Sociedade Mineira de Agrucultura, Conference.

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Sociedade Mineira de Agrucultura, Conference.
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PROBLEMS FLORESTAIS MINEIROS


(Conferencia realizada na Sociedade Mineira de Agricultura,por
J.G.Duque,professor de Silvicultura da Escola Superior de A -
Sgricultura e Veterinaria do Estado de Minas-Gerais).




Sr.Presidente,
Srs. Membros da Sociedade Ilineira de Agricultura
Meus Srs.

Antes de iniciar a minha pequena e desprentenciosa palestra, esta
noite~quero agradecer ao Sr. Presidente e Membros desta douta So-
ciedade,a honra que me foi conferida,por intermedio do Diretor da
Escol Superior de Agricultura e Veterinaria do Estado de Minas-
Gerais.,vir falar-vos sobre o seguinte assunto. "Os Problemas Flo-
restais IAineiros".
Nesta hora de inquietacao espiritual,de dificuldades e de descon-
-- fiangasa corn praser G orgulho de mineiro-agronomo que eu vejo a
Sociedade Mineira de Agricultura coordenando esforqos,procurando
orientar a classebuscando a cooperagao de outras sociedadesGlu -
tandoemfimpara a resoluqao dos muitos e graves problems que no
moment embaraqam o nosso progress agricola. Os espiritos fortes,
dotados d3 otimismo sadio,sentem um conforto moraluma espernnca
nova nos destinos de Mlinas-Gerais,quando .contemplam umn grupo de
homes patriotas,lutadores eao mesmo tempo estudiososcomo este,
empenhado no soerguimento da classe produtora~que maior influen -
cia tern na vida economic do Estado.
Sejam,pois,as minhas primeiras palavras, de satisfaqao e de felici
tagoes a esta Sociedade pela obra que vein realizando.
0 present trabalho,que vos tragodividi-o em:- ensino de Silvi -
cultura,reflorestamento,exploracao racional de matas ,florestas de
protecao,madeiras parn caixas e o fogo.




- 2-


PROBLEMS FLORESTAIS MINEIROS

1-Ensino de Silvicultura.
A Silvicultura~nas suas relaqoes corn a populaqao,envolve,um conjun
to de problemas- economicos,sociais e industriaisexcessivamente di
ficeis e de grande importancia,para todos'os Estadosespecialmente
para Minasdevido C topografia de seu s6oloestradas de ferro e in
dustrias que usam madeira,habitos do povo,necessidade de proteqao
das fontes dagua e control da erosao.
A arvoreno seu cultivoestrutura,fisiologia e reaqoes para corn os
fatores variaveis do meio ambiente-terrestreclimaterico e biology
co-oferece~entre n6squestoes,tao variadas e tao pouco conhecidas,
que a Silvicultura parece embrionaria ao lado da Agricultura. Os
efeitos indiretos da floresta e tudo o que esta no sau interior re
lativamente 5 economic Estadual passamn despercebidosem geralde
modo que so a escass@s de produtos florestais vem,depois,mostrar
que existem problems silvicolas.
Para Minasos problems mais importantesna hora atualsao ensino
da Silvicultura,o reflorestamento,a exploragao rational das matas,
madeiras para caixas de exportaqaoas florestas de protecao e o. fo
go.
Desde o tempo do Brasil Imnperio,quando se iniciou a march avassa-
ladora de devastaqao e conquista do interior,para o estabelecimen-
to da agricultura,mesmo depois de haver,ja,a Escola Agricola, nao
houve uma orientacao racionalno desbravamento e aproveitamento do
solo. S6mentevozes isoladas,se fizeram ouvir,um ou outro patriota
procurava metodizar o corte;o resto da populaqao demolia uma rique
za florestalgcujo valor nao sabia estimar.
Mas veiu a Republica e continuou a derrubada sem ordem,desde a var
gem ate as pontas dos morros,para o plantio do cafe,dos cereals ,
etc.,em busca de humus fugidio do solo de morro,que a erosao, em
pouco tempo,reduzia a desert. 0 c6rte era uma necessidade economic
ca,mas nao guiado corn metodo;na derrubadanao eram protegidos os
logares altos,as cabeceiras dagua e os solos fracos,com reserves
de matas naturais,deixadas propositalmentenao se aproveitavam bern
os s6los planospara as lavouras e nao souberam localizar os pas -
tos,nos logares proprios.
Esse mau uso economic da terra,ate agora,foi o resultado da falta
de instruqao florestal,pratica,entre o povo~foi o ensino unilate -
ral e desastroso de s6mente plantarmos cafe,milho,etc.,como queren
do quebrar as leis naturais e economicas;reduzindo a u u unica, aS
multiplas e variadas exigencias da vida de urn povo. Foi,emfima po
litica da monocultura desvairada. Houve o ensino da Agricultura,
maslapesar dos exemplos frisantes de erros cometidos por outros
paises mais velhosnao cogitamos da Silviculturanao observamoO
que a Naturesa estabeleceu urn equilibrio proprio entire a arvore, o
meio ambiente e a vida animal que esta relacgao nao podia ser rom
pida sem graves consequencias para o home.
Ha necessidade premente de ensino. de Silvicultura: eficienteprati
co,um ensino de apostolado,na hora atual,afim de acudirmos as ques
toes florestais impoftantes,antes que seja demasiado tarde e que
mais tempo,trabalho e dinheiro sejam necessarios para resolve-las.
Esse ensino podera ser dividido em teorico-pratico,mos cursos supe
riores;pratico-teoriconos cursos medios e fundamentais,das nossas
escolas agricolas,e em ensino ambulante,para os lavradores. A flo-
resta tropicalpela heterogeneidade das species botanicas,pelo pe
queno conhecimento que delas temos,pela riquesa da fauna habitante
e pela sua grande extensao,al4m do grande volume de essencias flo-
restais que ja fornece,esta destinada a ser,sob o estudo e pesqui




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sauma fonte imensa de novas plants alimenticiasindustriais e medici
nais,como aconteceu comn o Teobroma cacau,a Hevea brasiliensis,a Cincho
na bficinalisetc.,que outrora eram arvores verdadeiramente florestais
e,hoje,cultivadas cientificamente~constituem a riquesa de muitos paises
tropicais.Entretanto,esse trabalho de pesquisa e experimentaqao cienti
ficas somente sera'possivel corn pessoal preparado,de espirito investi-
gadordispondo dos recursos suficientes.
A Escola Superior de Agricultura e*Veterinaria de Minas-Gerais,pelo
seu departamento de Silviculturaesforca-se,cada ano,mais pelo melhora
mento do ensino,amrpliando o seu progranna de aulas,as excursoes flores-
tais,o servi9o de fornecimento de mudas,suas instalaqoes de campo,plan
taqoes,mostruario e informaqoes,afim depor um process evolutivo,for-
necer aos particularesmunicipios e poderes publicos,os moqos necessa-
rios 61 grande obra. 0 nosso program abrangeatualmente,os seguintes
pontos: utilidade das florestas,reflorestamento,dendrologiacadministra
caoproteaoo,exploracao das matas,mensuracao,conservacgao das madeiras,
serrarias,beneficiamento, transport comercio ,tecnologia, sub-produtos, e
conomia silvicola,fauna util,arborizaqco urbana e rural,plantas medic.i
nais anti-leprosas,etc.
Este ensino,nas escolasle imp6rtante;porem,ele sob o ponto de vista
pratico e da rapids dos resultados,as demonstra oes e preleqoes aos
lavradores na "Semana dos Fazendeiros" e nas nossas excursoes as fazen
das,junto ao fornecimento de mudastem ainda maior valor economic.

2 Reflorestamento
Pelo carter permanent do Governo e da Silvicultura,pela nao obtengao
de lucros imediatos nesta ultimana maioria dos casos,e pelas influen-
cias indiretas das matas sobre a populaokcabe ao Governo o control
geral dos trabalhos florestais,regular as derrubadas,nas zonas devolu-
tas,e aos particulares o reflorestamento de suas terras,nas zonas mais
populosas.
Com o desenvolvimento da Agricultura corn o aumento na densidade da po-
pulaqao;com os efeitos danosos da erosao e corn a devastacao das matas,
pelo machado e pelo fogoe corn a perda da parte superficial de fertile
dade,chegamos a uma epoca em que,nas zonas devastadas,o uso economic
do solo se impoe corn todo o rigor.
Quem viaja pelo interior p6de ver exemplos de lavouras plantadas em al
tos ingremeslavados e secos;florestas colocadas em terrenos pianos,
ferteis e extensos;pastos em logares improprios e sem aguadas. Esse i-
nadequado uso economic do solo e urn dos fatores mais importantes, no
pequeno lucro. do aproveitamiento da terra. Urge racionalizar o uso eco-
nomico das terras,adaptando-se-lhes os ramos agricolas mais adequadoS;
assim,dentro de certo limite,variavel corn a proximidade dos mercados,
topografia,fertilidadea area da fazenda,etc.,os solos devem ser apro-
veitados,mais ou menosna seguinte ordem; lavouras,nas baixadas pastorss
nas beiras dos morrose florestas,nos altos,nos solos estragados,e nas
cabeceiras das fontes.
Nas zonas mais populosasha muitos terrenos desaproveitadosproprios
para a Silvicultura,e o seu reflorestamento,por sistemnas adequados a
cada um,4 uma necessidade.
Reflorestamento natural
Em todos os logaresem que f6r possivel a formagRo de matas naturais.
espontaneamente,deveremos aproveitar esse auxilio da Naturesa,porque2
esse sistema. nao implica em gastos de dinheiro e trabalho.
Entretantoiencerra ele algumas desvantagens,quais as de.crescimento
lento,pequena produgao,misturas de species dificultando a explore -
qao,"claros" sem arvores e dificuldade de obt6-lo,nos solos estraga-
dos e mais proprios.




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Comeqaludo corn a germinacio das sementes trazidas pelo vento,pelos pas
saros ou produzidas "in loco",corn a brotagao dos t6cos,etc.,a flores-
ta naturalno 1 period de sua formagao-caracteriza-se pela grande
dendidade de populaqao vegetal;maioria de species nao lenhosas e, A
media que o solo se torna humido,mais humoso,num ambient de mais
luz e que se inicia a competigao entire cada plant pelo crescimento
em altura e desenvolvimento das raizes,algumas arvores desaparecem e
outras,trazidas de f6ra por meios naturaisgerminam e vao crescendo ,
formandoentao,um meio heterogeneo corn algumas centenas de species
2 period: modificando-se sempre na composigcio botanica,devido ao
desbaste natural e o meio tornar-se propicio a outras especies,ate que
chegada a forma adulta de floresta virgem;3- periodoipercebe-se major
espacamentoentre os individuos,uma classes dominate e outra dominada,
emfim,uma harmonica combinacao de arvores,espaqo,luz e humidade.
Na Silvicultura racional devemos auxiliar o.reflorestamnento neural pe
lo control do fogojevitando-se a entrada de animais,desbastando-se a
vegetagao sem valor e replantando-se os "claros".
Conforme a estimativa feita em 1923,pelo Servigo Geral de Estatistica,
a area em matas e capoes,em todo o Estado,era de 14.349.920 hectares
ou 24% da superficie total do mesmo. A area,que cada Estado deve man -
ter em florestase variavel corn a topografia,necessidades economics
(consumo de produtos florestais),clima,colocaqao geograficaetc. Na
Europa,alguns paises mais antigos e adiantados em Silviculturausam o
padrao de 25% da area total,em florestas. Essa porcentagem nao -p6de
ser absolute para outros paises,e,alem disso,e preciso observar-se a
distribuigao das matas,na stuperficie do Estado. As porcentagers das a-
reas florestadas em relaqao as das totais nas sete zonas mineisas,mos-
tram que ha.deficiencia de matas nas regioes mais populosas:
Leste-- 41,15% Norte-- 32,46%
Mata-- 22,17% Sul--- .18,93%
Oeste-- 17,51% Centro- 14,38%
Triangulo-- 13,20%
(A Atualidade Mineira,1929. A.Carvalho). Segundo os dados acima calcu-
lamos que a area florestal "per capita",em Miinas,em 1923,era de 2 Ha.
Foi o reflorestamento natural,apesar de algumas de suas desvantagens,
que formou esse volume de matas nas bacias dos rios: Doce,Mucuri, Sao
Francisco e Jequitinhonha,as quais ate hoje t~m servido de base A nos-
sa industrial extrativa de madeiras.
Reflorestimento artificial
Os solos baldios,das zonas mais populosas,adaptados fisica e economic
mente para florestas e nos quais nao 6 possivel o reflorestamento natu
ral,tem de ser reflorestados artificialmente. Ainda que este sistema
seja mais trabalhoso e mais caro,dA,entretanto maior e melhlor produgcao
a rotaqao 6 mais curta-6 proprio para fazendas de cultural intensive e
p6de ser feito em qualquer solo. 0 1- passo nesse trabalho consistira
em se determinar a rotacao,isto 6,dividcir-se o terreno ou terrenos em
tantos talhoes,quantos forem os anos em que se quizer plantar.
A rotaqao,praticada no reflorestamentodistribue os trabalhos de prepay
ro do solo ,plantio,trato,desbastes e c6rtes,permitindo,ainda,a continue
aqcao regular dos services de outros ramos agricolas,na fazenda.
Conforme o estado do terreno,a essencia escolhida,e o clima devera va-
riar a forma de reflorestamento a empregar. 0 plantio podera ser fei-
to por muda ou semeadura dir6ta,na forma pura ou mixta,isto 6,compost&
de varias essencias no mesmo talhao,alternadasem covas ou fileiris.
combat As formigas,.a obtenao de sementes ou mudas,o uso ou nao de
cultures intercalares de lavoura serao os cuidados principals a se to-
marem no inicio do trabalho.




