferidas para a Capital, para suppostos arraiaes. O urbanismo assumia uma feio nova. Depois de deslocar os homens dos campos, a prpria escola se deslocava...
A soluo da crise no era fcil, por que vinha contrariar os interesses de innumeras pessoas. Mas a reforma enfrentou-a decididamente. Dividindo o Estado em 4 entrancias de ensino, e tornando difficultoso o accesso l.a (Capital) que s pode ser feito agora mediante concurso real, na escola Normal, e tornando menos fcil o accesso 2.a entrancia (municpios vizinhos Capital) que exigem o concurso de nota de diplomas, a reforma cortou o passo ao congestionamento. Essa medida salutar e os dados do Cadastro, constituem a base da reviso da localisao das escolas, que j foi iniciada e prosegue sem embaraos, muitas vezes conduzindo os prprios professores.
Outra medida de grande alcance tem sido o agrupamento das escolas.
Antes da reforma, possuamos apenas alguns grupos escolares na Capital e dois no interior. Nenhumas escolas-reu-nidas , typo commodo e barato do grupo-escolar. Agora, porm, j foram creados e installados mais 8 grupos em diversas cidades do interior, em que o Cadastro autorisou fazel-o, e bem assim, 21 escolas-reunidas, quasi todas j installadas. Para o funecionamento regular de todos esses estabelecimentos, fez o Governo uma grande encommenda de material pedaggico a S. Paulo. (1)
e) Introduco das novas praticas escolares J tivemos occasio de assignalar que a Escola Modelo, annexa Escola Normal, fundada e organisada pessoalmente pelo prof. Berg-strom Loureno Filho, tem as funees de padro da nova escola primaria do Estado. Installada com material todo vindo de S. Paulo, e orientada por um professor paulista do valor do pedagogista de Piracicaba, o novo estabelecimento tornou-se, em pouco tempo, comparvel a um grupo escolar do grande Estado. Foi ahi onde primeiro se introduziram as novas praticas escolares (a leitura analytica, o calculo concreto, o ensino simultneo d leitura e da escripta, o desenho do natural, o slojd, a cartographia, a gymnastica sueca, etc), praticas essas que, neste instante, se irradiam por todos os grupos escolares da Capital e do interior, como os clares de uma nova ra.
(I) Boa parte dessa encommenda foi adquirida na Comp. Melhoramentos de S Paulo. Um recente decreto autoiisa a Directoiia da Instruco a adquirir 3.000 carteiras americanas.


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Revista Nacional
criptas nos estabelecimentos de ensino publico e privado. Nem a quarta parte, pois, da populao escolar recebia instruco.
O Estado no jpde gastar muito mais do que gasta, visto como no pde abandonar outros servios tambm de necessidade vital. As rendas no crescero sem o incremento da educao popular, e fica-se assim, num circulo vicioso: a misria produz a ignorncia, a ignorncia eterniza a misria... Ningum discute felizmente a jObrigao que tem a Unio de auxiliar o ensino primrio e profissional dos Estados. O discurso do snr. Ministro do Interior, ao assumir as suas funces, salientou esse dever. Animado por essas declaraes do Dr. Joo Luiz Alves, o Governo do Cear solicitou um auxilio para a creao de novas escolas, apresentando os resultados do Recenseamento Escolar, a estatstica completa do ensino em 1922, os dados referentes s despezas do Estado, os programmas do ensino adoptados, etc.
Com o possvel auxilio federal, a instruco no Cear tomar um grande incremento e a obra do ex-Presidente Serpa, que est sendo continuada com o mesmo ardor pelo Vice-Pre-sidente Albano, no mais se perder. Com elle, continuado o trabalho da reforma, com o mesmo espirito at agora mantido, dentro de dois ou tres annos, poderemos ter a metade das creanas em idade escolar freqentando escolas.
Tem esperanas no auxilio da Unio?
Sim! Accresce para a cooperao da Unio, que ella dis-pendeu- e est dispendendo sommas fabulosas para attenuar os effeitos das seccas, na regio do Nordeste, de que o Cear occupa a maior parte. Essas obras, e o trabalho agrcola e industrial que ellas iro permittir, pouco significaro, porm, nas mos da grande massa ignorante do povo. Sem o complemento da escola, que d ao sertanejo rude uma certa disciplina de espirito, que elle no tem, e os conhecimentos rudimentares da moderna technica agrcola, das sciencias physico-naturaes e da hygiene, as grandes obras do Nordeste no correspondero expectativa natural de condio de fomento da riqueza do paiz.
Lembro, apenas, a propsito, que o aude de Quixad esteve depois de prompto, doze annos sem um palmo de cultura abaixo da barragem e que foi um agrnomo do sul que alli iniciou o plantio...
A feio climtica especialissima do Cear, ao mesmo tempo que acena com as vantagens de uma produco vegetal e animal simplesmente fantstica, uma variedade de campos e de terras propicias a todas as actividades agrrias, exige por parte de quem os explora o mais intelligente afan na com-


