Duas palavras;

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Material Information

Title:
Duas palavras; exerptos da vida do pe. Cicero
Physical Description:
19 p. : illus. ;
Language:
Portuguese
Creator:
Batista, Cícero Romão, 1844-1934
Machado, José Teófilo, 1921-2001
Publisher:
Tip. S. Francisco
Place of Publication:
Juazeiro do Norte, Brasil
Publication Date:

Subjects

Genre:
non-fiction   ( marcgt )

Notes

General Note:
Letter and will of Padre Cicero, with a short biography by J. Machado.
Statement of Responsibility:
por J. Machado.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 13530384
Classification:
lcc - F2651.J83 B22 1948
System ID:
AA00000235:00001

Full Text


TIPOGRAFIA S. FRANCISCO
DE-
Jos Bernardo da Silva
Convida a todos os ambulantes que queiram fazer um timo sortimento d Romances, Folhetos, Oraes de diversas qualidades, Livros Escolares, Didticos Ginasiais; Cadernos, Lpis, Papel para enfeites, Papel de Seda etc, fazendo um vantajoso abatimento aos revendedores.
ATENDE-SE REEMBOLSO POSTAL
Rua Santa Luzia, 263/269 Juazeiro do Norte Cear
Endereo Telegrafico do Advogado
Dr. Dinis
JUAZEIRO DO NORTE CEAR


ERRATA
Na pgina 23 onde estra propaganda do Caii-tio,M,?hado, no principio da terceira linha, est escrito: Registro de moveis, porem a palavra exata : Registro de imveis.


Dr. Floro Bartolomeu da Costa conversando com o coronel Joo Bri-gido, na Redao do Unitrio logo depois da vitoria da revoluo anti-ra-belista.
Grupo de alunos do Ginsio Salsiano
desta cidade, em procisso.


AO LEITOR
Damos a este trabalho o nome de DUAS PALAVKAS para sigaifioar que n^le tratamos de obra da p?queno vulto, embora de relativa importncia, r, qu, no carter de licito da memria do RVDMO. PADRE OlOEttO RO MO BATISTA, uos sentimjs movido pelo imperioso dever de:
a) Publicarmos a carta do mesmo, escita de Roma, a qual. evi-
dencia que est errado o assentamento do batismo do Padre Ccero, uma Vrz que esfe no nasceu a 23 de M?.ro, como consta, publicado com manifesta mi f, no intuito de produzir confuso era relao mencionada data nataiieia, ocorrida a 24 de Marco de 1841, como se verifica pela carta adiante transcrita:
b) Responlermos malcia cora que o sr. Edmar Morei publicou
em livro de sua autoria relativo ao Jouzeiro, dois telegramas assinados pelo Padre Cicero, a 5 de Outubro de 19J0: um respondendo ao ento iJovernador Mitos Peixoto pondo A sua desposio at homens armados, pira defeza de seu governo, contra os revoltosos que se levantavam em torJo o Brasil somo ocioso dizermos; outro respondendo a chefes revoltosos e dizendo que seus amigos no pegariam em armas contra estes; o que dlugara htver pessis que, lendo os ditos telegramas, classifiquem o Padre Cicero como homem politiqueiro, vulgar e sem moral poltica, embora este critrio seja falso, uma vez que sabemos que naquele tempo n pad>e estava quasi completamente cego de cataratas, das quais foi operado plo Doutor Izac Salazar, cerca de um ms, antes do seu passamento final.
Naquele tempo, o representante da poltica do Padre Ccero era o Doutor Juvencio Joaquim de Santana que se achava em fortaleza, de sorte que os aludidos telegramas foram aqui redigidos (um pjla ra?nh e outro tarde) por secretrios do velho padre, os quais, abusando da confiana que tinham perante le, leram como bem entenderam, para que os assinasse, muito mal como se verifica pelo fac-simile dos mesmos, no supra dit livro. Esta 6 a verdade que pe a salvo o nome do homem de maior valor moral em seu tempo, no Rrasil e que, alm de sofrer da vista, estava para completar 90 anos de idade e j vivia muito doente, c)-Ao contrario do que propalavam, em 19:54, quando faleceu o Padre Cicero, dizendo que esta cidade ia se reduzir a runas e o melo de S. Cietino, cibrir todas as casas, o joazeiro continua, cada vez mais em progresso, a ponto de ter atualmente cerca de 50 mil hibitantes, ruas em constantes remodelaes alinhadas e melhoradas, possuindo ti ruas com 2o7 quarteres e l praas destacando-se Almirante Alexandrino de Alencar-


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Quanto ao ensino, ja batnte adiantado, colocando-se em primeiro lugar a Escola Tcnica de Comercio, Ginsio Salesiano, Escola Tcnica Salesiana, Escola Normal Rural, Instituto Santa Terezinha, Grupo Escolar, diversas escolas isoladas de alfabe-zao e a biblioteca municipal, istinguem-se tambm entro os importantes melhoramentos desta cidadeassociaes de classes. Posto de Higiene, hospital em construo, Campo de Aviao com Escola de Aviao Civil em organisao, Bancos e Casa Bancarias, no esquecendo de salientar que existem nesta cidad os dois maiores cinemas do Cariri, o grande Clube do-Doze; Tr^ze Esporte Clube, um campo de futebol e uma anipli-cadora com i(j auto falantes. Suas principais industrias constam de sapatarias, ourivesarias, fabricas de sinos, relgios, anzis, facas, agulhas, espoletas, artefatos de couros e de palhas, de que vive grande parte do seu operariado laborioso e parto de mais de 3 mil ambulantes que vendem das grandes cas.-is comerciais desta cidaae, as quais compram diretamente do Rio de Janeiro e So Paulo e mesmo do estrangeiro. Eis, portanto, DUAS PALAVRAS, como una trabalho de grande utilidade no momento conforme se pode verificar pelos traos biogrficos, caita, testamento e anncios que adiante se veem.
Espero por isso a melhor boa vontade do leitor, antecipando o meu agradecimento pelo acolhimento que der a este livro.
Joazeiro, 1948
O autor