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Reflorestamento artificial puro
Para os solos que puderem ser arados e gradeados,como os ja cultiva-
dos ou os de pastes velhos,e facil estabelecer-se uma floresta pura.
0 exemplo mais comum deste caso,entre n6s,e o do eucalipto.0 custom
por arvore,para as florestas assim formadas,e variavel,comrn muitos fa
tores,dentre os quais o uso ou nao de cultures intercalares de cere-
als,no primeiro ano. Este custom tern variado desde $600 ate 1$000 por
arvore de urn anoincluindo-se ate juros do solo,em algumas das empre
zas que no Brasil- tm feito esse trabalho. A "Societe Sucriere de
Rio Branco",num plantio de 200.000 arvoresgastou,em media,l$100 por
arvore dte 2 anos,e 1$600 ate 3 anos,num plantio de 263.000,incluin-
do-se os juros do solo e serm cultural intercalar.
Quaisquer essencias p6dem ser plantadas por mudas,neste processo,po-
rem as mais usadas sao: os eucaliptos,Colubrina rufa,Grevilea robus-
ta,Melea azedarach,Piptadenia comunis e macrocarpa, Luhea paniculata5
Mimosa bracatinga,Cariniana excelsa,Tecomas,etd.. Por semeadura dire
ta na cova,sao usadas s6mente as essencias de sementes grandesfacil
mente germinaveis e que se possacn bbter em grande quantidade5para se
colocarem diversasem cada cova,e se desbastarem mais tardeltais co-
mo: Araucaria brasilianaSchizolobium excelsum,Toluifera peruifera
Mimosa bracatingaPiptadenia comunisCentrolobium tomentosum e ou -
tras.
A forma mixta de reflorestamento 4 usada para a obtengao de matas ar
tificiais heterogeneas,para a produqco de essencias prediosas e de
sombra ou protegao contra a ataque de brocas (Cerambicidios,Lepidop-
teros),como acontece corn o Cedrela Glaziovii.
Reflorestamento consorciado.
Os terrenos valorizados e proprios para a Silviculturaquando cober-
tos de capoeiras ordinarias,novaspodem ser reflorestados,pelo pro -
cesso de c6rte seletivocom plantacao simultanea ou o natural combi-
nado com o artificial. I o process usado pelos ingl@sesna India,pa
ra a formagao de florestas mixtas de Tectona grandis ou Acacia Cate-
chu,com as melhores arvores nativas do local. Ele consiste em se cor
tar a vegetaqao ordinaria das capoeiras,de 8 a 10 anos para lenha,
deixando-se as arvores de madeira de lei e,depois,de ligeira lim
pa,o terreno G covado5coroado e plantado por mudas da essencia esco-
lhidanos moses de Outubro a Dezembro. Ja praticamos esse process
no Departamento de Silvicultura da Escola Superior de Agricultura e
Veterinaria do Estado de Minas-Geraisusando os eucaliptus rostrata,
alba~viminalispoliantema e acmenioides e se considerarmos toda a le
nha vendida,como lucro liquido,e todas as despesas recaindo-se sobre
a future floresta,cada arvore de eucalipto tern nos custado no prime
ro ano $600,incluindo-se tudo ate jurors do solo.
Reflorestamento de substituicao
Os cafesais velhoscolocados- outrora em-solos ingremesgsujeitos a e-
rosao e de'trato dificil,comeqam hoje a definhar-se e a produzir mui
to pouco. Em geral tais solos sao mais proprios para florestas e de-
veriam ser reflorestados antes que o cafesal se desaparecesse. Para
tal fimaproveitaremos~nos meses'de Outubro a Dezembro,a limpa do ca
fesal e faremos c6vas,entre as fileiras do cafesal,de modo que,entre
cada cova fique urn espago de. 3 a 5 metros em quadrado,variando.corm
a inclinaqao do terrenoaa essencia escolhida e a distancia dos cafe-
eiros. Os eucaliptos ternm servido bem para este fim. Seu trato 4 o
mesmo dispensado ao cafesal,e,no fim de 4 a 5 anmosquando nao for
mais convenient cuidar o cafesal,a floresta ja estara formada.
Esse process 6 urn dos mais baratos e rapidosporque,a media que. '





essencia cresce,os cafeeiros vao se desaparecendo,dando,ainda,as ul-
timas. colhe itas.
Pela quantidade de cafesais velhos,mal colocados e nao economicos,e-
xistenteS em Minas e pela sua praticabilidade,este processo,estou
certo,serA um dos mais. usados futuramente.
0 Boletim dos Servicos Economicos e Comerciais (Maio de 1930) da a
estatistica do reflorestamento artificial em Minas,abrangendo 70 mu-
nicipios,com um total de 4.502.560 arvores. Dentre estes municipios
ocupam os primeiros logares. Ouro Fino,Barbacena,Queluz,Rio Branco,
Santa Rita do Sapucal,Pedro Leopoldo,Cachoeiras,Tiradentes e Uba,com
as seguintes essencias principais Eucalipto,Araucaria,Morus,Cedrela
Palmeiras e outras.
3-EXPLORAPAO RACIONAL DE FLORESTAS.
Toda e qualquer riquesa florestal,exploravel,4 um capital morto, si
nao f8r posto em circulaqao. Entretanto,e necessario que a explore -
gao seja metodizada. Salvo as florestas de proteqio e as remanescen
tes,que podem ser aproveitadas pqr c6rtes limitados e seletivos,todas
as outras sao suscetiveis de exploracao regular.
Em Minas,as maiores re.servas compoem-se de matas naturais,heterogene
as,muito afastadas dos centros populosos e de consumo,distantes das
vias de comunicacaoem regimes de febres palustres,de modo que a ex -
ploragao apresenta problems bem dificeis. A mistura de essencias di-
ferentes,no crescimentogna maturagao e nas propriedades fisicas da ma
deira;o pequeno conhecimento que temos ainda dos caracteres fisicos e
usos da maioria de nossas madeiras brancas;o.c6rte demais seletivo
at" agora usadoaa falta de capitaispara se operar em grande escala
sao os principals embaracos,no aproveitamento das florestas adults
tropicais.,
Em alguns casosnas terras devolutas,a explotaqao sera provisoria e
aliada a colonizacao das partes proprias para a agricultura~deixara
talhoes em pe,para protegao e necessidades futuras,da nova populagao
e marchara paralelamente ao desenvolvimento das estradas de ferro e
de rodagem,.
Nas florestas em que o estudo das condiqoes locals e economics indi-
car a conveniencia da exploracao em rotaao,dever-se-a estabelecer o
regimen de corte perpetuo,no qual a media da area annual derrubada de-
vera corresponder a superficie reflorestada,em crescimento.
A exploracao de matasem rotagao,na forma melhorada e intensiva,exigi
ra os seguintes trabalhos preliminares:-
1-Determinagao da area total e divisao da floresta em talhoesde acor
do corn os anos de exploracao.
2-Determinacao da quantidade e qualidade da madeira a se vender, na
area do corte annual.
3-Estudo das propriedades e usos das madeiras "brancas"apouco conheci
das,para lanqa-las no comercio regular ou sua conversao em sub-pro-
dutos.
4-Estudo da questao dos transportestendo-se em vista a distancia, a
escala da exploracao e seu carter permanent.
5-Decidir si a madeira devera ser vendida em t6ros ou beneficiada, em
serrarias fixas ou moves.
6-Estudar a sistema de reflorestamento das parties derrubadas,quanto a
Area e essenciasde modo a manter a exploraqao em base permanent.
Ap6s estudos e trabalhos preliminaresem que fiquem estabelecidos a A
rea e volume annual de madeiras exploradaso meio mais economic de
transporte,a forma de venda da madeira e o reflorestamento,dever-se -
io iniciar os trabalhos definitivos. Estes consistem: na construcao
de estradas,higienizagao das zonas palustres,operagoes do c6rte,seca-
gemtransporte,beneficiamento ou a obtenqao de eub-ortdu+os.


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Smuito important fazer-se o c6rte,mais ou menos completoutilizando-
se toda a madeira de lei e "branca",adulta,de modo a se aumentar o ren
dimento em volume deixar o terreno em condiqoes de. receber o reflo -
restamento racional.
Hajentretantoga resolver o serio problema do estudo e venda de grande
numero de madeiras novas,pouco conhecidas e sem comercio regular. A
maioria das nossas madeiras destina-se ao consumo internomasgapesar
de terms boas reserves nas bacias fluviais do leste,ainda importamos,
para o mercado de Juiz de F6ra,grande volume de pinho,imbuia e canela
do Parana';peroba e cedro de Sao Paulo. So6 o mercado de Juiz de F6ra
consome,anualmente,em 4pocas normaiscerca de 10.000 metros cubicos
de madeiras de construqao.
Atualmenteos mercados consumidoresem MIinas,recebem major volume de
,mkdeiras do Rio Doce e do Sao Francisco aquele lhes fornece:jequiti
bagarapa,jacaranda' jatobas apucaia, brainac,angico, canelasipesangelim
oleo vermelhovinhaticoiperoba,genipapo e outras.Em 1930,quando estive
no Rio Doce,em companhia do Diretor da Escolacalculei,nos melhores
trechos da mata,a produqcoppr hectare em 160 metros cubicos de madei-
ras de lei e 480 metros cubicos de madeiras "brancas".
A reserve do Sao Francisco fornece as seguintes essencias: balsammoja-
tob6,cedroaroeiratajubapau pretosucupira~tamborilpau d'arco viole
taperobaangicoGongalo Alves e outras.
A organizagap da industrial de madeirasem companhias ou cooperativaso
perando em grande escalacom grades capitals e com metodos aperfeiyoa
dos,4 uma necessidade para se fornecer produto bomgarantido e em quan
tidade suficienteem volume e especies,para se satisfazerem os pedidos
extrangeiros.
A nossa exploraqio de matasmelhorada e desenvolvidapodera tornar -se
uma grande fonte de rendamediante exportaqao para o extrangeirobas -
tando :
1-Exportar s6mente madeiras de alta qualidade,conhecidas e usadas pe -
los importadores.
2-Fiscalizaco,por part do Governo,nos portos de embarque,com carimba
gem padrao,de modo a se evitarem os defeitos dos t6ros e as fraudes.
3-Sdmente permitir a exportagio por emprezas capazes de oferecerem ao
extrangeiro produto bomgarantido na edpecie e no volume pedido.
4-Estudo das essencias molespor especies,nas propriedades fisicas e
usosde modo a se tornar6m objeto de exportagao regular.
4-FLORESTAS DE PROTEgAO
Nas parties do Estadoonde mais se desenvolveram a pecuariaa lavoura
intensive e a devastagao causou mais estragos,sao necessarios:a prote
9ao das fontes daguanas cidades e vilas~a diminuigao dos efeitos ero
sivos das grandes.chuvas,atenuar a impetuosidade dos ventos baixos, o
abrigo da fauna util e diminuir a var.iacao entire as temperatures maxi
ma e minima anuais.
Podemos conseguir muito satisfatoriamente esta protegao par meio de
florestas formadas natural ou artificialmente,nos locals adequadosvi
sando uma ou mais das proteg5es acima.
Depois de muitos anosos cientistas de todo o mundo,gue estudaram as
quest5es de protegco do solaoda agua e de suas relagoes corn a vida hu
mana~contra os agents naturais ou suas consequencias,cheparam a con-
clusao de que o melhor meio de defesa e o biologico,isto e~a arvore.
Assim~as cabeceiras de aguas de serventia coletiva,que estao expostas
Scontaminaqco,os solos ingremes perto das cidades onde a enxurrada
obtem material para a demoligao das estradas,das ruas e dos esgotos,
as zonas habitadas,planas,assoladas pelo vento e os logares de fauna
util,escassa,devem ser cobertos com florestas de superficies e especi
es botanicas adequadas.





Neste trabalho,que include tambem a arboriza9cio das cidades,deverao in
tervir: as municipalidades,os particulares e o governo,cabendo a esti
principalmente o control das derrubadasdo fogo e o fornecimento de
mudas.
Estas florestas de protegao terao tambem outro.s fins. recreativo,de pe
quenas reserves biological e aducacional ensino pratico 's criangas
das escolas e ao povo,aumentan-o-lhes os conhecimentos,amor e respeito
a arvore. .
5-MADEIRAS PARAL CAIXAS.
Alem do consumo de madeiras em construqces,dormentes,postes,lenha,sub
produtos,etc., outro uso aparece agoraem quantidade nao pequena-para
caixas de exportagqo de frutas. Corn o desenvolvimento que,nos ultimos
anos.,tem tornado a nossa fruticultura,especialmente a citricultura,e
com a deficiencia de florestas exploraveis,nas zonas populosas,onde
mais se desenvolve a pomicultura,podemos afirmar que os cultivadores
de frutas vao encontrar dificuldades na embalagem de seus produtos.
As madeiras para caixaslespecialmente as de frutasprecisamn ser leves,
flexiveis,de c6r clarasem n6s,com fibra de facil polimento e no ponto
de vista cultural devem ser de crescimento rapido e exploraveis em ta-
lhadia.
Alem disto a caixa pronita,vasia,nao deve pesar mais do que 4,5 quilos
e nao custar mais do que 2$500.
Analisando a questao,em primeiro logar,nao sabemos ainda positivamente
quais as nossas essencias que steprestam melhor para este fim,e segun-
do,nao temos florestas em condigoes economical de noes dar o material
conforme as exigencias acima. Eu vi,em 1930,a Companhia Normandia,usaLl
do no seu packing houseem Cabuqu,caixas de madeiras vindas do Para;
tambem vi,em Limeira,os fruticultores usando pinho do Parana para ex -
portar suas laranjas.
Das species conhecidas,as que mais se aproximam das condigoes acima
citadas saot Melia azedarach,Eucaliptus alba,Basiloxilum brasiliensis,
Tabebuia sp.,Vochysia tucanorum,Chrorisia sp.,Bombax sp.,Cecropia sp.
e a Imburana do Norte.
Urma experimenta9ao comparative do plantiocrescimento,produgcao, qualida
des da madeira,etc9,destas essencias,precisa ser feita para que se sai
ba quais as melhores.
Aos pomicultores e aconselhavel o plantio destas melhores essenciasem
logares proprios ou intercalado nos pomares,.servindo ate de abrigo e
quebra vento.
No uso de madeiras "brancastde crescimento rapido ,e 3ue serao usadas
para caixas antes de maduras (10 a 15 anos ou menos),e de conveniencia
o c6rte na estaqao seca e a secagem demorada dos t6ros na sombra,afim'
de estabelizar as fibras,evitando as racliaduras e os empenos.

6- FOGO
Entre as questoes florestais,uma das mais dificeis e aquela relative
as queimadas. Estado de grande area,de agriculture extensive predomi -
nanfe,corn terras .devblutas para desbravar e corn lavradores de habitos
antigos de queimar o solo,Minas tern de lutar muito e por muitos anos
para solucionar o problema do fogo.
Estudaremos aqui o fogo usado propositalmente na agriculture e silvi -
cultura e o ocasionalo
0 fogo proposital,na fazenda,p6de ser comparado a espada de 2 c6rtes'
isto e,ele tern vantagens e desvantagens grandes~primeiras eliminar
os obstaculos superficiais no preparo do solo barateando o servico,Eu-
xiliar a profilaxia do temrenotornar possivel o desbravamento das
grande Areas;segundas; empobrecer o solo,facilitar a erosao,passar az
outros terrenos que nao devem ser queimadoseliminar species botari -
casraras e de valor cencorrer ara a diminui o da fauna util,etc.
!ao~ocorrpr a iiiu-go





- 9 -


Portanto,o combat que devemos fazer ao fogo proposital,com urn fim,.?
deve ser criteriosorraiional e nao extremist.
Quern ja. administrou fazendas sabe que ha casos em que,comn muita caute
la e born senco,pode-se aproveitar algumas das vantagens do fogo. Para
exemplo cito os casos: do prepare de solos de derrubadas grades para
lavourasno 12 ano-os brejais extensos de vegeta9ao agressiva,que pre-
cisam ser drenados etc.
F6ra dos casos semelhantes aos citados acima,em que a queimada deve
ser feita corn estudo e cuidado,o fogo proposital deve ser combatido
integralmente.
0 fogo ocasionaljquer seja motivado por descuidosjpor viajantes, por
estradas de ferro ou faiscas eletricas,6 o que maiores prejuizos cau
sa aos particulares e poderes publicos. Para elIe muito tern contribui-
do: a falta de educaqao pratica popular,estradas de ferro que nao con
trolam as fagulhas e que atravessram zonas onde o clima aliado ao tipo
de vegetagao formal um born facho combustivel,a deficiencia dos aceiros
a falta de cooperaqao entire os fazendeirods,etc..
Para urn combat eficiente ao fogo e necessario:-
12 Que as municipalidades se interessem mais pelas questoep, rurais;
2- que o ensino ambulante inclua este porito no seu progr-lma I
3 que os fazendeiros sejam ensinados a deixar a agriculture nomade
e a estabelecerem tuna rota0ao cultural adaptada as suas condiqoes;
4- que as municipalidades proibam os bales de mechas e os fogos de
artificio ,perigosos;
59 que nas zonas mais adiaiintadasnos pontos estrategicos das estra -
dassejam colocadas taboletas cornm avisos ao public contra incen-
dios.
Finalizando,tenho a dizer que a resolugio dos nossos problems flores-
taisquer seja remediando os errors passados ou evitando os males futr'-
ros,depende do trabalho educational das escolasda continuagao dos be-
nemeritos serviqos dos Hortos Florestais5do estimulo e do apoio das
municipalidades e do Governo,da congregaqao dos esforqos das socieda -
des agricolas como esta,da boa vontade de cada .um,emfimda cooperagao
de cada mineiro que deseja corn f6,o progresso do nosso grande Estado
de Minas.