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Revista Nacional
alto o seu nome. O sangue que derramou nas lutas patriticas da primeira dcada da Independncia o mesmo que offe-receu ao paiz quando em guerra com o Paraguay, o mesmo que verte sorrindo nessa formidvel epopa do desbravamento da Amaznia, a obra mais ingente da raa cearense, que com ella d um mundo ao Brasil.
Nos chacos e banhados paraguayos, o cearense cbrio-se de gloria. Alem de ter fornecido uma immensa quantidade de officiaes e praas para os corpos do Exercito Nacional, elle deu para a guerra, enfhusiasticamente, o 14.o de jnfanteria com o effectivo completo e o 26.o de voluntrios, um dos batalhes que mais louros conquistaram na campanha, a sua fora de policia e levas e levas e mais levas de homens para prehen-chimentos dos claros. Provaram galhardamente o vaor militar de seus filhos heres de Moror e da tomada do Estabelecimento, os exemplares altssimos dos generaes Sampaio, o chefe da diviso encouraada, morto gloriosamente em 24 de Maio, no cho de Tuyuty, e Tiburcio, Antnio Tiburcio Ferreira de Souza, que, como coronel, commandra o 12.o de infantaria, o Treme-Terra !
A mesma gente deu para a Revolta da Armada, quando lhe mataram Gustavo Sampaio, para as pugnas sertanejas de Canudos e para as perigosas emboscadas do Contestado, onde se celebrisou Potygura.
Como dizia, expressiva e naturalmente, um matuto dos sertes speros daquella terra de sol o patriotismo do cearense nunca mentiu fogo. Nunca, com effeito, porque elle uma das virtudes profundas dos habitantes do solo com-prehendido entre o Oceano Atlntico e as fraldas a pique da serra da Ibiapaba.
No o demonstra o cearense somente no terar das armas brutas em lides, sangrentas; porm maiormente no combater pelas idas nobres que dignificam o paiz, no sacrificar-se pelas grandes causas. Antes que qualquer outra regio do Brasil fizesse, Cear libertava seus escravos. Elle declarara face do Brasil ainda cheio de senzalas e estralejante dos chicotes de feitores:
- No ha mais escravos no meu territrio! No ha mais um nico indivduo nascido no Cear que seja, escravo!
Por isso, o chamaram Terra da Luz e os negros de outras paragens o saudaram cmmovidos:
Bemdita sejas tu, Terra da Liberdade!
Bemdita sejas tu, Terra da Promisso!
Affirmou seu alto, desinteressado patriotismo em todos


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lento e de muito futuro Herman Lima, cujo livro de estra apparecer breve.
Outro elemento valioso de nosso meio o festejado flklo-rista Leonardo Motta, cujo livro Cantadores foi um dos maiores successos de critica e de livraria que se tem visto nestes ltimos tempos.
Entre os bacharis que mais se distinguem no cultivo do direito e alguns delles so literatos praticantes se contam J. Carlos Peixoto, Moreira de Azevedo, Leiria de Andrade, Antonelle Bezerra, Beni Carvalho, Cursino Belm, Edgard Arruda, Eduardo Giro, Dolor Barreira e Gustavo Frota.
Entre os professores devemos mencionar como cultores especiaes de philologia, Raymundo Arruda, Ferreira dos Santos, Martins de Aguiar, Clovis Monteiro, padre Climerio Chaves, e em outras disciplinas Antnio Augusto, Menezes Pimentel, padre Misael Gomes, Pedro Albano, D. Judith Rosas.
Entre os estudiosos de questes philosophicas e sociaes ha as duas bellas e cultas mentalidades de Jos Sombra e Elcias Lopes.
No jornalismo contam-se algumas pennas primorosas Fernandes Tavora, Leonardo Motta, Andrade Furtado, Pedro Firmeza, etc.
No devemos esquecer alguns mdicos, que, fora de sua profisso, se distinguem ainda por outros mritos intellectuaes Castro Medeiros, lvaro Fernandes, Carlos Ribeiro, Amo-rim Justa, Octavio Lobo, Th. Pompeu Filho e Nelson Catunda.
O bello sexo tem tambm representantes de valor em nosso meio espiritual: Alba Valdez, escriptora elegante, alm de educadora provecta, as irms Adelaide e Judith Amaral, tambm escriptoras e professoras, as irms poetisas Maria Clara e Abigail Sampaio.
A novssima gerao, que ainda no transpoz ou mal passou a casa dos vinte annos, encerra promessas auspiciosas personificadas em Faustino do Nascimento, Sobreira Filho, B. Pontes, Jader de Carvalho, J. Martins Filho, Hlio Caracas, Elias Mallmann e vrios outros que constituem a Academia dos Novos, e o Grmio Paula Ney.
E ha os expatriados, os transplantados para diversos pontos do paiz e principalmente para o Rio, onde se fixaram desde muito: Clovis Bevilqua, Capistrano de Abreu, Joo Lopes, Cndido Juc, Amrico Fac, Gustavo Barroso, Carlos de Vasconcellos, Leo de Vasconcellos, Oscar Lopes, Frota Pessoa, Mario Linhares, lvaro e Arthur Bomilcar..
Em summa, o Cear'estuda, pensa e trabalha, a despeito de toda falta de estimulo por parte de um publico que trabalha sem pensar em outra cousa que no seja ganhar dinheiro para gosar a vida de accordo com seus gostos e capacidade mentaes.


REVISTA NACIONAL
H055R TERRR H055R 6ENTE
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EQUCRRO E IN5TRUCRO 5CIENCIR5 e RRTE5
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JULHO DE 192 3 ANNO II N. 7
PUBUCRRO mEHSRL rOmPRHHIR mELHORRT)EHTOS DE SRO PRULO 5. PRULO, Caixa 436 RIO DE TRnEIRO, Caixa 1617