De 1844 a 1870. Em 24 de Maro de 1844 nasceu o PADRE CICERO ROMO BATISTA, filho legitimo de Joaquim Romo Batista e de Donajoaquina Vicencia Romana, alvo de olhos azuis, bem parecido e de famlia catlica.
Em 1863, estando a cursar no colgio do Padre Rolim, em Ca-jazeiras, Estado da Paraiba, esteve para abandonar sua carreira em que pretendia ser sacerdote, em virtude do colera-morbus, de que foi vilima o seu pai.
Ficou viuva sua me com duas filhas de nomes Maria e Anglica. Ele, como nico homem de casa, assumiu a direo da mesma, liquidou alguns dbitos deixados por seu pai que era pequeno comerciante e agricultor.
De 1865 a 1870 pascu a efludar no Seminrio de Fortaleza, onde sempre revelou tima vocao, a ponto que seu bispo Dom Loiz dos Santos o chamava "anjo do Ctar". Dele dizia um seu colega e at pcuco tempo vigaiio de Tapen, Paraiba, que, cm certo passeio com o corpo docente e dicenle daquele seminrio, no tendo onde colocar seu chapu, porque cs outros tinham ocupado todos os locais prprios, na rasa de hospedagem, num sitio, co-Fcou-o numa parede onde nada o segurava, a no ser algum poder oculto, o que deu lugar a comentrios entre seus colegas que o apertando com perguntas, tinham como resposta aptnas sorrisos discretos. Apesar de algumas dificuldades, ordenou-se em 1870.
De 1870 a 18S9--Em 1872 o Padre Cicero foi nomeado capelo da enlo Capelania do Joazeiro, constante de pequena populao, algumas casas de tijolos e telhas, e poucas outras de taipa e palhas. Sua capelinha era de taipa e telhas sob o orago de Nossa


Senhora das Dores e edificada pelo Padre Pedro Ribeito de Carvalho. O Padre Cicero que durante alguns anos tambm foi vigrio de S. Pedro do Cariri, exercia seu sarcedocio sem cobrar pagamento pelos tes religosos que praticava, recebendo apenas o que cada paroquiam) achava conveniente para sua manuteno de ^sacerdote pobre.
s vezes, castigava, certos paroquiano?, com palmatria, porqi e linha sobre os mesmos absoluta acendencia moral, devido sua vida exemplar de homem honesto, sincero e humilde, fazendo misses religiosas e ensinando o catecismo.
Dizem que ele tinha o dom de bik ca f.o,corno Santo Antnio, So Francisco Xavier, San'.o Afonso e outros santts, aponto de se tiansponar cm espirilos, n logures distantes, em quanto adormecia, como, lhe acontecia, em cerlos momentos mesmo quando viajava a cavalo: tal dom lhe serviu durante toda sua vida.
Dominado de grande espirito acetico, maneira do Padre Ibiapina, organizou um nuclo de moas a que deu instru1 religiosa paiticular e o manto de beatas.
Uma delas, mestia quase preta e filha desta cidade, em Maro de 1889 revelou fenmenos extraordinrios, pois que era obrigada a expor num recipiente, por ocasio da Comunho, as hstias por ela recebidas, uma vez que no podia degluti-las, porque as mesmas passavam a formar poslas de carne e sangue.
De 18S9 a 1908. Tais acontecimentos que ocorreram no ano em que se ia proclamar o regimem republicano no Brasil, tiveram imenso efeito, dando lugar a afluirem para este local indivduos de todas as classes sociais, particularmente dos sertes nordestinos. Foi o comeo da formao desta cidade, onde ao lado dos grupos de penitentes da irmandade da Cruz, surgiam os comerciantes, artistas e operrios, todos trabalhando, pois a ordem do Padre Cicero como verdadeiro apstolo do bem consistia em mandar que trabalhassem e rezassem, todos os dias, o ro-zario. No afastava de sua presena nem os maiores criminosos, pois dizia que sua obra era de salvao e Jesus Cristo no veio ao mundo para salvar os santos e sim os pecadores.
Surgiu, porem a questo religiosa devida aos prodgios de sangue ocorride s com Maria de Arsujo, os quais, afinal, foram condenados, pela autoridade eclesistica de Rema onde esteve o Padre Cicero, pira se justificar perante o Papa Leo XIII, o