A FITOPATOLOGIA .EM MINAS-GERAIS
(Conferencia reallzada na Sociedade Mineira de Agricultura,por Albert
Stanley Mi'ller,professor de Fitopatologia da Escola Superior de' Agri
cultural e Veterinaria do Estado de Minas-Gerais).

Uma das repartiq5es, da Escola Superior de Agricultura e Veterinari
a de Minas-Gerais -dedicadas ao melhoramento das nossas culturas.,e o
Departnamento de Fitopatologia. 1 parte do program que todos que saem
desta Escolatenham bom treino de Fitopatologia,ao menos algum conhe-
cimento dos principios fundarm.entais.Mas o ensino de Pitopatologia
constitute apenas uma das tres divisoes do trabalho desta repartiqao.A
segunda divisio muito. important aliasconstq do serviq0 de divulga -
gao de informaqoes sobre Fitopatologiaem artigosou em circulares}ou
ainda em consultas por carta ou em visits ao local. A terceira con -
siste em pesquisas e nos various estudos tecnicosnecessarios a colo -
car o departamento a par dos problems fitopatologicos deste grande
Estado. .

QUE E A FITOPATOLOGIA ?
Analisemos o que 4 a Fitopatologia. A palavra ocorre tao frequent
mente nas nossas revistas agricolas de hoje.f, derivada de tres pala -
vras da lingua grega *na segu-inte marieira:
Fiton Planta
Patos Molsstia
Logos Tratado.,estudo.

Portanto e: o estudo d aw molestias das plants.
SIMPORTANCIA DA FITOPATOL0GIA
S Vejamosagora porque precisamos conhecer as mnolestias e de como e-
las influem na prosperidade atual do Estado. Primeiro,os estragos pe-
las mi,:Iestias reduzem nossas provis5es de alimentos,(molestias de ar
.rozjmilhoqtrigoqfeijaoqetc.) Segundo,elas reduzem as quantidades de
materials uteis para o vestuariopara casas,edificios,(molestias de
algod:ao de arvores).
TerceirocontrariFii as nossas necessidadesge os desejos (molestias
das plants medic inaris,de fumo). 0 fazendeiro e.prejudicado diretamen
te pelas perdas das suas culturasb;tais prejuizos afetam nao s6r.mente
a-quantidade como tambem a qualidade das culturas,,fto que determine
o.valor da safra no mercado. Sofre grandemente o Estado corn as perdas
em seus recursos naturals..
Afetado emfime o mesmo povo porque os pregos do mercado se elevam'
em virtude de tais estragos

ESTATISTICA DE PR3JUIZOS

As perdas atuais.sao em muitos casos espantosos. Calcula-se que
s6 uma molestia do trigo esti causando uma perda annual no mundo, de
300.000 conitos de reis. 1a dez anos,os paizes produtores da cana de
assucar,como ArgentinaPortd Rico e Brasilcomegaram a sofrer perdas
de metade e ate 8 quartas parties das safras por causa duma molestia a
penas o mosaioo. .Cita-se o caso de Ceilao onde a industrial cafeeira
foi destruida duma veicompletamnente,por uma molestia (a ferrugem). E
difi@il acreditar-se'nas estatisticas sobre as perdas tao grades sao
elas.As perdas ainda' aumentamIporque atingem nao somente os produto -
res nas fazendasmas atingem aos negociantes que guardam as colheitas
como frutasbatatas~hortalicas~em armazense compram e vendem em loga
res distantes83requerendo transport destes produtos. Os estragos veri
ficados durante o transporte e nos armazensas vezeSqexcedem os pro -




- 2 -


prios prejuizos nos campos.

A SITThAgO EM MINAS

Em Minas-Gerais nao avaliamos ainda toda a importancia das molest
as,por nos faltarem. estatisticascomno tambem porque nao sao conheci -
das ainda todas as molest-ias. S tarefa a cargo do Departamnento de Fi
topatologia promiover urn recenseamento de todas as molestiasgcom o fim
de melhor se compreender a sua importance na situacao economic do
Estado.
Ao mesmo tempo comeqcamos a compilacao dos prejuizos,baseados na
percentage dos estragos em cada cultural cada ca.o. Sem conhecimento e
xato das molestias e das suas causasi.ao podemos saber quais sao as
melhores medidas para o seu combat. Registramos em tres anos de ios
sa atividade,em observagao de cento e quarenta cultures diversasmais
de 400 molestias presents neste Estado.

QUE 8 UMA AOLESTIA ?

Nao ha duvida que existem nas cultures certas molestias,mesmo quan
do nao as reconhecemos. Muitas vezes e dificil dizer o que e uma mo -
lestia e o que nao 0.
Geralmente,dizemos que uma plant tern uma molestia,quando ela dei-
xa de mostrar o desenvolvimento normalou quando vemos alteragoes no-
civas e prejudiciais,por exemplo: folhas cheias de manchas (car de fo
lha seca) frutos apodrecidos,aspectos de atrofiamento,raizes padres.
Spreciso lembrar que tais alteracoes nao vem de repente,mas sao o
resultado de processes internos perniciosose 's vezes continues ate
a morte da plant. Porem,6 muito necessario reconhecer estas manifes-
ta(oes de molestias logo que apareqam si quizermos combater as mesmas
corn vantage.
Temos que comeqar sempre corn o combat no principio,e nao quando
as plants ja.estiverem mostrando altercoes extremes. Nao ha cura pa
ra plants quasi mortasassim como nao ha cura para vacas ou os sui -
nos j6 doentes ha muitos dias,desenganados por falta de tratamento em
tempo just,
Muitos ignoram que as molestias sao contagiosas que se transmitem
de uma plant a outra. Sempre que as plants sas estao em cont6to corn
plants doentes,podem adquirir o mal,tal como numa familiar em que to-
dos os membros adoecem,em resultado de contato diario 'no mesmo ambien
te corn urn f6co inicial.
Muitos nao compreedem ainda que as molestias sao contagiosaspor-
que niio sabem que os causadores sao usualmente parasitas,pequenos se-
res,invisiveis a olho ndque vivem a custa da vida da planta~habitan-
do o seu organismo,dentro do seu proprio corpo. Estes parasitas mi -
croscopicos passam de uma plant a outra disseminando assim a moles -
tia e a morte nas cultures atacadas.
Tais parasitas sao bacteriasfungosnamatoides,que roubam do corpo
da plant os seus .alirmentos~e a destroem de diversas maneiras.
Alem dos parasitas,temos que reconhecer a existencia de outros cau
sadores de molestia,alguns conhecidos e outros ainda desconhecidos,co
mo o causador do.mnosaico da cana.
Nao obstante isso~sabemos que tais molestias tambem sao contagio -
sasporque sao transmissiveis por insetos de uma plant a outra. As -
sim sao os inse'tds inimigos formidaveis,das nossas culturas,nao s6
por causa dos estragos que ihes fazem diretamentecomo tambem porque
lhes transmitem as peiores molestias criptogamicas.




- 3:-


COMBAT AS MOLESTIAS

Alem das pesquisas teoricas,o Departamento de Fitopatologia tern que
fazer experiencias praticas sobre o control das mesmas, Os nossos fi-
topatologistas nao podem aconselhar o emprego de metodos de outros pai
zes sem experimienta-los primeiramente2caquisob condigqes locals. As
condigoes e sistemas de cultivo sao fatores de maxima importancia,deter
minando o sucesso ou fracasso dos metcdos aconselhados para o combat
das mol *.jcmbate' ftibI-stTh^ r&7usta cinbeira eestarc'o^>
e e pratico c6mente quarncc a eflciente e lucrvtivo./Si n e puGivel
-obter urn lucro significatlvopcom o combat&;n5me'lTor substituir-se a cul
tura por outra menos atacada. Ha certas medidas gerais,muito eficazes _
as quais custam pouco6mas dao resultados 6timos. Clt-o c--CTCTI-azen -1
eiro una. ea -se.-mente prove h-de a-ipos infetados por moles,
tia./Ele deve inspeccionar tc-as as sementes e mudas qua entregarem rna-
T-Zehda,plantando somente. as sas e b8as,assim como os Governos,pelos es
forgos dos inspetores do Serviqo Sanitario Vegetal,evita a entrada no
pais,das molestias dos paizes extrahgeiros. Este serviqo e importantis-
simo. Nos Estados Unidos,ha dois anos,o numero de molestias intercepta-
das,passou de 3.600.
Sabendo-se que,de mais de 125 molestias de Citrus,por exemplo,o Bra-
sil nao tern mais do que metade delas,v&-se logo a importancia da inspec
qao de qualquer produto agricolaque entire no Pals. Na Escola inspecio-
namos o que entra e o que sai.
Corn eliminagao das primeiras plants atacadas,ou parte delas,que ser
vemi como f6co para disseminagao 6a todas as outras plants do campo,des-
Struindo-as completamentep6de-se salvaras vezestodo o resto de uma
culturaevitando assim surtos epidemicos.

AS PULVERISAQ6ES

Urn dos metodos modernos de combat as molestias tern sido a protegao
de plants sas corn aplicaqao de substancias quimicas,os fungicides vene
Snosos aos causadores de molestiasem serem prejudiciais as plants. Is-
to se consegue corn pulverizaqces destes fungicidas em forma liquid ou
p6,sobre as plants.
As recomendagoes para pulverizagao dependem de nosso conhecimento ci
entifico das molestiase tambem das cultures. 0 fazendeiro deve pedir
o auxilio e informaqoes necessarias sobre a pulverizagaoa Secretaria
as Inspetorias,ou a Escola. Pulverisagoes mal feitas custan caro e nao
rendem nada.
VaRIEDADES RE3ISTENTES
0 metodo mais seguro de evitar as molestias 4 entretantoplantio de
qualidades de plantas,resistentes ou imunes ao ataque de males vegetais.
Tais variedades,mesmo quando presents o causador da molestia escaparao
a destruigao,ou serao pouco atacadas que nao se registrar prejuizos sig
nificativos na cultura.Nos ultimos anos corn o auxilio e esforgo do .
Governo do Estadotem-se realizado progress explendido no estabeleci -
mento e uso geral de melhores variedadesresistentes,como cana de assu-
car9fumnoalgodio e trigo. Alem destas,a Escola tem-se dedicado a disse-
minagao de variedades melhores,sob o ponto de vista resistencia e to-
lerancia de arroz,milho e feijao.
0 campo de services que Fitopatologia pdde prestar a agriculture e,
como se v8 vasto. Temos necessidade de muitos mo9os para servirem ao Es
tado e a Patriacomo fitopatologistas,dando os melhores esforqos para
control 6a perda economic incrivel dos recursos naturals do Estado. "No.
program de ensino na Escola dedica-se muito a esse fimquer dizerprc1
parar futuros fitopatologistas mineiros.




CONSIDERAq(ES .GERAIS SOBRE ECONOMIC -FASES DA PRODUQAO LIQOES DO /
PASSADO AAO DOS GOVERNOS CITRICULTURA PLANO DE CITRICULTURA
EM MINAS

(Conferencia realizada na Sociedade Mineira de Agricultura,por Humber
to Bruno,professor de Horticultura e Pomicultura,na Escola Superior
--de Agricultura e Veterinaria do Estado de Minas Gerais

CONSIDERAqOES GERAIS SOBRE ECONOMIC

Minhas primeiras palavras neste recinto,diante desta assemblea cul
ta,gue tanto me honra,sejam de profundos agradecimentos a supreme di-
recao desta conceituada agremiaqao de classe,pela feliz oportunidade
que me proporcionoude poder,como brasileiro,convicto que sou da gra_
deza futura,sempre maior de nossa Patria,externar alguns pensamentos
sobre assuntos estreitamente relacionados corn a nossa economic.
Nos moments atuais em que os povo- fervilham como que n'uma andia
de quemn quer se salvar duma catastrofe iminenteinum moment em que os
povos clamam tanto por uma orientaao mais convenient aos principios
de ordem e de paz que todos aspiram,os que tern uma parcela de respon-
sabilidade,por menor que ela seja,na educaqio e instrugao de futuras
geraqoes,deverao,sem duvidasob pena de cometerem uma falta grave de
carter moral,contribuir intelectualmoral e mesmo materialmente, corn
o maximo de esforqospela implantaqao dum regimen mais apropriado ao
sistema social dos povos modernos.
Uma coletividade,deve se caracterizar por uma conjugagao inteligen
te de forgas varias,poremharmonicas entire si,atuando num mesmo sent
do e para uma unica finalidadea do aperfeiqoamento sempre crescente
desse formidavel conjunto de ciencia e arteque caracterizam uma civi
lizagao.
Desde que cesse tal finalidade,ha um disperdicio de energies; as
forqas se desarticulam e ora atuam em campos 6postosperfeitamente e-
quilibradasdeterminando o estacionamento dos povos na march do pro-
gresso que vinham seguindo,ora se desequilibram por complete e as cri
ses se estabelecemas competig5es surgem,implantam-se as lutas arma -
das e a Civilizaqao,que vinha sendo implantada pela sucessao de gera-
96es,perde seu pedestal de perfeita moralidade e cai,voltando ao ni -
vel primitive. Os diferentes graus de civilizaqao que a humanidade
tern tidoatestam suficientemente essa alternative na evolugao dos po-
vos.
Eu atribuo tais alternatives a uma deficiencia por parte das clas-
ses sociais,na escolha dos verdadeiros leaderscom a educagao apropri
ada as contingencies do moment. N6s sabemos muito bem que aos lea
ders cabe a maior tarefa na implantaqao dos metodos que os tempos exi
gem de acordo corn a evolugao que se estabelece em toda e gualquer ati
vidade social,corn tendencies a urma nova organizagao,mas nao sabemos
conferir a elesas responsabilidades dos erros praticadosconforme e
de direitopois,leader e aquele que ausculta de perto a classes que re
presenta,recebendo quando preciso,as b8as sugestoes que o habilitem a
agir no moment propicioem pr6ol do bem star coletivomesmo quando
tal iniciativa acarrete elevadas somas de sacrificios de sua parte.
E,si ha classes que maiores responsabilidades tern no scenario nacio-
nal e internacionalesta 4,sem duvida,a classes da lavourapois e da
produgao agricolaeu o afirmo sem medo de errar,que depend o surto e
conomico dum povoo comercio e a industrial encontrando sua razao de
ser na produgao inteligente e organizada do home da lavouranucleo
central em torno do qual gravitam todas as manifestagoes da atividade
humana.Constitue a lavoura a fonte de todas as energies que a intieli-
gencia humana aproveita na sua faina creadoralcumpreportanto,org.ni-
za-la convenientemente e aparelha-la de modo a que possa produzir,no




2
moment preciso,tudo quanto as coletividades reclamam de mais until e
indispensavel. Produgao inteligente bem organizada; eis a mais import
tante sugestao que cada classes produtora deve dar a seus leaders em
atividade.
FASES DA PRODUCAO

Devemos admitir como verdade inegavel que a densidade de popular -
qao por unidade de superficie,cresce de ano para ano em todos os pal"
zes,devendo se estabelecercomo uma consequencia de tal verdade, um
proporcional aumento de consume de todos os elements necessarios a
vidanas suas diversas manifestacoes e corn o seu cortejo de exigenci
as. Cumpreportanto,produzir sempre mais5 4 o que a vida estabelece,.
e o que a humanidade exige. Do bom cumprimepto de tal exigencia 4
que-resulta a evoluqao tranquila dos povos,e os maiores esforgos de-
verao ser dispendidos em pr6l de tao important finalidade.
No campo agricola-,o aumento de produqao segue uma march natural
e logica que nao podemos modificar,sob pena de praticarmos erros gra
yes de consequencias desastrosas para a economic.
A primeira fase 4 caracterizada pela maior produgao dentro da mes
ma area e sem aumento de despesa. 9 a fase da reform agricola que
presentemente sonhamos realizar e que ja comegamos no nosso Palsen-
sinando aos interessados os metodos cientificos que realizam o aumen
to e a melhoria do produto,sem ser preciso aumentar a unidade explo-
radasao os metodos que fazem um hectare de terra produzir 2.500 qui
los de milho,em vez de 800,que fazem a mesma vaca produzir em vez de
2 ou 3 litrQs diariosl0 a 12 litros de leite-.
A segunda fase comega quando a densidade de produgCao,por unidade
exploradaalcangar seu limited maximoe neste casosomente corn o pro-
porcional aumento da area cultivada e que sera possivel satisfazer
as exigencias do consumo. Tern esta segunda faze tambem o seu limited,
que se evidencia com o fenomeno da super-populayto:um povo ja nao
tern meios de produzir o que atenda as suas necessidades. Surge entao
a terceira fase caracterizada pelo desejo de expansao. 5 a fase em
que os povos ao envez de se apegarem as ideas de conquistas armadas
que trazem sempre como desastrosas consequencias,as lutas entire eles
aniquilando atividadesdestruindo forqas vivas de tanta utilidade
pondo por terra todo o esforco dispendido durante seculosdeveriam a
brir as suas fronteiras e estabelecer o intercambio livre de homes
e de produtos,visaxido uma colaboraqao inteligente e proveitosa os
homes se irmanando num idealismo verdadeiramente cristao.