O Cearense patriota
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Gonalves Pereira de Alencar e Jos Pereira Filgueiras, dominaram a terra cearense, politicamente. O primeiro tomara parte saliente na demonstrao republicana de '1817 e estivera preso algum tempo na Bahia. Passado algum tempo, sofoe-se da proclamao feita por D. Pedro I s margens do arroio paulista; O governo provisrio da capital manda o Major Luiz Rodrigues Chaves com soldados cearenses de linha e de milcias ajudar os independentes do Piauhy na expulso das foras portuguezas do commandante das armas dalli Joo da Cunha Fidi.
Estas varrem metralha, no campo do Retiro do Geni-papo, a gente do Piauhy e os valentes cabeas chatas, re-colhendo-se villa de Caxias, no Maranho. Mas em Maro de 1823 uns seis mil cearenses sem disciplina e quasi sem armas regulares assediam-n'os, obrigando o chefe portuguez a capitular.
Em 1824, quando se proclama em Pernambuco a Republica do Equador, o Cear tambm acompanha o grande movimento patritico do Brasil contra o domnio do partido semi-estrangeiro do Imperador. Elles se revoltam, os cearenses, e' remettem preso, para o Rio de Janeiro, o delegado do poder imperial Pedro Jos da Costa Barros. No mez de Agosto deste anno, Tristo Gonalves proclama a Republica e liga-se federativamente a Pernambuco. As suas tropas transpem as fronteiras provinciaes e batem-se em vrios logares contra as Imperiaes. Retrocedem e batem-se ainda no Joazeiro e na Batateira, o denodado Tristo Gonalves tendo deixado Fortaleza para fazer uma expedio ao Aracaty e no podendoi voltar a essa capital, por ter ella cahido em poder de lord Cochrane, continua a luta no serto. Envolvido pelos inimigos em Santa Rosa, lutou at ficar ssinho. Ento, fugiu a unhas de cavallo, sendo morto pelos que o perseguiam. E, aps a victoria do governo imperial, de 30 de Abril a 28 de Maio de 1825, subiam ao patibulo na actual praa dos Martyres, era Fortaleza, os maiores patriotas do movimento republicano: o padre Gonalo Ignacio de Loyola Albuquerque e Mello Moror, o coronel Joo de Andrade Pessoa Anta, Francisco Miguel Pereira Ibiapina, o major de milcias Luiz Ignacio de Azevedo Bolo e o tenente coronel de milcias Feliciano Jos da Silva Carapinima.
Esses exemplos de abnegao, de coragem, de patriotismo fruetificaram nessa terra de fortes, onde viver sustentar uma luta tremenda e desigual contra os elementos impiedosos. Mas o cearense ama profundamente a sua terra infeliz e calcinada pela soalheira. Ama-a muito e tudo faz para levantar bem




A evoluo do ensino no Cear e a reforma de 1922
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n
a) Reorgqniso da Escola Normal O primeira cuidado do professor Loureno Filho foi o de reorganisar a Escola Nor-^ mal, ncleo de toda a reforma, no seu prprio dizer. E esse trabalho teve por objectivo principal corrigir a orientao literria ou formalistica do programma, que composto maist* *M de sciencias abstractas ou descriptivas, orna o espirito mas no -pe* \ o forma. (1) De feito, foi extineta a cadeira de Inglez, por^i^u desnecessria, e a de Literatura, por demasiada, criando-se, *^, em compensao a de Physica e Chimica, a de Anatomia e cU^U Physiologia Humanas e Hygiene, a Pratica Pedaggica, e^akl s aulas de Musica e Gymnastica, absolutamente necessrias. ^/J ^, Para o curso normal poder alcanar o seu nivel, e ter, outrosim, ^ /e o desenvolvimento preciso, foi creado o Curso Complementar,
Uma aula de gymnastica na Escola Modelo do Cear. A gymnastica hoje obrigatria
em todas as escolas publicas cearenses. -w-v^
de dois annos, que estabeleceu a continuidade do ensino, antes inexistente. O novo professor de Pedagogia e Didactica, com o seu simples exemplo suggestionador, e o auxilio sempre in- i telligente e valioso do director do estabelecimento, dr. Joo ^ c Hyppolito de Azevedo, reagiu firmemente contra o psittacismo xc^jll que reinava em quasi todas as cadeiras, inaugurando as pra-'^^ ticas escolares que se fundam nas leis da Psychologia e segun- ^. do as quaes, o alumno um ser activo que se educa, reagindo }p ao contacto do meio ambiente. O professor apenas um in- \,,m.
(l) Prof. Loureno Filho, Memorial ao Governo, maio 1922.
ai
-O.


Jos Albano 415
A Cantiga que se vae ler no inferior s que nos deixaram **Sernaldim Ribeiro ou Christovo Falco. Eil-a:
Nestes sombrios recantos, Nestes saudosos retiros, A agua desliza dos prantos. Sopra o vento dos suspiros.
Volta
Tenho n'alma dois moinhos, Um d'agua, outro de vento; Ambos juntos e vizinhos; Ambos sempre em movimento. E giros tantos e tantos, E tantos e tantos giros, Do ao primeiro os meus prantos, E ao segundo os meus suspiros.
Os nossos poetas do momento recusariam o louvor a essas canes, um pouco archaisantes, antiquadas ou camonianas que s se encontram nos velhos cancioneiros de antanho. A belleza, porm, nada tem que vr com a chronologia: s a moda gosta de triumphos ephemeros.
pena que a obra potica de Jos Albano seja to mesquinha pela quantidade, se acaso no deixou inditas outras jias de seu escrinio.
Eis o que posso dizer desse poeta quasi obscuro e desconhecido, pessimista, misanthropo, grammatico e polyglotta notvel.
Havia no seu espirito profunda religiosidade; era deista, christo e catholico. Apenas no acreditava na virtude dos homens.
Em outro tempo seria talvez um inquisidor; hoje, um manaco.
Amanh, quem sabe? ser um poeta ressussitado para o nosso Parnaso.
Joo Ribeiro
mm