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qual mandou que o mesmo regressasse e se conservasse calado sobre tais casos, mas no o excomungou, como houve quem maldozBmente propalasse e mesmo bispos que o privaram de celebrar missas nesta cidade de onde jamais quiz se afastar, por mais que lhe oferecessem, como ofereceram, vantajosas colocaes fora daqui, pois amava seu povo, como prova a carta escrita de Roma a sua querida me. Os romeiros, desde ento, at hoje, jamais deixaram de afluir a esla cidade em visitas a Nossa Senhora das Dores e traziam quase sempre dinheiro para ele e para la. O Padre Cicero, no comeo ?e recusava a receber importncias, pois queria continuar em sua vida de pobreza, como dantes, mas certas beatas que o cercavam, particularmente uma de nrme Joana Tertolina de Jesus (Dona Mocinha) que passou a ser a governante de sua casa, conseguiram convence-lo de que devia receber os dinheirrs que lhe traziam e empregi-los em uma obra pia, como prova, temos nesta cidade, principalmente a Ordem Saleiana sem falar em oulras organizaes semelhantes ou de menores vultos.
Afinal de pequena aldeia o Joazeiro passou a grande centro humano contando cerca de 20 mil habitantes, em 1908, q uando, conseguiu separar-se do Municpio de Crato, constituindo o Municpio de Joazeiro do Padre Cicero.
De 1908 a 1934 -- Pouco depois da creao deste Municpio chegou aqui o medico Baiano Doutor Floro Bartolomeu da Cosia, o qual conseguiu do Padre em cuja casa se hospedou, ao chegar nesta cidade, em companhia do engenheiro Conde Adolfo van den Brule, tal simpatia, que logo passou a ser o dirigente da poltica local, embora o padre, nominalmente, continuasse a ser o prefeito do municpio e tivesse todo prestigio e responsabilidade perante a poltica do Governo Acili. Devido a casos que no cabem aqui, no Governo Marechal Hermes Pinheiro Machado, foi deposto o Givcrno Acioli c passou a governar o Ce^r o Cel. Marcos Franco Rabelo, o qual, terminou, sendo deposto por elementos do partido aciolista, entregando o Governo deste Estado ao ento Corr nel Setembrino de Carvalho, que o assumiu cm Maro de 1914, no carter de Interventor Ft-deial. Os referidos elementos aciolistas tiveram como sede da reve'uo anti-rabelista, Joazeiro, tendo como principais chefes sob a influencia e prestigio do patiiarca, o Dr. Floro, o Cel. Pedro Silvino, o Dr, Jos de Borba, e em Fertaleza o Cel. Joo Brigido, redator do


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Unitario, alem de outros no Rio de Janeiro e ainda neste Estado.
Depois da revoluo, passou o Padre Cicero a gozar de maior prestigio poltico, sendo visitado por muitos polticos e alguns governadores do Estado.
Servindo-se de sua posio de representante do povo, o Deputado Federal Dr. Floro atendendo ao perigo a que estava exposto o vale do Cariri, ante as colunas de revoltozos de Carlos Prestes a se moverem em direo ao Nordeste, conseguiu que o Governo Artur Bernardes, sem demora, organizasse nesta cidade um Batalho Patritico, formado de 1200 homens, rs quaes se deslocavam auxiliando as foras federais, isto em 1926, quando faleceu o referido Dr. Floro, no Rio de Janeiio.
Em 1930, por ocasio da revoluo que terminou erpossando o Dr. Getulio Vargas na Presidncia da Republica, quando o Padre Cicero, quase cego de cataratas em ambas as vistas, recebeu, de manh um telegrama do Governador deste Estado Matos Peixoto, perguntando qual era sua atitude em face das vitorias dos revoltosos, ao que ele, ma) assinando telegrama feito por alguns de seus secretrios, respondeu dizendo que o governo contasse at mesmo com o concurso de homens armados, nesta cidade, em defeza di legalidade. Na tarde do mesmo dia, recebeu ele um telegrama de chefes revoltosos, perguntando quel sua atitude em relao aos ditos revoltosos, ao que ele respondeu, guiado pelos mencionados secretario?, assinando sem ler, um telegrama no qual dizia que nenhum de seus amigos .pegaria em armas contra revoltosos.
Em 1931, a 9 de Maro, chega a esta cidade a chamado do Revdmo Padre Cicero Romo Batista o Doutor Juvencio Joaquim de Santaua, que se achava residindo em Fortaleza, pra derigir no somente a sua poltica como tambem os seus nego-gocios particulares.


(COPIA)
Roma, 24 de Maro de 1889
Minha me e Anglica
Deus bs abenoe e fortifique em sua graa.
Hoje que .fao anos, 54, vspera da Anunciao da Me de Deus, ela me alcanou a graa de ver o Papa, o representante de Jesus Cristo, na Terra: fui admitido a assistir o consistorio, na sala regia, onde o Santo Padre creou quatro cardeais e muitos bispados novos foram creado--. Assistia um nu mero imenso de gente, vendo-se estrangeiros de toda parte. Pareceu-ma que na sala onde eu estava s tinha brasileiro, eu e Joo Davicl. E realmente um to to admirvel.nente magestoso, que por a no se pode fazer uma idia. Causou-me a maior impresso e eu admirava-me estar ali. Mesmo emquin) Fndos estavam cheios de satisfao, a minha ahm estiva triste, me lembrando de minha me cheia de dores e chorando, de Anglica, das meninas, de todos da at de Antonh, pensando como eslariam Conceio e Rosa, c tinta recordao que meu espirito s estada satisfeito l mesmo com os me is. J tenho visitado a maior parte dos santurios mais celebres daqui, mas nenhum h que me tocasse tanto na alma, como a escada santa, a mesma por onde Jesus Cristo subiu para o Pa'a:io de Pilatos, em Dolorosa Paixo, caindo gotas de seu sangue, nos degraus que ainda hoje se conservam e se adoram. Esta escada foi trazida de Jerusalm para Roma, tem vinte e oito degraus de pedra mrmore e est colocada em um santurio mandado erigir pelo Papa Sixto V, perto da granda baslica de Sa Joo de Latro: os degraus da escada esto cobertos com outros de madeira e em quatro partes dos degraus, onde se conservam ainda algumas parcelas do precioso sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, esta coberta por uma camada de vidro. Sode se de joelhos at em cima, onde existe outro santurio cheio de preciosas relquias: sobe-se rezando, e eu, impressionado, como se estivesse vendo Nosso Senhor subindo e o acompanhando a Santssima Virgem, cheia da maior magua, a pedi muito a Ele e a Ela (que tanto quizeram sofrer por amor de ns) pr^r minha me, por Anglica, por cada um dos maus e por todos da. No fim, um frade, dos que so encarregados dezelar este lugar to santo, me deu este pe-