LIq5ES DO PASSADO

Tais consideragoes devem nos conduzir ao fire proposito de agir
mos no presentecom as vistas voltadas para o futurolsem nos esque -
cermos,um s6 momentogdos erros cornetidos pelas geraqoes passadas~tal
principio deve constituir ponto de capital importancia para n6s bra-
sileiros,que estamos iniciando a primeira fase da evolugao economic
a que ha pouco me refer.
Nao devemos repetir daqui por diante.o erro economic que tivemos
com a .implantagao da industrial sem o desenvolvirnento necessario na
produqao da material prima respeetiva. Tal orientagao que infelizmen-
te temos tido,contribuiu para o _aniquilamento de muitas industries
hem comegadas e esta contribuindo ainda para a march lenta de outras
que ainda existem. Achamos que a industrial s6 deve nascer quando hou
ver dificuldade inevitavel na utilizagao do produto aVricola sob. a
fornma primitiva,ou quando houver excess de produtos,o que,aliasnao
deve ser tornado como base,a nao ser nos casos em que o produto de ma
nufatura represent um artigo de primeira necessidade.
Temos a impressao de queate o presente,os povos tr'm evoluido, em






material de produqaosem o devido control das ciencias economicasba
seando suas atividades mais nos principios de individualism do que
no de coletivismo.

A ACAO DOS GOVERNOS

Cabe sem duvida aos governor grande numero de realizagoes praticas
diretamente ligadas A produgio e dentre elas,a mais importante,no mo
mento,6 a que se prende a instrugao agricola convenient. A lavoura
mineira ja contagraqas a clarividencia de seus leadberscom os elemen
tos basicos para uma reform convenient do seu sistema de producao.
A Escola Superior de Agricultura e Veterinaria do Estado de Minas
inteirAmente dedicada a lavoura,nao s6 do Estado mas do Brasil,cons-
titue,indubitavelmente,o primeiro passo gigantesco na implantagao des
se novo regimen. af tern.. a lavoura a grande colaboragao do Governo;
cabe-lheagoracolaborar no mesmo sentidoaceitando os ensinamentos
ministrados,assumindo o compromisso de tudo fazer pela reform plane
jada.
Precisamosquanto anteslivrarmo-nos desse principio errado que
ainda temos de querer que os governor tudo realize A administra -
qao public e tao complexa,meus senhores,que o period administrati-
vo mal chega para o estudo dos problems socials relacionados a uma
determinada classe,apenas. Aos governor compete unicamente incenti -
var e auxiliar a iniciativa particular isto 4 bastante para uma se
gura garantia da evoluqao que orientam.
Visitando,certa vezum municipio da zona da mata,com o fito prin-
cipal de estudar o sistema de exploraqco da manga,tive a confirmacao
.exata do mal quq aquele principio acarreta. Um agricultor,por mim
procuradojlastimava-se contra o governor pelos entraves que a estrada
de ferro oferecia ao desenvolvimento da cultural local.
"Imagina o sr.,dizia-me ele, que a estrada deixa o produto apodre-
cer na estacao,a espera de praca para o transporte. Vou derrubar as
mangueiras que tenho para nao ter mais amolagoesuma vez que os go-
vernos nao olham para isso."
Perguntei ao lavrador quantos volumes havia despachado e ele subi
tamente respondeu-me; dois Pois bemiretruqueiso sr. deve fazer
justamente o contrario do que se propoe:plante mais mangueiras5con-
vide os seus vizinhos a plantar mais mangueiras e entao,em vez de
mandar despachar duas caixas de mangas o sr. mesmo despache 200 ou
2.000 caixas,e certamente o seu produto sera" transportado logoem
carro especial,ligado ao trem da carreira,ou num especial de frutas,
propositadamente organizado.
Nao vi mais o citado lavrador,mas acredito que tenha seguido 0
meu conselho.
Quantos lavradores ha que pensam do mesmq modo ?
Precisamos,quanto antes,modificar esse sistema de pensar errada -
mente,e eu,neste momento,faqo a' conceitua4a Sociedade Mineira de Agri
cultural o apelo para que espalhe por toda parte esse conselho simples
que demos aquele lavradorcomo uma valiosa colaboragao na melhoria
das nossas cojidiqoes economicas,hob.e tao precarias
CITRICULTUJRA
Ha,entretanto,uma fase da evolugao agricolacujo surto economic
muito,ou quasi que exclusivamente,depen3e da assistencia moral e ma
trial dos governosestes intervindo diretamente,por uma legislagao
convenient.
Eu me refiro a fase de exportaao dos produtos,a mais important
da vida economic, a que maior e melhor assistencia carece no senti ,
de bern servir os mercados que nos distinguem.




- 4 -


Ja e' do dominio public o surto que vem tendo a exportaqco da la-
ranja no Brasil;os grandes centroscomo Limeira e Sorocaba,no Estado
de Sao Paulo,Camnpo Grande,no Distrito FederalSao Gongalo e Nova Iguas
su,no Estado do Rio, j a se aparelharam para a industrializaqao da la-
ranja elevando-se a dezenas os "Packing house"instalados num period
de pouco mais de dois anos.
Por urma visit que fiz aos citados centros de citriculturaeu pu-
de muito bem verificar urn grave erro de inicio que muito estI cQntri
buindo atualmente,para o descredito da nossa fruta nos mercados ex-
ternos,em proveito,sem duvida,dos paises que ja ternm a exportaqco da
laranja bern organizada.
Os pauses adiantados na produ9co dc laranjas,gastaramn muito tempo
e muito dinheiro para chegarem ao periado da industrializagaocorri-
gindo erros,estudando,emfim,todos os assuntos relacionados corn o pro
blema,afim de se apresentar ao mundo corn essa formidavel.produqao de
larmanjas padronizadas.
N6sque tencionamos estabelecer a industrial da laranja,deveriamos
ter eliminado,logo de inicio,todas as causes de possiveis erros, as
mesmas causes que outros povos tiveram de corrigir ou eliminarcau -
sas estas que sao muito do nosso conhecimento. S6mente depois de as-
sirm proceder 6 que deveriamos pensar nas custosas inatalacges de pre
paro da laranja destinada a sexportaqao em grande. escala.
Os nossos laranjaisinicialjjente mal formados,sem a distancia de-
vida entire arvores,infestados por uma infinidade de pragas e doengas
naturalmente pela falta de conhecimento na maneirA de trata-los3 o
pessoal sem a necessaria instruqao quanto a maneira de colher e trans
portar a fruta destinada aos maquinismos de manipulagao,para o
fim da embalagem conveniente,tudo isto,meus senhores~contribue para
a producao de frutas inferiorese dest.e modo criando urn ambiente de
descredito para a laranja brasileira.
0 servico de citricultura do Fomento Agricola,ora creado pelo Go-
verno Provisorio vailcertamenteremover muitas dificuldades e resol-
ver o problema convenientemente,dentro de muito pouco tempo.

PLANO DE CITRICULTURA EM MINAS

Minas,cuja evoluqco em material de citricultura e ainda bern peque-
na,a ponto de nao merecer a laranja uma citagao ,no mapa economic do
Estado~relativo ao ano de l129,embora nesse ano fosse de 1.465.000 o
numero de laranjdiras existentes,Minas,repito,ja iniciou seus traba-
Ihos nesse sentido. A cultural da laranja vai se desenvolvendo pouco
a pouco,porem,em bases firmestendo em vista os ensinamnentos prati -
cos de outros povos,frutos de longa experiencia e de dispendios fabu
losos.
Convencidos de que o major segredo da industria lucrative da la -
ranja reside na boa formaqao dos pomares,o primeiro trabalho que ti-
vemos,foi produzir~com o fito exclusive de ensinar a produzir,o. ele-
mento basico do bom pomara b6a muda5pedra -angular da industrial ci -
tricola,segundo a feliz expressao do consultor tecnico do Estado, o
prof. P.H.Rolfs.
JA conta o Estado de Minas,como fruto da "Semana dos Fazendeiros':
em b6a hora introduzida pelo atual director da Escolao dr.J.C.Belo
Lisb8a,alguns bons viveiristas,nossos discipulos,excelentes dissemi-
nadores de mudas "Standard",de acordo cofn o nosso espirito de disse-'
minar os melhores tips. Cito aqui os nomes de alguns,a titulo de mo
desta homenagem e como prova de minha acersao;-
1-Candido Moreira Cadete Eutagao de Astolfo Dutracom 60.000 en-
xertos.
2-Atos Albino ------------- UbAcom 3.000 enxertos




, 5


3-Simoes .da Silva ----- TJba,com 3.000 enxertos.
4-Ari Rola------------ Sao Domingos do Prata,com cerca de 5.000 en
xertos.
5-Rola Perdigao--------- Sao Domingos do Prata,com,aproximadamente
3.000 enxertos.
Pelas informaqaes que temos dos citados viveiristas bem como de ou
tros do municipio de Leopoldina,relativamente ao vulto dos negocios
que realizam avaliamos categoricamente o louvavel acerto de nossa par
te.
Cabe-me citar aqui os valiosos trabalhos de citricultura em reali-
zaqao no -Horto Florestal e no campo Experimental de Carmo da Mata, da
nossa Secretaria de Agricultura,sob orienta9ao segura de habeis tecni
cos,cuja atuaqao no desenvolvimento da citricultura mineira esta ten
do o desejado realce e a devida apreciagao.
Quer nossa Escolagmesmo a custa de sacrificios por parte de seus
servidores,tudo fazer pelo desenvolvimento economic do Estadoapare-
lhando-se e enriquecendo-sepela experimantagao pratica de informes u
teis e indispensaveis aos que trabalham na lavoura e pecuaria,os ver-
dadeiros formadores da riqueza public e por cujos interesses temos
que zelarcomo fatores indispensaveis que sao da reform agricola que
necessitamos implantar.
Foi pensando assim que estudamos e resolvemos,nas Es.iaa diversas fa
ses de organizacaoo problema dos viveiros industrials de citrus, e
os 50.000 enxertosaproximadamnenteque este ano produzimos com o mes
mo pessoal e material que dispunhamos no Departamentoatestam sufici-
entemente as possibilidades da expansao que pretendemos c incentivar.
V, pensando como acima,que a direqao da Escola atualmente .. empenha
pela expansao da citricultura no municipio de sua sedee ros de Ri.
Branco.,Uba,Cataguazes e Leopoldina,zona esta corn condicoes 6timas pa-
ra se tornarem pouco tempo,um centro de grande vulto na producao de
laramj as.
Nossa Escola jCa esta trabalhando na formaio do seu pomar industry
al e pretend dentro de urn ano instalar em sua sede,si assim o permi-
tirem suas possibilidades,o primeiro Packing-house de proporqoes redu
zidas,mas que permit o estudo de todas as fases do prepare da fruta
para a exportaqao e,mais do que isto,que permit a formagao de pesso-
al habilitado,principalmente mogas,conhecendo bern as diversas manipu-
laqoes,desde a selegao da fruta,ate o encaixotamentogarantindo,desse
modoao perfeito funcionamento dos .grandes"Packing-house" que future -
mente se instalarao em Ub. e Leopoldina.
JA tenho ouvido falar no perigo da super-produqao da laranja. Os
receiosos de tal circumstancia,talvez baseiam tais pensamentos nos
fantasticos viveiros de milhoes de mudas que Sao Paulo organizou. Eu
posso informar aos que me ouvempara de vez.riscar tal suposigao, as
circumstancias seguintes-
ia A percentage de mudas "standard" que os viveiros oferecem
e pequena,e como prova basta cjtar--lhes que certa companhia,
desejando instalar urn grande pomar para fins industriais,nna
visit que os tecnicos fizeram aos vivairos paulistas de mi
lhGes de mudas,conseguiram apenas 1.000 enxertos corn todas
as qualidades que caracterizam uma b6a muda.
Conclue-se da' que a formagao de pomares nao e rapida como
se pensa.
2a 0 povo que mais consome laranjaspelo menos na Europa,e o
povo ingles;pois bem,cada cidadao ingles consome,por ano
70 laranjasquando deveria consumer esse mesmo numero numa
semana.




6-
3- Belo Horizonte paga por uma laranja Bala5500 reis,isto 4,
eem vezes seu custom de produgao,nos pomares industrials.
Ser. possivel pensarmos em super-produgio ?
Precisamos incentivar no nosso meio o consume de frutas em geral,
os nossos trabalhadores que dispendem tanta energia fisica,mourejan
do de so61 a so61 no-trabalho arduo do campo ou dentro das grandes o-
ficinas das metropoles industriais,sao justamente os que mais neces
sitam introduzir a fruta na sua alimentaVao diaria~cousa que deixam
de fazer em virtude de seu baixo poder aquisitivo e alto prego do
produto.
Ha uma suposicao de que a embalagemn encarece a fruta;constitue.
tal suposicao uma consequencia da falta de convenient observacao
por parte dos proprios intermediaries.
Nos pomares bem organizados e tecnicamente tratados ha sempre uma
percentage variavel de 2 a 10 por cento de fruta infestada e de di
ficil separagco,mesmo pelos praticos dos "Packing-house".Quando cen
venientemente embaladas as frutas essa percentage ,na estagao de
destino ou nos mercados consumidores,permanece invariavel dentro
das caixas,o que nao acontece quando se economisa a embalagem,ele -
vando-se dentro das caixas improprias a percentage de apodrecimento
a 50 e 60%,quando nao se perde todo o produto. A b6a embalagem e uma
garantia segura do aproveitamento de toda fruta adquirida e deve
constituir,a meu ver,uma exigencia governmental perante os produtos
res e exportadores,como media de-grande alcance na implantagao do
sistema de venda a domicilio~sistema este que poe o consumidor em
cont6to corn o produtor,e que a nossa Escola est6 tentando par em
pratica.
Os intermediaries tern sua utilidade,as vezes,para os que desco -
nhecem as possibilidades do mercado-devemos entretanto,admiti-los
como criadores de preqos artificiais que quasi sempre entravam o de
senvolvimento economic duma coletividade.
Esbocei-lhes rapidamente o nosso piano de citricultura em Minas.
De nossa parte ja comecamos a trabalhar pela sua realizaio pratica,
corn essa vontade firme e esse espirito de tenacidade que devem ter
os que serve a um ideal;e se uma obra foi comegadamerece ser con-
cluida,principalmente quando ela se destina a melhoria das condiqoes
economics dum povo. Fago daqui desta tribune que tanto me honra, o
meu fervoroso apelo A Sociedade Mineira de Agricultura para colabo -
rar conosco nesse grande ideal que nos anima,removendo as dificulda-
des que possam servir de entrave a nossa agao direta junto a classes
agricola de Minas. De tal colaboraqaoestou certo,resultarao incalcu
laveis beneficios,e o proprio governo,tao empenhado como esta na res
tauragao economic de Minas~voltara suas vistas nao so para orimpor-
tante problema dos transportes do qual muito depend a produgaogcomo
tambem para o problema da vigilancia sanitaria vegetal,hoje tao care
cedora duma grande assistencia official e tecnica ao mesmo tempo,pela
crescente difusao que esta tendo entire n6s a terrivel mosca do Medi-
terraneoa ceratiktes capitata,cuja erradicaqao,nos Estados Unidos
da America do Norte,custou ao governor daquele pals a apreciavel soma
de 4 milhoes de dollars.
Precisamos evoluir,e,para isto precisamos trabalhar e trabaihar
bastante,visando um ideal que satisfaga o nosso espirito de realiza-
dores.
0 home em todas as fases de seu crescimento,da mostras do quanto
sua natureza 4 exigente em material de evolu9gao:a creanqa aprendeu a
dar os seus primeiros passose ja nao quer saber'mais do coloe con-
centra todas as energies para desembaraqar-se o mais depressa possi-
vel e principiar a correr.A crianga quer ser mogo e o mogo quer ser
home e.como home compenetrado de sua sober.nia,ele coordena as





-7-

forcas que lhe giram em tornojmultiplica-se conttr6e e sacrifice o
resto de sua existencia em proveito da vida future de seus descen-
dentes dir6tos.
Educai o home a seguir esSa sua traaetoria dentro da boa moral,
aparelhae-o convenientemente para que nao disperdice suas energies,
favorecei-o de modo a nao. contraria-lo nas suas naturals pretenqoes
de evoluir,e tereissem duvidaos povos bem orgcanizados e a humanida
de desafiando os seculos dentro da paz e da harmonia.