As causas das seccas e os meios de minorar-lhes os effeitos 463
D. Pedro II, por lembrana e iniciativa sua, deu comeo grande audagem.
Ha quarenta annos que venho me batendo pela audagem. Eu havia dito na minha propaganda: imitemos a Hollanda, que lutou para livrar-se das guas; aqui, ao contrario, lutemos para apossar-nos das guas que caem do co.
Unamos todo o nosso esforo mental para o engrandeci-mento de nossa terra; suffoquemos em ns o egosmo e combatamos a imprevidencia, herdada do indio e do africano; sacrifiquemos tudo pelo bem do Cear, que em breves dias o nosso Estado ser um dos Estados mais prsperos e felizes do Brasil.
Quando escrevi isto, mal sabia eu que Deus me prolongaria a vida para que eu visse, em parte, realisado o meu ideal.
Ha quasi meio sculo, eu pedia, ao menos, a pequena audagem, j que os grandes .reservatrios a Nao no podia construir, falta, mais de vontade, do que de recursos. Eu dizia, convencido, que uma vez feitos os grandes audes nos quatro pontos cardeaes do Estado, estaria conjurado o flagello das seccas e o Cear occuparia o lugar que lhe competia entre os Estados mais prsperos do Brasil.
Tive a ventura de ver iniciadas as grandes obras do Nordeste com que sonhei na mocidade para salvao da minha terra; tive a felicidade de ver em via de resoluo o secular problema das seccas. ,
No sei si Deus me conceder vida para que eu veja realisado todo o meu sonho, si terei a ventura suprema de ver o Jaguaribe correr perenne, fecundando a terra em uma extenso de centenas de kilometros.
Quando as colheitas forem fartas e repetirem-se tres e quatro vezes por anno, e estivermos assim libertos do jugo terribilissimo da misria, das seccas, da fome, no esqueamos o nome de Epitacio Pessoa, o Moyss bblico da terra cearense. No esqueamos nunca esse espirito superior e bom que nos remiu do crime nacional.
A nossos filhos ensinemos a amal-o e respeitai-o, para que elles ensinem tambm aos filhos o amor e a venerao a este grande brasileiro passando de gerao em gerao, at a consummao dos sculos. '
Rodolpho Theophilo


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Revista Nacional
so determinados os ncleos de populao escolar, as distancias entre si e em relao sede do municpio; ao lado esto os algarismos correspondentes a cada ncleo, de modo a se poder fazer a distribuio justa e equitativa das escolas, ao contrario do que acontecia anteriormente. (1) Alm disso, foram obtidos gratuitamente, de particulares e das Municipalidades, mais de mil prdios urbanos e ruraes, para escolas isoladas, afora prdios para grupos-escolares e escolas reunidas nas sedes de dois teros dos nossos 74 municpios. Inventariou-se todo o material existente nas escolas, organisaram-se estatsticas, e foi possvel determinar, apurando os dados de uma enqute entre os chefes de famlia, quaes os horrios, pro-grammas e ferias mais convenientes s diversas regies do Estado.
Mas, o resultado, por excellencia, do Cadastro foi o seu prodigioso effeito moral. O professor Loureno Filho tinha a nitida comprehenso de que uma reforma do ensino uma reforma de costumes, e que no pde ser feita por um homem s, nem to somente pelo Governo. Era preciso acordar o povo! Assim antes de iniciar o servio fez uma propaganda geral no sentido de interessar todas as foras sociaes na reali-sao do Cadastro. Depois de conseguir a adheso das Prefeituras, no Congresso de Prefeitos, realisado em maio do anno passado, obteve as adheses valiosissimas do Arcebispado de Fortaleza, da Inspectoria de Obras contra as Seccas, da Administrao dos Correios, da Repartio dos Telegraphos, e da Associao Commercial do Cear, cujos subordinados, em toda a parte, receberam ordens de auxiliar os funccionarios da Directoria da Instruco.
Alm disso, os chefes das 6 regies, em que foi dividido o Estado, para os effeitos do Cadastro, todos moos e enthu-siastas, percorrendo os logares mais distantes, fizeram em todos os recantos do serto, a mais intensa propaganda verbal, despertando nas populaes a ida da obrigao de cuidar do ensino primrio. Nesse sentido, os vigrios prestaram tambm inestimveis servios, fazendo do plpito uma propaganda de grande effeito, dado o immenso prestigio de que gozam em todos os logares do interior.
"A reforma, por isso, foi ventilada por todo o publico. Durante dias e dias, era o assumpto das conversas e discusses em todo territrio do Estado, desde as cidades mais adeantadas at aos logarejos mais obscuros. Si desse edificante movimento de patriotismo no houvessem resultado os extraordi1-narios benefcios materiaes do Cadastro, j acima enumerados, os benefcios moraes que delle advieram compensariam todos
(i) De accordo com o Cadastro, a Directoria da Instruco j propoz ao Governo a creao de mais de cem escolas.