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queno registro, mando como lembrana da visita, que tambm lhes mando. Rezem muito Nossa Senhora das Dores que seja encarregada de todo o meu negocio, e para que ela, como Me Poderosa, me faa vo!tar em paz para o meio dos meus. At agora uo recebi a menor noticia da. Rezem muito Santssima Virgem. Ela mesma abenoe a miiha me, a Anglica, a Joana, a Jeronima, a M iri i Cndida, a Dina, a Izabe1, a Ana, a Te-reza, a Antonia, a Fiastora, famlia Assuno e a tod( s da, como a todos me recomendo. E minha me abenoe seu filho que muito a estima.
PADRE CCERO ROMO BATISTA
TESTAMENTO
DO-
Revdmo. Pe. Cicero Romo Batista
(Copia)
EM NOME DE DEUS. AMEN. Eu Padre Cicero Romo Batista, achando-me adoentado, mas sem grvidale, e cm meu perfeito juizr, e na incertesa do dia da minha morte, tomei a resoluo de fazer o meu testamentu e as minhas ultimas disposies, para o fim de dispor dos meus bens, segundo me permitem as leis de meus pais.
E como, devido ao meu atual incomodo, no posso levar muito tempo apurado em escrever este longo documento, nem quero fazer um testamento publico, mas, sim um teslrmento cerrado, de acordo com o artigo 163S e seus pargrafos do Cdigo Civil Brasileiro, pedi ao meu amigo Luiz Teofilo Machado, 2." Tabelio de notas deta comarca que por mim escrevesse este meu testimento, em minha presena, e p< r mina ditado, leser-vmJ)-me para assinal-o com o meu prprio punho.


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Declaro que sou filho legitimo dos falecidos Joaquim Ro-rno Batista e Dona Joaquina Vicencia Romana e nasci na cidade do Crato, neste estado do Cear, no dia vinte e quatro de Maro de mil oitocentos quarenta e quatro (1844).
Como profisso, adotei o Ministrio Sacerdotal, de acordo com as Ordens que me foram conferidas pelo ento Bispo do Cear Do Luiz Antnio dos Santos, de saudosa memria, exer-cendo-e confnme a minba vocao, cem amor, dedicao e boa vontade e desejando assim continuar enquanto o Bom Deus, pela sua Divina Misria rdia me conceder foras e conciencia dos meus atos. Dec aro que desde a minha Ordenao, mesmo durante o pouco tempo que fui Vigrio da Paroquia de So Pedro do Crato, nunca perobi im real siquer pelos atos religiosos que tenho praticado como Sacerdote Catlico. Declaro ainda que todos os dinheiros que me foram e continuam a ser dados, como ofertas a mim unicamente os tenho distribudos em ntos de caridade que esto no conhecimento de tedos bem como em grandes e vantajosas obras de agricultura, cujo resultado tenho aplicado em bens, que ora deixo, m maior parte para a Benemrita e Santa Congregao dos Salesiaaos, afim de que ela funde aqui, no Joazeiro os seus Colegi s de Educao para crianas de ambos os sexos. Desde mudo cedo, quando comecei a ser auxiliado com esmolas, pelos Romeiros de Nossa Senhora das Dores que aqui chegavim, a par do auxilio eficaz por mim feito para o desenvolvimento desta terra, resolvi aplicar parte das mesmas esmolas recebidas, em propriedades, visando assim fazer um patrimnio para ajudar uma Instituio Pia e de Caridade que pudesse aqui continuar a sua Obra Bemfazeja.
E porque dentre todas as existentes, nenhuma se me afigura mais benemrita e de ao mais eficaz e de caridade mais acentuada do que as dos. bons e santos discpulos de Dom Bosco, os Benemritos Salesianos a elesdeixarti quase tudo que possuo, conforme adiante declaro.
E rogo a esses bons e verdadeiros servos de Deus, os Padres Salesianos que me faam esta Grande Caridade, instituindo nesta terra uma obra completa.
Estou certo, no s porque conheo a idole deste povo aqui domiciliado, assim coma das populaes sertanejas que aqui freqentam e que p;>r meio dos bons conselhos tenho educado na pratica do Bsm e de Amar a Deus e mais ainda porque o


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pedido que fao estou certo, repito, que todos os romeiros aqui, domiciliados ou de ponto9 distantes, como prova de estima e amisHde a mim em e louvor a honra a Virgem Me de Deus, a continuaro a freqentar este meu amado Joazeiro com a mesma assiduidade, e auxiliaro aos Benemritos Podres Salesianos, como se fossem a mim prprio, para manuteno aqui da su O-bra de caridade Custa, isto dos seus Colega s, nesta terra para todo o sempre, ser a maior tranqilidade para a minha alma na outra vida.
Declaro, outro sim, que os dinheiros que tenho recebido para celebrar missas conforme a inteno des pessoas que m'os tem dado os tenho distribudo cem o maior critrio, por intermdio dos Padres e Vigrios desta e de outras Dioceses e de algumas Instituies Religiosas do Pas e do Estrangeiro. Devo acrecentar que os dinheiros que me tem sido entregues para eu aplicar como entendesse e quizesse na inteno, louvor e honra de Nossa Senhora das Dores, sem nenhuma outra condio, do mesmo modo, os tenho aplicado com muita conciencia em atos de caridade, em auxlios as Obrus e instituies Pias em bens que ora deixo conforme vai adiante declarado para Nossa Senhora das Dores Padroeira desta Matriz e para Sanla Congregao dos Salesianos.
Particulariso, desta maneia a aplicao; minha vontade das importancifs em dinheiro, recebidas para distribmr na inteno de Nossa Senhcra das Dons, nunca me apoderei delas, ao contrario, ordenei sempre que fossem recolhidas aos respectivos Cofres da Igreja hoje Matriz, os quais estiveram sempre sob a guarda dos Vigrios da Paroquia.
Devo ainda declarar por ser para mim uma grande honra e um dos muitos efeitos da Graa Divina, sobre mim que, em virtude de um voto por mim feito, aos doze anos de idade, pela leitura nesse tempo Que eu fiz da vida imaculada de So Francisco de Sjle, conservei a minha virgindade e minha cas-tidade at hoje.
Afirmo que nunca fiz mal a ningum nem a ningum votei odio nem rancor e que sempre perdoei, por amor de Deus e da Santssima Virgem a todos que me fizeram mal conciente ou inconcientemente.
Preciso ainda elucidar um assunto ao qual meu nome por circunstancias especiais se acha ligado, poiem no qual minha