A SUINOCULTURA EM MINAS
(Conferencia realizada na Sociedade Mineira de Agriculturapor Paulo
A. de Miranda Henriques,professor de Zootecnia da Escola Superior de
Agriculture e Veterinaria do Estado de Minas-Gerais).

Por gentileza do ilustre Snr.Diretor da Escola Superior de Agricultu-
ra e Veterinaria do Estado de Minas-Gerais,recebi o honroso convite pa-
ra aqui vir,deante de notaveis e experimentadas pess6as em assuntos a -
gricolas,falar sobre alguns pontos uteis a economic e ao desenvolvimen-
to de nossa vida rural .
0 agronomo brasileiro,hoje,mais do que em qualquer tempo,tern o dever
de pensarlde dizer e de realizar trabalhos que possam trazer incentive,
organizaqao e entusiasmo pela agriculture.
Eu,como unidade insignificant do nosso corpo agronomicole obreiro nu
ma de nossas Escolas de Agricultura,me acho no dever de despir-me das
fraquezas que possuo~procurando encher-me de ousadia e b8a vontade para,
nesta abenqoada e eficiente Sociedade de Agriculturatrazer urn pouco de
elements quetalvez,unidos a outrosvenham ser uteis a nossa agricultu
ra.
Sou dos que pensam que o moment e de dizer e de fazer,mormente em se
tratando de agriculture.
EI ela uma cienciaarte e urn negocio (si me permits a expressR6) que
precisa ser realizado ao mesmo tempo que se falepara se ter evidencia
* da economic.
Solicitou o nosso caro Diretor que aqui dissesse urn pouco ou algo,so-
bre alguns dos problems de nossa pecuaria.
Meditei e,como por sorte convenci-me de que deveria aqui vos falar so
bre suinocultura,o que me fez ficar todaviareceioso da responsabilida-
de da tarefa 0 dever,porem,encorajou-me para corresponder ao anmavel
convite,e eis-me aquia vossa presenqa.
Aproveito da oportunidade que se me oferece,para trazer-vos diretamen
te os resultados de tries anos de ativos trabalhosna nossa Escola e em
fazendasde various municipios e diferentes zonas do Estado:- desde a ce
lebre Mata dos Painsno municipio de Formiga~ate a de Manhuassu,de Raul
Soares e de Juiz de Fora.

A Industria Agricola Mineira

Nossa industrial agricola tern por missao produzir 6 que necessitamos
para a nossa manutenqao e,ainda para a venda.
Si procurarmos examiner as estatisticas de importaYaogas quais devia-
monter sempre diante de n6s,encontraremos como produtos importados:-ba-
tatas~porco vivobanha de porco e outros produtos dessa mesma natureza.
Considerando bem esse fAto,n6s nunca diremos; "Reforma de nossa indus
tria agricola", masdeveremos frisar;- "Precisamos iniciar a nossa in -
dustria agricolal".
Corn esta afirmaqao iremos entrar no campo vasto de nossa Agricultura
e encontraremoscom certezaquatro problemas;- o do home agricolao da
produqcoo de transport e o da venda.
0 problema do home agricola 4 complex em suas resolugoese precisa-
mos dar-lhe capacidade tecnicaadministrativa e varias outras.
As nossas Escolas de Agriculturaem parte,estao ja. resolvendo as fa -
ces da tecnica.
0 problema da producgao n.o esta ainda em equaqao,em todas as suas fa-
cesgtendo-segporemalguma cousa ja resolvida e outras em comego de solu
caopelo que,damos,como exemploa resolucio do da creagio de porcos, no
nosso Estado e o da de bovinos leiteiros,ja em comego.
Resolvido sim,esta o problema sobre'a criacao de porcinos,no logar on
de se tomou isso por tarefa,faltando passa-lo entretanto aos verdadeiros
agents da Agricultura.




-2-
S0 problema do transporte,deante da vastidao territorial do Estado,
muito deixa a desejar. Sem o transport nao se valorizam os produtos,
e os futures ver-se-ao prejudicados pelo desanimo e pelo pessimismo
do produtor.
N.io sabendo ainda bem produzir,os nossos agricultores nao sabem ven
der,e temos,assim,uma serie de problems na vida obscura de nossa A
gricultura. Ela 6 obscura mas devera ser alegre,rica e poderosa.
E como ?
Estud.ando'-se seus problems na realidade dos fatos e colocando-os
na respective sequenciaafim de serem os referidos problems resolvi-
dos corn ardor,precisao,tenacidade e prazer.

A Escola Superior de Agricultura e Veterinaria,do Estado de Minas-Ge-
rais~e a suinocultura

Conheceis por certo que a Escola Superior de Agricultura e Veteri
naria comegouem 1929 a enfrentar corn energia e continuidade todas as
faees do problema da criagao de porcos,em Minas-Gerais.
Corn o grande ideal de dizer o que ja fez e de fazer o que dizela
teve necessidade de coinhecer todos os problems que existem na nossa
criagcio de porcinos.
A Escola tinha o prejuizo de 30 a 50% dos leitoes;nasciam corn 450
a 700 gramas de peso os reprodutores tinham desenvolvimento muito len
to e algumas porcas comiam os filhos.
0 numero de problems era acrescido. As fazendas visitadaspor pes
seas da Escola,perdiam de 40 a 100% dos leit5es;a alegaqiao de enfeza-
mento dos porcos era continue e,por tudo isso,o auxilio da Escola era
pedido a cada moment e todos os dias.
Ate entao,a Escola nao lhes podia prestar nenhum auxilio,pois os
mesmos problems tinha ainda a resolver no seu departamento de Zootec
nia.
Urgentes se fizeram,portanto,as resolucges de tamanha dificuldade
e. que pesavam e pesam tanto na economic do Estado.*
S6mente em leitoes,o Estado perde 6.900.000 anualmenteos quais po
diam ser outros tantos cevados.
SPassarami-se os diasos meses e os anos de 1929,1930 e 1931,e os
problems da arte de criar porcos,a Escola Superior de Agricultura e
Veterinariado Estado,resolveu-os na proporcao de 90%.
Ela p6de ensinar como nao se perdem leitoes,como se desenfesam por
cos e como se p6de melhorar o porco national.
Este esta sendo cuidado,em umas das variedades do Canastraque nos
tern dado a grande esperan a de poder ser agrupada ao ro/l dos porcos ,
melhores em engordano Pais.
Nao ficou s6mente neste ponto a agao revolucionaria da nossa Esco-
la,chega ela mais adiante.
Nada teriamos realizado,si tudo isso tivesse ficado nos relatorios
anuais e nao chegasse ao conhecimento dos nossos criadores de porcos.
Alem do ensino,e durante a Semana dos Fazendeirosforam comeyados
trabalhos em forma de palestras publicas,reunioes de Fazendeiros, as
quais se realisaram da seguinte ordem;
No dia 7 de Setembro de 1931 realizamos a primeira aula popular ao
ar livre,no arraial de Cachoeirinha,no municipio de Viqosa.
A essaseguiram-se outras em Sao Miguel do Antalno Paraguai,Sao Jo
se do triunfo,no municipio de Vicosa.
Depois de feitas as palestras em pequenos centrospassamos aos mai
ores como; Cataguazes,CarangolaMuriae,Manhumirim,Manhuassu e Ub. .
Depois desses trabalhosinas fazendas conhecidas-em que iamnos, ja
nao encontravamos a falta de higiene usual,que. sempre encontrmios on-
de os porcos come e dormem;jae se falava em fazer comodospara os suin
nos;ja se procurava saber como o leitao nao more atacado de molesti-
as.




-3-

Em 10 de Outubro de 1931,na fazenda do Snr. Cel. Francisco Ferreira
da Silvano municipio de Viqosa,realizamos a primeira reuniao de fazen
deirosem fazenda. Estiveram presents a essa reuniiao 34 pessSas;na se_
mana imediata a essa reuniaoquasi todos os fazendeiros nos pediram
que fossemos as suas fazendas lhes dar sujestoes. sobre a cria9ao de
porcos e o que diviam fazer para nao terem mais prejuizos.
Em 18 de Novembro de 1931,realizamos a segunda reuniao de fazendei-
ros,na residencia do Cel.Theotonio Teixeira~em Sao Miguel do Barroso,
municipio de Rio Branco. A essa reuniao compareceram 38 fazendeiros.Ne
latratamos de dar ideas como se criam porcos,e nao os ter s6mente.
Essa reuniao,deu-nos a oportunidade de fundarentao,um "Centro de
Monta" que ficou organizado pelos que estavam presents. Foi,imediata
mente isto feitopor havermos trazido da Escola,um reprodutor de Duroc
Jersey e dois sacos de tancage.
Ficaram como primeiros responsaveis pelo "ICentro",os Coroneis; Theo
tonio Teixeira e mais dois fazendeiros. Em 6 m~ses,nesse "Centro" fo -
ram cobertas 22 porcas,das quais nasceram depois,135 leitoesqde 6timas
condiq5es fisicas.
Alem do entusiammo que ocasionou a qualidade dos leitaesisso incen
tivousatisfatoriamente,a edificagao de instalaqoes,para leitoes,cacha
qos e porcas parideiras.
No dia 4 de Junho do corrente ano de 1932, realizamos a terceira re
uniao de fazendeirosem casa do Snr. Cel. Jose de Paula Lanna. Houve
a presenga de 32 fazendeiros,tendo sido feita a demonstragao de quanto
vale a instalacao~na criaQao de porcos. Nesse dia fundamos o "Segundo
Centro de Monta". Urn dos frutos desse "centro"l foi a demonstracao in -
discutivel do valor da maternidadena criagao de suinos.
0 Snr. Jose de Paula Lamna perdia 75% de seus leit6esnos anos ante
riores,durante 20 anos de sua estadia nessa fazenda.
De sete porcas parideiras obteve 48 leitoes,dos quais,40 estao press
tes a entrar para a ceva. Os resultados dessa assistencia aos nossos
fazendeiroscorn visit de instruqao e incentivoetem lhes proporcionado
animo,iniciativa e aqao.

Os problems da suinocultura em Minas

Hano Estado~os problems da criacao e da engorda de porcose ha os
das industries de porcinos. Vemosnessas duas faces de exploragao de
porcos,relagoes estreitas entire seus problems e resolugoes.
A finalidade economic de suinos trazsem a menor controversiaos
seguintes desejos; criar muito porco e te-lo para despesa e para ser
vendido.
Sao os fatos que levam a afirmar~com toda a segurancaque o ca-mpo
de criar porcoseconomicamenteesta delimitado e positivamente conheci
do.
Poder. ele ser visto e realizado em todos os municipios do nosso Es
tado ?
-Mao. I isso ainda impossivel;temosno seu caminhoobstaculos pode-
roso.s que devem ser removidos, A nossa ativicdade em suinocultura esta
limitada do seguinte modo:- Pelo baixo valor economic que o fazendeiro
d ao porco5pelo pouco gosto e resumidos con;-cimentosique o mesmo tern
relativamente a essa criaqao ;pelo financiamento de que ele dispoeipe-
la dificuldade de transported.e comunicagao e de mercado que ele encon
tra.
0 baixo valor economic que o fazendeiro d6 ao porco,manifesta-se
quando ele diz: "Porco 4 uma criaao que nao d. lucro";e,ainda quando
nao sio computados em estatisticasquantos cevados se consumiam, n5
115.000 fazendas do Estado .
Ponderada e valorizada esta quantidade em quilos e mil reisteremos
urn grande valor para o suino.




S" -A4 -
Desde que nao haja4,em muitas resioes e fazendas a idea do valor do
porco,o gosto pela sua criacao sera muito pequeno;o desejo de adqui -
rir conhecimentos,sobre essa exploraqaoe quasi nulo.
Em algumas regimes do Estado,e ja reconhecido o valor do porco,bem
como existe gosto e vontade de conhece-lo. Citarei como exemplo: a Ma
ta dos Pains.
Mas,nela,faltam: o credit para a criacao e engorda de suinos, a
boa estrada,o guia das iniciativas,para se evitarem as mortandades
dos leitoes,para se realizar a engorda rapida.
- E porque ? Manoel Magalhaes,em Sao Domingos do Prata,Jose de
Paula Lanmna,Theotonio Teixeiraem Vigosa,estao-tendo grandes resulta-
dos e estao animados corn as suas criacoes de suinos ?
- Porque dao valor ao porcoagostam deleprocuran conhecer o modo de
melhor criagao,indo a Escola durante a Semana dos Fazendeiros e em
qualquer dia que precisam. Acreditam elesvgem e fazem o que a Escola
lhes recomendatem estradas de automoveis,para a porta de suas fazen-
das e mercados para seus cevados,em qualquer tempo e para qualquer
quantidade. Eram vencidos,hoje estao vencendo nesse ramo.
Em conclusao no nosso ambiente pecuario,o conceito economic do
porco,para uns de que ele 6 uma fonte certa de riquezasge~para
outros,uma exploragaoque s6mente traz uma series de prejuizos-o ccnhe
cimento sobre a sua criagao e engorda 6 insignificante,provando perda
de 40 a 100% de leitoes e a degenerescencia rapida da criaqao;as difi
culdades de transported comunicagaoo, financiamento estao todos para
serem resolvidosfaltando-lhes o estimulo para criar equasi totalmen
teos agents para produzirem o porco de que necessitamos em qualida-
de e quantidade.