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simples e fluente, to natural como a das gentes sertanejas do maravilhoso nordeste, onde nasceu.
Essa falta de artificio explica-se talvez pelo seu horror ingenito a tudo que era pedantismo literrio, ainda que, se olhasse um pouco para si prprio, acharia a imagem perfeita do pedante.
Era, em verdade, um pedante de marca. Seus themas habi-tuaes de conversao, quanto pude observar, cifravam-se em impertinentes questes de grammatica e da peior grammatica que a meu vr consiste na supposta propriedade dos usos di-dacticos e clssicos;
Um dos seus dois folhetos um poema, verdadeiro pas-tiche dos Limadas e por isso mesmo de medocre valor, embora nella occorram lindos versos esparsos que, em outros sculos mais petrarquianos que o nosso, lhe dariam qualquer lugar e gro de estima.
O outro folheto realmente o mais caracterstico da sua imaginao potica.
Com to mesquinhas paginas no poder talvez fundar a reputao de um nome literrio, salvo se deixou qualquer obra indita do mesmo teor.
Essa hypothese no muito provvel, porque Jos Albano pouco escrevia e mais se dissipava nos dilogos ntimos dos raros camaradas.
Fui um destes raros amigos do poeta. E nem posso gabar-me de que fui amigo, porque Jos Albano protestava no os ter nem os querer, por impossveis. No acreditava na amizade e se acreditasse nella, faria como Plato, previa rasoura de tudo quanto de longe ou perto cheirasse literatura.
Achava, como Kierkegard, que as letras cedo ou tarde corrompem o caracter.
Assim, pois, creio que s teve companheiros momentneos e eventuaes, sem responsabilidades e sem compromissos.
Esse estado de alma era o prenuncio da molstia terrvel que lhe arrebatou a razo. Desde que o conheci notei o seu desequilbrio mental: mas essa perturbao, segundo o meu inepto diagnostico, devia ser insignificante e precria e talvez fosse (pensava eu ento) uma dessas poses freqentes entre certos homens de espirito.
Jos Albano era ou tinha preteries de elegante. Usava o monoculo, e no iam mal sua figura (que lembrava a de Musset) os seus colletes de velludo e a sua fina barba Nazarena.


A evoluo do ensino no Cear e a reforma de 1922
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nomeaes, remoes e permutas, medida que tendia a arrastar os elementos polticos da repartio; substituiu a antiga escripta, rotineira e falha por uma escripta racional e exacta, baseada nos mais modernos processos de fichas e promptuarios; e emprehendeu, em seguida, com o auxilio das Prefeituras, o levantamento da base scientifica da reforma, com o servio que veiu a chamar-se Cadastro Escolar.
c) Jiealisao do Cadastro Escolar Tratava-se de um balano geral da situao: 1) o recenseamento de todas as creanas do Estado, de 6 a 12 annos, analphabetas ou no; 2) a
ESCOLA MODELO DE FORTALEZA
Uma aula de leitura analytica, na l.a classe. Por occasio da inaugurao olficial desta escola, tres mezes depois de sua installao, j muitos alumnos que haviam sido matriculados analphabetos sabiam ler correntemente. A leitura analytica hoje empregada cm todos os grupos de Fortaleza e nos grupos ultimamente installados no interior do Cear.
inscripo dos auxlios das Prefeituras e particulares locali-sao das escolas j existentes, e daqucllas a serem creadas; 3) o balano do material existente nas escolas publicas (de que no havia inventario) e organisao da estatstica geral do ensino; 4) uma enqute entre os chefes de famlia, sobre horrios, frias e outras questes locaes.
O trabalho era gigantesco, e na sua realisao rpida pouco acreditavam. Entretanto, o Cadastro foi levantado, em todo o Estado, com exactido e presteza, em menos de tres mezes. Organisou-sc a planta cadastral de cada municpio, no qual


Como a escola primaria deve ensinar rudimentos de sciencias naturaes 453
COMO A ESCOLA PRIMARIA DEVE ENSINAR RUDIMENTOS DE SCIENCIAS NATURAES
A primeira cousa que o aprendiz entrando na officina precisa ir sabendo : o nome dos instrumentos de trabalho no meio dos quaes vae aprender o seu officio ou arte, e o para que. serve de cada um delles na sua aprendizagem e mais tarde para ganhar a vida, como carpinteiro ou ferreiro, ourives ou relojoeiro, etc.
Cousa mais ou menos semelhante deve ser com a creana entrando na escola primaria, cuja funco educadora, em relao ao ensino de rudimentos de sciencias naturaes, que a gente deve aprender, como tudo o mais para se viver melhor, e como uma porta aberta para a grande officina dentro da qual trabalhamos todos ns, aprendendo a viver, como bons o mos operrios, cuidando da nossa vida e da vida da conectividade; e prejudicando tantas vezes uma e outra com tantos males, como a misria do trabalho disperso, damnificando sobremodo cada um de ns, e tudo anarchisando e destruindo, ignorantes que somos de tanta cousa util da natureza, como por exemplo: dos milagres da diviso do trabalho, por meio da qual ella fabrica, conserva e multiplica, dentro de cada cj-lula e de cada tecido, de cada rgo e de cada apparelho, de cada organismo emfim, a vida da arvore mais frondente ou do homem mais robusto.
E por isso mesmo uma das necessidades primaciaes da escola primaria para a educao popular o mestre ensinar s creanas, muito rudimentarmente, ao lado do a b c o nome das cousas tia natureza, que mais interessam vida humana para melhoral-a, apontando-as porm aqui e alli, onde estiverem, afim de serem vistas por esse modo pelas creanas, desde a escola primaria, pois com ellas a sua vida est sempre em contacto intimo, desde o primeiro ao ultimo dia; e ensinar-lhes tambm ao mesmo tempo o para que serve de cada uma dellas sua existncia, afim de poderem tirar qualquer proveito desse conhecimento, desde a infncia, e em qualquer profisso mais tarde; e muito especialmente para ellas, recebendo tal ensino, sentirem interesse intelligente em defenderem e melhorarem a prpria vida, que si no fr assim cuidada, desde a escola primaria, auxiliar precioso da educao da familia, ento ta vida nem a ellas quando homens, nem ptria quando cidados, servir para cousa alguma util, a no


