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*/ 8/2/24 4' Excursao Araponga Bello Lisboa Tendo que ir a P. Iova testemunhar o ac-rmiento do meu amigo Dermeval de Carvalho, nao me foi possivel sahir as 6 horas de manha, da .. `. -. V.,.em companhia do6 companheiros da excursao as altas terra% do Aranon- ga, e que eram Dr. Bailey, Dr. Rolfs, liss Bailey, M'iss "olfs, Miss Perkins. Chegado de expresso d Ponte ^iova e tendo alguns affazeres s6 me foi possivel sahir com umr pouco atrazo. Viajei ate S. TijAel Ao caminhao, que condtsia a nossa bagageni. Os preiparativos da bagagem, descarga, e carga noo burros sAme deixaram sahir as 11 1/2 horas de manha. Esperou-me em S. Miiguel para auxiliar os preparativos da bagagem. "iss -olfs. Os primeiros passes da viagem foram duimairregularidade horrivel. A cado mom mento apear, apertar burro, destribuir cargO, encaminhar os animaes na estrada, em summa os contratempos, que s6 soffrem corn paciencia e resignagao os adfeitos e habituados 41s viagens de semelhante natureza. A' 1 ho/ra chegamos a -fante do nio Casca, onde nos espere a primeira parte da excursao anciosa -2- pela nossa chegada porque a mala condusi'o o nosso lunch vinha em nossa companhia. i'rovidenciado mandietamente, comegamos, sob a linda gombra de arvores a beira do Rio o nosso lunch, a unica refeiqao regular e leve que iamos ter naquelle dia. Depois do lunch estivemos ainda apreciando tao lindo local, sem nos preoccupamos com a falta que os minutes consumidos nos Itia causar horas depois de aasguatLps s"zffrrmert~ 4N inacreditaveis sof- frinmertos em lucta, pela vida. As tres horas continuamos a viagem, agora todos incorporados, nLuna cavalhada de 10 aniriaes, 6 corn a cornitiva, dois empregados, e dois condusido as bagagens. Viajamos conm passo vagoroso. A principio tinhamos o sol descoberto, pouco depois chuva, a as 6 horas a noite nos apanhqw"em plena desert. Estradas horriveis, intransi- taveis, cevido o mao tempo, rail perigos tivemos de vencer, sem ao menos poder-se ver a estrada, as cegas, sob o cuidado dos animaes chegamos ao alto da Tirarica. Foi urn onto critic de viagem, Devido um atoleiro tivemos de apear. Escuridao complete e chuva incessante. Na bprpfundO de apeiar-se e montar-se, nao foi sorpresa pars mim quando ouvi patear de animates e o barulho -3- caracteristico dum coppo aaindo por terra- era o Dr. Rolfs que saccudido pelo meu burro Caipira era atirado de cheio ao chao alem de tornar dois choices na perna. Grande affli9ao e contrariedade. 0 incidente fezvnos modificar o piano da viagem. Pareceu-r.e impossivel a continuagao da viagem a cavallo. Si o onisems nao sei a que estariam-os sujeito4 Todos se apeiaram e depois de amarrados os animaes resolve~ a descer serra a baixo em procura duma casa, em que pudecsemos passar a noite, ja eram 8 1/2. Fouco antes de alcarmos o alto da Tirarica o io emrregado Jose 1Ticolau gritou: "Dr, o cavallo bao- des- ceu de morro abaixo com a bagagerm. Atirado o Dr. Rolfs ao chao, o burro Caipira, livre de carga, desprrou liorro abaixo. Fugido o Caipira, o cavallo baoi rolado pelo buraco ab que afflicaoa ao tive...... peior entretanto era o estado de saude do Dr. Rolfs, que cor a queda muito se abateu. Ios moments de angustia 4 quando se4 deve activar a corager. E sem perda de tempo pedi aos meus presados eompanheiros e companheiras que me esperassem um instant. Ofidenei ao Jose Nicolau e Anto- 4 nio Aalbino que se pusfessem em caimpo, atravez das trevaf ,4- para salvar ao mtesem a carg do Baio. Eu em pessoa, ja molhado ate os ossos, puz-me a campear o Caipira, que ficuu arisco e refuglndo como trinta. Varias vezes quando estava quasi a pegal-o, mimoseava-me com um bom par de mai choices. F lizmente conseguimos achar o baio e pegar o Caipira. Voltando ao nosso arranchamento, tendo para tecto a copa pingante duma arvore e para assento a relva en- charcada entramos em combinagao sobre o que se devia fazer. Concordamos que ficar onde estavamos sem janter e molhados era muito arriscado para a saude, Proseguir cor o Dr.Rolfs tambemoera. Ficou resolvido partir uma escolta pir aquella serra abaixo em busca duma "posada" nflgum rancho. Sahimos eu, Miss Clarissa e Jcse icolau com a luz fraca duma lanterna electric, so usayda assim mesmo em logares critics descemos oa tres, como trem de criangas. um de mao dada ao outro para irem se com- p-esseAo os tombos, os equilibrios e os escorregoes. Depois de muito navegarmos e ja cor lama na copa dos chapeos chegamos a uma habitagao...... Era tal que apezar dos mil pesares nai tivemos coragem de pedir parada Que tifau e e que casa mais cheia de -inunundice. 