Como criar porco bom

Nao sera porco bom todo animal que o acqougueiro ou o industrial re
fugue,como tambem nao o sera,aquele que produz pouco leitaojde ma qua
lidade e que naoo crie.
0 porco que devemos procurar produzir devera ser aquele no qual
o comprador nao ponha defeitos comerciais,e que d6 ao donono minimo,
12 cevados por ano,e de custo minimo.
- Onde havera esse porco ?
- Nas rqgas puras e nacionais,e nos individuosbons bons,6timosdes -
sas mesmas ragasdonde primeiramente devemos ter conhecimentos das ra
gas de porcos,quanto as suas aptidoese a de seus individuos. Procu -
rem o porco para o mercado e nao o mercado para o porco. Qualquer ra-
a de parco da lucro,si ela tiver o que o mercado consumidor desejar,
e o criador souber te-lo sempre em sua fazenda.
Eis o grande problema da atualidade,no piano desse ramo da pecua-
ria: saber ter sempre o porco que o mercado quer e o que Ihe dg re -
suit ados.
Passemos a este assunto,discutindo-o,comno a Escola o tern feito con
juntamnente corn uma dezena de criadores de suinos.
Adquirindo o porco bom no sentido que aqui tomamos,teremos o dever
de : conserva-lo e melhora-lo como o compramose fazer corn que os
seus filhos sejam melhoresou,no minimocomo seus pals.
I pois em torno desses dois pontos que se baseia a arte de criar
porcos.
0 bem intencionado criador de suinos da racga Duroc-Jersey,suponhamo
lo,leva-o para a sua fazenda,entrega-o ao empregadoe fica esperando
pelo grande resultado.
Decorrido um mes os Duroc come am a "engrossar" e arrepiar o peloa
passa-se o segundo meso terceiro e o quarto meses,nascem 8 leitoes
que ,depois de de quinze dias,morrem tres,de "batedeira",dois debaixo
da porca;restam tres,donde o fazendeiro conclue: "Raga ruim,porca




- 5 -


ruim".
Mas os.atos nos obrigam a concluir que a causa de tanto fracasso e
o complete desconhecimento do fazendeirogsobre as leis naturais de
criar.
0 fisico de nenhum porco podera conservar-se bom si nao encontrar a
limentaqao b6agem qualidade e quantidade,que lhe satisfaqa as necessi
dades do organismo,o conforto e a garantia de seu equilibrio vital.
S6mente poderemos ter o porco fisicamente conservado e melhoradogsi
lhe ministrarmos os seguintes fatores;- instalagoes indispensaveis,.-
alimentaqco boa e higiene rigorosa onde o porco vivecome e dorme
Chegou o dia de afirmarmos que o porco nao e porco~no sentido comum
do termo.
A tarefa do criador de porcos ainda nao terminou,pois os filhos de
bons porcos devem lhes serno minimosernelhantese corn tendencies a
melhorar sempre.
-Como sera isso possivel ?
-Ainda que porcos,filhos dos mesmos paisnao serao eles iguais em to
do o objetivo,que almejamos conservar,em via de regra. Devemos dar
o passo firme da 'seleqao rigorosa",com os animals destinados,.a repro
ducaosob os pontos de vista de caracteristico de raga,o que o indivi
duo e fisicamentequais foram seus pais e que qualidades tinhanm;como
sao os irmaoso que sao eles e o que ja produziram.
Esse importantissimo trabalho de seleqao de reprodutores,que vem
nos garantir terms quasi certeza de bons animals fisica e genetic -
mente o que devemos fazer que sempre haja.
Precisamos bern distinguir o que seja melhorar a ragae o que seja
melhorar os individuos de urn rebanho.Tais sejam as falhas que tenha -
mos no rebanho,que tambem sejam os metodos de reprodugao a usarmos,pa
ra haver a correqao.
SA degenerescencia do fisico,e qualidades hereditarias,em urn rebanho
puronao podera ser corrigida corn o uso de outra rata diferenteou
mesmo corn os individuos da mesma raga que sejam peiores ou iguais aos
que ja possuimos. Dos metodos de reprodugaouns tern a tendencia de me
lhorar o fisicodesorganizando completamente a hereditariedade no pon
to de vista economico-outros5ao mesmo tempo que melhoram a hereditary
edadejtambem melhoram os individuos fisicamente. Baseados nessa conce_
pgao,temos ha tres anos na nossa 2scola centenas de porcos bons,para
o nosso meio comercialcom saude e dando lucro.
E como ja foi dito,todos os fazendeiros do Estado que tem feito 0o
que a Escola aconselha,obtiveram e continual a auferir resultados i -
guais aos dos Snrs. Manoel Magalhaes em Sao Domingos do PrataJo-se de
Paula LannaTheotonio Teixeira e outrosdos municipios de VigosaRio
Branco e Ub"',respectivamente.

Problems industrials da suinocultura

O verdadeiro industrial de produtos de suinos traz em si tres gran-
des desejoss- comprar muito porco~conseguir e ter os produtos mais
procurados e em grande quantidade ;vende-los todts por bom preqo.
Os industrials como os criadores de suinos .tem e sofrem prejuizos
de varias naturezas que procedem de diferentes causes.

Comprar muito porco

Eis urn important desejo do industrial,que 4 muito dependente.Limi-
ta-o em poder ter sempre o porco desejado;,a quantidade de dinheiro pa
ra as compras;as tarifas de estrada de ferro;os impostos a pagar por
porcos e produtosios produtos que os porcos daoa-capacidade das fa -
bricas e a salda da produqao.




-6-


Esses fatores tgm as suas resoluqoes por meio do fazendeiro,dos di
rigentes das companhias de transportes,e pelo proprioindustrial.
Portanto,sao agents diferentes que atuam nestes problemasocujas
resoluqoes dependem da cooperaqao dos aludidos agents.
Mais uma vez o industrial estar. dependendo do criador de porcos,
que ilhe fornecer. ou nao o produto mais procuradolem grande ou peque
na quantidade.
Relativamente 6 quantidade que ha de produzir,alem do fator produ-
tor do porco,o industrial tern contra si a capacidade da fabric e a
de credit.
Supondo-se que o industrial compare muito porcoge produza os produ-
tos mais procuradoss6mente os podera vender si os tiver de boa qua
lidade e deles fizer reclamne,guardando-os para os tempos de grande
procura.
Tudo isso sera impossivel sem oporco bom e o financiamento5 assim
sendo,o industrial de produtos de suinos,para realizar os seus dese
josestara dependendo dos criadores,do credito,do transport e da
sua propria atividade.
Em se aplicando ao nosso Estado estes principios,surgem-nos.os se
guintes questionarios.-
Tem o Estado o porco que da o produto ou ou produtos que as fabri-
cas querem ?
Sao de primeira qualidade os produtos de nossos porcos ?
Que impostos pagam os compradores e industrials de porcos ?
Tgm as nossas fabrics de banha e outros produtos de suinos o cre-
dito suficiente para o seu bom funcionamento ?
Ha produtos de suihos de outros Estados entrando em nosso comercio ?
Respondam-nos os nossos industrials.

Medidas que julgamos necessarias,para o complete desenvolvimento da
suinocultura no Estado de Minas-Gerais

Acabaram de ver que nao temos os fatores para a b~a criaqao de sui
nos,mas que existem as possibilidades de te-los. Fizemos ainda li -
geira apreciagao sobre a parte industrial e a aplicamos ao nosso
tempo e condigces,tiramosentao,conclus6es de que temos tudo para
fazerrelativamente para produzir o "porco economico"e em grande
quantidade,como ta mnbem para a industrial movimentar-se normalmente.
Assim sendoa criaqao e industriaque tem.por fim a exploragao de
produtos ligados a suinoculturaprecisam do auxilio dos dirigentes
estaduais e municipais,dos industrials e de cada interessado.
Consideremos o seguinte quadro:.

0 Estado de Minas-Gerais5exportoude 1917 a 1926 eno decurso
de 1930,os seguintes produtos;-


Produto exportado ____ -A N 0 S
1917 1926 1930
Suinos vivos----------- 107.059:775$000 11.154:880$000
Banha,salame,carne,etc. ll.306:880$000 3.368:090$000
Toucinho--------------- 39.707.606$000 2.268:206$967
Nesses anos,a exportaqao de suinos e derivados pagou de impostos;-
5.787:721$000.
Considerando as cifras acimaachanos que merecem a criagao e indus
trias porcinas do Estado ser protegidas e melhoradas as secqoes de
suinocultura das nossas Escolas tecnicas;fundem-se nelas verdadei -
ros cursos de especializaqao de suinocultura sob um mesmo program;




-7-
seja dado inicie, quando ja houver agents ao servi9o ambulante de sui
nocultura,nos moldes jia iniciados na Escola Superior de Agricultura -
do Estado~facilite-se e se realize o. credit aos suinocultores espe-
Scializados e finalmente incentivem-se,por todos os meioso desenvolvi
mento das vias de transporte e comunicaqao de'todas as zonas do Esta-
do em que- a suinocultura predominar.
0 Estado de Minas-Geraissem duvida alguma,como os fatos o demons-
tram,nao tera suinos para seu consumo,nem para vendersem as secq6es
de suinocultura e cursos especializados para os interessadosdesde
que sao elas as fontes de ensinamento,para a produ9ao de bons porcos.
Ifao havendo o ensino ambulante que leva assistencia de perto ao fa
zendeiro interessado,teremos o trabalho i restrito as Escolassem va -
lor algum E coletividade agricola.
Sem o credito,serao limitados a produgao~o melhoramentoa engorda
dog suinos,e sem o transport e a comunicaqao o cevado sera. fartura e
nao riqueza.

Senhores
Vamos terminarpara vosso alivio,v6s quecom muita bondade me es -
tais a ouvir falar tanto em favor do pordo.
Mas que fazer,si ele 4 desses animals que recompensam fartamente
ao que se fizer por ele ?
-Eis como e nossa suinocultura;quanto nos da em dinheiro;como deve-
mos criar'que devemos executar para a resolugao de seus problems e
os meios de as passarmos aos nossos fazendeiros.
-A em dire9ao aos fazendeiros que todas as nossas atividades devem
se dirigir. Sao eles os realizadores do trabalho agricola economic,
eles sao os que necessitam do auxilio da tecnica do assunto.
Somos n6s os organizadores e concatenadores do material para essa
obraisem o obreiro ter o material e o piano seguro para agir,a obra
nao se levantara.
Desde jajuntemosorganizemosdistribuamos material para nossa
suinoculturaque os bonds trabalhadores que sao nossos fazendeiros, em
breve darao feita a obra do desenvolvimento racional da suinocultura,
de nosso grande Estado de Minas-Gerais.




0 MILHO
(Conferencia realizada na Sociedade Mineira de Agricultura por Diogo
Alves de Melo,professor de Agronomia da Escola Superior de Agricul-
tura e Veterinaria do Estado de Minas-Gerais).

Corn a quarta conferencia,ou melhor palestra,que vem realizando nes
ta benemerita associagao,os professors da Instituiqao a que tenho a
honra de servirnao vem o humilde professor de Agronomia trazer ao sc
leto auditorio novidades de vulto,apenas dar a esta Sociedade,de par
corn comentarios relatives ao milho no mundo,informes. de como temos ex
carado o problemna de produgho economic desta utilissima plantaem vI
9osa,programa que desejamos ver aplicado a todo Estado.
SCreiam os Exmos. ouvintes,que o prelecionista a que se dignam ou -
vir 6 estreante em material de enfrentar auditorios e dai contar ante-
cipadamente corn o previlegio de urn julgamento condescendente e ameno.
Nao sei quemn disse: "ouvir discursos ou conferencias,poucos e bons
porem,faze-los,nunxa". NHo comento o ditado,mas confesso acho pro -
fundamente acertado mormente quando elaborado em causa propria.

Corn a ddscoberta do NovW Mundo,a humanidade enriqueceu-se corn o ad
vento de uma das plants mais uteis A alimentagao humana e animal.Corn
tempOraneamente,o volume das safras de milho no orbe terrestre s6 e
ultrapassado pelo da batata inglesa,estando pouco acima do vulto de
produgao do trigo e equivalent a quasi duas vezes a produao mundial
do arroz,e note-se que esta graminacea 6 base de alimentagao da raga
mais numerosa do mundoa amarela.
No conjunto de produgao agricola geral,nenhuma plant 6 mais utili
taria e mials concorre para prosperidade e riqueza das fazendasque o
milho..Ele e fonte das produgoes conexas,e creador afinalda fartura,
quer quando constitute produto unico,quer quando farta e satisfaz o ho
mem,transformado em alimentos indispensaveis.
Colobbo,em 1492,encontrou o milho cultivado pelos aborigenes norte
americanos e particularmente pelos Aztecas,no Mexico,sendo em seguida
introduzido na EuropaAfrica'e Asia,com denominagoes varias.
De acordo corn Harshberger,o cultivo do milho originou-se nos altos
planaltos do sul do Mexico,onde as species Zea eanina e Teosinto,
seus parents proximos,existem em estado selvagem. Povoada a parte
central dos Estados TJnidos,o celebre vale do Mississipi,regiao queda
das suas condi9ges climatericastopografia e fertilidade natural veio
a constituir verdadeiro paraiso do milho. Naquela previlegiada region,
a produ9gao desta graminea foi,gradativamente,tomando tal incremento,
que seu valor atual,vai alUm do de quaisquer grupos de duas outras
cultures daquele Pals,notando-se que os Estados Unidos da America do
Norte produzem mais de 50% do algodao do mundo e que suas produgoes
de trigoaveiabatata ingl~sa e forrageadoras sao formidaveis. Em
1918 a produgao de milho norte-americana foi de urnm bilhio e cincoenta
e cinco milhoes de sacas de cincoenta quilos,cujo valor atingiu atres
bilhoes quinhentos e vinte milhoes de dolars,ou sejam,quarenta e cin-
co milhoes oitocentos e seseenta e quatro mil contos de rWis,cotado o
dolar a treze mil ris.
85% da produgao mundial de milho sai das Americas,cabendo aos Bsta
dos Unidos mais de 70% deste conjunto. 0 celebre "horn Belt" america-
noque apenas compreende seis ou sete pequenos estados,fornece mais
de cincoenta por cento de toda produgao mundial,e 6 tambem a region a
gricola do mundo civilizado,mais prospera,mais rica e mais adiantada,
gragas a sua assombrosa produgao de milho,que inaugurou e mantem,na -
quela faixa do territorio norte americano uma pecuariaque nao encon-
tra igual em outra qualquer parte da terra. Ali criam-se e engordam -
se milhoes dos melhores porcinos especializados para banha e os mais
perfeitos vitelosque auprem os maiores frigorificos do mnndo. Q,sem




--2"*-


duvida,o milho o granderesponsavel por essa riqueza conexa.
Creio que as citagoes que acabamos de fazer demarcam suficientemen
te a maxima importancia da cultural do milho no mundo,quer do ponto dev
vista economico,quer como element criador de civilizagao,confortori-
queza e bem estar.
USOS DO MILHO

0 grosso da produgao de milho do mundo 4 destinada a alimentagco a-
nimal. 0 home compartilhaA seu consume em escalas vaeriaveis,podendo
ser considerado como base alimentagao de fortes nucleos de popular -
qao,tal qual acontece corn b4iosso pais onde ele se associa ao feiao.
Submetido aos processes de transformagao nas grandes refinaqoeso
que constitute grande industrial nos Estados Un.idos,fornece farinhas fi-
nas,alcool e melado o qual e preferido ao assucar de cana para conser-
vas de frutas,por se nao cristalizar. Deixa ainda apreciavel quantida-
de de sub-produtos que se empiegam na alimentagao de animals. Ja possu
imos,em Sao Paulo,otima refinagao de milho,com capacidade de moagem de
cincoenta mil quilos'diarios. Creio Sue em future proximo,com o aumen-
to e difusao dos produtos de refinagoes de milho,teremos novos estabe-
lecimentos deste generonos maiores centros de produqAo. Belo Horizon-
te,participando economicamente de uma das melhores e maiores zonas na-
turals de milho,tal qual a regiao calcarea que comega em Santa Luzia
do Rio das Velhas e se projeta a grandes extensoesesta,naturalmente,
indicada para sede de uma grande refinaqao,que vira incrementar e raci
onalizar esta cultural.
9 ainda o milho,importante factor responsavel pela produqao de leite
em inumeras regiGes,nas quais,e empregado em forma de silagem. Para es
ta finalidadetem-se experimentado inumeras plants entire leguminosas
e graminaceas,e se concluio ser o milho a plant ideal,para confecqao
dessa forragem concentrada,mantendo assim,sua classificagao como rei
dos cereais,quer correspondendo a-alimentagco adequada a engorda de
gorcos e outros animais,quer como suculenta silagem,especialmente pro-
picia ao forrageamento do gado leiteiro no tempo seco.