Introduco ao Estudo da Hygiene
447
trido, transforma-as nesta ou naquella energia; no repouso o organismo vae reparar essas perdas, esses gastos.
Accresce ainda que o trabalho, alm dos gastos de substancia, acarreta para o interior dos orgams a formao de substancias desassimiladas e txicas, que se torna preciso expellir e para isso o organismo deve aguardar o momento de descanso, para fazer tal eliminao e quando infringimos as leis da Phy-siologia e por um trabalho a mais produzimos maior quantidade dessas substancias venenosas, sem darmos tempo sua sa-hida, ficamos mais ou menios intoxicados e o tecido primeiro compromettido o systema nervoso, que se revela assim nos mais polymorphicos e disparatados signaes da neurasthenia.
*
* *
Ao entrardes pela primeira vez neste curso pensaveis que o ensino primrio lograva um nico objectivo que ides com-prehendendo j no tem neste instante mais razo de ser, e ao deixardes esta capital, levareis aos logares d'aqui afastados, aos nossos sertes, um conhecimento mais seguro do objectivo actual.
As vossas obrigaes se tornaram mais complexas, verdade, mas tambm no vos ho de faltar animo e esforo para desempenhal-as como o Estado espera da misso que vos confiou, que a obrigao de servil-o de todos ns, cada qual na esphera das suas attribuies.
*
* *
Quando annos atraz deixastes a Escola Normal, muito differentes eram as condies desse estabelecimento quanto ao ensino hoje professado e que cada dia tem maior tendncia por melhorar e progredir pela natural lei das cousas. RefL-ro-me a isso para fazer-vos sentir que no vossa a culpa de nesse estabelecimento no terdes encontrado a esse tempo as mesmas facilidades dos vossos collegas dos mais recentes termos do professorado.
Nem o material escolar era o que o estabelecimento exigia nem os programmas de ensino eram de molde a formar o vosso espirito para as luctas do magistrio e sobretudo, peior que tudo, no posso deixar de o dizer, eram os methodos de ensino prprios para desalentar os mais esforados.
No tenho inteno de magoar a quem quer que seja, mas sendo medico, devendo por obrigao dos meus estudos profissionaes saber alguma cousa de Psychologia e por amor do officio pratical-a obrigatoriamente a todos os momentos, aos


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Revista Nacional
perto, e enriquecido de muito o cabedal de conhecimentos technicos do professorado, nelle representado por mais de dois teros do total dos educadores do Cear.
g) A construco de prdios escolares O problema do ensino, no Cear, nunca tratado com os cuidados necessrios, desprezado mesmo por alguns governos, soffrendo, como tudo o mais, na administrao, os collapsos das seccas, comeava, antes da reforma de 1922, por apresentar a grande falha da ausncia dos prdios escolares. O construdo em 1884, para a Escola Normal, e que era at ha pouco o que de melhor possua o Estado para esse fim, serviria muito bem para um grupo escolar, mas nunca para um estabelecimento daqujella natureza...
O professor Loureno Filho chamou a atteno do Governo para a questo, propondo em primeiro logar a construco rie um edifcio adequado e condigno para a Escola Normal, edifcio esse que j se alteia numa das melhores praas de Fortaleza, obedecendo a uma planta magnfica. Dentro de tres ou quatro mezes estar concludo, e ahi teremos a segu/-rana da continuidade das idas da reforma. 1
Mas no s. Foi adquirido e adaptado um excellente prdio para o grupo escolar de Outeiro e ser iniciada breve a construco do grupo escolar do Bemfica, nesta Capital. Acha-se quasi concluda a construco das escolas-reu|nidas de Mecejana e vo adeantadas as obras das de Poos dos Paus. As Municipalidades de Quixad, Crathes e Cascavel iniciaram a construco de edifcios destinados aos grupos escolares das referidas cidades, obedecendo s plantas fornecidas pela Directoria da Instruco.
h) Outras innovaes da Reforma Muitas outras innor vaes da reforma comeam a demonstrar a firmeza do techni-co que as concebeu e as est executando. Assim, so medidas de inestimvel alcance os processos de remoo e nomeao por concurso, sempre, alheiando outros interesses que no o ~d boa marcha do servio e a moralidade da administrao; as promoes por merecimento, exclusivamente; a fiscalizao sys-tematica das escolas; a obrigatoriedade escolar realisada, de facto, dentro dos limites dos recursos actuaes; a instituio da Caixa Escolar, j florescendo em muitos municpios; a propaganda' do Escotismo, a grande escola de moral e de civismo; etc.
Uma medida que merece ainda registro especial, pela sua opportunidade e necessidade, a da Inspeco Medico-escolar, a que o Professor Loureno Filho est dando grande atteno. Os trabalhos dessa inspeco, dirigidos pelo medico-chefe Dr. Jos Furtado Filho, foram iniciados na Escola Modelo e grupos desta Capital, onde todos os alumnos se acham