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ao, alis pacifica, conciliadora e sempre do lado do bem tem sido injustamente deturpada pelos que se deixaram dominar pelas paixes do momento ou no souberam interpreta-b. Nunca desejei ser poltico: mas em 1911 quanda elevado o Joazeiro, ento pov.ado categoria de vila, para atender aos insistentes pedidos do ento Presidente do Estado o meu saudoso f*migo Comeudador Antnio Pinto Nogueira Acioli e ao me^mo tempo evitar que outro cidado, por no saber ou no poder manter o equilbrio de ordem at esse teimo por mim mantido comprometesse a b o a marcha desta terra, vi-me forado a colaborar na poltica.
Apesar das bruscas mutilaes da politio cearense sempre procurei conserva-me em atitude discreta, 6em apaixonamentos evitando sempre as incompatibilidades que podessem determinar choques de efeitos desastrosos. Para isso conseguir muitas vezes tive de me expor ao conceito de homens sem idias bem definidas. Aps a queda do governo Acioli por motivo de ordem moral, retra-me da p ditica, mantendo entretanto, relaes de cordialidade com o G >verno Franco Rabelo sendo at eleito 3. Vice-Presidente do Estado. E o meu amor ordem foi to manifesto que a despeito da m vontade do partido dominante para c amigo, no hesitei em atender o pedido da populao detti terra e autorisar que o meu nome fosse apresentado para voltar ao cargo de Prefeito deste m inicipio naquele mesmo Governo que me era sobre maneira hostil. Q.iando em Novembro de 1913 o meu amig > Dr. Floro Bartolomeu da Costa, atual deputado Federal por este estado, o diretor poltico desta terra, de volta do Rio de Janeiro me imformou que os chefes do partido dacaido haviam resolvido reunir a Assembla Estadual aqui, por ser impossvel a reunio em Fortaleza, em virtude da presso exercida pelo partido governante e dar-lhe a direo do movimento relacionado, com a maior lealdade ponde;ei em carta reservada ao Coronel Franco Rabelo sobre a vantagem da sua renuncia. E assim procedi, porque sem de nada mais grave propriamente saber (a no ser da reunio da Assembla) percebi pelos precedentes de violncia, do governo a possibilidade da uma lula.
No sendo porem atendido pelo ento presidente Coronel Franco Rabelo, e no podendo este evitar que sombra do seu nome fossem cometidos atos de desatinos, entre os quais brbaros assassinatos e espancamentos, considerei finda a minha rdua


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larefa afastando me do campo de .ao poltica, deixando ao mesmo tempo que o Dr. Floro agisse segundo as ordens recebidas, j que no me era possvel poupar esta populao laboriosa da triste condio de vitima indefesa.
E no perodo mais agudo na luta, cujo curso de gravidade foi para mim um? surpresa, podem garantir os que atestemu-nharam aqui, que a minha atitude era lastimar as desastrosas conseqncias dos erros polticos, jamais deixei de ser no sentido de evitar vio!en:ias. De maneira que p isso afirmar, sem nenhum peso de conciencia, que no fiz revoluo, nela no tomei parte, nem para ela concorri, nem tive e nem tenho a menor parcela de responsabilidade direta ou indiretamente dos fatos ocorridos. Eleito no binio do Governo Benjamim Barroso, primeiro Vice presidente do Estado, apesar deste rompido politicamente com o Dr. Floro Bartolomeu, sempre com ele mantive a maior cordialidade. No tenho culpa que por um despeito mal entendido e de ordem poltica, houvesse e ainda exista quem me queira tomar por ela responsvel
Estou certo de que quando se fizer, sem paixo a verdadeira luz, sobre estes fatos, meu nnme realara limpo como sempre foi. Fao estas declaraes neste momento, para que os que me sobreviverem fiquem cientes (porque perante Deus tenho a minha conciencia tranqila) que neste mundo, durante toda a minha vida, quer como homem, quer como sacerdote, nunca, graas a Deus, cometi um alo de deshonestidade seja sobre que ponto de vista se possa ou queira encarar, nem nunca cometi, nem alimentei embuste de espcie alguma. Aproveito o ensejo para pedir a todos os moradores desta terra, o Joazeiro, muito especialmente aos romeiros que depois da minha morte no se retirem daqui nem o abandonem: que continuem domiciliados aqui no Joazeiro, ven-nerando e amanda sempre a Santssima Virgem Me de Deus, nico remdio de todas as nossas aflies, auxiliando a manuteno do seu culto e de todas as instituies religiosas que aqui se fundem, com especial meno a dos Benemritos Padres Salesianos que sero os meus continuadores nas obras de Caridade que aqui in'ciei.
Insistindo, peo, como sempre aconselhei que sejam bons e honestos trabalhadores e c entes, amigos uns dos outros, obi-dientes e respeitadores s leis e s autoridades civis a da Santa Igreja Catlica Apostlica Romana, no seio da qual to somente