A CULTURAL DO MILHO EM MINAS
Podemos afirmar categoricamenteser o milho o factor mais diretamnen-
te responsavel,ou creador da prosperidade economic das fazendasem Mi
nas. 0 proverbio que afirma ser.o milho o esteio da fazenda,e mais,
quem dele possuir abundanciagozar6 de fartura,tem a maxima aplicagao
neste Estado. Existem,em Minas,inumeras propriedades agricolasnas
quais esta graminea utilissima,representa a principal base de alimenta.
qao humana e a unica fonte de renda dir6ta corn a criagao de animals.i
No conjunto de produgao de milho do pals,Minas se coloca em tercei-
ro lugartendo,em sua vanguarda,o Rio Grande do Sul e Sao Paulo.
Convenhamos que o Rio Grande do Sul,joga corn a superioridade de con
diqoes mesologicas e a agriculture mais racionalizada,entretanto,compa
rando-se as areas e populagces respectivasverificamos que Minas nao
produz em proporgao e relatividade corn sua extensao de territorio. De
fAto, Minas corn 593.810 kmn e 6.950.000 habitantes e uma densidadepor
tantolde 11,7 habitantes por km2,produziuna ultima safra,1929-1930 ,
13.205.00 sacos de 60 quilos,segundo dados do fomento agricola fede -
ral. Ao pass que o Rio Grande do Sul,corn 285.289 km2e,2.400.000 habi
tantes e densidade de 8,4 habitantes por mn2,no mesmo ano,produziu
15.453.833 sacos.
Da desproporcionalidade que acabamos de verificar,concluimos)em pri
meiro piano o fAto de que,nao se tendo verificado relagao constanteen
tre o aumento de populagao e de produgio,Minas de antiga exportadora




- 3 -


de banha e toucinhotornou-segrande consumidora desse produto~vindo
do Rio Grande. Adicione-se,ainda,que o Rio Grande,produz milho a bai
xo custoe na base de engorda de porcos,emquanto nos malhamnos em "fer
ro frio" da producao sem base economica.Se nos determos ainda,no exa
me da questao,verificamos que,Minas exportava banha emquanto existi-
am no Estado terras novas e ferteis. Escasseados tais campos de cul-
tura e ainda diante da ausencia de. maquinario agricola,adubacaosele
cao e amanho convenient de terras, enfraqueceu-se a tal ponto a
producao de milho,que nao mais basta ao consume interno a banha mi -
neira e,consequentementetemos de traze-la de fora.
-Podera Minas voltar a antiga situagao de exportadora de banha,tou-
cinho e cevado ?
- Poderlos ter nossa produqco e consequence exportaqao de laticinios,
qumentada e melhorada,por meio de emprego de milho ensilado~no tem
po seco,mantendo,assim,b6a media de produgao quando os pastos natu -
rais nao oferecerem alimento ?
A tais interrogacgoes respondemos afirmativa e categoricamente.pa-
ra confecgao de tais desideratos,torna-se imprescindivel a resolugao
dos seguintes pontoslque enumeramos em sucessao de importancia e dis
cutiremos abreviadamente
12 Emprego de maquinas.
22 Preparo e trato cbnvenientes dos terrenos d cultures.
3 Adubacao e rotaqao.
4- -Selecao e variedades puras.
5g- Combate a queima e erosao.
6 Combate a pragas e doenqas.

EMPREGO DE MAQUINARIA
A maquinaria agricola fez da agriculture comtemporaneaindustria
organizadagarrancando-a da significagao de simples meio de vida.
Os pauses em cuja agriculture nao sao empregadas maquinas~mal pro
duzem para consume interno,tal como se da corn o arroz do oriented a
maioria de nossos produtos agricolasincluindo-se o milho.
A produgao do trabalho rotineiro em agricultural oferece lucro
quando as cotagoes sao excessivamente altasgOu quando o braqo e de in
fimo valor,como acontece na ChinaIndia e Java. Os passes verdadeira
mente prosperosnos quais a agriculture industrial e fator de riqueza,
sao os que empregamn a maquina como instrument direto de produqqo.Ai
temos o segredo do sucessocom que o Rio Grande do Sul,produz banha
para si e para grande parte do Pals. Decorre este f6to da mecaniza
cao de sua agriculturapoisos dados nos mostram,que aquela unidade
da federaqao possue mais aradosque o restante do Pals.
J6 e classic a pergunta: de como serem trabalhadas mecanicamente
as terras acidentadas de Minas ?
Entretanto,nao sera preciso a mecanizagcao dos morros altos,safa -
ros e lavados e de fraco teor de fertilidade natural.Basta o aprovei
tamento racionaldas terras plans e lombadas pouco acidentadas e
ferteispara que tenhamos grande prodUgco de milho.
Mas,a paisagem atual e a do velho habito de plantio em altos de
morros,onde a enchada acha facilidade de manejo _e,o abandon de ter-
ras plans e ferteis que trazem consigo a relagao de urn trabalho mais
arduo e dificil. Dai,termos no Estado,numero desproporcionado de la-
vradores de milho,para a incipiencia de colheitas vigentes. 0 quintu
plo da produqgaio atual,si racionalizada,seria possivel corn o mesmo nu
mero de homes. 0 fato e que temos muito agricultores produzindo pou
co e caro. Consequentemente o produto na sub-divisao final,nao da lu
cro quer vendido em especie,quer transformado em banha ou toucinho.
Porco produzido comn milho caro,p6de dar fartura e economic domes-
tica do fazendeiro,mas estA long de constituir fonte de renda segu-




- 4 -


ra e direta da lavoura. Em media 9 quilos de fuba sao necessarios pa-
ra a obtenqao de um quilo de peso bruto de porco,donde 4 claro que es
te vendido a 2$200 o quilo,prego correnta na mata de Minas,nao deixa
margem a lucro,cotado o milho a $200 o quilocotagap essa,ainda oti -
mista.
Na Escola Superior de Agricultura e Veterinaria do Estado de Ilinas
ferais,o custo da produgao da unidade de milho,na ultima colheitaque
foi de 31.521 quilos ou sejam 525 sacos de sessenta quilosfoi de
$040 o quilo,computadastambem,as produces de terras inferiores que
geralmente,oferecem infima margem de lucro. Essa produgao de 1929 -
1930,que acabamos de citar foi de milhos puros,isto 4,produgaio control
lada para sementes,e nao corn carAter commercial direto. Para produao-
comercial 6 f6ra de duvida,poder-se baixar ainda alguns r4is no custo
de produgao.
A causa imediata de nosso baixo custom de producao reside inicial -
mente,na mecanizagao de nossas culturas.Segundo nossas observaqoesum
trabalhador e animal trenados no manejo e tragao,de um cultivador de
uma filafaz,com perfeigao,o trabalho de 15 a 20 enchadas.
0 papel economic da maquinariajnao se limita apenas em baixar o
custom imediato de producao,vai alem,e se perpetUa,no melhoramento fi-
sico,quimico,e,biologico do solo.

PREPARO E TRATO CONVENIENTES DOS TERRENOS E CULTURAL

E,sem duvida,dos problems mais importantes o preparo convenient
da terra. Comumente o lavrador encara como operaqao puramente objeti-
vida na limpeza e preparaqao superficial do solo. A capina ou aradura
tal qual se faz corn pequena ou nenhuma antecedencia A plantaqao, nao
permite,quer a decomposigao e integragao de material organicaquer a
melhoria fisico-quimica e.biologica da terra,sob a agao dos agents
atmosfericcs. Inumeras experiencias demonstram,que os terrenos arados
corn bastaiLe antecedencia ao moment da plantagaogoferecem considera-
vel acrescimo de produqao. Tal observagao,cresce de importancia quan
do a aplicamos aos terrenos argilosas que constituem a maioria das
terras mineiras.

TRATOS

Um author americano disse. "cultivar 6 adubar" esta citaqao 6 verda
deiro axioma estribado hoje em largas experimnentacoes,que,objetivaram
o assunto em todas as suas feiqoeSo Para o caso dos pequenos cereais,
que sao plantados juntos,e rapidamente cobrem a superficie do s6lo,os
cultivos,alemn de dificeis,nao trazem beneficios de monta,ao passo que,
corn as plants que exigem espagamento maior e recobrem gradativamente
o terreno tal como o milho,os cultivos sao indispensaveis e visam pri
mordialmente mobilizar os alimentos para as plantas,conservando-as
ainda isentas de mato.,diminuindo a erosao e mantendo a superficiae- do
solosolta e arejada. Entre n6s,entretanto,o fazendeiro alum de p"',. -
cos cultivos os faz em mementos absolutamente improprios. Tal como se
jamcapinas quando o milho jA esta amarelado por abafanentoe limpas,
no instant emrc que se da o pendoamento e produgao de raizes adven
ticias.
Transcrevo os dados que se seguemrelativos ao valor dos cultivos,
obtidos na Estagao de New-Hampshire,Estado Unidos,como ilustragao do
que acabamos de dizer.





CULTIVOS


Nutureza e ng Producao em kgs.p/Ha.

Nenhum ----------- 1.006
Rasos,14 -- ---------- 4.742
5----------------- 4.654
Fundos,5 ----- ---------- 4.101

ADUBAA0 .E ROTAgAO

0 milho sendo plant de grande vigor e crescimento muito rapido,o
6 tambem exgotantee a proposito,o caracteriza o seu sistema radicu -
lar extenso e superffdial que age vorazmente nas primedras camadas do
solo.
Como ja nos referimos em outro local,em Minas,como na maioria do
Pais,verifica-se a tendencia da escolha de terras altassecas e pobres
para cultural do milho~por facilidade da trabalho,relegando-se os terre
nos pianos e ferteisamas dificeis de amanho A enchada. Nao nos esqueqa
mos,entretanto,que sao.as boas terras as que oferecem boas margens de.
lucro,o que melhor se objetiva ponderando-se: -si urn solo inferior pro-
duz,apenas,o suficiente para cobertura do custom de produqco,os s6los
bons pagam,com margem folgada de lucro,os dispendios da produqao.Gran-
de parte do milho em Minas e plantado em terras demasiadamente pobres'
para que possam,suas colheitas,alem de cobrirem o custom de producao,a-
presentarem margem a lucro.
.0 requisite primordial de um solo para milho,e,sem duvida material
organica,pois que ele requer,grande quantidade de azoto e e o unico ce_
rial capaz de aproveitamento dos deposits organicos,ainda em franca
decogposiqao,ao pass que os demais ceriais o exigem inteiramente de -
composto. Onde houvesse excess de azoto tal que viesse a causar ao
trigo ou ao arraz produgqo desproporcionada de palha,pequena ou nula
produgco de grormaturaqao tardia e acamamenteo milho encontraria
meio otimo a grandes colheitas.
Incluida a maneira 6timistamuito brasileirados superlatives de
qualidades que atribuimos ao nosso Pais,encontramos a afirmativa de
que temosas mais ferteis terras do mundo.Nada menos junto,nossas ter-
ras sao geralmente pobres de material organic. Para atingirmos a uma
estabilidade industrial em agriculture e corn ela uma produqco de milho
relative as possibilidades e necessidades que temostorna-se necessa -
rio corrigirmos essa deficiencia.
Para esse desideratum preconizamos o aproveitamentoenas fazendas~de
todos os detrimos organicostais como:palha de arrozgfeijaoicafemilho
bagaco de canaeespecialmente do esterco de curral~detritos que sao
fatores valiosos de melhoramento de terras e culturas,ate hoje desper-
digadas pela imprevidencia do nosso lavrador.
A Escola de Vigosa tern ponto de vista experimental firmado a respei
to do aproveitamento e aplicacao de esterco de curral e, palha de cafe,
podendo. assimoferecer a consideragcao dos interessados os. seguintes da
dos:




-6-


EXPERIENCIA DE ADUBAqLO


ADUBO Producao p/ha-Kgs. % pes 2 ou mais espigas
S1930 31 1931-32 1930 31 1931.- 32

Esterco de curral- 4.960 2.492 56,1 65,0
Palha de cafe ---- 5.295 2.365 59,5 51,0
Sem adubo---------- 3.350 2.048 28,0 46,0

Note-se que na segunda experiencia,feita em grupos de quatro filei-
ras de 65 metros de comprimento,em triplicata,o calculo de produgao
por hectare,foi feito na base de 15.000 pes de milho por hectarequan_
do essa area podera center quasi o dobro,com maior numero de pes de
milho por Area.
a A pratica da rotagao e associagao de leguminosas as cultures de mi
lho,contribuirao eficazmente,para a manutengao e melhoria da produti:
vidade de nossas terras,incorporadas a elas azoto e reserves de mate-
ria organic. Infelizmente,o lavrador mineiro,nao conhece ainda os be
neficios de tais praticas,para a conservaqao de suas terras e conse -
quentes b8as colheitas de milho,emquanto outros povos,melhores apare-
lhados intellectual e materialmente,praticam-na largamente,haja vista
os americanos do norte. Si dispuzessemos de tempo,poderiamos citar i-
numeraveis dados experimentais a proposito,entretanto,permitam a se -
guinte citagao:- na Escola de Agricultura do Estado de Illinois,Esta-
dos Unidos,foi conduzida pelo espago de 10 anos,uma experiencia,com 2
sistemas de rotagcorelativamente a cultural do milho comparativamente
ao cultivo.sem rotacgao.
Corn o primeiro sistema foi feita rotagao de milho,aveia e trevo,a-
presentando como resultado,media de 10 anosrendimento de 53 dollars
por Ha.
Comn o segundo sistema de rotacaosmilho e aveia,isto 4,sem associa-
gao de leguminosas,o resultado medio de 10 anos,foi de 35 dollars por
Ha. apurando-se assim urn deficit de 18 dollars contra o segundo siste-
ma.
Onde o milho foi cultivado sem rotagcio de especie alguma,pelo espa
go de 10 anos,a renda,por Ha. ,foi apenas de 33 dolars,perdendo,assim,
este terceiro sistema,20 dollars para o primeiro.

VARIEDADES E SELEgAO

A maioria,quasi totalidade,alias,dos milhos produzidos em Minas,
sao mesclados ou cruzados,de tal forma,que constituem uma mistura de
tipos absolutamente despadronizada. 0 cruzamento 4 causa de degenecues
cencia e consequpnte desvalorizagao do produtoem qualquer mercado or
ganizado,ao passo queas variedades puras mantem sempre,melhor cota -
9ao,e correspondem e compensam melhor os trabalhos de selea-Oo Em vir
tude da facilidade com que o milho se cruza e da consequente degeneres
cencia,requer seleao continuada e rigorosa,que devera comegar na ro-
ga e se extender ate a escolha do grao.
A Esfola Superior de Agricultura e Veterinaria do Estado de Minas-
jeraistem mantido e melhorado o grau de pureza de seus milhos,fazen-
do-se sistematica selecgo. Economicamente,a principal finalidade da
selecao,re-side no aumento de producao por unidade de area. Em Vigosa,
temos conseguido aumentar a produgao de individuos portadores de 2 ou
mais espigas,seguindo principios de selecao,perfeitamente capazes de
serem praticados,por qualquer fazendeiro de b6a vontade. No nosso pri
meiro ano de plantio,obtivemos a m4dia de 18% de pes corn 2 espigas.
boas.




--7 -


No segundo ano gaihamos 27% a mais,obtendo 45% e,no terceiro,elevamos
a porcentagem a 52%.
Em sintese,com a selecao empirica,esta cabalmente provado,poder-se
conservar a pureza de uma raga e manter sua media maxima de producao
ou aumenta-la.
Eonvenhamos,entretanto,que somente a selecao nao conservara os
bons caracteristicos e previlegios de urma variedade. Sao tambem fato-
res necessarios: terras b8as e bem preparadas.