'ia-se -5- na sala tudo misturada um caldeirao, uma basia de lavar pes, uma garrafa vasia de pinga, arreios, um home, uma mulher, criangas, etc., etc. Pedimos a lampaina emprestada, mas foi nos dito que o -erosene estava para acabar. Acceitei-a assim mesmo e outra vez agora comn mais difficuldades, navegamos morro acima. Ja eram 10 horas quando alcangamos o arranchamento das estrellas. N ovo concilio, nova discussao e em tudo affligao. Foi afastada a idea da posada. Io subida exploramos um velho moinho que aindaaestas horas esta impavido na encos- ta da serra. Era muito pequeno, era deriasiadamente pequeno para abrigar o Dr. Rolfs e o Dr. Bailey...embora fitasse- mos os outros ao relento tomando s-zbanho durante a noite. Propuz entao que levantassemos ferros e nava- gassemos. Permaneceriamn no ponto o Ze ricalau e Antonio Balbino par/ tomar conta da bagagem e no dia seguinte levassem cedo os animaes. A luz moribunda da lamparina do estafeta, que Biora eu elevava acima da cabega, hora abaixava ao rez da lama comegamos descer a Serra! Que caravana tectrica! Quanto cansago, quanto fome, quanto roupas molhadas, e principaLmente ao - quanto duvida sobre a chegada no Araponga nao iamos nos -6- arrastando por aquella estrada de mingao e desconhecida. CQuem conhecer aquella regiao podera avaliar o trajecto que fizemos a pe, do Alto da Tirarica ao Araponga. Ioite escura como breu. E tudo ainda era melhor emquantoha Tam- parina do Estafeta MTas, l1 pela i hora do madrugada, nada mais existia de kerozene e de pavic.... Dahi por diante ate As 3 p percurso foi feito as escuras. Eu que apenas tinha passado havia 4 annos naquella estrada, ficava em grande difficuldade quundo um dos companheiros me pergun- tava esta muito long ainda? E eu yeX aprendi a responder sempre como o caipira "TI pertinho 1/2 legua"....... A principio pouco descansavamos, mus por fim, as esta oes ficaram muito proximas, cadad es passes uma parada,um folego. Foi de grande valor urn corrego que existe na estrada, os estomagos vasios acharam aquellas horas deliciosa a agua fria da corrente Todos sem excepgao bebemos muito da agua. Uns -com as nmaos, outros estirados no chao. Dahi por diante a viagem ficou mais penosa.... ...... Dahi por diante tive de multiplicar esforgo, ora rebocando alguns de morro acima, outros vezes como boi .an amarra nas descidas. -7- Nesse penoir as 3 horas conseguimos ver uma casa, eu por palpite fallei,"E' a do meu amigo Capitao Raphael Jacovine I" Murros a porta Todos com alegria sentar- em-se no alpendre da aprezivel vivenda. Dahi um pouco appereceu em fraldes de camisa, o Capitao. Abrindo-me calmamente a porta gritei-lhe logo,"Capitao apaga a luz, ou esconde porque tem mogas." "Mogas a esta hora por aqui ?" "Sim, tres americanas.....logo ao assumpto queremos camas, capitao....""Nao tenho, a casa esta cheia!"-omo vae ser, nao podemos mais, estamos exhaustos," 'Ha um recurso", disse o Capitao,"A casa do vigario." "Muito bem! Onde e? No largo!" "E o caminho?" "Alli". T outra vez, com as molas enferrujadas............... Eis-nos finalrnente na casa do Vigario do bonssimo Pe. Duval de Souza, meu distinct amigp. Foi precise quasi arromber as portas. Como dormi--em bem as Padres! Depois de 15 minutes pelo menos...' Quem esta batendo?" "0 Lisboa, Pe Duval", Abriu a porta e ja estava de batina. Entramos todos quasi que a um tempo so. Fiz as apresentagoes. E logo em seguida execugao dum piano ............ para conquistaV de camas. Imagine os apuros.cu e o -U- vigario tocamos a fazer cames. Dr. Rolfs aqui. Dr Bailey alli. Miss Clarissa na cama do Vigario. Miss Bailey la. Miss Perkins acola. A mim tocou-me o quarto da sala, e o vigario, coitado, o quarto dos empregados. ..commodados os demais em /e o vigario fomos para a cosinha accendar o fogo para um cafesinho e agua para lavar os pes. Nao me lembrava mais. ue eu era um bom mestre "cuca" e nao sabia que o Pe. Duval o era. Em pouco tempo tu prompto. A mocca saboroso para cortar as bons golados de vinho do Forto que pouco antes tomamos, e agua fervendo para "escaldar pes". Depois de recebermos tao sublimes lenitivos- cafe quente para o estomago e agua pelando para os pes, fomos dormi,- o somno mais desejado de nossa vida. E eu foi para o meu qyartinho da sala a matutar commigo mesmo. Que gente forte! Estes americanos, dois nota- vei6 scientists, passaram pela peior esfrega de vida delles, sem um lamento, sem uma praga, sem se lastimarem. Que bom exemplo. Que prova de fogo da fortidao duma raga' Fiquei admirado e estou convencido que cinco mogos nao teriam vencido os mortaes obataculos com a mesma galhardia cor que elles o venceram! Eta gente. -9- Os outros dias os dois que passamos no Araponga e o de viagem correram sem novidade. Todos estasiados cor a belleza de Araponga. Dr. Bailey disse-me e o logar mais bello que elle viu no Brasil. |
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