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poder haver felicidade e salvao. Torno extensivo este meu pedido tambm a todos os meus amigos, pessoas de outros estados e Dioceses, romeiros tambm da Santssima Virgem, Me de Deus, isto a que continuem a visitar o Joazeiro, em romaria Santssima Virgem, como sempre o fizeram auxiliando a manuteno do seu culto c das Instituies Religiosas que aqui forem criadas e com especial menso, repilo, a dos Benemritos Padres Sa'esianos, que sero aqui no Joazeiro os meus continuadores na Obra de Caridade que empreenda e que sempre sejam bons e honestos, trabalhadores e crentes, amigos uns dos outros e obidientes e respeitadores s leis e s autoridades civis e da Santa Igreja Catlica Apostlica Romana, no seio da qual to somente poderemos encontrar felicidade e salvao.
Estes conselhos, que sempre os dei em minha vida, no me canso de repiii-los aqui, para que dept is de minha nw rte bem gravados fiquem na lembrana deste povo, cuja felicidade e salvao sempre ferm objetos da minha maior preocupao.
No tenha acendentes vivos nem tampouco decendentes, e assim julgo poder di-por dos meus bens, que livres e desembaraados se acham, de acordo com as leis do meu pas c do modo porque desejo e como se segue e o fao na plenitude das minhas faculdades e da mais livre e espoDtanea vontade:
PRIMEIRA:- DEIXO para a Ordem dos Padres Salesianos todas as terras que possuo nos sitios Logradouro, Salgadinho, Mochila, Caras, Pau Ceco, que pertenceu ao velho Antnio Fe-lix neste municpio, o s!tio Conceio, na serra do Araripe, municpio do Crato, onde reside o empregado Casemiro; os terrenos que possuo na serra do Araripe e mais o sitio Brejinho ao sop da mesma serra do Araripe, nn municpio do mesmo nome; os prdios e a capela em construo na serra do Horto, e todas as suas bemfeitoiias; o prdio onde funciona o Aougue Publico, desta cidade, sito Avenida Dr. Floro, antiga Rua Nova; os prdios contguos residncia da religiosa Joana Tertulina de Jesus, conhecida pr>r Beata Mocinha, onde lambem reside atualmente, sito rua So Jos; o sitio Faistino, sito no municpio do Crato: o sitio paul, tambm no municpio de Ciato, porem dfpois do falecimento da antiga proprietria Dona Ermelinda Correia de Macedo, que ainda nele reside, salvo si antes da sua morte de acordo com os Padres Salesianos ficar morando em outro logar; o sitio Baixa Dantas; no muricipio do Crato: as


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fazendas Letras, Caldeiro e Monte-Alto, no municpio de Ca-brob, do Estado de Pernambucr, com todas as bemfeitorias; e gados nelas existentes; o quarteiro de prdios sito rua So Pedro os quais omprei a a D Floro Bartolomeu da Custa, nesta cidade, inclusive o prdio em construo na mesma rua, contgua casa da morada e de negocio di meu amigo amiu Pereira da Silva; a fazenda Juiz, s to uo municpio de Aurora, que comprei aos frades da C inveuto de So Bento de Quixad, o prdio onde funciona o Orfanato Jesus Miria Jos, silo rua So Jos; o terreno contguo a este me mo prdio; o pred o em construo junto a casa da Beata M >c:nha, onde reside, a mesma rua So Jo.i; o sitio Fe nanies, n> mancipio de Crato; o sitio Peri-Peri no sop da sem de So Pedro do municpio do mesmo nome, porem depois da morte de s ia ento p oprietaria Dona Maria Souto, salvo se esta de acordo com os Padres Salesianos quizer morar eu outro hgir; os stios San'a Rosa e Taboca municpio de Crato; o siio Rangel, sito no municpio,' de SanfAna que comprei a Dona Joana de Arajo e toJas as propriedades com todas a> suas bemfeitorias igualmente a estas por mim citadas que possuo ou venha possuir e que no constam deste testamento, bem como todos os gidos que possuo por toda a parte e que no pertenam a outras pessoas ou herdeiros estabelecidos nas clusulas deste testamento que ora fao, repito, deixo para os Benemritos Pad es Salesianos. Suplico aos mesmos padres que terminem a construo da Capela do Horto.
Devo dizer para ewtar conceitos inveiidicos, e suspeitos em torno de meu nome comecei a construi-la para cumprir em voto que eu e os meus falecidas colegas e amigos os Padres Manoel Felix de Moura, Francisco Rodrigues Monteiro e Antnio Fernandes Tavora, ent > vigarh da Crato, fizemos. Esse voto fizemos quando apavorados com os resultados da seca de 1889 receiamos alis, com razo justificada que o ano de 1890 fosse tambm seco; com o povo desta terra ao Sintissima Corao de Jesus. E como essa obra no pule terminar muito a contragosto, verdade to somente para no desobedecer as ordens proibitorias do do meu deocesano o ento Rispo do Cear, Dom Joaquim Jos Vieira, peo aos Benemeiitos Padres Salesianos que concluam esse templo de acordo com a planta que trouxe de Rolna e a mini dura e n folha de flandre que deixo depositada em logar seguro. Deixo mais para os Padres Salesianos a Imagem em vulto