EROSAO E QUJEIMA

Sao os dois maiores fatores,verdadeiros flagelos de empobrecimento
de nossas terras. As queimas periodicas tao do gosto dos mineiros,sao
responsaveis diretas pela anemia de nossa producao agricola e conse-
quentemente da do milho. E a velha e ficticia cultural auxiliada pelo
fogodando produgao nd 1 ano,e decrescendo rapidamente ate chegar ao
sapesal.
A erosao lavando os terrenos,carrega a fertilidade natural do solo
pondo a descoberto os sub-s6los,e sujeitando as terras cultivaveis a
rachamento,e excicaqaodificultando todo o trabalho de preparo,de bio
logia do s6lo,de penetraiio de raizes e infiltragao de aguas pluvialiS
As nossas terras montanhosas e especialmente as de base argilosa, sao
muito sujeitas ao empobrecimento causado pelas erosses. A um problema
novo para o Brasil o combat e control a erosao,entretanto outros p.
vos se preocupam corn o resolve-lo praticamente.
Nos Estados-Unidos consideram este assunto corn tamanha importancia
que ja se organizaram ali estagoes experimentais destinadas ao estudo
circunstanciado do fenomeno,em todas suas fases. Estudos acurados a
proposito,revelaram que os maleficios das erosoes,custam anualmente
aos Estados Unidos 10.000.000 de toneladas de materials fertilizantes
retirados de seus campos cultivados e pastagens,o que represent 21
vezes o volume de material de nutrigao das plantas,que todas as cultu
rasqconjuntamenteretiram do solo em um ano. A erosao esem duvida,
grande fator de desertos em todas as parties do mundo.

DOENgAS E PRAGAS

0 milho emquanto ainda no campo e atacado por molestias criptogami
cas, (as Diplodias e o Carvao) que causam prejuizos consideraveis, p2
dendo elevarem-se ate 60% do total da colheita. As Diplodias sao res-
ponsaveis pelos milhos "ardidos",e o carv~o (Ustilago Maydes) estraza
o milho emquanto verde,porem muito menos que as Diplodias,sp. Rotagao,
escolha de espigas pendendes para semente e arrancamento e destruiqao
dos pes atacados (no caso do Carvao) sao meios aconselhados para se
conbaterem esses males.
Relativamentq a animals e insetoslinimigos do milho e concorrentes
figadais do produtortemos a lamentar os ratos e o Calandra oryzae, o
celebre caruncho ou gorgulho. Quanto ao combat a prevengao aos pri -
meiros~podemos encerrar o assunto declarando. Ser tao fail a constru
qao de paioes contra os ratoscomo ao alcance deles. Quanto ao carun_
choindubitavelmenteo e- peior hospede do milho armazenado ,destruin-
do e inutilizando quantidades consideraveis desse ceralha meios de
combat quebem aplicados muito concorreraio para reduzir ao minimo se
us estragos. Entre n6s os meios mais aconselhados de combat sao:-es-
colher para sementes espigas bem vestidas,plantio dos milhos durosq
limpeza rigorosa dos paios para receberem as colheitas novasequando
possivela debulha e armazenamnento em grao,o que permit o expurgo em
cameras proprias.




8-

A,esta o,meus senhores,os pontos ou providencias basicas~necessa-
rias para que Minas eleve a sua producao de milho a um nivel de in -
dustria rendosae altamente compensadora. Sao questoes de tecnica e
pragmatica racional,que qualquer fazendeiro patricio,de boa vontade,
poder' levar a efeito. Esta posto,poisem equaqao o problema e a sua
resolugio implica apenas a difusao do ensino e educaqao professional
do lavrador mineiro,que,como o sabeis,at6e agora tem sido escravo da
rotina irracional,filha de geragoes e geraqoes estagnadas em usos e
costumes absoletos e arcaicos.
Podemos afirmar categoricamente que o lavrador mineiro deseja me-
lhorar a sua produgao de milho,o que vemos pela enorme frequencia Is
aulas sobre milho que se processam na Semana dos Fazendeiros,organi-
zada anualmente pela Escola Superior de Agricultura e Veterinaria do
Estado de Minas-Geraisvem Viqosae pelo grande numero de pedidos de
sementes puras que vem tendo a Escola todos os anos.
Como parte do nosso program de ensino e alevantamento da cultural
do milho no Estadorealizamos ja duas exposigoes anuais de milhoque
foramn inicio promissor de uma series que ha de merecer a march ascen
dente dessa cultura'entre n6s.
Em 1931,ltivemos na primeira Exposigco,em desproporcionalidade nume,
r ica flagrante corn os milhos mesclados 20 lotes de milho cristal ;
66 lotes de catete. JAem 1932 foramn expostos 73 lotes de cristal e
.174 de catete,mostrando que os lavradores estao procurando sementes
.de milhos puros.
A Escola desde cedo reconheYeu a transcendencia do problema do mi
lho em Minas,etudo ven fazendo em prol desta magna questao;tal como
introdugaoaclimatacao e seleqao de variedades puras,preparo do solo
e trato convenient das culturasadubacogcombate a pragas e doengas,
etc.
Ja vamnos conseguindo resultados animadores e havemos de ye-los
crescer e avultarem para bern de Minas e do Brasil.




















'4'




A FITOPATOLOGIA EM MINAS-GERAIS
(Conferencia realizada na Sociedade Mineira de Agricultura,por Albert
Stanley Millerprofessor de. Fitopatologia da Escola Superior de' Agri
cultural e Veterinaria do Estado de Minas-Gerais).

Uma das repartiqoes da Escola Superior de Agricultura e Veterinari
a de Minas-Geraisdedicadas ao melhoramento das nossas culturas,e 'o
Departamento de Fitopatologia. I parte do program que todos que saem
desta Escola,tenham' bomin treino de Fitopatologia,ao menos algum conhe-
cimento dos principios fundamentais.Mas o- ensino de Pitopatologia
constitute apenas uma das tres divisoes do trabalho desta reparticao.A
segunda divisao muito importxante,alias,constq do service de divulga -
cao de informaq9es sobre Fitopatologia.em artigosou emi circulares,ou
ainda em consultas por carta ou em vistas ao local. A terceira con -
siste em pesquisas e nos various estudos tecnicosnecessarios a colo -
car o departamento a par dos problems fitopatologicos deste grande
Estado.

.QUE t A FITOPATOLOGIA ?
Analisemos o que e a Fitopatologia. A palavra ocorre tio frequent
mente nas nossas revistas agricolas de hoje.2 derivada de tres pala -
vras da lingua grega na seguinte maneira:
Fiton Plarta
Patos Molestia
Logos Tratadoestudo.

Portanto e": o estudo da molestias das plants.

IMPORTANCIA DA FITOPATOLOGIA

Vejamos,agora porque precisamos conhecer as molestias e de como e-
las influiem na prosperidade atual do Estado. Primeiroos estragos pe-
las molestias reduzem nossas provisoes de alimentos5(molestias de ar
rbz,milhotrigo0feij o etc.) Segundo,elas reduzem as quantidades de
materials uteis para o vestuariopara casasedificios, (molestias de
algodio,de arvores).
Terceirocontrarian as nossas necessidadesge os desejos (molestias
das plants medicinais,de fumo). 0 fazendeiro e prejudicado diretamen
te pelas perdas das suas culturas;tais prejuizos afetamn nao s6mente
a quantidade como tambem a qualidade das culturas,ffito que determine
o valor da safra no mercado. Sofre grandemente o Estado corn as perdas
em seus recursos naturais.
Afetado m efimn o mesmo povo porque os pregos do mercado se elevam'
em virtude de tais estragos

ESPTTISTICA DE PREJUIZOS

As perdas atuais.sao em muitos casos espantosos. Calcula-se que
so uma molestia do trigo esta causando uma perda annual no mundo, de
300.000 contos de reis. Ha dez anos,os paizes produtores da cana de
assucar,como Argentina,Porto Rico e Brasilcomecaram a sofrer perdas
de metade e ate. 3 quartas parties das safras por causa duma molestia a
penas o mosaico. Cita-se o caso de Ceilao onde a industrial cafeeira
foi aestruida duma veicompletamente,por uma molestia (a ferrugem).J3
dificil acreditar-se'nas estatisticas sobre as perdas tao grandes sao
elas.As perdas ainda aumentamporque atingem nao somente os produto -
res nas fazendasmas atingem aos negociantes que guardam as colheitas
como frutas,batatas hortaligasem armazens,e compram e vendem em loga
res distantesrequerendo transport destes produtos. Os estragos veri_
ficadcs durante o transport e nos armazens,s vezes,excedem os pro-


v




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prios prejuizos nos campos.

A STTACAO EM MINAS

Em Minas-Gerais nao avaliamos ainda toda a importancia das molest
as,por nos faltar-em estatisticascomo tambem porque nao sao conheci -
das ainda todas as molestias. A tarefa a cargo do Departanento de Fi
topatologia proimover uvm recenseamrento de todas as molestiascom o fim
de melhor se compreender a sua imrportancia na situaqao economic do
Estado.
Ao mesmo tempo comeqamos a compila ao dos prejuizos,baseados na
percentage dos estragos emi cada cultural cada ano. Sem conhecimento e
xato das molestias e das suas causasiiEo podemos saber quais sao as
melhores medidas para o seu combat. Registr.amos em tres anos de lios
sa atividade,em observagao de cento e quarenta cultures diversasmais
de 400 molestias presents neste Estado.

QUE 8JMA ADLESTUA ?

Nco ha duvida que existem nas cultures certas molestiasmesmo quan
do nao as reconhecemos. Muitas vezes 4 dificil dizer o que 4 uma mo -
lestia e o que nao e.
Geralmente,dizemos que uma planta tern uma molestia,quando ela dei-
xa de mostrar o desenvolvimento normal,ou quando vemos alteraqoes no-
civas e prejudiciais,por exemplo: folhas cheias de manchas (car de fo
lha seca) frutos apodrecidosaspectos de atrofiamento,raizes pSdres.
A preciso lembrar que tais alteraqoes nao vem de repentemas sao o
resultado de processes internos perniciosose as vezes continuous ate
a morte da plant. Porem,e muito necessario reeonhecer estas manifes-
taqoes de molestiaS logo que apareqam si quizermos combater as mesmas
corn vantagem.
Temos que comeqar sempre corn o combat no principioe nao quando
as plants ja.estiverem mostruando alteracoes extremes. Nao ha cura pa
ra plants quasi mortasassim como nao ha cura para vacas ou os sui -
nos ja doentes ha muitos diasdesenganados por falta de tratamnento em
tempo justo'
Muitos ignoram que as molestias sao contagiosas que se transmitem
de uma plant a outra. Sempre que as plants sas estao em contAto corn
plants doentes,podem adquirir o mal,tal como numa familiar em que to-
dos os membros adoecemem resultado de contato diario no mesmo ambien
te corn um f6co inicial.
Muitos nao compreenem ainda que as molestias sao contagiosas5,por-
que nao sabem que os causadores sao usualmente parasitas,pequenos se-
res invisiveis Al olho ndque vivem 61 custa da vida da planta~habitan-
do o seu organismodentro do seu proprio corpo. Estes parasitas mi -
croscopicos passam de uma plant 6 outra disseminando assim a moles -
tia e a morte nas cultures atacadas.
Tais parasitas sio bacterias,fungosnematoides,que roubam do corpo
da plant os seus .alimentos,e a destroem de diversas maneiras.
Alem dos parasitas~temos que reconhecer a existencia de outros cau
sadores de molestiaalguns conhecidos e outros ainda desconhecidos,co
mo o causador do .miosaico da cana.
Nao obstante isso9sabemos que tais molestias tambemn sao contagio -
sas,porque sao transmissiveis por insetos de uma plant a outra. As -
sim sao os insetds inimigos formidaveis,das nossas culturas,nao s6
por causa dos estragos que lhes fazem diretanente,como tambem porque
lhes transmitem as peiores molestias criptogamicas.




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COMBAT AS MOLESTIAS

Alem das pesquisas teoricaso Departamento de Fitopatologia tern que
fazer experiencias praticas sobre o control das mesmas. Os nossos fi-
topatologistas nao podem aconselhar o emprego de metodos de outros pai.
zes sem experimenta-los primeiramente,aqui,sob condiq6es locals. As
condig6es e sistemas de cultivo sao fatores de maxima importancia,deter
minando o sucesso ou fracasso dos metcodos aconselhados para o combat
das molestias. 0 combat .s molestias stemrpre custa dinheiro e esfporo,
e e pratico s6mente quando a eficiente e lucrative. Si nao e-possivel
obter urn lucro significativo,com o combate,4 melhor substituir-se a cul
tura por outra menos atacada. Ha certas medidas gerais,muito eficazes
as quais custamn pouco0mas dao resultados 6timos, Cito o caso da fazen -
deiro que nao aceita semente que provenha de campos infetados por moles
tia. Ele deve inspeccionar todas as sementes e mudas que entregarem na
fazendaplantando s6mente as sas e b8as,assim como os Governos,pelos es
forqos dos inspetores do Serviqo Sanitario Vegetal,evita a entrada no
palsdas molestias dos paizes extrangeiros. Este servlco e importantis-
simo. Nos Estados Unidos,ha dois anos,o numero de molestias intercepta-
das,passou .de 3.600..
Sabendo-se que,de mais de 125 molestias de Citruspor exemplo,o Bra-
sil nao tern mais do que metade delas,vg-se logo a importancia da inspec
qco de qualquer produto agricolaque entire no Pals. Na Escola inspecio-
namos o que entra e o0que sai.
Corn eliminagao das primeiras plants atacadas,ou parte delas,que ser
vein como f6co para disseminaqao A todas as outras plants do campo,des-
truindo-as completamente,p6de-se salvar,As vezes,todo o resto de uma
eultura,evitando assim surtos epidemicos.

AS PULVERISA9OES

SUrn dos metodos modernos de combat as molestias tern sido a proteqao
de plants sis corn aflicaqao de substancias quimicas,os fungicides vene
nosos aos causadores de molestiasem serem prejudiciais as plants. Is-
to se consegue corn pulverizaqoes destes fungicides em forma liquid ou
p6,sobre as plants.
As recomendacoes para pulverizaqao dependem de nosso conhecimento ci
entifico das molestiase tambem das cultures. 0 fazendeiro deve pedir
o auxilio e informagoes necessarias sobre a pulverizagao,a Secretaria
as Inspetorias,ou a Escola. Pulverisaqoes mal feitas custom caro e nao
rendem nada.
VARIEDADES RESISTENTES
0 metodo mais seguro de evitar as molestias 6 entretantoplantio de
qualidades de plantas,resistentes ou imunes ao ataque de males vegetais.
Tais variedadesmesmo quando presents o causador da molestia escaparao
A destruigao,ou serao pouco atacadas que nao se registramn prejuizos sis
nificativos na cultura.Nos ultimos anos corn o auxilio e esforco do
Governo do Estadoatem-se realizado progress explendido no estabeleci -
mento e uso geral de melhores variedades,resistentes,como cana de assu-
car,fumo,algodao e trigo. Alem destas,a Escola tem-se dedicado a disse-
minacao de variedades melhoressob o ponto de vista resistencia e to-
lerancia de arrozgmilho e feij.ao.
0 campo de serviqos que Fitopatologia p6de prestar A agriculture e,
como se vA vasto. Temos necessidade de muitos mogos para servirem ao Es
tado e A Patria,como fitopatologistasdando os melhores esfboros para
control a perda economic incrivel dos recursos naturais do Estado. J--
programa de ensino na.Escola dedica-se muito a esse fim,quer dizerpro-
parar futuros fitopatologistas mineiros.




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