Introduco ao Estudo da Hygiene
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minancias da celebridade o vulto do grande medico Oswaldo Cruz e com as armas da Hygiene, scientifica e evidente tomou a si a incumbncia, que positivamente realisou, de riscar da nosographia do Rio de Janeiro o espantalho da febre amarella, que por 60 annos paralisava o progresso da grande metrpole, delia afugentando capites e braos.
Mais que os outros factores que concorreram ao deside-ratum do chefe da nao foi o subsidio da Hygiene, resolvendo a equao do saneamento, que tornou possvel a remodelao phantastica do Rio, pela segurana com que se sentiram ao depois nas suas vidas e fortunas os grandes homens de fiana, na derrama do oiro em monumentos e em industrias produ-ctoras.
Foi dessa poca tambm que no Brasil se comeou a dar mais atteno ao valor da Hygiene em relao s conectividades, quando at ento s era entendida como uma mra. repartio para despacho de servios burocrticos.
Neste auditrio, muitas das ouvintes foram minhas discpulas, mas vs que estudastes pelos antigos programmas, pas-sastes, verdade que no por culpa vossa, passastes em branca nuvem pela matria bsica do curso normal a Pedagogia, quanto mais pelo conhecimento de outras, entanguidas letra do velho Regulamento e que ao tempo eram referidas como uma inutilidade, uma sobrecarga perfeitamente dispensvel e a vs eu devo, portanto, dizer que muitos dos preceitos pedaggicos hodiernos encontraram os seus fundamentos racionaes em sciencias que embora no sejam exclusivamente mdicas, ainda hoje convimos em assim chamal-as, talvez porque nas faculdades de medicina que so professadas e entre essas est justamente a Hygiene que aqui por uma mra coincidncia vem ser esplanada por um grupo de mdicos.
Disse numa das suas preleces o sr. prof. Loureno Filho que o fim da escola primaria no era como se suppe_erroneamente e teimam, digo eu, em suppr ainda muitos que se tm por letrados, ensinar a lr, escrever e contar e sim que o fim da escola primaria era educar o indivduo para por seus conhecimentos ser um elemento de triumpho na vida pratica, na vida social. E o joven professor subdividiu a educao no seu triplice aspecto physico, psychico e moral. Mostrou a sua interdependncia, a moral apoiando-se na intellectual e esta na material, lembrando-se muito a propsito de um grande educador britannico, celebre por muitos outros predicados, que j ao seu tempo affirmra convicto que a primeira condio para o successo da vida era ser um bom animal, isto , um bom organismo, um corpo funccionando bem, perfeitamente bem. ,
Avocando o conceito de Spencer, o nosso actual professor de Pedagogia mostrou-se convencido que uma das condies


440 Kevista Nacional
mais seguras para o xito da educao psychica deve repousar na educao physica bem orientada, e esses dados de orientao so fornecidos, quer para uma parte, quer para outra, pela Hygiene, visando no seu objectivo no somente a conservao da sade do indivduo como outriora, assim tambm o seu aperfeioamento orgnico. a Hygiene que estabelece as regras prprias a assegurar um bom desenvolvimento, uma ba conservao, um bom funccionamento do organismo.
O homem, como qualquer animal, um organismo, tendo cada orgam a sua funco definida para o entreter na vida. Quando uma funco se altera que o orgam est soffrendo e a vida comea a periclitar. O bom funccionamento de um organismo , pois, a resultante das boas funces de todos os orgams que o compem.
A Hygiene tem de facto na educao do indivduo um papel de relevo porque nos seus objectivos alm de procurar assegurar a sade, ella tambm visa o aperfeioamento phy-sico e do corpo que se vo adquirindo os hbitos, as normas que conduzem o indivduo por toda a vida a seguir sempre o melhor caminho insensivelmente.
Hbitos de Hygiene ha cuja quebra revela para os in-fractores no somente ignorncia mas ainda uma falta de educao social que assim so os delictos contra a Hygiene quando concorrem para prejudicar a sade dos outros.
No me posso furtar tentao de um exemplo.
Para mostrar quanto prejudicavel cuspir no solo, nos vehiculos e pavimentos das habitaes o hygienista diz: cuspir no cho escarrar na bocca do prximo. Ora cuspir na cara dos outros no ha negar uma grande falta de educao.
No, as cousas so differentes, pois se quasi todo mundo cospe no cho, nos bonds, nos automveis, nas egrejas, nos theatros, nas prprias habitaes, nas escolas! E, entretanto, a explicao bem simples.
O indivduo ao escarrar expelle uma grande quantidade de micrbios que com a saliva excretada ahi se conserva at que dessecada o vento levanta com poeiras esses micror-ganismos, productores da tuberculose, do typho, da pneumonia e tantas outras molstias, micrbios que revoluteando no ar so ao depois absorvidos quando respiramos esse mesmo ar e no nosso organismo podem ao depois propagar as infeces de que elles so a causa primeira.
No phantasieis o meu exemplo, no ha necessidade disso; encontral-o-eis se quizerdes ao d'aqui sahirdes, observando ruas, passeios e principalmente os nossos bonds, onde os que cospem e fumam no so precisamente os conductores e motoristas.
Podereis a isso contrapr-me que essas pequenas cousas no avultam deante outras maiores falhas no saneamento da