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grande do Senhor Morto que me veio de Lisboa.
SEGUNDA: DEIXO- para a Santssima Virgem das Dores desta matriz de Joazeiro, os seguintes bens: O sitio Porteiras onde mora o meu encarregado Jos Incio Cordeiro; o s< biado onde Manoel Sabinr tem a loja de Santos, a rua Padre Cicero; o prdio onde funciona a Cadeia Publica de ta cidade, sito Avenida Dr. Floro bem como os demais que te seguem contigua-mente a mesma rua e na rua Padre Ccero: o piedio onde mora D na Rosa Esmeraldo, bem comojos prdios conlinguos que foi o Oratrio do Senhor Morto e o q ,e reside a Beata Soledade e mais ainda o terreno morad a este continguo; o prdio onde morou a Beata I.abel Luz: onde funcionaram as redaes do O REBATE e da Declaro mais que esses bens que deixo Para N< ssa Senhora das Deres Padroeira desta Matriz, no podero ser vendidos ou alienados sob que protexto for. E no caso c"e cauem quer que seja encariegado da direo do Patrimnio de Nissa Senhera das Dores entender de vende-los ou aliena-los, passaio todos esses bens h pertencer Cnngregao dos Salesianos.
TERCEIRA:-DElXO para Maria de Jesus (Vulgj B.b), para Tereza Maria de Jesus (vulgo Terezmha o Padre), para a Beata Jeronima Bezerra (vulg) Geluca) e para Maria Eudocia da Assuno) o prdio onde residiu e faleceu minha saudosa irm Anglica Vicencia Rimana, sito rua Padre Cicero para nele residirem, sendo que por morte da ultima s< brevivente passar o dito predin a peitencer Congregao dos Salesi&nos.
En'r tanto podero estas minhas herdeiras durante a vida pas-ar o referido prdio aos Padres Salesianos, caso entenderem e


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queiram ou entrem em acordo em trocar cornos mesmos Padres, este mesmo predia por outro onde possam morar, contanto que por morte da ultima sobrevivente fique o mesmo prdio trocado para os Padres Salesianos.
QUARTA:-DEIXO para Nossa Senhora do Perpetuo Socorro daqui do Joazeiro, cuja capela est construda no cemitrio desta cidade, os seguintes nen;; o sitio Portebas que pertenceu ao velho Raimundo Pinto, sito neste municpio, a estrada do Crato e uma importncia em dinheiro conforme vai declarado mais adiante.
Devo declarar que esta Capela de Nossa Senhora do Perpetuo Socorr >, que por proibio do meu superior ainda no rr.e foi bnita para ser entiegue ao culta dos fieis, fiz construir, no Cemitrio Publico desta cidade, para cumprir um voto feito pela virtuosa e falecida Herminia Marques de Gouveia, quando eu estive a morte de uma molstia muito grave. Nesta Capela fiz sepultar o seu corpo como ultima recompensa do seu grande esforo, e bem as^im os corpos das boas servas de Deus Maria Joaquina. Maria de Arajo, minha boa me Joaquina Vicencia Romana e mioha querida i'm Anglica Vicencia Romana.
E desejo e peo que no sejam dali retirados os seus restos mor'ais e suplico mais que nesta mesmi capela seji sepultado para sempre o meu corpo.
QUINTA:- DEIXO para o meu amiga e compadre Conde Adolfo Van Den Brule e seus legtimos herdeiros, o sitio Veados deste municpio.
STIMA:- DEIXO para a capelinha de Nossa Senhora do Rosrio, no antigo cemiteiio desta cidade, sito Avenida Dr. Floro, antiga rua Sova, o sitio So Jos, que peitenceu a Gon-alo e sua mulher Dona Ana Rodrigues.
OITAVA:- DEIXO para as duas filhas do meu primo Francisco Belmiro Maia a casa onde reside nesta cidade, rua Padre Cicero, e o sitio Cerit, neste municpio, os qi ais bens, por moitc da ultima passaro a pertencer a Congregao dos Salesianos, salvo se durante a vida quizerem entrar em acordo com os Padres Saleianos, p^ra C"m eles trocarem por outros bens com as mesmas con lies de por marte de ambas passarem os bens trocados ao< Padres Salesianos.
NONA: deixo para o meu a nig > Jos Incio Cordeiro, pelos bons. servios que me tem predad i o sitio Arraial do municpio


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de Misso Velha.
DCIMA; Deixo para casa de Caridade do Crato o sob-a-do onde residiu Jos Joaquim Teles Marrocos, sito rua Grande na cidade do Crato e a pequena casa encravada nos fundos do mesmo sobrado rua da Larangeira, na mesma cidade.
DCIMA PRIMEIRA: Deixo a minha propriedade Fazenda Coxa encravada nos municpios de Aurora e Milagres e compreendendo na mesma rea os stios Coxa propriamente dito, C nte-das, Escondido, Taveira e Bandeira com todas as bemfeitorias e com todos os meus direitos nas minas de cobre que d tas terras possam conter bem como o sitio Lameiro no municpio de MWso Velha, para que sejam vendios e cm a importncia adquerida pela venda dessas mesmas propriedades, sejam paga< as dividas que eu possa deixar quando morrer, as despesas do meu enter-ramenlo e o* sufngs de min^a alma. E o que sobrar dessa mesma importncia seja entregue a Maria das Malvas, a Maria de Jesu (vulgo BabJ a Tereza Maria de Jesus (vuig- Terezir.ha do Padre) a beata Jeronima (vuls>o Geluca), Mam Eudocia da Assuno e a cada uma das filns do meu primo Fnncisco Bel-miio Maia, quinhent s mil ris para cada uma e o q e sobrar seja ent.egue a Congregao Salesiana que aqui se fundar para os seus esnectivos Padres celebrarem missaB por minha alma e n inteno de N< ssa Senhora das Dores eda3 almis do Purgatrio.
DCIMA SEGUNDA: Ddxo ainda para Maria das Malvas, Maria de Jerms (Bab) Terezinha do Pad^e, B^ata Geluca e Maria Eudoci da Assuno o .sitio Barro Branco, neste municpio, para desfrutarem enquanto viverem, o qual por moite da ultima sobrevivente passar a pertencer aos Salesianos.
DCIMA TERCEIRA: Desejo ser sepultado conforme j disse no come< deste Testamento na Capela de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro no cemitrio desta cidade e que os meus funerais sej im feitos com simplicidade, bem como que sejam resadas pelo eterno repouso de minha alma doze missas em cada ano, durante cinco anos igualmente o mesmo numero de missas, durante o mesm) tem;n para as almas do Purgatrio.
DECIM v QU\RTA: Deixo mais todos os bens que deixaram de ser citadas neste Testamento e os que possa adquerir depus desta ocasia, at o meu falecimento, repito, bens, moveis, imveis e seimvcntes Congregao dos Padres Salesianos.


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DECMA QUINTA: Nomeio meus testamenteiros os meus amigos Dr. Floro Bartolomeu da Costa, atu dmente Depotado Federal por este Estado, o Conde Ado fo Vau Den Brule e o Cel. Antnio Luiz Alves Pequeno, servindo um no empedimento do outro na ordem em que se acham colocados. Os maus referidos testamenteiros te da herana na ordem em que se sucederem e bem assim percebera), respeitada a mesma ordem, dez por cento (1.0 '/()) em dinheiro sobre toda a herana liquida compensao dos tr balhos testamntarios. E p r tal modo e forma conclu > este meu testamento qu* em m*u perfeito juiso e de minha livre e expontnea vontade, sem constrangimento nem to pouco induzido por quem quer que fo-se ditei ao meu amigo Luiz Teofilo Machado segundo Tabelio desta comarca e assino com o meu prprio punho, de acordo com o Cdigo Civil Brasileiro em vigor e peo a justia de meu pas que o cumpra e mande cumpri-lo to inteiro e fielmente como nele se contm, declarando mais ficar por es'e testamento revogado outro qualquer testamento que porventura existir. E por tal modo concluo e termino este meu testamento. Declaro em tempo que uma resoluo por mim fornada neste momento antes de assinar este testamento ficam sem vigor os legados que fao dos sitios Veados e Santo Antnio, desse municpio, cuja doao a quem desejo fazer as realisarei por escritura publica, bem como no ficarei inhibido de vender os bens que deixo reservados na clausura dcima primeira, antes de morrer para satisfao de quaisquer comprimi ssos.
Joazeiro, 4 de Outubro de 1923, (4-10-23). repetidas mais quatro vezes sobre uma estaTipilha federal de 20$000 e quatro outras estaduais no valor de 3$309) (As.) Pe. Cicero Romo Batista.
SAIBAM quantos este instrumento de auto de aprovao de testamento virem, que no ano d: nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, de mil novecentos vinte e trez (1923), aos quatro dias do ms de Outubro, nesta cidade d) Joazeiro, Estado do Cear, em casa de residncia d) Reverendissimo Padre Cicero Romo Batista, onde eu, Tabelio vim, e sendo ele ali presente que reconheo como o prprio, que se acha de p, em seu per feito juiso entendimento, segundo o meu parecer e das testemunhas que presentes estavam e positavamente fora n convocadas, perante as quais por ele testador das sua* mos s minhas me foi dado este papel, fechado e cuzicF, dizendo-me que era seu


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testamento que eu mesmo a seu rgrt e ditado por ele lh'o fizera, que queria que eu lh'o o aprovasse; o qual papel eu aceitei e achei com efeito ser o testamento do subdito Reverendissimo Padre Cicero Romo Batista, escrito cm vinte e uma laudas de onze folhas de papel e no ach ndo em todo, borro, risco ou entrelinha, nem cousa que duvida faa, lhe perguntei se aquele efetivamente era o seu testamento e queria que eu o aprovasse, na presena das testemunhas abaixo assinadas <* que respondeu eme este era o seu testamento e ultima vontade; que linha por bom, firme e valioso; que por e'e revogava oulro qualquer; que rognva a justia da Republica lhe dessem cumprimento de justia:^ que era seu desejo ficasse fechado, cozido e lacrado e que no fosse abe to sino d pois do seu falecimento; e por no ter cousa que duvida fizesse, rubriquei as vinte e uma laudas de papel em que se acha escrito o testamento com o meu apelido de L, Machado e lh'<> aprovei e houve como aprovado na forma da lei com todas a solenidades de direito, e fiar fechado; cosido e lacrado com sete pingos de l<>cie, sendo quatro por fora e trs no entro.
E para constar fiz este ato de aprovao que assina ele testadory do que dou f, sendo testemunhas presentes Joo Leo-degario da Silva, natural da Baa agrimensor, Abilio Gomes de S, natural do Estado de Pernambuco, negociante Francisco Jos de Andrade, nat >ra! de Pernambuco, negociante Jos Furtado Landim, natural desse estadi, escrivo da Coletoria Estadual neste municpio e comarca. Todos residentes nesta cidade, que reconhece sem ser o dito testador o preprio, de que dou f assinaro depois de lhes ser lido por mim Tabelio, este auto de aprovao. E eu Luiz Teofilo Machado, segundo Tabelio Publico o escrevi e assino em publico e razo.
Em testemunha (o sinal) da verdade. O 2. Tabelio Publico Luiz Teofilo Machado.
(Ass.) Pidre Cicero Romo Batista, Joo Leodegario de S, Irineu Olmpio de Oliveira, Abilio Gomes de S, Francisco Jos de Anirade, Jos Furtado Landim. (Estava colada e legalmente inutilisala umi estampilha estadual de trezentos ris,)
JOO THEOF1LO MACHADO
2. Tabelio.


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