ESTADO DO CEARA
ESTATSTICA GERAL DO ENSINO EM 1922
Populao total PopuUo estelar Escolas Estaduaes Escolas Munlclpaes Escolas particulares w M tt
MUNICPIOS 5 I (3 = SE i 1 3 SE Matrlcu Geral o r* 2. v w U. Creani em escol 5 -S B ca
1 23.053 3.515 6 269 169 _ _ 269 169 7 /o 93 o/0
2 33.520 4.404 20 794 601 10 193 155 987 656 16 /o 85 o/
3 27 651 2.493 12 493 321 13 350 210 3 140 100 983 661 39 / 61 %
4 8.137 1.072 5 23 163 1 25 25 _ 278 168 24 o/0 76 o/j
5 9.288 1 334 2 121 67 2 30 30 151 97 11 /o 89 o/
6 8.372 1.053 2 79 48 1 63 46 142 94 13 /o 87 o/0
7 12.453 1.789 2 106 70 12 160 110 266 180 16 /o 85 o/
8 29.900 3.674 4 216 122 3 179 110 6 239 162 624 394 17 /o 83 o/o
g 16.000 2.494 14 584 327 4 214 130 798 457 3*/o 68 /o
10 11.433 1.043 3 77 46 1 13 13 100 69 10 /o 90 o/0
n Brejo doa Santos . 11.797 1 216 2 105 61 1 30 24 8 47 42 182 127 15 % 65 o/
12 8.926 1.296 6 172 100 1 50 48 222 148 17 /o 83 /o
13 1.931 7 811 189 1 60 34 3 80 64 451 2S7 23 o/ 77 o/o
14 Campo Grande . 17.882 2.145 3 176 119 x 1 10 10 186 129 9 % 91 %
15 Campos Salles .... 9.142 1.167 1 60 35 1 45 -30 105 65 6/o 94 o/
16 18.043 3.201 10 418 253 3 258 220 676 473 21 /o 79 o/o
17 26.041 4.434 13 640 410 2 75 55 5 200 155 915 620 21 /o 79 o/0
18 11.000 1.465 3 162 112 2 143 73 _ 805 185 21 % 79 o/o
19 6.553 637 3 101 52 1 30 26 181 78 20 /0 80 /o
20 18.876 3.394 3 185 139 8 215 151 400 290 12 % 88 /
21 34.921 4.806 11 494 327 1 35 22 6 348 248 877 697 20 / 80 o/o
22 FORTALEZA .... 98.235 11.650 143 6.047 3.604 2 109 40 28 3.574 2.6f9 9.720 6.263 83 / 17 %
23 27.926 2.498 8 342 229 -J. 4 71 71 413 300 % 83 o/o
24 Guaramiranga .... 9.000 1.071 7 316 217 1 80 60 2 .23 18 419 295 38 / 62 %
25 11.426 1 610 3 180 108 180 108 11 /o 89 o;0
6 Ic........ 19.209 2.895 5 141 84 _ 141 84 6 /o 9i %
27 32.406 2.099 7 331 197 6 360 189 1 50 25 741 411 31 o/o 69 o/
28 Independncia .... 14.118 698 2 96 49 1 20 18 116 67 11 <7o 89 o/0
29 22.834 8.919 4 237 163 3 35 26 272 189 7 o/ 93 o/0
30 22.433 2.155 2 73 55 1 35 30 108 88 6 /o 95 o/
31 34.409 3 919 16 775 471 1 45 30 820 501 21 % 79 o/j
32 Jaguaribe-Mirim . 9.759 1.366 3 137 75 2 84 70 2.21 145 16 /o 84 o/
83 12.979 1.920 3 181 84 4 208 176 2 90 78 479 338 26 "/o 75 o/o
31 22.077 2.758 3 178 114 178 114 6 /o 94 o/0
35 9.000 871 8 205 121 2 80 20 285 141 27 o/ 73 o/j


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Revista Nacional
meus olhos de clinico no podiam passar despercebidas as falhas que desde a minha estra no professorado fui notando at chegar direco do curso, onde se me impunha procurar, como ao menos me tenho esforado por o conseguir, uma remodelao capaz de dar Escola do Cear um renome egual ao que no paiz tm as que occupam merecido destaque.
Ao encontro dos meus desejos, o Exmo. Dr. Presidente do Estado pediu a S. Paulo um dos seus mestres.de Pedagogia que j o conheceis digno por diversos ttulos do reconhecimento do Cear.
Eu vos confesso que tenho ainda a impresso que a cadeira de Pedagogia na Escola Normal s em 1922 que foi pela primeira vez ensinada de verdade e dos resultados obtidos, para no ir muito longe, posso indiar-vos o que j observastes na Escola Modelo e aqui nas preleces de quatro de vossas collegas, uma tendo deixado os bancos escolares apenas ha 2 mezes, mas o espirito afeito para a sua nobre misso.
Nos grupos escolares ireis encontrar uma pleiade de professoras orientadas pelas lies do mesmo mestre de que sois tambm agora as suas mais novas discpulas.
Apezar do curso rpido e das poucas lies recebidas, voltareis ao desempenho das vossas cadeiras com uma outra orientao e quando aqui novamente chegardes de outra feita, estou que, por bem comprehendida a vossa tarefa, o Sr. Di-rector da Instruco s ter motivos para agradecer o vosso grandioso concurso na cruzada do nosso ensaio.
Dr. Joo Hippolyto de Azevedo e S
Director da Escola Normal de Fortaleza


As letras no Cear
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Agora, organisou-se ali uma Academia de Letras, ou, antes, reorganisou-se uma antiga Academia, que jazia em estado de lethargia, da qual despertou graas aos esforos combinados do Presidente do Estado, dr. Justiniano de Serpa e do dr. Thomaz Pompeu, que preside a ella.
Em geral so vistas com scepticismo justificvel essas corporaes literrias nos meios provincianos e que mais parecem instituies decorativas, prprias para favorecer a vaidade dos literatos locaes. Mas ser mais generoso pensar que ellas prestam bons servios por incentivarem o gosto e coordenarem esforos, affirmando-se como uma iniciativa de coragem intellectual nessas capites onde as nicas occupaes e preoccupaes so a actividade mercantil e as lutas da politicagem.
Poder-se- dizer que si o centro intellectual do paiz tem uma Academia, (natural que os ncleos pensantes provincianos tenham tambm as suas, e no basofia affirmar que nestas se deparam personalidades no caso de figurar com brilho na Academia da metrpole.
E a Academia Cearense offerece garantias de xito, pois tem por emquanto o bafejo fficial que lhe proporciona o Presidente, do Estado, membro delia e espirito privilegiado em que ainda no se apagaram os generosos enthusiasmos da mocidade.
O Cear, finalmente, no e nunca foi um lo obscuro na cadeia do espirito nacional: pobre e suppliciado pelas suas peridicas calamidades climatericas, nunca desapparece ali o amor das letras, nunca se abandona o culto das idas, e no balano da mentalidade brasileira, minha terra se apresenta com valores que se contam entre" os mais preciosos, os mais honrosos para a reputao intellectual de nosso paiz.
Antnio Salles
mm